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Levantar a cabeça e pensar no próximo jogo

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Há alturas na vida em que tudo nos parece indicar a mensagem de que já não somos o que uma vez fomos, que devemos aceitá-lo e desistir de forçar laços (porque o nosso “músculo social” não tem sido trabalhado e já não nos sentimos capazes), técnica (porque há, então, quem seja melhor que nós na nossa profissão) ou talento (que não sai, por mais que esfreguemos a lâmpada de um génio que julgamos morto).

As memórias dos tempos em que não precisávamos de esforço para ter reconhecimento social e/ou profissional e em que a confiança fazia fluir todo o talento presente em nós parecem, agora, imagens de um sonho frágil, facilmente derrubado pelo som do toque e da vibração do alarme do nosso telemóvel.

Todas as nossas interacções sociais correm mal, todo o trabalho é concebido de forma distinta da idealizada e as palavras de um texto, as notas da guitarra ou um drible fugaz fazem transparecer a nossa incapacidade, ilustram os cacos de uma auto-estima destruída.

O futebolista, naturalmente, é um homem que se expõe bastante a este estado depressivo.  Principalmente em países onde o futebol é levado muito a sério e quando o começo de carreira é particularmente feliz. O “empurrãozinho” de uma ou outra excelente exibição tem sempre repercurssões incríveis nos media (em Portugal, por exemplo, temos 3 jornais desportivos diários, por isso não é difícil) e, consequentemente, nos adeptos, que começam a ver neles as “estrelas” que os jornais e os analistas fizeram crer que ali exisitia. Nascem, com uma frequência incrível, em Portugal, vários sucessores de Vítor Baía, Rui Costa, Figo ou, melhor ainda, de Cristiano Ronaldo.

No grupo de amigos destes miúdos, não há quem não os elogie, as miúdas passam a achar-lhes mais piada, o dinheiro abunda, fotos e vídeos deles estão cravadas nos jornais, que só dizem maravilhas acerca deles. O mundo aos pés deles, como se fossem Jordan Belfort nos seus tempos áureos (o “Lobo de Wall Street”).

O problema vem depois. Quando não conseguem corresponder às enormes expectativas neles descarregadas. Quando erram dois, três, quatro passes, fazem remates disparatados ou falham um ou outro drible. Aí entra o duro golpe da realidade, desvirtuada pelas palavras elogiosas e que agoram se transformam em críticas indiferentes (tal como os elogios) ao arcaboiço emocional que esse miúdo possa ter para as suportar e ao impacto que isso possa ter nele.

Felizmente tem havido desenvolvimentos nessa àrea, e há, associado ao clube e aos próprios agentes, apoio psicológico para este tipo de situações. Mas a irresponsabilidade dos media na (des)mesuração dos elogios não lhes tem facilitado a tarefa.

Ukra terá agora maior capacidade para lidar com momentos menos bons. Exemplo evidente é esta foto e a sua constante boa disposição Fonte: Rio Ave
Ukra terá agora maior capacidade para lidar com momentos menos bons. Exemplo evidente é esta foto e a sua constante boa disposição
Fonte: Rio Ave FC

O caso mais relevante, esta temporada, em Portugal, é o de Gonçalo Guedes. Ainda a representar os júniores, foi “vítima” de elogios constantes – chegou a ser comparado a Cristiano Ronaldo! Tinha enormes expectativas nos ombros. Confirmou-as ao marcar em Madrid, contra o Atlético e ao agarrar a oportunidade da lesão de Salvio para segurar um lugar no onze da equipa principal do Benfica, mas entretanto começou a baixar de rendimento, foi relegado para o banco e ainda não conseguiu voltar a exibir as credenciais que os jornais lhe passaram. Baixou de forma, e agora vai perdendo espaço na equipa do Benfica. Que impacto terá isto na carreira, na vida de Guedes?

Felizmente, os 19 anos dão-lhe longa margem de manobra e, como foi referido acima, já existem ferramentas para lidar com isto… até porque o passado também serve de aprendizagem. Um dos melhores exemplos será o de Ukra, em quem se depositara enormes esperanças quando ainda estava na equipa júnior do FC Porto e, não se conseguindo afirmar no seu clube de formação, pareceu desanimar, e numa época e meia em Braga apenas disputou 19 jogos. Nunca foi o craque que se tem evidenciado em Vila do Conde… durante quatro temporadas seguidas.

Actualmente, Ukra atravessa um momento menos bom. Tem sido menos utilizado por Pedro Martins em virtude de exibições menos conseguidas (a última, em Coimbra, evidenciou isso mesmo) mas agora, ele sabe que isso é só passageiro. Agora ele tem o arcaboiço emocional para suportar as críticas, trabalhar mais forte e ter a noção de que o talento não lhe fugiu dos pés, porque pessoa que ele um dia foi, ainda lá está.

Foto de capa: SL Benfica

Vitória SC 0-0 Sporting CP: Nulo para apimentar o dérbi

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Vitória de Guimarães e Sporting CP empataram esta noite a zero, no Estádio D. Afonso Henriques. Num jogo com muita luta e muitas bolas divididas, os “leões” tiveram mais oportunidades de golo, mas Miguel Silva foi uma barreira insuperável na baliza vitoriana.

Jorge Jesus optou por fazer regressar o esquema defensivo com Schelotto, Coates, Ruben Semedo e Zeegelaar. Digo já que não concordo com a titularidade do lateral direito argentino, devido à subida de forma de João Pereira nos últimos meses e devido ao enorme fluxo de erros não forçados, adaptando a expressão do ténis, que cometeu em campo. João Mário jogou com William Carvalho no centro do terreno, fazendo a posição de Adrien Silva. Apesar de ter estado muito bem defensivamente, faltou ao 17 leonino mais alguma acutilância ofensiva, no apoio a Slimani a Bryan Ruiz.

O jogo começou com muita luta, num relvado que também não estava nas melhores condições. O Vitória apresentou-se bem fechado defensivamente, com Licá e Ricardo Valente muito ativos na ajuda aos laterais, complementando as funções que foram atribuídas a Bouba Saré e Cafú, os médios que alinharam à frente dos centrais Josué e Pedro Henrique. Durante a primeira parte, os “leões” tiveram algumas oportunidades, nomeadamente por Coates e Slimani, mas Miguel Silva esteve muito bem a encurtar os espaços e a evitar o golo. Também o Vitória teve ocasiões por Licá e Bouba Saré, mas Rui Patrício esteve seguro.

Na segunda metade, houve mais algum espaço para Bryan Ruiz, que esteve muito bem em quase todos os toques que deu na bola. O costarriquenho não sabe jogar mal e apenas “esteve mal” numa finalização de baliza aberta, em que cabeceou por cima da trave. E digo esteve mal entre aspas porque Ruiz não estava posicionado da melhor forma para rematar da forma mais conveniente. JJ tentou mexer com o jogo, mas mais uma vez a primeira opção foi Teo Gutiérrez. O colombiano continua a significar zero em termos daquilo que adiciona de bom ao jogo leonino, o que me faz sentir vontade de ir sequestrar Montero à China.

Depois, entrou Aquilani para o lugar de Bruno César, desviando João Mário para o flanco direito, e foi aí que o Sporting esteve melhor, principalmente depois da expulsão (justa) de Josué. Hernán Barcos entrou para o lugar de Slimani, que atuou com muito cuidado, tendo em conta uma possível interferência do Estado Lampiânico no encontro. Não nos podemos esquecer de que apenas um dos “grandes” ganhou em Guimarães, da forma suja como ganhou. O argelino não arriscou nada nos duelos aéreos, e por isso foi um Slimani a meio gás aquele que se viu no Minho.

Normalmente, no meio está a virtude. Esta é a exceção Fonte: Sporting CP
Normalmente, no meio está a virtude. Esta é a exceção
Fonte: Sporting CP

O “Pirata” argentino ainda teve um excelente trabalho na noite de hoje, mas Miguel Silva esteve mais uma vez atento ao remate do jogador “verde e branco”. Perto do fim, chegou a mais flagrante ocasião de golo do Sporting, mas William, solto na área dos “Conquistadores”, rematou ao lado, levando ao desespero os adeptos leoninos.

No próximo sábado, vem uma final frente ao Benfica, segundo classificado, que ficou a apenas um ponto de distância depois da vitória sobre o União da Madeira. Ruben Semedo vai ficar fora das escolhas por castigo, num encontro onde espero voltar a ver Paulo Oliveira, João Pereira e Adrien Silva de regresso ao onze. Também não me importaria de ver Teo Gutiérrez na bancada, sentado ao meu lado, para ver aquilo que um adepto sente quando vê um peso morto dentro do campo. O colombiano está a levar-me ao desespero, devido à leviandade com que joga. Espero que ambas as equipas joguem como habitualmente têm feito, porque assim acho que o Sporting vai ganhar.

A Figura:

Miguel Silva – O guardião vitoriano esteve intransponível, com quatro ou cinco “manchas” de altíssima bravura e qualidade. Espero que os responsáveis leoninos o mantenham debaixo de olho. Destaque também para a enorme exibição de William Carvalho, a fazer lembrar os melhores tempos de leão ao peito.

O Fora de Jogo:

Teo Gutiérrez – Acho que não é preciso dizer muito mais. É exasperante, causa raiva, angústia e é incrível ver a forma desinteressada como ele joga. Espero bem estar enganado, mas não me parece que acrescente alguma coisa caso entre no dérbi. Barcos parece-me melhor alternativa.

Foto de Capa: Sporting CP

SL Benfica 2-0 CF União: Jonas não perdoa!

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Mais de um dia depois do previsto, o Benfica podia finalmente mostrar que o empate na Madeira na primeira volta não passou de um acidente de percurso. Renato Sanches e André Almeida não alinharam de início, muito provavelmente para diminuir o risco de um cartão amarelo os poder afastar do derby com o Sporting. Talisca assumiu o lugar de Sanches e Nélson Semedo voltou aos jogos do campeonato a titular. No lado esquerdo, Rui Vitória também trocou Eliseu por Grimaldo, este em estreia absoluta na Liga.

O jogo começou praticamente com mais um golo de Jonas. Foi logo aos cinco minutos que o brasileiro aproveitou um mau alívio da defesa do União para, de primeira, abrir o marcador. Com um começo assim, muitos adeptos terão pensado que este jogo na ressaca do aniversário do clube daria para construir mais uma goleada na Luz. E se o Benfica não estava a vencer por muitos quando Cosme Machado apitou para o descanso só se deve queixar de si próprio. Na primeira parte, este União da Madeira foi uma das equipas mais frágeis, senão a mais frágil, que pisou a Luz este ano. Totalmente remetidos atrás, os jogadores comandados por Norton de Matos nunca conseguiram acertar nas marcações e, para além disso, nunca conseguiram formar um bloco compacto atrás, abrindo grandes espaços entre linhas que os jogadores do Benfica aproveitaram para ensaiar tabelas e triangulações perigosas.

Mesmo com todas estas facilidades concedidas por uma equipa que raramente arriscou sair para o ataque (não mostrou capacidade para construir jogo ofensivo), o Benfica ofereceu um festival de golos falhados na primeira metade do jogo e muitos momentos de desespero aos espetadores presentes na Luz – que registou uma excelente assistência numa segunda-feira, com todos os setores do estádio abertos, à falta de adeptos dos madeirenses em Lisboa. Primeiro foi Nélson Semedo a ameaçar o golo, depois Pizzi a rematar cruzado, rasteiro e a rasar o poste. Depois, veio um autêntico RaulGudiñoShow, com o guarda-redes do União a defender tudo o que havia para defender. Mitroglou tentou duas vezes quase consecutivas o 2-0 – numa surgiu isolado -mas nada feito. Depois, foi a vez de Pizzi tentar o golo mas o guarda-redes emprestado pelo Porto levou a melhor, novamente em dose dupla (25 e 26 minutos).

Jonas continua de pé quente Fonte: SL Benfica
Jonas continua de pé quente
Fonte: SL Benfica

Pouco depois da meia hora, vieram os lances mais perigos dos madeirenses na primeira parte: um passe em profundidade que colocaria isolado o avançado do União mas que Júlio César desfez qual líbero e um remate à entrada da área de Paulo Monteiro ao lado, na sequência de um canto. Mas mesmo sem forçar muito, bastava ao Benfica acelerar um pouco para os madeirenses se desmontarem. Até ao intervalo, Pizzi e Talisca ainda tentaram dilatar a vantagem mas a noite era de Guidiño.

As equipas mudaram de campo mas o ritmo do jogo manteve-se. A segunda parte começou mais morna, muito por culpa da melhor organização dos madeirenses na defesa. Gaitán teimava em não aparecer e desequilibrar como só ele sabe fazer, Talisca não conseguia fazer esquecer Sanches nem por 10 segundos (faltou sempre o transportador de jogo), Pizzi tinha deixado a eficácia no Seixal. E na Luz começava a surgir algum nervosismo porque 1-0 seria sempre curto e num lance de contra-ataque ou numa bola parada os madeirenses poderiam surpreender. Pouco depois da hora de jogo, Mitroglou passou outra vez ao lado do golo quando tinha tudo para marcar e, coincidência ou não (fica à consideração do leitor), o Benfica voltou a melhorar quando Rui Vitória decidiu trocar Talisca por Salvio. Foi precisamente o argentino a colocar de novo as mãos de Gudiño a arder e depois Mitroglou a perder novamente o duelo com o guardião da União. Os encarnados tanto tentaram que acabaram por fazer o 2-0. Canto na esquerda, remate do grego, desvio de Jonas e a bola no fundo das redes, a quinze minutos dos 90.

Num jogo sem grande história, destaque para a prestação positiva de Semedo e Grimaldo, apesar de o espanhol ainda cometer alguns erros e se balancear demasiado para o ataque – esta noite não teve problemas de maior mas contra um adversário de outro calibre a conversa seria outra. Houve ainda tempo o estádio cantar os parabéns ao Sport Lisboa e Benfica pelos seus 112 anos e  Raul Gudiño brilhar (se contei bem foram doze, como num jogo de futsal). O nulo do Sporting em Guimarães deixa a porta aberta ao primeiro lugar já no sábado. E é para entrar sem pedir licença.

A Figura:

Jonas – O speaker anunciou mas nem era preciso: Jonas fez os dois golos e foi sem dúvida o homem do jogo. Está na luta pela bota de ouro e pode mesmo ganhar.

O Fora-de-Jogo:

Luís Norton de Matos – O experiente treinador do União montou uma equipa muito defensiva e sem critério algum na transição ofensiva. Dois ingredientes para sair da Luz goleado. Se não aconteceu, bem pode agradecer ao seu guarda-redes.

Conferência de Imprensa:

Rui Vitória: falou de uma vitória “justíssima, uma exibição segura e de muitas oportunidades para fazer golo”. Sobre a aproximação ao Sporting, o treinador encarnado disse que o campeonato está ao rubro e que há três candidatos a lutar pelo título. Sobre a ausência de Renato Sanches : “Não queria ver o jogador condicionado por causa de um cartão. É um selvagem, tem um potencial enorme”. Questionado sobre o facto de Jonas ter passado para a liderança da bola de ouro depois do bis desta noite, Vitória elogiou a sua “veia goleadora imensa”.

Norton de Matos: surgiu na sala de imprensa totalmente conformado com o resultado. “O Benfica teve mais bola, mais ocasiões. É difícil anular o jogo interior do Benfica, eles jogam de olhos fechados”. O treinador do União disse que “em geral, a equipa dignificou o que tem feito” mas admitiu que o jogo “era de outro campeonato” e que foi um “bom teste” antes dos madeirenses visitarem Braga, o Dragão e Alvalade. Em relação ao adiamento do jogo, Norton de Matos não ter sido fácil ficar “sete horas à espera do avião” mas garantiu que esse contratempo não teve influência no resultado. Disse que faltou à sua equipa ter bola com maior qualidade e, já no final, deixou a pergunta: “ Como é que se anula a genialidade de Salvio, Gaitán, Jonas?”

CF “Os Belenenses” 1-2 FC Porto: Azul forte, azul pálido e tons de Rosa

fc porto cabeçalhoO FC Porto chegou ao Estádio do Restelo com a necessidade absoluta de somar os três pontos para não perder o contacto com os líderes da tabela classificativa, que por via do adiamento do SL Benfica – CF União da Madeira apenas jogam amanhã as suas partidas.

O onze de José Peseiro não fugiu ao previsto. Face às ausências forçadas de Martins Indi (lesionado) e Layún (suspenso), Chidozie e José Ángel voltaram a assumir a titularidade na defesa dos dragões; o meio-campo voltou a contar com as opções habituais (Danilo, Herrera e André André); e o ataque sofreu a revolução lógica face ao último compromisso europeu – Brahimi, Corona e Suk formaram o trio de ataque.

Do lado dos azuis do Restelo, as únicas mexidas em relação ao onze apresentado na jornada anterior foram na dupla de centrais, com a entrada de Tonel e Gonçalo Silva para os lugares de Rafael Amorim (suspenso) e Gonçalo Brandão (lesionado), e no ataque, com Juanto a actuar em vez de Miguel Rosa.

O FC Porto entrou na partida com o espírito certo – logo na jogada inicial, Danilo surgiu sobre a direita para servir Corona, que desperdiçou a primeira oportunidade do jogo. Com o capitão Herrera sempre muito próximo de Suk em todas as fases do jogo – tanto a defender como a atacar ­– o FC Porto exerceu sempre uma pressão forte sobre a primeira fase de construção da equipa da casa, o que lhe permitiu ganhar muitas bolas em terrenos adiantados e determinou o claro domínio azul e branco (hoje apenas branco) durante a primeira meia hora.

Não foram precisos mais de 8 minutos para os dragões alcançarem um feito raro na era de José Peseiro – começar um jogo a ganhar. À excepção da estreia do ribatejano no comando técnico do FC Porto, o 1-0 tangencial sobre o Marítimo no Dragão, e do triunfo por 0-3 em Barcelos para a Taça de Portugal, o FC Porto de Peseiro começou sempre em desvantagem (7 em 9 jogos até hoje). Numa jogada pelo corredor esquerdo, José Ángel cruzou rasteiro à procura de Suk e um ressalto na dividida com o defesa do Belém fez a bola sobrar para Brahimi, que apenas teve de encostar para o fundo das redes de Ventura.

Cerca de dez minutos volvidos, com FC Porto aumentou a contagem com um auto-golo de Tonel– numa jogada de envolvimento ofensivo pela direita, entre Suk, André André e Maxi, o lateral uruguaio cruzou para a área e o experiente central, apenas com Brahimi nas suas costas, introduziu involutária e inacreditavelmente a bola na baliza.

Até então, o Belenenses apenas tinha conseguido chegar à área do FC Porto numa ocasião, na sequência de um livre. Durante o primeiro tempo, o Belenenses só conseguiu mesmo importunar a defesa portista através de bolas paradas (tirando dois remates de Juanto ao cair do pano). A maior ocasião dos pupilos de Júlio Velázquez chegou os 27’, num livre directo surpreendente de Carlos Martins à entrada da área – o maestro do Belém atirou ao poste esquerdo da baliza Casillas, que nem esboçou uma reacção.

De resto, Carlos Martins foi claramente o jogador em destaque do lado do Belenenses – começou o jogo quase lado a lado com Juanto, mas rapidamente se percebeu que teria de ser ele a orquestrar os ataques da sua equipa. Sem ele, o Belenenses não conseguia construir quando pressionado – não conseguiu sair uma única vez a jogar sem que a bola passasse pelos seus pés. Literalmente.

Brahimi foi dos melhores em campo do lado dos dragões  Fonte: FC Porto
Brahimi foi dos melhores em campo do lado dos dragões
Fonte: FC Porto

A partir da meia hora de jogo, o FC Porto baixou ligeiramente o ritmo, confortável com a vantagem  por 2-0, mas nem por isso deixou de dominar. Herrera continuou a pressionar muito alto e a buscar movimentos em profundidade, Danilo e André André continuaram a controlar as operações no meio-campo, Maxi e Ángel continuaram a subir à vez para causar desequilíbrios e Corona continuou sem acertar uma – nem um passe, nem uma recepção, nada. Um zero absoluto.

A segunda parte revelou-se absolutamente diferente. Júlio Velázquez lançou Miguel Rosa no jogo, tirando Tonel e baixando Rúben Pinto para o eixo da defesa, e o Belenenses subiu consideravelmente de rendimento. A defender mais à frente e com mais jogadores, condicionou o jogo do FC Porto e alcançou um quase absoluto domínio territorial durante os primeiros dez minutos. Esse domínio só foi refreado quando, aos 56’, Herrera cruzou para o Suk e o sul-coreano cabeceou para uma defesa atabalhoada de Ventura que culminou com a ida da bola à barra. O lance, contudo, foi invalidado por posição irregular do ponta-de-lança.

Três minutos depois, chegou a resposta do Belenenses sob a forma de golo – André Geraldes cruzou rasteiro sobre o lado direito e Juanto, bem posicionado no centro da área, desviou a contar.

A partir daí, o jogo tornou-se mais dividido, mais aberto e mais disputado. Os níveis de agressividade e confiança subiam na equipa da casa, os níveis de ansiedade aumentavam entre o conjunto visitante.

José Peseiro fez sair um desastrado Corona para fazer entrar um não menos desastrado mas mais combativo Marega. Pouco depois, Evandro entrou para o lugar de André André. O brasileiro assumiu as funções de Herrera, um dos mais esclarecidos do conjunto nortenho, que baixou para junto de Danilo. Notou-se que André André não está nas melhores condições físicas – não foi tão intenso como é habitual e cometeu várias faltas por isso. Herrera deu mais frescura e mais garantias nas divididas; Evandro ofereceu outro critério com a bola no pé numa fase mais adiantada do terreno.

Ainda assim, o FC Porto não se livrou de alguns sustos – aos 65’ e 66’, em lances consecutivos, o Belenenses, pôs à prova Casillas e obrigou o guardião espanhol a duas boas intervenções – primeiro num remate de Miguel Rosa (entrou muito bem e foi o principal agitador da equipa) e depois num tiro de Sturgeon. O Belenenses nunca desistiu, foi-se acercando da baliza do adversário e tentou desesperadamente chegar ao empate – num ultimo fôlego, o treinador espanhol tirou o central improvisado Ruben Pinto, fazendo entrar mais uma unidade para o ataque, Tiago Caeiro. Aguilar e Bakic passaram a fechar o meio e a iniciar a construção de jogo do Belenenses, ficando Gonçalo Silva como um autêntico líbero.

O FC Porto teve de suar, e muito, para levar de vencida o Belenenses. Pela incapacidade de manter a posse de bola na segunda parte e pela dificuldade em “matar” o jogo, circunstâncias reconhecidas por José Peseiro na conferência de imprensa. Esse sofrimento na hora dos triunfos tem sido, aliás, regra geral nos últimos meses. Apesar de tudo, no fim de contas, o objectivo foi cumprido e os dragões estão agora provisoriamente em 2.º lugar.

A Figura:

Miguel Rosa – A sua entrada revolucionou o jogo do Belenenses – não só porque empurrou Bakic para a zona central, o que deu mais critério à equipa na saída de bola, mas porque ele próprio foi capaz de galgar metros, desafiar os defesas no um para um, rematar e assistir. A par de Carlos Martins, foi o melhor da formação do Restelo. No FC Porto, Herrera merece destaque pela abnegação que revelou e por ter sido crucial a defender (muito forte na pressão e nos duelos) e a atacar (procurando sempre a profundidade).

O Fora de Jogo:

Jesus Corona – Uma exibição desastrosa. Embora José Peseiro tenha procurado defender o jogador na conferência de imprensa, não há como maquilhar esta realidade – o mexicano falhou passe atrás de passe, fraquejou em várias recepções de bola, tomou várias decisões incorrectas e revelou-se completamente incapaz de desequilibrar. Saiu “na sua melhor fase”, disse José Peseiro, e foi substituído por um desinspirado Marega.

 

Francisco Manuel Reis

Vítor Miguel Gonçalves

As várias batalhas do Sporting

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O Sporting vai jogar esta segunda-feira em Guimarães uma das cartadas mais importantes da época, num dos jogos mais difíceis que terá na mesma. O duelo perante os Conquistadores avizinha-se bastante intenso, com muitos nervos à mistura, e onde, à partida, os “leões” terão uma grande baixa: Adrien Silva.

Digo “à partida” porque tenho uma secreta esperança de que Jorge Jesus esteja a fazer bluff quanto à impossibilidade de utilizar o capitão de equipa nesta partida. A intensidade, a agressividade e a clarividência que tem são fundamentais na máquina leonina e a sua ausência é uma valente quantidade de areia que é colocada na engrenagem. Contudo, existem duas soluções para colmatar esta lacuna: ou a entrada direta de Aquilani para o onze inicial, ou a mudança de João Mário para a posição de Adrien, com a entrada no onze de um extremo como Gelson Martins, que faça a posição de João Mário. Eu preferia ver o internacional italiano a atuar de início, num dos jogos onde terá de se esforçar mais na sua carreira. Durante o jogo, caso o resultado não esteja favorável, aí acho que se devia apostar em J. Mário no meio e num extremo rápido na ala direita.

Depois deste rápido olhar sobre a batalha de Guimarães, vou falar de outro combate que o Sporting tem tido nesta temporada: os jogos contra equipas pequenas em casa. Depois de alguns resultados negativos, os “leões” voltaram a vencer um jogo deste tipo, na passada semana, frente ao Boavista. Ainda que tenhamos de contar com a extrema agressividade e a enorme quantidade de faltas cometidas pelos elementos do Boavista (com a permissão do árbitro Rui Costa, que conseguiu o feito de não assinalar a maior parte dessas faltas), os “verde e brancos” voltaram a fazer uma exibição que, em termos ofensivos, ficou aquém daquele que tem sido o padrão normal da equipa. É preciso ser muito mais intenso e agressivo nos primeiros minutos dos encontros, para não permitir que o “inimigo” ganhe mais confiança e argumentos com o desenrolar dos minutos.

Além disto, queria deixar um reparo ao treinador: que eu saiba, não são proibidas substituições na primeira parte por falta de esforço dos jogadores que estão em campo. Assim sendo, não percebi o porquê de Teo Gutiérrez ter jogado tanto tempo frente aos “axadrezados”. Quando vi, esta semana, as declarações (claramente exageradas, tendo em conta o alvo das mesmas) de Aurelio De Laurentiis, presidente do Nápoles, em que este disse que Higuaín parece ter um tijolo nos bolsos quando está a correr, lembrei-me logo de Teo. O colombiano, esse sim, parece que tem de pedir autorização a uma perna para poder mexer a outra; faz-me bastante impressão: como é que tem tanto tempo de jogo apresentando este nível exibicional tão pobre?

Aquilani parece estar a tocar violino. Sem Adrien terá de ser carregador de pianos… Fonte: Sporting CP
Aquilani parece estar a tocar violino. Sem Adrien terá de ser carregador de pianos…
Fonte: Sporting CP

Outra batalha é perante a arbitragem suja e corrupta, para não dizer outra coisa, que continua em força no futebol. Esta semana, recebemos duas notícias positivas nessa guerra: a eleição de Gianni Infantino como novo presidente da FIFA e o anúncio de que Vítor Pereira não se vai recandidatar à presidência do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. Esta segunda boa nova deve ter deixado muitos adeptos de futebol contentes e um restaurante da capital mais aflito, dado que poderá perder clientes na próxima época.

Ainda assim, V.Pereira não deixou de conceber mais um fim de semana habilidoso a nível de nomeações, com Cosme Machado a apitar na Luz, João Capela no Belenenses-FC Porto e Tiago Martins em Guimarães. Penso que toda a gente perceberá a ligação óbvia entre João Capela, Cosme Machado e “incompetência” (sim, as aspas foram colocadas de propósito). Já para quem não conhece Tiago Martins, recomendo dois jogos importantes que teve este ano: Benfica-Estoril e Nacional-Benfica.

Por fim, mais uma batalha na qual Bruno de Carvalho terá um papel absolutamente decisivo. Existe muita podridão a tentar ser conhecida às custas do Sporting Clube de Portugal. Alguns deles até se assumem como possíveis candidatos à presidência do clube.  Não é por acaso que, nesta semana que encerra, aconteceu um almoço num conhecido centro comercial lisboeta com Luís Filipe Vieira, Dias da Cunha, Bagão Félix, Menezes Rodrigues, entre outros. Estes foram os que apareceram numa fotografia tirada ao repasto. Contudo, houve duas caras que eu próprio vi no mesmo restaurante, a essa mesma hora: João “Mr. Burns” Gabriel e… Rui Barreiro. Sim, um dos homens que se afirmam sportinguistas, opositor de Bruno de Carvalho, almoçou com o atual presidente do Benfica e com o seu porta-voz. Penso que isto é suficiente para aquilatar as intenções deste indivíduo ao “colar-se” ao Sporting. Espero que os sócios nunca lhe dêem a mínima hipótese de ser presidente do clube. Porque, para energúmenos deste calibre, já nos bastou Godinho Lopes. Bruno de Carvalho, é preciso cuidado redobrado com este tipo de gente!

Uma última dica para os adeptos que se têm mostrado muito indignados com a atitude “verde e branca” perante as competições europeias. Mais importante que passar umas eliminatórias da Liga Europa é participar e tentar ganhar dinheiro e prestígio numa Liga dos Campeões. Ora, se o Sporting for campeão, garante também a entrada direta na “Champions” da próxima época, onde poderemos ganhar mais só por participar na fase de grupos do que se ganhássemos a Liga Europa. Ficam satisfeitos assim?

Foto de capa: Sporting CP

Carta Aberta ao: Sport Lisboa e Benfica

cartaaberta

Gaeiras, 27 de Fevereiro de 2016

Para o excelentíssimo Sport Lisboa e Benfica 

PARABÉNS, amor da minha vida! PARABÉNS, maior clube português! PARABÉNS, Sport Lisboa e Benfica!

Completas, este domingo, 112 anos de uma vida simplesmente admirável, apaixonante. Que me perdoem os meus pais pelas cartas que nunca lhes escrevi. Que me perdoem as minhas ex-namoradas pelas cartas sentimentais como esta que nunca lhes escrevi, perdoem-me grandes amigos/as pelas cartas que nunca lhes escrevi. Mas é que esta carta é especial, é um desabafo, é um deter de final de tarde perante tamanha grandeza clubística. Mal comecei a ver futebol enfeiticei-me por ti, Benfica. E não, não foi pelo maravilhoso futebol que a equipa produzia nos idos anos de 1994, 1995. Bem pelo contrário! Não jogávamos nadinha, éramos motivo de chacota, algo que se intensificou pelos anos seguintes. Porém, logo na altura, mesmo sendo um puto desinteressante, eu vi, eu percebi, eu tive a certeza de que estava na presença de uma instituição inigualável, de uma entidade com a qual me vincularia para sempre.

Era a mística, a tão soberba mística, que existe mesmo! Os tempos eram conturbados, mas o Benfica nunca deixou de ser notícia. Recorria a todos os arquivos possíveis para tentar perceber como seria viver um título futebolístico pelo clube, deliciava-me enquanto ouvia os variados testemunhos nas tertúlias benfiquistas; já era algo que me preenchia.

Foi amor à primeira vista. Aquelas camisolas encarnadas prenderam-me de imediato. Contudo, desenganem-se se pensam que falo apenas de futebol! Bastava um Benfica vs Ginásio do Sul televisionado, em andebol, para que a minha tarde de domingo já fosse positiva. E quem fala no andebol também fala no hóquei em patins, no basquetebol, no voleibol, no futsal, no atletismo, no rugby, no ciclismo, que está quase aí de regresso; em tudo.

Capaz de iluminar a noite mais cerrada, eis o clube aniversariante
Capaz de iluminar a noite mais cerrada, eis o clube aniversariante

Ser do Benfica é isto mesmo. É gritar pelo clube numa rua de Camberra e ouvir reacções; é aziar depois de um desaire inesperado em Paço D’Arcos num desafio de hóquei em patins; é passar horas e horas a rever jogadas do Eusébio, do Chalana, do João Pinto, do Carlos Lisboa, do Panchito, do Aimar; é ver os saltos do Nélson Évora, é recordar as corridas da Vanessa Fernandes; é admirar o antigo Estádio da Luz, é contemplar a nossa nova catedral; é praguejar no quarto de uma forma indecente quando o maior de Portugal não vai bem, é analisar ao pormenor todo o calendário e as partidas mais complicadas; é vasculhar toda esta sublime história, não esquecendo os momentos mais aflitivos; é pensarmos no clube todas as noites antes de adormecermos; é colocar a instituição no topo das prioridades; é faltar a eventos porventura aliciantes por força de uma final importante da Taça de Portugal de voleibol.

Ser do Benfica é único! Dir-me-ão os adeptos rivais que esta conversa cheira a mofo, que não passa de um discurso bacoco e sem sentido, mas não é assim! É a sofreguidão do comum adepto benfiquista, que festeja um 5-0 com uma intensidade ímpar, que salta 22 gradeamentos para estar o mais perto possível dos jogadores, que reza interiormente para que alguém tome a iniciativa de cantar o nosso lindo Hino num qualquer transporte público, para depois ir na onda.

Vale e Azevedo não acabou connosco, logo nunca fecharemos portas! Mesmo sendo pequeno, foi a única altura em que temi pelo futuro do Benfica. Não era para menos, tudo era sombrio, mas nunca vi a nação benfiquista a esconder-se. Aliás, só algo de monstruoso como o Benfica conseguiria reerguer-se daquela forma.

As recentes festas do título, o sucesso nas modalidades, as nossas infraestruturas, as constantes grandes assistências no templo da Luz. Aquela união impressionante depois das mortes de Fehér e Eusébio, as recepções à equipa de futebol após gloriosas noites europeias, os craques que por cá têm passado. Este é o Benfica de quem eu ouvia falar no período de infância, que me fez ocupar todas as estantes com enciclopédias sobre o clube.

Creio que o futuro será risonho, tenho quase a certeza disso. Ninguém me pressionou para ser benfiquista, foi uma escolha natural. Seria sempre do Benfica, qualquer coisa de fatal como o destino. Mas também não pressionarei ninguém a tornar-se benfiquista daqui para a frente, porque não será preciso. É impossível agradar a todos, mas a maioria dos portugueses há-de sempre preferir o nosso Glorioso, porque falamos da instituição desportiva na qual mais pessoas se revêem. Porque o Benfica é assim! É um galã nato que sem forçar conquista, arrebata, vicia, enlouquece, enfurece. É um galã nato que provoca tudo, que passar a fazer parte do centro das nossas preocupações.

112 anos, Sport Lisboa e Benfica. E vários milhões de pessoas cada vez mais apaixonadas por ti. Não sinto ciúmes, mas antes admiração por tudo isso.

Passa um magnífico dia de aniversário. A tua felicidade será a minha.

Sem mais assunto,

João Miguel Henriques Rodrigues

Jornada muito importante!

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Caminhamos a passos largos para o mês de Março, e, com esta caminhada, também se aproxima a fase mais importante do nosso campeonato, a fase onde cada escorregadela pode ser mais cara do que nunca.

Este fim-de-semana joga-se a 24.ª jornada do campeonato português, onde o Benfica terá como adversário o União da Madeira, equipa que conseguiu “roubar” dois pontos à turma encarnada na primeira volta.

Depois do desaire com o Porto, o emblema encarnado voltou a entrar no caminho das vitórias ao derrotar o Zenit para a liga dos campeões e o Paços de Ferreira para o campeonato.

Com a confiança em altas, a equipa orientada por Rui Vitória irá defrontar no Estádio da Luz um União da Madeira que prima pelo seu bloco muito recuado. Sem grandes “armas”, a equipa orientada por Norton de Matos não tem outra solução senão “estacionar o autocarro” em frente à sua baliza, esperando o erro da equipa adversária para sair rápido para o contra ataque, apanhando assim o seu opositor descompensado.

Com este estilo de jogo, o Benfica terá de ser um conjunto com paciência. Apesar de o Benfica ser a equipa que naturalmente assumirá as despesas do encontro, a turma encarnada tem de “desmontar” a equipa madeirense com trocas de bola rápidas e com jogadas pouco denunciadas.

Pizzi terá muito trabalho neste jogo Fonte: SL Benfica
Pizzi terá muito trabalho neste jogo
Fonte: SL Benfica

Para quem tem boa memória, basta recordar a forma como esta equipa jogou perante o Benfica e o Sporting na primeira volta. Para que tais erros não se voltem a cometer, é preciso, acima de tudo, que haja calma e discernimento na cabeça dos jogadores encarnados; é preciso atenção e, acima de tudo, é imperioso que haja requinte no último passe.

Outro factor muito importante para desequilibrar a equipa insular serão as alas. Num jogo onde o espaço vai ser reduzido, é importante que exista um bom trabalho nas laterais, o que fará com que haja mais espaço no corredor central para que os jogadores encarnados consigam chegar à baliza adversária com mais facilidade.

Relembro que este teste é bastante importante, porque na próxima semana defrontamos o nosso arquirrival, o Sporting. Para mantermos as aspirações de rumarmos a “Tri” intactas, temos de vencer no domingo.

Outro dado importante desta jornada é a deslocação do Sporting à cidade berço. Com um jogo bastante complicado, e ao que tudo indica sem contar com o seu capitão, que é um dos seus jogadores mais influentes, não se afigura vida fácil para a turma de Alvalade.

Resta-nos assim esperar que o nosso Benfica vença para que possamos ver o nosso rival confortavelmente sentados no sofá.

Foto de Capa: SL Benfica

Olheiro BnR – Charly Musonda

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A temporada de 2015/2016 do campeonato espanhol tinha, à partida, muitos jovens com potencial para acompanhar, mesmo nas equipas com menos ambições. Nos clubes que subiram, por exemplo, estão nomes como Dani Ceballos (Betis) ou Alen Halilovic (Sporting Gijón), cujo talento não passa despercebido, e convém não esquecer revelações como Adalberto Peñaranda (Granada) ou Mikel Oyarzabal, que tem sentado Bruma na Real Sociedad. A meio da época, chegou mais um jogador com margem de progressão suficiente para se tornar num craque de nível mundial. Charly Musonda, extremo belga que fez parte da super equipa do Chelsea que venceu a UEFA Youth League, está no Betis por empréstimo dos londrinos e promete ser uma das figuras da segunda volta.

A qualidade de Musonda valeu-lhe desde logo a titularidade na equipa sevilhana, que durante a primeira metade da temporada sentiu a falta de um jogador com a capacidade de desequilíbrio que o belga pode oferecer. Nos primeiros encontros que efectuou com a camisola verdiblanca, o jovem de 19 anos foi sempre um dos melhores em campo e está a ter um impacto imediato no conjunto orientado por Juan Merino. O belga foi uma das apostas para tentar escapar à despromoção, bem como Leandro Damião, e para já vai correspondendo às expectativas.

Charly Musonda já treina pelo Bétis Fonte: Real Bétis
Charly Musonda já treina pelo Bétis
Fonte: Real Bétis

A actuar sobre o lado direito, embora possa ocupar qualquer posição no apoio ao ponta-de-lança, Musonda acrescenta muita velocidade e imprevisibilidade ao futebol ofensivo do Betis, que tem estado dependente de Rúben Castro. O habilidoso belga tem uma capacidade de desequilíbrio impressionante e é fortíssimo em acções de condução no último terço. Ágil e muito dotado tecnicamente, consegue evitar o choque (algo que procura invariavelmente, tendo em conta a sua fragilidade física), serpenteando entre adversários, e define com qualidade. Apesar de ser um jogador com um estilo de jogo irreverente, o que o faz correr riscos no 1×1, demonstra uma maturidade assinalável no capítulo da decisão, sendo de destacar a inteligência na procura do espaço central sempre que possível. Se evoluir de forma natural – e a passagem para o futebol sénior oferece-lhe novos desafios -, podemos estar perante uma das referências do futebol mundial nos próximos anos.

Nos últimos anos, o Chelsea investiu muito no recrutamento de jogadores para as camadas jovens, colocando-se como um dos clubes mais fortes ao nível da formação. Charly Musonda, de origens zambianas mas internacional sub-21 pela Bélgica, foi contratado ao Anderlecht em 2012, juntamente com os irmãos Tika e Lamisha, tendo rapidamente justificado a aposta dos londrinos. O protagonismo que ganhou fez crescer as esperanças dos blues, mas ainda não teve oportunidades na equipa principal e este empréstimo será decisivo para as conseguir na próxima temporada. No entanto, se olharmos ao passado recente, percebemos que não têm sido muitos os jovens da formação que ganham o seu espaço – Kenedy e Loftus-Cheek são dos poucos que vão contrariando essa tendência. As probabilidades de Musonda regressar a Stamford Bridge não são assim tão elevadas, analisando realisticamente. Cabe ao próximo treinador do Chelsea não desperdiçar o diamante que terá em mãos.

Foto de capa: Real Bétis

Somos um país de Medrosos

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Somos um país de medrosos; este era o título da entrevista de António Coimbra de Matos ao jornal Público lançada no passado domingo. Confesso que ao ler pela primeira vez troquei a ordem de duas consoantes da palavra “medrosos”, mas de ambas as formas a afirmação do mais prestigiado psicanalista português se encontra correcta.

Somos um país de medrosos onde quem tem coragem para se insurgir é escorraçado e visto de forma inferior, mas somos um país de consoantes trocadas porque permitimos desde sempre a implementação de poderes paralelos e de esquemas que acabam por favorecer sempre os mesmos. Basicamente, somos um país onde os Ótavios – hoje deu-me para trocar consoantes – acabam sempre por morrer na praia.

Esta estranha forma de vida aplica-se a tudo na vida de um português comum; desde negócios à política, passando pela justiça e terminando no desporto, tudo é experienciado com a sensação de que, no final, acabam sempre por ganhar os mesmos. Pior é que estes quatro temas se misturam constantemente, como pode ser visto nos casos Apito Dourado, Freeport, Vistos Gold ou LFV e BES. Não menciono aqui o caso de Paulo Pereira Cristóvão, uma vez que esse senhor se encontra em prisão preventiva; e, a ser provado o que fez, espero que seja punido de forma exemplar, porque o nome do Sporting Clube de Portugal nunca deve estar associado a corrupção.

Desde o erro no nome do árbitro até à imagem de BdC numa notícia sobre os Super Dragões, tudo vale em Portugal Fonte: Artista do Dia
Desde o erro no nome do árbitro até à imagem de BdC numa notícia sobre os Super Dragões, tudo vale em Portugal
Fonte: Artista do Dia

Vivemos num país de medrosos quando um treinador muda a sua postura consoante o clube adversário, vivemos num país de medrosos quando não se diz o que se sabe com medo de represálias; mais importante do que um jogador, presidente ou até clube está a integridade do desporto que todos nós amamos.

Vivemos num país de consoantes trocadas quando confundimos verdade desportiva e competição com vencer a todo o custo, vivemos na porcaria de um país de consoantes trocadas quando todas as pequenas provas das jogadas de bastidores são reveladas e ainda assim abafadas e ridicularizadas por uma orquestra bem montada e oleada em jantares em Campo de Ourique e almoços em Setúbal ou nos Amoreiras.

Vivemos num país de Ótavios quando a maioria das pessoas que se queixam das atitudes de Bruno de Carvalho parece esquecer-se de que antes de Bruno de Carvalho já existia um João Gabriel que criticava incessantemente a arbitragem. Antes de haver um Bruno de Carvalho já havia um Rui Gomes da Silva a dizer que só havia dois clubes em Portugal: O SL Benfica e o “Anti-SL Benfica”; antes de haver um Bruno de Carvalho já havia um Sílvio Cervan. Três pessoas que têm ou tiveram cargos no clube da Luz e que sempre tiveram atitudes reprováveis ao serviço do mesmo.

Vivemos num país de Otávios quando se vandalizam talhos, quando se ameaçam familiares ou se partem dentes a árbitros em plenos Centros Comerciais.

Vivemos num país de medrosos quando se invadem campos para agredir fiscais de linha e tudo passa com uma leveza impressionante

Vivemos num país de medrosos quando muita gente sabe o que se passa e não fala, vivemos num país de consoantes trocadas quando se prefere ser rico a manter um clube na primeira divisão.

Vivemos num país de Otávios quando se simulam very-lights para relembrar a morte de adeptos de futebol assim como vivemos num país de Otávios quando se incendeiam estádios de futebol.

As atitudes de João Gabriel e o apoio dos suspeitos do costume Fonte: Artista do dia.
As atitudes de João Gabriel e o apoio dos suspeitos do costume
Fonte: Artista do Dia

Vivemos num país de consoantes trocadas quando a arbitragem é posta em causa diariamente; onde erros, nomeações, intrigas e observadores são uma constante; onde o árbitro nomeado para a Final da Taça de Portugal – jogo a eliminar mais importante do Futebol Português – é despromovido poucas semanas depois.

Vivemos num país de consoantes trocadas quando um clube grande proíbe a entrada dos adeptos do clube rival num jogo de hóquei em patins, “gracinha” retribuída pelo Sporting na recepção ao Benfica.

Vivemos num país em que clubes históricos perdem – com médios ofensivos a central – para terem alguma espécie de retorno, tornando assim os seus adeptos e quem sofre com o clube em Otávios.

Vivemos num país em que o Assessor de Imprensa não quer mais perguntas sobre arbitragem mas tanto estações televisivas como alguém que apela à verdade desportiva afirmam que sim, informando e moldando opiniões a bel-prazer, fazendo passar o público por Otávios.

Vivemos num país de consoantes trocadas quando um treinador é escorraçado de um clube, toda a gente percebe o que realmente se passou e ainda assim esse clube faz do treinador um criminoso quando se apercebe de que esse mesmo treinador vai para o rival.

Vivemos num país de Otávios quando milhares de pessoas acreditam em alguém que utiliza o nome de um clube para ganhar dinheiro, recorrendo a mentiras, difamações, na tentativa de relativizar o que realmente se passa nos podres do futebol.

Volto a dizer o que disse em textos passados: Bruno de Carvalho não é exemplar, tem até tido uma postura demasiado agressiva e repetitiva. Cada vez mais se distancia do presidente que elegi em Março de 2013 e se torna em alguém demasiado fustigado e cansado com tudo o que se passa no futebol português. Ainda assim é de louvar que seja alguém que lute a bem do futebol, que lute pela verdade no desporto e que tente introduzir formas de tornar o futebol mais justo, como é por exemplo o caso da vídeo-arbitragem.

A todos aqueles que rejubilam com o facto de não serem Inácios, cuidado, porque podem muito bem ser Otávios.

O SC Braga de Paulo Fonseca

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Nos últimos 10 anos, o Sporting de Braga de António Salvador tem sido um dos clubes com maior evolução e, época após época, consolida o seu estatuto de quarto grande do futebol português com presenças constantes nas competições europeias, nomeadamente com participações nas fases finais da Liga Europa.

Ao analisarmos os treinadores que passaram por Braga nos últimos tempos, não podemos deixar de reparar que o clube minhoto serviu de rampa de lançamento para os três grandes, face à forte estrutura implementada aliada a um crescimento e solidificação da massa associativa e das fortes relações com aquele que é atualmente o melhor agente do mundo do Futebol, Jorge Mendes.

Com isto, nos últimos seis anos, o Sporting de Braga conta com um segundo e um terceiro lugar no campeonato português, uma final europeia, uma conquista da Taça da Liga e também com uma final da Taça de Portugal, reforçando assim a sua influência no panorama nacional e, cada vez mais, internacional.

Após uma passagem menos boa pelo Futebol Clube do Porto, culpa também de uma “falta” de apoio da SAD e da falta de paciência da massa associativa para com um treinador jovem e inexperiente, o Braga voltou a erguer Paulo Fonseca, onde, mais uma vez, foi protagonista de uma ótima época pelos castores, Paços de Ferreira.

Um dos maiores entendidos do futebol português em atividade no território nacional e fã confesso de Jorge Jesus, Paulo Fonseca demonstrou sempre perceber a realidade da cultura portuguesa do desporto rei e a sua organização defensiva, com bloco médio baixo e com saídas recorrendo a dois e três médios, a fim de lançar rápidos contra-ataques, nunca passou despercebida, de tal forma que foi sempre tarefa difícil para todos os treinadores que enfrentou.

Este ano, com uma maturidade bem maior e diferente daquela que apresentava no FC Porto, tem surpreendido todos os que não reconheciam a sua cultura e organização tática e tem reforçado as qualidades que muitos já lhe atribuíam. Mas como? Colocando a jogar o Braga como um grande. Mas quem disse que só os três grandes podem jogar com dois avançados? Paulo Fonseca discorda e, numa das edições mais competitivas dos últimos tempos, o Braga ocupa a quarta posição, acaba de seguir em frente na Liga Europa e apresenta um futebol vistoso com um bloco médio alto, de posse e com identidade própria, percebendo o plantel que tem ao seu dispor e conhecendo os pontos fortes e fracos das equipas que enfrenta.

Paulo Fonseca está diferente, completamente diferente. Com defesa alta e com um número de oportunidades de golo bastante grande por jogo, parece um assíduo adepto da escola “marcar mais golos que o adversário” e, apesar de registar nos últimos jogos bem mais golos sofridos do que aquilo a que nos habituou, o futebol que apresenta é bastante mais vistoso e diferente de todo aquele futebol físico e direto que estamos habituados a observar na Liga Portuguesa.

A nova vida de Paulo Fonseca Fonte: SC Braga
A nova vida de Paulo Fonseca
Fonte: SC Braga

O plantel minhoto esta época é jovem e imponente fisicamente, como de costume; contudo, apresenta uma maturidade enorme com jogadores que já se conhecem e que possuem entre si um entrosamento defensivo e ofensivo bastante interessante, permitindo uma qualidade de transições que permitem fazer frente a bastantes clubes que militam na Liga Europa. Com um estilo de jogo bastante aberto e com uma subida constante dos laterais até ao último terço do campo, o que permite a Rafa, Alan ou Pedro Santos descair várias vezes para o meio, decompondo sistematicamente a defesa contrária, esta época vemos constantemente o Braga instalado no meio campo adversário, onde jogadores com grande visão de jogo e qualidade de passe, como é o caso do Josué e de Felipe Augusto, é frequente ver esta equipa a explorar a bola nas costas da defesa contrária ou a encontrar espaço na área que possibilite exponenciar o jogo forte de cabeça de Hassan e Stojiljkovic, fazendo lembrar o Benfica de Cardozo ou o atual Sporting de Slimani.

Aos poucos, o futebol do Braga vai ganhando mais identidade e espera-se que ainda tenha uma palavra a dizer nesta Liga Europa, dependendo, claro, do quão simpáticos forem os próximos sorteios. A verdade é que o Braga está bem encaminhado para repetir mais uma final no Jamor e, quem sabe, da Taça da Liga, sendo assim o clube em mais frentes no contexto nacional.

Resta esperar para ver até onde os “Guerreiros” podem ir esta época e, independentemente disso, resta esperar que Paulo Fonseca continue na próxima época com o máximo de condições que António Salvador lhe possa oferecer e veremos, certamente, um Braga ainda mais forte e mais deslumbrante do que temos observado esta época.

Foto de capa: SC Braga