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Manchester United FC: Um gigante em decadência

O Manchester United já não é o que nos habituou, já não é o clube vitorioso dos tempos do mítico Alex Ferguson que venceu 13 Premier League, 5 FA Cups, 2 Liga dos Campeões, entre outros troféus. Desde que o técnico escocês saiu do cargo, o Man. United conquistou apenas cinco troféus em seis anos, sendo que três deles foram com José Mourinho. Números um pouco preocupantes para a realidade do clube.

Desde há seis anos para cá, a situação foi-se agravando e neste momento o United encontra-se numa conjuntura dificilmente reversível. O pior disto tudo é que a qualidade do plantel vai piorando de ano para ano.

Na era pós-Ferguson, o Manchester United até teve equipas interessantes e inicialmente com investimento garantido. O declínio teve início com David Moyes, que não soube aproveitar a equipa da época transata, juntando ainda Juan Mata e Fellaini como reforços. Foi despedido no final da época e a equipa terminou o campeonato no 7º lugar.  Depois surgiu Louis Van Gaal, que teve duas épocas ao serviço do clube inglês. O técnico holandês fez algumas contratações sonantes como Di María, Luke Shaw, Ander Herrera, Anthony Martial, Memphis Depay, entre outros. Ainda conseguiu vencer uma FA Cup, no entanto, nas duas campanhas realizadas na Premier League ficou em 4º e em 5º lugar, respetivamente. Os adeptos pediam mais devido à qualidade do plantel e ao investimento feito nas transferências, o que levou ao despedimento de Van Gaal para dar entrada ao português José Mourinho.

ACHAS QUE O MANCHESTER UNITED VAI TER CAPACIDADE PARA DERROTAR O LIVERPOOL NESTE FIM DE SEMANA? NÃO PERCAS TEMPO E APOSTA JÁ!

As expectativas com o Special One estavam bem altas e Mourinho pedia um plantel completo, o que “obrigou” ao clube a avançar para reforços. Na primeira janela de transferências, Mourinho adquiriu Paul Pogba por 105 milhões de euros, tornando-se na altura a transferência mais cara da história do futebol. Para além do francês, também se juntaram ao plantel Henrikh Mkhitaryan, proveniente do Arsenal, Eric Bailly do Villarreal e Zlatan Ibrahimovic do PSG, numa transferência a custo zero. O Man. United até faz uma época interessante, conquistando a Taça da Liga, a Community Shield e a Liga Europa. No campeonato, Mourinho não foi tão feliz e terminou em 6º lugar. Apesar de tudo, parecia que o Manchester United se estava a reerguer.

Fonte: Manchester United

Na época a seguir, Mourinho contratou Romelu Lukaku, Nemanja Matic, Alexis Sánchez e Victor Lindelof.  Dá-se então início à época 17/18 e o United não praticava o futebol esperado, mas ia vencendo as partidas. A luta para o 2º lugar foi taco-a-taco com o Liverpool e os red devils conseguiram acabar o campeonato à frente do rival. Mourinho, atualmente, considera que ter ficado em 2º lugar nesse ano foi um dos melhores feitos da sua carreira. Para além disso, nessa temporada, num total de 56 jogos, venceu 37.

Na época 18/19, José Mourinho queixa-se da direção não lhe disponibilizar o orçamento desejado para reforçar a equipa. O plantel do United era escasso e o treinador português pretendia reforçar principalmente a defesa. As únicas transferências de renome nesse ano foram Diogo Dalot e Fred, o primeiro por 20 milhões de euros e o segundo por 60. Os problemas com o técnico português começam a surgir, o clube desce de rendimento, as exibições são paupérrimas, há mau ambiente no balneário, Mourinho critica a equipa, desentende-se com Pogba e todo este conjunto de factores levou a uma instabilidade tremenda no clube. Os resultados também se refletiam nesses factores, eram apenas 10 vitórias em 24 jogos, o que levou ao despedimento do Special One, este que recebeu uma verba a rondar os 22 milhões de euros de indemnização.

Fonte: Manchester United

O clube de Old Trafford precisava então de um treinador capaz de orientar a equipa para um bom caminho. Chega o ex-jogador e lenda do clube, Ole Gunnar Solskjaer, que rapidamente convenceu os adeptos com uma vitória por 5-1 em casa do Cardiff. A equipa parecia outra, jogavam à vontade, sem pressão e os golos saíam naturalmente. A partir daqui Solskjaer começou uma série de vitórias consecutivas, até que a uma dada altura estava com um registo de 14 vitórias, 2 empates e 1 derrota, sendo que a derrota foi pouco relevante, visto que foi na primeira mão dois oitavos-de-final da Liga dos Campeões e o Man. United foi a Paris na 2ª mão derrotar o PSG por 1-3, qualificando-se assim para os quartos-de-final da prova.

No campeonato, a equipa não perdia e ascenderam ao 4º lugar. Na FA Cup, venceram 3 jogos sob o comando do novo técnico e tudo parecia estar bem encaminhado. Os jogadores não eram os mesmos, via-se Pogba motivado, Rashford, Martial e Lingard a combinarem bem na frente de ataque, um Lukaku goleador e principalmente um plantel unido. Esta mudança repentina indicava que o problema podia ser Mourinho e que os jogadores necessitavam de uma modificação na altura.

Pois, por coincidência, desde que os red devils venceram esse jogo em Paris e Solskjaer assinou contrato, passando então de treinador interino para oficial, o United voltou ao que era há uns meses atrás. Até ao final da época, venceu apenas 2 jogos, foi eliminado da Liga dos Campeões pelo Barcelona por um agregado de 4-0 e também afastado da FA Cup pelo Wolverhampton de Nuno Espírito Santo nos quartos-de-final. Findada a época, a direção do clube decide que o melhor é ficar com Solskjaer para a nova época que aí vem, no entanto, não se entende a gestão do plantel. O United comprou os defesas Maguire e Wan-Bissaka por 87 e 55 milhões de euros, respetivamente, com o objetivo de corrigir os erros defensivos, visto que tanto um como outro, já conheciam bem a Premier League e fizeram excelentes épocas ao serviço dos seus clubes na temporada anterior. Os problemas defensivos não foram corrigidos, porque neste momento a equipa sofreu golo em praticamente todos os jogos.

Fonte: Manchester United FC

Para além disso, não se compreende a escassez do plantel, tendo em conta que as soluções para o ataque são Rashford, Martial e James (reforço proveniente do Swansea), se um deles se lesiona, é preciso adaptar Lingard, que não é uma solução viável para essa posição, ou então colocar jovens como Greenwood ou Chong, que ainda são maduros para esta realidade. O meio-campo ainda é composto por vários jogadores, no entanto, Pogba supostamente seria a estrela da equipa e está muito abaixo do expectado, Matic perdeu espaço e um meio-campo composto por estes jogadores mais Andreas Pereira, Fred, Lingard e Mata não é suficiente para os objetivos desejados.

Destaque para McTominay, que tem sido o melhor jogador da equipa até ao momento. Outro dado incompreensível é o facto de o clube ter despachado Alexis Sánchez, Chris Smalling, Romelu Lukaku, Ander Herrera e Matteo Darmian, quando precisa claramente de mais soluções e um jogador desequilibrador como Sanchéz ou um número 9 como Lukaku. Rashford a avançado é desperdiçar qualidades do jogador. A palavra desperdício assenta bem a este Manchester United.

Ao que tudo indica, quando Solskjaer chegou ao comando técnico, sentiu-se uma libertação dos jogadores, como se de uma revolução se tratasse e a motivação psicológica é que jogava e fez toda a diferença. Como é possível ver atualmente, os red devils não têm ideias de jogo, prova disso é o 12º lugar no campeonato e apenas 9 pontos em 8 partidas realizadas.

Analisando bem o plantel, apesar de ser curto, tem vários jogadores de qualidade e se o investimento ao longo dos anos tivesse sido bem feito, o Manchester United podia ter uma equipa superior, também um treinador com mais anos de profissão e podia apresentar resultados melhores.

A comunicação social aparenta transparecer que Mourinho não era o culpado da situação do Manchester United na altura, pelo que se está a passar agora. A dúvida que paira neste momento é se José Mourinho realmente era o principal culpado ou não, isto porque é inegável enunciar certos deméritos do técnico português. O próprio também já deu a entender, em conversas com a comunicação social, que o responsável não era ele e agora é que estão a notar isso.

Fonte: Manchester United FC

É assim, isto já é relativo da opinião de cada um, no entanto, Mourinho pode não ter sido o responsável por esta situação, porque ela já vinha de trás, desde a saída de Ferguson e com tendência a piorar. Pode também não o ser, se relacionarmos a maneira como está o clube agora e a direção, isto porque supostamente a esta não apoiou devidamente Mourinho, nem lhe garantiu os reforços pretendidos, principalmente quando o técnico pediu um defesa de classe mundial.

À medida que o tempo passa, o jornalismo de investigação trabalha e vão saindo semanalmente notícias sobre esta circunstância. Por exemplo, ao que tudo indica, Mourinho no início da época passada, não pretendia comprar o médio brasileiro Fred, o que torna um pouco estranha a maneira como o clube funciona.

Por outro lado, mesmo que Mourinho tenha sido prejudicado, também esteve mal em vários episódios e tomou decisões menos acertadas. Apesar de tudo, é o treinador de uma equipa como o Manchester United, teve oportunidade pelo menos nas duas primeiras épocas ao serviço do clube de esbanjar dinheiro em reforços, prova disso são os quase 500 milhões gastos nos três anos. Para além disso, também contratou jogadores que não tiveram o rendimento esperado.

Mourinho também pecou pela influência no balneário, ele é forte em transmitir o que pretende à equipa, embora tenha perdido a fé dos jogadores nele. O Special One também é de ideias fixas e sempre teve um ou outro desentendimento com jogadores, no Manchester United começou a ser com mais do que um (o mais grave foi Paul Pogba) e perdeu muito por aí. Por outro lado, também há quem justifique que os jogadores fizeram a cama a Mourinho para que este saísse do clube.

O United precisa de uma revolução enorme, que ainda vai durar uns belos anos para voltar a ganhar a hegemonia inglesa. Nunca é impossível, basta olhar para o caso do Liverpool de Klopp.

Foto de Capa: Manchester United

Revisto por: Jorge Neves

«O campeonato português é de longe o campeonato mais competitivo do Mundo» – Entrevista BnR com Diogo Neves

Diogo Neves é jogador de Hóquei em Patins. Atualmente ao serviço do A.D. Oeiras, o hoquista de 22 anos aceitou o convite do Bola na Rede e abordou o seu percurso no Hóquei até aos dias de hoje, falou da ligação desta modalidade com o seu curso universitário e, ainda, dá a sua opinião sobre o estado do Hóquei em Patins português.

Carreira como Hoquista

Bola na Rede (BnR): Há quantos anos é que estás ligado ao Hóquei em Patins?

Diogo Neves (DN): Eu comecei a jogar aos três anos de idade, logo levo já 19 anos a praticar Hóquei.

BnR: Como surgiu o gosto pelo Hóquei? E tens algum ídolo em que te inspires para ser melhor nesta modalidade a cada dia que passa?

DN: O gosto surgiu nos primeiros treinos que fiz e foi crescendo com o passar dos anos. É uma paixão grande por um desporto que desde cedo gostei. Em relação a ídolos, desde pequeno que tive os jogadores da formação do Paço de Arcos como grandes referências e exemplos, entre eles o João Rodrigues, o Gonçalo Suíssas e o Gonçalo Pestana.

BnR: Qual é a tua posição? Para quem não percebe nada de Hóquei, tens alguma função específica durante um jogo?

DN: Sou um jogador que gosta de atuar em qualquer posição. Quando jogo como avançado, tenho mais liberdade para criar jogo e oportunidades. Quando atuo como médio, sou um jogador que se preocupa em criar espaço para os meus colegas e ajudar ao máximo na defesa. Não existem muitas funções específicas no Hóquei, pois ou somos jogadores que se preocupam mais com a defesa, ou mais com o ataque, ou seja, não é como outros desportos em que existem jogadores específicos para determinadas tarefas.

BnR: O teu primeiro clube foi o Paço de Arcos. Lembraste do primeiro treino que foste fazer a este clube? E quem foi a pessoa responsável pela tua ingressão no clube da Linha de Cascais?

DN: Lembro perfeitamente, sim. Foi num sábado de manhã, como eram sempre os treinos dos mais novos em Paço de Arcos. Tinha três anos e acho que nesse dia o “bichinho” do Hóquei ficou logo cá dentro de mim. Um dos grandes responsáveis foi o pai do Gonçalo Suíssas, que, na altura, era colega de trabalho do meu pai e perguntou se eu gostava de ir experimentar um dia. No dia em que fui treinar pela primeira vez, surgiu outra das minhas grandes referências no Hóquei, o Jaime Santos. Na minha opinião, o Jaime era, e é, o melhor formador de jovens em Portugal, e foi ele que deu o meu primeiro treino. Fui treinado por ele durante quase seis anos e é sem dúvida um dos grandes responsáveis na minha ingressão no Paço de Arcos.

O Paço de Arcos foi o primeiro clube do atleta (Na foto, Diogo é o terceiro jogador de cima, a contar da direita para a esquerda)
Fonte: Arquivo pessoal do entrevistado

BnR: A tua primeira partida certamente foi ao serviço do Paço de Arcos. Onde foi disputada e qual foi o resultado final?

DN: Infelizmente não me lembro e nem tenho registo desse dia, mas foi com certeza um dia muito feliz. No momento em que começamos a jogar, o que menos importa são os resultados. E essa mentalidade foi algo que me acompanhou durante grande parte da formação com o Jaime Santos, que falei anteriormente. A exemplo disso, tínhamos um lema no Paço de Arcos que era “Amizade primeiro, Competição depois”.

Ucrânia 2-1 Portugal: Seleção derrotada perante ucranianos imperdoáveis

Se uma vitória nos colocava mais perto do primeiro lugar do grupo, uma derrota deixar-nos-ia completamente arredados da luta por tal posição… E foi este último cenário que se confirmou. Portugal saiu derrotado do embate em solo ucraniano e, por consequência, viu a seleção da casa garantir o apuramento para o Campeonato da Europa de 2020, bem como o lugar de topo do grupo B.

A seleção nacional começou o encontro um pouco insegura, parecendo mesmo ansiosa, e tal não jogou a nosso favor. Se não era um cenário suficientemente preocupante, o golo de Yaremchuk, logo aos seis minutos, veio fazer soar todas as sirenes do quartel general português. O avançado ucraniano aproveitou uma defesa incompleta de Rui Patrício ao cabeceamento de Krystov, na sequência de um canto, e só teve de encostar para fazer o primeiro da partida. Os jogadores portugueses ficaram estáticos e não reagiram a tempo de evitar o golo da desvantagem.

A resposta que era pedida aos lusos foi dada, assumindo o controlo da posse de bola e indo para cima da Ucrânia. No entanto, os jogadores de leste exerceram uma pressão alta sobre o meio-campo lusitano, o que impediu Danilo e João Moutinho de fazer a ligação entre as zonas defensiva e ofensiva. Perante este cenário e sem que Portugal conseguisse criar situações que incomodassem Pyatov, foi a seleção ucraniana quem acabou por aumentar a sua vantagem no marcador. O extremo do West Ham United, Adriy Yarmolenko, foi servido na perfeição pelo compatriota Mykolenko e, antecipando-se a Raphael Guerreiro, finalizou para o segundo golo da Ucrânia, sem dar hipótese a Rui Patrício. É o lateral esquerdo português quem sai pior deste lance, após uma falha que se revelou fatal.

A partir daqui, começou a “avalanche” ofensiva de Portugal, embora continuassem a ser notórias algumas dificuldades na fase de construção. Com esta condicionante, a solução encontrada por Fernando Santos assentou na mudança do esquema tático, trocando do 4-3-3 inicial para o 4-4-2, com Moutinho e Danilo no centro do terreno, João Mário e Bernardo nas alas e Cristiano e Guedes na frente de ataque. Apesar da alteração, os ataques da seleção nacional continuavam a ter um de dois fins: ou um remate de meia-distância, ou um cruzamento que era intercetado pelos dois “gigantes” centrais ucranianos.

À supremacia nos números da posse de bola juntava-se agora o maior número de remates, mas nenhum foi fruto de uma situação clara de golo. Com isto, chegou o intervalo, estando Portugal em melhor plano, mas permanecendo em inferioridade no marcador e obrigando o mister Fernando Santos a uma longa palestra ao intervalo.

As celebrações ucranianas, após o golo de Yarmolenko
Fonte: UEFA

Com o início do segundo tempo veio também a primeira mudança em Portugal: João Félix substitui Gonçalo Guedes, juntando-se a Cristiano Ronaldo numa frente de ataque várias vezes repetida na seleção. O objetivo, entendo eu, passava por atrair as atenções dos defesas da Ucrânia e libertar mais Cristiano Ronaldo, mas tal não se verificou. O jovem atacante do Atlético de Madrid tem uma qualidade inegável, mas ainda é um pouco um “corpo estranho” na equipa nacional, tendo passado muito ao lado do jogo.

As oportunidades para a seleção das quinas foram se sucedendo, mas o momento da finalização continuava muito pobre. Foi preciso esperar até ao minuto 72 para que surgisse o golo português, e tal só aconteceu na sequência de uma grande penalidade. Stepanenko cortou a bola com o braço, após um forte remate de Bruma ( que havia entrado minutos antes para o lugar de João Mário), e deu a Cristiano a oportunidade perfeita de concretizar o golo 700 da sua carreira. Sendo o astro português a “máquina goleadora” que é, não desperdiçou tal chance e fez, mais uma vez, história. O jogador madeirense atinge uma marca que só as verdadeiras lendas do desporto rei são capazes de alcançar.

A partir daqui o cerco à baliza da Ucrânia foi apertando, com Portugal em busca do golo que lhe desse o empate, mas foi quando também decidiu entrar em jogo aquela que, para mim, foi a figura do encontro: Pyatov. O guardião do Shakhtar Donetsk, apenas nestes últimos 15 minutos do encontro, realizou quatro defesas, sendo duas delas verdadeiramente fenomenais. E quando não era o guarda-redes ucraniano, eram os ferros a salvar a seleção de leste. Já no último lance da partida, Danilo desferiu um remate fantástico a partir da entrada da área, mas a bola embateu na trave e deitou por terra as aspirações de Portugal em sair de Kiev com, pelo menos, um ponto.

A seleção portuguesa já não pode alcançar o primeiro lugar, que está entregue à Ucrânia, mas depende apenas de si para terminar em segundo e conseguir a qualificação para o Euro 2020. Os dois jogos que faltam são com Luxemburgo (fora) e Lituânia (em casa), e com certeza que os comandados de Fernando Santos tudo farão para elevar bem alto o nome a bandeira de Portugal.

Onzes iniciais e substituições:

Ucrânia – Pyatov; Karavaev; Krystov; Matviyenko; Mykolenko (Plastun, 90+4’); Yarmolenko; Stepanenko; Malinovsky; Zinchenko; Marlos (Konoplyanka, 63’); Yaremchuk (Kovalenko, 73’).

Portugal – Rui Patrício; Nélson Semedo; Pepe; Rúben Dias; Raphael Guerreiro; Danilo; João Moutinho (Bruno Fernandes, 56’); João Mário (Bruma, 68’); Bernardo Silva; Gonçalo Guedes (João Félix, 46’); Cristiano Ronaldo.

NBA muda politica de medição de jogadores e as surpresas aparecem

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Durante anos e anos, a altura e o peso dos jogadores da NBA tem sido um tema controverso. Desde jogadores que diziam ser mais altos do que aquilo que eram, a jogadores a mentir sobre o seu peso. Isto porque, num desporto em que ser alto é, talvez, a melhor característica que se pode ter, todos querem parecer a “torre”, que por vezes não são.

Assim, na última semana de Setembro, antes de oficialmente começarem os treinos de pré-época da NBA, um comunicado oficial da mesma foi transmitido a todas as equipas, em como estas teriam de reportar e submeter a altura precisa e exata de cada jogador, bem como a sua idade. O que significa que os jogadores vão começar a ser sempre medidos descalços, para medidas oficiais.

Ora, a nível de idades, nos dias de hoje, não haverá certidão mal registada. Teríamos de recuar ao draft de 1985, quando o Sudanês de 2m31cm, Manute Bol, foi ‘draftado’ e ninguém conseguia precisar a sua idade.

A nível de alturas, dá mais que falar, pois, apenas na segunda semana de pré-época, já se notam algumas mudanças nos registos.

Alguns dos nomes mais notáveis foram Draymond Green, o extremo poste que actua pelos Golden State Warriors, que passou de medir 2.04 metros, para medir apenas 1.98m. O que, bem vistas as coisas, sabendo o defesa de elite que Green é, e a sua capacidade em  defender consistentemente grandes postes da NBA, só demonstra que as suas habilidades são ainda mais impressionantes.

O grande jovem sensação, Zion Williamson, também sofreu ligeiramente com esta mudança. O jovem extremo-poste passou dos seus 2.05 metros, uma boa altura para um jogador que actua na posição 4, para medir 2.02 metros, altura esta que já é mais associada a um extremo.

Também Derrick Rose, o MVP da longínqua temporada de 2010-2011, que sempre foi medido com 1.92 metros, uma altura imponente para base, passou a medir apenas 1.86 metros. O que, mais uma vez, faz parecer ainda mais espectacular a forma como este voava no inicio da década e como ainda acaba entre os jogadores mais altos da equipa adversaria.

A única situação caricata foi a de Kevin Durant, um dos melhores extremos da actualidade e inúmeras vezes líder da liga em pontos por jogo, que sempre foi medido como tendo 2.09 metros. No entanto, é visível a olho nu que o jogador possui praticamente 2.15 metros (sendo um famoso “7 footer”), pois ao lado dos jogadores mais altos a diferença é mínima. No entanto, como essa é vista como altura de um jogador interior, um poste, este sempre preferiu omitir a sua verdadeira altura e pôr a que achava adequada para um extremo. Esta época, a altura oficial de Kevin Durant foi de 2.14 metros, altura ideal de um poste.

Kevin Durant foi o unico jogador que com a nova politica passou a medir mais do que anteriormente
Via Brooklyn Nets

Por fim Stephen Curry, que sempre foi reportado com o seu 1.95 metros. Esta época, descalço, o duas vezes melhor jogador da NBA e três vezes campeão, foi medido como tendo 1.90 metros. Ao que a super-estrela comentou “Eu com sapatilhas meço 6 pés e 4 polegadas (1m95cm), sem sapatilhas meço 6 pés e 2 polegadas e três quartos (aproximadamente 1.90) entendem? Mas eu não jogo basquetebol sem sapatilhas”.

Assim, Curry fez uma boa observação, quão importante foi esta mudança na política da NBA? É assim tão relevante a altura precisa de cada jogador, ou será apenas mais uma jogada de marketing para nos manter a todos atentos na pré-época? Uma coisa é certa, apenas uma mudança de uma simples regra já fez com que o mundo da “Social Media” se debatesse sobre o assunto.

Foto De Capa: NBA

Artigo revisto por Joana Mendes

Encarnados e Leões com lugar na Ronda de Elite

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A aventura europeia do SL Benfica 2019/20 começou na Bélgica, na ronda principal da UEFA Futsal Champions League, inserido num grupo que continha os campeões nacionais da Ucrânia (Kherson), Azerbaijão (Araz) e por fim o organizador deste grupo 2 da ronda principal, o Halle Gooik.

A estreia dos encarnados na competição, frente à formação ucraniana, ficou marcada pelo domínio das águias, bastante perdulária na forma como finalizava os lances de perigo que criava. Marcou apenas um golo e nunca conseguiu “matar” o encontro, ficando à mercê de uma jogada que viesse a empatar o jogo. Foi precisamente isso que ocorreu, um golo da equipa leste europeia ofereceu um empate bastante amargo ao Benfica e bastante saboroso ao Kherson, deixando as contas do apuramento para a fase seguinte à distância de uma vitória, pois os belgas derrotaram facilmente os azeris, muito longe do nível que apresentaram no início desta década, em que se batiam de igual para igual com os tubarões europeus.

Os adeptos encarnados compareceram em grande peso ao pavilhão na Bélgica, como já tinha acontecido o ano passado
Fonte: SL Benfica

O segundo encontro foi contra a formação representativa do Azerbaijão. Como se havia percebido no encontro anterior, o Araz parecia ser claramente a equipa mais frágil do grupo e, uma vez que a diferença de golos poderia ser um fator importante de desempate no fim, era importante golear e pelo máximo de golos possível. No entanto, para isso a eficácia teria que melhorar muito. Felizmente, este último esteve mais afinado e o Benfica goleou com sete golos sem resposta, com o Kherson a confirmar a boa figura deixada no jogo anterior, vencendo por 7-3 o rival belga.

No último dia, os benfiquistas fecharam a sua participação com o jogo perante os organizadores desta fase, sabendo de antemão que teriam que vencer por três bolas de diferença, face à vitória dos ucranianos sobre o Araz por 8-3. Mais uma vez, uma exibição muito sólida permitiu resolver o encontro com relativa facilidade, ainda antes do intervalo, que já registava uma vantagem de 6-2 e registou qualquer mudança até ao fim.

Em suma, foi uma participação positiva, pese embora o empate inicial, mas o primeiro lugar foi atingido, graças à vantagem na diferença de golos, em virtude do empate a sete pontos com o Kherson.

Red Bull dá-te tentáculos

Todos nós estamos familiarizados com o slogan da Red Bull, marca austríaca de bebidas energéticas, que afirma que “Red Bull dá-te asas”. O grupo que detém, entre outros, vários clubes de futebol por este mundo fora, mais do que asas vai estendendo os seus tentáculos neste desporto, que são o produto do seu projeto para o futebol.

Já muito se escreveu sobre este projeto da Red Bull no mundo do futebol, que inclui clubes na Alemanha (RB Leipzig), Áustria (RB Salzburg), Estados Unidos da América (New York Red Bulls) e Brasil (RB Brasil, em 2020 passará a chamar-se RB Bragantino).

No entanto, o que neste momento salta mais à vista é o facto de quatro dos cinco primeiros classificados da Bundesliga serem treinados por alguém com ligações, diretas ou indiretas, aos clubes da Red Bull. Ora vejamos: o líder da liga alemã, Borussia M’gladbach, é orientado por Marco Rose, ex-treinador do RB Salzburg; o segundo classificado VfL Wolfsburg é orientado pelo ex-treinador adjunto do RB Salzburg, Oliver Glasner; a completar o pódio está o gigante FC Bayern München, cujo treinador atual, Niko Kovac, foi anteriormente treinador da equipa B do RB Salzburg; o quarto lugar é ocupado pelo SC Freiburg e em quinto está o outro clube do “conglomerado” Red Bull, o RB Leipzig, treinado por Julian Nagelsmann.

E não é só até aqui que os “tentáculos” da Red Bull se estendem, com outros alumni a terem-se catapultado após a experiência nos clubes do grupo. Recentemente, Ralph Hasenhuttl foi apontado como treinador do Southampton e Richard Kitzbichler seu adjunto, assim como Andrew Sparkes assumiu o cargo de treinador de guarda-redes do clube. A Red Bull incutiu um princípio de unidade na cultura dos seus clubes, que tem possibilitado a passagem de jogadores e treinadores por entre os diferentes emblemas detidos pela marca austríaca e facilitado a sua adaptação e integração no projeto. A exportação de elementos do seu corpo técnico é só mais uma prova de que a cultura da Red Bull está a dar frutos e é reconhecida pelos outros elementos do ecossistema futebolístico.

Julian Nagelsmann é o atual treinador do RB Leipzig
Fonte: Bundesliga

Um dos principais responsáveis por dar asas a este projeto é Ralf Rangnick, diretor desportivo dos clubes do grupo. A estratégia subjacente aos clubes do continente europeu passa, não pela aquisição de nomes sonantes do futebol, mas sim pelo desenvolvimento de academias e de uma extensa rede de observação de forma a captar os melhores talentos jovens e desenvolvê-los no clube. Não é por acaso que o RB Leipzig apresenta o 11 com a média de idades mais baixa da Bundesliga e que o RB Salzburg conquistou a UEFA Youth League em 2016/2017. Estes factos sustentam a visão a longo prazo e a aposta nos jovens que a marca pretende incutir nos seus clubes, como parte integrante de um projeto sustentado e duradouro.

Os clubes da Red Bull têm também como imagem de marca a exportação de jogadores que, até chegarem aos seus quadros, eram relativamente desconhecidos, mas que acabaram por voar para o topo da Europa, casos como os de Naby Keita e Sadio Mané para o Liverpool FC ou Joshua Kimmich para o FC Bayern München. Os emblemas detidos pela Red Bull têm, também, revelado jogadores bastante interessantes ao longo deste ano e do ano transato, como o caso recente do ponta-de-lança Haaland do RB Salzburg, mas também Timo Werner, Nkunku e Upamecano do RB Leipzig, apenas para citar alguns.

Este projeto futebolístico da marca austríaca começou há 14 anos e já alcançou sete subidas de divisão, e mais de 20 títulos oficiais. O RB Salzburg, comprado pela Red Bull em 2005, é a equipa de maior sucesso do grupo uma vez que foi a única que já se sagrou campeã nacional, tendo-o conseguido por 11 vezes, seis das quais consecutivas. O RB Leipzig, fundado em 2009 quando a Red Bull comprou uma vaga na quinta divisão, subiu à Liga Alemã em 2016/17 depois de conquistar quatro promoções em sete anos. No ano seguinte à estreia na principal divisão da Alemanha o clube alcançou um histórico segundo lugar, tendo sido o primeiro debutante na Bundesliga a conseguir uma qualificação europeia e assumindo-se atualmente como a terceira maior potência alemã.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por Joana Mendes

No pasa nada: o desporto português à lei da bala

Acordou, levantou-se e logo pisou aquela peça de LEGO, cujas arestas confluem no vértice que perfura o pé calejado do desporto em Portugal.

O comum adepto pouco percebe de acórdãos, jurisdições e enquadramentos penais. Percebe de golos, fintas e foras-de-jogo. Se calhar, da última nem tanto, por VARiadíssimas razões.

Incluo-me no cada vez menos abrangente lote de adeptos comuns. A vós me confesso leigo no que refere a matérias que envolvam togas e leis. Sem prejuízo dos meus parcos conhecimentos do poder legislativo e judicial, não preciso de empunhar uma balança na mão esquerda ou dos olhos vendados para descortinar o bem do mal.

Uma plataforma digital, de passarinho branco em fundo azul, trouxe-me a notícia de que o Tribunal da Relação de Lisboa defende que “comportamentos reveladores de baixeza moral são de alguma forma tolerados na cena futebolística”, descriminalizando o insulto e as ofensas; deste modo, o enquadramento penal de injúrias não será tido nem achado, porque falamos de um jogo de futebol, andebol ou pólo aquático.

Entrando em considerações existencialistas, porque gosto de escrever sobre o que domino, parece-me que esta decisão dos juízes da 9ª secção do Tribunal da Relação de Lisboa é o perpetuar de um legado de sentenças que afastam dos recintos quem se comporta condignamente.

Por experiência – enquanto atleta federado durante um par de anos – e por constituir parte interessada e atenta ao fenómeno, noto que a educação está de forma constante em off-side nas bancadas. Se no campo a história é outra, fora dele são cada vez mais comuns os laivos de raiva e os assombros de frustração que descem em forma de sinapses do córtex para as extremidades do corpo e da língua.

Quem resolveu vir a terreiro foi José Manuel Constantino, através da sua página pessoal de Facebook. Numa intervenção em que recorreu aos recursos estilísticos para estabelecer um paralelismo entre um recinto desportivo e um off-shore, o Presidente do Comité Olímpico de Portugal pareceu mais preocupado em deixar uma bicada política na ressaca das legislativas, do que em contrariar este acórdão.

O futebol puxa o que de mais irracional existe no ser humano. Mas, felizmente, nem sempre é assim
Fonte: Francisco Correia /Bola na Rede

O desporto é, inequivocamente, um monopólio de emoções e deve ser encarado com rivalidade e competitividade. No entanto, o extrapolar de comportamentos aceitáveis, aliado à permissividade latente das leis que tratam da saúde desportiva portuguesa, não auguram um futuro auspicioso.

Cabe a quem gosta do jogo, pelo jogo, tentar mudar comportamentos e mentalidades, começando pela forma como olhamos e tratamos o outro fora dos estádios e pavilhões.

Não sou pai, nem sequer tenho muitos medos físicos. Mas sou filho, irmão, amigo e colega. No fundo, sou um comum adepto de futebol que deseja, apenas, sentir-se inseguro quando o adversário ataca a sua baliza.

Foto de Capa: Website Gandula FC

Artigo revisto por Joana Mendes

 

O Hondurenho que conquistou Tondela

Jonathan Toro é um dos principais rostos do excelente início de época do CD Tondela. O jovem hondurenho de 20 anos está na sua primeira experiência de Primeira Liga e está, paulatinamente, a confirmar todo um potencial que já lhe vinha sendo reconhecido desde há algumas épocas.

Embora tenha apenas um golo marcado pelo Tondela até ao momento, a verdade é que Jonathan, para um avançado, dá muito mais à equipa do que somente golos. A forma como se movimenta e principalmente a sua qualidade técnica evidenciam muito mais do que as estatísticas possam mostrar. Jonathan é um elemento preponderante no jogo ofensivo da equipa de Natxo Gonzaléz. É forte no jogo de transições devido à sua velocidade, mas é também muito útil em organização ofensiva. Possui uma excelente visão de jogo e também um bom remate exterior.

Jonathan tem um futuro promissor
Fonte: CD Tondela

Jonathan chegou a Portugal para a equipa de juniores do Gil Vicente FC e foi precisamente aí, na época 14/15, que deu o seu cartão de visita. A sensacional campanha dos juniores Gilistas (que lutaram pelo título nacional até às últimas jornadas) foi particularmente feliz para o hondurenho, que marcou 13 golos em 14 jogos, sagrando-se o melhor marcador da competição, apesar de ter chegado apenas em Janeiro.

Seguiram-se mais três épocas de galo ao peito, mas foi a época 17/18 que lhe permitiu sair para outra realidade. Uma realidade bem vizinha. Espanha. Huesca. Porém, Jonathan não somou qualquer minuto oficial pelos espanhóis, tendo acumulado empréstimos a Varzim SC e Académica OAF, tendo somado um total de dez golos na Segunda Liga. Esta temporada é a de novo empréstimo, mas com sabor de Primeira Liga, ao serviço do Tondela.

Natxo Gonzaléz terá sabido retirar o melhor que Jonathan tem para oferecer. Hoje, vemos o hondurenho feliz em campo e a contribuir decisivamente para a equipa beirã. A proposta de jogo positiva, com procura em ter bola e jogar de forma atrativa, também beneficia o jogo de Jonathan que, também por isso, está a voltar a ter rendimentos elevados. A estreia na chamada à seleção principal do seu país, coroada já com dois golos, é reflexo disso mesmo.

Jonathan é um projeto de excelente jogador que poderá, se continuar a evoluir e a fazer mais golos, levá-lo para outros patamares dentro do futebol português. Humildade e talento tem. Veremos se continuará a ser feliz por terras beirãs.

Foto de Capa: CD Tondela

Artigo revisto por Joana Mendes

 

O que lá vai lá vai

Depois de uma paragem para compromissos de seleções, os clubes estão de volta para a terceira eliminatória da Taça de Portugal. Se para algumas formações este será o primeiro jogo da época nesta competição, não se pode dizer o mesmo sobre o Futebol Clube de Alverca.

Para chegar a esta fase do torneio, o clube que integra o Campeonato de Portugal deixou pelo caminho o SC Sacavenense e o AD Portomosense. Quis o sorteio que, nesta ronda, – a primeira a ser disputada pelos três grandes – os ribatejanos recordassem os velhos tempos de Primeira Liga e Alverca receberá o campeão em título, o Sporting CP.

Afastado dos grandes palcos há mais de uma década, o atual vice-líder da série D da terceira divisão está a viver um momento bastante positivo rumo ao objetivo da subida.

Depois de, no ano de 2005, os “alverquenses” quase terem fechado portas, conseguiram reerguer-se. Regressaram aos campeonatos nacionais, têm um centro de estágio e ainda um investidor. 2006/07 foi o ano do recomeço. A equipa de futebol sénior voltou para disputar a terceira divisão distrital da AF Lisboa.

Os anos seguintes não foram fáceis, mas a direção liderada pelo presidente Fernando Orge teve sempre em mente dois pilares fundamentais para a recuperação, que só conciliados podiam levar o clube ao sucesso de outrora: a vertente desportiva e a sustentabilidade financeira, sem nunca esquecer o papel fundamental da “gente de Alverca” no apoio ao clube da terra. Foi com este pensamento que passados 13 anos o clube regressou aos campeonatos nacionais.

Festejo do regresso aos campeonatos nacionais, treze anos depois.
Fonte: FC Alverca

O regresso não foi fácil. No fim da primeira volta do campeonato passado, o Alverca ocupava um lugar de despromoção. Não era possível fazer face aos custos inerentes ao Campeonato de Portugal e continuar com o crescimento sustentado que trouxe o clube novamente para os campeonatos nacionais.

Posto isto, Fernando Orge viu-se obrigado a procurar um parceiro que ajudasse o clube a suportar os custos de uma equipa sénior nestas divisões. Foi, deste modo, que surgiu a parceria com Ricardo Vicintin, investidor brasileiro, que é representado por Artur Moraes, antigo guarda-redes do SL Benfica e do SC Braga, e agora vice-presidente dos “alverquenses”. A criação desta sociedade trouxe resultados desportivos imediatos, fazendo do FC Alverca a segunda equipa com mais pontos conquistados na segunda volta do campeonato transato e terminando a época num impressionante sétimo lugar.

Fernando Orge e Artur Moraes, presidente e vice-presidente do FC Alverca
Fonte: FC Alverca

Este ano a preparação foi diferente. Com a presença da SAD desde o inicio do campeonato, o planeamento da época foi feito para objetivos maiores. Se na temporada passada o objetivo era a manutenção, esta época a meta é a subida de divisão. Percorridas as primeiras sete jornadas, o FC Alverca é vice-líder do campeonato sem derrotas e o objetivo mantém-se intacto.

Com esta paragem na liga, o foco está virado para a Taça de Portugal e para o Sporting CP. Apesar da décalage nos orçamentos de uma e outra equipa, o Complexo Desportivo de Alverca não costumava ser um palco fácil para os leões. Em sete jogos disputados no reduto dos ribatejanos, as vitórias dividem-se, três para cada lado e ainda um empate. Veremos se o antigo “papa-gigantes” faz jus à alcunha e, passada mais de uma década, volta a provocar surpresas aos sportinguistas.

Foto de Capa: FC Alverca

Artigo revisto por Joana Mendes

Qual destes será candidato a surpresa do ano?

FC Famalicão, Granada CF, FC Nantes, Leicester City FC, Borussia VfL 1900 Monchengladbach. O que têm em comum estas cinco equipas?

Tudo… São cinco das grandes surpresas do futebol europeu nos dias que correm.  Os chamados underdogs que perseguem um sonho que um emblema já experimentou. Falamos do fantástico Leicester, orientado por Claudio Ranieri, em 2016, que, sem que ninguém esperasse, venceu a Premier League.

Mas, tal será possível para alguma destas cinco equipas?

Comecemos por Portugal. O FC Famalicão, cuja SAD é detida pelo israelita Idan Ofer, e que, através da sua empresa Quantum Ltd., conta com o conhecimento desportivo do presidente da sua SAD, Miguel Ribeiro, para ir mais além.

Os famalicenses, além disso, contam com o apoio da Gestifute, a empresa do agente de jogadores mais poderoso do mundo: Jorge Mendes, que, fruto da sua rede de contactos, reforçou o clube com qualidade.

Por essa razão, os homens de João Pedro Sousa, antigo adjunto de Marco Silva, encontram-se a realizar um arranque acima de qualquer expectativa. Os famalicenses, assim, só perderam pontos em Guimarães, ao empatar a um, contando por vencidos os restantes jogos, tendo, inclusivamente, silenciado o Estádio José de Alvalade, com uma segunda parte… Digna de um campeão!

Obviamente, não diremos que a equipa terá estrutura para tal… Que conseguirá quebrar o domínio habitual dos clubes de sempre, mas ninguém pensaria que, no final de Outubro, a equipa recém-promovida fosse ao Estádio do Dragão na liderança do campeonato!
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Viajemos para Espanha, para falar do espantoso Granada, actualmente quarto classificado da Liga Espanhola, depois de também ter sido promovido na pretérita temporada.

A equipa andaluz já cometeu alguns feitos dignos de realce para ocupar esta posição. Desde logo, a sequência de cinco desafios sem conhecer o sabor da derrota, que é algo improvável para um emblema com ambições de se manter, apenas, no escalão principal. Porém, dentro deste conjunto de desafios, teve destaque um muito especial: a vitória caseira frente ao FC Barcelona, por duas bolas a zero, numa noite memorável para o clube.

Fonte: Granada CF

O facto de ter a equipa mais barata do país vizinho, avaliado pelo portal Transfermarkt em 33,50 milhões de euros, torna o percurso da equipa dos portugueses Rui Silva e Domingos Duarte mais meritório.  Refira-se que os estratosféricos Real Madrid CF e Barcelona passam os mil milhões de euros… Num claro sinal de que, como diria Johann Cruyff, “nunca viu um saco de notas marcar golos.”

Prossigamos para França… para Nantes.

A equipa orientada pelo velho andarilho, Christian Gourcuff, após nove jogos, ocupa um excelente segundo posto só atrás do habitual Paris Saint-Germain FC.

Contudo, na Gália, na presente temporada vive-se um fenómeno curioso. Os Canaris ocupam o segundo posto, mas o terceiro é pertence a outra surpresa chamada Angers SCO.

Quanto a outros nomes mais brasonados, poderemos dizer que o Olympique de Marselha de Villas-Boas está no nono posto. O Olympique Lyonnais despediu, recentemente, o seu treinador Sylvinho, no décimo quarto lugar e o AS Mónaco de Leonardo Jardim pena no décimo sexto… Um verdadeiro mundo ao contrário.

Fonte: FC Nantes

Quantos ao Nantes, apenas seis equipas possuem um valor inferior ao do clube. Assim, o clube tem um plantel avaliado em pouco mais de 76 milhões de euros, enquanto o Paris Saint-Germain ultrapassa os mil milhões de euros, sendo seguido pelo Lyon com pouco mais de 367 milhões. Porém, isso não obsta que a equipa se encontre a dois pontos do Paris Saint-Germain e venha numa sequência de três vitórias, com destaque para o êxito obtido em Lyon, que ajudou a que Sylvinho fizesse as malas.

Rumemos para a Velha Albion para falar de um emblema que, como dissemos no início do presente artigo, já fez o mundo abrir a boca de espanto: o Leicester.

Os Foxes, actualmente orientado por Brendan Rodgers, após oito contendas disputadas estão no quarto posto da Premier League, só atrás do duo irresistível Liverpool FC e Manchester City FC e do Arsenal FC. Para além disso, a equipa foi, apenas, derrotada por duas vezes e sempre pela margem mínima: pela desilusão chamada Manchester United FC (num jogo que terá valido para que Solskjaer ainda se mantenha no banco de Old Trafford) e, antes da paragem das selecções, em Anfield frente ao Liverpool, por causa de um desentendimento entre Kasper Schmeichel e Marc Albrighton.

Fonte: Leicester City FC

A equipa apresenta a oitava equipa mais cara do campeonato, avaliada em 410 milhões de euros, mas muito longe dos 1280 milhões do Manchester City ou dos 1070 milhões do Liverpool. No entando, isso não é impedimento para uma equipa que, desde que Rodgers pegou nela, é a quarta com mais pontos no campeonato, só batida (isso mesmo!) pelo duo que luta pelo título e pelo Chelsea FC de Frank Lampard.

Por fim, o Borussia Monchengladbach, na Alemanha. O histórico emblema germânico, que já não vence a Bundesliga desde 1976/77, graças à goleada do passado fim de semana frente ao FC Augsburg, por cinco a um, e beneficiando de uma conjunta de resultados positivos assumiu a liderança da tabela.

Apesar da fase precoce da prova, o entusiasmo tomou conta do conjunto orientado por Marco Rose. Na verdade, são quatro vitórias consecutivas de um futebol sedutor, sem nunca prescindir da filosofia de vender os jogadores mais atractivos ao mercado e procurar outros capazes de serem rentabilizados.
Por essa razão, no início da temporada partiram Thorgan Hazard para o BVB Dortmund e Mickael Cuisance para o FC Bayern, para chegarem jovens talentos como o francês, filho de Lilian Thuram, Marcus, ou o suíço Breel Embolo.

Fonte: Borussia VfL 1900 Mönchengladbach

A quinta equipa mais cara do campeonato, avaliada em 270 milhões de euros, ousa sonhar… E lutar por títulos, ainda que na Liga Europa tenha sofrido um peculiar e doloroso revés. Na verdade, a goleada caseira frente aos austríacos do Wolfsberger, merecerá figurar na lista dos resultados mais surpreendentes da temporada 19/20.

Porém, ainda estamos no início dos respectivos campeonatos… A lei do mais forte costuma aplicar a sua força e os seus ditames.

Mas, em qual destes emblemas, o leitor apostaria o seu dinheiro para sensação do ano?

 

Artigo de opinião de Miguel Batista

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes