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As Arestas por Limar

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Após o jogo da passada segunda-feira, que opôs o Sporting Clube de Portugal frente ao Belenenses, ficou bastante claro, para mim, uma das dificuldades, se não a maior, com que Jorge Jesus se tem deparado. Falo da falta de largura, até certo ponto voluntária, do jogo do Sporting. O que pretendo com este artigo é tentar perceber o porquê do surgimento deste problema; se é voluntário ou não e ainda as formas de este não ser tão notório.

A chegada do treinador bicampeão nacional a Alvalade trouxe mudanças importantes no que ao capítulo tático diz respeito; o habitual 4-3-3, com diferentes nuances consoante o treinador, foi substituído pelo 4-4-2 de Jesus. Ora, este sistema, apesar de apresentar grandes vantagens, sobretudo contra equipas teoricamente inferiores – maioritariamente no plano nacional -, não traz apenas mais valias.

O 4-4-2 de Jesus obriga a que os laterais joguem bastante subidos e, consequentemente, que tenham um cariz atacante bastante elevado. Se olharmos para os seis anos de Jorge Jesus ao serviço do Benfica, podemos constatar que teve sempre ao seu dispor laterais com estas características (à direita, Maxi Pereira; à esquerda, Coentrão, Siqueira e Eliseu). Contudo, e retirando Jefferson desta lista, que curiosamente não esteve ao dispor do treinador leonino na passada segunda-feira, Jorge Jesus não tem atualmente jogadores com essas características ao seu dispor (João Pereira, que é o elo mais fraco do plantel do Sporting; Jonathan e Esgaio, que, apesar de terem uma margem de progressão enorme, ainda não cumprem os requisitos que Jesus pretende).

Posto isto, e porque não gosto de faltar ao prometido, respondo agora às duas primeiras questões a que me propus no início deste artigo.

A posição de defesa direito tem sido uma das maiores preocupações de Jesus Fonte: Sporting CP
A posição de defesa direito tem sido uma das maiores preocupações de Jesus
Fonte: Sporting CP

Em primeiro lugar, o surgimento deste problema, como pretendo que tenha ficado claro nos parágrafos anteriores, é provocado pela pouca qualidade dos laterais do Sporting – volto a referir, retiro Jefferson desta lista. Em segundo lugar, penso que será claro para todos a obsessão de Jorge Jesus pelo jogo interior – a inclusão de Bryan Ruiz e João Mário como interiores constata isso mesmo. No entanto, o facto de as equipas de Jorge Jesus privilegiarem o jogo interior, e bem, é colmatado com as constantes subidas dos laterais, que, na equipa do Sporting, não se verificam. Isto leva-me ao último ponto do meu artigo.

Certamente, e melhor do que ninguém, Jorge Jesus já se terá apercebido deste problema e não será por acaso que os nomes já assegurados para a segunda metade da temporada – Marvin Zeegalar, lateral esquerdo que ainda carece de confirmação oficial e Ezequiel Schelotto, que é lateral direito – vem colmatar esta falha. Contudo, e porque o mês de Dezembro vai ser bastante exigente, penso que, e partindo do principio de que a produção dos laterais do Sporting não sobe substancialmente de nível, a inclusão de jogadores como Gelson Martins ou Matheus Pereira no onze inicial poderá colmatar esta lacuna.

Apesar destas pequenas arestas no jogo do Sporting, gostava de reforçar que nem por isso deixa de ser, até agora, a mais regular e melhor equipa no futebol português.

Deu Verdão!

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brasileirao

Depois da ressaca do hexacampeonato ganho pelo Corinthians, eis que, curiosamente, mais duas equipas Paulistas se encontravam para um duelo da final da Copa do Brasil – uma espécie de Taça de Portugal, a prova rainha do futebol brasileiro. As únicas diferenças para a nossa bem conhecida Taça é que na Copa brasileira o vencedor apura-se diretamente param a Libertadores – a prova de clubes mais importante da América do Sul. Além disso, o troféu não é tão antigo como o nosso: a primeira edição data de 1989. Recente, portanto.

Os maiores vencedores são o Grémio e o Cruzeiro, com quatro Copas cada um. Segue-se o Flamengo, Coritnhians e agora também Palmeiras, com três cada um, a fechar o pódio. A última diferença em relação à nossa competição é que a final é jogada a duas mãos. Na semana passada o Santos venceu por 1-0, em casa, na Vila Belmiro.

O Verdão entrava no seu estádio, o novo Allianz Parque, portanto, mais pressionado, visto que qualquer resultado que não o empate daria o título ao alvinegro santista. Porém, Dudu bisou já na segunda parte, sendo o último dos golos marcado a cinco minutos do fim. Quando todos pensavam que este ia ser o resultado final e que o Palmeiras levaria a Copa para casa ao fim dos 90 minutos, Ricardo Oliveira – que com 35 anos continua numa forma invejável – tratou de adiar essa decisão para os penáltis.

A festa palmeirense  Fonte: esporte.uol.com.br
A festa palmeirense
Fonte: esporte.uol.com.br

O Porco (mascote do Palmeiras) foi mais feliz na marcação das grandes penalidades e venceu o Peixe (mascote do Santos) por 4-3. Foi uma vitória suada da nação palmeirense, que depois de um ano suado na segunda divisão, em 2013, acaba por fazer um campeonato estável e ainda vence a Copa do Brasil. Esta é uma das maiores torcidas do Brasil. Quanto ao Santos, convém lembrar que desde a saída de Neymar para Barcelona, não logra vencer sequer um título – nem mesmo um Estadual Paulista.

Foi um ano de domínio das equipas de São Paulo, sem dúvida, como há muito não se via. Hoje o Palmeiras pode comemorar: afinal, venceu a sua terceira Copa do Brasil, juntando-se em número de títulos com o já referido Flamengo e com os eternos rivais do Corinthians.

Foto de Capa: blogdojuca.uol.com.br

Higuaín comanda o sonho napolitano

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cab serie a liga italiana

Com 14 jornadas disputadas, o Nápoles é líder isolado da Série A, feito que não acontecia há 25 anos, e os seus adeptos voltam a sonhar com o scudetto, que lhes foge desde a época 1989/90, quando o mítico Diego Maradona ainda deslumbrava com o seu futebol pelos relvados italianos.

Fator decisivo para a boa campanha desempenhada pelos napolitanos nesta temporada tem sido o contributo que Gonzalo Higuaín tem dado à equipa. El Pipita está a realizar o melhor arranque de época desde que chegou a Itália e leva já 12 golos em 14 partidas no campeonato, dados que fazem dele o melhor marcador da Série A. A acrescentar a esses números, é de salientar que o internacional argentino soma oito jogos consecutivos a fazer balançar as redes da baliza adversária no Estádio San Paolo e está perto de igualar o recorde protagonizado por Maradona em 1987/88 (nove jogos seguidos a marcar em partidas caseiras).

As exibições do avançado, que cumpre a terceira época em Itália, depois de ter passado pelo Real Madrid, têm sido fulcrais para a liderança isolada do emblema do sul de Itália no campeonato, facto que se refletiu na passada jornada, quando o Nápoles defrontou o Inter, estando em disputa o primeiro lugar da tabela. A veia goleadora de Higuaín, que apontou dois golos no encontro, deu o triunfo e a desejada liderança isolada aos azzurri.

Nápoles sonha com o scudetto que não vence desde 1990 Fonte: SSC Nápoles
Nápoles sonha com o scudetto que não vence desde 1990
Fonte: SSC Nápoles

O Nápoles tem realizado boas campanhas no campeonato em anos recentes, inclusive alcançou o segundo lugar em 2012/13, mas o poderio avassalador da Juventus por terras transalpinas tem sido indiscutível nos últimos anos. Ainda assim, com o mau começo de época protagonizado pela vecchia signora (está a sete pontos da liderança), esta é a oportunidade ideal para o Nápoles voltar a estar no topo do Calcio. Ainda que esta temporada esteja a ser pautada pelo equilíbrio no topo da tabela classificativa, pode valer aos napolitanos a inconsistência de resultados e falta de regularidade que clubes como o Inter ou a Roma têm apresentado em tempos recentes, e o facto de o Fiorentina não ter plantel para chegar e manter-se no posto cimeiro do campeonato durante toda a época.

Se Higuaín conseguir manter este registo goleador e a equipa continuar com a consistência e senda vitoriosas que tem evidenciado sob o comando de Maurizio Sarri – técnico que está já a deixar a sua marca no clube, logo na primeira época -, o Nápoles, que conta nas suas fileiras com outros jogadores fulcrais no sucesso da equipa (casos de Marek Hamsik, José Callejón, Lorenzo Insigne, Dries Mertens, Pepe Reina, Albiol, entre outros), pode voltar a fazer os seus adeptos sorrir e festejar novamente, após a gloriosa passagem do lendário Diego Armando Maradona no clube.

Foto de Capa: SSC Nápoles

Júlio César e Jonas. Já ouviste falar, Dunga?

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cabeçalho benfica

“Jonas e Júlio César nomeados para o prémio Samba de Ouro”. Dunga, leste isto? É com muito agrado que vejo que no Brasil olham para estes dois grandes jogadores como estando entre os melhores a actuar na Europa. Ao que parece, só mesmo Dunga é que não vê; Dunga e alguns benfiquistas, uma vez que parece que está a nascer um ridículo manifesto contra o Jonas. Não se devem lembrar do último grande jogador brasileiro que se foi embora e que também era fortemente criticado pela massa associativa.

Para quem não sabe, o prémio Samba de Ouro premeia o melhor jogador brasileiro a actuar na Europa. As últimas edições foram ganhas por Neymar, Thiago Silva (3), Maicon, Luís Fabiano e Kaká. É uma honra, um apanágio para qualquer benfiquista, ver dois dos seus jogadores a integrarem uma lista onde constam grandes nomes do futebol mundial como Thiago Silva, Neymar, Willian ou Philipe Coutinho. Agora resta esperar que Dunga olhe para esta lista e deixe de ser Dunga! Como é que pode deixar que Jonas não integre a lista de convocados quando o Brasil, depois de ter perdido Diego Costa num bate-boca estúpido, não tem nenhum ponta-de-lança puro e goleador? Há jogadores que podem fazer essa posição? Sim, há. Mas toda e qualquer selecção precisa de uma referência lá à frente e a Jonas não faltam argumentos, sobretudo ganhos nesta última época, para se afirmar como esse avançado na frente de ataque. Sobre Júlio César a situação chega a ser ainda mais anedótica.

Quando para o primeiro ainda me podem falar em colocar o Neymar a ponta-de-lança – algo de que eu não gosto porque perco o deleite de ver aquelas movimentações da linha para o centro da área acompanhadas por uma bela finta – nesta não há solução melhor. Vejamos os nomes que têm sido chamados : Marcelo Grohe, Jefferson, Cássio e Alisson Becker. Analisando a última época do Júlio César e esta primeira metade, quais destes guarda-redes se exibiram a um nível tão determinante como o ex-campeão europeu? Leia a lista, senhor Dunga.

As críticas a Jonas são injustas. Oxalá que o brasileiro volte a marcar para calar os assobios. Fonte: Facebook oficial de Jonas Gonçalves
As críticas a Jonas são injustas. Oxalá que o brasileiro volte a marcar para calar os assobios
Fonte: Facebook oficial de Jonas Gonçalves

Tanto um como outro são jogadores preponderantes no Benfica. Júlio César voltou a trazer segurança às redes encarnadas; a defesa deixou de estar constantemente preocupada com o que se passa nas suas costas como era no tempo de Artur. Já Jonas é um artilheiro, uma dinamite, tudo! Marca, dá a marcar, foi eleito o melhor jogador do campeonato na época transacta e por pouco não venceu a Bola de Prata. Sobre Jonas ainda há mais a dizer, especialmente sobre o actual momento de forma. É o melhor? Não, de longe. O Jonas não está a ter a prestação a que nos tem habituado, mas isso não merece nenhum dos comentários que lhe têm sido atirados. Eu não quero que ele saia do Benfica; é um excelente jogador e um trabalhador incansável!

Lembram-se da última birra dos adeptos em relação a Lima? Não marcava golos? Não. Decresceu de forma desde que foi contratado até à última época? Sim. Mas era um elemento fulcral no onze do Benfica, era o que mais trabalhava para a equipa, e Jonas está ressentir-se de não ter um Lima ao lado. A meu ver Jimenéz poderá vir a desempenhar esse papel, mas ainda precisa de muita bola. Por isso, por favor, deixem-se de birras, senhores adeptos benfiquistas, e desfrutem do facto de terem um dos melhores jogadores do campeonato, um artilheiro nato, na vossa equipa. Longa vida a estes dois grandes brasileiros que tão bem representam, nos seus clubes, a magia que outrora foi a selecção canarinha.

Foto de Capa: SL Benfica

União CF 0-4 FC Porto: Vendaval inicial vale vitória na Madeira

cabeçalho fc porto

Jogo de extrema importância para o Futebol Clube do Porto, na caminhada que se faz longa rumo ao título de campeão nacional. Os dragões foram para este embate com a plena noção de que eram precisom “argumentos para ganhar” a um União que tinha “vontade de pontuar em casa” e que se apresentava como a quinta melhor defesa do campeonato, apesar de ter dois encontros em atraso.

Destaque na equipa do FC Porto para as inclusões de Jesús Corona e Pablo Osvaldo na equipa inicial em detrimento de Bueno e Vincent Aboubakar respetivamente. Os azuis e brancos apresentaram no seu onze inicial: Casillas; Maxi Pereira, Martins Indi, Marcano e Layún; Herrera, Danilo e André; Corona, Osvaldo e Brahimi.
No União não existiram surpresas num onze composto por: André Moreira, Paulinho, Diego Galo, Paulo Monteiro, Joãozinho, Shehu, Soares, Gian, Amilton, Élio e Danilo Dias.

Na primeira parte entra melhor o FC Porto, com as linhas muitos subidas, com um meio campo muito móvel e com os alas muito ativos, naturalmente o golo surgia logo aos 12 minutos pelo médio mexicano Herrera. O dragão de ouro 2015 que está a viver uma época com altos e baixos ao serviço dos dragões, finaliza a meias com Joãozino, uma jogada muito bem construída a passar por quase todos os elementos do ataque do FC Porto.

Passado apenas 2 minutos é a vez que Brahimi corresponder a um cruzamento de Maxi da melhor maneira. Vendaval portista que tinha nos extremos e nos laterais os maiores intervenientes. O União com um meio campo muito musculado e compacto não conseguia travar as letais investidas dos dragões pelas faixas. Não tardava muito em acontecer o terceiro golo do FC Porto por intermédio de Jesús Corona, num cruzamento-remate com a bola a ressaltar num tufo de relva e a entrar ao ângulo superior esquerdo da baliza defendida por André Moreira. Uma felicidade que resulta num golo sensacional.

Até ao final do primeiro tempo o jogo era completamente controlado pelos comandos de Lopetegui, que com o resultado a seu favor dominavam com a sua típica posse de bola defensiva. É de realçar duas oportunidades, uma por Pablo Osvaldo num remate cruzado a embater em Paulo Monteiro e outra por Yacine Brahimi com André Moreira na pequena área a cortar as intenções portistas de chegar ao quarto golo.

A segunda metade conta uma história completamente diferente. A perder por três bolas o União tenta mais atrevidamente chegar à baliza de Casillas. Amilton e Shehu foram as principais dores de cabeça para os visitantes que apenas já jogavam com o relógio.
O FC Porto muito trapalhão a todos os níveis, a começar no guarda-redes que quase propiciou um frango aos 48 minutos e a passar por todos os elementos que não eram capazes de fazer um transporte de bola seguro, destacava-se o enorme número de passes falhados.

Vitória construiu-se bem cedo Fonte: FC Porto
Vitória construiu-se bem cedo
Fonte: FC Porto

A completar a má exibição na segunda parte do FC Porto, dá-se relevância à expulsão muito duvidosa de Pablo Osvaldo. O avançado argentino envolveu-se com Paulo Monteiro, com uma entrada de sola mas sem atingir o defesa. Expulsão exagerada protagonizada pelo árbitro Bruno Paixão.
Num jogo sem brilho de maior, ainda se viu André Moreira brilhar numa excelente defesa num livre cobrado pelo capitão portista Maicon e para terminar em beleza um golo apontado por Danilo Pereira numa jogada estudada, que começa na marcação de um livre. Maxi toca para Layún e o mexicano cruza para o coração da área, onde aparece Danilo Pereira com exuberância a finalizar da melhor maniera.

Vitória muito saborosa do FC Porto que vence com inteira justiça e põe fim à série de maus resultados na Madeira. Os azuis e brancos começaram a construir desde bem cedo a vantagem e até final não houve uma ocasião em que Casillas tivesse sido colocado à prova. Este triunfo deixa os dragões a dois pontos da liderança e com confiança acrescida para os próximos jogos com o Paços de Ferreira e Chelsea.

A Figura:

Danilo Pereira- Pelo virtuosismo e maturidade que apresentou. É hoje um jogador que sabe ler o que o jogo pede nos seus diversos momentos e também pelo golo mais do que merecido que marcou. Danilo mostra-se como a opção mais consistente no meio campo portista e que está pronto para ser titular da Seleção Nacional.

O Fora-de-Jogo:

Pablo Osvaldo – Não esteve bem, vê-se de longe que é um jogador sem rotinas de jogo e sem entrosamento dentro da equipa, apenas teve destaque num remate que nem sequer foi ao encontro da baliza. Começa a ser um jogador a mais no Futebol Clube do Porto, sem a simpatia dos adeptos e ainda por cima com a expulsão de hoje torna-se cada vez mais óbvio que em Janeiro, Osvaldo estará de saída da Invicta.

Foto de Capa: FC Porto

No Seixal nasce o futuro

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cabeçalho benfica

Até há meia dúzia de meses, morava na Luz um treinador que, quando questionado sobre a evidente falta de aposta em jogadores portugueses e atletas da formação, respondia desta forma: “Como não aposto? O que é a formação? São os jogadores que só estão no Benfica? Para mim não! Formar é trabalhar jovens, sejam eles portugueses, chineses, brasileiros…” (Record, 10/10/2014). Resposta errada. Não é tudo igual. Entre um sérvio de qualidade que o scouting descubra no Partizan e um jovem português formado no Seixal, com boas indicações dadas nos escalões de formação e que faça a mesma posição, a minha tendência será sempre escolher o segundo. O facto de ser português tem de pesar em caso de dúvida perante dois jogadores com idêntico valor. É obrigatório que assim seja.

A diferença está na mística. O tal sérvio de que falava, só para exemplificar, há de conhecer a rivalidade entre o Partizan e o Estrela Vermelha mas, quando chegar a Lisboa, o discurso da mesma eterna rivalidade, mas entre Benfica e Sporting, dir-lhe-á pouco. Antes de se preocupar com isso, tem de aprender a língua, conhecer a cidade, adaptar-se. E isso demora. Uns adaptam-se, outros não. Por outro lado, um jogador made in Seixal não tem este tipo de problemas. A mística foi crescendo com ele: quando via o pai festejar as vitórias; quando recebeu o seu primeiro cachecol; quando os pais o inscreverem nas escolinhas do Benfica e aí aprendeu a jogar; na escola, quando o “picavam” no dia seguinte a uma derrota do glorioso e ele fazia o mesmo aos amigos de outros clubes quando eles perdiam. Com 18/19 anos, todo este acumulado de emoções conta e faz toda a diferença, porque, antes de ser atleta, é adepto.

O mesmo treinador que nos deixou uma maldição que até hoje não foi quebrada, Bela Guttman, também cometeu a difícil proeza de tentar definir a tal “mística benfiquista”. E fê-lo de uma forma magistral: “Chove? Está frio? Está calor? O que importa!? Nem que o jogo seja no fim do mundo, entre as neves das serras ou no meio das chamas do inferno. Seja pela terra, pelo mar ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica atrás da sua equipa”. Com isto não quero, contudo, dizer que a mística não se ganha. Nada disso. Basta olhar para Gaitán ou Luisão. Para Aimar ou Cardozo. Jogadores “à Benfica”, que, ao longo dos anos, engrandeceram o nome do clube, deram tudo o que tinham em campo. Foram aprendendo a amar o Benfica.

A mística incorpora-se desde pequenino Fonte: SL Benfica
A mística incorpora-se desde pequenino
Fonte: SL Benfica

Felizmente, Rui Vitória, benfiquista de nascença, veio com o espírito de valorizar o Seixal. Contando com um apoio incondicional do Presidente (que esperava por esta mudança há pelo menos cinco anos), está a conseguir dar continuidade aos bons resultados, salvo alguns percalços, que se devem fundamentalmente ao facto de ser a sua primeira época a treinar um dos grandes, devido às mudanças que, ao contrário do que muitos dizem, operou na equipa e às saídas de jogadores habitualmente titulares na última época, como Lima ou Maxi. Mas o mais importante é que o atual treinador consiga aliar os objetivos traçados no início da época, ou seja, vencer todas as competições a nível interno (o campeonato ainda vai no adro, a Taça da liga ainda não começou e só a Taça de Portugal já não é alcançável) e passar a fase de grupos da Champions (feito, quando ainda falta uma jornada) com a progressiva entrada de jogadores vindos da formação na equipa principal. Foi isto que o treinador anterior nunca fez. Terá sido por medo de que corresse mal? Ou por falta de vontade? Talvez uma mistura das duas. Mas isso agora pouco importa.

Entrámos numa nova fase. Desengane-se quem pensa que o objetivo da estrutura é construir um Athletic de Bilbao português, com uma equipa totalmente vinda da formação, mas sim fazer aproveitar a juventude e energia dos mais jovens e manter a experiência dos jogadores mais velhos: “Este é o rumo, é por aqui que vamos, e tenho a certeza de que a médio e longo prazo vamos ser reconhecidos pela opção tomada. Mas apostar nos jovens não significa esquecer os símbolos, ou dispensar a experiência dos jogadores que sentem a responsabilidade de vestir esta camisola” (LFV, 07/11/2015).

Aos que ainda hoje duvidam de que grandes clubes europeus tenham pago 15 milhões de euros por quatro jogadores da cantera encarnada (André Gomes, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro e João Cancelo), eu peço que olhem para Gonçalo Guedes ou Renato Sanches e admitam que estes são jogadores valem, ou poderão vir a valer, tanto ou mais que isso. O Benfica é, há algum tempo, o clube português de onde saem mais jogadores para as seleções jovens. A aposta foi feita e agora está a dar frutos. São sinais dos tempos e o futuro começa agora.

Foto de Capa: Facebook Caixa Futebol Campus

A estrelinha (e o Jesus) que faziam falta no presépio

portaPara uma criança nascida a meio do anos 80 e que viveu a sua infância na década seguinte, ser do Sporting era um feito complicado. Poucas eram as conquistas – só me lembro da Taça de Portugal frente ao Marítimo e a Supertaça em Paris – e as equipas do Sporting padeciam sempre do mesmo problema: um começo cheio de fulgor e a todo o gás que rapidamente passava a desalento, chegando ao período de Natal já com os leões arredados da luta pelo título nacional, e de quando em vez também da Taça e das competições europeias.

É inesquecível para mim, e para a minha mãe que me relembra deste dia muitas vezes, a noite de 2 de Novembro de 1995.  O Sporting – após ter vencido 2-0 na primeira mão – foi a Viena defrontar o Rapid; mas numa eliminatória teoricamente acessível e perante um clube inferior, o estigma Sporting Roquettista fez-se sentir em todo o seu esplendor. Aos 90′, os austríacos empatam a eliminatória, já depois da jovem promessa Dani ter sido expulso após 20 minutos em campo e, no prolongamento, a reviravolta do Rapid consumou-se, deixando em casa uma criança de nove anos a chorar “baba e ranho” e a ser consolado pelos pais.

É por isso que neste momento quase rejubilo pela actual situação do Sporting e pela “sorte” que temos vindo a ter. É verdade que temos ganho jogos frente a equipas pequenas, daquelas que defendem com 10 ou 11 jogadores, perto do final das partidas. Tondela, Arouca e Belenenses foram vitórias tangenciais, mas nunca imerecidas; Em Tondela, logo na primeira jornada, o golo da equipa “da casa” foi marcado da forma que todos sabemos; em Arouca e em Alvalade enfrentámos duas equipas que têm treinadores competentes e que conseguiram travar o meio campo do Sporting. Mas, a grande questão aqui é: E depois, qual é o problema?

Quantas vezes vi o mesmo acontecer a clubes rivais? O Benfica, por exemplo, não empatou – e foi campeão – com o golo de Jardel em Alvalade aos 93′? O Porto, no célebre golo de Kélvin, não garantiu a vitória no campeonato aos 92′? O Chelsea, não venceu os encarnados na final da Liga Europa também no mesmo minuto? A sorte procura-se, a sorte constrói-se, a sorte “estima-se”… E este Sporting merece esta sorte e a tal estrelinha de campeão.

Neste último jogo, Jesus deu tudo o que tinha à procura da vitória e saiu-se bem com isso. A exibição não convenceu, não banalizámos os adversários como nos jogos frente a Benfica e Lokomotiv, mas e então? Ganhar são três pontos, seja por 1-0, 3-0 ou 7-1.

Jesus trouxe consigo a estrela que todos os vencedores possuem Fonte: Sporting CP
Jesus trouxe consigo a estrela que todos os vencedores possuem
Fonte: Sporting CP

Confesso que finalmente percebo o charme de Jesus. Ao talento táctico que já lhe reconhecia, e filtrando a sua maneira sui generis de ser e agir, junto agora uma admiração pelo potencial que tem em fazer passar a mensagem aos jogadores e a criar nos mesmos uma cultura de vitória à prova de qualquer dúvida. A confiança que João Mário, Slimani ou Adrien têm em campo nesta época são a prova do sucesso desta mesma mensagem de JJ. Creio ser realmente uma pena que uma instituição como o Benfica queira fazer de Jorge Jesus um bode expiatório da sua má gerência e que queira apagar da sua história centenária um treinador que trouxe glórias indeléveis aos encarnados; mas também essa foi a grande sorte – juntamente com a astúcia do presidente Bruno de Carvalho, do Sporting e dos seus adeptos.

Nos últimos três anos, chegámos a Dezembro ainda na discussão de todas as provas em que participámos; mas este ano, temos uma prenda especial no sapatinho: a liderança no campeonato. Mérito para a nova direcção e para todo o departamento de futebol, que tirou um Sporting preste a fechar portas do sétimo lugar da classificação e colocou-o no lugar de destaque que merece.

Tudo isto veio dar mais brilho ao nosso Natal, e assim consigo imaginar um presépio a que se juntam, este ano, três novas peças: A Estrela “de Campeão”, o nosso “menino” Jesus e, para dar um toque multicultural, um burro bem volumoso, obeso e farto e que só pára de zurrar ao som do megafone de José.

Foto de Capa: Sporting CP

Competição debutante promete espetáculo

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cab futsal

Conforme acordado pela Federação Portuguesa de Futebol em Abril de 2015, vamos ter pela primeira vez em 2015/2016 uma taça da Liga em Futsal. Para uma equipa se apurar para a competição necessita de acabar a primeira volta da Liga Sport Zone no top8 da tabela classificativa. Uma vez que a primeira volta já terminou, vamos agora observar os oito qualificados para este novo torneio: para além dos óbvios SL Benfica, Sporting CP, SC Braga e AD Fundão temos também o SL Olivais, a Burinhosa, o Modicus e o Belenenses.

Pessoalmente, só via nesta lista de apurados, no início da época, os Leões de Porto Salvo, que estão a fazer uma época muito má e bastante mais sofrível daquilo de que se estava à espera, tendo motivado uma troca de treinador já no decorrer desta época. Em sentido oposto está a equipa da Burinhosa, que até ao momento está a fazer um campeonato absolutamente fantástico, a justificar plenamente a sua presença entre a elite do futsal português.

A Burinhosa é a grande confirmação da primeira volta Fonte: Facebook “Burinhosa”
A Burinhosa é a grande confirmação da primeira volta
Fonte: Centro Cultural Recreativo e Desportivo Burinhosa

Por isso, a lista de apurados acaba por não fugir muito ao que eu antecipei antes do início da época regular, com a única exceção a ser aquela que já citei anteriormente. É de referir também que a competição se realiza no início do ano que vem, mais concretamente de 7 a 10 de Janeiro, e também que o alinhamento dos jogos será conhecido mais lá para a frente, assim como o local onde se irá realizar, estando estipulado apenas que será em terreno neutro para não atribuir qualquer vantagem competitiva aos participantes. O único condicionalismo para o sorteio é que o primeiro e o segundo classificados (respetivamente, SL Benfica e Sporting CP) no fim da primeira volta não se podem defrontar nos quartos-de-final.

Bem, apresentadas que estão as oito equipas, o espetáculo está garantido, sendo de esperar um conjunto de sete jogos (quatro quartos-de-final, duas meias-finais e uma grande final) verdadeiramente fabulosos e uma excelente promoção da modalidade, pois é sempre um prazer ver o melhor Futsal do país em ação, na pele das oito melhores equipas de Portugal. O sorteio ainda não é conhecido, mas, independentemente dos jogos que calhem em sorte, o certo é que esta será uma ótima promoção para a modalidade e vai provar, a seu tempo, que a ideia da FPF de introduzir esta competição no seu calendário competitivo é belíssima e vai proporcionar aos espetadores a oportunidade de poder ver futsal de qualidade, a antecipar aquilo que poderemos vir a ter no play-off, pois esta é uma competição embrionária e como tal o prestígio inerente a ser o primeiro vencedor da Taça da Liga é imenso.

Fazer a revolução?

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As recentes exibições do Futebol Clube do Porto deixaram os adeptos à beira de um ataque de nervos e foram, claro, sobreanalisadas. Todas as opiniões e crónicas convergiram para um culpado: Julen Lopetegui. Compreensível e na minha opinião correcto. Mas o que fazer neste momento? Digo para se voltar a fazer simples e cerrar fileiras.

Quando nada corre bem, quando o coração toma o lugar da cabeça, a tendência é para fazer uma revolução. No desporto, como na política, as revoluções vêm com um custo: o factor surpresa. A esperança de que tudo mude para melhor é tão grande que nem sempre fazemos uma análise fria acerca dessas mudanças. O treinador basco já mexeu e o resultado não foi o esperado. Já aconteceu assim anteriormente. A conclusão que se pode tirar é que as mudanças a fazer têm que ser cirúrgicas, criteriosas, opondo-se a grandes revoluções. E que a única coisa que neste momento precisa de uma revolução é a mentalidade da equipa – coesão e força.

O problema do Porto este ano é a dificuldade em fazer golos e em criar perigo constante. A equipa técnica tem de estudar o que está a falhar no seu processo (treino, táctica, estratégia…) para que possa aplicar uma correcção adequada e nivelada. Grandes mudanças nas escolhas de jogadores, trocas de posições, alterações significativas de estratégia… Em suma, tudo o que envolve mudança profunda exige tempo para adaptação. O Porto não tem esse tempo. Não podemos cair no erro de desfazer o que está bem para corrigir algo que por vezes nem sabemos bem o que é – os meios não justificam os fins!

A exibição realizada frente ao "aflito" Tondela agravou as críticas a Lopetegui Fonte: FC Porto
A exibição realizada frente ao “aflito” Tondela agravou as críticas a Lopetegui
Fonte: FC Porto

Outro grande problema que já vem desde o ano passado é a força mental que o Porto não tem. Os Dragões são incapazes de virar um jogo! Quando a incapacidade de criar perigo se junta aos golos consentidos a equipa entra em “blackout” – é desesperante ver o Porto atrás de um resultado. Aqui se vai ver se Lopetegui consegue ser um comandante – tem de ser o último a abandonar o navio. Um treinador que perde o controlo das emoções e que não tem a frieza (e por vezes uma palavra amiga) necessária de análise vai sempre passar a ideia de que está desorientado.

Ninguém segue um comandante que não sabe o caminho e que não consegue proteger os seus pupilos. As declarações do treinador espanhol demonstram que perdeu um pouco o controlo, assumiu as culpas como que para calar as críticas. Foi perceptível que não acredita que tem culpa no cartório e, pior que tudo, entrou em negação: diz bem de exibições péssimas.

Se eu pudesse dar um conselho a Lopetegui seria o de cerrar fileiras. Proteja a equipa, assuma os erros e diga que vai trabalhar neles para melhorar. Se não percebe o que está mal volte à equipa que lhe garantiu melhores resultados. Na conversa no balneário passe confiança; só eles importam. O que vem de fora é o resultado de paixões ou ódios. Exalte o que de melhor eles têm: a sua qualidade enquanto futebolistas.

Aos portistas diria o que já escrevi aqui: há um “timing” para revoluções. Este não é o momento para tal, sob risco de hipotecar não só o presente mas também o futuro. Amanhã, mais uma prova de fogo para esta equipa; temos que quebrar o enguiço de jogar na Madeira. Os olhos estão postos em Lopetegui.

Foto de Capa: FC Porto

 

Não damos #colinho, nós damos um #empurrão!

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O ano passado a equipa do Benfica foi levada ao colo pela arbitragem e conseguiu ganhar o título de campeão nacional sendo também criada a propaganda #colinho!

Acho que agora, sinceramente e em resposta, o Sporting deve criar o movimento #empurrão! Porque é isso que o adepto Sportinguista faz e sempre fez… eu sou daquela fornada de adeptos que esteve 18 anos sem ser campeão e no entanto sempre escolhi o Sporting e sempre decidi ir ao “Velhinho” Estádio José de Alvalade empurrar os nossos leões rumo à vitória e rumo à Glória.

E é isso que o adepto Sportinguista faz jogo após jogo, modalidade após modalidade… empurra o Sporting para a frente, contra tudo e contra todos… por isso é que somos um clube condenado ao sucesso: sem dúvida que temos grandes atletas, mas nos adeptos NENHUM clube no mundo ganha ao nosso! Mesmo com equipas (em teoria) mais fracas conseguimos ganhar a adversários que são teoricamente mais fortes que nós… Para quem não se lembra aconteceu isso na Taça CERS no Hóquei em Patins no ano passado… como outsiders chegámos à vitória! Porquê? Porque em qualquer estádio, em qualquer modalidade, a nossa voz é um #empurrão rumo ao sucesso!

O #empurrão dado pelos adeptos do Sporting leva o leão a rugir sempre mais alto em qualquer modalidade. Foto: Marzia Cattini
O #empurrão dado pelos adeptos do Sporting leva o leão a rugir sempre mais alto em qualquer modalidade.
Foto: Marzia Cattini

Não temos um minuto 70… temos minutos para todos os gostos e todas as modalidades! E esta semana isso voltou a acontecer… O #empurrão dos adeptos mudou a maldição de Jesus do minuto 92… E abriu um “Tonel para o Marquês”! Se vamos ser campeões? Não sei, mas vamos dar o #empurrão!

Se existem ajudas externas ao Sporting? Sim, o 12º jogador sempre foi e sempre será o jogador mais valioso do Sporting Clube de Portugal! Podemos não ter o melhor jogador do mundo, podemos não ter o melhor treinador, podemos não ter a melhor equipa, mas temos o maior coração e o maior #empurrão do mundo!

Não vejo a hora de o Pavilhão estar finalizado e passar os dias a dar um #empurrão ao meu Sporting em todas as modalidades… Sim, porque o Sporting não é só futebol!

Para Bruno de Carvalho fazer o seu trabalho de uma forma ainda mais brilhante só falta fechar o fosso e colocar a pista de tartan à volta do Estádio… E aí… Não havia #empurrão que faltasse aos nossos atletas!

Vamos criar a missão #empurrão e levar o Sporting a ser campeão! O 12º jogador estará sempre lá pronto a ajudar!!!

Foto de Capa: Sporting CP