Início Site Página 10834

A arte de complicar

0

Quando eu era pequenino, acabado de nascer, ainda mal abrira os olhos e já exasperava pai e mãe no mais quotidiano e corriqueiro passeio ao pôr-do-sol. Contra as altas recomendações progenitoras, pese o tom e o conteúdo das advertências, era incapaz de seguir caminhando em linha recta, optando sempre, por razões que ainda hoje ignoro, pela alternativa mais longa, mais lenta e mais cheia de obstáculos.

Deparando-me com um trajecto rectilíneo, com suficiente largueza e visibilidade, agradáveis sombras de dia e bem iluminado à noite, daqueles sempre a direito, que praticamente levam ao colo todo e qualquer caminheiro, resolvia, invariavelmente, dificultar a tarefa, ziguezaguear por ali, subir ou descer de patamar, arranjar um ou dois obstáculos com que me entreter; e assumia-o como uma insondável questão de honra.

A fórmula não variava muito: se bastassem dois passos, subia ao muro, fazia um pouco de equilibrismo, saltava ao pé-coxinho, ou cumpria o resto do passeio de costas para a meta ou com os olhos bem cerrados; se bastassem dois degraus, subia-os de uma só vez, de pés muito juntinhos, ou contornava a escadaria pela rampa escorregadia de relva ou de terra batida; se houvesse poças saltava-lhes para cima; se existissem buracos ou fendas ia-lhes ao encontro; num dia recusava pisar os quadrados pretos; noutro não calcava os brancos.

Esta característica, tão própria da infância, nunca representou verdadeiramente qualquer dissabor. O risco assumido, ingénuo e porquanto moderado, tinha somente o efeito – para além de enfadar os pais – de me fazer perder o dobro (por vezes o triplo) do tempo que os demais, de me ser mais trabalhoso, suado e dorido chegar finalmente à meta. Concebia obstáculos à minha volta, demorava-me em contendas evitáveis, apenas e só movido por um ingénuo desejo de aventura; conclui sempre tais caminhadas com nota positiva – mas expunha-me positivamente ao erro, proporcionava a falha, e quando assim é o sucesso torna-se mais difícil de alcançar.

Chegamos finalmente ao ponto que motiva o leitor a frequentar estas páginas – agradeço-lhe desde já a paciência demonstrada e prometo explicar-me rapidamente: é natural, até mesmo um sinal de saúde desportiva e financeira, ver cobiçados e contratados por milhões, pelos mais poderosos clubes do mundo, os jovens e talentosos jogadores capazes envergar com sucesso a pesada camisola do Benfica; é o preço da glória e ninguém, do topo à base (esta última feita dos sócios e adeptos), rejeita tal fórmula. Parece-me, porém, mais incompreensível a falta de capacidade demonstrada pelos responsáveis do clube em colmatar, chegados a este ponto, essas mesmas saídas. Recorde-se que neste defeso foram vendidos Ederson, Nelson Semedo e Lindelof, três pilares do sector defensivo tetracampeão, o que motivaria, obviamente, a uma ida ao mercado objectiva e responsável, numa lógica de preenchimento directo das vagas. Entretanto, cumprida a Supertaça e mais duas jornadas da Liga, essas lacunas continuam por solucionar.

FH Hafnarfjordur 1–2 SC Braga: Golos fora dão vantagem segura para a fase de grupos

0

Cabeçalho Futebol NacionalFoi melhor o resultado do que a exibição, mas o certo é que, apesar de a vantagem curta em termos numéricos, o Sporting Clube de Braga deu hoje um passo importante rumo à fase de grupos da Liga Europa, vencendo por 2-1 no campo do FH Hafnarfjordur, na Islândia. Os dois golos marcados como visitante são, de resto, a parte mais positiva (talvez a única) que a equipa portuguesa traz do território nórdico, dado que passou por alguns sustos perante tão modesto adversário.

A partida até começou como esperado: o SC Braga tomou a iniciativa e tornou-se dono da bola, evidenciando desde cedo as diferenças entre a capacidade dos dois emblemas. Instalada no meio-campo do FH, a equipa portuguesa criou as primeiras oportunidades do encontro: primeiro foi Xadas, um dos melhores em campo, a atirar para as mãos do guardião dos islandeses; depois foi Jefferson, a acertar com estrondo na trave da baliza adversária, através de um livre direto; e por fim foi Ricardo Horta, de pólvora seca, a rematar para defesa fácil de Nielsen.

Tudo parecia estar a seguir o rumo normal dos acontecimentos, mas a partir daqui o sentido do jogo alterou-se drasticamente: o Hafnarfjordur – que até aí só tinha assustado num canto, num quase auto-golo de Esgaio – começou a crescer, aproveitando uma fase do jogo em que o Braga recuperava da intensidade imposta no início da partida. Primeiro Crawford e depois Gudnasson, montavam o cenário para o momento seguinte: Lennon conduziu o ataque pela direita, virou o flanco num passe longo para Bjornsson e o islandês, aproveitando a descida lenta de Esgaio, variou para o meio, marcando um golo de belo efeito à entrada da área. Vantagem para a equipa da casa ao intervalo.

Paulinho fez o golo do empate, abrindo caminho à reviravolta. Fonte: SC Braga
Paulinho fez o golo do empate, abrindo caminho à reviravolta.
Fonte: SC Braga

Dado o rumo dos acontecimentos do primeiro-tempo, era com alguma imprevisibilidade que se esperava pela segunda parte, mas aí regressou tudo à normalidade. O Braga pegou no jogo e acelerou o ritmo, expondo as fragilidades do adversário. Os remates de Ricardo Horta e de Hassan deixaram no ar o cheiro a golo português, que acabou por aparecer mesmo, numa mão cheia de minutos depois: Paulinho, chegado do Gil Vicente, empatava o marcador com um trabalho individual fantástico. Levou tudo à frente pela direita e rematou cruzado, quase sem ângulo, para a baliza de Nielsen.

O FH não reagiu ao golo bracarense, e os “Guerreiros” aproveitaram. Stojiljković, que havia entrado há apenas 19 minutos por lesão na cabeça de Hassan, recebe um passe de morte de Fransérgio, concluindo o contra-ataque com um remate cruzado que só parou no fundo das redes do Hafnarfjordur. 2-1 para o SC Braga.

O que restou do jogo foi comandado pelo cérebro dos portugueses e o coração dos islandeses: o Braga baixou as linhas, o FH agradeceu e reforçou o ataque, mas o guarda-redes Mateus não permitiu o golo do empate a Steven Lennon.

O Sporting de Braga traz então uma boa vantagem para Portugal, obrigando o FH a ganhar 2-0 para anular a vantagem portuguesa, missão muito complicada para os islandeses e bastante acessível para os minhotos. Valeu a boa segunda parte dos bracarenses, que expôs as fragilidades da equipa da casa quando se acelerava o ritmo de jogo. A segunda mão está marcada para dia 24, às 19h45, no Municipal de Braga.

A sermos campeões, não pode ser assim

0

sporting cp cabeçalho 2Nós, os Sportinguistas, somos muito exigentes, principalmente connosco, porque sempre nos habituámos a planear, colocando objectivos ambiciosos. Não nos contentamos com coisa pouca.

Estamos tão conscientes da nossa valia que nem precisamos de ter em conta a valia dos adversários, ou sequer colocar a hipótese de que esses também têm os seus objectivos que podem vir a colidir com os nossos. Todos os anos temos como obrigação ser campeões, nem que seja com “Pongolles”, “Tiuis” ou “Krpans”, mesmo que os nossos adversários contratem a rodos, e aos milhões. O Sporting tem a obrigação de fazer mais com menos, e menos que goleada é derrota.

Por tudo isso, porque já fizemos três jogos, e nenhum por goleada, os Sportinguistas já decidiram que a continuar, mesmo que sejam campeões, não o aceitarão, nem o festejarão. Sim, que nós não somos de nos gabar de campeonatos ganhos com golos no último minuto, de um pontapé para o ar, vindo do céu aos trambolhões. Um golo, para contar, terá que ser de trivela, de bicicleta, ou com jogador a fintar metade da equipa adversária, e marcar golo com a bola a passar entre as pernas do guarda redes.

Isto lá é resultado que se apresente, Sporting? Fonte: Facebook oficial de Sporting CP
Isto lá é resultado que se apresente, Sporting?
Fonte: Facebook oficial de Sporting CP

A máxima de que queremos é ganhar, nem que seja por meio a zero, não se aplica no Sporting. Não é esse o nosso espírito. Mas por sermos tão exigentes é que antes da bola rolar temos a expectativa que iremos dominar qualquer adversário que se cruze no nosso caminho, nem que seja Liverpool, Nápoles, Roma… Se assim não for, ao segundo jogo já não conseguiremos nada, ou pelo menos já temos uma equipa que não merece ser apoiada.

Porque se temos 45000 no estádio, como é possível não se ganhar o jogo? Pouco importa se a equipa se esforçou, e dominou, se não conseguiu golear? Isto é desrespeitar o adepto que fez esforço por ir ao estádio. Como se o facto de ter um estádio cheio fosse garantia de vitória. Se assim fosse, nem seria preciso jogar, mas apenas garantir que teríamos mais adeptos do nosso clube no estádio. Se não respeitar os adeptos é não conseguir ganhar um jogo que ele se esforçou por ir ver, então escolham apenas os jogos que têm a certeza que ganharão, se conseguirem. Mas também devem pensar se vale a pena estarem os tais 45000 no estádio para começar a assobiar logo que surge a segunda ou terceira jogada menos conseguida. Talvez também por isso sejamos uma equipa, dos candidatos, que perde mais pontos em casa (em 2015/2016, em que tivemos o “record” de pontos, tivemos mais pontos fora que em casa).

Dragão da semana: Marega

0

fc porto cabeçalho

Chegou atrasado ao estágio de pré-época – devido ao facto de ter sido pai nessa altura – e recebeu o aviso de Sérgio Conceição (SC): “Não terá uns primeiros tempos fáceis.” A verdade é que o maliano não baixou os braços e fez pela vida no que lhe restou dos jogos amigáveis e, aparentemente, conquistou a confiança do treinador que o incluiu na primeira convocatória, a da recepção ao Estoril.

Ao minuto 32 desse jogo SC tem de tomar uma decisão perante a lesão de Soares: ou entra Marega, ou entra Otávio. Segundos depois a escolha era anunciada e, enquanto o pequeno brasileiro se voltava a sentar, era o camisola 11 quem se preparava para entrar. Entrou, marcou dois golos e, de forma muito evidente, disse “presente” a quem duvidava se ele seria um jogador a ter em conta.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Com Tiquinho fora de combate para a deslocação a Tondela foi Marega uma vez mais o escolhido para jogar junto a Aboubakar. E aqui chega mais uma prova do crédito que conquistou junto da equipa técnica: embora tivesse sido o camaronês a marcar o golo da vitória, foi sobre Moussa que caiu a preferência de SC para ficar em campo quando a estratégia passou por ter apenas um avançado em campo.

Com Francisco Soares ainda em dúvida para o FC Porto – Moreirense, Marega deve ser uma vez mais titular e ter nova oportunidade de mostrar que tem valor para ser um jogador a ter em conta no Dragão. Nada mau para alguém que era dado por dispensável por quase toda a gente – grupo onde eu próprio me incluía – no início do mês de Agosto.

Foto de Capa: FC Porto

Desigualdade financeira: Três Golias contra quinze Davides

Cabeçalho Futebol NacionalApós o jogo da ronda inaugural no qual o Sporting de Braga enfrentou o Benfica no Estádio da Luz, o treinador dos bracarenses, Abel, fez referência à enorme disparidade existente entre os clubes denominados “grandes” e os restantes clubes da liga. Os clubes pequenos têm o desafio de ao longo da época medir forças com equipas que são construídas com orçamentos descomunalmente superiores.

Segue cada vez mais desigual a “competição financeira” dos clubes componentes da primeira liga portuguesa de futebol, em que até o Sporting de Braga, visto por muitos como o “quarto grande” e tendo sido o clube que nos últimos anos tem conseguido fazer frente aos grandes, possui um orçamento aproximadamente dez vezes inferior aos três principais clubes. Grande parte dos clubes possui um orçamento inferior a quatro milhões de euros, ou seja, comparativamente aos clubes grandes, o salário de um ou dois jogadores, em alguns casos, seria suficiente para cobrir todo o orçamento de um clube.

O atual Presidente da Liga deverá ter em atenção a discrepância existente no campeonato nacional Fonte: Liga Portugal
O atual Presidente da Liga deverá ter em atenção a discrepância existente no campeonato nacional
Fonte: Liga Portugal

É uma diferença gigante que poderia ter sido reduzida caso tivessem sido cumpridas as premissas do presidente da liga, onde os direitos das transmissões televisivas iriam ser divididos em semelhantes fatias por todos os clubes, tal como sucede por exemplo na Premier League. Essa medida seria crucial para diminuir este fosso financeiro, e trazer mais equilíbrio à competição dentro das quatro linhas. No entanto não foi cumprido, e os excelentes contratos televisivos conseguidos pelos clubes grandes, vieram a acentuar ainda mais esta desigualdade.

Cada vez será mais difícil aos clubes mais modestos tentarem reduzir esta diferença, e se por vezes o conseguem, isto deve-se fundamentalmente à excelente capacidade de trabalho existente nos técnicos do nosso país. São a grande competência dos nossos treinadores no trabalho de campo, e dos departamentos de scouting na descoberta de potenciais talentos a baixo custo, que vão permitindo que a nossa liga ainda se encontre entre as melhores ligas da Europa. Imagine-se então, com melhores condições financeiras e mais competitividade, onde se poderia chegar…

Foto de Capa:  Liga Portugal

Pode o Mónaco de Jardim voltar a surpreender?

0

Cabeçalho Liga FrancesaA época de 2016/2017 foi marcada por uma surpresa na Ligue 1: após 4 anos seguidos com o PSG a conquistar o campeonato, o AS Mónaco surpreendeu e arrebatou o oitavo título de campeão francês da sua história – na sua 3.ª temporada como técnico principal, o português Leonardo Jardim conseguiu interromper a hegemonia parisiense. Com o início da nova temporada, há uma pergunta que paira no ar no futebol francês: “Será que Leonardo Jardim poderá levar o Mónaco a repetir o feito de vencer a Ligue 1?”.

Ora, a julgar pelos primeiros jogos do campeonato, Leonardo Jardim tem conseguido manter a equipa do Principado a um bom nível exibicional, com um ataque mortífero e uma defesa difícil de ser ultrapassada – 7 golos marcados e 3 sofridos. Apesar de ter perdido jogadores fundamentais no espetacular percurso efetuado na época anterior, dos quais se destacam Bernardo Silva, Tiémoué Bakayoko e Benjamin Mendy, o clube reforçou-se bem, com a aquisição de jovens promessas como Youri Tielemans (ex-Anderlecht) e Terence Kongolo (ex-Feyenoord) e, inclusive, fez regressar Rony Lopes (esteve emprestado ao Lille), que poderão ser elementos importantes na defesa do título conquistado.

Fora as entradas e saídas, o principal “reforço” de peso para ajudar Leonardo Jardim nesta árdua tarefa, caso não haja alguma manobra excêntrica dum dos clubes europeus de peso até ao dia 31 de agosto, será Kylian Mbappé que, após um mercado de transferências em que se falou muito do seu possível abandono do Stade Louis-II, poderá permanecer na sua atual equipa – a não-saída do jovem avançado francês será uma excelente notícia para os adeptos monegascos, que assim poderá continuar a evidenciar todas as qualidades demonstradas na época passada.

O AS Mónaco quer voltar a repetir o feito de conquistar a Ligue 1 Fonte: AS Mónaco
O AS Mónaco quer voltar a repetir o feito de conquistar a Ligue 1
Fonte: AS Mónaco

Quem também parece querer voltar a fazer uma temporada de excelência é Radamel Falcão – o atacante ex-FC Porto entrou a todo o gás na edição 2017-2018 do campeonato francês, e já fez 4 golos nos dois primeiros jogos, o que poderá ser visto como um bom prenúncio para os restantes jogos da sua equipa. Ao que tudo indica, a disputa pelo título de campeão será novamente entre o Mónaco e PSG: a equipa treinada por Unai Emery irá querer reconquistar o estatuto de “Equipa Mais Forte de França”, e para isso contratou dois reforços de peso – Daniel Alves e, mais recentemente, Neymar, que é a transferência mais cara de sempre do Desporto-Rei. Após um ano dececionante, o técnico espanhol de 45 anos está motivado para justificar a aposta de Nasser Al-Khelaifi em conduzir o clube da capital francesa ao sucesso, tanto nacional como europeu.

Em jeito de conclusão, a edição de 2017-2018 da Ligue 1 será mais frenética que a anterior, pois se dum lado está o campeão Mónaco, que quer marcar a sua posição no futebol francês, doutro está o PSG, que pretende voltar a ser o clube dominador de França. Prevê-se uma boa disputa entre os dois clubes ao longo das jornadas que compõem o campeonato, o que certamente irá entreter todos os amantes do Futebol!

 

Foto de Capa: AS Mónaco

Sporting à conquista de um lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões

0

sporting cp cabeçalho 2

Na passada terça-feira, o Sporting recebeu os romenos do Steaua de Bucareste, tendo empatado a zero, na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões. Numa partida em que os leões dominaram, a verdade é que o Sporting foi superior, criou várias oportunidades de golo, mas não conseguiu concretizar. Nota muito positiva para a consistência defensiva da equipa, que já soma quatro jogos consecutivos sem sofrer golos.

Na próxima semana, o Sporting irá deslocar-se a Bucareste para disputar a segunda mão deste play-off. Para seguir em frente, os leões necessitam pelo menos de um empate com golos diante do Steaua. Para o segundo jogo, Jorge Jesus já poderá contar com o internacional português William Carvalho. Os romenos do Steaua, por seu lado, não irão poder contar com Pintilii que terá de cumprir castigo, devido a expulsão na primeira mão.

Em condições normais, o Sporting é favorito para seguir para a fase de grupos da Liga dos Campeões. No entanto, é necessário fazer uma boa exibição, apresentando qualidade de jogo, melhorar a eficácia no último terço e manter a consistência defensiva.
Bas Dost é um dos homens apontados para alvejar a baliza romena na segunda mão Fonte: Sporting CP
Bas Dost é um dos homens apontados para alvejar a baliza romena na segunda mão
Fonte: Sporting CP
O Steaua, para este segundo jogo, poderá alterar a sua estratégia, tentando assumir o jogo, ao contrário do que apresentou em Alvalade, em que jogou com o seu bloco defensivo muito recuado e tentando explorar apenas o contra-ataque. Este Steaua está longe da glória que atingiu na década de 80 no futebol europeu, tendo sido finalista da Taça dos Campeões Europeus em 86 e 89, vencendo o Barcelona na primeira final que atingiu. No entanto, é uma equipa que marca praticamente em todas as partidas, mas que também só não sofreu golos em dois jogos esta temporada.
A presença na fase de grupos da Liga dos Campeões é um objetivo importante para o Sporting, quer em termos desportivos, quer em termos financeiros. É fundamental realizar uma boa exibição, mas sobretudo conseguir atingir a fase de grupos, perante um adversário cujo valor é inferior ao Sporting. Por isso, o Sporting tem de provar o seu favoritismo em campo e eliminar este Steaua.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal
artigo revisto por: Ana Ferreira

O fenómeno Miguel Cardoso

Cabeçalho Futebol NacionalCom o início da Primeira Liga, começam também as primeiras revelações e as primeiras boas surpresas que a época nos traz. Neste momento, uma delas é sem dúvida o Rio Ave. Ao comando do estreante treinador principal Miguel Cardoso, os vila-condenses juntam às duas vitórias nas duas primeiras jornadas uma excelente (e positiva) ideia de jogo.

Mas antes de falar do fenómeno Miguel Cardoso, preciso de fazer uma retrospectiva daquilo que têm sido este Rio Ave e naquilo que se tornou no panorama do futebol português. Terminava a época 2011/2012 e o Rio Ave tinha-se consolidado na Primeira Liga ao comando de Carlos Brito ao longo de três épocas. Contudo, o Presidente António Silva Campos decidia que já não era suficiente a consolidação, queria mais e começava aqui a mudança do emblema no panorama do futebol português, Carlos Brito sai e com a sua saída começa um novo projecto desportivo do clube.

O Rio Ave começa por apostar no então treinador de guarda-redes do Panathinaikos, Nuno Espírito Santo, que com ele trouxe um forte aliado para este novo projecto desportivo, Jorge Mendes. O clube teve um gigante acréscimo de qualidade no seu plantel com jogadores como Hassan, Filipe Augusto, Oblak, Bebé e terminou a época 2012/2013 num honroso sexto lugar, bem perto da Europa, objectivo deste novo projecto desportivo do Rio Ave.

Mais do que um sexto lugar, o Rio Ave conquistou uma nova imagem no futebol português, a deslocação a Vila do Conde passou a ser uma das deslocações ‘’pesadelo’’ para os grandes e o os vila-condenses passaram a ser vistos como fortes candidatos à Europa, provou-se acertada esta aposta de António Campos para fazer a viragem no clube.

António Campos é um dos obreiros deste crescimento do Rio Ave Fonte: Rio Ave FC
António Campos é um dos obreiros deste crescimento do Rio Ave
Fonte: Rio Ave FC

Faço esta retrospectiva para que os leitores possam perceber que este fenómeno no Rio Ave não poderia ter acontecido se Miguel Cardoso não tivesse encontrado uma estrutura consolidada e com um projecto desportivo bem definido; que sabe como trabalhar e que aprendeu com o trabalho dos seus treinadores anteriores, Nuno Espírito Santos e Pedro Martins, como construir planteis e dar estabilidade ao treinador para trabalhar.

Todas estas questões são muito importantes para que os resultados apareçam, desde a saída de Carlos Brito em 2011/2012, apenas a aposta em Nuno Capucho revelou-se uma aposta falhada, rapidamente corrigida pelo excelente trabalho de Luís Castro, e é o único despedimento de registo desde então.

Olheiro BnR – Pedro Neto

olheiro bnr

Após ter sido noticiada a saída de Rui Fonte, um dos melhores avançados da Liga NOS e, a par de André Silva, um dos melhores avançados portugueses da atualidade, importa agora olhar para o plantel do SC Braga e procurar futebolistas em ascensão. Numa primeira análise salta à vista, desde logo, Bruno Xadas, jogador que faz lembrar Bernardo Silva pela forma como conduz a bola pensando e executando a grande velocidade. Mas não é apenas em Xadas que reside o futuro deste SC Braga e, quiçá, do futebol português.

Franzino, com apenas 1,72m de altura e 62Kg de peso, número 71 na camisola e pé esquerdo da bola, encontramos Pedro Neto. O “menino”, acabado de terminar a época no escalão de juvenis está lá, junto dos “grandes”, no plantel da equipa principal do SC Braga. E é junto dos “grandes” que se percebe que ele só lhes fica atrás na idade; tudo o resto é fenomenal tendo em conta a sua idade e dá-nos uma (quase) certeza: dentro de pouco anos Pedro Neto poderá ter o mundo do futebol aos seus pés.

Partindo da posição de extremo esquerdo (ou direito), Neto faz lembrar Podence pela sua capacidade de criar desequilíbrios junto à defesa adversária. Mas não é apenas a capacidade técnica e a irreverência típica da idade que fazem de Pedro Neto um futebolista especial; o que mais impressiona é, num jogador com apenas 17 anos de idade, a sua capacidade de tomada de decisão, de levantar a cabeça, ver o jogo, e decidir em função do contexto. Assim, o futebolista vianense faz verdadeiramente jus à máxima de Johann Cruyff: “Jogas futebol com a cabeça, as pernas estão lá para te ajudar”.

Pedro Neto ao serviço da seleção portuguesa de sub-18 Fonte: FPF
Pedro Neto ao serviço da seleção portuguesa de sub-18
Fonte: FPF

Com um currículo que inclui jogos ao serviço da seleção portuguesa de sub-17 e de sub-18, Pedro Neto soma ainda apenas sete minutos de jogo na Liga NOS 2017/18, cumpridos na primeira jornada, no Estádio da Luz, aquando da derrota do SC Braga por 3-1 frente ao SL Benfica. Na temporada transata Neto somou um total de 29 jogos (1881 minutos), a maioria dos quais ao serviço dos juvenis do SC Braga, tendo apontado um total de 18 golos.

Sendo ainda extremamente jovem a época 2017/18 deverá servir, acima de tudo, para adaptação ao escalão principal do futebol português. Inserido num contexto de maior exigência, espera-se que Pedro Neto evolua futebolisticamente e que Abel Ferreira seja o homem certo para lapidar um verdadeiro diamante em bruto. Caso tal se verifique, estaremos seguramente perante um caso sério de qualidade futebolística no panorama nacional e internacional.

Foto de Capa: SC Braga

artigo revisto por: Ana Ferreira

Volta a Portugal 2017 – E tudo a W52 levou…

0

Cabeçalho modalidades

A “Grandíssima” terminou e há dois nomes que se destacam de todos os outros: Raúl Alarcón e W52-FC Porto. O primeiro nome é o grande vencedor desta edição e volta a dar uma VP a “nuestros hermanos”. O segundo nome é da equipa que dominou (até em demasia…) e controlou da forma que quis esta prova.

Após um dia em que Gustavo Veloso quebrou e de que maneira (perdeu mais de 40 minutos na etapa da Torre), eis que recuperou de forma surpreendente e bateu toda a concorrência naquela que é a sua especialidade, o contrarrelógio. Mas esse dia da Torre – para quem não se recorda, a mítica subida apareceu a meio da etapa e não no fim – foi o dia que demonstrou a tal superioridade da equipa vencedora e até mesmo alguma apatia das principais equipas, exceto do Sporting-Tavira que tentou remar contra a maré mas não teve o apoio suficiente para tal.

Em relação a esta última parte, acredito que o facto das equipas que poderiam ajudar a equipa do Sporting já terem todas uma etapa e a presença no top’10 assegurada acabou por fazer a diferença. Sinceramente, gostava que existisse em Portugal uma determinada mentalidade competitiva que é mais vista pelo estrangeiro. A verdade é que há situações que são difíceis de mudar e o ciclismo em Portugal precisa de perceber que se certas partes não mudarem então será bastante complicado evoluir como se quer e pretende.

O momento em que Alarcón e Amaro celebram juntos a fuga que conseguiram levar a cabo na Torre Fonte: Volta a Portugal
O momento em que Alarcón e Amaro celebram juntos a fuga que conseguiram levar a cabo na Torre
Fonte: Volta a Portugal

De qualquer forma, Raúl Alarcón e Amaro Antunes beneficiaram com isto e chegaram isolados à meta (com quase 5 minutos de vantagem) depois de escaparem na Torre. O espanhol acabou por valorizar o trabalho do português e concedeu-lhe a vitória na etapa, mostrando que a equipa está unida em tudo o que vai fazendo, seja antes, durante ou depois de cada prova.

Depois dessa etapa e apenas a faltar o contrarrelógio final, era tudo uma questão de horas até Alarcón se sagrar campeão desta Volta. E foi realmente o que aconteceu. A 79.ª edição desta Volta vai para um ciclista que há uns anos atrás não era muito conhecido no pelotão nacional e não se destacava muito, tendo poucas vitórias na sua carreira antes de chegar o ano de 2017, onde claramente tem estado em evidência (ganhou na Volta às Astúrias à frente de Nairo Quintana…e ficou em segundo na Volta à Comunidade de Madrid) e tem tido um ano para não esquecer. Uma “transformação” digna de ser assinalada.

Foto de Capa: Volta a Portugal