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Caça às pérolas

O futebol português está a mudar. Na verdade, um pouco por toda a Europa assiste-se a mudanças no paradigma das contratações, notando-se uma maior tendência para o mercado asiático. Mas porquê que isto acontece?

Há menos de uma década, a predominância nas transferências para o campeonato português era de jogadores oriundos da América do Sul. Não há muitos anos – corria o verão de 2013 – Pinto da Costa, presidente do FC Porto, assumiu, durante uma visita à Venezuela, que “o mercado sul-americano em geral é aquilo que nós procuramos para reforçar a nossa equipa”.

Esta não era apenas uma vontade do líder portista, mas uma visão partilhada por vários clubes portugueses: através de um scouting forte nesta zona, era possível descobrir jovens jogadores que pela sua qualidade e possibilidade de progressão se apelidavam de verdadeiras “pérolas”. Contudo, esta procura desenfreada originou uma saturação deste mercado, o que conduziu a uma subida dos valores das transferências e tornou a América do Sul menos apetecível. Esta situação levou a uma queda no poder de compra dos clubes portugueses relativamente aos gigantes europeus, que, por terem maior capacidade financeira, passaram a pagar verdadeiras fortunas por jogadores até então pouco conhecidos.

Desta forma, tornou-se imperativo uma viragem no padrão de contratações. Os clubes portugueses começaram, então, um processo de procura noutros campeonatos dos craques que, outrora, importavam principalmente do Brasil, Colômbia, Argentina e México.

A região dos Balcãs, mais concretamente a Sérvia e a Croácia, afiguraram-se como um mercado aliciante, tendo em conta a relação qualidade-preço. O facto de o SL Benfica ter apostado em vários jogadores sérvios ajudou a despertar a atenção para esta zona, contribuindo também para que estes jogadores se interessassem pelo campeonato português.

Ao clube da Luz seguiram-se outros e, atualmente, são vários os croatas e os sérvios a integrarem plantéis nacionais, como é o caso de Nikola Stoiljkovic, atualmente no Boavista FC e de Lazar Rosic do Moreirense FC, ambos sérvios e contratados pelo SC Braga há cerca de três anos.

O Rio Ave FC é também um caso de sucesso neste tipo de contratações, tendo sido o responsável pela vinda do croata Krovinovic, que suscitou a cobiça de vários clubes e foi mais tarde transferido para o Benfica, estando atualmente emprestado ao clube inglês West Bromwich. Os vila-condenses contam esta época com o defesa croata Toni Borevkovic e o médio sérvio Nikola Jambor. O defesa sérvio Dejan Kerkez e o médio croata Josip Vukovic, do CS Marítimo, compõem outros exemplos.

Koki Anzai integra o lote de japoneses que o Portimonense trouxe do país asiático
Fonte: Portimonense

Mais recentemente, assistiu-se a uma maior aposta no mercado japonês. O Portimonense SC é a expressão dessa mudança, tendo oito nipónicos integrado o plantel algarvio desde 2009. Shoya Nakajima, agora no FC Porto, ilustra da melhor maneira a qualidade destes jogadores, tendo demonstrado atributos muito interessantes que o distinguiram no campeonato português.

Esta nova procura por jogadores asiáticos assenta em vários fatores, sendo que o interesse neste continente surgiu com a passagem da Taça Intercontinental para o Japão em 1980, passando a ser denominada Taça Toyota, já aqui com o objetivo de impulsionar o futebol deste país e gerar patrocínios. Mais tarde, a disputa do Campeonato do Mundo de 2002 na Coreia do Sul e no Japão contribuiu também para uma maior divulgação e envolvimento das nações asiáticas em torno do futebol.

Este interesse crescente conduziu a grandes investimentos, relacionados também com o período economicamente favorável que estes países atravessam. Outro motivo é a dimensão populacional do continente asiático e o grande entusiasmo dos adeptos por este desporto, sendo conhecidos por seguirem apaixonadamente os seus compatriotas que atuam noutros campeonatos.

Esta mudança de paradigma está presente também na recente aposta nos países árabes, resultantes igualmente de um investimento e evolução do seu futebol, sendo também já responsáveis por exportarem vários jogadores para a Europa.

Contudo, ao analisar a preferência de mercados dos clubes portugueses não podemos, ainda, excluir a importância da América do Sul, uma vez que continua a ser uma grande aliada no que toca a transferências, continuando a fabricar vários jogadores que atingem o seu auge no outro lado do atlântico. Ainda assim, os exemplos abordados anteriormente indicam que estamos claramente a assistir a um ponto de viragem no mercado futebolístico, cuja tendência em apostar no recente mercado asiático tem vindo a dar frutos.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Vítor Ferreira, o Iniesta do Olival!

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Vítor Ferreira tem sido um dos grandes destaques deste início de época da equipa “B” portista. O médio azul e branco tem sido uma aposta regular de Rui Barros e é já uma das referências da jovem equipa portista. É um médio com grande capacidade técnica, muita qualidade de passe quer curto quer longo, facilidade de aparecer em zonas de finalização e inteligência tática acima da média.

Um assunto urgente que a estrutura portista tem em mãos é a renovação deste enorme talento. Vítor Ferreira termina contrato em 2020 o que significa que, dentro de três meses, pode assinar por outro clube. Ao que conseguimos apurar a renovação esta bem encaminhada e pode ser fechada brevemente. Ver um dos grandes talentos do Olival sair a “custo zero” é algo impensável e que a estrutura azul e branca deve evitar a todo custo.

Vítor Ferreira pode atuar como médio defensivo (posição 6) ou como médio de transição (posição 8), sendo que, na equipa “B” portista atua preferencialmente na “posição 8” que, na minha opinião, é onde rende mais e onde pode potenciar mais o seu talento. Olhando para a estrutura tática do FC Porto de Sérgio Conceição diria que além das posições já referidas pode também atuar partindo de um corredor e fazendo movimentos interiores ao jeito do que é feito por Otávio e Romário Baró.

Vítor Ferreira é uma das “joias” do Olival
Fonte: FC Porto

O médio azul e branco foi uma das peças fundamentais nos triunfos da época passada dos sub-19 portistas com a conquista do título nacional e da UEFA Youth League. Vítor Ferreira é presença assídua nas seleções jovens portuguesas onde já foi 29 vezes internacional tendo atuado 1679 minutos. Recentemente foi titular pelos sub-21 no confronto diante da seleção holandesa e onde rubricou uma magnífica exibição.

Esta geração portista possui imensos talentos que podem a curto prazo ser peças preponderantes na primeira equipa portista. Romário Baró foi o primeiro a chegar a esse patamar mas Diogo Costa, Diogo Leite, Diogo Queirós, Fábio Silva, Tomás Esteves, Fábio Vieira e Vítor Ferreira são alguns exemplos do potencial da formação azul e branca. O futuro está assegurado mas é preciso “blindar” estes jovens com renovações de contrato e cláusulas de rescisão elevadas.

Foto de capa: FC Porto

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O penálti (de uma vida) que nunca se concretizou

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O imo despedaça-se com o decurso do tempo. Ecoam na índole gritos de revolta, mas emudecem-se fugazmente pelo facto de não alterarem o rumo dos acontecimentos confinados à presença assídua do Fado. E, aproveitando a deixa do ocultismo que redijo, apresento o meu espírito reacionário diante do universo das coincidências: inquietam-me as confluências macabras, porque estimulam, ao máximo, a arte de raciocinar; ora, pensar, juntar peças como de puzzles se tratassem conduzem-nos a conclusões bafejadas pela agonia.

O enredo era adequado para uma malha de David Lynch, apesar de não voltarmos a encontrar orelhas decepadas num vasto campo, o corpo de Laura Palmer ou o insólito e deformado filho de um casal. A trama solicitada padecia de um surrealismo psicológico maior e da comprovação de uma teoria fundamentada à sua maneira, só como ele sabe fazer.

Rui Jordão encontrava-se hospitalizado devido a problemas cardíacos. Curiosamente, o Sporting Clube de Portugal atravessa (uma vez mais) um período de crise alastrado a todos os postos de debate. É perfeitamente normal que, como servo da listada verde e branca, cesse a vontade de continuar a ortografar. Alérgico à conformação perante os factos, sim.

Nem os thrillers exibem um cenário tão pardacento. A psique orquestra o trilho de uma casa que se desaba e não atinge a cave da habitação. A família resguarda-se lá e está a salvo, mas as vigas começam a perder o ímpeto. E os petizes, penetrados pelo medo, bradam e iniciam um choro sofrido. A mãe abraça-os e o pai, como chefe de família, consciente da possibilidade de vacilo, não cede.

Rui Jordão faleceu com 67 anos de idade
Fonte: Fórum SCP

Uma metáfora que perde a quimera, face aos acontecimentos. Um goleador, uma lenda, um senhor dentro e fora das quatro linhas ingressou prematuramente no comboio com destino adverso à vida. Jamais se olvidam os festejos realizados aquando dos tentos apontados, aquela corrida junto à bandeirola de canto, sorrindo vincadamente e recebendo o calor tanto dos colegas de equipa como da legião leonina. Como ínfima parte do clã sportinguista, teço a minha homenagem a um ídolo alheio à minha geração:

Sr. Jordão, a lesão não teve cura e isso entristece-me profundamente. Os olhos reluzem uma nostalgia nunca vivida por mim pela ordem natural do tempo. O golo da sua vida era este e a bola, no último minuto, resvalou na trave. Merecia mais, muito mais. Após 1989, altura em que pendura as botas, como se profere na gíria, raras foram as entrevistas que deu e o protagonismo que quis ter. A humildade foi a característica que mais brilhou em 67 anos de existência. Inalava futebol e humanidade, facto que, no mundo onde impera a podridão, é cada vez mais inusual.

E envolvem-me, novamente, as ideias vãs. Num momento como este, as palavras nada resolvem, nada amenizam. Restam as memórias, os sorrisos, o legado de vida. Hoje, apesar da mágoa difundida pela nação, celebramos um dos maiores goleadores do peito ilustre lusitano: enalteceu Portugal, Sport Lisboa e Benfica, Sporting Clube de Portugal e Vitória de Setúbal.

Recuso-me a aceitar a realidade! O dia é cinzento, confuso e enevoado e nele subsiste um sabor acre, semelhante ao França-Portugal no Euro´84. As tropas de Platini, ingloriamente, fizeram trespassar as suas espadas no peito do capitão. Definhou-se parte da alma de Benguela!

Até sempre, senhor golo! Até sempre, rei Leão!

 

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

André Ventura: perspetiva de (mais) uma polémica

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Faz hoje dez dias que André Ventura conseguiu que o seu partido chegasse ao parlamento português. Este é um assunto político, um assunto envolto em polémicas políticas e este texto nada terá a ver com política. Pelo menos não com esta politica de esquerda, centro, direita, de governo e de oposição.

A polémica que me trouxe aqui é a que estalou no seio da família benfiquista.
A discussão base é: deve ou não o Sport Lisboa e Benfica tomar alguma posição relativamente a André Ventura neste seu novo contexto ideológico e político?

Muito se tem comentado, mas de todas as vozes públicas, raras são aquelas que realmente abordam a realidade contextual da ligação de André Ventura ao Sport Lisboa e Benfica.

Qual a minha opinião sobre o assunto em questão? Concordo com a carta aberta destinada à direção do Sport Lisboa e Benfica e assinada por Ricardo Araújo Pereira, Henrique Raposo, Pedro Norton, José Eduardo Martins e Lucas Pires? Apesar de a perceber, acho-a mal fundamentada e carece de um esclarecimento à imagem daquele que Ricardo Araújo Pereira posteriormente fez. Antes de se poder concretizar alguma posição sobre este assunto é crucial conhecer as figuras e políticas envolvidas.

Quem é André Ventura? Até há poucos meses, André Ventura era para a sociedade portuguesa um comentador do SL Benfica. Não que ele não fosse mais que isso, mas era esse papel que lhe dava notoriedade e reconhecimento público. Contudo, André Ventura era mais que um comentador: André Ventura era, e é, um dos peões da comunicação do clube.

E é aqui aqui que está o cerne de toda esta questão. André Ventura não é um mero adepto benfiquista que tem o privilégio de comentar semanalmente tudo o que envolve o futebol nacional em canais televisivos. André Ventura é um parceiro da direção do Sport Lisboa e Benfica. A comunicação do clube é oficialmente liderada por Luís Bernardo, mas oficiosamente tem como figuras principais o Carlos Janela, o Pedro Guerra, o André Ventura e mais recentemente o José Marinho. Não há qualquer dúvida de que à medida que Pedro Guerra foi levando os seus comentários a maiores audiências, André Ventura foi quem ficou responsável de ir cobrindo os espaços mediáticos por este abandonados. André Ventura é um peão da comunicação do Sport Lisboa e Benfica. André Ventura é comentador CMTV com uma estratégia delineada pela comunicação do clube e por opção da direção do clube.

A direção do Sport Lisboa e Benfica, confrontada com a tal carta de alguns “notáveis”, fez muito bem em remeter aos estatutos do clube.

“3. Ao SPORT LISBOA E BENFICA são interditas actividades de carácter político-partidário e de proselitismo religioso.”

E é em conformidade com o ponto 3 do Artigo 3ª que na minha opinião o Sport Lisboa e Benfica deveria acabar com a sua parceria com o agora líder de um partido com assento parlamentar. Não faz sentido que André Ventura continue a ser um dos (principais) peões da estratégia comunicacional da direção de Luís Filipe Vieira. A manutenção desta parceria, que implica a opção do Benfica em impôr um lugar de destaque televisivo a André Ventura, irá no mínimo contra o espírito dos estatutos do clube.

“…certamente colheu frutos da visibilidade que este lhe deu, e principalmente da visibilidade e afectos que a sua proximidade à direcção do clube lhe conferiram”
Fonte: CHEGA

Ao Sport Lisboa e Benfica não cabe pronunciar-se sobre as políticas do Chega e do seu líder. Ao Sport Lisboa e Benfica não cabe aproximar-se ou afastar-se de André Ventura. Ao Sport Lisboa e Benfica impõe-se uma posição neutra e desinteressada, não discriminando André Ventura, mas também não lhe dando maior palco do que aquele que dá a todos os seus associados.

André Ventura é um político. É político enquanto líder do Chega. É político enquanto comentador com as cores do SL Benfica. Não posso dizer que instrumentalizou o clube, mas certamente colheu frutos da visibilidade que este lhe deu, e principalmente da visibilidade e afetos que a sua proximidade à direção do clube lhe conferiram. Até pode não ter ido ao Estádio da Luz durante a campanha eleitoral, mas também ter-se-á ausentado totalmente da sua cadeira de comentador vermelho e branco?

O agora deputado André Ventura está a trilhar o seu caminho. Cabe ao Sport Lisboa e Benfica assumir que já Chega e colocar um Basta nesta parceria.

Foto de capa: CHEGA

Artigo revisto por Diogo Teixeira

FC Alverca 2-0 Sporting CP: Alverca de outros tempos faz magia na Taça!

Nesta noite de quinta-feira, a magia da Taça de Portugal espalhou-se pelas terras de Alverca. Sporting CP e FC Alverca defrontaram-se esta noite em jogo a contar para a terceira eliminatória da Prova Rainha.

O Alverca começou, desde logo, a pressionar alto, mas os leões circulavam a bola sem grande problema. A equipa da casa não estava a deslumbrar, mas, verdade seja dita, estava a cumprir bem o seu papel.

Ainda assim, a clara superioridade do Sporting notou-se desde logo. Aos seis minutos, Borja remata à entrada da área, mas a bola cai ao poste. Sem tempo para grandes recuperações, Vietto ameaça a baliza do Alverca. João Vítor diz presente e nega o primeiro para a equipa de Silas.

Apesar dos remates ao inicio da partida, a superioridade do Sporting não era, de todo, aquela que deveria ser face a todos os fatores financeiros e desportivos que vocês podem imaginar. Tanto é que o golo surgiu mesmo para os da casa: aos 10 minutos, Alex faz a bancada saltar de alegria, marcando um golo pela sua equipa.

Depois de se ver em vantagem, o Alverca manteve-se firme até ao final da primeira parte. Conseguiu continuar perigo mesmo sabendo as suas fragilidades. Ficou mais recuado dentro de campo, sim, mas esteve exímio a defender. Claro que houve oportunidades para o Sporting, por exemplo o remate de Vietto aos 31 minutos que João Vítor defende, mas o que é certo é que o Sporting se via em desvantagem e não estava a conseguir impor-se perante a equipa da casa.

O final da primeira parte ainda teve direito a um grande lance de perigo para os ribatejanos. Erik, aos 45 minutos, faz uma grande receção com o peito à entrada da pequena área e tenta o pontapé de bicileta. Do outro lado estava Maximiano que defendeu o remate e negou o 2-0 para a equipa da casa.

Rafa Castanheira, capitão do FC Alverca veio falar à conferência de imprensa e mostrou-se bastante emocionado
Fonte: Bola na Rede

Na segunda parte, a equipa dos leões voltou com um novo ânimo, com a entrada do seu maestro Bruno Fernandes, que procurou desde cedo empolgar a equipa para virar o resultado.

Aos 48 minutos, Luciano Vietto fez um remate perigoso, mostrando que a equipa voltava com uma mentalidade mais ofensiva.

Após várias investidas no ataque do Sporting, a equipa do Alverca procurava reagir no contra-ataque. Aos 55 minutos, e após um movimento ofensivo da equipa Alverquense, Erik Mendes, que tinha feito bicicleta espetacular na primeira parte, quase fazia o segundo, através de um chapéu ao guarda-redes leonino.

Aos 56 minutos, mais um balde de água fria, com o 2-0 para a equipa da casa. Com um canto do lado direito do ataque dos homens da casa, a bola ficou a ressaltar na área e Luan a aparecer a encostar para dentro da baliza de Max.

Passados cinco minutos, o Sporting procurou reagir de pronto, com um cruzamento de Bolasie pela esquerda, Luiz Phellype a aparecer ao primeiro poste, mas a bola a sair ao lado.

Após um livre perigoso à entrada da área do Alverca, Bruno Fernandes fez a bola embater no poste esquerdo da baliza de João Victor. O Sporting claramente não parecia conseguir marcar no Complexo Desportivo de Alverca.

Aos 68 minutos, Jorge Bernardo a bater um livre da esquerda, com Maximiano a defender para a frente, na recarga apareceu o recém entrado, Ibraima, que atirou às malhas laterais.

Erik liderava os movimentos ofensivos do Alverca na segunda parte, sem nunca desistir de uma jogada. Após ter falhado mais uma tentativa de chapéu a Max, foi Vietto quem procurou a sorte de cabeça, mas novamente sem êxito.

O Alverca nos últimos dez minutos já se encontrava algo fatigado, mas procurava impor o seu ritmo de jogo, sendo que o Sporting pouco fazia para contrariar.

Aos 82 minutos, Yannick Bolasie fez um remate potente que acabou por ser defendido por João Victor, demonstrando grandes reflexos na baliza alverquense.

Nas bancadas, os adeptos da Juventude Leonina demonstravam o seu desagrado com a Direcção do clube de Alvalade, proferindo palavras duras para o seu presidente.

Acuña tentou com um cruzamento na esquerda, mas o guarda-redes João Victor esteve imparável. Vietto ainda tentou com um remate de longe, mas novamente, o guardião do Alverca no sítio certo, na hora certa!

Até ao final pouco mais se passou, em termos de jogadas perigosas. O Alverca queria que o tempo corresse e a equipa do Sporting só queria que o pesadelo terminasse. Com os cinco minutos a esgotarem-se, os adeptos dos alverquenses não queriam acreditar no que estava a acontecer, gritavam-se “olés” em Alverca!

Debaixo da chuva torrencial, os mais fortes foram os da casa! Uma equipa que procura voltar aos tempos áureos da Primeira Liga, bateu-se como um grande nesta noite! Uma defesa compacta, um meio-campo muito forte, com um ataque muito desequilibrador.

Equipa claramente para lutar pela subida à Segunda Liga e que acabou por banalizar um dos Grandes! Fez-se história em Alverca, com um dos maiores emblemas do Ribatejo a relembrar noites de glória de outros tempos!

Exibição exímia, com o Alverca a seguir em frente na Taça de Portugal!

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

FC Alverca – João Víctor, Ronaldo. André Duarte, Andrézinho (Subst. João Luíz,76´), Erik Mendes, Flávio Castro, Jorge Bernardo, André Dias, Rafa Castanheira, Luan (Subst. Ibraima, 60´) e Alex (Subst. Rick Sena, 88´).

Sporting CP – Maximiano, Rosier, Ilori, Neto, Borja (Subst. Bolasie, 59´), Doumbia, Eduardo (Subst. Bruno Fernandes, 45′), Miguel Luís, Jesé (Subst. Acuna, 59´), Vietto e Luiz Phellype.

Guerra e Paz

A última noite europeia de seleções foi pródiga em episódios de uma novela que parece não ter fim, na qual os protagonistas futebol e política vivem infelizes para sempre.

Fosse vivo e teria Tolstói material para duplicar as 1225 páginas da sua obra-prima dividida em quatro livros.

Futebol e política, velhos conhecidos, teimam em não entender-se, numa tradição quase secular.

É preciso recuar até 1934 para encontrar a primeira demonstração da infeliz combinação entre ambos. Realizado em solo nacional, a Itália viria a sagrar-se campeã mundial pela primeira vez, após bater a já extinta seleção da Checoslováquia por 2-1. A seleção italiana seria utilizada como instrumento político do fascismo por Benito Mussolini, propagando os ideais fascistas impostos pelo ditador.

20 anos volvidos e novo apropriamento de uma seleção nacional como porta-estandarte de um regime: a Hungria, vice-campeã mundial (após ser batida pela Alemanha Ocidental por 3-2 numa final disputada em território suíço), era tida como símbolo da eficiência dos comunistas, controlados pela União Soviética.

Os Mágicos Magiares, descontentes com o rumo que a situação política levava, aproveitaram uma excursão do Budapest Honvéd FC à América do Sul – paga pelos próprios, pois a federação vetou a viagem – para se exilarem no Brasil. Desta infração resultaram pesados castigos aplicados pela FIFA aos jogadores húngaros, possibilitando que, um ano depois, Ferenc Puskás ingressasse no Real Madrid pela mão do presidente do clube espanhol na altura, Santiago Barnabéu.

Fonte: Federação Suiça

E por falar em Brasil, João Saldanha, jornalista de profissão que conduziu a seleção canarinha ao Campeonato do Mundo de 1970 no México, disse uma das mais célebres frases do futebol mundial.

Em plena ditadura militar no país, o general Emílio Garrastazu Médic tentou impedir Saldanha de convocar Dario, ao que o jornalista respondeu “o senhor escala seu ministério, eu escalo a seleção”. Demitido de imediato, viu de fora a conquista da terceira “Copa” pelo escrete, que derrotou a Itália na final por 4-1.

Afonsinho, Sócrates e até Pelé, pouco dados a este tipo de manifestações públicas, clamavam pela democracia.

Ainda pelo continente sul-americano, nota para a recusa de, em pleno relvado, Carlos Caszely apertar a mão a Augusto Pinochet, que viria a torturar a mãe do jogador nos porões do governo chileno. Naquele que ficou conhecido como o “Jogo da Vergonha”, a União Soviética recusou subir ao relvado, tendo o Chile garantido a qualificação para o Mundial de 74.

De lá para cá, várias medidas têm sido tomadas no sentido de evitar conflitos políticos entre clubes e seleções. As federações são agora punidas se houver interferências do governo local, foram proíbidas camisolas que contenham mensagens subliminares e até se evitam jogos em cidades onde existam rebeliões.

Impossível é cortar as asas aos jogadores. Foi em 2018 que Suíça e Sérvia se defrontaram em jogo a contar para a Fase de Grupos do Grupo E do Mundial de Futebol: quis o destino que os marcadores dos golos suíços fossem apontados por Xhaka e Shaqiri, descendentes de kosovares, que festejaram por imitar com as mãos a águia contida na bandeira albanesa, país com quem os sérvios estão impedidos de jogar.

A mudança do FK Shaktar de Donetsk para Lviv teria sido, porventura, a última grande machadada política no futebol europeu. Recorde-se que a cidade que servia de casa ao clube atualmente orientado por Luís Castro foi alvo de bombardeamentos decorrente da guerra civil na região, que culminou na anexação da Crimeia pela Rússia e nos movimentos separatistas de Donetsk e Lugansk.

Paris, Sófia e, porque não, Catalunha foram o “X” que marcou o local da intolerância, ignorância e preconceito; a última página escrita no manual intitulado “O que não deve ser o futebol”.

Foto de Capa: Federação Turca

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Jogadores que fazem falta ao FC Porto

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Com a paragem do campeonato para os jogos das seleções, o treinador Sérgio Conceição, apesar de não ter à disposição todo o plantel, tem conseguido, com a integração de jogadores das camadas jovens, manter o ritmo de treino, tendo em vista os jogos que se seguem das várias competições.
A temporada ainda está no começo, mas tem deixado muito a desejar em alguns aspectos, como os resultados e algumas posições que, aparentemente, estão em défice.
Recuar no passado, traz a cada adepto a vontade de reaver jogadores que em tempos eram fulcrais para a equipa. Seja em que setor for, em tempos de crise, as saudades ganham outra dimensão. Podiam ser enumerados vários jogadores, mas ficam estes cinco que trazem boas memórias e uma vontade imensurável de regresso.

Vir ou não vir a Lisboa? O sorteio dirá…

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Este ano, algumas regras referentes ao sorteio da Ronda de Elite da Champions League de Futsal mudaram e deixa de ser a entidade reguladora e organizadora da competição, a UEFA, a decidir quais os pavilhões onde se realizam as provas. Essa escolha passa a ser feita através de sorteio.

A fase de candidaturas já terminou e, dos 16 clubes apurados para disputar esta competição, sete equipas manifestaram interesse em acolher a prova, de entre os quais destaco, obviamente, os nossos representantes, Sporting CP e SL Benfica. Aos portugueses juntam-se os russos do KPRF Moscovo e do Tyumen, os espanhóis do El Pozo Múrcia, os cazaques do Kairat Almaty, organizadores da final four de ótima memória para o futsal português com a conquista do Sporting, e, finalmente, os bielorrussos do Shalitsa Minsk.

A grande novidade deste ano consiste na maneira como se faz o sorteio, ou seja, destas sete candidatas, as quatro primeiras equipas a sair no sorteio garantem a organização de cada um dos grupos respetivos. As equipas que terminaram em primeiro lugar nos grupos da ronda principal não se podem cruzar nesta fase, logo um eventual duelo entre Sporting e Benfica só poderá acontecer numa possível fase final – algo que seria excelente para o nosso desporto e poder ter dois representantes na final a 4 seria ainda melhor, visto que apenas aconteceu na temporada 2010/11.

Um dos candidatos portugueses é o Pavilhão João Rocha, a casa das modalidades dos “leões”
Fonte: Sporting CP

Nesta época só se apurava uma equipa por país, mas nesta temporada entraram duas equipas porque o Benfica tinha sido campeão europeu na temporada 09/10. Um possível ponto a favor das nossas chances, embora tal não afete a escolha pois ela é feita através de sorteio puro, é o facto de tanto o Pavilhão Fidelidade como o Pavilhão João Rocha terem excelentes condições para a prática desta modalidade e não só.

Primeiro, é o facto de serem ambas construções modernas. O Pavilhão da Luz já tem 15 anos, mas ainda apresenta ótimas condições, enquanto que o Pavilhão João Rocha é bem mais recente e também é um edifício com instalações perfeitas para acolher um evento desta magnitude. Para além de existir muita segurança, que é mais do que óbvio que há. As forças da autoridade já estão habituadas a jogos de tensão máxima, sobretudo quando há dérbi Lisboeta.

O outro candidato português é o Pavilhão Fidelidade do SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Um ponto menos favorável seria a baixa lotação dos dois pavilhões, mas isso será irrelevante aquando do sorteio. Matematicamente falando, as hipóteses de pelo menos um destes grupos jogar em Lisboa é grande, mas para o saber temos de aguardar até sexta-feira às 13 horas, horário em que se começam a determinar os grupos de acesso à fase mais desejada, mas em que só quatro equipas estarão presentes.

Só mesmo para finalizar, falta falar de mais alguns condicionalismos deste sorteio, nomeadamente o facto de os primeiros classificados na ronda principal não poderem encontrar os segundos posicionados do seu grupo na fase anterior (Benfica não pode jogar contra os Ucranianos do Kherson, ao passo que o Sporting evita os eslovenos do Dobovec) e por fim a distribuição dos potes.

O pote 1 está reservado apenas para os líderes da Main Round, o pote 2 para os terceiros classificados dessa fase e os vencedores do caminho B, ao passo que o pote 3 fica para os segundos classificados da ronda principal. Teremos então que esperar até sexta para saber com exatidão quem calha em sorte ao SL Benfica e ao Sporting CP.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O que a vida tira, o que a vida dá

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No passado domingo, dia 13 de outubro, o nome de Brigid Kosgei (KEN) passou a estar nas bocas de todo o mundo – desportivo e não só! Sem que alguém o antecipasse, a atleta queniana correu a Maratona de Chicago em 2:14:04, um enorme e – até há bem pouco tempo – impensável recorde mundial feminino!

Muitos se surpreenderam com a marca que pulverizou um recorde que a maioria dizia “imbatível” e que pertencia à britânica Paula Radcliffe desde 2003, o que levou a que muitos britânicos (e não só) mostrassem a sua desconfiança – ou azedume – nas redes sociais. Alguns até com responsabilidades suficientes para perceberem que o silêncio vale ouro.

Mas, para além dessas sobrancelhas levantadas, a marca também chamou a atenção de personalidades como Barack Obama, que nas redes sociais parabenizou Brigid Kosgei (e Eliud Kipchoge) pelos feitos do passado fim-de-semana. Será que, quando abandonou a escola em 2012, Brigid pensou que, dentro de poucos anos, viria a ser parabenizada por um dos homens mais influentes do mundo? É pouco provável, mas é essa a beleza do desporto e a beleza da vida.

A MARATONA DE CHICAGO

Kosgei bateu um recorde que se dizia… ”imbatível”
Fonte: Chicago Marathon

Um dia depois do feito de Eliud Kipchoge em Viena, poucas atenções estavam centradas na Maratona de Chicago. O público habitual estava a acompanhar, mas é seguro dizer que a maioria dos casuals – e até dos aficionados – estava ainda mais preocupada em discutir a proeza de Kipchoge e qual o contributo da tecnologia para a obtenção da mesma. À passagem dos 8 km, Brigid Kosgei corria para um ritmo de 2:11 e foi aí que os alarmes soaram pelas redes sociais.

Quem não estava a acompanhar, de imediato procurou uma transmissão para assistir ao que poderia ser uma de duas coisas: ou caminhava-se para um recorde histórico ou iríamos ter uma enorme quebra na 2.ª parte do percurso, como já havia acontecido com Mary Keitany (KEN), anteriormente, em Londres. Kosgei quebrou um pouco, é verdade, mas os splits (de passagem à Meia) não enganam: a primeira metade da prova foi feita em 66:59 e a segunda em 67:05! Incrivelmente eficaz e consistente na sua estratégia, Kosgei afirmou no final que sentiu-se “bem” e decidiu ir por tudo, quebrando o recorde anterior por 81 segundos. Como comparação, quando Eliud Kipchoge correu os 2:01.39 de Berlim retirou 78 segundos ao recorde mundial!

A marca de Kosgei teve também o efeito de abafar totalmente a prova masculina, algo que não é habitual de se ver nas grandes Maratonas. Um queniano também venceu no masculino – Lawrence Cherono em 2:05:46 –, mas o facto mais relevante para muitos terão sido as dificuldades sentidas pelo britânico Mo Farah, que terminou em 8.º e mais perto da marca de Kosgei (4:06 mais rápido) que da de Cherono (4:13 mais lento)! Dos 35 km aos 50 km, Mo Farah correu em 23:35, enquanto que Brigid Kosgei fê-lo em 22:50!

AS REAÇÕES… AZEDAS

As reações de espanto foram imediatas. As reações de incredulidade também. E as reações negativas e azedas não ficaram atrás. Muitos de imediato culparam os ténis, claro. Os Vaporfly já eram por demais falados e tema habitual de conversa pela sua autoproclamada evolução, que muitos consideram “batota tecnológica” e, nas redes sociais, os utilizadores mais ativos nesta cruzada foram os que têm ligações às… marcas rivais. Ross Tucker – um dos mais conceituados cientistas do desporto – foi um dos mais apaixonados nas críticas ao modelo, com vários tweets nas horas seguintes à prova de Kipchoge e, mais tarde, Kosgei.

As condicionantes da Prova Rainha

Está aí à porta mais uma eliminatória da Taça de Portugal. Para quem não anda atento, já vamos na terceira ronda. Esta é uma eliminatória em que já entram as equipas da Primeira Liga, logo atrairá a atenção de um maior número de pessoas, numa semana exclusivamente dedicada à nossa prova rainha. E, porque é rainha, tem todo esse direito.

Vimos de uma semana eleitoral e de uma paragem para as seleções e por isso estamos com fome de bola, mas há que esperar mais uma semana para vermos aquilo de que mais gostamos: jogos das competições europeias e do campeonato. É um período demasiado prolongado admito, mas a Taça tem de se jogar e não é ela a culpada deste contexto. Contudo, existem alguns aspetos relacionados com o seu formato com os quais não concordo e penso que poderiam ser alterados, como por exemplo:

– Jogos ao fim de semana. Na minha opinião, todas as partidas deviam ser disputadas no fim de semana, neste caso ao sábado e domingo. Não faz qualquer sentido marcarem jogos para quinta e sexta à noite, ainda que existam clubes que disputam competições europeias. Neste caso, e uma vez que há um deles que joga na próxima quarta-feira, poderia muito bem jogar para a Taça no sábado à tarde e os restantes quatro – que apenas competem na outra quinta-feira – dividiam os seus jogos entre sábado e domingo.

Os tempos de descanso mantinham-se assegurados e haveria um maior interesse dos adeptos em ir ao estádio, uma vez que alguns destes jogos passariam a ser durante a tarde e ao fim de semana. Se queremos o conceito “festa da Taça”, então deviam ser criadas tais condições. Mas todos sabemos do poderio dos operadores de televisão e da possibilidade de os clubes pedirem para jogar num determinado dia. Por outro lado, não nos podemos também esquecer que dois dos conjuntos que vão competir na quinta e sexta-feira têm a sua preparação condicionada, devido aos jogadores ausentes nas seleções e que chegam pouco tempo antes das respetivas partidas.

Nesta eliminatória, as equipas da Primeira Liga não se podem defrontar
Fonte: Liga Portugal

Talvez por defrontarem equipas de divisões inferiores não se importem muito com este fator e optem por rodar os seus plantéis e dar minutos aos menos utilizados. Nada contra. No entanto, reside aqui outro aspeto com o qual não concordo e se poderia alterar:

– Sorteio puro. Nesta fase, os clubes da Primeira Liga têm de jogar na condição de visitantes, tal como aconteceu com os da Segunda Liga na ronda anterior. Com este formato, as equipas de escalões inferiores recebem as do escalão máximo e há sempre a possibilidade de haver surpresas. Porém, diminui-se a probabilidade destes conjuntos avançarem para a ronda seguinte, uma vez que o poderio das equipas teoricamente mais fortes tende a imperar. Apesar de os clubes mais pequenos poderem fazer uma boa receita, muitos ficam afastados da competição. O fator casa é normalmente visto como uma vantagem, mas julgo que este formato não é o mais correto.

Com o sorteio puro, todas as hipóteses ficariam em aberto e excluía-se a regra de os 18 primodivisionários jogarem todos fora, podendo até jogar entre si, tal como qualquer outra equipa presente. Existem sempre os prós e contras, mas penso que este tipo de sorteio faria mais sentido, tal como acontece a partir da próxima eliminatória, em que a equipa sorteada em primeiro lugar joga na qualidade de visitada.

No geral, penso que este tipo de formato, nesta eliminatória, apenas limita um maior número de clubes que competem em divisões inferiores de avançar na prova. Aliás, sou normalmente contra os condicionalismos nos sorteios, pois acaba por alterar a naturalidade e a essência, neste caso, do futebol.

Enquanto isso, venha de lá a Taça!

Foto de capa: FPF

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão