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Olympique Lyonnais 1-5 Paris Saint-Germain FC: Goleada inesperada

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A CRÓNICA: GOLEADA DO PARIS SAINT-GERMAIN E UM JOGO DIFERENTE A PARTIR DA EXPULSÃO

O Paris Saint-Germain confirmou a presença na final da Taça de França ao golear no reduto do Olympique Lyonnais por 1-5, numa partida que ficou marcada pela expulsão de Marçal quando o encontro estava empatado. Ah, e claro, pelo genial hattrick de Kylian Mbappé!

Quanto ao jogo em si, era impossível ter pedido uma reta inicial mais frenética, com oportunidades flagrantes para os dois lados nos primeiros quinze minutos. Depois das ameaças…vieram os golos. Terrier inaugurou o marcador para grande festa dos adeptos da casa, festa essa que duraria pouco tempo, com Mbappé a responder logo de seguida na sequência de um pontapé de canto. Fiéis às suas identidades, Lyon e PSG continuaram a jogar de igual para igual e, até ao intervalo, ambas estiveram perto de passar para a frente do marcador: Terrier esteve perto de bisar, já Cavani atiraria uma bola ao poste.

No regresso dos balneários, o conjunto da casa até entrou melhor, mas seria a formação da capital a marcar. Marçal tocou na bola com o braço na grande área, viu o segundo amarelo e Neymar (desaparecido até então) tratou de converter o penálti em golo. Se a vida já estava difícil para os da casa, pior ficou quando Mbappé decidiu arrancar antes do meio-campo e fazer o terceiro. Já com um Lyon sem quaisquer aspirações, o jogo descambou e assumiu contornos de goleada, com Sarabia a fazer o quarto golo e Mbappé a assinar o hattrick no último lance do encontro. Os parisienses esperam agora pelo desfecho do jogo entre Saint-Étienne e Rennes.

A FIGURA

Fonte: Paris Saint-Germain

Kylian Mbappé – Com um hattrick no encontro, o avançado francês foi quem mais se destacou na reviravolta dos parisienses, tendo marcado dois dos três golos nas alturas mais cruciais da partida. O primeiro foi uma resposta imediata ao golo do Olympique Lyonnais e o segundo – num lance de pura genialidade do francês – terminou com qualquer aspiração que o adversário ainda pudesse ter na meia-final da taça de França.

O FORA DE JOGO

Fonte: Olympique Lyonnais

Marçal – A sua expulsão foi, inevitavelmente, o lance capital do encontro. Depois de ter deixado que Kurzawa ganhasse nas alturas no lance do empate, cometeu ainda o erro de levar o braço à bola à passagem da uma hora de jogo e deixar a sua equipa reduzida a dez até final. E o 1-1 viria a transformar-se num inacreditável 1-5 num curto espaço de tempo.

ANÁLISE TÁTICA – OLYMPIQUE LYONNAIS

A troca de Traoré por Toko Ekambi foi a única alteração de Rudi Garcia para a receção ao Paris SG, numa tentativa de dar maior dinâmica ao corredor direito. E seria a partir de lá (e do próprio Ekambi na assistência) que surgiria o primeiro golo do encontro e também uma de várias oportunidades a ameaçar a baliza de Navas. A estratégia para a segunda parte seria certamente outra, mas a inferioridade numérica a partir do minuto 61 deitou tudo por terra e o jogo assumiria outros contornos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Anthony Lopes (5)

Fernando Marçal (3)

Jason Denayer (5)

Marcelo (4)

Léo Dubois (5)

Bruno Guimarães (6)

Lucas Tousart (5)

Houssem Aouar (6)

Martin Terrier (7)

Karl Toko-Ekambi (6)

Moussa Dembélé (6)

SUBS UTILIZADOS

Rafael (5)

Joachim Andersen (5)

Jean Lucas (-)

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN

Thomas Tuchel decidiu fazer quatro alterações em relação ao “onze” que goleou o Dijon, duas no setor defensivo (com as entradas de Kurzawa e Meunier) e duas no meio-campo (Paredes no lugar de Kouassi e Neymar no de Di Maria). A jogar em 4-4-2, o conjunto da capital entrou a ameaçar a baliza de Anthony Lopes e teve a capacidade de saber responder ao golo inaugurador do adversário. Apesar da entrada cinzenta na segunda parte, os homens de Tuchel partiram para cima do adversário na última meia hora devido à superioridade numérica e construíram, assim, um caminho algo inesperado para a golada

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Keylor Navas (6)

Layvin Kurzawa (7)

Thilo Kehrer (6)

Marquinhos (6)

Thomas Meunier (5)

Pablo Sarabia (7)

Idrissa Gueye (5)

Leandro Paredes (6)

Neymar (5)

Kylian Mbappé (9)

Edinson Cavani (6)

SUBS UTILIZADOS

Marco Verratti (6)

Mauro Icardi (5)

Juan Bernat (5)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

A alternativa defensiva | Promover ou Adaptar?

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O SL Benfica tem vivido momentos atribulados nesta fase da temporada. No espaço de um mês perdeu toda a vantagem que tinha na tabela classificativa do campeonato, tendo sido ultrapassado pelo seu rival FC Porto, para além de ter sido afastado das competições europeias, ao ser eliminado pelo FK Shakhtar, do português Luís Castro. Um mês negro nas aspirações encarnadas e a maré de azar chegou mesmo ao quadro clínico do clube da Luz, não havendo agora uma clara alternativa defensiva.

Os encarnados emprestaram Gérman Conti ao Atlas e oficializaram a venda de Lisandro López ao Boca Juniors. Até aqui, nada de mal, não fosse o facto de não terem contratado nenhum ativo para o centro da defesa, deixando Jardel como única opção para Bruno Lage.

Se planear o que resta da temporada com apenas uma alternativa para uma posição tão importante já era arriscado e difícil, o que dizer agora que Jardel se lesionou gravemente e Ferro e Rúben Dias são os dois únicos centrais de raiz no plantel do glorioso?

A falta de opções na posição central da defesa poderá a vir a ser um sério problema em caso de lesões ou castigos disciplinares.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Assim, resta a Bruno Lage remediar esta situação com as opções que tem disponíveis. Claro que poderá recorrer à formação secundária para colmatar uma possível lacuna no eixo defensivo, mas a sua opção deverá recair nas soluções existentes no plantel.

No Benfica B existem opções como Kalaica, Pedro Álvaro ou Morato, sendo que o primeiro é o que dá mais garantias. Kalaica tem estado em bom plano na segunda liga portuguesa, mas por alguma razão ainda não teve uma oportunidade de se mostrar a Bruno Lage. É um nome a ter em conta e poderá mesmo começar a treinar com a equipa principal.

Embora não tenha mais nenhum central disponível na formação principal, tanto Samaris como Weigl são alternativas viáveis para desempenhar a posição de defesa central. Ainda assim, penso que, em caso de necessidade, será Samaris a primeira escolha, uma vez que Julian Weigl é importante no meio campo encarnado, para além de que Samaris já desempenhou esta função no SL Benfica.

Weigl poderia recuar no terreno e ocupar o eixo defensivo, no entanto, jogar a central foi uma das razões pelas quais deixou o Dortmund, pelo que voltar a desempenhar esse papel não deverá agradar ao jogador. No clube alemão, o médio germânico chegou a realizar alguns jogos como defesa, mas era visível que aquele não era o seu papel dentro de campo.

Andreas Samaris já demonstrou, por várias vezes, a sua versatilidade e, numa temporada em que não tem sido opção recorrente nos planos de Lage, esta poderá ser uma oportunidade para ter mais minutos.

A lesão de Jardel veio comprovar que devia ter sido contratado um central no defeso de inverno, no entanto há soluções na estrutura encarnada para resolver um possível problema com Rúben Dias ou Ferro, quer seja físico ou disciplinar.

A verdade é que Jardel também não estava a ter muitos minutos nesta temporada, contudo, é necessário ter sempre uma alternativa para eventuais contratempos.

Promover ou adaptar? Eis a questão.

Artigo revisto por Diogo Teixeira 

Olheiro BnR: Bruno Duarte

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Existem jogadores, como Bruno Duarte, que se revelam no nosso campeonato como boas apostas de scouting. O Vitória SC, sob a direcção de Carlos Freitas, tem feito uma aposta no recrutamento em busca de jovens talentos. Mas se houve alguns que chegaram com percurso em selecções jovens, houve outros que chegaram a Portugal como desconhecidos.

Entre esses casos está o do avançado brasileiro Bruno Duarte, que no meio de tanto jovem talentoso a mostrar qualidade em terras vitorianas, tem-se mostrado como aquela que é, actualmente, a maior surpresa do clube. Bruno Duarte nasceu em São Paulo e seria em dois dos principais clubes da cidade que faria a sua formação: São Paulo e Palmeiras.

Seria em 2016 que se estrearia como sénior no Taubaté, transferindo-se pouco depois para o Portuguesa dos Desportos. Bruno Duarte permaneceria na Lusa até 2018, ano em que deu o salto para o Velho Continente, mais precisamente para a Ucrânia, onde iria representar o FC Lviv.

Ao serviço de um clube com muitos jogadores brasileiros, Bruno Duarte não demorou muito tempo a afirmar-se, acabando a época como melhor marcador da equipa que teve o pior ataque do campeonato (apenas 25 golos marcados) com nove golos em 30 jogos. Foi então que as suas actuações despertaram a atenção de Carlos Freitas que viu nele um jogador indicado para reforçar o carenciado ataque do Vitória SC, com o clube vimaranense a pagar 600 mil euros pelo seu passe.

Bruno Duarte marcou um golo acrobático ao Arsenal
Fonte: Vitória SC

Ao serviço do clube da cidade-berço, Bruno Duarte tem surpreendido ao ponto de ser actualmente o ponta-de-lança com mais golos marcados, sete golos em 24 jogos disputados em todas as competições.

Bruno Duarte é um avançado bastante inteligente a movimentar-se em campo, demonstrando habilidade na condução de bola e capacidade para servir os colegas de equipa. Tanto tem capacidade para jogar entre linhas, como tem para atacar a profundidade. Apesar de não ser um jogador muito alto (1,82m), é um avançado perspicaz e oportunista no jogo aéreo.

Quanto ao futuro, neste momento ainda é muito cedo para poder tirar uma conclusão de onde é que este poderá chegar. Por enquanto, a prioridade para ele deve ser dar continuidade ao crescimento que tem tido em terras vimaranenses.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Hugo Vieira, será que à quarta é de vez?

O mercado de inverno, que fechou no passado dia 30 de janeiro, trouxe de volta ao futebol português um velho conhecido: Hugo Vieira. O avançado de 31 anos esteve a jogar no estrangeiro cerca de seis anos, depois ter abandonado, precisamente, o Gil Vicente FC, em 2014.

Foi a cidade de Barcelos que o viu nascer e onde regressa agora, para representar o emblema da terra pela quarta ocasião na carreira. A primeira vez surgiu após uma boa prestação na época 2008/2009, quando representava o seu primeiro clube, o Santa Maria FC, que militava nas distritais. Vieira marcou 15 golos em 16 jogos e deu o salto para a segunda liga e para o Gil Vicente FC, tendo ajudado o clube a subir ao escalão máximo do futebol português.

A sua boa prestação ao serviço dos gilistas acabou por despertar o interesse de alguns “grandes”, como o SL Benfica, por quem acabou por assinar. Todavia, nunca conseguiu somar minutos com os encarnados e foi acumulando empréstimos, nomeadamente aos espanhóis do Real Sporting de Gijón e, novamente, aos barcelenses.

Além do emblema espanhol que milita na Segunda Liga, Vieira passou por outros países na sua experiência além-fronteiras, como França, Rússia, Sérvia, Japão e China. Contudo, a sua passagem pelos russos Torpedo Moscovo, na época 2014/2015, ficou marcada por uma tragédia pessoal: o falecimento da sua namorada, Edina Carvalho, após uma longa batalha contra o cancro. O avançado nunca escondeu a luta da companheira e fez questão de a homenagear várias vezes em campo.

Apesar da enorme dor, Hugo Vieira conseguiu um dos melhores registos do seu percurso na época seguinte, quando se transferiu para o FK Estrela Vermelha, da Sérvia. Foram 21 golos em 35 partidas e o renascimento da sua carreira. Voltou a brilhar nos japoneses Yokohama Marinos, onde marcou uma média de 20 golos por época nas duas que representou o clube.

A rápida ascensão do avançado e os números que alcançava chamavam pela Seleção Nacional, mas nunca chegou a ter uma oportunidade até hoje. Em 2018, Vieira confidenciou a sua meta de representar as quinas: “Os números dizem que sou dos melhores nos últimos anos mas nunca tive uma oportunidade. Só falta a Seleção na minha carreira, mas nas minhas mãos só está trabalhar e fazer golos para que todos os portugueses se orgulhem de mim”.

Agora, volta àquela que considera a sua casa, para ajudar o Gil Vicente FC na segunda metade da época. Estreou-se esta época pelas gilistas frente ao SL Benfica e, apesar de não ter marcado, mostrou logo ao que vinha: criar grandes dores de cabeça aos defesas adversários, através das suas movimentações constantes na área e do seu tiro letal, que ainda testou nessa partida. Resta saber se terá, finalmente, uma oportunidade na seleção nacional. Estamos a torcer por ti, Hugo.

Artigo revisto por Diogo Teixeira 

«O Sporting CP esteve interessado e tinha vontade de jogar em Portugal» – Entrevista BnR com Raffael

Na cidade de Monchengladbach, vive o clube da cidade que ainda sonha com o título da 1. Bundesliga esta época e tivemos a possibilidade de entrevistar Raffael, um dos jogadores mais influentes do Borussia VfL Monchengladbach. A inspiração do pai, a vinda madrugadora para a Europa, os grandes anos em terras germânicas e uma paragem atribulada em Kiev são os grandes temas da entrevista com o jogador. Para além de tudo isto, a relação com Portugal através do seu irmão Ronny e também a possibilidade de jogar no Sporting Clube de Portugal também foram abordadas!

– O passado no Brasil e a vinda para a Europa –

«Hoje, até fico mais satisfeito por saber que a situação é diferente porque os jogadores brasileiros mais jovens não têm muitas dificuldades para vir para a Europa».

BnR: Nasceu em Fortaleza (Ceará) e o seu pai foi jogador dos maiores clubes do Estado do Ceará, como o Ceará SC e o Fortaleza ES. Qual é que foi a importância do seu pai para que entrasse para o futebol?

Raffael: O meu pai teve toda a influência na minha decisão (risos). A cem por cento mesmo. Decidi tornar-me jogador de futebol porque o meu pai foi um jogador de futebol e essa influência devo totalmente a ele.

NESTE FIM DE SEMANA HÁ UMA BATALHA DE BORUSSIAS! RAFFAEL PODE SER OPÇÃO NA TURMA DE MONCHENGLADBACH CONTRA O BVB DORTMUND DE HAALAND! QUEM VAI VENCER? APOSTA JÁ NA BET.PT!

BnR: Começou por jogar Futsal em Fortaleza durante quatro anos. O quão importante foi a modalidade no seu crescimento enquanto jogador?

Raffael: O Futsal foi muito importante no início da minha carreira porque foi o meu primeiro contacto com a bola e nesta modalidade aprendes muitas coisas. E essas coisas que aprendi foram muito úteis para usar depois no Futebol de 11. Até hoje, às vezes, consigo fazer um passe como fazia na altura que praticava a modalidade.

BnR: Veio para a Europa muito cedo, com 18 anos, para jogar na Suíça no FC Chiasso. Qual é que acha que é a principal diferença, atualmente, da chegada de um jovem brasileiro à Europa com a sua chegada naquela altura em 2003?

Raffael: De 2003 para agora acho que mudou muita coisa, principalmente, no aspeto físico. Os jogadores hoje posso dizer que correm mais e têm muito mais um físico para essa caraterística. Hoje, até fico mais satisfeito por saber que a situação é diferente porque como disse eles [jogadores brasileiros mais jovens] não têm muitas dificuldades para vir para cá [Europa] visto que têm todo o apoio necessário e isso para um jogador é bom e ajuda muito a concentrar-se apenas no Futebol.

Raffael chegou à Europa para jogar no FC Chiasso e em duas temporadas marcou 30 golos em 61 jogos com a camisola do clube suíço!
Fonte: FC Chiasso

BnR: Qual seria o conselho que daria a um jovem jogador brasileiro que viesse jogar para um país totalmente desconhecido como aconteceu consigo?

Raffael: O meu conselho seria para começar a procurar o mais rapidamente possível adaptar-se ao país, aprender a língua e aprender a cultura do país – neste caso, se viesse para a Alemanha seria a alemã, que é uma cultura muito interessante. Acho que isto que disse ajuda à adaptação mais rápida de um jogador para não ultrapassar essas dificuldades.

FC Famalicão 3-1 Sporting CP: Leões fazem renascer famalicenses

A CRÓNICA: SPORTING COMPLETAMENTE PERDIDO

Nesta terça à noite o Sporting Clube de Portugal deslocou-se ao Estádio Municipal de Famalicão para enfrentar a equipa sensação da primeira volta do campeonato. O Futebol Clube de Famalicão apareceu neste duelo no seu pior momento da época.

Com a sombra de Rúben Amorim a pairar sobre o banco leonino o jogo não poderia ter começado pior para os leões. É que apenas com oito minutos disputados já o FC Famalicão se adiantava pela segunda vez no marcador. A equipa da casa surgiu com bastante clarividência em campo, a pressionar alto e a combinar bem entre os seus jogadores. Aos 4 minutos, num remate de ressaca, o médio Racic abriu o marcador e aos 8 minutos e,m mais uma combinação entre o Fábio Martins e o Diogo Gonçalves, o extremo direito acabou por dilatar a vantagem.

Com a vantagem a equipa de João Pedro Sousa acabou por recuar no terreno e foi possível ver a defesa leonina estabilizar e a equipa ter mais bola. Contudo faltam ideias ao futebol do Sporting CP. Tirando um lance ao minuto 16, só já perto dos 40 minutos é que a equipa de Silas conseguiu levar perigo à baliza de Vaná. Aproveitando um excessivo recuo dos jogadores do FC Famalicão, o quarteto ofensivo leonino conseguiu finalmente criar bons lances e o golo acabou mesmo por surgir no último minuto. Acuña num livre lateral colocou a bola na cabeça de Coates que reduziu para 2-1. Um castigo justo para uma equipa que recuou em demasia as suas linhas.

Contudo, se se esperava um Sporting CP ofensivo e pressionante no arranque da segunda parte, João Pedro Sousa tinha outra ideia em mente. Corrigiu os erros da primeira parte, subiu a linha de pressão e assim condicionou qualquer tentativa dos Sporting CP em pensar o jogo. Assim a equipa de Silas conseguiu passar a segunda parte praticamente sem uma jogada de perigo.

Resumo o segundo tempo leonino a cruzamentos laterais do Acuña. Já o FC Famalicão aproveitou as fragilidades do Sporting CP e foi ferindo o leão no contra-ataque, tendo mesmo ampliado a vantagem para 3-1 ao minuto 66.

Em Famalicão o que se viu foi um Sporting sem ideias. Talvez uma consequência de uma já ausência de equipa técnica.

 A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Diogo Gonçalves – Continua o excelente momento de forma de Diogo Gonçalves. Está endiabrado e foi sempre pela direita e pelo seu pé que o FC Famalicão foi rasgando a equipa leonina. Marcou dois golos, está no lance do golo de Racic e foi protagonista em outras excelentes oportunidades da equipa da casa. Criativo, rápido, confiante e cada vez mais inteligente na abordagem aos lances. Seria titular de caras na equipa de Alvalade.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Rodrigo Battaglia  O médio argentino continua lento, lentinho. Lento de movimentos, lento de pensamento e lento de execução. Foi uma pedra imóvel no meio-campo leonino. Incapaz de lidar com Fábio Martins, incapaz de fazer as compensações defensivas, incapaz de ser uma solução na primeira fase de construção e uma nulidade no momento ofensivo da equipa. Um médio defensivo puramente destruidor mas somente capaz de destruir o seu próprio desempenho. Até deixa saudades de Doumbia.

 

ANÁLISE TÁCTICA – FC FAMALICÃO

João Pedro Sousa lançou um 4-2-3-1 com bastantes adaptações. A indisponibilidade de jogadores como o Gustavo Assunção, o Patrick William e o Ivo Pinto, obrigaram a alguma improvisação por parte do técnico. Assim lançou uma defesa com três centrais onde Riccieli apareceu com maiores preocupações com a lateral direita e do outro lado o lateral Coly com maior liberdade ofensiva. Já no ataque ofereceu a esquerda a Walterson puxando F. Martins para o centro do terreno. Assim abdicou do usual 4-3-3. Racic e Pedro Gonçalves jogaram mais recuados e a despesa criativa do meio-campo ficou entregue a Fábio Martins.
Com bola foi uma equipa esclarecida mas neste jogo João Pedro Sousa optou por uma maior dedicação ao jogo sem bola. Quase sempre com uma pressão média-alta condicionou totalmente o futebol do seu adversário. Tirou-lhe espaço para pensar e executar e foi conseguindo recuperar a bola de forma a lançar ataques rápidos e fatais. A maior proximidade de Fábio Martins a Diogo Gonçalves foi um pesadelo para a defesa verde e branca.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vaná (5)
Riccieli (5)
Nehuen Perez (5)
Roderick Miranda (5)
R. Coly (5)
Uros Racic (6)
Pedro Gonçalves (6)
F.Martins (7)
Diogo Gonaçlaves (8)
Walterson (5)
Toni Martinez (6)

SUBS UTILIZADOS

Guga (5)
Anderson (5)
A. Centelles (-)

 

ANÁLISE TÁCTICA – SPORTING CP

Silas apostou numa espécie de 4-2-3-1 muito aproximado de um 4-3-3 principalmente no primeiro tempo. Sem um ala mais fixo no lado esquerdo do ataque, as despesas desse lado ficaram praticamente entregues a Acuna. Vietto e Jovane foram procurando sempre os espaços mais interiores, tentando ajudar na luta do meio-campo. Também Plata esteve menos lançado no ataque e foi frequente vê-lo em zonas mais recuadas e centrais. Sem Wendel foi essa a solução que Silas criou para equilibrar o seu meio-campo com e sem bola. A verdade é que a consequência foi um exagerado isolamento de Sporar no ataque leonino.
O duplo pivô do meio-campo foi formado por Battaglia e Eduardo numa tentativa de dar mais músculo na recuperação da bola. Não resultou.
O Sporting CP foi uma equipa sem ideias e somente no final da primeira parte, quando o FC Famalicão recuou em demasia, a equipa foi capaz de colocar criatividade no ataque e criar jogadas de perigo.
Aos 75 minutos, Silas tentou dar mais critério à posse de bola lançando Geraldes para o lugar de Eduardo mas o mal já estava feito.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Maximiano (5)
V. Rosier (4)
S. Coates (6)
L. Neto (5)
M. Acuna (5)
Battaglia (3)
Eduardo (4)
Jovane Cabral (5)
Gonzalo Plata (5)
L. Vietto (6)
Sporar (5)

SUBS UTILIZADOS

F. Geraldes (5)
R. Camacho (4)
P. Mendes (-)

Foto de Capa: FC Famalicão

Artigo revisto por Diogo Teixeira

SL Benfica: o maior responsável da continuidade de Conceição

“Neste momento, o meu lugar está à disposição do presidente”: era com estas palavras que Sérgio Conceição reagia a mais uma derrota do FC Porto em finais de taças. Desta vez, o troféu em disputa era a edição 2019/20 da Taça da Liga, competição que, apesar de secundária, surgia num momento estratégico da época, onde um hipotético triunfo poderia não só moralizar o seu plantel, como também “aconchegar” o lugar de Sérgio Conceição no comando técnico dos azuis e brancos, fazendo com que o treinador escapasse do já crescente ceticismo que teimava em surgir nas bancadas do Dragão. Depois disso, o SL Benfica é o maior responsável pela continuidade de Sérgio Conceição no FC Porto

Facto é que, após esse resultado negativo, não mais o FC Porto voltaria a conhecer o gosto amargo da derrota. Pelo meio, qualificação assegurada para a final do Jamor, vitórias importantes no clássico e em Guimarães e diminuição da distância para o primeiro posto do campeonato: a palavra crise parecia já não estar presente no vocabulário azul e branco (pelo menos, em termos de resultados).

Até que chegámos aos dezasseis avos de final da Liga Europa: seria aí que os dragões voltariam a ter de lidar com o amargo gosto da derrota. E em dose dupla, na verdade: no total da eliminatória, o placar assinalou 5-2 favorável à formação alemã. A diferença de golos era assinalável e, de certa forma, ilustrava aquilo que (não) vimos dentro das quatro linhas, ao longo de cento e oitenta minutos.

E, como se costuma dizer, as competições europeias são como o algodão, não enganam, no sentido de que colocam à vista de todos as debilidades existentes em termos de plantel, bem como aquelas relativas ao treinador, sendo, a meu ver, estas últimas bem mais gritantes.

Bom, se são assim tão visíveis, porque é que estas debilidades que muitos já traçaram em Sérgio Conceição não foram suficientemente significativas para, até ao dia de hoje, encerrar o seu ciclo no comando técnico do FC Porto? Na verdade, esta pergunta merecia uma resposta bem mais desenvolvida, porém vou resumi-la a dois pontos, de modo a não tornar este artigo excessivamente longo.

O primeiro ponto encontra-se na enorme disparidade, em termos de poderio financeiro e estrutural, que separa “grandes” de “pequenos”, em Portugal; são dezenas e dezenas os milhões que efetuam essa distinção. Partindo desse princípio, é quase que a obrigação do “grande” vencer o “pequeno”. Mesmo quando o mais poderoso não está num dia extremamente produtivo, alguma individualidade, eventualmente, virá à tona, algum lance menos feliz do adversário, eventualmente, surgirá.

E assim vamos somando pontos, nunca colocando a equipa e, principalmente, o treinador verdadeiramente à prova. No momento em que os colocamos (e aqui abranjo os restantes três “grandes”), os resultados são os que conhecemos: derrotas frentes a equipas de campeonatos mais periféricos ainda que o português, como os de Escócia, Ucrânia ou Turquia. Não será claramente à toa que recordes pontuais são sucessivamente quebrados/igualados nas últimas épocas: a qualidade fora dos quatro/cinco do costume é cada vez mais escassa, havendo aqui e ali algumas raras exceções à regra que, exatamente pelo facto de serem exceções, em pouco conseguem contrariar a regra.

Assim, é cada vez mais raro (e injustificável) perdas de pontos frente a adversários de posições mais modestas, baixando, dessa forma, a quantidade de vezes pelas quais um treinador de equipa grande tem de passar por esse infortúnio, diminuindo, assim, possíveis focos de instabilidade que poderiam surgir.

Por último, temos o SL Benfica. Pode até parecer algo estranho tentar justificar assuntos internos do FC Porto através do seu maior rival, mas permitam-me esclarecer-vos. Até ao momento, o atual primeiro classificado apenas não saiu vitorioso em quatro ocasiões: nos dois clássicos frente aos azuis e brancos, no embate com os guerreiros do Minho e, mais recentemente, na Luz frente ao Moreirense, algo que, diga-se, acaba por corroborar com o ponto que enunciei anteriormente. Mas adiante. É de conhecimento geral que, caso não saísse derrotado do Dragão, as águias poderiam muito bem ter encerrado a luta pelo título bem ali.

Caso Sérgio Conceição não vencesse o SL Benfica, no Estádio do Dragão, o título ficaria praticamente entregue ao SL Benfica.
Caso o FC Porto não vencesse o SL Benfica, no Estádio do Dragão, o título ficaria praticamente entregue às águias
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

E é nesse ponto que reside a questão. O SL Benfica, caso fosse mais bem orientado, possivelmente, a esta altura do campeonato, já teria encomendado as faixas de campeão nacional. Para isso, bastaria ter conseguido, no mínimo, pontuar num dos confrontos diretos com os dragões, algo que, convenhamos, estava longe de ser impossível. Faço esta afirmação baseando-me, sobretudo, na diferença evidente em termos de matéria-prima que, por um lado, abunda na Luz (salvo uma ou outra posição), e que, por outro, é extremamente escassa no Dragão.

Se toda essa matéria-prima estivesse devidamente liderada, dificilmente os encarnados já não teriam consolidado o primeiro lugar, e dificilmente não teriam tornado a situação de Sérgio Conceição quase que insustentável.

O facto de a liderança do campeonato, atualmente, estar sob o poder do FC Porto deve-se (e muito) ao demérito enorme que o SL Benfica teve na gestão da sua vantagem pontual que, queiramos ou não, demonstra a ineficiência existente no comando técnico da equipa da Luz. Doa a quem doer, o facto é que para um candidato ao título perder oito pontos em quatro jornadas na atual liga portuguesa, algo de muito errado tem de estar a acontecer na sua estrutura.

A verdade é que, com demérito do rival ou não, com “pequenos” pobres em qualidade ou não, o FC Porto está bem vivo na luta pelo título. E isso, querendo ou não, é o único fator que vem pesando a favor de Sérgio Conceição. Bom, isso e o bater no peito, os gritos e as declarações explosivas. Até quando isso será suficiente? Até o Porto voltar a ser Porto; o problema é que, para isso acontecer, muitas cabeças, não só a de Conceição, terão de rolar…

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Chelsea FC 2-0 Liverpool FC: Lampard surpreende

A CRÓNICA: GUILMORE APRESENTA-SE A LAMPARD, MINAMINO NA EXPECTATIVA

Em partida a contar para os oitavos de final da Taça de Inglaterra, o Chelsea FC venceu o Liverpool FC por duas bolas a zero, em Stamford Bridge. Num primeiro tempo caraterizado pela superioridade dos homens da casa, apesar do jogo de parada e resposta de ambos os conjuntos, foi o Chelsea a criar o primeiro lance de grande perigo. Willian aos 12’ avisou, aos 13’ atirou a contar. Se no minuto anterior, Adrián se agigantou, depois facilitou e deu um “frango à espanhola”. À passagem do vigésimo minuto, Kepa fez três defesas no mesmo lance e volta a dar uma boa dor de cabeça a Lampard. Na 2ª parte, o Liverpool volta a entrar mais forte na pressão e acutilância no último terço, mas a resposta dos blues deixou-os em sentido. Mason Mount, de livre, atirou à trave (62’). Onde é que eu já vi este filme? Primeiro avisam, depois marcam. Desta vez, foi Barkley a correr mais de 50 metros com bola e a fixar o resultado final (64’). A retirar desta eliminatória, destaca-se a organização defensiva, reação à perda de bola e maturidade em posse – o mesmo quer dizer, Guilmore – por parte dos londrinos; enquanto que do lado do campeão europeu sobressaiu, mais uma vez, a menor competência para o ataque organizado, bem como o “corpo estranho” que ainda é Minamino.

A FIGURA

Fonte: Chelsea FC

Billy Guilmore – Uma boa surpresa para quem não o conhecia. Maturidade, simplicidade, qualidade de passe e visão de jogo. É como que o clone perfeito de Jorginho. Nunca complicou, jogou e fez jogar. Teve capacidade ainda para segurar defensivamente o meio campo do Chelsea, aquando da saída de Kovacic. Um nome a decorar. 

O FORA DE JOGO

Fonte: Liverpool FC

Jurgen Klopp – É quase um crime, dizer algo menos positivo da equipa deste senhor do futebol. Porém, esta noite, os planos saíram-lhe furados. Apesar das várias alterações no onze, esperava-se mais deste Liverpool. Ah, e se dúvidas houvesse, as taças não faziam parte dos objetivos desta temporada. Terá sido surpreendido pela estratégia de Lampard, ou será que precisa de se focar no ataque em organização? 

 

ANÁLISE TÁTICA – CHELSEA FC

O Chelsea apresentou-se para esta partida, no seu 4-2-3-1 predileto, em detrimento da alternativa 3-5-2, que também tem utilizado esta época. Kepa voltou à titularidade (após ter sido relegado para segundo guarda-redes), tendo à sua frente uma linha de quatro, composta pelo capitão Azpilicueta, Rudiger, Zouma e Marcos Alonso. No centro do terreno, Lampard surpreendeu, ao apostar no jovem Gilmour (apenas 18 anos) ao lado de Kovacic, ambos na ajuda à construção e a dar liberdade a Ross Barkley para se incorporar em jogadas ofensivas. Nas faixas, “mobília da casa”, o mesmo significa experiência em formato de qualidade, Willian e Pedrito Rodríguez. Na ausência de Tammy Abraham (que se encontra a recuperar de lesão), coube a Olivier Giroud fazer esquecer o homem-golo dos blues esta temporada.

 11 INICIAL E SUBSTITUIÇÕES

Kepa Arrizabalaga (7)

César Azpilicueta (7)

Antonio Rudiger (7)

Kurt Zouma (7)

Marcos Alonso (7)

Billy Gilmour (8)

Mateo Kovacic (6)

Ross Barkley (7)

Willian (7)

Pedro Rodríguez (8)

Olivier Giroud (7)

 

SUBS UTILIZADOS

Mason Mount (8)

Jorginho (6)

Reece James (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

A par de Lampard, Jurgen Klopp também fez algumas alterações em relação ao seu onze habitual. Manteve-se o 4-3-3, mudaram jogadores e dinâmicas de jogo. Adrián tomou o lugar na baliza, Joe Gomez regressou à titularidade após lesão, ladeado pelo intocável Van Dijk. Pela esquerda, Robertson também não tirou os pés do relvado, enquanto que, no lado oposto, Williams fez descansar Arnold. Fabinho a seis, Lallana a aproximar para construir e o talentoso Curtis Jones mais próximo do ataque. Frente essa, composta por Minamino – o internacional nipónico no centro, a ser ainda mais “falso nove” que o próprio Firmino – à espera de movimentos convergentes de Mané e Origi.

 

11 INICIAL E SUBSTITUIÇÕES

Adrián (6)

Neco Williams (5)

Joe Gomez (6)

Virgil Van Dijk (6)

Andrew Robertson (6)

Fabinho (6)

Adam Lallana (5)

Curtis Jones (6)

Takumi Minamino (5)

Sadio Mané (7)

Divock Origi (5)

 

SUBS UTILIZADOS

Roberto Firmino (5)

James Milner (5)

Salah (5)

Foto de Capa: Chelsea FC

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Sorteio nostálgico na Liga das Nações

Esta terça-feira, realizou-se em Amesterdão o sorteio da segunda edição da Liga das Nações. Sendo a Seleção Nacional o atual detentor da prova, acaba por evitar os restantes integrantes do Pote 1 – Países Baixos, Suíça e Inglaterra -, sendo estas as formações que se apuraram à última final four da Liga das Nações.

A fase de grupos desta edição irá tomar lugar num país ainda a designar, entre os meses de setembro e novembro deste ano.

Fonte: UEFA Nations League

Havia um certo desejo (a nível nacional) de evitar equipas que dariam uma “dor de cabeça” à nossa seleção nacional. O desespero surge de modo inevitável quando sai o nome de Portugal associada à temível França, Croácia e Suécia, sendo o quarto grupo do sorteio desta Liga das Nações.

De certo modo, é um sorteio que provoca uma nostalgia para os portugueses, a Final do Euro 2016 contra a Seleção da França onde o golo de Éder, até hoje, continua a aquecer o coração dos portugueses e nos tornou campeões europeus no ano de 2016.

Ainda mais previamente, a qualificação para as meias-finais do Euro 2016 tornou-se uma tarefa complicada quando encontramos a Croácia nos oitavos de final, partida ficou ditada pelo golo de Quaresma, que salvou Portugal já no tempo de prolongamento aos 117’.

A história de Portugal e Suécia já toma um rumo um pouco diferente, visto que em 2017 o resultado de um amigável acabou por favorecer a Seleção da Suécia. Foi uma partida que acabou por ficar 2-3 (contando com um auto-golo infeliz de João Cancelo).

Os restantes grupos da competição contam com Polónia, Bósnia, Itália e Holanda no primeiro grupo. Já o segundo grupo conta com a presença de Islândia, Dinamarca, Bélgica e Inglaterra; por último, o quarto grupo conta com Alemanha, Ucrânia, Espanha e Suiça.

Diogo Jota | De olhos postos no Euro 2020 com ajuda portuguesa

Liga Inglesa é, indiscutivelmente, a melhor liga do mundo, e por isso a mais desejada pela maior parte dos jogadores, incluindo Diogo Jota. É como se de um planeta à parte se tratasse, onde a cultura futebolística é bem distinta da dos outros países, o que a torna tão especial. Nos últimos anos tornou-se numa realidade cada vez mais presente para nós, portugueses, uma vez que um grande leque de jogadores que passaram pelo nosso campeonato se tem vindo a transferir para solo britânico.

De todos, eu destacaria aqueles que não tiveram um sucesso por aí além em Portugal, mas que agora são peças importantes nas respetivas equipas. E é neste âmbito que se evidencia a equipa mais portuguesa de Inglaterra, o Wolverhampton, que adquiriu jogadores como Willy Boly, Rúben Neves, Pedro Neto, Raul Jimenez e Diogo Jota. Todos eles foram pouco aproveitados em Portugal, mas estão atualmente a fazer uma grande época nos “Lobos”.

Destes 5 creio que há um que, esta temporada, se tem sobressaído pelas belas exibições que tem feito e pelos números que tem conseguido. É Diogo Jota, ex-jogador do Futebol Clube do Porto, que parece ter encontrado no Molineux a rampa de lançamento para palcos ainda maiores.

É verdade que a temporada não começou da melhor forma, algo que foi visível em toda a equipa, que não conseguia obter resultados interessantes. À medida que os jogos foram passando, a equipa de Nuno Espírito Santo encontrou-se e começou a praticar bom futebol, fazendo assim com que os seus craques se fossem mostrando. Atravessam agora um grande momento de forma, que parece andar ao ritmo do português dono da ala esquerda dos Wolves. Nas últimas três partidas em que participou, Jota faturou seis vezes e esteve em oito dos dez golos que a equipa marcou. Depois do hat-trick frente ao Espanhol para a Liga Europa, voltou a fazer das suas contra o Norwich, onde apontou dois golos no espaço de 11 minutos. Na última jornada, contra o Tottenham, esteve na jogada do primeiro golo, marcou o segundo, e assistiu para o terceiro, numa arrancada de génio, onde deixou para trás três adversários, consumando assim a reviravolta que lhes daria os três pontos.

Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Com a equipa a produzir tanto e com tanta qualidade, é de prever que esta excelente forma se venha a manter, e se assim for, importa já começar a especular sobre o futuro do jogador. O primeiro objetivo é certamente a nível coletivo, que se prende com o alcance de lugares que dão acesso à Liga dos Campeões. Com Liverpool e Leicester basicamente “apurados” e com a exclusão do Manchester City das provas europeias, a luta promete-se acesa entre Chelsea, United, Wolves, Tottenham e até Sheffield.

Depois, num futuro um pouco mais distante, é obviamente relevante o Campeonato da Europa que se aproxima. Fernando Santos tem à sua disposição jogadores de enorme qualidade, e Diogo Jota terá que ser uma dor de cabeça para o selecionador nacional. Gonçalo Guedes, que tem vindo a ser aposta do lado esquerdo, está muito longe da sua melhor forma e creio que não será a principal solução. Há ainda extremos/alas de muita qualidade como Bernardo Silva, Rafa, Bruma, Pizzi ou João Mário, mas a continuar assim, o jogador de 23 anos terá certamente lugar na convocatória, e até no 11 inicial da seleção portuguesa.

Para além disto, importa também a próxima temporada. É verdade que o Wolverhampton se tem vindo a tornar num grande clube, mas está ainda distante daquelas que consideramos como as grandes equipas europeias. Diogo Jota é, jogo após jogo, o jogador mais da turma dos Lobos, e com apenas 23 anos poderá perfeitamente chegar a uma equipa de topo, e afirmar-se como peça fulcral no esquema de qualquer treinador.

Todos estes objetivos dependerão de como vai decorrer o resto da temporada. Faltam ainda 10 jogos no campeonato e o objetivo do quinto lugar parece mais que possível. A par disso há ainda a Liga Europa, competição onde o português parece gostar de brilhar. A próxima eliminatória será contra o Olympiakos, de Pedro Martins, e as hipóteses de passarem à próxima fase parecem também bastante boas.

O fim ainda está longe, e é difícil de prever como tudo irá acabar. Assim, a única certeza com que ficamos é de que temos aqui um jogador de enorme qualidade que, se continuar nesta forma soberba, nos irá ajudar muito na competição que todos queremos voltar a ganhar.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC