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Valencia CF 1-1 FC Barcelona: Mina no caminho do líder

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cab la liga espanha

Era o primeiro jogo no Mestalla desde que Nuno Espírito Santo deixou de ser o treinador do Valência e, por isso, os 55.000 adeptos puderam deixar de lado os cânticos que pediam a saída do português e focar-se apenas em apoiar a sua equipa. De resto, era isso que anunciava a faixa exibida pela claque ché antes da partida: Unidos como sempre, desde 1919 ao vosso lado.

Sabia-se que todo o apoio era pouco para tentar travar um Barcelona que tem vindo a atropelar todas as equipas com que se tem cruzado ultimamente e que se apresentava com o seu onze de gala frente a um Valência com muitas ausências por lesão e por castigo. O cenário era particularmente preocupante na lateral direita, onde as ausências do castigado João Cancelo e do lesionado Barragán levaram a que Rúben Vezo fosse adaptado ao lugar para enfrentar um Neymar que, jogo após jogo, vai demonstrando a justiça da sua eleição para o top 3 da Bola de Ouro.

Gary Neville, o homem escolhido para suceder a Nuno como treinador, assistia ao jogo da bancada e, tendo sido lateral direito, terá dado graças a Deus por se ter retirado antes que Neymar lhe aparecesse pela frente. É que, lá em baixo, Vezo maldizia a sua sorte a cada vez que via Neymar arrancar e ir-se embora com a maior das facilidades, algo que aconteceu muitas vezes, sobretudo na primeira parte. Só nesse período, os catalães tiveram uma mão cheia de oportunidades, quase sempre pelo lado esquerdo do seu ataque, mas iam pecando na finalização. Curiosamente, o golo de Suárez surgiu já no segundo tempo, numa altura em que o Barcelona nem parecia tão perigoso (se é que isso é possível quando Messi, Suárez e Neymar estão em campo). Suárez tabelou com Messi e acabou por fazer o golo partindo em posição de fora de jogo.

Santi Mina festeja o golo marcado ao Barcelona  Fonte: Valencia CF
Santi Mina festeja o golo marcado ao Barcelona
Fonte: Valencia CF

Apesar das várias oportunidades que o Barcelona criou, o Valência ia deixando uma boa imagem. Naturalmente moralizados pela chegada de um novo treinador, os valencianos mostravam-se unidos, conseguindo pressionar o Barça nalguns momentos e tentando algumas saídas rápidas, ainda que sem criar ocasiões de golo. Foi só a cinco minutos do fim que Paco Alcácer recebeu um passe longo, segurou e deixou para Santi Mina rematar sem hipóteses para Claudio Bravo, recompensando o esforço de toda a equipa e penalizando a falta de pontaria culé.

Os últimos cinco minutos foram emocionantes, com lances de perigo nas duas balizas, mas o resultado já não sofreria alterações até ao apito final, altura em que foi possível ver Gary Neville, lá na tribuna, a levantar-se para aplaudir os seus jogadores, gesto repetido por todos os adeptos presentes no Mestalla. Unidos como sempre, dizia a faixa mostrada no início da partida. Não sei se será bem assim. Sei que, unidos como neste jogo, o Valência tem condições para melhorar bastante a sua atual posição no campeonato.

P.S. – Enquanto os jogadores do Valência eram aplaudidos pelos adeptos, os do Barcelona saíam de forma rápida e inglória. Nem aí Rúben Vezo conseguiu parar Neymar.

 

A Figura:

Atitude do Valência – A atravessar uma fase difícil e com muitas baixas, deixaram uma imagem bastante diferente da dos últimos jogos, fazendo por merecer a felicidade que chegaria perto do final.

O Fora-de-Jogo:

Desperdício do Barcelona – Concretizando metade das ocasiões claras que criaram, os catalães teriam vencido confortavelmente. Assim, deixaram dois pontos no Mestalla.

Foto de Capa: Valência CF

 

FC Porto 2-1 FC Paços de Ferreira: Um penálti para disfarçar a ineficácia

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O FC Porto assumiu a liderança provisória da Liga com nova vitória, desta feita por 2-1, frente ao Paços de Ferreira. No entanto, não se pense que os três pontos desta 12.ª jornada vieram livres de suores frios.

Para uma partida tradicionalmente difícil para a equipa portista, Lopetegui acabou por optar pela matriz tática mais óbvia: apesar de o Paços ser um adversário de boa valia, como tem demonstrado ao longo da temporada, o meio-campo assumiu uma postura ofensiva, com a colocação de Rúben Neves atrás de André e Herrera, que parece ter voltado para ficar. Na frente, Brahimi e Corona repetiram a titularidade registada na Madeira, com o União, municiando Aboubakar, regressado para o lugar do castigado Osvaldo.

No entanto, o início de jogo dos dragões seria tudo menos tranquilo: à passagem do minuto oito, Bruno Moreira marcou para os ‘castores’. A defesa do FC Porto mostrou-se descuidada, esquecendo-se por completo da marcação ao avançado luso, que aproveitou para inaugurar o marcador.

O tento teve o condão de despertar a equipa da casa. A meio da primeira parte, pode dizer-se que se ia assistindo a um bom jogo de futebol. O Paços de Ferreira soube fechar-se bem nos momentos certos e injetar boas doses de veneno no contra-ataque. O FC Porto passou a controlar depois do golo sofrido, mas os problemas de jogos anteriores mantiveram-se: os últimos 25 metros revelam-se infrutíferos e parcos em ideias.

Ainda assim, aos 29 minutos, Jesús Corona fez o sexto golo (num belo movimento de classe) da conta pessoal no campeonato e restabeleceu, justamente, a igualdade.

Depois de uma entrada em campo algo adormecida da parte do FC Porto, os dragões conseguiram tomar conta das operações, ainda que, numa fase inicial, este domínio tenha sido inconsequente. A partir da meia hora de jogo, talvez mais descomplexada, a equipa de Lopetegui começou a ser mais objetiva e poderia ter chegado ao intervalo a vencer. Sinal mais para Brahimi, Layún e Corona, enquanto os centrais se mostraram algo nervosos e os médios permissivos a nível defensivo, apesar de boa desenvoltura atacante e simplicidade de processos colocada em campo.

‘Tecatito’ Corona marcou o seu 6º golo na Liga e esteve em bom plano Fonte: FC Porto
‘Tecatito’ Corona marcou o seu sexto golo na Liga e esteve em bom plano
Fonte: FC Porto

Na segunda parte, o jogo contou pouca história. O FC Porto continuou a controlar mas demonstrou ineficácia algo aflitiva na hora de finalizar. O público do Dragão voltou a evidenciar a insatisfação acerca da prestação dos jogadores azuis e brancos e só a grande penalidade convertida por Miguel Layún, que acabaria por ser decisiva, conseguiu mascarar as falhas gravosas.

Em suma, os sinais continuam a não ser animadores. Ainda que, no Estádio do Dragão, o FC Porto acabe por chegar com maior facilidade à zona de finalização, continua a fazê-lo de modo atabalhoado e à mercê da sorte dos lances. E, claro, na hora H, o adjetivo «perdulário» continua a estar na ordem do dia dos jogadores azuis e brancos.

O próximo teste é de grau de dificuldade máximo e pode definir boa parte da época do clube da Invicta. O Chelsea de José Mourinho abre as portas de Stamford Bridge, e a vitória é praticamente obrigatória para seguir para os ‘oitavos’. Há que puxar pelos “galões”!

Figura do jogo:

Corona – 90 minutos em campo, um golo e boa dose de irreverência. Ainda que continue a perder-se em muitos lances individuais, já provou ser uma mais-valia em jogos mais “fechados” e é o novo abre-latas do Dragão, após o eclipse de Varela.

O fora-de-jogo:

Maicon – Muito intranquilo nos instantes iniciais, não foi capaz de serenar a defensiva do FC Porto, que tremeu em cada contra-ataque do Paços de Ferreira. Subiu de rendimento na segunda parte, período em que a equipa da capital do móvel praticamente deixou de existir em termos ofensivos. Terá muito que suar para voltar a conquistar um lugar ao sol.

Foto de Capa: FC Porto

CF “Os Belenenses” 0-3 Vitória FC: Pragmatismo Sul-Coreano

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Primeira parte: Tomás Gomes

Tarde de sol no Restelo para receber dois clubes de margens opostas do Tejo: Os Belenenses contra o Vitória de Setúbal. Um jogo marcado pelo regresso dos Fúria Azul, claque do Belenenses que teve várias divergências com a SAD, e pela confiança reafirmada em Tonel depois da polémica do penálti a favor do Sporting.

Esperava-se um Belenenses ferido e com vontade de dar a volta a uma série negativa de três jogos sem vencer (duas derrotas e um empate). Em vez disso assistimos a um Belenenses apático e nervoso na altura de concretizar. Do outro lado um Setúbal pragmático. Duas jogadas de perigo dos sadinos e dois golos. O primeiro da autoria de Suk, após um excelente cruzamento de André Claro. O sétimo golo do sul-coreano esta época. Na segunda jogada de perigo foi a vez de Suk retribuir. Num movimento de contra-ataque deixa André Horta isolado, que, na cara de Ventura, não perdoa.

Uma primeira parte marcada pelo nervosismo do Belenenses, que não se consegue enquadrar com a baliza de Ricardo. Do outro lado um Setúbal eficaz com Suk a ser determinante na ala direita – a fazer muitas vezes o movimento para o interior. William Alves e Rúben Semedo têm sido os patrões dos sadinos nos sectores mais recuados.

Este não parece é ser o regresso dos Fúria Azul; a claque lisboeta ainda não se fez ouvir no Restelo esta tarde. Por outro lado os sadinos tomaram de assalto o estádio de Belém e têm feito a festa e o barulho num jogo que tem tido muito para eles festejarem. Suk chega mesmo a ter direito ao seu próprio cântico.

A primeira parte termina assim com um Belenenses triste e com um Vitória a cumprir o seu histórico de bons resultados fora de casa esta época.

Após a derrota em Alvalade, esperava-se um Belenenses mais afoito neste jogo Fonte: Sporting CP
Após a derrota em Alvalade, esperava-se um Belenenses mais afoito neste jogo
Fonte: Sporting CP

Segunda parte: Duarte Pereira da Silva

Apesar da chegada da noite, o Belenenses pouco ou nada melhorou. A segunda parte foi mais do mesmo: um Vitória de Setúbal pragmático, com transições rápidas e eficazes. Sá Pinto ainda lançou Tiago Caeiro, mas nem se notou pela entrada do avançado português.

Foi, assim, e quase de forma natural, que, e quando o relógio marcava uma hora de jogo, em mais uma transição rapidíssima, Suk, após excelente cruzamento de André Horta, sentenciou a partida; a defensiva azul, que até tinha estado bastante bem em Alvalade, demonstrou bastantes dificuldades.

Os pupilos de Quim Machado, que a jogar fora de portas são a segunda melhor equipa da Liga NOS (apenas o Sporting supera os sadinos), dão assim continuidade à boa temporada que estão a realizar. Relativamente ao Belenenses, este terá agora que se concentrar para o desafio com a Fiorentina já na próxima quinta-feira.

Nota ainda para alguns lenços brancos para o treinador do Belenenses, Ricardo Sá Pinto, mostrados no final do encontro.

A Figura:

Rúben Semedo, na retaguarda, e Suk, na frente – Um defesa central e um ponta de lança podem não ter muito em comum, mas Rúben Semedo, no eixo defensivo, e Suk, na frente de ataque, fizeram aquilo que lhes se pedia e foram pragmáticos.

O Fora-de-Jogo:

Kuca – Internacional por Cabo Verde e figura de destaque deste Belenenses, Kuca nunca pareceu entrar no jogo. Por inúmeras vezes poderia ter feito a diferença e não foi capaz. Uma noite desastrada.

Foto de Capa: CF “Os Belenenses”

Nas largas costas dos outros

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O tempo é matéria diáfana e fugidia que muito temo e respeito. Ensina-me coisas da bola e da vida, recordando-me constante e sabiamente “a” frase, repetida vezes sem conta, daquele que foi o meu melhor professor: “já está tudo inventado!” – significando, simplesmente, que basta boa observação e memória para que, quando possível, se corrijam os erros e, daí para a frente, se faça mais e melhor. Os dirigentes do Benfica, porém, optaram por começar a época fazendo tudo ao contrário; esta semana, Luís Filipe Vieira explicou porquê – eu, confesso, não percebi as (suas) razões e, por enquanto, mantenho as mesmas dúvidas e reservas.

Não alinho, no entanto, com a narrativa apocalíptica que aterroriza tantos benfiquistas. A vida é muito simples e ao deparar-me diariamente com um trintão olhando-me no espelho sei, no imediato, que conheço este clube há tempo suficiente para não me assustar com o actual momento. Não se ofendam com a comparação, mas eu já vivi o meu Holocausto, mais longo que uma guerra mundial (entre o fim e o início dos séculos), e, por isso, sou muito pouco fatalista. Entretanto, o Benfica cresceu e hoje, com estatuto de bi-campeão e recursos próprios (feitos de cimento e de carne e osso), está preparado para continuar a vencer; quando não o conseguir, que não restem dúvidas: os culpados encontrar-se-ão sempre dentro da nossa própria casa.

Mais trabalho e talento e menos teorias da conspiração – é a equação das vitórias Fonte: SL Benfica
Mais trabalho e talento e menos teorias da conspiração – é a equação das vitórias
Fonte: SL Benfica

A enxurrada de comentadores que representam o clube – nos jornais, rádios e televisões –, profissionais ou amadores, próximos ou não da estrutura, atiram o foco para longe, provocando lamentáveis danos colaterais, como sucedeu, esta semana, com o jogador Tonel (com recurso a uma retórica que nos deveria a todos envergonhar). É matéria repetida que cansa e enoja, pois, feitas bem as contas, prejudica em primeira e última instância o próprio Benfica. Esta estratégia populista e demagógica trava a reflexão e o debate sérios, dividindo, criando o caos e semeando a dúvida. Tudo isto, bem espremido, impede uma democrática e essencial identificação das causas (e dos culpados), bem como da busca por melhores consequências.

É por isso que insisto: o Benfica tem o direito de se defender, nas instâncias adequadas, contra todos aqueles que atentem contra o clube; seja Jorge Jesus ou os dirigentes do Sporting, investidos, desde o início desta época, numa estratégia caluniosa primária que inclui a injúria ao vizinho (bailada ao jeito “pimba” nas bancadas de Alvalade) e – tal como todos podemos observar a cada jornada – valentes “empurrões” a uma equipa esforçada mas modesta. No entanto, todo este ruído, feito de naturais rivalidades, jamais poderá fazer cair no esquecimento as verdadeiras razões para, em vésperas natalícias, o Benfica estar já afastado da Taça de Portugal e se encontrar a cinco pontos do primeiro lugar do campeonato.

Assumir os nossos erros – corrigi-los e não repeti-los – é o primeiro (e decisivo) passo para voltar a ser feliz. No futebol e na vida.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

O caminho Marítimo para o campeonato de Inverno

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O Sporting tem na deslocação à Madeira mais um importante desafio à sua liderança. A partida nos Barreiros marca a etapa final que até ao fim-de-semana de 10 de Janeiro encerrará a primeira volta do actual campeonato. Essa é a altura em que habitualmente se atribui o titulo de campeão de Inverno.

Um título vazio de conteúdo e de pouca glória, pois não se ganha mais do que umas efémeras capas de jornal. Serve contudo como uma prova de aferição da força de uma candidatura e, provavelmente, pode constituir um importante impulsionador dos níveis de confiança de uma equipa.

A Madeira é não só um ponto de passagem obrigatório como de importância nada insular no desfecho desta etapa. Ainda antes de nos sentarmos à mesa por ocasião da consoada o Sporting repetirá a viagem até ao Funchal, para disputar mais três pontos com o U. Madeira, acentuando assim o carácter marítimo à jornada que levará até à metade do campeonato.

Durante este período serão também muito importantes e seguramente difíceis os dois embates com o SC Braga. Um ditará a continuidade de uma das equipas, na reedição da final da Taça de Portugal, cujo título o Sporting defende este ano. O outro constitui o ponto final neste capítulo, uma vez que é último jogo da primeira volta e terá por isso mesmo uma importância acrescida.

O jogo com U. Madeira será intermediado pela recepção ao Moreirense e é o último que o Sporting terá de jogar sem poder contar com o recurso a reforços. Este é um aspecto muito importante, tendo em conta que já se vai fazendo sentir alguma escassez de recursos à disposição de Jorge Jesus. Até lá, o treinador terá de inventar soluções ante as limitações.

O capitão leonino tem sido decisivo no meio campo de Jorge Jesus Fonte: Sporting CP
O capitão leonino tem sido decisivo no meio campo de Jorge Jesus
Fonte: Sporting CP

É nesta configuração que o encontro com o Marítimo decorrerá. Slimani está castigado, e Gutierrez a braços com uma pubalgia, que não só o limita no imediato como lança a dúvida sobre a sua disponibilidade no médio prazo. Bastas são as vezes em que a resolução do problema passa pela marquesa do cirurgião. É claro que a frente do ataque terá no jogo com o Marítimo um teste de fogo, pela escassez de alternativas e pelo facto significativo de estarem ausentes os dois jogadores em quem Jorge Jesus mais tem confiado para o lugar.

Falando ainda de constrangimentos, há que destacar Jefferson, que regressa agora de lesão. Tem entrado de forma intermitente, sendo também assim o tom das suas prestações, algo distantes daquilo de que já mostrou ser capaz. Pode dizer-se o mesmo de Mané, que não tem entrado muito no baralho na hora de Jesus jogar as cartas.

Há ainda factores psicológicos a merecer alguma atenção. Entre esses destacaria o facto de, quando começar o desafio nos Barreiros, o Sporting já ser conhecedor do resultado dos seus rivais. Embora seja algo a que qualquer equipa com pretensões tenha de estar habituada, não deixa de ser um factor que acresce às dificuldades, especialmente quando a equipa está limitada.

Não menos importante é a chicotada psicológica em curso mas ainda não inteiramente definida no adversário. É mais ou menos claro que quem o dirige aposta todas as fichas neste jogo e parece pretender contagiar os jogadores com o mesmo espírito.

Que ninguém duvide de que espera ao Sporting um jogo de elevada dificuldade. No caminho Marítimo para o campeonato de Inverno este jogo tem tudo para ser um cabo das tormentas antes de, como todos esperamos, ser acrescida a esperança de chegar no final da primeira volta à frente.

Foto de Capa: Sporting CP

Benfica 3-0 Académica: Estreia de sonho para Renato Sanches

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O jogo entre o Benfica e a Académica fica marcado por uma primeira parte muito fraca. Com um onze que apresentava algumas alterações em relação ao jogo com o Braga, Rui Vitória apostou em Pizzi para jogar a extremo, ocupando Jonas o seu lugar no miolo do campo, ficando com isto Gonçalo Guedes no banco. Para médio defensivo, Rui Vitória manteve a aposta em Fejsa, relegando Samaris para o banco.

Durante a primeira parte pudemos observar um Benfica a errar alguns passes e a não ser uma equipa muito pressionante. Com estas mexidas, o Sport Lisboa e Benfica perdeu consistência no meio campo, pois Jonas não faz, de longe, o mesmo trabalho que Pizzi. Com um Renato muito recuado, o Benfica só começou a desequilibrar mais quando o mesmo subiu o terreno quase no fim da primeira parte, uma vez que Fejsa já se encontrava amarelado, o que obrigava o número 85 da turma encarnada a estar sempre próximo do jogador sérvio para parar alguma jogada mais perigosa da Académica, caso fosse necessário.

Apesar de terem efectuado uma exibição cinzenta durante os primeiros 45 minutos, Gaitán ganha um penálti que Jonas converte em golo, chegando assim o Benfica ao intervalo a vencer por 1 a 0.

A segunda parte começou com mais do mesmo. Com uma Académica mais pressionante do que na primeira parte, continuou a ver-se um Benfica acanhado, um Benfica que só criava perigo através de arrancadas individuais. Apesar desta exibição fraca e algo displicente o emblema vermelho e branco lá chegou ao 2 a 0, outra vez de penálti e outra vez por Jonas.

Com a entrada de Samaris ao minuto 67, o Benfica ganhou outra consistência no miolo do terreno pois deixou Renato mais solto e com mais liberdade para subir no terreno. Com a entrada de Guedes ao minuto 75, a equipa encarnada ficou com outro fulgor atacante. Com estas duas alterações a bola circulava melhor pelos jogadores encarnados, que conseguiam chegar mais vezes à área da Académica. Ao minuto 85 aconteceu magia na Luz. Renato Sanches, com um remate poderoso, marca um golo monumental que faz levantar o estádio inteiro.

Apesar de o resultado ter ficado em 3 a 0, o futebol praticado pelo Benfica voltou a não convencer, e a estratégia que Rui Vitória adoptou para este jogo, na minha óptica, voltou a não ser a mais correcta. Resta então saber se estas alterações em relação ao onze que alinhou em Braga foram já a pensar no jogo com o Atlético de Madrid ou se foi pura estratégia por parte de rui Vitória.

A Figura:

A Figura foi sem dúvida Renato Sanches, que, apesar de não ter sido o melhor em campo, realizou mais uma vez uma boa exibição e marcou um golo de levantar todo o estádio. A maturidade como aborda cada lance e a forma desinibida como pede a bola e a transporta para o ataque é sinónimo de grande jogador.

O Fora-de-Jogo:

O Fora-de-Jogo vai para Mitroglou, que passou completamente ao lado da partida. Mitroglou não é jogador para este tipo de jogos; é jogador para jogos “abertos” e não para partidas como esta, em que o sistema de jogo do adversário se baseia na defesa, deixando o grego desamparado na frente de ataque.

Foto de capa: Sport Lisboa e Benfica

A um jogo do Olimpo

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Ao contrário do que se pode pensar, um treinador que escolhe um clube habituado a ganhar não tem uma balança muito desequilibrada no que toca aos prós e contras. Se ganhar, não fez mais do que outros fizeram. Não foi além das suas obrigações, tendo em conta a superior qualidade do plantel. Contudo, se não ganhar coloca uma mancha negra no currículo, que terá, inevitavelmente, repercussões na carreira.

No Olympiakos, crónico campeão grego, não ganhar está fora de hipótese e ganhar por ganhar não é suficiente. Assim, a interpretação de que Marco Silva jogou completamente pelo seguro quando aceitou mudar-se para a Grécia não é indiscutível, até porque falamos de um clube com uma massa adepta exigente e onde a pressão é constante. Depois de sair do Sporting envolto num processo polémico, o treinador português sabia que precisava de dar (mais) uma prova clara de qualidade e, apesar de ter, de longe, o melhor plantel do campeonato, nem nos melhores sonhos imaginaria um início tão auspicioso. O Olympiakos tem feito uma campanha perfeita e venceu os doze encontros que disputou até ao momento, superando o melhor arranque de sempre – um recorde de 1966/67. Mesmo com o triunfo na secretaria sobre o rival Panathinaikos, não há maneira de tirar o mérito ao conjunto de Marco Silva.

Marco Silva
Marco Silva vai batendo recordes na Grécia
Fonte: Olympiakos FC

Para além do percurso imaculado a nível interno, o campeão grego está a uma “final” de conseguir um apuramento improvável para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. À partida, um grupo com o Bayern e o Arsenal não daria muitos motivos para sonhar, mas um triunfo épico em Londres, por 3-2, colocou o jogo a favor da equipa de Marco Silva. Na última jornada, o Olympiakos recebe os gunners de Arsène Wenger com a certeza de que um empate garante a qualificação e que uma derrota por menos de dois golos pode ser suficiente. O treinador português deverá repetir a estratégia que tem adoptado nos compromissos europeus de maior exigência, abdicando do duplo pivot habitual em jogos do campeonato e reforçando o meio campo com a entrada de Esteban Cambiasso. O médio argentino, que chegou nesta temporada proveniente do Leicester, não tem sido preponderante na liga grega mas tem feito a diferença na Champions, aproveitando a enorme experiência internacional que possui.

No campeonato grego, onde o fosso entre o Olympiakos e as restantes equipas é bastante considerável, Marco Silva tem disposto a equipa num 4-2-3-1 sem nenhum médio de características assumidamente defensivas. Pajtim Kasami, “eterna” promessa suíça que, aos 23 anos, parece finalmente querer dar o salto, e Luka Milivojevic, sérvio de 24 anos que vai relançando a carreira no Pireu depois de uma experiência falhada no Anderlecht, têm chegado para as tarefas defensivas e acrescentam a qualidade necessária no capítulo ofensivo.

Se há um nome a destacar no Olympiakos, é claramente o de Kostas Fortounis. O médio, que já tinha estado em bom plano na temporada anterior, tem sido a grande figura do emblema de Atenas e, consequentemente, do campeonato. Com Chori Domínguez, um dos melhores da história recente do clube, a acusar o peso da idade, o talento grego tem assumido todo o protagonismo no meio campo ofensivo, confirmando o potencial que há muito lhe é reconhecido. Para além de ser um jogador tecnicamente evoluído, demonstrando qualidade no passe e no drible, tem impressionado pela facilidade em aparecer em zonas de finalização, sendo o melhor marcador do conjunto de Marco Silva, com 9 golos. Tenha ou não capacidade de manter este nível até ao final da época, já provou que tem talento a mais para continuar na liga grega. Numa fase em que a selecção helénica precisa urgentemente de novas referências, Fortounis é um dos mais fortes candidatos a assumir esse estatuto.

Kostas Fortounis: o maior talento do campeonato grego Fonte: Olympiakos FC
Kostas Fortounis: o maior talento do campeonato grego
Fonte: Olympiakos FC

Sem dinheiro para contratações milionárias, Marco Silva viu no campeonato português, que bem conhece, o mercado ideal para apetrechar o plantel do Olympiakos com mais soluções. Sebá, que orientou no Estoril, Hernâni, sem espaço no FC Porto, e Felipe Pardo, uma das figuras do Sporting de Braga nas últimas épocas, foram apostas do treinador português e têm contribuído para o fantástico momento dos campeões helénicos, acrescentando irreverência e capacidade de desequilíbrio. O antigo técnico do Sporting tem promovido uma rotação saudável nas alas, dando tempos de jogo semelhantes a todos os extremos do plantel, mas o colombiano tem-se destacado na Liga dos Campeões, marcando 3 golos decisivos. Frente ao Dínamo de Zagreb, colocou Marco Silva a festejar como nunca o tínhamos visto. Em termos internos é o talentoso esquerdino Jimmy Durmaz, exímio marcador de bolas paradas, que tem maior influência na equipa, não só por ser o mais utilizado mas também porque tem números bastante relevantes (4 golos e 4 assistências).

O Olympiakos aproveitou as experiências falhadas de Ideye Brown e Alfred Finnbogasson nos anteriores clubes para conseguir dois jogadores muito interessantes para o eixo ofensivo. O possante avançado nigeriano brilhou em Kiev, mas desiludiu no WBA e vai tentando reencontrar-se com os golos em Atenas. Tem levado a melhor na disputa com o islandês, que, apesar de ter destruído defesas na Holanda, não foi capaz de fazer o mesmo ao serviço da Real Sociedad. Para já, a mudança para o Pireu não trouxe de volta o goleador, que vai deixando a ideia de ser um valor inflacionado pelas fragilidades defensivas da Eredivisie.

Não se admirem com o facto de ainda só ter mencionado jogadores que actuam do meio campo para a frente. O sector defensivo é quase dispensável a nível interno, como se comprova pelo registo de 34-5 em golos. O papel de Roberto Jiménez e Manuel da Costa é, por isso, algo secundário nesta equipa de Marco Silva. Os velhos conhecidos dos portugueses, ambos com 29 anos, são os jogadores mais experientes do 11 habitual e, mais do que brilhantes, têm sido eficazes. O central, que passou ao lado de uma grande carreira, forma uma dupla consistente com o espanhol Alberto Botía, também ele uma promessa que não alcançou o nível que se esperava, e o guarda-redes continua a apagar a passagem infeliz pelo Benfica. Sem grandes responsabilidades defensivas, os laterais Arthur Masuaku, pela esquerda, e Omar Elabdellaoui, do lado direito, dão muita profundidade e são duas peças fundamentais na manobra ofensiva do campeão grego, tendo potencial para outros voos.

O campeonato dificilmente fugirá a Marco Silva, como acontece com quase todos os treinadores que têm passado pelo Olympiakos. Leonardo Jardim foi despedido a meio da temporada mas teve um papel decisivo no título de 2012/2013, e Vítor Pereira conseguiu corrigir o mau arranque de Michel e também foi campeão em Atenas. Apesar do recorde na liga grega, só um resultado positivo frente ao Arsenal dará um estatuto especial a Marco Silva na comparação com os outros técnicos portugueses que passaram pelo Pireu. Depois de fazer o Sporting regressar aos títulos, o treinador de 38 anos está a um jogo de entrar no Olimpo do Karaiskakis e de abrir as portas para um campeonato de topo.

Foto de Capa: Olympiakos FC

Jogadores que Admiro #48 – João Benedito

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Num mundo tão vasto quanto o do desporto, quantos foram, até hoje, os atletas que passaram vinte anos das suas carreiras no mesmo clube? Quantos foram os atletas que recusaram, por diversas vezes, propostas mais aliciantes, de ligas e/ou clubes mais poderosos? Quantos foram os atletas que entraram em campo, a cada jogo, sempre com o mesmo entusiasmo e espírito de sacrifício? Muito poucos, seguramente; a nível pessoal apenas conheço um: João Benedito, antigo convidado do programa de rádio do Bola na Rede.

No Sporting desde 1994, onde chegou em idade ainda júnior, João Benedito apenas se ausentou do clube durante uma época: em 2006/2007, quando aceitou a proposta dos espanhóis do Playas Castellón. Na despedida do clube de Alvalade, marcada por muitas lágrimas de parte a parte, João Benedito prometeria o regresso, que aconteceria logo na época seguinte.

A partir daí o capitão leonino fez questão de definir bem o seu trajecto, afastando sempre a mais pequena hipótese de transferência para qualquer outro clube. Actualmente, a maior batalha que tem travado é com o pendurar das chuteiras, uma vez que já tem 37 anos e, por muito que custe a qualquer adepto de futsal, a verdade é que o fim de carreira já se avizinha.

oão Benedito estará, aos 37 anos, muito próximo de terminar a carreira Fonte: Facebook do João Benedito
João Benedito estará, aos 37 anos, muito próximo de terminar a carreira
Fonte: Facebook do João Benedito

João Benedito é o exemplo perfeito de um excelente desportista, sportinguista e ser humano. Enquanto desportista, desde cedo que começou a contagiar tudo e todos com a sua garra e a sua dedicação à modalidade, tornando-se um verdadeiro líder, capaz de cativar qualquer um no pior dos seus dias, o que, a aliar a toda a sua qualidade, marcou, de forma profunda, o futsal nacional. A sua veia sportinguista também se faz notar das mais variadas formas; o próprio não se coíbe de mostrar o orgulho que sente por ser capitão do seu clube de coração, deixando orgulhosos todos os sportinguistas, bem cientes de que atletas devotos como o capitão da sua equipa de futsal existem muito poucos actualmente.

Por último, mas não menos importante, é um verdadeiro gentleman, dotado de um raro desportivismo que marcou toda a sua carreira. Defendendo sempre os seus interesses e os do clube, João Benedito nunca teve qualquer declaração polémica, privilegiando sempre o respeito e o fair-play, entre selecções, equipas e jogadores.

O jogador que ninguém, seja de que clube for, consegue odiar. João Benedito é um exemplo para todos, dentro e fora das quatro linhas. Um verdadeiro ídolo, o que escasseia nos tempos modernos.

Foto de Capa: Facebook de João Benedito

FIBA Europe Cup’2015 : Não ao isolamento

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O SL Benfica e o FC Porto, a jogarem em casa, chegaram à última jornada da Euro Cup da FIBA com possibilidades de passarem à fase seguinte (Round 32). No entanto, perderam e ficaram pelo caminho.

O FC Porto tinha uma tarefa muito complicada. O Fraport Skyliners da Alemanha é uma boa equipa, entrou bem no jogo e rapidamente ganhou vantagem pontual decisiva. Mais fortes na área pintada, os alemães conseguiram aguentar a natural reacção dos nortenhos, que lançaram com fracas percentagens de lançamentos de campo (17% nos triplos) mas nunca desistiram. Os alemães seguem em frente só com vitórias, enquanto o FC Porto, com um saldo de duas vitórias e quatro derrotas, fica eliminado.

Já o SL Benfica só pode queixar-se de si próprio. Acaba também a participação na prova sofrendo o cesto da derrota frente aos Belgas do Antwerp Giants no último segundo. A jogada de linha lateral aparece após um desconto de tempo e foi bem preparada pelo técnico do Antwerp, que recorreu a uma jogada clássica e de todos conhecida: American play. O mais normal é que, com este movimento colectivo, as equipas consigam libertar uma ou duas linhas de passe (interior e exterior). O que já não é muito normal a este nível foi a resposta da equipa nacional. Com trocas e ajustes conseguiram tapar as linhas de passe principais, mas, para surpresa de todos, o americano Cook perdeu o seu adversário directo e permitiu um passe em diagonal de Carleton Scott para um cesto fácil de Kwane Vaughn.

Momento do erro que ditou a derrota encarnada
Momento do erro que ditou a derrota encarnada

Com um saldo igual ao do FC Porto, o Benfica tem claramente equipa para ir mais além. Neste tipo de provas os pequenos erros originam quase sempre derrotas. Para ganharem, as equipas necessitam de ser consistentes em todo o encontro, e os lisboetas nunca o foram, andando demasiado tempo a correr atrás do prejuízo. A estatística mais uma vez não mente: o Benfica perdeu 15 bolas, o que originou mais 11 pontos para o adversário, enquanto das perdas de bola deste só conseguiu marcar seis pontos.

Bastava que o norte-americano D. Cook jogasse como normalmente (péssima pontaria: 20% de acerto e cinco perdas de bola) e seguisse o exemplo de Carlos Andrade (17 pontos, com boas percentagens, lançamentos e apenas uma perda de bola) para que os benfiquistas estivessem agora a comemorar mais um feito.

Claro está que o passado internacional do nosso Basquetebol nestas provas não é brilhante. A grande excepção foi no século passado, com a equipa de Lisboa, Mike, J. Jacques e outros que encheram pavilhões e deram vitórias históricas ao clube. A primeira vez que uma equipa nacional conseguiu ultrapassar a fase inicial data já de 1972, e ninguém melhor do que eu se lembra do feito: o SL Benfica eliminou os ingleses do Sutton na Taça Clubes dos Campeões Europeus.

Carlos Andrade foi dos melhores em campo Fonte: SL Benfica
Carlos Andrade foi dos melhores em campo
Fonte: SL Benfica

Na altura, o célebre treinador Teotónio Lima já dizia: “Hoje não é difícil convencer os jogadores de que têm de treinar todos os dias. O difícil é convencê-los de que esses treinos terão de ser intensos. Nas competições internacionais vão encontrar a prova provada de que tem de ser assim”. Nos últimos anos, as equipas masculinas abandonaram as competições internacionais, ficando o Basquetebol reduzido às competições locais neste “canto à beira mar plantado”. O FC Porto esteve 12 anos sem participar internacionalmente, enquanto o Benfica já tinha regressado no ano passado.

O que faltou às nossas equipas para seguirem em frente?

Claramente a ambos faltou ritmo e experiência internacional. A competição da LPB é fraca e jogada a um ritmo baixo. Sem oponentes à altura, o Benfica ganha quase sempre, o que desmotiva tudo e todos. Para seguir em frente, o SL Benfica pode ter de fazer alguns ajustes no próximo ano no plantel mas tem tudo para ser mais ambicioso. Já o FC Porto tem uma equipa bem organizada, mais jovem mas que necessita claramente de estrangeiros de valia superior para sonhar com outro patamar.

Pedro Bastos foi dos jogadores que mais ganhou com esta participação na Europa Fonte: FC Porto
Pedro Bastos foi dos jogadores que mais ganhou com esta participação na Europa
Fonte: FC Porto

Mesmo em tempo de crise financeira a opção só pode ser a continuidade da aposta internacional. Que o digam José Silva, Pedro Bastos e Miguel Queiroz, do FCP, e Mário Fernandes, João Soares e Tomás Barroso, do SLB, entre outros que em nada ficaram a perder no confronto internacional.

Mais do que regulamentar e proibir os estrangeiros de participarem nas nossas provas, o que temos de promover é o contacto internacional. Os bons jogadores nacionais acabam sempre por jogar e por sobressair como agora ficou claramente provado. A ganhar ficou também a seleção nacional; temos agora um leque mais alargado de jogadores com alguma experiência internacional, o que pode ser útil para os próximos confrontos.

O isolamento nunca leva a lado nenhum…

Imagem de capa: FC Porto

Rotações “Lopeteguianas”… Não resultam bem!

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À excepção da goleada de ontem diante do União da Madeira, culminada com 3 golos em cerca de 10 minutos frenéticos e outro já no período de descontos e de bola parada, a rotação excessiva de Lopetegui tem voltado a custar pontos (e talvez milhões no caso da champions) e parece que estamos a voltar aos mesmos erros que o mesmo cometia e parecia, neste início de época, que tinha aprendido… Ora vejamos:

Porto vs Dinamo Kiev: a jogar em casa e, precisando apenas de 1 ponto para garantir a passagem à próxima fase da liga milionária, o técnico espanhol amedrontou-se e “espetou”  3 médios de características pouco ofensivas (Neves, Danilo e Imbula), numa clara estratégia de contenção, a fazer lembrar Jorge Jesus quando ia jogar ao Dragão para não perder e geralmente… Perdia. Com o 0-1 ao intervalo e a equipa a precisar de mais fulgor ofensivo, o que faz o treinador? Tira um jogador que dá imensa profundidade ao plantel (Maxi), mexe em toda a estrutura defensiva e passa Indi para a lateral esquerda, move Layun para o lado oposto e recua Danilo para… Central! Ou seja, toda a defesa e médio mais defensivo mudaram as posições menos… Marcano (que ainda assim passou de defesa centra direito para defesa central esquerdo… Um mal menor). Aí o jogo é dado como perdido por parte dos próprios adeptos, e nem a entrada de quem nunca devia ter saído (André) animou as hostes azuis-e-brancas. Perdemos, fomos altamente assobiados em pleno Dragão e a passagem à próxima eliminatória avizinha-se quase impossível, pois ganhar em Inglaterra é sempre uma tarefa muito complicada. Por isso, muitos milhões em causa graças às “manias” eternas do Sr. Julen;

Tondela vs Porto: depois da péssima imagem deixada no jogo da champions, os adeptos exigiam uma exibição de gala, e nada melhor que um clube com as características do Tondela (sem menosprezo!) para vermos uma avalanche ofensiva dos Dragões. E até começou bem, com Bueno a entrar directamente para o onze (embora para uma posição que não rende, quando já se viu que a jogar como falso 9 é sinónimo de golos) e Herrera, que aos poucos vai ganhando ritmo para voltar a ser o que foi: o motor do meio campo. Surpresa: saltou de titular para não convocado o sr. “20 Milhões” Imbula, que demora a demonstrar aquilo que é: o melhor médio de transições de Portugal. Até estava tudo a correr bem, com Brahimi a presentear os adeptos com um dos golos da época e uma primeira parte dominada pelos azuis-e-brancos, que só pecou pelos escassos números. Na segunda parte… Voltaram as invenções! Se a saída de Bueno para dar lugar a Tello pode ser considerada normal, já as restantes foram apenas para dar razão a assobios dos adeptos! Ao minuto 68, Lopetegui retira de campo o grande esteio defensivo da equipa (Marcano) para fazer entrar o jovem Rúben Neves, recuando Danilo para… Defesa central! A equipa ficou muito frágil e o Tondela começou a “sair da casca” e foram precisos 11 minutos para o treinador fazer entrar um defesa central (Maicon) para retirar… Brahimi.

E aí ficamos a jogar com a equipa num sistema que dá resultado na champions (1-4-3-3), com André André numa linha, mas que com uma equipa destas características pode ser suicídio. E quase era, se não fosse “san Iker”, que, redimindo-se do erro cometido ante o Dínamo, defendeu um penalti de forma fantástica. Mais um vez, acaba o jogo, 3 pontinhos no bolso, mas uma exibição que valeu mais assobios. Nota ainda que, em caso de dúvida, já se viu que este ano é para prejudicar o Porto. Um penalti extremamente duvidoso, mas prontamente assinalado, como a expulsão de Osvaldo ontem ou os já vários penaltis por marcar a favor dos Dragões, que são facilmente assinalados “noutros” campos;

A Champions em risco?  Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui
A Champions em risco?
Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui

União da Madeira vs Porto: Mais um jogo, mais uma invenção. Continua de fora Imbula, salta de titular para a bancada Bueno e Osvaldo assume o ataque (que mais à frente seria, como já disse, injustamente expulso). Não fossem aqueles 10 minutos de alta eficácia de Herrera, Brahimi e Corona, corríamos o risco de ter outros jogo como o anterior: Porto sempre em cima mas pouco eficaz, pouco rematador, sequer. Corona demonstra que deve e tem de ser titular; Brahimi é Brahimi e faz sempre a diferença e Osvaldo não é o homem golo que muitos pensaram ao início. Salvou-se o avolumado resultado (talvez excessivo para a equipa da casa) num jogo que não me encheu o olho, ao contrário das exibições de início da temporada.

Infelizmente, Osvaldo não consegue afirmar-se e, a bem de Bueno e André Silva, espero que volte para o clube onde admite sentir-se feliz: Boca Juniors. Aliás, nem percebo como pode sequer fazer parte das escolhas do técnico quando é público que o clube argentino e o próprio jogador querem a “repescagem” do avançado. Ainda assim, se o jogador sair e o “milagre” champions for concretizado, a busca por um matador no mercado será inevitável. Aboubakar é sinónimo de trabalho mas não de golos, como Falcao ou Jackson, é um bom jogador mas que por uma proposta de 30 milhões era “pegar ou largar!”, visto que não vejo o avançado evoluir muito mais. É muito bom, mas não passará ao patamar de topo como os anteriores nomes que disse; Bueno é o tal jogador que nunca vi como ponta-de-lança e referi-o na minha análise aos reforços na pré-época. E a equipa não pode apenas depender da imensa já apresentada qualidade de André Silva. Caso a equipa seja renegada para a “segunda liga” Europeia, penso que o actual plantel chega e sobra e, se acontecer mesmo, é bom que seja para ganhar!

Não pense o leitor que tive um “volte-face” na minha opinião e agora odeio Lopetegui, não! Continuo a achá-lo um treinador incompreendido e que consegue meter equipas a jogar um grande futebol… “Apenas” as suas teimosias podem levar a que saia antes do seu tempo, como foi com Co Andriaanse. E nisto, o meu sonho de poder ver Villas-Boas voltar ao Dragão no final da época sobrepõe-se a tudo mais… Lembrem-se de que o jovem técnico já comunicou que será obrigado a abandonar os russos do Zenit por imposição das novas regras federativas, onde só são permitidos técnicos naturais daquele país (exceptuando o seleccionador).

Passo a passo, ponto por ponto… Acredito na equipa, nos treinadores (quando não inventam…) e, acima de tudo, no meu presidente, que continua a depositar toda a confiança em Lopetegui! Mas, caso isso mude, pense nestes dois nomes para substituir: Villas-Boas e Vitor Pereira!

Ao meu actual treinador, apenas peço que largue essas teorias da rotação “Lopeteguiana” e se concentre em fazer a equipa voltar a jogar e a encantar!

Foto de capa: Futebol Clube do Porto