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Futsal: Benfica e Sporting mantêm o pleno antes do reencontro

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cab futsalFinda que está a 6.ª jornada da Liga Sport Zone, é tempo de analisar o que de mais relevante se passou, no passado fim de semana, pelos sete palcos que acolheram os jogos referentes à ronda em questão. Começamos a nossa viagem pela Beira Baixa, mais concretamente no Fundão, onde a equipa local recebeu o Sporting CP, no jogo “cabeça de cartaz”. E, como já é habitual em todos os jogos grandes, e eu considero-o como tal pois a “desportiva” já provou ser um dos principais animadores a nível interno, este duelo teve de tudo: golos, emoção e alguma polémica à mistura.

Começando pelo início, o Sporting entrou mais forte e capitalizou com o golo de grande penalidade de Fortino, a penalizar uma mão na bola de um defesa do Fundão. Diogo aumenta a contagem para 0-2 e, no minuto seguinte, ocorre um lance polémico na área do Sporting: Fortino toca com a mão na bola e recebe a ordem de expulsão. Vermelho para um dos motores do bom arranque leonino na prova e a suspensão consequente a cumprir no pavilhão da Luz, na próxima jornada. Se o penalty me parece indiscutível, o cartão vermelho é um pouco mais duvidoso, embora se tenha que aceitar, pois o jogador dos leões corta um lance de golo iminente. É através desta grande penalidade que a turma beirã reduz o marcador e coloca de novo a incerteza no marcador, através de Teka.

A abrir a etapa complementar, mais um lance polémico e de difícil juízo: Marcão parece tocar com a mão na bola fora da área e o árbitro assinalou a respetiva falta. No entanto, apenas mostrou o cartão amarelo ao guardião brasileiro. Pese, embora, a minha opinião ir de encontro à decisão do árbitro, pois acho demasiado penalizador mostrar o cartão vermelho num lance destes, o certo é que, por norma, é essa a cor a mostrar em lances semelhantes. Daqui para a frente foi só uma questão de o Sporting controlar o jogo e aumentar a vantagem com golos de Fábio Lima e Marcão, a aproveitar o guarda redes avançado do Fundão.

Vitória difícil, mas saborosa no Fundão Fonte: futsalglobal.com
Vitória difícil, mas saborosa no Fundão
Fonte: futsalglobal.com

No Bessa, o Benfica goleou o Boavista por 3-7. Num resultado que não demonstra as grandes dificuldades sentidas pelo campeão nacional ante uma equipa bastante aguerrida, os axadrezados estiveram a vencer por três vezes (1-0, 2-1 e 3-2). Para termos uma noção do grande equilíbrio, o resultado ao intervalo registava 3-2 para os boavisteiros, numa primeira parte de má memória para os encarnados, que se veem privados de Rafael Hemni para o grande clássico da próxima semana, uma vez que agrediu um adversário com uma cotovelada e viu o cartão vermelho direto.

Uma segunda parte onde o Benfica se conseguiu soltar, fruto de duas grandes penalidades, uma das quais valeu a expulsão a Sá Pinto, convertida por Alessandro Patias, e que permitiram ao Benfica virar o marcador. Pouco depois, uma boa finalização de Bruno Coelho permitiu o 3-5, antes de o Benfica marcar os dois golos finais em contra-ataque nos últimos quatro minutos. De resto, no derby local, destaque para a primeira derrota do Sporting de Braga no campeonato perante o Gualtar, por 4-3, algo que deixa o Sporting  e o Benfica isolados na liderança antes do encontro entre ambos. O SL Olivais venceu o Modicus por 3-1 e apanha o Sp. Braga no 3.º lugar, embora com um jogo a mais.

O Burinhosa confirma o bom arranque com mais uma vitória caseira perante o CS São João, por 6-4, e sobe assim ao 5º lugar da tabela classificativa. O Rio Ave, que apesar da enorme crise que assola o seu setor de futsal, logrou vencer na casa do Belenenses por 3-5, consegue assim afastar-se mais da zona de despromoção, para onde entraram os Leões de Porto Salvo, que foram copiosamente derrotados por 4-0 na (curta) deslocação até à Quinta dos Lombos e trocaram, assim, de posição com o seu adversário.

Foto de Capa: Futsal Global

Vozes de Bruno não chegam ao céu

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“Ignorem o ruído”

Ignorem, simplesmente. Não podia concordar mais com o Presidente, Luís Filipe Vieira. Isto porque parece que há por aí um senhor, presidente de um clube “grande”, que passa grande parte do seu dia a delinear maneiras de atacar o Benfica. Falo, claro, de Bruno de Carvalho (BdC) , eleito em Março de 2013 como Presidente do Sporting, grande instituição desportiva que merece o meu inteiro respeito.

Do alto do seu interminável ego, BdC tende a ignorar a opinião que os próprios sportinguistas têm dele. Deve haver tantos adeptos leoninos a gostarem do seu presidente como benfiquistas a adorarem Pedro Guerra. Mas para ele pouco importa. Como tanto gosta de apregoar, despende todo o tempo profissional com o clube que lidera e o pouco que tem livre usa para criar mais uma ou outra insinuação infundada com o objetivo de tentar descredibilizar, diminuir, atacar (ou seja lá o que for que lhe passe pela cabeça) o maior clube português, uma instituição com mais de 111 anos de história, o Sport Lisboa e Benfica, 34 vezes campeão nacional e 2 vezes campeão europeu. Falhou, falha a cada tentativa patética de o fazer e falhará quantas vezes o tentar. É porque a este senhor falta muita coisa: estatuto, credibilidade, humildade.

Mas, sobretudo, razão. Sem esta última, a razão, BdC nunca passará do campo do “ridículo”, onde ele insiste em posicionar-se, para o do “minimamente correto”, onde eu espero que ele chegue a médio/longo prazo, a bem da imagem do nosso futebol. Como dizia um certo comentador, agora tão odiado, “já ninguém o leva a sério”. Mas para ele pouco interessa. Desde que continue a ter a atenção da comunicação social (que o acompanha a cada jantar, sempre de microfones ao alto à espera de mais uma picardia que alimente mais uma ou outra guerra de palavras, onde BdC gosta sempre de estar envolvido, desviando as atenções de dentro para fora dos campos), o espetáculo pode e deve continuar.

E nem a lengalenga habitual de que BdC nunca se esquece de falar quando dá uma entrevista (refiro-me às tais medidas mágicas de que só este virtuoso clube e o seu iluminado presidente se lembraram, tais como a redução do IVA dos bilhetes, sorteio dos árbitros, a regulação do jogo online, as novas tecnologias, blá blá blá) disfarça o seu verdadeiro objetivo: instalar um clima de guerrilha permanente no meio desportivo nacional. Uma contagem recente feita por um jornal desportivo português garantia que BdC, cumpridos apenas dois anos e meio do seu mandato, já tinha levado a cabo mais de 50 guerras. É um feito incrível, diga-se. Salvo devidas diferenças, não posso deixar de notar algo em comum entre BdC e o líder supremo da Coreia do Norte na forma como atuam.

Ora, ambos comandam um conjunto de homens que lhes são fortemente fiéis, não se atrevendo sequer a questionar os passos do seu líder, nem que o destino seja o abismo; quando se sentem ameaçados disparam em todas as direções, contra o rol de inimigos que ao longo dos anos foram colecionando; criticam, acusam, expulsam antigos líderes/dirigentes, acusando-os de todos os males que se abateram sobre os seus subordinados. No caso de BdC, todas estas manobras têm o propósito de ofuscar o se passa dentro do Sporting. A saber: violação do fair-play financeiro exigido pela UEFA; resultados abaixo do esperado da equipa de futebol e, sobretudo, das várias modalidades; auditorias encomendadas, literalmente, onde se esmiúçam e espezinham, até à humilhação pública, antigos presidentes; perseguições a jogadores que não querem renovar contrato ou mostram intenção de sair do clube; falta de patrocínio oficial.

Luís Filipe Vieira pediu na sexta feira aos benfiquistas: "ignorem o ruído. Falemos de nós e preocupemo-nos apenas com o Benfica"; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Luís Filipe Vieira pediu aos benfiquistas: “ignorem o ruído. Falemos de nós e preocupemo-nos apenas com o Benfica”;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Tenho, contudo, de admitir que pouco me interessa se o Sporting está à beira da guerra civil ou da falência técnica. Embora prefira, como fervoroso adepto do Benfica, um Sporting forte e a dar luta ao meu clube nas várias provas. Mas já não posso ficar indiferente quando BdC se dirige por duas vezes num curto espaço de tempo ao Benfica de forma leviana, rasteira e cobarde. Primeiro, em plena assembleia-geral, quase que conseguiu pôr em causa uma verdade de La Palice: o Benfica tem mais sócios e mais adeptos que o Sporting. Muito mais. BdC sabe disso, todos os sportinguistas sabem.

Mas, fazendo uso da sua perícia em modificar a realidade, não se resignou. Fez questão de criar em segundos mais umas centenas de milhares de adeptos para o seu clube (são agora, segundo ele, três milhões e meio, quando a anterior estimativa, de três milhões, também feita por si, se podia considerar bastante nivelada por cima/ exagerada) e de reduzir a massa adepta encarnada para 4,5 milhões. Se não fosse tão ridiculamente patética, esta ideia até passava por verdadeira, tal foi a forma entusiasmante como BdC a apresentou aos sócios.

Depois, foi até ao café-esplanada “Prolongamento”, lá para os lados de Carnaxide, fazer um número deplorável de televisão, que devia envergonhar todos os desportistas, partilhando o protagonismo com o benfiquista Pedro Guerra. Aproveitou as mais de duas horas de programa em que o moderador lhe concedeu a palavra para, além de propagandear a habitual narrativa, anunciar que só não tem Cervi e Mitroglou porque não quis (deixando-os, assim, livres para o seu grande rival de Lisboa, qual Roman Abramovich português, que controla o mercado ao seu belo prazer) e tirar um derradeiro trunfo sujo da manga, perante centenas de milhares de portugueses que acompanhavam em direto: o conjunto camisola-visita ao museu Cosme Damião-jantares, que alegadamente oferecido a árbitros, delegados e ao observador dos jogos do Benfica.

Se BdC tivesse um pouco de respeito institucional, ou só respeito, porque a outra palavra pode ser demasiado complexa para o léxico dele, não o teria feito em direto numa estação de televisão mas sim reportado a acusação e provas, se as tivesse, às instâncias próprias (FPF e Ministério Público). Mas este nem sequer é o ponto fundamental. A grande questão é, a confirmarem-se estas suspeitas, por que raio o Benfica distribui estes kits. Sou totalmente contra esta prática, seja qual for a intenção. Não acredito, no entanto, que o objetivo do Benfica seja corromper a atuação destes profissionais nem nada do género. Sempre pugnámos pela verdade desportiva e sofremos na pele anos de corrupção que beneficiavam sempre o mesmo clube e nos custaram uns troféus a menos no palmarés. Mas, como diz o ditado, “à mulher de César não basta sê-lo, tem de parecê-lo”.

Numa entrevista ao Expresso do passado sábado, BdC ripostava: “Sou considerado incendiário. Mas sou frontal, direto, por vezes corrosivo. Detesto a estupidez, a hipocrisia e os falsos intelectuais”. Ninguém diria.

Sub21: Grécia 0-4 Portugal: Gregos abatidos pela classe e nota artística!

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A seleção nacional de sub-21 continua em grande. Os comandados de Rui Jorge foram a Xanthi golear a seleção grega por 4-0, num resultado que apenas pode pecar por escasso, devido a uma excelente exibição de Barkas, guardião da equipa da casa.

Portugal entrou sem ponta de lança fixo, com Gelson Martins, Ricardo Horta e Gonçalo Guedes a formarem um trio de ataque móvel, e que esperava atacar os gregos com a sua enorme capacidade técnica. Na primeira parte, o jogo foi um pouco morno, com a seleção lusa a ter algumas dificulades em ultrapassar a defensiva helénica e quase sem criar oportunidades de golo. Só tinham havido duas jogadas dignas de registo, uma de João Cancelo na direita e um “raide” de Gelson Martins no lado esquerdo, em que ultrapassou 4 adversários e cruzou para um bom remate de Bruno Fernandes. Porém, na última jogada antes do intervalo, Portugal chegou ao golo: Ricardo Horta recuperou a bola no meio campo grego e assistiu Gonçalo Guedes, que começou a abrir o livro. O jovem do Benfica sentou um grego e rematou cruzado para o fundo das redes de Vassilis Barkas.

A seleção lusa ia assim em vantagem para a segunda parte e mais descansada ficou com o 2-0, apontado por Gelson Martins, apenas 5 minutos após o reatamento do encontro. O extremo do Sporting beneficiou de uma excelente jogada de Gonçalo Guedes, que foi à linha no flanco direito e cruzou para a pequena área. Gelson apenas precisou de encostar para a baliza deserta. Guedes estava endiabrado e foi uma das peças mais importantes da manobra portuguesa neste jogo. Rui Jorge continua a montar muito bem a nossa seleção de esperanças, dando oportunidade a vários jogadores, envolvidos em diferentes esquemas táticos, o que dificulta sempre a tarefa às equipas adversárias. A juntar ao “fator treinador”, existe ainda a enorme capacidade técnica da maioria dos nossos elementos, claramente superiores aos jogadores das outras seleções deste escalão.

Gonçalo Guedes foi o homem do jogo em Xanthi; Fonte: Facebook oficial de Gonçalo Guedes
Gonçalo Guedes foi o homem do jogo em Xanthi;
Fonte: Facebook oficial de Gonçalo Guedes

Com uma vantagem de dois golos e sem que os gregos assustassem a defesa nacional (Bruno Varela não teve trabalho durante todo o encontro), Rui Jorge mexeu na equipa. Durante a segunda metade, entraram Iuri Medeiros, Francisco Ramos e Gonçalo Paciência para os lugares de Gelson Martins, Rony Lopes (jogo apagado do criativo que está a jogar no Monaco) e Ricardo Horta. A equipa das “quinas” continuou a dominar a partida e foi sem surpresa que apareceram mais dois tentos nos últimos minutos. João Cancelo, após uma magnífica combinação com Gonçalo Guedes, “sentou” um defesa grego e fuzilou a baliza de Barkas no terceiro; Gonçalo Paciência apontou o quarto, no último lance, após assistência de Iuri Medeiros.

Portugal lidera assim o seu grupo de qualificação, com 3 vitórias em outros tantos encontros, ostentando ainda um saldo de 12 golos marcados (média de 4 por jogo) e apenas um golo sofrido, na deslocação à Albânia. Nesta partida, além de Guedes, destaque muito positivo para Bruno Fernandes (capitão de equipa, esteve em quase todo o lado, a roubar bolas, a distribuir jogo e também apareceu na área para finalizar), Rafa e João Cancelo (os dois laterais estiveram muito seguros e também apoiaram o ataque, com o jogador do Valencia a marcar um golo) e Ricardo Horta (o atacante do Málaga foi uma das principais figuras em quase todas as jogadas perigosas de Portugal, durante o tempo em que esteve em campo).

Portugal pode estar seguro, parece-me que nesta campanha vamos repetir o pleno de vitórias que marcou o apuramento para o último Europeu.

A Figura:
Gonçalo Guedes – O avançado do Benfica esteve em grande. Começou como falso ponta de lança e teve dificuldades na luta com os centrais gregos. Contudo, libertou-se com o excelente golo que apontou, no final da primeira parte. Na segunda parte fez as assistências para os segundo e terceiro golos, e ainda ajudou no plano defensivo.

O Fora de Jogo:
Seleção grega – Esta equipa está igual à seleção principal do país. Sem ideias, frágil defensivamente, e sem granjear apoio junto do povo helénico. Após a vitória sobre o Liechtenstein, a equipa esteve muito mal e foi nula no aspeto ofensivo, no jogo que marcou a estreia de Antonis Nikopolidis, guarda redes campeão europeu em 2004, como treinador principal deste conjunto.

Quando se ama demais

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Já dizia Oscar Wilde que convém ser moderado em tudo, incluindo na própria moderação.

Imagine-se o quão trágico seria viver delimitado, para sempre, dentro da zona de conforto, sem prespectivas de a transpôr rumo ao risco. O fim seria desastroso não por si, mas pela folha branco que aquela vida tinha sido, condicionada pelo medo se dar o primeiro passo em direcção a algo que se pudesse amar, com medo que a paixão tomasse conta de uma vida que estava bem assim, com tudo devidamente arrumado nos respectivos cantos da mente, incluindo as ilusões, trancadas a sete chaves para que não se imaginasse uma vida melhor, em que se lutaria por uma causa, apoiaria um clube e se amaria alguém. Felizmente, só há pessoas que se aproximam disso. Não existe alguém assim porque nós, humanos, acabamos sempre por deixar fugir o controlo, muitos de nós de forma pontual, em direcção a qualquer coisa. Em pelo menos uma das muitas fracções de segundo da nossa vida, sentimo-nos dispostos a morrer por uma causa e, mais frequentemente, por uma pessoa.

Mas também aí devemos ser regrados. Amar sem racionalidade nunca pode ser uma opção, por mais que estejamos apaixonados. É difícil suportar uma pessoa extremamente apaixonada por nós. Torna-se mesmo sufocante e, em vez de um benefício, passamos a ter uma responsabilidade com a qual não queríamos lidar. Nós podemos ser a pessoa que é amada obsessivamente, ou aquela que ama de forma desmedida. Não escapamos a esse risco, mas temos a noção de que acções têm consequências, e por mais que, naquele minuto, sintamos necessidade de estar com alguém, esse pode não querer estar connosco. Alguns de nós somos egoístas e vamos ter com essa pessoa que não nos quer ver, para nos aliviar a ansiedade. Mas isso tem consequências. Graves.

O caso da selecção sérvia de futebol, no apuramento para o Campeonato da Europa, é ilustrativo disso mesmo. Muito talento, paixão imensa pelo jogo… mas não passou daí. Quando se divulgou o grupo de Portugal, só se olhou para dois adversários que pudessem fazer frente à nossa selecção – Dinamarca e a própria Sérvia -, seríssimos candidatos à qualificação directa para o Euro 2016. No fim, em 8 jogos, a Dinamarca vai ao playoff, a Sérvia somou míseros 4 pontos. Pela paixão sufocante que emprestou ao jogo e pela falta de planeamento “amoroso”.

Último encontro de uma campanha sem "cabeça"; Fonte: Facebook da Federação Sérvia de Futebol
Último encontro de uma campanha sem “cabeça”;
Fonte: Facebook da Federação Sérvia de Futebol

O plantel era excelente com uma defesa de fazer inveja a meia europa, com dois defesas experientes e eficientes em ambos os processos de transição – Kolarov e Ivanovic-, um meio-campo devidamente orquestrado por um dos melhores médios defensivos do mundo, Matic, e um ataque repleto de nomes talentosos como os de Mitrovic, Markovic. Ljajic, Tadic ou Tosic. Faltou, porém, organizar este talento todo e racionalizar a vontade de orgulhar o país. A derrota imposta pela FIFA no jogo contra a Albânia, em casa, pesou imenso, e a partir daí ficou evidenciada a falta de organização desta selecção. Com talento avulso, mas que não formava uma equipa.

Stefan Mitrovic a tirar, de raiva, a bandeira da Albânia que invadiu, via drone, o jogo de Belgrado é uma das imagens que ilustram a desastrosa campanha de qualificação sérvia, resumida em 4 derrotas, 2 empates e 2 vitórias, lembrando-nos do quão sufocante pode ser o amor (à pátria, ao futebol) sem regras.

Mundial Rugby’2015: Mundial em terras de Sua Majestade

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cab Rugby

Quatro anos após o Mundial da Nova Zelândia, que consagrou pela segunda vez a equipa da casa, a Inglaterra veste-se de gala para receber as vinte melhores selecções a nível mundial – Nova Zelândia, Austrália, País de Gales, África do Sul, Irlanda, França, Argentina, a própria Inglaterra, Escócia, Fiji, Japão, Tonga, Itália, Geórgia, Samoa, Estados Unidos, Roménia, Canadá, Uruguai e Namíbia. Com a ambição de vencer o seu segundo Campeonato do Mundo, igualando a Nova Zelândia, a Austrália e a África do Sul, com dois títulos cada, a equipa de Stuart Lancaster tinha em mãos não apenas a organização da competição, mas também a responsabilidade de fazer História no seu próprio território, sendo inclusivamente apontada como a principal favorita a arrecadar o troféu.

Logo a abrir, a primeira jornada do mundial exemplificou bem a razão pela qual o rugby é considerado um desporto mais justo e imprevisível do que o comum: a África do Sul foi batida pelo Japão numa partida que marcará para sempre a História do rugby nipónico. A partir daí, o mundo ficou de olhos postos nos comandados de Eddie Jones, que ainda venceram Samoa e Estados Unidos, tendo ficado muito perto do apuramento para os quartos-de-final. Já os Springboks não desmoralizaram com a surpreendente derrota na jornada inaugural e venceram os restantes jogos da fase-de-grupos confortavelmente, demonstrando que a derrota frente ao Japão foi apenas um lapso que não deixou qualquer tipo de mazela. A juntar-se à África do Sul no Grupo B, também a Escócia se classificou para os quartos-de-final.

Para lá da derrota contra os sul-africanos, os Highlanders não encontraram quaisquer dificuldades para vencer Japão e Estados Unidos, e contra a Samoa, no jogo decisivo para concretizar as suas aspirações, venceram dramaticamente numa partida disputada em intensidade frenética. Na segunda ronda, o pesadelo da Inglaterra começaria a desenhar-se: após uma entrada convincente frente às Fiji no primeiro jogo, um equilibradíssimo duelo com o País de Gales – que se viria a resolver nos detalhes – ditava aquela que seria a primeira derrota para os homens de sua majestade.

Os ingleses viam-se, dessa forma, obrigados a derrotar a Austrália por forma a manter intacto o sonho de serem campeões do Mundo em casa. Mas, o que se seguiu foi a depressão inglesa: a Austrália superiorizou-se em tudo no embate de gigantes e venceu a Selecção da Rosa com algum à-vontade desconfortante para os admiradores do rugby inglês. A quarta partida serviu apenas para cumprir calendário e a Inglaterra venceu, por larga margem, a frágil selecção do Uruguai.

A selecção da casa fez História pela negativa, ao tornar-se na primeira selecção organizadora a ser derrotada na fase-de-grupos de um Campeonato do Mundo. Azar de uns… Sorte de outros! Os Wallabies foram a selecção mais compacta da fase-de-grupos, saldando por vitórias todos os duelos.

O Japão fez história ao derrotar a África do Sul na jornada inaugural Fonte: rugbyworldcup.com
O Japão fez história ao derrotar a África do Sul na jornada inaugural
Fonte: rugbyworldcup.com

O ”grupo da morte” não intimidou os australianos, que apenas tiveram que se preocupar no último encontro frente ao País de Gales – quem ganhasse a partida venceria o grupo e evitaria confrontar a África do Sul já nos quartos-de-final da prova. O jogo entre as duas selecções revelou-se o mais táctico (até ao momento) da competição e, mesmo sem qualquer ensaio marcado em toda a partida, os pupilos de Michael Cheika cantaram vitória no final do jogo. Para além de derrotar a equipa organizadora e ser derrotado pelos australianos, o País de Gales assumiu-se como uma equipa assertiva, o que lhe garantiu o apuramento para a fase seguinte. Fiji e Uruguai foram presas fáceis para os galeses, que não deixaram créditos por mãos alheias e escaparam, à semelhança da sua congénere australiana, sãos e salvos do ”grupo da morte”.

No Grupo C, todas as expectativas estavam voltadas para o que a selecção neo-zelandesa poderia fazer, e a verdade é que, com maior ou menor esforço, os All Blacks não defraudaram e cumpriram com o que era expectável: quatro jogos, quatro vitórias incontestáveis – ainda que a selecção argentina tenha assustado logo na primeira jornada. Os Pumas, depois de uma boa réplica frente à Nova Zelândia, cerraram os dentes e foram à luta, vencendo os três posteriores jogos (versus Geórgia, Tonga e Namíbia), sempre com mais coração do que cérebro.

Finalmente, a Irlanda liderou o único grupo composto apenas por países do hemisfério norte, com quatro países europeus – a própria Irlanda, França, Itália e Roménia – e o Canadá. Os homens de Declan Kidney não apresentaram um rugby brilhante – para já – mas demonstraram-se eficazes e venceram todas as partidas desta fase. A França acompanha os irlandeses até aos quartos-de-final, após um percurso que parecia inatacável – ao qual a Irlanda viria a colocar um ponto final na última jornada.

A primeira fase está concluída, mas o Mundial não pára e os quartos-de-final do Campeonato do Mundo arrancam já no próximo fim-de-semana, e, numa fase já a eliminar, prometem trazer (ainda) mais emoção à competição.

A África do Sul defrontará o País de Gales, naquele que será o jogo grande desta fase. Ainda que tenham surgido muitas lesões e problemas físicos pelo meio, os galeses têm dado conta do recado e os Springboks já demonstraram que, quando não estão nos seus dias, são capazes do pior. Jogo com prognóstico difícil, mas que deverá pender para os sul-africanos.

Os All Blacks irão medir forças com os gauleses, naquele que se perspectiva ser o duelo mais desequilibrado dos quartos-de-final. Os franceses contam com uma das principais ligas de rugby profissional do mundo – o Top-14 – e nacionalizaram atletas de origem neo-zelandesa, sul-africana e fijiana que estão no mundial. No entanto, teimam em descurar o seu jogo – o seleccionador Philippe Saint-André tem culpas no cartório – e demoram a afirmar-se como uma selecção forte e constante. Mas a França saiu do último Campeonato do Mundo como vice-campeã mundial, exactamente por ter perdido a final para a… Nova Zelândia – e tem agora uma oportunidade soberana para se redimir.

Irlanda e Argentina irão protagonizar mais um duelo que promete ser bastante disputado. Ambas deram boa conta de si na primeira fase, sendo que a Irlanda soube controlar e dominar os seus jogos, enquanto a Argentina foi conquistando ponto a ponto ”na raça”. A selecção europeia parte com alguma vantagem… Mas pouca!

A selecção australiana terá pelo caminho os escoceses comandados por Vern Cotter. Se a Austrália se mostrou implacável na fase-de-grupos, os Highlanders apenas perderam com a África do Sul. No entanto, e tendo em conta a qualidade e resistência mostrada pelos Wallabies ao derrotar duas das melhores selecções do mundo, enquanto a Escócia apenas derrotou – para já – selecções secundárias do rugby mundial, a vitória não deverá escapar aos australianos.

Imagens retiradas do site do mundial

Jogo Interior #14 – O sucesso de uma equipa feliz

jogo interior

O mote para reunir as ideias para este artigo foi-me dado no sábado passado, pelo artigo do grande Professor José Neto, que publicou no site do jornal A Bola As equipas felizes ganham mais vezes. Como é seu apanágio, o professor com a sua sábia, simples e quase sempre poética elocução, expôs com mestria e coadjuvado pelas não menos sábias ideias do Professor Manuel Sérgio, que “as equipas felizes ganham mais vezes e com a inestimável e decisiva vantagem de, mesmo perdendo poderem continuar felizes, pois ficam mais disponíveis para em seguida ganhar”. Ainda aludiu que “muitas vezes os níveis de dificuldade nas respostas às exigências da competição, se transformam em força mobilizadora e aglutinadora que, por sua vez, se traduz num enorme empenhamento colectivo onde se vê despertar o sucesso, porque foi vivenciada a felicidade adquirida”.

Fico feliz por alguém com o gabarito do Professor José Neto investir em escrever acerca deste brilhante tema tão abertamente. Parece que o desporto é qualificado somente pela táctica, não obstante a sua importância e por mais que esta funcione como imagem identitária das equipas, e por isso parece-me a mim que faz falta na formação dos treinadores (formal ou informal), a aprendizagem de uma visão mais holística do “ecossistema” onde estão integrados. Este “ecossistema” que é composto pelos agentes que funcionam numa equipa, em prol da busca de um ou mais objectivos, suportado por todos os factores e dimensões integrantes: física, técnica, táctica e mental, racional, emocional, individual e colectivo, social, humano e espiritual.

Cabe a todos os elementos de uma equipa a responsabilidade de alimentar e investir nas relações mutuamente, por forma a construir uma causa inspiradora que irá alimentar o espírito colectivo e a motivação, em alinhamento com suas as metas e os seus objectivos. O bem-estar nas equipas é da responsabilidade de todos mas o líder tem um papel fundamental na propagação e contágio emocional deste fenómeno colectivo. A melhoria do desempenho está directamente ligada. Tanto a performance como o contágio emocional têm uma grande influência nas emoções positivas das equipas e o treinador é a figura que gere estas transacções.

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O ambiente de equipa intensifica os efeitos dos comportamentos de grupo
Fonte: marafado.wordpress.com

O ambiente de equipa intensifica os efeitos dos comportamentos de grupo e, para o bem e para o mal, numa equipa coesa, o contágio existe, os comportamentos e as acções cognitivas disfuncionais na tomada de decisão interferem na qualidade de decisão grupal e a performance baixa. Mais uma vez é no papel do treinador que recai a gestão deste ambiente e desta forma é importante a sua dotação de competências sociais e humanas extra. Extra, porque todos viemos “de fábrica” e desenvolvemos ao longo da vida algumas competências sociais e humanas, através da nossa educação, da aquisição dos nossos valores e da nossa formação. O que acontece é que poderão não ser suficientes para o desempenho com qualidade, de um papel com a importância tremenda que ser treinador tem.

Maslow já dizia que “A grande maioria da humanidade, pela sua necessidade de conexão, quer sentir-se parte integrante de um grupo, de uma causa e ser reconhecido pelas suas habilidades”. Uma equipa que participa no processo de decisão e planeamento faz com que ela se sinta que faz parte integrante. Uma equipa que partilha as dificuldades faz elevar a empatia e a resiliência, e ajuda ao aumento da sua união. Uma equipa com objectivos é bastante mais feliz porque sente que tem um plano.

“O Sucesso não é a chave da Felicidade. A Felicidade é a chave do Sucesso. Se tu adoras aquilo que fazes, tu terás Sucesso.” – Albert Schweitzer

Será que eu tenho uma equipa feliz?

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Eu também sou treinador. Não vou fazer publicidade nem vou dizer quem são. Só vou dizer que são 15 rapazes de 13/14 anos que, apesar de todas as suas dificuldades pessoais, familiares, escolares e outras próprias destas idades, no treino e no jogo são felizes. Se vamos ganhar mais pelo facto de o sermos? Não sei mas no final do campeonato divulgo os resultados. E eu só lhes tenho a agradecer por aquilo que me dão: o gozo de os ver jogar, a energia que colocam no treino e no jogo e que também me alimenta, a garra que transportam, e o orgulho e honra em fazer parte do melhor grupo em que já estive! Fico feliz por vê-los crescer em jogo, através do trabalho que fazemos no treino e naquilo em que acreditamos funcionar. Juntos somos mais fortes e em cada jogo encaramos uma final. No final de cada jogo somos felizes se ganhamos. Somos felizes quando perdemos, porque temos a capacidade de persistir e aprender. Somos felizes a cada remate, que ecoa no murmurinho da excitação da bancada. Somos felizes porque fazemos da garra e da capacidade de luta uma forma de dignificar o jogo, o adversário, o nosso clube e as pessoas que nos vão ver. Somos felizes porque somos abertos, somos simples, somos juntos uma equipa humilde. Somos felizes porque somos inteligentes o suficiente para perceber que o mais importante é aquela “extra mile” que fazemos, que os americanos usam muitas vezes para relacionar a superação. Se somos melhores ou piores não sei. Mas que somos mais felizes do que muitos, somos! Se eu sou melhor treinador ou pior do que outros não sei, mas que sou mais feliz neste grupo agora, sou!

Da emoção à razão, um equilíbrio deve ser ensinado e aprendido, na minha opinião desde cedo. Isto eu quero ensinar-lhes, agora que têm 13/14 anos. Não só pelo jogo, não só pelos valores colectivos, não só pelas vitórias e pelas derrotas, mas por tudo o que eu possa e consiga. Crescerão mais completos e fortes, e isso é para mim o meu sucesso. Tudo aquilo que eu lhes possa ensinar, devolvem-me a mim pelo dobro da proporção. Acho que este tipo de reflexão deveria ser feita por todos os treinadores. Desenvolver a inteligência emocional, que na prática é ganhar a capacidade de reconhecer o que estamos a sentir e saber o que fazer com isso, permite obter uma vantagem mesmo ao nível competitivo: construir uma mentalidade forte, quer individual e colectiva, construir uma grande resiliência e aprender a desfrutar da felicidade encontrada no grupo e nas suas acções.

A natureza dinâmica das emoções da equipa

Os laços que germinam ao longo do tempo têm um papel relevante na dinâmica das equipas. É urgente que a abordagem predominante das organizações, a filosofia de trabalho dos clubes e dos treinadores seja a de adopção de emoções positivas e experiências impactantes na vida dos atletas, na sua dimensão desportiva. A consciencialização de que as emoções positivas conduzem a um melhor desempenho, aliado à hipótese de contágio emocional acarreta grandes implicações para o meio da organização, já que o contágio pode servir como catalisador para o sucesso da organização.

Desta forma, torna-se emergente a preparação de líderes para sentirem e exibirem emoções positivas, assim como desenvolver intervenções reservadas à promoção do bem-estar e emoções positivas de equipas. Nunca o líder se deve descartar da responsabilidade de contribuir e servir a sua equipa, e de tentar sempre dinamizar a utilização da emoção para “atestar o depósito” motivacional que alimenta a razão, que por sua vez assegura o foco da equipa nos processos operacionalizados.

Uma equipa capaz de dar a volta a um resultado provavelmente é um equipa feliz. Uma equipa que goleia o adversário respeitosamente e sabe ser humilde é uma equipa feliz. A felicidade é um estado. Por força do pragmatismo que trazemos para a nossa vida quotidiana, dizemos que somos felizes, mas na verdade estamos felizes. Não estamos sempre felizes pois dessa forma não saberíamos reconhecer a felicidade. Também é importante não estar feliz às vezes. Se a felicidade é um estado então na verdade temos o poder de alterar esse estado quando quisermos e como quisermos. Tudo depende de nós. É difícil relacionar-se dentro de uma equipa. Ou não. Depende dos laços que queremos dar e mesmo se os queremos dar.

De uma forma ou de outra o natural da natureza, passando a redundância, é andarmos em grupo, relacionarmo-nos e trabalharmos em equipa. E se contribuirmos para uma equipa feliz também seremos um indivíduo feliz.

Fonte: cfmws.com
Fonte: cfmws.com

Bibliografia:

Smith, E.R., Seger, C.R., & Mackie, D.M. (2007). Can emotions be truly group level? Evidence regarding four conceptual criteria. Journal of Personality and Social Psychology, 93 (3), 431–446.

Seger, C.R., Smith, E.R., Kinias, Z., & Mackie, D.M. (2009). Knowing how they feel: Perceiving emotions felt by outgroups. Journal of Experimental Social Psychology, 45, 80–89.

“As equipas felizes ganham mais vezes “ (artigo de José Neto, 16) – www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=576022

A Roménia de Hagi, Ceaucescu e Iordanescu

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“A Roménia não é um país fácil de se gostar, uma mistura desconcertante entre o apelativo e o aterrador.” – Jonathan Wilson (Behind the Curtain)

De Gheorghe até Ianis, escreve-se muito da história do futebol romeno. O nome Hagi é algo incontornável no mundo do futebol, quer estejamos a falar de Gica Hagi, o eterno número 10 romeno que foi, não poucas vezes, comparado a Diego Armando Maradona, quer estejamos a falar do seu filho Ianis, de apenas 16 anos, que apesar de estar vinculado profissionalmente à Fiorentina de Paulo Sousa, continua ao serviço da equipa que o viu nascer para o futebol, o Viitorul Constanta. À semelhança do seu pai, Ianis tem também perfil de estrela e, cerca de duas semanas antes de completar 17 anos, já enverga com orgulho a braçadeira de capitão da sua equipa, que curiosamente, tem o velho “Maradona dos Cárpatos” como treinador.

Foi com Gheorghe Hagi em cena que se escreveram alguns dos capítulos mais gloriosos do futebol romeno no final da década de 1980. O Rei (Regele) como ainda hoje é conhecido no seu país ainda não fazia parte da grandiosa equipa do FC Steaua Bucuresti (liderada por László Bölöni, Marius Lacatus e pelo gigante Helmuth Duckadam, que venceu a Taça dos Clubes Campeões Europeus na temporada de 1985-86 frente ao poderoso FC Barcelona), mas foi já ele a comandar a sua equipa três anos mais tarde, na época 1988-89, até à final da mais importante competição de clubes do velho continente, sendo contudo esmagados pelo AC Milan de Arrigo Sacchi por uns contundentes 4-0.

László Bölöni, Marius Lacatus e também Gica Hagi estarão intrinsecamente ligados a outro episódio marcante do futebol romeno, mas desta vez fora das quatro linhas. Após a revolução Romena de 1989, que marcou o fim do tirânico reino de Nicolae Ceausescu, os três internacionais romenos “salvaram” Valentin, o filho mais novo do ditador Ceausescu, da morte certa, já depois dos seus pais terem sido executados. Marius Lacatus escondeu Valentin no seu apartamento em Bucareste durante esse período de elevada agitação social e, mais tarde, em conjunto com o antigo treinador do Sporting CP, László Bölöni, veio publicamente em sua defesa, permitindo que o filho do velho tirano continuasse com a vida modesta que, alegadamente e ao contrário da sua família, levava durante os dias negros do comunismo romeno.

Gheorghe e Ianis - Duas gerações do clã Hagi no futebol romeno.
Gheorghe e Ianis – Duas gerações do clã Hagi no futebol romeno
Fonte: DigiSport

Em 1983, o ministro da defesa romeno, preocupado com o facto de o FC Steaua Bucuresti estar a ser relegado para segundo plano pelos vizinhos do Dinamo e pela ascenção do Universitatea Craiova, entregou os destinos da equipa a Valentin, nomeando-o presidente e esperando eventualmente alguns “favores” políticos e / ou desportivos do clã Ceausescu. Ao contrário do que seria expectável, Valentin, um verdadeiro amante do desporto rei, liderou o histórico emblema romeno com mestria, tornando-o não só na primeira equipa totalmente profissional do extinto Bloco de Leste, através de um valioso acordo de patrocínio com a Ford, mas também conduzindo-o a inesquecíveis feitos históricos no plano desportivo até 1989, sendo anos mais tarde considerado por László Bölöni como o melhor gestor com quem alguma vez trabalhou.

Apesar dos sucessos conseguidos pelos seus clubes, o futebol romeno não teve grande expressão durante a ditadura comunista se apenas considerarmos a sua selecção nacional. De forma coincidente (ou não), a revolução de 1989 trouxe para a ribalta aquela que foi talvez a melhor geração de sempre do futebol romeno. A década de 1990 mostrou ao mundo uma selecção revitalizada, recheada de excelentes jogadores como Gica Hagi, Dorinel Munteanu, Gheorghe Popescu, Ilie Dumitrescu, Adrian Ilie, Viorel Moldovan, Florin Raducioiu e Ioan Sabau, entre outros, que representaram o seu país ao mais alto nível em diferentes Mundiais de Futebol e Campeonatos Europeus, dos quais se destacam as presenças nos Quartos-de-final em 1994, nos EUA, e no Euro 2000 que teve lugar na Bélgica e na Holanda.

Valentin Ceausescu, ao meio, com Anghel Iordanescu e Emerich Jenei num treino do FC Steaua Bucuresti em 1986 Fonte: Puterea
Valentin Ceausescu, ao meio, com Anghel Iordanescu e Emerich Jenei num treino do FC Steaua Bucuresti em 1986
Fonte: Puterea

A realidade actual do futebol romeno é, no entanto, bem diferente, quer no plano internacional, quer a nível doméstico. O grau de letargia que se instalou no futebol do país de há 15 anos a esta parte deixou a Roménia orfã de uma selecção de nível elevado como aquela que teve, por exemplo, na década de 1990. A falta de ideias sobre como mudar os desígnios da selecção nacional levaram, em 2011, a Federação Romena a nomear pela terceira vez Victor Piturca como timoneiro do projecto futebolístico do país. Após falhar a presença no Mundial do Brasil, Piturca manteve-se no leme da equipa e conseguiu um auspicioso começo na campanha rumo ao Euro 2016, mas a sua terceira epopeia ao comando da enferrujada armada romena tinha os dias contados. Quando ninguém o fazia prever, Piturca abandonou a selecção romena, alegadamente por desentendimentos hierárquicos e / ou, porque não, interferências políticas, algo muito recorrente quotidiano romeno.

A falta de soluções aparentemente credíveis fez com que, em boa hora, a Federação Romena, escolhesse em 2014 o experiente Anghel Iordanescu para o comando da selecção nacional, cargo que também já havia ocupado duas vezes durante a sua longa carreira como treinador principal. Iordanescu talvez não fosse um nome consensual, mas provou ser a melhor solução que poderia ser encontrada para pôr cobro à anarquia que se vivia (e talvez ainda se viva) no futebol daquele país. Iordanescu tinha sido o responsável por levar a Roménia aos Quartos-de-final do Mundial de Futebol dos EUA em 1994 e também havia sido ele, na posição de treinador de adjunto do lendário Emerich Jenei, que havia levado o FC Steaua Bucuresti a levantar a Taça dos Campeões Europeus há cerca de 30 anos atrás.

Anghel Iordanescu levado em braços após a vitória da selecção romena sobre a Argentina no Mundial de 1994 Fonte: Sportnews.libertatea
Anghel Iordanescu levado em braços após a vitória da selecção romena sobre a Argentina no Mundial de 1994
Fonte: Sportnews.libertatea

Aos 65 anos de idade, Iordanescu viu-se recentemente envolvido numa polémica relacionada com a sua reforma, que alegadamente recebeu um faustoso aumento à conta de uma suposta promoção meritória a general de três estrelas, concedida pelos responsáveis militares do país. Polémicas à parte, Iordanescu, um treinador da velha escola do futebol do leste da Europa, reconfigurou a selecção romena e conseguiu com todo o mérito o apuramento para o Europeu de futebol do próximo ano. A confirmação foi apenas conseguida no último jogo da prova, que teve lugar nas Ilhas Faroé e que a Roménia venceu por 3-0.

A Roménia de Iordanescu terminou a fase de apuramento no segundo lugar do Grupo F, com um ponto menos do que a surpreendente Irlanda do Norte e com mais quatro do que os seus vizinhos húngaros, que garantiram assim um lugar no playoff final. Ficar em segundo lugar atrás de uma Irlanda do Norte, que por muito surpreendente que seja não deixa de ser uma formação de segunda linha do futebol europeu, pode parecer um feito modesto, mas se analisarmos os números finais, podemos constatar que esta Roménia do velho general alcançou alguns feitos. Cinco vitórias, cinco empates e zero derrotas, onze golos marcados e apenas dois sofridos são os números de uma equipa que é quase exímia na arte de defender e que, a reboque de uma ligeira variação do 4-4-2 clássico, vai cumprindo a sua tarefa no último terço do terreno.

Os heróis romenos que garantiram o apuramento para o Euro 2016 no passado Domingo nas Ilhas Faroe Fonte: sportnews.libertatea.ro
Os heróis romenos que garantiram o apuramento para o Euro 2016 no passado Domingo nas Ilhas Faroe
Fonte: sportnews.libertatea.ro

Os jogadores que compõem a selecção romena de Anghel Iordanescu são na, sua maioria, bastante experientes, alguns deles já com mais de 34 Primaveras, como são os casos do Razvan Rat e Lucian Sanmartean, mas todos eles, com excepção do capitão Rat, de Alexandru Maxim e de Florin Andone, actuam fora das grandes ligas europeias. Ainda assim, Iordanescu foi capaz de criar uma equipa bastante competitiva, que chegará ao Euro 2016 com todo o mérito e à qual é dada uma oportunidade de ouro de abrir uma nova página na história do futebol romeno.

Trinta anos parece muito tempo, mas na Roménia, embora não ande para trás, os episódios temporais parecem repetir-se eternamente, com os mesmos intervenientes que povoam o futebol daquela nação do leste da Europa há mais de três décadas, imergindo-nos, assim, numa estranha sensação de que o relógio do tempo, por momentos, parou.

Foto de Capa: Sportnews.libertatea.ro

GP da Rússia: Hamilton é cada vez mais campeão

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cab desportos motorizados

Por muito que insistam no contrário, a Fórmula 1 é cada vez mais um desporto emocionante e imprevisível. Mesmo que tal não aconteça na liderança das corridas, onde a balança tomba invariavelmente para o lado de Lewis Hamilton, as lutas pelos pódios, pelos lugares cimeiros e até pelos pontos estão cerradas e cheias de interesse. Sochi não foi excepção. O GP da Rússia foi um dos melhores deste Mundial e manteve-se quente do princípio ao fim.

O fim-de-semana do Grande Prémio da Rússia ficou marcado pelo violentíssimo acidente de Carlos Sainz (Toro Rosso) no último treino livre. O piloto espanhol foi hospitalizado mas, corajosamente, convenceu os médicos a deixarem-no correr na prova deste domingo. A sorte (e os travões do Toro Rosso…) voltou a falhar-lhe na volta 47, quando se despistou duas vezes quase consecutivas e foi obrigado a abandonar.

Quanto à qualificação, Nico Rosberg aproveitou um erro de Hamilton e garantiu a pole-position. O inglês confirmou a segunda posição, tendo sido mais rápido que Valtteri Bottas e Sebastian Vettel, que saíram ambos da segunda linha. Kimi Raikkonen colocou o outro Ferrari na terceira linha do grid, ao lado de Hulkenberg.

Hulkenberg, esse, provocou o primeiro pico de interesse no GP. O alemão da Force India fez um pião logo na curva 2 e foi o responsável pelo embate com Marcus Ericsson. Abandono imediato para ambos. Rosberg conseguiu manter a liderança depois do safety-car e Bottas segurou o terceiro lugar, apesar do arranque canhão de Raikkonen. Mas, na volta 8, o Grande Prémio ficou resolvido, bem como o Campeonato do Mundo. Nico Rosberg avisa via rádio que tem o pedal do acelerador partido e acaba por abandonar, deixando a corrida e o título mundial nas mãos de Lewis Hamilton. O inglês limitou-se a gerir a vantagem até ao final.

A festa dos homens da Mercedes
A festa dos homens da Mercedes

E como ultimamente um safety-car por GP já sabe a pouco, Romain Grosjean fez questão de manter a animação. Na volta 12, o francês despistou-se e só parou na barreira de protecção; apesar de o Lotus ter ficado completamente destruído, Grosjean saiu ileso. A saída do safety-car deu espaço a Vettel para recuperar posições, ultrapassando o colega de equipa com uma excelente manobra e subindo a terceiro. Iniciava aqui a cruzada pelo segundo lugar do pódio, sacrificando Valtteri Bottas.

Mais uma vez, a estratégia de paragem nas boxes da Williams voltou a falhar. Bottas foi mudar de pneus e a equipa não calculou que o piloto regressaria à corrida mesmo no miolo do pelotão – era necessário ter parado, talvez, duas voltas antes. De segundo, o finlandês caiu para 11º; a situação ficaria ainda pior quando Vettel emergiu do pit-lane à frente do Williams e subiu a segundo.

A dez voltas do final, Sergio Perez ia resistindo no terceiro lugar, brilhantemente e com enorme esforço – pairava a dúvida sobre se os pneus iam aguentar até ao final. Valtteri Bottas e Kimi Raikkonen pressionavam e atacavam, conseguindo a ultrapassagem final na penúltima volta. Mas o azar de Perez foi recompensado numa enorme sorte segundos depois: Raikkonen deixa a ambição levar a melhor e arrisca demasiado, batendo em Bottas e arruinando a corrida para ambos. Ainda assim, e na tentativa de evitar a vitória no Campeonato do Mundo de construtores da Mercedes, Raikkonen conseguiu terminar em quinto. Contudo, foi considerado culpado do acidente com Bottas e penalizado em 30s – a Mercedes é mesmo bicampeã mundial de construtores.

Nota positiva para a McLaren, que conseguiu colocar os dois carros nos pontos. Na semana em que se soube que Fernando Alonso vai ficar, pelo menos, mais um ano, o motor Honda mostrou que é capaz de voos mais altos e que a experiência só vai fazer bem à equipa. De acompanhar, também, o jovem mexicano Sergio Perez: o piloto da Force India mostrou-se corajoso e com uma enorme perseverança – qualidades que lhe garantiram o pódio.

Lewis Hamilton venceu e é campeão garantido, Vettel foi segundo e ultrapassou Rosberg na classificação geral. A Fórmula 1 volta no fim-de-semana de 23 a 25 de Outubro, com o Grande Prémio dos Estados Unidos e a festa de Lewis Hamilton.

Imagens do artigo: Mercedes

Sérvia 1-2 Portugal: Parabéns, Fernando Santos!

cab seleçao nacional portugal

Fernando Santos está de parabéns. Não só pelo 61.º aniversário completado ontem, mas por ter levado a selecção nacional a um feito inédito: pela primeira vez na história do nosso futebol, a selecção AA somou sete vitórias consecutivas numa fase de qualificação para uma grande competição. Até agora, o nosso mister não conhece outro sabor que não o da vitória em jogos oficiais por Portugal. Curiosamente, cada um destes sete triunfos foi obtido pela margem mínima, o que demonstra por um lado grande uma grande mentalidade competitiva e por outro o espaço que ainda existe para melhorar o desempenho da equipa até ao pontapé de saída do Euro 2016.

Hoje, sem algumas das suas principais figuras – Cristiano Ronaldo, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão e Tiago foram dispensados da deslocação à Sérvia -, e com uma exibição quase tão cinzenta como o tempo que se fez sentir em Belgrado durante a maior parte do tempo, Portugal voltou a não deslumbrar mas voltou a ser eficaz e somou mais uma vez os três pontos. Como já vem sendo hábito, a sorte e o pragmatismo foram as notas dominantes.

Da equipa que derrotou a Dinamarca na quinta-feira passada sobraram apenas quatro resistentes: Rui Patrício, Bruno Alves, Danilo Pereira e Nani, hoje feito capitão. A grande novidade foi a estreia de Nélson Semedo com a camisola das Quinas. Esta tarde, o onze foi o seguinte: Rui Patrício; Nélson Semedo, Bruno Alves, José Fonte, Eliseu; Danilo, André André, Miguel Veloso; Nani, Quaresma e Danny.

A partida começou com uma entrada fulgurante da Sérvia, que teve duas boas oportunidades logo no primeiro minuto. No entanto, Portugal rapidamente pegou nas rédeas do jogo. A pressão alta da turma lusitana pôs a Sérvia em sentido – ainda nos instantes iniciais, Quaresma recuperou uma bola no último terço e cavou uma falta à entrada da área adversária. Aos 5’, chegou mesmo o primeiro golo. A defesa sérvia foi obrigada a jogar longo, Bruno Alves fez um corte/passe de cabeça que foi ter a Danny, o jogador do Zenit aproveitou o espaço na zona central para ultrapassar facilmente o defesa sérvio (Mitrovic) e rematar rasteiro para defesa incompleta de Stojkovic; Nani, na recarga, atirou para o fundo das redes, fazendo o 0-1.

Nani, hoje capitão, marcou logo os 5'  Fonte: APF/Getty Images
Nani, hoje capitão, marcou logo os 5 minutos
Fonte: AFP/Getty Images

À medida que o tempo foi passando, Portugal começou a baixar as suas linhas, a abdicar da tal pressão alta que tão bem estava a funcionar e a entregar a iniciativa de jogo à selecção da casa. Se até à meia hora a Sérvia jogou sempre num ritmo demasiado baixo e teve muitas dificuldades em encontrar espaço, no último quarto de hora chegou várias vezes à área de Patrício – ora com iniciativas individuais, ora com trocas de bola rápidas. O primeiro remate da Sérvia chegou somente aos 31’ – Mitrovic baixou para vir buscar jogo, lançou longo para a direita e Tosic, numa diagonal rápida (o movimento em que é mais forte), rematou para defesa segura de Patrício. A Sérvia, que até então só se acercava da baliza portuguesa através de bolas paradas, começou a conseguir entrar em zonas de finalização. O contra-ataque conduzido por Tosic que resultou num remate por cima de Tadic e o tiro de Ljajic sobre o lado esquerdo do ataque sérvio são exemplos disso mesmo. De resto, Portugal só voltou a rematar aos 43’, numa jogada colectiva bem construída por Quaresma, Nelson Semedo e Nani que culminou num remate fraco de Miguel Veloso, sozinho, à entrada da área. Sim, isso mesmo: Portugal esteve praticamente 40 minutos sem atirar à baliza de Stojkovic.

O esquema habitual de Fernando Santos, assente na mobilidade entre os três homens da frente, revelou-se hoje muito menos eficaz. A ausência de Ronaldo fez-se sentir – não só pelo óbvio valor intrínseco do habitual capitão da selecção das Quinas, mas também pelas marcações que arrasta e pela facilidade que tem em surgir na posição de ponta-de-lança. Hoje houve muito menos trocas posicionais entre o trio da dianteira e houve, acima de tudo, muita dificuldade em colocar gente em zona de finalização. Nani e Quaresma apareceram quase sempre ora dando largura sobre uma das faixas, ora em terrenos interiores à procura de bola para construir, mas raramente surgiram na posição de ponta-de-lança. Danny, sempre no meio, revelou-se pouco efectivo na pressão à saída de bola adversária, e, demasiado desapoiado, nunca disfarçou a incapacidade para ser a referência ofensiva da equipa. Exceptuando o fogacho no lance do golo, voltou a ser muito pouco produtivo.

Danny pareceu sempre um corpo estranho na dinâmica colectiva de Portugal  Fonte: AFP/Getty Images
Danny pareceu sempre um corpo estranho na dinâmica colectiva de Portugal
Fonte: AFP/Getty Images

No regresso dos balneários, já com Luís Neto a substituir o lesionado Bruno Alves, a toada do final do primeiro tempo manteve-se. A Sérvia entrou com o pé no acelerador e não descansou até chegar ao empate. Tadic, Tosic e Ljajic, endiabrados, puseram a cabeça dos defesas portugueses em água. Mitrovic chegou mesmo a marcar um golo bem anulado por fora-de-jogo. A selecção portuguesa apresentava-se demasiado retraída, com as linhas muito baixas e dando sempre espaço entre essas mesmas linhas aos criativos adversários. Inteligentemente, Fernando Santos lançou Éder na partida para o lugar de Danny, aos 56’, e o ponta-de-lança do Swansea foi decisivo na sua primeira intervenção – amorteceu de peito para Quaresma, que atirou do meio da rua a rasar o poste esquerdo do guardião sérvio. Cerca de dez minutos volvidos, já depois de tentativas de meia distância de Matic e Kolarov, a Sérvia chegou mesmo ao golo: respondendo a um cruzamento rasteiro e atrasado de Kolarov, Tosic, sozinho à entrada da pequena área, disparou para o empate. Fez-se justiça no marcador.

Portugal precisava claramente de João Moutinho no meio-campo para inverter a tendência da partida. E Fernando Santos percebeu isso, lançando o médio do Mónaco para o lugar de um desgastado e desinspirado Miguel Veloso aos 68’. A equipa melhorou, começou a soltar-se mais, a pressionar mais à frente, a ter mais critério na saída para o ataque e seria do pé direito do próprio João Moutinho que sairia o golo da vitória portuguesa. Aos 77’, Eliseu ganhou no duelo com Tosic (os sérvios reclamaram falta), foi à linha e deu para Moutinho, que à entrada da área atirou em arco para o fundo das redes. Deja vù – com um fabuloso remate de longe, Moutinho voltou a selar um triunfo, depois do tento assinado no desafio anterior, frente à Dinamarca, que também valeu os três pontos.

João Moutinho voltou a ser herói  Fonte: AFP/Getty Images
João Moutinho voltou a ser herói
Fonte: AFP/Getty Images

A partir daí, a Sérvia enervou-se e desapareceu. Depois do cartão vermelho exibido a Kolarov, já no banco de suplentes depois de ter sido substituído, Matic agrediu um André André em clara subida de rendimento depois da entrada de Moutinho e foi expulso, deixando os anfitriões com dez unidades. Até ao final, as melhores ocasiões foram portuguesas – na mais evidente, Éder, num ressalto, ia fazendo o terceiro.

Mesmo sem alguns dos seus principais artistas, Portugal tinha obrigação de se ter apresentado com outro comportamento colectivo. Ficando a ver jogar a Sérvia durante demasiado tempo, Eliseu (“certinho”) e Nelson Semedo (destemido mas com algumas falhas naturais) não conseguiram dar à equipa a largura e a profundidade que se lhes exigia; e Nani e Quaresma, demasiado presos em missões defensivas (obrigados a fechar os corredores e com poucas ocasiões no último terço) e oscilando entre as necessidades de construir ao meio e de abrir nos corredores, também não foram consistentes nos desequilíbrios ofensivos. Danny, pelos motivos já enumerados, também produziu muito pouco e acabou por dar menos à equipa do que o limitado Éder. Danilo Pereira voltou a ser o bombeiro de serviço, assumindo-se claramente como único pivot defensivo da equipa, e cumpriu bem o seu papel, mas Miguel Veloso e André André passaram o jogo quase todo com pouca bola no pé e mais preocupados em não se desposicionar defensivamente do que em desenvolver o jogo a partir do centro do terreno (o médio do Porto soltou-se muito mais com a entrada de Moutinho – parecia outro!). Rui Patrício e os centrais (José Fonte, Bruno Alves e Luís Neto) estiveram em bom plano, apesar de tudo.

Fernando Santos está de parabéns. Não pela performance da sua equipa, que foi relativamente pobre, mas pela astúcia que revelou na hora de mexer no jogo -percebendo o que estava a correr mal, fez as substituições certas nos momentos certos e chegou à vitória por causa disso. Agora é hora de começar a sonhar com o Euro 2016!

Os dois maiores astros portugueses (excluindo Ronaldo) marcaram os dois golos  Fonte: Facebook das Seleções Nacionais de Portugal
Os dois maiores astros portugueses (excluindo Ronaldo) marcaram os dois golos
Fonte: Facebook das Seleções Nacionais de Portugal

A Figura

João Moutinho – É estranho nomear como homem do jogo um jogador que só actua um quarto de hora. Mas é merecido: transfigurou o meio-campo de Portugal, mudou a atitude da equipa e foi novamente protagonista ao apontar o golo da vitória. Uma dupla jornada de sonho para o melhor médio português da actualidade.

O Fora-de-Jogo

Adormecimento colectivo – Dos 35’ aos 65’, Portugal esteve “a dormir”. Começou e acabou o jogo por cima, mas pelo meio revelou uma retração incompreensível que poderia ter tido resultados desoladores. A permeabilidade defensiva e a inoperância ofensiva durante esse período é um dos capítulos a rever para os próximos duelos.

 

Top 10: O Passado e o Presente do Motociclismo

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[tps_title]10.º Marco Simoncelli[/tps_title]

Fonte: MotoGP
Fonte: MotoGP

Simoncelli era agressivo em pista, e amigável fora dela. Perdeu a vida no asfalto do circuito de Sepang (Malásia), mas deixou a sua marca na história do Mundial de Motociclismo. Ficou conhecido pela sua peculiar condução, onde sempre aplicou o conceito de “vai ou cai”. Venceu um campeonato na antiga categoria de 250cc, e estava na sua primeira temporada da classe rainha quando faleceu.