O jovem ciclista belga é um dos nomes mais sonantes da atualidade no que toca ao mundo velocipédico. Aos 20 anos, Remco Evenepoel já é apelidado de “novo Eddy Merckx”, que é considerado o melhor ciclista de todos os tempos.
Há cerca de três anos, Remco abandonou a sua carreira de futebolista, passando pelo RSC Anderlecht e pelo PSV Eindhoven, para se dedicar ao ciclismo. Acabou mesmo por representar as camadas jovens da seleção nacional belga. Em 2018, conquistou 23 vitórias, em provas de juniores, incluindo os títulos de Campeão do Mundo, Campeão da Europa e Campeão Nacional belga de contrarrelógio e estrada. Remco venceu a prova de fundo do Campeonato de Europa, em Zlín, com 9m44s de diferença para o segundo classificado!
Em 2019, o jovem ciclista assinou um contrato profissional com a melhor equipa do ranking UCI, a Deceuninck-Quick-Step. Foi o melhor jovem na Vuelta a San Juan, venceu o Baloise Belgium Tour, ganhou uma etapa na Adriatica Ionica Race, a clássica San Sebastián e foi Campeão Europeu de contrarrelógio na categoria de elite! No Campeonato do Mundo de contrarrelógio tentou repetir o feito, mas acabou na segunda posição, apenas atrás de Rohan Dennis.
Em 2020, conta já com duas provas realizadas e duas vitórias na classificação geral. O equivalente a 12 dias de corrida, três vitórias em etapas (dois contrarrelógios), duas camisolas amarelas e duas camisolas da juventude.
O jovem prodígio veio para dar show no Algarve e acabou por ser o mais forte, depois de cinco dias de competição. Venceu no Alto da Fóia, sofreu no Malhão e bateu Rohan Dennis no contrarrelógio, com classe de graúdo, levando para casa mais uma geral.
Remco Evenepoel terminou em 1.º da geral na Volta ao Algarve
O ciclista belga já tem alguns objetivos traçados para esta época: Tirreno Adriático, as clássicas das Ardenas, o Giro de Itália e o contrarrelógio dos Jogos Olímpicos. Até onde pode ir este menino de ouro no futuro? Será um nome para vencer uma Grande Volta?
A NBA parecia formatada para os cidadãos americanos, mas na última década a tendência mudou. Cada vez mais, chegam ao país do Tio Sam jovens com o sonho de serem bem-sucedidos com a borracha laranja e preta entre as mãos. Pascal Siakam é um dos exemplos, mas engane-se quem acha que a carreira do poste foi sempre positiva e num crescendo contínuo.
Nascido nos Camarões, é o mais novo de três irmãos que praticavam basquetebol. Todos conseguiram bolsas em conhecidas universidades nos Estados Unidos da América, mas Pascal era o que menos parecia querer saber do desporto. Tudo mudou no dia em que pisou um campo de treinos de Luc Mbah a Moute. Depressa, a diversão passou a algo sério.
Na África do Sul encontrou o trampolim necessário para voos mais altos. A aterragem foi turbulenta e o sonho americano não foi como o que é mostrado nos filmes, era preciso saber lidar com novos ideais e táticas. Descreviam o camaronês como magro para os 2,06 metros que apresentava e o primeiro passo foi a adaptação aos adversários mais fortes fisicamente. Seguiu-se a Universidade do Novo México e uma lesão, que adiou o sonho de ser profissional.
O joelho melhorou e o jovem não desiludiu quem tanto acreditava nele. Os Toronto Raptors não ficaram indiferentes ao seu talento e escolheram-no na 27.ª escolha do Draft de 2016. Nos primeiros anos como profissional cresceu na G-League pela equipa secundária e foi sombra do cinco inicial de Dwayne Casey. O trabalho começou a ser visto globalmente e já muitas pessoas conheciam o potencial do camaronês.
Go all-access for a day in the life with #NBAAllStar starter Pascal Siakam of the Toronto Raptors! @pskills43 and the @Raptors look to extend their current franchise-record 12-game win streak TONIGHT at 8pm/et on ESPN. pic.twitter.com/wpsFYxj22O
A chegada de Nick Nurse marcou a passagem para as luzes da ribalta, e “Spicy P” passou de quase desconhecido a uma estrela da NBA. A época de 2018/2019 não podia ser roteiro de realizador de cinema, pois tudo correu de forma perfeita. Com uma média de 26 pontos e cinco ressaltos por jogo, foi uma das forças que em conjunto com Kawhi Leonard trouxe a inédita taça de campeão para os dinossauros do Canadá.
O prémio de Most Improved Player (jogador que mais evoluiu de uma época para outra) da liga foi o resultado de uma caminhada longa e sinuosa, de um atleta que nem sempre foi o maior apreciador do basquetebol, mas sabia que tinha capacidade para singrar. Esta época, Pascal Siakam continua a surpreender, e o nome do camaronês já ecoa nos ouvidos de todos os aficionados da melhor liga de basquetebol do mundo.
De desconhecido a ganhar o espaço do plantel, de não gostar de jogar basquetebol a campeão da NBA, de jogador que mais evoluiu a All Star. A carreira de Pascal Siakam é uma das melhores histórias de superação e vai demonstrando ao planeta que mesmo na maior adversidade não desistiu e todos os dias vamos vendo a prova disso mesmo.
Não tinham passado muitos minutos do final da partida na Alemanha, frente ao Bayer 04 Leverkusen, e Sérgio Conceição sem perder tempo deu o mote para a 2.ª mão desta eliminatória, afirmando que os dragões, na época passada, também tinham perdido a 1.ª mão contra o AS Roma, contudo juntos dos adeptos portistas conseguiram reverter a situação.
O jogo do FC Porto, há uma semana, foi francamente mau e sofrível. Os azuis e brancos foram dominados pelos germânicos e não é surpresa nenhuma salientar que o resultado, atendendo à exibição, foi simpático para os portugueses. Desta forma, o golo marcado fora, por Luís Diaz, manteve a esperança dos pupilos de Sérgio Conceição bem presente, dado que basta um golo para apurar o FC Porto para a próxima fase.
Por um lado, o clube da invicta vem de um triunfo sofrido frente ao Portimonense SC, a contar para a Primeira Liga, onde só conseguiu marcar o golo da vitória nos minutos finais, por intermédio de Alex Telles, que, este ano, tem se destacado mais propriamente pelo seu instinto de goleador do que a somar assistências, que é seu apanágio. Ainda, há a destacar a baixa certa de Vitor Ferreira, uma vez que o jovem se encontra lesionado, atualmente.
Por outro lado, o adversário do FC Porto, recebeu e venceu o FC Augsburg e mantém o 5.º lugar na Bundesliga. Sendo assim, os comandados por Peter Bosz deram continuidade ao bom momento que estão a viver. Porém, nem tudo são boas notícias e o Bayer 04 Leverkusen viaja até à cidade invicta sem um dos seus principais jogadores, falamos de Kevin Volland.
COMO JOGARÁ O FC PORTO?
Espera-se um FC Porto totalmente diferente daquele que se apresentou, na última quinta-feira, na BayArena. Estando numa posição de desvantagem, cabe aos dragões assumirem as rédeas do desafio, de forma a inverter o cenário em que se encontra. Com isto, a massa associativa dos portistas perspetivam uma entrada forte dos seus jogadores, com a ilusão de conseguir chegar cedo ao golo tão desejado. Assim, os ingredientes para os 90 minutos devem assentar numa boa organização ofensiva, com dinâmica, além de ser essencial executar uma boa pressão na saída de bola dos “farmacêuticos”, com o intuito de permanecer com a gestão do esférico mais tempo. Contudo, Peter Bosz já avisou que o Bayer 04 Leverkusen vem ao Estádio do Dragão à procura de marcar, por isso há que estar atentos aos espaços que os germânicos irão tentar explorar.
JOGADOR A TER EM CONTA
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Alex Telles – Após um início de época fraco por parte do internacional brasileiro, o lateral esquerdo do FC Porto parece estar de volta a uma das suas melhores versões e mostrar o porquê de ser um dos atletas mais acarinhados pelos adeptos portistas. Já com alguns anos de casa, Alex Telles é um dos exemplos perfeitos que consegue personificar a “mística portista” dentro de campo, além de que se espera que ofereça a profundidade habitual que implementa ao longo do flanco canhoto dos azuis e brancos e tentará, certamente, dar calafrios aos defesas alemães, com recursos aos seus cruzamentos, assim como nos lances de bola parada. Não esquecer que foi o canarinho que converteu o penálti decisivo para eliminar a AS Roma, na temporada passada.
XI PROVÁVEL: Marchesín, Corona, Mbemba, Marcano, Alex Telles, Danilo, Uribe, Luís Diaz, Otávio, Zé Luís e Marega
COMO JOGARÁ O BAYER 04 LEVERKUSEN?
“Os farmacêuticos” chegam até à 2.º mão com uma vantagem de um golo, após terem saídos vitoriosos na primeira guerra. Foi evidente, que quiseram tentar resolver esta luta diante dos seus adeptos, mas o golo conseguido pelo FC Porto pode-se considerar um balde de água fria para o atual 5.º classificado da Bundesliga. Com uma boa circulação de bola e uma boa intensidade na transição ofensiva, é com naturalidade que estarão expectantes em lançar venenosos contra-ataques, de forma a ferir a baliza dos dragões. O desafio para formação oriunda de Leverkusen será saber como irão suster a pressão que o FC Porto deve iniciar no início do jogo e como vão suplementar a ausência de Volland, que tem sido um dos principais protagonistas da equipa.
JOGADOR A TER EM CONTA
Fonte: Bayer 04 Leverkusen
Tapsoba – O ex-Vitória SC, contratado em Janeiro, encaixou que nem uma luva na sua nova equipa, algo que até surpreendeu o seu próprio técnico, que já afirmou publicamente esse facto. Como se sabe, este Bayer 04 Leverkusen tem-se caraterizado por uma vulnerabilidade defensiva que não é normal e que não acompanha o seu registo ofensivo. Mas, Tapsoba parece ter trazido consigo alguma estabilidade defensiva e o jogo da primeira mão foi uma prova bem evidente disso, já que conseguiu anular Marega, assim como evitar a continuidade de muitos outros lances que poderiam ter trazido perigo à sua área. Senhor de uma boa antecipação, compostura física e saída de bola, o jogador oriundo do Burquina-Faso promete ser um dos futebolistas a ter debaixo de olho nos próximos anos.
XI Provável: Hrádecký, Bender, Tapsoba, Bender, Sinkgraven, Aranguiz, Baumgartlinger, Amiri, Havertz, Alario e Bailey
A CRÓNICA: APOIADOS EM ALFREDO QUINTANA, OS DRAGÕES MOSTRAM TODO O SEU PODER
Jogo grande do andebol português no Dragão Arena com o FC Porto a receber o SL Benfica na 24.ª jornada do Campeonato Andebol 1, no qual Alfredo Quintana se destacou.
As duas equipas entravam para este jogo separadas por oito pontos, mas uma vitória poderia ser determinante para a classificação final desta 1.ª fase, mas também da fase final. Em caso de vitória portista, a vantagem sobre o adversário desta noite aumentaria para dez, uma diferença já considerável e difícil de anular. Por outro lado, um triunfo das águias diminuiria o fosso para apenas cinco pontos, e com o clássico da próxima jornada (Sporting CP – FC Porto), poderia mesmo passar para dois.
A partida começou e desde cedo se começaram a perceber as tendências que se mantiveram durante o encontro.
Com Alfredo Quintana na baliza, os dragões desde cedo criaram um fosso que o Benfica teve muita dificuldade em ultrapassar. Com vinte minutos jogados, a diferença firmava-se nos cinco golos (12-7), e as águias mostravam muita dificuldade em parar André Gomes (oito golos) e as combinações entre a primeira-linha azul e branca e os pivots que iam causando estragos na sua defesa.
Paulatinamente a diferença foi aumentando e, ao intervalo, o marcador assinalava 18-17 favorável ao conjunto da casa.
No segundo tempo, a toada manteve-se. Carlos Resende mudava de guarda-redes (saiu Miguel Espinha para a entrada de Borko Ristovski), mudava de sistema defensivo (5×1 para 6×0), mudava de sistema ofensivo (6×6 para 7×6), mas os campeões nacionais conseguiam lidar com todas as mudanças e iam aumentando a sua vantagem.
Com dezasseis (!) defesas, Quintana esteve imperial na baliza e com André Gomes a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira, o FC Porto provou ser mais forte e conseguiu assim uma confortável vitória por 31-22 que lhe permite alcançar o Sporting CP na liderança do campeonato com 71 pontos. Já o SL Benfica mantém-se na terceira posição e tem agora uma tarefa muito complicada na luta pelo título.
Alfredo Quintana – André Gomes poderia ter sido o escolhido, fruto dos seus oito golos e influência no jogo, mas com dezasseis defesas, Quintana foi imperial e levou à loucura os jogadores encarnados. Um muro aos seis metros, o guardião portista continua a mostrar todo o seu talento e conseguiu condicionar Petar Djordic a “apenas” cinco golos.
O FORA DE JOGO
Fonte: FAP
SL Benfica – Mais um jogo frente a um adversário direto e nova derrota pesada. Apesar da boa caminhada europeia, o Benfica parece ter muita dificuldade quando tem que enfrentar equipas mais fortes fisicamente. A força de jogadores como Daymaro Salina, Alexis Borges, Victor Iturriza ou Djibril Mbengue condicionaram bastante as penetrações aos seis metros, mas também as combinações exteriores que envolviam Djordic.
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
Apesar da ausência de Magnus Andersson (o treinador dos dragões não esteve presente por doença), esta equipa do FC Porto é uma máquina bem oleada. Graças ao seu núcleo duro que se mantém junto há vários anos, a sua defesa 6×0 consegue conciliar perfeitamente a força e porte físico, com velocidade de movimentos e agilidade suficiente para cobrir espaços ou fazer trocas. Já no ataque, e tal como o treinador do RK Vardar referiu esta semana, os azuis-e-brancos são das melhores equipas do mundo a atacar em 7×6, que causa muitas dificuldades aos seus adversários.
7 INICIAL E PONTUAÇÕES
Alfredo Quintana (9)
Diogo Branquinho (7)
André Gomes (9)
Rui Silva (7)
Djibril Mbengue (7)
António Areia (8)
Daymaro Salina (7)
SUBS UTILIZADOS
Miguel Martins (8)
Victor Iturriza (7)
Angel Zulueta (7)
Leonel Fernandes (7)
Alexis Borges (7)
Fábio Magalhães (7)
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
O SL Benfica tentou colocar em prática os mesmos princípios que têm resultado na EHF Cup. No entanto, este FC Porto encontra-se num nível competitivo muito elevado e as águias nunca encontraram resposta.
Com o seu 5×1 defensivo, Pedro Seabra Marques tentou afastar a primeira linha portista o mais possível da zona de decisão, forçando-os a jogar de forma mais individual. Contudo, André Gomes é exímio nessas situações e o resultado foram oito golos por parte do lateral que deu um recital no Dragão Arena.
A História não está do lado do SL Benfica. Quando entrar em campo esta quinta-feira, para virar o resultado de Kharkiv contra o FK Shakhtar, os encarnados terão o peso das suas experiências anteriores a contrabalançar o que se espera ser uma noite boa para a equipa.
Das 36 vezes que o Benfica entrou a perder nas eliminatórias europeias, apenas em 11 conseguiu virar o resultado e avançar para a próxima fase. Uma clara demonstração de que o clube se sentirá sempre mais confortável a gerir o resultado e não em busca dele, mas nem sempre as condições se reúnem para que tal aconteça e a má fase da equipa impossibilitou tais circunstâncias.
Conseguirão os comandados de Bruno Lage inverter o próprio legado do clube e avançar na Liga Europa? Como fonte de inspiração, ficam aqui as maiores reviravoltas europeias, por ordem cronológica.
A CRÓNICA: O “UNDERDOG” TEM SEMPRE UMA PALAVRA A DIZER
Na 1.ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, o Olympique Lyonnais recebeu e bateu a Juventus FC por uma bola a zero. No primeiro tempo a Juventus começou melhor, encostando o Lyon atrás, porém, sem verdadeiras ocasiões de golo.
Após o quarto de hora inicial, os franceses equilibraram, acertaram marcações e, com bola, era como se fossem os favoritos nesta eliminatória. Ekambi (bola à trave) avisou, Tousart marcou (31’). Aquilo que era apontado como um “passeio” da equipa transalpina, começou a tornar-se um caso complicado.
Não fosse a falta de pontaria dos les gones, a Juve podia ter ido para os balneários em maior desvantagem. Na segunda parte, os comandados de Sarri voltaram com “outra cara”, ainda que, com a mesma (entenda-se, nenhuma) clarividência no último terço. Escassas foram as chances de perigo perto da baliza de Anthony Lopes.
No campo da estratégia, Rudi García deu uma lição de futebol a Sarri. Um futebol em que o coletivo é maior que qualquer individualidade. Soube criar perigo, chegar à vantagem, jogar sem bola e tê-la em posse.
Fez um desenho onde mostrou aos seus jogadores o caminho para a vitória e escolheu os homens certos para interpretar o esquema tático. Se perfeição existisse, estes seriam os 90 minutos mais próximos de tal.
A FIGURA
Fonte: Olympique Lyonnais
Olympique Lyonnais – Onze guerreiros escolhidos por um estratega, que soube explorar os pontos fracos do adversário e utilizar os fortes da sua equipa. Entrou em campo para ganhar, sem autocarros à frente da baliza, nem perdas de tempo que costumam (infelizmente) caraterizar conjuntos “menos fortes” ou não favoritos. Conseguiu tirar partido do fator casa para levar vantagem para Turim. Coragem, ambição, devoção. Tudo menos receio do melhor do mundo e companhia.
O FORA DE JOGO
Fonte: UEFA
Maurizio Sarri – Os tempos que antecederam este jogo deixavam antever tal desfecho. Se a nível de resultados, a temporada da Juventus até não tem sido longe do expectável, no campo das exibições não se pode dizer o mesmo. A caminhar para a fase decisiva de todas as competições, o treinador italiano ainda não encontrou a fórmula, o onze, ou a estratégia ideal para tornar a Juve naquela equipa dominante que nos habituou e chegava longe nas provas europeias.
ANÁLISE TÁTICA – OLYMPIQUE LYONNAIS
Perante a inconstante prestação na Ligue 1, Rudi García tenta fazer da presença na Champions dos super-plantéis como que um brilharete ou salvação da época. Ousado ou demasiado defensivo, na opinião dos “entendidos”. Um 3-5-3 no processo ofensivo, desdobrável em 5-3-2 sem bola. Um esquema que não é fácil de apresentar, nem de defrontar. Três centrais, dois laterais/extremos (Dubois mais de contenção, Cornet de rotinas mais ofensivas). No centro do terreno, Tousart e Bruno Guimarães – dois organizadores – a guardar as costas a Aouar, o virtuoso criativo da equipa. Com a lesão de longo prazo de Memphis Depay, o emblema francês contratou o camaronês Ekambi para colmatar a sua ausência e apoiar Dembelé, o homem-golo desta temporada.
11 INICIAL E SUBSTITUIÇÕES
Anthony Lopes (7)
Marçal (6)
Marcelo (6)
Jason Denayer (6)
Leo Dubois (6)
Maxwel Cornet (6)
Lucas Tousart (8)
Bruno Guimarães (7)
Houssem Aouar (8)
Toko Ekambi (6)
Moussa Dembelé (6)
SUBS UTILIZADOS
Martin Terrier (6)
Kenny Tete (6)
Joachim Andersen (6)
ANÁLISE TÁTICA – JUVENTUS
A vecchia signora apresentou-se nesta primeira mão dos oitavos da Liga dos Campeões num 4-3-3, distinto do 4-3-1-2 habitualmente escalado por Maurizio Sarri na maioria das partidas esta temporada. Cuadrado (o jogador “híbrido” da Juventus) a dar largura no lado direito do ataque, com Ronaldo na esquerda e Dybala no centro. Uma frente ofensiva bastante móvel para “trocar as voltas aos três centrais do Lyon. Mais atrás, Pjanic – um dos intocáveis no onze – posicional e sempre de cabeça levantada a marcar o ritmo de jogo, ladeado por Bentancur e Rabiot, ambos com maior liberdade para a chegada à área. No setor mais recuado atuam os homens que melhor têm dado conta do recado, a guardar o titularíssimo Szczesny.
26 de feveiro de 2020, Santiago Bernabéu: eis o primeiro confronto entre Zinédine Zidane e Pep Guardiola na pele de treinadores, confronto esse que sorriu ao técnico espanhol na sequência do triunfo do Manchester City FC por 1-2 diante do Real Madrid CF (e com direito a remontada!).
Num jogo entre reis da tática, os citizens entraram com um bloco mais recuado perante a pressão ofensiva do adversário e até prescindiram da posse de bola nos primeiros minutos. Ainda assim, Gabriel Jesus foi o primeiro a estar perto de marcar, ao que os blancos responderam por intermédio de Benzema. Valeram os dois guardiães!
É certo que o City foi tendo mais bola e, da mesma maneira que terminou o primeiro tempo com uma grande oportunidade, também abriu o segundo com três remates de Mahrez, contudo, tal crescimento no jogo viria a resultar… no golo de Isco.
Os ingleses não baixaram os braços e, no último quarto de hora, viraram o jogo e a eliminatória: num espaço de cinco minutos, Gabriel Jesus empatou e De Bruyne carimbou a reviravolta na conversão de um penálti. O jogo não terminaria sem antes Sergio Ramos ser expulso e, agora, segue-se tarefa dificílima para os espanhóis na segunda mão.
A FIGURA
Fonte: Manchester City FC
Kevin De Bruyne – Não se pode dizer que tenha sido das unidades do City mais capazes de criar ocasiões flagrantes, mas protagonizou uma excelente exibição e cumpriu tudo o que lhe competia fazer. Encheu o meio-campo dos citizens, jogou e fez jogar e ainda foi chamado a converter a ocasião que carimbou a reviravolta dos ingleses no jogo e, consequentemente, na eliminatória. Um grande jogo do belga!
🔵 Kevin De Bruyne has now scored 50 goals in all competitions for Manchester City ⚽️ pic.twitter.com/YWwQbPVWEG
Últimos 15 minutos do Real Madrid CF – Uma autêntica nódoa. Sabendo-se de antemão da importância que tinha terminar o jogo com a baliza a zeros, o Real – que até estava em vantagem – não soube fechar os caminhos para a baliza de Courtois e, nos últimos 15 minutos de jogo, acabaria mesmo por permitir que o adversário marcasse dois golos de rajada e complicasse a tarefa dos espanhóis para a segunda mão.
ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF
Zinédine Zidane optou por fazer mudanças no corredor esquerdo, comparativamente ao que foi a jogo diante do Levante, colocando Mendy e Vinicius Junior no “onze” e substituindo ainda Kroos por Valverde no meio-campo merengue. A jogar no já habitual 4-3-3, o Real Madrid entrou pressionante, numa fação mais autoritária taticamente falando. O golo surgiu precisamente quando os merengues se encontravam por baixo no encontro, mas os espanhóis nem essa vantagem conseguiram segurar…
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Thibaut Courtois (7)
Ferland Mendy (6)
Sergio Ramos (4)
Raphael Varane (6)
Daniel Carvajal (5)
Casemiro (6)
Luka Modric (6)
Federico Valverde (6)
Isco (7)
Vinícius Júnior (7)
Karim Benzema (6)
SUBS UTILIZADOS
Gareth Bale (5)
Lucas Vázquez (-)
Luka Jovic (-)
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC
Pep Guardiola mudou duas peças na sua equipa, tendo lançado Gabriel Jesus para o lugar de Aguero e Otamendi para a vaga deixada por Fernandinho. Também a jogar no clássico 4-3-3, a equipa de Manchester desde cedo apresentou um bloco defensivo mais recuado do que o normal, dando a bola ao adversário e apostando nas transições. Um City com bola é claramente um City com futebol e as oportunidades foram surgindo naturalmente, quer antes do golo do adversário, quer depois… e isso foi crucial na reação dos ingleses às adversidades.
Após a derrota por 2-3 na Escócia, o SC Braga recebia o The Rangers FC com boas perspetivas de passar à próxima fase da prova e até entrou melhor, assumindo o controlo do jogo durante todo o primeiro tempo.
Ainda assim, mesmo estando por cima, não conseguia ultrapassar a bem organizada defensiva azul e até ficaram para os visitantes as primeiras grandes ocasiões de golo. Aos 10’, um dois para um em contra-ataque parecia destinado a dar em golo, mas uma intervenção de excelência de Matheus evitou que assim fosse.
McGregor também teve direito a uma grande defesa aos 25’, mas o momento do primeiro tempo ficaria para os 45’, quando Raul dominou a bola com o braço dentro da sua própria área. A grande penalidade foi cobrada por Hagi, que estava a ser um dos melhores em campo, mas nem este foi capaz de levar a melhor sobre um Matheus impressionante.
No segundo tempo, os da casa continuaram com mais bola, mas foi novamente o Rangers a surgir na cara do golo e, desta feita, Ryan Kent rematou em jeito sem hipóteses para Matheus. Mesmo com alterações táticas que o colocaram a jogar com excesso de avançados, o Braga pouco criava e só ameaçou a baliza adversária num cabeceamento de Paulinho que acabou ligeiramente por cima.
Nos últimos minutos, o Rangers ainda voltou a estar perto do golo. Num canto, Matheus fez nova defesa assombrosa e a recarga que entrou para as redes estava fora-de-jogo. Não contou o golo, mas também não era preciso. Com uma irrepreensível exibição defensiva, o The Rangers FC aguentou o forte e segue para a próxima ronda, deixando pelo caminho os Guerreiros do Minho, que ficaram pela primeira vez em branco desde que são comandados por Ruben Amorim.
A FIGURA
Fonte: SC Braga
Matheus – Três intervenções milagrosas – uma logo aos dez minutos, a defesa do penálti aos 45’ e mais outra já com os minhotos a perder – mantiveram o Braga na luta pela vitória, mas acabaram por de nada servir.
O FORA DE JOGO
Fonte: SC Braga
Raul Silva – Longe de ser o patrão da defesa de outros tempos, apareceu desastrado e sem capacidade para lidar com Hagi. O penálti acabou por ser o golpe máximo de (mais) uma exibição para esquecer.
ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA
Mantendo o já habitual esquema de 3-4-3, Rúben Amorim apresentou um onze semelhante ao esperado, apenas com a nota de figurar Trincão no trio da frente, ao invés de Galeno ou Abel Ruiz. Com um jogo baseado bastante na construção a partir da defesa, deixou a nu as diferenças entre Esgaio e Sequeira, com o segundo a ser incapaz de fazer a ligação defesa-ataque da mesma forma que Esgaio, causando dificuldades na criação de perigo pelo lado esquerdo. Em busca de inverter o resultado da eliminatória, no início do segundo tempo, Novais foi a jogo e Galeno substituiu Raul, dando maior pendor ofensivo e reorganizando a equipa num 4-2-3-1. Após sofrer o golo, abdicou de mais um central para lançar Ruiz e retomou o sistema inicial, mas de forma muito mais arriscada, com um central e dois laterais no setor mais recuado.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Matheus (8)
Esgaio (6)
Raul Silva (3)
Carmo (4)
Bruno Viana (5)
Sequeira (4)
Palhinha (5)
Fransérgio (6)
Trincão (6)
Paulinho (6)
Ricardo Horta (5)
SUBS UTILIZADOS
Novais (4)
Galeno (4)
Abel Ruiz (4)
ANÁLISE TÁTICA – THE RANGERS FC
Organizados num 4-3-3 bastante tradicional, os escoceses mostraram uma postura conservadora defensivamente, garantindo sempre que havia jogadores recuados suficientes para não correr riscos perante as investidas do tridente ofensivo arsenalista. Se o meio-campo ia sendo muitas vezes dominado por um Braga mais numeroso graças à postura de Esgaio e Sequeira, no ataque a história era outra, com o conjunto britânico a cair bastante para o lado direito de forma a aproveitar o génio de Hagi, ajudado a espaços por Tavernier, para expor as limitações defensivas do Braga.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
McGregor (7)
Barisic (6)
Edmunson (6)
Goldson (6)
Tavernier (7)
Jack (6)
Davis (6)
Arfield (6)
Kent (6)
Kamberi (6)
Hagi (7)
SUBS UTILIZADOS
Aribo (4)
Ojo (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
The Rangers FC
O BnR não pôde colocar perguntas ao treinador do Rangers FC, Steven Gerrard.
Outras declarações:
«Quando jogas contra adversários de alto nível, não dá para contar com individualidades. Todos os cinco da linha defensiva estiveram excelentes».
«[sobre Edmundson] Só há uma maneira de um jogador ganhar experiência europeia. A certo ponto, um treinador tem de ter a confiança de colocar o jogador em campo, seja qual for o desafio pela frente. E ele esteve à altura».
«Estou muito feliz por ele [Karembi]. Jogar e substituir o Alfredo [Morelos] não é fácil. Primeiro, dizer que ele mereceu e que estou muito satisfeito com a exibição dele».
«Não julgo o Ryan [Kent] pelos números dele, julgo-o pelo que ele faz pela equipa, com posse e sem posse. Vai haver alturas em que as pessoas não vão estar felizes com ele, mas isso faz parte de jogar num clube de topo. Algumas das opiniões que tenho lido ultimamente não são justas. Kent é um jogador de topo».
SC Braga
O BnR não pôde colocar perguntas ao treinador do SC Braga, Micael Sequeira.
Outras declarações:
«Fomos à procura de criar espaços, tivemos grande domínio, mas faltou-nos criar espaço no último terço para ter oportunidades de finalização».
«O Rangers foi muito eficiente hoje. Baixou as linhas e criou-nos dificuldades».
«Estamos orgulhosos da campanha que fizemos, contribuímos muito para o ranking de Portugal».
“Se queres ver o Sporting tens de tirar os sapatos.”, este é o reflexo internacional que o Sporting transmite neste momento. E se não conhecêssemos o contexto até poderíamos pensar que seria um gesto mais nobre.
Os japoneses, por exemplo, acreditam que, ao impedirem que os sapatos entrem em casa, estão a evitar que energias impuras da rua quebrem a harmonia do lar. Tem também o significado de que os problemas e preocupações ficam na rua e não são transportados para casa.
Além disso, descalçar para entrar em algum lugar é um gesto de respeito – demonstra que não queres sujar o ambiente e que, assim como em um lugar sagrado, estás a ser humilde para despir os pés ao entrar no local. E por isso, em algumas religiões, para orarem é obrigatório descalçar.
Seria muito mais honroso e nobre para a direção do Sporting se fosse alguma destas razões que levassem a obrigar os sócios do clube a descalçar-se antes de entrarem na sua casa. Mas não, é tudo menos isso. E nem se pode dizer que estejam a ser zelosos e a promover a proteção do recinto e dos atletas, porque não estou a ver como alguém possa transportar um very-light, tocha, bola de golfe ou barras de ferro dentro de um sapato. No máximo transportariam uma bombinha de carnaval. Ou então houvesse uma conspiração concertada de um grande grupo que quisesse passar uma bomba desmantelada para poderem armar no interior no estádio.
A actual direcção continua a implementar medidas que afastam os associados de Alvalade Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Percebendo que nenhuma destas hipóteses possa parecer exequível, e que nem para alguém adepto das teorias de conspiração e perseguição colocaria possível tais possibilidades, só vejo uma razão para obrigar adeptos de todas as idades, raças e sexos a descalçarem-se. É só mais uma razão encontrada para humilhar os sócios e adeptos do Sporting. Mais uma medida para afastar os ainda fiéis adeptos e sócios leoninos.
É, se pensarmos bem, esta questão de descalçar os adeptos nunca poderia ser para que as más energias e os problemas ficassem na rua uma vez que esses estão todos lá dentro. Já entraram há algum tempo. E não parece haver nenhum gesto, de qualquer cultura conhecida, que consiga exorcizar o clube dessas impurezas, desses problemas, dessas preocupações.
Talvez porque quem dirige o clube não se tenha descalçado quando entrou em Alvalade.
Assim, sugiro que, quem dirige o clube de Alvalade, saia, lave bem os pés, e quando voltar, se voltar, se descalce como forma de respeito pelo lugar sagrado que vai frequentar e para, pelo sim, pelo não, deixar na rua todas as negatividades e impurezas que possa trazer nas solas dos seus sapatos engraxados e finos.
E, por favor, parem de humilhar quem mais ama o Sporting. Porque para além de ser mais um motivo de gozo para o nosso clube, só passa a imagem de clube de pés rapados ou de pés descalços. Mas talvez seja mesmo essa a ideia.
Portugal e a sua Liga sempre foram encarados como rampas de acesso facilitado ou mais rápido aos grandes palcos europeus, mas essa tendência parece ter encontrado uma pausa este ano.
A regra de contratar barato nos mercados sul americano e africano para depois obter lucros estrondosos nas vendas de verão parece ter sido substituída, este ano, por uma pesca refinada e precisa já nas fileiras dos grandes clubes europeus.
Seja por empréstimo ou a título definitivo, como o caso de Marcus Edwards, em Guimarães, chegaram à Primeira Liga no passado mercado de verão nomes improváveis e vistos como impossíveis há alguns anos.
O principal exemplo é o FC Famalicão, a equipa nortenha que subiu à Primeira Liga e ocupa, para já, um surpreendente sexto lugar, apesar de já ter voado mais alto. A este clube chegaram nomes como Uros Racic, Nehuén Pérez, Racine Coly, Álex Centelles ou Nicolás Shiappacasse.
À primeira vista, estes nomes podiam não dizer nada ao consumidor comum de futebol, mas rapidamente despertaram a atenção daqueles que são minimamente conhecedores dos produtos das “canteras” de toda a Europa e fiéis seguidores do Football Manager ou do Online Soccer Manager.
Apesar do rótulo de craque, Marlos Moreno ainda não apontou qualquer golo nos 664 minutos que jogou esta época, nas três competições domésticas Fonte: Liga Portugal
Mas os exemplos multiplicam-se e abrangem clubes das várias zonas representadas na Primeira Liga. O SC Braga recebeu por empréstimo Wallace da SS Lazio e Abel Ruiz do FC Barcelona, enquanto o seu eterno rival, Vitória SC, recebeu, também por empréstimo, Bondarenko do FC Shakhtar Donetsk e Léo Bonatini do Wolverhampton WFC.
O Rio Ave FC recebeu Lucas Piazón por empréstimo do Chelsea FC, enquanto a Setúbal chegou Mirko Antonucci, jovem de 20 anos da AS Roma, e que já completou 19 minutos na derrota frente ao SC Braga.
Por fim aterraram em Portimão Marlos Moreno, jovem ex-Manchester City FC, e Takuma Nishimura, jovem ex-CSKA. Uns mais conhecidos que outros, uns proveninetes de clubes mais sonantes do que outros.
No entanto, o que prevalece é um padrão de recrutamento de baixo custo e utópico; a aposta no empréstimo é clara e repetida, na maioria dos clubes, e recai sempre em jovens promessas com escola de um grande europeu e com necessidade de adquirir minutos de jogo.
Tratando-se de um colosso europeu ou de um habitual competidor nas provas europeias, os clubes portugueses têm saído, maioritariamente, beneficiados com esta nova abordagem ao mercado.
Aqui, a novidade está no facto da Liga Portuguesa ser a plataforma escolhida por Valência CF, FC Barcelona, Atlético de Madrid, Chelsea FC e Manchester City FC, entre outros, para lapidar os seus pequenos diamantes e aprimorar os seus projetos de craques.