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CS Marítimo 0-2 FC Porto: Otávio desbloqueou o jogo no Caldeirão

À entrada para a jornada 9, os dragões deslocaram-se à Madeira repetindo o onze do jogo frente ao CD Feirense na jornada anterior. O Estádio dos Barreiros ou o “Caldeirão” foi o palco para esta partida, estádio este tradicionalmente complicado para a equipa da Invicta, que só venceu uma partida nas últimas seis disputadas, precisamente na época passada.

Desde o apito inicial que os adeptos assistiram a um jogo intenso e fechado, mais por parte do Marítimo que procurou defender o resultado desde cedo. Os homens da casa entraram agressivos no jogo e antes da meia hora de jogo já tinham dois jogadores amarelados, primeiro Jean Cleber, logo aos dois minutos de jogo e mais tarde foi a vez de Lucas Áfrico ser sancionado.

Apesar do FC Porto estar por cima da partida, foi o CS Marítimo a criar a melhor oportunidade de golo no primeiro tempo. Em cima do minuto 30′ e contra a corrente do jogo, depois de uma boa combinação entre Jean Cleber e Joel Tagueu, o camaronês rematou desenquadrado permitindo a defesa apertada de Casillas.

Até ao final da primeira parte, o FC Porto teve dificuldades em penetrar a barreira defensiva adversária e tinha em Corona o elemento mais desequilibrador dentro de campo. Por seu lado, a equipa de Cláudio Braga continuou fiel à sua ideia de jogo, alinhando com as linhas muito juntas condicionando as investidas ofensivas dos dragões.

Corona foi o homem que mais desequilibrou a equipa insular no primeiro tempo
Fonte: FC Porto

O intervalo chegava aos Barreiros e ficava a sensação de que os dragões teriam de vir com outra mentalidade dos balneários para alcançar a vitória no Caldeirão e conseguir aproveitar o deslize do SL Benfica.

As equipas voltaram ao relvado sem alterações e foram os dragões logo aos 48′ a estar perto do golo depois de Soares rodar bem sobre o adversário e a rematar colocado para a defesa de Amir.

No minuto 64′, ocorreu um dos momentos da partida! Depois do central do Marítimo carregar Soares dentro de área, Carlos Xistra assinalou grande penalidade. A cobrança da bola parada ficou entregue a Marega que bateu fraco para o lado direito de Amir que defendeu e manteve o nulo na partida.

Pouco depois, ao minuto 67′ entrou Otávio para o lugar de Maxi Pereira e bastaram três minutos em campo para o brasileiro desfazer o empate. Uma jogada fantástica construída por Brahimi, Soares e Marega a assistir de calcanhar para Otávio que rematou colocado sem hipótese para Amir.

Três minutos depois e surgiu o segundo dos dragões. Depois de um livre ofensivo do Marítimo, Óliver recuperou e correu vários metros do campo deixado os dragões com quatro homens para um dos insulares. Óliver toca para Otávio que devolveu a Marega e o maliano só teve de encostar. Tudo fácil para os dragões!

Aos 80′, dois momentos de destaque para os dragões. Primeiro perda incrível de Felipe, que depois de um cruzamento teleguiado de Óliver, cabeceou por cima. Depois, Sérgio Conceição promoveu a estreia do congolês Mbemba.

Até ao final do encontro, o Marítimo ainda iria ficar reduzido a dez unidades depois de Danny ter visto o vermelho direto com uma cotovelada a Otávio.

Os dragões geriram o resultado, com mais uma unidade em campo, até ao final do encontro e o CS Marítimo foi incapaz de importunar o FC Porto no que restava da partida. A equipa de Sérgio Conceição isolou-se assim na liderança com mais quatro pontos do que os encarnados e mais três do que o SC Braga, com um jogo a menos.

Onzes iniciais:

CS Marítimo: Amir; Bebeto, Marcão, Zainadine, Lucas Áfrico (J. Correa, 78′) e Fábio China; Vukovic, Jean Cléber e Fabrício (Ricardo Valente, 80′); Danny e Tagueu (Rodrigo Pinho, 90′).

FC Porto: Casillas; Maxi (Otávio, 67′), Felipe, Éder Militão e Alex Telles; Danilo, Óliver, Jesus Corona, Brahimi (Mbemba, 80′); Marega e Soares (Herrera, 75′).

Hóquei leonino: dois reforços para atacar o “bi”

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Depois de em textos anteriores na secção Sporting CP do Bola na Rede ter dado conta de alguns reforços para esta temporada, nas equipas de Andebol e de Voleibol dos Leões eis que chega a altura de apresentar os reforços do Hóquei em patins verde e branco para a temporada 2018-19. Chegaram ao reino do Leão dois nomes sonantes da modalidade a nível europeu e mundial: o espanhol Raul Marín (ex-Forte dei Marmi) e o argentino Gonzalo Romero (ex- Reus). São jogadores que, pelo seu peso e importância, não podem deixar qualquer dúvida quanto ao objetivo da equipa de Paulo Freitas para esta época: ser bicampeão nacional.

Romero é detentor de remates extremamente fortes, capazes de quebrar o stick perante tamanha intensidade. É um jogador inteligente, bastante amadurecido taticamente apesar de ser ainda bastante jovem (26 anos). As declarações do argentino sobre o facto de representar a listada verde e branca não deixam dúvidas acerca das suas pretensões com o leão ao peito: “As expectativas são muito boas e creio que esta é uma das melhores ligas do Mundo. É óptimo estar na equipa neste momento, histórico para o Clube. Agora é pensar em ganhar esta época outra vez”.

Marín é mais velho do que Romero (32 anos). O internacional espanhol tem-se apresentado nos pavilhões a bom nível, mostrando toda a sua maturidade e capacidade técnica. É um dos melhores jogadores da atualidade, sendo o melhor marcador na OK Liga na época passada, totalizando 58 golos na prova. Será que manterá este registo no campeonato nacional de hóquei em patins? Apesar de reconhecer as diferenças existentes entre o campeonato italiano e português, “ganas” não lhe faltam: “Não estou ansioso, mas com muita vontade de me estrear aqui em casa e oferecer uma vitória aos nossos adeptos”, disse Marín antes do encontro que opôs a formação leonina à equipa transalpina do Forte dei Marmi. O seu trajeto na modalidade não deixa dúvidas sobre a tarimba deste jogador:  dois Campeonatos do Mundo, um Campeonato da Europa e três ligas europeias.

Raul Marín dispensa apresentações no mundo do hóquei-em-patins. Chegou ao Sporting com um objetivo muito claro: ser campeão nacional
Fonte: Sporting CP

Todos os sportinguistas sabem da importância que a modalidade do hóquei em patins tem para o Sporting. Muitos adeptos são hoje do clube verde e branco devido ao passado de glórias e de vitórias. É já um cliché, apesar de nunca ser demais, evocar a “equipa maravilha” de 1977 constituída por jogadores inigualáveis como Ramalhete, Rendeiro, Livramento ou Chana. E é esta viagem no tempo que os leões de Paulo Freitas têm que fazer antes de cada partida com vista à prossecução de um caminho de dedicação e de glórias que tanto desejámos. E o bicampeonato pode muito bem ser a continuação desse caminho.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Real Madrid CF 2-0 Real Valladolid CF: (Des)Ilusão

O estádio Santiago Bernabéu recebeu neste início de tarde um dos jogos da 11ª jornada que merecia especial atenção, colocando frente a frente o Real Madrid CF, que ocupava a decepcionante nona posição, e o surpreendente Real Valladolid CF, que se encontra em grande forma.

Solari, o treinador interino dos merengues, não contou com Carvajal, Marcelo e Varane, optando por Odriozola, Reguilón e Nacho, respectivamente. O treinador argentino deixou Isco no banco de suplentes. Do outro lado, o treinador dos visitantes repetiu o onze inicial que havia alinhado na última ronda da Liga Espanhola.

O Real Madrid entrou muito bem na partida e finalmente parecia dar indícios de melhoria em comparação aos últimos encontros. Benzema, logo aos 4 minutos, já dentro da área, rematou cruzado, mas a bola passou a rasar o poste direito da baliza de Masip.

Foi uma ilusão. O domínio do Real Madrid durou somente 5 minutos e o que se assistiu de seguida foi um Valladolid com personalidade e munido de alguns jogadores de grande qualidade, a resistir facilmente aos ataques pouco lúcidos da equipa de Madrid e a ameaçar sucessivamente no contra-ataque.

O tempo foi passando. Registaram-se apenas mais dois motivos de destaque, um para cada lado, com Bale e Antonito a não conseguirem concretizar devidamente as suas oportunidades. Acabou por se instalar a ideia de que os jogadores merengues jogavam “sob brasas” e nada corria de feição. Com valores de posse de bola astronómicos, a verdade é que ainda assim, o Real Madrid foi uma equipa impotente pois não conseguiu mais voltar a criar perigo junto da baliza adversária.

Terminou assim o primeiro tempo com o nulo no marcador, com 45 minutos de futebol pouco entusiasmante e que nem sequer dignificaram o palco da partida.

Entre assobios e aplausos, os jogadores regressaram dos balneários e esperava-se um Real Madrid muito diferente. Os adeptos enchiam-se de esperança de que o “grito de revolta” fosse dado na segunda parte e, por outro lado, estava bem presente a ideia de que este Valladolid tinha equipa mais que suficiente para sair do Santiago Bernabéu com 3 pontos.

Fonte: La Liga

O Real tornou a entrar muito bem em campo, com um jogo rápido e mais vertical e foi novamente Benzema a dispor de uma oportunidade para colocar a equipa na frente do marcador, mas o remate foi interceptado pela defensiva visitante.

Nos 15 minutos seguintes, assistiu-se à melhor fase do Valladolid, que coleccionou três grandes momentos para fazer golo. O Real esteve à beira do abismo, mas houve algo que o impediu: a barra da baliza de Courtois.

Por duas ocasiões, a remates de Alcaraz e Toni, a bola não quis entrar, segurando assim a ira dos 68 mil adeptos merengues que marcaram presença no jogo desta tarde.

O domínio visitante acabou por se dissipar, o jogo retomou a toada de bastante equilíbrio e Solari necessitou de mexer na equipa para triunfar na competição. A chave da vitória estava, de facto, no banco. Era necessário alguém que entrasse sem qualquer tipo de medo em fazer o seu jogo e tudo isto foi personificado em Vinícius Júnior, que aos 83 minutos, numa jogada individual, contou com um ressalto após o seu remate para fazer golo. O Real Madrid, num lance fortuito e de bastante sorte, conseguiu desbloquear a partida.

O Valladolid deu a partida como perdida e permitiu ainda que o Real Madrid beneficiasse de uma grande penalidade “à Panenka”, convertida pelo capitão Sergio Ramos, que procurou dar confiança e trazer estabilidade à equipa madrilena.

O jogo acabou com um 2-0 favorável ao Real Madrid, que mesmo com mais uma exibição fraquíssima conseguiu regressar às vitórias, somar três pontos e alcançar provisoriamente a sexta posição. O Valladolid pode queixar-se da sorte e considerar o desfecho injusto, mas cai de pé, pois deixou uma excelente imagem num dos maiores palcos do futebol mundial.

Real Madrid: Thibaut Courtois, Sergio Ramos, Nacho Fernández, Álvaro Odriozola, Sergio Reguilón, Toni Kroos, Luka Modric, Casemiro (Isco´56), Karim Benzema, Gareth Bale (Vásquez´71), Marco Asensio (Vinícius ´73)

Valladolid: Jordi Masip, Kiko, Calero, Javi Moyano ( Duje´85), Nacho Martínez, Rubén Alcaraz, Antoñito, Toni Villa (Daniele´69), Míchel Herrero, Enes Unal, Leo Suárez (Óscar´76)

Os 10 melhores golos até à 8.ª jornada

O campeonato vai ainda no seu início, mas conta já com excelentes remates certeiros e para todos os gostos. De fora da área, em força ou em jeito. Remates de primeira ou conclusões perfeitas de uma jogada elaborada. Dos 184 golos apontados até à oitava jornada, reuni 10 que me parecem exemplos perfeitos da qualidade individual transversal a todas as equipas do campeonato.

A escolha obedeceu simplesmente ao gosto pessoal, sem nunca olhar aos clubes em causa. Prova disso são as presenças no top de três tiros certeiros do CD Santa Clara ou dois do CD Tondela.

10.


Rashid (vs CD Nacional) – Com a colaboração do guarda-redes adversário e a sua má abordagem, Rashid apontou um canto direto e aumentou, na altura, a vantagem do CD Santa Clara para 0-2. A partida terminaria com a vitória dos visitantes por 0-3.

ABC 24-25 FC Porto: Dragões sem intensidade sofrem sem necessidade

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Braga a receber a partida grande da jornada no Campeonato Nacional de Andebol, com o FC Porto a visitar o reduto academista com intenção de somar mais uma vitória na luta pelo título da Liga. Já o ABC, que continua em restruturação e por isso tem este ano ambições mais modestas que o habitual, tentaria surpreender e aproveitar o fator casa.

Os amarelos até entraram melhor e chegaram a liderar por 4-2. No entanto, rapidamente os dragões reagiram e deram volta, alcançando até uma vantagem de três golos (5-8). Quando parecia que os azuis e brancos iam embalar para uma vitória convincente, faltou intensidade e, mesmo com várias falhas, o ABC foi capaz de reduzir a diferença.

Mesmo sem jogar por aí além, os academistas conseguiram até empatar e 10, mas o FCP retomaria de imediato a liderança com dois golos de rajada. Nos últimos instantes da primeira parte, o ABC marcou e, na última jogada, Magalhães não conseguiu converter um livre dos onze metros já com o cronómetro esgotado, levando a partida para intervalo em 11-12. 

Nuno Silva foi o melhor dos academistas
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

A pausa ficou marcada por uma homenagem a Nuno Brito, o jovem atleta do ABC que integrou a seleção nacional de andebol de praia que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires.

No reatamento, voltaram os amarelos a entrar melhor e, sem cerimónias, não só reviraram o marcador como estabeleceram uma vantagem de três golos (16-13). Só que, mais uma vez, os dragões estiveram à altura. Com maior intensidade fruto da entrada de Rui Silva, que havia sido poupado no primeiro tempo, conseguiriam reverter a tendência e voltar a dar ao jogo a igualdade.

A partir daí, o Porto assumiu de vez o encontro e isolou-se, mantendo uma vantagem por volta dos três golos até ao final da partida e, apesar das tentativas academistas que conseguiram reduzir no final, confirmaram mesmo o triunfo. Os dragões saem de Braga com uma vitória mais suada que o necessário. O ABC deu luta como pode, mas a diferença entre as equipas é, neste momento, demasiada.

Olá, Benfica. Está aí alguém?

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“Olá? Benfica? Estás aí?”

Esta tem sido a minha vida nas últimas semanas. Depois daquela coisa em Amesterdão, de perder contra um clube sem adeptos (porque todos sabemos que as pessoas apoiam o CF Os Belenenses e não a SAD), o Benfica deu-se ao luxo de perder contra o Moreirense FC em casa, mesmo tendo passado para a frente do marcador logo aos dois minutos.

Antes de mais e para acabar já com falsas esperanças, este texto não é um ataque ao Rui Vitória. Este texto é toda uma caixa de lenços brancos dedicados ao Sport Lisboa e Benfica.

Há coisas que não compreendo e que me causam muita espécie. Neste momento, o Benfica é uma dessas coisas. Não vou bater no pai de família honrado, nem no grande capitão que leva um vermelho direto quando tudo corre mal. Vou mesmo bater no Benfica, porque, acreditem, se esta coisa que eu tanto amo fosse “tocável” eu estrangulava-a e atirava-a do terceiro piso para fora do estádio.

Ontem, logo depois do jogo, fiquei possessa. A minha cabeça era do tamanho do mundo, o meu estômago era um autêntico nó e qualquer piada era-me insuportável. Hoje já passou. Aquela vontade de chamar nomes ao Rui Vitória já passou. Hoje, só quero dar-lhe um abracinho e dizer que vai ficar tudo bem – mas não no Benfica. Quero chegar ao pé do tão aclamado pelo povo, Senhor Presidente, e perguntar-lhe se está tudo bem naquela cabecinha. Quero também chegar ao pé de todo um conjunto de jogadores e, com um sorriso amável na cara, perguntar se sabem que os jogos não se ganham com frases fofinhas no instagram.

Muita coisa tem de mudar e talvez tenha de começar por Rui Vitória
Fonte: SL Benfica

Chega. Chega, Benfica. Eu, que escrevi tantas vezes a atenuar a culpa de Rui Vitória (nunca a defendê-lo como treinador, mas sim a defendê-lo dessas coisas horrorosas ditas por aí), escrevo hoje a dizer que chega. Para o bem de todos, chega.

A continuidade de alguém que os adeptos já não podem ver à frente, não vai trazer nada de bom ao clube. O Benfica vai continuar a jogar mal. A equipa adversária vai continuar a brincar connosco. As conferências de imprensa vão continuar a ser um misto de “desculpem” e de “a culpa não foi nossa”. Os adeptos vão deixar de apoiar aquilo que importa. E de que nos serve lenços brancos, gritar “demissão”, “Benfica é nosso” e, em breve, faixas nos topos com mensagens representando a sua falta de paciência para com tudo.

Eu escrevo e continuo a escrever, triste, cansada, farta deste meu Benfica que não está, não vem, não aparece, não reage. Escrevo e sei que escrevo em vão, porque o orgulho dos dirigentes é maior que a sua racionalidade. Grimaldo disse ontem que “há muitas cosias para mudar” e nunca ninguém esteve tão certo. Então mudemos, mas comecemos pela base. Lamneto, mas não podemos mandar os jogadores todos embora, portanto…

Benfica, se estás aí responde. Se estás aí reage. Faz alguma coisa porque isto assim só dói. A época ainda agora começou e há tempo. Há tempo para mudar, há tempo para dar o salto, para “reconquistar”. Não há mais tempo para orgulhos pessoais, raiva nas bancadas, inércia em campo e discursos bonitos que já ninguém quer ouvir.

Num desespero eu só quero ouvir alguém dizer que isto vai mudar, que isto não vai continuar assim. Mas esse alguém não é o Grimaldo com “juntos” ou o Jardel com “peço desculpa”. Quero uma resposta a sério, algo que tranquilize toda uma massa adepta.

Por isso, Benfica, por favor, responde, antes que seja tarde de mais.

PS. Parabéns, Pablito! Vem até cá e salva-nos de nós!

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

WWE Crown Jewel – Até começou bem…

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O Crown Jewel irá ficar na memória por ter sido o evento que trouxe Shawn Michaels de volta aos ringues. Será também recordado pelo regresso de Hulk Hogan à WWE, naquela que foi mais um pequeno ajuste político por parte da empresa, uma vez que John Cena e Daniel Bryan não quiseram estar presentes.

Para além destes dois regressos, o Crown Jewel foi um evento que não cumpriu com o esperado (sendo que as expectativas já não eram as melhores). Demasiado longo, e com combates a mais que não contaram nenhuma história em particular. Não houve nenhum desenvolvimento em qualquer rivalidade, e no geral pareceu um card feito à pressa para tentar encher as horas que este evento teve.

Falando em resultados: a World Cup terminou numa autêntica confusão, Brock Lesnar ganhou o título Universal da pior forma possível e AJ Styles reteve o seu título. O main-event foi o esperado, sendo que no final os Degenartion-X saíram vencedores. É pena recordarmos a noite do regresso de Shawn Michaels aos ringues sem saudades, mas foi isso que a WWE fez.

Nota do evento: 5/10

SL Benfica 1-3 Moreirense FC: Menos seis pontos, mais lenços brancos

No arranque da nona jornada da Primeira Liga, fez-se história. O Benfica perdeu no Estádio da Luz por 1-3 contra o Moreirense. A equipa de Moreira de Cónegos venceu pela primeira vez na história no terreno de um dos três grandes do futebol português. Por outro lado, é a terceira derrota consecutiva para os «encarnados», a segunda no campeonato.

O arranque da partida parecia um jogo de andebol: cada ataque dava golo e no final do partida se veria quem vencia. Os «encarnados» inauguraram o marcador logo aos dois minutos. Chiquinho entrega a bola para o lado direito da área visitante, onde estava João Félix a ver Jonas a entrar ao centro da pequena área do Moreirense. O goleador do Benfica – que foi titular neste jogo a par do jovem formado no Seixal – só teve de encostar para a baliza de Jhonathan (1-0). Três minutos depois, o mesmo Chiquinho terá se redimido do erro feito na jogada anterior. Arsénio ataca pelo lado direito e encontra o ex-Benfica à entrada da grande área do Benfica. Isolado, o camisola 22 do conjunto de Moreira de Cónegos rematou de primeira e colocado para o lado esquerdo da baliza de Vlachodimos (1-1). Nesta jogada, muita culpa para os defesas centrais do Benfica, que não estavam sincronizados e mostravam não saber quais adversários marcar e também para o lateral esquerdo Grimaldo, que não se viu para marcar o oponente posicional direto que era o extremo direito Arsénio.

O Benfica mostrou-se muito desatento no capítulo defensivo nesta primeira parte, algo invulgar nos jogos do Estádio da Luz, mas queria atacar com muitos elementos. Pizzi passa longo do meio campo para a entrada da área, onde entretanto chegava Rafa. O extremo picou a bola ao ver o guarda-redes do Moreirense a aproximar-se da bola. Este consegue correr até à baliza para negar o golo das «águias» depois de dar uma palmada no esférico.

Para a surpresa de alguns, dado ao momento de forma do Benfica, só faltava o Moreirense dar a volta no marcador e dilatar a vantagem. Ao minuto 16, Pedro Nuno, outro ex-jogador dos «encarnados», faz o 1-2 após novo contra ataque protagonizado de Arsénio pela faixa direita. Novamente, Grimaldo não estava lá e era Fejsa a compensar a marcação. O extremo consegue libertar-se do adversário para cruzar rasteiro ao segundo poste e o médio do Moreirense encostar. Os visitantes continuavam a explorar o Benfica no contra ataque até que aos 36 minutos, Loum faz o inédito 1-3 com um remate potente fora de área. Poucos minutos antes, tinha sido negado um golo a Rafa praticamente de baliza aberta após contornar o guarda-redes.

A equipa do Benfica não deixou de procurar golos a seu favor, mas saiu da primeira parte debaixo de assobios dos adeptos. Para o segundo tempo, o conjunto «encarnado» regressou ao relvado da Luz sem Pizzi e André Almeida. O treinador Rui Vitória colocou Castillo e Salvio procurando ainda mais largura e elementos no ataque, algo que se presumia desnecessário pois o Benfica chegou à desvantagem por esses mesmos motivos.

Contudo, seria necessário um golo logo a abrir a segunda parte para retirar qualquer coisa deste jogo. Quantidade de ataques não significava qualidade. As jogadas eram demasiado previsíveis, procurava-se a sorte a partir de vários cruzamentos e bolas pelo ar quase sem nexo. Os minutos iam passando e o Benfica não ia fascinando. A defensiva do Moreirense acompanhou os vários lances da equipa da casa sem qualquer problema.

Esta má perfomance do Benfica tem como culminar a expulsão de Jardel. O capitão dos «encarnados», atrás de uma barreira formada pelo Moreirense num livre a favor do Benfica, dá uma cotovelada desnecessária a Arsénio, à vista do árbitro.

Com este resultado, o Benfica sofre a segunda derrota consecutiva no campeonato. Rio Ave e Sporting podem ultrapassar o Benfica se vencerem Nacional e Santa Clara, respetivamente. Caso baterem os leões, os açorianos alcançam a pontuação dos «encarnados» que ficou intacta nesta jornada, 18 pontos.

Onzes iniciais:

SL Benfica: Odysseas Vlachodimos; André Almeida (Salvio 45′), Ruben Dias, Jardel e Grimaldo; Fejsa, Gedson Fernandes e Pizzi (Castillo 45′); João Félix (Cervi 67′), Rafa e Jonas

Moreirense FC: Jhonathan; D’Alberto, Abarhoun, Ivanildo e Rúben Lima; Loum, F. Pacheco, Arsénio (B. Fonseca 79′) e Chiquinho (Neto 85′); Pedro Nuno e Nenê (Pato Rodríguez 67′)

Fortaleza Leonina

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Numa altura em que o contexto leonino não é, de todo, o melhor, enfatizamos um dado factual e já histórico. Em jogos a contar para o campeonato, o Sporting não perde em casa há 22 jogos consecutivos.

É preciso recuar até ao ano de 2017, mais propriamente até ao dia 7 de maio de 2017, para retratar a última derrota dos leões em pleno Estádio de Alvalade. Foi perante 45864 espetadores, em jogo a contar para a trigésima segunda jornada da edição 16/17 do campeonato, que os homens então comandados por Jorge Jesus perderam frente ao Belenenses por 3-1.

Num jogo que até celebrava o Dia da Mãe, os sportinguistas quiseram celebrar o dia em família e aproveitaram para marcar presença em Alvalade.

A equipa leonina até chegou à vantagem primeiro por intermédio de Bruno César, mas a partir adormeceu por completo no jogo. Abel Camará, aos 65 minutos, empatou a partida através de uma grande penalidade mas foi nos últimos dez minutos que os homens do Restelo conseguiram a reviravolta. Dinis Almeida, aos 85’, colocou os azuis na frente do marcador e, aos 88’, Gonçalo Silva fez o terceiro.

Sporting conquistou um marco histórico em Alvalade
Fonte: Sporting CP

A partir daí nunca mais o Sporting perdeu em casa para o campeonato. Ora, é quase incongruente o facto de o Sporting ter estado uma época inteira sem perder em casa e não ter sido campeão. A verdade é que os resultados fora de casa não são nada positivos e em muito têm posto em causa os objetivos do Sporting Clube de Portugal.

É ainda importante refletir acerca de como é que se alcançou tal feito. Numa altura em que os jogadores se recusam a aplaudir os presentes em Alvalade, é de elementar importância fazer a questão: não é graças ao constante dos adeptos que o Sporting não perde há 22 jogos consecutivos em casa?

 

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

 

 

 

O estranho caso de Helton

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Olhando para o passado do FC Porto são vários os nomes incontornáveis e que ficarão para sempre associados a momentos importantes do clube. Num passado recente, um desses nomes é o de Helton. Ter tido a possibilidade de o ver vestir de dragão ao peito é algo de que me orgulho, recordar as suas intervenções é algo que continuo a fazer, aceitar a forma como saiu do clube, é algo que nunca vou conseguir. E esse é o estranho caso de Helton.

Camisola amarela e calças pretas: é esta a forma como mais recordo Helton a guardar as redes da nossa baliza. Vê-lo subir ao relvado de calções, confesso, deixava-me nervosa, tal era o hábito de o ver de calças. Durante anos, a quem quer que me perguntasse qual o meu jogador preferido da equipa (aquela pergunta básica que toda a gente já terá com certeza ouvido), respondia sem hesitar que era o Helton. E não só pelo seu trabalho, muito também por tudo o que transmitia.

Não consigo lembrar-me do Helton sem ser com um sorriso aberto no rosto. Era a essa a forma como estava na maioria das vezes e era dessa forma que gostava de se relacionar com colegas e adeptos. A 12 de agosto de 2016, na primeira jornada dessa época e no jogo inaugural do campeonato, fui ao Estádio dos Arcos receber a equipa, no segundo ano de Casillas de azul e branco. Também no ano em que o Helton deixou o clube. Cá fora, enquanto se esperava o autocarro, fui abordada por um casal espanhol que me perguntou qual o jogador que eu preferia. Pela primeira vez, fiquei a pensar numa resposta para dar!

Nunca fui uma fã acérrima do Real Madrid. Para os lados de Espanha, sempre me senti mais inclinada pelo futebol do Barcelona. Ainda assim, tinha em Casillas um jogador que admirava, um herói no seu clube, um ícone na seleção do seu país. Vê-lo praticamente atirado para fora do Bernabéu foi daquelas decisões que não entendi nem quis esforçar-me para entender. Simplesmente não me fazia sentido! Quando começaram os rumores de que viria para o FC Porto, temi que o meu clube fosse fazer exatamente a mesma coisa a um dos seus. Ao seu capitão. E assim foi!

Braçadeira de capitão, liderança em campo e sorriso fácil: Helton
Fonte: Bola na Rede

Vi elementos ligados ao FC Porto criticarem a atitude tida pelo Real Madrid em relação a Casillas, uma figura de proa da equipa. Depois, vi-os fazer exatamente o mesmo a Helton, num momento que ainda hoje considero uma infeliz passagem na história do clube. Mais do que usar a braçadeira de capitão, Helton liderava verdadeiramente a equipa e com ele estava tudo (quase sempre!), controlado. Recordo as suas saídas arriscadas, o seu habitual jogo de pés, a forma como parecia sempre ser bafejado pela sorte depois de uma má abordagem a um lance. Recordo, claro está, as suas grandes defesas que por muitas vezes “salvaram” o resultado. Durante 11 épocas, Helton esteve em sete títulos nacionais, quatro Taças de Portugal, seis supertaças e uma Liga Europa.

Em 11 épocas, a titularidade esteve-lhe indiscutivelmente entregue durante nove! Para os adeptos, Helton era um ícone. Era não, de certeza que ainda o é. O Helton deixou por certo todos os adeptos com a forte necessidade de lhe fazerem um pedido de desculpas pela forma como viu chegar ao fim a sua ligação ao clube. Acredito que a grande maioria dos adeptos quereria despedir-se do seu capitão de uma outra forma, com Dragão cheio, aplausos, sorrisos.

Ao Helton, eu sinto a necessidade de dizer que foi um ídolo que cresci a admirar, um homem a quem invejo a capacidade do sorriso fácil, alguém a quem, se pudesse, diria um “desculpa por tudo”. Mas mais do que isso, ao Helton diria sempre, “Obrigada, Capitão”!

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves