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Vem aí a época dos veados

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Um grego, dois australianos e uma data de americanos entram num bar e desatam a partir aquilo tudo. E é isto. Não há piada fácil, não há “punch line”, nada disso. Os Bucks entrarão para a nova época como uma das equipas a ter em conta no lado Este da NBA e é bom que 6365estejam preparados para o ressurgimento de Milwaukee no mapa.

O treinador é novo, há reforços interessantes e um dos dois melhores jogadores da conferência mais próxima do Atlântico pertence-lhes (o outro acabou de se mudar para o Canadá). Há muitas e boas razões para os adeptos dos Bucks olharem para a nova temporada com esperança no tal salto que há muito é prometido.

Vamos por partes: Mike Budenholzer é o novo treinador dos Bucks. O último homem não chamado Steve Kerr a colocar quatro jogadores da sua equipa num jogo All-Star não pode ser mau. O trabalho do “Coach Bud” em Atlanta foi muito positivo, principalmente na fase regular. Discípulo de Popovich, Budenholzer colocou os Hawks a jogar um basquetebol atrativo e tentará fazer o mesmo em Milwaukee. Desta vez, com uma estrela diferenciada para poder elevar o nível.

Da parte dos jogadores, houve uma clara melhoria. É tão difícil parar Giannis Antetokounmpo como escrever o seu nome sem voltar atrás. Falta-lhe lançamento exterior? Falta, mas está em fase de melhoramento. E tudo o resto é impressionante. A força, a velocidade, a passada, a facilidade com que chega ao cesto e protege a sua tabela fazem do grego uma das grandes estrelas da NBA. Khris Middleton e Eric Bledsoe, segundo e terceiro melhores jogadores da equipa na temporada passada, também se mantêm em Milwaukee, oferecendo à equipa soluções distintas. Middleton é um extremo “certinho”, com um lançamento eficaz. Bledsoe é um base explosivo, que por vezes faz as coisas demasiado à pressa e se atrapalha (um pouco à imagem de Jeff Teague, que se tornou All-Star com Budenholzer).

Brook Lopez e Ersan Ilyasova são dois dos reforços dos Bucks para a nova temporada
Fonte: Milwaukee Bucks

Lopez e Ilyasova são duas das caras novas dos Bucks para a zona interior, um dos grandes problemas dos Bucks. O turco regressa a Milwaukee depois de um final de temporada interessante em Philadelphia, ao passo que Brook Lopez abandona os Lakers após um ano. Ambos oferecem espaçamento ofensivo, uma arma interessante para quem tem uma força da natureza como Giannis.

Por falar em espaçamento, o rookie DiVincenzo, que “incendiou” a final da NCAA com 31 pontos, vem também trazer qualidade no lançamento exterior aos Bucks, que já contavam com Tony Snell e o veterano Jason Terry. O ex-Trail Blazer Pat Connaughton ganhou também alguma notoriedade na temporada passada com o seu tiro da linha de três pontos e será mais um a ajudar a “aumentar” o campo para Antetokounmpo. Brandon Jennings, Matthew Dellavedova e Malcolm Brogdon lutarão pelo espaço na sombra de Eric Bledsoe na posição de base, podendo cada um deles oferecer diferentes possibilidades ao seu treinador , dependendo dos jogos. Convém ainda não esquecer o esguio, mas enorme, Thon Maker, um poste bastante móvel e, também ele, com lançamento exterior capaz.

Parece óbvio que uma das forças dos Bucks para a nova temporada será a extensão do seu plantel (nem sequer referi John Henson, Tyler Zeller, Shabazz Muhammad ou Sterling Brown, que acumularam vários minutos em 2017/18), sempre dependentes da evolução basquetebolística de Giannis Antetokounmpo, que tem sido uma constante ao longo dos anos. Há treinador e jogadores capazes para levarem os Bucks a dar o próximo passo, numa nova arena. Serão compatíveis?

Foto de Capa: Milwaukee Bucks

Fenerbahçe SK 1-1 SL Benfica: O inferno dos turcos apareceu de trancinhas amarelas e luvas vermelho vivo

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O Benfica segue em frente na Liga Milionária. Depois do 1-0 caseiros vai arrancar um empate a uma bola à Turquia. Bom resultado tendo em conta a equipa e o terreno difícil. Segue-se o PAOK, teoricamente mais acessível, para definir a presença ou não na fase de grupos da competição.

O jogo começou frouxo, muito dividido a meio campo, com ligeira superioridade encarnada no que toca à posse de bola, e prova disso foram as nove faltas nos primeiros 12 minutos de jogo. Em contraste, apenas um remate. O Benfica foi crescendo, e destacou-se principalmente nos duelos individuais. Fruto disso foi o golo aos 26’, do miúdo Gedson. Um passe atrasado de Pizzi que tinha tudo para correr mal, acabou por ser aproveitado por André Almeida, acaba em Castillo a entregar a Gedson, este entrou na área, deixou os adversários para trás desviou do guarda-redes para iniciar aquela que seria a noite em que ele próprio se iria vestir a pele de diabo e dar início ao inferno dos turcos. E nós a pensar que seria ao contrário.

O “miúdo” do SL Benfica marcou um golo cheio de classe
Fonte: UEFA Champions League

O Fenerbahçe acorda, tem mais bola, e já a fechar a primeira parte inaugura o marcador, através de uma cabeçada de Potuk. A segunda parte traz o aborrecimento da primeira, e esconde aquilo que foi a eficácia defensiva encarnada. O jogo para qualquer benfiquista foi chato, porque não houve um Benfica pressionante, mas a verdade é que em termos defensivos foi verdadeiramente bom.

Os turcos trouxeram outra atitude do balneário, mas foram esbarrando vez após vez na defensiva vermelha e branca. Até final, houve domínio de bola dos turcos, sem criar perigo iminente ou comichão a qualquer benfiquista. Nota para duas estiradas brilhantes de Vlacodimos, a fazer esquecer a insegurança que se sentiu na época transacta sempre que a bola ia à baliza. Nota também para um Ferreyra que continua a deixar muito a desejar.

O Benfica soube gerir o jogo, soube gerir os tempos e soube segurar a bola. Sai da Turquia com um resultado justo e com a certeza de que é mais equipa que este Fenerbahçe.

Onzes Iniciais:

SL Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Grimaldo; Fejsa, Gedson e Pizzi; Salvio (Alfa Semedo 72’), Cervi e Castillo (Ferreyra 34’).

SK Fenerbahçe: Volkan Demirel, Isla (Sener Ozbayrakli 79’), Neustädter, Skrtel, Kaldirim, Topal (Baris 65’), Elmas, Ayew, Giuliano, Valbuena (Soldado 65’) e Alper Potuk.

Papel secundário no palco principal

Quando Nuno Almeida apitou para o final do jogo contra o GD Chaves do passado fim-de-semana, Sérgio Conceição encetou o que parecia uma prova olímpica de marcha, dirigindo-se em passo acelerado até ao outro lado do campo com o intuito de cumprimentar e motivar Adrián López. Nada nem ninguém o fez abrandar o passo. Não houve elemento da comitiva flaviense ou um qualquer membro do staff ou jogador do FC Porto que tenham conseguido demover o treinador azul e branco da ideia de que seria o espanhol a receber a primeira saudação pelo resultado e pela exibição da equipa.

O avançado contratado ao Atlético de Madrid, aquando da chegada de Julen Lopetegui (atual treinador do Real Madrid) até entrou nervoso no jogo (substituiu Otávio a cerca de 15 minutos do final do tempo regulamentar) com um par de passes falhados, mas acabou o jogo em bom plano com vários pormenores interessantes e muito perto do golo através de um difícil, mas competente remate em volley, que o guarda-redes contrário defendeu com mestria.

A história de Adrián López no FC Porto é sobejamente conhecida. Depois de marcar presença na final da Liga dos Campeões de 2014, chegou à cidade invicta num negócio avaliado em quase 20M€ (o Porto pagou 11M€ por 70% do passe). Um sem número de exibições desastradas, um rosto quase sempre fechado (apenas interrompido por um golo de belo efeito marcado ao BATE Borisov na Liga dos campeões) e uma gritante falta de ligação e identificação com a bancada, o clube e a cidade foram tudo o que se viu da parte de um jogador em quem, pese embora o reconhecimento generalizado do exagero do seu preço, eram depositadas algumas esperanças e de quem se acreditava poder replicar as exibições conseguidas ao serviço do Atlético de Madrid e a confirmação dos créditos trazidos do país vizinho.

Ao fracasso da temporada 2014/2015 e a duras palavras de Pinto da Costa que acabou por culpar Jorge Mendes por um negócio ruinoso para o clube em mais uma demonstração do desnorte que reinava (e que acredito que ainda reina) na estrutura diretiva do clube, seguiram-se um punhado de empréstimos mais ou menos bem-sucedidos a clubes espanhóis (Villarreal e Deportivo) sem nunca ter sido suficiente para que estes formalizassem uma proposta que chegasse aos valores pretendidos pela SAD portista.

Adrián faz parte do contingente espanhol do plantel do FC Porto juntamente com Óliver e Casillas
Fonte: FC Porto

Assim, época após época, Adrián ia retornando à cidade do Porto para o começo dos trabalhos de pré-temporada e acabava invariavelmente por fazer a viagem de regresso perto do fecho do mercado.

Este ano parece que a história será diferente. Sérgio Conceição, depois de ter abdicado do espanhol na temporada transata, parece ter agora um plano de reabilitação técnica, tática e emocional, destinado a devolver Adrián ao futebol. O avançado espanhol nunca impressionou pela velocidade ou fantasia, mas sempre demonstrou ser (até chegar a Portugal) um jogador requintado, inteligente na ocupação do espaço entre linhas, competente a jogar a um ou dois toques e em jogo associativo, e certeiro na finalização e na procura da profundidade. Nunca foi e nunca será um jogador que resolverá um jogo sozinho e, porventura, não voltará mais a ter um papel estelar dentro de um campo de futebol, mas é, sem dúvida, um jogador de palco (plantel) principal, mesmo que num papel secundário.

Todos nos lembramos do trabalho que o treinador do FC Porto fez com Marega. Um jogador que, apesar das suas invejáveis e sobredotadas capacidades físicas, apresentava e apresenta enormes deficiências na vertente mais técnica do jogo. Com Adrian será precisamente o contrário. Não sendo um portento físico, é, ou já foi e pretende-se que possa voltar a ser, um jogador de grande utilidade e de uma inteligência técnico-tática acima da média que pode, assim que recupere os índices anímicos, desempenhar um papel importante no sistema (1x4x4x2) de Sérgio Conceição. Sistema esse que, acredito eu, poderá assentar (assim que se percam os vícios de um futebol físico e obcecado pela profundidade e se reformule para dar maior primazia ao recorte técnico) que nem uma luva nas características do espanhol.

Em suma, mesmo que num papel secundário, seja vindo do banco ou numa estratégia de rotação sempre necessária numa época que se avizinha longa, acredito (como parece acreditar o treinador do FC Porto) que Adrian López merece (pelo empenho que o treinador atesta e pela qualidade que o seu passado apregoa) uma oportunidade de tocar (jogar) no palco (plantel) principal e regenerar a sua imagem junto de uma massa associativa que sabe perdoar falsas partidas (veja-se o caso de Marega) e reconhecer uma eventual pressa desmedida na avaliação dos jogadores. A juntar a tudo isto, o recente caso de indisciplina do maliano referido já por várias vezes no presente artigo, bom como a lesão prolongada de Tiquinho Soares, têm o condão de reforçar a necessidade de ter mais um avançado no plantel.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Olheiro BnR – Francisco Trincão

O SC Braga tem tido um crescimento notável a nível da formação nos últimos anos. Com a conquista do título nacional de juniores em 2013/2014, começaram a aparecer jogadores oriundos da academia arsenalista como Gil Dias. Mais recentemente, apareceram nomes como os de Pedro Neto, Bruno Jordão e Xadas. Mas aquele que promete ser o caso mais sério é o de Francisco Trincão.

Natural de Viana do Castelo, seria no clube da sua cidade natal que daria os primeiros passos no futebol, tendo pelo meio uma passagem pelo FC Porto ainda na categoria de futebol de sete. Seria em 2011, aos 11 anos de idade, que Francisco Trincão rumaria à cidade dos arcebispos para se formar como jogador.

Com o passar dos anos, foi-se evidenciando nas camadas jovens do SC Braga, mas foi enquanto júnior que começou a ganhar mais visibilidade, ao ponto de no seu último ano de júnior ter sido um dos jogadores mais influentes da equipa B arsenalista, com cinco golos marcados em 30 jogos. Na selecção de sub-19, as ausências de João Félix e de Rafael Leão abriram-lhe uma vaga na equipa que iria disputar o Europeu na Finlândia, onde sobressaiu ao ponto de partilhar a artilharia da competição com o compatriota João Filipe.

Francisco Trincão marcou cinco golos no Europeu de sub-19
Fonte: Selecções de Portugal

Francisco Trincão é um extremo bastante habilidoso no controlo de bola, sendo capaz de causar muitos desequilíbrios. É um jogador que gosta de aparecer em zonas de finalização e finaliza com qualidade. Tem também uma grande qualidade de passe, sabendo distribuir jogo e desmarcar os colegas em profundidade. Fruto do seu 1,84m, também consegue ser uma arma importante nos lances de bola parada.

Quanto ao futuro, vou ser franco e claro: o campeonato de sub-23 não é competição para ele. Só continuando a jogar em escalões profissionais perante adversários de maior tarimba é que conseguirá aprimorar os seus atributos e afirmar-se como o extremo explosivo em que promete se tornar. Precisará de competição para evoluir e tornar-se mais do que um wonderkid do Football Manager.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Girabola’18: D’Agosto e Petro discutem o título até à última

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O fim-de-semana de 11 e 12 de agosto foi atípico, uma vez que não se jogou uma ronda inteira, mas sim apenas dois jogos no Girabola. Os encontros disputados serviram para acerto de calendário, com os dois rivais de Luanda (D’Agosto e Petro) a entrarem em campo, com o objetivo de vencer para continuar a sonhar com a conquista do título.

O primeiro a entrar em campo foi o Petro de Luanda, que recebeu em sua casa o Desportivo da Huíla, numa partida referente à 28.ª jornada. A equipa petrolífera estava ciente de que só os três pontos interessavam para ainda manter a esperança em conquistar o título, embora soubesse de antemão da dificuldade do adversário, que se encontra a realizar um belo campeonato. Depois de uma primeira parte sem golos, os comandados de Beto Bianchi conseguiram desfazer o nulo no segundo tempo e alcançaram um triunfo por 2-0 – os golos foram apontados por Tony e Tiago Azulão.

O 1.º de Agosto lidou bem com a pressão, e também conquistou os três pontos. A jogar perante o seu público, os “Militares”, depois de terem empatado a meio da semana frente ao Recreativo da Caála, pretendiam vencer o aflito Domant FC, para ficar mais próximos da conquista do tricampeonato. E foi com esse objetivo em mente que os homens de Zoran Maki partiram para o jogo em atraso da 26.ª jornada, e conseguiram alcançar o pretendido: triunfo pela margem mínima, graças a um autogolo de Edson, nos últimos cinco minutos da primeira parte.

Os “Militares” venceram o Domant e estão a uma vitória do título
Fonte: 1.º de Agosto

Como seria de prever no início da época, o título será (novamente) discutido entre o 1.º de Agosto e Petro de Luanda. Mas o que se poderá esperar das próximas duas jornadas?

Ora, olhando para o que falta jogar às duas equipas, podemos concluir que o Petro irá ter dois jogos complicados até ao final do Girabola’18, uma vez que vai defrontar duas equipas da primeira metade da tabela classificativa (ida ao terreno do Interclube e receção ao Sagrada Esperança). Já o D’Agosto tem apenas um jogo complicado em teoria – também defronta o Sagrada Esperança, mas vai até ao Dundo jogar – e termina em casa frente ao quase salvo da descida FC Casa Militar.

A atual realidade aponta para a revalidação do título por parte do conjunto de Maki, mas, sem esquecer o que tem sido a edição deste ano do principal campeonato angolano, poderá ainda ocorrer uma surpresa no topo da classificação! Teremos tricampeonato militar ou recuperação do título tricolor? Iremos descobrir nas jornadas que faltam.

Foto de Capa: 1.º de Agosto

 

Fórmula mágica para o meio-campo leonino

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O meio campo leonino é o setor onde José Peseiro terá mais dificuldades em definir. Comparando as opções existentes atualmente com as opções que tinha Jorge Jesus na temporada passada, William Carvalho é a única ausência para a temporada que se aproxima – e que ausência.

Depois de confirmados os “regressos” de Battaglia e Bruno Fernandes, teoricamente a tarefa ficaria mais facilitada para o mister, tendo em conta que apenas teria de encontrar o substituto de William Carvalho que rumou ao Betis.

Nos jogos realizados durante a pré-época, o timoneiro leonino fez vários testes, utilizando vários jogadores para ocupar as posições mais centrais no terreno de jogo. No entanto, os jogadores eleitos pelo técnico leonino para constituírem o “miolo” verde e branco no último teste de pré-época foram Battaglia (regressado ao clube depois de rescindir), Misic e Bruno Fernandes (regressado ao clube depois de rescindir) e considerando que à partida o último onze utilizado antes de iniciar o campeonato é aquele que se aproxima mais do onze “tipo” do técnico leonino, provavelmente serão os eleitos para o arranque do campeonato diante do Moreirense.

Numa pré-temporada em que jogadores como Francisco Geraldes e Wendel foram os principais destaques na equipa verde e branca, era de perspetivar uma boa temporada para esta dupla, no entanto apenas Wendel poderá realmente dar o seu contributo com a listrada verde e branca depois de Francisco Geraldes ter rumado à Alemanha a título de empréstimo para representar o Eintracht Frankfurt, segundo se consta por considerar que o regresso de Bruno Fernandes iria reduzir o seu espaço na equipa leonina.

Na minha opinião, a melhor opção para preencher a vaga deixada por William Carvalho estaria encontrada internamente, apostando no jovem português que voltou a ser emprestado – Francisco Geraldes. Apesar de não apresentar as mesmas características do agora jogador do Bétis, é um jogador que poderia jogar no apoio a Battaglia e Bruno Fernandes e por vezes inverter “papéis” com o número oito dos leões – poderia fazer recordar o meio campo constituído por William Carvalho, Adrien Silva e João Mário (o melhor meio-campo leonino dos últimos anos).

Um diamante por lapidar
Fonte: Sporting CP

Para completar o trio do setor intermédio (ao que tudo indica será a tática eleita pelo mister), José Peseiro tinha ainda como opções João Palhinha, Petrovic, Bruno César (adaptado) e Matheus Oliveira. Numa análise superficial nenhuma destas opções parece ser válida para o timoneiro verde e branco. O português (mais um da formação) acabou por ser cedido ao Braga a título de empréstimo e os restantes continuam na porta de saída de Alvalade.

Apesar de ser apreciador de algumas características de Misic e Wendel, considero que neste momento não reúnem as condições para serem titulares no meio campo leonino durante a longa temporada que se aproxima. Assim sendo, este “dossiê” exigia uma rápida e eficaz resolução, através da aquisição de um centro-campista que reunisse as condições/capacidades para jogar nesta zona do terreno e tentar fazer esquecer William Carvalho.

Após algum tempo de negociações com a Juventus pelo italiano Sturaro, foi confirmado o empréstimo do jogador a troco de dois milhões de euros. Acredito que pode ser um jogador importante nas manobras da equipa leonina – só resta esperar que atinja os índices físicos desejados depois de uma lesão contraída no joelho esquerdo.

Uma equipa com um meio campo forte estará sempre mais próxima de vitórias.

Força, Sporting Clube de Portugal!

 Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

Leoas morrem na praia no último minuto

Morrer na praia pelo segundo ano consecutivo. É isto que a equipa feminina de futebol do Sporting Clube de Portugal sente neste momento, após ficar pela fase de grupos nas suas duas participações na mais importante competição de clubes de futebol feminino. Fica um sabor amargo, principalmente este ano, por novamente, dentro dos dez minutos finais, a equipa perder a tão almejada passagem.

Na terceira temporada do projeto feminino do Sporting, até agora coroado de grande sucesso, com todos os títulos possíveis conquistados, o objetivo das leoas era claro: passar esta fase de grupos. Mas fruto de vários motivos, entre eles uma pré época quase sem jogos devido à falta de equipas em Portugal a começar a época cedo, falta de reforços em posições fulcrais e a perda da Matilde Fidalgo, foram alguns dos possíveis motivos para este falhanço.

O Sporting foi jogar à Croácia esta fase de grupos, mas o grande rival vinha da Noruega. O Avaldsnes Idrettslag terminou em segundo no campeonato do seu país e em teoria teria mais argumentos que as leoas, mas em campo não se viu isto, com o Sporting a ser melhor na maioria do jogo, reagindo bem a um golo logo ao terceiro minuto, por Gaëlle Enganamouit. Ana Borges e Sharon Wojcik deram a volta ao marcado, mas após o empate algo caído do céu a equipa da Noruega passou para a frente ao minutos 89, por intermédio de Cecilie Pedersen. Um golo injusto e que deixou as leoas desde logo com uma passagem à fase seguinte quase impossível.

A união da equipa não foi suficiente para passar a fase de grupos
Fonte: Sporting CP Futebol Feminino

Já na temporada passada a equipa leonina falhou nos últimos minutos do jogo decisivo, curiosamente também o primeiro da fase de grupos, na altura com as cazaques do BIIK Kazigurt, com o golo que ditou a derrota por 2-1 a ser marcado aos 83 minutos por Charity Ogbenyealu Adule. Daí a tal referência aos dez minutos finais em ambos os casos.

Os dois jogos seguintes – contra as croatas do Osijek e as macedónias do ZFK Dragon 2014 – resultaram em duas vitórias tranquilas das leoas que mostram que para esta fase estão mais do que bem preparadas e que mais um ou dois reforços de grande categoria, tal como foi Nevena Damjanovic, poderiam ser suficientes para uma passagem tranquila à próxima fase.

Na próxima época, caso o Sporting atinja os resultados esperados, é preciso repensar a preparação desta fase. Ir ao estrangeiro fazer jogos, já que em Portugal é impossível, e por motivos válidos, porque a Supertaça apenas acontece a 9 de setembro, além de que jogar contra Braga e Benfica teria os seus contras. 

Fica um sabor amargo, mas também se percebe que corrigindo pequenas falhas o Sporting pode passar esta fase de grupos e conseguir um feito apenas alcançado por uma equipa portuguesas, o Atlético Ouriense em 2014-15, equipa que tinha Joana Marchão, Ana Capeta e Diana Silva, atuais jogadoras do Sporting.

Foto de Capa: Sporting CP Futebol Feminino

artigo revisto por: Ana Ferreira

Os 5 treinadores que vão para a rua antes do Natal

Quando me deparei com esta tentativa de futurologia, alguns dos nomes que irei referir em seguida vieram imediatamente à baila no meu pensamento.

Mas, porque mais difícil que acertar em quem ganha é acreditar em quem não acerta, começou a tornar-se complicado fazer esta lista à medida que ia ‘correndo’, um a um, os clubes e treinadores da nossa Primeira Liga.

No entanto aqui está a lista dos indiscutíveis. De cinco treinadores que, ou muito me engano, ou irão pedir ao Pai Natal um novo clube na sua botinha. A ordem é totalmente aleatória.

Moussa Marega: Futuro incerto

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Após uma época de sucesso ao serviço do FC Porto, a continuidade de Marega continua incerta no dragão.

Com o fecho do mercado em Inglaterra, que se afigurava como a opção mais viável para o maliano, havendo mesmo uma proposta do West Ham FC a rondar os 30 milhões, a renovação parece agora a opção mais viável sobretudo devido à lesão de Soares, que vem condicionar ainda mais a frente do ataque portista.

Os dragões contam apenas com Aboubakar e André Pereira como as únicas opções disponíveis para os próximos encontros e a reintegração de Marega no plantel é uma prioridade para a equipa de Sérgio Conceição, que assinou contra o GD Chaves uma exibição bem conseguida, goleando a equipa flaviense por 5-0.

O FC Porto venceu o último jogo por 5-0 sem contar com Marega
Fonte: FC Porto

Apesar da ótima exibição feita, as soluções para a frente de ataque são escassas neste momento e os azuis e brancos dificilmente conseguirão encontrar no mercado um jogador tão possante, rápido e agressivo como Marega, decisivo na conquista do título na época passada.

Com o mercado aberto ainda em Itália, Espanha e França, as propostas por Marega podem ainda surgir fazendo o jogador recuar na renovação com o clube, contudo, dificilmente surgirá uma proposta na ordem dos valores pretendidos pelos azuis e brancos para deixar sair o maliano do Dragão.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Só há um Évora. Aproveitemos!

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Se alguém pode, é ele. Se existe uma possibilidade, ele vai fazê-lo. Estamos no quinto ensaio e ainda ninguém saltou acima de 17 metros? Há um homem que nunca irá tremer nessa situação: Nelson Évora! Habituou-nos mal. Já estamos desconfiados. Mesmo quando não lidera um concurso, mesmo quando as coisas não parecem estar a correr-lhe bem, dentro de nós existe uma sensação que ele vai conseguir fazê-lo quando for preciso. À hora certa, quando os olhos do mundo estiverem sobre ele. #The Moment. O slogan dos Europeus de Berlim pareceu feito à medida de Nelson. Ontem, mais um Ouro. Não mais um Ouro. O Ouro que lhe faltava ao ar livre. Por incrível que pareça, Nelson Évora nunca tinha sido campeão europeu ao ar livre! Foi ontem e já nada lhe falta. Sempre que falarem dos maiores do nosso desporto, nunca se esqueçam de falar de Nelson Évora. E coloquem-no bem lá no topo porque esse é o seu lugar. 

Quanto ao concurso, que muitos terão a tentação de classificar como de nível baixo dadas as marcas dos seus adversários, a verdade é que o mesmo não estava fácil e essa dificuldade já se notava na fase de qualificação. Nelson Évora venceu a final com um salto de 17 metros e 10 centímetros (-0.1) à 5ª tentativa, o seu melhor ao ar livre em 2018. Ultrapassava aí o líder do concurso, Alexis Copello, que se ficou pelos 16.93 metros (+0.1). A medalha de Bronze foi para o grego Dimitrios Tsiámis em 16.78 (-0.1), também a sua melhor marca do ano. 

No seu ritual de vitória, Nelson apanhou a areia da caixa e guardou-a numa garrafa, deu uma das sapatilhas ao público e estava visivelmente feliz por mais um título a este nível, este com um sabor muito especial, como o atleta viria a confessar em palavras à imprensa no final, onde mais uma vez fez questão de agradecer aos portugueses, de mostrar o seu orgulho na nossa nação e o quão grato está por levar o nosso nome além-fronteiras. Pelo meio deixou uma alfinetada a Pedro Pablo Pichardo e aos responsáveis pelo seu processo de naturalização, apelidando de “ridículo” a compra de atletas reputados para fins desportivos e pedindo uma maior aposta e melhores condições para os jovens nacionais, sem se esquecer de elogiar a prestação dos seus colegas que competiram em Berlim.

Nelson Évora e Inês Henriques, os dois medalhados de Ouro em Berlim
Fonte: FPA

Aqui, aquela velha máxima, tantas vezes apregoada no futebol, adequa-se na perfeição: as finais são para serem ganhas. No Atletismo não é diferente. Pouco importa a marca com que se é campeão, a marca com que se alcança uma medalha. A medalha é de Évora e para sempre será. O português tem que provar nada a nível de marcas. Já o fez no passado. Provou a nível de marcas, provou a nível de palmarés, provou ao nível da sua capacidade de superação e resiliência. Nelson não tem absolutamente nada a provar no desporto. Um dia os nossos filhos e os nossos netos falarão de Nelson Évora e isso só está ao alcance dos melhores da história.