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Íbis – A pior equipa de futebol do mundo

O Brasil pode-se honrar de ser a única seleção que é pentacampeã do mundo. Uma honra sem igual para um país que é um verdadeiro celeiro de craques. Mas se o Brasil está no topo em títulos do Mundial, também ocupa a última posição noutro ranking, de ser o país que tem “a pior equipa de futebol do mundo”. Claro que estou falando do glorioso Íbis Sport Club, da cidade de Paulista localizada no estado de Pernambuco.

O Íbis foi fundado em 15 de novembro de 1938, mas o clube ganhou repercussão internacional apenas nos anos 80. O Pássaro Preto, como também é conhecido, ficou sem vencer um jogo oficial por três anos e onze meses e todo esse jejum sem vitórias fê-lo entrar para o Guinness Book (o Livro dos Recordes). Logo, a fama de ser “a pior equipa do mundo” ganhou manchetes no Brasil e em várias partes do planeta. O tempo sem vitórias só não foi maior pois o clube conseguiu vencer o Ferroviário pelo Campeonato Pernambucano de 1980. Antes desse triunfo, o clube já vivia uma seca de dois anos sem vitórias, ou seja, em sete anos, o Íbis venceu apenas um jogo em 43 partidas disputadas.

Isso seria motivo de revolta para qualquer adepto de qualquer clube do mundo, certo? Não no caso dos adeptos do Íbis. Na temporada passada, o clube venceu os dois primeiros jogos do Campeonato Pernambucano da Segunda Divisão e ao invés da direção do clube receber o carinho dos torcedores, esta foi alvo de protesto. Os adeptos colocaram na porta de um estabelecimento em Paulista, a frase “Fora Diretoria”, já que estavam revoltados com os resultados positivos, pois isso não era manter a tradição do verdadeiro Íbis que eles aprenderam a amar.

Também na última temporada, o clube anunciou o seu Programa de Sócio Torcedor. Para ser sócio do Íbis o adepto deve pagar uma mensalidade de R$ 2,00. Sim, apenas dois reais. O mote da campanha é “Ajude o Íbis a perder” e graças as boas publicidades e divulgações nas redes sociais, o clube tem conseguido atrair sócios até de fora do estado de Pernambuco. O perfil “Íbis Mania” é um sucesso no Facebook e no Twitter e atrai muitas pessoas pelo bom humor dos seus posts. O perfil brinca até com gigantes brasileiros como o Corinthians.

Mauro Shampoo é o maior ídolo da história do Íbis e o garoto propagando do Programa Sócio Torcedor do clube
Fonte: Íbis Mania

O homem que dá cara à campanha do Programa de Sócio Torcedor é o maior ídolo da história do clube, o ex-avançado Mauro Shampoo. O antigo ponta-de-lança foi titular da equipa por 10 anos e nesse tempo conseguiu marcar apenas um golo. Sobre o seu tento ele disse ao portal Lance: “Só fiz um golo na carreira, e mesmo assim dizem que foi contra. O guarda-redes defendeu a bola e a bola caiu na marca do penálti. Fiz o golo e corri o estádio todinho. O estádio estava lotado… Lotado de espaço vazio. Perdemos 8-1, mas eu fiz um golaço. Não há registo, por isso dizem que foi contra. Dói no coração. É o golo da minha vida.

O Íbis Sport Club chega a ser um matrimónio do futebol brasileiro e por mais folclórico que chegue a ser o Pássaro Preto, mostra uma outra realidade do nosso futebol. No clube existem jogadores que desejam vingar na carreira e não ser apenas parte de uma equipa perdedora. Jogadores que passam por sérias dificuldades, mas são “alimentados” pelo sonho de progredir como jogador.

Mas isso talvez seja assunto para outros textos. O Íbis, que é questão de orgulho e alegria para muitos, disputará novamente a Segunda Divisão Estadual esse ano. A expectativa da massa adepta é a mesma das últimas temporadas, estar com o clube mesmo após as prováveis derrotas. Afinal, a tradição tem que ser mantida.

Foto de Capa: Íbis Mania

Artigo revisto por: Jorge Neves

Bota de Ouro: Quando Jonas, o melhor marcador da Europa, está fora da competição

Messi e Salah na frente com Lewandowski e Immobile à espreita.

A Bota de Ouro é um troféu anual dado ao melhor marcador da Europa e um dos mais prestigiados troféus que podem ser atribuídos a um jogador de futebol. A corrida para ver quem é o melhor artilheiro da Europa está ao rubro e os lugares cimeiros estão todos colados uns aos outros.

O suspeito de sempre, Lionel Messi, lidera a tabela com 33 golos o que equivale a 66 pontos. Com menos dois golos aparece o prodígio Mohamed Salah. Robert Lewandowski e Ciro Immobile encontram-se ambos com 29 golos marcados e têm uma hipótese de conseguir ganhar o troféu. No entanto, este sistema de pontuação afasta Jonas dos lugares cimeiros da tabela.

Salah é um sério candidato à bola de ouro. Ganhar a bota de ouro traz uma motivação extra para o jogador que só está a dois golos de Lionel Messi
Fonte: Liverpool FC

Porquê esta pontuação?

O atual sistema começou em 1996/97 e surgiu como forma de evitar que futebolistas de campeonatos menos competitivos – onde existe, teoricamente, maior probabilidade de obter números de golos exorbitantes – obtivessem vantagem sobre colegas que atuam em ligas de maior dimensão. Desta forma, somente o campeonato no espanhol, inglês, francês, alemão e italiano (top 5) cada golo vale dois pontos, sendo que nos restantes campeonatos os golos têm um quociente diferente e valem unicamente 1.5 pontos.

Isto faz com que Jonas, o grande artilheiro do Benfica esta época, não esteja na frente da competição, apesar de ter os mesmos golos que Lionel Messi, tem unicamente 49.5 pontos. Muitos consideram injusto esta medição, mas a melhor solução para equilibrar estes rácios é Portugal começar a ganhar na Europa e chegar a uma das 5 primeiras posições de ligas europeias de futebol.

O jogador do Benfica, Jonas, é o principal lesado por este método de pontuação atual
Fonte: SL Benfica

Atual Classificação para a Bota de Ouro

1.º – Lionel Messi, 66 pontos

2.º – Mohamed Salah, 62 pontos

3.º – Robert Lewandowski, 58 pontos

4.º – Ciro Immobile, 58 pontos

5.º- Mauro Icardi, 56 pontos

6.º – Edinson Cavani, 56 pontos

7.º – Harry Kane, 54 pontos

8.º – Cristiano Ronaldo, 50 pontos

9.º – Jonas, 49.5 pontos

10.º – Luís Suarez, 48 pontos

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Jorge Neves

As 5 razões que levam Battaglia a ser indiscutível no Sporting CP

Rodrigo Battaglia foi uma das contratações do Sporting para esta temporada que está a terminar. Vindo do Sporting de Braga, o argentino vinha jogar para o meio campo leonino, não se sabendo ao certo se viria para suprir uma eventual saída de Adrien Silva ou de William Carvalho. O que é certo é que foi um dos elementos mais importantes da temporada, quer na posição seis (onde alinhou mais vezes), quer na posição oito. Num par de vezes, chegou até a ser lateral direito, imaginem.

Depois de ter alinhado no Desportivo de Chaves na primeira metade da época, por empréstimo dos arsenalistas, o argentino voltou à casa-mãe em janeiro e os seus desempenhos despertaram a atenção dos responsáveis leoninos, que partiram para a sua contratação, num negócio que envolveu cerca de três milhões e meio de euros, mais o empréstimo de Jefferson e a cedência definitiva de Ricardo Esgaio.

A época de Batta tem sido fortíssima, com 55 jogos disputados até ao momento (deverá chegar aos 57) e rumores até de uma possível chamada à seleção argentina que vai disputar o Mundial da Rússia. Assim sendo, e tendo em conta a mais que provável saída de William Carvalho do plantel, vamos ver algumas das razões que podem levar Battaglia a fortalecer ainda mais o seu papel no plantel da próxima temporada.

Carta Aberta a Tom Dumoulin: Queremos-te de Rosa!

No ano passado, ver-te no lugar mais alto do podium no Giro não passava de um sonho. Depois de uma bela demonstração na Vuelta ganha pelo Fabio Aru, mas em que acabaste por quebrar no dia mais duro, limitaste-te a colecionar etapas.

Sim, cumpriste sempre os objetivos a que te propuseste. Sim, tornaste-te no melhor contrarrelogista do mundo. Mas faltava uma prova de que aguentavas as três semanas. E, além disso, faltava a equipa.

Queríamos acreditar que eras capaz, que conseguirias defender-te a subir, mas como conseguiríamos honestamente pensar que, com aquela equipa trabalhadora ias fazer frente a Quintana e Nibali? O Tem Dam já tinha passado do seu melhor, o Kelderman parecia em regressão e Haga e Geshcke nunca foram verdadeiros trepadores.

No entanto, contra a dura realidade, venceu a crença que tens em ti mesmo e nas tuas capacidades. Contra as super-equipas, triunfou um grupo trabalhador e orientado para um só objetivo, para um só homem. Se falhasses, falhava tudo.

Mas mostraste, até naquele fatídico dia das dificuldades intestinais, de que fibra és feito e tornaste-nos também a nós, teus fãs, crentes e com a tua forma de agir – tanto na bicicleta como fora dela – conquistaste a nossa eterna lealdade.

Dumoulin é Campeão do Mundo de contrarrelógio e Campeão em título do Giro
Fonte: Team Sunweb

Portanto, não foram os pequenos infortúnios do início de época que nos fizeram duvidar de ti e também não é a presença do Froome que o fará. Pelo contrário, estamos só à espera do dia em que poderemos festejar o teu triunfo.

Não cedeste às pressões nem ao cliché e vieste fazer mais uma vez o Giro em vez de te focares em ganhar outras grandes Voltas. Obrigado por seres assim e vires disputar a mais bela corrida da época.

Para já, correspondeste às expectativas e já começaste a construir o teu domínio sobre o 101.º Giro. Não te pedimos muito, só que continues assim, a ganhar.

Vá lá, Tom, faz deste Giro um Dumoulição! Queremos ver-te de Rosa!

Foto de Capa: Giro d’Italia

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Petro vence líder Interclube na 14.ª jornada

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A 14.ª jornada do Girabola jogou-se no fim-de-semana dos dias 5 e 6 de maio, e, como tem sido habitual, foi repleta de muita ação e incerteza quanto aos vencedores de cada encontro!

O campeão em título, 1.º de Agosto, não jogou nesta ronda, por estar a representar o país na Liga dos Campeões: na primeira jornada da fase de grupos desta competição, o conjunto de Zoran Maki recebeu no Estádio 11 de Novembro o Étoile du Sahel da Tunísia, e empatou a uma bola.

O jogo grande da jornada colocou frente-a-frente dois candidatos ao título: Petro e Interclube jogaram no domingo, dia 6. A jogar em casa, a equipa petrolífera queria dar seguimento a série de três jogos consecutivos sem perder, perante um Interclube que pretendia recuperar da derrota frente ao 1.º de Agosto, na ronda anterior. A vitória acabou por sorrir aos visitados: Carlinhos e Tony fizeram os golos do Petro, ao passo que Kaporal marcou o golo do Interclube. Perante este resultado, o Petro já alcançou o terceiro lugar da classificação, estando a 5 pontos do líder Interclube.

O Recreativo do Libolo voltou a somar um resultado negativo em casa
Fonte: Recreativo do Libolo

A surpresa da jornada ocorreu no Calulo! A jogar em casa, o Recreativo do Libolo recebia o FC Casa Militar, e toda a gente achava que, com maior ou menor dificuldade, o Libolo acabaria por vencer o seu encontro. Mas os visitantes tinham outra ideia no pensamento: durante os 90 minutos, os homens do Cuando Cubango não se encolheram perante um adversário mais poderoso, aproveitaram a ineficácia dos atacantes libolenses e conquistaram a vitória: Mussa fez o único golo do jogo, que valeu três pontos.

O Kabuscorp conseguiu vencer o seu compromisso. No Estádio dos Coqueiros, a equipa comandada por Sérgio Traguil derrotou o Bravos do Maquis por duas bolas a zero. Os golos que possibilitaram ao conjunto do bairro do Palanca somar mais três pontos foram marcados na segunda parte, por Mussumari e Filhão. Assim, o Kabuscorp subiu até ao sétimo posto da classificação, com 16 pontos.

Nos restantes encontros, o Sporting de Cabinda venceu no seu terreno o 1.º de Maio de Benguela por 2-0, resultado igualmente verificado a favor da Académica do Lobito na receção ao Rec. da Caála. Domant FC e Desportivo da Huíla empataram a uma bola.

Em suma, podemos já afirmar que o Petro finalmente começa a mostrar o porquê de ser um dos candidatos ao título, pois, de jornada em jornada, tem vindo a mostrar uma qualidade exibicional consistente, o que tem permitido alcançar triunfos e, consequentemente, subir lugares na classificação.

Em contrário, o Interclube demonstrou não estar tão preparado para discutir o título, dado que perante os principais favoritos a conquistar o Girabola (1.º de Agosto e Petro de Luanda) teve dois resultados negativos. Veremos se a equipa de Paulo Torres conseguirá recuperar destes dois desaires consecutivos e manter-se na liderança do campeonato angolano.

Foto de Capa: Girabola Zap

Artigo revisto por: Jorge Neves

Juventus FC 4-0 AC Milan: Velha Senhora mais sábia do que o menino Donnarumma

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É nos grandes palcos que se tomam as grandes decisões, e assim o foi, esta quarta-feira, no Olímpico de Roma. A final da Taça de Itália ficou marcada pelo encontro entre a Juventus e o AC Milan, dois históricos do futebol italiano, mais que habituados a estar no centro de todas as atenções. A equipa de Turim chegou até Roma após derrotar a Atalanta nas meias-finais da competição (2-0 agg, 1-0 em cada mão); já os milaneses tiveram uma caminhada mais complicada, ao terem de bater a Lazio nos penáltis (5-4), após dois empates a zero contra os romanos.

Na quinta final da TIM Cup disputada entre os dois conjuntos, a Juventus partiu como favorita (venceu em três das quatro ocasiões anteriores) e em busca da sua quarta conquista consecutiva na prova. Já o AC Milan não levanta a taça desde 2003, estando também há 2 anos num jejum de títulos (o último troféu erguido foi a Supercopa italiana, em 2016).

Relativamente a onzes, Massimiliano Allegri, com alguma surpresa, optou por deixar Higuaín no banco; a Juventus começou o encontro com Buffon, Cuadrado, Barzagli, Benatia, Asamoah, Khedira, Pjanic, Matuidi, Douglas Costa, Dybala e Mandzukic. Por seu lado, o irreverente Gennaro Gattuso fez alinhar um XI constituído por Donnarumma, Calabria, Bonucci, Romagnoli, Rodríguez, Locatelli, Kessie, Bonaventura, Suso, Çalhanoglu e Cutrone.

A Juventus entrou mais forte na partida, e, logo aos dois minutos, Khedira rematou fraco à baliza de Donnarumma. Os Bianconeri desde cedo a confirmar o favoritismo que lhes fora atribuído.

Cinco minutos volvidos, e era a vez do Milan chegar à baliza contrária. Fantástico entendimento ofensivo entre Cutrone e Çalhanoglu, com o jovem italiano a rematar em última instância para uma defesa atenta de Buffon.

As duas equipas iam-se apresentando a um grande nível, proporcionando um excelente espetáculo de futebol, com inúmeras ocasiões para ambos os lados. Enquanto os homens da frente (Dybala, Douglas Costa, Mandzukic, Cutrone, Çalhanoglu e Suso) eram protagonistas pelas oportunidades falhadas, o veterano Buffon e o “menino” Donnarumma iam brilhando entre os postes das respetivas balizas.

Após uma primeira parte bem disputada, mas sem golos, seria na segunda que os momentos altos do jogo viriam ao de cima. Aos 55 minutos, Dybala (quem mais poderia ser) disparou um potentíssimo remate na direção de Donnarumma, para mais uma enorme defesa do guardião de 19 anos. Na sequência do lance, há canto para a Juve, e Benatia inaugura o marcador de cabeça, após uma falha clamorosa de marcação da defesa do Milan. 1-0 para a formação de Turim, aos 10 minutos do segundo tempo.

Mas o show de Dybala parecia não querer ter fim. Cinco minutos após o golo, num momento de pura inspiração, La Joya passou no meio de dois jogadores e atirou para mais uma fabulosa defesa de Donnarumma. A noite era, até ao momento, dos dois jovens jogadores.

Até que, a partir da uma hora de jogo, o guarda-redes nascido em 1999 adormeceu e nunca mais acordou. Aos 61 minutos, Douglas Costa rematou em arco, e Donnarumma defendeu para dentro da baliza. “Frango” descomunal do italiano, que acabou por não vir só. Isto porque, aos 63 minutos, Mandzukic cabeceou à figura, e Donnarumma, provavelmente embrenhado nos seus sonhos de menino, deixou a bola escapar das mãos, ficando novamente mal na fotografia. Benatia agradeceu e fez o segundo da conta pessoal, e o terceiro da Juventus no desafio.

A noite transformara-se num autêntico pesadelo para os rossoneri, que só teve fim aos 76 minutos. Kalinic, no seguimento de um canto da Juventus, enganou-se na baliza e cabeceou para o fundo das redes do Milan. Autogolo do jogador croata, e 4-0 para a turma de Allegri. Os lances dos quatro golos eram o espelho do desastre que estava a ser a exibição dos pupilos de Gattuso.

Mais um troféu para a conta pessoal de Gigi Buffon
Fonte: Juventus FC

Vitória expressiva da Juventus por 4-0, num jogo que ficou marcado pelos erros fatais da defesa do Milan, especialmente de Donnarumma. A Vecchia Signora dá assim início à época de festas, ao conquistar a 13.ª Taça Italiana da sua história, numa altura em que é líder isolada da Serie A, estando apenas a um ponto do tão desejado Scudetto. A Juve é dona e senhora de Itália!

O Campeão Voltou!

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Passou o fim de semana e agora, três dias depois, é possível olhar com alguma distância para o feito alcançado. O FC Porto é Campeão Nacional! Os festejos começaram sábado, após o derby entre Sporting CP e SL Benfica, mas domingo foi o dia das emoções fortes, com o Dragão a ser o palco de todas as celebrações.

Depois de quatro anos afastados das conquistas, os adeptos do FC Porto ansiavam pelo momento de voltar à rua e, com o grito audaz da sua ardente voz, gritarem “Porto campeão”! E no domingo, logo desde cedo, as ruas da invicta começaram a pintar-se de azul e branco. Com o título confirmado, o jogo dessa noite com o CD Feirense não assumia nenhum risco para a equipa, ainda assim, a lotação esgotada fazia prever que dificilmente a vitória iria escapar, tal era a motivação vinda de ambas as partes.

Pelos arredores do Dragão, o aparato normal de dia de jogo era visível: as bancas de venda de cachecóis e material alusivo ao clube, bem como as de comida e bebida. Mas, para além disso, havia uma estrutura que dava sinais da festa que se esperava. A ligar uma das entradas do estádio até ao topo do cogumelo, no espaço exterior, estava um corredor decorado com as cores do clube, corredor esse por onde os jogadores haviam de passar, mais tarde, nessa noite.

Vestidos a rigor com camisolas da equipa e adereços vários, os adeptos foram tomando conta da Alameda. Durante toda a tarde e até à abertura das portas do estádio, milhares de pessoas iam-se aglomerando em pontos estratégicos: ou junto ao DJ de serviço, que animava os presentes com músicas de apoio ao clube, ou junto da loja e museu, ou até junto ao local de chegada dos autocarros das equipas. Era fácil perceber que nem todos os presentes tinham bilhete para o jogo mas, no final de contas, a noite seria de festa e ninguém queria perder esse momento.

As mais de 50.000 pessoas que conseguiram o “bilhete mágico” pintaram uma das molduras mais arrepiantes da época no Dragão. Eram 50.000 a gritar e a saltar antes, durante e depois do jogo. 50.000 a elevar bem alto os cachecóis no momento de cantar o hino do clube e de saudar os campeões aquando da sua entrada em campo. Se o cansaço era visível nas caras de algumas delas, a vontade de celebrar era ainda maior e a comunhão entre todos, incluindo jogadores e equipa técnica, deixou bem claro que este “mar azul” não só veio para ficar, como teve um papel de elevada importância ao longo do ano.

A última “roda” do ano, no Dragão, foi um dos momentos da noite no relvado
Fonte: Bola na Rede

Todos queriam a vitória naquele jogo, gritar golo pelo menos mais uma vez em casa, na fortaleza azul e branca. Mas mais do que isso, todos ansiavam pelo apito final e pela entrega da merecida Taça, pelo momento da consagração. Um a um, os jogadores foram chamados ao palco colocado no centro do campo e foi clara a gratidão para com alguns nomes em particular: Casillas, Alex Telles, Herrera e, claro está, Marega e Sérgio Conceição. Sem esquecer a importância de cada um, a multidão não esqueceu que Marega foi decisivo e contrariou toda a desconfiança que havia em torno dele! E não esqueceu o papel decisivo de um treinador que vive o clube como um adepto, o papel fundamental de um Sérgio com garra e ambição, capaz de acreditar em cada jogador seu mas, sobretudo, de os fazer acreditar a eles no seu valor e importância.

No momento em que a taça passou para as mãos do capitão Herrera, eram 50.000 pessoas dentro do estádio e muitos milhares do lado de fora, que através de um ecrã gigante acompanhavam a cerimónia, a gritar como um só. Era a reunião perfeita entre todas as partes que, contra tudo e contra todos, chegavam vitoriosas ao final. Na Alameda, era missão quase impossível ver o chão e perceber como iriam ali caber os adeptos que iam deixando o Dragão para se juntarem aos festejos. Mas couberam! E foi festa a noite inteira!

A noite foi de consagração, mas os festejos não ficaram por ali! Sábado é dia de Aliados e recepção na Câmara Municipal do Porto, algo que não acontecia há vários anos. Depois de quatro épocas afastados dos títulos, é hora de celebrar o regresso do Campeão!

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Isto só acontece porque não quisemos ganhar

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Desde novo que me habituei a ver o Sporting como o cúmulo da Lei de Murphy, em que quando tudo pode correr bem, corre mal, e quando pode correr mal, corre pior que mal.

Por todos esses anos de experiência, tenho reservas em exultar exacerbadamente por partir com a vantagem de um golo em relação ao rival para garantir o acesso às pré-eliminatórias da “Champions League”.

Se fossemos pelo histórico do nosso clube, esta situação teria tudo para correr mal, no entanto mantenho-me esperançado e agarrado à ideia de que apenas as excepções confirmam a regra. Espero, e desejo que esta se confirme como a excepção, e que a mesma se comece a tornar regra no clube. Precisamos mesmo de terminar com este cúmulo no nosso clube, pelo menos no futebol, porque em todas as outras modalidades já nos estamos a habituar a ganhar.

Foi culpa nossa que, depois de um grande trabalho, Dost não tenha rematado
Fonte: Liga Portugal

Mas isto já podia estar resolvido. Aliás, vendo bem, se não tivéssemos tido algumas paragens colectivas em alguns momentos finais de determinados jogos, poderíamos até ter sido nós a festejar o título que foi para o norte. Mas já sabemos que, quando podemos passar para frente, como bons cavalheiros, deixamos sempre passar a “senhora” à frente. Não tendo tido a regularidade para chegar à frente, poderíamos ter resolvido a questão do segundo lugar, no entanto, como tinha escrito aqui na semana passada, já se percebia que o nosso treinador iria jogar com o empate a zero (que podemos agradecer ao Patrício na primeira parte). Jogou Jorge Jesus e o VAR, que insistiu em não se meter nos lances capitais do jogo. E mesmo jogando pouco e essencialmente para não perder, podíamos ter ganho. Finalmente passámos da equipa que merecia ganhar e perdia, e é já uma equipa que, apesar de jogos menos conseguidos, consegue pontos – ainda insuficientes para ganhar títulos.

Ou seja, esta questão do segundo lugar já poderia estar resolvida, e não teríamos de estar a ouvir falar de malas, castigos, impugnações. Os ratos de porão já estariam confinados ao seu lugar, e não teríamos de passar uma semana à espera das jogadas de bastidores, que com certeza surgirão.

Diamond League 2018: As previsões de Xangai

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Sem mais demoras, a Diamond League avança já para Xangai com alguns novos nomes em cima da mesa, mas também com alguns duelos que já tiveram o primeiro round em Doha. Destacamos cinco provas no masculino e cinco provas no feminino que podem concentrar as atenções!

Masculino

100 Metros: Christian Coleman (USA) seria um dos nomes em destaque neste meeting, mas o atleta viu-se obrigado a desistir do mesmo devido a algumas limitações físicas. Mas nem por isso esta prova perdeu o interesse. Em pista, teremos a encabeçar (embora a IAAF nunca lhe dê qualquer destaque nas suas publicações…) o campeão mundial, Justin Gatlin (USA). Gatlin é um dos atletas que mais paixões e ódios desperta no circuito e na China viveu nos Mundiais de 2015 uma das maiores desilusões da sua carreira quando perdeu o Ouro para Usain Bolt numa prova em que era apontado como o favorito. Vingou-se em Londres e bateu o astro jamaicano na última competição do mesmo.

Aqui irá encontrar a companhia de um Andre De Grasse (CAN) claramente a tentar ainda encontrar a sua melhor forma depois da paragem prolongada e que não deverá ser uma ameaça para Gatlin. Quem poderá ser uma ameaça é o atleta da casa Su Bingtian (CHI). Com um recorde abaixo dos dez segundos, Bingtian marcou presença na final de Londres embora tenha ficado no oitavo posto. Este ano, começou a época numa forma fantástica e a temporada indoor resultou em recordes pessoais, nacionais e numa medalha de Prata nos Mundiais. Veremos o que fará aqui nos 100 metros ao ar livre. Outro nome que poderá ameaçar o norte-americano é o inglês CJ Ujah (GBR) que, se recorde, é o atual vencedor da Diamond League tendo corrido em Zurique em 9.97 nessa final do ano passado. Também com um recorde abaixo dos dez segundos, estará em pista Ramil Guliyev (TUR), ele que é o campeão mundial dos 200 metros.

400 Metros: Parece ser um dos elencos com mais estrelas do evento e promete emoção, bons resultados e surpresas. Para começar, teremos aqui os três atletas que ficaram nas três primeiras posições em Doha uma semana antes. Steven Gardiner (BAH) dominou por inteiro a prova e, com os seus 43.87, bateu o recorde do meeting e o recorde nacional da Bahamas! Estará aqui para tentar repetir o feito de forma a conseguir a qualificação para as finais o mais rápido possível. Abdalleleh Haroun (QAT) e Isaac Makwala (BOT) repetem aqui a presença, com a certeza de que principalmente para o atleta do Botswana o que se passou em Doha foi uma desagradável surpresa, depois de chegar a esse meeting como o líder mundial do ano. Mas atenção, porque em pista teremos uma das maiores promessas norte-americanas e mundiais nos 400 metros: Fred Kerley! Kerley tem um recorde pessoal de 43.70 (!) e foi o campeão norte-americano na temporada passada. Depois disso, uma série de más decisões fizeram-no falhar em momentos-chaves, mas o jovem atleta quer mostrar que está também talhado para grandes palcos. Um que está com certeza talhado para grandes palcos, embora para outra disciplina, é Christian Taylor (USA). Sim, ele mesmo! O campeão mundial e olímpico do Triplo Salto aposta numa temporada mista entre Triplo e 400, de forma a aumentar a sua velocidade para o Triplo e para se “divertir” um pouco na volta à pista. Veremos o que será capaz de fazer aqui junto de alguns nomes grandes da distância.

110 Metros Com Barreiras: A curiosidade de vermos Omar McLeod (JAM) nos 200 foi adiada depois de uma pequena dor no abdutor antes da prova de Doha, mas tal não deverá ser impeditivo de vermos o jamaicano na distância em que é especialista, sendo o atual campeão olímpico e mundial. Enfrentará um elenco de peso, mas isso não é nada que assuste o jamaicano, habituado a isso e a bater todos eles. A maior ameaça poderá ser o atleta russo, ex-campeão mundial e Prata em Londres, Sergey Shubenkov, que foi o vencedor do troféu de Diamante na temporada passada. Ainda não vimos nenhuma marca abaixo dos 13.16 nesta temporada, mas ambos os atletas ainda não competiram, portanto será de prever que esta prova traga uma nova liderança mundial. Quem também competirá em Xangai é o recordista mundial, Aries Merritt. Após o transplante de rim, o atleta norte-americano não conseguiu ainda atingir o nível de outrora e não sabendo se algum dia o atingirá, é já uma vitória continuar a competir a tão alto nível, sendo competitivo. É sempre uma ameaça, embora pareça ter começado a época de forma lenta (13.45). Em pista, também estará o recém-consagrado vencedor dos Jogos da Commonwealth, Ronald Levy (JAM) que foi também o terceiro homem mais rápido da temporada passada e Orlando Ortega (ESP), o medalhado de Prata dos Jogos Olímpicos do Rio, depois de uma época mais lenta em 2017.

“O fim dos dinossauros”, uma tese de James, L

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Durante vários anos, foram muitos os cientistas envolvidos na tentativa de identificar quem provocou a extinção dos dinossauros. Na noite de sete de maio de 2018, milhões de espetadores assistiram, em direto, ao tira-teimas. Os dinossauros morreram devido a um homem. E esse homem chama-se LeBron Raymone James.

Desde o regresso a Cleveland, James tem-se tornado num destruidor de primeiros classificados. Aconteceu aos Hawks de 2016, aos Celtics de 2017 e, agora, aos Raptors de 2018. E a história é sempre a mesma: as equipas fazem uma grande fase regular, levando tudo à frente (inclusive os Cavs) e os peritos da NBA começam a duvidar da capacidade de LeBron James em levar uma equipa às finais. E depois chegam os playoffs. James passa a primeira ronda, como sempre, e ou na final ou na semi-final de conferência encontra o primeiro classificado. Em 2017, os Celtics ainda ganharam um jogo em Cleveland. De resto, todas as partidas acabaram com vitória para os de Cleveland.

O caso dos Raptors é, no entanto, especial. De esperanças renovadas todos os anos, a equipa de Toronto passeia pela fase regular pronta a derrotar o “bicho papão” chamado James. Porém, entram sempre num estado quase vegetativo, paralisam a ver o Rei dominar cada jogo como se estivesse a defrontar miúdos da primária. São dez vitórias seguidas e um recorde de 12-2 para os Cavs frente aos Raptors nos últimos três anos de playoffs.

LeBron em ação no jogo 1
Fonte: Cleveland Cavaliers

Este era “O” ano para Toronto. Todos os jornalistas apontavam a melhor equipa do Este na fase regular como favorita. Dwane Casey, DeMar DeRozan e Kyle Lowry olhavam para este ano como a grande oportunidade. Chegou a segunda ronda, Raptors-Cavs e… tudo foi como era dantes. Toronto não conseguiu fechar o primeiro jogo e perdeu no prolongamento. Depois levou uma tareia de um super-LeBron no jogo dois, um game-winner em cima da buzina no jogo três e nova tareia no jogo quatro.

Em todos estes jogos, em todos estes anos, há algo constante: LeBron não gosta de dinossauros (nem do Canadá, provavelmente) e humilha os Raptors a cada oportunidade que pode. De génio do basquetebol, James torna-se num ser todo-poderoso frente a Toronto, entrando nos pesadelos de todo um país, enquanto se ri, diverte e, como se provou no jogo dois, improvisa novas formas de tortura a um povo que a única coisa que deseja é passar a ser visto como mais do que um país de hóquei no gelo. Desta vez, os Raptors devem mesmo ter chegado ao fim da estrada e a culpa, como todos viram, não foi de um meteoro ou das alterações climáticas. O culpado foi LeBron James.

Foto de Capa: Cleveland Cavaliers

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro