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Vitória à prova da bala de Caio!

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O SL Benfica continua a vencer e a convencer na pré-época. Na madrugada desta quinta-feira, os encarnados somaram mais uma vitória no segundo jogo da International Champions Cup frente à ACF Fiorentina por 2-1. Na Red Bull Arena em Harrison, Nova Jérsia, num jogo particularmente especial para Rui Costa, Seferovic (9’) e Caio Lucas (90+3’) marcaram os golos das águias, enquanto Vlahovic (29’) apontou o tento solitário dos violas.

Tudo correu bem do ponto de vista das dinâmicas de jogo, apesar de ser preciso sofrer até ao fim para vencer e somar mais três pontos na competição. A equipa entrou a pressionar alto e com intensidade atípica de pré-época, mas continuou a mostrar fragilidades defensivas, que permitiram aos italianos explorar espaço ofensivo e até chegar ao golo, que nasceu precisamente de um desentendimento no setor mais recuado do terreno.

Caio Lucas foi a grande figura, na medida em que entrou a 10 minutos do fim e resolveu o jogo que se preparava para ir a prolongamento. Mas não foi o único destaque a reter. A nova dupla Raul de Tomas/Seferovic voltou a estar sintonizada e a criar mossa no clube adversário. Desta vez, foi o espanhol que assistiu o suíço para o primeiro golo. Por outro lado, Chiquinho continuou a mostrar uma grande forma e cada vez mais se está a tornar um caso sério nas águias.

Caio Lucas estreou-se a marcar pelo Benfica num golo de grande qualidade
Fonte: SL Benfica

Entre os pontos fracos, Svilar não esteve bem entre os postes, ao facilitar por duas ocasiões no retomar da segunda parte, altura em que substituiu Zlobin. À medida que o mercado avança, é urgente contratar uma guarda-redes que, mesmo não sendo titular, possa ser um suplente que dê garantias. De momento, Svilar não tem esse perfil, pelo que deverá ser emprestado. Zlobin fez uma primeira parte competente e precisa de mais minutos para poder ser uma alternativa séria a Vlachodimos. Nesse aspeto, todos os dias surgem novos nomes para a baliza: Robin Olsen (Roma) e Simon Mignolet (Liverpool) são os mais recentes. Mas como nada está confirmado e não passam de rumores, não podemos contar de verdade com qualquer uma destas opções.

Acima de tudo, este foi mais um bom ensaio para a turma de Bruno Lage, que finaliza a passagem pelos Estados Unidos no próximo domingo com o último encontro na International Champions Cup frente ao AC Milan. Com duas vitórias, os encarnados somam seis pontos e estão no segundo posto, apenas atrás do Arsenal FC com sete.

Porém, o foco continua a ser o arranque da época na Supertaça frente ao Sporting CP, que se disputa no domingo, 4 de agosto, no Algarve. Com os últimos jogos de preparação, Bruno Lage tem mostrado mais certezas no que toca ao onze-tipo para 2019/2020. Raul de Tomas e Seferovic são a dupla de serviço no ataque e é provável que joguem frente ao Sporting. Na defesa, nada se altera. Se André Almeida continuar lesionado, Nuno Tavares assumirá o lugar de lateral-direito. No meio-campo, Samaris e Gabriel voltarão a fazer dupla, tal como Pizzi e Rafa Silva. Chiquinho, Caio Lucas e Florentino são fortes candidatos a entrar no decorrer da partida.

Com base nos últimos jogos e nas opções disponíveis, aqui fica a aposta para o primeiro onze oficial da época (frente ao Sporting):

Vlachodimos; Nuno Tavares, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Pizzi, Samaris, Gabriel e Rafa Silva; Seferovic e Raul de Tomas

Foto de Capa: SL Benfica

Luís Campos, o criador

A maior parte de nós conhece um dos milagres de Jesus Cristo sobre transformar água em vinho, pois bem, este artigo fala de um português que já proporcionou grandes transformações nos clubes onde passou.

Quando ouvimos falar de Luís Campos, associamos a sua passagem no futebol português como treinador de várias equipas em Portugal, o que muitos não sabem, é que Luís Campos é um dos directores desportivos mais cobiçados no mundo do futebol.

O percurso de Luís Campos como treinador parecia muito prometedor, um treinador jovem, com ideias de jogo novas mas rapidamente verificou-se que a sua vocação não era a de treinar. Conseguiu descer duas equipas na mesma época (Vitória de Setúbal e Varzim), e no ano seguinte voltou a relegar uma equipa para o segundo escalão, desta vez o Beira Mar. Poderemos dizer que a sua maior façanha tenha sido a vitória do seu Gil Vicente sobre o Futebol Clube do Porto de Mourinho, terminando com uma invencibilidade dos azuis e brancos que já durava à 27 jogos.

Então quem é este Luís Campos que é desejado pelas melhores equipas da Europa? E porquê este interesse?

Bem recuemos até à época de 2012 onde Luís Campos integra a estrutura do Real Madrid para a função de olheiro. Um ano foi o tempo que Luís Campos esteve em Madrid, um ano em que o português desenvolveu um novo software de scouting que o iria ajudar no futuro, o Scouting System Pro.

Uma das primeiras recomendações que fez foi precisamente a contratação de Fabinho (que actualmente é jogador do Liverpool), na altura emprestado pelo Rio Ave ao Real Madrid B, que mais tarde viria a juntar-se a Luís Campos no Mónaco. Luís Campos afirmou mesmo que Fabinho foi até agora a melhor contratação que fez na sua carreira, pois a evolução do brasileiro veio confirmar aquilo que o português viu nele quando ainda actuava no Paulina, no Brasil.

Fonte: AS Monaco

Com a mudança para o Mónaco o seu papel viria a revelar-se mais preponderante do que no Real Madrid. Inicialmente como coordenador técnico e  com o forte investimento que o clube presidido por Vadim Vasilyev iria fazer, Luís Campos com a ajuda do super agente Jorge Mendes levou consigo uma autêntica fornada de jogadores conceituados (Falcão, James Rodriguez, Moutinho), que ajudaram o clube monegasco a conquistar o título de campeão francês. O investimento (cerca de 150 milhões de euros) foi tal, que o clube francês teve que mudar bruscamente  a política de contratações na época seguinte, passando Campos para Director Desportivo e com uma mudança radical no mercado de transferências, passando a contratar jovens promissores e também a apostar na formação.

As contratações de Bernardo Silva ao Benfica (15M€),  Bakayoko ao Rennes, (8M€), Fabinho ao Rio Ave (6M€), Lemar ao Caen(4M€), e Benjamin Mendy do Marselha (13M€), são todos elas fruto do trabalho de Luís Campos na prospecção, e todos eles foram vendidos por valores muito mais altos do que foram comprados. Foi uma política que deu frutos financeiramente, e desportivamente, conseguindo um campeonato e meias finais da Champions.

Fonte: AS Monaco

Este sucesso levou a que o seu trabalho fosse muito apreciado pelos vários clubes espalhados pela europa fora. O próprio Luís Campos, depois da conquista do campeonato pelo Monaco, referiu que queria mudar de ares e procurar novos projectos.

E em 2017 Luís Campos deixaria o luxo do principado do Mónaco e mudava-se para o norte de França mais concretamente para Lille. Na bagagem o director português levava consigo todo o conhecimento ganho anteriormente e que iria ajudar na recuperação do Lille.

As coisas não correram bem  logo no início, isto porque entrou em rota de colisão com o então treinador, o mediático argentino Marcelo Bielsa por não terem a mesma visão sobre a política de contratações. Nessa época assinaram pelo clube francês jogadores como, Kevin Malcuit, Thiago Maia, Thiago Mendes, Nicolas Pepe entre outros.

Bielsa não duraria muito mais tempo saindo em novembro desse ano, e deixando o clube numa posição muito frágil na tabela classificativa. O Lille acabaria por garantir a manutenção com um ponto acima da linha de água.

Fruto dessa classificação, as contratações na época seguinte foram muito minuciosas, obrigando Luís Campos a usar muito bem o curto orçamento de transferências. Mesmo com o valor das vendas a chegar aos 64 milhões de euros, o clube apenas gastou 8.9 milhões de euros em contratações destacando-se a entrada de dois portugueses a custo zero, José Fonte e Rafael Leão.

Com todo o seu conhecimento do mercado e a sua experiência  na parte de directoria o Lille passaria de uma época para a outra, de um clube a lutar pela manutenção, a um clube vice-campeão e que irá disputar a Liga do campeões na próxima época.

Apenas numa época, o clube valorizou os seus activos sendo Rafael Leão e Nicolas Pepe grandes exemplos disso, ambos muito cobiçados neste mercado de transferências sendo que o costa marfinense muito provavelmente será das maiores vendas do clube, já o português também muito valorizado poderá render um bom encaixe financeiro, ele que assinou a custo zero.

É de facto fantástico e não se pode negar o dedo do português nestes projectos, desde o Real Madrid ao Lille, desde Fabinho a Nicolas Pepe, todo o trabalho protagonizado pelo português e pela sua equipa, tem obtido muitos dividendos, especialmente financeiros para os clubes que representa.

Não admira que o seu nome seja associado sistematicamente a vários clubes de renome.

Para muitos um guru, para outros um midas onde quer que  Luís Campos passe, essa equipa torna-se numa mina de ouro!

Foto de Capa: Lille OSC

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

De Beja para o mundo, um Caixinha de conquistas

Pedro Miguel Faria Caixinha, o alentejano que se fez treinador de futebol, mas que por cá não esteve muito tempo. De Beja para o mundo, Caixinha conta com o currículo bastante diversificado e na última semana atingiu um feito histórico.

Após as aventuras na Arábia Saudita, Grécia e Roménia como treinador adjunto, foi no regresso a Portugal que deu o primeiro grande passo na sua carreira: a estreia como treinador principal em escalões profissionais. Foi ao serviço da União de Leiria na temporada 2010/2011 que o técnico de 48 anos de idade começou a mostrar a sua qualidade, alcançando o objetivo principal do clube, a manutenção, terminado o campeonato na décima posição. Seguiu-se ainda uma passagem pelo Nacional e após apanhar o avião para a Madeira, Pedro Caixinha voltou ao estrangeiro e rumou ao México.

O Santos Laguna foi o clube que abriu as portas do futebol mexicano ao treinador português e nas três épocas que comandou a equipa de Torréon foram precisamente três as conquistas. Caixinha ainda orientou o Santos Laguna em 2015, mas após cinco derrtoas consecutivas, apresentou a sua demissão. Sem medo de novos desafios e publicamente assumido como entusiasta dos vários tipos de futebol, Pedro Caixnha concluiu essa época no Catar como treinador principal do Al-Gharafa não conseguido mais do que um pobre nono lugar nas contas finais dos campeonatos.

O Cruz Azul conquistou a Taça do México Apertura com Pedro Caixinha no comando técnico.
Fonte: Cruz Azul

Fazendo jus ao seu gosto pela viagem, o treinador que começou no Desportivo de Beja teve como novo destino a Escócia, naquele que foi o sexto país estrangeiro onde treinou. Ao assumir o cargo de treinador do Rangers, aceitou a missão dificílima de destronar o poderoso Celtic, mas não levou a melhor sobre a hegemonia do futebol escocês e concluiu a temporada na terceira posição.

Em Glasgow também não deu garantias de estabilidade e por isso regressou ao país que mais lhe fez feliz, o México.

Atualmente ao serviço do Cruz Azul do México, clube que orienta desde 2017, Caixinha entrou para a história do futebol mexicano ao tornar-se o primeiro treinador a conquistar todas as competições do país.

Num palmarés individual que já continha a Liga Mexicana Clausura, Taça México Apertura, Taça Campéon de Campeones México, Pedro Caixinha juntou a Supercopa do México, no passado Domingo.

Numa partida disputada em Carson na Caifórnia, o Cruz Azul defrontou o Necaxa e com uma prestação de excelência, goleou o adversário por 4-0.

Logo aos 20 minutos, o argentino Caraglio inaugurou o marcador da partida que ao intervalo já assinalava 2-0 após o golo de Elias Hernández aos 44 minutos.

No segundo tempo, confirmando o total domínio da partida, os comandados de Caixinha apontaram à humiliação e com os golos de Édgar Mendez e Juan Escobar estabeleceram o resultado final.

O Cruz Azul já disputou o seu primeiro jogo oficial da época 2019/2020 foi precisamente frente ao Necaxa a jornada inaugural da Apertura 2019, contudo o desfecho da Supercopa não se repetiu e registou-se um empate.

Pedro Caixinha já conhecedor do futebol mexicano reúne o agrado da massa associativa do Cruz Azul e promete uma equipa competitiva nesta temporada, ambicionando a conquista de mais títulos.

Foto de Capa: Cruz Azul

artigo revisto por: Ana Ferreira

O que esperar dos principais candidatos ao título na época 19/20?

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Nos últimos anos o Andebol português tem, em algumas situações, sofrido uma evolução significativa o que leva a que o Campeonato Andebol 1 da próxima época seja um dos mais apetecíveis dos últimos anos. E com uma grande incógnita: quem leva o título? Vamos, então, analisar o que os três grandes andam a preparar durante o defeso, começando pelo Campeão Nacional.

O FC Porto vem de uma época muita positiva, onde conquistou uma dobradinha e fez a melhor prestação de uma equipa portuguesa na EHF Cup. Os Azuis e Brancos estão em testes físicos até dia 26 e depois partem para um estágio na Alemanha por 10 dias, voltando para Portugal para participar no Torneio de Gaia e no Torneio Internacional de Viseu. A época oficial começa dia 25 de agosto com a Supertaça frente ao Águas Santas.

Neste momento ainda não existe qualquer reforço. Em termos de saídas, as mais marcantes são as de Alexis Borges para o Montpellier, Leandro Semedo para o Helvetia Anaitasuna e o empréstimo da jovem promessa Diogo Silva ao RK Celje. Deste modo, há uma clara aposta na continuidade, apenas com uma saída marcante, mas jogadores com Iturriza e Daymaro Salina serão suficientes para colmatar essa saída.
Será que Magnus Andersson conseguirá levar o FC Porto ao Bicampeonato?
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Já o Sporting CP começou a pré-época ao comando do novo treinador Thierry Anti esta segunda-feira. Ainda não há notícias acerca dos jogos de preparação, mas os objetivos para esta época são bem claros: ser campeão e um bom percurso na Champions. Deste modo surgem as contratações do jovem Gonçalo Vieira e de Nemanja Mledanovic. A única saída de nota é a do experiente Cláudio Pedroso para a Madeira SAD. Sendo assim, o Sporting mantém o núcleo duro da equipa e adiciona qualidade no cargo de treinador e com dois reforços “cirúrgicos”.

O Sporting CP certamente contará com o apoio dos seus adeptos para tentar reconquistar o Campeonato
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Seguimos para o outro lado da Segunda Circular, onde o Benfica se prepara para atacar mais uma época. Este ano, a construção do plantel foi um pouco diferente, juntando experiência e juventude nas adições efetuadas ao plantel.

Regressaram à equipa Gustavo Capdeville (guarda-redes), Francisco Pereira (central) e Daniel Neves (universal). As contratações foram: central internacional angolano Romé Hebo, lateral esquerdo internacional sérvio Petar Djordjic, lateral espanhol Carlos Molina e o pivot internacional dinamarquês René Toft-Hansen. Saíram da equipa Hugo Figueira, Alex Cavalcanti, Ales Silva, Arthur Patrianova e Stefan Terzic.

De certa forma, foi “limpo” o balneário: Ales Silva, Arthur Patrianova e Stefan Terzic eram três estrangeiros que pouco adicionavam à equipa desportivamente, devido aos problemas de lesões e pesavam na folha salarial; Hugo Figueira está em fim de carreira e Alexandre Cavalcanti recebeu uma proposta irrecusável do Nantes.

As contratações foram todas de alto nível e os jovens que regressam têm imensa qualidade e potencial. Esta deve ser o melhor plantel do SL Benfica nos últimos anos e poderá ser uma das últimas oportunidades para Carlos Resende reconquistar o título.

Carlos Resende tem este ano uma das últimas oportunidades para cumprir o objetivo para que foi contratado: ser Campeão Nacional
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O próximo campeonato será um dos mais competitivos dos últimos anos e será muito interessante ver quem consegue ser mais regular e levar o título para casa. Os adeptos não vão querer perder um único jogo.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Adversários de SC Braga e Vitória SC na 3.ª eliminatória da Liga Europa

Na passada segunda-feira, realizou-se na sede da UEFA, em Nyon, na Suiça, o sorteio da Liga Europa tendo o SC Braga e o Vitória SC ficado a conhecer os respectivos adversários na 3.ª eliminatória da Liga Europa. Os dois clubes minhotos tiveram o estatuto de cabeças de série no sorteio.

Os arsenalistas jogarão contra o vencedor do duelo entre o Legia Gdansk (Polónia) e o Brondby IF (Dinamarca), já os vimaranenses terão pela frente ou o FK Ventsplis (Lituânia) ou o Gzira United (Malta).

De referir que as duas equipas minhotas têm de vencer não só a 3.ª eliminatória, mas também os play-offs que se seguem. O Sporting CP, vencedor da última edição da Taça de Portugal e terceiro classificado da Liga NOS, tem entrada directa na fase de grupos.

Entre os possíveis adversários que poderiam encontrar nesta 3ª eliminatória aos dois clubes do Minho, penso que os mais difíceis ou, pelo menos, os mais “cotados” calharam ao SC Braga. Importa também referir que ambos os clubes lusos irão disputar a primeira mão fora de casa.

Entre os dois possíveis adversários dos bracarenses, o Brondby é o que tem um historial mais sonante. O clube do subúrbio ocidental de Copenhaga, que na época passada foi quarto classificado da Superligaen, conquistou o campeonato dinamarquês por 10 vezes, venceu sete Taças da Dinamarca e duas Taças Intertoto. Por outro lado, foi o primeiro e único clube dinamarquês a alcançar uma meia-final de uma competição europeia quando, em 1991, apurou-se para a meia-final da anteriormente designada Taça UEFA.

Entre os seus jogadores, merecem destaque os médios alemães Hany Mukhtar (que chegou a pertencer aos quadros do SL Benfica) e Dominik Kaiser e, na frente do ataque, o avançado polaco e capitão da equipa, Kamil Wilczek.

O Lechia Gdansk, apesar de não ter o historial do Brondby, vem de uma época 2018/2019 muito positiva: foi o terceiro colocado Ekstraklasa (principal escalão do futebol polaco) e venceu a Taça da Polónia. A formação polaca conta no seu plantel com o avanço português Flávio Paixão que esteve em grande destaque na época passada: na final da Taça da Polónia frente ao Jagiellonia Bialystok, Paixão fez a assistência para o golo decisivo, concretizado aos 90+6’ por Sobiech. Romário Baldé (ex-Académica) é outro conhecido do futebol português que milita no clube polaco. Merece igualmente destaque o jovem avançado internacional pela Eslováquia, Lukas Haraslin.

O que o Brondby e o Lechia Gdansk têm em comum é que ambos já iniciaram as suas competições internas, ao contrário do SC Braga. Veremos se este factor poderá ou não influir na decisão da eliminatória. Ainda assim, tudo indica que os arsenalistas partirão para esta fase da Liga Europa com inteiro favoritismo.

Pode-se dizer que o Vitória SC foi mais feliz no sorteio: os seus dois possíveis adversários militam em campeonatos muito pouco cotados a nível europeu e por isso a turma de Ivo Vieira é assumidamente favorita.

O FK Ventspils é o vice-campeão e finalista vencido da Taça da Letónia, e ocupa actualmente a quarta posição da Virsliga, a 11 pontos do líder o Riga FC. O Ventspils foi o primeiro clube letão a alcançar uma fase de grupos de uma competição em 2009-2010, tendo ficado, curiosamente, no mesmo grupo do Sporting CP. Na formação letã é de realçar o médio defensivo brasileiro João que veio como reforço a custo zero do Joinville EC (Brasil) e o avançado nigeriano Tosin Aiyegun.

No que concerne o Gzira United, há quem diz que esta formação maltesa chega a esta fase da Liga Europa após eliminar com surpresa o Hadjuk Split (Croácia) com uma vitória fora de casa por 3-1, depois de ter sido derrotado em casa por 2-0, sendo que em Split o Gzira marcou o terceiro golo decisivo a 20 segundos do fim! Ao contrário do campeonato da Letónia, o campeonato de Malta ainda não se iniciou. Na época passada, o Gzira foi terceiro colocado na tabela classificativa.

Na formação orientada pelo ex-jogador Giovani Tedesco destaca-se, desde logo, o avançado senegalês Hamed Koné que bisou em Split, tendo marcado o tal golo decisivo a segundos do fim, mas também o avançado brasileiro Jefferson.

Hamed Koné em destaque no triunfo histórico dos “Maroons”
Fonte: Gzira United FC

Todavia enquanto que o SC Braga tem entrada assegurada nesta fase da competição; o Vitória SC ainda terá de ultrapassar a segunda eliminatória da prova em que medirá forças com o Jeuness Esch já hoje no Luxemburgo para disputarem a primeira mão.

É importante que as duas equipas portuguesas consigam carimbar o respectivo passaporte até chegarem à fase de grupo da Liga Europa, pois a posição portuguesa no ranking europeu também depende – e muito – destes jogos.

Foto de Capa: Liga Europa

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

Liverpool FC 2-2 Sporting CP: Leão com teste positivo frente ao campeão europeu

O Sporting CP continua em digressão para preparar a nova época e desta vez o Yankee Stadium, em Nova Iorque, foi o palco do quarto teste leonino de pré-temporada.

O adversário foi, nada mais e nada menos, que o atual campeão europeu e vice-campeão inglês Liverpool FC. O resultado espelha na perfeição aquilo que foi a partida: golos, intensidade, muitas oportunidades e um bom espetáculo. Também por isso foi um bom jogo de preparação em que nenhuma equipa merecia perder. E assim foi, apito final e o troféu foi partilhado e levantado, em simultâneo, pelos capitães das duas equipas.

Não há nada melhor que trabalhar sobre a matéria sólida e inebriante que as vitórias emanam, mas, nesta fase, recuperar os índices e o foco competitivos, integrar as novas individualidades e sobretudo adquirir as rotinas e dinâmicas condizentes com as ideias de jogo idealizadas pelos treinadores são bem mais importantes que os resultados obtidos. É nesta fase que os erros, testes e experiências têm o seu espaço de tolerância num desporto cada vez mais exigente, impaciente e intolerável.

As duas equipas encontram-se em fases de preparação similares: já disputaram alguns encontros, não deslumbraram e ainda não contam com alguns dos seus principais executantes, que estão de férias, entre os quais se destacam as ausências de Acuña do lado leonino e de Alisson, Salah, Firmino e Mané, do lado inglês. Ainda assim, ambos os treinadores procuraram alinhar de início esboços próximos do que serão os seus onzes para a temporada que se avizinha. É de destacar também que muitas das peças lançadas de início transitam dos onzes privilegiados por ambos técnicos na temporada passada, uma vez que Neto e Vietto foram os únicos reforços a pisarem o relvado de início.

Para esta partida, Keizer promoveu algumas alterações estruturais na disposição dos jogadores leoninos no relvado. O desenho tático assentou num claro 4-4-2 ao invés do habitual 4-3-3, no qual Vietto deixou a ala esquerda, onde tem sido opção, para jogar na frente com Luiz Phellype mas com total liberdade de movimentos para descair nos corredores e a infiltrar-se entre linhas. Assim, Bruno Fernandes foi deslocado para o corredor esquerdo.

Aliás, foi a partir de uma movimentação da esquerda para o interior que, à passagem do quarto minuto, Bruno Fernandes fez mira na baliza “red” e desde fora da área – com a generosa contribuição de Mignolet – fez o primeiro da partida. O Liverpool não demorou na resposta e endossou vários cruzamentos perigosos que se passearam pela área verde e branca, contudo sem efeitos práticos. Aos poucos, os “reds” iam tomando conta do jogo e no momento defensivo o 4-4-2 leonino tornava-se evidente.

Aos 17 minutos chegou o primeiro aviso real dos campeões europeus: canto batido por Alexander-Arnold ao qual Van Dijk correspondeu com uma forte cabeçada, mas Renan, atento, defendeu. Dois minutos depois, o guarda redes leonino bem tentou repetir a façanha, mas o Liverpool fez mesmo o empate. Passe longo a sobrevoar o campo de uma metade à outra, Ilori falha na abordagem e na sequência a bola é cruzada para o cabeceamento de Henderson, ao qual Renan respondeu eficazmente, mas na recarga Origi só teve de encostar.

Com o passar dos minutos, ambas as equipas mostravam confiança e qualidade com a bola, procurando manter a posse e contruir de forma apoiada as suas jogadas. No momento defensivo, o Liverpool procurava ter as linhas subidas, pressionando constantemente – bem ao estilo que as equipas de Klopp nos habituaram – para recuperar a bola o mais rápido possível. O Sporting recuava mais as suas linhas, empurrados também pelo ímpeto inglês, mas ativava uma pressão mais intensa quando os “reds” tentavam progredir.

Foi, sobretudo, através desses momentos que os leões se aproximaram da baliza adversária. Primeiro, no decorrer do minuto 26, uma recuperação e saída rápida resultaram num remate repentino de Luiz Phellype ao lado do poste. De seguida, a pressão leonina, efetuada de forma eficaz, forçou o erro na saída do Liverpool e após uma breve combinação, Wendel tirou um adversário da frente e rematou da meia-lua ao poste de Mignolet.

O Sporting ameaçava, mas não materializava as suas oportunidades em golo e outra prova disso foi a flagrante oportunidade de que dispôs Ilori, à boca da baliza, logo de seguida. Como diz a velha máxima do futebol “quem não marca, sofre”, dito e feito, mesmo antes do intervalo. Mais um passe longo e a mesma má abordagem do hoje (mais uma vez) lateral direito Ilori, Wijnaldum ficou só com Renan pela frente e consumou a reviravolta no marcador. Ainda no último lance da primeira metade, Vietto teve uma dupla oportunidade na pequena área mas Mignolet agigantou-se e segurou a vantagem.

Chegava ao fim uma primeira parte com um ritmo muito elevado sobretudo tendo em conta de que se tratava de um jogo de preparação. O Sporting dispôs de várias oportunidades mas defensivamente voltou a comprometer. Já o Liverpool, ainda sem contar com as suas principais referências, foi igual a si próprio na verticalidade e pressão incessante exercidas.

Wijnaldum remata para o 2-1
Fonte: Liverpool FC

A segunda parte iniciou-se na mesma toada e depois de alguns remates desenquadrados de parte a parte, o Sporting conseguiu restabelecer o empate a dois golos. Jogada rápida de entendimento de Bruno Fernandes e Wendel ao longo do meio campo adversário, com toque decisivo do recém entrado Thierry Correia e com o capitão leonino a assistir o brasileiro que, em jeito, fez balançar as redes já dentro da área adversária.

A resposta inglesa foi imediata e aos 56 minutos, Van Dijk cabeceou ao poste na sequência de um canto. Com o passar dos minutos, começaram a ser efetuadas várias substituições e o jogo ia baixando de ritmo gradualmente. Com as alterações promovidas, os pupilos de Keizer passaram para um 4-2-3-1 bem definido, onde Raphinha e Jovane assumias as faixas, Dost sozinho na frente e Bruno Fernandes regressava a uma posição mais central.

Posteriormente, entraram vários jovens em ambas as formações, as paragens e faltas tornaram-se mais frequentes e o jogo partiu-se por momentos. Numa dessas transições rápidas e constantes, Raphinha saiu disparado na frente, fletiu para dentro, mas Mignolet travou o remate cruzado à flor da relva. O jogo encaminhava-se para o final, as duas equipas estavam completamente descaracterizadas e poucos mais foram os lances dignos de registo.

O empate não viria a ser desfeito e o Sporting voltou a não ganhar, porém a exibição leonina foi das melhores – senão a melhor – desta pré-temporada, e logo contra o adversário com mais valor individual e coletivo. Os leões jogaram soltos, geraram várias oportunidades e jogaram com as garras bem visíveis. Negativamente é de destacar o pouco aproveitamento dessas oportunidades e as fragilidades defensivas que voltaram a custar golos sofridos.

É evidente que Keizer tem ainda muito trabalho pela frente e várias decisões a tomar, mas houve melhorias assinaláveis sobre o relvado americano e frente ao campeão europeu em título.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Liverpool FC – Mignolet, Alexander-Arnold (Joe Gomez 62’), Matip (Van Den Berg 90’), Van Dijk (Lovren 80’), Robertson (Kent 63’); Fabinho, Henderson (Jones 77’), Wijnaldum (Lallana 76’); Milner (Brewster 79’), Origi e Oxlade-Chamberlain (Wilson 65’).

Sporting CP – Renan, Ilori (Eduardo Quaresma 83’), Neto (Coates 61’), Mathieu (Nuno Mendes 78’), Borja (Thierry Correia 45’); Doumbia (Miguel Luís 78’), Wendel (Eduardo 84’), Bruno Fernandes (Daniel Bragança 84’); Raphinha (Gonzalo Plata 85’), Vietto (Jovane Cabral 63’) e Luiz Phellype (Bas Dost 62’)

Primeiro obstáculo europeu

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Apesar de ser um clube recente, formado apenas em 2008, os russos do FK Krasnodar têm revelado consistência suficiente para se afirmarem com autoridade no futebol russo e, mais recentemente, no panorama europeu. É este o primeiro obstáculo dos azuis e brancos na busca pelos milhões. Uma viagem muito longa até ao extremo sul da Rússia, marcada já para daqui a duas semanas, que vai exigir um FC Porto competitivo de forma a trazer as decisões bem encaminhadas para o jogo do Dragão.

Com onze anos de história, o FK Krasnodar rapidamente ascendeu ao topo do futebol russo, onde chegou em 2011, para aí se solidificar e evoluir. Nas últimas cinco épocas classificou-se sempre nos primeiros cinco lugares, tendo, em 2018/19, ficado na terceira posição, com os mesmo pontos que o Lokomotiv Moscovo, que ficou em 2.º lugar.

Sergey Galitsky, multimilionário de 51 anos, tem a sua quota-parte no sucesso recente do clube, através de um grande investimento que tem permitido ao FK Krasnodar, entre outros, ombrear com clubes da alta roda do futebol europeu. Na última época, por exemplo, foi responsável pela eliminação do Sevilha FC, ainda na fase de grupos, e do Bayer Leverkusen, já nos dezasseis avos de final da Liga Europa. A eliminação surgiria nos oitavos, aos pés do Valencia CF, mas apenas nos descontos.

A aposta na continuidade tem sido um dos pontos fortes da consolidação dos russos que vêm segurando, época após época, as principais referências da equipa. Ainda assim, duas das figuras do último campeonato já não moram no clube, como são os casos de Kaboré e Mauricio Pereyra. Para os seus lugares, contudo, os russos investiram nas contratações de Kambolov, Younes Namli e Kaio (ex Santa Clara), para além das novas figuras da equipa, Marcus Berg e Tonny Vilhena. Este último, de resto, já foi decisivo no último jogo, ao oferecer a vitória frente ao FK Ufa.

Sérgio Conceição trabalha no sentido de ter um onze forte para o confronto com os russos
Fonte: FC Porto

Ora, este é também um aspecto que poderá influenciar, de alguma maneira, o duplo confronto entre portistas e russos. A equipa russa já vai numa fase bem mais adiantada da sua preparação, tendo até já iniciado a época de forma oficial com dois jogos já realizados no campeonato russo (uma vitória e uma derrota). Para o FC Porto, o duelo com o FK Krasnodar será o primeiro de forma oficial e os índices físicos e mentais, ao contrário dos russos, podem ainda não estar ao nível da exigência da Liga dos Campeões. Sérgio Conceição quererá, contudo, minimizar essas diferenças.

Já aqui falamos do facto de o FK Krasnodar ter apostado na continuidade e estabilidade do seu plantel nos últimos anos, o que contrasta com a nova realidade azul e branca, que vê a necessidade de fazer suprir a perda de cinco titulares absolutos em relação à última época, como são os casos de Casillas, Militão, Felipe, Herrera e Brahimi.

Um ponto a favor dos dragões será o facto de o conjunto russo ser um ‘velho conhecido’ de uma das caras novas do plantel às ordens de Sérgio Conceição. Zé Luís esteve quatro anos na Rússia e, para além de estar familiarizado com o valor do adversário, tem nele uma das suas vítimas favoritas.

A primeira mão desta terceira pré-eliminatória joga-se na Rússia, a 7 de agosto. Já a segunda mão terá lugar no Estádio do Dragão, no dia 13 do mesmo mês.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Portugal 37-36 Alemanha: Uma geração que nos permite sonhar

Após o terceiro lugar na fase de grupos, a sorte foi madrasta e ditou um encontro com a toda poderosa Alemanha. Se quisesse seguir em frente, Portugal teria certamente de fazer o melhor encontro do torneio. Uma maior agressividade defensiva seria um aspeto chave para a seleção portuguesa eliminar a Alemanha.

AGRESSIVIDADE DEFENSIVA CHAVE DO SUCESSO

Portugal até nem entrou bem e rapidamente se viu com uma desvantagem de dois golos. No entanto, e após Luís Frade ter sido excluído por dois minutos, os jovens portugueses mesmo em inferioridade numérica conseguiram recuperar dessa situação a e passar para à frente do marcador pela primeira vez.

Uma nota para a boa prestação defensiva que Portugal ia mostrando. Se nos outros encontros a seleção portuguesa tinha demonstrado bastantes debilidades defensivas, hoje o cenário era completamente diferente. Os jogadores portugueses estavam bastante mais agressivos e pouco era o espaço concedido aos jogadores alemães.

A seleção lusa entrou mais agressiva na partida e ia mostrando que queria passar à próxima fase
Fonte: IHF

Aos 11 minutos, Luís Frade fazia o 5-4 para a seleção portuguesa, após um passe do outro mundo de Diogo Silva. No que ao capítulo ofensivo diz respeito, a seleção portuguesa estava a explorar com bastante eficácia o jogo com o pivot.

Nem 20 minutos estavam decorridos e Portugal já contava com três exclusões, contra apenas uma dos alemães. A verdade é que este aspeto estava certamente relacionado com a agressividade defensiva que os portugueses iam demonstrando.

DESCONCENTRAÇÕES CUSTARAM VANTAGEM

Quem não estava nada satisfeito era o selecionador alemão, que não tardou a pedir o primeiro desconto de tempo da partida. No entanto, a Alemanha continuava com bastantes dificuldades para parar os internacionais portugueses. Com 20 minutos decorridos, Portugal alcançava uma vantagem de três golos.

No entanto, e quando tudo parecia correr bem para os lados nacionais, os alemães foram progressivamente recuperando e chegaram mesmo e empatar a partida. O resultado ao intervalo era de 14-14.

Destaque para as exibições de Gonçalo Vieira e Luís Frade. O central ia pautando o jogo de Portugal com serenidade e decidindo quase sempre bem. Por outro lado, o pivot português contribuía tanto no aspeto ofensivo como defensivo.

ENTRADA FORTE PERMITIA SONHAR

Após um final de primeiro tempo pouco conseguido, os jovens portugueses entraram novamente muito fortes. Manuel Gaspar ia somando um par de boas defesas e Gonçalo Vieira continuava a deixar a defesa alemã aos papéis. Contudo, a Alemanha ia mostrando o porquê de ser uma das favoritas à conquista do título e respondeu e chegou mesmo a igualar a partida.

Por esta altura, estava a ser um encontro bastante intenso em que ambas as equipas percebiam a importância de conseguir uma vantagem para os últimos minutos. Aos 13 minutos da segunda parte, o resultado era de 20-20.

O equílibrio entre as duas seleções era evidente na partida, estando por diversas vezes empatada
Fonte: IHF
Uma nota para André Gomes. O jogador do FC Porto é literalmente capaz do melhor e do pior. Na segunda parte, por exemplo, o internacional português não teve qualquer problema em assumir o jogo e chamar para si as decisões mais complicadas. No entanto, o jovem português tanto toma a melhor decisão como é capaz de fazer um passe sem qualquer nexo. Se amadurecer, tem tudo para ser um dos melhores jogadores da sua geração.

MUITA EMOÇÃO E POUCA RAZÃO

Entrávamos para os últimos 10 minutos com o marcador igualado. O equilíbrio era a nota dominante num encontro que estava a ser, na minha opinião, um dos melhores encontros do torneio.

Portugal conseguiu uma ligeira vantagem e teve tudo para seguir em frente, mas os jogadores portugueses precipitaram-se e deixaram que os alemães levassem o jogo para o prolongamento. Foram momentos dramáticos em que Luís Frade chegou mesmo a marcar o golo que daria a passagem aos quartos-de-final, mas a equipa de arbitragem anulou esse mesmo golo pois o tempo já haveria terminado.

GERAÇÃO DE OURO

No prolongamento, Portugal voltou a entrar mais forte e cedo conseguiu uma vantagem de dois golos. Gonçalo Vieira ia aproveitando para marcar alguns golos com elevada nota artística, nomeadamente um extraordinário remate de anca. Começavam a faltar palavras para descrever a exibição do português. No final da primeira parte, Portugal vencia por 34-33.

Portugal precisou do prolongamento para conseguir ultrapassar o muro alemão
Fonte: IFH

Numa segunda parte imprópria para cardíacos, Portugal haveria mesmo de conseguir seguir em frente. Foi uma exibição irrepreensível dos comandados de Nuno Santos. Após algumas exibições menos conseguidas na fase de grupos, os jovens portugueses mostraram todo o seu potencial ao eliminar a toda poderosa Alemanha.

O próximo adversário será a Eslovénia, que soma apenas vitórias até esta fase da competição. Resta-nos continuar a sonhar com um inédito título mundial desta geração.

Portugal 4-0 Rep. da Irlanda (sub19): Domínio coletivo assinado por Gonçalo Ramos

De olhos postos no jogo decisivo do Campeonato da Europa, as seleções sub19 de Portugal e República da Irlanda defrontaram-se na primeira meia-final da competição, disputada na Arménia. A turma lusa chegava a este encontro após uma vitória de 4-0 sobre a equipa anfitriã, assegurando o primeiro lugar do grupo A. Por seu lado, os irlandeses vinham de uma vitória pela margem mínima (2-1) ante a República Checa, que lhes garantiu o segundo lugar do grupo B, atrás da França.

Portugal, conforme se esperava, assumiu desde início o controlo da posse de bola, procurando variações rápidas de flancos e ataques velozes, de forma a tentar desmontar o “autocarro” estacionado pelos irlandeses em frente à baliza de Maher. Com certeza conhecedores do facto dos três golos sofridos pela Irlanda no torneio terem partido de cruzamentos pela direita da sua defesa, os jogadores portugueses iam apostando sobretudo na exploração desse corredor, com Tomás Tavares e Félix Correia em evidência.

Apesar do “banho de bola”, cortesia dos lusitanos, as oportunidades claras tardavam em aparecer, sobretudo devido à enorme quantidade de homens que a equipa irlandesa colocava atrás da bola. O primeiro remate com algum perigo surgiu ao minuto 22, pelo criativo Fábio Vieira, que, perante tanta dificuldade em conseguir entrar na área oposta, apostou numa tentativa a meia distância, passando a poucos centímetros do poste da baliza adversária.

Ao minuto 30, nova oportunidade para a equipa nacional marcar, desta vez soberana: após um exímio domínio de Fábio Vieira, a bola chega a João Mário, que tira subtilmente um adversário do caminho, tendo este recorrido à falta e “oferecendo” uma grande penalidade a Portugal. Chamado a marcar, o capitão Vitor Ferreira converteu com tranquilidade, tal como havia acontecido frente à Arménia. Estava “quebrada” a “muralha” irlandesa.

Esperando-se que a Irlanda passasse a subir linhas e a procurar o golo do empate, essa resposta foi imediata, com dois lances muito perigosos: primeiro, através do criativo Coffey, com um remate tirado em cima da linha pelo lateral direito Costinha; logo a seguir, foi o médio-centro McGuiness a “disparar” forte, sendo desta feita a barra a “salvadora nacional”. Os irlandeses criaram mais perigo entre os minutos 34 e 36 do que em todo o resto do jogo, até então.

No entanto, a “equipa das quinas” não se deixou intimidar e voltou a pegar no jogo (com a ajuda da pausa para hidratação, ao minuto 37, que permitiu serenar os ânimos), tendo agora mais espaço para explorar nas costas da defesa da Irlanda.

Aproveitando esse espaço, bem como os oito minutos de compensação dados pelo árbitro estónio Kristo Tohver, o sempre irrequieto João Mário avançou pela ala esquerda e tirou o cruzamento para a área, ao qual o ponta-de-lança Gonçalo Ramos correspondeu afirmativamente, fazendo jus ao papel de número 9 que lhe foi atribuído. O 2-0 não podia ter surgido em melhor altura, levando Portugal para o descanso com uma vantagem mais confortável, mas alertados para a capacidade do coletivo irlandês.

Portugal foi para o intervalo a ganhar 2-0 na partida
Fonte: UEFA

O segundo tempo iniciou com um ritmo mais calmo, sobretudo devido às elevadas temperaturas que se têm feito sentir. Até ao minuto 60, os jogadores pareciam andar em ritmo de passeio, mas foi nesse momento que os “miúdos” portugueses decidiram acabar de vez com as esperanças irlandesas. O pensador Vitor Ferreira recuperou a bola e abriu para a direita, onde João Mário repetiu a parceria com Gonçalo Ramos, que confirmou o estatuto de “pistoleiro” desta geração ao assinar o 3-0, tanto na frente da baliza como no momento da celebração.

A partir deste momento, a prioridade do selecionador Filipe Ramos passou a ser o descanso e a recuperação física das principais figuras da equipa, poupando Vitor Ferreira e João Mário, entre outros, do esforço que seriam os 90 minutos. Quanto ao jogo, e apesar das mudanças, Gonçalo Ramos ainda não tinha acabado o espetáculo, e só descansou de vez quando assinou o “hat-trick”, com uma finalização no canto inferior esquerdo da baliza irlandesa, desferindo o remate já dentro da área.

Uma exibição sólida e com um “show” de posse de bola dos jovens pupilos lusitanos faz com que sigam para a final do próximo sábado, aguardando o vencedor do encontro entre Espanha e França. Venha quem vier, esta seleção terá pela frente uma tarefa mais complicada que a de hoje, mas uma equipa que detém o melhor ataque da prova só pode ter boas perspetivas para o futuro. Resta trazer o “caneco” para o nosso Portugal!

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Portugal – Celton Biai; Costinha; Gonçalo Cardoso; Gonçalo Loureiro (Levi Faustino, 81’); Tomás Tavares; Diogo Capitão; Vitor Ferreira (Samuel Costa, 69’); Fábio Vieira (Rodrigo Fernandes, 76’); Félix Correia (Daniel Silva, 76’); João Mário (Tiago Gouveia, 69’); Gonçalo Ramos.

Rep. da Irlanda – Maher; Lyons; McEntee; McGuiness; Ledwidge; Hodge (Omobamidele, 81’); Kavanagh (James, 46’); Coffey (Grant, 67’); Brennan (Ebosele, 42’); Everitt (Wright, 81’); Reghba.

Solução em casa e em conta

Desde que Iker Casillas sofreu um enfarte do miocárdio, muito se tem especulado sobre o destino da baliza azul e branca na próxima época. Com um final de carreira prematuro anunciado, os alarmes soaram e a SAD, a julgar pela imprensa publicada, colocou mão à obra na procura de um jogador com créditos firmados que pudesse suprir a ausência do guarda-redes espanhol. Vários nomes foram apontados. De Navas a Buffon, de Koubek a Rulli, a terminar no mais recente Kevin Trapp. Todos eles falados, alguns deles quase anunciados. A verdade é que, até à data, nenhum reforço para a posição foi apresentado. Posto isto, há uma pergunta que parece inevitável. E se não chegar ninguém?

Há sensivelmente um mês advoguei neste espaço que uma eventual aposta em Buffon seria contraproducente. Um luxo demasiado caro para o retorno que traria. Nesse mesmo artigo, terminei apontando Diogo Costa como titular da baliza portista. E disse-o porque acredito que se enquadra no perfil de jogador que acredito mais consentâneo com a realidade do clube, seja para que posição for. Um jogador jovem, com qualidade e margem de progressão, capaz de trazer mais valias desportivas e financeiras e com um custo acessível. Foi sob estes alicerces que se construíram as melhores equipas do FC Porto e deve ser, de novo, essa a estratégia. A juntar a isto tudo, exige-se uma aposta consistente na formação, sem a qual dificilmente os clubes portugueses conseguirão continuar a ser competitivos.

Ora, Diogo Costa preenche todos estes requisitos. É verdade que lhe falta a tão proclamada experiência, mas eu, leigo que sou, acredito que esse chavão é muitas vezes sobrevalorizado e não mais do que uma desculpa de mau pagador para justificar a falta de aposta na formação. A experiência adquire-se jogando e Diogo Costa não seria o primeiro jogador a entrar na equipa titular do FC Porto sem ter a tal “experiência”. Não seria sequer o primeiro guarda-redes. Sem querer entrar em comparações, todos nos lembramos de um tal de Vítor Baía. Não compactuo com o critério de número de jogos, sou um fervoroso adepto da qualidade.

Terminado o estágio no Algarve, resta um jogo de preparação antes do início oficial da época
Fonte: FC Porto

Assim, uma das boas notícias do estágio do FC Porto no Algarve prende-se com a aposta consistente no jovem guarda-redes da formação portista. No frente a frente com Vaná parece ter tomado a dianteira e só deverá ser afastado da titularidade se a SAD acabar por ir mesmo ao mercado contratar uma vaca sagrada. Não se pode dizer que o jogador tenha estado em particular destaque, é certo. Em boa verdade foram poucas as ocasiões que teve para brilhar. Fica na retina um penalti defendido e, acima de tudo, um à-vontade anormal para a idade, para liderar uma defesa composta por (esses sim, vacas sagradas) Pepe e Marcano. Mostrou confiança, segurança e tranquilidade.

Não estou com isto a dizer que não existirão erros ou momentos de sobressalto. As dores de crescimento fazem parte da evolução dos futebolistas mais jovens, mas havendo qualidade, paciência e uma aposta segura e recorrente, não tarda até que os talentos precoces e predestinados assumam um estado de maturação elevado.

Em suma, é sobejamente conhecido o percurso deste jovem guarda-redes nos diferentes escalões de formação do FC Porto e da seleção nacional. Resta perceber como se comportará no contexto de equipa principal. Esperemos (ou espero) que lhe seja concedida essa oportunidade porque a qualidade está lá. É o melhor da sua geração.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira