O jogo desta quinta-feira iniciou-se com um minuto de silêncio em honra das vítimas dos incêndios do fim-de-semana. Tal como a Federação e todos os redatores do BnR encontro-me extremamente solidário perante a situação. O publico cumpriu e o jogo que muitos esperavam começou.
O primeiro golo da partida surgiu no decorrer do quarto minuto da partida e foi marcado por Frankis Carol. Tal como se espera nos derbys o equilíbrio foi predominante e os empates sucederam-se. No entanto, com o apoio do público da casa, o SL Benfica, depois dos dez minutos iniciais, passou para a frente do marcador, comandados por Pedro Seabra. Esta vantagem mínima da equipa casa acordou os Campeões Nacionais que, com um parcial de 0-3, passaram para a frente do marcador (5-7). Os comandados de Hugo Canela geriram o jogo e a equipa da casa teve de arriscar mais. O Sporting CP aproveitou os erros cometidos nessa altura para contra-atacar e até aumentar a vantagem (7-10).
Entrámos assim numa altura decisiva da partida: se a equipa de Carlos Resende se deixa ir abaixo emocionalmente, o Sporting certamente iria conseguir gerir o jogo e partir para uma vitória relativamente fácil. Ora, foi precisamente o contrário que aconteceu. As águias reagiram e empataram a partida (10-10). O resultado ao intervalo era 11-12.
Davide Carvalho fez uma grande exibição, marcando oito golos Fonte: SL Benfica
O recomeço da segunda parte foi muito intenso e dinâmico, com ambas as equipas a tentarem marcar uma posição forte para o resto do jogo. Os empates e o equilíbrio voltaram a dominar a partida. Tal como na primeira parte, por volta dos dez minutos, o SL Benfica assumiu a liderança, tendo-a perdido nos momentos seguintes novamente (16-17). O resultado final era imprevisível, tal como se pretende num jogo de Andebol.
Chegaram, então, os dez minutos finais. E com eles Matej Asanin. Se no jogo do Sporting com o Montpellier tinha havido um jogo pré-Cudic e pós-Cudic hoje Asanin foi decisivo, fechando a baliza e fazendo com que a sua equipa conquistasse uma vantagem de quatro golos. A partir desse momento a experiência leonina foi suficiente e o resultado final foi 24-27.
Comecemos por um assunto chato que algum dia tinha de ser tema e hoje é o dia: ir ver futebol é algo que me aborrece imenso. Eu sei que isto parece estranho dito assim, mas eu explico. O que me chateia não é o ver futebol, é mesmo o ir. Quando, repetidamente, um trajeto de 10 minutos demora 50 e chegamos ao estádio com uma parte mais descontos gasta na viagem, torna-se cansativo. Dos acessos incapazes de escoar o trânsito à gritante escassez de lugar de estacionamentos, um belo exemplo das falhas urbanísticas do nosso Portugal.
Mas, feito o desabafo, rola a bola no Estádio Municipal de Braga e isso é o que mais importa. Cedo o Braga demonstrou que era a melhor equipa em campo, com um futebol muito superior aos búlgaros e que ia monopolizar as oportunidades desde o apito inicial. Foi tanto assim que logo aos 4 minutos Hassan atirou para fora no primeiro lance de perigo do jogo. Ricardo Ferreira não faria o mesmo pouco depois, mas estava fora-de-jogo e não valeu. As jogadas de perigo iam sucedendo-se para os de casa e os búlgaros apenas por uma vez se aproximaram da baliza à guarda de Matheus.
E, depois, veio o golo. Contra a corrente de todo jogo até então, num canto, Moti cabeceou e a bola entrou para colocar os búlgaros em vantagem. A surpresa tomou conta do estádio e o pequeno grupo de adeptos dos visitantes – ainda assim, uma multidão quando comparado com os que o Istambul Basaksehir havia trazido – permitiu fazer-se ouvir em gritos de apoio aos seus. Ainda atordoado, o Braga quase sofria o segundo no minuto seguinte, mas Matheus defendeu após um contra-ataque rápido do Ludogorets.
Moti gelou o estádio ao minuto 24 Fonte: PFC Ludogorets Razgrad
a algum anti-jogo, mas o máximo que conseguiu foi ver o guarda-redes Renan ter uma boa saída para evitar problemas de maiores num livre descaído para o lado esquerdo do ataque braguista. A primeira parte acabaria com assobios ao árbitro, que não deu nem um minutinho de compensação, quando esta mais que se justificava.
A segunda metade começou também com o Braga por cima, mas mais agressiva com amarelos a serem distribuídos para os dois lados. Os de vermelho bem tentaram, primeiro de livre, mas ninguém desviou e depois com dois remates de longe que acabaram também longe da baliza. E, como no futebol quem não marca sofre, foi o Ludogorets quem voltou a surpreender e a gelar o estádio. Erro de Goiano e Lukoki e a ficar isolado frente a Matheus, fintou o guardião e atirou para a baliza com a bola a bater no poste, mas Raul Silva, pressionado, acabaria por a colocar lá dentro ao tentar salvar a situação. A revolta e a frustação dos adeptos fez-se sentir e eu fiquei a assistir a uma cadeira arrancada ir descendo as escadas até parar mesmo ao meu lado.
Abel Ferreira respondeu prontamente e em poucos minutos esgotou as substituições para forçar o Ludogorets ainda mais à defesa. O problema é que os ataques arsenalistas careciam de uma maior organização e, mesmo tendo criado um trio de situações de perigo, a bola teimava em não entrar e os próprios búlgaros estiveram perto de chegar ao terceiro em mais um contra-ataque. Pelo meio, ainda deu para Abel Ferreira ser expulso por protestos a pedir pénalti numa jogada em que a bola terá batido no braço de Anicet.
Ludogorets sai de Braga com muitos motivos para celebrar Fonte: PFC Ludogorets Razgrad
O jogo não terminaria sem mais uma polémica, quando, aos 87 minutos, os adeptos foram informados de que o árbitro ameaçava interromper o jogo se não cessassem os gritos racistas e xenófobos vindos das bancadas. Do que nos foi possível perceber, em questão terão estado insultos proferidos por alguns adeptos para com Lukoki quando este demorou demasiado tempo a abandonar as quatro linhas ao ser substituído.
No final, a vitória dos visitantes premiou a equipa mais eficaz. O Braga dominou durante todo o jogo, mas foi incapaz de converter as situações de golo que criou. Já o Ludogorets executou da melhor forma a sua estratégia baseada no fechar bem cá atrás e na saída rápida para o contra-ataque. Para o bem e para o mal, no futebol o que conta são os golos e, no dia em que o seu forte ataque não conseguiu afinar a pontaria, o SC Braga pagou caro os erros que a sua defesa continua a dar e complicou as contas do apuramento, em que os búlgaros são agora primeiros do grupo.
Depois da vitória folgada para a Taça de Portugal, o Vitória apresentou-se no Velódrome a jogar num 4-2-3-1, que se transformava em 4-4-2 quando não tem a bola, com Chico Ramos a juntar-se a Rafael Martins na primeira fase de pressão. Isto perante um Marselha que deixou Rolando, Payet e Kostas Mitroglou fora do onze inicial.
A turma de Pedro Martins entrou bem e teve a primeira oportunidade aos 14’, quando Rafael Martins respondeu a um livre de Chico Ramos com um cabeceamento a rasar o poste. O Marselha respondeu logo no minuto seguinte, valeu uma grande intervenção de Miguel Silva. Aos 17’ o Vitória voltou à carga, desta feita foi Heldon quem viu a entrada de Rafael Martins ao primeiro poste e o brasileiro abriu o marcador de cabeça.
Por volta da meia hora Raphinha e Rafael Miranda permitiram a recuperação de bola dos franceses, e Ocampos, num movimento acrobático, a responder da melhor forma ao cruzamento de Sanson e a empatar a partida. Até final o Marselha ainda voltou a assustar por duas vezes, mas o resultado não se alterou até ao intervalo.
No segundo tempo voltaram a ser os portugueses os primeiros a tentar o golo com um remate de longe de Rafael Martins, que passou por cima. Todavia foi o Marselha quem se instalou no meio campo dos vimaranenses, que tinha no contra-ataque a sua melhor oportunidade de causar mossa.
Fonte: OM
Aos 59’, na sequência de um livre, a equipa de Rudi Garcia falhou de forma inacreditável o golo, primeiro Abdennour não conseguiu acertar na bola e depois foi Lucas Ocampos a acertar com a bola na trave.
A superioridade dos franceses continuava a fazer-se sentir e aos 76’, Lopez, de apenas 19 anos, a passe de Ocampos, encostou para o fundo das redes e completou a cambalhota no marcador.
A equipa de Guimarães ainda viu Mandanda evitar o golo com duas boas intervenções, primeiro a um centro de João Aurélio e depois ao remate de ressaca de Wakaso. O resultado acabou por não ser favorável e o apuramento complicou-se, no entanto há que destacar a boa entrada na partida e a boa imagem deixada pelo emblema minhoto.
Apurada para o Campeonato do Mundo de 2018 na Rússia, a seleção Inglesa terá como objetivo na competição fazer melhor do que tem feito nos últimos anos nas competições em que se inseriu. No Euro 2016 foi eliminada pela modesta (não tanto) seleção islandesa nos oitavos de final, o que motivou uma onde de críticas enorme à equipa técnica e direção da federação inglesa de futebol.
Concluída a caminhada na maior competição europeia de seleções, chegara a hora de olhar mais para fora dela e começar a pensar no Campeonato do Mundo de 2018, a realizar-se na Rússia. Ora, qualificar-se para esta competição não se mostrou uma tarefa muito complicada para a seleção que durante esse período de classificação foi comandada por Sam Allardyce e Gareth Southgate, que, frente a equipas como Eslováquia, Escócia, Eslovénia, Lituânia e Malta, conseguiu terminar o grupo destacada no primeiro posto com 26 pontos, mais oito do que a seleção segunda classificada, a Eslováquia.
O objetivo da equipa de Terras de Sua Majestade foi cumprido, mas esta não se viu livre da crítica britânica por ter vencido o grupo, mas sem convencer a Europa da sua verdadeira força, ou, pelo menos, da força que se espera que tenha. Em 10 jogos os ingleses marcaram por 18 vezes, o que é pouco para uma seleção que sempre foi conhecida por ter grandes avançados, e é um número que ultrapassa apenas em uma unidade o número de golos das seleções eslovaca e escocesas. Para além desse problema, outro colocado pelos analistas do futebol inglês o da “dependência” de Kane para vencer os jogos. Dos 18 golos apontados pela equipa, Kane marcou cinco, mas apenas participou em seis jogos, sendo que em três deles foi decisivo para que a sua seleção pudesse levar desses jogos pelo menos um ponto.
O avançado do Tottenham é, sem dúvida, um dos melhores avançados da atualidade, atravessa neste momento o melhor momento da sua carreira, e o selecionador inglês certamente contará com ele para ajudar a equipa a alcançar os seus objetivos no Mundial do próximo ano. No entanto, o nome de Kane parece, nesta altura, ser o único de qualidade para uma posição que nesta seleção sempre foi ocupada por grandes nomes, como o de Rooney, Michael Owen, Teddy Sherigham, Robbie Fowler, Alan Shearer, e muitos outros.
Na lista de jogadores para ponta de lança da seleção britânica constam, para além de Kane, Rashford, Welbeck, Sturridge, Vardy, Rooney e Defoe. Neste lote, o spur é, com certeza, o que mais merece o lugar, mas merecia também concorrentes com mais capacidade de lhe fazer frente na luta pela posição. Rashford é ainda bastante jovem, para além de não ser um ponta de lança puro, Welbeck não atravessa o seu melhor momento, assim como Sturridge, e Vardy e Rooney também tem tido exibições bastante abaixo das expetativas, e sem comparação às que já os vimos protagonizar.
Ao serviço do Tottenham, Kane é, neste momento, o segundo melhor marcador da Premier League com seis golos Fonte: FA
Isto pode tronar-se um problema grave para a seleção de Inglaterra no decorrer do Mundial. Se, por alguma razão, Kane estiver indisponível, as alternativas não me parecem fiáveis o suficiente para estar altura do desafio de defrontar as melhores seleções do Mundo, pelo que as aspirações da seleção podem cair caso o jogador do Tottenham fique impossibilitado de jogar. É ele o homem-golo da equipa, é ele quem mais vezes decide os jogos, e, volto a afirmar, é o melhor avançado inglês da atualidade, pelo que, na sua ausência, a seleção dos três leões, previsivelmente, terá algumas dificuldades para colmatar a falta do seu goleador-mor, que para além desse “estatuto” é, também, capitão da equipa.
A não ser que, até ao próximo verão, apareça, milagrosamente, um novo avançado em Inglaterra com qualidade suficiente para estar à altura do desafio de concorrer com Kane por um lugar no ataque da seleção, espera-se que a possível ausência do atacante dos spurs possa ser uma das dificuldades da equipa no próximo campeonato do Mundo, que não parece encontrar um jogador capaz de colmatar a sua ausência. Há ainda os jogos de preparação, novas táticas podem ser preparadas, o poder de fogo da equipa pode ainda ser melhorado, repartindo a contribuição para os golos por mais jogadores que não sejam Harry Kane e outros poucos da equipa. Cabe ao selecionador decidir o que é melhor para equipa, e neste momento, parece ser de real importância preparar a equipa para a possibilidade de Kane ter que falhar um jogo, ou mais, de maneira a que a equipa possa finalizar os processos ofensivos com a mesma eficácia e frequência, ou até mais, de quando atua o seu principal avançado.
Como qualquer dependência, esta também poderá ser “tratada”, mas o trabalho para isso tem que começar desde cedo.
Já foi há quase um mês que, após um surpreendente empate do Sporting em Moreira de Cónegos, o FC Porto assumiu a liderança isolada da Primeira Liga. Um dia depois de conseguirem a sétima vitória consecutiva frente ao Portimonense, os dragões viam o sporting escorregar e o clássico mudava de figura: o FC Porto visitava Alvalade líder isolado.
Ironicamente, a última vez em que os azuis e brancos haviam liderado o campeonato de forma isolada tinha terminado precisamente em casa dos leões. À data, o treinador era Julen Lopetegui e o encontro terminou com 2-0 favoráveis ao Sporting, que saltou para a liderança.
Entre os dois momentos passou mais de um ano e muitas coisas mudaram no Dragão: José Peseiro e Nuno Espírito Santo passaram, sem sucesso, pelo banco de suplentes, agora ocupado por Sérgio Conceição; o fair-play financeiro bateu à porta e o orçamento para reforços foi reduzido; e existiram, sobretudo, grandes mudanças nas ideias de jogo praticadas.
Outrora, numa ideia defendida por Vítor Pereira, amenizada por Paulo Fonseca e convictamente recuperada por Lopetegui, o FC Porto terminava os encontros, salvo raríssimas exceções, com a esmagadora maioria da posse de bola. A equipa jogava a toda a largura, sempre com os extremos e os laterais encostados às laterais, procurava desmontar os adversários através de sucessivas trocas de bola e tinha na variação do centro de jogo a sua maior arma.
Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui
Ainda que com Vítor Pereira a fórmula tenha apresentado resultados (sob o seu comando o FC Porto foi por duas vezes campeão), com Lopetegui, e com um plantel verdadeiramente de luxo, os resultados não foram os desejados, e o basco deixou o Dragão sem qualquer título. Ainda assim, a generalidade da crítica sempre caraterizou o futebol preconizado por Julen como “positivo”. O FC porto jogava como uma equipa grande: jogava bem. Mas então o que é jogar bem?
Atualmente existe uma grande tendência para se associar o jogar bem às ideias de Cruyff: ao controlo da posse de bola, às linhas subidas e ao futebol a toda a largura, traços comuns ao futebol de Lopetegui. No polo oposto, existe também quem defenda que jogar bem é simplesmente ganhar, como Sérgio Conceição afirmou na conferência de imprensa da sua apresentação.
Ainda que o objetivo máximo de um jogo seja evidentemente vencer, não é impossível consegui-lo sem jogar bem. Não é provável, mas acontece. É futebol, diz-se. Por outro lado, há decerto várias outras formas de jogar bem sem privilegiar a posse de bola, caso contrário seria impossível considerar técnicos como Mourinho ou Simeone bons treinadores. A resposta será, possivelmente, uma posição distinta de ambas: jogar bem é executar um plano de jogo de forma eficaz. Retomando a ideia prévia, é possível ganhar um jogo sem jogar bem. Um dia de sorte, um adversário desastrado na finalização ou até uma soberba exibição de um guarda redes podem conseguir um bom resultado por vezes. Mas não é possível executar com sucesso um plano de jogo e todos os processos de uma partida sem se ser competente. Ainda assim, é possível fazê-lo e perder na mesma. A qualidade de jogo está assim dissociada do resultado.
Contudo, não é crível que uma equipa que domine a posse de bola e perca um jogo tenha jogado melhor do que uma outra que, contra o mesmo adversário, abdicando do controlo da bola, baixando as linhas e jogando com um bloco próximo, aproveite as recuperações da posse e uma boa definição no momento da transição para golear. Não consentir oportunidades é diferente de não sofrer golos. A equipa que não consente oportunidades tem um posicionamento estudado, zonas de pressão bem definidas e uma boa execução de processos. E o mesmo vale para o momento ofensivo. Uma equipa que jogue bem tem um bom plano de jogo e cumpre-o de forma eficaz.
A norma é ser de festa. A norma é espetáculo. São erguidos os banners, são entregues os anéis e a primeira noite de NBA é sobretudo de consagração para o campeão do ano passado e de festa, com bons encontros sempre agendados. Este ano, apesar de bom nível nos dois jogos de abertura, a noite foi sobretudo trágica.
Faltavam cerca de 6.45 minutos para terminar o primeiro período quanto tudo aconteceu. Gordon Hayward subiu para um lob e aterrou da pior maneira possível e imaginável. Os minutos que se seguiram foram de terror, de angústia e de pura tristeza. A reação do banco dos Cavaliers não albergava nada de bom, mas só quando a câmara focou o pé do jogador dos Celtics é que se percebeu que a época tinha acabado para um dos grandes investimentos da equipa de Boston. Tornozelo deslocado e tíbia fraturada. Para mim, que assistia ao jogo em direto, a noite terminou ali. Um dos momentos mais tristes em termos desportivos que presenciei.
O ambiente na Quicken Loans Arena gelou por completo. Era quase percetível o barulho das mocas, o sentimento pesado que se abateu sobre todos. Dwade Wade ajoelhou-se, Lebron baixou a cabeça, Kyrie Irving chorou abraçado por toda a equipa dos Celtics que de imediato formou uma roda e procurou aguentar aquele momento como uma verdadeira muralha conjunta. Hayward, ajudado pelas duas equipas médicas, foi para o balneário sob um forte aplauso de toda uma arena. Não merecia menos do que isto. A época terminou para um dos melhores jogadores da liga e veremos como vai voltar, se vai voltar. Eu acredito, acredito na força destes atletas, acredito que tudo é possível. Paul George voltou de uma lesão semelhante, e voltou em força. Gordon Hayward vai voltar, e vai voltar em grande.
Gordon Hayward, uma das grandes apostas dos Celtics para a presente temporada, caiu na primeira noite da liga com uma grave lesão Fonte: bleacherreport
Quanto aos Boston Celtics, é muito cedo para tirar conclusões. A equipa sentiu muitos os minutos seguintes à lesão de uma das suas estrelas, e até ao intervalo parecia que o jogo ia descambar. Mas não, a segunda parte foi diferente. Jaylen Brown e Jason Tatum chegaram-se à frente e foram o grande apoio de Kyrie Irving, conseguindo que a equipa discutisse o jogo até à última posse de bola. E, se os comandados de Brad Stevens ainda esperam retirar algum sucesso da época que começou, tanto estes dois jovens como outros membros do plantel terão que subir o seu rendimento e complementar a liderança do Uncle Drew.
Ninguém merece uma lesão destas. Nunca nenhum atleta merece uma lesão. Shaun Livingston não a mereceu, Paul George não a mereceu, Gordon Hayward não a mereceu. Mas os dois primeiros voltaram, e voltaram bem. A bola passa agora para ti Gordon, cabe a ti mostrar que também consegues. As minhas preces estão contigo e votos de uma total recuperação.
No passado jogo frente ao Manchester United FC , depois de guardar a baliza encarnada frente a um SC Olhanense bem diferente daquele que conhecíamos há uns anos, Mile Svilar estreou-se no grande palco da liga milionária, tornando-se, assim, no mais novo de sempre a fazê-lo. Tudo parecia dentro dos conformes e nada corria mal (não que corresse bem, porque as oportunidades de golo não eram as melhores para o clube da Luz). Até que, aos 64 minutos de jogo, a, até ao momento, estrela em ascensão, grande promessa e futuro grande guarda redes encarnado, deixou entrar uma bola de maneira, no mínimo, algo caricata. Num remate fortíssimo de Rashford, Svilar saiu dos postes, agarrou a bola, mas não se conseguiu manter à frente da linha de golo. Resumidamente foi um daqueles golos que na altura de Vítor Baía não eram considerados golo. O Benfica acabou por perder 0-1 e o jovem de 18 anos, um mês e 18 dias foi rapidamente arrasado pelos peritos das redes sociais. Felizmente, os presentes ontem no Estádio da Luz não percebem tanto de bola quanto os que insistiram em fazer consecutivas publicações no Facebook a criticar o jovem e tudo o que lhe deram foi apoio. Das bancadas ao relvado, das flash às conferências de imprensa, tudo o que se ouviu foi apoio e elogios.
Mile Svilar, nascido em 1999, realizou apenas dois jogos pelos séniores em toda a sua carreira: a estreia frente ao Olhanense e a estreia noutro palco frente ao Manchester United, o que é quase o mesmo. Digam o que disserem, a qualidade está lá, mas é inegável a, tão normal, falta de experiência, andamento ou maturidade – usem o termo que preferirem. No final do jogo ouviu-se um tal José Mourinho dizer qualquer coisa irrelevante como “Só um grande guarda-redes é que sofre este golo. Porque aqueles que não sofrem este golo, não saem da baliza. Eu costumo dizer que não gosto daqueles que não o fazem. É que a esses eu costumo dizer que se arriscam a que a trave lhes parta a cabeça. E, a este, a trave não lhe parte a cabeça de certeza. Porque o miúdo arrisca, arrisca posicionalmente e tem uma leitura de jogo fantástica. Cometeu um erro de julgamento no lance do golo — algo que acontece a todos. Mas este miúdo é fera, vai ser um grande guarda-redes.”. Mas quem é Mourinho, afinal de contas?
Parece ser bastante irrelevante quaisquer comentários tecidos por profissionais do desporto acerca do jovem belga, porque, o importante é compará-lo com… Bruno Varela! Riram-se? Eu sim. Li muito boa gente dizer que, se Varela foi encostado por causa de uma má abordagem a um lance e consequente golo sofrido (um verdadeiro “frango” como se costuma dizer), Svilar tem de sofrer as mesmas exatas consequências. O que ninguém parece entender é que o problema de Varela não foi o golo sofrido frente ao Boavista, mas sim todo o seu percurso. De salientar ainda que o guarda redes formado no Benfica (e dispensado) sabe bem o que é a liga portuguesa e o que é jogar “a sério”. Desengane-se quem pensa que o pobre e crucificado Bruno Varela foi para o banco por causa de um erro. Desengane-se quem pensa tal coisa e veja a inconsistência do mesmo durante toda a sua carreira.
Por todo o lado ouvi ainda criticas a Rui Vitória (que estranho!) por lançar assim um miúdo às feras. Críticas estas a ter em conta porque vieram de pessoas como Steven Gerrard. Logo de seguida, veio a comparação com Ederson, claro, que foi também lançado às feras, mas não falhou. Um Ederson que, mesmo que em Rio Aves desta vida, já sabia o que era o futebol profissional. Ouvi ainda comparações ente Svilar e Oblak, que se estreou com a camisola do Benfica também frente ao Olhanense. Mas, mais uma vez, Oblak passeou pela liga portuguesa de futebol profissional antes de assumir a baliza do Sport Lisboa e Benfica.
Quantos golos mais teriam havido se não fosse Svilar? Fonte: sbnation.com
Não, não arranjo desculpas para defender Mile. São factos. Não se pode esperar que alguém com esta idade e o andamento que ainda não tem seja perfeito, até porque ninguém o é. Aliás, os ídolos do jovem são precisamente Iker Casillas, Manuel Neuer e Keylor Navas. Conseguem dizer que estes três não são bons guarda redes sem se rirem? E quantos erros e “frangos” deram eles na sua carreira até agora? Se quiserem mostro-vos uma compilação, mas eles não deixaram de ser grandes guarda redes por isso.
Svilar não é Varela. Svilar não tem de ser encostado. Svilar é bom. Svilar está “verde”. Svilar não nos deixou sofrer mais do que um golo. Svilar será um dos melhores. E, como Rui Vitória afirmou, só “há um mês e pouco que tem idade para tirar a carta e ainda nem pelos na cara tem, mas tem mãos para isto”.
Só para terminar, o dito “puto” deu a cara aos adeptos e pediu desculpa, enquanto o grande capitão saiu de campo atirando fora a braçadeira que dita o seu estatuto e que o senhor Shéu, com muita preocupação, agarrou para que esta não caísse ao chão.
Bom, há que desensarilhar este título que parece trapalhão e redundante. Falamos do SSC Nápoles de Maurizio Sarri. Líder destacado da Série A.
Um futebol de toque curto, triangulações e combinações fazem do jogo de ataque uma proposta atrativa num país onde a tradição do Catenaccio está muito presente.
O “caráter lúdico” do calcio é algo que, na opinião de Maurizio Sarri, não se deve perder. Talvez a chave das vitórias do Nápoles esteja aí. Os jogadores crescem no coletivo, crescem em cumplicidade à medida que sobem no terreno circulando a bola entre si.
O allenatore da equipa napolitana não é propriamente um treinador jovem com ideias românticas e que queira mudar a história do futebol com o seu estilo. Aos 58 anos, Sarri passou por US Cavriglia, AC Sansovino, AC Sangiovannese, Delfino Pescara, Hellas Verona FC, AC Perugia, Unione Sportiva Grosseto FC, US Alessandria Calcio, AS Sorrento Calcio, Empoli FC e o atual Nápoles. Uma carreira ascendente, portanto, naquela que é a terceira época com as cores napolitanas. Ascendente também, presume-se, na mutabilidade das suas ideias futebolísticas. Ele, um italiano de gema, que só treinou em Itália, fumando o seu cigarro por entre meditações táticas.
82 pontos em 2015/2016 deram o segundo lugar, a sete da Juventus FC, 86 na época passada fizeram a equipa ficar pelo terceiro posto, um ponto atrás da AS Roma e a cinco da hexacampeã italiana.
Em 4x3x3 ou numa variante de sistema com três atrás, a equipa tem o mérito de aliar experientes jogadores com jovens e talentosos jogadores, começando pela baliza com Pepe Reina, Coulibaly e Albiol ou até Chiriches no eixo central, Hysaj e Ghoulam nas faixas, Diawara, Zielinski, Jorginho, Allan ou Hamsik para o meio-campo. Na frente, o trio mortífero Callejón-Mertens-Insigne, com Milik a também ter oportunidade de fazer parte dessa manobra ofensiva.
Maurizio Sarri tem impressionado o mundo do futebol com o calcio do seu Napoli Fonte: itasportpress.it
Depois dos dois scudettos do Nápoles de Maradona dos finais dos anos 80, poderá o clube voltar a conquistá-lo quase três décadas depois?
Se acontecer, certo é que terá um significado bem mais coletivo e todos olharão, como agora o fazem, para a forma.
Sim, para já, Maurizio Sarri tem o mérito de ter andado perto do scudetto estas duas últimas épocas e jogando de uma forma que é impossível ficar indiferente. Isso já é um bom princípio: quando, daqui a uns valentes anos, o futebol se lembrar do hexa da Juventus, dirão que o Nápoles de Sarri andou a lutar com a Vecchia Signora.
Mas quanto mais impactante será ficar para a eternidade um campeonato para esta equipa?
Sábado há um Nápoles – FC Internazionale Milano, primeiro contra segundo classificados da Serie A. Os líderes têm oito vitórias em oito jogos…26-5 em golos. Sentemo-nos apreciando questa partita di calcio. Pode ser mais uma pista, em fase ainda inicial do campeonato, para perceber se este será mesmo o ano do Nápoles.
E, no sentido mais geral, esta equipa pode ser mais um argumento na discussão do futuro do jogo que nós todos tanto amamos! Se o jogar dos azzurri já é um sonho, sonhar com esta equipa é um ato natural. Pode o Nápoles sonhar com o título italiano? Sim, pode e deve!
Rafael Avelino Pereira Pinto Barbosa tem 21 anos de idade, 170 cm de altura e é um dos jogadores mais influentes da equipa B do Sporting Clube de Portugal. A posição de médio-ofensivo é aquela onde joga mais vezes e para a qual está talhado devido às suas características, mas também pode descair para as alas e atuar como extremo direito ou esquerdo. O seu pé preferencial é o direito e é com ele que executa grande parte das jogadas que efectua.
Rafael Barbosa é um dos mais promissores jovens da nova geração de futebolistas e faz parte da nova fornada de atletas da Academia de Alcochete. As suas características são muito semelhantes às de Adrien Silva e não é de todo descabido dizer que daqui a uns anos pode vir a tornar-se o novo patrão do meio-campo leonino. Neste momento, claro que há aspetos a melhorar, e a sua evolução enquanto profissional de futebol está numa fase decisiva para que se possa determinar se Rafael Barbosa está talhado para grandes voos a começar pela subida à equipa principal do Sporting.
Rafael Barbosa é um dos pilares do meio-campo da equipa B do Sporting Fonte: Facebook de Rafael Barbosa
Das suas características pode salientar-se a grande visão de jogo que o caracteriza e que ajuda a equipa a verticalizar o jogo. Muitas das bolas que são colocadas nos espaços que existem (sobretudo) nas costas das defesas adversárias são enviadas por ele. Para além disso, quando é preciso aparece com regularidade na zona de finalização, tal como a sua posição obriga. No entanto, a finalização é um dos aspetos que podem e devem ser melhorados daqui em diante até porque, esta época, o médio ainda só contabilizou um golo mas tem capacidade para fazer muitos mais.
No aspeto defensivo, Rafael Barbosa demonstra uma grande qualidade na pressão ao adversário. O médio português é também internacional pela seleção sub-21. Na época 2016/17, foi emprestado ao União da Madeira mas regressou ao Sporting para jogar na equipa B.
Desde sempre, na historia da humanidade, tem existido uma divisão cultural e sobretudo financeira entre norte e sul.
Para começar, o próprio mundo está dividido entre hemisfério norte e hemisfério sul, sendo que os países ricos se situam no Norte e os pobres no Sul. O mesmo acontece se dividirmos cada um dos hemisférios com países do Norte e do Sul, em que na América os sulistas saíram a perder (apesar de nesse caso ter sido bom), e na Europa os países do Sul continuam reféns financeiros do Norte.
Com todos estes indicadores históricos percebemos que o norte manda, o Sul obedece. Mesmo em Portugal é reconhecido que o poder financeiro se situa no Norte.
Também no futebol o poder financeiro faz a a diferença Fonte: financefootball.com
O Sul sempre foi “obrigado” a pedir ajuda ao Norte, ao que estes sempre responderam de forma positiva, não como forma de bom samaritano (era só o que faltava. Esses são do Sul), mas uma ajuda que lhes permita que os do sul fiquem eternamente dependentes do norte. É a historia de “não lhes dês peixe, ensina-os a pescar”, mas só se o peixe for de um mar do Norte com cotas.
Não quero com isto estar aqui a exorcizar os povos do Norte, até porque se têm essa riqueza é porque trabalharam para isso, e tiveram o mérito de o conquistar. Quero antes tentar mostrar aos povos do Sul, que aproveitem essa ajuda momentânea para alavancarem competências que lhes possam dar vantagens competitivas futuras em vez de se “agarrarem” ao ópio do dinheiro fácil.
Transportando isto para o futebol, e se o olharmos apenas pelo jogo jogado, diria que era um exemplo antagónico, em que os países do Sul se sobrepõem aos do Norte, onde vemos as selecções mais fortes alocadas na América do Sul, e onde as selecções do Sul da Europa se agigantam relativamente às do Norte. Fenómeno gerado pelo futebol de rua, alimentado por crianças pobres que não têm mais que uma bola de trapos para ocupar os seus dias.
Mas como em tudo, o futebol, ao tornar-se um negócio rentável, passa a ser mercadoria do Sul, comandada e controlada pelo Norte, em que a meritocracia deixa de ser a característica mais importante para encontrar os vencedores de um jogo que deveria premiar quem joga melhor.