A CRÓNICA: A APATIA FAMALICENSE FRENTE À OFENSIVA GILISTA
O Estádio Cidade de Barcelos foi palco de mais um dérbi do Minho que, desta vez, opôs o Gil Vicente FC e o FC Famalicão. Duas equipas com muita gana e garra para se defrontarem porque, para além dos três pontos, era muito mais o que se jogava em campo: pela honra e pelo inverter dos últimos resultados.
Quem fez jus ao objetivo foi a equipa de Barcelos que dominou, praticamente, por completo, a primeira parte deste dérbi. Tudo começou logo aos três minutos, quando Samuel Lino arrancou para assistência a Fujimoto, a quem bastou picar a bola sobre Luiz Júnior e inaugurar o marcador. Mal sabia Ivo Vieira o terror que seriam os restantes minutos…
O Gil Vicente FC continuou a dominar, frente a um FC Famalicão mergulhado na apatia e na inércia. Os comandados de Ivo Vieira não atavam nem desatavam perante a equipa de Ricardo Soares que demonstrou a criatividade ofensiva que os seus três homens da frente poderiam potenciar. Aos 22 minutos, essa mesma criatividade veio ao de cima, com Hackman a cruzar para o centro da grande área, onde bastou encostar o esférico a Fran Navarro. Lia-se o 2-0 no marcador.
Como se a partida não estivesse a correr mal o suficiente para a equipa forasteira, aconteceu a saída forçada de Diogo Figueiras por lesão, que alterou ainda mais os planos do técnico. Fora essa substituição forçada, David Tavares e Bruno Rodrigues foram também chamados a subir ao palco ainda no decorrer da primeira parte, para além de De La Fuente. Era o caos iminente no plano de jogo famalicense que Ivo Vieira ainda tentou colmatar, sendo que sem resposta.
Para fechar a primeira parte e meter “os pontos nos i’s” do domínio gilista nos primeiros 45 minutos, Murilo, de pé direito, rematou a bola contra o relvado que fez o esférico sobrevar Luiz Júnior. Fechava-se a primeira parte com três golos sem resposta, a favor da equipa da casa.
Com um Gil Vicente FC a mostrar-se algo dependente dos rendimentos obtidos na primeira parte, os gilistas tiraram o pé do acelerador e o FC Famalicão tentou aproveitar para potenciar na construção ofensiva, mas pouco resultado deu. Sem grandes ocasiões, tudo permanecia sem alterações.
Aos 76 minutos, o recém-entrado na partida, Leautey entrou pela área dentro, cruzou e, ao segundo poste, bastou a Fran Navarro concretizar o quarto golo e dar o nó no ponto (ou nos três pontos) gilistas. O dérbi terminou com um canto altivo do galo e um coletivo famalicense num ponto sem retorno.
A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Samuel Lino (Gil Vicente FC) – Para além da grande exibição de Fran Navarro, que é impossível de não ser enaltecida, fica no olho o jogo feito por Samuel Lino. Todas as jogadas de construção ofensiva passavam pelo jogador da equipa de Barcelos que nunca arredou pé.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
FC Famalicão – A apatia e falta de solidez na primeira parte deram alento à goleada gilista. O FC Famalicão não foi equipa capaz de fazer mossa ou qualquer tipo de estrago no jogo bastante sólida elaborado pela equipa de Ricardo Soares.
ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC
Ricardo Soares montou um 4-3-3 com Aburjania recuado no setor do meio-campo para ajudar nos momentos de construção ofensiva.
Na primeira linha, Talocha e Hackman ocuparam as laterais com Diogo e Rúben Fernandes a compor a zona central. No meio-campo, para além de Aburjania, Pedrinho dava largura e Fujimoto apoiava o setor mais avançado no terreno.
No último terço encontravam-se Fran Navarro como homem mais adiantado, com Murilo e Samuel Lino a descer no terreno para “ir buscar jogo”.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Frelih (6)
Talocha (6)
Rúben Fernandes (6)
Diogo (6)
Hackman (6)
Aburjania (7)
Fujimoto (7)
Pedrinho (6)
Samuel Lino (8)
Murillo (7)
Fran Navarro (8)
SUBS UTILIZADOS
Leautey (6)
Matheus Bueno (6)
Jean Irmer (6)
Calero (6)
Bilel (6)
ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO
Ivo Vieira montou um 4-2-3-1, com Pêpê e Charles Pickel recuados na linha do meio-campo. Na baliza, manteve-se Luiz Júnior. A linha defensiva foi composta por Alex Penetra e Alexandre Nascimento na zona central, com Diogo Figueiras e Adrian Marín a dar largura nas laterais.
Diogo Figueiras viu-se obrigado a sair do terreno de jogo, devido a lesão, e o técnico dos famalicenses fez entrar De La Fuente, puxando Pêpê Rodrigues para o corredor.
No meio-campo, para além de Pêpê (antes da substituição de Figueiras) e Pickel, Iván Jaime e Ivo Rodrigues davam profundidade nas alas. No centro, Pedro Brazão fazia a ligação de jogo com Simon Banza (que descia bastantes vezes no terreno na ajuda defensiva e na construção ofensiva).
Ainda na primeira parte, Ivo Vieira fez entrar David Tavares e Bruno Rodrigues para dar mais capacidade ofensiva à equipa, mas poucas foram as diferenças notórias.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Luiz Júnior (5)
Diogo Figueiras (5)
Alex Nascimento (6)
Alex Penetra (6)
Adrián Marín (6)
Charles Pickel (5)
Pêpê Rodrigues (6)
Pedro Brazão (5)
Iván Jaime (5)
Ivo Rodrigues (6)
Simon Banza (5)
SUBS UTILIZADOS
De La Fuente (6)
David Tavares (6)
Bruno Rodrigues (6)
Heriberto Tavares (6)
Marcos Paulo (6)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Gil Vicente FC
Não foi possível colocar questões ao técnico do Gil Vicente FC, Ricardo Soares.
FC Famalicão
BnR: Apesar de se apresentar de forma diferente na segunda parte, viu-se um FC Famalicão bastante apático na primeira, o que levou, praticamente, à construção do resultado. O que faltou para melhorar a exibição e a intensidade da equipa?
Ivo Vieira: Faltou tudo. É nítido que, na primeira parte, não estivemos perto daquilo que podemos fazer. O adversário, com mérito, foi melhor em todos os momentos de jogo e teve mérito naquilo que conquistou com os três golos na primeira parte. Fizemos uma primeira parte muito aquém. Fizemos melhor na segunda parte, mas foi quase mais do mesmo. Essa responsabilidade é minha. Perdemos dois jogos de uma forma muito pesada. Não éramos assim tão bons quando ganhámos, não somos assim tão maus como se refletiu hoje aqui. Foi um grande adversário que fez um grande jogo e abordou-o muito bem. O resultado espelhou-se no jogo que o Gil [Vicente FC] fez.
A CRÓNICA: PRIMEIRA PARTE DESNIVELADA, SEGUNDA CONFIRMA VITÓRIA
Com um registo imaculado no seu estádio, o Lusitano FCV recebia a UD Sampedrense com o objetivo de manter-se como líder do Grupo Centro da Divisão de Honra da Associação Futebol de Viseu. Por outro lado, a equipa visitante precisava de uma vitória para se aproximar dos lugares de acesso à fase de subida.
O jogo começou com um ascendente dos anfitriões. Ainda nos primeiros cinco minutos da partida, Barry, sozinho no coração da grande área, atirou de cabeça por cima da baliza sampedrense, na sequência de um cruzamento com conta, peso e medida, do lateral Leal.
A equipa da casa continuava mais perto da baliza à guarda de Tarik e chegou mesmo à vantagem à passagem do 17´. Depois de um alívio da defesa visitante, Luís Almeida pegou na bola pelo lado esquerdo e nas imediações da grande área adversário disparou forte, sem hipóteses para o guarda-redes sampedrense.
Pouco depois, o ponta de lança, Barry, voltou a despediçar. Tarik deu uma oferta ao adversário ao entregar a bola diretamente ao avançado, mas este rematou de primeira diretamente para as “nuvens”.
A União Sampedrense só conseguia chegar à grande área do Lusitano, de bola parada, mas sem criar qualquer perigo para a baliza de Tony. O lance mais perigoso de toda a primeira parte foi uma incursão de Jota, que ficou com a bola na sequência de uma perda de bola da defesa adversária e já dentro da grande área rematou bastante longe da baliza.
A parte final da primeira parte acabou por ser jogada a um ritmo lento e muito faltosa, com várias paragens para assistir jogadores em dificuldades físicas.
No início da etapa complementar, os visitantes entram com outra postura, mais adiantados no terreno de jogo e com maior posse de bola. No entanto, a equipa do concelho de São Pedro do Sul não conseguia levar perigo à baliza de Tony.
À medida que os minutos passavam, o Lusitano voltava a ficar por cima do jogo e conseguiu mesmo alargar a vantagem aos 58´. Do lado esquerdo, o médio, Gonçalo Santos, ganhou a bola e sprintou até à grande área, oferecendo a Barry que fez o mais fácil e atirou para o fundo da baliza.
Depois do 2-0, o ritmo voltou a diminuir e ficou mais duro, em termos físicos. A equipa da casa ainda teve algumas oportunidades para voltar a faturar. Luís Almeida, num bom desequilíbrio pela direita, rematou para defesa incompleta de Tarik. Na recarga, Barry voltou a mostrar não estar num bom dia para finalizar e atirou muito por cima do travessão.
Já a Sampedrense teve a melhor oportunidade por Lima que atirou forte de fora de área diretamente para as mãos de Tony. Contudo, ainda antes do final da partida, a equipa da casa fez ainda o 3-0 pelo recém-entrado, Ricardo Ferreira.
O Lusitano acaba por cumprir e retira a UD Sampedrense da luta pelos lugares diretos de acesso à fase de subida do Campeonato de Portugal.
A FIGURA
Fonte: Lusitano FCV
Luís Almeida – O atacante do Lusitano voltou a estar bastante ativo na manobra ofensiva da equipa e foi o elemento desequilibrador da equipa. Fez o primeiro golo da equipa (e que grande finalização!), num desequilíbrio ao aproveitar uma sobra. Quando pega na bola, parece que há sempre perigo iminente para a baliza adversária. Parece evidente que é um jogador com qualidade bastante superior à divisão onde joga.
O FORA DE JOGO
Coluna Distrital – Luís Barry é reforço de peso para o Lusitano de Vildemoinhos https://t.co/APo9ApcTal
Barry – É verdade que lutou na pressão à defensiva da Sampedrense, quando a sua equipa não estava em posse e que marcou um golo, onde também é preciso que se diga que era quase impossível falhar.
Contudo, o experiente ponta de lança e finalizador por excelência falhou na concretização pelo menos em quatro ocasiões, quando estava em boa posição. Na fase de subida ao Campeonato de Portugal, vai ser preciso mais acerto de um dos maiores goleadores da Segunda Liga Portuguesa.
ANÁLISE TÁTICA – LUSITANO FCV
Sérgio Fonseca utilizou o 4x3x3, com Kiko a regressar à titularidade e a juntar-se a Luís Almeida e Barry para formarem o tridente ofensivo. Com muita posse de bola e controlo do jogo, os laterais, Tomé e Leal, projetavam-se muitas vezes no ataque, com os extremos a juntarem-se a Barry, em especial Luís Almeida, na grande área.
Na segunda parte, com a vitória na mão, a equipa recuou ligeiramente as linhas e aproveitou o espaço livre nas costas da defesa adversária para explorar as transições rápidas.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Tony (6)
Tomé (7)
Calico (7)
João André (7)
Leal (7)
Salú (6)
Bruno Loureiro (6)
Gonçalo Santos (7)
Kiko (6)
Luís Almeida (8)
Barry (6)
SUBS UTILIZADOS
Iuri Bessa (-)
Vasco Paredes (-)
Chico Simões (-)
Ricardo Ferreira (-)
ANÁLISE TÁTICA – UD SAMPEDRENSE
João Reis apostou num 4x3x3 que se transformava num 3x4x3 em processo ofensivo. Do lado esquerdo, Jota era o jogador com mais liberdade de movimentos, percorrendo todo o corredor. O lateral esquerdo, Rui, juntava-se muitas vezes à dupla de centrais, Couceiro e David, para fechar ao meio. A equipa pareceu ter trabalhado os lances de bola parada, em especial, os livres.
O técnico acabou por ter de mexer ainda na primeira metade por problemas físicos do avançado Márcio, Ao intervalo, arriscou acrescentando mais uma unidade ofensiva, Lima, e adiantou linhas, mas a Sampendrense não conseguiu construir lances de perigo à baliza adversária.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Tarik (5)
Telmo (5)
Couceiro (6)
David (6)
Rui (5)
Gabi (6)
Miguel A. (6)
Jota (6)
Bebé (5)
Ruca (5)
Márcio (5)
SUBS UTILIZADOS
Paki (5)
Chalana (6)
Lima (6)
Soares (6)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Lusitano FCV
BnR: O Lusitano conseguiu os três pontos, numa vitória consistente. Que análise faz ao jogo?
Paulo Ferreira [técnico de guarda-redes]: Foi um jogo com predominância do Lusitano. Na primeira parte, dominámos completamente o jogo e, na segunda parte a Sampedrense cresceu à procura de reverter o prejuízo da primeira parte. Nós resguardámo-nos um bocadinho, mas depois voltámos a crescer no jogo com jogadas mais rápidas e à procura do erro do adversário ao longo da segunda parte. Acho que fomos uma equipa muito consistente, equilibrada e concentrada ao longo dos noventa minutos porque sabíamos qual era o nosso objetivo para o jogo que era a vitória. Foi um grande jogo da nossa parte, só tenho de dar os parabéns aos jogadores que cumpriram escrupulosamente o que nós tínhamos pedido.
BnR: Em termos defensivos, a equipa manteve mais uma vez a baliza inviolada. Como tem sentido a evolução do Lusitano defensivamente, desde que a equipa técnica assumiu o comando a meio da época?
Paulo Ferreira: Isso é devido ao trabalho continuo que temos feito ao longo destas semanas. Preocupamo-nos muito em dar feedback aos nossos jogadores de possíveis situações que podem ocorrer durante o jogo. Andámos durante a semana a trabalhar essas situações e o resultado está no domingo que continuamos sem sofrer golos.
BnR: O Lusitano continua invicto em casa, enquanto que fora continua sem vencer. Como explica esta situação?
Paulo Ferreira: Se formos analisar os jogos fora de casa, também somos uma equipa que está em cima no jogo, que cria oportunidades, mas depois pecamos na finalização. Acho que a atitude tanto em casa como fora é a mesma: nós entramos para ganhar. Infelizmente fora temos azar de ainda não termos uma vitória, mas não quer dizer que nos jogos que fizemos fora, não existisse alguns em que não merecêssemos a vitória. Na minha opinião, fomos sempre superiores aos nossos adversários.
BnR: As condições diferentes nos estádios das equipas adversários, nomeadamente, nos campos de relva sintética [o relvado do Estádio dos Trambelos é de relva natural] influencia a prestação dos jogadores do Lusitano?
Paulo Ferreira: É verdade que nós durante a semana treinamos em relva natural e ao fim de semana apanhámos relva sintética, mas com a qualidade dos jogadores que temos, não é um fator que pode influenciar. Ainda para mais quando vamos jogar em relva sintética, tentamos adaptar a equipa com um treino ou dois em relva sintética para não notarmos tanta essa diferença. Acho que não é um fator que influencie a não concretização de oportunidades nos jogos fora.
UD Sampedrense
BnR: A derrota acaba por ter números pesados. Que análise faz a esta partida?
João Reis [técnico principal]: De uma maneira geral, não entrámos bem na primeira parte. Tínhamos uma ideia, estabelecemos uma estratégia, não a conseguimos aplicar da melhor maneira. Sabíamos das dificuldades que nos iam ser colocadas e, que se fossemos uma equipa que tivesse capacidade de correr mais, de chegar mais perto na pressão ao portador da bola, de condicionar os espaços, de ter alguma capacidade de fechar o corredor central e depois de chegar aos corredores laterais, nos poderiam correr melhor as coisas. O Lusitano, com a qualidade que tem, conseguiu criar sempre soluções quer por fora, quer por dentro, e criou-nos muitas dificuldades. Raramente conseguimos recuperar as bolas e transitar rápido. De grosso modo, na primeira parte, passámos ao lado daquilo que queríamos fazer. Responsabilidade minha de não conseguir que a equipa colocasse em campo aquilo que seria a ideia. Na segunda parte, correndo os riscos que corremos, queríamos sobretudo continuar a competir. Sabíamos da dificuldade que seria, por vezes, de deixar a última linha situações de 1×1, fomos penalizados por isso, mas acho que tivemos muito melhor na nossa segunda parte, conseguimos mais vezes condicionar as ações do Lusitano. De qualquer das formas, a qualidade dos intervenientes do Lusitano acabou por fazer a diferença. Podíamos ter sofrido mais golos, mas era um risco que tinha de correr porque vir aqui perder por 1-0, 2-0 ou 3-0, o número de pontos que levavam os eram os mesmos. Nós queríamos vir aqui pontuar como fazemos em todos os jogos. Infelizmente, não deu. Para a semana temos mais um jogo em queremos competir e saímos daqui com a noção de que poderíamos ter feito um bocadinho melhor na primeira parte. O mal estava feito depois de estarmos em desvantagem, torna-se mais difícil, mas não virámos a cara à luta. Estou satisfeito com essa atitude dos meus jogadores, na segunda parte. Na primeira, falhei claramente na estratégia que tinha delineado.
BnR: O que faltou para a equipa criar mais perigo junto da baliza adversária?
João Reis: Nós não conseguimos ter bola e recuperá-la. Para ter posse de bola, temos de fazer duas coisas: quando a temos, temos capacidade de a manter e depois quando não a temos, termos a capacidade de a recuperar. Nem uma situação nem outra conseguimos fazer na primeira parte. Portanto, sem bola, nós não conseguimos criar situações de golo. Nalgumas recuperações, nós não conseguimos tomar as melhores decisões, umas vezes condicionados pelo adversário, outras vezes alguma precipitação. A nossa ideia passava por atrair o Lusitano na pressão ao nosso meio campo, tentar explorar um bocadinho as eventuais debilidades numa equipa bastante competente, mas que, como todas, deixa espaços num momento ou noutro. A nossa ideia seria aproveitar essas situações para tentar lançar alguns ataques rápidos em que tivéssemos essa capacidade para aparecer na área para finalizar. Infelizmente não conseguimos. Na segunda parte, mesmo tendo a capacidade de fazer mais recuperações, de levar o Lusitano a ter mais perdas de bola, algumas ações técnicas não nos saíam tão bem e isso acaba por fazer a diferença. Se não conseguimos chegar perto da baliza adversária, não conseguimos criar oportunidades de golo. Embora a segunda parte tenha sido bastante melhor, não chegou. Para a semana, haverá mais com certeza.
BnR: Fez seis alterações no onze em relação ao último jogo [vitória por 1-0, em casa, frente ao Campia]. Qual foi o principal motivo? Estratégia de jogo?
João Reis: Umas por estratégias, outras por condicionantes físicas porque tínhamos alguns jogadores com alguma dificuldade física. Nós temos de jogar com as características dos nossos jogadores. Não podemos defrontar equipas diferentes e defrontá-las da mesma maneira. Sabíamos que o Lusitano nos conhecia e o que nós tentávamos fazer, tentámos dar aqui uma ou outra nuance no onze inicial, que nos permitisse, com as características dos jogadores, fazer uma ou outra coisa diferente daquilo que o Lusitano estaria à espera. Infelizmente não consegui transmitir a ideia aos jogadores e tenho de assumir a responsabilidade da falha que é minha.
A CRÓNICA: VALENTES “TRANSMONTANOS” CONQUISTAM PRIMEIRA VITÓRIA FORA DE CASA, ENQUANTO SC COVILHÃ CHEGA AO 11° JOGO SEM VENCER NA SEGUNDA LIGA
Enquanto os adeptos acabavam de chegar aos seus assentos, aos dois minutos de jogo, uma grande falha individual de André Almeida deixou todos os espetadores impressionados com a defesa de Léo Navacchio, guarda-redes do SC Covilhã. No momento em que o defesa passou a bola para trás em direção ao guarda-redes, a bola foi de maneira fraca em direção à baliza, deixando-a escapar livre para João Teixeira. O português teve à sua frente a baliza inteira, mas rematou no lado direito, obrigando Léo Navacchio a realizar um milagre que impediu o primeiro golo no estádio José dos Santos Pinto.
Como se não bastasse, novamente numa falha individual no setor do meio-campo, a bola sobrou livre para a equipa do GD Chaves, numa situação muito favorável, com o avançado Adriano a ter a bola. Ele chegou a driblar o seu marcador e rematar, mas André Almeida lançou-se em direção à bola e impediu o remate.
Mesmo assim, a bola sobrou novamente para Adriano que, com calma, viu toda a defesa adversária desarrumada e jogou para o seu companheiro Wellington Carvalho. O avançado brasileiro rematou ao ângulo direito, sem hipóteses de defesa para o guarda-redes adversário. Desta vez, o setor ofensivo do Chaves venceu o confronto pessoal contra Léo Navacchio e jogou a bola na rede.
Com o golo, a equipa flaviense recuou o seu ímpeto e, gradualmente, o Covilhã foi crescendo no jogo. O perigo foi grande, tanto que num pontapé de canto acertou a baliza do Chaves. Além disso, aos 24 minutos, em outro perigo lançado para a grande área, Jorge Vilela jogou-se em direção à bola, mas Paulo Vítor estava atento e fechou bem o canto direito, impedindo aquilo que seria o empate da equipa serrana.
O resultado permaneceu enquanto o jogo entrava nos primeiros minutos da segunda etapa, passando por um momento de disputa física no meio-campo, com diversas faltas. Contudo, o perigo continuou a rondar a área do Chaves, por meio das bolas paradas vindas dos pés de Jean Felipe.
Num jogo em que a primeira parte teve diversas oportunidades e emoções para os adeptos das equipas, durante a segunda parte, o desgaste físico e o pouco entrosamento dos jogadores que entraram baixaram o ritmo.
Quando o cronómetro marcava 73 minutos de jogo, num ataque conduzido por Platiny, o ponta de lança balançou o seu corpo para um lado e depois para o outro, confundindo o defensor André Almeida. Ao passar pelo defesa, o número 99 rematou com força no canto esquerdo e decretou o segundo golo da equipa adversária.
Com o efeito do golo, a equipa do Covilhã ainda se manteve no ataque, ocasionando algumas oportunidades de golo, mas novamente, a qualidade fez falta, não sendo suficiente para reverter o resultado.
O jogo encerrou-se de maneira desastrosa para os homens da Covilhã, que não conquistam três pontos na Segunda Liga desde agosto. Por outro lado, o Chaves conquista a sua primeira vitória fora de casa e respira mais aliviado na tabela.
— Futebol Português (@FuteboPortugues) July 4, 2018
João Teixeira – O responsável pela parte pensante da equipa do Chaves, o médio ofensivo João Teixeira foi além do que se espera num grande nome no setor ofensivo, ao fornecer hipóteses, como no golo de Wellington.
O médio de 27 anos foi o principal nome da tática proposta pelo treinador Vítor Campelos, com devida intensidade na hora de pressionar a saída de jogo do Covilhã, marcando principalmente Gilberto, bloqueando o médio criativo da equipa adversária. Como consequência, a equipa do Covilhã ficou por vezes sem saída, devolvendo a bola ao adversário em zonas extremamente propícias para a execução de golos.
O FORA DE JOGO
Gilberto Silva alcança os 300 jogos na #LigaPro! 👏
Uma marca notável para o capitão do SC Covilhã, que recentemente se tornou no jogador com mais jogos na história do clube! ⚽👌
Deixa a tua mensagem ao jogador serrano 📝#futebolcomtalento#LigaPortugal#SCCpic.twitter.com/biGl0kKXe0
Gilberto – A situação do Covilhã antes da partida era delicada, necessitando de jogadores com preparação para momentos críticos. Ao menos é isto que se espera de um jogador que é um dos líderes da equipa. O que se viu, foi exatamente o contrário. Totalmente preso ao esquema defensivo do GD Chaves, Gilberto nada pode fazer para criar ou ajudar os seus companheiros no setor do meio de campo.
ANÁLISE TÁTICA – SC COVILHÃ
A estreia de Leonel Pontes viu a equipa serrana projetada em um 4-3-3, diferenciando-se das antigas formatações que o SC Covilhã desempenhou nesta Segunda Liga. Além disso, outras diferenças para este jogo podem ser notadas com a entrada de Jorge Vilela como defesa central, ao invés de Helitão.
Durante o jogo, a utilização de Ahmed e de Ryan seria para dar uma melhor criação a partir da consistência por meio do toque de bola. No entanto, a equipa adversária conseguiu anular esta tática. Como consequência para o segundo tempo, a entrada de Ricardo Vaz deu outra característica ao quebrar as linhas através de triangulações laterais com David Santos. O resto das substituições manteve o padrão tático inicial.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Léo Navacchio (7)
Jean Felipe (5)
André Almeida (6)
Jorge Vilela (4)
David Santos (5)
Gilberto Silva (4)
Ryan Taegue (6)
Arnold Issoko (4)
Ahmed Isaiah (5)
Jô Batista (5)
Diogo Almeida (4)
SUBS UTILIZADOS
Ricardo Vaz (5)
Medeiros (5)
Deivid Silva (5)
Thiago (-)
ANÁLISE TÁTICA – GD CHAVES
A equipa comandada por Vítor Campelos escolheu a formação 4-2-3-1. No entanto, a presença dos médios defensivos deu melhor estabilidade no setor do meio-campo. Para além, o setor ofensivo caracterizou-se com uma transição a partir de João Teixeira.
Na parte defensiva, notou-se que os extremos do Chaves acompanharam os médios centrais do Covilhã para fechar a marcação e recuperar a bola numa situação favorável para o ataque. No jogo, foi possível notar a inversão dos lados realizada pelos extremos, em que acompanharam a movimentação do setor do meio-campo serrano.
Como marcador logo à frente, João Teixeira, com Platiny, propiciou diversas recuperações da posse da bola no setor ofensivo do Chaves. No segundo tempo, a entrada de Bruno Langa obrigou Nuno Campos a deslocar-se para a lateral direita. De resto, as substituições mantiveram a formação tática.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Paulo Vítor (6)
João Correia (6)
Alexsandro Ribeiro (5)
Luís Rocha (5)
Nuno Campos (5)
Obiora (6)
Nuno Coelho (6)
Adriano (7)
João Teixeira (8)
Welligton (7)
Platiny (7)
SUBS UTILIZADOS
João Mendes (6)
Bruno Langa (5)
Baxti (5)
Patrick (5)
Kevin Pina (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
SC Covilhã
BnR: “A pressão inicial da equipa do Chaves não foi o fator central para que ocasione as falhas individuais por parte da defesa do Covilhã?”
Leonel Pontes: “A pressão do Chaves estava identificada, normalmente pressionam com dois jogadores. O problema foi a nossa incapacidade de tirar a bola dessa zona. Porque a tendência enquanto tu és pressionado é não complicar, ou é rebater a frente, ou encontrar linhas de passes adequadas. E nós não conseguimos encontrar, porque falta trabalho. Naquela circunstância, com a rotina de trabalho, não perderíamos a bola, independentemente do jogador que lá estivesse. Esta falta de trabalho e falta de personalidade naquele momento fez com que o adversário conseguisse ganhar essas bolas, porque nós estávamos bem definidos em saber como o Chaves pressionava.”
GD Chaves
BnR: “Como foi vossa análise do setor ofensivo na vitória de hoje? Com João Teixeira e Platiny no centro, também os alas foram decisivos neste resultado?
Vítor Campelos: “Somos uma equipa que pressionamos logo na primeira etapa, porque pensamos que estamos mais perto da baliza do adversário. O enfoque da nossa pressão alta não é só para defender, como é óbvio, mas se recuperamos bolas estamos mais perto da baliza adversária. É um trabalho de desgaste para os nossos homens mais à frente, também é necessário que as nossas alas estejam sempre ligadas para pressionar os corredores. Preparamos algumas ideias baseadas naquilo que era o passado do Leonel Pontes, porque a recente troca nos deixou em branco. Geralmente as equipas do Leonel jogam no 4-3-3. Mas, independentemente da equipa, preocupamo-nos muito e respeitamos o nosso adversário, preocupamo-nos naquilo que podemos e devemos fazer.”
HORA DO SÉTIMO EPISÓDIO DO PODCAST “PAPO DE BOLA” SOBRE
A ATUALIDADE DO FUTEBOL SUL-AMERICANO!
Neste episódio do “Papo de Bola”, temos um especial sobre a final da Taça Libertadores com um painel de luxo! O César Mayrinck recebe o Fellipe Andrade, o Kayalu da Silva e o Afonso Santos e os quatro falam sobre a final da Libertadores, bem como o futuro de Abel Ferreira
Fica com a sétima edição deste podcast, que está disponível no Spotify, bem como em todas as plataformas habituais.
Quase nunca com brilhantismo, mas com muita competência. Foi assim que o SL Benfica assegurou a passagem à Final Four da Liga dos Campeões de Futsal. A vitória por 3-2, no Pavilhão da Luz, diante do Levante UD, deu aos encarnados o primeiro lugar do grupo D da Ronda de Elite e permitiu à equipa de Pulpis seguir em frente. Desde 2016, que as águias não chegavam a esta fase da prova.
A intensidade do jogo foi digna daquilo que este representava. Lances duros, faltas em excesso, festejos em cada ação bem-sucedida e até algumas quezílias criaram um clima de tensão, em que o erro se pagaria ao preço do ouro. Dominava o Benfica.
De uma bola parada, ainda com a ajuda do poste, surgiu o golo de Rafael Henmi que revolucionou o cenário instalado. A partir daí, o Levante lançou Rafa Usín como guarda-redes avançado que caiu como água gelada numa superfície a ferver. O 5X4 serenou a equipa espanhola e permitiu-lhe ganhar confiança com bola.
A partir desse momento, as equipas equivaleram-se. O SL Benfica ia tentando com as subidas de Roncaglio criar oportunidades. A postura defensiva do Levante UD não impedia os azulgrana de explorarem a ousadia das águias, tendo Gallo até encontrado espaço para levar a bola ao poste.
A agressividade imposta levou os dois conjuntos para o intervalo com cinco faltas. No caso do SL Benfica, foram dez minutos a tentar não conceder livre direto, o que permitiu algum ascendente ao Levante UD.
O reinício do jogo voltou a ser jogado a todo o gás, mas sem que o Levante UD conseguisse acompanhar a combustão. O SL Benfica dilatou a vantagem por Chishkala. No mesmo minuto, o Diego Ríos, técnico dos espanhóis, quis usar o 5X4 para ferir e acabou por se aleijar quando Roncaglio finalizou de baliza a baliza.
Os golos pareciam nascer aos pares. Ainda com muito tempo para jogar, Araça e Rafa Usín relançaram o jogo ao reduzirem novamente a desvantagem para um golo.
O SL Benfica queria fugir e não conseguia e era encostado às cordas por um Levante UD em 5X4 até final. Só que o piano também pode ser tocado de fato de macaco e a competência defensiva valeu a passagem das águias à fase seguinte.
A FIGURA
Fonte: Bola na Rede
Marc Tolrà – Esteve em grande plano a jogar contra a ex-equipa. Pautou todo o jogo de 5X4 com que o Levante moeu o Benfica.
O FORA DE JOGO
Fonte: Bola na Rede
Bruno Cintra – Errático na hora de servir os companheiros e incapaz nos segundos de finalizar. Pecou em situações que podiam dar conforto ao Benfica.
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
Logo desde início, o SL Benfica apostou num 4X1 com Jacaré a desempenhar a função de pivô que alternou com Fits. O fixo, Nilson, responsabilizou-se pela marcação ao pivô contrário, sendo que quando este não estava em campo a marcação ao pivô variava. Nas alas, com o pé trocado promovendo o remate, alinharam Henmi e Arthur.
Cedo as águias apostaram na exploração do guarda-redes adiantado. Os comandados de Pulpis não conseguiram obter grande proveito de tal variante tática.
A pressão alta no meio-campo adversário foi uma constante. Para defender o 5X4 do adversário, os jogadores encarnados posicionaram-se em losango.
5 INICIAL E PONTUAÇÕES
Diego Roncaglio (5)
Nilson (5)
Arthur (6)
Rafael Henmi (5)
Jacaré (6)
SUBS UTILIZADOS
Afonso Jesus (5)
Robinho (5)
Chishkala (6)
Tayebi (5)
Bruno Cintra (4)
Fits (5)
ANÁLISE TÁTICA – LEVANTE UD
Pedro Toro foi o escolhido para desempenhar a função de pivô. Com o iniciar da rotação, o Levante abdicou de um homem fixo no ataque, dispondo-se num 5X0.
À semelhança do que aconteceu no Benfica, Rivillos, esquerdino, posicionou-se junto da ala direita e Rubi, destro, junto da ala esquerda. Tolrà ia substituindo Rescia no lugar de fixo.
Conseguiram disputar o jogo assim que acertaram com as marcações. Desse modo, obrigaram o Benfica a errar com mais frequência.
Na primeira parte, os valencianos, recorrendo a Rafa Usín, usaram o 5X4 mais como forma de gerirem os ânimos do que como arma para ferir o adversário. Na segunda parte, já com Roger no papel de guarda-redes avançado, foram mais acutilantes.
Duas corridas por disputar, dois pilotos e duas equipas numa das batalhas mais entusiasmantes da memória recente da modalidade e, para “apimentar” ainda mais os últimos momentos da decisão… um traçado absolutamente novo, num país a fazer a sua estreia no calendário da Fórmula 1. Momento de emoções fortes na modalidade, não só pelo duelo titânico pelo título de pilotos mas também abalada pelo desaparecimento de Frank Williams, lendário chefe e fundador da epónima equipa.
À corrida inaugural no Catar, disputada no passado dia 21 e em que Lewis Hamilton (Mercedes) levou a melhor sobre Max Verstappen (Red Bull), segue-se então o primeiro Grande Prémio da Arábia Saudita, no Jeddah Corniche Circuit – um traçado inacreditavelmente rápido, em que as recordistas 27 curvas mais parecem uma interminável recta.
Com apenas duas zonas de travagem mais forte (para a primeira e última curvas), o afinamento do carro e sobretudo a qualificação pareciam ser as principais armas para levar a melhor neste desafiante circuito, onde cada erro podia custar muito caro aos pilotos. Charles Leclerc (Ferrari) foi prova viva do carácter imperdoável da pista, ao perder a traseira do carro durante a segunda sessão de treinos livres e custando aos mecânicos da Ferrari uma noite longa de reparações na garagem.
Fazendo reaparecer o “super motor” usado no Brasil com incrível eficácia, a Mercedes dava a Hamilton um poderoso trunfo para atacar a qualificação. Depois de um resultado de 2-1 a favor do britânico nos treinos livres (Verstappen foi mais rápido no FP3), a primeira sessão de qualificação viu os dois Haas, Nicholas Latifi (Williams) e, de forma algo surpreendente, os dois Aston Martin ficar de fora da fase seguinte.
Dois “sustos” para Carlos Sainz (Ferrari) e problemas mecânicos para Valtteri Bottas (Mercedes) marcaram o Q2, com o espanhol a ver-se relegado para 15.º na grelha, enquanto o finlandês, na sua corrida número 100 pela Mercedes, seguia para a decisão final da Qualificação (também pela 100.ª vez na actual equipa). Tal como Bottas, oito outros pilotos apostaram no pneu médio para fechar os seus tempos mais rápidos, Lando Norris (McLaren) o único a seguir para o Q3 no pneu macio, assumidamente menos competitivo a nível estratégico no contexto da corrida.
Tempo de “pole position”. Agora com pneus macios e afinações no máximo, “primeiro sangue” para Verstappen ao superar Bottas e Hamilton (que cometeu um erro na primeira tentativa) por mais de três décimos de segundo. Nas voltas finais, Hamilton partiu mais cedo e definiu o alvo para Verstappen, com Bottas a colocar-se no segundo posto.
Max Verstappen hits the barriers 💥@LewisHamilton takes pole 🏆
O holandês deu sinais de comprometimento total ao sair largo na curva dois, “beijando” a parede, e seguiu caminho para dois “sectores roxos” absolutamente alucinantes, que vale a pena rever. Com quase três décimos de vantagem e tudo para fechar o lugar cimeiro da grelha, Verstappen bloqueou o pneu dianteiro esquerdo na travagem para a última curva (27) e, na saída, embateu com a roda traseira direita no cimento de Jeddah e, com danos terminais, foi forçado a abandonar a volta e a sessão. “Pole”, então, para Hamilton, que viu ainda o “escudeiro” Bottas colocar-se entre ele e o seu rival.
A juntar ao acidente de Leclerc no FP2, a primeira corrida de Fórmula 2 trouxe dois “Safety Cars” e um “Virtual Safety Car” – com os principais títulos em jogo já neste fim de semana, será prenúncio de uma corrida de alta fricção, e possivelmente decisiva? O penúltimo Grande Prémio da temporada tem início marcado para amanhã, às 17:30 de Portugal continental.
Em jogo a contar para a décima terceira jornada da Liga Portuguesa, o FC Paços de Ferreira recebeu o Vitória SC, num encontro entre nono e sétimo classificado, respetivamente.
A partida iniciou-se e o equilíbrio foi a palavra de ordem desde o início, tendo as duas equipas vontade de pegar no jogo e ter mais bola. A primeira grande oportunidade chega à passagem do minuto sete, Rafa Soares inicia a jogada com um belíssimo túnel a Fernando Fonseca, vira para a direita para João Ferreira, que cruza para a área, onde aparece Rafa a finalizar, contra o guardião pacense.
Aos 14′ é a vez do Paços de Ferreira criar perigo e chegar mesmo a introduzir a bola na baliza de Varela. Canto à esquerda do ataque pacense, Maracás desvia e Denilson bate o guardião português. Após recorrer ao VAR e cinco minutos de longa espera, João Pinheiro anulou o golo por falta ofensiva.
Aos 33′, os mesmos intervenientes e o Paços de Ferreira lá chega à vantagem. Canto, desta vez à direita, Maracás desvia ao primeiro poste e Denilson desvia ao segundo para o fundo das redes vitorianas. O avançado brasileiro fez assim o seu primeiro golo na atual época.
Na segunda parte no Estádio Capital do Móvel houve momentos para um Vitória mais motivado e a conseguir concretizar as ideias do técnico Pepa. Com bastante posse de bola e a criatividade no meio-campo, com louros para Rafa Soares e Marcus Edwards do lado esquerdo do ataque vitoriano.
Com sucesso, a equipa consegue o tão almejado golo para empatar a partida após Estupinãn se encontrar isolada na área e rematar com uma bala para a baliza de André Ferreira, que tem a tarefa impossível de tentar defender.
Após o empate e as substituições, é tempo de o Paços de Ferreira encontrar o seu ritmo de jogo e voltar a dar luta às redes de Bruno Varela. No entanto, a equipa vimaranense já estava demasiado inspirada para parar por aqui. Após a assistência ao último golo, Bruno Duarte demonstra-se incompleto sem o golo e tenta a sua sorte no minuto final de jogo (89’) com direito a um festejo louco da bancada de visitante e do banco de suplentes da equipa.
No tempo restante ainda continuaram a tentar mais um para o Vitória SC, mas as contas fecharam com uma vitória sólida para a equipa orientada por Pepa, regressando finalmente aos triunfos.
A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Marcus Edwards – Esteve a um nível mediano na primeira parte, mas na segunda mostrou toda a sua qualidade. Está nos lances dos dois golos, sendo que fez a assistência para o segundo. Muito bem, expôs as fragilidades de Fernando Fonseca no lado defensivo, acabando por castigar a equipa pacense.
O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Fernando Fonseca – O jogador português acabou por condenar a equipa do Paços de Ferreira, dado que ambos os golos são do lado do defesa. Demonstrou-se violento ao lado da partida e os erros demonstram-se fatais para a equipa.
ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA
O Paços de Ferreira alinhou no habitual 4-3-3 mas um pouco diferente do jogo com o Marítimo. O técnico Jorge Simão promoveu quatro alterações no onze, fazendo entrar Baixinho, Luiz Carlos, Helder e Denilson, para os lugares de Flávio, Rui Pires, Delgado e João Pedro.
Em organização ofensiva, a equipa pacense priorizou a saída de bola curta pelos centrais, com Eustáquio a chegar numa fase mais adiantada para pedir a bola. Os centrais deram solução mais por trás e os laterais bem abertos. Luiz Carlos foi variando entre juntar-se a Eustáquio atrás de Nuno Santos ou juntar-se a Nuno Santos à frente de Eustáquio.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
André Ferreira (6)
Baixinho (5)
Maracás (5)
Fernando (6)
Antunes (6)
Eustáquio (7)
Nuno Santos (5)
Luiz Carlos (6)
Lucas (5)
Hélder (6)
Denilson (7)
SUBS UTILIZADOS
Diaby (5)
Delgado (5)
João Pedro (4)
Zé Uilton (-)
Ibrahim (-)
ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC
Um onze inicial bastante modificado da parte do técnico português Pepa, face à expulsão de Mumin no último jogo, na visita ao Dragão. Borevkovik enfrenta a titularidade assim como André Amaro na defesa vitoriana, com João Ferreira e Rafa Soares nas alas. O 4-3-3 ainda com Tiago Silva a marcar presença no meio-campo, assim com os habituais André Almeida e Handel. Enquanto homens mais avançados, Estupinãn fica fora das opções (pelo menos no que diz respeito ao onze) e Bruno Duarte é o avançado escolhido, juntando Rochinha e Marcus Edwards na frente de ataque vimaranense. Bruno Varela garante, mais uma vez, a baliza frente às extraordinárias exibições dos últimos jogos.
Com as substituições ao intervalo e a entrada de Sacko e Estupinãn, a equipa visitante passa a adotar um 4-4-2.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Bruno Varela (6)
André Amaro (7)
Borevkovik (6)
João Ferreira (4)
Rafa Soares (8)
Handel (5)
Tiago Silva (5)
André Almeida (7)
Rochinha (6)
Marcus Edwards (9)
Bruno Duarte (9)
SUBS UTILIZADOS
Sacko (6)
Estupinãn (8)
Quaresma (5)
Janvier (5)
Alfa (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
FC Paços de Ferreira
BnR: É o sétimo jogo em que o Paços de Ferreira entra a ganhar e acaba por perder pontos, pergunto-lhe o que acha que tem faltado à equipa.
Jorge Simão: Uma boa questão. Como é obvio é algo que pensamos e analisamos, mas, à parte do mérito do adversário, há razões que são nossa responsabilidade. Cada jogo tem a sua história e é difícil fazer uma análise completa de todos os jogos. Não consigo dar uma resposta melhor do que essa.
Vitória SC
BnR: Ao intervalo, o Vitória mudou para 4-4-2, com a saída do Handel e a entrada do Oscar. Depois com a entrada do Quaresma e a mudança do Edwards para a esquerda, a equipa começou a ser mais perigosa e chegou aos dois golos pelo lado esquerdo, sendo que cada um dos pontas de lança marcou um. Pergunto-lhe se podemos dizer que a estratégia para a segunda parte resultou na perfeição?
Pepa: Os treinadores e o objetivo e a ideia é sempre a mesma: ajudar a equipa. O trabalho feito durante a semana é esse mesmo, ajudá-los e tranquilizar o máximo os jogadores. Às vezes queremos ajudar e não corre tão bem. Aqui a minha função é tranquilizá-los e ajudá-los. O que vimos aqui jogo deu-me gosto de ver sim, por exemplo o Alfa entrou pouco tempo, mas entrou com tudo.
Rescaldo da opinião de Ana Martins e Francisco Silva.
A CRÓNICA: “A GUERRA DOS TRONOS” E A BATALHA DA REALEZA
Todos desejam o trono, mas apenas um se pode sentar. Neste momento, é preciso ser digno. É preciso ser “real”. Depois da intensa batalha no País Basco, os merengues saem vencedores e permanecem donos do palácio da Liga Espanhola.
Porém (como sabemos) em todas as guerras, não há sucesso sem adversidade. E hoje manteve-se a regra. Péssimas notícias para os blancos: o matador Karim Benzema lesionou-se e abandonou o terreno, aos 17 minutos. Entretanto, o ritmo e a intensidade aumentavam, levantando-se a cortina para mais um belo espetáculo de futebol. Não era fácil retirar os olhos do ecrã.
Embora sem golos e poucos remates de perigo, imperou o ataque posicional e a transição ofensiva de ambas as formações. O jogo simplesmente não parava, era constantemente de uma ponta à outra. Guerreiros nos duelos, nadadores na quantidade de piscinas realizadas e mágicos em inúmeros momentos. Que primeira parte! Uma pena haver intervalo.
Em dois minutos de segunda parte, já havia golo blanco. Em grande forma, Vinícius Júnior entra no 1v1, corta para o interior e toca para Luka Jovic que, dentro de área, recebe de costas e devolve ao brasileiro (0-1). Nove minutos depois, era hora do sérvio (0-2). Nascido de um pontapé de canto, o segundo golo veio da cabeça de Jovic que, sem medo, salta de peixinho e fatura. O suficiente para o Real Madrid CF acalmar e controlar o resultado, de forma mais confortável.
No entanto, a equipa caseira não se dava por vencida e organizava a cavalaria contra a muralha merengue que, com as linhas mais baixas e menos bola, se preparava para defender a fortaleza a todo o custo. Nada entraria e o relógio chega ao fim. Numa batalha entre “reais”, o clube de Madrid regressa ao seu justo trono, depois de mostrar novamente que é a melhor equipa atual a jogar em Espanha.
Luka Jovic (Real Madrid CF) – Num momento de aperto (lesão de Benzema), entrou em campo e fez muito bem o que devia, sendo influente nos dois golos do Real Madrid CF. No primeiro, assistiu Vinícius Júnior numa bela combinação e, nove minutos, ativou o seu faro de golo e marcou de peixinho. Decisivo, como todos os avançados deveriam ser.
Adnan Januzaj (Real Sociedad de Fútbol) – Ao contrário de Jovic, faltou-lhe o critério de decisão e envolvimento ofensivo. Esteve apagado na maior parte do jogo e não tivemos direito à melhor versão de Januzaj que, num bom dia (ou noite) pode facilmente traduzir a sua criatividade e magia em muito perigo.
ANÁLISE TÁTICA – REAL SOCIEDAD DE FÚTBOL
Para o confronto com o líder da Liga Espanhola, o Real Sociedad de Fútbol entrou e jogou em 4-4-2. No processo defensivo, estiveram muito bem (na maior parte do jogo) ao juntar as duas linhas de quatro para fechar o jogo interior do Real Madrid CF. Entretanto, no jogo ofensivo, dispuseram de diversos ataques, porém não conseguiram rematar nenhuma vez ao alvo. Depois do segundo golo, ainda subiram as linhas, mas nunca foi o suficiente, muito devido ao sucesso defensivo merengue.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Álex Remiro (7)
Diego Rico (6)
Robin Le Normand (6)
Igor Zubeldia (6)
Andoni Gorosabel (5)
Mikel Oyarzabal (6)
Martín Zubimendi (6)
Ander Guevara (7)
Adnan Januzaj (5)
Alexander Isak (6)
Alexander Sorloth (6)
SUBS UTILIZADOS
Beñat Turrientes (6)
Ander Barrenetxea (6)
Portu (6)
Joseba Zaldúa (6)
Aihen Muñoz (-)
ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF
No confronto com a Real Sociedad de Fútbol, o Real Madrid CF voltou a usar a mesma cartada tática do costume: o seu típico 4-3-3, sem grandes alterações no onze inicial. Sem bola, verificou-se algumas vezes um 4-2-3-1 com uma grande rotatividade entre os elementos do meio campo. Destacou-se também a transição ofensiva e defensiva do Real Madrid CF que foram instrumentais para esta vitória, fora de portas.
Com a saída de Casemiro (para poupar e descansar), Toni Kroos passou a ser o elemento mais recuado, pelo menos até chegar Eduardo Camavinga, aos 65 minutos. Assim que marcaram o segundo golo, acalmaram, baixaram as linhas e permitiram a posse de bola do adversário que vinha a crescer, mas sem perigo dado o controlo e superioridade defensiva do Real Madrid CF.
A CRÓNICA: JOGO DE LOUCOS COM FALHAS DEFENSIVAS DETERMINANTES
Jogo grande em Dortmund a marcar a 14ª jornada do campeonato alemão. Der Klassiker com as equipas separadas apenas por um ponto, com o FC Bayern com essa vantagem mínima sobre os amarelos de Dortmund. Haaland estava de regresso à titularidade e, por isso, esperava-se uma grande partida das duas equipas que se apresentaram quase na máxima força.
E se era emoção que este encontro prometia ela chegou logo aos cinco minutos com Brandt a inaugurar o marcador depois de uma falha da defensiva do FC Bayern. Tirou o adversário da frente e colocou a bola no fundo das redes, oferecendo à sua equipa a vantagem no marcador.
Ainda assim a vantagem rapidamente se desvaneceu, sem que pouco ou nada tivesse acontecido para isso: Hummels falhou um passe que não podia falhar, Muller intersetou e Lewansowski fez o que melhor sabe, o golo. 1-1 aos nove minutos e um jogo muito entusiasmante.
Até quase ao fim da primeira parte o jogo foi estando várias vezes partido, mas foi quando o BVB Dortmund mais quis ter calma que o FC Bayern acabou por fazer o segundo golo. Depois de um ataque perdido, Raphael Guerreiro aliviou a bola contra o azarado Hummels que sem querer assistiu Coman para a reviravolta na partida. 1-2 na ida para os balneários.
Para a segunda parte só uma entrada muito forte permitiria ao Borussia Dortmund reentrar pela discussão do resultado e foi isso mesmo que aconteceu. Upamecano falhou, como vinha sendo hábito até então e Haaland a fazer também o que melhor sabe, um grande golo colocando a bola no poste mais afastado.
A partir daqui, a equipa do Bayern pareceu um pouco perdida no terreno mas nem por isso os da casa conseguiram aproveitar para fazer nova reviravolta. O resultado foi-se mantendo e viria mesmo a ser o FC Bayern a voltar a mexer no marcador. Mão de Hummels dentro da área, grande penalidade e o inevitável Lewandowski a bisar numa casa onde já foi muito feliz.
Até ao fim da partida, os amarelos ainda tentaram novo golo, mas a verdade é que o placard não viria a ser alterado e a turma do Bayern levou mesmo os três pontos na mala. Der Klassiker a ser ganho pelos do costume e, neste momento, são quatro os pontos que separam as duas equipas na tabela classificativa.
A FIGURA
Só para informar que estamos no início de dezembro e o Lewandowski tem 27 golos esta época. 🤷♂️ pic.twitter.com/MZU2e7X1Us
Robert Lewandowski – Mesmo não fazendo um grande jogo, o avançado polaco da equipa do FC Bayern acabou por ser decisivo assinalando dois golos que permitiram aos campeões nacionais sair do terreno rival com os três pontos. Finaliza como ninguém e quando assim é, precisa apenas de meia oportunidade para fazer um golo, como aconteceu aos nove minutos de jogo. Viu a Bola de Ouro fugir para Messi e começou desde cedo a provar que vai ser candidato a vencê-la no próximo ano.
Mats Hummels – O defesa central que também já esteve do outro lado da barricada acabou por não ser feliz na partida de hoje, tendo sido decisivo em dois dos três golos da equipa adversária. No primeiro permitiu uma interseção a Muller que acabou por dar a igualdade no marcador e aos 75 minutos fez uma grande penalidade depois de um corte feito com o braço num lance onde o perigo não era iminente. Acabou por ser diretamente responsável pela derrota e por isso foi o pior elemento em campo.
ANÁLISE TÁTICA – BVB DORTMUND
Marco Rose dispôs a equipa num 4-2-3-1 bem sólido no setor mais recuado para fazer face ao conhecido poderio ofensivo da equipa do FC Bayern. Na linha mais recuada jogou Meunier pela direita, Raphael Guerreiro pela esquerda e Hummels e Akanji no eixo. Logo à sua frente apareceu Emre Can e Dahoud, os dois médios mais defensivos enquanto que Reus pisou terrenos que tão bem conhece no apoio mais próximo ao avançado, que hoje foi Haaland. Nas linhas atuaram Brandt pela direita e Bellingham pela esquerda, com este segundo sempre mais capaz de aparecer em terrenos anteriores e servir os colegas, como de resto acabou por acontecer em ambos os golos da equipa.
A estratégia da equipa passou por ser muito competente e concentrada no momento defensivo para depois poder sair com muita qualidade para o ataque, contando com a velocidade e poderio físico de Haaland que foi uma grande dor de cabeça para a defesa de Munique.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Kobel (6)
Meunier (6)
Akanji (6)
Hummels (4)
Raphael Guerreiro (6)
Emre Can (6)
Dahoud (5)
Brandt (7)
Reus (6)
Bellingham (8)
Haaland (8)
SUBS UTILIZADOS
Malen (5)
Wolf (5)
Tigges (-)
Schulz (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN
Nagelsmann orientou a equipa do Bayern para um 4-2-3-1 muito ofensivo como tem sido sua imagem de marca. Na linha mais recuada atuaram Upamecano e Hernandéz como defesas centrais, com Pavard pela direita e Davies pela esquerda, sempre mais na função de laterais do que propriamente de defesas. Na linha mais recuada do meio campo apareceram Goretzka e Tolisso, enquanto que Muller atuou como número dez, como desde cedo na sua carreira nos habituou. Nas linhas jogaram Coman pela direita e Sané pela esquerda, enquanto que na frente apareceu o inevitável Lewandowski, grande goleador da equipa campeã nacional da Alemanha.
Sabemos que isto é apenas um desenho no papel, que os jogadores respeitam sempre com muita liberdade e capacidade de aparecer em zonas que não são as suas mas sem nunca desequilibrar a equipa ofensivamente. Na transição defensiva, obviamente que uma equipa como o Bayern, que mete oito homens na zona de ataque, acaba por passar por alguns calafrios e dificuldades no setor mais recuado, e isso veio a verificar-se hoje mais uma vez, essencialmente através de Haaland que, como se sabe, é muito forte no momento do contra-ataque.
Visam protagonistas de beleza e valentia irrefutáveis
Porque na paleta onde consta a tinta da realidade, o pincel ficção
Recusa-se a retocar os contornos dos menos notáveis
A discrição é um posto, uma escolha e uma arma
Quando com a mesma se fazem empenhar 33 anos
A pedido do meu irmão, Luís Neto integra a trama
Por não ter metido água e ter composto os canos
Na ondulação gélida do Norte, filho de peixe soube nadar
Até Alvalade, à altura jazigo movível de profissionais
E foi nas margens do Tejo que encontrou o equilíbrio
Sob o sistema tático suportado por três centrais
Reunidas as (achadas) pretensas qualidades
Rúben Amorim deu uma das primeiras aulas de Psicologia
Agarrando o poveiro pela barba densa e inflexível
E demonstrando a conceptualização da harmonia
Mas chega de perfurar a veia emocional do adepto Sporting
Abramos a porta ao universo da redondinha
Pois na passada-sexta feira houve recital na Luz
No qual Neto comandou a equipa que estava “doentinha”
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Da época transata até ao momento, a titularidade esvaiu-se
Gonçalo Inácio, fruto da sua jovialidade, “relegou-o” para o banco
Mas o ex-internacional português teimou em não desanimar, e a diligência
A força motriz da nau peluda, continua a provocar (muito) espanto
Em tempos de crise sanitária e de uma pandemia de preceitos
Deixemos, em paz, o homem que para a atividade é considerado ancião
A solidariedade emanada deixa os adeptos satisfeitos
E ministra na juventude leonina abnegação
Ao pai entre muitos filhos e a um dos mais experientes do plantel
Falta coroar as exibições repletas de sacrifício com o golo
Mas carrinho cá, carrinho lá, ao estilo de Lena D’Água
O contributo altera a forma e dissipa a possível mágoa
De “pauliteiro” a “caceteiro”, de “durinho” a “colérico”
Façam o favor de acrescentar, à lista, outra designação
Na maioria das vezes, o ponto de mira é o esférico
Nas que restam, a linha de fora jogo como principal preocupação
Espero, solenemente, que o barco não vá de saída
Escasseiam palavras capazes de condimentar tal passagem por Lisboa
Do Luís Neto arrepia a coragem, arrepia sim senhor
Todos sabemos que, no navio, é um dos que integra a proa
Sou suspeito e estou a par da dificuldade do transporte para o cenário que advém, mas pensem nestes versos simplórios como uma espécie de vídeo – com abrigo no Youtube – que combina não a queda de um anjo, mas o renascer das cinzas da temporada 2019/2020 e os momentos de glória vividos ao serviço do Sporting CP. Com o hashtag Onde Vai Um Vão Todos, se facilitar o processo.
O arranjo de um individuo com aptidões de edição, de corte e de montagem já foi realizado. Em jeito de “final feliz”, a inserção de uma gravação de uma parte diferenciada e enternecedora de FMI, da autoria de José Mário Branco, com a sonoridade idêntica:
Sou o Luís Carlos Novo Neto, 33 anos, da Póvoa de Varzim