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Houston Rockets | Expectativas para a próxima época

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Nova época, novas peças no plantel e assim os Rockets partem para a temporada que aí se avizinha com alguns dossiês por fechar.

Trocar John Wall, trocar Eric Gordon ou trocar os dois? São dois contratos bastante pesados para a franquia dos Houston Rockets, tendo em conta a idade dos jogadores e o facto de já terem passado o seu auge.

No entanto, poderão ser peças valiosas na ajuda do desenvolvimento das jovens estrelas, dos quais poderão ser mentores (John Wall – Kevin Porter Jr; Eric Gordon – Jalen Green).

Um dos desafios de Stephen Silas será conjugar o talento com a experiência. Entre Kevin Porter Jr, John Wall, Jalen Green e Eric Gordon, pelo menos um terá de sair do banco.

Jalen Green é a futura estrela da companhia e escolha número dois do último Draft, portanto será de esperar que figure o cinco inicial.

John Wall tem um contrato demasiado caro para um jogador que vem do banco (será o segundo jogador mais bem pago da liga na próxima época, apenas atrás de Stephen Curry), portanto, em princípio será titular.

Kevin Porter Jr, um dos candidatos ao prémio Most Improved Player 2021/22, terminou a época em beleza, sendo o mais jovem jogador da história da NBA a apontar um jogo com mais de 50 pontos e dez assistências, ainda por cima sobre os atuais campeões da NBA, os Milwaukee Bucks.

Deste modo, será de esperar que o jovem de Seattle seja opção para o cinco inicial de Houston. Quanto a Eric Gordon, terminou a temporada com lesões e não se sabe bem como regressará, sendo que a última temporada teve uma produção bem abaixo do esperado, é uma hipótese que seja trocado para outra franquia.

Foto de capa: Houston Rockets

Artigo redigido por Henrique Silva

Polónia 3-1 Portugal: Garra patrícia não chegou para derrubar favoritismo polaco

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A CRÓNICA: ANFITRIÕES VENCEM, MAS LUSOS DEIXAM BOAS INDICAÇÕES

A seleção de todos nós estreava-se no Europeu de Voleibol e logo diante da formação Polaca, bicampeã mundial da modalidade, e que em conjunto com: Finlândia, Estónia e Ucrânia organizam esta fase inaugural da competição.

A equipa liderada por Hugo Silva encontrava esta poderosa formação em Cracóvia, a contar para um Grupo A que via ainda tomarem parte do mesmo as formações da Sérvia, detentora em título, a Ucrânia, a Grécia e a Bélgica. Todos tinham noção de que este seria um obstáculo praticamente intransponível, mas a tacha de 100% de sucesso na fase de qualificação para o evento dariam certamente muita confiança aos de terras de Cabral.

Num pavilhão praticamente sem cadeiras vazias, e por momentos a fazer lembrar os ambientes anteriores à pandemia principiou um embate em que os favoritos pareciam dispostos a não subestimar e tão pouco facilitar a tarefa lusitana. Desde cedo os caseiros começaram a fazer uso do seu forte serviço, ação que condicionava deste modo a receção portuguesa, dando assim tempo para a organização do seu bloco.

Os Polacos construíram vantagem na casa dos cinco pontos, que aumentaram ligeiramente e foram gerindo, isto apesar do serviço começar a acumular vários erros que foram oferecendo pontos grátis aos pupilos de Hugo Silva. Com Portugal a ser dominado por uma Polónia que se ia revelando muito profissional e sem menosprezar a equipa pior classificada do grupo, o set inicial ficaria selado pelo parcial de 25-16, favorável aos segundos da hierarquia mundial.

Contudo a partida seguinte teria decurso e resultado bem distintos! Com as ações polacas a serem , por estes momentos bem mais precipitadas, e com o serviço a descair cada vez mais quer na qualidade como na dificuldade imposta à receção lusitana. A construção do ponto a partir dos recebedores foi aumentando de eficácia, com o parcial de 4-8 a expressá-lo. Desde então a calma foi imperando no seio da nossa seleção, em claro contraste com as muitas falhas denotadas pelos antagonistas, algo que parecia surpreender todos os presentes no recinto!

Com Portugal a não mais tirar o pé da tábua, aumentando a margem, foi após três bolas de set anuladas pelos anfitriões que Portugal surpreendia o mundo do Voleibol arrecadando o 2º set  por 22-25, com uma exibição que colocava em sentido a equipa favoritíssima e que buscava um título que lhe escapa desde 2009.

O parcial seguinte abria com o equilíbrio como nota dominante, sendo que o mesmo seguia igualado até aos cinco pontos. Por essa altura os lusos acumularam alguns erros que se revelariam decisivos no evoluir do parcial, visto que tal situação galvanizou e fez com que os da casa se reencontrassem, regressando assim à qualidade patenteada ao longo do set de abertura. Com Leon, atleta nascido em Cuba, mas que atua pelos polacos já há vários anos a ser o principal responsável pela diferença então cravada.

Este terceiro set  seria fechado pelo mesmo resultado verificado no primeiro, 25-16.

Na quarta partida, e quando seria de acreditar que a mesmo se tornasse num passeio no parque para os mais cotados, eis que os nacionais enchendo-se de brio, garra e com um espírito inabalável nas capacidades por estes demonstradas foram capazes durante a fase inicial, de beliscar a superioridade caseira. Contudo surgiria então a tela, sim! Ela que influiu tantas vezes sobretudo através de incontáveis remates que lhe tocaram e mudaram  de direção quase sempre adotando semelhante desfecho, resultando em ponto para a casa! Algo que acabou por conferir ascendente já mais perdido pelos caseiros, que assim acabaram por triunfar no set final, averbando um resultado de 25-19.

Assim, e com uma prestação acima das espectativas, deixando água na boca para o futuro, ficou concluído o primeiro encontro das quinas no certame. Referir que já no dia de amanhã defrontaremos a equipa Belga. De salientar que para o mesmo grupo no dia de hoje a Ucrânia bateu a equipa helénica por 3-2.

A FIGURA

Leon (Polónia) – O experiente e temível atleta provou e justificou todos os predicados que fazem deste um dos, senão o melhor atacante do mundo. O praticante terminou com uma eficácia de ataque a roçar os 75% juntando uma taxa de receções, aspeto no qual  normalmente costuma deixar a desejar, na casa dos 60%, . Um dos poucos atletas da Polónia a denotarem rendimento constante ao longo de todo o face a face.

O FORA DE JOGO

Segundo set da equipa polaca – Com toda a pressão inerente a quem falhou redondamente nos Jogos Olímpicos e procura alcançar finalmente o topo da Europa, parece-me que os polacos após terem estado irrepreensíveis no set de abertura do evento sentiram-se como que vítimas de um certo relaxamento. Algo que conjuntamente com a “ausência” de alguns dos seus principais ativos, acabaria por lhes custar uma inesperada cedência do 2º parcial. Fico com a crença de que esta equipa terá de elevar e muito a sua performance competitiva e constância, caso almeje  deitar a mão ao caneco!

ANÁLISE TÁTICA POLÓNIA

Vital Heynen, técnico de nacionalidade belga, já há vários anos no comando da equipa demonstrou muito respeito pela valia da equipa orientada por Hugo Silva. Apresentando a sua formação base na qual estavam todos aqueles que foram imprescindíveis para o arrecadar da VNL deste ano. Esta foi uma demonstração de humildade e que apenas engrandeceu o set conquistado pelos  patrícios.

SET INICIAL E PONTUAÇÕES

Zatorski (7)

Nowakowski (7)

Drzyzga (8)

Kubiak (6)

Leon (9)

Kurek (7)

Kochanowski (8)

SUBS UTILIZADOS

Bieniek (6)

Fornal (5)

Lomakz (5)

Wojtaszek (-)

ANÁLISE TÁTICA PORTUGAL

Os comandados de Hugo Silva, começavam a participação no campeonato da Europa apresentando três resistentes da geração que arrecadou na Argentina 2002 a sua melhor classificação de sempre: André Lopes, Hugo Gaspar e Alex Ferreira. Diga-se que os mais utilizados eram presenças no set inicial composto por um misto de experiência e juventude. Fica na retina a constância de uma exibição que chegou para assustar um adversário com outras armas e com um bem maior investimento.

SET INICIAL E PONTUAÇÕES

Ivo Casas (7)

Hugo Gaspar (6)

André Lopes (7)

Filip Cveticanin (6)

Miguel Sinfrónio (5)

 Alex Ferreira (6)

Miguel Tavares Rodrigues (7)

SUBS UTILIZADOS

Tiago Violas (5)

Marco Ferreira (6)

Filipe Martins (7)

André Marques (5)

Lourenço Martins (-)

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Voleibol

SL Benfica | Os 5 jogadores que mais brilharam por empréstimo na Luz

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Todas as épocas, novos jogadores são contratados para reforçar as equipas. Para além das compras, assistimos também ao empréstimo de inúmeros atletas, não só no arranque da temporada, como também a meio. O SL Benfica não é exceção, muito pelo contrário.

Devido ao vasto plantel que tem, é das equipas que mais empresta jogadores, para que estes não percam ritmo de jogo e provem que merecem ser aposta do treinador no futuro.

No entanto, a equipa da Luz não empresta apenas, também tem jogadores que lhe são emprestados por outras equipas. Posto isto, decidi eleger os cinco jogadores que mais brilharam por empréstimo ao serviço das águias.

A queda dos reis do mercado | FC Porto

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Já lá vão os tempos em que o FC Porto era um autêntico dragão no mercado de transferências.

A capacidade para potenciar jogadores era fora do normal e conseguia-se encaixar milhões que faziam os gigantes milionários da Europa corar de vergonha pela maneira como a equipa portuguesa era feroz nas negociações.

Dois dias após findado o mercado de transferências, é evidente a dificuldade dos dirigentes portistas em colocar algum jogador no mercado e potenciar uma venda.

FC Porto
Vitinha era um dos jogadores que a direção da SAD do FC Porto queria colocar, mas que não conseguiu.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O último jogador a sair por um valor sonante foi Fábio Silva, por 40 milhões, para o Wolverhampton Wanderers FC.

Além disso, o clube perde os seus principais ativos a custo zero, algo que idealiza a situação caótica do clube que não consegue vender, nem renovar, com os atletas que poderiam equilibrar as contas dos azuis e brancos.

É momento de analisar os dados relatos pelo clube:

Pepê, Wandell, Bruno Costa, Fábio Cardoso e Marko Grujic, entre regressos de empréstimos estes foram os que levaram o FC Porto a algum investimento, dando assim, um total de 24,70 milhões de euros gastos neste mercado.

FC Porto
O médio sérvio regressou ao FC Porto depois de uma época emprestado aos dragões.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Aqui entra o dado preocupante, os portistas angariaram um total de 21,25 milhões de euros, nos quais 16 desses milhões são provenientes do negócio de Danilo Pereira que foi realizado na época transata.

Os restantes são da venda de Chidozie e o empréstimo do brasileiro Fernando Andrade.

Relembrando que o clube precisa de efetuar vendas para equilibrar as contas, com uma simples conta de subtrair conseguimos perceber que o clube sai com saldo negativo deste mercado de transferências, mais concretamente de 3,45 milhões de euros.

Estes dados são importantíssimos para perceber a abordagem ao mercado pelo clube. A premissa é simples: “Clube que não vende, não pode comprar”, neste defeso foi evidente que Sérgio Conceição contava com, pelo menos, mais um avançado centro.

Podemos, também, relembrar o drama do lateral esquerdo em falta que assombrou o clube no começo da temporada.

Estamos perante um dos defesos mais fracos de sempre do FC Porto, os jogadores que entraram não são garantia de rentabilidade imediata, continuamos a perder os jovens da formação que poderiam ser rentáveis a nível desportivo e financeiro.

E, para culminar todas estas situações, os jogadores continuam a abandonar o Dragão por zero milhões de euros.

O FC Porto precisa de mudar esta estratégia de abordagem ao mercado o mais rápido possível, pois vai-se tornar financeiramente impossível gerir o clube sem que haja mudanças.

Kimi Raikkonen: O adeus a um ícone da Fórmula 1

UM HOMEM DE POUCAS PALAVRAS, DEIXOU O CARRO FALAR POR SI

20 anos, um interregno na categoria e cinco equipas depois, Kimi Raikkonen diz adeus à Fórmula 1. Na bagagem, é certo que leva um título mundial de pilotos, em 2007, sendo o último, até ao momento, a conseguir esse feito com o fato-macaco da Ferrari. O anúncio do final da carreira foi curto, como as poucas palavras que proferiu aos microfones dos jornalistas ao longo dos anos.

O comunicado foi o início do fim, visto que ainda temos oportunidade de ver o finlandês a pilotar até ao final da temporada. Segundo o Iceman, alcunha pela qual é conhecido, “Esta foi uma decisão que eu tomei no inverno passado. Não foi fácil, mas, depois desta época, achei que era tempo de experimentar coisas novas”. Finalmente, a F1 vai deixar de ser um dos seus hobbies.

Em 2001, com apenas 21 anos, Kimi chamou a atenção de Peter Sauber. Os bons resultados na Fórmula Renault e a personalidade vincada do piloto foram motivos mais que válidos para ter a confiança de uma equipa da categoria rainha. Depois de dada a oportunidade na Sauber, o talento falou rapidamente por si.

Seguiu-se a McLaren, onde substituiu o compatriota Mika Hakkinen, bicampeão do mundo de Fórmula 1. O estatuto de estrela vincou-se na equipa inglesa, depois de quase bater Michael Schumacher, em 2003. Para os livros, no entanto, fica que apenas dois pontos separaram Raikkonen de destronar o alemão.

Após alguns problemas com a formação de Woking, o finlandês rumou à eterna rival, a mítica Ferrari. Na Scuderia, não poderia ter tido um melhor início de casamento. No primeiro ano em que vestiu de vermelho, o homem de gelo sagrou-se campeão do mundo de pilotos, no Grande Prémio de Brasil de 2007.

No início da última largada do ano, Kimi Raikkonen era o piloto com menos possibilidades de sair campeão em terras brasileiras. Contudo, depois de vários erros de Lewis Hamilton e da estratégia falhada da McLaren com Fernando Alonso, o finlandês venceu a corrida. Assim, vingou o título perdido por apenas dois pontos, em 2003, para o conseguir virar a seu favor, por apenas um, quatro anos depois.

Apesar do sucesso imediato com a Ferrari, a estadia com os italianos foi sol de pouca dura. Em 2009, depois de não conseguir acertar um acordo com nenhuma equipa de Fórmula 1, Kimi partiu para uma aventura no WRC. A experiência não trouxe títulos, visto que terminou em décimo lugar nas duas temporadas em que conduziu. Além do WRC, também tentou a NASCAR, mas era à Fórmula 1 que Kimi pertencia.

O regresso chegou pela mão da Lotus. Apesar de a escolha ser criticada, a verdade é que o finlandês acabou por dar duas vitórias, em dois anos. Ao lado do colega de equipa, Romain Grosjean, conseguiram dar alento a uma marca nova na modalidade, com dois quartos lugares na tabela geral da classificação por equipas.

Devido a problemas monetários da formação do Reino Unido, Kimi voltou a um lugar onde já tinha sido feliz, a Ferrari. Na Lotus, o dono da equipa, Gérard Lopez, tinha colocado uma cláusula no contrato – 50.000€ por cada ponto conquistado – ao todo, foram 390 ao cabo de duas temporadas. Certamente que foi uma despesa que esperava não vir a ter, mas que deu uma nova visibilidade a uma marca menos conhecida.

Depois de resolvidas as dívidas por ser demasiado bom, o finlandês estabeleceu-se em Maranello. Ao contrário da primeira estadia, o piloto não esteve nada perto do que tinha conseguido em 2007. A única e última vitória de Raikkonen aconteceu em 2018, no Grande Prémio dos Estados Unidos.

A 21.ª subida ao lugar mais alto do pódio não o impediu de deixar o lugar livre na Scuderia italiana. A esperada ascensão do predestinado Charles Leclerc e a manutenção de Sebastian Vettel durante mais alguns anos empurraram Kimi para fora da equipa italiana.

Desde então, Iceman tem corrido com as cores da Alfa Romeo, sem o maior brilho dos holofotes no seu capacete. Apesar disso, tem demonstrado flashes da qualidade e talento que sempre demonstrou. A melhor demonstração da grandeza de Raikkonen, nos últimos anos, foi a grande arrancada no Grande Prémio de Portugal, em 2020. Em poucas curvas, subiu nove posições como se fosse algo muito fácil.

Dentro da pista, ficam as melhores memórias. Um dos maiores exemplos será Suzuka, em 2005, que vai perdurar no tempo. A bordo de um McLaren, o finlandês começou o Grande Prémio em 17.º lugar e, numa das melhores performances da carreira, foi ultrapassando tudo e todos. No último setor da corrida, fez uma ultrapassagem de nível elevadíssimo a Giancarlo Fisichella para garantir o primeiro lugar.

Apesar de Kimi Raikkonen querer ser famoso pelo que faz com o carro, tornou-se um dos pilotos mais icónicos de sempre. As poucas palavras e frases pouco elegantes fazem qualquer pessoa gargalhar. Talvez pela simplicidade que sempre demonstrou, sem querer ser incomodado, acabou por ganhar o carinho pela maior parte da comunidade.

Desde a célebre frase “Leave me alone, I know what I’m doing” (“Deixem-me em paz, eu sei o que estou a fazer”) ou a forma como abandonou o GP do Mónaco e depois aproveitou para apanhar sol no seu Iate, serão recordadas durante muitas décadas. Algo é inegável, Kimi marcou uma geração de apaixonados pelo automobilismo.

O anúncio já parecia inevitável há alguns anos. A cada renovação, havia uma sensação de alívio, mas, ao mesmo tempo, sentia-se que o final estava cada vez mais próximo. Felizmente, soubemos a tempo de aproveitar as últimas corridas com um olhar especial, para que Iceman tenha a despedida que bem merece.

Obrigada por tudo, Kimi Raikkonen. Agora, podes, finalmente, ter a tua bebida.

Foto de Capa: Alfa Romeo Racing

As 10 melhores transferências no último dia de mercado

Acabou aquele que foi, na minha modesta opinião, o mercado de transferências mais louco e agitado da história do futebol mundial. Num mundo onde o dinheiro continua a ser sinónimo de poder e o tubarão Paris-Saint Germain FC parece ter atraído a maior parte das atenções, formando uma equipa capaz de bater qualquer gigante europeu.

Por outro lado, Cristiano Ronaldo reencontrou o coração e Lionel Messi viu-se obrigado a abandonar o seu. Mas, emoções e dinheiro à parte, o que dizer do último dia de mercado do ponto de vista das expectativas? Aqui vai uma lista das 10 principais movimentações do deadline.

Portugal 2-1 República da Irlanda: É preciso ter “cabeça”

A CRÓNICA: DO INFERNO AO CÉU

Numa noite histórica para Cristiano Ronaldo, Portugal conseguiu vencer a República da Irlanda por 2-1. Quem foi o autor da reviravolta? O homem da noite histórica!

Na primeira parte vigorou a ansiedade, mas Ronaldo não estava a ser Ronaldo. A “equipa das quinas” apresentava-se por cima do jogo, mas quando chegavam as oportunidades de golo, parecia que hoje não era o dia de vermos a bola a entrar a favor de Portugal. Cristiano Ronaldo falhou uma grande penalidade que não só daria o 1-0 como lhe daria também o recorde tão aguardado de Ali Daei.

Num jogo de “bola cá, bola lá”, foi a Irlanda que marcou e mostrou à equipa de Fernando Santos como aproveitar falhas defensivas do adversário. John Egan fez o 1-0 e o resultado não sofreu alterações até ao intervalo.

Na segunda parte, Fernando Santos foi rápido nas mudanças com a equipa e a República da Irlanda ficou completamente encostada às cordas. Contudo, só nos instantes finais é que o Estádio do Algarve vibrou para os adeptos lusitanos. Ronaldo voltou a ser Ronaldo e respondeu assertivamente às investidas de alguns dos jogadores que entraram do banco na seleção.

Dois golos da cabeça do astro português que ditaram o resultado final e recolocaram Portugal na luta pela qualificação para o Campeonato do Mundo de 2022.

 

A FIGURA
Cristiano Ronaldo Portugal
Fonte: FPF

Cristiano Ronaldo – Por ironia do destino, até aos 89 minutos, Ronaldo afigurava-se como uma das alternativas para o fora de jogo. Mas como no futebol o que conta é colocar a “bola na rede”, tive de escolher o elemento mais decisivo desta noite. Falhou uma grande penalidade, mas deu a vitória da equipa das quinas, coroada com mais um recorde.

O FORA DE JOGO
Rafa Silva Portugal
Fonte: FPF

Rafa Silva – Uma escolha para o onze inicial que acabou por não dar os frutos que se esperava. Rafa Silva é um jogador que está a passar por um bom momento de forma, mas este não foi o melhor jogo para exponenciar as suas capacidades. Primeira parte muito apagada e sem acrescentar nada de relevante em termos ofensivos. Na segunda parte, André Silva rendeu o extremo da seleção.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

A Seleção Nacional apresentou-se num 4-3-3 com Bruno Fernandes como homem mais avançado da zona intermediário e ativo na zona de maior pressão ofensiva. Bernardo Silva era o homem mais solto entre o meio campo e a ala. Já Rafa e Diogo Jota eram dois elementos abertos no apoio a Ronaldo, que, por sua vez, acabava por ficar demasiado isolado e desapoiado na frente de ataque. Na primeira parte, não foi propriamente um jogo de sentido único, até porque se viu alguma discussão na posse de bola, recuperações de parte a parte e transições de ambas as equipas (Primeiro golo da Irlanda é fruto deste tipo de jogo).

Na segunda parte, o jogo tornou-se muito mais de paciência. A entrada na 2ª parte de André Silva serviu para dar o apoio que Ronaldo precisava, sendo que, mais tarde, João Mário e João Moutinho formaram o meio campo com Bernardo Silva. Gonçalo Guedes também se tornou decisivo na entrada.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rui Patrício (5)

Raphael Guerreiro (5)

Pepe (6)

Rúben Dias (5)

João Cancelo (6)

Palhinha (6)

Bruno Fernandes (5)

Bernardo Silva (5)

Rafa Silva (4)

Diogo Jota (5)

Cristiano Ronaldo (8)

SUBS UTILIZADOS

André Silva (5)

 João Mário (6)

Nuno Mendes (5)

João Moutinho (6)

Gonçalo Guedes (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – REPÚBLICA DA IRLANDA

A Seleção irlandesa apresentou-se num 3-5-2 com uma grande coesão e agressividade defensiva, mas com algumas dificuldades na primeira fase de construção. Em termos ofensivos, mostrava uma chegada rápida ao ataque. Na 2.ª parte, vimos um comportamento ligeiramente diferente dos visitantes. Fecharam-se ainda mais defensivamente (o que foi resultado das substituições operadas por Portugal) e voltaram a mostrar a mesma instabilidade que se viu frente à Sérvia perdendo nos minutos finais a vantagem que tinha. Foram dois golos nos minutos finais um pouco ingratos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gavin Bazunu (7)

Shane Duffy (5)

Dara O´Shea (5)

John Egan (7)

Josh Cullen (6)

Seamus Coleman (5)

Jeff Hendrick (6)

Jamie McGrath (5)

Matt Doherty (5)

Adam Idah (5)

Aaron Connolly (6)

SUBS UTILIZADOS

Andrew Omobamidele (5)

James McClean (5)

James Collins (5)

Jayson Molumby (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Portugal

BnR: Na primeira parte, vimos Bruno Fernandes a assumir a pressão mais ofensiva da equipa e Ronaldo muito isolado na frente de ataque. Algumas substituições como a entrada de André Silva e as mexidas no meio-campo ajudaram Portugal na pressão final à seleção da Irlanda?

Fernando Santos: Sim, porque fez dois golos. Oportunidades de golo já as tinha criado. Temos de falar de todos e não de alguns. Na primeira parte, com o Bernardo e com o Bruno a procurar pressionar na área do adversário e a ganhar a bola. Até aos 20 minutos foi funcionando bem, depois perdemos essa capacidade e o adversário conseguiu sair, obrigando os jogadores a correr mais. Na 2ª parte era preciso colocar jogadores diferentes. O João Mário e o João Moutinho que têm capacidade para ter a bola, e o jogo a partir daí ficou do nosso lado.

República da Irlanda

Não foi possível colocar questões ao selecionador da Irlanda, Stephen Karry.

Nemanja Radonjic | De “party animal” a ídolo

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Nemanja Radonjic foi a solução encontrada pelos responsáveis encarnados para suprimir o vazio deixado pelas saídas de Pedrinho e Cervi, numa substituição que não se rege por quaisquer trâmites estilíisticos ou linha orientadora para jogadores daquela posição – ao contrário da criatividade e jogo entrelinhas que o brasileiro oferecia e da resignação tática do argentino, o sérvio Nemanja é um extremo à ‘antiga’.

Assenta o seu jogo numa verticalidade apoiada em velocidade de ponta e numa obsessiva tendência para investir no um contra um: nem sempre bem decidido, muito menos certeiro no momento da finalização, com defeitos que persistem na sua evolução enquanto jogador, desde as etapas formativas no FK Partizan, AS Roma ou Empoli FC, até à explosão ao serviço dos rivais do FK Crvena Zvezda.

Ao seu perfil técnico concilia-se a irreverência típica do jogador oriundo dos balcãs, com dificuldades em estabilizar emocionalmente ou seguir regras estabelecidas – a carreira de Radonjic é marcada por episódios caricatos, más companhias e rumores que se tornam percalços no caminho da sua consolidação enquanto futebolista de elite.

O talento está lá, como ficou demonstrado recentemente (março deste ano) no encontro frente a Portugal, no 2-2 em Belgrado – foi ele o assistente dos dois golos sérvios, numa exibição que meteu em causa as capacidades de Nuno Mendes e companhia. Pérola à espera do mesmo polimento que Jesus conseguiu aplicar em Lazar Markovic, recorrente figura de comparação com a mais recente contratação benfiquista, que chega por empréstimo de um ano, com cláusula de compra de oito milhões de euros.


Em Marselha, foi sempre incapaz de se assumir nos terrenos da titularidade, desde que assinou no Verão de 2018, a troco de 11 milhões de euros, depois de o jogador ter explodido em contexto interno de Liga Sérvia e ter sobressaído nas eliminatórias de acesso à Champions League. Nessa ocasião, os sérvios atravessaram todas as quatro pré-eliminatórias à boleia das exibições de Nemanja, que jogou os oito jogos, acumulando quatro golos. O Olympique de Marselha não perdeu tempo e pescou-o antes de a janela de agosto fechar.

No sul de França, a tarefa foi-lhe complicada. 62 jogos divididos por três temporadas, um empréstimo de mediano aproveitamento ao Hertha Berlim SC em 2020-21 (12 jogos em meia temporada, com um golo e duas assistências). Ou seja, com a camisola do Olympique de Marselha cumpriu 2040 minutos desde 2018, o que perfaz um total de 22 jogos completos – manifestamente pouco para alguém que prometeu mundos e fundos quando despontou no país natal.

Procura ainda o seu território em contexto internacional ao nível de clubes, num patamar muito abaixo daquilo que produz pela camisola do seu país – desde a estreia com a camisola roxa, em novembro de 2017 (numa tour pela Ásia, de preparação para o Mundial da Rússia), não mais deixou de fazer parte das primeiras escolhas.

Mladen Krstajic levou-o para a Ásia, deu-lhe três internacionalizações e inscreveu-o na lista final para o certame russo à frente de, por exemplo, Mijat Gacinovic, extremo igualmente irreverente que defendia, à época, as cores do Eintracht Frankfurt de Adi Hütter e que, por estes dias, é elemento válido no TSG Hoffenheim.

Que características deve ter o duplo pivô do FC Porto?

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Tendo em vista a disparidade de opções existentes no plantel do FC Porto para o centro do terreno, antecipa-se uma luta acesa pelo duplo pivô do meio-campo dos dragões. Antecipava-se um final do mercado de transferências com movimentações, mas a verdade é que pouco aconteceu.

Com jogadores importantes assegurados no plantel, como Corona e Sérgio Oliveira, as dúvidas recaem sobretudo sobre a dupla de meio-campo titular. Tendo em conta que já estamos a caminho da 4.ª jornada do campeonato, é fundamental que Sérgio Conceição encontre os dois jogadores que vão exercer a exigente função de duplo pivô.

Não, Bruno Costa e Uribe não podem ser a dupla titular do FC Porto, e isso ficou bem patente no jogo frente ao CS Marítimo. São dois jogadores que não se complementam um ao outro, o que se pede num duplo pivô.

Têm características algo similares, e a zona central do terreno acaba assim por ficar sem um criativo, alguém que faça a transição entre o meio-campo e o ataque.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Por exemplo, com Uribe nas costas, Sérgio Oliveira fazia essa função de forma exímia. Não sei se era por conta de uma possível transferência futura que o internacional português não estava a jogar, o que até faz todo o sentido, Sérgio Conceição está a idear uma equipa com os jogadores que vão ficar no plantel.

Mas, caso seja um momento de má forma, ao retornar à boa forma, Sérgio Oliveira é titular indiscutível do FC Porto: um jogador que somou 20 golos e seis assistências na época transata não pode ficar no banco.

Romário Baró acabou mesmo por sair emprestado para o Estoril-Praia SAD, e creio que é um talento que vai dar cartas no futuro. Sendo assim, com a permanência de Sérgio Oliveira, temos o internacional português, Uribe, Grujic, Bruno Costa e Vitinha.

Este último, na minha opinião, é o jogador (mais do que) ideal para replicar as funções que Sérgio Oliveira tem desempenhado nas épocas passadas. É certo que há alguma dúvida se pode ou não jogar num duplo pivô, no entanto é preciso experimentar!

De facto, não estamos e não vemos os treinos, mas sabemos bem do que Vitinha é capaz: melhorando defensivamente, ganhando a intensidade de jogo do FC Porto, e tendo um jogador por trás a dar suporte, como Uribe ou Grujic, Vitinha é o jogador que Sérgio Conceição deve apostar, é um talento puro.

Bruno Costa, a meu ver, seria mais para entrar na 2.ª parte, como jogador que dá soluções diferentes à equipa, é um bom jogador – não compromete e dá garantias – todavia não é um titular indiscutível.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Com o término do mercado de transferências, o plantel do FC Porto fica fechado e deve estar pronto para atacar todas as frentes. Os jogadores do centro do terreno que ficaram estão cientes e preparados para as dinâmicas que o duplo pivô dá à equipa.

São o coração do sistema, sem este duplo pivô a equipa de Sérgio Conceição não vai engrenar: transições, pressão, rápida reação à perda da bola e intensidade é o que se pede a um jogador do meio-campo portista.

Primeira Liga Portuguesa | A melhor contratação de cada clube neste mercado

Chegou ao fim mais um mercado de transferências e novamente foi bastante agitado, havendo várias compras incríveis, mas ainda mais vendas inacreditáveis. Foi um mercado onde os grandes se movimentaram cirurgicamente, gastando valores mais altos em poucos jogadores em vez de gastarem menos em muitos, como muitas vezes se via acontecer.

Apesar de tudo isso, não foi um mercado livre de rumores e discussões que nem mesmo o encerramento das transferências irá fazer com que terminem. Trocas entre clubes rivais, negociações incessantes entre clubes da Primeira Liga, mas agora tudo terá de terminar pois o mercado nacional fechou e não poderá haver mais entradas.

Agora que já não chega mais ninguém resta analisar e comentar as transferências do mercado nacional. Para esta lista da melhor contratação de cada clube na Primeira Liga foram tido em conta os valores das transferências e também aquilo que o jogador já deu e pode vir a dar ao clube.