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Estoril Open – Dia 5: João Sousa garante lugar nas meias-finais

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Este está a ser o ano de quebrar barreiras. Depois de ultrapassar pela primeira vez a ronda inaugural desta “versão” do Estoril Open, João Sousa já tem bilhete garantido para as meias-finais do único torneio português na “primeira liga” do ténis mundial. O tenista português venceu Kyle Edmund por 6/3, 1/6 e 6/0 no encontro dos quartos-de-final.

O tenista vimaranense admitiu ontem, na antevisão do encontro, que teria que aumentar o nível para poder fazer frente a Kyle Edmund, 3.º cabeça-de-série do torneio e o 23.º melhor tenista do mundo. João Sousa não se ficou pelas palavras e em campo subiu mesmo o nível, encostando o britânico às cordas num terceiro set incólume.

A primeira partida foi resolvida de forma cirúrgica, com o português a quebrar o serviço de Edmund ao 5/3, para de seguida servir para fechar o set. Já o segundo set teve uma história diferente do primeiro, com Kyle Edmund a ser mais acutilante nas pancadas que ia distribuindo do fundo do court, não permitindo a João Sousa impor o seu jogo. 6/1 a favor do britânico.

Na terceira e decisiva partida, João Sousa entrou a querer “mandar no jogo”, com um primeiro jogo de serviço ganho sem ceder um único ponto e a bitola estava estabelecida para o que faltava do set. 6/0 a favor do português, que quebrou o serviço de Kyle Edmund em todas as oportunidades e garantiu assim presença, pela primeira vez em solo nacional, nas meias-finais de um torneio do circuito ATP.

No final da partida, João Sousa mostrou-se contente, sobretudo, “pela capacidade de manter o nível elevado e pela forma como soube dar resposta às várias situações durante o encontro”, esperando, amanhã, “um encontro frente a um jogador que está com bastante confiança e frente ao qual é preciso manter a exigência”.

Fonte: Millennium Estoril Open

Quanto ao facto de jogar em casa, João Sousa confessa que o Estoril Open tem “uma atmosfera especial” e que “é muito especial poder vencer aqui”, também por poder contar com o apoio da família que, “está agora a colher os frutos de um enorme esforço há uns anos atrás”.

João Sousa volta a entrar em campo já este Sábado, onde enfrente jornada dupla, com encontro agendado para as 15 horas em singulares e para o final da tarde em pares, onde ao lado de Leonardo Mayer, vai reencontrar Kyle Edmund, que partilha court com o compatriota Cameron Norrie.

O tenista português vai enfrentar nas meias-finais o prodígio grego, Stefanos Tsitsipas, que depois de ter atingido a final no ATP500 de Barcelona na semana passada, eliminou, já no Estoril, o primeiro cabeça-de-série do torneio, Kevin Anderson e uma das estrelas da próxima geração do ténis, Alex De Minaur.

Foto de Capa: Millennium Estoril Open

 

O que esperar de Alvalade?

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Aproxima-se o fecho das cortinas da Liga NOS 2017/2018 e, se a questão do título parece já resolvida e destinada ao FC Porto, o que é facto é que ainda está tudo por definir no que respeita ao segundo, terceiro e quarto lugares. Neste Sábado, o Sport Lisboa e Benfica deslocar-se-á ao Estádio José Alvalade e disputará um decisivo “derby” contra o seu rival de sempre, o Sporting Clube de Portugal.

Mas então, o que poderemos nós esperar do grande “derby”? Poderia, nesta altura, avançar com prognósticos utópicos ou pessimistas, discursos motivacionais, frases feitas e carentes de conteúdo ou até mesmo pedir que entrassem 11 Eusébios em campo. Mas não. Este texto é destinado a cada Benfiquista. Sejamos adeptos, jogadores ou equipa técnica, nas linhas abaixo enumero tudo aquilo que espero de cada um de nós.

Quero começar pela equipa técnica. A fase que estamos a atravessar não é fácil e não há como contornar esta questão. Desde o início que poderiamos ter feito mais e melhor, mesmo com algumas das carências que temos no plantel. Andámos metade da temporada completamente trocados, com jogadores que deveriam ser titulares a marcar presença na bancada enquanto que, a titulares, tinhamos jogadores que não mereciam tal estatuto, devido ao parco rendimento que iam apresentando. Convém não esquecer os erros que se foram acumulando ao longo da temporada, de forma a não voltarmos a repeti-los. Indo directamente ao assunto, os três pontos são fundamentais para o futuro do Clube. Para este Sábado, exige-se que Rui Vitória prepare com bastante rigor a equipa que vai apresentar. Somos o Benfica e não podemos entrar no jogo com medo do adversário. O Sporting vai entrar forte e já sabemos disso. Por outro lado, também sabemos que eles crescem quando nos sentem mais inseguros. A melhor forma de contrariar essa dificuldade é entrarmos confiantes, com vontade de ter bola, jogando com critério e sem chutão para a frente, procurando desequilibrar a boa organização defensiva que iremos encontrar e, ao mesmo tempo, anular o momento de transição ofensiva que (esse sim!) é o verdadeiro perigo.

Na temporada passada, Victor Lindelöf deu o empate ao SL Benfica que o fez continuar firme na liderança da Liga NOS
Fonte: SL Benfica

Agora, dos jogadores. A esmagadora maioria dos nossos jogadores já está habituada a um jogo deste calibre. Temos elementos bastante experientes, com um elevado grau de responsabilidade no seio do plantel, pelo que terão de ser esses jogadores que têm de guiar os menos experientes e os que – por fruto da sua juventude – possam encontrar-se mais ansiosos no momento de entrar para o relvado. Os jogadores do Benfica sabem e entendem o peso da camisola que envergam. Por intermédio das redes sociais, de acções comerciais ou da mídia, todos eles têm acesso ao universo que é o Sport Lisboa e Benfica. Eles sabem perfeitamente que terão de dar mais do que os 100% que lhes exigimos e que menos que isso é inaceitável. Também estão conscientes que há momentos em que podem ficar para a História do Clube e isso só poderá servir de incentivo extra para que dêem o seu melhor.

Finalmente, dos adeptos. Dentro do estádio seremos milhares, mas num todo seremos milhões. A grandeza do Sport Lisboa e Benfica está espelhada nos seus adeptos, na forma como seguem a equipa, na forma como sentem o Clube, na paixão com que cantam o seu nome. Aos que, como eu, estarão a gritar pelo Benfica em pleno estádio, só tenho a pedir que mantenham a elevação e o respeito que nos são devidos. Somos uma instituição centenária, com uma História imensa e temos de saber dar o exemplo. Vamos canalizar todas as nossas energias para a equipa, mostrando-lhes que estamos lá com eles. Se cairmos, cairemos todos juntos; se triunfarmos, dar-lhes-emos as devidas salvas e prestar-lhes-emos a nossa homenagem. Relativamente aos adeptos que vão estar a sofrer por fora, estes não serão menos importantes. Seja em casa, no café, no restaurante; onde for, mostrem o que é ser Benfica. Façam do território português um mapa de milhões de chamas bem acesas.

Reforço que o jogo de Sábado é crucial para o futuro imediato do Clube. Não por ser contra o Sporting CP, mas porque uma vitória deixar-nos-à a um passo de, na próxima temporada, estarmos na Champions League. Tendo em conta a realidade do Futebol português no que toca ao aspecto financeiro e desportivo, é fundamental fazer parte das 32 melhores equipas europeias.

De Alvalade, só poderemos esperar vontade de vencer. Sejamos, de todos, um.

Foto de Capa: SL Benfica

Chover no molhado!

A contagem para os festejos continua a decrescer e, num primeiro balanço àquela que se pode apelidar como a época do resgate, os elogios vão-se multiplicando um pouco por toda a estrutura azul e branca. Há, no entanto, um principal responsável e, de todos os que merecem a nossa admiração, sobressai o nome do costume: Sérgio Conceição.

Não se trata de sobranceria, mas sim de uma evidência. O FC Porto será o novo campeão da Primeira Liga. Em nenhum outro momento da história do futebol português houve registo de uma equipa que, nas mesmas condições do FC Porto, deixasse escapar o título. Título esse que se reveste de importância máxima, não só porque faz reerguer um campeão adormecido e descaracterizado há mais de quatro anos e, por outro lado, impede que o maior rival faça desaparecer o título de único penta campeão português.

Julen Lopetegui, José Peseiro e Nuno Espírito Santo. O que têm em comum três treinadores tão diferentes? Nenhum deles, com as mesmas ou até melhores condições que Sérgio Conceição, conseguiram levar o Porto a bom porto. Poder-se-á até reconhecer que o atual técnico dos azuis e brancos viu o seu trabalho condicionado pelas muitas restrições financeiras que vêm assolando o Dragão nos últimos tempos. Problema? Nenhum.

Lopetegui começou por dispor do plantel mais caro da história do clube com jogadores de nível mundial, que teriam a obrigação de traduzir a superioridade teórica em resultados práticos. Falhou redondamente, não só no objetivo de conquistar títulos como também na extração das melhores qualidades de um coletivo que devia e tinha de ter dado muito mais. A seu favor jogou o facto de ter realizado uma campanha respeitável na Champions, mas que rapidamente ficou esquecida com a tragédia de Munique.

José Peseiro, por ironia do destino, acabou por ser, dos três, o que mais perto esteve de devolver os títulos aos portistas, mas a final da Taça de Portugal, perdida para o SC Braga nas grandes penalidades, foi mais um soco no estômago, difícil de suportar.

Com a chegada de NES, renovam-se as esperanças, já que na memória de todos estava o célebre discurso do ‘Somos Porto’. Podendo-se reconhecer que a equipa lutou e esteve envolvida na discussão pelo título até ao fim, apesar de variadíssimas arbitragens controversas, a verdade é que os momentos chave revelaram sempre uma equipa sem a chamada ‘estaleca’. A postura do treinador acabou por ser, também, alvo de críticas, atendendo ao discurso monocórdico que mantinha em praticamente todas as aparições públicas.

Sérgio Conceição devolveu as alegrias aos adeptos do FC Porto
Fonte: FC Porto

Eis que, após uma novela que se prolongou no tempo, chega à cadeira de sonho Sérgio Conceição. Mais um homem da casa, mas que se distinguiu por ser bem melhor e mais eficaz em todos os pontos em que o antecessor havia falhado. Liderança, comunicação, transmissão dos valores “à Porto”, valorização e potenciação dos atletas e implementação de uma cultura de campeão. À parte de tudo isto, conseguiu uma comunhão com a massa adepta como há muito não se via no Dragão. Começou por prometer, na apresentação, que o penta do rival não ia acontecer e que, em maio, os portistas iriam estar felizes. Vinha para ensinar e não para aprender. De um plantel em “cacos” e sem hipóteses de movimentações no mercado no sentido de o dotar de armas que o colocassem ao nível dos rivais, viu-se obrigado a resgatar nomes que nunca serviram para os antecessores. Realizou um trabalho psicológico formidável, essencialmente com Diego Reyes, Moussa Marega e Vincent Aboubakar. Vai, muito provavelmente, proporcionar ao clube um dos maiores encaixes de sempre com os milhões da Liga dos Campeões, precisamente num ano em que Portugal viu as suas vagas reduzidas e as receitas da UEFA duplicaram. Encarou os jogos com os rivais, em casa e fora, com a plena consciência de que poderia até nem ter o melhor plantel, mas tinha certamente a melhor equipa e, apoiado nos princípios que sempre implementou desde o primeiro dia, fez surgir um campeão que liderou o campeonato durante dois terços do mesmo.

Sérgio Conceição pode até nem ser o melhor treinador do mundo (e não é, certamente) mas foi a melhor opção que o FC Porto poderia ter tido no preciso momento em que atravessava uma das piores crises da sua história. Sérgio reergueu o clube das cinzas e, não contente com isso, ofereceu-lhe a oportunidade de ter um futuro ainda mais azul.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

O Passado Também Chuta: O estádio mais alto de Portugal que fez Eusébio repensar a sua carreira

Houve outrora quem idealiza-se um campo de futebol tão alto que só pela sua altitude e imponência assustaria os adversários, esse campo foi o Estádio José Santos Pinto. Construído no ano de 1932 e “plantado” numa encostada da Serra da Estrela nascia assim este bonito e mítico campo do futebol português que já viveu inúmeras tardes de grande glória sempre intimidante ligado ao maior clube da cidade da Covilhã, o Sporting da Covilhã.

A primeira grande época que este estádio viveu foi, sem dúvida, a época de 1955/1956 que se constitui ainda hoje como a melhor época de sempre do clube serrano, um quinto lugar da Primeira Liga atrás de FC Porto, Benfica, Belenenses e Sporting CP. O espanhol Victoriano Suárez que era a grande estrela do Sporting da Covilhã nesta altura foi mesmo o terceiro melhor marcador desta edição da Primeira Liga com 21 golos, fazendo abanar as redes do Estádio Santos Pinto várias vezes.

O Estádio José Santos Pinto esteve também ligado de perto à campanha da equipa covilhanense até à final da Taça de Portugal em 1956/1957 onde saiu derrotada aos pés do poderoso Benfica por 3-1.

A proximidade dos adeptos com os jogadores sempre foi uma constante no Estádio Santo Pinto
Fonte: SC Covilhã

Foi por isso um inicio muito glorioso aquele que este estádio viveu, sempre com uma massa associativa poderosíssima oriunda predominante das fábricas industriais que a Covilhã possuía no século XX.

Havia três aspetos que se sobressaiam como “segredo” do sucesso do Sporting da Covilhã neste campo, a sua altitude , o facto de o plantel serrano ser composto maioritariamente por jogadores da região que habituados a jogar em altitude e com as baixas temperaturas que ali se fazem sentir no Inverno, não foi por acaso que Amália Rodrigues numa música dedicada à cidade da Covilhã apelidou-a de “Cidade Neve”, e a proximidade dos adeptos para o relvado, estes são os três aspetos fulcrais que fazem deste estádio um estádio com uma aura especial e diferente.

A neve nunca deixou de visitar este mítico estádio português
Fonte: SC Covilhã

Vários são os testemunhos na primeira pessoa de grandes jogadores que por ali passaram na qualidade de adversários e sentiram dificuldades. Eusébio em entrevista ao programa Alta Definição do jornalista Daniel Oliveira revelou que um dos seus primeiros jogos pelo Benfica depois de chegar a Portugal vindo do Moçambique foi exatamente ali, no Estádio Santos Pinto, e como o jogo decorreu no Inverno o frio que se fazia sentir era de bater os dentes, Eusébio habituado ao clima africano relevou neste programa que equacionou desistir do futebol e voltar a Moçambique depois de não ter “superado” o teste do Estádio Santos Pinto, seria apenas uma das “vitimas” das características especiais que rodeiam este mítico estádio.

Paulo Futre e Pedro Barbosa, por ocasião da visita do SL Benfica à Covilhã para a Taça de Portugal 2014/2015, revelaram também que ao longo das suas carreiras visitaram muitos estádios, mas o estádio Santos Pinto foi um estádio que os marcou como um dos mais complicados estádios para se jogar em Portugal pelas exigências físicas que este campo lhes impunha com o frio oriundo da mais alta serra de Portugal Continental e com as dimensões reduzidas.

A presença em peso da massa associativa do Sporting da Covilhã, nos anos de ouro do clube
Fonte: SC Covilhã

O Estádio Santos Pinto voltaria a revelar-se como um “talismã” para a equipa serrana precisamente na época 2014/2015 quando a equipa covilhanense não conseguiu o regresso à Primeira Liga apenas pelos critérios de desempate, mas foi largamente a melhor equipa nos jogos em casa desta edição da Segunda Liga, se apenas os jogos em casa valessem a equipa do Sporting da Covilhã teria sido campeã com larga vantagem do segundo classificado, era um regresso ao passado, quando o Sporting da Covilhã conseguia resultados muitos melhores em casa do que fora.

Wenger: O orgulho paga-se caro

Depois de 22 temporadas com Arsène Wenger, o Arsenal prepara-se para mudar de técnico. O anúncio recente da saída do treinador francês motivou uma onda de elogios e homenagens por parte de imprensa, treinadores e jogadores, mas a verdade é que Wenger já devia ter abandonado os Gunners há vários anos.

Depois de 10 temporadas bem-sucedidas ao serviço dos londrinos, entre 1996 e 2006, onde conquistou vários títulos, Wenger e o Arsenal entraram em declínio. Com a construção do novo estádio, o Emirates, os Gunners iniciavam uma política de contenção de gastos, e, numa altura em que a Premier League estava cada vez mais competitiva, com grandes investimentos, e novos clubes a lutarem pelo campeonato, como o Chelsea, isso fez com que o Arsenal se distanciasse do topo do futebol inglês.

No entanto, não foi imediatamente após a perda do domínio do futebol em Inglaterra que a estadia de Wenger no clube deixou de fazer sentido. Durante várias temporadas, desde a final da Liga dos Campeões perdida em 2006, e até cerca de 2013, o técnico francês teve a oportunidade de demonstrar a sua qualidade para formar e apostar em jovens jogadores. Ao contrário de outras equipas rivais, que acumularam transferências milionárias para melhorar os seus plantéis, o Arsenal preferiu ir lançando jogadores das camadas jovens na equipa principal, nunca gastando muito sempre que fazia uma contratação. Futebolistas como Ashley Cole, Fàbregas, ou Wilshere, foram todos apostas de Wenger, e, após serem lançados na equipa, acabaram por ter um impacto positivo.

Um dos grandes feitos de Wenger, neste período, foi a regularidade de resultados que obteve. Mesmo não conquistando títulos, o Arsenal continuou sempre a terminar a Premier League nos quatro primeiros, e a qualificar-se para a Liga dos Campeões. Com um plantel inexperiente, e inferior ao de outros clubes de topo ingleses, os Gunners mantiveram o crescimento sob o projeto a longo prazo do seu treinador: poupar dinheiro, e esperar alguns anos até que, com uma equipa de jovens, se tornassem fortes o suficiente para voltar a ganhar troféus.

O grande problema do Arsenal foi que isso nunca aconteceu. Para além das equipas dos Gunners nunca terem chegado a ter a consistência dos primeiros anos de Wenger, houve também alguma displicência no tratamento de jogadores-chave. Deixar sair futebolistas importantes para clubes rivais, como Sagna, Nasri, Ashley Cole, ou Van Persie, por exemplo, foi um dos maiores erros de gestão do emblema londrino.

Wilshere foi um dos jogadores das camadas jovens lançado por Wenger
Fonte: Arsenal FC

A partir de 2013, com o novo estádio já pago por completo, o Arsenal deixou de ter justificações para o seu insucesso. Havia dinheiro para contratações, existiam grandes lacunas no plantel. Wenger apercebeu-se disso, mas, pela primeira vez, mostrou alguma arrogância na sua gestão da equipa. O francês decidiu ceder em parte aos pedidos dos adeptos, e avançar para reforços sonantes, só que fê-lo à sua maneira. A contratação recorde de Mesut Ozil marca o início deste novo período do clube de Londres.

O jogador alemão é, por definição, um futebolista típico de Wenger. Se, noutras alturas, o francês encontrou um equilíbrio entre jogadores técnicos e outros mais físicos e defensivos, desta vez, quando pressionado pela massa adepta e pela imprensa, Arsène recusou-se a mudar a sua abordagem: o Arsenal continuaria a jogar um futebol ofensivo e vistoso, construído quase exclusivamente com jogadores virtuosos mas pouco disponíveis para o estilo físico e agressivo da Premier League.

Tal ideia até podia resultar, desde que o plantel dos londrinos contasse com vários futebolistas de classe mundial. No entanto, em mais uma manifestação de egocentrismo, Wenger não aderiu totalmente à política de contratar grandes nomes, e reduziu os reforços do clube a um ou dois por época. A Ozil seguiram-se Welbeck, Alexis Sánchez, Cech, e, recentemente, Lacazette, Mhkitaryan e Aubameyang, e embora a equipa tenha ficado mais forte, foi ficando cada vez mais desequilibrada.

Feito à imagem de Wenger, o Arsenal atual é um conjunto que consegue praticar um futebol brilhante, mas que está desajustado da Premier League. Quando é preciso jogar de uma forma diferente à que o francês tem posto em prática desde que chegou a Londres, o Arsenal hesita, tem dificuldades, e costuma perder pontos.

Depois de oito anos sem troféus, os Gunners conquistaram, em 2014, a FA Cup, voltando a vencê-la em 2015 e 2017, para além de três Supertaças de Inglaterra. Estes títulos foram justificando a renovação do contrato de Wenger, algo vantajoso para a direção do clube, mais interessada nas receitas do que no sucesso desportivo.

Mas a arrogância acabou por isolá-lo de todos no Emirates: os adeptos estão cansados dos resultados, os jogadores deixaram de confiar nos seus métodos, os donos do clube precisam de um bode expiatório para os maus resultados.

Arsène Wenger fica na história do Arsenal por duas razões: na primeira metade do seu trajeto, levou o clube à sua fase mais bem-sucedida de sempre, na segunda, foi progressivamente arrastando-o para baixo com a sua inflexibilidade e recusa em encontrar alternativas para obter bons resultados.

A postura do técnico, que aparentemente foi forçado a demitir-se, é a de alguém que continua a não admitir os seus erros, perdendo toda a credibilidade ao querer ficar agarrado ao poder. Arsène Wenger achou que podia ser Ferguson, abandonar como campeão e provar a tudo e todos que estava certo. Mas não conseguiu, e sai do clube com o seu estatuto de lenda dos Gunners um pouco diminuído.

Foto de Capa: Arsenal FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

Os 10 candidatos a ganhar o Giro

Está aí o Giro d’Italia 2018. Numa edição marcada pela polémica partida de Israel e pela sombra sob a qual Chris Froome tentará conquistar a sua terceira Grande Volta consecutiva, trazemos-te os 10 principais favoritos a envergar a camisola rosa no final da três semanas, desde os mais experientes às jovens promessas.

Luta até ao fim a Sul!

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Nem só da Primeira Divisão se faz a história do nosso futsal e em muitos casos os escalões inferiores mostram ainda mais competitividade e emoção do que o principal escalão. Pelo menos no que se refere à luta pela troca de posições na próxima temporada. Na divisão superior já estão confirmados os rebaixamentos do Desportivo das Aves e do Fabril Barreiro, e na segunda divisão já temos o Viseu 2001 confirmado como o apurado da Zona Norte quando falta ainda uma jornada para o fim, faltando por isso apenas saber o nome da equipa da Zona Sul que sobe este ano.

E a luta pela vaga está animadíssima, com três equipas ainda na expetativa de se juntarem à equipa viseense, para poderem ser coroados campeões num play-off entre as duas equipas. Para além do Elétrico de Ponte de Sor, que “exclusivamente” necessita de vencer o seu jogo para garantir o seu lugar entre os grandes do futsal português, ainda temos na corrida a formação do Portimonense, que tem de levar de vencida o Ferreira do Zêzere na derradeira jornada e esperar que o clube alentejano empate ou perca o seu jogo.

O clube Alentejano organizou uma excursão para os seus sócios e simpatizantes poderem presenciar uma eventual subida de divisão.
Fonte: Elétrico FC futsal

Ainda com hipóteses matemáticas temos uma equipa que irá marcar presença na final a oito da Taça de Portugal durante a próxima semana, o Farense. Para ainda acalentar esperanças de subir necessita de vencer o Elétrico no último jogo e contar com uma preciosa ajuda do emblema do distrito de Santarém, que tem de conseguir pelo menos o empate na sua deslocação ao Algarve.

É já este fim-de-semana que ficamos a saber onde se fará a festa da subida de divisão – ou no Alentejo (Ponte de Sor) ou no Algarve (Portimão ou Faro). A futurologia não é o meu ponto forte, por isso teremos que esperar até à conclusão desta decisiva jornada final, quem acompanha a turma das terras de Viriato e quem irá ocupar o segundo lugar deixado em vago pelo Fabril e pelo Aves.

Como podem ver, vale sempre a pena espreitar para ver como vão correndo as coisas na segunda divisão, todos os ingredientes para um bom thriller estão garantidos. Uma coisa é certa: emoção, drama e incerteza no marcador vão perdurar até ao fim dos respetivos jogos, e o ambiente festivo que se fizer sentir numa das cidades acima citadas vai contrastar com a tristeza e desilusão no outro lado, como é natural nestas ocasiões.

Foto de Capa: Futsal Portimonense SC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Sporting à conquista do bicampeonato

No próximo domingo, o Sporting Clube de Portugal recebe, no Pavilhão João Rocha, o eterno rival, Benfica, em jogo a contar para a sétima jornada da fase final do campeonato nacional de Andebol.

Os leões, liderados por Hugo Canela, vivem um extraordinário momento de forma, somando 25 vitórias consecutivas, nos últimos 26 jogos disputados. Sendo que o Sporting vem de duas vitórias fora de casa, frente ao FC Porto e ABC, dois dos candidatos ao título.

À entrada para esta sétima jornada da fase final, a equipa verde e branca é líder com seis pontos de vantagem sobre o segundo classificado. O Sporting, vencendo o dérbi eterno do próximo domingo, sagra-se bicampeão nacional. Faltando ainda três jornadas para o final da prova.

O Pavilhão João Rocha poderá festejar o seu segundo título no espaço de uma semana
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Andebol

Para esta partida, Hugo Canela tem praticamente todo o plantel disponível. Uma equipa unida, com muita qualidade e que coloca em campo a cada jogo, atitude e compromisso. Um coletivo forte, onde se destacam nomes como Carlos Ruesga, Pedro Portela, Pedro Solha, Ivan Nikčević, Boško Bjelanović, Janko Božović, Frankis Carol, Michal Kopco, Felipe Borges, Pedro Valdés, Cláudio Pedroso, Edmílson Araújo, Tiago Rocha e Francisco Tavares. Na baliza, também existe muita qualidade, com Matevž Skok, Matej Ašanin, Aljoša Čudić e o jovem da formação Manuel Gaspar. Uma equipa capitaneada pelo experiente Carlos Carneiro.

Esta temporada, os leões já defrontaram o Benfica por três ocasiões, somando três vitórias. Por isso, jogando no Pavilhão João Rocha, com o apoio dos sportinguistas, a equipa de Hugo Canela é naturalmente favorita. Sendo que esta época temos ainda o objetivo de conquistar a Taça de Portugal. Numa temporada em que a equipa verde e branca tem feito exibições extraordinárias e onde tem sido superior aos rivais.

No domingo, espera-se um cenário perfeito, um Pavilhão João Rocha repleto de sportinguistas a apoiar a equipa, do primeiro ao último minuto. Com um único objetivo, vencer a partida e o Sporting sagrar-se bicampeão nacional de Andebol.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal – Andebol

Red Bull Salzburg 2-1 Olympique de Marselha: “Ponte” Rolando faz a ligação de Marselha a Lyon

Um ambiente fantástico era tudo aquilo que se esperava na Redbull Arena, em mais um dia de decisões importantes na Liga Europa. Na 2.ª mão das meias-finais da segunda principal competição europeia de clubes, defrontaram-se na Áustria, a equipa da casa, o Red Bull Salzburg, e o Olympique de Marselha.

No quarto encontro entre as duas equipas esta época, ambos os técnicos decidiram operar alterações nos onzes que apresentaram no dia 26 de abril, em Marselha: do lado dos franceses, Rudi Garcia deu a titularidade a Germain, com Mitroglou a não constar da ficha de jogo; já Marco Rose foi mais radical, ao deixar Wolf e Hwang no banco, levando Schlager e Gulbrandsen a jogo.

O Marselha entrou bem na partida. Aos cinco minutos, após livre bem batido por Payet, Lucas Ocampos rematou por cima da trave. Eram os franceses a chegar primeiro à baliza adversária. No entanto, era a equipa revelação da Liga Europa que necessitava urgentemente de marcar. Aos 13 minutos, Dabbur protagonizou o melhor momento da primeira parte, ao rematar para defesa incompleta de Pelé; Luiz Gustavo encarregou-se de afastar a bola da zona de perigo.

Até ao apito do árbitro Sergey Karasev para o intervalo, o jogo manteve-se bastante morno, e algo entediante. Ambas as equipas pareciam algo amorfas, sem mostrar grande vontade de fazer mais.

Grande festa marselhesa em território austríaco
Fonte: UEFA Europa League

Na segunda parte, para o bem de quem pagou bilhete, tudo mudou. Ocampos, logo a abrir o segundo tempo, atirou à malha lateral, após um excelente trabalho individual. Aos 49 minutos, Germain efetuou um bom compasse de espera, entregou de forma exímia a bola a Payet, que devolveu a bola ao colega de equipa; o remate do ex-Mónaco acabou, contudo, por sair um pouco ao lado da baliza do Salzburg. Grande mobilidade dos jogadores da frente do Marselha, com qualidade individual suficiente para a qualquer momento encerrar as contas da eliminatória.

Mas os austríacos são um osso duro de roer. Aos 53 minutos, na segunda vez que o Salzburg chegou à baliza contrária no recomeço da partida, Haidara atirou a contar. 1-0 para a equipa da casa, após um momento de inspiração do maliano, que deixou alguns jogadores adversários para trás. Eliminatória em aberto na Áustria.

Quem mandava agora no jogo era o Salzburg, e cinco minutos após o golo, Ramalho disparou de bem longe um míssil traiçoeiro, para defesa atenta de Pelé. O central brasileiro pedia o apoio das bancadas da Red Bull Arena, que aos 65 minutos foi à loucura. Schlager, um dos jogadores que venceu a final da UEFA Youth League de 2016/2017 contra o Benfica, rematou dentro da área do Marselha, com a bola a sofrer um desvio de Sarr para dentro das redes de Pelé. Autogolo do central francês e estava feito o 2-0, com tudo empatado na eliminatória!

Até ao final do tempo regulamentar houve tempo para algumas boas oportunidades de ambos os lados, mas o resultado final ditou que se jogassem mais 30 minutos. Prolongamento em Salzburgo, numa grande noite de futebol europeu.

Aos 91 e 98 minutos de jogo, os guarda-redes das duas equipas brilharam, ao defenderem com “unhas e dentes” os remates de Anguissa (Marselha) e Caleta-Car (Salzburg). O jogo dava ares de se encaminhar para a lotaria das grandes penalidades.

Mas Rolando, que entrou aos 101 minutos na partida, decidiu que não havia tempo para mais: canto batido por Payet e o central a rematar para o fundo das redes de Walke; a quatro minutos do fim do prolongamento, o internacional português nascido em Cabo Verde arrumava definitivamente com a eliminatória. Os jogadores do Salzburg protestavam (com razão), alegando que o golo surgia de um canto mal assinalado. Num jogo impróprio para cardíacos, ainda houve tempo para Haidara ver o segundo amarelo e ser expulso. O Salzburg, apesar da vitória, cai assim diante dos franceses, numas meias-finais de grande nível. Grande prestação dos austríacos, que seguramente continuarão a dar cartas nestas andanças europeias.

Anotem nas agendas: dia 16 de maio teremos o Marselha frente a frente com o Atlético de Madrid (que derrotou o Arsenal por 1-0 na outra meia-final) na final da Liga Europa 2017/2018, em Lyon.

Club Atlético Madrid 1-0 Arsenal FC: Colchoneros regressam às finais europeias

Arsenal pagou caro as falhas da primeira mão e permitiu que o Atlético de Madrid se qualificasse. Num jogo chato de se ver mas muito técnico, o Atlético carimbou a passagem para a final em Lyon.

A partida ficou marcada pela lesão de Koscielny que se aleijou sozinho mas obrigou Arsène Wénger a gastar uma substituição numa altura bastante inicial do encontro. No entanto, o decorrer da primeira parte mostrou que estas equipas são realmente muito equiparadas num duelo muito equilibrado com o Atlético Madrid a fazer o que faz melhor, que é a gestão do resultado. Essa paciência do Atlético acabou por compensar e nos últimos minutos da primeira parte num lance de ataque rápido, Griezmann assiste Diego Costa que deixa os “colchoneros” em vantagem.

Diego Costa abriu o marcador ainda na primeira parte do encontro
Fonte: Club Atlético Madrid

A segunda metade do jogo foi mais do mesmo. O Atlético a jogar com inteligência e a fazer a gestão do resultado de forma eficiente enquanto que o Arsenal tentava chegar à igualdade, mas sem muito resultado. Este jogo não foi muito produtivo para a equipa londrina que viu todas as suas oportunidades negadas. Uma partida interessante de analisar mas chato de se ver.

As equipas anulavam-se bastante, foi um jogo bastante técnico, mas com pouca ação e lances marcantes. No fim, a vitória acabou mesmo por ser dos “colchoneros” que vão assim à final da liga Europa. Final essa que é a quarta presença europeia de Simeone no encargo do Atlético Madrid.