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Sporting CP em Santa Maria da Feira à conquista da “Final-Four”

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No próximo sábado, o Sporting Clube de Portugal desloca-se ao Estádio Marcolino de Castro, para defrontar o CD Feirense, em jogo a contar para a 3ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga. Em disputa estará a vaga para a “Final-Four” da Taça da Liga, troféu que o Sporting conquistou na época transata.

Marcel Keizer, tem para este jogo, o plantel praticamente todo à sua disposição, com exceção de Fredy Montero e Rodrigo Battaglia, devido a lesão. Assim, o treinador leonino deverá apostar no onze, que lhe tem dado mais garantias.

Frente a frente, vai estar um leão após a derrota em Guimarães para a Liga e um CD Feirense que está numa posição complicada no campeonato, que não vence há cinco jogos. O CD Feirense liderado por Nuno Manta Santos, soma seis pontos à entrada para esta terceira jornada da Taça a Liga e jogará novamente para os quartos-de-final da Taça de Portugal frente à equipa verde e branca.

Os leões venceram a 1ª jornada do Grupo D, frente ao Marítimo por 2-1, com golos de Bruno Fernandes e Raphinha
Fonte: Sporting CP

As contas deste grupo D são complicadas para os leões. Podem ainda apura-se para a “Final-Four” tanto o Sporting CP como o Estoril-Praia, que somam três pontos, e ainda o CD Feirense que soma seis. Assim, o Sporting CP está obrigado a vencer em Santa Maria da Feira por uma margem superior a dois golos de diferença para poder defender o título conquistado na última temporada.

O treinador fogaceiro, Nuno Manta Santos, perante o Sporting CP deverá apostar numa estratégia assente num bloco defensivo baixo e extremamente organizado, explorando as transições no contra-ataque, para tentar surpreender o coletivo de Alvalade.

A missão do Sporting CP é difícil, mas a equipa de Marcel Keizer é favorita a vencer esta partida. Terá de ser uma equipa eficaz na finalização, para poder apontar o maior número de golos possível e ao mesmo tempo, consistente em termos defensivos. O histórico entre as duas equipas é favorável aos leões, com 12 vitórias e uma derrota, em 13 jogos disputados.

Esta é uma partida importante, em jogo estará um dos objetivos para esta época: a conquista da Taça da Liga, pela segunda vez consecutiva. Assim, o que se pede aos jogadores e à equipa técnica é Esforço, Dedicação e Devoção, para conquistar a Glória e consequentemente, mais um título para o palmarés do clube.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Difícil pôr o pé entre os grandes… mas possível

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O excelente desempenho das equipas holandesas nesta fase de grupos da Liga dos Campeões foi notório. Tinham sido dez anos de eclipse quase total de equipas do país nas fases a eliminar da competição: as últimas “grandes campanhas” foram em 2005/06 – AFC Ajax e PSV Eindhoven chegaram aos oitavos – e em 2006/07- o PSV eliminara o Arsenal FC nos oitavos (2-1 no conjunto das duas mãos), mas caiu nos quartos frente ao também colosso inglês Liverpool FC (4-0 na eliminatória).

Todavia, há um par de anos, depois de tanto tempo sem grandes feitos na prova máxima da UEFA, o PSV ainda ameaçou o Atlético de Madrid: depois de dois “0-0”, os colchoneros avançaram, graças à vitória por “8-7” nas grandes penalidades.

É claro o afastamento de “ex-colossos mundiais” da elite competitiva. Numa era em que já se analisa a possibilidade de criação de uma Superliga europeia, são notórias as dificuldades de equipas como as da Holanda em competir. Mais agravante ainda é a “impossibilidade” em segurar os seus melhores jogadores.

Qualquer coisa, por muito boa ou má que seja, conta com vantagens e desvantagens. Creio que uma liga assim traria muita emoção ao futebol e concentraria os melhores frente a frente: elevava a competividade e aumentava o cachê geral. Contudo, julgo que, à imagem do desvanecer do futebol amador, também algum futebol profissional descerá ao patamar “semiprofissional” ou à segunda linha europeia (se é que já não existe).

O PSV, dentro do possível, portou-se muito bem na prova milionária
Fonte: PSV Eindhoven

Além disso, era mais fácil distribuir prémios individuais. Atualmente, todos os campeonatos são alvo de comparação entre si, ou seja, representam um peso diferente. Assim, bitaites como “o Messi tem de ir para Inglaterra provar que é bom” seriam evitados, felizmente.

De momento, não sou a favor da criação dessa prova. Mas a mudança é inevitável e só assim se saberá se traz progresso. Como negócio, é o melhor que podia acontecer aos poderosos. Já aos “oprimidos”… Como desporto, creio que o futebol ficaria a perder, muito por culpa de uma redução do espaço de oportunidade: deixaria de se ver “tomba-gigantes”, que aparecem com ainda alguma regularidade (debatível).

Nesta fase de grupos, assistimos a um Ajax forte e muito consistente e um PSV a bater-se bem num grupo com Inter de Milão, FC Barcelona e Tottenham Hotspur FC. Creio que será outra época “bem sucedida” singular, sem continuidade. A meu ver, o sucesso momentâneo do Ajax pode muito bem assemelhar-se ao do AS Monaco, que, após ganhar o campeonato e chegar longe na Liga dos Campeões com Leonardo Jardim, “perdeu tudo”. Até agora, Tadić, De Ligt (Golden Boy 2018), De Jong, Dolberg, Ziyech e Tagliafico são nomes tão sonantes como Mbappé, Bernardo Silva, Mendy, Fabinho, Bakayoko, ou Thomas Lemar em 2016/17…

Foto de Capa: AFC Ajax

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

US Créteil Lusitanos: O clube francês mais português que quer voltar à ribalta

Mora em França, mais concretamente na cidade de Créteil, um dos clubes que mais representa a diáspora portuguesa por esse mundo fora.

O Union Sportive Créteil-Lusitanos é o resultado de uma fusão acontecida em 2002 entre o US Créteil e o Lusitanos de Saint-Maur. Armand Lopes, empresário luso-francês, liderou essa fusão e tornou-se assim o presidente, e principal investidor, deste novo clube. Começava assim a ligação deste clube com o nosso país. O clube, que se situa nos subúrbios de Paris, certamente que viu com esta fusão um incremento nas receitas, pois esta permitiu trazer uma nova “onda” de adeptos para este clube, oriundos da gigantesca comunidade portuguesa ali residente.

Armand Lopes herdou um clube que se encontrava na Ligue 2 desde 1999, sempre sem muita exuberância, ocupando os lugares do fundo da tabela. A melhor classificação obtida pelo US Créteil-Lusitanos na Ligue 2 remonta à época 2005/2006, quando o clube conseguiu finalizar a temporada num honroso oitavo lugar, numa liga com 20 equipas. O plantel dessa época contava, de resto, com vários portugueses no seu elenco. Mário Loja, defesa que teve o auge da sua carreira no Boavista FC, será certamente o nome mais conhecido que figurava nessa equipa entre os leitores portugueses.

No entanto, o clube não seguiu a rota do crescimento e depois de ter atingido o pico em 2005/2006 começou a cair a pique. Em 2006/2007, o clube, dando continuidade às suas ligações lusitanas, decidiu contratar um treinador português que já tinha tido bastante sucesso por terras gaulesas, Artur Jorge. O treinador português não teve muito sucesso no Créteil-Lusitanos, confirmando também a trajetória descendente da sua carreira e acabaria mesmo por descer de divisão. Depois de uma época em que conseguem a melhor classificação de sempre na história do clube, o US Créteil-Lusitanos desce na época seguinte.

O US Créteil Lusitanos é uma das equipas estrangeiras mais “portuguesas” do planeta
Fonte: US Créteil Lusitanos

Seguiram-se épocas na terceira divisão com uma única inclusão na Ligue 2, em 2013/2014. A confirmação da página mais negra da história recente do US Créteil-Lusitanos chegaria no final da época passada, quando o clube acabou relegado para o quarto escalão francês, o National 2.

É nesta altura que a direção do US Créteil-Lusitanos decide tentar inverter a tendência negativa que se apoderou do clube e convida o português Rui Pataca, ex-jogador do clube, fazendo a última época em 2008/2009, para o cargo de diretor-desportivo, convite esse que foi aceite, não fosse Rui Pataca já um ícone do clube.

A versão 2018/2019 do Créteil-Lusitanos estava em andamento e com o objetivo bem definido: voltar a colocar o clube nos patamares que merece. O clube francês decidiu contratar para o lugar de treinador-principal o antigo internacional português Carlos Secretário. O clube disputa neste momento o grupo D da 4.ª Divisão Francesa, a National 2.

O Bola na Rede conseguiu falar com dois adjuntos, Eduardo Moreira e Manuel Ramos, que integram a equipa técnica de Carlos Secretário.

Os adjuntos de Carlos Secretário abriram o jogo ao Bola na Rede
Fonte: US Créteil-Lusitanos

Manuel Ramos começou por não deixar dúvidas quanto à visão atual do projeto desportivo do Créteil-Lusitanos, “inverter o ciclo negativo que realmente o clube atravessou e estabilizá-lo tentando, no mais curto período possível, voltar para a segunda liga, que é onde pertence“.

O Créteil-Lusitanos, fruto das épocas mais negativas que aconteceram, tem vindo a perder adeptos, algo que no entender de Eduardo Moreira está a mudar agora que o clube está a voltar aos bons resultados. O treinador-adjunto português mostrou-se ainda surpreendido com o nível de condições existentes na quarta divisão francesa ao afirmar que “a nível de infraestruturas desportivas todos os clubes nesta divisão têm condições iguais ou melhores que vários profissionais em Portugal. Muito superior ao semiprofissional”.

O clube francês, apesar de competir numa divisão semiprofissional, possui uma estrutura e um plantel 100% profissional. Este facto é uma ajuda para que o Créteil-Lusitanos consiga marcar a diferença entre os restantes clubes. “A nossa equipa é completamente profissional. Temos condições ótimas de treino e desta maneira podemos organizar o nosso planeamento da melhor maneira“, refere Manuel Ramos.

Quando questionados sobre o conhecimento que possuíam acerca do clube anteriormente, as respostas são díspares. Eduardo Moreira refere que já conhecia o clube dos tempos em que militava na Ligue 2 e Manuel Ramos confessa que conhecia pouco, não só do clube mas do futebol francês a nível geral. Ambos referem, no entanto, que a ligação especial que existe entre o clube e a comunidade portuguesa não foi um fator decisivo na tomada de decisão.

Em relação a Portugal, há um sentimento que os une: a saudade. França é um país onde a portugalidade está bastante presente e isso ajuda a que as saudades sejam menores, mas ainda assim elas existem. Eduardo Moreira confessa que aquilo de que mais sente falta de Portugal é a proximidade com a família; já Manuel Ramos é mais concreto e tem saudades do “seu” mar de Esmoriz.

Os dois treinadores-adjuntos, juntamente com o treinador principal, Carlos Secretário, o diretor desportivo, Rui Pataca, e três jogadores, Alexandre Pardal, Hugo Silva, e Fábio Pereira, são a “armada” portuguesa do Créteil-Lusitanos 2018/2019.

A época tem corrido de feição ao clube francês, quando nos encontramos praticamente a meio da época. O Créteil-Lusitanos ocupa a segunda posição do grupo D da National 2 e tem a melhor defesa com apenas dez golos sofridos. A equipa já foi eliminada da Taça de França, podendo agora centrar forças na luta pela subida de divisão.

O último encontro do Créteil-Lusitanos para a National 2 foi um dérbi parisiense entre dois clubes com ligações à comunidade portuguesa, o Crétéil-Lusitanos e o US Lusitanos. O US Lusitanos levou de vencido o Créteil-Lusitanos ao vencer na sua casa por 3-1. Este encontro também marcou o regresso de Carlos Secretário a um clube que treinou durante duas épocas.

Foto de Capa: US Créteil-Lusitanos

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

As prendas de Natal para os 18 treinadores da Primeira Liga

Como já vem sendo hábito, o Bola na Rede não quis deixar esta época festiva sem oferecer umas prendinhas de Natal.

Assim sendo, para além de desejarmos a todos os intervenientes do futebol português muita saúde, sucesso e paz entre todos, fomos às compras e passamos a enumerar o que vamos deixar no sapatinho de cada um dos 18 treinadores da Primeira Liga.

Um feliz Natal para todos!

São Miguel, a ilha da equipa feliz

Na Região Autónoma dos Açores reside uma equipa feliz. Sendo assim, bem se pode dizer que o seu atual estado de vitalidade espelha a cor pela qual a sua casa – a ilha de São Miguel – é reconhecida devido às suas paisagens idílicas, o verde.

Na verdade, e se considerarmos o seu percurso no decorrer das 13 primeiras jornadas daquela que tem vindo a ser a edição mais competitiva da Primeira Liga dos últimos anos (apenas quatro pontos separam os quatro primeiros classificados), torna-se inevitável apontar o CD Santa Clara, de João Henriques, como uma das formações que mais tem sobressaído. São, aliás, vários os argumentos que podem ser invocados para o justificar.

Porém, e porque no desporto-rei o fundamental são os golos que se marca, comecemos por aí: o conjunto micaelense regista, até ao momento, um total de 21 golos. Ora, ainda relativo a este aspeto, atente-se ao facto de a formação do Santa Clara ser aquela que mais golos obtém na sequência de lances de bola parada a seguir ao FC Porto, totalizando sete tentos nessas circunstâncias – só menos um que os Dragões.

Em seguida, a predisposição ofensiva é mais um dos traços diferenciadores do conjunto orientado pelo português de 46 anos. A turma micaelense pode, mesmo, orgulhar-se de se equiparar aos “grandes” em termos de ocupação do último terço adversário.

Posto isto, e indissociável deste bom desempenho coletivo, está o rendimento de algumas das suas unidades mais influentes como são os casos do médio Osama Rashid ou do extremo Fernando Andrade. O primeiro, capitão de equipa dos Açorianos, assume-se, acima de tudo, como uma referência aquando da marcação de bolas paradas, levando já seis assistências e, ainda, quatro remates certeiros. Já o brasileiro Fernando, que atua preferencialmente na faixa esquerda, destaca-se pela sua capacidade de aceleração e pujança física, caraterísticas às quais alia uma razoável qualidade técnica; soma, até ao momento, três golos e outras tantas assistências.

Como joga

Perfilando-se, geralmente, em 4-3-3 (embora, por vezes, alterne para o 4-4-2), a formação de Ponta Delgada regista uma média de (44,3 %) no que respeita à percentagem de posse de bola por encontro. Posteriormente, realce-se o envolvimento dos laterais no processo ofensivo, em particular, o de Patrick Vieira, que atua pelo flanco direito, lado por onde os Açorianos executam a maioria dos seus ataques – cerca de (40 %).

O Heatmap ilustra o espaço percorrido pelo lateral Patrick no jogo diante do Rio Ave FC e sugere a sua grande vocação ofensiva
Fonte: Whoscored

Ainda referente ao plano ofensivo, é de destacar o alto nível de materialização das oportunidades criadas pois, apesar de ser a sexta equipa que menos remates realiza por jogo – com uma média de (11, 5), possui um dos melhores registos da prova no que respeita a golos obtidos.

Estará o Santa Clara próximo de atingir o seu objetivo – a manutenção? Ainda é cedo para o dizer, mas como escreveu José Ferreira num dos versos da canção “Ilhas de Bruma” «(…) tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança».

 

Foto de Capa: CD Santa Clara

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Carta Portista ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Estamos prestes a terminar mais um ano, mas todos sabemos que isso não acontece sem que primeiro chegue o teu dia, o dia em que todos os olhos estão postos em ti e na tua missão de distribuir sorrisos pelo mundo.

Pois bem, este foi um ano em que nós, portistas, ficamos satisfeitos por nos teres dado ouvidos (depois de quatro anos, já não era sem tempo!). Recuperámos, em maio, o título de campeões nacionais e esse era o principal desejo que tínhamos. Agora, ao olhar para trás e projetar este Natal, percebo que fomos partilhando, na família portista, valores como a união e a solidariedade e esses valores estão entre os meus pedidos para este ano.

Pai Natal, vou ser o mais direta possível e começar pelo principal, aquilo que esta grande família portista verdadeiramente deseja: queremos, em maio, voltar aos Aliados para festejar o bicampeonato. Todos nós temos os nossos pedidos mais pessoais, as futilidades de que nos lembramos sobretudo nesta altura, os pedidos de bens mais essenciais e que nos estão a fazer falta… e tudo isso é importante. Esta é, acima de tudo, uma época para sonharmos e acreditarmos, uma época para tentarmos deixar de lado, nem que seja por dois dias, as coisas más da nossa vida. Para além do Natal, também o futebol, durante o ano, vai fazendo esse papel, o papel de em 90 minutos nos manter distantes do que mais nos preocupa ou assusta. E por isso é desejo da família portista voltar a conquistar o título.

Plantel unido no apoio a Nuno Pinto
Fonte: FC Porto

Mas, como essa é uma prenda que na prática só será entregue em maio, há outras coisas que gostava de te pedir. Uma delas é que nos ajudes a ajudar quem precisa. No mês de novembro o FC Porto desenvolveu uma campanha de solidariedade em que promoveu uma recolha de alimentos. Este tipo de iniciativas são importantes e queremos que continuem a existir. Queremos que o nosso clube, que chega a tanta gente, impulsione este tipo de atividades e envolva os seus adeptos, porque o futebol é mesmo capaz de mover milhares de pessoas.

Depois, não podia esquecer-me das restantes competições em que estamos envolvidos. Pai Natal, sabes há quanto tempo não vencemos uma Taça de Portugal? Desde 2011. Para além disso, há a Taça da Liga, competição que vencemos sabes quando? Nunca. Por isso mesmo, este é outro dos desejos que quero que tenhas em consideração. Ah, e não te esqueças da Liga dos Campeões. Para além do prestígio, esta é uma prova que dá dinheiro, e bem sabes que o dinheiro nos faz falta para termos margem de manobra para gerir o plantel. Sei que vencer a Liga dos Campeões parece impossível, mas pensa bem, talvez também parecesse em 2004 e conseguimos. Ainda assim, vamos pensando num passo de cada vez e, com os romanos pela frente, queremos conseguir por os olhos nos quartos-de-final.

Por último, Pai Natal, um desejo que não envolve o FC Porto mas que tocou o futebol e nos tocou a todos nós. Chama-se Nuno Pinto, é defesa esquerdo do Vitória de Setúbal e está gravemente doente. Sei que tu, como pessoa atenta que és, sabes que aquela é uma doença que, a mim em particular, me diz muito. E como a mim, tenho a certeza que a muita gente neste país. Agora, é uma doença que diz muito também ao Nuno e a toda a sua família. Por isso, Pai Natal, ajuda-os a ultrapassá-la e ajuda o Nuno a acreditar que, entretanto, pode voltar aos relvados e a fazer aquilo de que mais gosta, junto dos seus.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo Revisto por: Ana Ferreira

Carta Benfiquista ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Já se passou algum tempo desde a última vez que te escrevi. Talvez por achar que nos últimos tempos não há nada que eu queira em particular ou talvez porque simplesmente esperava pedir algo a sério, algo que quero mesmo e pelo qual anseio já há algum tempo.

Não te venho pedir bens materiais, a única coisa que lhe quero pedir realmente é amor, é felicidade, é vibração. Sim, eu quero amor à camisola, eu quero ver a felicidades nos nossos jogadores e nos adeptos que me rodeiam. Na verdade, o que eu quero mesmo é o meu Benfica de volta.

Sabes, Pai Natal, uma vez quando era criança, pedi-te um equipamento do Benfica. Parece que me portei bem nesse ano, porque me deste exatamente o que eu queria e eu tive um Natal mais feliz. Foi tão bom abrir aquele presente e ter um equipamento com o nome do Sabry. Talvez muita gente não se lembre dele, mas eu nunca mais me vou esquecer. E desde essa altura, até antes, eu já vibrava com o Benfica, já cantava as músicas, já gritava golo e também já mandava vir com os jogadores pela televisão, mesmo sabendo que não iam ouvir. Vê só o meu amor pelo clube.

Voltando ao que te quero pedir… Este ano gostava e queria muito que o Benfica voltasse a ser o mesmo que era antes de Rui Vitória ser escolhido como treinador. Sim, Pai Natal, eu já percebi que ele é boa pessoa, mas isso não chega quando se está à frente de um clube tão grandioso como é o meu, um clube de história!

Alguns jogadores do Benfica marcaram presença numa ação solidária, na Associação de Jardins-Escolas João de Deus, na Amadora
Fonte: SL Benfica

São muitos os jogadores que temos, todos com valor, mas uns parecem não estar no lugar certo. E é para isso que serve o mercado de transferências, para se fazer um “vaivém” de jogadores quando é necessário. Qual é a ideia de comprar jogadores se pouco ou quase nada se utilizam?

Mas o grande problema do Benfica, infelizmente, não é só esse. Parece que deixaram de saber jogar à bola, que não lutam pelas vitórias (só de vez em quando). Por vezes, os que mais brilham, os que mais mostram jogar à bola, são os mais novos. Aquela qualidade técnica do João Félix, aqueles remates certeiros do Gedson que nos deu um belo golo na Allianz Arena este ano e que se tornou no “nosso” Golden Boy. Mas não, não são só os mais novos.

Acho que o Pizzi, apesar das fracas exibições do Benfica, tem estado num nível bastante melhor comparado com certas alturas. O Jonas, que para mim já jogou melhor, mas que continua a ser um dos melhores marcadores do Benfica estando neste momento em igualdade com Rafa, que também tem surpreendido. O Grimaldo, o nosso defesa que às vezes parece o Speedy Gonzales e que às vezes me deixa pasmada com certas jogadas e golos. Também temos o Seferovic, que não foi assim tão bem recebido por alguns, mas que tem tido tempo para mostrar o que vale. O Zivkovic, que com um 1,69 cm, por vezes, fura mais que um berbequim. O Salvio, o Fejsa, tantos outros. Todos com tão boas qualidades e tão bem desperdiçadas.

Pai Natal, se considerares que estou no direito, queria pedir-te outra coisa. Queria pedir-te que ofereças uns patins. Não a mim, ao nosso querido Rui Vitória. Mas não é para ele se magoar, confia, é só mesmo para ele ir embora a desfilar. Pensando melhor, talvez seja preferível um avião, ou um jato privado, que pelo menos andam mais rápido e é certo que o vão levar para longe.

Desculpa a minha ironia, mas estou cansada de ver mau futebol e de o ouvir dizer que fizeram “uma ótima exibição”. Como é que ele é capaz de dizer isso e não mete a mão na consciência? Estas prestações do Benfica fazem-me lembrar do torneio de inter-turmas quando andava no 6º ano. Éramos uma equipa de raparigas que não sabiam jogar à bola, mas jogámos melhor o suficiente para sermos as campeãs (parece as vitórias do Benfica, se é que me entendes).

Pizzi: “No Benfica é sempre proibido escorregar!”
Fonte: SL Benfica

Eu quero mais do Benfica! Quero mais “show de bola”, quero mais garra. Quero voltar a arrepiar-me só com jogadas, quero festejar os nossos golos e goleadas com adeptos que não conheço de lado nenhum, mas que partilham a mesma felicidade que eu. Quero os nossos jogadores a jogarem como jogavam antes, com vontade, com querer! Quero que acabe a ingenuidade (ou o que lhe queiram chamar) do nosso treinador, aquela “coisa” de ele achar que o Benfica está a dar o seu melhor em cada jogo. Por favor, alguém lhe diga que ele está redondamente enganado.

Esta é uma época de amor, de paz. Por isso, Pai Natal, e com todo o respeito, queria pedir-te ainda outro presente, mas este é para o meu clube. Eu sei que eles não se estão a portar da melhor maneira, mas talvez com um presente eles ficassem mais incentivados. Talvez com um novo treinador, embrulhadinho e tal.

Talvez quando vier da Lapónia possas passar pela Arábia Saudita e dar um ar da tua graça, por exemplo. Mas só se não for pedir muito. Mas por favor, dá-me o meu Benfica de volta, dá-me os nossos campeões outra vez. Não deixes que uma só pessoa faça deles um alvo por parte dos adeptos, porque para isso já nos chega o Sporting. Por favor, Pai Natal, dá-me vitórias merecidas e não vitórias por sorte. Dá-me muitos golos, porque um golo por jogo sem saberem muito bem como não é suficiente. Isto não é raça de campeão, é apenas uma equipa a desmoronar-se por causa de um treinador que não sabe o que fazer com os jogadores e de um presidente que não sabe tomar as devidas medidas.

Por isso, espero ter-me portado suficientemente bem este ano para que possa ter as prendinhas que te pedi. Se achares que não consegues trazer tudo sozinho com o Rodolfo, diz-nos, que nós adeptos podemos ceder-lhe o nosso “colinho” para o ajudar.

Foto de Capa: SL Benfica

Carta Sportinguista ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Antes de mais, é bom voltar a falar contigo depois de tantos anos. Como vês, ainda tenho a tua morada bem guardada mas desta vez não venho com a mesma lengalenga de anos anteriores. Nada de brinquedos, jogos ou futilidades e é por isso que volto a endereçar-te estas palavras nestas mágicas linhas que tanta felicidade distribuem.

Chegou o tempo de pedir, pelo menos é para isso que serve esta carta, e segundo consta, pedir não custa. No entanto, aprendi também que este é tempo principalmente de dar e isso também não custa nada. A quem o digo, não é? A ti que não fazes outra coisa senão dar e oferecer sem receber nada em troca. Por isso mesmo quero começar esta carta por dar algo também, quero oferecer alguns dos pedidos que esta carta me concede. Só te peço que os embrulhes da forma mais bonita possível e depois os entregues tal e qual como fazes todos os anos, com essa eficácia tremenda, qual Bas Dost vestido de vermelho. Horrível visão esta agora… Adiante!

Primeiramente, quero que cumpras todos os desejos e realizes todos e cada um dos inúmeros pedidos que recebes, especialmente aqueles de todos os que nem esta carta te conseguem escrever mas que o fazem em pensamento, sobretudo nestes dias. Sei que estás atento a tudo isso e ajudarás aqueles que mais o precisam. Solidariedade é o primeiro presente que aqui peço para oferecer.

Tenho agora de colocar a Bola na Rede e falar-te de futebol mas sem deixar para trás o espírito nobre que devia ser apanágio de todo o ano e não só nestes dias. Aliás, quero falar-te de algo que ultrapassa o nosso querido desporto-rei. Há um nome, que espero que esteja na lista certa, que precisa da tua ajuda. Acho que o Nuno Pinto, jogador do Vitória FC, merece um belo presente este ano, estamos todos a contar contigo. O futebol é, unicamente, a coisa mais importante das coisas menos importantes da vida. É pena que só tenhamos essa noção quando brotam casos como este. Se puderes, coloca um pouco – bastante grande – de juízo e bom-senso no sapatinho de todos os intervenientes do nosso futebol, ficaria também agradecido, confesso.

Permite-me agora ser um pouco mais egoísta, até porque nós, sportinguistas, temos estado na lista dos bem comportados, pelo menos, ultimamente. Não tem sido assim ao longo de todo o ano, tenho consciência disso. Assim sendo, assumo também a responsabilidade de o dizer em nome de todos os sportinguistas, este ano o que te peço é nada mais e nada menos que paz. Uma paz branca e pura que se misture com o nosso verde listado e seja duradoura e transversal a todo o clube. Com ela virá também a união da família sportinguista, algo a que estas datas tanto convidam e algo imperativo para rugir a uma só voz.

Pede-se uma forte união no universo verde e branco
Fonte: Sporting CP

Obrigado, já agora, pela prenda antecipada. O “duende” holandês que enviaste está a devolver o entusiasmo às bancadas numa época em que tudo parecia ser uma daquelas páginas, deixadas propositadamente em branco, que principiam os livros para só depois dar início efetivo à prosa, ou, neste caso, à poesia.

Peço-te coisas simples: que a alegria no relvado não cesse, que o prazer transborde para as bancadas e que invada também o pavilhão João Rocha e a sua quadra. Sim, queremos espetáculo. Um Adrien no sapatinho também seria bem-vindo e não te vou mentir, queremos muitos títulos e troféus, de todos os formatos e cores possíveis, seja nas modalidades ou no futebol. E claro, continuamos a querer aquela prenda que está esquecida algures desde 2002 mas que todos os anos é recorrente em cartas esperançosas e por isso esverdeadas como esta.

Mas acima de tudo e de qualquer outra coisa, peço-te aquilo que te peço sempre: saúde. Para todos, para os que têm o coração verde, para os restantes corações coloridos pelo futebol mas também para os que o têm descolorido e se apaixonam por outras coisas. O futebol será sempre só um jogo ou até mais do que isso, às vezes parecerá uma questão de vida ou morte e noutras será muito mais do que isso também. No fundo, oferece-nos saúde para que todos possamos continuar a desfrutar dele, com as nossas cores, a cada dia, nos vários desportos e em cada jogo.

Um feliz natal para todos e para ti também, Pai Natal.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Os 5 desportistas que estão na lista do Pai Natal

Com a noite de Natal a chegar, o Bola na Rede foi para o terreno e conduziu uma investigação profunda que lhe permitiu aceder a uma parte do mais bem guardado segredo da época: a Lista do Pai Natal!

Neste exclusivo BnR, descobre a avaliação do velhote das barbas brancas a cinco destacados desportistas, e quais são as prendas a que estes terão direito.

Da ruína ao renascer das cinzas

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O Kuban Krasnodar foi fundado na primeira metade do século XX pela polícia secreta da União Soviética e foi durante muitos anos uma das equipas mais famosas da Rússia, porventura a mais famosa das equipas sediadas fora da capital. Atualmente, os tempos não são áureos.

Na época 2012/2013, o Kuban Krasnodar conseguiu terminar num histórico quarto lugar, a melhor classificação de sempre da história do clube, o que lhe valeu o apuramento para a Liga Europa. Depois de um período irregular, com subidas e descidas de divisão à mistura, parecia, finalmente, ganhar alguma estabilidade o projeto do Kuban.

O apuramento para a fase de grupos da Liga Europa, com uma vitória sobre o Feyenoord no play-off, motivou ainda mais os adeptos, que viram a sua equipa ficar no terceiro lugar da fase de grupos, atrás de Valencia CF e Swansea City AFC.

Foi na época seguinte que começaram os problemas do Kuban. O rendimento desportivo em campo não era por aí além e fora dele começou a piorar. Surgiram as primeiras notícias de salários em atraso e desinteresse por parte dos investidores. A chegada à final da Taça da Rússia, nestas condições, foi um feito quase heróico por parte de toda a equipa.

Na época de 2015/2016, a bomba estourou. O investidor maioritário deixou de financiar o clube, o que se traduziu em atrasos nos salários de todo o staff e graves problemas de tesouraria. O governo de Krasnodar ficou a tomar conta da totalidade do clube, enquanto esperava arranjar um novo patrocinador. Um dos planos para atrair publicidade e novos investidores passou pela contratação de Andrey Arshavin, uma das maiores figuras de sempre do futebol russo, e foi pago a peso de ouro para tentar reavivar o clube. A iniciativa não resultou, pelo contrário, agravou ainda mais os problemas do Kuban. O internacional russo saiu ao fim de nove jogos e o clube acabaria por ser relegado à segunda divisão. Por lá se manteve até à época passada, com desempenhos modestos.

Pelo meio, surgiu a possibilidade de se transferir o clube para Sochi, a… mais de 300km de distância. Havia muita pressão social na Rússia para ter uma equipa profissional naquela cidade, que construiu de raíz um imponente estádio para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. Esta poderia ter sido uma das possibilidades para o salvamento do Kuban, mas tal não aconteceu, muito por vontade dos adeptos, a quem, uns anos antes, havia sido prometida a construção de um novo estádio, mas tal não saiu do papel.

Símbolo do novo clube, o FC Uroshay Krasnodar
Fonte: Federação Russa

Em junho deste ano, uma ação judicial das autoridades fiscais declarou oficialmente o clube como falido. Este falhou o pagamento da inscrição na segunda divisão e foi dissolvido devido à bancarrota.

No entanto, os adeptos entusiastas não aceitaram baixar os braços e estão a tentar reerguer o Kuban das cinzas. Para isso, adaptaram as cores e os símbolos de sempre e criaram o FC Uroshay Krasnodar, o novo Kuban, que participa atualmente nas divisões regionais de Krasnodar (Krasnodar Krai Regional League).

É possível fazer uma análise macroeconómica ao futebol da Rússia. É totalmente impossível ter uma equipa de futebol profissional competitiva sem uma estrutura milionária por trás. A grande dispersão geográfica do país exige viagens demasiado longas, muitas horas e fusos horários diferentes, o que é praticamente insustentável. Excetuando a capital Moscovo, é insubsistente qualquer outra cidade ter suporte financeiro e mediático para mais do que uma equipa na elite do futebol. No caso de Krasnodar, a fundação e imediato crescimento do FK Krasnodar fez com que o Kuban sentisse na pele as dificuldades disso mesmo. Dificilmente poderiam sobreviver os dois, e foi o Kuban que levou a pior.

Conseguirá reerguer-se das cinzas? Ninguém sabe ao certo, mas o mundo do futebol espera que sim.

Foto de capa: UEFA

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro