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A instabilidade que não se esperava

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Cabeçalho modalidadesInício de época atípico, várias equipas sem fio de jogo, franchises que estavam destinadas à partida à lotaria a serem consistentes nas vitórias e surpresas no topo de cada conferência. É o melhor resumo e claramente o mais curto do que tem sido até ao momento a temporada da NBA.

O caso mais gritante de instabilidade vem da parte dos vice-campeões Cleveland Cavaliers e não, não sou daqueles que acredita na tese que quando eles quiserem vão começar a jogar. Não jogam porque não conseguem neste momento e, desculpem a agressividade, têm um treinador que percebe muito pouco de basquetebol e a equipa deixou de alinhar no caminho do piloto automático. Só Lebron não chega, mesmo com consistência mostrada por parte de Kevin Love. Falta qualquer coisa, para além do óbvio, que é melhorar consideravelmente na defesa. Isaiah Thomas pode ser a resposta para alguns problemas da equipa, mas não vai ser ele a resolver o que quer que se passe com a defesa da equipa de Cleveland. Muita gente nova no plantel pode ajudar a responder a algumas questões, mas nunca todas.

OKC Thunder e Minnesota Timberwolves são casos diferentes. As equipas já mostraram flashes do que podem ser, sendo que estão numa fase em que se estão adaptar a tudo o que mudou com a off-season. E acredito que a liga tem que estar muito preocupada, especialmente com o que se passa em Minneaopolis. Os lobos têm ganho jogos mesmo defendendo mal e só deixam a pensar até onde podem chegar quando protegerem melhor o seu cesto e, acreditem que esta equipa vai defender muito melhor, não fosse ela treinada por um mestre defensivo como Tom Thibodeau.

Os Cleveland Cavaliers são um dos maiores exemplos de instabilidade neste início de temporada Fonte: NBA
Os Cleveland Cavaliers são um dos maiores exemplos de instabilidade neste início de temporada
Fonte: NBA

No meio de tanta instabilidade, surgem casos surpreendentes de bom basquetebol nestas primeiras semanas de competição. Orlando Magic e Memphis Grizzlies, equipas que não teriam grandes aspirações iniciais por situações diferentes, sendo no caso da primeira por ainda estar em rebuild e no caso da segunda por se encontrar numa conferência reforçada em star power, surgem nos primeiros lugares da tabela. Finalmente, sou “obrigado” a destacar o que os Boston Celtics estão a fazer. No meio do turbilhão de emoções que foi o início da época, com a grave lesão de Gordon Hayward, os comandados de Brad Stevens encontraram o caminho das vitórias e já levam seis triunfos consecutivos, juntando a estes um excelente basquetebol praticado. Esta situação só comprova que o timoneiro da equipa de Boston é sem dúvida alguma um dos melhores da liga.

Para umas equipas é cedo para festejos, igualmente é cedo para outras entrarem em modo de desespero. Como Lebron James disse, estamos ainda no final de outubro início de novembro. Ainda assim, há reparos a fazer, por todo o lado nesta liga onde o incrível realmente acontece.

Foto de Capa: NBA

Um Sporting que vence, mas nem sempre convence

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As vitórias podem evitar que se olhe para o funcionamento interno de uma equipa, no sentido daquilo que pode estar a correr menos bem ou que possa vir a ser melhorado no futuro. Os resultados positivos podem, por isso, dificultar uma análise detalhada e profunda sobre o que se passa no interior de um plantel ou de uma equipa ou, eventualmente, esconder-se, sob o pano glorioso das vitórias, os defeitos ou as arestas ainda por limar.

Escrevo esta crónica no dia seguinte ao empate a uma bola dos Leões contra a poderosa Juventus em Alvalade para a Liga dos Campeões. Foi um jogo em que, do ponto de vista exibicional, correu praticamente tudo bem. Digo “praticamente” e não “totalmente” pois a maturidade ou, neste caso, a falta dela, foi determinante num jogo de elevada exigência competitiva.

O Sporting continua a fazer boas exibições na Liga dos Campeões Fonte: Sporting Clube de Portugal
O Sporting continua a fazer boas exibições na Liga dos Campeões
Fonte: Sporting Clube de Portugal

O empate contra a formação de Turim dificulta um pouco, por isso, devido à excelente prestação da equipa do Sporting, o exercício de detetar falhas ou aspetos menos positivos. Mas convém, em nome da cultura de exigência inerente ao ADN do Sporting, que não tenhamos memória curta e não nos iludamos com as exibições mais conseguidas dos Leões. Um clube enorme, como é o Sporting Clube de Portugal, tem sempre que considerar que, independentemente das vitórias – sejam elas pela diferença mínima ou esmagadoras – há aspetos a melhorar.

A classificação da equipa no Campeonato Nacional traduz uma eficácia bastante positiva para este momento da temporada – empates apenas contra o Moreirense fora e em casa contra o FC Porto . Além disso, o facto de estarmos a dois pontos do atual líder do Campeonato (FC Porto) galvaniza os adeptos mas deixa-nos com a frase, todos os anos insistentemente repetida, de que “este ano é que vai ser”. Apesar dos resultados maioritariamente vitoriosos dos Leões, evidenciam-se nesta equipa algumas lacunas que devem preocupar qualquer sportinguista que ama o seu clube e que esteja sedento do tão desejado campeonato nacional. É um Sporting que vence mas que nem sempre convence. Vamos por partes.

Teatro dos pesadelos

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Numa altura em que tanto se fala da quebra exibicional do Benfica em relação a épocas anteriores, após duas derrotas consecutivas com o Manchester United, está assim confirmada a pior série de sempre do clube da Luz na Liga dos Campeões Europeus.

Após o desaire em casa com o CSKA de Moscovo e a desastre em Basileia, as hipóteses de uma passagem para a fase seguinte da competição, tornou-se cada vez mais complicada, sobretudo tendo em conta que se avizinhavam dois jogos, frente ao cabeça-de-serie do grupo, o Manchester United de José Mourinho, Matic e Lindelof.

Numa breve síntese dos dois jogos, pode-se muito bem apontá-los como duas derrotas imerecidas para as águias. Contudo, em dois jogos que o Benfica poderia muito bem ter alcançado um ponto em cada, continuo a demonstrar a má fase que o clube atravessa e a perda de qualidade e intensidade evidente em relação às duas épocas anteriores.

Embora este, “Benfica de consumo interno” que se vem falando, desde o início desta pré-época, consegue, não só, desapontar neste campeonato, como ainda não conseguir um único ponto num grupo acessível que, teoricamente, passaria à fase seguinte, juntamente com o Manchester United. Pior que isso, continua a ser a falta de ligação entre o meio campo e a frente de ataque, numa equipa sem ideias e completamente desnorteada em termos defensivos, com jogadores que não conseguem não só cumprir em termos de posicionamento como não têm, de todo, nível para esta competição.

Raúl Jimenez foi incapaz de marcar nos dois jogos frente ao United Fonte: Manchester United
Raúl Jimenez foi incapaz de marcar nos dois jogos frente ao United
Fonte: Manchester United

Engane-se quem pensar que os melhores resultados foram feitos perante a equipa orientada por Manchester United. Para nem falar em jogos cuja motivação acresce, face a uma equipa cheia de estrelas, salvo sejam os jovens lançados por Rui Vitória que conseguiram de alguma forma, tornar estes dois jogos com menos dissabores. O Sport Lisboa e Benfica não só não jogou para ganhar, como jogou contra uma equipa que não jogou para vencer.

Estes dois jogos, mostraram bem a confiança de Mourinho quanto à passagem da fase seguinte e, como o seu principal foco, continua a ser a Primeira Liga. Numa primeira mão no Estádio da Luz, onde o Benfica está acostumado a impor o seu futebol, face a qualquer que seja o seu adversário, contentou-se em, para além de não conseguir jogar, limitar o jogo do adversário, conformando-se coma  falta de qualidade de jogo que o Manchester United veio cá apresentar e, de certa forma, esquecendo-se da importância de qualidade nestas exibições para, não só garantir a continuidade nas competições europeias, como para elevar a motivação de uma equipa na qual, nada corre como desejado.

Carta Aberta a Moussa Marega

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É verdade, os portistas não esquecem, a primeira impressão é a que fica e a nossa primeira impressão de ti não nos larga.

Ainda não tinham secado as lágrimas pela saída de Jackson Martínez, Osvaldo e Bueno não correspondiam, toda a nossa fé estava nas mãos (ou, melhor dizendo, pés) de Aboubakar. Num lado brilhava Suk, no outro brilhavas tu. Um jogador muito potente fisicamente, com 15 golos em 34 jogos e uma elevada percentagem de remates enquadrados. Ambos rumaram ao Dragão e ambos desiludiram.

Nos primeiros jogos de Dragão ao peito: 1 golo em 13 jogos, para desalento dos adeptos. Faltou tudo. Nem golos nem qualquer tipo de magia.

No entanto, floresceste em Guimarães. Talvez não tivesses sido feito para o topo da tabela classificativa. Fosse como fosse, na cidade berço evoluíste duma forma visível a léguas. Até que apareceu aquele cartão vermelho frente ao Nacional que pelos vistos te deu a ideia que não podias continuar naquele estado de graça e a partir daí foi sempre a descer. Ainda assim, ficaram aqueles 14 golos e 9 assistências em 31 jogos.

Fosse sorte, destino ou qualquer outra coisa, as limitações que Sérgio Conceição enfrentava ou o bichinho que ficara de te ver brilhar em Guimarães, o certo é que voltarias ao Dragão, destinado ao banco de suplentes. E, mais uma vez, fosse sorte, destino ou qualquer outra coisa, a lesão de Tiquinho passou-te a titularidade. E desta vez, sem ninguém saber muito bem como, as estrelas alinharam-se, Sérgio Conceição baseou o modelo de jogo nas vossas falhas e as coisas começaram a funcionar.

O maliano conta com 8 golos e 3 assistências Fonte: FC Porto
O maliano conta com 8 golos e 3 assistências
Fonte: FC Porto

Não tens um talento digno de quem vem veio de outro mundo. Não vieste de outro mundo. És do nosso mundo. És como nós. O teu futebol não me deixa babada. Não tens um toque de bola apaixonante. Não tens um controlo de bola capaz de deixar qualquer um delirante.

Não tens futebol para mover mundos. Não há o mínimo problema em enumerar jogadores com futebol mais apaixonante do que o teu. Há quem te intitule de “Lord”, qualquer elogio é acompanhado por um traço de humor. E, no entanto, fim de semana após fim de semana, damos por nós a festejar golos teus.

Não nos apaixonas, não tens futebol suficiente para idolatrar, mas és quem nos vai dando alegrias. Não é talento inato, não és um Messi que tem o jogo no seu sangue. Mas tens o jogo no teu coração. Não é natural, é trabalhado. O talento que te falta compensas com trabalho e esforço. Com deuses Brahimis na equipa, que transpiram futebol, nos apaixonam a cada toque na bola, dou por mim a admirar-te. Provas que, com esforço e dedicação, tudo (ou aquilo que realmente importa) se faz e mereces ver esse trabalho reconhecido.

Que continues este trabalho incrível que tens feito, que não me faças engolir todos os elogios que te faço. Mas mais importante, que continues a ser capaz de ajudar a equipa na luta pelo campeonato que tanto desejamos!

Foto de Capa: Camarote leonino

artigo revisto por: Ana Ferreira

FC Porto 3-1 RB Leipzig: Susto alemão foi o despertador perfeito

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Segunda vitória na Liga dos Campões à custa de uma exibição que exigiu espírito de sacrifício, coração e…muita cabeça, que mesmo não parecendo, o FC Porto acabou por ter. Perante um Leipzig pressionante, forte e intenso, os azuis e brancos sentiram as dificuldades esperadas durante o primeiro tempo, apenas disfarçadas pelo golo fortuito de Herrera. A perspicácia de Sérgio Conceição e a inteligência tática da equipa para interpretar a ideia do treinador fizeram a diferença no segundo tempo.

Mudando o chip do campeonato para a Liga dos Campões, o FC Porto voltou a sentir dificuldades perante um adversário que o obrigou a rápidas tomadas de decisão (muitas vezes más) na primeira zona de construção, fruto de um bloco alto que preenchia bem os espaços e pressionava eficazmente a primeira linha dos azuis e brancos.

Aos 12’, surgiu a primeira de algumas contrariedades com que Sérgio Conceição e a equipa tiveram de se deparar. A lesão de Marega, numa fase precoce do jogo, obrigou à entrada de André André que, por sua vez, levou a uma alteração do figurino tático da equipa, que passou a estar disposta num 4-3-3, quando antes se dispusera em 4-4-2. Disso também se ressentiu (e muito) Aboubakar, sempre muito longe dos companheiros e sem soluções de apoio para quando a bola lhe chegava aos pés.

No meio de tudo isto surge, então, o tal golo portista, na sequência de um canto de Alex Telles, que Herrera, beneficiando de uma série de carambolas, aproveitou para inaugurar o marcador. Daí resultou um certo adormecimento da equipa portista que, salvo raras e tímidas tentativas em profundidade, pouco ou nada fez para voltar a incomodar Gulacsi. Do outro lado, morava um Leipzig que testou a evolução de um José Sá que há duas semanas havia comprometido em terras germânicas. E o barbudo estava mesmo evoluído, como o comprova a excelente defesa que aplicou para travar um livre batido com toda a força por Halstenberg.

Sérgio Conceição optou pelo mesmo onze que derrotar o Boavista Fonte: FC Porto
Sérgio Conceição optou pelo mesmo onze que derrotar o Boavista
Fonte: FC Porto

Ao intervalo, Hasenhuttl tirou um coelho da cartola com a entrada de Werner que, com apenas dois minutos em campo, deixou a sua marca bem vincada. Alguém no meio campo portista se esqueceu de Sabitzer e este, com classe, serviu o ponta de lança alemão que, pleno de oportunidade, aplicou uma chapelada a José Sá.

Estava feito o empate, que se revelou um excelente despertador para os azuis e brancos, que se aprontaram a tomar as rédeas da partida e a tomar conta do jogo. Aos 60’, Danilo cabeceou pouco por cima da barra, mas tratava-se apenas de um ensaio, já que um minuto depois, a cabeça do Sr. Comendador teleguiou a bola que saiu redondinha do pé de Alex Telles para o fundo da baliza de Gulacsi. Melhor reação seria impossível, e o dragão estava novamente por cima, pelo menos durante mais alguns minutos, até ao momento em que, do banco, vieram ordens para cerrar os dentes, fechar os punhos e sofrer, até à exaustão, perante as investidas finais de um conjunto alemão a quem um empate serviria na perfeição.

O azar haveria de voltar a bater à porta do FC Porto, não em forma de golo visitante, mas com mais uma lesão que desta feita assolou o mexicano Corona, até então um dos principais soldados na procura da defesa acérrima dos caminhos da baliza de José Sá.

No meio deste infortúnio, eis que a sorte e a perspicácia de Sérgio Conceição trouxeram ao jogo o uruguaio Maxi Pereira, o responsável pela machadada final no resultado, aproveitando da melhor maneira o balanceamento ofensivo dos alemães para, em contra ataque, municiado por Aboubakar, bater pela última vez o guardião alemão. Estava consumada uma vitória muito valiosa, não só pelos milhões que arrasta até aos cofres do Dragão, mas essencialmente pela porta que abriu para que a equipa consiga o apuramento para a próxima fase.

Como jogou o FC Porto:
Titulares – José Sá, Ricardo, Felipe, Marcano e Alex Telles; Danilo, Herrera, Corona e Brahimi; Marega e Aboubakar.
Substituições – Marega por André André aos 12’, Corona por Maxi aos 72’ e Brahimi por Reyes aos 87’.
Suplentes não utilizados – Casillas, Hernâni, Óliver e Sérgio Oliveira.
Golos – Herrera aos 13’, Danilo aos 61’ e Maxi aos 93’.
Cartões – Amarelo a Danilo aos 77’.

Como jogou o Leipzig:
Titulares – Gulacsi, Bernardo, Orban, Upamecano, Halstenberg, Kampl, Keita, Sabitzer, Forsberg, Bruma e Augustin.
Substituições – Bruma por Werner e Halstenberg por Klostermann ao intervalo e Augustin por Poulsen aos 75’.
Suplentes não utilizados – Mvogo, Konaté, Laimer e Demme.
Golos – Werner aos 48’.
Cartões – Amarelos a Halstenberg aos 42’ e Augustin aos 64’.

FC Arouca 1-0 CF União: Areias recusa o deserto

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Cabeçalho Futebol NacionalTreze era o número de pontos de ambas as equipas à partida para mais uma jornada, desta vez, a meio da semana, da Segunda Liga. União da Madeira vinha de uma vitória, o Arouca de uma derrota.

Ciss, para os forasteiros, foi o primeiro a esboçar uma ocasião de golo, mas foram mesmo os da casa a adiantar-se, após passe de Barnes para a desmarcação de Areias que, com remate forte de pé direito, bateu Tony.

O jogo, em termos de lances de perigo, foi largamente protagonizado por Rui Areias que, na etapa inicial, ainda dispôs de mais duas oportunidades, aos 23 e aos 32 minutos, a segunda delas mesmo a mais flagrante, após defesa de Tony a cabeceamento de Deyvison… Na recarga Areias, na pequena área, atirou por cima.

Aos 53 minutos, o inevitável Areias abriu as hostilidades da etapa complementar, após cruzamento de Vítor Costa e obrigando Tony a vistosa defesa. 11 minutos depois, após canto de Palocevic, outra vez o avançado ex-Vitória SC…a aparecer no 1º poste e cabeceando por cima.

Titular na frente de ataque, Rui Areias decidiu para o lado local Fonte : FC Arouca
Titular na frente de ataque, Rui Areias decidiu para o lado local
Fonte : FC Arouca

Do lado forasteiro, José Viterbo não esperou pelo que o jogo poderia dar e, aos 70 minutos, já havia esgotado as substituições, apostando cada vez mais na densidade atacante e no jogo direto.

Neste contexto, e com o Arouca a agarrar-se com unhas e dentes à vantagem, destaque para Luan (84’) e Júnior (88’) que dispuseram de boas chances para atingirem o empate.

O Arouca soma três pontos e foge das periferias da zona perigosa, enquanto a formação madeirense volta para o arquipélago com uma derrota na bagagem.

Leicester City: O futebol pertence aos rebeldes

Cabeçalho Liga Inglesa

                              Leicester City: O futebol pertence aos rebeldes

 

 

 

 

 

(Foto de capa: FB oficial Leicester City FC)

 

 

A Premier League é uma competição recheada de lendas, mitos, e histórias desportivas incríveis. Nos últimos anos, nenhuma equipa em Inglaterra alcançou feitos tão inacreditáveis como o Leicester City.

A fuga à despromoção em 2014/2015, a conquista do campeonato em 2015/2016, ou a brilhante campanha na Liga dos Campeões no ano seguinte, em que a equipa alcançou os quartos-de-final, são marcos que ficam para a história do futebol, sobretudo pela forma como foram conseguidos.

Mas, se após o título de 2016, tudo o que rodeava o Leicester parecia ser um conto de fadas, os meses seguintes acabaram por mostrar a realidade da equipa.

O despedimento do treinador do título, Claudio Ranieri, a sua consequente substituição pelo adjunto Craig Shakespeare, e, recentemente, a substituição deste pelo francês Claude Puel, mostram um clube com uma direção volátil, rápida a encontrar culpados, e a livrar-se deles, assim que os resultados deixem de agradar.

No centro de toda esta instabilidade, estão os jogadores do clube. Atualmente, com todo o mediatismo à volta do futebol, os futebolistas ganharam um peso e uma importância que não tinham anteriormente. Consequentemente, a figura do técnico, sobretudo em Inglaterra, tem visto a sua autoridade e preponderância diminuídas, sendo cada vez mais difícil realizar projetos futebolísticos de longo prazo. O Leicester, que não consegue definir um rumo, e oscila entre parecer um clube de competições europeias, um de meio da tabela, e um que luta para não descer, conta com um plantel muito particular, onde o facto dos jogadores serem de várias nacionalidades diferentes, e provenientes de situações desportivas muito distintas, contribui para que não estejam particularmente identificados com o clube.

Jamie Vardy e Riyad Mahrez, os dois melhores jogadores da equipa, são exemplos disso mesmo. O avançado inglês, cuja ascensão desde o futebol amador até à Premier League, o tornou numa figura incontornável do campeonato, e o extremo argelino, que tem qualidade suficiente para jogar em qualquer grande clube europeu, são dois futebolistas com um peso muito grande no balneário do Leicester. Os respetivos egos, justificados ou não, são um inimigo para qualquer treinador que tente impor a sua liderança. Junta-se a isto um grupo de jogadores pouco coletivizado, quase totalmente composto por jogadores veteranos a cumprir o contrato das suas carreiras, ou jovens à procura de dar o salto, e onde cada atleta parece interessar-se quase exclusivamente com a sua própria carreira.

 

Vardy, o melhor jogador da equipa, tornou-se um ícone em Inglaterra, sobretudo devido à sua história de vida  Fonte: Leicester City FC
Vardy, o melhor jogador da equipa, tornou-se um ícone em Inglaterra, sobretudo devido à sua história de vida
Fonte: Leicester City FC

O ambiente de guerrilha num baneário não é novidade. Em todos os grandes campeonatos europeus, existem clubes onde os jogadores se revoltam contra o treinador, provocando o seu despedimento, assim que os resultados deixarem de ser condizentes com a qualidade da equipa. E, se é um facto que esta estratégia tem resultado em várias situações na Europa, também o é que mais nenhum balneário do velho continente parece ser tão problemático  como o do Leicester.

Os jogadores do clube do centro de Inglaterra tem passado constantemente a imagem de indisciplinados, de incorrigíveis, de futebolistas incapazes de ser controlados ou dirigidos. Seria óbvio, portanto, classificá-los como vilões. Mas, na verdade, o plantel do Leicester é sobretudo um conjunto que vive sob uma pressão constante da imprensa, ansiosa por subverter um pouco a história recente de sucesso do clube, e a expetativa dos adeptos de futebol no geral, que, de certa maneira, ainda querem dos jogadores mais feitos surpreendentes.

No meio deste turbilhão, é justo dar algum valor às prestações dentro de campo. Os resultados melhoraram sempre após a substituição dos treinadores, e os Foxes parecem ter apenas sido os percursores de uma moda que alastrou a toda a Premier League. É fácil apontar o dedo à atitude dos jogadores, após algumas decisões técnicas. No entanto, ainda de que forma pouco consensual, têm sido os craques da equipa a levar o clube para a frente. Egoistamente ou não, o plantel do Leicester tem dirigido o barco através das tempestades, e há que lhes dar mérito por isso.

Perante todas as contingências do futebol atual, não é maldoso os jogadores marcarem uma posição, mantendo-a em momentos conturbados.

Afinal, é dentro de campo que tudo se decide, e todo o trabalhado é avaliado. Aí, mais que em qualquer outro lado, Vardy, Mahrez, e restantes companheiros, são as estrelas. E, no caso deste grupo, quem não está com eles, está contra eles.

 Foto de capa: Leicester City FC

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

Os emails não revelados: Mourinho escreve a Rui Vitória

Cabeçalho Futebol Nacional

Olá, Rui. Escrevo-te porque apesar de tudo o que falei para os meios de comunicação, para as TV’s, rádios, imprensa e por aí fora, acho que ainda ficou algo por dizer.

Gosto de ti Rui. A sério. Serenidade, engenho, com postura, não te queixas (e estou farto de queixinhas acredita), e depois com coragem. E essa coragem não é de agora. Foi por isso, e sobretudo por isso, que passei a vida a elogiar o Benfica. Até parecia que vocês tinham ganho. Ehehehe.

O que é certo é que não fugi à verdade: o Benfica é de longe muito melhor individual e colectivamente quando comparado com os russos ou os suíços. Não me esqueço, por exemplo, do nosso passeio à Rússia.

Contra ti foi mais difícil. No primeiro jogo fiquei meio parvo com o teu onze: três garotos na tua equipa? Isso sim é coragem. A partir daí achei que te daria os parabéns qualquer que fosse o resultado e a exibição da tua equipa. Eu confesso que depois de me ouvir, achei que exagerei um pouco quando falei do Svilar. Mas também deves ter entendido que ou muito me engano, ou ele ainda vai ser meu guarda-redes um dia destes. A ver se o Jorge Mendes não deixa fugir esse tesourinho.

Depois, teres posto o Rúben Dias naquele jogo e com aquela pressão é de homem. Sim, porque para além dele já tinhas o Douglas. E depois o que é aquilo do menino a extremo esquerdo? Quem é que deixa Cervi, Rafa e Zivkovic no banco para pôr um garoto da equipa B a titular? Quantos milhões estavam no banco? Como reagem os jogadores que ficam no banco sendo trocados por um menino num jogo daqueles? Eu sei o quanto é difícil manter um grupo homogéneo, e se o consegues mesmo tomando medidas como esta, então os meus sinceros parabéns. Chamo a isso um homem com eles no sítio.

Diogo Gonçalves parece ser uma das novas jóias da coroa saídas do Seixal Fonte: SL Benfica
Diogo Gonçalves parece ser uma das novas jóias da coroa saídas do Seixal
Fonte: SL Benfica

Mas será por isso que o ano está a corre mal Rui? Que tens o grupo dividido? Que tens jogadores que não entendem algumas opções? Eu sei o que é isso, e o quão difícil é dar a volta a isso meu caro. Se for isso liga-me. Pode ser que a minha experiência te ajude.

Isto para dizer que não fiquei maravilhado com vocês em Lisboa. Nem mesmo em Old Trafford. Gostei de algumas coisas que demonstraram que nós portugueses somos muito melhores que os demais técnicos. E isso dá-me gozo. Picar o pessoal daqui que pensam que percebem muito de futebol, mas que passam a vida a choramingar, a atirar as culpas para os outros, a queixarem-se da minha arrogância. Mas quem pensam eles que são? Têm os melhores adeptos do mundo, mas tudo o resto está bem atrás desses amantes loucos do futebol.

Tão bom quanto irritar aqui o pessoal, é dizer umas verdades sobre os “meus”. Porque para além de tudo, com a quantidade de benfiquistas que há espalhados por esse mundo, com certeza que estas minhas palavras só vieram fazer com que os adeptos gostem mais de mim. Os do Porto não terão gostado muito do que ouviram, eu sei, mas na altura certa tenho a certeza que vão ficar todos inchados com palavras minhas.

O que mais gostei foi da vossa segunda parte cá. Durante 20 ou 25 minutos temi sofrer um golo e sabes como gosto pouco disso. Sobretudo aqui no meu estádio. Se tivéssemos empatado em Lisboa eu nem me teria importado muito. A sério! Acho que deu para perceber. Gosto de ganhar mas o empate não iria coloca nada em risco. Agora aqui no meu estádio não gosto de sofrer golos. Irrita-me quando isso acontece. E então tive mesmo que pôr o Herrera. Mesmo com as mudanças que fiz, tínhamos de ganhar, porque quem manda aqui somos nós.

De qualquer forma fica o meu sincero desejo que o Benfica passe à próxima fase. Se não for na Champions, que seja na Liga Europa. Quanto a nós, fica tranquilo porque eu já coloquei os 18 pontos como meta, e acho que, mesmo com poupanças, vamos atingi-los. Agora vocês têm que fazer a vossa parte. E isso é que apesar de tudo o que disse, não sei se conseguirão. Mas espero que sim. A sério.

Termino enviando-te um abraço de solidariedade e companheirismo, desejando que ainda aí estejas para o ano, após teres feito uma boa campanha europeia. E se para o ano ai estiveres, já sabes: o mais certo é o José ir aí buscar-te mais um miúdo.

Abraço para ti e para os teus

José Mourinho

Foto de Capa: Manchester United FC

Não é de agora, é de sempre

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Portugal tem, salvo algumas exceções, uma forte tendência para criticar tudo o que seja de origem lusitana e para idolatrar o que vem para lá da fronteira. Para o caso cujo assunto será o guião desta pequena, e coerente, sequência de palavras pode resumir-se mais ou menos assim: um é português e o outro é estrangeiro. Falo de Bruno Varela e do mais recente menino querido da Luz, Mile Svilar.

A questão, e para que não se confunda com outros parâmetros de análise à performance individual de cada jogador, não tem que ver com a qualidade de ambos os guarda-redes, nomeadamente aquilo que os distingue. Nesse aspeto reconheço mais qualidade a Svilar – mais seguro no ataque à bola, entre os postes, e até na atrevidura (sim, esta palavra existe, e consta no Priberam, famoso dicionário da Língua Portuguesa) com que sai da baliza para ajudar os companheiros nas bolas que são colocadas nas costas dos defesas centrais. O busílis da questão é o respetivo tratamento a que tiveram direito.

Bruno Varela foi lançado como opção de recurso para substituir o veterano Júlio César e assumiu sem receios a titularidade. Esteve em forma na Supertaça e nas primeiras jornadas do campeonato. Houve adeptos que chegaram até a pensar que ali poderia estar o substituto de Ederson, pelo menos enquanto não chegasse outro guarda-redes com qualidade para se afirmar como indiscutível dono da posição. Porém, e para grande mal do jovem guarda-redes português, Rui Vitória apenas esperava a oportunidade que justificasse uma ida de volta para o banco de suplentes. Essa oportunidade não demorou muito a chegar.

Varela foi visto como uma alternativa temporária, mas depressa voltou para o banco Fonte: SL Benfica
Varela foi visto como uma alternativa temporária, mas depressa voltou para o banco
Fonte: SL Benfica

À passagem da 6º jornada da Primeira Liga, no Estádio do Bessa, Varela errou na forma como atacou um remate de Fábio Espinho e acabou por comprometer o resultado da partida, o suficiente para lhe ser retirada a titularidade. Rodeado de críticos e de treinadores de bancada, acabou por não voltar a jogar com regularidade.

Jogadores que Admiro #83 – Ronnie O’Sullivan

Cabeçalho modalidadesAristóteles, filósofo que viveu na Grécia entre 384 a.C. e 322 a.C., defendia que: “Não existem grandes génios sem uma pitada de loucura”.

Mais de 2000 anos depois da existência deste filósofo, em 1975, nascia no Reino Unido um homem que seria a perfeita personificação dessa ideia defendida por Aristóteles. Falamos de Ronnie O’Sullivan, uma figura incontornável da história do Snooker.

Foram inúmeros os problemas que Ronnie teve ao longo da sua vida e, consequentemente, da sua carreira. Quando tinha apenas 17 anos, viu o seu pai ser preso por ter morto um homem numa rixa num Pub, o que lhe valeu uma pena de 18 anos e, apenas dois anos mais tarde, a sua mãe ser condenada por um ano e sete meses por fuga aos impostos.

Ao longo da sua carreira, exilou-se da modalidade durante largos períodos, estando ausente de competições importantes por não se sentir motivado e teve fases em que sucumbiu às drogas, ao álcool e à depressão, tendo ameaçado por diversas vezes deixar o Snooker.

A sua ausência mais mediática ocorreu entre 2012 e 2013 e representa, provavelmente, uma das maiores provas da superioridade que Ronnie tem perante toda a concorrência.

Algum tempo após a vitória por 18-11 na final do campeonato do mundo de 2012 frente a Ali Carter, que lhe valeu o 4º título de campeão do mundo, Ronnie anunciou que ia deixar o Snooker por tempo indeterminado por questões pessoais. Durante esse período, o astro do Snooker comprou uma quinta e afastou-se de qualquer tipo de relação com a modalidade, chegou mesmo a anunciar que não sentia falta do Snooker e que não sabia se alguma vez regressaria à competição. Após alguma pressão por parte da organização e dos patrocinadores para terem a maior figura da modalidade no campeonato do mundo de 2013, Ronnie cedeu e voltou para defender o título mundial conquistado no ano anterior e surpreendeu toda a gente quando, apesar de ter estado de fora durante um ano, bateu com relativa facilidade toda a concorrência que treinou e competiu durante esse ano, vencendo a final frente a Barry Hawkins por 18-12.

Esta vitória frente a Hawkins valeu a Ronnie o quinto título de campeão do mundo, que aliados aos cinco títulos do UK Championship e aos sete Masters conquistados, fazem de O’Sullivan um dos jogadores mais titulados da modalidade.

Ronnie O’Sullivan e o seu 7.º Master, conquistado em 2017 Fonte: Facebook Oficial de Ronnie O’Sullivan
Ronnie O’Sullivan e o seu sétimo Master, conquistado em 2017
Fonte: Ronnie O’Sullivan

No entanto, apesar de, em última instância, o barómetro de sucesso de um atleta em qualquer modalidade serem os títulos conquistados, o contributo de Ronnie O’Sullivan para a sua modalidade vai muito para além disso.

Ronnie é o jogador mais popular do Snooker e a modalidade bem lhe pode agradecer pela crescente projecção nos últimos anos. E Ronnie não se destaca apenas pelos títulos ganhos.

Ronnie destaca-se por ser ambidestro (chegou a ser acusado de utilizar esta característica para humilhar os adversários), pelo seu estilo de jogo entusiasmante, tacada rápida e pela sua capacidade de leitura de jogo estonteante. Não existe nenhum jogador do circuito mundial que se aproxime da velocidade de raciocínio e execução de Ronnie. A maior prova disto é o registo do 147 (pontuação máxima do Snooker) mais rápido da história, conseguido em apenas cinco minutos e 20 segundos, que muitos consideram ser praticamente impossível de bater, uma vez que ninguém se aproximou deste registo.