Existiram outros tempos; sempre existiram tempos diferentes. Cada dia que nasce é outro dia; outro tempo. A América do Sul era tal como hoje uma potência futebolística. Mas, era diferente porque estava cheia de clubes que discutiam a hegemonia intercontinental com os grandes clubes de Europa. O Brasil além do Santos de Coutinho, Pelé e Pepe, tinha um Botafogo majestoso, um Flamengo ou um Fluminense encabritados ou um Vasco da Gama que marcava presença assídua na Europa. A Argentina mostrava quem eram os Estudiantes de la Plata, o Boca ou River e o Uruguai vivia o apogeu do histórico Peñarol de Montevideo. A bola entre a década dos 50 e dos 60 do século passado era muito mais redonda…
O Peñarol no seu peregrinar através do êxito, teve na posição chave de médio defensivo um dos grandes médios de sempre: Néstor “Tito” Gonçalves. Jogou seis finais da Taça Libertadores. Não há mais; é o único. Ganhou uma Taça Intercontinental em Madrid e ao Real Madrid. Ganhou outra Taça Intercontinental ao grande Benfica de Costa Pereira, Germano e José Águas. Foi oito vezes campeão do Uruguai, é um mito. Tal como o grande Germano evolucionava no campo de uma forma suave, mas, com grande sentido estratégico, tático e visão de jogo.
Formou parte do quinquénio de ouro ao ganhar três Taças Libertadores e duas Taças Intercontinentais. Foi contemporâneo de um enorme médio defensivo sul-americano do Boca Juniores chamado António Rattín. Os grandes clubes tentaram-no, mas, soube dizer não ao Real Madrid e ao River Plate argentino. O Peñarol soube colocá-lo no pedestal de mito e o seu nome está associado a várias iniciativas estruturais do clube.
Néstor “Tito” Gonçalves com a Taça Intercontinental Fonte: futbol.com.uy
Não foi em vão que iniciei esta crónica ao afirmar que a bola nessas décadas pretéritas era mais redonda. Existiam clubes em Europa poderosíssimos, no entanto, a América do Sul, além de exportar craques como Di Stéfano, Rial ou Santamaría, mantinha no seu seio equipas super competitivas. As Taças Intercontinentais podiam cair de um lado ou outro do Atlântico.
Essas décadas dos 50-60 do século passado viram desaparecer duas equipas míticas: Manchester United e Torino. Viu aparecer como um vulcão em erupção o Real Madrid, o Barcelona, o Benfica ou o Inter de Milão mas a América do Sul não temia, lutava, jogava e vencia. Hoje, a bola parece quadrada e as vitórias são lugar comum associadas a certas equipas europeias.
O Rali Vinho da Madeira, a sétima prova do Campeonato de Portugal de Ralis, demonstrou o talento dos pilotos locais e a competitividade que existe na Madeira.
A armada “continental” presente na sétima prova do CPR teve várias surpresas. Ricardo Teodósio após a conquista da sua primeira vitória queria levar outra vez o Skoda Fabia R5 ao lugar mais alto do pódio. João Barros também voltou a estar presente numa prova do CPR, está claro, motivado pelo pódio em Castelo Branco. Armindo Araújo, doze anos depois, está de volta ao Rali Vinho da Madeira onde na sua última presença tinha tripulado um Mitsubishi Evolution IX.
Num dos mais técnicos ralis de asfalto presentes no CPR, a primeira especial decorreu na Avenida do Mar. Aí, Armindo Araújo demonstrou ser superior ao resto do pelotão, assim iniciando o rali muito bem. Na segunda posição estava Pedro Meireles, enquanto o “Senhor Espetáculo” Ricardo Teodósio fechava o pódio da geral.
Embalado pela vitória no Rali de Castelo Branco, Ricardo Teodósio veio à Madeira disputar o título do Campeonato de Portugal de Ralis Fonte: Rali Vinho da Madeira
Mas tudo iria mudar no segundo dia. Os locais começaram a impor-se. Alexandro Camacho, em Skoda Fabia R5, ganhou nove das dez especiais que se correram nesse dia, garantindo assim uma diferença de cerca de 22s para João Silva, em Citroen DS3 R5. A completar o pódio vinha o primeiro piloto do CPR, José Pedro Fontes. Este mostrava-se mais confortável no novo Citroen C3 R5. Quem teve um segundo dia para esquecer foi Armindo Araújo. Um furo no Hyundai i20 R5 custou-lhe a liderança, acabando o dia em nono da geral. Giandomenico Basso, que substituía no outro carro da Hyundai Portugal o campeão Carlos Vieira, teve problemas com a caixa de velocidades do carro da marca sul-coreano, ficando assim pelo caminho logo no início do rali.
Miguel Nunes foi o piloto que tentou levar a luta ao madeirense Alexandre Camacho. O piloto da PlayTotal Racing ganhou duas especias em todo o rali Fonte: Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting
Marega teve um papel preponderante no sucesso alcançado pelo FC Porto na época passada mas, uma possível transferência pode estar iminente. O recente “caso” criado pelo jogador maliano que se recusou a treinar forçando, com isso, uma possível transferência tornou ainda mais pertinente a procura de soluções para a sua saída. De seguida, apresentamos cinco jogadores que seriam excelentes alternativas a Marega.
Mais que a exibição deprimente, foi mesmo o importante resultado alcançado. Apesar de se tratar do primeiro jogo oficial da nova época, a equipa tinha obrigação de entregar outro espetáculo aos sócios. Desde o primeiro ao último minuto de jogo, foram poucos os lances que fizeram vibrar os mais de cinquenta e sete mil adeptos que se encontravam nas bancadas do estádio da luz.
Em reflexão ao que Rui Vitoria disse na pré-época, referindo que o Benfica tinha de ser uma equipa dominadora, de posse e de espetáculo, de nada serve ter o domínio do jogo, se depois não soubermos dar um contexto vencedor aos atletas, rumo ao sucesso.
A dependência individual da equipa para criar desequilíbrios adversários continua a ser alarmante. Numa altura em que já se devia notar alguma diferença nos comportamentos dos jogadores, não se compreende como os mesmos erros continuam a ser cometidos.
Foram muitos os pontos negativos em relação ao jogo de hoje, apesar da vitória. Começando mesmo pelo treinador, que não soube mais uma vez, entregar à equipa uma ideia de jogo consistente e criativa.
Não se compreende o porquê da escolha de Franco Cervi e Toto Salvio para as extremidades, quando se tem Facundo Ferreyra no centro do ataque. É fácil perceber o porquê de ter optado por um meio campo mais reforçado, com três unidades. Ljubomir Fesja, Pizzi e Gedson Fernandes. Quando se tem jogadores de frequências altas como os dois argentinos, torna-se apetecível para a equipa que não tem a bola, explorar a sua perda. Sálvio e Cervi não são capazes de entender os momentos em que têm de progredir, recuar ou parar, libertando sempre espaços nas costas, deixando a equipa em desvantagem numérica.
A verticalidade que ambos podem dar à equipa, pouco ou nada fez sentido num jogo como estes. Se Rui Vitoria estava à espera de explorar as fragilidades da equipa turca em transições ofensivas, foi completamente barrado com a proposta de jogo dos turcos. Um Fenerbahçe com um bloco muito baixo, cauteloso, à espera do erro da equipa encarnada e sempre muito preocupado em não deixar os jogadores do Benfica ganharem a superioridade numérica em momentos da perda da bola.
Ferreyra sempre com muita dificuldade em ganhar os duelos a Martin Skrtel Fonte: SL Benfica
Não se compreende como Andrija Zivkovic ficou de fora depois da excelente forma que demonstrou na época passada a jogar como medio interior. Rui Vitoria podia não ter optado por mete-lo em detrimento de Gedson ou Pizzi, mas fazia muito mais sentido coloca-lo no lado direito como aconteceu já na segunda parte com a saída de Sálvio. Tinha o Benfica sido mais capaz de ter critério em posse e na decisão do passe, teria errado muito menos.
Só para não falar que o sérvio por ter conhecimentos espaciais daquela zona do campo, seria capaz de dar mais profundidade ao jogo, dando a possibilidade de receber a bola e criar desequilíbrios em zona frontal á baliza. Assim libertava Ferreyra de marcação serrada, podendo então receber a bola em condições melhores e de possível remate á baliza. Algo que não aconteceu, fazendo com que Ferreyra jogasse sempre de costas para a baliza, tarefa que lhe complicou e muito o seu jogo.
Apesar de Sálvio e Cervi serem dos jogadores do plantel que mais desequilíbrio cria aos defesas contrários, a verdade é que são mais as vezes em que perdem a bola do que as vezes que ganham o lance num um contra um. Para não referir nos picos de intensidade que praticam ao longo do jogo sem sentido algum.
Rafa Silva é um jogador com a mesma capacidade de desequilíbrio que os dois argentinos, mas capaz de oferecer ainda mais ao jogo. Um jogador com a qualidade de aparecer em zonas interiores, receber a bola e virar rápido de frente para o jogo. Tinha feito muito mais sentido, ter introduzido Rafa, no lugar de Cervi, dando a possibilidade á equipa de ter um jogador rápido e móvel no ataque, sabendo dar largura e profundidade ao mesmo tempo, mas com uma mentalidade e sabedoria do jogo muito maior que o extremo argentino.
A indústria do futebol não se mostrou indiferente ao desenvolvimento tecnológico das duas últimas décadas. Numa era em que a informação é difundida por diversas plataformas digitais, os atletas e os clubes são detentores de uma maior responsabilidade social e estão expostos a um mediatismo sem precedentes.
Em correlação, o desporto-rei gera milhares de milhões de euros e é financeiramente atrativo a partir da perspetiva de diferentes investidores, de qualquer parte do mundo. Porém, apenas alguns clubes têm a atratividade e o estatuto a nível social e financeiro para lograr receitas, de forma consistente, que façam face às despesas, correntes ou extraordinárias e de, em conformidade, gerir as ambições desportivas.
Face à discrepância, o comité executivo da UEFA aprovou o Club Licensing and Financial Fair Play Regulations (CLFFPR), em 2010, tendo sido estatuído um conjunto de obrigações financeiras e contabilísticas, estando os clubes europeus adstritos ao seu cumprimento. O financial fair play (FFP) visa o são estado financeiro dos clubes europeus que pretendam participar em competições organizadas pela UEFA, através de um processo de atribuição de licença, composto por requisitos desportivos, de infraestruturas, de pessoal, administrativo, legal e financeiro.
Os clubes europeus, por forma a cumprir as obrigações de índole financeira e a participar nas competições organizadas pela UEFA, estão sujeitos ao escrutínio do Club Financial Control Body (CFCB), a partir de um requerimento a ser elaborado pelo clube interessado, que contém o resultado financeiro segundo as especificidades consagradas no anexo décimo do CLFFPR.
Os resultados financeiros são avaliados segundo a regra do break-even: um ponto de equilíbrio entre receita e despesa, do clube interessado, no ano civil em que uma competição da UEFA tenha sido iniciada. Para efeitos de concessão da licença, a CFCB monitoriza um período de três anos, dos resultados financeiros de cada clube europeu.
Ou seja, caso um clube europeu pretenda participar em competições organizadas pela UEFA, no ano de 2019, terá que apresentar os resultados financeiros, através do consagrado no anexo décimo, de 2018, 2017 e 2016. Em cada um destes períodos, o clube europeu não pode ter um prejuízo superior a €5.000.000,00.
Ademais, os clubes europeus deverão demonstrar, por documento certificado, de que não possuem, até à data de 30 de junho do ano em que a competição da UEFA se iniciará, qualquer dívida a empregados, segurança social, administração tributária e a clubes (por força de transferências), em conformidade com o preceituado nos artigos 65º e 66º da CLFFPR.
Fonte: sindeesmat
Destarte, o clube europeu interessado, em participar em competições organizadas pela UEFA, não pode registar perdas superiores a €5.000.000,00, pese embora seja possível, através do dono ou de acionistas, injetar até €30.000.000,00, de modo a colmatar o défice.
Ademais, se for aumentado o preço ou uma outra contribuição monetária proveniente de uma empresa, detida na totalidade ou em parte pelo dono do clube ou acionistas, por forma a perverter a execução do FFP, os órgãos competentes da UEFA investigarão e caso seja provada a tentativa de deturpação, será realizado o ajuste nos cálculos do resultado financeiro, relativamente às receitas provenientes de patrocinadores ou outros, para um valor adequado e proporcional aos preços de mercado.
No cálculo do valor relevante para efeitos de break-even, o CLFFPR define, no artigo 58º nº1 e nº2 e no anexo décimo, o que pode ser considerado receita ou despesa:
Receita – bilheteira, patrocínios e publicidade, direitos televisivos, atividades comerciais (catering, merchandising, entre outras), totalidade do preço recebido por transferência de direitos de registo sobre um ou mais atletas;
Despesa – custo de vendas ou outros materiais, rendimentos de atletas, equipa técnica e diretores (salários, contribuições da segurança social, bónus, assistência médica, casas, carros ou outros bens e serviços), gastos com a compra de direitos de registo sobre um ou mais atletas, amortização de quantias devidas a título de prestações bancárias e respetivos juros, os lucros auferidos por sócios ou acionistas;
Aquando da apreciação dos resultados financeiros, elaborado de acordo com o mencionado anexo décimo, não são valoradas as despesas de investimento nas camadas jovens, no desenvolvimento de atividades comunitárias e os custos de construções ou de melhorias de ativos tangíveis (estádio, centro de estágio, centro de treinos, sede social, entre outros). A razão de ser da isenção destes gastos reside na necessidade de promoção e de desenvolvimento duradouro e sustentável dos clubes europeus.
Em caso de incumprimento com as regras do break-even, o investigador-chefe da CFCB apresenta um acordo, segundo o qual é facilitada a futura obediência àquelas regras, ou determina a aplicação de uma das seguintes sanções, ao abrigo do disposto no artigo 8º nº1 alínea a) do CLFFPR: aviso, repreensão, dedução de pontos em competições da UEFA, retenção de receitas provenientes de uma competição da UEFA, proibição de registo de novos atletas em competições da UEFA, a restrição de inscrições de jogadores em competições da UEFA e inclui um teto salarial para a equipa inscrita, desqualificação ou exclusão de competições da UEFA a decorrer ou a iniciar e por fim, a retirada de um título.
Em conclusão, o FFP não tem por âmbito a resolução de um problema pré-existente, designadamente a redução da disparidade a nível competitivo e financeiro entre clubes europeus porquanto estes não têm nem produzem o mesmo valor social, financeiro e competitivo. O FFP pretende, sim, encorajar os clubes europeus a adotarem políticas financeiras de crescimento sustentável e de controlo de endividamento.
Embora, num futuro próximo, a UEFA haverá que procurar criar instrumentos legais que alavanquem a equidade entre clubes europeus pois no atual estado de inflação do mercado de transferências, nem todos os clubes europeus têm a possibilidade de cumprir os pressupostos do break-even nem de controlar o seu endividamento. Neste paradigma, a UEFA deveria debruçar-se e incitar, através de um normativo, a redistribuição da riqueza a partir das Associações ou Federações, por forma a criar uma maior equidade entre os clubes europeus e consequentemente, aumentar os índices competitivos em todas as competições nacionais e as que são organizadas pela UEFA, nomeadamente a Champions League.
Após a melhor classificação da sua história na elite do futebol português (11.º lugar), os Beirões preparam-se para a sua quarta participação consecutiva na Primeira Liga, à procura de melhorar a classificação da época passada e cimentar a sua posição entre os grandes do futebol português. O clube de Viseu parece cada vez mais estabilizado e organizado, tendo começado a temporada a fazer história, entrando na fase de grupos da Taça da Liga após eliminar, em pleno Dom Afonso Henriques, o Vitória SC.
Modelo de Jogo
Pepa, técnico de 37 anos, continuará a ser o timoneiro do CD Tondela pela terceira época consecutiva. O seu percurso ao serviço dos tondelenses tem sido incrível, ganhando ele próprio outro estatuto como treinador no futebol português.
As equipas de Pepa têm como modelo de jogo a transição rápida, pautando-se pela objetividade e pragmatismo. Sempre com uma dupla de médios forte, Pepa privilegia os ataques pelos flancos, oferecendo protagonismo e liberdade para haver desequilíbrios aos seus avançados (quer aos extremos, que podem partir para o drible, tabela ou mesmo remate, quer aos pontas de lança, que têm carta verde para se movimentar muito).
A nível defensivo, os dois médios-centro são importantíssimos para haver equilíbrios (normalmente jogam Hélder Tavares e Bruno Monteiro, que são exímios taticamente e com bastante qualidade), os avançados pressionam a partir do meio campo e na defesa, onde emerge sempre o patrão Ricardo Costa, estão sempre quatro elementos competentes, que pouco avançam, mas que cumprem à risca defensivamente.
Falta falar na baliza, onde está um dos melhores guarda-redes portugueses da atualidade, Cláudio Ramos, que época após época, continua a mostrar ter qualidade para mais e até para ser chamado à seleção, mas que continua a ser preterido (com tantas demonstrações de talento, só podemos justificar a falta de aposta em Cláudio Ramos com a sua altura, 1.82 m; é incrível como se continua a apostar em estereótipos de como um bom guarda-redes deve ser e não na qualidade nua e crua).
Cláudio Ramos tem provado ser um dos melhores guarda-redes portugueses da actualidade Fonte: CD Tondela
Mercado
A nível de mercado, o CD Tondela conseguiu manter os seus elementos mais importantes até ao momento e entrou na Taça da Liga na máxima força e também deverá entrar com todos as suas unidades na liga. No entanto, Cláudio Ramos e Hélder Tavares estão a ser muito cobiçados, sobretudo no mercado estrangeiro, e se sair um ou até mesmo os dois seriam baixas de grande peso nos beirões.
Para a baliza, o CD Tondela melhorou a alternativa a Cláudio Ramos. O jovem internacional português de 21 anos, Pedro Silva, com contrato com o Sporting CP até 2022, foi emprestado à equipa de Pepa e é um claro upgrade em relação a Ricardo Janota que voltou à II Liga.
Na defesa, chegou João Reis e conseguiu-se a manutenção de Jorge Fernandes por empréstimo do FC Porto. João Reis, que pode jogar a lateral esquerdo ou a extremo, foi importantíssimo na subida de divisão do CD Santa Clara, e Jorge Fernandes esteve muito bem na segunda metade de época na equipa e a sua permanência foi uma grande notícia para os auriverdes.
No meio-campo, destaque para o internacional peruano Sergio Peña, de 22 anos, emprestado pelo Granada CF, jogador recheado de talento que, normalmente, costuma jogar na posição 10. No entanto, Pepa joga sem 10 no seu sistema, o que poderá fazer com que Peña alinhe a extremo ou a segundo avançado. Chegaram também Boubacarry Diarra, que deu nas vistas ao serviço do Sporting do Covilhã e que é um médio de contenção, tal como João Jaquité, que voltou após um empréstimo bem sucedido ao Lusitano de Vildemoinhos da CPP. Jaquité e Diarra serão alternativas à dupla Tavares-Monteiro, portanto não terão muito espaço, mas a época é longa e acabarão por ter oportunidades.
Pepa tem tornado o Tondela um clube cada vez mais consolidado na Primeira Liga Fonte: Bola na Rede
Chegou ainda João Mendes, médio criativo que brilhou na UD Oliveirense. João Mendes e Peña oferecem, devido às suas características, outros argumentos que mais nenhum dos médios pode oferecer (nem mesmo os titulares), o que poderá fazer com que Pepa mude o sistema e até o modelo de jogo, se assim entender, ao longo da temporada.
O ataque foi o mais bem reforçado. Juan Delgado, internacional chileno, importante na segunda metade de época, mantém-se por empréstimo do Nástic de Espanha; Jhon Murillo regressa a Tondela, após rescindir com o SL Benfica; António Xavier, que tem muita experiência de primeira liga, vem do FC Paços de Ferreira; Cristián Arango (que brilhou contra o Vitória SC na Taça da Liga), chega por empréstimo do SL Benfica; Patrick, que brilhou no FC Felgueiras com 15 golos, salta da CPP para a Primeira Liga; e ainda Pablo Sabbag, que chega por empréstimo do Deportivo Cali, e que deixou excelentes apontamentos no jogo contra o Vitória SC.
Com estas boas movimentações de mercado, aliando à permanência da base da equipa da temporada transata, o CD Tondela pode mesmo ambicionar chegar longe nas taças e melhorar o 11.º lugar obtida na Liga 17/18.
No primeiro dia com finais, tivemos já uma medalha para Portugal e logo um Ouro! Inês Henriques juntou o título europeu ao título mundial nos 50 km Marcha num dia de muito calor (os termómetros ultrapassavam os 30 graus já à hora da Marcha) que condicionou em muito os tempos obtidos. A atleta portuguesa voltou a provar estar um passo à frente da concorrência e dominou desde o início uma prova em que chegou a ter parciais bem abaixo do recorde mundial, marca que a atleta tentou bater, mas que não foi possível devido às difíceis condições da prova da capital germânica, terminando a distância em 4:09:21. Ainda assim, o grande objectivo de Inês Henriques foi conseguido e tornou-se na primeira atleta da história a tornar-se campeã europeia desta distância.
Em declarações no final da prova, Inês Henriques reconheceu que o aumento da temperatura ao longo da prova – com reflexos na sua condição física – tornou impossível essa marca de recorde mundial e que teve dificuldades em gerir o ritmo ao longo da distância. A atleta deixou ainda o desejo de ver os 50 km Marcha no feminino fazer parte do programa dos Jogos Olímpicos já em Tóquio. Mais um enorme feito da atleta portuguesa de 38 anos que em boa hora decidiu apostar nesta distância. Fecharam o pódio a ucraniana Alina Tsviliy em distantes 4:12.44 (recorde nacional ucraniano) e a espanhola Julia Takács (4:15:22).
Mas a manhã deste dia não se resumiu à fantástica prestação de Inês Henriques. Também Ricardo dos Santos mostrou o melhor de si e, de forma algo surpreendente, bateu, mais uma vez, o recorde nacional dos 400 metros, suplantando a marca que tinha obtido há quatro anos em Zurique.
Ricardo dos Santos voltou a bater o recorde nacional dos 400! Fonte: FPA
Foi nas eliminatórias dos 400 metros, que correndo numa série rápida vencida por Kevin Borlée (em 45.29), Ricardo dos Santos correu o mais rápido que alguma vez um atleta português correu a distância, completando a mesma em 45.55 segundos, batendo por larga margem o seu anterior recorde que era de 45.74 segundos! A excelente temporada de Ricardo dos Santos continua e o atleta confessou que até desacelerou um pouquinho perto do final quando percebeu que estava no grupo de atletas com qualificação direta!
Nas outras provas da manhã, pouca sorte para os atletas masculinos nos 50km Marcha, com visíveis complicações físicas para João Vieira que foi obrigado a abandonar a prova e para Pedro Isidro, que terminou a mesma com bastantes dificuldades ao nível do cansaço, num tempo de 4:11:44, na 24.ª posição. No estádio, Eliana Bandeira esteve aquém do seu melhor no Lançamento do Peso ao lançar 15.18 metros na 22.ª posição. Em 14 provas disputadas em 2018, este foi o quarto pior resultado de Eliana, sabendo que ainda assim o seu melhor pessoal (16.63 metros) não chegaria para a qualificação para a final, uma vez que a última qualificada fez 17.17 metros. Ainda de manhã, Pedro Pereira participou nos 3000 metros obstáculos, correndo em 8:54.63, na 27.ª posição, longe do último tempo de qualificação que foi de 8:30.44 – a sua melhor marca pessoal é de 8:39.19, pelo que seria sempre muito complicada a qualificação.
No período da tarde, mais uma sessão recheada de portugueses com quatro presenças nos 100 metros (3 no masculino e uma no feminino), uma nos 10.000 metros e uma na final do Peso. Lorene Bazolo foi a primeira a primeira a entrar em prova nas meias-finais dos 100 metros, mas o seu tempo de 11.46 (+0.3) apenas deu para ser oitava na sua rápida série, que apurou as duas atletas repescadas por tempo.
No masculino, o primeiro a entrar em prova foi Carlos Nascimento, que partiu bem e correu em 10.31, numa série ganha por Jimmy Vicaut em recorde dos campeonatos (9.97, vento de +0.4). O português reconheceu que esperava mais e que apesar da fortíssima série onde corria, acreditava que poderia passar à final. Ainda assim, ficou satisfeito por voltar a correr na casa dos 10.3 e, mais uma vez, abaixo do recorde pessoal que trazia para esta época, demonstrando uma grande regularidade em 2018.
Yazaldes Nascimento foi o seguinte e correu o seu melhor da temporada em 10.22 (+0.6) no terceiro lugar da série, marca que foi a nona melhor (igualada) das meias-finais e por apenas um centésimo acabou por ficar de fora da final…
No final, Yazaldes Nascimento não poupou palavras para quem nele não acreditou! Fonte: FPA
No final, Yazaldes confessou que é frustrante ficar tão próximo da final mas que, ao mesmo tempo, a sua marca prova que ainda tem muito para dar ao Atletismo e que os resultados aparecem quando existem pessoas que confiam nos atletas, mesmo nesta fase em que muitos o davam como acabado.
Na terceira série, foi a vez de José Pedro Lopes correr a distância em 10.40 (+0.2), sendo sexto dessa série. O atleta reconheceu ter sentido algum nervosismo por estar num palco desta dimensão, mas considera que foi uma boa estreia (com o apuramento para as meias-finais) uma vez que nem sequer contava com a sua presença na prova individual.
Nos 10.000 metros foi a vez de Samuel Barata entrar em acção. O atleta do Benfica acusou o calor e, sensivelmente a meio da prova, perdeu energia e sentiu que não seria capaz de terminar com um tempo digno, não terminando a distância. Por fim, no Lançamento do Peso, Tsanko Arnaudov teve 3 ensaios válidos, sendo que o melhor lançamento foi a 20.33 metros que chegou para o nono lugar, numa época em que o atleta português lançou o seu melhor logo em Fevereiro em pista coberta – com os 21.27 metros no Pombal. No final, Tsanko reconheceu que foi uma época complicada, com a lesão – pé partido – e respetivo atraso na preparação para estes campeonatos. Reconheceu o enorme nível da final e considera que aprendeu muito com o que se passou em Berlim, saindo orgulhoso pelo que conseguiu fazer este ano, apesar de tantas dificuldades.
No já longínquo ano de 2010, a Liberty Seguros/Santa Maria da Feira era “a equipa” no que ao desenvolvimento de jovens talentos do ciclismo português dizia respeito. Nesse ano, num grupo onde surgiam também Amaro Antunes (agora na Pro Continental polaca da CCC) e Fabio Silvestre (que já passou pelo World Tour), o líder principal era um tal de Jóni Brandão.
Nesse ano, seria segundo na Volta a Portugal do Futuro, 34 segundos atrás do russo Alexander Ryabkin, mas vingar-se-ia no ano seguinte, conquistando finalmente a prova rainha para os Sub-23 nacionais, aí apoiado pelos gémeos Gonçalves, José (a correr na Katusha e 14º no último Giro d’Italia) e Domingos (atual campeão nacional de crono e de fundo). Parecia encontrado o futuro grande nome do ciclismo português e foi sem supresa que se viu Jóni embarcar numa aventura no estrangeiro para a época seguinte, na Burgos.
Depois de um ano de aprendizagem por terras de nuestros hermanos, voltou a casa, mas desta vez para os profissionais, assinando pela Efapel-Glassdrive, um dos mais fortes conjuntos do pelotão português, e começou a afirmar-se. Começou por se mostrar com um sexto posto no Tour de Azerbaijan, para pouco depois conquistar aquela que ainda hoje é a maior vitória da carreira, o título nacional de fundo. Destacar-se-ia ainda na Volta a Portugal como um dos mais combativos dessa edição e ajudando Rui Sousa a chegar ao podium final.
A partir daí, o trepador português foi trilhando o seu caminho individual e, finalmente, passou a ser ele o líder dos amarelos para a maior prova do calendário nacional, chegando ao quarto posto em 2014 e sendo vice-campeão em 2015.
Tudo parecia bem encaminhado para Joni Brandão se tornar num dos nomes grandes do ciclismo nacional e a dúvida era se o ciclista de Travanca se juntava ao crescente contigente nacional no estrangeiro ou se fazia mais uma época em Portugal para conquistar a tão ansiada vitória na Volta.
Ficou-se pelo território já conhecido e, se a época começou da melhor maneira com um terceiro posto fora de portas na Vuelta a Castilla y Leon e vitórias na etapa mais dura e na Geral do GP Beiras e Serra da Estrela, o caso mudaria de figura na Grandíssima. Como muito acontece no ciclismo, os organizadores das provas estão dependentes das câmaras que pagam para receber o pelotão e esse ano marcou o início de um período em que, por essas mesmas razões, a Volta deixou de ter chegada ao Alto da Torre.
Joni não se deixou ir abaixo pela falta do elemento que mais o beneficiaria na Volta e lançou-se num ataque de proporções épicas na Torre, tentando chegar isolado à meta. Infelizmente para ele, o poderio da W52/FC Porto era demasiado e não teve hipótese de o contrariar, acabando por ter de se contentar com o quinto posto da Geral, mas levando para casa a camisola da montanha.
Estamos a dois meses da realização dos Jogos Olímpicos da Juventude e tudo parecia estar pronto para a presença da Seleção Nacional de Andebol de Praia Feminina fazer história ao marcar presença nesta competição após o terceiro lugar no Campeonato Europeu de Andebol de Praia e o quarto lugar no Campeonato do Mundo de Andebol de Praia. Até que, há dois dias, o treinador do SL Benfica, uma das principais figuras históricas do Andebol Nacional, pai de uma atleta da Seleção Nacional, Carlos Resende, surpreendeu o Andebol português ao referir que “administrativamente alguém as (Seleção Nacional de Andebol de Praia Feminina) pode colocar fora desta memorável competição”.
Ontem, dia seis de agosto, esta “ameaça” tornou-se realidade. O Comité Organizador dos Jogos Olímpicos da Juventude estabeleceu a condicionante de cada país poder apenas participar com uma seleção, por género, nas modalidades coletivas que integram o respetivo quadro competitivo. Nesse sentido, o Comité Olímpico de Portugal definiu como critério prioritário que se mais do que uma modalidade estivesse qualificada, participariam duas modalidades e não apenas uma única, garantindo uma maior diversidade da representação nacional. Acontece que no momento de encerramento das inscrições (6 de agosto) se encontravam apenas elegíveis para participar, as Seleções de Portugal de Andebol de Praia (femininos e masculinos) e a seleção de Futsal Feminina.
Face aos critérios que estavam estabelecidos, o COP decidiu que Portugal participará nos Jogos Olímpicos da Juventude com as Seleções de Andebol de Praia Masculina e Futsal Feminina, deixando de fora a Seleção de Andebol de Praia Feminina que, ao longo dos últimos anos, tem alcançado resultados excecionais e que dão grande confiança em relação ao futuro da modalidade.
Desta forma, as jogadoras da Seleção Nacional de Andebol de Praia vêm-se impedidas de participar nesta competição, algo que seria histórica para a modalidade e uma experiência que estas nunca iriam esquecer.
Todo o esforço e dedicação das guerreiras portugueses foram por água abaixo Fonte: Beach Handball Euro U18 Montenegro 2018
No entanto, este impedimento traz à discussão um problema mais profundo. Nos últimos anos, o Andebol, que é a segunda modalidade mais praticada em Portugal, tem sido completamente desvalorizada pela maioria dos portugueses. Nos últimos anos a grande vitória que se conseguiu foi a transmissão de alguns jogos do Andebol1 na TVI24 porque todos os outros canais televisivos ignoram totalmente este desporto.
No mesmo fim de semana em que a Seleção Nacional de Sub-19 foi, de forma histórica, campeã europeia de futebol, conquista que teve direito a longos minutos de reportagem e cobertura (com todo o mérito), a Seleção Nacional de Sub-20 foi, também numa prestação histórica, quarta no Europeu de Andebol. Será que alguém sem ser os praticantes e amantes da modalidade tiveram noção deste feito?
O Andebol Nacional merece mais e melhor e temos de continuar a lutar por esse reconhecimento.
Foto de Capa: Beach Handball Euro U18 Montenegro 2018
Peço desculpa desde já por estar a contactá-lo desta forma. Talvez não seja a melhor, mas parece-me a forma de me fazer notar, já que nos treinos me tem parecido que não estou a conseguir fazê-lo. Ou serão os seus olhos que estão apontados para outros locais?
Faz já alguns meses que soube que iria jogar neste enorme clube. A alegria e o orgulho foram imensos. Sei que o investimento foi também bastante considerável, o que aumentou não só as minhas expectativas, mas também a minha responsabilidade. De qualquer forma, a confiança de que aqui iria vingar é igual à que sinto sempre que vou “para cima” de um adversário. A minha força mental e a minha qualidade davam-me a certeza que iria valer cada cêntimo investido.
Ironia do destino: fui treinado por si no Vitória SC no final da época passada e vim reencontrá-lo aqui. Acreditei que esta coincidência seria benéfica para mim, até porque tinha sido um gosto trabalhar consigo no Vitória. Infelizmente parece que me enganei.
Fui contratado por um Presidente e um treinador que já aqui não estão, e talvez isso me tenha colocado nas últimas posições da grelha de partida. No entanto, não duvido em algum momento ter a capacidade suficiente que me levará até aos lugares cimeiros desta “corrida”, assim o mister confie em mim.
Confesso que as minhas expectativas tocavam o céu. Quem faz 15 golos numa só época a jogar a extremo numa equipa que não luta pelo título e que nem sequer à Europa chega? Será que isso não é justificativo de vir com o ego no pico e com uma confiança para dar e vender? A única questão é que eu não vou vendê-la e muito menos dá-la. Só espero é que ela não me seja ‘roubada’ pela falta de crença que o mister me tem demonstrado.
Semana após semana tenho percebido que não faço e dificilmente irei fazer parte das suas escolhas iniciais. A lengalenga do “terás de esperar o teu momento” ou “a tua hora chegará”, para mim, não cola. Desculpe a sinceridade! Diz-se que os jogadores não devem falar sobre as opções técnicas de quem os “comanda”; eu discordo, porque, no fundo, acabaremos por o fazer. Se não for consigo será com outros membros do balneário e isso só prejudica o grupo.
Raphinha desconfia que ‘não contará’ para José Peseiro Fonte: Sporting CP
Por isso, pergunto-lhe muito abertamente: Conta comigo para ser um jogador importante? Vou ter de esperar por um abaixamento de forma do Nani? Do Acuña? De um outro extremo que se diz ainda estar para chegar? Eu não vim só para jogar jogos das Taças. Se é para aguardar serenamente por tantas condicionantes, então desde já lhe digo que prefiro que mo diga na cara e me emprestem. Se sete milhões para si não significam um investimento num jogador que pode ser uma real mais-valia, então estamos conversados.
O Acuña irá ocupar a minha posição? É essa a sua ideia? Só consigo entendê-la se porventura precisar, em simultâneo, de um defesa esquerdo e de um médio esquerdo que seja quase defesa, talvez para “omitir” os desequilíbrios desse flanco, e não, não são provocados por mim porque eu jogo cada vez menos, mas antes por alguém que joga naquele lado do terreno de jogo e que não poucas vezes “trama” a equipa. Desculpe, de novo, a sinceridade.
Dito isto, e esperando realmente que não leve a mal as minhas palavras, digo-lhe somente para deixar de ter medo e arriscar. De arriscar também na nossa forma de jogar. Nós, os jogadores, precisamos de sentir que no banco está alguém sem medo. Sem medo de assumir escolhas ousadas. Sem medo de se atrever a surpreender o nosso adversário. Sem medo de um sorriso sincero ou de dar um ‘raspanete’ daqueles que só os grandes treinadores conseguem verdadeiramente transmitir. Sem medo de ser feliz.
Vou pois terminar, mister. Desculpe uma vez mais se fui ousado ou inoportuno. Espero que não entenda estas palavras dessa forma.
E, já agora, experimente a apostar em mim duas ou três vezes consecutivas no onze titular, e depois verá. Aí, se realmente o decepcionar, serei o primeiro a assumir a minha culpa, e entenderei o banco de suplentes como um prémio merecido. Até lá, esse mesmo banco irá causar-me náuseas que temo não poderem ser combatidas em 10 ou 15 minutos semanais.
Cumprimentos,
Raphael Dias Belloli.
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.