António Félix da Costa (DS Techeetah) venceu o E-Prix de Marraquexe, em Marrocos. Após começar na pole position, o piloto português foi cirúrgico na forma como usou a estratégia para vencer o segundo classificado, Maxi Guenther (BMW i Andretti), com quem batalhou durante grande parte da corrida. A fechar o pódio, ficou o colega de equipa de António e bicampeão de Fórmula E, Jean-Eric Vergne, que deu mais uma vez espetáculo com as fantásticas ultrapassagens a que já nos habituou.
Após uma rara primeira volta sem acidentes, António Félix da Costa e Guenther afastaram-se no horizonte, com o português a liderar e o alemão sempre muito perto. Por toda a grelha não havia muito a acontecer, como costume todos esperam pelo primeiro a premir o gatilho do “Attack Mode” para se perceberem as diferentes estratégias das equipas. As exceções eram certamente JEV e Mitch Evans (Jaguar Panasonic Racing), que ao começarem bastante distantes das posições onde se sentem mais confortáveis (o francês em 11.º e o neo-zelandês em 24.º), deram um espetáculo de grandes ultrapassagens e de capacidade competitiva.
Cara de quem é líder do campeonato Fonte: Formula E
Na batalha da frente, Guenther começava a ser mais agressivo, e atacava Félix da Costa, com o português a parecer simpático de mais, quando pareceu que facilitou a vida ao alemão quando este passa para a liderança. Porém, Félix da Costa estava a pensar a longo prazo, procurando poupar a bateria colando-se ao túnel de ar criado pelo monolugar de Guenther, o que o ajudava a não ter de puxar tanto pelo carro para ser rápido. Ao perceber isto, o alemão começou a utilizar um ritmo mais lento para que Lotterer, Buemi e Vergne fossem capazes de se aproximar e pressionar Félix da Costa.
O português ligou o modo raposa velha e ativou o Attack Mode, passando para a frente de Guenther, que nunca mais se conseguiu aproximar, passando a batalhar com Vergne pelo segundo lugar do pódio.
Vergne ainda conseguiu colocar-se em segundo, o que seria dobradinha para a DS Techeetah, mas gastou demasiada bateria a recuperar da 11.ª posição, e Guenther acabou por regressar ao segundo degrau do pódio através de uma magnífica ultrapassagem na última volta.
Vergne acabou por ficar sem bateria mesmo em cima da linha, quase perdendo o seu terceiro lugar para Sebastien Buemi (Nissan E-DAMS).
Mais uma vez, a Fórmula E provou o tipo de campeonato que é: grandes corridas com resultados imprevisíveis. Este ano já são cinco vitórias em cinco corridas e, desta vez, tivemos uma grande corrida sem o caos habitual, apenas grandes batalhas à maneira antiga.
António Félix da Costa passa para a liderança do campeonato e com três pódios seguidos. Esta consistência pode fazer toda a diferença quando for necessário fazer contas no fim da temporada.
Raúl González foi uma das figuras que marcaram a história do Real Madrid CF, uma carreira repleta de golos, vitórias e títulos. O eterno capitão madrilista, que esteve 18 anos ao serviço do Real Madrid.
Raúl González deu os seus primeiros passos no futebol, ao serviço do Atlético Madrid FC, tendo ingressado em 1992, na cantera do rival, Real Madrid. A 29 de outubro de 1994, cumpriu o seu primeiro sonho, estreou-se a titular frente ao Real Zaragoza, numa partida a contar para a Liga Espanhola. No seu segundo jogo com a camisola do Real Madrid defrontou no Santiago Barnabéu, o Atlético de Madrid, vencendo por 4-2, com um golo do jovem Raúl.
Nos 18 anos de lealdade e paixão ao seu Real Madrid, Raúl somou 741 jogos e 323 golos marcados. Mas esta foi sobretudo uma história de títulos, vencendo três Ligas dos Campeões, duas Taças Intercontinentais, uma Supertaça Europeia, seis campeonatos e quatro Supercopas de Espanha.
Raúl González vestiu a camisola do Real Madrid, durante 18 anos, conquistando 16 títulos Fonte: Real Madrid
Raúl González foi uma figurante marcante do futebol europeu, tendo feito a sua estreia na Liga dos Campeões, com apenas 18 anos, venceu três vezes a maior competição de clubes da UEFA. Na época 97/98, os blancos venceram a Juventus por 1-0, com golo de Predrag Mijatović. No entanto, Raúl voltaria a vencer em 2000 e 2002, marcando golos nas duas finais, diante do Valencia e do Bayer Leverkusen.
Em 2010, ao cabo de 18 anos a defender as cores do Real Madrid e a encantar o Santiago Barnabéu, cedeu a camisola 7 ao melhor do mundo, Cristiano Ronaldo. O internacional espanhol, Raúl, transferiu-se para o Schalke 04, onde conquistou mais dois títulos – a Taça e a Supertaça da Alemanha. Antes de terminar a sua carreira, Raúl vestiu ainda a camisola do Al Sadd e do NY Cosmos.
Raúl foi ainda uma figura marcante da seleção espanhola, ultrapassando a centésima internacionalização, apontando 44 golos. O número 7 representou a “La Roja” em três campeonatos do mundo, dois Europeus e nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996.
Raúl ficará para sempre na história do futebol mundial, pelos vinte títulos conquistados e pelos 385 golos marcados ao longo da sua carreira. Mas sobretudo, será sempre um ídolo do Real Madrid, pela sua dedicação e lealdade durante 18 anos ao serviço do clube do seu coração.
A caminhada europeia do FC Porto terminou com uma derrota pesada diante do Bayer Leverkusen, que até podia ter sido por outros números, face à enorme superioridade evidenciada pelos alemães. A campanha dos dragões esta temporada foi um desastre e só mesmo com muita sorte à mistura é que tinham conseguido seguir em frente. Por um lado, o resultado pesado, justifica-se pela falta de qualidade que a equipa demonstrou ter.
Mas antes de analisarmos o que correu mal, é preciso perceber há quanto tempo corre mal, e a verdade é que o problema já não é de agora. Em Agosto, diante do FC Krasnodar, a equipa de Sérgio Conceição venceu na Rússia, mas depois – e para espanto de muitos – perdeu no Dragão. Começou mal esta caminhada e terminou da mesma forma. Já para não falar da fase de grupos da Liga Europa, em que teve de suar muito para ultrapassar um grupo teoricamente acessível.
A equipa foi eliminada porque foi realmente a pior equipa nas duas mãos. Não tinha condições, nem argumentos para contrariar o favoritismo do adversário. Mas a forma como encarou os jogos também deixou muito a desejar, principalmente uma equipa como o FC Porto habituada a contornar as dificuldades.
Corona tem sido uma das figuras da equipa nesta época Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Fora das competições europeias – depois de uma das campanhas mais fracas -, o FC Porto tem agora foco total no campeonato. Apesar de já ter reduzido a desvantagem de sete pontos para um ponto, a verdade é que este FC Porto tem um longo caminho pela frente e já não tem assim tanto tempo para mudar radicalmente algumas ideias de jogo. As exibições têm estado aquém das expectativas e o treinador não tem conseguido colocar a equipa a praticar um bom futebol. Falta raça, dinâmica e vontade de vencer.
No último jogo do campeonato, diante do Portimonense SC, a equipa mostrou estar animicamente fraca, sem ideias de jogo, sem soluções e com uma linha defensiva de cortar a respiração. Este fim de semana, na deslocação aos Açores, é preciso mais. É preciso uma reação digna de uma equipa que acredita que é possível salvar esta temporada com a conquista do principal objetivo: o campeonato. O que se espera é uma resposta em campo para contornar esta eliminação.
Bradley Beal, o base-extremo dos Washington Wizards, igualou, na passada segunda feira, um recorde detido pela eterna lenda Kobe Bryant!
Momentos depois da cerimónia de homenagem a Kobe Bryant, Bradley Beal e os Washington Wizards defrontaram os Milwaukee Bucks de Giannis Antetokuonmpo, num jogo que teve direito a prolongamento. Apesar da derrota por três pontos, num jogo que ficou 137-134 a favor dos Bucks, Beal conseguiu a proeza de anotar um melhor registo de carreira em termos de pontos num só jogo: 55. A mão quente de Beal já dura há algum tempo, tendo uma média de 35.6 pontos por jogo no mês de Fevereiro.
Após no sábado passado ter anotado o então melhor de carreira, 53 pontos, numa derrota contra os Chicago Bulls de Zach LaVine, Beal tornou-se no primeiro jogador desde Kobe Bryant em 2007 a anotar mais de 50 pontos em dois jogos consecutivos. No entanto, a pequena (grande) diferença está no facto de que Kobe o fez em duas vitórias e Beal, apesar dos seus esforços, o fez em duas derrotas.
Bradley Beal é o primeiro jogador desde Kobe Bryant em 2007 a conseguir jogos consecutivos a anotar pelo menos 50 pontos Fonte: Washington Wizards
O base-extremo ainda declarou em relação à performance de carreira que “a podem apagar, pois sou um vencedor e assim os 55 pontos nada significam”. Beal torna-se assim, também, o único jogador dos Washington Wizards a marcar 50 pontos em jogos consecutivos na história do clube.
A equipa de Washington encontra-se, contudo, em 9.º lugar na conferência Este, com um recorde de 21-36, estando 4.5 jogos atrás do 8.º.
Apesar da fantástica temporada, fazendo a melhor média da sua carreira de 30.1 pontos por jogo, Bradley Beal ficou de fora do All-Star Game e está assim, jogo após jogo, a demonstrar o seu verdadeiro valor e a provar que merecia tal reconhecimento.
O internacional angolano Gelson Dala está de volta ao futebol português para representar o Rio Ave FC até ao final da temporada, por empréstimo. O jovem avançado tem contrato válido com o Sporting até 2022, com uma cláusula de rescisão de 60M€.
Na última jornada do campeonato, Gelson Dala foi o melhor em campo ao apontar dois golos na vitória do Rio Ave frente ao Tondela, por 2-1. O jovem angolano vive a sua terceira passagem pelos vila-condenses, somando três golos em apenas quatro jogos.
Gelson Dala fez o seu trajeto na formação ao serviço do 1º de Agosto, tendo ainda contabilizado 79 jogos e 43 golos marcados, na equipa principal, em quatro épocas. Chegou a Alvalade na temporada 2016/17, para representar a equipa “B”, onde somou 23 jogos e 17 golos apontados, mas na equipa principal contou apenas com duas aparições.
Gelson Dala foi reforço de Inverno para o Rio Ave, somando três golos em quatro jogos Fonte: Rio Ave FC
Dala esteve em Vila do Conde, nas duas últimas épocas, disputando 32 partidas e apontando oito golos. Na primeira metade desta temporada rumou ao futebol turco, vestindo a camisola do Antalyaspor, marcando apenas um golo, em nove jogos.
Gelson Dala é um avançado rápido, muito móvel, com frieza a finalizar acima da média e tecnicamente evoluído. Sendo um dianteiro, com características diferentes de Luiz Phellype (lesionado), Pedro Mendes e Andraž Šporar, poderá vir a afirmar-se na próxima temporada ao serviço do Sporting.
Dala é uma das grandes esperanças do futebol angolano, tendo sido internacional por 27 ocasiões, tendo apontado 11 golos. Nesta temporada, continuará a evoluir e ganhar experiência competitiva, no principal escalão do futebol português. Assim, para a próxima época poderá estar preparado para representar o Sporting e ser uma alternativa aos avançados que fazem parte do plantel.
Willy Caballero devia ser um alvo de estudo. O internacional argentino de 38 anos não faz, nem nunca fez, parte da elite de guarda redes de classe mundial, mas, na verdade, acabou com duas hegemonias que pareciam insuperáveis em dois clubes diferentes. É caso para dizer que é um patinho feio, que sempre vira cisne.
A sua primeira vítima foi Claudio Bravo, no Manchester City FC, abrindo portas ao investimento em Ederson Moraes, e agora “sentou” o guarda redes mais caro da história, Kepa Arrizabalaga, no Chelsea FC.
Puxando a fita atrás, Caballero foi formado no gigante CA Boca Juniors, nunca se conseguindo impor na equipa principal. Em 2005, imigrou para Espanha, para representar o Elche CF da segunda divisão espanhola.
Só voltou a mudar de clube em janeiro de 2011, onde aceitou a proposta do Málaga CF, clube que vivia uma fase folgada, a nível financeiro, e conseguiu entrar na Liga dos Campeões, com vários craques nas suas fileiras.
Kepa não deverá continuar nos Blues, após perder o lugar para Willy Fonte: Chelsea FC
Em 2014, ruma ao Manchester City FC para ser o número dois de Joe Hart e depois de Claudio Bravo. Conseguiu, em momentos, “sacar” o lugar de Hart, mas ter tirado Claudio Bravo do onze inicial na época 16-17, foi muito mais mediático, terminando a época com 27 jogos realizados.
Em 2017, troca um grande de Manchester, pelo gigante de Londres, Chelsea FC. Primeiro para ser sombra de Courtois, que, entretanto, foi para Real Madrid CF, e depois de Kepa Arrizabalaga, que chegou por uns bombásticos 80 milhões de euros, proveniente do Athletic Bilbao.
Aos 38 anos, já ninguém dava nada pelo argentino, sobretudo, após o fiasco individual no mundial de 2018, onde perdeu a titularidade na fase de grupos da competição, após ficar ligado a um erro grave numa partida. Mas, a verdade, é que Caballero conseguiu convencer Frank Lampard a encostar Kepa, após uma quebra de forma do espanhol.
O mais engraçado é que Caballero nunca encheu o olho como guarda redes e tem características que o impedem de ser de topo, como por exemplo, pouca agilidade e pouca regularidade (fica ligado algumas vezes a resultados negativos das suas equipas por erros evitáveis).
De qualquer das formas, o argentino arranja sempre maneira de entrar no onze inicial e, dificilmente, Kepa voltará a ter oportunidade esta temporada.
Pelo facto de Kepa não ter convencido totalmente e de Caballero convencer Lampard a tirar o espanhol do onze, os dias de Arrizabalaga podem estar contados em Stamford Bridge, falando-se numa possível contratação de Jan Oblak.
Quanto a Caballero, aos 38 anos, engane-se quem pensava que o argentino iria terminar a temporada e encerrar a carreira. Em final de contrato, talvez faça pouco sentido a um guarda redes titular de um gigante como Chelsea FC, falar-se em fim de carreira.
Provavelmente, os Blues não serão o último clube da carreira do argentino, sendo que a própria renovação não está posta de parte.
Em caso de renovação, seria curioso ver se Caballero conseguiria terminar com a hegemonia do novo guarda redes do Chelsea FC.
É uma questão tão atual quanto pouco badalada naquilo que diz respeito ao seu verdadeiro significado. Apoiar o clube da terra ou apoiar um clube porque “ganha mais vezes”? Num jogo entre um determinado clube e um dos chamados grandes do nosso futebol, é praticamente uma regra o estádio dessa equipa estar preenchido na sua esmagadora maioria por adeptos do clube grande, seja ele qual for. Mais do que um motivo de preocupação, isto é algo que envergonha, que não faz sentido e que merece uma reflexão profunda por parte de toda a gente que quer um futebol português verdadeiramente forte.
O facto do futebol, em Portugal, girar à volta de três clubes, só assim acontece porque as pessoas não se permitem a um grito de revolta. As pessoas em Portugal, desde o princípio dos tempos, preferem dedicar-se a um clube que ganha títulos, porque gera mais mediatismo, porque produz receitas de milhões de euros, do que apoiar o clube que a deve verdadeiramente representar: o clube da sua cidade.
Seja em que divisão for, seja o momento que for, o bairrismo (o bom e positivo bairrismo) tem de imperar. Muitas vezes as pessoas confundem bairrismo com pancadaria e mentalidades arruaceiras. O verdadeiro bairrismo assenta na defesa acérrima dos valores do seu “bairro”, da sua cidade, do seu concelho, quiçá da sua região. Nada tem a ver com rixas de rua e arremesso de cadeiras, mas sim com uma questão cultural e, indo mais longe, até de educação.
O apoio único e incondicional ao clube da terra tem de vir desde o princípio. Tem de vir da educação que os nossos pais nos dão, porque é a partir daí que somos nós que vamos partilhar essa forma de viver com os nossos amigos, com os nossos filhos, com as gerações futuras. É uma questão tão cultural, quanto hereditária, e enquanto as pessoas não entenderem que é mais importante dizer “tenho orgulho no clube da minha cidade”, do que aparecer numa reportagem televisiva como adepto do FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP, sendo natural do outro lado do país, mas em que isso é visto como algo fantástico e como uma “grande prova de amor” ao clube grande.
Deixem-se disso, por favor. Se empregassem todo esse esforço por um simples pagar de quotas para o vosso clube da terra, este cresceria mais do que imaginam. O que as pessoas têm de começar a perceber é que, mais do que as vitórias ou os troféus, é uma questão de defenderem o que é seu, de respeitarem as suas raízes, de espalhar a paixão pela sua cidade, pelas suas gentes e, consequentemente, pelo clube que as representa.
Falei na educação desde o berço e não poderia deixar de passar pela cidade onde nasceu o nosso Portugal. De facto, Guimarães assume-se como um famigerado exemplo de bairrismo e amor total ao clube da sua cidade, o Vitória. Dir-me-ão os peritos em contradição: “mas em Guimarães também há portistas ou benfiquistas!”. Claro que há. E haverá sempre. Toda a gente tem, efetivamente, liberdade para serem do clube que quiserem e mau seria se assim não fosse.
O futebol deve ser encarado como um jogo de libertação e nunca como uma guerra. Porém, em Guimarães esteve sempre presente uma cultura muito bem enraizada de suporte ao clube local. E isso é visível a toda a hora. Quem for a Guimarães num dia em que não haja jogo do Vitória, poderá ver várias pessoas pela rua com alguma indumentária do clube. Mesmo não havendo jogo.
Faz parte da vida deles e têm todo o orgulho em demonstrá-lo. E é assim que deveria ser em todo o país. Todos deveriam ter orgulho em demonstrar o amor que sentem pela sua cidade e pelo clube que a representa. Se assim fosse, tenho a certeza absoluta que teríamos um futebol português muito mais limpo e menos centrado em três clubes que, nos últimos anos, fazem corar de vergonha um país inteiro por coisas extra futebol.
Guimarães é uma cidade apaixonada pelo seu clube Fonte: Vitória SC
“Sou de Faro, sou Farense”, “Famalicão e Basta”, “Sou de Braga, sou do Braga” são alguns dos slogans mais marcantes que podemos ler por algumas cidades do nosso Portugal. E o caminho tem de começar por aí. Numa era marcada pela digitalização e pela guerra das redes sociais, toda a divulgação de manifestações de orgulho bairrista é bem-vinda.
Sabendo que há mentes que já não vão mudar nem entender tudo isto (como digo, é uma questão também cultural e individual de cada um), é importante pensar no futuro. Queremos que os nossos filhos apoiem um clube só porque ganha mais vezes e tem mais dinheiro, ou queremos que defendam a cidade onde cresceram? Porque não é só defender o clube da terra. É defender a cidade. É defender a família e os amigos. É demonstrar afeto por algo que nos diz, verdadeiramente, algo e que está dentro de nós.
O que aconteceu em Barcelos na passada segunda feira, no jogo entre Gil Vicente FC e SL Benfica, é algo que deve fazer corar de vergonha todos os que se souberem debruçar a estudar este fenómeno da centralização do apoio a três clubes. Um estádio com capacidade para 12 mil pessoas tinha perfeitamente umas dez mil afetas ao Benfica, que se viu a jogar em casa frente a uma equipa que devia representar o maior concelho do país.
São 120 mil habitantes que devem fazer um juízo de consciência. Qual é o problema? É que, da mesma forma que em cidades como Guimarães há princípios bem enraizados, em quase todas as outras cidades portuguesas, o apoio ao grande é muito superior ao apoio ao clube da terra. Na minha visão, já é impensável apoiar mais um clube do que o clube da sua própria terra.
Ver pessoas tornarem-se sócias do clube da terra apenas para terem bilhetes mais baratos para os jogos com os grandes é inconcebível. O velho argumento de “ao menos pago as quotas, já ajudo o clube”, não é certo nem verdadeiro. O facto de dar um mínimo de retorno financeiro ao clube cai, imediatamente, por terra a partir do momento em que aquilo que é mais importante, que é uma equipa de futebol sentir que “em casa joga em casa”, não sucede durante pelo menos três vezes. É impensável e inacreditável.
As casas do Benfica e do FC Porto ou os núcleos do Sporting CP são outro mistério pouco investigados ao longo dos anos. O que são? São estabelecimentos criados em várias cidades do país, para os seus habitantes que apoiem esses três clubes. Uma prova de amor à distância para uns, um ato desleal para com a cidade, que nada tem a ver com esses clubes para outros.
Qual o lado correto? Perguntem à Liga Inglesa ou à Liga Alemã, onde residem os campeonatos mais competitivos do mundo e com estádios cheios. FC Porto é no Porto, SL Benfica e Sporting CP em Lisboa. Qual é a dificuldade de entender que valorizarmos o local onde nascemos e crescemos é muito mais valioso? É difícil perder muitos jogos? É.
Ninguém vai ao estádio para ver a sua equipa perder ou jogar mal. Mas o amor cresce nos momentos negativos. Que o digam os adeptos do Vitória, que tiveram uma explosão no crescimento do número de sócios no ano em que o clube desceu à Segunda Liga. É por mentalidades derrotistas e de “Maria vai com as outras” que muitos clubes não conseguem uma boa promoção para possíveis investimentos estrangeiros.
Veja-se o caso do FC Famalicão, que tem um bom investimento estrangeiro, afiançado na imagem do clube. Sim, há muitos adeptos que têm um segundo clube, mas o primeiro é o da terra. E embora não seja de louvar, é um começo, porque quem conhecer o clube, sabe que mesmo quando passou pela amargura do Campeonato Distrital, não esteve sozinho.
O número de sócios, inclusivamente, aumentou. E, para mentes fechadas, um clube que encha o seu estádio é sempre muito mais apelativo a investimentos e patrocínios. O crescimento faz-se também por aí. Pela promoção ao que é nosso. Há bons exemplos no nosso futebol. As pessoas é que não os sabem valorizar, porque têm medo que atrapalhem o poder dos clubes maiores. Custa-lhes entender que quantas mais equipas fortes, mais competitivo o futebol português se torna.
O que é nosso é sempre vivido com muito mais intensidade e carinho do que algo suportado por milhões, em que somos apenas mais um a contribuir para a decadência do nosso futebol, em prol da guerra dos três que, em nada, mas absolutamente nada, contribuiu para o crescimento do futebol português. Basta ver a participação portuguesa na Europa, em que Benfica, FC Porto e Sporting tiveram prestações medíocres, face ao poderio que têm no futebol nacional. Vitória SC e SC Braga, com orçamentos e armas manifestamente inferiores, tiveram uma prestação muito mais meritória para o nosso país. É mais importante contribuir para ver qual dos grandes é mais culpado ou não seria mais importante fazermos algo, por muito pequeno que nos pareça, pelo clube da nossa cidade?
Não podemos ter medo de ser diferentes, porque sermos diferentes é, precisamente, uma das maiores virtudes que o futebol português precisa para evoluir de uma vez por todas. Precisamos de dirigentes diferentes, sim, mas também precisamos de adeptos diferentes. Precisamos de adeptos que saibam apoiar o clube da sua terra, independentemente da divisão que ocupe.
Há algumas exceções e tenho a impressão de que há pessoas que se estão a esforçar, verdadeiramente, para que essas exceções se tornem num paradigma a seguir. Porém, é ainda manifestamente pouco, face ao poderio que está instaurado ao serviço de três clubes. Porque é que acham que a divisão dos direitos televisivos de forma justa por todos os clubes é uma miragem? Apenas três têm milhares ou milhões de pessoas a assistir aos seus jogos. Não sou hipócrita, nem estou com isto a dizer que um CD Tondela x CS Marítimo atraia mais pessoas do que um SL Benfica x FC Porto, mas de uma coisa sei: se metade das pessoas que vão ao Estádio da Luz, ou ao Estádio do Dragão, fossem mais vezes ao estádio do seu clube da terra, coisas diferentes podem acontecer.
O futebol é um desporto que atrai massas em quantidades gigantescas, mas tem de continuar a ser encarado como o desporto do povo. A partir do momento em que o povo se esquece dos seus valores e do orgulho que deve ter na sua terra, e nos seus pares, é a nobreza que mais lucra com isso. Porque para todo o domínio forasteiro existiu o dia da independência e para toda a ditadura existiu um 25 de abril. Que se faça o dia do Leixões SC. O dia do SC Vianense. O dia do AD Camacha. O dia do AD Mação. Não tenham vergonha de dizer o nome da vossa cidade e, acima de tudo, não tenham vergonha de dizer que apoiam única e exclusivamente o clube da vossa cidade. Por um futebol mais limpo, por um futebol mais puro, por um futebol de família. Por um futebol do povo.
Esta rubrica semanal consistirá num apanhado de notícias, rumores e novidades no mundo do FIFA Esports em Portugal. E irá tentar cobrir todas as últimas notícias da actualidade!
Zezinho conquista a FUT Champions Cup #4 em Paris!
Henrique Lempke “Zezinho” venceu no passado fim de semana em Paris, a FUT Champions Cup #4. O jogador brasileiro do SL Benfica Esports sagrou-se campeão ao vencer a sua plataforma da PS4. Na final da plataforma, o jogador das Águias enfrentou o jogador germânico Lukas e venceu por 3-2.
Conseguiu, assim, vencer e apurar-se para a final inter-plataformas, na qual enfrentou o vice-campeão mundial Mossad Aldossary “MSdossary”, jogador que tinha vencido a plataforma da XBOX ao derrotar Donovan Hunt “Tekkz” nas grandes penalidades.
No primeiro jogo na plataforma da XBOX, empate entre os dois jogadores a uma bola, e no segundo jogo vitória por 2-0 para Zezinho, que se sagraria assim o Campeão da FUT Champions #4!
Graças a este resultado histórico, o jogador do SL Benfica garante, praticamente, a presença na próxima FIFA eWorld Cup e escala o topo da tabela mundial de FIFA, conquistando 2000 pontos Global Series e alcançando o terceiro lugar do ranking mundial da Playstation 4. Para além do troféu de campeão, Zezinho leva também para casa o primeiro prémio de 50 mil dólares.
Campeonato de Portugal de Pro Clubs PS4 definido!
Fonte: FPF eSports
Já são conhecidas as 42 equipas que vão competir nas quatro séries do Campeonato de Portugal! Os quatro primeiros de cada série apuram-se diretamente para os Playoffs. As séries estão divididas em quatro séries regionais.
A primeira jornada está agendada para 3 de março. Podem conferir a notícia aqui e podem, inclusive, já consultar o Calendário aqui. Na próxima semana já iremos rever os resultados do Campeonato de Portugal e as duas jornadas!
Pontapé de saída na Liga Portuguesa de Pro Clubs PS4!
Fonte: FPF eSports
Realizaram-se, durante esta semana, as duas primeiras jornadas da Liga Portuguesa de Pro Clubs PS4. 16 jogos de grande nível e uma dupla jornada que vê apenas três equipas com seis pontos até ao momento.
Com jogo de cartaz, o embate entre a FTW Legacy e os EGN-CD Feirense SAD. No primeiro jogo, as duas equipas anularam-se e o marcador não sofreu alteração, dividindo, assim, os primeiros pontos do campeonato. Já na segunda partida, o jogo resolveu-se só na segunda parte, mas os primeiros 45 minutos muito bem disputados e em que ambas as equipas chegaram ao golo. 2-1 seria o resultado final para os campeões em título, a FTW Legacy com golos de costaport e Miguelriba.
Nas outras partidas, destaque para a dupla do Vitória FC Esports sobre o CD Tondela Esports. No primeiro jogo 2-0 e no segundo 0-3, em casa dos auriverdes. Em evidência esteve jtmaia e apgfast19 dos sadinos com dois golos cada um.
Também com excelente entrada nesta Liga Portuguesa de Pro Clubs, esteve o outro Vitória, o Sport Clube que venceu CD Nacional por 0-1 e 2-0. Dongullas, antigo jogador do Sporting CP, em destaque com dois golos muito importantes para os vitorianos.
A terceira equipa a conquistar também uma dupla vitória foi o Portimonense SC, que ao receber os campeões da segunda divisão, o CS Marítimo, triunfaram nas duas partidas pela margem mínima e superiorizando-se ainda nesta fase inicial da Liga.
Na próxima semana, duas duplas jornadas com o melhor do Pro Clubs Nacional. Na segunda-feira, destaque para os confrontos entre o SC Braga x Grow uP e, na quarta-feira, jogo de rivais entre os “Vitórias”, que começaram o campeonato da melhor maneira e já somam seis pontos de seis possíveis até ao momento. Podem acompanhar a competição aqui.
Em três dos cinco principais campeonatos da Europa, o vencedor da prova já está (quase) decidido ainda antes da mesma começar, tal é o domínio desses clubes no respetivo país. Em França, o dinheiro árabe injetado nos cofres de Paris, fez com que o PSG “erguesse o caneco” seis vezes nas últimas sete temporadas. Já na Alemanha, o Gigante da Baviera, Bayern de Munique, é atualmente heptacampeão. Estes dois clubes são “reis e senhores” dos seus campeonatos!
Porém, em Itália, quem reina é uma senhora, uma “velha senhora”. Mas desengane-se quem pense que se trata de uma alma frágil, muito pelo contrário! A experiência da Vecchia Signora já valeu oito campeonatos consecutivos e, desde a temporada anterior, encontrou o par ideal através do “senhor-golo”, Cristiano Ronaldo.
De forma a intrometer-se neste casamento perfeito, António Conte fez as malas para Itália e tratou de construir uma super-equipa no Inter, com o objetivo de acordar o gigante adormecido de Milão. Atualmente, o técnico italiano tem no seu arsenal estrelas como, Godín, Eriksen, Alexis Sanchez, Lautaro Martínez e Lukaku, argumentos mais do que suficientes para causar danos em qualquer campeonato do mundo.
Apesar de um excelente arranque de época, que valeu em vários momentos a liderança da Serie A, os seis empates e as duas derrotas colocam o Inter de Milão na terceira posição do campeonato. Os nerazzurri chegam ao embate do próximo domingo com menos uma partida disputada do que os adversários diretos, posicionados imediatamente acima na tabela classificativa, sendo eles a sensação do campeonato, Lázio, com mais cinco pontos e os suspeitos do costume, a Vecchia Signora, com mais seis pontos.
Na primeira volta, a Juventus foi a Milão vencer por 2-1 Fonte: Juventus FC
Para o duelo da jornada 27, que coloca frente a frente Juventus e Inter, a pressão está toda do lado dos homens de Milão, que em caso de derrota, ficam a nove pontos da liderança, pesando ainda o fator do confronto direto e a hipótese de também a Lázio se distanciar.
De modo a contrariar esse cenário negativo, a estratégia de António Conte passará, certamente, pela parceria atacante Lukaku & Lautaro, que só no campeonato contam com uns interessantes 28 golos. A juntar a estes dados, acrescenta que o Inter de Milão é a defesa menos batida do campeonato com 22 golos sofridos.
Seja como for, toda e qualquer estratégia pode “cair por terra”, sobretudo quando do outro lado se encontra um dos atacantes mais letais da história e que conta com 21 golos na Serie A. Cristiano Ronaldo, tal como nos habituou, é o bombardeiro de serviço da Juventus e ocupa a segunda posição na lista de melhores marcadores, apenas atrás de Ciro Imobille.
As duas formações chegam à partida de domingo depois de embates europeus a meio da semana e, se por um lado a Juventus saiu derrotada da partida em Lyon a contar para a Champions, o Inter garantiu a vitória sobre o Ludogorets e assegurou a qualificação para a fase seguinte da Liga Europa.
À exceção do dado estatístico acima referido, tudo aparenta estar favorável para o triunfo da Juventus no próximo domingo. O Inter não vence a Vecchia Signora desde 2016! A juntar a isso, o fator casa certamente beneficiará os homens de Turim e o facto da pressão estar toda do lado do Inter, poderá pesar no estado anímico dos nerazzurri. Sem esquecer o efeito CR7, que pode decidir o desfecho do encontro de um momento para o outro.
António Conte dispõe daquele que é um dos melhores plantéis do Inter de Milão desde os tempos de Mourinho. Caso queira intrometer-se nesta hegemonia da Juventus, em Itália, e no casamento perfeito entre o clube e Ronaldo, que fale agora ou que se cale para sempre.
Escrevo-te por ocasião do teu 116.º aniversário, com o principal intuito de te parabentear: muitos parabéns! Parece que foi ontem que a Farmácia Franco viu Cosme Damião dar à luz aquele que viria a ser o maior de Portugal, naquele domingo 28 de fevereiro, ano bissexto de 1904, decorria o reinado de D. Carlos I, antepenúltimo rei de Portugal (seguiram-se D. Manuel II e Eusébio da Silva Ferreira).
Parece que foi ontem por uma miríade de razões. Eu destaco duas: o tempo que não anda, corre, e os jogadores que não correm, andam. Parece que foi ontem que nasceste, Benfica, tal foi a displicência e a ingenuidade demonstrada ontem por uma equipa que não quis nem soube ganhar; que não quis nem soube honrar minimamente 116 anos de história, muitos deles passados a cravar o nome Sport Lisboa e Benfica na Europa.
Muitos deles passados… Ah, todos eles passados… Passados… Perdoa-me a pungência das minhas palavras e o desvio da narrativa, mas tinha que tirar isto do peito. Eu compreendo a natural tendência de olhar para trás no dia de aniversário, mas está na hora – na verdade, já tarda – de olhar para a frente.
Os nossos anos gloriosos não podem estar confinados ao século passado. O “Glory Days” do Springsteen não pode ser o nosso novo hino: chega de olhar com nostalgia para os “glory days” que lá vão; vamos em busca dos que estão por vir. Foi também com o objetivo de te tentar dar este “abanão” que decidi escrever-te. Peço-te, então, que subvertas as palavras de Edmund Burke. O filósofo irlandês afirmou que “quem não conhece a história está condenado a repeti-la”.
Mas é preciso repeti-la, Benfica. É o momento de conhecer a nossa história para repeti-la. Ainda que Burke não goste, ainda que o seu fantasma venha assombrar-nos, temos que reverter o pensamento que a citação do irlandês encerra. E, sejamos sinceros, entre o fantasma de Burke e a maldição de Guttmann, que venha o primeiro.
André Almeida carrega a mística encarnada e pode ser peça importante na recriação do passado glorioso do Sport Lisboa e Benfica Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
O futebol está bem diferente, bem sei; no entanto, com certeza haverá no nosso passado algo que poderá ser replicado ou adaptado no presente para dar frutos no futuro. Algo como a mística, a crença e a raça tantas vezes incorporada por Humberto Coelho, algo como o virtuosismo e a classe de Chalana, algo como a veia goleadora de José Águas ou de Eusébio (no caso de Eusébio não era uma veia, era um sistema cardiovascular completo).
Não será fácil, mas “se fosse fácil não era para nós”, já dizia Rui Vitória (é estranho: não estamos a jogar grande coisa, ganhámos um jogo nos últimos seis e mesmo assim ainda não tenho saudades dele, como preconizado no “Programa da Cristina”). Ainda assim, nós, benfiquistas, tudo faremos para tornar tudo mais alcançável, ainda que o “Inferno da Luz” me pareça “coisa do passado” (apesar da expressão ser atirada aos quatro ventos por quem, claramente, não viveu, nem ouviu falar do real “Inferno da Luz”).
Aproveito para te pedir para que, nos entretantos, não descures todo o eclético universo que te compõe. Temos condições para nos impormos em todos os panoramas desportivos nacionais e em alguns europeus (casos do hóquei e do futsal, em ambos os géneros, e do voleibol masculino). Além disso, é necessário construir uma marca forte e com capacidade de expansão – algo que creio já estar em curso.
Sei que te peço muito (e que nada me deves) – e muito mais tinha a pedir -, mas faço-o por te saber capaz e por acreditar que a concretização dos meus pedidos deixaria milhões extasiados. No entanto, não esqueço o principal motivo da minha epístola: 28 de fevereiro é, e sempre será, dia de festa e de celebração, incondicionalmente. Porque é dessa forma que vivo a minha paixão por ti.
Muitos parabéns pelo 116.º aniversário, que sejas muito feliz, Sport Lisboa e Benfica! A tua felicidade é, verdadeiramente, a minha. E a de milhões.