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FC Porto 1-0 Arouca: Sofrer para meter a sétima

eternamocidade

Não raras vezes escrevi no Bola na Rede que um campeonato nacional passa por muitos momentos, aos quais uma equipa como o FC Porto tem que se adaptar. Por vezes – sobretudo em jogos com um grau de exigência maior – o fato de gala é chamado ao relvado; noutras ocasiões – como no encontro desta noite – o fato macaco é o que melhor serve as exigências. Esta noite, e ao contrário do que aconteceu em alguns jogos deste campeonato (Boavista, Estoril ou Marítimo), o FC Porto soube vestir o fato macaco. Futebolisticamente falando, a equipa de Lopetegui conseguiu superar mais uma etapa no seu crescimento tático.

Mas vamos por partes: pressionado pela vitória do Benfica frente ao Sp. Braga na véspera, os azuis e brancos subiam ao relvado do Dragão com a necessidade de somar os três pontos. Do lado arouquense, a exigência era semelhante: depois dos triunfos de Académica e Vitória de Setúbal e dos deslizes de Penafiel, Gil Vicente e Boavista, a equipa comandada por Pedro Emanuel entrava no anfiteatro portista num perigoso 16.º e penúltimo lugar da tabela. Foi talvez por essa necessidade impreteriosa de somar uma vitória que FC Porto e Arouca entrarem de “peito feito” no jogo desta noite. Num jogo entre equipas com um nível tão distinto, esta disposição arouquense acabou por se revelar uma autêntica surpresa. Apesar de considerar que este Arouca é uma das equipas que melhor futebol pratica no campeonato e que, simultaneamente, dá quase sempre mais aos jogos do que aquilo que recebe, confesso que não estava à espera de um bloco tão subido por parte dos pupilos de Pedro Emanuel.

Também por isso surgiu o lance que acabaria por marcar todo o encontro. Aos 11 minutos, Fabiano Freitas fez uma falta sobre Rui Sampaio à entrada da área – quando este ia em situação iminente de perigo – que acabou por ser punida pelo árbitro Jorge Tavares com o cartão vermelho direto. Decisão justa do juiz da partida e o FC Porto a jogar com dez elementos com cerca de 80 minutos para jogar. Acredito que para a maioria dos cerca de 35 mil que estavam no Dragão esta noite, a expulsão de Fabiano fez pairar o fantasma da expulsão de Maicon no jogo da primeira volta contra o Boavista. Nesse encontro, a punição ao central portista foi castigo suficiente para que a armada portista não conseguisse chegar à vitória e tivesse desperdiçado dois pontos que por esta altura tanta falta lhe fazem.

O jogo de hoje marcou o regresso de Óliver à competição  Fonte: fcporto.pt
O jogo de hoje marcou o regresso de Óliver à competição
Fonte: fcporto.pt

Ainda assim, mesmo com dez elementos, a equipa azul e branca não entrou em “pânico tático”. Aliás, Lopetegui surpreendeu tudo e todos ao retirar Ricardo Pereira do onze, lançando o guarda-redes Helton. Invertendo a tendência normal nestas situações – que passa pela retirada de um avançado – o técnico espanhol decidiu não recuar demasiado o bloco. É caso para dizer que a ambição do treinador acabou por passar para os jogadores. E isto porque até ao intervalo, basicamente só deu FC Porto na partida. Mesmo jogando com menos um, a equipa portista decidiu partir para cima do adversário, criando constantes lances de perigo junta da baliza de Goicochea. Num desses lances, aos 26’, Ivan Balliu decidiu pontapear a cabeça de Quaresma dentro da área visitante, sem que uma evidente grande penalidade fosse assinalada pelo árbitro aveirense. Ainda assim, seis minutos depois, o FC Porto chegou à justa vantagem: Quaresma tirou Balliu do caminho e fez um cruzamento perfeito para a cabeça de Aboubakar, que não teve dificuldades em abrir o marcador. Ao intervalo, a vantagem justificava-se, pois, apesar da vantagem numérica, o Arouca nunca conseguiu nos primeiros 45 minutos assustar demasiado a defensiva portista.

No segundo tempo, tudo mudou: Lopetegui decidiu colocar Herrera do lado direito da defesa, recolocando Indi a jogar junto a Marcano no centro da defesa. Com estas alterações, Casemiro e Óliver tornaram-se os únicos médios portistas. Por isso, não foi de estranhar que o aumento da pressão do Arouca tenha acabado por criar problemas evidentes ao FC Porto. Com a intensidade do trio composto por Nuno Coelho, David Simão e Rui Sampaio, a equipa portista foi cada vez mais deixando o Arouca à vontade na partida e sempre com o fantasma do empate a pairar. Apesar de a equipa de Pedro Emanuel só ter criado uma oportunidade digna de registo (num lance precedido de fora de jogo), a excelente atitude da equipa visitante foi claramente o sinal mais interessante de uma segunda parte em que o ritmo não foi muito intenso.

Quaresma fez a assistência para o golo de Aboubakar  Fonte: fcporto.pt
Quaresma fez a assistência para o golo de Aboubakar
Fonte: fcporto.pt

Até ao final da partida, e mesmo entre alguns sobressaltos, o FC Porto foi conseguindo, sobretudo depois das entradas de Rúben Neves e Tello, ter mais vezes a bola e, por conseguinte, ter mais controlo sobre o jogo. Contas feitas, a vitória desta noite permitiu manter a desvantagem pontual para o Benfica em apenas 4 pontos. Esta foi a sétima vitória seguida no campeonato e o sétimo jogo sem sofrer golos. Com dificuldade e nervosismo à mistura, assim vai o passo do dragão rumo ao objetivo que ainda persegue. Hoje, a sétima foi mais difícil de meter. Mas tal como disse no início, às vezes jogos destes também são precisos.

 

A Figura

Brahimi – O avançado argelino conseguiu dar ao FC Porto em muitas ocasiões aquilo que a equipa precisava: controlo sobre a bola, inteligência e sobretudo dinamismo. Depois de um excelente jogo frente ao Basileia, mais uma boa exibição esta noite.

 

O Fora-de-Jogo

Jorge Tavares – Este campeonato tem sido marcado por inúmeros lances que marcaram a classificação desta Liga. A exibição do árbitro aveirense esta noite foi simplesmente medíocre: a expulsão de Fabiano é justa, mas a grande penalidade de Balliu sobre Quaresma é evidente. Felizmente, acabou por não ter influência no resultado.

 

Foto de Capa: fcporto.pt

O esperado: Hamilton venceu

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cab desportos motorizados

Hoje estar na Turquia foi claramente uma vantagem em relação a estar em Portugal: isto porque a prova cá foi às 5h e não às 7h.

Mas, agora que já falei da minha “sorte”, vamos ao GP da Austrália, que é o que interessa. Vitória esperada da Mercedes, com o campeão Lewis Hamilton a ser o vencedor e Nico Rosberg a ficar em segundo. Posto o que toda a gente já sabia que ia acontecer, caso não houvesse qualquer imprevisto na Mercedes, é tempo de falar da corrida em si.

Hamilton, o vencedor Fonte: Facebook Australian Grand Prix
Hamilton, o vencedor da prova
Fonte: Australian Grand Prix

Para começar, é de referir que só arrancaram 15 carros, quando seria esperado que tivessem arrancado 20, apesar de já se saber que a Manor não ia participar desde sábado. Depois foi a vez de se saber que Valtteri Bottas (Williams) não iria correr por ter sido confirmado um problema com uma vértebra ocorrido durante a qualificação. Já na volta de reconhecimento foi a vez de Kevin Magnussen (McLaren) e Daniil Kvyat (Red Bull) verem a sua participação condenada devido a problemas com os seus monolugares. O piloto da McLaren ficou de fora devido a um problema com o motor e Kvyat devido a um com a caixa de velocidades. Esta foi a corrida com menos carros na grelha de partida desde 1981, quando no GP de San Marino apenas 14 carros arrancaram para a corrida.

Na luta pelo pódio, que era o que causava mais dúvidas entre todos, foi Vettel que levou a melhor. O alemão, agora na Ferrari, ficou à frente de Massa na luta entre a equipa italiana e a Williams, que promete ser muito animada durante o resto da época. Mas a surpresa da prova vai para Filipe Nasr: o brasileiro da Sauber terminou em quinto e fez uma grande prova. Nasr foi o último piloto a cumprir as mesmas voltas que o vencedor, mesmo tendo terminado a mais de minuto e meio deste. É interessante ainda ver que a Sauber fez 14 pontos na Austrália, quando em 2014 não conseguiu pontuar.

A McLaren-Honda continua com problemas nos seus novos motores, dado ser o primeiro ano em que os está a usar, e muito trabalho ainda tem de ser feito – como prova, aliás, o 11º e último lugar de Button, o único piloto a levar duas voltas dos primeiros classificados. Para terminar, falta apenas falar na Lotus, que viu os seus dois carros desistirem durante a primeira volta devido a toques entre carros.

Agora é esperar pelo fim-de-semana de 27 a 29 de março, altura do GP da Malásia.

Foto de capa: Facebook Australian Grand Prix

Marítimo 0-1 Sporting: Zerinho ou um?

escolhi

Todos sabem jogar ao zerinho ou um, não sabem? O jogo de hoje foi um pouco assim. Ou zero ou um; com a qualidade apresentada por ambas as equipas mais do que isso seria milagre. O Sporting acabou por conseguir o mais importante, a vitória, e sair de um campo tradicionalmente complicado com mais três pontos numa semana em que o Braga perdeu.

O Sporting já há muito que deixou de praticar o bom futebol a que acostumou os seus adeptos na primeira volta mas, hoje, os primeiros quinze/vinte minutos em campo foram mesmo um sacrilégio. Num jogo completamente aleatório até então, Rui Patrício acabou por resolver o que viria a ser o único lance da oportunidade em que o Marítimo esteve perto de marcar. Do mal o menos: em dia de estreia de um dos centrais e sem William, o Sporting só consentiu uma oportunidade de golo.

A partir daí a equipa de Marco Silva conseguiu, pelo menos, aumentar o ritmo – muito devido à irreverência que Carrillo foi demonstrando, à clarividência de João Mário e à habilidade de Nani – e subiu no terreno, aproximando-se da baliza do Marítimo. Primeiro, João Mário não conseguiu mais do que rematar contra um defesa numa boa jogada colectiva, depois seguiu-se o penalty sobre Jefferson que Adrien viria a marcar com muita qualidade. Ao intervalo, um a zero no marcador.

No segundo tempo o jogo viria a correr melhor à equipa de Alvalade. Os espaços nas costas da defesa foram mais bem controlados, Ewerton tranquilizou-se e o Marítimo passou a dar mais espaço. Num desses casos, João Mário combinou com Nani para o que poderia ter sido o segundo golo, numa excelente transição. Em frente à baliza, tentou assistir Slimani mas Rúben Ferreira acabou por conseguir cortar. O jogo, contudo, continuou morno. Não passava do zerinho… ou do um, muito raramente. Nota ainda para Oriol Rosell que fez uma exibição tranquila, a dar qualidade na saída por algumas vezes. Discreto mas positivo. Carrillo, antes de ser substituído, ainda assistiu Slimani mas o argelino não chegou à bola por milímetros.

No fim, alguma pressão da equipa da casa que pressionou o que conseguiu, mas o resultado não mais se viria a alterar. Para azar dos insulares, saiu-lhe o zero. Ao Sporting (e a Marco Silva, em particular), a certeza de que terá de melhorar substancialmente. Para ganhar a taça, assegurar o terceiro e… para fazer sentido continuar no próximo ano. Que isto não se admite.

A Figura

João Mário – Mesmo tendo dois/três lances em que a decisão em frente à baliza é duvidosa, o médio português mostrou sempre qualidade de sobra com e sem bola. Tem pausa, tem a capacidade de guardar e esperar pelo melhor momento, sabe mexer-se à procura do espaço vazio sem bola como nenhum outro no meio-campo leonino. Se melhor acompanhado pela sua equipa, exibir-se-ia ainda mais.

O Fora de Jogo

Qualidade de jogo – Quem viu o jogo, sabe do que falo. Quem não viu, não perdeu mesmo nada. Enfadonho.

Foto de capa: FPF

Dulce Félix resolve título de Corta-Mato para o Benfica

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cab reportagem bola na rede

A lezíria ribatejana acordou com mais sol do que o desejado pelos atletas, para receber o Campeonato Nacional de Corta-Mato de longa distância, onde o principal motivo de interesse era a disputa do título nacional feminino entre Dulce Félix, pelo Benfica, e Sara Moreira, pelo Sporting.

As duas atletas estiveram sempre taco-a-taco ao longo dos oito quilómetros de corrida, mas Dulce Félix acabou por cortar a meta com 13 segundos de vantagem face à atleta sportinguista, dando assim o título colectivo à equipa benfiquista e conquistando este campeonato nacional.

O pódio ficou completo com Catarina Ribeiro, também ela do Benfica. No final da prova, Dulce Félix disse aos jornalistas que tinha noção de que “a prova só acabava na meta”, mantendo-se sempre atenta face à sua principal adversária e procurando “manter a concentração sempre elevada” até ao final da prova.

dulce félix almeirim autorizado bola na rede
Dulce Félix foi a grande vencedora da prova

Quem também participou neste corta-mato foi a medalhada olímpica Vanessa Fernandes, com as cores do Benfica, ajudando à conquista deste titulo nacional, na prova que à partida estava a gerar mais expectativa junto do público.

Na variante masculina, o Benfica partia como principal favorito e confirmou todas as expectativas com a vitória de Rui Pinto, e o segundo lugar entregue a Licínio Pimental (individual), com Rui Pedro Silva, também do clube da águia, a completar o pódio. Rui Pinto sucedeu assim às três vitórias de Manuel Damião, do Sporting, que tem vindo a ser afectado por algumas lesões ao longo do último ano.

Em masculinos, a vitória colectiva do Benfica foi ainda mais contundente, com o clube da Luz a arrecadar 16 pontos, face aos 44 do Sporting. De referir que o segundo classificado, Licínio Pimental, correu como individual.

corta-mato benfica autorizado bola na rede
O Benfica foi o grande vencedor do evento

Para além da variante absoluta disputaram-se ainda os campeonatos nacionais de juvenis e júniores, numa manhã desportiva que reuniu perto de 2500 pessoas, entre atletas e equipas técnicas, com o Sporting e o Benfica a destacarem-se na variante máxima.

No final da prova, também em declarações aos jornalistas, o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Jorge Vieira, deu “nota máxima à organização de Almeirim no corta-mato”, não revelando no entanto novidades quanto ao futuro da prova. Há duas semanas, a autarquia almeirinense tinha já promovido o corta-mato regional, bem como o corta-mato escolar como forma de preparação para esta prova rainha nacional.

Pedro Ribeiro, presidente da autarquia de Almeirim, fez um balanço positivo da prova, adiantando ontem que o corta-mato iria “gerar um retorno 25 vezes superior ao investimento que a Câmara fez nesta organização”.

Belenenses 0-0 Estoril: De justiça não se fez o derby da Linha

futebol nacional cabeçalho

Cenário desolador no Restelo para a partida da jornada 25 entre Belenenses e Estoril. O “derby da linha” devia e merecia um horário mais condizente com aquilo que traz os adeptos dos clubes e do futebol ao estádio. Não se estranhem, pois, as bancadas totalmente despidas na fria noite de sábado. Este não é um problema recente, longe disso. Mas urge que dirigentes e televisões, sobretudo estes, coloquem a mão na consciência e comecem a pensar em quem traz aquilo que de mais belo o futebol tem: os adeptos.

Estados de espírito diferentes para Belenenses e Estoril na abordagem ao jogo. Para a equipa do Restelo não será impensável sonhar com um lugar entre a elite europeia, ainda para mais depois de saber da derrota do Vitória de Guimarães. Por outro lado, a equipa sensação das últimas duas temporadas, sob o comando de Marco Silva, tem estado muito abaixo daquilo que já mostrou e limitar-se-á a um lugar no meio da tabela classificativa.
Pese embora as condicionantes referidas no início, para casa os adeptos levaram a lembrança de uma partida bem jogada e animada.

O golo madrugador de Balboa (G.P.) acabou por abrir o jogo e obrigar o Belenenses a “ir para cima” da equipa adversária. Desde o meio da primeira parte não mais se viu o Estoril em campo. O Belenenses foi sempre mais equipa e demonstrou, uma vez mais, o bom trabalho de Lito Vidigal no banco dos lisboetas e foi com naturalidade que acabou por virar o resultado. Facilmente se notam os (bons) princípios de jogo e ideias da equipa belenense, ao contrário do Estoril, que apenas aos repelões se aproximava da baliza de Ventura. O golo do empate (Tozé) já na recta final do encontro foi muito penalizador para a formação azul, que sempre esteve no controlo das operações ao longo de toda a partida.

O horário do jogo (21h00) não foi benéfico para a presença de adeptos no Estádio do Restelo
O horário do jogo (21h00) não foi benéfico para a presença de adeptos no Estádio do Restelo

Saúde-se este Belenenses que se apresentou em campo com onze jogadores portugueses e com apenas um estrangeiro no banco de suplentes. A mescla de juventude (Dálcio, Pelé, Tiago Silva ou Filipe Ferreira) com a experiência e tarimba de João Meira, Nélson ou Miguel Rosa é um exemplo a seguir para as equipas portuguesas.

Pela parte do Estoril, Kléber foi o único jogador a merecer nota positiva no encontro, dado que a equipa ‘canarinha’ nunca conseguiu apresentar qualquer fio de jogo e boas ideias para o ataque. A qualidade do plantel da equipa da Linha não é, de todo, condizente com o lugar na classificação.

Tomem atenção a…

Dálcio: Extremamente rápido com bola e muito perspicaz a encontrar espaços. Saiu há pouco tempo das camadas jovens ‘azuis’, mas é, claramente, um jovem interessante da Primeira Liga. Fez maldades sem fim a Emídio Rafael. Não se estranha o interesse do Benfica nos seus serviços, uma vez que tem potencial para crescer.

Filipe Ferreira: Muito certinho a defender, mas pouco interventivo no ataque. Não é um jogador exuberante, nem tão pouco o mais tecnicista dos defesas, mas cumpre na perfeição aquilo que se lhe pede. Dificilmente é ultrapassado no um para um, mas ainda revela algumas lacunas no controlo do espaço nas costas.

Kléber: claramente o valor mais deste Estoril. Embora seja mal servido pelos companheiros, não se cansa de vir buscar jogo mais atrás e tenta segurar a bola e entregá-la com qualidade e critério. É muito forte fisicamente e consegue encontrar espaços para rematar com facilidade.

Pelé: O pulmão do meio-campo ‘azul’. Rápido a pensar e a executar, forte fisicamente e com uma tremenda facilidade para aparecer em zonas de finalização. Faz o tal trabalho “invisível” mas imprescindível em qualquer equipa.

Tiago Silva: Bons pés, toque de bola requintado e boa visão de jogo. Mas falta-lhe o que escapa à maioria dos jovens jogadores portugueses: intensidade de jogo e regularidade. Se acumular mais tempo de jogo, anexada a uma maior experiência, poderá vir a tornar-se num valor seguro para os bons clubes da Primeira Liga Portuguesa.

Reportagem elaborada por:

Francisco Vaz Miranda e Mário Cagica Oliveira

Benfica 2-0 Braga: 21 dos dois lados

coraçãoencarnado

E cá vai mais uma. A vigésima primeira vitória da época no Campeonato Português. O meu vigésimo primeiro texto. Aqui não há coincidências. Incontestável. Depois de comentários de um lado para o outro, eis que a verdade é resolvida. Futebol é no campo, bitaites são na tasca. E o meu clube, o Sport Lisboa e Benfica, voltou a responder como sabe, no campo. Jogámos contra dez mas podíamos ter jogado contra doze ou treze. Primeiro porque tínhamos sessenta mil ao nosso lado; segundo porque hoje nem se os parvos todos se juntassem derrubavam este Benfica. Eu bem sei que os parvos gritam bem alto e esse facto até poderia incomodar os jogadores benfiquistas, mas hoje nem isso. Esqueçam. Essas teorias de cariz parvo e demagógico não vão mesmo funcionar…a jogar assim ninguém vos ouve, escuta ou muito menos leva a sério. Mas que venham elas, parece que andam a motivar os rapazes cada vez mais! Já que hoje o Benfica voltou a jogar contra dez, pois que gritem! Gritem bem alto porque para a semana há uma deslocação difícil a Vila do Conde e motivação extra é sempre bem-vinda.

Bem, chega de introduções também elas demoradas. Vamos lá ao que interessa, o jogo desta tarde. Sport Lisboa e Benfica – Sporting Clube de Braga, vigésima quinta jornada. O primeiro lugar contra o quarto. Duas equipas que jogam bom futebol e uma tarde primaveril a apelar ao desporto-rei. O jogo foi de sentido único desde o primeiro minuto, a tender para o lados encarnados (caseiros). O Benfica entrou como quem só sofreu dois golos no Estádio da Luz e ganhou os últimos oitos jogos em casa (agora nove) – dominador, forte e atrevido. Os primeiros vinte minutos passaram de forma leve, com o Benfica encaixado na equipa bracarense e a tentar o golo. De realçar que desde o primeiro minuto o futebol benfiquista foi entrosado e solto, espalhando magia em diversas jogadas. Depois do normal, o esperado. O golo. Jonas, (quem mais?!) num remate colocadíssimo de fora-de-área a colocar a bola no canto da baliza de Matheus. Passava o minuto vinte e um. A restante primeira-parte mostrou um Benfica confiante e do outro lado um Braga apático, sem meio-campo e com Zé Luís demasiado só. Artur Soares Dias apitou para o intervalo e a vitória era (completamente) justa.

Jorge Jesus estava avisado que este Braga poderia causar problemas na segunda-parte, até porque no jogo para a Taça de Portugal, também no Estádio da Luz, o Sporting Clube de Braga deu a reviravolta na segunda parte. Mas hoje a história não se repetiu. Apesar dos homens caseiros terem começado o segundo-tempo com um ritmo de jogo mais baixo, não existiu qualquer tipo de reacção do lado bracarense. Não há muito para dizer sobre o que restava do jogo: futebol atractivo do Benfica, um Braga tímido e sem ideias a esperar que um golo caísse do céu. Mas não caiu. Antes pelo contrário. Ao minuto setenta e seis, Eliseu voltou a deixar marca com o seu pé esquerdo, golaço do português!

A verdade é que não há muitas palavras para descrever um jogo de sentido único onde o Benfica se limitou a provar o porquê de ser campeão e de ser líder. Como pequeno registo, o Benfica registou nove remates à baliza, enquanto que o Braga se ficou pelo número um. Aos poucos, o mundo vai-se apercebendo que as parvoíces que têm sido ditas estão directamente relacionadas com os parvos que por aí andam.

Não me podia despedir sem dar algumas notas: finalmente um bom jogo de Eliseu; a expulsão do Tiago Gomes é simplesmente óbvia e indiscutível; obrigado, Júlio César; Parabéns, Luisão, quarenta mil minutos de águia ao peito é muito tempo; Jonas, não tenho palavras para descrever o teu futebol, renovem com ele até 2040 e por fim, Gaitán, que pena não te termos para a semana…

Um abraço cheio de benfiquismo para todos vocês. Hoje o Benfica respondeu-me com a vigésima primeira. Eu respondo-vos com o meu vigésimo primeiro! Até para a semana.

A Figura

Os adeptos – A verdade é que a figura deste jogo podia ter sido o Jonas, o Eliseu ou até o Luisão. Mas não. Hoje, quem jogou foram os adeptos. Sessenta mil, duzentos e vinte e dois benfiquistas. Esses sim, têm direito ao prémio do jogo. Nunca falham. Seja em frente à baliza ou fora-de-área. Os adeptos nunca falham. Especialmente os benfiquistas. E hoje foi mais uma prova: a equipa precisa de nós, assim é que ninguém nos pára mesmo. Seja a jogar contra dez, onze ou doze ganharemos sempre. Sempre! Obrigado a todos, assim vale muito mais a pena.

O Fora-de-Jogo:

Sporting Clube de Braga – A verdade é que eu esperava um pouco mais deste quarto lugar do Campeonato Português. A equipa bracarense mostrou demasiadas fragilidades, especialmente no processo ofensivo. Um meio-campo despovoado, com Pardo e Rafa desinspirados acabaram por culminar numa exibição débil da equipa nortenha.

Kyrgios é a segunda “estrela” confirmada para o Estoril Open

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cab ténis

Nick Kyrgios é a segunda “estrela” confirmada para o Millenium Estoril Open, que se vai disputar no Clube Ténis do Estoril entre 25 de Abril e 3 de Maio no Jamor. Depois de João Sousa, o espectacular australiano vai pisar os court’s do Estoril. Há algumas semanas escrevi aqui, no Bola na Rede, um texto de elogio ao ténis australiano, em especial a Thanasi Kokkinakis e a Nick Kyrgios, por aquilo que fizeram no último Open da Austrália.

Semanas depois desse artigo, e como que a confirmar aquilo que tinha dito, Kokkinakis venceu Lukas Rosol em cinco set’s, por 4-6, 2-6, 7-5, 7-5 e 6-3, sendo assim muito importante na vitória da Austrália frente à República Checa na Taça Davis. Dias depois, a organização do Millenium Estoril Open anuncia a vinda de Nick Kyrgios ao torneio português, quando o nome veiculado nos últimos tempos tem sido Borna Coric, o croata de 18 anos que é já número 60 do ranking mundial.

Para já, está garantida a presença de João Sousa, o melhor português de sempre e o “grande” cabeça-de-cartaz do evento, apesar de não ser o tenista com melhor ranking. Kyrgios é assim um dos jogadores-modelo que a organização do novo Estoril Open procura, um tenista já com algumas provas dadas mas que esteja ainda a despontar no circuito mundial.

Nesse leque de tenistas obviamente Nick Kyrgios é a aposta mais segura. Um tenista que já provou que tem um elevadíssimo nível de ténis e que, a par disso, é capaz de incendiar as bancadas dos torneios por onde passa, devido ao seu estilo de atleta. Actualmente dentro do top 40, Nick Kyrgios fez um bom Open da Austrália, iniciando a temporada na sua melhor forma. Quando falta menos de um mês para encerrarem as inscrições para o torneio português, é natural que surjam cada vez mais nomes que podem até nem ter sido considerados pela organização mas que os adeptos portugueses gostariam de ter presentes no Estoril.

Para concluir, estão já à venda os bilhetes para a edição de 2015 do torneio português, com preços mais em conta face à estratégia de João Lagos, onde a final tem um custo de 30 euros, sendo que uma das maiores curiosidades seriam as sessões nocturnas onde existirão dois bilhetes nesses dias: um para a sessão diurna e outro para a nocturna.

O preço do pack completo do torneio está disponível por 145 euros, mas até Quinta-Feira é possível assistir ao Estoril Open por 15 euros diários, sendo que para o recinto o preço é sempre de 5 euros, do início ao fim do evento.

Foto de Capa: Marianne Bevis

Uma pérola à beira-rio

cab reportagem bola na rede

Com um palmarés invejável, o Atlético de Alcântara foi durante anos considerado o quatro grande do futebol português e conta com milhares de associados. Hoje disputa a segunda divisão nacional, mas quer reerguer-se e voltar a fazer do velhinho Estádio da Tapadinha o inferno de outrora.

Alcântara é, nos dias de hoje, umas das mais fascinantes regiões de Lisboa. A beleza tradicional das ruas, a genuinidade das pessoas faz-nos sentir seguros e alegres quando caminhamos por aquelas calçadas intermináveis. As conversas de café giram em torno de futebol e do clube da região. Por aqui não se veste de verde ou vermelho e branco, mas sim azul e amarelo, as cores do Atlético Clube de Portugal.

Corria o ano de 1942 quando dois clubes das freguesias vizinhas de Alcântara e Santo Amaro se fundiram para formar o Atlético. O União Foot-Ball Lisboa e o Carcavelinhos Football Clube eram clubes independentes, que, no entanto se deparavam com algumas dificuldades de sobrevivência ao mais alto nível, apesar de o Carcavelinhos se ter sagrado campeão de Portugal em 1928. A solução para a continuidade de ambos os clubes passava por uma união e daí advém a fundação do Atlético Clube de Portugal, no dia 18 de Setembro de 1942.

Os primeiros anos do clube foram os mais prósperos e gloriosos. A década de 40 foi de ouro para o clube de lisboeta que alcançou dois terceiros lugares no campeonato nacional e marcou presença em duas finais da Taça de Portugal. Numa época em que emergia o regime ditatorial em Portugal, os clubes de Lisboa dominavam o panorama desportivo nacional e o Atlético era considerado o terceiro grande do futebol português, equiparando-se a Benfica e Sporting. Quem presenciou alguns dos momentos mais incríveis da história do clube foi Vítor Gonçalves, 56 anos, adepto do Atlético desde sempre e funcionário da secretaria do clube há mais de vinte anos. “O meu pai era um adepto ferrenho do clube e viu aqui na Tapadinha os melhores momentos da história do Atlético. Fala-me das vitórias ao Sporting e ao Belenenses. Eu ainda sou do tempo em que o Atlético ganhava a qualquer equipa, onde quer que fosse jogar”, conta.

A maldição da ponte e um inferno chamado Tapadinha

Naquela altura, Alcântara era uma zona de muitas fábricas, o cerne industrial da cidade. Por lá abundavam inúmeras famílias de operários apaixonados por futebol e que todos os domingos enchiam o campo da Tapadinha para ver jogar os craques do Atlético. Foi assim durante décadas, até que decisões políticas contribuíram para a decadência do histórico lisboeta.

A construção da ponte 25 de Abril prejudicou muito o clube. Nem imagina o quanto”, conta Vítor Gonçalves, 56 anos, adepto do Atlético desde sempre e funcionário da secretaria do clube há mais de vinte anos. “Assim que começaram a construir a ponte as pessoas foram obrigadas a mudar-se e foram para regiões mais centrais da cidade. Ora esta zona de Alcântara perdeu muita gente e, o clube, muitos adeptos e apoios”, acrescenta.

De facto, o período de declínio corresponde à fase de construção e inauguração da denominada “Ponte de Salazar”, na década de sessenta. Por essa altura o Atlético Clube Portugal desceu de divisão por três vezes e perdeu muitas das suas pérolas como Germano, que se transferiu para o Benfica, um dos melhores clubes da Europa naquela altura. “O Germano era um defesa central fantástico, do melhor que o nosso futebol teve. Quem o viu jogar dizia que o Eusébio não passava por ele uma única vez. Quando foi para o Benfica, tornou-se o esteio daquela equipa bi-campeã europeia”, atira Vítor Gonçalves. “Acredito que o Germano tenha sido o melhor jogador que passou pelo Atlético”, acrescenta com toda a convicção.

A queda do Estado Novo e a proliferação dos regimes democráticos não abonaram em favor do clube. As fábricas e as famílias de operários que sustentavam o clube dispersaram para outros lugares mais atractivos e Alcântara foi ficando despida e o clube sofreu demasiado com isso. Os apoios camarários destinaram-se sobretudo aos clubes das elites, como Sporting e Benfica, que começaram a ganhar adeptos que até então apoiavam os clubes de bairro, como o Atlético. “Os apoios financeiros, sobretudo, foram quase todos para os clubes das elites. Apoios da Câmara, de empresas, de fábricas, patrocínios…era tudo para os grandes e clubes como o nosso foram caindo no esquecimento do poder”, salienta o Sr. Vítor, como é respeitosamente tratado para os lados da Tapadinha. “Mas engane-se quem que pense que o clube morreu ali. Mesmo perdendo alguns adeptos e jogadores, continuámos muito competitivos sobretudo aqui na Tapadinha”, reforça.

Quem se recorda perfeitamente destes tempos de inferno da Tapadinha é o alentejano António Carrasco, conhecido por Tó-Zé no mundo do futebol. “Estive quatro anos no Atlético e foram, provavelmente, os melhores da minha carreira. Recordo-me de ver o estádio sempre cheio e do ambiente incrível. Os chamados três grandes faziam das tripas coração para triunfar naquele estádio”, atira o ex-jogador do clube. Tó-Zé representou os alcantarenses durante quatro épocas, de 1975 a 1979, e fazia parte da última equipa do clube que esteve na Primeira Liga Portuguesa, há quase quarenta anos.

O Estádio da Tapadinha continua a receber a visita de vários adeptos Fonte: Atlético CP
O Estádio da Tapadinha continua a receber a visita de vários adeptos
Fonte: Atlético CP

O sucesso nas modalidades

Num país que respira futebol, é também o desporto-rei o mais apreciado pelos adeptos dos alcantarenses e aquele que é alvo de maior investimento por parte da direcção do clube. Ainda assim, a aposta nas modalidades tem sido feita de forma significativa e está a começar a surtir efeito. “Estivemos perto de atingir a Proliga no Basquetebol (primeiro escalão em Portugal) no passado e no futsal também estamos a fazer de tudo para regressar ao Primeira divisão. O Atlético não é só futebol”, aponta Vítor Gonçalves.

A rivalidade com o Belenenses… de Amália Rodrigues

O Atlético Clube de Portugal é, sem sombra de dúvidas, um clube especial e único no futebol português. Por entre tantas particularidades e incríveis histórias e feitos que preenchem os álbuns do clube de Alcântara, encontram-se dezenas de retratos e contos dos duelos com o eterno rival Clube de Futebol “Os Belenenses”. Por Lisboa são mais do que conhecidos os intensos duelos dos anos quarenta, cinquenta e sessenta disputados entre estes dois históricos clubes à beira-rio plantados. “A rivalidade dos clubes era tanta que as pessoas de Alcântara iam daqui até Belém com lençóis e cartazes para festejar as derrotas do Belenenses. E eles faziam-nos o mesmo. Recordo-me duma entrevista que a Amália Rodrigues deu em que dizia que era adepta do Belenenses porque o irmão era adepto do Atlético”, conta o Sr. Vítor.

Tanto na Tapadinha, como no Restelo a festa do futebol era elevada ao topo. Sejam quais fossem os intervenientes, a entrega e a intensidade eram nota dominante nestes derbys. “Eram sempre jogos muito fervorosos, mas sempre com respeito entre as equipas. Não havia agressividade, nem cenas menos próprias, quer dentro, quer fora de campo”, reforça. A cordialidade o respeito entre os clubes são ideias corroboradas por Tó-Zé, que recorda com saudade os clássicos contra o velho rival. “Esperávamos toda a época por esse jogo, era muito especial, tanto para nós como para os adeptos. Esta zona ribeirinha parava para assistir ao jogo e durante semanas esse era o tema dominante, até nos jornais da época”, conta o ex-jogador.

Sócios do melhor que há no mundo

A descida de divisão e a consequentemente manutenção do clube nos escalões secundários do futebol português durante todos estes anos afastou alguns adeptos e sócios do clube, porém são muitos (milhares) aqueles que continuam filiados ao clube do coração. Com mais de três mil sócios pagantes, o Atlético pode orgulhar-se de pertencer ao rol de clubes com mais associados da Liga de Honra, escalão em que a equipa participa actualmente. “Os nossos sócios são sobretudo pessoas mais velhas, habituadas a ver o melhor deste clube. Ainda assim temos adeptos de todo o lado. Há um casal espanhol que nos acompanha em quase todos os jogos do clube e temos sócios em Angola que nos vêem sempre que podem. Temos adeptos nos quatros cantos do mundo (risos)”, frisa o Sr. Vítor.

De facto, os adeptos do Atlético são conhecidos por serem exigentes com os seus jogadores. E o antigo treinador do Atlético António Pereira que o diga. “Em todos jogos há sempre ali um grupo de adeptos atrás de mim a pedirem o máximo dos jogadores e a queixarem-se dos erros que a equipa comete. E isso é perfeitamente normal, sobretudo para estes adeptos que viram jogar neste Estádio grandes jogadores. Estão mal habituados…os tempos são outros”, conta o “mister Toni”. Depois de ter estado sete anos ao leme da equipa de futebol do Atlético CP, António Pereira é, ainda hoje, visto como um Deus pelos alcantarenses. Conseguiu estabelecer o clube no segundo patamar do futebol português e alcançou feitos inéditos ao comando do clube e, nos tempos em que era treinador, sempre acreditou na subida de divisão. “Acredito que com um pouco mais de investimento este clube consiga ascender à Primeira nos próximos anos. Este clube é especial e por isso os jogadores querem vir jogar para aqui.”, afirma o antigo treinador do Atlético.

Da mesma opinião do que o mister, Vítor Gonçalves aposta numa subida nos próximos anos. “Acredito que dentro de pouco tempos estaremos no lugar que merecemos. O país e a cidade precisa do Atlético CP no topo do futebol nacional e capacidade não nos falta. Basta ver o que fizemos ao FC Porto há uns anos.”, atira.

O entusiasmo do funcionário do clube, que afirma ser só adepto do Atlético e não nutrir sequer alguma simpatia por outro clube, é referente ao brilharete que a equipa fez em 2007, numa eliminatória da Taça de Portugal, em pleno Estádio do Dragão. Naquela época, o clube disputava o terceiro escalão do futebol português quando venceu por 1-0 o campeão nacional FC Porto e eliminou os dragões da competição. “Pode dizer-se que esse foi o melhor momento da minha carreira de trinta anos enquanto treinador. Esse feito assumiu proporções que eu nunca imaginei. Quando saímos do Porto estavam duas equipas de reportagem dentro do autocarro e atrás de nós parecia uma excursão. Na Tapadinha havia mais de dez mil pessoas à espera…”, conta António Pereira. Para Vítor Gonçalves esse momento foi “único”, mas aponta todas as subidas de divisão e os sete títulos de campeão nacional da segunda e terceira divisão como os melhores momentos vividos enquanto sócio e funcionário dos alcantarenses.

O antigo treinador do Atlético acredita no sucesso do clube lisboeta Fonte: Atlético CP
O antigo treinador do Atlético acredita no sucesso do clube lisboeta
Fonte: Atlético CP

“O futebol de primeira precisa de clubes como o Atlético”

Estas são palavras de António Pereira, mas que trespassam para as bocas de Tó-Zé e de Vítor Gonçalves. Na mente de todos os alcantarenses está um futuro regresso do clube à Primeira Divisão e esperança não falta aos aficionados do Atlético Clube de Portugal. Confiança é mesmo a palavra de ordem para os lados da Tapadinha. Mas falta qualquer coisa…

O clube vive, como todos os outros, naturais dificuldades financeiras e num campeonato tão competitivo como a Segunda Liga é necessário investimento forte e muitos apoios para alcançar o sucesso. Sei que o futebol de primeira precisa de clubes como o Atlético”, admite António Pereira.

Por agora o clube luta pela manutenção no segundo escalão do futebol português e nas últimas épocas esse tem sido o principal objectivo do clube. Apesar de a situação atual não ser famosa (penúltimo lugar na II Liga), estão em marchas projectos para reerguer o histórico clube lisboeta. Vítor Gonçalves é um dos obreiros de um futuro projecto ambicioso e já imagina o clube do seu coração a jogar nos melhores palcos nacionais e mostra-se muito crente. “Acredito sinceramente que juntos, com o apoio dos sócios e o esforço de todos os atletas, vamos conseguir, um dia, alcançar o nosso grande objectivo que o regresso à Primeira Liga“.

O problema da prata da casa

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O final do mês de Fevereiro foi duro no reino do Leão. A eliminação na Liga Europa era expectável mas  o jogo de Alvalade deixou no ar um travo a injustiça, uma excelente exibição não foi traduzida numa vitória, algo que acabou por desmoralizar o jovem plantel de Marco Silva.

Mas pior do que este encontro caseiro frente ao Wolfsburgo foi a deslocação seguinte ao Estádio do Dragão, terreno onde o Sporting já tinha (con)vencido esta temporada; foram noventa minutos irreconhecíveis, apáticos, bizarros e que tornaram titulares indiscutíveis no foco de todas as críticas Sportinguistas.

Para além de Patrício, Adrien e Cédric são os mais recentes alvos de toda esta insatisfação verde e branca.  Se sobre o capitão leonino já escrevi num passado recente, minimizando os defeitos e não me esquecendo de todas as vezes em que se transformou em “São” Patrício, irei falar pela primeira vez na dupla de jogadores formados na Academia de Alcochete e que curiosamente se afirmaram no plantel após um empréstimo à Académica de Coimbra.

Não sou fã de Cédric, ponto. Não lhe revejo potencial para ser titular num Sporting candidato ao título e de grandes façanhas europeias. Reconheço-lhe o esforço mas é um jogador limitado, com dificuldades ofensivas e acima de tudo que tem na sua personalidade o seu maior defeito, por ser um jogador quezilento, que ferve em pouca água e prejudica várias vezes o clube com a sua incapacidade de controlo emocional.

Na minha óptica,  Miguel Lopes deveria ser o lateral titular. É um jogador mais experiente, rotinado e que dá uma maior tranquilidade a uma posição que nos últimos tempos tem sido explorada pelas equipas adversárias. Tendo em conta que o contrato com o jovem nascido na Alemanha termina no final da próxima temporada, este Verão é a altura ideal para vender o jogador, passando Ricardo Esgaio a alternativa de Lopes.

Apesar do menor fulgor, Adrien continua a ser uma das melhores opções para o meio campo Fonte: Facebook do Sporting
Apesar do menor fulgor, Adrien continua a ser uma das melhores opções para o meio campo
Fonte: Facebook do Sporting

Sobre Adrien a minha opinião muda um pouco; o médio realizou uma excelente temporada em 13/14 e merecia ter estado no Mundial do Brasil. Este ano, o seu nível exibicional desceu um pouco, mas não podemos falar em falta de qualidade ou até de uma questão de “desleixo”. Creio que o problema de Adrien passa por uma questão de forma e pelo próprio sistema de jogo de Marco Silva, priveligiando o jogo pelos extremos e os cruzamentos para Slimani.

Contudo, Adrien continua a ser um jogador importante no plantel, e não gostaria de o ver sair de Alvalade, a não ser que seja envolvido num bom negócio paras os cofres leoninos, algo que muito sinceramente não vejo a acontecer.

Por fim, gostaria de realçar a filosofia de Marco Silva no último jogo frente ao último classificado do campeonato. A aposta em William como solução à expulsão de Tobias foi arriscada e não correu da melhor forma, ainda assim tenho que louvar esta mentalidade, não querendo perder a capacidade de sair com a bola jogável e continuando a controlar o meio campo. Apesar do golo sofrido no lance seguinte à expulsão, e dos erros defensivos no lance do segundo golo, a decisão do treinador foi a correcta, mantendo-se fiel aos seus princípios de jogo.

Antevisão UFC 185: Um cartaz emocionante

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Pettis e Dos Anjos encabeçam um cartaz principal recheado de lutadores de renome e que promete corresponder às expectativas: para além do combate principal pelo título de peso Leve, o evento vai opor Cariaso e Cejudo, os pesos pesados Roy Nelson e Alistair Overeem, o ex-campeão de peso Meio-Médio Johny Hendricks e Matt Brown e, como evento principal secundário, um combate pelo título da categoria feminina de Strawweight, entre a campeã Carla Esparza e a invicta Joanna Jedrzejckzyk. O que podemos esperar deste pay-per-view?

No primeiro combate do cartaz principal teremos uma luta interessante na categoria de Flyweight, entre Chris Cariaso e Henry Cejudo. Cariaso vem de uma derrota contra o campeão Demetrious Johnson e procura, certamente, voltar à cena do título. Cejudo vem também de tempos difíceis, mas por razões bastante distintas: Cejudo tem tido dificuldade em atingir o peso necessário para competir na dita divisão, pelo que a única vez que lutou pela UFC (venceu Dustin Kimura) foi na categoria de Bantamweight. Se falhar peso outra vez certamente será a sua última tentativa de lutar nesta categoria e será obrigado a lutar na categoria acima. Assumindo que tudo corre conforme o que é suposto, a luta deverá mesmo cair para o lado de Cejudo, que alberga um recorde invicto de 7-0, até ao momento. Cariaso, apesar de ter maior experiência na UFC e MMA em geral, não aparenta ser capaz de contrariar o wrestling do campeão olímpico de 2008.

Roy Nelson e Alistair Overeem opõem-se na segunda luta da noite num combate que é difícil de antever. Estes pesos pesados têm apenas duas vitórias nos seus últimos cinco combates. Overeem (#9 do ranking), no entanto, vem de uma vitória (contra Stefan Struve), ao passo que Nelson (#8 do ranking) vem de uma derrota (contra Mark Hunt). Ambos são portentos, ambos batem forte, ambos podem acabar este combate por K.O.. Este será, certamente, o desfecho deste combate. Resta saber quem terá a sua mão levantada no final.

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Johny Hendricks (na foto) e Matt Brown lutam ambos pela desforra contra o campeão de peso Meio-Médio Robbie Lawler

A terceira luta poderia facilmente encabeçar um Fight Night ou servir de evento principal secundário a este UFC 185, não fossem Esparza e Jedrzejckzyk ocupar esse espaço. Johny Hendricks e Matt Brown defrontam-se num combate que certamente irá decidir quem será o próximo candidato ao título de Robbie Lawler, sendo que ambos vêm de uma derrota contra este. Hendricks, recorde-se, perdeu o título contra o agora campeão no seu último combate. O poder e o striking de cada um prometem tornar este combate num verdadeiro “slugfest” até que o primeiro caia. Podemos assumir, também, que, caso isto não suceda, Hendricks assumirá o combate através do seu wrestling, aproveitando aquela que, para além de virtude, é também uma falha de Brown: a sua agressividade. Brown pouco mais sabe do que pressionar o adversário e abusar do striking, pelo que será fácil para Hendricks controlar a luta se assim o entender. Caso o primeiro cenário aconteça será difícil prever um vencedor, mas se se der o segundo podemos atribuir este combate a Hendricks.

Esparza e Jedrzejckzyk prometem aquecer o público, se este já não estiver quente o suficiente, antes do combate principal. O reinado de Esparza é bastante jovem, assim como a própria categoria da qual é campeã e a sua estadia na UFC. Esparza tem apenas uma luta na UFC, e, portanto, uma vitória, a qual se deu aquando da final do The Ultimate Fighter 20 e da inauguração do título de Strawweight, contra a outra finalista do TUF, Rose Namajunas. Joanna Jedrzejckzyk, por seu lado, é uma ex-campeã europeia e mundial de Muay Thai, e a #1 do ranking de Strawweight, albergando um recorde de vitórias de 8-0. Jedrzejckzyk vem de duas vitórias na UFC, a última contra Cláudia Guedelha, a mulher que todos tinham como a principal ameaça a Esparza. Apesar de o ter feito com controvérsia (muitos deram a vitória à brasileira), Joanna chegou ao topo da montanha de concorrentes e promete dar luta à campeã, chegando mesmo a afirmar que a partir de dia 14 poderão chamar-lhe “Joanna Champion” ao invés do seu complicado apelido. Será um combate renhido, onde a polaca irá tentar fazer valer o seu Muay Thai e Esparza o seu wrestling. Apesar de ser difícil de antever, podemos considerar a campeã vencedora, simplesmente pelo facto de albergar o título.

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É difícil imaginar um cenário para Anthony Pettis (na foto) que não este, no final do UFC 185

O evento principal da noite, entre o campeão Anthony Pettis e Rafael dos Anjos, causa alguma intriga. A chegada de dos Anjos a este combate tem sido bastante discreta. De facto, muitos têm dito que é difícil visualizar dos Anjos enquanto campeão. Quando pensamos na divisão de peso Leve pensamos em Pettis, Khabib Nurmagomedov (era suposto que fosse o adversário de Pettis, caso não se tivesse lesionado), Donald Cerrone… E pouco em dos Anjos, mesmo apesar de este ser o #1 do ranking. Pettis parece que foi feito para ser campeão: tem carisma, aspecto e é, definitivamente, um dos lutadores com melhor qualidade técnica dentro do octógono (é o autor do conhecido “Showtime Kick”). Talvez seja por isso que poucos olhem para Rafael dos Anjos e atribuam, desde já, a vitória a Pettis. E isso é perigoso, especialmente para o campeão. De facto, é bastante provável que o americano passeie por dos Anjos, mas o completo descartar de hipóteses do brasileiro pode fazer com que lhe seja mais fácil entrar no combate, fazer o seu jogo e, em última instância, surpreender Pettis, que, caso perca, criará alguns problemas à UFC, que vem trabalhando neste “seu” campeão já há algum tempo.

O reinado de Pettis tem sido marcado por constantes lesões e, por isso, raras presenças no octógono, pelo que é a altura perfeita para este se confirmar como um dos actuais grandes. Iremos assistir a uma luta entre o favorito e o derradeiro “underdog”. Pettis irá, certamente, vencer. No entanto, muitas surpresas acontecem dentro do octógono… Esperemos para ver. O cartaz principal UFC 185 será transmitido na madrugada de Domingo, dia 15 de Março (2h00).

Fotos são uma cortesia da UFC