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Os caloiros

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Segundo a definição, fria e objectiva (como deve ser), de um dicionário, um caloiro é um estudante de primeiro ano de um curso superior ou um novato em outra coisa qualquer. Não deixa de ser verdade, mas deixa de fora todos os sonhos que ele traz consigo. As ambições de chegar longe, independemente do que tenha de enfrentar.

Um caloiro, normalmente, é assim. Respeitoso para com quem já existe no meio em que se insere, mas também cheio de sonhos, e com a coragem necessária para os manter, independentemente do tamanho dos obstáculos que lhe apareçam pela frente.

É encantador sentir, na voz, o entusiasmo de um caloiro falar do novo desafio. Mesmo que diga absolutos disparates, e que se contradiga em toda a sua dissertação sobre o assunto que julga saber. Não tem nada a perder, porque não nasceu ensinado, então arrisca, como muitas figuras ilustres de qualquer ramo o fizeram quando nele se iniciaram.

Nas praxes (as boas), testam-lhe o carácter, mas sem forçar a barra, sem se chegar à humilhação. A integração é a prioridade, o “doutor” sabe-o. Porque também ele beneficia disso, ao criar um laço com o caloiro, uma pessoa nova com quem interagir, mas acima de tudo alguém que ele está a ver e fazer crescer, social e tecnicamente.

Esse laço permite, também, fazer crescer o “doutor”, que se identifica com o brilho no olhar e as ambições desmedidas, relembrando-o do que ele fora no início dessa aventura. Dá-lhe alento para retomar os sonhos, e passa a ter alguém por quem possa torcer. A noção de responsabilidade vai ficando cada vez mais vincada e, caso esteja apaixonado pelo meio (curso, instituição, ramo) em que se insere, encarrega-se de certificar que as gerações tenham a capacidade de dar um futuro saudável aos mesmos. Cresce a noção de sustentabilidade e não é hipócrita quando lhe diz que deseja que tenha tanto ou mais sucesso que ele, ficando genuinamente feliz pelo facto de ele ter melhor nota que ele no cadeirão de primeiro ano, pela primeira venda do seu “protegido” ser significamente maior que a sua ou pelo primeiro golo que ele marcou ter sido mais bonito que qualquer um que este tenha marcado ao longo da carreira.  Assim se entendem e se explicam os sorrisos de Rui Costa e Pavel Nedved na passada sexta-feira.

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Dybala, a nova pérola “bianconera”
Fonte: Juventus FC

Em Roma, Paulo Dybala, depois de já ter conseguido furar entre a defensiva da Lazio e de ter originado um auto-golo, aproveitou uma bola perdida pela defensiva contrária para parar, receber a bola, ampará-la com o joelho e disparar, sem deixar cair no chão, o esférico para o 0-2 que sentenciaria o resultado.

Em Lisboa, Renato Sanches, depois de já ter somado várias intervenções de qualidade, trouxe a bola e a equipa (numa das muitas vezes que o fez) consigo, combinou com Eliseu, e, com espaço, a 20 e tal metros da baliza da Académica, deixou o resultado final em 3-0. Nos pés destes miúdos (Dybala tem 22, Sanches 18), naqueles momentos, esteve a força das ambições e a confiança que só um estreante consegue ter quando chega a um novo destino. Acreditam no seu potencial, como mais ninguém, e o limite ainda não existe.

Quem vê de dentro, fica feliz. Sorri, como Rui Costa e Pavel Nedved, por adivinharem um futuro brilhante aos miúdos que eles viram e fizeram crescer. Momentos de uma espécie de passagem de testemunho, que têm todo o potencial para ficar perpetuados na história como os acontecimentos que garantiram o futuro aos seus respectivos clubes ou, simplesmente, ao futebol.

Regressaram, por milésimos de segundo, ao tempo em que eles próprios começaram a fazer história enquanto “caloiros”… ou miúdos de ambição, paixão e coragem desmedidas.

Foto de Capa: SL Benfica

Que a Europa não trave Portugal

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A prestação do Sporting Clube de Portugal nas competições europeias, nesta época 2015-2016, já teve um pouco de tudo. Desde jogos de encher o olho – CSKA em Alvalade e Lokomotiv fora – até à humilhação na Albânia, sem nunca esquecer os erros de arbitragem na eliminatória de acesso à Liga de Campeões, tem sido uma participação recheada de surpresas e de altos e baixos.

Contudo, a verdade é que num grupo com algum nível de dificuldade, um Sporting regular e perto do potencial que exibiu na última jornada em Moscovo já poderia ter garantido a passagem à próxima fase da Liga Europa, não necessitando de vencer o Besiktas na última jornada. Esta falta de regularidade é compreensível na medida em que Jorge Jesus tem rodado o seu (curto) plantel, actuando em algumas partidas comum onze formado por segundas linhas, algo que a meu ver é a decisão mais correcta.

O Sporting está a realizar um campeonato dentro de portas acima de todas as expectativas, e que é nesta competição que o foco de Jesus e dos seus jogadores deve estar. Temos tido vitórias complicadas, frente a equipas que se fecham na defesa e que juntam muito as linhas, não permitindo que os jogadores leoninos criem tanto perigo e explorem os espaços como, por exemplo, fizeram na capital russa.

A chegada de Bruno César, Schelotto e provavelmente de Zeegelaar, vêm dar mais soluções ao treinador de 61 anos mas, ainda assim, não creio que devamos retirar o foco do campeonato nacional e da conquista do mesmo; ainda que, para que tal aconteça, tenhamos que deixar cair a Liga Europa.

Obviamente que aqui estamos no ramo das probabilidades e da futurologia, mas o grupo de trabalho de Jesus ainda está a tornar-se uma equipa, a adquirir conceitos e os vastos conhecimentos que o técnico tem para oferecer; desta forma a minha opinião é que este ano todas as baterias deveriam estar apontadas à conquista do campeonato, para que no ano seguir possamos competir onde merecemos – na Liga dos Campeões – , arrecadando alguns milhões no processo.

Matheus Pereira tem vindo a ser uma agradável surpresa nos jogos da Liga Europa. Fonte: Sporting CP
Matheus Pereira tem vindo a ser uma agradável surpresa nos jogos da Liga Europa.
Fonte: Sporting CP

Esta minha visão pode ser vista como falta de ambição e até de confiança em Jesus e no plantel do Sporting, algo que compreendo e respeito. Mas a questão é que realizar jogos a cada três dias, sem preparação e estudo dos adversários e numa fase decisiva da época, pode vir a revelar-se como um verdadeiro tiro nos pés nas ambições do clube e convenhamos, de todos os Sportinguistas.

Esta época seria, como Jesus já o admitiu, o ano zero deste novo Sporting, no entanto creio que os objectivos do departamento de Futebol já devem ter mudado, passando a ser o título nacional a estar no topo das prioridades, seguido pela Taça de Portugal.

Sobre a Taça CTT, que seja para jogar com a equipa B, dando minutos a Azbe Jug, Ryan Gauld, Daniel Podence, Francisco Geraldes e Domingos Duarte, entre muitos mais. Esta competição para nada conta, poucos rendimentos traz, e como já vimos no passado, atrasos nos jogos e peitos transformados em mão são o prato do dia.

Concluindo, espero que o Sporting vença o Besiktas na próxima quinta-feira, para que com o apuramento para a próxima fase consiga receber mais uns “trocos”; mas que não passe muito mais disso, pois o meu desejo é festejar o campeonato em Maio, não no Marquês – porque conspurcaram o local que era “nosso” – mas em Alvalade.

Real Madrid CF 4-1 Getafe FC: A Reconciliação

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Era uma incógnita a forma como o Real Madrid ia receber o seu primeiro adversário depois de se ver excluído da Copa do Rei por utilização de jogador irregular. Mas, verdade seja dita, este fantasma que assombrou Valdebebas nos últimos dias não impediu que os jogadores fossem aplaudidos na tarde de sábado. O público encarregou-se de responsabilizar Benítez e de entoar nas suas vozes o descontentamento para com Florentino Pérez.

Soava o apito inicial e os ânimos acalmavam para dar lugar ao futebol vertiginoso que tem feito do Real Madrid uma das equipas maiores da Europa. Para desgraça dos visitantes, o primeiro fim-de-semana de Dezembro marcava no seu calendário um encontro no colossal Passeio da Castelhana.

Desta vez os merengues não especularam, começaram desde cedo a perseguir a sua presa, e, tal como um leão, atacaram-na directamente no pescoço sem lhe dar tempo para um suspiro final. Quatro minutos foram suficientes para que a cumplicidade entre Pepe e Karim Benzema perfurasse as redes. O astro francês demonstrava, assim, que está mais que centrado mentalmente no Real Madrid e no futebol, apesar de ter sido alvo de várias polémicas ultimamente.

Os merengues começavam a dar esboços daquilo que tinham sido em épocas anteriores. Uma vez mais, foi o camisola 9 a assinar o golo, bis de Benzema, que se reconciliava com a casa branca e sacudia dos ombros as dúvidas que tinham caído sobre ele. Notava-se nas suas celebrações. Precisava de marcar e de voltar a pensar apenas na bola, mesmo que fosse apenas por 90 minutos.

Cristiano Ronaldo apontou um dos golos dos merengues
Cristiano Ronaldo apontou um dos golos dos merengues

Era impossível não olhar para o placard que anotava o resultado, tornava-se visível a alguns metros acima dos Ultra que, ao som do hino “Como no te voy a querer”, celebravam o 3-0 que nasceu da cabeça de Cristiano Ronaldo, com Bale a aproveitar para finalizar. E antes de terminarem os 45 minutos de filme de terror para o impotente Getafe, ainda chegou o quarto golo, este através de um passe longo de Kroos no meio campo em direcção à ala direita, deixando Cristiano Ronaldo frente-a-frente com o guardião.

Segundo acto. O jogou perdeu ritmo, fruto de um marcador tão amplo, o que permitiu aos visitantes celebrar o golo de honra. Apesar deste consentimento, os de Rafa Benítez continuavam a controlar as quatro linhas e o técnico local repartiu os minutos de jogo pelos vários jogadores do plantel.

Não se viram sinais do que se passou há uns dias na Ucrânia, o Real Madrid voltou e a melhor forma de o demonstrar foi como a de hoje, com grande futebol e com golos. Como um leão, foram reis da sua própria selva. E já soava em uníssono, num Santiago Bernabéu que era palco de um casamento que voltava aos seus dias de paixão intensa, “Como no te voy a querer si fuiste campeón de Europa por décima vez?”.

A Figura:

Karim Benzema – Fez 2 golos e foi o grande regresso depois de todas as polémicas extra-futebol que o afectaram nos últimos tempos.

O Fora-de-Jogo:

Getafe FC – Foi completamente impotente e em nenhum momento do jogo conseguiu pôr em causa a superioridade do Real Madrid.

SC Farense 1-2 SC Olhanense: Acorda, equipa!

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Este domingo jogou-se mais um dérbi a nível nacional. Não, não foi um Benfica – Sporting; foi um  Farense-Olhanense.

Num jogo onde as emoções de duas cidades algarvias estão à flor da pele, o estádio de São Luís, em Faro, foi o palco deste encontro.

Com uma primeira parte muito jogada a meio campo, onde ambas as equipas procuravam encaixar uma na outra, a qualidade de jogo foi algo fraca, presenteando assim os adeptos de ambas as equipas com um jogo de nervos, mal jogado na maior parte das vezes.

Quem assistiu ao jogo apenas pôde observar bolas bombeadas para as áreas, quer de lançamento, quer de livre.

O início da segunda parte em nada veio mudar o jogo. O estilo de jogo praticado pelas duas equipas em nada se alterou, chegando o Olhanense à vantagem no minuto  57 por intermédio de Said.

Após o golo da equipa de Olhão, o Farense procurou correr atrás do prejuízo e chegou ao empate através da cobrança de uma grande penalidade. Esta grande penalidade surgiu ao minuto 64 e foi cobrada pelo capitão do Farense, Ubay Luzuardo.

Apesar dos dois golos marcados, a qualidade do espectáculo não se alterou, continuando o futebol praticado pelas duas equipas algarvias de fraca qualidade.

Mesmo com o apoio dos seus adeptos, o Sporting Clube Farense acabou por sofrer o 2 a 1 ao minuto 89, numa falha defensiva. O golo do Olhanense foi marcado por José Coelho.

Os jogadores do Olhanense festejam a vitória Fonte: SC Olhanense
Os jogadores do Olhanense festejam a vitória
Fonte: SC Olhanense

Hoje pudemos assistir a um Farense “sem meio campo”, um Farense que tem Rambé sozinho na frente de ataque, sobre quem todas as responsabilidades recaem.

Com este jogo, deu para perceber que o emblema de Faro precisa, urgentemente, de um médio que jogue mais colado a Rambé. Precisa de alguém que segure o jogo e se vire para o ataque, e “pense” de que forma o ataque dos leões de Faro tem de trabalhar.

Não consigo perceber como é que Tiago Leonço não é uma aposta inicial. Com este jogador, Rambé conseguia ter mais liberdade na frente de ataque e criar mais desequilíbrios.

Neste momento os leões de Faro não atravessam a sua melhor fase neste campeonato, ocupando a 16.ª posição com 23 pontos.

Uma coisa é certa: apesar da derrota, o Farense ganhou nas bancadas, mostrando mais uma vez que a sua massa adepta, especialmente a sua claque, merece voltar à Primeira Liga. Que massa adepta incrível. É arrepiante sentir o ambiente do São Luís nestes dias.

A Figura:

12.º jogador – Completamente incansável, o público tentou de todas as maneiras empurrar o Farense para a vitória. Apoio foi o que não faltou no São Luís.

O Fora-de-Jogo:

As duas equipas – Ao contrário do que aconteceu nas bancadas, no relvado os dois conjuntos presentearam os adeptos com um futebol de fraca qualidade.

Columbus Crew 1-2 Portland Timbers: Não é com estrelas que se fazem campeões

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A final da MLS, que opôs a equipa de Columbus Crew, a jogar em casa, frente aos Portland Timbers, estreantes numa final, foi um grande espetáculo de futebol. Ganhou, na nossa opinião, aquela que foi, sem margem para dúvidas, a melhor equipa.

1ª parte: Afonso Pais
Começava a primeira parte no Mapfre Stadium e já o Portland marcava, através de Diego Valeri, o primeiro golo da partida. Erro enorme do guarda-redes do Columbus Crew, Steve Clarke. Os visitantes abriam assim o marcador com apenas 27 segundos decorridos, o golo mais rápido de sempre em playoffs da MLS Cup. O Columbus ficou atordoado e o Portland aproveitou. Ainda antes dos 7 minutos, Rodney Wallace alargou a vantagem e estabeleceu o 2-0. Surpresa em Columbus, Ohio, com os estreantes a entrarem na partida de relâmpago e a deixar a equipa caseira bem mais longe do seu segundo título da MLS.

Mas não foi preciso muito, passados 11 minutos, o habitual Kei Kamara reduz a desvantagem, num lance bastante atabalhoado em que a bola sobra para o internacional pela Serra Leoa que não perdoa. Fica a dúvida se há falta sobre o guarda-redes dos Timbers. Até final da primeira parte o resultado não se viria a alterar, havendo apenas algumas oportunidades, como o remate de Valeri, aos 24 minutos, à figura de Clarke, e um remate de Adi, aos 40 minutos para boa defesa de Larsen Kwarasei.

A equipa dos Portland Timbers demonstrou ser mais inteligente do que o seu adversário. Fonte: Facebook dos Portland Timbers
A equipa dos Portland Timbers demonstrou ser mais inteligente do que o seu adversário.
Fonte: Facebook dos Portland Timbers

 2ª parte: Duarte Pereira da Silva
Após uma primeira parte frenética, o ritmo acabou, naturalmente, por baixar. A equipa dos Portland Timbers, que mostrou ser bem mais organizada do que os Columbus Crew, pelo menos no jogo de hoje, foi fazendo a gestão da vantagem que tinha conseguido na primeira parte.

A equipa de Columbus, sempre muito dependente de Kei Kamara, teve que subir as suas linhas na procura pelo golo que levasse o jogo, na pior das situações, para prolongamento. No entanto, a equipa de Portland, demonstrando ser bem mais inteligente, soube aproveitar os espaços deixados pela equipa da casa e só não ampliou a sua vantagem porque o guarda-redes de Columbus realizou, na segunda parte, uma excelente exibição.

Pensamos, por isso, que venceu a melhor equipa. Num estilo, se preferirem, mais europeu, a equipa de Portland mostrou hoje frieza e tranquilidade durante os 90 minutos. A equipa de Portland, que ultrapassou a Knockout round apenas nas grandes penalidades (7-6 frente ao Kansas City), sagrou-se assim campeã da MLS pela primeira vez na sua história. De destacar ainda duas curiosidades: esta é apenas o quinto ano da equipa de Portland na MLS e foi ainda a primeira vez desde que este é o formato utilizado na Major League Soccer que a equipa visitante se sagrou campeã.

A figura: jogo coletivo dos Portland Timbers: Os Portland demonstraram, desde cedo, serem bem mais organizados do que a equipa de Columbus. Alternando as transições rápidas com a posse de bola, os Portland Timbers são um justo vencedor da edição de 2015 da MLS

Fora-de-jogo: Steve Clark: Apesar da excelente exibição que realizou na segunda parte, o erro que cometeu logo no início do encontro condicionou bastante a equipa. As finais não se jogam, ganham-se, e, neste caso, Steve Clark perdeu-a.

MLS: o dia de todas as decisões

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6 de Novembro de 2015, o dia de todas as decisões: Columbus Crew e Portland Timbers discutem hoje o título de campeão da Major League Soccer. Após uma longa e competitiva temporada, que analisaremos neste artigo, tudo se decidirá em 90 minutos, caso haja vencedor, 120 ou mesmo nas grandes penalidades.

Conferência Este:

Este ano, na conferência este, o segundo classificado da fase regular, Columbus Crew, acabou por ser coroado campeão, ao vencer na final dos playoffs os New York Redbulls, vencedor da fase regular. Vão, por isso, disputar o título da MLS com o vencedor dos playoffs da conferência Oeste, os Portland Timbers.

Os New York Redbulls confirmaram favoritismo e venceram a fase regular com o melhor ataque (62 golos marcados) – destacando-se Bradley Wright-Phillips, a tomar as rédeas com 18 golos marcados – e a melhor defesa (43 golos sofridos). Destaque para o jovem Matt Miazga (defesa central) que se afigura como um dos grandes jogadores da MLS,Por outro lado, o Columbus Crew foi a quinta melhor defesa (53 golos sofridos) e o segundo melhor ataque (58 golos marcados), a par da equipa canadiana de Toronto.

Nesta conferência destacam-se dois jogadores: Sebastián Giovinco, que venceu o prémio de MVP da MLS e jogador conhecido do público europeu que atua pela equipa do Toronto, e Kaiansu Kei Kamara, jogador do Columbus Crew. Os dois avançados sagraram-se melhores marcadores da conferência, com 20 golos cada um. O antigo avançado da Juventus deleitou os adeptos dos Reds e ajudou a equipa a conseguir um recorde de 35 pontos na fase regular, com alguns apontamentos de grande classe.

Pela negativa, destaque para 2 equipas: Orlando City SC e New York City FC. A equipa de Orlando, que, mesmo contando com Kaká, não conseguiu sequer chegar aos playoffs. Orlando contava ainda no seu plantel com dois portugueses: Rafael Ramos, jogador que fez a formação no SL Benfica, disputou 20 jogos e demonstrou alguma qualidade; e ainda Estrela, que, contrariamente ao seu colega, não realizou qualquer partida.  Relativamente a equipa dos New York City FC, a desilusão é ainda maior. Se olharmos para o plantel dos nova iorquinos,  vemos nomes como Iraola, Lampard, Pirlo ou Villa. No entanto, a equipa ficou aquém das expectativas e ficou no oitavo lugar. Nota ainda para o jovem Cyle Larin, avancado canadiano, que foi considerado rookie do ano.De referir ainda que ambas as equipas foram um franchises em estreia e, por isso, esperam-se grandes melhorias para o futuro.

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Sebastian Giovinco, na imagem, foi considerado o MVP da MLS.
Fonte: Facebook Oficial da Major League Soccer

Conferência oeste:

Na conferência oeste, O Dallas FC voltou a ganhar a fase regular, como já havia acontecido em 2006. Os Toros, um dos clubes fundadores da Liga norte-americana, mostraram veia goleadora e foram o segundo melhor ataque da liga (53 golos marcados), atrás do LA Galaxy (56 golos marcados). A nível defensivo posicionaram-se em terceiro lugar, com 39 golos sofridos, superados pelos 36 dos Whitecaps e dos Sounders. O registo defensivo prende-se, essencialmente, com alguns jogos menos conseguidos e que resultaram em derrotas pesadas, como por exemplo Sporting KC 4-0, Seattle Sounders 3-0, Colorado Rapids 0-4, representando quase um terço desses golos sofridos. De resto, excetuando estas nuances, apresentaram-se como uma boa equipa, sem que se destaquem individualidades.

Por outro lado, os Portland Timbers, equipa criada há apenas cinco anos, mostraram bom futebol e, surpreendentemente, atingiram o terceiro lugar nesta fase regular, com os mesmos pontos do segundo classificado. Os Timbers, apesar de registos ofensivos e defensivos que deixam muito a desejar (estão em sétimo em ambos, com 41 golos marcados e 39 sofridos), conseguiram um lugar de acesso aos playoffs e, daí, uma fantástica e inédita presença na grande final. Este desempenho explica-se, essencialmente, por vitórias cruciais conseguidas em jogos muito difíceis, entre elas a vitória por 5-2 no terreno do Galaxy, as duas vitórias caseiras frente ao FC Dallas por 3-1, e ainda a vitória no terreno do Columbus Crew, da conferência este, por 2-1.

Pela negativa destacam-se os campeões de 2014, LA Galaxy. Com um plantel com grande qualidade, com jogadores como Steven Gerrard, Robbie Keane, Juninho e Giovani dos Santos, o plantel de Los Angeles ficou-se por um modesto sexto lugar e falhou ainda o acesso à final. Os 56 golos marcados (melhor ataque da conferência) não foram capazes de suportar uma defesa muito permeável, que concedeu nada mais, nada menos, do que 46 golos (terceira pior defesa da conferência). Robbie Keane bem tentou (fez 20 golos), mas o bicampeão das épocas 2011 e 2012 não conseguiu igualar a qualidade que tinha vindo a demonstrar nos últimos anos nem reafirmar o seu estatuto de melhor equipa norte-americana.

A final: Columbus Crew Portland Timbers

Chega hoje ao fim mais um ano da MLS,  quando Columbus Crew e Portland Timbers se defrontarem às 20h45m, jogo com transmissão em direto no canal Eurosport. De destacar, e num dos pontos mais atrativos desta MLS, que ambos chegam ao decisivo jogo sem terem vencido as respetivas fases regulares (Columbus foi 2º na conferência Este e os Timbers ficaram em 3º na oeste, ambos com 53 pontos).

Começando com alguns factos, como já foi referido, o Columbus Crew terminou com 58 golos marcados e 43 sofridos, enquanto a equipa de Portland fechou a fase regular com 41 golos marcados e 39 golos sofridos. Curiosamente, ambas acabaram com 15 vitórias, 8 empates e 11 derrotas. A última final disputada pelo Columbus Crew foi em 2008, quando se sagraram campeões, pela única vez, vencendo o New York Redbulls. Por outro lado, o Portland Timbers nunca atingiu uma final da MLS. Fanendo Adi, do Portland Timbers, e K. K. Kamara, do Columbus Crew, partem como principais goleadores.

É também importante frisar que, nos últimos seis anos, os L.A. Galaxy marcaram presença em quatro finais e pecam por ausência nesta, tendo sido eliminados pelos Seattle Sounders nas meias-finais da conferência oeste.

Assim, e apesar da imprevisibilidade habitual das finais no futebol, e ainda mais da MLS, o Columbus parte com ligeiro favoritismo, até porque os Timbers só têm cinco anos de história. A equipa de Ohio vai querer dar aos seus adeptos a alegria de serem campeões, novamente, e vai procurar pôr toda a sua experiência e qualidade em campo. No entanto, a equipa de Portland fez um época muito interessante e apresenta jogadores com bastante qualidade, tais como Aspirilla e Fanendo Adi, podendo por isso causar uma surpresa. Deste modo, espera-se uma final de boa qualidade, bem disputada e, provavelmente, com golos. Adi e Kamara, das respetivas equipas, vão procurar confirmar o estatuto de goleadores máximos e tentar assinalar a diferença no marcador.

Artigo com a colaboração de Afonso Pais

Fonte foto de capa: Facebook Oficial da Major League Soccer

GD Estoril 1–1 CD Nacional: Equilíbrio de forças na luta europeia

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Estoril Praia a receber o Nacional da Madeira na Amoreira, num jogo teoricamente interessante, entre equipas que estavam ombro-a-ombro na classificação (14 pontos) e candidatas aos lugares europeus. No primeiro tempo, a partida teve um início forte por parte do Estoril, que ia conseguindo imprimir velocidade no último terço do terreno e ia encontrando, aqui e ali, espaços na defesa dos insulares para criar perigo. No entanto, foi mesmo a equipa de Manuel Machado a criar a primeira e última (!) situação de perigo dos primeiros 45 minutos, através de um excelente remate de Salvador Agra à barra da baliza de Kieszek, tendo sido esta a única real chance de perigo. Aos 15 minutos, facilmente se depreende que, a partir daí, o jogo entrou numa toada morna, com as equipas encaixadas no 4-3-3 com que ambos se apresentaram. Posto isto, o nulo ao intervalo não era mais do que o espelho de um jogo vivo e com velocidade mas sem grandes situações de relevo nas duas balizas.

No início do segundo tempo, a equipa da casa repetiu o que havia feito na primeira parte e partiu para cima do Nacional em busca do golo inaugural. Uma boa combinação entre Bonatini e Dieguinho pedia uma melhor finalização (uma das pechas deste Estoril) do segundo, mas foi mesmo a equipa da Madeira a abrir o marcador. Sequeira aproveitou o espaço concedido pela defesa canarinha, colocou a bola na área e Salvador Agra aproveitou um ressalto da bola, após falha de Kieszek, para fazer o primeiro tento.

Estoril e Nacional repartiram pontos Fonte: Clube Desportivo Nacional
Estoril e Nacional repartiram pontos
Fonte: Clube Desportivo Nacional

Quando se esperava uma reacção do Estoril para repôr a igualdade, foi a equipa de Manuel Machado que continuou (muito) mais perigosa no contra-ataque, quase sempre através da velocidade de Salvador Agra, que muitos problemas criou aos centrais do Estoril. A velha máxima de “quem não marca sofre” está (quase) sempre certa e assim foi esta tarde na Amoreira. A partir dos 70 minutos, a equipa da casa voltou a empurrar os alvinegros para os últimos 30 metros e o golo acabaria por chegar já bem perto do fim. Léo Bonatini agradeceu o passe de Anderson Luís e disparou para o fundo da baliza. Remate indefensável para Rui Silva e mais um excelente golo do avançado brasileiro, que parece ter especial gosto para golos de fora da área.

Aceita-se o empate, dado o equilíbrio que pautou os 90 minutos. Num jogo agradável entre duas das boas equipas do nosso campeonato, podemos dizer que a saída de Bruno César é um duro golpe para as aspirações do Estoril, pois o brasileiro oferecia mais criatividade e poder de fogo à equipa de Fabiano Soares.

Ao Bola na Rede, Manuel Machado teve uma interessante comparação quando afirmou que, apesar da boa fase que atravessa (4 jogos sem perder), nunca é uma boa fase para receber os candidatos ao título. “Para equipas do nível do Nacional, defrontar um dos grandes é como atirar pedras a um avião. De vez em quando lá se acerta numa hélice ou numa asa… Mas não entregaremos o jogo de maneira nenhuma.”.

Já Fabiano Soares fez questão de realçar a grande penalidade que ficou por marcar por suposta falta sobre Dieguinho e que poderia ter ditado outro desfecho. Contudo, o brasileiro não deixou de reforçar a necessidade de a sua equipa trabalhar e melhorar a questão da finalização.

A Figura:

Zainadine – Excelente jogo do defesa-central moçambicano do Nacional. Rápido, assertivo e sempre bem posicionado. O facto de o Estoril só ter feito um golo muito se deve à sua exibição. Com qualidade para uma equipa de outro patamar.

O Fora-de-Jogo:

Meio-campo do Estoril – Teve dificuldades na ligação do jogo ofensivo da equipa e perdeu, invariavelmente, os duelos frente ao trio de médios do Nacional da Madeira.

Artigo de André Conde e Francisco Vaz de Miranda

MLS: a liga do futuro

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A importância da MLS, Major League Soccer, tem vindo a crescer substancialmente nos últimos anos. O ingresso de jogadores de renome já em fim de carreira, como por exemplo Andrea Pirlo, Steven Gerard ou David Villa, contribuiu sem dúvida para o crescimento da competição. No entanto, a profissionalização da organização da MLS, bem como a existência de muitos golos, 2,63 por jogo, são alguns dos fatores que explicam o desenvolvimento de uma das competições do futuro. No entanto, neste artigo pretendo explicar-vos o complexo, mas atrativo, modelo da MLS.

  • Fase Regular

A fase regular da MLS consiste no seguinte modelo: duas conferências, este e oeste, compostas cada uma por dez equipas; cada clube joga um total de 34 jogos: 18 partidas contra os adversários da sua própria conferência (9 em casa + 9 fora de casa = 18), dez contra equipas da conferência adversária (5 em casa + 5 fora de casa = 10) e ainda seis jogos adicionais contra equipas da sua própria conferência (3 em casa + 3 fora de casa = 6). Desta forma alcançamos um total de 34 jogos por equipa.

Após esta primeira fase, que decorre entre Março e Outubro, passamos para os playoffs.

  • Fase dos Playoffs

A fase a eliminar, que se realiza entre o mês de Novembro e início de Dezembro, apresenta o seguinte formato: 12 equipas (6 de cada conferência), sendo que os dois primeiros clubes de cada conferência têm acesso directo às meias-finais; enquanto isto, realiza-se a chamada “Knockout round”. Esta fase consiste numa disputa entre o terceiro e sexto classificados, bem como o quarto e quinto, por uma vaga nas meias-finais de cada conferência. É importante dizer que se trata apenas de uma partida e que a equipa que obteve a melhor classificação na fase regular tem a vantagem de a realizar no seu estádio.

Posto isto, passamos para as meias finais de cada conferência. A equipa com pior classificação que tenha vindo da “Knockout Round” joga com a equipa que venceu a fase regular. Por exemplo, na conferência Este, em 2015, os DC United – 4º classificado na fase regular – eliminaram New England (5º classificado na fase regular) na “Knockout Round” – defrontando, assim,  a equipa que venceu a conferência Este, os New York Red Bulls.

Esta fase da competição caracteriza-se por algumas especificidades. Em primeiro lugar, realizam-se dois jogos, sendo que o primeiro se realiza em casa da equipa menos cotada. Em segundo lugar, e aqui o sistema difere do europeu, a regra dos golos fora aplica-se apenas durante os 90 minutos. O melhor mesmo é exemplificar:

  • 1º jogo: equipa A vence equipa B por 1-0
  • 2º jogo: equipa B vence equipa A por 1-0
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Os adeptos renderam-se à magia da MLS.
Fonte: Facebook Oficial da Major League Soccer

Neste caso, e visto que o resultado do agregado no final dos 180 minutos está empatado (1-1), recorrer-se-ia ao prolongamento. Imaginemos que o resultado no prolongamento era favorável à equipa B (2-1; 3-2 ou qualquer outro resultado que deixe o agregado empatado). Nesta situação, no modelo europeu, a equipa A qualificar-se-ia devido à vantagem dos golos marcados fora de casa (A – 1 golo marcado fora de casa; B – 0 golos marcados fora de casa). Contudo, no modelo da MLS o jogo seguiria para grandes penalidades, onde se decidiria quem se qualificaria para a final. Apenas nesta situação as regras norte-americanas diferem das europeias.

Estando já explicada a situação mais complexa de toda a MLS, os passos seguintes são bastante fáceis. Disputa-se então a final de cada conferência (nesta fase as regras são iguais às aplicadas nas meias-finais) e, encontrado o vencedor de cada conferência, estes disputarão entre si o titulo da MLS.

O título disputa-se num único jogo, que terá lugar em casa da equipa que obteve mais pontos na fase regular. Em caso de empate, como acontece este ano, os critérios de desempate são os mesmos que foram utilizados para a atribuição dos lugares na fase regular (1 – número de vitórias; 2 – diferença de golos; 3 – melhor ataque; entre outros a verificar no site da MLS ). Na final de 2015, que vai opôr os Columbus Crew aos Portland Timbers, o jogo realizar-se-á no reduto da equipa de Columbus devido à diferença de golos (+ 5 para Columbus contra apenas + 2 para Portland).

Concluímos que, apesar das diferenças para o habitual modelo europeu, o formato norte-americano apresenta grandes mais valias. A fase regular, embora não seja decisiva, apresenta-se como fulcral para uma caminhada até ao sucesso. Por outro lado, uma primeira fase menos bem conseguida não põe em causa a disputa pelo título. A magia e emoção da MLS assenta também no seu formato.

Artigo com a colaboração de Afonso Pais

Fonte foto de capa: Facebook Oficial da Major League Soccer

O regresso do perfume ao futebol leonino

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Após mais um teste de fogo ultrapassado com sucesso, frente ao Marítimo, o Sporting prepara-se agora para um ciclo apertado com quatro jogos em dez dias: Besiktas, em casa para a Liga Europa; Moreirense, em casa, para o campeonato; deslocação a Braga para a Taça de Portugal; e nova viagem à Madeira, mas para visitar a equipa do União.

Mais uma vez (começa a parecer tradição neste estádio), foram Adrien Silva e Rui Patrício os homens decisivos nos Barreiros. O Sporting continua na senda das vitórias pela margem mínima mas, na maioria dos jogos, é capaz de apresentar bom futebol, com uma ideia percetível de jogo e bons atletas para a executar. Ora, para o estilo de jogo praticado esta época pela equipa, muito tem contribuído Bryan Ruiz. Talvez desde o saudoso Matías Fernández que não se via uma mente criativa tão prodigiosa a povoar o nosso meio campo ofensivo. Atualmente, o costarriquenho não é o pensador de jogo da equipa, porque essas funções estão a cargo de Adrien e João Mário, os verdadeiros motores “verde e brancos”. Contudo, Bryan consegue impor o seu estilo e emprestar o seu perfume aos desenhos ofensivos do conjunto verde e branco. Quando a bola lhe chega aos pés, parece que fica mais redonda, tornando-se quase um esférico inteligente, com vida própria.

Além de Matigol, só me lembro de mais uma antiga glória do Sporting que tratava tão bem a “redondinha”: o grande capitão Pedro Barbosa. Tal como disse um dia Quinito, também eu era capaz de comprar o Pedro Barbosa para ele jogar no meu quintal. O antigo número 8, que jogou no Sporting entre 1995 e 2005, fazia um pouco o trabalho atualmente executado por Bryan: transporte de bola e afinação das jogadas antes de chegarem à fase final, a fase da finalização. Qual é o exemplo gritante disto tudo? A jogada de Ruiz no final da primeira parte frente ao Belenenses, em que aproveitou alguma apatia “azul” para serpentear entre os defesas contrários e ficar na cara do guarda redes adversário. Qual é o sportinguista que não se lembra de três, quatro ou cinco jogadas destas, ponderadas e executadas pelo “falso lento” mais rápido que o futebol português já viu?

Pedro Barbosa foi uma das mentes mais geniais que o Sporting teve Fonte: Sporting Memória
Pedro Barbosa foi uma das mentes mais geniais que o Sporting teve
Fonte: Sporting Memória

Porém, considero que Bryan poderá ser ainda uma peça muito importante a jogar como segundo avançado esta época, principalmente nos jogos em casa. Naquelas partidas contra equipas muito fechadas no seu “cantinho” (como têm sido literalmente todas as equipas portuguesas que já visitaram Alvalade desde agosto), o costarriquenho pode ser desviado para as costas de Slimani, de forma a deixar uma vaga na ala esquerda para Carlos Mané, Matheus Pereira ou Gelson Martins. Assim, a equipa não só ganha velocidade e explosão na ala como fica com a melhor dupla possível na frente. Não menosprezando Montero, Teo Gutiérrez ou mesmo Tanaka, Bryan Ruiz parece-me o homem ideal para jogar nas costas de Slimani. De entre os quatro avançados, é sem dúvida o mais inteligente e o que tem mais classe na hora de definir as jogadas.

É precisamente esta classe de Bryan que reaviva a memória dos sportinguistas acerca de Pedro Barbosa. Vezes sem conta, dou por mim sentado na bancada e parece que aquela camisola 20 é afinal uma camisola 8 e que é Pedro Barbosa que está a correr no relvado, tal é a semelhança de movimentos e de toque de bola. É certo que Bryan tem mais “golo” do que tinha Barbosa e joga mais perto da área contrária, mas não me lembro de um jogador tão semelhante ao mítico capitão do Sporting no início deste século. E ser semelhante a Pedro Barbosa é, sem margem para dúvidas, sinónimo de grande jogador e um excelente sinal para os adeptos leoninos.

Por fim, queria só deixar duas notas neste texto: em primeiro lugar, queria chamar a atenção dos sportinguistas para um médio que está na equipa B e que me parece ter potencial para vir a dar muitas alegrias no futuro: Francisco Geraldes. Quem observar três ou quatro jogos da equipa B leonina saberá do que falo. Em segundo lugar, gostava de fazer um apelo ao selecionador nacional Fernando Santos. O que é que Adrien Silva precisa de fazer mais para ser chamado constantemente à seleção? Aliás, a nível de meio campo, os convocáveis para o Europeu podem muito bem sair de apenas oito possibilidades: João Moutinho, Tiago (caso recupere), o trio do FC Porto (Danilo, R.Neves e André André) e o trio do Sporting (William, Adrien e João Mário). Ainda existem dúvidas de que estes são atualmente os melhores médios nacionais?

Foto de capa: Sporting CP

CS Marítimo 0-1 Sporting CP: São Patrício afunda o Marítimo

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Mais uma vitória para o Sporting Clube de Portugal que permite manter a turma leonina no topo da tabela no Campeonato Nacional.

É um jogo sem muita história e quase sempre com um herói a fazer a diferença: Rui Pedro dos Santos Patrício.

O Sporting entrou em campo apático e deu 45 minutos de avanço à equipa verde rubro da Madeira. Valeu o guarda-redes leonino com uma enorme defesa aos 14 minutos a evitar que o Marítimo se adiantasse no marcador. Na primeira parte, a pressão da equipa insular foi tão alta que não permitia ao Sporting respirar e construir grandes jogadas ofensivas, com exceção de um remate de Bryan Ruiz, o Sporting pouco mais criou.

Neste jogo, Jorge Jesus foi obrigado a “inventar” soluções novas com as ausências de Teo e Slimani e o último sector dos leões ressentiu-se da ausência dessas peças. Também Jefferson viu a sua vida bem complicada a correr todos os primeiros 45m atrás de Marega que tentava com toda a velocidade ultrapassar o brasileiro. As alas do Sporting também mostravam-se inconsequentes na construção de jogo, fazendo com que o fio de jogo leonino fosse muito concentrado no centro do terreno.

Na segunda parte, a história quase se mantém, mas com menos “gás” do Marítimo (era impossível manter o ritmo da primeira parte). Uma grande jogada coletiva, finalizada pelo capitão Adrien Silva, permitiu o golo aos leões e respirar um pouco de alívio. A partir daí o Sporting dominou a partida e trocava a bola de uma forma mais tranquila e segura, tentando enervar a equipa madeirense.

Rui Patrício mantém a baliza do Sporting inviolada há já vários jogos. Hoje, foi novamente decisivo Fonte: Sporting CP
Rui Patrício mantém a baliza do Sporting inviolada há já vários jogos. Hoje, foi novamente decisivo
Fonte: Sporting CP

Aos 77 minutos uma desatenção da defesa do Sporting permite outra enorme defesa ao guarda-redes leonino.

Jorge Jesus está a pensar a equipa de trás para a frente… está a criar uma grande estabilidade defensiva para depois, rapidamente, poder construir jogadas que permitam atingir o objetivo do futebol: marcar golos. Mas é necessário construir um bocado mais… pelo segundo jogo consecutivo, o Sporting sente grandes dificuldades em criar oportunidades de golo.

 

A Figura:

Rui Patrício –  está num momento de forma tremendo e é exatamente aquilo que o Sporting precisa… um guarda-redes que não é muito chamado à ação, mas que quando o é, responde com grande categoria. Já não é o primeiro jogo onde é decisivo, mas neste foi novamente o grande responsável da inviolabilidade da baliza leonina.

O Fora-de-Jogo:

Jorge Jesus e João Mário – Um jogador como João Mário não pode jogar encostado à linha e sem grandes hipóteses de mostrar todo o seu futebol. João Mário é um criativo e tem de ter liberdade para espalhar o seu perfume. Jorge Jesus insiste em colar João Mário à linha e apaga a magia e a chama do médio leonino.

Foto de Capa: FPF