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Quando a força se sobrepõe à imaginação

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E, quase sem se dar por isso, já estamos à porta da terceira jornada do campeonato. O sorteio da Liga dos Campeões já lá vai (resultou na construção de um panorama minimamente favorável para o FC Porto) e o plantel às ordens de Julen Lopetegui está concentrado a cem por cento no jogo com o Estoril. Este avançar repentino do tempo significa também que o fecho do mercado está a aproximar-se e, no reino do Dragão, há situações urgentes a rever neste aspeto em particular.

Já falei, na semana passada, da questão do lateral-esquerdo. Aquela que, para mim, surge agora como aquela que deveria ser a situação mais premente para a estrutura portista é a do reforço do meio-campo. Não me entendam mal: há muitas e boas soluções para o miolo azul e branco, mas falta uma peça-chave. Falta um elemento “de último passe”, que assuma a batuta do jogo portista e que seja capaz de desequilibrar e dar um toque de magia ao futebol azul e branco quando determinados jogos se revelarem fora do alcance do conhecimento tático e da prática do modelo de jogo idealizado pelo treinador.

Analisando o meio campo titular do FC Porto atual, destacamos Danilo Pereira como o elemento mais recuado, com Imbula e Herrera mais adiantados no terreno. Este é um tipo de meio campo cada vez mais raro no futebol atual. Um médio mais posicional, apoiado (na transição defensiva) por dois box-to-box que não se inibem de pisar áreas mais adiantadas do terreno e até surgir em zona de finalização; aliás, esta tem sido a ideia de Lopetegui: contra o Vitória de Guimarães não foram raras as vezes em que Imbula se aproximou de Aboubakar e tentou o remate, sendo que, contra o Marítimo, foi Herrera a assumir mais frequentemente este papel.

No entanto, a eficácia desta ideia não tem atingido o nível desejado pelos portistas. Numa primeira instância, porque Herrera e Imbula não estão na sua melhor forma e, em segundo lugar, mas não menos relevante, porque nenhum dos jogadores tem o perfil ideal para este papel e para o modelo de jogo do Porto. A equipa acaba por se desequilibrar defensivamente e é Danilo que fica obrigado a estender o seu raio de ação para recuperar a bola antes de esta entrar na “zona crítica”. É um miolo construído à base da força e que, em condições normais, funciona em alta rotação, sendo difícil para qualquer adversário ganhar, física e taticamente, o centro do campo ao FC Porto.

Olhando para aquilo que era o meio campo dos dragões na época passada, é fácil identificar as diferenças. No lugar de Danilo, surgia Casemiro. Ainda que com estilos diferentes, ambos desempenham bem o papel de médio mais posicional, na primeira linha à frente do quarteto defensivo. Herrera continua a ser o “número 8” mas agora alterna as suas funções com Imbua, como foi descrito acima. Em vez do francês, estava Óliver, um criativo de gema mas que não descurava a pressão sobre o adversário, aquando da perda de bola. E neste último ponto reside a diferença, que mexe com todo o futebol da turma de Lopetegui.

Óliver encaixa como uma luva na ideia de jogo de Simeone e o regresso ao Porto será impossível Fonte: Página do Facebook de Óliver Torres
Óliver encaixa como uma luva na ideia de jogo de Simeone e o regresso ao Porto será impossível
Fonte: Página do Facebook de Óliver Torres

É também por pensar nas caraterísticas de Óliver (que encaixam na perfeição no sistema de Diego Simeone, no Atlético) que olho com algum ceticismo para a opinião daqueles que defendem a contratação de Corona e consequente desvio de Brahimi para o centro do terreno. Acolheria com todo o grado o extremo mexicano no plantel do FC Porto, mas sem que isso implicasse a transição do fantasista argelino para o meio. Se Danilo e Imbula seriam “escudeiros” altamente fiáveis, acabar-se-ia por perder a capacidade de pressão alta na primeira zona de construção adversária. Brahimi não deixa de ser um jogador permissivo a nível defensivo.

O regresso de Óliver seria ouro sobre azul, mas, tendo em conta que foi titular na primeira jornada da Liga espanhola e tem deixado o seu atual treinador encantado, essa é uma hipótese gorada. O modelo de jogador que o Porto deve procurar é alguém que tenha lucidez, visão de jogo e aquela centelha de criatividade capaz de resolver jogos; e que ao mesmo tempo seja capaz de temporizar ao segundo a “mudança de chip”, de maneira a tornar eficiente a pressão em zona alta e a recuperação rápida. Aceitam-se sugestões.

Foto de capa: Facebook do FC Porto

E depois do adeus?

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sporting cabeçalho generíco

Não há como escamotear: foi traumática a forma como acabámos apeados da Champions League mas, mais do que olhar para esse passado recente que já não podemos mudar, vale a pena depositar os olhos no muito que há ainda para fazer.

Sem dúvida que as perdas foram enormes, mas parece-me demasiado cedo para se carpir o falhanço de uma época que ainda está a começar e que tem ainda muito para poder ser conquistado. Sem minimizar as perdas, há que convir que “apenas” o dinheiro é irrecuperável. Isto porque até o prestígio a alcançar numa prova como a Champions é muito contingente, não faltando exemplos, próprios e alheios, de grandes tosquiadelas quando se ia em busca de lã.

Sem que isto deva ser entendido como falta de ambição, parece-me claro que, no actual momento da vida do Sporting e na actual conjuntura das competições europeias, a Liga Europa é a competição onde melhor poderemos sobressair. Como apontamento final sobre o passado fica o registo de que, com arbitragens como as deste play-off, estamos condenados a não poder ambicionar muito mais do que a Liga Europa.

É muito comum entre os adeptos, e especialmente em momentos de profunda desilusão como o actual, procurar encontrar culpados para o sucedido. Ou foi a direcção que não fez o que devia para reforçar convenientemente o plantel, o treinador que adormeceu, os jogadores que não se empenharam o suficiente. Convenhamos que, a nível interno, tem sido esse objectivo primordial dos erros de arbitragem há muitos anos, sempre que o clube parece querer deitar a cabeça de fora do género simpático: a ignição de uma combustão interna que tudo queima em redor e que nos entretém enquanto os outros fazem o seu caminho.

O Sporting não foi capaz de segurar a vantagem em Moscovo Fonte: Facebook do Sporting
O Sporting não foi capaz de segurar a vantagem em Moscovo
Fonte: Facebook do Sporting

Independentemente dos juízos que se possam fazer, parece-me claro que, apesar das várias falhas, o Sporting fez mais do que o suficiente para passar, acabando duramente penalizado por praticamente todos os erros cometidos. Às vezes é assim, connosco tem sido muitas vezes, infelizmente. Isto não invalida considerar que, apesar de o potencial parecer existir, são muitas também as dúvidas que a equipa deixa, em particular quando, de repente, se desconjunta e fica abúlica, entregando-se à sorte.

É esta a parte que me interessa neste momento: apesar do insucesso na Champions, os sinais passados são positivos, pelo menos um bom ponto de partida para os compromissos imediatos. Nem todas as equipas se podem gabar disso neste momento da época.

É a seguir a momentos como este que as equipas revelam a matéria de que são feitas e muitas vezes se definem os resultados de toda uma época. Mais do que uma má abordagem ao jogo por parte do treinador no plano de jogo ou quebra física (que foi notória em Teo, Ruiz e Aquilani) pareceu-me ter havido uma hecatombe anímica instigada por uma série de acontecimentos adversos.

Para que essa queda não se perpetue, é urgente conseguir inverter esta série de resultados negativos (empate, derrota) no imediato, já em Coimbra, com uma vitória. Menos do que isso é uma confissão de incapacidade e significaria o regresso extemporâneo a um lugar que conhecemos bem mas do qual não temos saudades.

Como nota adicional fica um quadro com os compromissos a levar a cabo na Liga Europa, em função do resultado do sorteio hoje efectuado e a sua relação, sempre importante, com as jornadas da Liga NOS.

SPORTING-Lokomotiv  (17/09) =>        SPORTING-Nacional     Jornada5
Besiktas-SPORTING      (01/10) =>        SPORTING-Vitória SC   Jornada7
SPORTING-Skenderbeu (22/10) =>        Benfica-SPORTING      Jornada8
Skenderbeu-SPORTING (05/11) ->         Arouca-SPORTING       (Jornada10
Lokomotiv-SPORTING  (26/11) ->         SPORTING-Belenenses  Jornada11
SPORTING-Besiktas      (10/12) ->         SPORTING- Moreirense Jornada13

Ténis: US Open – Djokovic em busca do 10º título do Grand Slam

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cab ténis

Começa esta segunda-feira em Nova Iorque o último Grand Slam da temporada, com o croata Marin Cilic a defender o título sensacionalmente conquistado em 2014.

O quadro é encabeçado pelo #1 mundial Novak Djokovic, que está em busca do seu 10º título do Grand Slam, terceiro da temporada e segundo em Nova Iorque. O sorteio foi bastante favorável ao sérvio, pelo menos nas quatro primeiras rondas, em que não parece haver ninguém que o possa seriamente desafiar. Goffin causou dificuldades em Cincinnati, mas fazê-lo num Grand Slam é outra história, além de que o Belga demonstrou nesse encontro que tende a vacilar mentalmente quando tem uma oportunidade de vencer um jogador de topo.

Nos quartos-de-final, Djokovic poderá defrontar Nadal numa reedição das finais de 2010, 2011 e 2013 deste torneio. Tendo em conta a forma demonstrado este ano, esperar-se-ia uma vitória fácil de Djokovic; aliás, nem sequer há garantias de que Nadal chegue aos quartos-de-final, com jogadores que o bateram recentemente como Lopez, Raonic e Coric na sua secção do quadro. Mas independentemente do momento de forma, Nadal é sempre um nome que mete medo, havendo sempre a possibilidade do espanhol elevar o seu nível a qualquer momento. Djokovic não estará decerto satisfeito com este sorteio.

Será Nadal capaz de dar luta a Djokovic? Fonte: Facebook de Rafael Nadal
Será Nadal capaz de dar luta a Djokovic?
Fonte: Facebook de Rafael Nadal

Nas meias-finais, o adversário projectado para Djokovic é Kei Nishikori, no que seria uma reedição da meia-final do ano passado ganha pelo Japonês. O #4 mundial tem no entanto tarefa bem difícil no caminho para as meias-finais, com Paire na primeira ronda, Dolgopolov na terceira ronda, Monfils ou Tsonga nos oitavos e por fim uma possível repetição da final de 2014 contra Cilic nos quartos-de-final. Não chocaria ninguém se um destes jogadores surpreendesse Nishikori e atingisse as meias-finais, se bem que o Japonês comece como favorito.

Na metade inferior do quadro, o sorteio ditou Murray vs Wawrinka e Federer vs Berdych como possíveis quartos-de-final. Murray tem uma primeira ronda bem difícil contra o explosivo Australiano Nick Kyrgios, mas caso consiga ultrapassar esse obstáculo parece ter caminho livre para os quartos; para Wawrinka as principais ameaças, além da sua própria inconsistência, serão Sock, Simon e quiçá Gulbis. Murray e Wawrinka defrontaram-se por três vezes neste torneio, com Wawrinka a vencer em duas dessas ocasiões.

Para Berdych, o principal obstáculo no caminho para os quartos será Gasquet na quarta ronda, ao passo que Federer terá provavelmente de lidar com os serviços monstruosos de Isner ou Karlovic na mesma quarta ronda. Caso Federer e Berdych se defrontem, porém, espera-se um grande duelo; é verdade que o checo tem desapontado contra os jogadores de topo no último ano, mas não há que esquecer que venceu os últimos dois encontros contra Federer em Grand Slams, um deles neste mesmo torneio em 2012 nos quartos-de-final. Berdych é sempre uma ameaça para Federer quando joga perto do seu melhor.

Previsões a partir dos quartos-de-final:

Djokovic 3-1 Nadal

Nishikori 3-2 Cilic

Wawrinka 3-1 Murray

Federer 3-2 Berdych

Meias-finais:

Djokovic 3-2 Nishikori

Federer 3-1 Wawrinka

Final:

Djokovic 3-2 Federer

 

É um torneio relativamente aberto, mas a aposta segura é sempre Djokovic, que tem demonstrado ser de longe o jogador mais consistente e fiável. Não sendo imbatível, será necessária uma exibição fantástica para o eliminar num encontro à melhor de 5 sets em hardcourt.

Outros destaques:

-Djokovic perdeu 4 das 5 finais que atingiu em Nova Iorque;

-Este será o último torneio da carreira de Mardy Fish, que tem uma excelente oportunidade de vencer pelo menos um encontro;

-O sorteio foi bastante cruel para a nova vaga do circuito: Kyrgios defronta Murray na primeira ronda, Coric defronta Nadal, Kokkinakis defronta Gasquet. Chung tem tarefa mais acessível com Duckworth na primeira, mas espera-o Wawrinka na segunda ronda.

-O US Open teve seis campeões diferentes nas últimas sete edições, apenas Nadal conseguiu vencer por duas vezes neste período.

Foto de capa: Facebook de Djokovic

Atletismo: Nelson Évora voou no “seu” ninho

cab atletismo

“O homem não se mede pelas vezes que cai, mas sim pela elegância com que se levanta” – a universal frase de Charlie Chaplin assenta, desta vez, no percurso trilhado por Nelson Évora ao longo do último ano e que culminou com a surpreendente conquista da medalha de bronze na prova do triplo salto nos Mundiais de Atletismo, a decorrer em Pequim.

Após uma nova grave lesão (fractura na tíbia da perna direita), em 2010 – acentuando ainda mais um já complexo histórico de problemas físicos –, eram poucos os que acreditavam num regresso de Nelson Évora ao mais alto nível: as previsões mais realistas apontavam para a sua ausência nas próximas grandes competições, o que se veio a confirmar nos Jogos Olímpicos de 2012; com 31 anos, ganhava forma o cenário de um final de carreira precoce para o antigo campeão olímpico do triplo salto (“ouro” conquistado em Pequim, em 2008). Todavia, o atleta português rejeitou a reforma antecipada, ou a alternativa de permanecer na sombra: enfrentando problemas reais e imaginários, encontrando forças naqueles que lhe são mais próximos, iniciou uma caminhada dura e silenciosa rumo à recuperação total. O regresso ao topo deu-se, por uma feliz coincidência do destino, no “ninho” onde havia sido mais feliz.

O atleta do Benfica regressou ao topo e já só pensa nas olimpíadas do próximo ano Fonte: Facebook de Nelson Évora
O atleta do Benfica regressou ao topo e já só pensa nas olimpíadas do próximo ano
Fonte: Facebook de Nelson Évora

No início da competição, o nome de Nelson Évora suscitava – a adversários e observadores – a simpatia de um reconhecimento remoto. Os seus números deixavam-no distante do lote de favoritos à vitória – apenas o 6.º melhor registo mundial do ano (17,24 metros) –, e nem sequer o recente título no Europeu de “indoor” impressionava em demasia. Com o decorrer da prova, porém, foram surgindo sinais positivos. À entrada para a final, Nelson Évora (recuperado física e animicamente) já vislumbrava o patamar de excelência, a que sempre pertenceu. O norte-americano Christian Taylor (com uns impressionantes 18,21 metros, a segunda melhor marca de sempre) e o cubano Pedro Pichardo (17,73) confirmaram, sem surpresas, o favoritismo teórico, conquistando ouro e prata, respectivamente. Entretanto, a luta pelo lugar mais baixo do pódio continuava ao rubro, com Évora e Omar Craddock (EUA) a suarem cada centímetro na areia. Apenas na sua sexta e derradeira tentativa, com uma marca de 17,52 metros (o seu melhor registo dos últimos três anos), Nélson Évora confirmou a medalha – os efusivos festejos após o concurso evidenciaram, para o país e para o mundo, a importância de um resultado de bronze com sabor… a ouro.

No balanço destes Mundiais, Nelson Évora admitiu que ainda “voa” baixinho. Este resultado serve, essencialmente, para uma afirmação individual fundamental: a reforma ainda vem longe. As atenções estão já centradas nos Jogos Olímpicos de 2016, onde o atleta português tem a ambição de chegar à marca dos 18 metros e, assim, intrometer-se na luta pelo ouro. Os resultados alcançados nestes campeonatos recolocam o atleta do Benfica como a principal figura da representação portuguesa presente no Rio de Janeiro.

Foto de capa: Facebook do Benfica-Modalidades

Belenenses 0-0 Altach: Este ano vamos ter um Restelo europeu!

liga europa

Num dia onde a história poderia ser escrita os adeptos corresponderam e fizeram uma boa casa no Restelo. Bancadas cheias de energia no apoio ao Belenenses no caminho rumo à fase de grupos da Liga Europa. Na primeira mão os homens de Sá Pinto tinham vencido por 1-0 e tinha ficado a certeza de que os homens do Restelo eram claramente mais fortes do que o Altach. Os austriacos apostaram num meio-campo reforçado e preparado para aproveitar  o espaço concedido pelo Belenenses e sair em contra-ataque. No entanto, foram os da casa os donos do jogo, mesmo que tenham adoptando uma postura mais expectante. Sem precisar de se esforçar muito, ao Belenenses bastava acelerar o ritmo que o Altach não tinha andamento. Guiados pela arte e bom toque de bola de Miguel Rosa (claramente dos melhores jogadores do plantel), o Belenenses dispôs de várias oportunidades, atirando mesmo uma bola ao poste.

O Altach procurava o contra-ataque, mas quase sempre não passavam de tentativas fugazes de aproximação à área. E tudo isto mais por culpa da defesa do Belenenses, que se mostrou algo intranquila, sendo o pior do conjunto azul e branco na primeira parte. O Altach apareceu pouco mas, as vezes que apareceu, foi com bastante perigo. Primeiro um cabeceamento defendido por Ventura (as bolas paradas são um ponto forte dos austríacos) e um chapéu falhado são duas das oportunidades mais perigosas de toda a primeira parte. E ambas devem-se a falhas na defesa portuguesa. Ao intervalo o empate aceitava-se, mas com golos. Se formos a analisar somente as oportunidades, o Altach só teve duas mas foram bastante perigosas. Se analisarmos os 45 minutos todos, o Belenenses teve mais bola e o controlo do jogo.

miguel rosa
Miguel Rosa voltou a ser uma das principais figuras do Belenenses
Fonte: osbelenenses.com

Depois do intervalo, os austríacos, obrigados a marcar, subiram um pouco de rendimento e empurraram o Belenenses para trás durante boa parte do tempo, apostando sobretudo no jogo directo. Ainda assim, os azuis do Restelo tiveram, uma vez mais, em Miguel Rosa o grande destaque. O médio combinou muito bem com Sturgeon e flectiu várias vezes da esquerda para o meio, criando desequilíbrios. O Belenenses, contudo, nem sempre procurava a baliza, fazendo com que o seu futebol perdesse alguma objectividade.

O jogo foi ficando partido e, à medida que o tempo avançava, era cada vez mais disputado com o coração. A entrada de Tiago Silva, para o lugar do desinspirado Abel Camará, contribuiu para fechar um pouco mais a baliza e equilibrar o Belenenses, que não marcou quando o podia ter feito e que via agora a sua baliza ser alvo do assalto final. Num dos lances mais perigosos do Altach, Ngwat-Mahop rematou à barra, para alívio da equipa da casa. Sofrimento talvez excessivo para um Belenenses tecnicamente superior mas que, devido a alguma inoperância no ataque, aliada ao facto de ter jogado com a vantagem obtida na Áustria e a um nervosismo crescente próprio da inexperiência, teve de viver na indefinição até final.

Quando o árbitro apitou pela última vez, o Restelo irrompeu num clima de festa que tem sido raro por estas bandas. Os jogadores eufóricos e as buzinadelas de carros já fora do estádio patenteiam bem a grandeza do feito dos homens de Sá Pinto. A Liga Europa tem equipas muito mais fortes do que o Belenenses mas, como disse o treinador, agora é tempo de desfrutar.

 

A Figura

Ventura – depois de alguns jogos muito pouco conseguidos, rubricou uma excelente exibição frente ao Altach. O posto de guarda-redes é ingrato mas se, contra o Rio Ave, destacámos o 24 do Belenenses pela negativa, hoje achamos que ele merece os créditos por ter mantido a baliza inviolável com três ou quatro defesas de grande nível. Num jogo em que a equipa de Sá Pinto mostrou, a espaços, alguma intranquilidade defensiva, o facto de não ter sofrido golos deve-se em larga medida a Ventura. Miguel Rosa foi o melhor jogador de campo e também merece uma palavra.

O Fora-de-Jogo

Abel Camará – claramente o jogador mais desinspirado dos azuis, não causou estranheza a ninguém que tivesse sido o primeiro sacrificado, fruto de algumas perdas de bola e vários lances inconsequentes. Com a entrada de Tiago Silva, a equipa melhorou e conseguiu estar à altura do período de maior aperto austríaco.

 

Nesta sexta-feira realizou-se o sorteio da Liga Europa, tendo o Belenenses ficado no grupo I com:

Basileia – 6 jogos e 6 vitórias é, para já, o saldo dos hexa-campeões suíços, que continuam a dizimar toda a concorrência interna. Pese embora a saída de Fabian Schar, os homens de Urs Fischer têm em Taulant Xhaka, Matías Delgado e os recém-contratados Walter Samuel e Zdravko Kuzmanovic algumas das suas figuras de maior renome. Equipa de nível de Liga dos Campeões, no ano passado ganhou ao Liverpool em casa e empatou fora, ficando à frente dos ingleses no grupo. Nos oitavos-de-final defrontou o FC Porto, a quem esteve a ganhar em casa ate 10 minutos do fim (perdeu 4-0 no Dragão).

Fiorentina – a equipa italiana ficou em 4º no último campeonato e agora, treinada por Paulo Sousa, já conta com uma vitória em casa por 2-0 contra o Milan. Já sem Mario Gómez e Mohamed Salah, mas com Borja Valero, Josip Ilicic, Giuseppe Rossi e o nosso conhecido Matías Fernández, os florentinos apresentam uma formação compacta com soluções de grande qualidade em todas as zonas do terreno, jogam cada vez mais como uma equipa grande nas competições internas e são, juntamente com o Basileia, os favoritos ao apuramento.

Lech Poznan –  o campeão polaco tem sempre o seu estádio a fervilhar mas não teve o melhor dos arranques no campeonato, estando já a 5 pontos do primeiro com 6 jogos disputados. Equipa bastante jovem, conta com Kasper Hamalainen como uma das figuras mais emblemáticas, embora o médio Karol Linetti seja talvez a maior esperança. Atenção ao flanco direito, uma vez que os promissores Tomasz Kedziora e Dawid Kownacki costumam causar estragos.

 

O Belenenses irá ter, portanto, vida muito complicada neste regresso à Europa. Contudo, a presença na fase de grupos deve ser encarada sobretudo como forma de ganhar experiência e dinheiro.

 

Texto de André Conde e João Vasconcelos e Sousa

Sorteio LC: Difícil mas perfeitamente possível

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Não se pode propriamente dizer que Benfica e FC Porto tiveram má sorte no sorteio desta quinta feira da Fase de Grupos da Liga dos Campeões. Os bicampeões nacionais ficaram alojados no Grupo C, juntamente com Atlético Madrid, Galatasaray e Astana; relativamente ao FC Porto, os portistas ficaram no Grupo G com Chelsea, D. Kiev e Maccabi Telavive.

O Benfica acabou por ficar com um grupo relativamente acessível. Do pote 2 – onde estaria aquele que seria em teoria o adversário mais difícil da equipa encarnada – saiu o Atlético de Madrid de Diego Simeone, que conta no plantel com o português e ex-benfiquista Tiago, bem como com os ex- jogadores do FC Porto Oliver Torres e Jackson Martinez. Depois do terceiro lugar na última Liga Espanhola, a equipa espanhola reforçou-se a grande nível no mercado, depois de ter perdido Arda Turan e Mandzukic. É, sem dúvida, o adversário mais difícil do grupo e a equipa que, em teoria, tem tudo para seguir em primeiro lugar rumo aos oitavos. O Galatasaray é verdadeiramente um gigante adormecido no futebol europeu. Campeão turco na época passada, a equipa liderada por Hamza Hamzaoglu começou mal o campeonato turco, com apenas 1 ponto conquistado em dois jogos. Apesar de andar arredada dos grandes palcos europeus nos últimos anos, a equipa turca apresenta-se como a grande adversária na luta pelo apuramento. Do plantel turco, destaque para o guarda redes uruguaio Fernando Muslera, o lateral esquerdo Alex Telles, os médios Filipe Melo, Altintop e Sneijder e os avançados Bulut e Podolski. A última equipa deste grupo acaba por ser, em teoria, o parente pobre. A equipa cazaque do Astana foi a última a ser sorteada e tem tudo para ser a última classificada deste grupo. Comandados por Stanimir Stoilov, o Astana acabou por proporcionar uma das principais surpresas do playoff de acesso à Liga dos Campeões, ao eliminar o teoricamente favorito Apoel, treinado pelo português Domingos Paciência. No seu plantel, destaque para o guarda redes Nenad Eric, para o médio Maksimovic e para o avançado Dzholchiev.

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Diego Simeone comanda o Atlético Madrid
Fonte: mile2herald.wordpress.com

O FC Porto sabia que teria de encontrar muito provavelmente um tubarão vindo do Pote 1. De facto, com a exceção ao Zenit e do PSV, todas as restantes cinco possibilidades (o Benfica não era uma hipótese) seriam sempre muito difíceis. Acabou por calhar ao FC Porto o reencontro com José Mourinho, campeão europeu pelos portistas em 2004. Para além do regresso de Mourinho a Portugal e ao Estádio do Dragão, o duelo com os ingleses trará à cidade do Porto estrelas como Diego Costa, Fabregas, Hazard ou Pedro Rodriguez, bem como os regressos de Matic, Ramires (ex- Benfica) e Radamel Falcao (ex- FC Porto).  Campeão inglês em título, a equipa liderada pelo Happy One é a grande favorita ao primeiro lugar do Grupo G e uma das principais candidatas a sagrar-se campeã europeia, em maio, em Milão. Outro dos adversários dos portistas é já um velho conhecido, o Dínamo Kiev, que defrontou os portistas pela última vez na Liga dos Campeões na época 2012-2013. Campeão ucraniano na última época e líder isolado da Liga Ucraniana nesta temporada, o Dínamo surge no Dragão como uma equipa perigosa e que procura cimentar a sua dimensão europeia. No seu plantel, liderado pelo técnico Serhiy Rebrov, destaque para os portugueses Antunes e Miguel Veloso, bem como para Shovkovsky, Belhanda, Derlis González, Mbokani e Yarmolenko. A última equipa sorteada para este grupo foi o Maccabi Telavive, que já defrontou o Benfica na Champions. A equipa israelita eliminou de forma surpreendente o Basileia no playoff da Liga dos Campeões e surge como o parente pobre deste grupo. Liderados pelo técnico Jokanovic, destacam-se no seu plantel os experientes Tal Ben-Haim, Eran Zahavi e Ben Basat.

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José Mourinho regressa ao Estádio Dragão
Fonte: express.co.uk

Relativamente aos restantes grupos, de realçar logo no Grupo A o duelo de gigantes entre o PSG e o Real Madrid, com Di Maria a regressar ao Santiago Bernabéu mas agora como jogador da equipa parisiense. Shakthar e Malmo (encontro de Ibrahimovic com o seu clube na Suécia) são os restantes membros deste grupo e dificilmente terão qualquer hipótese de sonhar com o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. No grupo B, Manchester United é o principal favorito ao primeiro lugar do grupo, com PSV, CSKA e Wolfsburgo a anteverem um duelo muito interessante pela outra vaga rumo aos oitavos de final. O Grupo D é, porventura, o “grupo da morte” desta edição da Liga dos Campeões. Juventus e M. City são os principais candidatos a seguirem em frente, mas não podemos descurar aquilo que Sevilha e B. Monchengladbach possam fazer num grupo que será extremamente competitivo. No Grupo E, não se antevêm grandes dificuldades para que o campeão europeu Barcelona siga em frente. Bayer Leverkusen, Roma e Bate Borisov são os adversários de uma equipa catalã que liderada pelo tridente Neymar, Suárez e Messi tem tudo para seguir como líder do grupo. No Grupo F. é caso para dizer que Marco Silva não teve sorte. Bayern e Arsenal são os principais candidatos a seguirem em frente na competição, com Olympiacos e Dínamo Zagreb como atores secundários de um grupo que teoricamente apurará alemães e ingleses. Por último, o grupo H é claramente o menos apetecível da competição. Zenit, Valência, Lyon e Gent compõem o último grupo da competição que tem tudo para ser um dos mais equilibrados. Ainda assim, Nuno Espírito Santo e André Villas Boas têm boas hipóteses de poderem seguir em frente rumo aos oitavos de final da Liga dos Campeões.

Por último, destaque ainda para a natural eleição de Lionel Messi como melhor jogador da UEFA na última época. Depois de ter vencido o triplete (Liga Espanhola, Taça do Rei e Liga dos Campeões), o astro argentino acabou por se superiorizar a Cristiano Ronaldo e Luís Suárez, acabando por repetir a conquista de um troféu que já havia ganho em 2012.

Liga Inglesa: E à terceira jornada houve líder isolado e uma vitória histórica

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cab premier league liga inglesa

E à 3ª jornada… habemus líder! O Manchester City, no sempre difícil Goodison Park, superiorizou-se ao Everton, por 2-0 (golos de  Kolarov e Nasri) e isolou-se no topo da tabela classificativa,  beneficiando dos empates das equipas que se encontravam no pelotão da frente:  o Liverpool, no Emirates, diante do Arsenal,  continuou sem sofrer golos mas também não os marcou num jogo em que os guarda-redes (Cech e Mignolet) foram os principais protagonistas, o Leicester empatou na recepção ao Tottenham (o miúdo Delle Ali deu vantagem aos Spurs, mas um minuto e meio depois Mahrez deu continuidade ao seu excelente momento de forma e igualou a partida), e o Manchester United cedeu os primeiros pontos da época ao não conseguir dar a volta, em pleno Old Trafford, a um Newcastle muito bem organizado (ver treinador da semana), que forçou o nulo…

… que também se registou no terreno do Watford, onde o Southampton procurou mas ainda não conseguiu a primeira vitória da época, contrastando com o que fez durante a época passada – a surpresa da temporada anterior está a desiludir na actual… mas não é a única, pois há mais equipas que ainda não lograram vencer e de quem se esperava mais, como é o caso do Stoke, que não aproveitou a vantagem madrugadora obtida em Norwich, permitindo a igualdade a 1 golo que se verificou até final, o mesmo resultado que Sunderland e Swansea obtiveram no Stadium of the Light,  dando continuidade aos respectivos momentos de forma – os black cats ainda não conseguiram vencer na Premier League 2015/2016 e os Swans atravessam um excelente momento de forma, não perdendo qualquer encontro depois de já terem ido a Stamford Bridge…

… lugar onde já se respira com maior tranquilidade depois do reforço Pedro Rodriguez ter colocado um ponto final no mau início de época do Chelsea e numa malapata que durava há 4 anos ao marcar um e assistir outro, revelando-se importantíssimo na vitória sobre o West Bromwich Albion, no The Hawthornes, por 2-3. Um jogo que revelou o quão competitiva, espectacular e imprevisível pode ser a Premier League – o Chelsea esteve sempre em vantagem mas a incerteza sobre o resultado final pairou até acabar o jogo…

Callum Wilson (AFC Bournemouth) mereceu levar a bola do jogo para casa. Fonte: Facebook do Bournemouth
Callum Wilson (AFC Bournemouth) mereceu levar a bola do jogo para casa.
Fonte: Facebook do Bournemouth

… à semelhança do que também aconteceu nos duelos disputados em Londres na tarde de sábado. No Sellhurst Park, Cyrstal Palace e Aston Villa só mexeran no 0-0 por volta dos 71 minutos, quando Dann deu vantagem aos da casa, que foram, depois, surpreendidos pela velocidade de Adama Traoré, cuja investida (permitida por Puncheon) só terminou na baliza dos eagles (auto-golo de Souaré), porém, a três minutos do fim, Sako viria a devolver a vantagem para o Palace, assegurando a segunda vitória da época para os eagles, que já estão no 5º posto da Premier League; no Boleyn Ground, o jogo foi muito mais alucinante e teve um resultado histórico, pois o Bournemouth não só marcou o primeiro golo na Premier League como ainda conseguiu a primeira vitória na prova – começou a ganhar, com dois golos de Callum Wilson, deixou-se empatar, mas, em lances de contra-ataque voltou à vantagem no marcador, com Pugh e, outra vez, Callum Wilson a vincarem a vantagem sobre os da casa, que ainda reagiriam por Maiga, mas cujo golo não foi suficiente para inverter o rumo dos acontecimentos e do resultado final (3-4)

O City começou a vincar a diferença para os rivais, o Chelsea renasceu, o United cedeu os primeiros pontos, o Liverpool vai sendo uma fortaleza difícil de bater, o Leicester ainda não parou de surpreender e o Bournemouth garantiu uma vitória épica, pelo simbolismo e pelo resultado. Tudo numa jornada. A Premier League não desilude quem muito dela esperava.

Treinador da jornada:

Steve McLaren (Newcastle United) – Foi o responsável principal pelos primeiros pontos perdidos em Old Trafford, pelo United, dispondo a sua equipa num 4x2x3x1 declarado e sem necessidade de autocarros, pois Obertan, Wijnaldum, Perez e Mitrovic foram autênticas carraças na primeira fase de cosntrução dos red devils, impedindo a equipa de sair e, portanto, de criar situações de perigo.

Jogador da jornada:

Callum Wilson (AFC Bournemouth) – Foi auxiliado pela defesa do West Ham no hat-trick que assinou, beneficiando directamente de dois erros crassos dos orientados por Slaven Bilic (o outro golo foi apontado de penalty), mas nem por isso deixa de ser meritória deste prémio a exibição do jovem avançado inglês, pois foi muito além dos golos apontados. O seu nome ficará para sempre marcado na história do Bournemouth.

Foto de capa: Facebook do Arsenal

Liga Espanhola: Uma Real seca de golos no reino de Benítez

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cab la liga espanha

O pontapé de saída da Liga Espanhola foi dado no passado fim de semana e há a destacar nesta primeira jornada o mau começo do Real Madrid, que na sua nova vida com Rafa Benítez ao leme dos merengues, viu os rivais diretos distanciarem-se de si na tabela classificativa. Barcelona e Atlético Madrid sofreram e muito para levarem de vencida os seus adversários, porém conseguiram, através de magras vitórias, lograr um triunfo que serve para um bom arranque de ambas as equipas na caminhada pelo título. Globalmente, foi uma primeira jornada escassa no que diz respeito ao capítulo do golo e na qual poucas são as conclusões a retirar numa fase tão prematura da temporada.

Na partida que serviu para dar o mote inicial para a La Liga, Málaga e Sevilha, dois candidatos aos lugares europeus, protagonizaram um derby andaluz e anularam-se num encontro bem disputado e que terminou com um empate sem golos. Ainda assim, foram várias as circunstâncias que marcaram o compromisso no La Rosaleda. O jogo foi repartido e teve como principal incidência um golo mal anulado a Charles (Málaga) perto dos 90’. O Sevilha de Unai Emery, que viu ainda N’Zonzi ser expulso à passagem do minuto 70, saiu deste combate andaluz com um ponto que, certamente, terá o gosto de uma vitória.

Nas partidas de sábado, destaque para a entrada em campo do Atlético Madrid, que na época transata obteve o terceiro posto do campeonato, após um 2013/14 no qual alcançou o desejado trono espanhol. O conjunto de Diego Simeone recebeu o recém-promovido Las Palmas, num encontro que se revelou bem mais complicado do que seria de esperar a priori. Com Jackson Martínez e Óliver Torres no onze inicial, foi Antoine Griezmann a principal figura dos colchoneros. O francês continua o excelente trajeto que tem protagonizado com as cores do Atleti – recordar que na época transata foi o terceiro melhor goleador da liga com 22 golos – e foi mais uma vez decisivo ao marcar o golo que deu o triunfo. O Las Palmas provou que pode ser uma boa surpresa nesta temporada e do lado do Atlético Madrid importa ressalvar a estreia pouco positiva de Jackson no campeonato espanhol, ao passo que Óliver provou ser uma aposta ganha de Simeone para suprir a saída de Arda Turan.

Griezmann continua sob o mesmo signo da época transata… o do golo! Fonte: Facebook do Atlético
Griezmann continua sob o mesmo signo da época transata… o do golo!
Fonte: Facebook do Atlético

Já o Valência, na ressaca da importante vitória sobre o Mónaco para o playoff da Champions, deu um passo em falso no arranque da liga e não foi além de um empate na deslocação a Vallecas. Uma boa partida de ambas as equipas, que teve como figura o guarda-redes do Rayo Vallecano, Toño, que por inúmeras vezes negou o golo aos comandados de Nuno Espírito Santo. Em campo estiveram os portugueses Zé Castro e Bebé do lado da equipa da casa e João Cancelo e Rúben Vezo com a camisola dos forasteiros.

Nos restantes jogos do dia, destaque para a vitória por 1-0 do Espanhol na receção ao Getafe, numa partida em que os forasteiros dominaram e tiveram as melhores oportunidades, porém um golo à passagem do minuto 2 por parte de Salva Sevilla permitiu a vitória do conjunto de Sergio Gonzalez ante a turma de Fran Escribá. Por seu turno, Deportivo e Real Sociedad protagonizaram mais um empate sem golos neste início de campeonato.

No domingo entraram em campo os principais candidatos ao título, Barcelona e Real Madrid, que tiveram sortes distintas. Os campeões em título protagonizaram o terceiro encontro consecutivo diante do Athletic Bilbao e as esperanças não eram as melhores. Nas duas partidas a contar para a Supertaça Espanhola, os catalães perderam e empataram, sendo que a derrota foi por uns consideráveis quatro golos sem resposta. Ainda assim, o conjunto de Luis Enrique conseguiu obter um magro triunfo (1-0) no San Mamés, sendo que o principal destaque do jogo vai para Luis Suárez, que já faz valer a sua veia goleadora e fez esquecer o penalty falhado pelo astro Lionel Messi anteriormente no jogo. O final da partida não trouxe apenas sorrisos a Luis Enrique, pois o técnico asturiano viu Dani Alves (substituído na partida por Sergi Roberto, que revelou excelente competência para dar o seu melhor contributo à equipa a jogar nesta posição e mostra assim ser uma alternativa viável) e Sergio Busquets saírem lesionados.

Por sua vez, o Real Madrid, que havia visto os seus rivais triunfarem, entrou em campo para a estreia na liga 2015/16 ante o recém-promovido Sporting Gijón. Certamente, Rafa Benítez e companhia esperariam uma primeira jornada tranquila para as hostes madrilenas, porém tal não sucedeu e os merengues cederam um nulo no terreno dos asturianos. Com Benzema fora de combate, Jesé Rodríguez foi titular e Benítez surpreendeu por deixar James Rodríguez no banco de suplentes. No geral, o Real Madrid realizou uma boa partida, no entanto os índices de finalização, similarmente ao que aconteceu na pré-época, ainda não são os melhores e foram várias as oportunidades não concretizadas, especialmente por Cristiano Ronaldo. Os avançados merengues esbarraram com uma muralha defensiva bem estabelecida por parte do Gijón, que faz com que os vice-campeões espanhóis percam já terreno para os adversários diretos na corrida pelo título. Destaque ainda para o antigo lateral do FC Porto, Danilo, que esteve a um bom nível, e para a estreia de Kovacic com a camisola blanca.

No Estádio Ciudad de Valencia, o Levante foi derrotado (1-2) na receção ao Celta de Vigo. A equipa caseira ficou a jogar com 10 desde o minuto 5, porém lutou até final para evitar a derrota. Para o Levante marcou Verza, ao passo que para os forasteiros os goleadores de serviço foram Fabian Orellana e Iago Aspas. Em Sevilha, o histórico Bétis, que regressou esta época ao principal escalão do futebol espanhol, empatou a uma bola com o Villarreal. Para os recém-promovidos marcou Ruben Castro Martín e para o submarino amarelo foi Roberto Soldado, que abrilhantou assim o seu regresso ao futebol espanhol. A fechar a jornada, um encontro entre duas equipas que terão como principal missão a fuga aos lugares de despromoção, Granada e Eibar. A vitória sorriu ao Eibar (3-1), com golos de Gonzalez, Escalante e Arruabarrena, enquanto que para o Granada, com Miguel Lopes a suplente utilizado, marcou Ruben Rochina.

Com a primeira jornada realizada, Barcelona e Atlético Madrid conseguiram o seu objetivo, ao passo que equipas como o Real Madrid, Valência, Sevilha e Villarreal não tiveram o melhor dos começos de campeonato que se poderia esperar. A próxima jornada terá como principais atracções o Sevilha-Atlético Madrid, Barcelona-Málaga e Real Madrid-Bétis.

Jogador da Semana: Antoine Griezmann (Atlético Madrid)

O atacante francês é cada vez mais um elemento preponderante no esquema de Diego Simeone e também um talismã comprovado. Tal como sucedeu em várias ocasiões na época transata, Griezmann sobressaiu na altura de decidir uma partida e deu três importantes pontos ao Atleti num jogo difícil de início de campeonato.

Treinador da Semana: Javier Estrada (Sporting Gijón)

O Gijón surpreendeu tudo e todos ao conseguir um empate frente ao poderoso Real Madrid e muito se deve ao esquema delineado pelo técnico espanhol, que estancou a toada ofensiva merengue, não sofrendo qualquer golo, o que lhe permitiu lograr um ponto que tem o valor simbólico de uma vitória para uma equipa recém-promovida ao principal escalão do futebol espanhol.

Foto de Capa: Facebook do Real Madrid

CSKA 3-1 Sporting: Sporting em versão Dr. Jekyll e Mr. Hyde

Num jogo em que se disputava uma boa parte da época desportiva e financeira, do Sporting Clube de Portugal, os leões foram uma equipa de duas partes bem distintas. Jorge Jesus apostou num modelo de jogo que mais se assemelhava a um 4-3-3, tirando do onze Slimani para apostar num meio campo no qual Aquilani se juntava  a João Mário e Adrien, conseguindo surpreender o CSKA.

Assim, a primeira parte foi claramente controlada pelos leões. Muito domínio e posse de bola, segurando os temíveis velocistas Musa e Doumbia no meio campo russo. A juntar a um plano de jogo que se estava a mostrar bem estudado e em que corria tudo bem ao Sporting, surgiu o golo de Teo Gutierrez. João Pereira descobre o avançado colombiano em boa posição e o número 19 dos leões finaliza da melhor forma. Tudo corria da melhor forma para a equipa de Jorge Jesus, que chegou ao intervalo com um pé e meio na fase de grupos da Champions e com o devido mérito.

Mas o pior estava para vir na segunda parte. O Sporting entrou a dormir no regresso dos balneários, e nem o golo madrugador de Doumbia – no qual a defesa do Sporting mostrou uma apatia incomum – serviu para colocar em sentido os jogadores e o treinador do Sporting. O meio campo do Sporting deixou de controlar a posse de bola e gerir ritmos de jogos e o Sporting nem chegava com verdadeiro perigo ao último terço do campo. Resumindo, o Sporting transfigurou-se em campo, deixando de ser uma equipa “mandona” e passando a ser uma equipa conformada com uma virtual vantagem na eliminatória. Quem aproveitou todas estas facilidades foi Musa e Doumbia, que aproveitaram para fazer estragos na defesa leonina. Com 20 minutos para jogar em Moscovo, o inevitável Doumbia empata a eliminatória e traz consigo o momento em que decide o jogo e a eliminatória. Com 2-1 no marcador, Jesus aposta em não mexer na sua melhor equipa e confia em levar o jogo para um possível prolongamento. Numa altura em que o Sporting já há muito não criava perigo, e que eram os russos a controlar e a dominar o encontro, cabia ao treinador do Sporting refrescar o seu elenco e colocar em sentido um CSKA afoito e a pensar no terceiro, golo que acabou por acontecer através do velocista Musa, à passagem dos 82 minutos, alguns momentos após o árbitro checo ter anulado um golo de Slimani, após canto de Carrillo.

 Musa e Doumbia destroçaram uma defesa leonina que esteve irreconhecível Fonte: UEFA
Musa e Doumbia destroçaram uma defesa leonina que esteve irreconhecível
Fonte: UEFA

Os últimos minutos  foram de sofrimento e pouca cabeça, com bolas bombeadas para a área de Akinfeev e para a cabeça de Slimani, mas o resultado prático foi nulo. O Sporting acabou por perder mais uma vez por 3-1 frente aos russos do CSKA, e de novo num jogo – eliminatória – onde foi superior em largos momentos, principalmente no jogo de Alvalade.

Um dos objectivos da época acabou por cair precocemente por terra, assim como os milhões  que tanto fazem falta aos cofres  leoninos. E o Sporting pode se queixar da influência de terceiros na decisão da eliminatória, mas o principal culpado deste falhanço foi este Sporting da segunda parte de Moscovo, um verdadeiro Edward Hyde.

A Figura:

Seydou Doumbia – O avançado costa-marfinense foi decisivo nos dois encontros da eliminatória. Hoje acaba por bisar na partida, aliando velocidade a sentido de oportunidade. Em má hora os russos o resgataram à Roma, contribuindo para afastar o Sporting dos milhões da Champions.

O Fora de Jogo:

 Defesa do Sporting –  Uma segunda parte para esquecer, entrando desconcentrados e permitindo o golo madrugador de Doumbia. No segundo golo, não foram lestos a tirar a bola de uma zona potencialmente perigosa e permitiram que Musa assistisse Doumbia para o segundo golo do costa-marfinense.

O plano B do Zé Povinho

hic sunt dracones

Numa das mais recentes partilhas do site Souportista surge um vídeo com uma opinião de Rodolfo Reis na SIC Notícias, depois do empate do FC Porto no Estádio dos Barreiros. De uma forma muito resumida (para quem não quiser perder tempo a ver o vídeo), Rodolfo Reis defende que Lopetegui deve procurar mudar o sistema de jogo quando vê que a equipa adversária está a ser competente a defender a sua baliza e o FC Porto já não consegue criar situações de perigo. Chega até a sugerir o 4-4-2 numa procura por maior presença azul-e-branca dentro da área adversária. O pior chega nos últimos trinta segundos… Rodolfo Reis refere que se deve procurar colocar a bola na área à espera de um ressalto para que alguém coloque a bola lá dentro.

No Souportista dizem que a opinião do antigo jogador é partilhada por todos os adeptos portistas e que não há nada a acrescentar. Suponho que devo ter-me esquecido da minha paixão azul-e-branca algures por aí, uma vez que estou longe de concordar com aquilo que é dito. Pior do que isso é ver uma opinião destas ser assim tão valorizada.

Muito se partilha por esse mundo fora que o FC Porto deve jogar num sistema diferente ou procurar mudar o sistema a meio do jogo, porque aquele não está a funcionar. Longe de mim conceber isso como primeira e única solução. Parece que o comum adepto tem tendência a procurar uma solução mais fácil, como se os problemas do FC Porto e do futebol fossem assim tão fáceis de resolver. Não funciona desta maneira? Funciona da outra. Se não funcionar da outra quem é que vai dizer “Bem, pelo menos tentou…”? Ninguém! Vão dizer que a mudança foi errada, que o primeiro sistema demorou muito tempo a ser mudado, vão inventar mil desculpas.

Palestras e mais palestras… Flashback? Fonte: Facebook do Porto
Palestras e mais palestras… Flashback?
Fonte: Facebook do FC Porto

Rodolfo Reis ainda vive muito num futebol do passado, em que muito do futebol era deixado ao acaso. A modalidade evoluiu de forma a diminuir ao máximo o fator sorte. E não é por se mudar o sistema que as coisas vão começar a correr bem.

A mudança do sistema de jogo deveria ser a última solução. Porém, o plano B do Zé Povinho é colocar mais jogadores na área, bombear bolas para a área, fazer remates quando houver um pouco de espaço… algum há de entrar, certo?

Caro Zé Povinho, o mais importante é mesmo ser competente dentro do sistema de jogo (4-3-3) que escolhemos. Ser muito bom nos quatro (+2) momentos de jogo e conseguir criar ocasiões de golo. Porque, embora não possamos ganhar sempre, estaremos sempre mais perto de o conseguir. Parece que todos os dias/jogos se pede ao treinador que mude o sistema de jogo. Mas cada treinador tem o seu e muitos não são versáteis o suficiente para conhecer a fundo as vantagens e as debilidades de todos os sistemas. O 4-4-2 é um sistema com vantagens e desvantagens. O 4-3-3 é um sistema com vantagens e desvantagens. O 4-5-1 é um sistema com vantagens e desvantagens. E por aí fora. Lopetegui acredita que o 4-3-3 o aproxima da vitória e é nesse sistema em que aposta. Se lhe pedirem um 4-4-2 ele pode não saber como orientar o treino para tirar o máximo partido do sistema. Mas quem diz Lopetegui diz Mourinho, Guardiola e outros.

Agora, se Lopetegui sabe orientar a equipa para que ela seja boa num 4-3-3? Isso já é outra história e dá pano para mangas. Atenção que não estou a dizer que a equipa não deve ter um plano B! Longe disso. Mas, se é para tê-lo, que o prepare durante os treinos e depois, com os processos verdadeiramente assimilados, que faça uso desse plano B. Se sou apologista de um plano B? Não, não sou. Porque depende imenso do fator sorte. Prefiro ser bem mais competente naquele em que acredito do que tentar arranjar um “remendo”.

Para terminar, até porque o artigo já vai bastante grande, queria só pedir-vos um favor… Se alguém encontrar por aí a minha paixão pelo FC Porto que me avise, por favor! Oferece-se recompensa!

Foto de capa: Facebook do FC Porto