Pela quarta vez a disputar a Taça Continental, sendo a terceira vez contra o Barcelona, o Sporting parte para Barcelona com uma vantagem de dois golos para o segundo jogo ao vencer os catalães precisamente por 2-0. Esta foi a primeira vitória em sete jogos para a Supertaça Europeia por parte dos leões.
Num jogo histórico seja em que modalidade for, ou não estivessem frente a frente duas das três equipas com mais títulos europeus, o espetáculo não foi tão bom como se esperava, em muito devido ao estado em que o piso se encontrava devido à humidade.
Na primeira parte o jogo foi muito condicionado por este problema do ringue e o 0-0 ao intervalo não deixa margem para dúvidas sobre o equilíbrio que existiu, apesar de algum ascendente leonino.
Na segunda parte o jogo subiu de ritmo, sempre com o Sporting por cima até que aos 39 minutos (14 da segunda parte) Cacau levou à loucura os 1000 sportinguistas que lotaram o Livramento ao abrir o marcador. Depois do golo o Barça avançou no terreno e tomou conta do jogo, apesar de o Sporting ter conseguido alguns bons contra ataques. Mas só a dois minutos do fim conseguiu aproveitar através de Tuco com um potente remate.
O reconhecimento ao Hóquei já chegou ao Futebol Fonte: Facebook Juve Leo
Para a semana que vem joga-se a segunda mão em Barcelona. Apenas se pode pedir à equipa que continue a ser a equipa que tem sido no passado recente, ou seja, uma equipa lutadora e que honra o lema do Sporting. Ao Esforço, Dedicação e Devoção, a Glória também começa cada vez mais a juntar-se, como prova a recente Supertaça.
A ligação entre equipa e adeptos é especial e cada vez mais se sente como se fosse uma só. O trabalho feito pelo Engenheiro Gilberto Borges é reconhecido por todos e arrisco-me a dizer que a união equipa/adeptos é a maior dentro do universo Sporting, e não será decerto um resultado menos positivo na Catalunha que tirará o orgulho que os adeptos sentem por esta equipa.
Durante a semana as redes do Sporting usaram a hashtag #OTeuReinadoVoltará. Assim todos desejamos: os primeiros passos para tal estão mais que dados!
Em fevereiro de 2014 escrevi sobre João Barbosa e na altura referi que era um nome praticamente desconhecido para a grande maioria da população portuguesa. Hoje, passado mais de ano e meio, o nome continua a ser pouco conhecido por nós.
Na altura dei um exemplo de como o nome não é conhecido entre nós através da Wikipédia, e escrevi que no referido site “apenas existem, para este piloto, páginas em inglês, espanhol, francês, alemão e finlandês.” Passado mais de ano e meio foram acrescentadas mais duas línguas, o polaco e o malagasy (de Madagáscar). Pelo que, por cá no burgo, nada mudou.
Mas este artigo surge no seguimento do segundo título de campeão nacional nos Estados Unidos por parte do piloto nascido no Porto. Uma vitória suada e conquistada apenas na última corrida em Atlanta. Esta segunda vitória na United SportsCar Championship foi alcançada ao lado de Christian Fittipaldi, tal como a primeira, e é um passo muito grande na sua consagração como piloto de protótipos, como se ainda fossem precisos mais passos para tal.
Barbosa, Fittipaldi e o Corvette da Action Express têm sido uma tripla muito forte, como provam os dois títulos americanos conquistados, mas no domingo passado, além deste título, a tripla ganhou a Taça norte americana de Endurance. Este ano ficaram ainda em segundo nas 24h de Daytona, uma das provas mais importantes de resistência, que também já foi ganha por duas vezes pelo português, a última das quais em 2014. Este ano ganhou ainda as 12h de Sebring.
O portuense tem cada vez mais razões para sorrir Fonte: Facebook do piloto
Em 2015 João Barbosa voltou às 24h de Le Mans, a mais importante prova de resistência do Mundo, depois de quatro anos de ausência. Neste seu regresso não foi muito feliz, tendo ficado em 12.º na sua categoria, a segunda mais importante em disputa. A sua presença nesta prova pode ajudar na sua divulgação em Portugal; afinal, a proximidade e o destaque dado à prova são muito maiores do que em relação aos Estados Unidos.
Agora, quantos de vocês ouviram falar neste título através dos média? Poucos ou nenhuns, apenas umas referências em rodapé. Todos nós sabemos que o futebol é que vende, mas falamos de um bicampeão nos Estados Unidos.
Em Portugal parece que um jogo da quinta divisão de futebol do Sudão do Sul tem mais importância do que um qualquer campeonato de uma modalidade dita amadora ou do que um desportista português, a não ser, claro, quando ele ganha alguma coisa importante. Aí sempre o apoiámos e acreditámos em que tinha qualidade para tal.
Como diz o piloto, “ser chamado de campeão soa bem”, só é pena poucos saberem da existência do piloto para o poderem chamar campeão, neste caso, bicampeão!
Talvez se perguntem porque ainda não escrevi sobre jogadores como o Humberto Coelho ou o Luís Figo. Também não escrevi sobre craques como Michel Platini; nem sobre o José Henrique, o Damas ou o Pujol. É simples: a não ser o José Henrique, os outros foram grandes jogadores; jogadores de memória, mas ainda não tocaram na varinha mágica que me faz escrever. Normalmente, escrevo sobre as lendas que por algum motivo me tocaram ou me fizeram vibrar. E o José Henriques fez-me vibrar e, depois da saída do lendário Costa Pereira, foi o primeiro guarda-redes do Benfica que me fez sentir seguro. Adorava o Melo. Conhecia-o desde os juniores e da rivalidade que mantinha com o excelente Rui do FC do Porto nas seleções inferiores.
Eu era do Melo, mas também sabia que o Rui era um excelente guarda-redes. Tinha mais corpo; era completo; era sério na baliza. Mas, o Melo, quando teve a prova dos nove na primeira equipa do Benfica, teve um dia que o marcou: o famoso dia do São Lourenço. Lourenço, avançado-centro do Sporting, marcou-lhe três golos num dérbi; um deles foi um belo e falado chapéu. E desapareceu da primeira equipa; mais tarde, alinhou pela Académica de Coimbra, onde fez excelentes épocas e tapou o vazio deixado pelo dr. Maló. Portugal, naquela época, tinha grandes guarda-redes, e não só o Porto, o Sporting ou o Benfica.
Não era conhecido. Regressou ao Benfica depois de andar alguns anos a endurecer pelo Amora, pelo Seixal e pelo Atlético, onde se notabilizou. Era um guarda-redes para o Benfica que passara despercebido nas camadas inferiores. Hoje, acontece-lhe o mesmo. Fala-se do Bento, do Preud`homme, mas, do José Henriques, nem um ligeiro sopro. Não era pior; era melhor; era o Zé Gato. As bancadas do velho Estádio da Luz sentiram-se aliviadas quando se apropriou da baliza do Costa Pereira. Começou no Arrentela e depois no ano 1959 veio para os juniores do Benfica, onde foi companheiro do Simões.
Teve rivalidade fora do Benfica. Depois de poucos meses, desalojou o Nascimento e fez-se com a baliza por uma década. A rivalidade morava no Estádio José Alvalade. Vítor Damas era referência no futebol português e um ídolo em Alvalade. A camisa da seleção era muito cara. Mas José Henriques agigantava-se e consolidava-se como um guarda-redes com vastos recursos. Não era muito alto para a posição; no entanto, tinha a garra e o poder de salto para ir lá acima socar as bolas com poder. A seleção abriu-se e rendeu-se. Lembro-me de um jogo contra Inglaterra onde o Zé Gato voou e socou bolas até à extenuação. Depois do jogo, soube-se que jogara os últimos minutos do desafio lesionado numa mão. Numa das saídas impactara com o punho numa cabeça e ficara magoado. Essa exibição foi uma das muitas que fizeram empolgar os adeptos. Jogou-se no Brasil uma mini-Taça do Mundo. Zé Henriques defendeu tudo e atemorizou os sonhos dos contrários. Portugal jogou a final do torneio com o Brasil e não havia bola que passasse; no entanto, perto do fim do jogo, Jairzinho conseguiu marcar e Portugal foi vice-campeão. O campo do Ajax viu uma das mais célebres exibições do José Henriques. O Benfica venceu esse jogo e o grande craque do jogo foi o Zé Gato.
Era felino; arrojado; uns reflexos prodigiosos e também socava. Ganhou a nível nacional muitos campeonatos; taças; disputou um final da Taça da Europa. Foi grande. É grande. Saiu do seu Benfica em 1979 e ainda fez grandes jogos no Nacional. Despediu-se no Sporting da Covilhã. Agora, ocupa-se das camadas jovens da formação benfiquista. Transmite o seu saber, o seu querer e a sua grande qualidade humana.
A selecção portuguesa de sub-21 venceu. Outra vez. Já é um hábito. Na verdade, com Rui Jorge ao leme só a Rússia conseguiu derrotar Portugal. E foi já há muito tempo, no longínquo ano de 2011. Depois de uma qualificação imaculada para o Euro 2015 e de uma brilhante fase final, onde o título escapou por muito pouco e de forma inglória, Portugal entrou nesta qualificação para o Euro 2017 com uma importante vitória em casa da Albânia por 1-6. Hoje, em Penafiel, a turma de Rui Jorge voltou a imprimir bastante qualidade ao seu jogo e somou os três pontos com justiça e autoridade.
A equipa que hoje entrou em campo foi, grosso modo, a mesma do último jogo. João Cancelo entrou para o lugar do lesionado Mauro Riquicho na lateral direita da defesa, Gonçalo Paciência substituiu o malogrado André Silva (autor de um hat-trick na jornada anterior) na frente de ataque e Carlos Mané foi rendido por Iuri Medeiros no onze. De resto, o guarda-redes Bruno Varela (sem jogos oficiais esta época pelo Valladolid) voltou a merecer a confiança do seleccionador; Tobias Figueiredo e Edgar Ié emparelharam-se no eixo central da defesa (Ruben Vezo, que tem sido titular no Valência, ficou no banco); Rafa e Bruma formaram a asa esquerda da equipa e o meio-campo, composto por Ruben Neves, Rony Lopes e o capitão Bruno Fernandes, também não sofreu alterações.
A ideia de jogo manteve-se: futebol ofensivo, de posse e com várias trocas posicionais no ataque e pressão alta e entreajuda no momento de defender. A chave do jogo esteve no miolo: Ruben Neves, o esteio do meio-campo, voltou a revelar toda a sua maturidade técnica, táctica e emocional e apresentou-se como uma das mais determinantes unidades do onze de Rui Jorge. Com ele a pautar o jogo desde trás, Bruno Fernandes e Rony Lopes puderam dar largas à sua criatividade e desequilibrar a partir da zona central. Iuri Medeiros e Bruma não agitaram tanto o jogo como se esperava (por isso foram os primeiros a sair) e por isso pode dizer-se que foram aqueles dois – Bruno e Rony – os mais perigosos e influentes da equipa das Quinas.
Durante a primeira parte, a Hungria dispôs de uma única boa oportunidade para marcar, num lance de génio de László Kleinheisler, mas pouco mais conseguiu do que equilibrar um pouco as coisas em alguns períodos. Portugal dominou claramente a partida e, mesmo claudicando várias vezes na tomada de decisão no último terço (mais passes falhados do que o costume), teve uma mão cheia de ocasiões de perigo que desaproveitou. O único golo chegou do inevitável Bruno Fernandes, capitão de equipa, que disparou para o fundo das redes aos 35’. Um prémio justo para aquele que estava a ser – e que acabou por ser – o melhor jogador em campo.
No segundo tempo, a toada manteve-se. Os húngaros subiram ligeiramente as suas linhas no regresso dos balneários e procuraram discutir o resultado, mas uma brilhante jogada colectiva de Portugal, finalizada por Gonçalo Paciência, atirou por terra as aspirações magiares. Aos 56’, Cancelo lançou Rony Lopes ainda no meio-campo português, o luso-brasileiro progrediu com a bola controlada, tabelou com Bruma e, já dentro da área, deu a Rafa, que cruzou rasteiro para o remate fácil do ponta-de-lança emprestado pelo FC Porto à Académica. Estava feito o 2-0.
Gonçalo Paciência voltou a marcar com a camisola das Quinas Fonte: Getty Images
Com o segundo golo, Portugal geriu os ritmos de jogo, expôs-se pouco ao erro e ainda dispôs de algumas ocasiões para chegar ao terceiro. Não deslumbrando, controlou. Rui Jorge refrescou as alas, fazendo entrar Ricardo Horta e Gonçalo Guedes (primeira internacionalização sub-21) para os lugares de Iuri Medeiros e Bruma e reforçou o meio-campo com a entrada de Raphael Guzzo, segurando assim a merecida e natural vantagem no marcador.
Portugal continua um trajecto soberbo neste escalão à custa das muitas e muito boas soluções para todos os sectores do terreno, mas também devido à capacidade de liderança de Rui Jorge, capaz de implementar vários sistemas de jogo (o 4-3-3 com André Silva ou Gonçalo Paciência na frente utilizado nestes dois últimos encontros nada tem que ver com o 4-4-2 losango com falsos avançados utilizado no Euro 2015) e de “espremer” os nossos jovens valores ao máximo, exigindo sempre deles uma atitude séria e uma entrega sem limites, indispensáveis para o sucesso. Hoje saiu de Penafiel com seis pontos na bagagem e confiança redobrada para a deslocação à Grécia na próxima terça-feira.
A Figura
Bruno Fernandes – Foi o dínamo da selecção nacional. Envergando a braçadeira de capitão, mostrou clarividência na grande maioria das decisões de tomou, e revelou o espírito combativo a que nos habituou. Funcionou como verdadeiro box-to-box, ora apoiando Ruben Neves em missões ofensivas, ora aparecendo na área adversária para atirar à baliza ou endossar um último passe, e mostrou que tem as características necessárias para render em posições centrais (apareceu na Udinese como extremo, hoje joga como médio interior). Também Ruben Neves e Rony Lopes estiveram em destaque – como disse, o meio-campo foi crucial nesta vitória -, mas Bruno Fernandes merece a eleição, até pelo golo que assinou.
O Fora-de-Jogo
Bruma e Iuri Medeiros – Muito longe de terem tido desempenhos desastrosos, acabaram por não ser tão preponderantes como deveriam ter sido e como já foram em ocasiões anteriores. O luso-guineense falhou demasiados passes, o açoriano nunca foi capaz de encontrar espaços para o seu poderoso remate. Sendo esta uma das posições com mais concorrência, é provável que Rui Jorge lance um outro extremo como titular na Grécia.
Foto de Capa: Facebook das Seleções Nacionais de Portugal
A afirmação do Benfica como maior clube português – em apoio popular, sucesso desportivo e prestígio internacional (necessariamente por esta ordem) – teve um impulso decisivo em 1907, apenas três anos após a fundação e na sequência de uma grave crise que, na altura, colocou em risco a sobrevivência da própria instituição. A fuga da maioria dos jogadores para o abastado Sporting – capaz de garantir condições de treino e de jogo mais favoráveis – colocou em curso um projecto liderado pela mente e alma de Cosme Damião, um dos 24 fundadores do clube, que incluiu, entre outras coisas, uma activa campanha de angariação de fundos e a absorção do Grupo Sport Benfica (proporcionando um campo para a prática do futebol e o início do seu ecletismo desportivo). São episódios como este – que figuram como factos nos livros de História (sem recurso a prestidigitações intelectuais) – que explicam, de forma simples e directa, a natureza do Sport Lisboa e Benfica.
A identidade do clube – assente numa dialéctica de oposição entre o povo e a aristocracia – sobrevém das origens dos seus fundadores, ex-alunos da Casa Pia; o Benfica não tinha campo próprio ou dinheiro, somente sobrevivendo pela vontade férrea de um grupo de homens humilde e trabalhador. No Portugal de então, monárquico e de profundos contrastes sociais, a camisola vermelha tornar-se-ia numa escolha óbvia e natural para a (esmagadora) maioria: o número de simpatizantes e sócios aumentou a um ritmo imparável e Cosme Damião e seus pares perceberam no imediato e com espírito de dever cumprido que o clube deixara de lhes pertencer.
O Benfica jamais perdeu essa base de apoio popular – que carregou o clube para o topo do futebol português e europeu (tornando-o na principal referência associativa e desportiva nacional, reconhecida nos quatro cantos do mundo) –, fiadora dos seus princípios fundadores, da sua consolidação e de um crescimento que, em 1904, podia ser só sonhado. Com o passar dos anos, intervalando períodos de hegemonia total e as grandes conquistas, surgiram outras crises, com características variadas. Porém, a vantagem em relação aos demais, aberta, sobretudo, por uma falange de apoio activa e disponível, manteve o clube numa posição de superioridade inata, confinando os opositores à eterna tarefa de subverter uma ordem fossilizada.
As respostas a dar para fora têm local e data marcada Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Actualmente, o Benfica é mais do que um clube: com infra-estruturas de nível mundial; um notável trabalho social e solidário; um espaço essencial para a prática desportiva de crianças e jovens na capital; e, na alta competição, domina praticamente todas as principais modalidades desportivas que existem em Portugal. O benfiquista dos nossos dias tem, por isso, a tarefa muito facilitada: é difícil conter tanto orgulho. Por vezes, podemos não gostar daquele treinador ou jogador; das decisões do presidente; ou do comentador do programa televisivo. No entanto, nenhum sócio ou adepto deve esquecer-se do essencial ou, pior ainda, perder o seu tempo com questiúnculas lunáticas. No Benfica, todos os temas – desde o comportamento dos próprios adeptos às opções de hospitalidade da actual direcção – devem necessariamente ser discutidos, nos momentos e locais apropriados, com seriedade e elevação, fazendo jus à liberdade democrática que sempre caracterizou o clube; haverá, certamente, ainda muitas questões para corrigir e resolver.
Este texto surge, obviamente, motivado pelo muito que se leu e ouviu nos últimos dias sobre o Benfica, proveniente do exterior. É um daqueles episódios chatos em que, ao invés de gastarmos tempo e energia em fazer mais e melhor, suspendemos temporariamente a reflexão sobre certas questões internas, verdadeiramente importantes – como a do comportamento de alguns benfiquistas em Madrid –, porque alguém quer desviar as atenções da sua própria casa. Por respeito aos princípios fundadores e à nossa herança colectiva – e tal como está estatutariamente previsto – a defesa do Benfica faz-se primeiro. No entanto, as batalhas dos benfiquistas não se travam contra este ou aquele; muito menos resultam num estranho e caricato regozijo pela vitória (?) num debate de tasca. Basta a união e o apoio de todos – dos milhões que mais ninguém tem ou terá –, para o Benfica continuar a crescer sem companhias indesejadas. Está nos livros, desde 1907.
Um lance, um jogo, uma qualificação. No momento em que João Moutinho parou a bola no peito, chamou a História ao jogo. “Ela” olhou para a Pedreira, em Braga, viu-o sentar dois adversários em simulações e atirar a contar para o fundo das redes de Kasper Schmeichel, marcando o único golo de um Portugal-Dinamarca que sentenciou a qualificação lusa para o Euro 2016, colocando ponto final em malapatas e contrariando o pessimismo do povo. Mas já lá vamos.
Para chegar ao lance do golo, foi preciso batalhar durante 67 minutos. Com a segurança de que o empate chegava para garantir os objectivos, é certo, mas sem a descontracção de quem se acomoda a um nulo no marcador. Fernando Santos avisou que era “vitória” que estava no menu, e os seus jogadores corresponderam bem, não se encolhendo perante uma Dinamarca menos atrevida do que aquilo que seria de esperar, embora também condicionada por um meio-campo bastante sólido e impermeável, e que não permitiu veleidades ao adversário.
Ilustração disso mesmo foi a primeira parte, que não teve lances de maior perigo junto à baliza de Rui Patrício, apesar da vulnerabilidade do flanco esquerdo da defesa (Coentrão menos bem a defender perante um Braithwaite motivado, a retribuir a confiança de Morten Olsen na sua surpreendente titularidade), e que contou, ainda que apenas no último quarto de hora, com uma equipa portuguesa bastante atrevida. Primeiro foi Moutinho a assediar a baliza de Kasper Schmeichel, rematando a rasar a trave, depois foi Nani a aproximar a bola do alvo, com ela a embater no ferro superior da baliza dinamarquesa. Entretanto, muitos mexericos entre os portugueses e bastante intranquilidade dinamarquesa, que ia suspirando pela ida para o balneário sem um golo sofrido. E assim aconteceu.
Talvez por ter o que desejara, a formação nórdica entrou cheia de vontade no segundo tempo, e obrigou Rui Patrício a esmerar-se, impondo-se a um cabeceamento de Bendtner, que também bateu no poste. Porém, cedo a serenidade portuguesa voltou a tomar conta das operações e, antes de estar contabilizado o primeiro quarto de hora do segundo tempo, avisou que estava de olho na vitória, com um remate fortíssimo de Cristiano Ronaldo a obrigar Schmeichel a defender por instinto, embora para a frente, onde Tiago estava e a quem também se impôs. Depois da ameaça, e de um domínio territorial patrocinado por um excelente meio-campo, lá veio o golpe, o golo de Moutinho, que deu a vantagem à selecção portuguesa, sossegando, ainda mais, uns corações lusos que, ao contrário de anos anteriores, já batiam com tranquilidade.
A festa da Seleção Nacional Fonte: Facebook ‘Seleções de Portugal’
Voltaram a agitar-se em apenas dois momentos, até ao final: quando Bernardo Silva, partindo do flanco para o meio, irrompeu pela área dinamarquesa adentro, num assomo de genialidade, rematando a rasar o poste direito da baliza de Kasper Schmeichel e com a última investida dinamarquesa, com duas defesas, em lances consecutivos, de Rui Patrício, já nos descontos, a cabeceamentos de Bendtner e Agger.
Mas o apito final soou, e a alegria instalou-se. Estamos de volta a França, 32 anos depois de um Europeu perdido (nas meias-finais) no prolongamento para os homens da casa. Vamos a França, onde não estivemos há 17 anos, graças a um malvado chapéu de um tal Karel Poborsky. Jogaremos no terreno da selecção francesa, a mesma que nos eliminou do Euro 2000 e do Mundial 2006, com um factor comum: penalties de Zidane.
Parece que o passado recente nos condena? Nada disso! Porque, se a história jogava contra nós, ficou evidenciado que esta selecção está apostada em superar traumas, e a prova disso mesmo foi a vitória de hoje à noite: derrotou um adversário que há muito nos vem complicando as contas dos apuramentos, garantindo a qualificação para uma grande competição com tranquilidade, sem calculadora na mão, algo que já não acontecia desde 2006. E ainda aproveitou para deixar a dica: o que nasce torto, pode-se endireitar! A campanha rumo a França começou com uma derrota escandalosa diante da Albânia mas, daí para cá, só somámos vitórias.
Ganhar esteve sempre no menu. E a história, se for um trauma, é para ser superado, conforme se fez hoje.
Figura do jogo:
Danilo (Portugal) – Exibição gigantesca, a do médio defensivo do FC Porto. Foi uma das formigas operárias do meio-campo, que permitiu a superioridade lusa no jogo, contribuindo de forma bastante generosa, com várias recuperações de bola na zona de entrada do processo ofensivo dinamarquês, não se coibindo de, depois, lançar jogo.
Fernando Santos tê-lo-à colocado em campo para fazer frente ao poderio físico dinamarquês, mas Danilo deu uma contribuição ainda maior.
Fora-de-jogo:
Christian Eriksen (Dinamarca) – Dos grandes jogadores esperam-se sempre grandes exibições, e, quando assim não acontece, fica um sabor amargo aos adeptos de futebol. De Eriksen esperava-se a coordenação do jogo ofensivo dinamarquês com passes milimétricos, mas foi abafado pela supremacia do meio-campo luso, e aquele que era suposto ser o cérebro da Dinamarca viu-se restringido a ideias muito básicas quando tinha a bola nos pés.
É justo enaltecer o mérito português no apagão de Eriksen, mas o jogador do Tottenham também não esteve no melhor dos seus dias.
Vítor Pereira saiu do FC Porto depois de ter vencido o campeonato. Saiu, depois de ter sido campeão em dois anos consecutivos. O FC Porto de Vítor Pereira somou apenas uma derrota em 60 jogos para a Liga Portuguesa. Venceu duas supertaças. Num ano, conseguiu até passar a fase de grupos da Liga dos Campeões, perdendo apenas nos oitavos de final. No primeiro, foi relegado para a Liga Europa e perdeu contra o colosso Manchester City.
Recordo-me, também, que foi obrigado a colocar Hulk no centro do terreno, perante a ausência de um verdadeiro substituto a Falcão, e mesmo assim conseguiu comandar a equipa contra todas as adversidades e vencer o campeonato.
Perante este parágrafo inicial, parece que Vítor Pereira foi um treinador capaz de deixar saudades às hostes portistas. Sim e… não. Hoje em dia, o saudosismo para com o treinador já é bastante maior. Na altura, porém, Vítor Pereira teve uma saída inglória. Depois de ter sido bicampeão, o treinador português não viu o seu trabalho reconhecido. Anos mais tarde, Vítor Pereira reconheceu publicamente que há algo que lhe falta. Saber vender a sua imagem.
Julen Lopetegui tem certas semelhanças com Vítor Pereira. Possui 19 vitórias seguidas no Dragão, é o treinador com maior percentagem de vitórias na Liga dos Campeões… O ano passado foi capaz de lutar com o SL Benfica de Jesus até à reta final e na prova milionária cedeu frente ao todo poderoso Bayern Munique, nos quartos-de-final. Já este ano, está na frente do grupo que disputa e no primeiro lugar da liga portuguesa. Continua, porém, a receber assobios e a ver o seu trabalho posto em causa.
Sim, é verdade que a equipa de Lopetegui tem sido bipolar. Em casa é capaz de mundos e fundos, fora de portas vai deixando algo a desejar… Soma, contudo, zero derrotas em nove jogos. Depois de já ter enfrentado Chelsea, SL Benfica, Dínamo Kiev… Podia dizer-se que o percurso do treinador espanhol tem sido bastante acima da expectativas mas parece impossível, para as hostes portistas, perdoar os empates consentidos já em cima dos minutos finais frente a Moreirense e Dínamo Kiev.
Parece-me que Lopetegui nunca terá uma vida descansada no Dragão. Mesmo que vença títulos, tal como Vítor Pereira conseguiu. Existirá sempre algo que está mal. Lopetegui não se sabe vender, falta-lhe carisma social (se é que lhe posso chamar assim). Já se percebeu que o espanhol é um líder dentro do balneário e com todos aqueles que o rodeiam. Mas não consegue transmitir isso cá para fora. Lopetegui não é capaz de reunir um consenso público, de unir uma nação clubística contra diversos adversários.
Aboubakar tem-se assumido como figura de proa Fonte: FC Porto
Não concordo com muitos dos princípios que Lopetegui assume para a sua equipa. Quem ler o Onze Violinos pode perceber isso. Mas penso que, nesta altura, Lopetegui já deveria ter começado a mudar algumas mentalidades. Quiçá já o conseguiu e eu é que não reparei nisso! Os adeptos do FC Porto querem ópera em todos os jogos, querem vitórias convincentes, querem dominar adversário atrás de adversário. E nunca vão perceber que isso nem sempre é possível. Mesmo que, no final, se conquistem títulos.
Aproveito para partilhar um texto acerca da forma como o mediatismo concedido a alguém pode moldar a opinião pública:
“Quando, na segunda época de Guardiola, Ibrahimovic marcou 16 golos na Liga Espanhola em 2034 minutos (num total de 21 golos em 3285 minutos jogados em todas as competições), quase toda a gente concluiu que tinha sido uma má época do sueco. Apressaram-se então a dizer que falhara na Catalunha, ainda que o seu contributo para a manobra ofensiva do Barça tivesse sido inestimável, e que Guardiola se equivocara ao contratá-lo. Guardiola e Ibrahimovic não parecem ter-se entendido às mil maravilhas, é verdade, mas duvido que [SIC] o rendimento do sueco tenha sido o problema.
Guardiola começava a perceber que precisava de colocar Messi numa posição central, e Ibrahimovic não parecia disposto a jogar noutra posição. A saída de Ibrahimovic do clube pareceu dar razão àqueles que defenderam o mau investimento, e o principal argumento foi sempre aquele que os estúpidos mais depressa invocam: os números. Ora, os números de Ibrahimovic nessa primeira época são praticamente os mesmos que os de… isso, acertaram: Luis Suarez! Suarez fez, a época transacta, os mesmos 16 golos em 2180 minutos na Liga Espanhola (num total de 25 golos em 3535 minutos em todas as competições). Em média, Suarez marcou menos golos por minuto jogado na Liga Espanhola do que Ibrahimovic. Com quatro agravantes. A primeira é a de que o Barça de Luis Enrique, enquanto equipa, fez mais 12 golos do que o de Guardiola nessa época, o que significa que Ibrahimovic fez 16,3% dos golos da equipa e Suarez apenas 14,5%.
A segunda é a de que, apesar de ter começado a jogar mais tarde, Suarez nunca se lesionou, o que fez com que nunca tivesse quebras de rendimento, coisa que não aconteceu com Ibrahimovic, que esteve constantemente a recuperar de lesões. A terceira é a de que, além dos golos, Suarez não ofereceu mais nada à equipa, o que também não foi o caso com Ibrahimovic, cujo envolvimento com o colectivo foi muito importante. A quarta é a de que Luis Suarez foi bem mais caro do que Ibrahimovic. Tudo somado, até para aqueles que gostam de apoiar os seus argumentos nos números, é impossível defender que Ibrahimovic tenha feita uma má primeira época e que Suarez tenha feito uma boa época. Mas – surpresa das surpresas – é exactamente isso que é defendido de modo generalizado! Suarez é hoje tido como um dos elementos mais importantes da equipa catalã, está eleito entre os três melhores jogadores da temporada passada, e há sobre ele uma opinião generalizada muito favorável. Não é impressionante que assim seja. A maior parte das pessoas baseia as suas opiniões no que ouvem dizer e o que ouvem dizer é geralmente o que não interessa ouvir.
Neste caso, Suarez é tido como uma grande contratação porque o Barça ganhou a Champions e porque Suarez é aquele tipo de avançado do qual se condescende porque é aguerrido. Não tem metade da qualidade de Ibrahimovic, não fez metade do que Ibrahimovic fez em Barcelona e, como se demonstra, nem sequer marcou mais golos do que Ibrahimovic. O futebol continua a ser dos estúpidos, e os estúpidos continuam a fazer-se ouvir a outros estúpidos. Um dos avançados mais sobrevalorizados da actualidade já pode dizer que foi eleito para melhor jogador do mundo; o melhor avançado da história do jogo nunca chegou a sê-lo, e provavelmente já não virá a sê-lo.”
E partilho ainda esta imagem:
A verdade? É que depende mesmo muito do contexto e da primeira impressão que se dá.
Cada vez mais encontro excelentes analistas de jogo (não comentadores), principalmente do futebol, que enquadram com brilhante mestria a performance global de uma equipa num certo jogo ou jogos, com a compreensão de sistemas ou modelos de jogo. Colegas treinadores que estudam as melhores equipas, decifrando os seus processos de modo a que fique disponível a partilha de uma enorme quantidade de informação, à mão de semear de todos, inclusive dos que nunca partilham nada.
A observação das equipas adversárias e interpretação do seu modelo ou processos sistemáticos é, neste contexto actual do desporto, uma actividade importante para todos os treinadores que pretendem dotar de alguma forma de vantagem competitiva as suas equipas, existindo inclusive equipas técnicas que integram profissionais exclusivos nesta área. Assim sendo, coloco aqui algumas questões que considero pertinentes e sobre as quais gostaria de reflectir.
Apesar de ter de existir alguma forma de organização nos processos das equipas e da tentativa de criação de imprevisibilidade no jogo ser fornecida pela tomada de decisão, assim como pela criatividade que os jogadores possam ter, será que não existe uma grande mecanização na actual forma de jogar?
Será que as metodologias de treino implementadas actualmente, nomeadamente no futebol (por exemplo, a periodização táctica), desde os escalões de formação, não empregam uma formatação evidente à forma de jogar?
Existe futebol, futsal, basquetebol, andebol, etc. sem sistema ou sem modelo de jogo?
A minha perspectiva e a de alguns colegas com quem já troquei ideias é a de que se caminha para o abandono das convenções.
Outrora li algures que a táctica é como a roupa: pode ser diferente em inúmeros aspectos, no entanto aquilo que lhe confere personalidade é a pessoa que está por dentro. A declaração de intenções transmitida pelo sistema táctico de uma equipa é a forma como ela deseja suplantar o opositor, tendo em conta virtudes e defeitos dos dois lados. Um remate à entrada da área, desviado pela perna de um defensor para o golo, surpreendendo o guarda-redes, nunca conseguirá ser explicado pela disposição dos jogadores em campo. No entanto, é possível entender o desenrolar do lance até ao momento do remate (tendo em conta que a defesa estava correctamente posicionada ou não) através dos padrões de interacções que definem a ideia de jogo de uma equipa.
Alguns profissionais de áreas diferentes do desporto já admitem que a posição, como algo rígido, deixou de existir há algum tempo, tendo sido substituída pela função, por um conjunto de acções com e sem bola que um determinado jogador necessita ser capaz de realizar para ocupar um lugar num organismo chamado equipa. Apesar disto, as equipas mais modernas na interpretação do jogo colectivo têm-nos apresentado uma evolução da função: deixou-se de considerar apenas o papel isolado de um jogador para se considerar as associações entre ele e aqueles com quem mais interage.
Não existindo, parece-me, uma definição para isto, importa mais entender o seu efeito. Em equipas que se movem como se fossem apenas um ser não fará sentido sequer falar em sistema.
A TEORIA DO CAOS E O EFEITO BORBOLETA
Uma ideia proveniente da reflexão deste tema, alinhando sempre os conceitos e perspectivas com a complexidade existente no desporto, principalmente o colectivo, levou-me a considerar que o efeito da falta de um elemento numa equipa mecânica é menos grave do que a mesma falta numa equipa orgânica, tal como referi anteriormente. No entanto, a riqueza de soluções e processos existentes numa equipa orgânica é tremendamente superior à da mecânica e provavelmente os resultados são melhores e esteticamente muito superiores.
A Teoria do Caos é considerada uma das leis mais relevantes do Universo, presente na essência de praticamente tudo aquilo que nos rodeia. A ideia central é a de que uma pequena mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Estes eventos seriam praticamente imprevisíveis – caóticos, portanto. Só Edward Lorenz teve o fascínio suficiente para desenvolver essa ideia, tornando-se o pai desta teoria.
Trazendo esta ideia para o desporto, Wolfgang Schöllhorn, da Universidade de Munster, professor, doutorado em biomecânica, licenciado em Ciências do Desporto e em Física, convidado em diversas universidades europeias; Schöllhorn, atleta de alta competição e treinador há mais de 20 anos, fez surgir a aprendizagem diferencial.
A ideia base da aprendizagem diferencial é oferecer ao atleta uma grande variedade de exercícios para induzir a um processo de auto-organização da sua aprendizagem e evolução. O treino diferencial favorece as flutuações, ou seja, a ocorrência de “erros” para aprender. Considera as flutuações como desvios a um ponto de referência, sendo estas diferenças que permitem ao sistema reagir e adaptar-se constantemente às alterações contextuais. Com esta abordagem baseada na teoria dos sistemas dinâmicos, procura-se que o sujeito descubra de forma espontânea padrões individuais de movimento que lhe permitam responder de forma mais eficaz às solicitações do seu desporto. Deste, as soluções serão sempre individuais. Contudo, as variações não são arbitrárias. Para Schöllhorn, o processo pelo qual se explicam estas adaptações faz referência à interpolação, à extrapolação e à auto-organização.
Em termos simplificados, Schöllhorn sugere as seguintes indicações para o treino: 1) variação das condições iniciais e finais de um movimento; 2) mudança na magnitude das variáveis; 3) mudança na evolução, ou desenvolvimento, do movimento no que respeita à sua duração absoluta e relativa e ao ritmo (isto aplica-se ao ângulo articular, à velocidade angular articular, ou à aceleração angular articular). De destacar que o trabalho preconizado por Schöllhorn tem sido utilizado tanto em desportos individuais (atletismo, ginástica, ténis, karaté) como colectivos (voleibol, basquetebol, futebol).
ESQUECENDO AS CONVENÇÕES
Sendo os desportos colectivos considerados na generalidade tácticos, pelas dinâmicas entrepostas através das acções dos seus intervenientes, estes apresentam alguma regularidade e padrões, dentro das suas grandes complexidades e aleatoriedades próprias, e por isso o treinador convencional modela uma forma de jogar.
Segundo o professor Júlio Garganta (2007), falando especificamente de uma modalidade: “o futebol só faz sentido entendido dentro de uma proposta táctica, com o treino visando a implementação de uma “cultura para jogar”. Para o professor, “a forma de jogar é construída e o treino consiste em modelar os comportamentos e atitudes de jogadores/equipas, através de um projecto orientado para o conceito de jogo/competição.
Fico deveras curioso quando vejo equipas, como, por exemplo, o Barcelona e o Bayern de Munique, de Pep Guardiola, a romper com a maior parte deste status quo.
As equipas de Guardiola são especialmente interessantes neste contexto, por partirem de uma ideia organizada que se move em constante alteração durante o curso de um jogo, comportamento que justifica a frase do catalão sobre sistemas serem “números de telefone”. O que importa de facto é a forma como as peças abandonam essa configuração estática para ganhar vida – e jogos e títulos – com bola. Guardiola, relativamente à escolha dos jogadores para formar a equipa do próximo jogo, tem algo peculiar: sempre devem jogar os melhores, e os melhores são aqueles que têm coragem e não perdem a bola, e que o ideal seria formar uma equipa com onze médios.
Sim, onze, porque o guarda-redes também precisa de saber jogar com os pés numa equipa que pretende ocupar o campo do adversário e não sair de lá. Em vez de ter um titular e um suplente para cada posição, enfatizando a especialidade, Guardiola prefere jogadores capazes de executar duas ou até três funções. Além de oferecer soluções e possibilidades para alterar o carácter da equipa durante o jogo, sem que seja necessário fazer substituições; reunir jogadores “camaleónicos” permite a Guardiola satisfazer o desejo de trabalhar com elencos parcos.
O foco exagerado em sequências de números e esquemas pode levar à desvalorização de outros aspectos importantes. O conforto que a beleza geométrica da constituição táctica de uma equipa pode dar a um treinador pode ser curto quando pela frente se encontra uma equipa onde aparentemente se privilegia o caos. Não um caos qualquer mas um caos preparado e controlado, que se transforma num “rolo compressor” sobre qualquer adversário que se apresente pela frente. Na verdade, o futebol caminha para esquecer as convenções.
Bibliografia:
André Kfouri – http://blogs.lancenet.com.br/andrekfouri/
Pedro Machado – http://www.bolanarede.pt/internacional/ligainglesa/toure-e-a-teoria-do-caos/
Antes de iniciar a análise da jornada do passado fim-de-semana, vou começar por dissecar a participação do SL Benfica na UEFA Futsal Cup, na Ronda Principal, que teve de ultrapassar por não ser um dos 4 principais cabeças-de-série. Esta ronda de apuramento para a ronda de Elite teve lugar na Eslovénia, e, para além do campeão nacional, contou com a presença do anfitrião Dobovec, dos búlgaros do Grand Pro Varna e dos bósnios do Centar Sarajevo.
Apesar de ser o único clube nesta fase da prova já com um título europeu no seu palmarés, conquistado em 2010, e de ser por isso amplamente favorito, o SL Benfica desembaraçou-se dos seus oponentes com aparente facilidade, batendo respetivamente o Sarajevo por 8-2, o Varna por 9-2 e finalmente a equipa da casa por 6-1, tendo já garantido a presença na fase seguinte antes do último jogo, algo que é concedido aos dois primeiros classificados de cada grupo. O essencial, que era a presença entre as 16 melhores equipas da Europa, está garantido e agora é esperar pelo sorteio da Ronda de Elite (14 de Outubro) para saber o que calha em sorte aos encarnados.
Brilhante prestação do Benfica na Ronda Principal da UEFA Futsal Cup valeu o pleno de vitórias Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica Modalidades
Concluído que está este pequeno aparte, vou agora analisar a jornada da Liga Sport Zone do passado fim-de-semana, começando pelo expressivo triunfo forasteiro do Sporting CP perante os Leões de Porto Salvo (2-8). Num duelo leonino, os de Alvalade entraram melhor e ao intervalo lideravam por 2 golos sem resposta, com um bis do italo-brasileiro Cavinato. A turma de Nuno Dias não adormeceu à “sombra da bananeira” e tratou de entrar forte no segundo tempo, com Djo a ampliar a vantagem logo a abrir. Depois foi a vez de Merlim inscrever o seu nome no marcador, por duas ocasiões, aumentando o marcador para 0-5. A equipa orientada por Ricardo Lobão ainda esboçou uma pequena reação, com golos de Bruno Santos e Pauleta, mas mais um golo de Cavinato e dois de Diogo fixaram o resultado final.
O Sporting, somando assim a sua quarta vitória no campeonato, “apanha “ o rival Benfica na liderança partilhada da Liga, a par do SC Braga, que derrotou o SL Olivais por 3-1. Destaque nesta jornada para o primeiro ponto do CS São João, que empatou 3-3 com o Gualtar, e que vai tentar assim sair da “lanterna-vermelha” do campeonato com esta motivação extra. O Modicus vai continuando o seu campeonato com mais uma importante vitória perante o Belenenses por 7-4, subindo assim para o quarto posto, logo atrás do trio da frente e igualado com o SL Olivais. O Fundão goleou o Boavista por 6-0 e segue logo atrás do Modicus, com 7 pontos em 5 jogos e no 6.º lugar provisório da tabela.
Finalmente, o Rio Ave registou o seu primeiro triunfo ao 5.º jogo, num jogo equilibrado perante a Quinta dos Lombos, que terminou com um parcial final de 3-2 para os visitados. Mesmo assim, o conjunto rio-avista ainda palmilha terrenos perigosos, ocupando neste momento o 11º lugar da tabela. É de referir também que o jogo em atraso desta jornada, entre o SL Benfica e a Burinhosa, se realizará no início de Dezembro, no dia 2.
Fotografia de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal Modalidades
Como todos temos testemunhado, o futebol português está repleto de histórias: umas “do arco-da-velha”, outras nem tanto…
Ainda assim, nos últimos dois anos temos assistido a uma aproximação desportiva dos 3 grandes de Portugal, depois de um grande interregno de um clube que merece estar na ribalta: o Sporting Clube de Portugal, instituição pela qual eu tenho um apreço enorme e que tanto me apraz ver no topo da tabela classificativa (excluindo quando está à frente do Porto, como é óbvio).
Esta aproximação dos três grandes revela algo que está intimamente ligado com os resultados desportivos de um grande clube: os 3 têm 1 líder que sabe o que faz. Porém, depois daquele medíocre e patético debate da passada segunda feira, entre um irracional ex-operário da Benfica TV que se diz independente (falo daquele faccioso, incendiário e crápula do Pedro Guerra – ou “Fernando Santos”, como se intitula quando liga para programas a fazer-se passar por outros-) e o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, só posso tirar como ilação principal 3 coisas: realmente Bruno de Carvalho está muito, mas muito… verdinho. E são várias as razões para esta afirmação, a saber:
Aceitar ir ao programa desportivo de Portugal com o pior painel de comentadores;
Aceitar sentar-se na mesma mesa que Pedro Guerra (esse o pior de todos, a par de Rui Gomes da Silva);
Deixar-se ir nas cantigas do “comentador” benfiquista e tornar um suposto programa onde ia responder a perguntar num programa onde o nível de azeite e de peixeirada foi acima de um reality show digno daquela estação.
Partindo deste princípio, o leitor pode já começar a associar o título do texto aos três presidentes, mas antes de mais vamos lá ver uma coisa: todos os presidentes estão encobertos de “histórias” (algumas provadas, outras não) e por isso nem vale a pena a teoria da conspiração de que no norte são todos corruptos e no sul são uns coitadinhos do sistema!
“O mestre”: Pinto da Costa – acusado de um sem número de acções judiciais, a verdade é que já são 33 anos de presidência e nunca nada foi provado judicialmente (“escutas ilegais” ou “apitos dourados”, até serem provados sem ser pelos famosos “leaks” ou “youtubes”, de nada valem). No alto dos seus 58 títulos de Dragão ao peito (só no futebol…), pode congratular-se de ser o dirigente desportivo com mais títulos do mundo e, arrisco-me a dizer, um dos que goza maior longevidade num cargo de presidência, sendo unanime que é o melhor, quer entre os adeptos portistas quer entre os adeptos que sabem ver futebol e admiram o trabalho deste grande presidente, internacionalmente reconhecido pelos maiores clubes do mundo;
“O aprendiz”: Luís Filipe Vieira – com cerca de 12 anos de casa, o começo no Benfica foi parecido com o que Bruno de Carvalho fez no Sporting: falsas promessas (300 mil sócios, vencer finais europeias ou acabar com a hegemonia do Porto) logo no primeiro mandato. Vai a caminho do terceiro e com o tempo conseguiu “secar” os clubes da zona de Lisboa (incluindo Sporting) e assumir-se como o único rival à altura do Porto durante largos anos. Nisto, se falei de acusações feitas a Pinto da Costa, tenho forçosamente de falar dos seus homogéneos: Luís Filipe Vieira tem acusações de fraude desde os tempos do Alverca, acusações de porte e transporte de drogas e ainda aliciamento de árbitros com jantares (a nova famosa “caixinha Eusébio”), apoio a claques ilegais com ligações a suspeitas de homicídios e drogas ou até mesmo protocolos com clubes-fantasmas. Dizendo o que disse o seu homologo Portista mas por outras palavras: até prova judicial em contrário, é inocente.
O “Wanna be”: Bruno de Carvalho – tal como sucedeu com Luís Filipe Vieira no seu primeiro mandato, é tudo a “espingardar”, com uma falta de classe e elegância brutal. Acusado de ser um péssimo gestor no passado e com mistérios como o fecho de todas as suas empresas privadas, ligações a clubes que não existem ou mau relacionamento com jogadores devido a falsas promessas (tudo acusações que se podem ler, nada provado como os anteriores!), a verdade é que Bruno de Carvalho ressuscitou o Leão adormecido e trouxe o bom nome do Sporting de volta onde merece. Mas, talvez ainda por estar demasiado verdinho (como ele gosta tanto da cor…), o presidente Bruno de Carvalho ainda não conseguiu desligar o “chip” do adepto Bruno. Com tiradas e comunicados risíveis e de baixo nível desde que chegou ao clube de Alvalade, o presidente caiu no goto do ridículo quando se deixou ir nas lenga-lengas de Pedro Guerra. Demonstrou uma falta de pulso firme brutal e ainda fugiu das verdadeiras questões que os adeptos leoninos que realmente querem saber do clube queriam ver esclarecidas, e nas perguntas que lhe eram feitas, a frase que mais se ouviu foi: “está no comunicado, leia o comunicado”. Vangloria-se de ter renovado com perolas como William, Gelson ou Matheus, garantindo que estes tinham propostas “milionárias” para sair e quiseram ficar (alguém acredita nisto? Qualquer clube grande que os quisesse era pagar e… levar. O amor ao clube não existe quando o cifrão fala mais alto, ou só contam os jogadores que trocaram o “amor ao benfica ou porto” pelo Mónaco, Zenit, etc?), não falando do ano e meio que teve para renovar com o actual jogador do Sporting a par de William (Carrillo) ou do negócio claramente falhado de Rojo.
Bruno de Carvalho, na imagem, é, segundo José Maria Monteiro, o presidente mais fraco dos 3 grandes Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Bruno de Carvalho, com cerca de 2 anos de presidência (e com um trabalho brilhante ao reerguer o clube!), ainda é um Leão bebé no meio de uma Águia que voa mais alto e de um Dragão que ainda os consegue ver mais de cima (mas já não tão mais alto do que a águia…), e está a criar guerras que nunca conseguirá ganhar, pois onde ele pensa que é inovador, já os rivais sabem essa estratégia há pelo menos 2 anos.
Com isto, e em jeito de conclusão, penso que, num curto prazo de tempo, teremos os 3 grandes a competir ano após ano pelo título nacional, numa “guerra” até ao fim e sem grande oscilações, como as que se têm visto nestes anos que passaram, basta que “alguns” ganhem experiência e parem de pôr o pézinho na poça e outros se distraiam e se deixem ser apanhados.
O futebol é cíclico, como tudo na vida. E espero que o próximo ciclo do desporto-rei chegue a Portugal com grande desportivismo, qualidade das gerações vindouras (que não falta!) e, acima de tudo, com menos casos e muitas mais tecnologias que cada vez mais trarão ao futebol a diminuição do erro humano e desconfiança dos adeptos!
Fotografia de Capa: Facebook Oficial do Futebol Clube do Porto