O meio-campo. A “sala de máquinas” de uma equipa, o setor onde se ganham e perdem os jogos. O meio-campo desempenhou um papel fundamental na grande recuperação operada pela equipa de Bruno Lage. A dupla Samaris-Gabriel ajudou a dar uma solidez defensiva da qual o SL Benfica não dispunha antes desta parceria. O carácter físico de ambos os jogadores deu mais músculo ao setor intermédio das águias e permitiu mais liberdade aos criativos à sua frente.
No final da época, Gabriel lesionou-se, dando lugar no onze a Florentino. Esta dupla Florentino-Samaris foi, visivelmente, inferior tecnicamente e no momento de construção, mas uma equipa embalada e em grande forma permitiu disfarçar as fraquezas do setor.
No início da nova época, a corrida aos lugares do meio-campo estava aberta. Os jogadores que agarraram a posição foram Florentino e Gabriel. Parecia que era nesta dupla que Bruno Lage depositava mais esperanças. Contudo, logo no primeiro jogo oficial, Gabriel lesionou-se com alguma gravidade e terminou logo ali a parceria predileta do treinador do Benfica.
Nos jogos seguintes, seria Samaris a ocupar o lugar do médio brasileiro. Repetia-se a mesma dupla do final da época transata. As debilidades desta parceria continuaram a existir (agora ainda mais evidentes devido ao menor apoio do setor ofensivo) e foram expostas de forma evidente sobretudo frente ao FC Porto, naquele que foi um desastroso jogo destes dois atletas. Face à forte pressão dos azuis e brancos, o meio-campo encarnado sentia muitíssimas dificuldades para fazer chegar o esférico ao último terço. Florentino tem ainda grandes debilidades do ponto de vista da construção e Samaris aparecia, ainda, muito longe da forma da época passada.
A baixa forma de Samaris tem sido um dos temas da época no universo benfiquista Fonte: Bola na Rede
Depois do desaire frente ao rival do Norte, Bruno Lage apostou na entrada de Taarabt no meio-campo, mantendo Florentino no onze. O marroquino trouxe mais criatividade ao meio-campo encarnado e capacidade de construção, tendo feito excelentes exibições nos jogos que se seguiram. No entanto, Florentino lesionou-se muito pouco tempo depois, o que levou à entrada de Fejsa na equipa.
No início da temporada, Fejsa parecia estar fora das opções do treinador encarnado, mas agora o camisola 5 via-se numa posição de titular. Porém, as evidentes dificuldades de construção e a execução sobre uma forte pressão ofensiva eram evidentes no médio sérvio, tendo estas falhas prejudicado o SL Benfica, que sofreu um grande decréscimo exibicional.
Nas partidas subsequentes, o Benfica foi oscilando a dupla de meio campo, tendo tido, igualmente, desempenhos e exibições oscilantes. No jogo frente aos alemães do RB Leipzig, Bruno Lage apostou em Taarabt e Gabriel, uma dupla até à data pouco testada. Apesar do resultado negativo, as águias realizaram uma boa exibição, muito graças ao rendimento desta nova dupla.
A criatividade de Taarabt é perfeitamente balanceada com o poder físico e capacidade de passe longo de Gabriel: um meio campo reativo (Taarabt melhorou imenso no capítulo da transição defensiva), mas igualmente criativo, com capacidade para construir a partir de trás ou esticar o jogo na frente.
Muito do sucesso desta dupla deve-se à recuperação de Chiquinho e à maior ocupação de espaços interiores por parte de Pizzi. Chiquinho vem acrescentar à equipa o tão desejado elemento de ligação entre o setor intermédio e o setor ofensivo. Em momento de construção, o jovem português junta-se ao meio-campo encarnado, formando, sensivelmente, um 4-3-3, dando sempre uma linha de passe interior. Por vezes, baixa ainda mais no terreno, permitindo ou a subida de Taarabt para terrenos mais adiantados ou as derivações de Pizzi para o meio, onde as suas qualidades brilham com mais intensidade.
Pizzi, que está num grande momento de forma, alinha como um falso extremo. O camisola 21’ procura muito o espaço interior, deixando a busca da profundidade para o lateral. Esta interligação e trocas posicionais, no meio campo, permitem ao Benfica ter um jogo muito mais dinâmico e criativo, mas mantendo sempre uma consistência defensiva notável.
Samaris tem-se apresentado a um nível muito mais baixo daquele a que nos habituou a época passada. O médio grego atravessa um momento complicado. Florentino começou lentamente a desaparecer das opções de Bruno Lage. O camisola 61 das águias traz qualidades defensivas à equipa que mais ninguém pode trazer, mas a sua capacidade ofensiva ainda precisa de ser muito melhorada.
Florentino tem vindo a desaparecer das opções de Bruno Lage Fonte: Bola na Rede
Os momentos menos bons destes jogadores permitiram que Taarabt e Gabriel agarrassem os lugares. Todavia, este sucesso deve-se muito às novas dinâmicas que Bruno Lage implementou na equipa e à cresceste confiança que o plantel vai adquirindo.
A equipa vai embalando e os resultados vão acompanhando a qualidade das exibições. Teremos de esperar por maiores desafios para ver como este novo meio-campo “a 4” do SL Benfica se comporta.
41 podiums e somente três vitórias. É este o simples e aterrador resumo da época de 2019 da equipa feminina da Sunweb.
As duas grandes líderes da equipa, Coryn Rivera e Lucinda Brand, ficaram ambas em branco da temporada. A americana não conseguiu continuar o sucesso das duas épocas anteriores em que ganhara a Ronde van Vlaanderens (2017) e o Women’s Tour (2018) e mostrou-se somente sólida com vários resultados entre os primeiros, mas nenhuma exibição de encher o olho. Já a holandesa, que se mudará para a Trek em 2020, até foi capaz de alguns destaques como o sexto no Giro ou o segundo na Madrid Challenge, mas mostrou-se incapaz de transformar a boa forma em triunfos.
Já nas segundas linhas, Mackaij continuou a sua progressão e o segundo posto na LBL mostrou que tem tudo para no futuro lutar pela glória nas grandes clássicas, enquanto Kirchmann acabou até por ser a mais prolífica da equipa com dois triunfos.
Contudo, a grande aposta da equipa é a juventude e daí vieram maioritariamente bons sinais. Koch chegou só a meio do ano, mas ainda foi a tempo de somar a única vitória da Sunweb no World Tour, Juliette Labous venceu a Juventude no Giro e na Califórnia e as suas exibições por terras transalpinas deixaram água na boca para anos vindouros. Mathiesen, Georgi e Lippert também deram boas indicações de que continuam num bom caminho ascendente em direção ao topo da modalidade.
Por outro lado, Susanne Andersen pareceu não ser propriamente bem gerida e fica a ideia que o seu potencial está ainda subaproveitado pelo conjunto holandês.
No mercado de transferências, a saída de Brand foi colmatada com a aquisição de uma gregária experiente, Alison Jackson, e mais duas jovens prometedoras, Anna Henderson e Wilma Olausson, mas que não dão garantias no imediato.
Coryn Rivera continuará a ser a figura central da Sunweb Fonte: Team Sunweb / Vincent Riemersma
Para a próxima temporada, Rivera será a figura de proa e terá a responsabilidade de voltar aos grandes resultados e, preferencialmente, apresentá-los em quantidade e de forma recorrente durante o ano. Mackaij e Kirchmann também terão um papel importante e de assumir mais vezes a responsabilidade de chegar à meta em primeiro lugar.
Acima de tudo, há uma juventude na Sunweb em que se está a criar uma bolha prestes a explodir que tem potencial para ser uma força a ser temida por todo o pelotão e esperemos que a equipa seja capaz de aproveitar esse ímpeto para dar a volta após um ano de desilusão.
2020 até poderá não ser ainda o ano para vermos toda esta nova geração no seu esplendor, mas é fulcral para o futuro da equipa que esta vire finalmente o disco e institua uma nova dinâmica de vitória.
O TLC começou muito bem com dois combates de alta qualidade. Mas com o decorrer do evento, a mesma foi-se desvanecendo e só voltou no combate principal.
Outra coisa boa a retirar do TLC foi a sua duração: apenas três horas e alguns minutos foram suficientes para o PPV e, na minha opinião, deveria ser duração normal dos eventos “secundários” como este.
Ainda assistimos a um regresso inesperado, mas não assistimos a nenhuma mudança de títulos.
Marco van Basten foi um dos melhores avançados de sempre do futebol mundial, brilhou ao serviço do AFC Ajax e do AC Milan. O holandês foi distinguido com a Ballon d´Or – France nos anos de 1988, 1989 e 1992 e ainda, pela FIFA no ano de 1992.
Van Basten fez a sua formação ao serviço do modesto Elinkwijk, transferindo-se para o Ajax ainda nas camadas jovens. Cumpriu o sonho de se estrear pela equipa principal, com apenas 17 anos, decorria a época 81/82, numa partida frente ao NEC Nijmegen. Neste jogo, disputado em casa do Ajax, van Basten estreou-se com uma vitória por 5-0, apontando um dos golos, tendo ainda Johan Cruyff a apadrinhar o jovem avançado.
A história de Marco van Basten ao serviço do Ajax duraria seis anos, somando 174 jogos e 154 golos marcados. O ponta-de-lança holandês viria a conquistar a glória dos títulos, ao serviço do clube de Amsterdão – uma Taça das Taças, três campeonatos e três Taças da Holanda.
No verão de 1987, transferiu-se para o AC Milan, onde viria a ser colega de Ruud Gullit e Frank Rijkaard. O clube rossoneri pagou uma verba a rondar o 1.13 M€ ao Ajax, para assegurar a contratação do goleador holandês. No Milan seria orientado por dois históricos treinadores, Arrigo Sacchi e por Fabio Capello.
O trio holandês que fez história ao serviço do AC Milan, Frank Rijkaard, Marco van Basten e Ruud Gullit Fonte: FIFA
No futebol italiano, van Basten voltou a conquistar a glória dos títulos, numa altura em que disputava os troféus com o Nápoles de Maradona, a Juventus de Platini e o eterno rival Inter. No AC Milan conquistou quatro campeonatos, quatro Supertaças de Itália. No entanto, venceu ainda três Ligas dos Campeões, três Supertaças Europeias e duas Taças Intercontinentais.
Ao serviço do Milan, van Basten somou 206 jogos e 128 golos apontados. Sendo que, durante as oito temporadas que permaneceu no Milan até terminar a carreira, disputou e venceu três finais da Liga dos Campeões.
Marco van Basten marcou a história do Ajax e do Milan, mas também ao serviço da sua seleção conquistou o único título internacional no palmarés da Holanda. Recordar van Basten é recordar o golo que marcou na final do Euro 88, frente à União Soviética, sem ângulo fazendo um remate indefensável. Ao serviço da “Laranja Mecânica” somou 58 internacionalizações e 24 golos.
Van Basten viria a retirar-se dos relvados em 1995, com apenas 30 anos, após ter vivido um verdadeiro calvário com as lesões que sofreu e tendo estado praticamente duas épocas sem jogar. Marco van Basten marcou o futebol holandês e europeu, ficando para sempre no “Hall of Fame” do Ajax, do Milan e também da “Laranja Mecânica”. Pelos adeptos do futebol, nunca serão esquecidos os dribles, os golos, a capacidade no futebol aéreo e a frieza finalizadora do ponta-de-lança holandês.
Diz a memória popular que Rogério Lantres de Carvalho foi o mais hollywoodesco jogador do futebol português. Criado em Chelas, filho e irmão de malta da bola, chega ao Benfica em 1942, a troco de 26 contos. Faz carreira auspiciosa, chega ao Brasil para jogar com a camisa alvinegra do Botafogo, voltando ao fim de oito meses por travessuras do lendário Heleno.
Um dos protagonistas da famosa Guerra do Bacalhau, sempre se assumiu como figura destacada da história encarnada. O casamento acaba em 1953, depois de Otto Glória preferir o profissionalismo – Rogério tinha 32 anos e percebeu a deixa. A imagem eterna a segurar na Taça Latina dignifica-o e faz parte do imaginário de todo o adepto, acabando poucos anos depois no seu original Chelas, hoje Oriental, a troco de… nada. Era por amor. No resto da sua vida, vendeu automóveis com a mesma facilidade com que desfazia adversários na ala esquerda.
Nasceu em Chelas. O seu pai fora fundador do clube com o mesmo nome, que mais tarde passaria a Oriental, e o seu irmão dava pelo nome de Armínio França, destacando-se como um dos craques da equipa. Lá começou então Rogério a dar os pontapés, mas o peso do parentesco reforçou nele medos e traumas de falhanço monumental: seria sempre o “irmão do França”…
Fez o quarto ano de escolaridade e foi-se empregar no Grémio das Carnes. Aí faz amizade com… Fernando Peyroteo, que repara nas suas qualidades futebolísticas aquando de uma jogatana da malta do trabalho e leva-o para o Sporting CP. Faz um treino na equipa de reservas, mas não corre bem. Vítima de complô dos colegas, a bola poucas vezes lhe chegou e Rogério decide nunca mais lá voltar, até Peyroteo chamar a atenção da direcção leonina para o drama.
Dos homens de alta patente, vem a oferta de 25 contos. Os do Benfica, sempre atentos às movimentações adversárias dentro e fora do campo, sobem a parada em mais um conto e levam o menino de 20 anos para o recinto do Campo Grande, estádio predecessor da Luz. 16 contos de luvas para Rogério, 10 para o Chelas e um jogo amigável entre as equipas: acordo espontâneo.
Com a camisola berrante, estreia-se num sempre competitivo embate com “Os Belenenses”, nas Salésias, em Outubro de 1942: como extremo-direito, que só passaria ao lado contrário aquando da despedida de Francisco Valadas. Janos Biri assim decidiu, fazendo a quase totalidade da sua carreira nesses terrenos, apesar da sua má vontade: disse Rogério durante a vida fora que se tivesse sido… Interior (ainda em alturas do WM) teria rendido o dobro. O dobro rendia ele sempre que o certame era a Taça de Portugal, sendo a prova-rainha a sua predilecta para causar estragos: em cinco participações na final, marca 15 golos e vence todas! Na sua estreia, o Benfica bate o campeão da II Divisão, Estoril, por expressivos 8-1… Com cinco golos do prodígio.
No final dessa época de 1942-43, já se destacava como uma das figuras daquela equipa que faz a histórica primeira dobradinha. Irreverente, armador genial, finalizador de excelência, e o aprumo na aparência de uma figura da televisão. O penteado sempre impecável e a elegância nos gestos auguraram-lhe a alcunha de “Pipi”. A história começa na sua chegada: Gaspar Pinto, central e grande nome, vendo o seu aspecto alto e espadaúdo, tenta “Agulha”, que não pegou porque Francisco Albino, outro dos líderes de balneário, se chegou à frente com o “Pipi”, que era o que se chamava aos rapazes da moda, de casacos cintados e colarinhos altos.
Contextualiza Rogério: «Eu era um jogador muito elegante, gostava de vestir bem e, um dia, um alfaiate famoso convidou-me a posar, ofereceu-me um fato de gala e um sobretudo e chamou um fotógrafo de arte. Fui, para espanto meu, primeira página da revista ‘Flama’ (quinzenário da Juventude Escolar Católica, criada em 1937 e extinta em 1976, responsável pela eleição das rainhas da rádio e da televisão), como se fosse um artista de Hollywood. E como estava todo pipi…” . Era o seu estilo inconfundível.
A sua importância no seio da equipa era um pau de dois bicos. Em meados dos anos 40, alguns jogadores do plantel benfiquista decidiram, sob égide da mocidade despreocupada, fazer uma grande almoçarada antes do jogo decisivo contra o Sporting, num restaurante para os lados do Lumiar. As batatas com bacalhau, em excesso, só provocaram lentidão e inépcia nos benfiquistas, que se viram atropelados pela turma leonina. Diz-se que, apesar do 3-1 registado, a diferença de rendimento foi tanta que se não fosse a incomum azelhice dos avançados verde-e-brancos, a contenda teria números muito mais expressivos…
A direcção do Benfica, naturalmente incomodada com o sucedido, decide multar em mês e meio de salário a quem desconfiavam ter participado no convívio. Rogério sempre jurou a pés juntos que nunca lá estivera, mas a sua exibição, segundo registos da época, foi tão inconsequente que a direcção nunca conseguiu acreditar nele.
Rogério Pipi (à direita) esteve na conquista do primeiro palmaré internacional dos encarnados: a Taça Latina Fonte: SL Benfica
Diz Rogério que sempre jogou por amor à camisola e que o dinheiro sempre foi pouco. Com uma única excepção. Em 1947, o Botafogo queria combater a popularidade do Vasco da Gama junto da crescente comunidade portuguesa, fruto do impulso sentimental dado pelo nome. Solução? Ir buscar a mais cintilante estrela do futebol português da época. 40 contos de luvas, quando o salário se cifrava perto dos mil escudos na Pátria. 100 contos para o Benfica, única quantia que fez o presidente Tamagnini Barbosa aceitar.
«Por exemplo, em 1945, por nos sagrarmos campeões recebemos um prémio de 500 escudos. Pareceu-nos uma fortuna, porque, naquela altura, o ordenado mensal de um craque andava pelos mil escudos. Por isso, ninguém podia viver só do futebol. Eu jogava e trabalhava com o Peyroteo no Grémio das Carnes; no Grémio das Mercearias trabalhavam o Espírito Santo, o Jesus Correia, o Canário. O maior prémio na Taça de Portugal foi em 1954, na minha última vitória: cada um de nós recebeu dois contos de réis, que naquela altura davam para sustentar uma casa de família um mês inteiro. Em Portugal, não se enriquecia com o futebol. Quando fui para o Brasil recebia 18 contos por mês. Num ano ganhei mais do que ganhara em toda a minha vida. Deu para comprar um automóvel, no regresso, que então era o sonho de qualquer jogador de futebol. Com o dinheiro do Benfica comprei uma bicicleta, que utilizava para me deslocar para o quartel durante a tropa…»
Foi, então, a única vez que seria obrigado a jogar por amor ao dinheiro. Ele que sempre se habituara a honrar o símbolo ao peito, em tempos de futebol ainda romântico. Ora, como em todas as questões onde o coração não participa, a sua passagem pelo Rio de Janeiro foi efémera. Heleno, a grande lenda do Fogão, fez a vida negra ao português, por conta de invejas e outros quinhentos que o tempo fez o favor de apagar. Entretanto, a gravidez da esposa e o seu desejo de que o filho nascesse em Portugal precipitaram o regresso de Rogério ao seu coração. Foram oito meses, oito jogos e nenhum golo.
Em Lisboa voltaria a reencontrar a tranquilidade que lhe permitia explanar todo o seu talento. Vítimas das circunstâncias – ele e a equipa -, só voltariam a ganhar títulos em 1949-50. Depois do domínio avassalador dos Cinco Violinos, o Benfica meteu as mãos no troféu da I Divisão, o que lhe permitiu a epopeia na Taça Latina da época seguinte. O primeiro grande troféu internacional do futebol português teve episódio curioso: a famosa fotografia de Rogério Pipi nasceu dum acaso. O capitão era Moreira e assim se explica que tenha sido ele a ter o prazer de levantar o caneco. «Quando o jogo acabou, ficou tudo louco. Só sei que, por entre empurrões, voando sobre os ombros dos benfiquistas em quase histeria, cheguei à tribuna. O Presidente da República (Óscar Carmona) pôs-me a Taça Latina nas mãos. Ainda hoje não consigo descrever o que senti…»
Um dos aspectos da lenda que foi conseguindo construir à sua volta tratou-se do lado humano de Pipi. Na histórica final da Taça de Portugal de 1953, que opunha dois grandes mestres do futebol português (Ribeiro dos Reis como treinador do Benfica e Cândido de Oliveira como treinador do FC Porto), haveria um relógio de ouro para o primeiro marcador do encontro. Rogério, motivado por participar nos seus jogos preferidos, não teve medo de inaugurar as redes. Que fez ao relógio? Entregou-o à direcção do clube, para que o leiloasse e metesse o lucro da venda no fundo de financiamento das obras do futuro Estádio da Luz.
Figura desta estirpe não merecia um fim injusto, motivado pelos adventos do profissionalismo. Otto Glória chega em 1954 e faz um ultimato aos jogadores: o emprego ou a bola a tempo inteiro, nunca os dois. Com 32 anos, Rogério viu que já não tinha grandes condições de se manter no clube e abandonar o emprego seria impensável. Preferiu a segurança financeira da venda dos automóveis e voltou ao Oriental: recusou de antemão qualquer ordenado, dinheiro que muitos clubes lhe queriam dar. De gratidão estava cheio o coração de Rogério e nem quis ouvir outras ofertas. Com a camisola do Oriental, ainda foi a tempo de ser campeão nacional da II Divisão. Reencontro feliz.
A 8 de Dezembro, despediu-se para sempre do Quarto Anel, um dia depois de completar 97 anos. Junta-se a outros grandes do Olimpo benfiquista, figurando entre eles como alguém a quem a conduta nunca atraiçoou, que nos gestos e nas palavras representou sobremaneira os valores do clube. Se o rendimento desportivo o coloca como marco na história, o lado humano do craque eleva-o a figura de culto e lenda instantânea do nosso imaginário. Pena, assim, o triste ignorar do jornal O Benfica na sua capa de 13 de Dezembro: não se percebe o esquecimento ou desprezo, gravíssimo em qualquer dos casos e merecedor de atenção por parte da direcção. Urge homenagear quem nos fez grandes e como o hino original Avante P’lo Benfica canta,
Tic-tac, tic-tac. Em contagem decrescente para o “El Clásico”, a deslocação do Real Madrid ao Mestalla passou a ter ainda mais interesse após o deslize do Barcelona. Contudo, a formação de Zidane voltou a não aproveitar e não foi além de um empate a uma bola diante do Valência, tendo conseguido arrecadar um ponto no último lance da partida.
Mas que entrada avassaladora da formação madrilena! Pressionante, objetiva e sem deixar respirar o adversário. Em quinze minutos, foram quatro as oportunidades. Primeiro por Valverde, seguindo-se um duplo aviso de Benzema e ainda uma tentativa de Kroos. Já a equipa da casa só conseguiu assustar a baliza contrária ao minuto 17’, por intermédio de Ferrán Torres, num belo lance individual.
O Valência foi dando o espaço que o Real tanto ansiava e não foi de estranhar que o conjunto forasteiro voltasse a visar a baliza de Domenech, ainda que com outros intervenientes (Modric e Rodrygo).
O ritmo da partida foi baixando, a equipa de Celades equilibrou e as últimas duas ocasiões do primeiro tempo saíram mesmo das cabeças de Garay e, posteriormente, de Ferrán Torres. Contudo, o jogo encaminhar-se-ia para o intervalo exatamente como começou: sem golos.
Disputa de bola entre Coquelin e Modric Fonte: Real Madrid CF
No segundo tempo, o Valência apresentou-se com uma postura bastante diferente. Mais jogo direto, mais ligação entre setores e também mais perspicácia nos momentos da decisão. Tanto que ainda nem um minuto estava decorrido e Ferrán Torres (novamente ele!) já se tinha isolado na cara de Courtois, ficando perto de inaugurar o marcador no Mestalla.
Com uma exibição madrilena completamente diferente daquela que foi protagonizada no primeiro tempo, Zidane esperou mais de 20 minutos até mexer no jogo, tendo colocado Bale e Vinicius em jogo no sentido de oferecer dinâmicas ofensivas frescas à sua equipa. Contudo, surtiram-se os efeitos contrários aos pretendidos…
Numa bela transição da formação da casa, Wass foi até à linha de fundo e descobriu Carlos Soler no coração da área completamente desmarcado, tendo o espanhol inaugurado o marcador a dez minutos do final.
Seguiram-se períodos frenéticos com Courtois em destaque. Evitou o 2-0 nos descontos e subiu à área no último lance do jogo, tendo contribuído para que Benzema atirasse para o empate ao minuto 95’, gelando o Mestalla que já se preparava para festejar.
Primeira parte dominada pelo Real e segundo tempo com um Valência superior, podendo-se mesmo dizer que o resultado assenta na perfeição ao que se passou em campo. Com este resultado, o Valência continua no 8º lugar, com 27 pontos, ao passo que o Real Madrid continua colado ao Barelona na liderança, com 35. Que venha o clássico espanhol!
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
Valência: Domenech, Jaume Costa (Vallejo, 61’), Garay, Gabriel Paulista, Gayá, Coquelin (Kondogbia, 83’), Wass, Parejo, Soler, Ferrán Torres (Diakhaby, 90’) e Rodrigo.
Em encontro a contar para a 13.ª jornada da Segunda Liga, o SC Covilhã saiu derrotado em casa pela Académica AOF. Os golos apenas surgiram no segundo tempo, com controvérsia e muita emoção à mistura.
O jogo começou com um ligeiro ascendente da equipa de Coimbra. Leandro, médio formado pelo FC Porto, rematou de fora de área e a bola passou a rasar a barra (5’). Minutos iniciais muito bem disputados, com o relvado molhado, que propicia uma circulação rápida e jogo fluido.
Pouco depois, o homem em maior destaque na equipa do Covilhã, Adriano Castanheira, cabeceou para boa defesa de Mika, na sequência de um livre lateral, bem cobrado por Mica (11’).
À passagem do minuto 24, um susto para os homens da briosa. Cruzamento da esquerda, Adriano ainda “penteou” a bola, se não fosse o defesa, o melhor guarda-redes do Mundial Sub-20 (em 2011), Mika, dava aquilo que se diz na gíria, um autêntico “frango”.
Uma partida bastante dividida a meio campo e com poucas oportunidades de golo. Não dava para chegar perto das balizas, desta forma os jogadores tentavam a sorte de longe. Bonani, após beneficiar de um ressalto, rematou com perigo para defesa do guarda-redes (33’). Na jogada seguinte, o mesmo Bonani levantou a bola para cabeceamento de Daffé, que saiu ao lado do poste esquerdo (35’).
Uma primeira parte equilibrada, com muitos duelos individuais, com duas equipas a apresentar um futebol de posse e jogo apoiado. A equipa do Sporting da Covilhã foi-se superiorizando no decorrer da primeira parte, tendo quatro oportunidades de golo claras, contra apenas um remate desenquadrado da Briosa. Adriano da equipa serrana foi um dos mais inconformados, tendo criado vários desequilíbrios na equipa de Coimbra, com a ajuda de Bonani. O ataque da Académica não foi capaz de criar grandes problemas à defesa do Sporting da Covilhã, que manteve a consistência.
A equipa da casa foi superior em quase todo o jogo, mas quem não marca sofre Fonte: Bola na Rede
No regresso das cabines, a equipa da Académica teve mais posse de bola nos primeiros dez minutos, mas o jogo manteve-se equilibrado, com muita disputa no centro do terreno. Não houve oportunidades de golo de ambas as equipas.
Aos 58’, livre favorável à Briosa à entrada da área do Sporting da Covilhã, batido por João Mendes, com a bola a passar junto ao poste direito da baliza. Pouco depois, contra-ataque rapidíssimo conduzido por Gilberto ao 61’, que descobre Bonani através de um passe rasteiro para o interior da área. A defensiva da Briosa apareceu a cortar a bola para canto, in extremis.
Uma segunda parte, que após um início frio e sem chances de ambos os lados, ganhou vida, numa toada de parada e resposta. O ponta de lança Derik Lacerda, à passagem do minuto 62’, rematou para boa intervenção de Carlos Henriques.
Aos 66’, Brendon responde afirmativamente de cabeça a um canto batido por Gilberto, e atira para as redes da Briosa. Sem hipóteses para Mika. A cerca de 25 minutos para o fim da partida, os Leões da Serra colocaram finalmente justiça no resultado, dada a superioridade na maior parte do tempo de jogo.
Lance controverso ao minuto 75’, com uma série de ressaltos e a bola a sobrar caprichosamente para a cabeça de Barnes Osei, que coloca ao segundo poste em Traquina, que aparenta estar em posição irregular. Traquina só teve de encostar sem oposição. Aos 86, falta de Mike à entrada da área da Briosa sobre Adriano, tendo sido penalizado com vermelho direto.
No final do jogo, aos 90+4’, Mika agarra a bola e pontapeia rapidamente para a frente. Djousse fica isolado e não perdoou frente ao guarda redes, fixando o resultado final em duas bolas a uma a favor da Académica.
Para a história fica a vitória dos “estudantes”, que depois de terem sido inferiores em quase toda a partida, fizeram da eficácia uma mais valia, naquela que foi a primeira vez que venceram fora de casa esta temporada. Do lado dos covilhanenses, ficou um sabor amargo. Os homens de Ricardo Soares, pagaram caro o facto de não terem concretizado as (muitas) oportunidades criadas.
Após este embate, o SC Covilhã ocupa a sétima posição da tabela, enquanto que a Académica está no décimo primeiro posto.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
SC Covilhã: Carlos Henriques, Daniel Martins, Brendon, Zarabi, Tiago Moreira, Rodrigues (Kukula, 85’), Gilberto, Mica, Bonani (Silva, 79’), Adriano Castanheira e Daffé (Deivison, 59’).
A jornada 14 assinalou o último jogo para o campeonato do presente ano e o Estádio Cidade de Barcelos foi o palco de despedida de 2019 para as formações do Gil Vicente e Vitória SC. Num dérbi minhoto quente e bem disputado, nem a chuva arrefeceu uma partida intensa com quatro golos, numa primeira parte dominada pelos gilistas e um segundo tempo controlado pelos vimaranenses.
A primeira oportunidade do encontro pertenceu aos visitantes, logo aos seis minutos. Depois de muita confusão, a bola sobrou para Edwads que rematou desenquadrado por cima da baliza gilista.
A oportunidade do Vitória despertou os gilistas e logo de seguida, numa incursão ofensiva, Sandro Lima foi derrubado dentro de área por Mikel Agu. Oportunidade clara para o Gil Vicente se adiantar no encontro, mas na cobrança da grande penalidade, Douglas adivinhou o lado do esférico rematado por Sandro Lima.
O Gil Vicente não tirou o pé do acelerador e dois minutos depois, o lateral esquerdo do Gil Vicente, Henrique Gomes quase enganava Douglas com um cruzamento que, por pouco, não levava selo de golo.
O Vitória SC, através de Bonatini, respondeu com um remate forte, mas Denis estava atento e segurou a bola. Dérbi muito bem disputado nos primeiros quinze minutos com várias oportunidades para ambas as formações do Norte.
Os cinco minutos seguintes, entre os 28’ e os 33’, viriam a ser determinantes na partida! Kraev, numa jogada de insistência pela ala direita gilista, conseguiu o cruzamento para um corte incompleto da defesa do Vitória. Claude Gonçalves aproveitou e à entrada da área rematou colocado sem hipótese para Douglas.
Mas o melhor ainda estava para vir! Os adeptos gilistas ainda estavam a festejar o primeiro golo, quando cinco minutos depois, Kraev assinou aquele que deverá ser o golo da jornada. Numa jogada coletiva sensacional e repleta de movimentos técnicos de qualidade, Lourency e Sandro Lima, combinaram na perfeição entregando a Kraev que, na cara de Douglas, ainda teve tempo para driblar o guardião e fazer o segundo da partida.
A formação visitante tentou sempre dar resposta, mas sem sucesso e ainda antes do intervalo, fez uma dupla substituição, com Ivo Vieira a prescindir de Mikel e Ola John, este último por lesão, dando lugar a Pêpê e Bruno Duarte, respetivamente.
O intervalo chegava a Barcelos, com dois golos em cinco minutos pelos homens da casa e sem resposta por parte dos vimaranenses, numa primeira parte de sonho dos gilistas em que ainda desperdiçaram uma grande penalidade.
No regresso aos relvados o Vitória SC apareceu no jogo, após 45 minutos muito apagados e teve em Marcus Edwards o principal desequilibrador. Aos 68’ Marcus Edwards reduziu a desvantagem depois de uma excelente jogada de entendimento com Bruno Duarte. Na cara do golo, o extremo inglês finalizou pelo terceiro jogo consecutivo, num golo em que ficou a sensação de que Denis podia ter feito mais. O golo vitoriano incendiou as bancadas e os 20 minutos finais foram dominados pelos homens de Ivo Vieira.
O extremo inglês marcou pelo terceiro jogo consecutivo Fonte: Vitória SC
Se por um lado Marcus Edwards, por parte do Vitória SC era o mais inconformado com o resultado através de pormenores técnicos e magia nos pés, por outro, Kraev era o principal motor que alavancava os gilistas na procura de ampliar a vantagem.
Os forasteiros não deixaram de procurar o empate e a dez minutos do final tiveram muito perto da igualdade, valeu a dupla defesa de Denis a negar o golo a Bruno Duarte, que entrou muito bem na partida, ainda no primeiro tempo.
O Vitória tanto carregou os gilistas que viriam a quebrar a muralha montada pelos barcelenses. A solução essa estava no banco, com Davidson a assumir o estatuto de “arma secreta” e a concluir da melhor forma mais um lance individual de Marcus Edwards. O avançado brasileiro rodou bem na área sobre a defesa adversária e bateu Denis para o 2-2.
Em cima do último minuto de compensação, Denis fez a defesa da noite após remate cheio de intenção à entrada da área por parte de Pêpê.
Depois de uma primeira parte de grande nível por parte do Gil Vicente, o Vitória assumiu as rédeas no segundo tempo e controlou a partida. O empate final acabou por ser um resultado agridoce e justo para ambas as formações. Os gilistas mantiveram a marca notável de serem uma das únicas três equipas que ainda não perdeu em casa. Já o Vitória SC mantém-se imbatível nos últimos seis jogos disputados.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
Gil Vicente FC – Denis, H.Gomes, Y.Nogueira, Ruben Fernandes, Fernando, Soares, Claude Gonçalves, Kraev (J.Afonso, 89’), Baraye (Romario Baldé, 65’), Lourency (Erick, 71’) e Sandro Lima.
Vitória SC – Douglas, Rafa, P.Henrques, Tapsoba, Sacko, Poha, João Teixeira (Davidson, 63’), M.Agu (Pêpê Rodrigues, 41’), M.Edwards, Ola John (Bruno Duarte, 42’), e Bonatini.
Encontro à chuva entre campeãs e líderes termina com vitória das segundas e com a terceira partida sem vencer das primeiras. Depois da derrota frente ao Sporting CP e do empate em Ovar, as campeãs em título somam três jogos sem vencer na primeira volta e iniciam a segunda a oito pontos do líder Benfica.
Por seu turno, as encarnadas lisboetas seguram o primeiro lugar, com três pontos de vantagem sobre o Sporting, mantêm o registo imaculado (11 vitórias em 11 jogos) e voltam a não conceder golos (só o CF Benfica fez abanar as redes benfiquistas, por uma vez).
A partida inicia-se com um ligeiro ascendente das visitadas, que, aos 12 minutos, provocam o primeiro calafrio à defesa benfiquista. Um bom cruzamento de Uchendu encontra correspondência de Keane ao segundo poste, que atira ao lado. Três minutos volvidos e novo momento de perigo junto da baliza de Neuhaus, em lance que termina com falta assinalada sobre a guardiã brasileira.
A resposta das líderes da tabela ao domínio das campeãs surge aos 25 minutos, com Cloe, lançada em profundidade por Nycole, a não conseguir bater a guarda-redes arsenalista. Os restantes quinze minutos do primeiro tempo, pautados pelo equilíbrio, não encerram oportunidades de golo dignas de registo. Ao intervalo, marcador justificadamente inalterado.
O Benfica vence o Braga pela terceira vez em quatro jogos e segura a liderança e o estatuto de imbatibilidade Fonte: SL Benfica
O retomar do encontro traz um Benfica mais incisivo e um Braga mais perigoso. Uchendu regressa dos balneários decidida a continuar a fazer em água a cabeça de Daiane e na primeira oportunidade coloca em sentido a defensiva visitante. No entanto, o remate cruzado de pé esquerdo da nigeriana não segue para a baliza.
Na segunda oportunidade, o remate da 10 bracarense leva a direção da baliza, mas encontra Dani Neuhaus. A brasileira defende para a frente e a bola é batida na frente pelas encarnadas de Lisboa. Passa o perigo e retorna o equilíbrio. Equilíbrio – palavra de ordem. Faltava um fator de desequilíbrio para movimentar o marcador. Luís Andrade pensou que Geyse poderia ser esse fator e… acertou.
Aos 60 minutos, a avançada brasileira entra e, aos 66 minutos, a avançada brasileira marca. Darlene transporta a bola da linha de meio campo até às imediações da área arsenalista, serve Geyse na direita e a recém-entrada finaliza com um potente e colocado remate cruzado pela relva.
Numa demonstração de carácter, a equipa da casa não quebra animicamente e carrega sobre as forasteiras, criando algumas situações de potencial perigo, marcadas pela ineficácia. Do outro lado, Geyse continua a minar a defensiva bracarense e ganha uma grande penalidade cometida por Jana. Chamada a bater, Darlene fá-lo de forma exemplar e amplia a vantagem benfiquista.
Aos 82 minutos, a sociedade brasileira Geyse-Darlene quase resulta no terceiro golo do Benfica. No entanto, a capitã das águias atira por cima, num cenário pouco habitual. Até final, nota de registo para um lance inusitado na área benfiquista, no qual as bracarenses não reduzem a desvantagem por mero acaso. O resultado não mais se alterou e, de forma ajustada, o Benfica sai de Braga com os três pontos na algibeira, pese embora a excelente réplica arsenalista.
Enquanto a nova época não começa, os tenistas vão ganhando ritmo através dos torneios de exibição. Foi isso que aconteceu, esta semana, na Arábia Saudita, mais precisamente na Diriyah Cup.
No total, o torneio saudita acolheu oito jogadores entre os quais: Daniil Medvedev, David Goffin, Lucas Pouille, Fabio Fognini, John Isner, Gael Monfils, Stan Wawrinka e Jan-Lennard Struff. Desta lista, destacaram-se Daniil Medvedev e Fabio Fognini, tendo em conta que chegaram à final.
Antes de falar do jogo da final, importa sempre relembrar a caminhada de ambos dos tenistas.
Percurso Daniil Medvedev:
Quartos de Final: Daniil Medvedev 2-0 Jan-Lennard Struff
Meia-Final: Daniil Medvedev 2-0 David Goffin
O quinto classificado do ranking ATP não teve grandes problemas em deixar pelo caminho os seus adversários. Apesar de estar a disputar um torneio de exibição, Daniil Medvedev voltou aos courts com o mesmo poderio que marcou toda a sua época. A presença na final também não surpreendeu, até porque, durante esta temporada, o tenista russo marcou presença em seis.
Percurso Fabio Fognini:
Quartos de Final: Fabio Fognini 2-0 John Isner
Meia Final: Fabio Fognini 2-0 Gael Monfils
A caminhada do tenista italiano, de 32 anos, foi mais trabalhosa. No jogo dos quartos de final, Fabio Fognini teve que enfrentar um tie-break, que venceu, e só derrotou John Isner ao fim de uma hora e vinte de jogo. Na meia-final, o número 12.º do ranking enfrentou e derrotou Gael Monfils, numa partida bem disputada e que lhe deu o passaporte até à grande final.
Boa disposição dos finalistas antes do início da final Fonte: Diriyah Cup
O jogo do título não teve muita história, uma vez que foi de sentido único. O tenista russo entrou determinado na partida e não perdeu tempo a quebrar o jogo de serviço do italiano. Mais tarde, voltaria a fazer o mesmo preservando uma vantagem de quatro jogos com que ganharia o primeiro set. O encontro acabou por não sofrer quaisquer alterações. Daniil Medvedev manteve-se focado e voltou a repetir o que tinha feito no set anterior.
6-2 e 6-2 foi o resultado final e refletiu bem o que aconteceu no court. Para além de ter batido toda a concorrência e de ter conquistado o troféu, Daniil Medvedev saiu de Arábia Saudita com cerca de três milhões de euros, valor referente ao prémio do vencedor.
Relembrar ainda que Daniil Medvedev voltará a participar em mais um torneio de exibição, desta vez em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que vai contar no cartaz com Novak Djokovic, Rafael Nadal, Stefanos Tsitsipas, entre outros.