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As bases para um novo Sporting

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No próximo dia 8 de Setembro de 2018 o clube de Alvalade é sujeito a novas eleições. Depois da destituição de Bruno de Carvalho, Sousa Cintra foi nomeado pela comissão de gestão para “segurar as pontas” até à eleição do novo presidente do Sporting Clube de Portugal.

Os/As sócios/as sportinguistas são chamados a escolher o presidente que consideram a melhor solução para um Sporting melhor. Até ao momento são oito as candidaturas aprovadas para irem a votos, depois de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira ficarem durante um ano suspensos, vendo assim não validadas as suas candidaturas.

Durante a campanha os candidatos marcam presença sobretudo nos Núcleos do Sporting espalhados pelo país, para mostrarem à massa associativa leonina a razão de se candidatarem e porque consideram reunir as condições necessárias para saírem vitoriosos no dia 8 de Setembro.

No seguimento, irei abordar as ideias dos candidatos que considero mais vantajosas para o clube, não incluindo as ideias das candidaturas não aceites. Acompanhe esta análise.

Miguel Oliveira faz história em Brno

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Depois da habitual pausa para as férias do Verão, o mundial de motociclismo voltou às pistas e desta vez no circuito de Brno, na República Checa. Ao contrário do que é habitual, hoje começo este texto pela categoria de Moto 2, onde o português Miguel Oliveira continua a brilhar.

O piloto de Almada arrancou da quarta posição da grelha de partida e desde o início que mostrou vontade e capacidades para vencer a corrida disputada no circuito checo. Ao comando da KTM, Oliveira travou uma luta intensa com Luca Marini e Lorenzo Baldassari durante a primeira metade da prova, tendo liderado durante algumas voltas.

Mas já sabemos que o mundial de motociclismo não é uma ciência exacta, e apesar de ter conseguido estar no primeiro lugar, o piloto português acabou por perder gás e regressou à quarta posição.

Oliveira puxou dos ‘galões’ até ao primeiro lugar do pódio
Fonte: Moto GP

Até que a quatro voltas do final, o ‘falcão’ Oliveira voltou a acordar e preparou um ataque que o levou a lutar com Luca Marini até à última curva. Pelo meio, ainda se intrometeu Lorenzo Baldassari, mas o espectáculo final estava reservado para Miguel Oliveira e Marini. O português manteve a calma e voltou a provar que está decidido a conquistar o título de campeão mundial e fechar com chave de ouro a sua passagem pela categoria de Moto2.

Com esta vitória, Miguel Oliveira conquistou um feito histórico para o motociclismo português ao ser líder do campeonato do mundo de Moto2 com 166 pontos.

Na categoria rainha do mundial, a história foi algo semelhante à de Moto2. A grelha de partida era liderada pelo piloto Andrea Dovizioso, seguido de Valentino Rossi e Marc Márquez.

O piloto italiano da Ducati liderou a prova desde o início, depois de um arranque sem falhas. Também o seu companheiro de equipa, Jorge Lorenzo, decidiu voltar a mostrar as suas capacidades e intrometeu-se na luta pelos lugares do pódio.

Lorenzo e Dovizioso lutaram pela vitória até ao final da corrida
Fonte: Moto GP

Por outro lado, Valentino Rossi mostrou-se bastante forte durante a primeira metade da corrida, mas foi perdendo gás e acabou por ser ultrapassado.

Lá na frente, a luta era renhida: ora liderava Dovizioso, ora Marc Márquez, ora Jorge Lorenzo que a três voltas do final decidiu puxar do ‘martillo’ e procurar alcançar o primeiro lugar do pódio. Entre ultrapassagens, foi Andrea Dovizioso, piloto da Ducati, que levou a melhor sobre Márquez e Lorenzo, alcançando a segunda vitória da temporada.

Foto de Capa: KTM Factory Racing

Lateral direito: André Almeida, Salvio e mais alguém?

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André Almeida tem sido o verdadeiro “bombeiro” de serviço do plantel nos últimos anos. Jogadores versáteis como ele há poucos no mundo do futebol, capazes de desempenhar várias tarefas em campo e cumprir sempre dentro dos possíveis. Mas é exatamente por saber cumprir várias funções em campo e não se especializar numa só que perde a capacidade evolutiva que um jogador com potencial deveria ter.

Também faz parte do lote sobreviventes que conquistou o inédito tetracampeonato. Jogando do lado direito, lado esquerdo ou até mesmo no meio campo, a verdade é que o treinador tem sempre confiança para lançá-lo em campo.

A posição que mais tem desempenhado é a de lateral direito. Poucos são aqueles que conseguem tirar-lhe o lugar. Desde a saída de Maxi Pereira que André Almeida agarrou a titularidade e nunca mais o Benfica se preocupou em arranjar um novo lateral. Aliás, temos o exemplo de Nelson Semedo, solução que foi encontrada dentro do clube e não fora.

Este ano o clube contratou Ebuehi, jovem lateral nigeriano proveniente do ADO Den Haag. Na esperança de render a longo prazo, tanto a nível desportivo como a nível financeiro, Rui Vitoria foi testando o jovem lateral várias vezes esta época. Facto esse de o clube não ter estado demasiado preocupado, à procura de mais um lateral.

Já se sabia de antemão que André Almeida poderia perder o lugar a médio/longo prazo. O português pode desempenhar os mínimos e bem. Mas não é suficiente para quando o nível de exigência sobe. Falamos inclusive da liga dos campeões. Sem dúvida um bom lateral direito, mas a equipa precisa de um excelente.

André Almeida sempre muito discreto em todos os jogos
Fonte: SL Benfica

Quando comparamos o valor do lado esquerdo da defesa com Grimaldo e lembramo-nos de André Almeida, podemos bem perceber a diferença exorbitante que existe entre a qualidade de ambos os lados. E uma equipa como a do Benfica tem de ter excelência em campo de ambas as partes.

Ebuehi tinha potencial suficiente para lutar pela titularidade e mais tarde assumir o lugar sem discussão alguma. Tudo já estava a ser planeado da melhor forma, porém o jovem nigeriano sofre uma grave lesão que o impedirá de se apresentar nos relvados durante os próximos seis meses.

Eis que, com este contratempo sobre o lado direito, recai tudo outra vez sobre Rui Vitoria. Pode haver André Almeida que está sempre pronto a ajudar, mas é sempre uma limitação para o que a equipa pode ou não fazer a mais.

A recuperação de Ebuehi vai ser de longa duração. Mesmo que volte para jogar esta época, será difícil apresentar-se ao melhor nível.

A maior questão que se levanta agora é saber se o Benfica está disposto a esperar seis meses por Ebuehi, aguentar-se com André Almeida e chamar um jovem da equipa B ou até mesmo fazer descer Sálvio para a posição de lateral direito, ou irá o clube novamente ao mercado à procura de um lateral direito, mesmo que seja por empréstimo?

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto

Éder Militão: jovem promessa brasileira é do FC Porto

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O FC Porto acertou a contratação do brasileiro Éder Militão que ainda pertence ao São Paulo FC. Militão tem atuado no tricolor paulista como lateral direito, mas é defensor de origem e deverá ser mais utilizado no FC Porto nessa posição. A diretoria portista desembolsou sete milhões de euros (quatro milhões ao São Paulo e três milhões destinados aos empresários do jogador e ao próprio Militão) para obter os direitos federativos do atleta. Inicialmente o São Paulo queria vendê-lo por 10 milhões de euros, mas como o contrato do jogador expiraria em seis meses, o clube se viu numa situação difícil pois o atleta não queria renovar. Sendo assim, o tricolor preferiu vendê-lo a um preço baixo agora ao invés de ver o atleta saindo de graça em janeiro de 2019. Essa situação foi boa para o FC Porto que contratou um jogador de futuro brilhante a “preço de banana”.

Éder Militão tem 20 anos e desembarcará em Portugal com grande expectativa na carreira. Desde o início das negociações, o atleta se demonstrou interessado em se transferir para o atual campeão português. O brasileiro pode atuar como lateral direito, defensor ou até mesmo como médio defensivo. No FC Porto deverá ser utilizado como defensor, pois é um setor carente no atual elenco. No Campeonato Brasileiro, Militão faz parte da seleção da competição e tem chamado a atenção dos membros da comissão técnica da seleção brasileira. O jogador tem no seu currículo passagens pelas seleções de base do Brasil.

Éder Militão é visto com bons olhos pelo treinador da seleção principal, Tite
Fonte: São Paulo FC

A polivalência no relvado fará com que o jogador se torne uma peça importante para Sérgio Conceição. Militão é um defensor alto e forte, mas isso não lhe tira a agilidade na marcação aos adversários. A saída de bola também é qualificada, o jogador prefere sair jogando ao invés de fazer lançamentos longos do setor defensivo para o ataque. Essa característica será importante para a transição ofensiva da equipa. Militão fará uma boa dupla com Felipe e se as expectativas sobre ele forem alcançadas, os adeptos poderão dormir mais tranquilos após as perdas do Marcano e do Reyes.

O FC Porto investe mais nessa época do que na época passada. Os investimentos são necessários para qualificar ainda mais o elenco que já tem qualidade. A contratação de Militão pode significar o retorno do clube às contratações de jovens valores sul-americanos. Essas contratações costumam gerar retorno ao clube tanto dentro quanto fora dos relvados, pois o jogador tendo sucesso no Dragão será negociado por um valor muito maior do que foi comprado. Os adeptos torcem para que o mesmo aconteça com o brasileiro.

Foto de Capa: São Paulo FC

Chelsea FC 0-2 Manchester City: Aguero afunda blues na estreia de Sarri

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Na supertaça inglesa deste ano, os citizens, que na época passada atingiram 100 pontos no campeonato – um recorde absoluto na Premier League – defrontaram uns blues no processo de adaptação às ideias de jogo do novo treinador, Maurizio Sarri.

Com a equipa londrina a jogar com uma linha defensiva de quatro homens – ao contrário da linha de cinco que apresentava com Antonio Conte -, os atacantes do City encontraram muitas facilidades: aos 12 minutos, Phil Foden, o médio de 18 anos, pegou na bola ainda a 25 metros da baliza e, perante David Luiz e Marcos Alonso, pareceu ter todo o espaço que quis para progredir. À entrada da área, deu o esférico a Sergio Aguero e o argentino fez o sabe fazer melhor, tirando Rüdiger da frente e batendo o seu antigo colega de equipa, Wilfredo Caballero, para fazer o 1-0.

Com a primeira experiência do 4-3-3 de Sarri frente a uma equipa inglesa, o Chelsea via-se incapaz de segurar a bola durante muito tempo, cedendo perante a pressão alta e o ritmo intenso característicos do futebol britânico – e, especialmente, deste City de Guardiola. O destaque do lado dos blues nos primeiros 45 minutos acabou por ir para Callum Hudson-Odoi. Com apenas 18 anos, o extremo inglês protagonizou um excelente duelo com Kyle Walker, e podia, pelo menos, gabar-se de ter levado várias vezes a melhor sobre o lateral direito.

De resto, pouco mais se passou na primeira parte, a não ser um lance caricato de Claudio Bravo. Após um passe longo, o guardião chileno calculou mal a trajetória da bola, deixando que o esférico saltasse por cima de si, o que o obrigou a uma recuperação rápida, para o salvar da humilhação e do possível golo de Morata, que tentava aproveitar o lapso. Atento a isto estava Ederson Moraes, o habitual titular, cuja imagem no banco de suplentes a direção televisiva fez questão de mostrar prontamente.

Calor intenso deu direito a três paragens ao longo da partida, para os jogadores se refrescarem
Fonte: FA

Após o intervalo, os citizens, que haviam perdido algum gás – mas não o controlo da partida – no final do primeiro tempo, voltaram à carga. E com resultados quase imediatos: aos 58 minutos, Sergio Aguero, que momentos antes tivera uma chance para bisar na partida, faz mesmo o 2-0. Numa jogada em que o destaque vai para a excelente assistência de Bernardo Silva, que viu a movimentação do avançado argentino e conseguiu tirar David Luiz da jogada com um passe em profundidade, Aguero punha a sua equipa numa posição privilegiada para gerir o resto da partida sem problemas.

Aos 70 minutos, surge uma imagem que, de certa forma, ilustra o que é este Manchester City de Pep Guardiola. John Stones, Laporte e Claudio Bravo formam um triângulo em frente à sua própria baliza, trocando o esférico com tranquilidade, mesmo sob a pressão de Tammy Abraham (que acabara de entrar para o lugar de Alvaro Morata) e Willian (que substituíra Hudson-Odoi). Ainda que o extremo brasileiro quase tenha aproveitado um erro de John Stones, a esta troca de bola seguiu-se um passe fulminante para a frente, lançando um contra ataque que Antonio Rüdiger apenas conseguiu travar com recurso à falta.

Até ao fim do jogo, anda houve mais uma oportunidade para cada lado, mais em virtude da displicência decorrente do cansaço do que propriamente do mérito dos atacantes.

Após uma pré-época relativamente positiva, o Chelsea FC deparou-se hoje com um reality-check da autoria do Manchester City. A ausência de alguns jogadores chave não invalida um fator muito importante: Maurizio Sarri ainda tem muito trabalho pela frente para deixar esta equipa à sua imagem. Já os azuis de Manchester mostraram que, mesmo sem Kevin De Bruyne, conseguem manter os padrões de futebol extremamente elevados que estabeleceram na época passada.

Onzes iniciais:

Chelsea – W. Cabballero; C. Azpilicueta; A. Rüdiger; David Luiz; Marcos Alonso; Jorginho; C. Fabregas (D. Drinkwater 59’); R. Barkley; Pedro (V. Moses 80’); C. Hudson-Odoi (Willian 59’); A. Morata (T. Abraham 69’)

Manchester City – C. Bravo; K. Walker; J. Stones (C. Gomes 94’); A. Laporte (N. Otamendi 87’); B. Mendy; Fernandinho; B. Silva; P. Foden (B. Diaz 75’); L. Sané (I. Gundogan 45’); R. Mahrez (G. Jesus 68’); S. Aguero (V. Kompany 80’)

Campeões Sub-19: As pequenas Águias que voaram bem alto

A seleção portuguesa de sub-19 sagrou-se campeã ao vencer a Itália por 4-3, no prolongamento. De facto, mais uma grande conquista que enaltece não só o nosso país, mas toda a formação decorrente dos clubes portugueses que fabricaram os jovens craques. Estamos perante uma geração de jogadores que triunfou no campeonato sub-17 há dois anos, e acabam agora por vencer o campeonato sub-19. Portugal fez cinco jogos no total, vencendo quatro deles e perdendo um, precisamente contra os vice-campeões, durante a fase de grupos. A capacidade de Portugal fazer golos neste torneio foi um enorme destaque, até porque acabaram por triunfar sobre a equipa com a melhor defesa na final.

Dentro do leque das jovens promessas portuguesas campeãs da europa encontram-se cinco jogadores do Sport Lisboa e Benfica: Nuno Santos, Florentino Luís, José Gomes, Mesaque Dju e João Filipe. Isto faz do Benfica um dos clubes (em conjunto com o Milan) que mais jogadores ofereceram às seleções nacionais sub-19, sendo motivo para elogio da formação das Águias. Sem querer tirar mérito ao plantel recheado de promessas ligadas a outros clubes, vou falar um pouco sobre estas pequenas (mas grandes) águias.

Nuno Santos joga a avançado, e na época transata dividiu-se pela equipa B e pelos juniores do Benfica. Jogou nas seis partidas da UEFA Youth League, chegando a marcar três golos pelas Águias, um frente ao Manchester United, e um bis na goleada ao CSKA por 5-1. No total marcou 10 golos nos 35 jogos que realizou.

Florentino Luís é um dos destaques da equipa das Quinas e da formação do Sport Lisboa e Benfica. É um trinco com uma presença fenomenal em campo e foi uma das joias da coroa de campeões. Florentino fez quase toda a época passada na equipa B a titular indiscutível, e de notar que faz quase sempre os 90 minutos de todas as partidas. Um jovem incansável que tem sempre grande vontade de ir atrás da bola quando não a tem, faz passes geniais e cortes de bola com máxima eficiência. O capitão da seleção portuguesa foi um dos escolhidos para o onze ideal do Campeonato da Europa Sub-19.

Zé Gomes é um dos pontas de lança da equipa portuguesa e do Benfica B. Fez 33 jogos na época passada e marcou cinco golos, dois deles na UEFA Youth League. Zé já teve maior destaque, mas continua a ser uma aposta da formação, tendo até já jogado na Primeira Liga e na Liga dos Campeões.

Mesaque Dju é um avançado benfiquista, que começou a época transata a jogar nos juniores, acabando mais tarde por merecer um lugar na equipa B. Dos 23 jogos que fez, três contaram para a UEFA Youth League, e ao todo marcou dois golos.

João Filipe, ou “Jota” Filipe, é outra das joias da coroa portuguesa. Só neste campeonato europeu de sub-19 saiu com quatro títulos individuais: melhor marcador com cinco golos em conjunto com o seu colega de equipa Trincão, melhor média de golos por jogo, mais assistências, e maior participação em golos.

Um avançado criativo com jeito para as fintas, joga com a cabeça levantada à espreita do golo ou da assistência, e desequilibra com grande facilidade. Também dividiu a época passada entre a equipa B e os juniores, sendo quase sempre utilizado em ambas as equipas. Outro jogador fundamental que mereceu o lugar no onze ideal do Campeonato da Europa Sub-19.

Jota Filipe já está no Benfica desde os sete anos de idade, e anseia pela estreia na equipa principal
Fonte: SL Benfica

Destes cinco jogadores, apenas João Filipe, Mesaque Dju e Florentino estavam presentes no plantel do ano passado que foi vice-campeão no mesmo torneio, e só Nuno Santos não esteve presente no plantel campeão da Europa sub-17 há dois anos.

Dos escalões jovens do Benfica têm saído inúmeros jogadores com enorme qualidade estes últimos anos, e o facto de ser o clube que teve maior presença na seleção campeã ainda dá maior justificação para tal argumento. O talento e habilidade destes jogadores são inegáveis, e grande parte das promessas que saem dos escalões encarnados têm chegado a grandes equipas europeias.

A meu ver, qualquer conquista portuguesa é motivo de orgulho, mas quando são conquistas de escalões jovens dá-se ainda maior relevância aos clubes que formam estes jogadores. Dou grande valor às conquistas dos nossos jovens craques, pois colocam o nosso país na boca do mundo, e provam que em Portugal existe futebol e formação de qualidade.

 

Foto de Capa: SL Benfica

Europeus de Atletismo: O Guia para Berlim’18

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Nove anos depois dos fantásticos Mundiais de Berlim, o Olympiastadion volta finalmente a receber uma grande competição internacional de Atletismo! A pista continua com aquela forte tonalidade de azul a fazer-nos recordar todos os grandiosos momentos que vivemos há quase uma década e a elite europeia estará em peso na Alemanha para uns campeonatos que, quando não ocorrem em ano de Jogos Olímpicos, ganham ainda uma outra dimensão. Este ano temos ainda a novidade de se inserirem nos Campeonatos Europeus, embora todas as outras modalidades se disputem em Glasgow. 

Neste nosso guia, procuraremos falar do essencial que ocorrerá nestes 6 (+1) dias de Europeus, destacando claro os atletas portugueses em competição, bem como as provas que antecipadamente suscitam uma maior expectativa. 

Ao longo dos Campeonatos, não vos deixaremos ficar sem notícias do que vai acontecendo na Alemanha, porque em mais uma colaboração Bola na Rede / Planeta do Atletismo, estaremos lá ao vivo, com todas as novidades e histórias de bastidores da 24ª edição dos Campeonatos da Europa de Atletismo!

Precisamos de falar sobre o Wolverhampton Wanderers FC

Um dos principais protagonistas do mercado de verão em Portugal (sim) tem sido o Wolverhampton. Depois de um forte investimento que se traduziu num primeiro lugar no Championship e um acesso automático à Premier League – competição que já não disputava há seis anos – os Wolves continuam a fazer chegar algumas caras novas e bem conhecidas do nosso futebol ao plantel. Rui Patrício, João Moutinho e Raúl Jiménez são alguns dos nomes, e não passa muito disso. Por causa disso mesmo, não será que estejamos a colocar um clube recém-promovido num lugar imaginário que não devíamos?

Primeiro que tudo, há mea culpa a atribuir aos órgãos de comunicação social. O valor-notícia de proximidade nunca falou tão alto nos últimos dois anos quando qualquer notícia surgia sobre o Wolverhampton, desde o treinador até ao grande conjunto de jogadores, que são de nacionalidade portuguesa. Com os títulos que o nosso país tem conquistado ao longo dos últimos anos nos vários escalões do futebol, é normal que se destaque em força aquilo que alguns protagonistas associados ao nosso país fazem lá fora.

É importante existir esse ‘apoio’, mas este tipo de transferências nem chegam lá perto ao real mediatismo que existe por Inglaterra em volta das contratações de clubes como Liverpool, Arsenal e Manchester City e até de emblemas de nível mais inferior como o Everton ou o Crystal Palace. E há o reverso desta medalha.

Este caso pode ser comparado ao do Newcastle que, entre 2012 e 2016, tinha um número considerável de jogadores franceses e eram logicamente seguidos pelos meios de comunicação social franceses. O excesso dessa nacionalidade, quando se pensava que apenas se tratavam de bons reforços, foi alvo de críticas pois o Newcastle – emblema também histórico em Inglaterra – chegou a descer de divisão e teve de fazer uma limpeza no plantel para ‘espantar esse mal’.

Apesar de já ter presenças em competições europeias e finais de taças, Nuno Espírito Santo está perante o maior desafio da sua carreira como treinador
Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

De seguida, é importante questionar a mudança de contexto, da segunda para a primeira divisão de uma das melhores ligas do mundo. Terá Nuno Espírito Santo o pulso suficiente para orientar uma equipa que tem de ter um primeiro objetivo: a permanência na Premier League? Há vários pontos de comparação para o que vem aí.

FC Porto 3-1 CD Aves: Dragões conquistam um troféu que já deixava saudades

Naquela que foi a 40.ª edição da Supertaça Cândido de Oliveira entre o campeão português, FC Porto, e o vencedor da Taça de Portugal, Clube Desportivo das Aves, os “Dragões” conseguiram escapar do Estádio Municipal de Aveiro com mais um troféu, que vai direto para o museu do clube. O jogo foi quente, bem como a temperatura, e o ambiente no estádio estava ao rubro com 25 mil adeptos do campeão nacional dentro do recinto para assistirem à conquista da Supertaça que já fugia há “cinco anos”.

Quanto ao onze inicial, não houve surpresas relativamente à tática escolhida pelo treinador, jogando num sistema de 4-4-2 como tinha sido hábito na época transacta. No que toca aos 11 jogadores, quando todos esperavam que fosse Tiquinho Soares a fazer dupla na frente de ataque portista com Vincent Aboubakar, Sérgio Conceição decidiu apostar em André Pereira. De realçar também a titularidade de Diogo Leite, jovem jogador da formação do FC Porto, que renovou o seu vínculo ao clube esta semana.

Foi o FC Porto quem entrou melhor no jogo e ao minuto cinco da partida Aboubakar remata à baliza com muito perigo após o cruzamento de André Pereira. O golo foi evitado com uma grande defesa do guarda-redes do CD Aves, Quentin Beunardeau.

Nove minutos depois, aos 14 minutos, chega o primeiro golo do jogo por parte da equipa da Vila das Aves, num lance em que Diogo Leite corta a bola para a entrada da área e a mesma é desviada pelo árbitro da partida Luís Godinho, sobrando para o brasileiro Cláudio Falcão que remata com força e a bola passa junta ao poste, sem hipóteses para Iker Casillas.

Num momento em que o CD Aves parecia estar mais por cima do jogo, Yacine Brahimi faz o empate para os “Dragões”, numa jogada praticamente iniciada e finalizada pelo mesmo. Após sair da pressão de Rodrigo Soares, o argelino passa para Aboubakar que devolve para a entrada de Brahimi e remata por entre as pernas de Beunardeau.

Dois minutos após a meia hora de jogo, Derley provocou um susto à equipa portista ao cabecear na pequena área. No entanto, Iker Casillas mostrou estar atento e manter bons reflexos e defendeu aquela que era uma bola difícil. Por essa altura, Brahimi apresentava queixas no pé esquerdo devido a uma entrada de Amilton e teve de ser substituído por Jesús Corona.

Nos últimos cinco minutos da primeira parte, ambas as equipas causaram perigo. Primeiro por Nildo Petrolina que remata cruzado a rasar o poste contrário da baliza de Casillas e depois foi a vez de Felipe tentar dar a vantagem à equipa da cidade invicta num lance inicialmente bem trabalhado por Corona que cruza para a área e após um cabeceamento mal-executado por parte de Diogo Leite, Felipe desvia para a baliza, mas Benardeau segura em cima da linha.

Ambiente vivido após a vitória do FC Porto na Supertaça Cândido de Oliveira
Fonte: Bola na Rede

Acabam os primeiros 45 minutos de um jogo que até ao momento estava a ser muito físico para ambos. Nenhuma das duas equipas se destacou totalmente dando assim justiça ao resultado.

Recomeça o encontro no Municipal de Aveiro e o FC Porto dá sinais de estar melhor na partida segurando mais a bola e fazendo alguns ataques que poderiam dar a vantagem aos campeões nacionais. Ao chegar ao minuto 60, Herrera sofre um golpe no sobrolho e fica a sangrar bastante. Os ânimos exaltam-se e Sérgio Conceição é expulso do banco do FC Porto por protestos.

Alguns minutos depois, os “Dragões” chegam ao segundo golo por Maxi Pereira, aquele que foi considerado o homem do jogo. O uruguaio tocou para Otávio e o brasileiro fez o favor de devolver a bola e em ângulo difícil, Maxi faz a bola passar novamente por baixo das pernas do guardião do CD Aves.

O FC Porto faz o terceiro golo aos 84 minutos pelos pés de Corona num período em que o jogo estava pouco agitado. O mexicano retirou as dúvidas que ainda restavam quanto ao vencedor da Supertaça através de um grande remate de fora de área.

De realçar ainda a saída de Tiquinho Soares por lesão na zona abdominal, ficando o FC Porto a jogar com dez elementos.

O FC Porto conquista assim a 21.ª Supertaça Cândido de Oliveira e o troféu número 1279 na era de Pinto da Costa na presidência. Uma partida bem disputada na primeira parte, mas o CD Aves foi muito abaixo na segunda metade e o FC Porto controlou o jogo e passou para a frente do marcador. Uma 40.ª edição da Supertaça muito dura a nível físico. Foram quatro os cartões amarelos mostrados e foram ainda necessárias várias intervenções da equipa médica.

Carta Aberta a Luís Filipe Vieira

Caro Presidente Luís Filipe Vieira,

Esta é a primeira vez que me dirijo a si em público e lamento muito que, de todas as vezes que me dirigi a si (em público ou em privado), nenhuma delas tenha sido para elogiá-lo ou parabenizá-lo por algo. Certamente que após ler isto deve estar a rir-se e a pensar: “Olhem este… eu que recuperei o clube, voltei a dar-lhe credibilidade, gastei tantas horas…” – eu sei, caro Presidente Luís Filipe Vieira. Eu já conheço essa conversa de trás para a frente. Basta ir a uma qualquer Assembleia Geral e lá vem a conversa de sempre.

O que eu quero relembrar, caro Presidente Luís Filipe Vieira, é que antes de assumir o seu cargo, o Sport Lisboa e Benfica já existia há 99 anos. Muita História fizemos ao longo desse tempo, criando uma identidade e elevação que fazem com que seja exigido respeito para com o nosso passado. Não me venham falar de títulos que aconteceram durante o seu legado, pois isso faz parte da sua obrigação enquanto dirigente máximo de um colosso como o Sport Lisboa e Benfica. Aliás, se pegarmos por aí, até chegamos à fácil conclusão de que o saldo de títulos conquistados ao longo destes 15 anos nem sequer é positivo. O que é de lamentar.

Mas deixemo-nos de rodeios. Aquilo que me leva a escrever-lhe é o facto de continuar a insistir nos mesmos erros. Quero que explique, de uma vez por todas – a mim e a todos os benfiquistas – aquilo que o move. Será que são mesmo erros ou já passaram antes a ser interesses? Diga-nos, por exemplo, o que é que o leva a abdicar do melhor jogador das últimas quatro edições da liga portuguesa? Isto não cabe na cabeça de ninguém, caro Presidente Luís Filipe Vieira.

É caso para ser considerado gestão danosa. Queira desculpar-me, mas se Jonas pediu algum aumento de salário não acredito que o mesmo não pudesse ser concedido. Como disse, Jonas foi o jogador mais influente desde que vestiu pela primeira vez o manto sagrado e tem toda a legitimidade de ser recompensado por isso.

Por exemplo, é completamente inaceitável que se tenha renovado com Luisão durante anos e anos a fio (sempre com aumentos de ordenado, devido a alegados interesses do estrangeiro) e não se possa manter no nosso plantel um jogador absolutamente decisivo, que garante mais de 30 golos por época. Jonas é um jogador de um campeonato à parte. A confirmar-se a sua saída, é mais um erro imperdoável.

Convém relembrar que, por cima do Emblema, só se encontra a Águia: superlativa, altiva e vigilante
Fonte: SL Benfica

A péssima gestão do “caso Jonas” é só mais um exemplo dos erros sucessivos que vem a cometer de há uma série de anos para cá. São já vários os casos de jogadores que saem do clube, onde se percebe perfeitamente que é contra a sua própria vontade. E o que vemos na comunicação social? Notícias notoriamente encomendadas, que dizem que “o Presidente tentou de tudo, mas a vontade do jogador sobrepôs-se”.