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Em Chaves procura-se a chave da consistência exibicional

Cabeçalho Futebol NacionalApós ter sido uma das equipa-sensação da última temporada, numa primeira fase ao comando de Jorge Simão, numa segunda fase ao comando de Ricardo Soares, o Chaves apresentou-se nesta temporada com o objectivo europeu e apostou forte para esse fim, apostou num treinador conceituado como é Luís Castro, que venceu a Segunda Liga treinando a equipa B do Futebol Clube do Porto e que fez uma excelente época transacta no Rio Ave, apostou num plantel recheado de soluções, o que lhe faltou principalmente na segunda metade da época com as saídas de Assis, Battaglia e Paulinho para o Sporting de Braga, numa equipa com muita experiencia e talento, à “cabeça” como exemplos estão desde logo Ricardo Nunes, Pedro Tiba, Nuno André Coelho etc…

Para além das apostas arrojadas no treinador e no plantel, o Chaves investiu também na sua própria evolução corporativa com a construção de uma nova bancada melhorando significativamente as condições do estádio para os espectadores e para os próprios jogadores, estavam por isso reunidas todas as condições para uma época de sucesso, uma época de afirmação para o Chaves no futebol português, não foi isso que os resultados reflectiram neste inicio de época, o saldo é francamente negativo, seis jogos, quatro derrotas e apenas uma vitória, conquistada nesta semana frente ao Moreirense, é preciso por isso olhar-se para o que se passou e quais terão sido algumas das razões para este arranque tão negativo em Chaves.

Desde logo olhando-se para o calendário que o Chaves encontrou neste arranque de temporada, facilmente percebemos que quatros das derrotas que o Chaves obteve até agora, três foram contra adversários com um orçamento superior e com os quais o Chaves certamente preferiria cruzar-se em momentos mais afastados da temporada, falo nomeadamente do Vitória de Guimarães, Benfica e FC Porto. As duas primeiras jornadas, e respectivas derrotas, frente ao Vitória SC e ao Benfica deixaram o Chaves num estado frágil, pois nenhuma equipa consegue escapar psicologicamente “ilesa” ao facto de estar à terceira jornada com zero pontos, mesmo que estejamos a falar de adversários do quilate de que acabamos de falar, isto é, sem dúvida, outra das razões que ajudam a explicar este mau arranque do Chaves na Primeira Liga, um mau calendário, junto aos maus resultados deixaram definitivamente esta equipa num estado de pressão e fragilidade, o que não permitiu ao clube transmontano, alcançar nos jogos teoricamente mais do campeonato do Chaves, como contra o Feirense e Setúbal, resultados positivos.

O Chaves arrancou muito mal este campeonato, mas qualidade no plantel não falta Fonte: Facebook GD Chaves
O Chaves arrancou muito mal este campeonato, mas qualidade no plantel não falta
Fonte: Facebook GD Chaves

Falando do futebol praticado propriamente dito, devo dizer que muito do futebol que o Chaves tem praticado não têm a real correspondência no número de pontos que têm neste momento, os flavienses estiveram mal defensivamente frente ao Vitória de Guimarães, mas apresentaram-se de outra maneira na segunda parte e com uma pontinha de sorte poderiam ter conquistado um precioso ponto já frente ao Benfica acabariam por perder nos últimos minutos com um golo de Seferovic, num jogo em que até dispuseram de algumas oportunidades para se adiantarem no marcador, a partir daqui aquele estado psicológico que eu falei anteriormente parece ter-se apoderado da equipa transmontana e o Chaves faz um jogo muito fraco em Setúbal onde o empate até acabou por ser um mal menor, sofre uma derrota no Dragão frente a um adversário superior “sem espinhas” e em casa frente ao Feirense onde voltou a demonstrar bom futebol, mas novamente com fragilidades defensivas o que numa equipa bem orientada como é o Feirense não são perdoadas.

Previsão da Época 2017/18: Central Division

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Cabeçalho modalidadesA pouco menos de um mês do início da nova época, apresentamos a divisão que teve um representante nas últimas cinco edições das finais da Conferência Este-

Os candidatos Cleveland Cavaliers, os Milwaukee Bucks em crescimento, os Detroit Pistons e os Indiana Pacers em reconstução e os Chicago Bulls à procura de rejuvenescimento são os destaques desta semana.

chicago bulls

Rondo e provavelmente a equipa de Chicago teria surpreendido o mundo do basquetebol ao eliminar os Celtics, primeiros classificados do Este. Depois da derrota, veio a troca de Jimmy Butler e, consequentemente, a necessidade de construir tudo de novo para a equipa de Hoiberg, Dwyane Wade não deverá ficar muito mais tempo em Chicago e caberá a Dunn, Lavine, Markkanen, Portis ou Valentine mostrarem que o futuro dos Bulls já se encontra no United Center. Os próximos anos não devem oferecer grandes alegrias a uma das equipas mais emblemáticas da NBA, que podem assim garantir mais talento jovem no draft.

Sporting B – Não deveria ser Gelson Dala e mais dez?

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sporting cp cabeçalho 2Sempre considerei que a equipa B deveria funcionar apenas como mais uma etapa formativa, de passagem do futebol de formação para o profissional, e não para ganhar títulos. Ainda assim, é sempre melhor formar jogadores através das vitórias, e para isso precisamos ter uma equipa com valor para fazer, todos os anos, um campeonato regular, de preferência do meio da tabela para cima.

Para conseguirmos isso, não podemos montar a equipa apenas com produtos da nossa academia, primeiro porque não teríamos jogadores suficientes a subir de escalão, e depois porque nem todos os jogadores formados em Alcochete terão qualidade suficiente para continuar carreiras futebolísticas regulares. É uma fase de mudança que por vezes se torna difícil para os jovens, que por uma ou outra razão não conseguem desenvolver as suas qualidades para outro nível.

Por isso mesmo, a equipa B terá sempre que ser constituída por jogadores vindos da formação do clube e de jovens jogadores contratados, com potencial para virem, um dia, a poder subir à equipa principal. Pode também servir para dar minutos a jogadores que estejam já incluídos no plantel A, e que não estejam a ser utilizados com regularidade.

Três potenciais "craques" que usam a equipa "B" como uma fase do seu crescimento Fonte: Facebook oficial de Gelson Dala
Três potenciais “craques” que usaram a equipa “B” como uma fase do seu crescimento
Fonte: Facebook oficial de Gelson Dala

Relativamente a estes últimos, temos tido casos em anos anteriores, como por exemplo Francisco Geraldes, Ryan Gauld ou Matheus Pereira que, devido aos poucos minutos de jogo na equipa principal, foram “armas” importantes para a manutenção da nossa formação secundária. Este ano temos também os casos de Palhinha e Gelson Dala, que poderão esporadicamente ou mais regularmente ajudar a formação secundária.

Quanto a este último, acredito que possa vir a ser uma mais valia para o nosso clube mas ainda não o é. E vou concentrar atenções nele apenas pela insistência que os seus conterrâneos têm imposto nas redes sociais.

Gelson Dala tem muita qualidade com a bola nos pés, e velocidade na sua condução, para além de boa finalização como fica perceptível nos golos marcados na época passada. O problema deste jogador é a intensidade, a mesma que falta a Matheus Pereira ou Iuri Medeiros ou mesmo Alan Ruiz. Por isto nenhum deles é aposta constante de Jorge jesus, exceptuando o Ruiz que foi contratado por muitos milhões e é aposta pessoal do treinador.

SL Benfica 1-1 SC Braga: 1,2,3 jogos sem vencer

sl benfica cabeçalho 1É a estreia na Taça da Liga para Benfica e Sporting de Braga. Ambas as equipas apresentaram onzes com várias alterações, dando minutos a quem tem sido menos utilizado esta época. O Benfica vinha de duas derrotas (frente ao CSKA e o Boavista) e o Braga de uma série de duas vitórias (Hoffenheim e frente ao Guimarães). Os encarnados precisavam de convencer os adeptos depois de um início de época aquém de um clube que pretende defender o título de campeão, estando já a 4 pontos dos líderes FC Porto e Sporting CP.

Quanto ao jogo, teve um início mais forte da equipa da casa que meteu o Braga sob uma pressão alta. Começou com intensidade, com o Benfica a conseguir sair a jogar com mais sucesso do que os bracarenses. Tanto é que, aos 11 minutos, após livre de Filipe Augusto, Raúl Jiménez remata a bola que sobrou para o mexicano e carimba o primeiro golo do jogo. No festejo, Raúl dedica o golo às vítimas do terramoto que afetou o seu país natal, o México.

O Benfica continuava a comandar o jogo, sendo a equipa que mais insistia no jogo, ficando o Braga a apostar em contra ataque, aproveitando as perdas de bola dos encarnados. Chegou mesmo ao perigo, num livre, com vários desvios de cabeça e a bola a saltitar na área e a passar a centímetros do pé de Hassan que se esticou para encostar para a baliza do Benfica, embora sem sucesso. Ficou o perigo na baliza de Júlio César.

O Braga mantinha o crescimento no jogo e conquistava vários livres no meio campo encarnado, incluindo um à entrada da área, mas desperdiçado por Danilo que atirou muito acima do alvo.

Pouco depois, é Samaris a fazer grande passe para Rafa que falhou por completo a baliza vazia do Braga, depois de André Moreira sair para cortar a bola do português.

O jogo continuava divido à meia hora de jogo. Novo livre à entrada da área encarnada, mas a ir contra a barreira. Do outro lado, já após um grande pontapé de Eliseu que obrigou a uma defesa incompleta de André Moreira, André Almeida furou o lado direito da área do Braga, cruzando para o centro onde só estavam arsenalistas que limparam para lançamento.

O Braga estava cada vez mais perigoso e equilibrava o campo, sendo tão frequente os lances junto à baliza do Benfica, como junto à baliza bracarense. No entanto, era o Benfica que ia para intervalo a vencer.

Raúl Jiménez colocou o Benfica em vantagem ao intervalo Fonte: SL Benfica
Raúl Jiménez colocou o Benfica em vantagem ao intervalo
Fonte: SL Benfica

A segunda parte recomeça com os mesmos onzes a entrarem em campo. Os primeiros minutos após o intervalo foram como os primeiros minutos da primeira parte, com intensidade, mas com o Braga mais afoito.

Aos 56 minutos, os arsenalistas quase chegavam ao empate por parte de Hassan que apareceu perto da pequena área de Júlio César, mas atirou para defesa do guardião brasileiro, sobrando para a cabeça de Xadas que atirou por cima.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura: Braga empata aos 68 minutos após cabeceamento de Ricardo Ferreira. Havia jogo no Estádio da Luz.

O golo serviu para aquecer o jogo, que contou logo com grande remate de Krovinovic, obrigando André Moreira a uma defesa complicada. O Benfica continuava a insistir em saltar a muralha minhota, mas o Braga não cedia.

A equipa do Minho conseguia fazer sempre frente aos encarnados e disputar o jogo em pleno Estádio da Luz. Ora perigo de um lado, ora do outro. Um jogo intenso e dificil para ambas as equipas. Jonas esteve pertíssimo de marcar o golo da vitória, mas André Moreira sacudiu as esperanças. Um jogo quente que assim se manteve até ao final da partida, que acabava empatado a uma bola, e até mesmo após o apito final, onde jogadores entraram em conflito e valeu um amarelo a Paulinho, devido ao último lance do jogo frente a Jardel, e a Samaris, este vindo do desentendimento no final.

O Benfica fica assim mais um jogo sem vencer, não consigo ultrapassar o Sporting de Braga em casa, alimentando mais a crise que se encontra. No entanto, os jogadores despediram-se do campo com aplausos, que foram respondidos com cânticos e apoio vindo das bancadas.

O arranque do Inter na Serie A

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Cabeçalho Liga Italiana

Este artigo é escrito no dia seguinte à primeira perda de pontos na Serie A do Internazionale Milano, esta época orientado por Luciano Spaletti e que procura voltar a erguer o ‘scudetto’ que foge há 7 anos.

O empate de ontem com o Bolonha deixa a equipa, nesta jornada a meio da semana, à mercê de Nápoles e Juventus para ser ultrapassada no topo da tabela classificativa.

Todavia, 2 golos sofridos e 11 marcados à 5ª jornada são os produtivos números de uma equipa que faz do balanceamento e organização espacial nos diferentes momentos do jogo as suas grandes forças.

O 4x2x3x1 do treinador italiano, depois de Handanovic na baliza, tem na defesa D’Ambrosio, Miranda, Skriniar e Dalbert; no meio campo, Vecino e Gagliardini atrás e João Mário mais à frente, também tem em Borja Valero ou Brozovic opções válidas para a zona intermé

Spaletti tem tido um início de campeonato de grande qualidade à frente do Inter, coroado com seis golos de Mauro Icardi em 11 da equipa ao cabo de 5 jogos na Serie A Fonte: corriere.it
Spaletti tem tido um início de campeonato de grande qualidade à frente do Inter, coroado com seis golos de Mauro Icardi em 11 da equipa ao cabo de 5 jogos na Serie A
Fonte: corriere.it

Este último jogo disputado em Bolonha, ainda que tenha dado em empate, demonstrou mais uma vez a força mental de uma equipa que não abala em desvantagem e, inclusive, dos 11 golos marcados, 7 foram no último quarto de hora dos jogos.

Uma ‘Juve’ com todo o ímpeto de hexacampeão, um milionário e renovado Milan e um Nápoles com a estabilidade de um terceiro ano consecutivo de Maurizio Sarri no comando- sem esquecer, noutra linha, Roma, Lazio e Fiorentina- são adversários espinhosos para os ‘nerazzuri’ chegarem novamente à glória.

A Serie A está mais competitiva…quem ama o futebol italiano agradece!

 Foto de capa: si.com

O melhor onze de sempre do FC Porto: Mário Jardel

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fc porto cabeçalho

“Mário Jardel, Mário Jardel, Super Mário, Mário Jardel”. Foi desta forma que, entre 1996 e 2000, as bancadas do Estádio das Antas foram prestando tributo a Mário Jardel de Almeida Ribeiro, provavelmente a maior máquina goleadora da história do FC Porto. Ao longo de quatro épocas de dragão ao peito, os números de Jardel são absolutamente impressionantes e, quiçá, irrepetíveis: 168 golos marcados em 175 jogos disputados.

Tendo conquistado três Ligas Portuguesas, duas Taças de Portugal e três Supertaças Cândido de Oliveira ao serviço do FC Porto, Jardel ficará para sempre na memória dos adeptos do clube como um ponta de lança clássico, um homem de área, um finalizador. É difícil dizer que Mário Jardel terá sido o melhor ponta de lança da história do FC Porto quando, pelo clube, passaram futebolistas como Fernando Gomes ou outros que, pelas suas caraterísticas, somavam ao golo uma maior capacidade de envolvimento nas dinâmicas coletivas da equipa, como Radamel Falcao ou Jackson Martínez. Porém, é difícil não gostar de um jogador que vale uma média de 0,96 golos por jogo!

O modus operandi de Jardel era simples, até algo repetitivo, mas tremendamente eficaz: colocava-se na grande área (posicionando-se soberbamente na mesma), dava um primeiro passo numa determinada direção de modo a enganar o(s) defesa(s), e depois mudava de direção para felinamente atacar a bola. Desta forma, conseguia antecipar-se frequentemente e fazer golos…muitos golos! Com uma técnica de finalização ao nível das melhores na história do futebol mundial, Jardel marcava golos de várias formas mas, o que mais se destacava, era a sua capacidade ao nível do jogo aéreo. A história era simples e repetiu-se muitas e muitas vezes: Ljubinko Drulovic avançava pela esquerda e, com o telecomando que parecia ter no seu pé esquerdo, cruzava para o cabeceamento de Mário Jardel. Resultado: golo do FC Porto.

Mário Jardel festejou 168 golos de dragão ao peito Fonte: Pes Miti del Calcio
Mário Jardel festejou 168 golos de dragão ao peito
Fonte: Pes Miti del Calcio

Tal era a admiração generalizada pelo ponta de lança brasileiro que, certo dia, Carlos Tê escreveu e Rui Veloso cantou: “Eu só queria perceber os pássaros, voar como o Jardel sobre os centrais”. E assim foi a carreira de Mário Jardel, voando sobre os centrais e marcando muitos golos, tendo no Sporting CP formado mais uma dupla gloriosa com João Vieira Pinto. É também sabido que, ao nível da seleção, a carreira de Jardel nunca foi tão brilhante, tendo realizado 10 jogos ao serviço da “canarinha” nos quais marcou apenas um golo. É também sabido que, depois de abandonar Alvalade, o brasileiro desceu do céu ao inferno: os consumos de drogas tornaram-se, cada vez mais, parte da sua vida e, desde aí, Jardel deixou de ser sinónimo de golos.

Apesar de todos os problemas que acometeram a vida pessoal de Mário Jardel, o ponta de lança brasileiro será sempre recordado em Portugal e, em particular, no FC Porto, como um dos melhores de sempre na arte de marcar golos. Como tal, mais do que colocar o enfoque no seu precoce final de carreira (ao mais alto nível), importa recordar o que de melhor o brasileiro sabia fazer: colocar a bola no fundo das redes do adversário.

Foto de Capa: Campeões 1980

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Medalhas e Recordes: Quem tem lugar na história?

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Cabeçalho modalidadesÉ uma discussão recorrente e que perdurará no tempo para os amantes de Atletismo: Poderá um atleta sem medalhas em eventos globais ser um dos melhores de sempre? Poderá um atleta sem alguma vez ter alcançado o recorde mundial ser um dos melhores de sempre? A discussão voltou à baila, com o final da carreira em pista de Mo Farah (GBR). O atleta britânico tem um palmarés absolutamente memorável: três Ouros Mundiais, dois Ouros Olímpicos e mais uma Prata Mundial, dobrando sucessivamente distâncias em eventos globais.

Ainda assim, há quem não o coloque na história, junto dos maiores de sempre, porque olhando para os tempos “a nú”, Farah é “apenas” o 31.º mais rápido a percorrer os 5.000 metros e o 16º mais rápido a percorrer os 10.000 metros. Mas será que Mohamed Farah beneficiou apenas da pouca competição em pista ou deve mesmo levar os louros de ter sabido gerir as corridas a seu prazer e ser um dos maiores estrategas de sempre em pista? Todos sabemos que o britânico é um dos atletas que, assumidamente, prefere medalhas a recordes. Nunca o escondeu e nunca sequer fez uma real tentativa de chegar perto de tempos de recorde mundial. Mas será que está certo na sua abordagem? Será que pode ser considerado um dos melhores da história?

Para podermos responder a estas questões, talvez valha a pena socorrermo-nos de alguns exemplos. E porque não começar com exemplos nacionais?

Estávamos a 2 de Julho de 1984. Em Estocolmo, na prova dos 10.000 metros estariam presentes dois enormes talentos nacionais, treinados pelo Professor Moniz Pereira: Carlos Lopes e Fernando Mamede, ambos atletas do Sporting Clube de Portugal. As condições climatéricas estavam perfeitas e o elenco reunido era o ideal para um ataque a uma marca histórica. À passagem dos 7.000 metros, Carlos Lopes dispara e foge por completo da concorrência, deixando para trás todos os seus adversários, incluindo Mamede. Mas nunca o mundo havia visto um último km tão rápido numa prova de 10.000 metros. Mamede completou os últimos 1.000 metros em 2:32.72m e alcançou o recorde mundial com um tempo de 27:13.81. Carlos Lopes, que ficou em segundo lugar, também fez uma marca que lhe daria o recorde mundial, ficando na altura com a segunda melhor marca da história. O recorde de Mamede só viria a ser batido em 1989, cinco anos depois. Um mês depois, nos Jogos Olímpicos, Fernando Mamede “bloqueia” na final e desiste, sucumbindo à pressão dos adversários que o viam, tal como o mundo inteiro, como o grande favorito.

Professor Mário Moniz Pereira e Fernando Mamede Fonte: Camarote Leonino
Professor Mário Moniz Pereira e Fernando Mamede
Fonte: Camarote Leonino

O historial de Mamede fala por si: 27 recordes nacionais em toda a sua carreira, 20 títulos nacionais, três vezes recordista europeu dos 10.000 metros, mais de dois anos sem perder uma corrida, correndo no mais alto patamar mundial a nível de meetings. E zero medalhas em Campeonatos Europeus e zero medalhas em eventos globais (Mundiais e Jogos Olímpicos), à excepção de um Bronze no Corta-Mato.

O que sobra entre Porcos, Polvos e Gnomos

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sporting cp cabeçalho 2

O Futebol em Portugal mudou radicalmente nas últimas décadas. E engane-se o leitor se pensa que digo que o mesmo piorou nesse período: não piorou, apenas se tornou mais cínico, criando um universo de máscaras e de alianças escondidas, onde a imagem que se passa torna-se, e tornou-se, tão ou mais eficaz que a imagem real.

Até aos anos 2000, infelizmente, são vários os casos que demonstram que o futebol português era por si só um jogo de lamas movediças: do Calabote ao Apito Dourado, é inegável que a corrupção e o jogo fora das quatro linhas era o caminho claro que muitas entidades escolhiam para alcançar os seus objetivos. Há décadas que os meios sempre justificaram os fins. Mas o novo milénio, as novas tecnologias, as redes sociais e a evolução do futebol (e das entidades que o rodeiam) levaram toda essa sujidade para um nível de descaramento, de desfaçatez e insolência ao nível dos melhores políticos. E num país onde a corrupção e abuso de poder são considerados quase banais, “desde que também se tenha feito boas coisas”, imagine-se a benevolência que estes “agentes” encontram no futebol.

"Triunfo dos Porcos" foi das obras mais aclamadas de George Orwell, publicado em 1945 Fonte: Facebook de Fãs de George Orwell
“Triunfo dos Porcos” foi das obras mais aclamadas de George Orwell, publicado em 1945
Fonte: Facebook de Fãs de George Orwell

Uma das últimas armas encontradas pelo monopólio desportivo dos três grandes foram os diretores de comunicação. E o que poderia ser um departamento útil em diversos setores, não só para o futebol mas para os clubes em si, tornou-se rapidamente – quase numa lógica de “Maria vai com as outras” – num mero arremesso de coação, insultos, pressão e polémica, que se incendeia jornada após jornada. A cada grande penalidade, a cada fora-de-jogo, a cada expulsão, tudo é motivo para mandar “posts de pescada” (entenda-se o trocadilho aqui), para haver a ilusão de missão cumprida numa mensagem que pouco ou nenhum efeito tem. Para que fique claro ao leitor: há muita coisa no futebol português que deve e tem de ser divulgada, em prol da transparência da mesma. Mas entre polvos, gnomos e comunicados completamente inócuos, essa mensagem perde-se por completo. Ganham os cafés, que nunca tiveram tantos motivos de discussão para se passar a tarde em conversa da bola. Mas a bola, infelizmente, cada vez mais se vai tornando o agente menos importante do jogo.

A alegada cartilha de comunicação do Benfica foi mais uma das recentes polémicas do futebol português no presente ano Fonte: O Artista do Dia
A alegada cartilha de comunicação do Benfica foi mais uma das recentes polémicas do futebol português no presente ano
Fonte: O Artista do Dia

Os mísseis do Bruno Fernandes perdem relevo a cada post efervescente do Nuno Saraiva. Os dribles do Brahimi escapam-se a cada ementa de polvo divulgada por Francisco J. Marques. E a magia de Jonas torna-se banal a cada figura ridícula que o (imenso e espalhado) departamento de comunicação encarnado tenta mostrar a sua “força”. Mas quem se importa com isto, de verdade? Os clubes não são de certeza. E os adeptos, nós, mais tarde ou mais cedo, seremos todos levados por este mar de hostilidade, onde a inocência do festejo e do futebol se irá evaporar num clima de ignorância e polémica gratuita.

Para terminar, é difícil terminar com uma frase atraente, e aprimorar a estética deste texto que só fala da sujidade do nosso pequeno mundo da bola. Merece acabar assim. Seco e sem sabor. Ressequido. Cansativo. Como o nosso futebol se vai tornando.

Foto de Capa: Facebook da BTV

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Brinquedos Antigos

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sl benfica cabeçalho 1O primeiro objectivo de um treinador quando começa a época é, a curto prazo, definir um onze base. É assim que funciona Futebol e é bom que assim seja. Caso contrário, a médio ou a curto prazo, as coisas podem complicar com o decorrer da temporada. Já este ano temos bons exemplos disso, como o Chelsea de Conte ou o Inter de Spalleti. Porém, e apesar do esforço de Rui Vitória, as coisas não têm corrido bem ao Benfica.

Não é que Vitória não tenha encontrado uma base com a qual conta, mas sim o valor dessa base. Vejamos. O onze do Benfica nesta altura é constituído por Varela, Grimaldo, Luisão, Jardel (por maioria de vezes comparando com Lisandro), Diego Armando Maradona, André Almeida, Filipe Augusto, Pizzi, Cervi (mais utilizado do que Zivkovic), Salvio, Jonas e Seferovic.

Tudo isto está alinho no clássico 4-4-2. Num pequeno aparte, nota-se que Rui Vitória está naquela faixa de portugueses que não acompanha a mudança dos tempos – afinal de contas ainda utiliza o super sumo táctico dos anos 90. A questão não está tanto no aspecto táctico, visto que nos últimos dois anos foi assim e o Benfica foi campeão, mas sim com as personagens que dão vida à táctica.

Fonte: Instagram Oficial de Samaris
Fonte: Instagram Oficial de Samaris

Parece e é quase redundante da minha parte estar para aqui a falar mal de Salvio, mas perdoem-me a insistência, porque terei de voltar a fazê-lo a seu tempo. Este onze não tem dado garantias. Começou bem com as vitórias para o campeonato e na supertaça, mas, depois do desaire na Champions e da derrota no Bessa, tudo isto antes da pobre prestação em casa frente ao Portimonense, tudo é posto em causa.

Visto que o período de transferências já lá vai e que não vale a pena chorar sobre o dinheiro que foi ganho e que podia ser investido em jogadores de qualidade, temos de ser sensatos e jogar com aquilo que há, ou seja, olhar para aquilo que costuma ficar de fora.

Para que fiquem já com aquilo que tenho em mente, aviso já que sou da opinião de que o Benfica deve jogar em 4-2-3-1. Sim, só com um na frente, mas onde um dos três que jogam nas costas funciona como um 10/falso 9. Neste caso, seria Jonas a fazer esse papel.

Sporting CP 0-0 CS Marítimo: Ninguém arriscou e o marcador não mudou

sporting cp cabeçalho 1Sporting CP e CS Marítimo empataram esta noite a zero, em jogo a contar para a primeira jornada da Taça CTT. A meio da semana, e em dia de trabalho, os sportinguistas (ainda que muito menos, 22 mil) não faltaram e compareceram para assistir a algumas estreias e muitas novidades no onze titular: Salin, Ristovski e Mattheus Oliveira estrearam-se de leão ao peito em jogos oficiais, enquanto que apenas Iuri Medeiros e Alan Ruiz mantiveram a titularidade face ao jogo do último sábado, frente ao Tondela.

Estas alterações nas equipas refletiram-se, de resto, nos primeiros vinte minutos de jogo: reduzido fluxo atacante, fraca intensidade, com ambas as equipas a não quererem arriscar. O jogo só mexeu pela primeira vez ao minuto 18′, e logo com duas ocasiões de perigo. Primeiro foi Petrovic, que cabeceou à trave da baliza de Abedzadeh na sequência de um canto; e depois foi Doumbia, a rematar de primeira, rasteiro e ao lado, após bom cruzamento da esquerda.

O jogo só voltaria a mexer dez minutos depois: Eber Bessa fez o primeiro remate do Marítimo à passagem da meia hora, com Salin a encaixar facilmente; enquanto que Doumbia voltava à ameaçar segundos depois, com mais um remate, desta vez de cabeça, a passar por cima da baliza insular.

O filme da primeira parte não teve muito mais para mostrar: um jogo pastelão, sem grande organização nas ideias, e demasiado inflamado – foram mais as picardias do que os remates às balizas de Salin e Abedzadeh. Foram assim 45 minutos a pedir velocidade e entrosamento (talvez escondidos no banco), e com Mattheus Oliveira e Piqueti a serem os melhores de cada equipa.

A segunda parte terminou como a primeira: muito lenta e pouco inspirada.
A segunda parte terminou como a primeira: muito lenta e pouco inspirada.

A segunda parte começou com ambas as equipas a quererem apagar a má primeira parte. O Marítimo ameaçou logo nos primeiros segundos, com um remate torto a sair longe, mas foi o Sporting quem esteve mais perto do golo: primeiro num quase autogolo de Gamboa, com grande defesa de Abedzadeh; depois com Doumbia, numa grande jogada em que tira o guardião maritimista do lance e apenas vê o golo negado por Drausio, com um fantástico corte; por fim com Iuri Medeiros a rematar à entrada da área, facilmente encaixado pelo guarda-redes iraniano do Marítimo. Mas os insulares não ficaram a ver, e responderam com Piqueti a obrigar Salin a voar, na melhor ocasião de golo da equipa de Daniel Ramos.

Quem tivesse visto a primeira parte da partida acharia que seria um jogo diferente. Doumbia e Alan Ruiz arriscaram novamente com dois remates por cima, já apoiados por Acuña e Podence, que entraram para os lugares de Iuri e Mattheus, respetivamente. E o certo é que ambos entraram de imediato em ação, com o argentino a cruzar e Podence a responder, no meio círculo, com um remate colocado defendido por Abedzadeh.

A partir daqui e até final da partida, o jogo retomou a velocidade-cruzeiro da primeira parte, quebrando completamente. Nem mesmo os remates de Doumbia – cruzado -, ou de Bruno Cesar – quase a sair pela linha lateral – mexeram com o jogo, que recuperou a lentidão e falta de inspiração inicial.

No fim, Sporting e Marítimo anularam-se em mais um recomeço de Taça CTT. Este foi o segundo jogo oficial que não terminou em vitória para o Sporting esta epoca, enquanto que o Marítimo continua o bom momento de forma, empatando em Alvalade.