Em fim de semana carnavalesco, jogou-se a 17.ª jornada do Girabola. Foi uma ronda cheia de ação e com algumas surpresas nos jogos que envolveram os principais candidatos ao título de campeão.
O atual líder, 1.º de Agosto, foi até à província da Huíla empatar a três golos frente ao Desportivo local. Numa partida bastante viva, o tricampeão nacional não conseguiu impor o seu domínio e teve sempre de correr atrás do prejuízo, só chegando ao empate já perto do fim do encontro, graças ao tento de Bobó. Com o empate, o D’Agosto perdeu uma boa oportunidade para se distanciar dos seus adversários no topo da classificação, tendo agora 35 pontos conquistados.
Após o desaire em casa para a Taça das Confederações (por 0-1 frente ao Zamalek), o Petro sarou as feridas da derrota para a competição africana. No encerramento da jornada, a formação tricolor foi à casa do Cuando Cubango FC vencer por 0-1 graças ao golo do avançado Tony, nos primeiros minutos da segunda parte. A vitória sofrida permite aos comandados de Beto Bianchi encurtar distâncias para o líder, estando agora apenas a um ponto do posto cimeiro (34 pontos já amealhados), e ainda com uma partida em atraso.
O líder 1.º de Agosto não foi além de um empate a uma bola na visita à casa do Desportivo da Huíla Fonte: 1.º de Agosto
O Kabuscorp saiu derrotado nesta ronda. No jogo-cartaz, a turma do bairro do Palanca perdeu pela margem mínima na visita ao terreno do Interclube, com o golo da autoria de Ito, no decorrer da segunda parte. Apesar do resultado desfavorável, o Kabuscorp mantém o quarto lugar, com 28 pontos conquistados.
O Recreativo do Libolo continua a recuperar na tabela classificativa! A atuar em casa frente ao Saurimo FC, os homens do Calulo ainda começaram a perder, graças ao golo de Yuri, mas no segundo tempo consumaram a reviravolta no marcador: Kayá (de grande penalidade) e Sidnei garantiram os três pontos para o Libolo. Apesar do bom resultado, a turma libolense continua longe dos primeiros lugares da tabela – décimo lugar com 20 pontos, embora tenha uma partida em atraso.
Nos restantes encontros, o ASA venceu em casa o Bravos do Maquis por 2-1, resultado idêntico verificado na visita do Sagrada Esperança ao estádio do Santa Rita de Cássia, a favor dos visitantes. De resto, registaram-se duas igualdades: Académica do Lobito 0-0 Recreativo da Caála e Progresso do Sambizanga 1-1 Sporting de Cabinda.
Uma das principais equipas desta segunda metade de época no Campeonato de Portugal Prio tem sido o histórico FC Alverca. Os Ribatejanos eram um dos principais candidatos à descida de divisão na série C do CPP, no entanto, a partir de janeiro, o paradigma do clube mudou, iniciando uma recuperação que os já fez sair da zona de rebaixamento aos distritais de Lisboa.
O histórico FC Alverca, que conta com 10 participações nas Ligas Profissionais, cinco na Segunda Liga, cinco na Primeira Liga, regressou aos campeonatos Nacionais esta época, após vencer o campeonato da Pró Nacional do distrito de Lisboa. A primeira metade da época foi penosa para a equipa orientada por Tó-Pê. Nas primeiras 15 jornadas, o FC Alverca conseguiu apenas uma vitória e quatro empates, resultando num inevitável último lugar, com apenas sete pontos e já a nove da zona de permanência. Já poucos acreditavam que o clube se “safasse” de novo regresso aos distritais.
A partir de janeiro, tudo mudou. A SAD mudou de mãos e o plantel recebeu vários reforços. Aliás, só para se ter uma noção, o FC Alverca inscreveu mais de 50 (!!) jogadores esta temporada, um número pouco normal e que demonstra que a direção, apoiando-se nos desastrosos resultados desportivos do primeiro semestre da época, acreditava que a manutenção era possível, mas com outras protagonistas. Curiosamente, no FC Alverca, mudou-se tudo menos o treinador. Tó-Pê continuou a merecer a confiança da direção e continuou como timoneiro de uma espécie de “segunda” equipa do clube para atacar a recuperação na tabela.
Até janeiro, o FC Alverca tinha apenas uma vitória, e agora já está acima da zona de descida Fonte: FC Alverca
Com a chegada de vários jogadores já “batidos” na divisão e uma aposta forte em pérolas brasileiras, o FC Alverca, desde janeiro, só perdeu por uma vez, tendo conseguido cinco vitórias e três empates, que fez a equipa saltar da última posição da série C para o 13.º posto, lugar que dá a permanência, com mais um ponto que o Sertanense FC, que vem imediatamente atrás. Uma recuperação verdadeiramente notável e que dá sinais de vitalidade e capacidade para garantir a manutenção e atacar a subida na próxima temporada.
Reforços, como Miguel Lázaro, vieram dar outro nível e capacidade à equipa orientada por Tó-Pê Fonte: FC Alverca
O FC Alverca e a gestão do próprio clube nesta temporada tem-se revelado um sucesso, mas uma exceção, tendo em conta os múltiplos e falhados exemplos que existem no futebol português, sobretudo no CPP, de direções que revolucionam plantéis a meio da temporada e que acabam por descer na mesma. Ou seja, o mesmo é dizer que a direção do clube está de parabéns por um trabalho cirúrgico, pensado e bem executado, apesar de muito arriscado, e que salvou o clube de uma temporada frustrante e fraca a nível desportivo. Se irão garantir a permanência ou não, só se saberá no fim, mas se continuassem com as performances e resultados da primeira metade da época, aí a descida seria inevitável e já se saberia em março ou abril que iriam retornar à Pró Nacional de Lisboa.
Uma coisa é certa, o FC Alverca é um histórico de Portugal com presenças na Primeira Liga Portuguesa, com infraestruturas de grande qualidade e que tem um potencial enorme. Caso garantam a permanência, o mérito tem de ser distribuído pelo plantel, pelos técnicos e, reforço, pela nova direção, que realmente desempenhou uma papel vital na alteração de paradigma desta equipa, revelando capacidade para planear a época 2019/2020 de uma melhor forma, munindo o FC Alverca de argumentos que o possam fazer sonhar com uma subida às Ligas Profissionais, de onde está ausente desde 2005.
Chegamos ao fim da segunda semana de testes na Fórmula 1. Neste momento, sabemos pouco mais sobre onde as equipas estão do que há uns meses atrás. Apenas há duas certezas: a Ferrari e a Mercedes estão na frente, e a Williams no fundo da tabela.
Mais uma vez, vou analisar a semana dois de testes e ver quem vai mais bem preparado para Melbourne e quem ainda tem muito trabalho pela frente.
O Campeonato de Portugal de Ralis está de volta em 2019 com algum regressos e carros novos. Mais sonante é o regresso de Bruno Magalhães, vice-campeão europeu em 2017 e terceiro classificado do FIA ERC em 2018. Para 2019, Bruno está ao volante do Hyundai i20 R5 da Hyundai Portugal, sendo assistido pela equipa Sports & You. Ao seu lado continua Hugo Magalhães, que deixou o lugar ao lado de Miguel Barbosa no CPR.
Miguel Barbosa passa a contar com a preciosa ajuda do experiente Paulo Babo. Inês Ponte volta à baquet direita de José Pedro Fontes no Citroen C3 R5. Nos carros, estreia para o Volkswagen Polo GTI R5 em Portugal, pelas mãos de Pedro Meireles e Mário Castro, que deixam assim o Skoda Fabia R5. Pedro Almeida troca o Ford Fiesta R5 por um Skoda Fabia R5 e Miguel Correia sobe à categoria máxima do CPR com um Fiesta R5.
Em Fafe, primeira prova do campeonato, podemos contamos com o regresso de Ricardo Moura à competição após um ano de ausência, para preparar o Azores Rallye, segunda prova do CPR e a primeira do FIA ERC. Destaque também para a participação do piloto do mundial de ralis, Dani Sordo, que tripulou um Hyundai i20 R5 em preparação para a terceira prova do WRC, o Rali do México.
Depois de uma ausência prolongada do Campeonato de Portugal de Ralis, Bruno Magalhães volta a bordo de uma nova montada, o Hyundai i20 R5 Fonte: Hyundai Portugal Motorsport
Feito o resumo alargado das pequenas mudanças, a nossa atenção segue para o Rali Serras de Fafe, prova que os pilotos conhecem muito bem. O rali começou com a Qualifying Stage, onde o piloto oficial da Hyundai no WRC foi o mais rápido, escolhendo assim a ordem de saída para os troços. Quero também destacar a presença de Daniel Nunes neste lote de pilotos que se qualificam para esta especial. Com um Peugeot 208 R2, Nunes não tinha muitas hipóteses de ter uma grande escolha. Terminou em penúltimo, pois Pedro Meireles ainda capotou o Volkswagen Polo GTI R5.
Primeiro dia de prova completamente dominado por Dani Sordo, que ganhou todas as classificativas efetuadas, acabando o dia com cerca de 18 segundos de vantagem. No CPR, Ricardo Moura mostrou que um ano afastado da competição parecia não lhe ter feito nada de mal e impunha-se numa luta com Ricardo Teodósio.
O piloto do Algarve mostrava o ritmo que teve durante 2018 e que os azares do ano transato estavam já esquecidos. Na terceira posição estava Miguel Barbosa. O regressado Bruno Magalhães rodava em quinta em frente ao seu colega de equipa e campeão nacional, Armindo Araújo. José Pedro Fontes era sétimo e Pedro Meireles oitavo na geral – conta-se uma posição acima do mencionado, pois Dani Sordo não estava inscrito no CPR.
No final do dia, a especial citadina noturna em Fafe deu aos adeptos um bom espetáculo e, para quem esteve longe, a MovieLight efetuou uma transmissão em direto, com comentários, no YouTube. Será que algum dia vamos poder contar com câmaras em direto como se faz no WRC e no FIA ERC nas especiais?
Grande clássico de andebol esta quarta-feira. Em partida referente à 18ª jornada do Campeonato Andebol 1, Sporting CP e FC Porto defrontaram-se no Pavilhão João Rocha, que se vestiu de gala com 2602 espetadores, num jogo cheio de emoção.
Com uma enorme atmosfera no pavilhão, proporcionada pelos 2602 espetadores presentes, o FC Porto entrou mais forte. Com Alfredo Quintana num excelente momento de forma, a equipa da casa tinha dificuldades em ultrapassar o guardião portista, que ia defendendo grande parte das tentativas ofensivas do Sporting CP de tal forma que, aos cinco minutos de jogo, o marcador já assinalava um 5-2 favorável aos visitantes.
Tal como tem sido recorrente ao longo a época, os comandados de Hugo Canela entraram extremamente nervosos na partida, colecionando falhas técnicas no plano ofensivo e defensivo. Aos dez minutos de jogo, a partida teve de ser interrompida durante largos minutos devido ao lançamento de objetos para dentro de campo por parte da claque sportinguista. Essa pausa acabou por beneficiar o infrator, uma vez que, de seguida, o Sporting CP voltou ao jogo mais calmo e assertivo em ambos os planos de jogo. Aos 22 minutos, o FC Porto continuava na frente do marcador, em grande parte devido à entrada do jovem Miguel Martins – que cada vez mais se afirma como o jogador mais influente da equipa, a par de Alfredo Quintana – em jogo, conferindo velocidade e clarividência no momento ofensivo.
Apesar de ter havido uma aproximação por parte da equipa leonina, a maior eficácia no momento da finalização por parte do FC Porto ia fazendo a diferença e permitia-lhe manter a vantagem – pontas António Areia e Diogo Branquinho iam sendo os mais esclarecidos – de tal forma que, ao intervalo, o marcador assinalava 12-15 favorável à equipa visitante.
A segunda parte foi diferente, apesar de ter começado de forma bastante semelhante. O Sporting CP procurava anular a desvantagem trazida do primeiro tempo, mas o FC Porto ia-se mostrando extremamente coeso – uma caraterística que tem demonstrado ao longo da época. No entanto, a equipa da casa vinha do intervalo com a lição mais bem estudada no plano defensivo e desde cedo se percebeu que os jogadores portistas teriam de trabalhar mais para marcar golos na segunda parte.
Aos 39 minutos, o ponta-direita Valentin Ghionea falhou o seu primeiro livre de sete metros e, na resposta, o FC Porto conseguiu fazer o 15-19, aumentando a vantagem para quatro golos de diferença. Nas bancadas temia-se o pior, mas depois apareceu Skok. Matevz Skok.
O guarda-redes esloveno apareceu quando a sua equipa mais precisava, fechando a baliza a sete chaves nos últimos 22 minutos e permitindo a reviravolta no marcador. Uma série de três defesas consecutivas permitiu à equipa conseguir um parcial de 3-0, deixando a desvantagem em apenas um golo. O FC Porto encontrou-se e conseguiu voltar a encontrar o caminho para o golo, mas, nesse momento, e embalado pela força vinda da bancada, o Sporting CP já tinha ganhado confiança. O empate chegou aos 18 minutos e, desse momento para a frente, assistiu-se a uma autêntica batalha.
Cada ataque tinha de ultrapassar uma autêntica muralha defensiva Fonte: FPA
Ambas as equipas procuravam a vitória mas Skok ia fazendo a diferença. Ao defender o seu segundo livre de sete metros na segunda parte, permitiu à equipa de Hugo Canela atingir pela primeira vez a liderança no marcador à passagem do minuto 25, por intermédio de Frankis Carol. Esse foi um momento decisivo na partida, uma vez que, desse momento para a frente, e pela primeira vez na partida, se viu uma equipa portista completamente desnorteada, procurando o golo com mais coração do que com cabeça.
As falhas técnicas sucediam-se e o Sporting CP ia aproveitando para dilatar a vantagem no marcador, com o resultado final a ser de 26-23 favorável ao Sporting, um resultado que não espelha o equilíbrio que se sentiu durante a partida.
EQUIPAS
Sporting CP:Matevz Skok, Ivan Nikcevic (2), Frankis Carol (5), Bosko Bjelanovic, Pedro Valdes (2), Edmilson Araújo (3), Valentin Ghionea (8), Rafael Paulo, Carlos Ruesga (2), Pedro Solha (1), Aljosa Cudic, Tiago Rocha, Carlos Carneiro, Fabio Chiuffa, Nuno Reis, Luís Frade (3).
FC Porto:Alfredo Quintana, Diogo Branquinho (4), Fábio Magalhães (2), Rui Silva (1), Djibril Mbengue (2), António Areia (7), Alexis Borges (1), Victor Iturriza, Leandro Semedo, Yoan Blanco, Miguel Martins (3), Angel Zulueta, Daymaro Salina (1), Leonel Fernandes, Thomas Bauer, Miguel Alves (1).
Num espectro de duas dezenas de anos, nomes como Paulo Sousa, Aldo Duscher, Vidigal, Oceano e Miguel Veloso ocuparam a posição que resguardava a defesa e que construía frutiferamente cada ataque. Sacrificavam-se nos duelos a meio campo, combatendo de modo aguerrido e devoto, em detrimento do protagonismo confinado a estrelas maiores. Heróis invisíveis é o termo apropriado e preciso.
Findada a época transata e fuga de William Carvalho para Sevilha, que se manteve fidelizado com a listada verde e branca, o Sporting Clube de Portugal ingressa no mercado com a finalidade de colmatar tamanha perda. Avizinhavam-se tempos nostálgicos!
O empréstimo de Stefano Sturaro, por parte da “Vecchia Signora”, provocou, no reduto leonino, ânimo e alguma euforia. Porém, o italiano, movido ao estilo de Frank Rijkaard, não somou qualquer minuto, tanto no seio das quatro linhas como em Lisboa. Entretanto, Battaglia lesionava-se gravemente e era carta fora do baralho para 2018/2019.
Deste modo, Nemanja Gudelj era o eleito para a missão árdua e espinhosa, apesar de não ser um «seis» original. A comunicação social afirmava ser um “bombista” e a expectativa gerava-se em Alvalade. Contudo, o clima de êxtase esvai-se fugazmente: o sérvio, apesar de não possuir sentido posicional e de recorrer frequentemente à falta, cumpre defensivamente, desarmando a maior parte dos duelos no qual está inserido, é moderadamente veloz na procura da bola e possante nos confrontos individuais e no jogo aéreo; não obstante, apresenta debilidades ofensivas gritantes pelo facto de não ter a capacidade de teleguiar um passe de rotura ou uma variação de flanco, impedindo a construção de ataques mais eficazes e demolidores.
Além disto, a incapacidade para driblar um adversário, a lentidão no transporte de bola e a incompetência na hora de alvejar a baliza, amedrontam qualquer apreciador do desporto rei. Afinal, o defeito pertencia à comunicação social! Até à data, o sérvio somou um total de 2703 minutos sem qualquer golo marcado, vencendo a 12ª edição da Taça da Liga.
O sérvio tem sido um dos intocáveis de Keizer Fonte: Sporting CP
A não persuasão dos adeptos leoninos e a constante inanição do meio campo verde e branco conduziu, novamente, à demanda de um seis puro. Idrissa Doumbia, que atuava nos russos do Akhmat Grozny, foi um dos reforços de inverno, estreando-se diante da formação sadina e, apesar do empate, deixou melhores garantias. Mais ágil e veloz, imperial no sentido posicional, agressividade e classe numa amálgama que o tornam superior a Gudelj no contacto com o adversário e no roubo de bola sem falta. Ofensivamente temerário, atrevido na condução de bola, mas sem o ímpeto para alvejar, fora da área, as balizas adversárias e sem o fulgor necessário para incitar à desmarcação de um companheiro de equipa, pecando na construção da verticalidade leonina.
Veredicto: Nemanja Gudelj não é capaz de convencer o público de Alvalade e, a meu ver, não possui a qualidade necessária para singrar como patrão do meio campo leonino. Por sua vez, hipoteticamente (visto que o fetiche de Marcel Keizer permanece inalterável), o facto de o costa-marfinense jogar com regularidade poderá surtir o efeito esperado, depositando confiança na irreverência da juventude de modo a reduzir e evitar alguns dos problemas bem visíveis. Mister, “quem não arrisca, não petisca”!
Foi preciso apelar às forças que já não existiam para garantir, frente à AS Roma, uma passagem aos quartos de final da prova milionária, que tem tanto de dramática como de justíssima.
Com sangue, suor e lágrimas (desta vez de alegria), o FC Porto mostrou acima de tudo a alma que o norteia e que, dúvidas houvesse, não o deixou num estado depressivo que o impedisse de reagir ao soco no estômago que fora a derrota com o SL Benfica.
Do pé esquerdo de Alex Telles saiu o bilhete que garante mais 10,5 milhões de euros a juntar ao bolo de 68 que os dragões já tinham amealhado na fase de grupos. Pelo meio, Soares e Marega fizeram ebulir um Dragão a rebentar pelas costuras. De Rossi ainda deixou tudo igual, através de um penálti, mas a festa pintou-se mesmo em tons de azul.
Um golo marcado e nenhum sofrido era o bastante para o FC Porto avançar mais um degrau nesta escadaria cada vez mais milionária. Até por isso, a ausência de Brahimi do onze inicial dos dragões causou alguma estranheza. Militão, esse, voltou à equipa para ocupar o lado direito da defesa, acabando por não ter um regresso muito feliz. Foi dele a imprudência que culminou no golo de De Rossi, à entrada para o intervalo. Antes, porém, já se via um FC Porto intenso, forte e pressionante, com a baliza de Olsen na mira.
Corona, a jogar do lado esquerdo do ataque, tinha em Karsdorp um oponente bastante frágil, que acabou ultrapassado pela irreverência do mexicano numa mão cheia de ocasiões. Numa delas, a bola até sobrou para Alex Telles já no interior da área, mas o tiro do brasileiro só fez abanar as redes pelo lado de fora.
Disposto a aproveitar o bom momento da equipa estava Marega, que fez um sprint estonteante na direção contrária à da baliza romana para recuperar uma bola e, mais tarde, servir o último passe a Soares que, à boca da baliza não perdoou.
A superioridade que os portistas espalhavam em campo, contudo, não se viria a traduzir no placard à saída para os balneários, já que uma imprudência de Militão culminou numa grande penalidade favorável à Roma. De Rossi não se iludiu com Casillas e atirou fácil para o empate.
Os primeiros minutos do segundo mostram um FC Porto do melhor que já se viu esta época e, sem surpresa, a casa quase voltou a vir abaixo assim que Corona, depois de mais uma bola iniciativa sobre a esquerda, cruzou com a medida certa ao segundo poste, onde Marega apareceu para encostar.
Marega empatou a eliminatória no início do segundo tempo Fonte: UEFA
A eliminatória estava empatada e, com as defesas a superiorizarem-se aos ataques, tudo se encaminhou para o prolongamento. Di Francesco, técnico dos romanos, por esta altura já havia lançado no jogo Cristante para ganhar a luta a meio campo e estancar a avalanche portista.
Do lado contrário, Conceição sentiu a menor capacidade física de Corona e mandou a jogo Brahimi, assim como Fernando e Hernâni, duas setas prontas a aproveitar o cansaço que o avançar dos minutos iam provocando numa experiente mas algo lenta defesa da AS Roma.
Olsen continuava a manter vivas as esperanças dos romanos em decidir tudo para lá dos 90 minutos, sobretudo ao negar o golo com belas intervenções a remates de Brahimi e Herrera.
Dzeko, completamente tapado por Pepe e Felipe ao longo do tempo regulamentar, teve no segundo tempo do prolongamento as oportunidades tão desejadas e, valha a verdade, a sorte protegeu a audácia do dragão. Essa proteção haveria de dar o fruto mais desejado. Florenzi, solidário com o erro de Militão na primeira parte, também foi ‘anjinho’ ao agarrar Fernando a três minutos do fim.
Çakir precisou do VAR para tirar todas as dúvidas, mas a decisão foi célere: penálti para o FC Porto e oportunidade para arrumar ali a questão. Alex Telles aguentou nos ombros toda a pressão e atirou, com classe, para a vitória.
A segunda mão do duelo entre parisienses e ingleses foi uma ode ao Futebol, num jogo emocionante que acabou com uma reviravolta inesperada ao cair do pano, continuando o conto de fadas de Solskjaer à frente dos Red Devils, mas já lá vamos.
Três semanas depois da derrota na primeira mão, o técnico do United foi obrigado a fazer cinco alterações no onze, com o suspenso Pogba e os lesionados Lingard, Herrera, Matic e Martial a ficarem de fora, sendo substituídos por Andreas Pereira, Smalling, Fred, Lukaku e Scott McTominay. Já Thomas Tuchel lançou os mesmos jogadores que bateram os ingleses em pleno Old Trafford.
O jogo abriu logo com Lukaku a gelar o Parc des Princes, quando um mau atraso de Kehrer para Thiago Silva foi interceptado pelo internacional belga, que ultrapassou Buffon e desviou para o fundo da baliza, deixando Thomas Tuchel à beira de um ataque de nervos e a eliminatória presa por um golo.
Recomposto do desastroso início, o PSG passou a jogar no meio-campo do Manchester United, com Mbappé a ameaçar, aos sete minutos, com um remate dentro da área, bloqueado por um defesa. O golo madrugador pouco incomodou os parisienses, e aos 12 minutos a igualdade foi restabelecida, com Mbappé a aparecer nas costas da defesa do United e a dar rasteiro para o segundo poste, onde Bernat apareceu a encostar para o empate.
Os parisienses não deixavam os Red Devils respirarem e Bernat quase bisou quando Mbappé voltou a oferecer a bola ao segundo poste, com o espanhol a ver o compatriota De Gea a fazer a mancha.
Seguiu-se um remate de fora da área de Di Maria, cheio de perigo, que passou ligeiramente ao lado da baliza, mas o golpe de teatro seria dado pelos britânicos.
Já diziam os antigos que quem não marca, sofre, e o PSG acabou castigado severamente pelo próprio desperdício.
Primeiro, Kehrer escorregou e Rashford apareceu lançado na esquerda, mas o jovem inglês acabou por fazer um remate desenquadrado, mas que deu o mote para, aos 30 minutos, a vantagem voltar a ser dos homens de Solskjaer: Rashford chutou de fora da área, Buffon não segurou a bola e Lukaku, no sítio certo, fez o golo que quebrou o empate, perante um raro “frango” do veterano guarda-redes italiano.
O primeiro tempo estava eletrizante e ainda houve tempo para mais uma oportunidade para o Manchester United, com o português Diogo Dalot, que substituiu o lesionado Eric Bailly, a fazer uma boa jogada individual pela direita e a cruzar rasteiro para a área, onde surgiu o desvio de um defesa francês, mas Buffon estava atento e o intervalo chegou com a vantagem pela margem mínima do United, com tudo em aberto para a segunda parte, que prometia bom futebol.
Lukaku gelou o Parc des Princes logo aos 2 minutos, aproveitando um mau atraso de Kehrer Fonte: UEFA
Com os mesmos onzes a surgirem para o segundo tempo, o Paris SG voltou a aparecer mais atrevido no meio-campo adversário, enquanto o Manchester United continuava a tentar aproveitar a linha de três defesas muito subida dos parisienses para surpreender com bolas nas costas.
No entanto, as duas equipas pareciam preparadas para anular o adversário, e a primeira oportunidade a surgir apenas aos 56 minutos, com Di Maria a aparecer nas costas da defesa inglesa e a picar sobre De Gea para golo, logo anulado – e bem – por fora de jogo do argentino.
Infelizmente para os adeptos, as oportunidades escassearam ao longo da etapa complementar, com os contra-ataques do United a surtirem pouco efeito, enquanto as investidas ofensivas do Paris Saint-Germain eram despachadas pela defesa inglesa. Aos 70 minutos, Tuchel aproveitou uma lesão muscular de Julian Draxler para tirar o desastrado Kehrer e lançar Thomas Meunier, enquanto Leandro Paredes substituiu o médio alemão e deixou os parisienses a jogar com cinco defesas, numa tentativa de segurar a vantagem.
Numa autêntica inversão de papéis, os comandados de Solskjaer passaram a jogar mais no meio-campo do Paris SG, enquanto a equipa da casa partia mais para o contra-ataque, mas foi preciso esperar pelos 82 minutos para aparecer a primeira oportunidade de real perigo. Meunier fez um remate cruzado dentro da área, mas De Gea, atento, defendeu a bola.
Logo no minuto seguinte, Mbappé desperdiçou a grande oportunidade para sentenciar a eliminatória, aparecendo na cara de De Gea, sozinho, mas não conseguiu ultrapassar o guardião espanhol, enquanto Meunier, na recarga, atirou ao poste.
Os últimos minutos prometiam ser de loucos e, aos 90 minutos, o árbitro foi ao VAR rever um lance na área do PSG e acabou por assinalar grande penalidade a favor do United por braço na bola de Kimpembe. Com os nervos à flor da pele, viu-se um duelo de gerações na grande área, com o jovem Rashford no frente a frente com o veterano Buffon. O internacional inglês atirou para a esquerda, e o histórico italiano ainda acertou no lado, mas o esférico acabou mesmo por entrar na baliza, dando a volta à eliminatória.
Com Neymar nas bancadas, completamente abismado, o PSG ainda tentou pressionar nos nove minutos de compensação que surgiram. Desesperado, Thomas Tuchel lançou Cavani, mas a vitória não fugiu aos Red Devils, que gelaram o Parc des Princes e deram uma reviravolta épica à eliminatória, seguindo para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Paris Saint-Germain FC: G. Buffon, T. Kehrer (L. Paredes, 70’), T. Silva, P. Kimpembe, J. Bernat, Marquinhos, M. Verratti, A. Di Maria, J. Draxler (T. Meunier, 70’), D. Alves (E. Cavani, 90’+5), K. Mbappé.
Manchester United FC: D. De Gea, V. Lindelof, E. Bailly (D. Dalot, 35’), C. Smalling, L. Shaw, A. Young (M. Greenwood, 87’), S. McTominay, Fred, A. Pereira (T. Chong, 80’), M. Rashford, R. Lukaku.
Já falei de Samaris aqui e volto a fazê-lo por dois motivos: destacar a preponderância que tem tido no SL Benfica e realçar a possibilidade de renovação de contrato, que surge como consequência natural do fator anterior.
O grego assumiu a titularidade com a lesão de Fejsa em janeiro. Muito antes desta infelicidade, equacionava-se a saída para outros mercados. Mas a sequência de boas exibições permitiu uma reviravolta na história, a par com a cambalhota que o Benfica deu rumo à liderança do campeonato.
O camisola 22 tem sido aposta constante de Bruno Lage, corresponde em campo e não lhe tem escapado nenhuma bola, como aquela em que “tirou o pão da boca” a Herrera no Clássico! Isso sim, contou como um golo, como referiu o trinco a propósito da celebração dos 150 jogos de águia ao peito. Perante os factos, não é de todo descabido pensar que a renovação de contrato seja o próximo passo na carreira.
Samaris tem encaixado como uma luva no sistema de Bruno Lage Fonte: SL Benfica
No entanto, pode-se pensar o que se sucederá quando Fejsa estiver recuperado? Ou qual o papel – em constante ascensão – de Florentino? São duas questões que importam num futuro próximo, embora não seja prioritário, dado o bom momento de forma que Samaris atravessa.
A posição de trinco está muito bem entregue ao grego, que oferece estabilidade e confiança. Seguro nos desarmes, fecha a porta a qualquer adversário e torna o setor indestrutível.
É certo que não se pensava sequer que pudesse ter uma segunda oportunidade com Bruno Lage – a esta altura, já estava de saída – mas a verdade é que constitui uma das grandes surpresas na presente temporada.
Para Samaris, o Benfica é a sua equipa, foi onde passou metade da carreira e onde já conquistou oito troféus. O campeonato pode ser o nono. Por isso, é importante continuar a selar por esse objetivo. “O Benfica merece este lugar, mas tem que acabar nele”, afirmou em declarações à BTV, partilhando o espírito da restante equipa, que não se contenta com o segundo lugar.
Enquanto não chega a renovação – é uma questão de dias –, é tempo de manter a fasquia e aproveitar ao máximo a titularidade, não esquecendo que Fejsa está a chegar e Florentino a despontar. Assim, um dos interessantes desafios para Bruno Lage passa por conciliar três médios defensivos de enormíssimo talento. Mas isso é uma questão que se pode aprofundar noutro texto.
Para já, é altura de guiar o Benfica a novas conquistas, privilegiando o treino e sabendo que todos contam. Nesse ponto de vista, Samaris não fica de parte! Como não ficou quando Lage decidiu – e bem – dar-lhe uma segunda vida no novo Benfica que hoje emerge.
O avançado brasileiro dos Guerreiros do Minho, Dyego Sousa, tem sido uma das figuras da época no futebol português. Com 19 golos no total da época e 14 no Campeonato, é o homem golo dos arsenalistas e tem sido apontado com uma peça fulcral da boa campanha do SC Braga nesta temporada desportiva.
Também por isso, sente-se no clube algum orgulho no desenvolvimento do atleta e em ter um jogador a lutar pelo título de melhor marcador da Liga. Assim, foi recusada a sua venda no mercado de inverno, apesar de haver vários interessados e disponíveis para pagar um preço justo e muito benéfico para os minhotos.
No entanto, nem tudo são rosas. Esta maior preponderância de Dyego Sousa fez a equipa mudar o seu estilo de jogo, que é hoje mais direto e vocacionado em colocar a bola na área para o avançado marcar, quando comparado com o da época transata, muito mais envolvente de toda a equipa e atrativo de ver.
É claro que estas alterações não são exclusivamente por culpa do avançado brasileiro, já que foi preciso também reconstruir o miolo do terreno perante as saídas de André Horta, Danilo e Vukcevic. Ainda assim, a forma como tal foi feito também denota essa alteração tática, com o exemplo mais gritante a ser a preferência por Claudemir face a um Palhinha claramente superior no nível técnico, mas menos focado na baliza. No Braga de 2017/2018, Palhinha encaixaria na perfeição, mas no deste ano tem sido mero substituto de ocasião.
Palhinha tem sido preterido demasiadas vezes Fonte: SC Braga
Caso semelhante acontece com João Novais, um jogador que claramente merece mais tempo de jogo, mas que só o tem encontrado para jogar na ala, em lugar de um apagado Ricardo Horta, de forma a dar maior verticalidade ao jogo bracarense.
De qualquer modo, o centro destas mudanças é a frente de ataque. O objetivo de uma equipa de futebol é marcar golos e, por isso, não raras vezes é construída de forma a servir da melhor maneira os avançados escolhidos. Ora, se no ano passado, o Braga entusiasmava com Hassan ou Paulinho, que criavam oportunidades e espaços para a equipa, comandando o conjunto que melhor futebol praticava em solo nacional, este ano só entusiasma mesmo o número de golos de Dyego, mas a custo de toda a restante equipa.