Antes de poder explicar melhor aquilo que é o ADN e o estereótipo do Futebol português, vou precisar de estabelecer a ponte entre as expressões e o seu real significado. Para isso, vou pegar numa frase proferida pelo treinador Fernando Valente numa entrevista que deu ao Expresso: “Quem tem a ousadia de tentar jogar está sempre sob suspeita. O Futebol em Portugal é muito sofrimento. A bola sofre.”
Começando pela “ousadia” de jogar à bola, um dos motivos pelo qual acredito que há muitos autocarros no nosso Futebol é porque qualquer equipa que ouse enfrentar uma equipa grande olhos nos olhos, jogando de igual para igual, está sujeita a ser goleada devido à menor qualidade individual. Apesar disso, existem equipas e treinadores que correm o risco de fugir do padrão.
Portugal vs Uruguai: mais um jogo em que houve mais coração do que cabeça Fonte: FIFA
Equipas como o Moreirense FC, o CD Nacional e o SC Braga têm-se destacado neste campeonato pelo seu futebol positivo, mas também foi contra elas que o SL Benfica teve das vitórias mais tranquilas esta época. O mesmo se sucedeu na época passada quando o Rio Ave FC de Miguel Cardoso foi goleado pelo Benfica e pelo FC Porto.
Este tipo de resultados dilatados sofridos por estas equipas levantam logo as suspeitas dos Boaventuras desta vida, que começam a vir com a conversa de a equipa goleada ter sido comprada ou, simplesmente, ter facilitado a vitória ao adversário, por não jogarem com um autocarro à frente da baliza, nem demorarem dois ou três minutos a repor a bola em jogo.
Passando para o “sofrimento da bola”, eu diria que o nosso Futebol personifica uma expressão tipicamente portuguesa: sangue, suor e lágrimas. Tanto em jogos de equipas portuguesas, como da Selecção Nacional, já por várias vezes verifiquei uma falta de discernimento das equipas quando estavam em situações de maior aperto. É a falta de discernimento, é o chuveirinho, é o jogar mais com o coração do que com a cabeça, é o jogar com alma e fé…
São estas coisas que fazem parte do nosso ADN e caracterizam o nosso Futebol e, principalmente, a mentalidade de quem o representa. E é isto que faz com que o Futebol português seja tão falado, mas muitas vezes por maus motivos.
Recentemente, Kobe Bryant foi entrevistado pelo apresentador Mike Greenberg no programa televisivo Get Up! da ESPN. Na entrevista são feitas várias questões deveras interessantes tais como:
Quais as expectativas que tinha para os seus Lakers esta temporada, com a chegada de Lebron, e qual acha que foi a principal causa para a fraca temporada da equipa; Que conselho daria a LeBron, tendo sido a cara da franquia durante tantos anos; Qual a importância que dá a todos os debates acerca de quem é o melhor jogador de todos os tempos; Quem acha que ganharia, numa série de sete jogos, a sua equipa dos Lakers com Shaquille O’Neal ou a atual equipa dos Warriors, entre outras.
Kobe Bryant disse que a equipa sofreu muitas lesões sucessivas durante a época, e que, quando estavam saudáveis, conseguiram exceder as expectativas das pessoas. De facto, não poderia estar mais de acordo com esta afirmação! A equipa antes de LeBron se lesionar estava em quarto lugar na conferência.
A antiga estrela de Los Angeles aconselhou LeBron James a continuar a esforçar-se, continuar a lutar porque são épocas como estas que fazem os campeonatos valerem a pena.
De seguida, quando questionado acerca da importância que dá aos debates sobre quem é o G.O.A.T, revela que, simplesmente, não quer saber. “Eu segui em frente. Eu tive uma carreira, dei o melhor que podia, e nos meus 20 anos de carreira fui muito feliz por jogar. E depois disso acabou. Segues em frente para a próxima etapa da tua vida”
Serão estes dois uma das melhores duplas de sempre? Fonte: NBA
Em relação à questão de quem ganharia uma série de sete jogos, os atuais Warriors ou os Lakers de Kobe e Shaq, Kobe Bryant respondeu que: “Nós ganharíamos”. E mais à frente refere que “É mesmo difícil dizer quem ganharia, mas eu gosto das nossas chances!”.
Bem, eu diria que seria um jogo renhido, em que quem conseguisse impôr o seu estilo de jogo teria uma enorme vantagem. Os Lakers eram muito fortes com Kobe, que é um dos melhores de todos os tempos, e com Shaquille O’Neal, para mim o melhor poste de sempre.
Shaq era um poste muito forte e pesado e, incrivelmente, tinha a facilidade de correr a quadra como um base. E não esquecer que estamos a falar de um senhor com quatro títulos de campeão e três prémios de FMVP.
Por outro lado, os Warriors com três fortes atiradores, Kevin Durant, Klay Thompson e Stephen Curry, são uma equipa muito difícil de defender. Curry, o melhor atirador de todos os tempos, Klay Thompson certamente no top cinco e Kevin Durant, não tão bom, mas um atirador bastante confiável.
Por esta razão, os Warriors são uma equipa que eu considero mais perigosa (para mim a melhor equipa de sempre, lado a lado com os Bulls de 96) e com maior capacidade para desequilibrar e virar um jogo.
João Sousa foi afastado, esta segunda feira, do Masters 1000 de Miami. O jogador português não conseguiu levar a melhor sobre Kevin Anderson e falhou o acesso aos oitavos de final do torneio americano.
Depois de ter deixado pelo caminho Chun Hsin Tseng e Steve Johnson nas duas rondas iniciais, João Sousa tinha, agora, pela frente um grande desafio perante o número sete do ranking ATP.
Sousa derrotou Johnson em dois sets na segunda ronda Fonte: ATP World Tour
O início do primeiro set ficou marcado pelo break point sofrido pelo jogador português no seu segundo jogo de serviço. A partir deste momento, Kevin Anderson aproveitou a sua experiência e preservou a vantagem de dois jogos até ao final do set.
O segundo set só ficou decidido através de um tie break. João Sousa ainda dispôs de dois sets points, no entanto o jogo seguiu mesmo para o tie break e aqui Kevin Anderson foi superior e confirmou a passagem para os oitavos finais. Nota para interrupção da partida, devido à chuva, no melhor momento do português na partida.
Apesar da eliminação, João Sousa deixou boas indicações nas partidas que realizou. O jogador de 29 anos parte agora para Marraquexe onde vai ser cabeça de série.
Resultado Final: Kevin Anderson 6-4/ 7-6(6) João Sousa
Neymar está na sua segunda temporada no PSG e até o momento não alcançou os seus objetivos, nem pessoal nem coletivamente. O brasileiro que já foi eleito o terceiro melhor jogador do mundo na época do Barcelona, agora não figura nem entre os cinco primeiros. Sendo que na última temporada nem entre os dez ficou. Coletivamente também não teve nenhuma conquista relevante. A grande ambição do PSG é conquistar a UEFA Champions League, mas a equipa parisiense parece estar longe de vencê-la. Desportivamente, a cada dia fica mais evidente que a transferência para a França foi um atraso na sua carreira.
Segundo o jornal desportivo espanhol “Marca”, o pai do atacante avisou ao Real Madrid e ao Barcelona que o atleta pretende deixar o PSG no final da temporada. Esse rumor abriu uma discussão de qual será o futuro de Neymar. Pensando nisso, analisei as possíveis ligas que o jogador poderia atuar na próxima época.
Na Serie A apenas uma equipa aparenta ter condições de contratá-lo, a Juventus. Apesar do Campeonato Italiano ser uma competição com equipas mais fortes que a Ligue 1, a Juve predomina. O estilo do futebol italiano é único. Sistemas táticos bem definidos, marcação forte e uma grande aplicação em campo. Ou seja, exige do jogador uma disciplina até maior que em outras ligas europeias. Na Juventus o brasileiro também não teria tantas regalias como tem no PSG. Como ele ainda demonstra que não amadureceu, não seria um bom caminho ir para a Itália.
Na Premier League, Neymar teria muito mais visibilidade e alcance mundial. O Campeonato Inglês é o mais visto do mundo e se o atleta jogar tudo que sabe poderá conquistar ainda mais público. Contudo, jogar em Inglaterra é lidar com uma maratona de jogos e saber que existem mais quatro ou cinco equipas que entram na competição para brigar pelo título. As duas melhores equipes inglesas nessa temporada, Manchester City e Liverpool, são comandadas por treinadores exigentes e de personalidade forte. Ser treinado pelo Pep Guardiola ou pelo Jurgen Klopp poderia ser até interessante para o Neymar. Resta saber se o jogador estaria propenso a abrir mão de certas regalias, se dedicar quase exclusivamente para o clube e também se os treinadores gostariam de contar com ele.
Neymar foi eleito o melhor jogador do Campeonato Francês na temporada 2017/18. Fonte: PSG
Na Liga Espanhola, Neymar poderia jogar tanto no Real Madrid quanto no Barcelona. O novo técnico do Real, Zinedine Zidane, já descartou a possibilidade de contratar o brasileiro e mira o seu conterrâneo Mbappé. Restaria o Barcelona e é justamente na equipa catalã que vejo que seria o melhor caminho para o Neymar. O atacante conhece o clube, possui uma história lá dentro e pelo menos até a sua saída a torcida o admirava e até imaginava-se que seria o sucessor do Messi. A grande questão desse retorno seria aceitação dos adeptos, pois ninguém esquece a maneira conturbada que o avançado deixou o clube. Contudo, caso isso ocorresse o brasileiro teria condições de reconquistar a massa adepta realizando grandes partidas.
Neymar tem 27 anos e nesse momento parece que sua carreira estagnou. Ainda tem muito tempo pela frente. É um grande jogador e pode ganhar vários prémios importantes. Não chegará, nem de perto, ao mesmo nível do Messi e do Cristiano Ronaldo. Mas isso não é nenhum grande problema, afinal o argentino e o português são jogadores acima de qualquer outro. O importante neste momento para carreira do atleta é fazer uma escolha certa e se for o caso de sair do PSG, terá que saber administrar melhor a maneira dessa saída e escolher bem o seu novo clube. Se analisarmos apenas dentro de campo Neymar jogaria em qualquer clube do mundo, porém contratá-lo é saber que vem um pacote extra-campo um pouco conturbado. Talvez seja a última chance que o brasileiro terá para mostrar o quanto grande poderá se tornar.
Chris Willock é um caso não muito comum no futebol. Apesar de ultimamente termos visto alguns jovens ingleses em busca de oportunidades de crescimento noutros campeonatos, até há poucas temporadas atrás era raro ver um jogador dessa nacionalidade fora das terras de Sua Majestade.
O jovem extremo chegou ao Sport Lisboa e Benfica no início da temporada 2017/2018. Proveniente do Arsenal FC, fez toda a sua formação nos gunners até decidir ingressar numa das melhores academias da atualidade à escala mundial. Sabendo das muitas dificuldades que poderia ter para num primeiro momento singrar na equipa principal londrina, foi atrás do interesse do SL Benfica e encarou o projeto como uma possibilidade de desenvolvimento. Podemos afirmar que foi uma decisão inteligente por parte do jovem britânico, tendo em conta todas as condições que o Caixa Futebol Campus oferece.
Willock chegou a Lisboa e fez a pré-temporada com a equipa então comandada por Rui Vitória. No entanto, não encontrou o seu espaço na equipa principal e acabou sendo relegado para a Equipa B. O jovem não se mostrou nada desconfortável com esta situação e tem vindo a mostrar uma evolução bastante positiva ao longo destas duas temporadas de Águia ao peito. Atualmente, é o melhor marcador da equipa secundária do SL Benfica e tem tido um registo que o aproxima cada vez mais de um regresso à equipa principal. Bruno Lage iniciou a temporada com Willock e estará, certamente, atento ao seu percurso.
Willock tem treinado com a equipa principal e está cada vez mais perto da subida Fonte: SL Benfica
Olhando para algumas das necessidades da equipa principal, poderemos até afirmar que o extremo inglês teria facilmente lugar no plantel. Neste momento, para a posição que Pizzi ocupa (e também para a função que desempenha no modelo de Bruno Lage), Willock seria uma ótima mais-valia. Na minha opinião, seria até a melhor alternativa que o médio português poderia ter. Aproveitando a tendência natural do inglês para flectir da ala para o centro, aliada à sua ótima capacidade de drible, visão de jogo e rápido raciocínio e execução, o modelo continuaria a ter alguém com capacidade para desequilibrar entre linhas e ser mais uma opção no corredor central.
Parece-me até que o próprio Willock poderá estar a ser preparado para este cenário, pois foi na direita que iniciou a sua temporada e, mesmo após a saída de Bruno Lage, tanto Nélson Veríssimo (durante o tempo em que esteve interinamente na Equipa B) como Renato Paiva têm-no utilizado nesse corredor. Sendo a busca do corredor central um movimento preferido de Willock, não seria nenhuma barbaridade vê-lo a partir da esquerda para o centro, tal como aconteceu algumas vezes sob o comando de Hélder Cristóvão na temporada passada. No entanto, o extremo inglês parece mesmo sentir-se mais confortável a partir da ala direita.
Não são só as valências técnicas que podem aproximar Willock do plantel principal. Ele mesmo parece estar cada vez mais maduro, a decidir cada vez melhor e a ter um melhor entendimento do jogo. E esses fatores são importantíssimos numa equipa de alto rendimento como o SL Benfica. A pré-temporada com Bruno Lage estará praticamente assegurada. Cabe agora a Willock agarrar com unhas e dentes esta oportunidade e confirmar o seu espaço no SL Benfica 2019/2020.
Após o empate na primeira jornada, a seleção portuguesa estava obrigada a fazer muito melhor e, consequentemente, vencer a segunda partida em casa. A Sérvia dava o pontapé de saída na qualificação e começava a sua caminhada para o Euro 2020 em Lisboa, diante de Portugal. Quinto jogo na história entre ambas as formações com um histórico muito favorável à seleção das “Quinas”.
Fernando Santos prometeu e as alterações surgiram. Danilo Pereira, Rafa Silva e Dyego Sousa, primeira vez titular na seleção, entraram diretamente para o onze inicial. Portugal entrou com vontade de marcar cedo e de controlar o jogo, mas tudo correu mal nos minutos iniciais.
Ao minuto quatro, William Carvalho teve a oportunidade nos pés de inaugurar o marcador no Estádio da Luz, contudo, não conseguiu. O jogador do Real Betis aproveitou uma confusão na área da Sérvia e rematou, mas estava lá um defensor sérvio para prontamente cortar a bola pela linha final. O árbitro polaco não reparou no desvio e deu pontapé de baliza para a Sérvia.
Três minutos depois, veio o azar para Portugal. A defensiva portuguesa foi apanhada de surpresa com uma bola nas costas e Gacinovic apareceu sozinho na área. O “14” da Sérvia ainda rematou para a baliza, porém, foi completamente atropelado por Rui Patrício. Szymon Marciniak não teve dúvidas e apontou para a marca de penálti. Tadic, dos onze metros, não tremeu e fez o 1-0 na partida.
Portugal não deixou que o golo abalasse os objetivos para o jogo e partiu para a recuperação. Ao minuto 8, com um remate de fora da área, Ronaldo obrigou o guarda-redes sérvio Dmitrovic a uma boa defesa. Passados seis minutos, nova oportunidade de perigo para o conjunto português, desta vez para Rafa. No miolo da área, o número “15” rematou com força e, mais uma vez, estava atento Dmitrovic para negar o primeiro a Portugal.
O relógio marcava meia hora de jogo e mais um contratempo para a seleção das “Quinas”. Cristiano Ronaldo lesionou-se e abandonou o relvado com algumas queixas físicas. No seu lugar entrou Pizzi, que voltava a jogar pela equipa lusitana.
O ritmo do jogo não abrandou e Portugal continuava à procura do primeiro golo no jogo, e também na qualificação. Todavia, as oportunidades de que a seleção portuguesa dispunha não eram, de jeito nenhum, de grande perigo. A Sérvia, conformada com o resultado, ia mantendo-se com uma defesa muito baixa e à espera do erro adversário para contra-atacar.
Não se resolveu com arte e jeito – teve de ser à “bomba”. A faltarem três minutos para o final do primeiro tempo, Danilo foi sozinho pelo meio, aventurou-se por zonas que não são, teoricamente, suas no terreno e resolveu a questão da desvantagem com um “golaço”. O médio português só precisou de espaço e de força para fazer o primeiro golo da seleção na qualificação para o EURO 2020, que certamente vai recordar. Estava imposta a igualdade a um golo no Estádio da Luz.
Uma primeira parte de sentido único e de grandes emoções dentro e fora do campo. As duas formações recolheram aos balneários para o merecido descanso com um empate a uma bola.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Recomeço da segunda parte com o mesmo cenário da primeira. Portugal tinha a posse de bola e estava cada vez mais em cima da equipa da Sérvia, mas faltava aquilo que é mais importante: os remates à baliza e, consequentemente, os golos.
Muita posse, mas continuava a faltar o critério à equipa portuguesa. Bem se tentou explorar todas as hipóteses, porém, a Sérvia ia mantendo a sua coesão defensiva e era percetível que a equipa dos Balcãs vinha a Portugal em busca de um ponto precioso.
As bolas bem passavam à frente da baliza de Dmitrovic, o guarda-redes sérvio, e continuava a não haver ninguém para encostar para o fundo da baliza. Os adeptos pediam para que se rematasse de longe e nem assim os jogadores portugueses conseguiam acertar na baliza.
Aos 71 minutos, a primeira grande oportunidade do segundo tempo, com a atrapalhação a reinar na área sérvia. De uma grande confusão surge um remate de Pizzi que acabou cortado pela defensiva adversária. Ficou mais uma oportunidade não aproveitada por Portugal.
Dois minutos depois, André Silva aparece do lado direito do ataque a cabecear para a baliza. A bola acaba por ser cortada com a mão por um defensor sérvio. O árbitro Szymon Marciniak ainda apontou para a marca dos onze metros pela segunda vez na partida, mas acabou por anular a decisão por decisão do auxiliar.
Ao minuto 90, Raphäel Guerreiro, com um remate forte do lado direito do terreno, ainda deu calafrios aos sérvios – gritou-se golo no estádio, mas a bola embateu no na malha lateral. Respirava fundo a equipa da sérvia pois o perigo tinha passado.
Mais um jogo e mais um empate. Voltaram a fazer-se os mesmos erros do primeiro jogo da qualificação contra a Ucrânia – pecou-se mais uma vez na finalização. Portugal soma apenas dois pontos nesta caminhada para o EURO 2020 que promete ser muito complicada. Já a Sérvia entra nesta qualificação com um ponto, possivelmente, muito precioso, que ganhou fora de portas.
ONZES E SUBSTITUIÇÕES:
Portugal: Rui Patrício (GR), João Cancelo, Pepe, Rúben Dias, Raphael Guerreiro, Cristiano Ronaldo (Pizzi, 31’), Bernardo Silva, Danilo, William Carvalho, Rafa (Gonçalo Guedes, 84’) e Dyego Sousa (André Silva, 57’).
Sérvia: Marko Dmitrovic (GR), Antonio Rukavina, Nikola Milenkovic, Spajic, Nemanja Maksimovic, Aleksandar Mitrovic, Tadic, Mladenovic, Gacinovic (Radonjic, 21’), Lazovic (Zivkovic, 69’) e Ljajic (Milinkovic-Savic, 87’).
Os opostos atraem-se. Com o decorrer do tempo, esta pequena frase tem ganho o rótulo de “verdade absoluta”. Bom, até o pode ser quando o assunto são relações humanas contudo, se decidirmos adicionar o futebol a esta discussão, este dogma perde totalmente a sua veracidade.
Aliás este dogma acaba por dar lugar a um outro dogma, um totalmente oposto àquele primeiramente mencionado. Os opostos não se atraem nesta área, na verdade, os idênticos, os semelhantes, esses sim, acabam por atrair-se mutuamente. Querem um exemplo? A relação já quase que umbilical entre FC Porto e a seleção brasileira. A relação entre a maior seleção do planeta, pentacampeã mundial e um dos mais históricos clubes europeus, pentacampeão nacional.
E em que consiste esta relação? Bom, imaginem que o Brasil é uma enorme mina de diamantes. Escavações diárias são realizadas com o objetivo de extrair o maior número possível de pedras preciosas. Essas escavações, frequentemente, resultam na coleta de vários diamantes, contudo, acabados de retirar do solo, ainda não estão prontos para fazer parte de um anel luxuoso, por exemplo. Surge, então, a necessidade de lapidá-los. É nesse ponto do processo que o FC Porto entra: na lapidação, no aperfeiçoamento daquilo que tem potencial para ser perfeito. Artesanalmente, com o máximo dos cuidados, os diamantes são polidos tendo em conta a exigência deste minucioso cliente. Terminada esta etapa do processo, o diamante está pronto para vestir de amarelo, está pronto para ostentar aquelas cinco estrelas verdes.
Casemiro foi um dos que mereceu a confiança do selecionador brasileiro Fonte: FC Porto
Resumindo a metáfora: muitos dos talentos da seleção brasileira, em algum momento das suas carreiras, sofreram o toque do FC Porto, toque esse que, na maioria dos casos, catapulta o atleta para o estrelato do futebol.
E não, não é um exagero. O FC Porto é peça fundamental na formação da seleção agora comandada por Tite. Olhemos para alguns dos 23 nomes que pisaram o relvado do Dragão no sábado: Casemiro, Alex Telles, Alex Sandro, Danilo, Éder Militão, enfim, são muitos os dragões presentes nesta convocatória da “canarinha” ou, como eu gosto de chamá-los, os “dragões dourados”.
E, grande parte destas convocatórias de “dragões dourados”, acabam por ter uma origem comum: a tal recolha de diamantes em bruto. E se o FC Porto pretende diamantes em bruto, não há nenhum país melhor para procurar do que o Brasil: um país rico em talentos, muitas vezes a preços acessíveis aos nossos cofres. Seria incompreensível, a meu ver, se o nosso scouting menosprezasse um mercado onde, a cada esquina, encontram-se talentos.
Talentos estes que são, atualmente, absolutamente imprescindíveis no nosso plantel. Sinceramente, já nem consigo imaginar um FC Porto sem os sotaques de Felipe, Alex Telles, Soares ou Militão. Por outro lado, os brasileiros também não conseguirão imaginar uma seleção sem nomes azuis e brancos. Um autêntico amor do mais puro que pode existir: um já nem consegue viver sem o outro.
Formado em 1945, o Clube Atlético Pêro Pinheiro é um clube com história e por onde passaram algumas caras conhecidas do Futebol Nacional. Inserido numa região com pouca expressão nos campeonatos profissionais de Futebol, o CAPP tem vindo a crescer através de um projecto estruturado e com um grande objectivo: a formação de talentos. No passado, o Pêro Pinheiro já disse um valente não a Jorge Nuno Pinto da Costa e obrigou inclusivamente os dragões a jogar perante o seu público, no Parque de Jogos Pardal Monteiro. Descobre o projecto ambicioso do clube e muito mais numa nova edição d’”O Clube lá da Terra”, que conta com uma conversa com Mário Silva, presidente do CAPP e Rui Ferreira, director desportivo do clube.
Bola na Rede [BnR]: Está há muito tempo neste cargo de Presidente?
Mário Silva [MS]: Não, estou desde o dia 12 de Maio de 2018.
BnR: Mas já acompanhava o CAPP antes de assumir a presidência?
MS: Não, vinha apenas ver alguns jogos. Isto foi assim: apareci aqui porque tenho um filho com dez anos que começou a pedir para vir jogar Futebol. Eu já não entrava num campo de Futebol há dezoito anos devido a uma infelicidade que tive na vida, faleceu um filho meu [Luís Miguel “Mafra”] – com vinte anos – que foi nove anos jogador do Sporting CP e um ano sénior na equipa B do SL Benfica; teve um acidente, faleceu e, a partir daí, deixei mesmo de ver Futebol. Agora, este menino com dez anos começou a pedir para vir jogar porque também tinha cá amigos e eu vim com ele em janeiro de 2018. Vim mais a título de experiência – porque se ele não gostasse acabaria por sair –, mas ele gostou de estar aqui com os amigos e eu também gostei muito do ambiente. Fui muito bem recebido pela antiga direcção e pelo nosso Coordenador de Futebol, que ainda hoje está cá, o Carlos Aguiar, e que é uma pessoa excepcional e muito trabalhadora.
BnR: Carlos Aguiar que já foi jogador do clube e esteve presente num jogo frente ao FC Porto.
MS: Exactamente.
Rui Ferreira [RF]: Mas entretanto houve eleições e tu decidiste concorrer.
MS: Houve eleições e um elemento do clube, o Sr. Fonseca, começou a desafiar-me para me candidatar à presidência. Acabei por juntar mais algumas pessoas, fizemos uma lista e cá estamos.
BnR: O CAPP já está há algum tempo em crescendo. Depois de uma descida à divisão de Honra em 2015, conseguiram duas subidas consecutivas até ao CNS. O ano passado acabaram por descer – sendo a primeira equipa abaixo da linha de água e a lutar com “rivais” como o SU Sintrense e o 1.º Dezembro – mas tem sido um projecto que tem crescido e consistente. Qual o segredo?
MS:O segredo é muito trabalho de todos. Começando aqui pelo Rui Ferreira, que acompanha a equipa sénior do clube, passando pelos membros da direcção, treinadores e roupeiros, todos trabalham imenso. Este é um clube que vive à base de trabalho e de “carolice”, somos todos voluntários e temos vindo a dinamizar o clube à procura de mais apoios, uma vez que sem dinheiro, não há Futebol. Mas, ao mesmo tempo, temos desenvolvido as camadas jovens, aumentando o número de jogadores em 40% apenas nesta temporada, desde os petizes até aos juniores. O clube tem alguns desafios difíceis como a falta de transportes públicos nesta zona, não há comboio aqui ao lado e estamos numa ponta do Concelho de Sintra, mas, com muita luta, temos conseguido ter jogadores para todos os escalões e aumentámos muito a nossa formação.
O balneário do CAPP tem um espaço personalizado para cada jogador Fonte: Bola na Rede
“Já tivemos dois jogadores dos Benjamins B, e que ainda são Traquinas, a ir ao Benfica e ao Sporting, tivemos outro guarda-redes que também foi chamado ao Sporting”.
BnR: E já se encontra talento?
MS: Já tivemos dois jogadores dos Benjamins B, e que ainda são Traquinas, a ir ao Benfica e ao Sporting, tivemos outro guarda-redes que também foi chamado ao Sporting e temos uma atleta que é guarda-redes de infantis a ser chamada à selecção da AF Lisboa; portanto, penso que já se começa a ver frutos.
BnR: E são jovens que são aqui desta zona?
MS: Alguns daqui e outros de fora. Temos alguns de Mem Martins, Algueirão e Cacém, também dessas zonas.
BnR: E no passado, houve algum jogador que tenha sido formado aqui e que tenha conseguido dar o salto?
MS: Tivemos um jogador, que era guarda-redes, o Valter Onofre, que saiu daqui para o Sporting e que era um excelente guarda-redes. Não sei se o Rui se lembra dele.
RF: Só de ouvir falar, mas sim. Depois ainda jogou no SC Braga.
BnR: Tivemos jogadores, como por exemplo o Cláudio Oeiras, que ficou famoso por eliminar o FC Porto da Taça, e que passou por aqui, e o Nuno Abreu, ambos com passagens pelo Benfica.
MS: Sim, exactamente. Ambos jogaram com o meu filho no Benfica. O Cláudio foi do SC União Torreense e o meu filho foi do Sporting, no mesmo ano, para a Luz; era o companheiro de viagem do meu filho; todos os dias iam os dois juntos para Lisboa, o meu filho apanhava-o em Negrais.
BnR: De onde é o Marco Caneira…
MS: Que também jogou com o meu filho no Sporting desde os infantis até aos juniores. Assim como o Simão Sabrosa, que era mais novo, mas jogava no escalão acima.
BnR: E o Tiago Petrony, que é campeão do Mundo de Futebol de Praia…
RF: E ainda há mais. Temos, por exemplo, o João Gomes que, apesar de não ter sido formado aqui, passou por cá e que agora está no Estoril-Praia SAD e assinou um contrato profissional este ano. Ele fez aqui as duas primeiras épocas de sénior, oriundo do CF “Os Belenenses”, depois foi para o CD Mafra e este ano foi com o treinador Luís Freire para o Estoril. Temos também o Rui Pereira, que agora está na Segunda Liga, no Mafra, e que também passou por aqui na formação e depois na equipa sénior. Depois temos dois no CNS, um no CD Fátima e outro no CF “Os Armacenenses”, que são dois jovens com futuro e cuja carreira acompanhamos, que são o Miguel Artur e o Malaine Camará.
BnR: Portugal está agora a iniciar a defesa do Campeonato Europeu e há jogadores, como Cristiano Ronaldo e Rui Patrício, que já estão nos trinta. Sente que o caminho para mais sucessos europeus como o de 2016 passa por este investimento na formação?
MS: Eu penso que temos bons talentos. Obviamente que como o Ronaldo, penso eu, vai ser muito difícil termos alguém igual. Como um Patrício acredito que sim, Portugal teve sempre bons guarda-redes. Penso que o caminho está criado e que vamos estar sempre lá em cima perto do topo no Futebol de selecções.
RF: Isso é verdade, como formação sempre estivemos nos melhores do Mundo. E a prova disso são os jogadores que temos no estrangeiro. Cada vez mais os clubes apostam na formação, até como forma de rendimentos futuros e de receita. Um clube que consiga formar um bom jogador pode, futuramente, ter muito bom retorno monetário.
BnR: Temos o caso do Renato Sanches, com a saída do Benfica para o FC Bayern Munique, que deu retorno ao clube formador, o Recreativo Águias Musgueira.
RF: Ou mesmo do Nélson Semedo, aqui no Sintrense.
MS:Nós estamos num processo de certificação de formação mesmo com esse objectivo: ter algum talento criado aqui. Até porque mesmo para competir no CNS é necessária essa certificação e já estamos a tratar disso para a próxima temporada. Mas eu penso que a formação poderá ser muito importante e trazer dinheiro ao clube.
RF: Dinheiro e não só, porque hoje em dia há reconhecimento de quem forma bem e é o pão que alimenta os clubes, porque não temos condições financeiras para comprar lá fora. É um patamar que não é o nosso e por isso mesmo vamos investir em formar talentos aqui. Nesse sentido, estamos a ponderar construir um segundo campo para criar uma equipa de sub-23. O pessoal que sobe a sénior às vezes tem dificuldade em encaixar numa equipa principal e pode ser bom ter uma equipa que entre em competição, como o Sintrense B ou o FC Alverca B.
A bancada do clube costuma estar bem diferente em dias de jogo Fonte: Bola na Rede
BnR: No passado recente vimos vários jogadores brasileiros nos campeonatos portugueses e uma mentalidade que o jogador nacional era inferior ao brasileiro. A conquista do Euro 2016 veio encerrar essa mentalidade e hoje em dia o jogador português é visto com outros olhos?
MS: Eu penso que sim. Temos muitos jogadores no estrangeiro e que são sinónimo de qualidade.
RF: Temos imensos jogadores no estrangeiro, em campeonatos como o búlgaro, e isso mostra o nosso valor. Mesmo aqui, temos jogadores formados nos grandes, como o Tiago Santos – formado no Benfica – ou o Miguel Pinto, que foi formado no Benfica, mas que esteve três anos na Holanda, no FC Twente. Há muitos jogadores de qualidade que não são mediáticos mas que têm imensa qualidade. E depois há a questão dos empresários, que muitas vezes fazem pressão e querem colocar os seus jogadores.
Está quase aí o jogo que, nesta época, desperta mais interesse e esperança no universo leonino. No dia 3 de Abril, o Sporting CP disputará em Alvalade a segunda mão da meia-final frente ao eterno rival SL Benfica. Partindo em desvantagem devido ao 2-1 alcançado na primeira mão, é imperativa a vitória neste jogo. Deste modo, importa perceber como se encontra o plantel.
Nos últimos três jogos, o Sporting CP somou três vitórias consecutivas. Contudo, o futebol apresentado tem sido muito aquém do que se espera de uma equipa que quer vencer títulos. Apesar de Keizer ter considerado que após a eliminação da Liga Europa a equipa iria obrigatoriamente melhorar a sua qualidade de jogo, a verdade é que tal não se tem verificado, chegando mesmo a serem audíveis alguns assobios no estádio.
A equipa parece ter alguma falta de motivação, até porque sabem que o título é algo praticamente inalcançável. Para além disso, o facto do terceiro lugar já não ser um posto de acesso à Champions, a equipa não sente aquela ‘’pica’’ que se tem noutro tipo de jogos. Também a opção de se apostar sempre nos mesmos jogadores e fazer substituições apenas a dez minutos do fim leva, pelo menos a mim, ao desespero.
Bruno Fernandes está em dúvida para o próximo dérbi Fonte: Sporting CP
Em termos de individualidades, há dois casos a destacar: Bas Dost e Bruno Fernandes. No caso do holandês, é um jogador que tem andado bastante desinspirado e de costas voltadas com a baliza adversária. A sua falta de confiança é notória e já todos percebemos isso. No entanto, não será o jogo frente ao SL Benfica um grande teste para dar a volta ao seu jejum de golos? Ele certamente pensará nisso. Quanto a Bruno Fernandes, a notícia da lesão só pode preocupar os adeptos leoninos. Não podemos estar com rodeios, o internacional português é imprescindível na equipa e, caso não possa jogar, as hipóteses de vencer serão muito reduzidas. É sob a sua batuta que a equipa funciona, e se o médio não estiver em campo, estaremos mais perto de perder do que ganhar, não tenho dúvidas.
Por fim, olhar para o momento de forma do adversário. Neste momento encontra-se em primeiro lugar, a jogar com muita confiança e, quer queiramos quer não, o ambiente vivido para os lados da Luz é de completa harmonia e ambição de voltarem a ser campeões. É verdade que se perderem pontos frente ao CD Tondela o caso muda de figura, mas é preciso reconhecer que do outro lado haverá uma equipa com maior qualidade individual. Será preciso uma excelente preparação e uma grande vontade se o Sporting CP quiser vencer o jogo.
Concluindo, penso que o Sporting CP tem hipótese de virar a eliminatória, mas será preciso uma enorme exigência de todas as partes para que tal aconteça. Keizer tem aqui uma oportunidade de ouro para mostrar serviço, e o seu futuro poderá estar em jogo. Para além disso, todos nós queremos ir ao Jamor ver a final da Taça de Portugal. Estive lá o ano passado e, fora o resultado, o ambiente é único. Vamos fazer de tudo para que este ano a presença se repita. O Jamor é já ali…
“The Biggest Show of the Year”, “The Bid Daddy of Them All”, “The Showcase of The Immortalls”, a Wrestlemania tem todo o tipo de designações imagináveis, por ser o maior evento do ano, mas também por ser aquele que atrai mais público e onde todos os anos pessoas de todos os países se juntam numa cidade para celebrarem e aproveitarem o maior evento de wrestling do mundo.
Este ano teremos a Wrestlemania 35, e com 34 edições para trás, vamos olhar para alguns dos factos mais fascinantes e desconhecidos deste evento que (facto extra) esteve quase para ser chamado de Colossal Tussle.