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Belenenses 3-3 Rio Ave: O futebol ficou a ganhar

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Belenenses e Rio Ave encontraram-se no Restelo dispostos a somarem os primeiros três pontos da temporada. E ambas as equipas fizeram por isso, em diferentes períodos da partida. A equipa da casa, disposta num 4-2-3-1 com Rúben Pinto e André Sousa nas costas do endiabrado Carlos Martins (esteve em todos os golos da sua equipa) e com Sturgeon e Dálcio a servirem Abel Camará, entrou melhor e tentou mandar na partida. Mesmo com Miguel Rosa no banco (provavelmente a ser poupado para o duelo europeu, mas quando foi lançado ajudou a virar o jogo), os azuis tentaram empurrar o Rio Ave para o seu meio-campo. Os homens de Pedro Martins, contudo, são uma equipa muito serena e bem organizada e foram, pouco a pouco, impondo o seu jogo.

Os vila-condenses, de resto, apresentaram-se num 4-4-2 já bastante trabalhado, com Wakaso e Tarantini a segurar o meio-campo e Hassan e Yazalde na frente, apoiados por Bressan na esquerda e Novais a pender um pouco mais sobre a direita. Foi precisamente Novais quem começou por dar trabalho ao guardião Ventura, que se viu obrigado a defender um remate para canto e, na sequência, tirou uma bola em cima da linha de golo. Contudo, à precipitação do Belenenses, que redundava em jogadas perdidas, respondia o Rio Ave com mais ponderação e maturidade. E Ventura, até aí com duas boas intervenções, largou uma bola fácil para a zona onde estava Bressan, que empurrou para o 0-1. Começava aqui a odisseia de golos de um jogo épico.

Se já antes do golo o Rio Ave pareceu sempre a formação mais organizada, após o 0-1 os forasteiros passaram a controlar ainda mais, perante a incapacidade azul na construção. A equipa de Sá Pinto tentava atacar mais pelo flanco direito mas, curiosamente, era quando se aventurava pelo lado contrário que criava mais perigo. É que, à direita, Dálcio teve um jogo para esquecer, ao passo que Sturgeon, no flanco canhoto, ia aparecendo a espaços. Quando já se esperava o apito para o intervalo, eis que surgiu o empate. Na sequência de uma falta duvidosa, Carlos Martins cobrou o livre da esquerda e Gonçalo Brandão, solto, marcou de cabeça. 1-1, mas o melhor estava para vir.

Belenenses Rio Ave Bola na Rede
Esperava-se um grande jogo e foi isso mesmo que acabou por acontecer

Na segunda parte (que iria ser frenética), a toada do jogo manteve-se nos minutos iniciais. Um Rio Ave mais organizado e um Belenenses sem conseguir construir jogo. Dálcio continuava igual à primeira-parte e Sá Pinto percebeu que o jogador já não acrescentava nada de útil ao jogo. Substituiu-o por Miguel Rosa e o Belenenses mudou do dia para a noite. Aos 55 minutos, Ruben Pinto cabeceou à entrada da área, a bola não tocou em ninguém e entrou, surpreendendo Cássio. Estava feita a reviravolta e o Belenenses acordou, a construção de jogo melhorou e Miguel Rosa era o homem responsável. É graças a ele que nasce o penalty que faz o 3-1. Finta e arrancada fenomenal do jovem jogador e a jogada a terminar com Abel Camará a cair dentro da área e a ser bem marcado o penalty que deu o 3-1 para os homens de Sá Pinto.

Mas o Rio Ave não tinha baixado os braços. As alterações de Pedro Martins fizeram bem à  equipa, com Ukra e Guedes a entrarem bem. Se Miguel Rosa foi o homem que mexeu com o jogo para o lado do Belenenses, do lado dos vila-condenses, Guedes (que substituiu o apagado Yazalde) teve o mesmo efeito. Aos 70 minutos, cruza e a bola bate em Gonçalo Brandão que tem a infelicidade de a desviar para dentro da baliza e aos 74 marca o golo que dá o empate merecido a uma equipa que nunca desistiu.

A partir dai o jogo voltou ao ritmo da primeira parte. Os visitantes procuravam o golo de forma organizada, os homens do Restelo tentavam mais com o coração do que com a cabeça. Ventura voltou a gelar as bancadas, falhando num lance que por sorte não deu golo. O final do jogo foi electrizante, com ambas as equipas a terem um golo anulado. 2 lances duvidosos e que parecem mal ajuizados.

No final, um electrizante empate a 3 bolas mostra bem como foi a partida. Se o Altach observou este jogo, terá visto um Belenenses ainda em fase de construção, com bastante dificuldade para criar jogadas de perigo. No entanto, os austríacos devem estar atentos a Miguel Rosa. A entrada do jogador mudou a forma de jogar do Belenenses. Foi quem levou a equipa para a frente (juntamente com Carlos Martins) e Quinta-feira tem de ser titular. Do lado do Rio Ave, Pedro Martins é um homem satisfeito com o seu grupo de trabalho e com os reforços, tal como afirmou no final. A equipa do Rio Ave mostra ser organizada, inteligente em campo e além disso já tem bastante assimiladas as ideias de Pedro Martins. Será interessante ver o que podem fazer esta temporada.

A Figura:

Miguel Rosa e Guedes – As entradas dos 2 jogadores mexeram com as respectivas equipas. Miguel Rosa mostrou porque é uma peça fundamental na equipa do Belenenses e Guedes apresentou-se como um optimo reforço. Uma menção também para Carlos Martins, que esteve em todos os golos e voltou a mostrar que em Belém pode voltar a ser feliz.

O Fora-de-Jogo:

Ventura – Até começou bem, com duas grandes defesas, mas falhou no primeiro golo e voltou a causar calafrios nas bancadas num lance fácil na segunda parte. Os adeptos do Belenenses esperam que quinta-feira o guarda-redes esteja em melhor forma.

Artigo de André Conde e João V. Sousa

Olheiro BnR – Kostas Mitroglou

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Without any doubt Kostas Mitroglou, nicknamed Mitrogoal or Pistolero is one of the finest greek strikers of the decade He is a prolific goalscorer with great perception and vision on the box. Thanks to his height (1.88 m) he is a good header and also a reliable finisher. Mitroglou was raised in Germany.

He first came to Greece at the age of 19 after Olympiacos trusted. He had two spells at Panionios and Atromitos before returning to greek giants. Spaniard coach Ernesto Valverde, who still is very popular to Olympiacos ranks didn’t believe at him. So, when Valverde returned to La Liga, the greek international striker was called again to Olympiacos after a productive season on loan with Atromittos (2011/2012). Mitroglou reached the peak of his career at the first half of the season (2012/13). Initially he had big competition from Algerian attacker, Rafik Djebbour.

In the beginning of that season was used as substitute by Leonardo Jardim. With Djebbour absent due to injury, Mitroglou was a starter for the second group game of the UEFA Champions League against Arsenal in the Emirates Stadium, where he scored the equalizer in an eventual 3–1 loss. He next scored a goal in a 2–0 home win against OFI Crete. He scored again in the Champions League by netting the winning goal in a 2–1 away win against Montpellier. He also added another goal against Montpellier in the return fixture on 6 November as Olympiacos claimed a 3–1 victory.

His scoring streak continued as he next scored in greek Super League consecutive goals. He scored his fourth Champions League goal at the 2–1 home win against Arsenal. He was already in the notebooks of many European clubs but he chose to stay for another season to Olympiacos. On 1 September 2013, he scored his first career hat-trick in a 5–0 away win against Levadiakos. He scored his second hat-trick on the next fixture in a 4–0 home win against Skoda Xanthi, becoming the first player in Olympiacos’ history, as well as the Greek League in general, to score two consecutive hat-tricks. He got his third hat-trick of the season on 2 October, scoring all three goals in a 3–0 away win against Anderlecht.in the Champions League group stage. His scoring streak continued, as he scored yet another hat-trick four days later, in a comfortable 6–0 home win against Veria.On October 24, he assisted Domínguez’s goal against Benfica in a 1–1 draw in the Champions League.

On 27 November, Mitroglou suffered an injury in a 2–1 away loss against PSG keeping him on the sidelines for over a month. That was the turning point in his career. On 31 January 2014, Mitroglou signed a four-and-a-half-year contract for a fee in the region of 15 million euros with Fulham It was a setback for Mitroglou besides he was the highest transfer fee in Fulham’s history. He completely failed to show his skills at Craven Cottage while was suffering from various injuries and fitness problems. Mitroglou played in only two further Premier League matches before the end of the 2013–2014 season, starting only one of these games! He was disappointed after the relegation of Fulham, and eager to revive his career.

He get back to Olympiacos on loan. He made his debut on 13 September. Three days later he scored what proved to be the game winner in a 3–2 win over Atletico Madrid in the group stages of the Champions League. He finished the last season scoring 16 goals while having 24 league appearances, but sometimes numbers don’t tell the truth. He scored some easy goals and he wasn’t so fast like before. He missed a lot chances. He lost his explosiveness. In general he wasn’t the same player despite he scored 16 goals. The fans were sceptical on him. Additionally he scores his last goal with Greek NT at 19 November 2013 against Romania. He failed to contribute to greek NT being disappointing.

For Mitroglou Benfica’s offer was the best that he could have in this period of his career. Sporting, Palermo, Besiktas were interested for him but Benfica maybe can rejuvenate his career. My opinion is that Benfica took a big risk by hiring Mitroglou. It’s difficult to replace Lima and I am not sure that he might co-operate effectively with Jonas. It’s a big question for me. To be honest I am not convinced at all about the recent shape of Mitroglou.

Actually he never get rid of his injuries. He scored last season but he didn’t perform with the same quality like he did in Champions League matches. So, there is a golden opportunity for him remaining with Benfica in the highest level of European football by justifying his reputation or reassess his scoring instinct. I am sure that Samaris will help him to adjust on his new environment and he will avoid the problems he faced while at Fulham. If he is fit he can contribute to Benfica, but I repeat his move it’s kind of puzzle…[/acc][/accordion]

Não há dúvidas de que Kostas Mitroglou, conhecido também como Mitrogoal ou Pistolero, é um dos melhores avançados da última década na Grécia. É um matador com grande inteligência e visão de jogo dentro de área. Graças à sua altura (1.88m), é dono de um bom jogo de cabeça e é um ótimo finalizador.

Mitroglou nasceu na Alemanha e chegou à Grécia aos 19 anos, depois de ter sido aposta do Olympiacos. Antes de se afirmar na equipa grega foi emprestado ao Panionios e ao Atromitos (ambos da Liga Grega). Ernesto Valverde, treinador espanhol que ainda é muito popular no Olympiacos, nunca acreditou no jogador. Só quando o técnico abandonou o clube rumo à Liga Espanhola é que o ponta-de-lança internacional grego foi chamado para o clube (depois de uma época produtiva no Atromitos em 2011/12 – 19 golos em 39 jogos).

Em 2012/13 chegou ao pico da carreira, com Leonardo Jardim no comando técnico. Mitroglou teve a competição de Rafik Djebbour e, no início da temporada, começou como suplente. No entanto, com a lesão do avançado argelino, Mitroglou foi aposta a titular no segundo jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões frente ao Arsenal, no Emirates Stadium (marcou o golo na derrota por 3-1).

Nos jogos seguintes voltaria a marcar: mais um golo na vitória caseira (2-0) frente ao OFI Creta e outro no terceiro jogo da Champions League, frente ao Montpellier (vitória fora de portas por 2-1).

Mitroglou continua imparável e voltaria a marcaria novo golo na vitória frente ao Montpellier, no quarto jogo da Liga dos Campeões (vitória por 3-1) e frente ao Arsenal (triunfo caseiro por 2-1).

As exibições começaram a chamar a atenção de vários clubes europeus, mas Mitroglou preferiu ficar mais uma temporada no Olympiacos. No dia 1 de setembro de 2013 marcou o primeiro hat-trick da carreira na vitória fora de casa frente ao Levadiakos (5-0). No jogo seguinte, Mitroglou voltaria a encantar os adeptos com novo hat-trick na vitória caseira sobre o Skoda Xanthi (4-0). Este registo fez com que se tornasse no primeiro jogador do Olympiacos – bem como da Liga Grega – a marcar dois hat-tricks consecutivos. Pouco tempo depois, novo hat-trick, desta vez na Liga dos Campeões, frente ao Anderlecht, na vitória fora de casa por 3-0.

A série de golos não parava e Mitroglou viria a marcar novo hat-trick, apenas quatro dias depois, na vitória por 6-0 frente ao Veria. No dia 24 de outubro de 2013 assistiu Domínguez para o golo frente ao Benfica (1-1), em jogo da Liga dos Campeões.

Mitroglou foi oficializado como reforço do Benfica no dia 8 de agosto Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Mitroglou foi oficializado como reforço do Benfica no dia 8 de agosto
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

No dia 27 de novembro, Mitroglou sofreu uma lesão na derrota por 2-1 frente ao PSG e ficou afastado dos relvados durante um mês. Este momento acabou por ser decisivo na reviravolta da carreira do jogador. No dia 31 de janeiro de 2014, Mitroglou assinou por 4 anos e meio com o Fulham, a troco de 15 milhões de euros.

A transferência foi a mais cara de sempre na história do clube inglês e Mitroglou iria acusar esse valor. O avançado grego não foi capaz de mostrar as suas qualidades no Craven Cottage, até porque sofreu várias lesões. Mitroglou participou em apenas 2 jogos na temporada 2013/14, sendo que apenas num encontro é que foi titular!

As coisas com Mitroglou não corriam bem e a despromoção do Fulham não ajudou na situação Decidido a relançar a carreira, o avançado voltou para o Olympiacos, desta vez a título de empréstimo. Estreou-se no dia 13 de setembro de 2014 e três dias depois marcou o golo da vitória (3-2) sobre o Atlético de Madrid, na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Na última época marcou 16 golos em 24 jogos na Liga Grega, mas às vezes os números não contam a verdade. Mitroglou marcou golos muito fáceis (apenas de encostar) e já não estava tão rápido como antes. O avançado grego estava também mais perdulário e tinha perdido toda a capacidade de explosão dos velhos tempos. No fundo, ele já não era o mesmo, apesar dos 16 golos.

Os adeptos gregos estavam céticos em relação a Mitroglou, até porque o último golo ao serviço da seleção grega foi no dia 19 de novembro, frente à Roménia.

Para Mitroglou, esta oferta do Benfica surge na melhor altura da carreira. O Sporting, o Palermo e o Besiktas também estavam interessados, mas os encarnados podem ser a melhor opção para relançar a carreira. Continuo a achar que este negócio é de alto risco para o Benfica. Vai ser muito difícil substituir Lima e não tenho a certeza de que Mitroglou consiga fazer dupla na frente de ataque com Jonas. Esta é a grande dúvida, neste momento.

Para ser honesto, não estou convencido com a forma física de Mitroglou. Ele nunca mais se conseguiu livrar das sucessivas lesões e as exibições na última época não foram positivas. Portanto, esta é uma oportunidade de ouro para o jogador. O Benfica joga ao mais alto nível na Europa e o avançado tem a hipótese para justificar a sua reputação e reacender o instinto matador.

Tenho a certeza de que Samaris vai ajudá-lo neste novo ambiente estranho, de forma a evitar os mesmos problemas de adaptação que teve ao serviço do Fulham. Se correr bem, pode ser um bom contributo para o Benfica. Mas repito… esta transferência pode ser um autêntico quebra-cabeças para os encarnados.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

FC Porto 3-0 Vit. Guimarães – Jackson? Não, Aboubakar!

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O FC Porto entrou na Liga NOS com o pé direito… de Aboubakar. Como assim? Frente ao Vitória de Guimarães, o camaronês bisou e ofereceu os primeiros três pontos da nova estação futebolística aos azuis e brancos. O 3-0 é um resultado que não deixa margem para dúvidas sobre qual foi a melhor equipa em campo e permitiu aos espectadores tirar diversas ilações sobre a equipa da casa e sobre o Vitória.

Com mais de 48 mil a lotarem o Dragão, Lopetegui fez entrar o onze esperado face à lesão que apoquentou Brahimi durante toda a semana. Apesar de ter convocado o argelino, o timoneiro dos dragões preferiu não arriscar e apostou em Varela a titular (que também fez o gosto ao pé), assim como em Danilo Pereira, que, com Imbula e Herrera, completou o trio de meio campo. Por sua vez, a equipa de Armando Evangelista procurava redimir-se da humilhação europeia e entregou as despesas atacantes a Henrique Dourado, que, apoiado por Tozé (nas costas) e Tomané e Alex nas alas, pareceu sempre insuficiente para fazer tremer a defesa portista.

O FC Porto controlou desde cedo o rumo dos acontecimentos. Com trocas de bola seguras entre a defesa e o setor intermediário e face ao bloco médio-baixo que o Vitória de Guimarães dispôs, o golo surgiu logo aos oito minutos: bom entendimento entre Varela e Alex Sandro no flanco esquerdo, com o último a cruzar para Aboubakar, que rematou para o primeiro tento da partida (a bola ainda sofreu um desvio em João Afonso).

Com o passar do tempo, o reforço francês Imbula foi mostrando a sua apetência ofensiva com aproximações constantes à grande área vimaranense e apoio direto ao ponta-de-lança Aboubakar. Num resto de primeira parte tranquilo, nota negativa para Héctor Herrera, que denotou demasiada lentidão no processo ofensivo e tomada de decisões. Varela procurou sempre jogar simples e rapidamente, algo que alcançou de forma positiva, e combinou quase sempre bem com o parceiro de flanco, Alex Sandro, e os dois companheiros da frente. Danilo Pereira jogou de cabeça erguida e nunca ficou sobressaltado perante a pressão de adversários.

Do lado do Vitória, sempre muito expectante, foi Bouba Saré a evidenciar-se, já que procurou transformar o momento de recuperação do esférico no primeiro instante ofensivo da equipa. Dourado e Tozé tentaram segurar a bola, mas a ajuda dos homens das alas demorou quase sempre a chegar. Sinal menos para Luís Rocha, muito desapoiado e impotente perante as mudanças de velocidade de Cristian Tello.

No entanto, a segunda parte iniciou-se com a mudança de filosofia da equipa de Guimarães. Evangelista fez o bloco subir e a pressão resultante dessa ação começou a dar frutos. A defesa dos dragões começou a sentir-se apertada, o meio-campo não conseguiu sair a jogar e Tozé podia mesmo ter faturado, não fossem a atenção e os reflexos de Iker Casillas. Julen Lopetegui soube ler o jogo, substituindo Herrera (apagadíssimo) por André André, de modo a contrariar o ascendente vitoriano e conferir maior intensidade ao miolo.

Varela foi feliz e faturou, no regresso ao Estádio do Dragão Fonte: Página do Facebook do FC Porto
Varela foi feliz e faturou, no regresso ao Estádio do Dragão
Fonte: Página do Facebook do FC Porto

Aos 53 minutos, Tello protagonizou um falhanço escandaloso à boca da baliza de Douglas. Com o guarda-redes batido, o espanhol conseguiu não aproveitar a oportunidade clamorosa (resultante de mais um bom cruzamento de Varela) e permitiu o desvio de João Afonso em cima da linha de golo. À passagem da hora de jogo, surgiu o golo da tranquilidade, e mesmo no momento certo: Maxi Pereira, com o auxílio de André André, recuperou o esférico no meio-campo e entregou para Aboubakar, que após um sprint rematou forte e sem hipótese para o keeper dos vimaranenses. “Abombakar” estava de regresso ao Dragão, com o segundo golo da sua conta pessoal, festejado efusivamente pelos portistas.

A partir deste momento, o FC Porto limitou-se a gerir o resultado e a rotação do jogo, atacando apenas pelo seguro e evidenciando grande tranquilidade no reduto defensivo. Evandro entrou para o lugar de Imbula, que esteve mais discreto na etapa complementar, e a partir daí o Vitória não mais ameaçou a baliza de Casillas. Aos 84 minutos, Silvestre Varela fixou o resultado final, depois de combinar com Maxi e tirar Luís Rocha do caminho; num remate fulminante, o internacional português voltou a marcar no Dragão, depois de uma época “fora de casa”. O extremo luso foi bastante aplaudido quando foi substituído por Brahimi.

Apito final, e o FC Porto vitorioso a confirmar o favoritismo. Bons apontamentos dos comandados de Lopetegui, que, em termos gerais, realizaram uma exibição francamente boa e, acima de tudo, competente. Para o Vitória de Guimarães adivinham-se tempos difíceis. Em três jogos oficiais, o saldo é de três derrotas e ainda não foi desta que se viram ideias de jogo positivas do lado da turma de Armando Evangelista. No Dragão, o speaker voltou a gritar “golo” e a entoar o nome de um matador: Jackson Martí… Perdão. Vincent… Aboubakar! A máquina já parece estar oleada, e agora… venha o Marítimo no tão malfadado “Caldeirão dos Barreiros”.

A Figura

Aboubakar – Osvaldo que se cuide. O camaronês está em alta e abriu a época com dois golos, um dos quais à entrada da área, num pontapé fulminante, sem dó nem piedade. Numa altura em que a nação azul e branca (ainda) está apreensiva com a saída de Jackson Martínez, Vincent Aboubakar picou (e bem!) o ponto e deve ter garantido a titularidade, pelo menos no futuro próximo. Mas não foram só os golos: as movimentações, saídas da área e decisões foram quase sempre perfeitas e tomadas na altura certa. Saudades do ‘Cha Cha Cha’? Para já, estão esquecidas.

O Fora-de-jogo

Herrera – Sempre em ritmo lento, foi substituído pouco depois do início da segunda parte. E sem surpresa. Más decisões, passes errados e pouca desenvoltura foram as falhas do mexicano, coroadas por um falhanço imperdoável na cara de Douglas, ainda na primeira parte. O ‘Tribunal do Dragão’ não perdoou, e Herrera foi brindado com muitos assobios no primeiro jogo oficial da temporada azul e branca.

Foto de Capa: Página do Facebook do FC Porto

Liga Inglesa: As apostas desta época

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Feita a antevisão da Premier League, onde se escreveu, entre outras coisas, acerca das diversas lutas dentro do campeonato e das influências das contratações, é altura de arriscar um pouco mais e fazer algumas apostas sobre a temporada 2015/16:

Campeão: Manchester City

É sempre complicado prever o vencedor da Premier League no início de cada edição, mas nesta há dúvidas maiores relativamente aos outros anos. O Arsenal manteve a sua “espinha dorsal” e o comando técnico, tal como o campeão Chelsea, que, pelo estatuto, será sempre encarado como favorito… Já os rivais de Manchester, pelo reforço do seu plantel, também fazem crescer água na boca dos seus adeptos e deitam achas para a fogueira da corrida pela ceptro da Premier League, da qual não deve ser retirado, à partida, também, o Liverpool.

Porém, entre os cinco, acredito que o Chelsea não terá tantas facilidades quanto as que teve o ano passado e que poderá sucumbir na luta pelo título perante um rival bem apetrechado financeiramente e que se reforçou bem no defeso, sobretudo no que toca à reabilitação do seu principal jogador, um esteio da equipa que esteve na base de sucessos anteriores. Falo do Manchester City e de Yaya Touré. O costa-marfinense, aparentemente, está de volta à boa forma de sempre e acredito que pode ser a pedra basilar do regresso dos citizens aos títulos, quer libertando uma frente de ataque de luxo (Aguero, Sterling, Silva), quer integrando-se na mesma para fazer jus ao título de médio-goleador.

A renovação do contrato com Pellegrini ilustra a confiança dos responsáveis no trabalho do chileno e este tem noção de que terá de ser campeão para “não ser despedido” (palavras do próprio) – Guardiola estará à espreita.

Equipa sensação: Stoke City

O reforço do plantel veio trazer qualidade a este conjunto, nomeadamente com a chegada de Van Ginkel para o meio-acampo e Affelay e Shaqiri para as alas, que, juntamente com Krkic e/ou Arnautovic, constituirão uma base de apoio de luxo à referência ofensiva, Diouf.

Desde o ano passado, os “Potters” apenas perderam Begovic entre as peças nucleares da equipa, mas a estrutura manteve-se.

A continuidade de Mark Hughes é positiva para a estabilidade no clube, e será expectável, entre os seus jogadores, a assimilação total das ideias do galês e, por isso, a possibilidade de estas evoluírem.

Os adeptos do Stoke City poderão ter razões para festejar no final desta temporada Fonte Facebook do Stoke City
Os adeptos do Stoke City poderão ter razões para festejar no final desta temporada
Fonte Facebook do Stoke City

Aflitos: Bournemouth, Norwich, Sunderland e Leicester

Esta é uma categoria onde poderiam entrar muitas equipas. Apesar de haver um fosso claro para os lugares cimeiros, a competitividade da Premier League é altíssima e 13/14 das 20 equipas lutarão por uma época tranquila. Mas há umas que se encontram melhor apetrechadas do que outras para o fazer.

Bournemouth e Norwich, como equipas que acabam de subir, podem acusar a diferença de competitividade. Ambas também têm uma desvantagem competitiva relativamente grande face às outras equipas da Premier League – o reforço do plantel não foi feito com a quantidade e/ou qualidade dos adversários. Para além disto, o Bournemouth tem um conjunto de jogadores com pouca experiência no principal escalão inglês, e o Norwich uma defesa bastante permeável.

A juntar-se a esta dupla, dada a intensidade do futebol praticado na Premier League, há um lote imenso de equipas. A liderá-lo estarão Leicester e Sunderland. Os “foxes” por terem sido prejudicados pelo defeso – perderam Esteban Cambiasso, que não renovou -, e os “black cats” pela instabilidade que vem sendo marca desde há alguns anos a esta parte, apesar da boa gestão praticada pelo seu CEO.

Jogador do Ano: Eden Hazard

A nata do futebol mundial está na Premier League. Muitos arriscam um lugar de destaque, e todos eles são candidatos sérios a este título, mas o belga destaca-se dos restantes pela fantasia que dá a um futebol normalmente musculado e pelas estonteantes arrancadas que proporcionam vertigens aos adeptos (os do seu e de outros clubes). Para além disso, a capacidade de finalização do belga também deverá ter um papel crucial no seu Chelsea.

Eden Hazard poderá renovar o título de melhor jogador do ano, na Premier League Fonte Faceboook do Chelsea
Eden Hazard poderá renovar o título de melhor jogador do ano, na Premier League
Fonte Faceboook do Chelsea

Jovem do ano: Memphis Depay

Sterling poderá brilhar no City, chegando ao nível que muitos esperam que atinja, mas Depay tem-se revelado um jogador muito acima da média e bastante refrescante para a realidade da Premier League. O holandês tem demonstrado um entendimento notável com Wayne Rooney que poderá valer muitos pontos ao United e a si, na luta por um lugar no panorama do futebol mundial.

Para além disso, parece ser uma espécie de “protegido” de Van Gaal, que tem o dom de fazer brilhar os seus “meninos” (recorde-se o então jovem Muller no Bayern), pelo que acredito que isso possa ter influência no desempenho de Depay e, por isso, na atribuição deste prémio.

Melhor marcador: Chris Benteke

Há muitos jogadores que se perfilam como sérios candidatos à “bota de ouro” da Premier League, começando pelo anterior vencedor – Sergio Aguero. O argentino tem à sua volta uma equipa bastante ofensiva e oportunidades para visar as redes contrárias não faltarão. Terá a concorrência de jogadores como Diego Costa ou Falcao, do Chelsea, mas os blues não praticam um futebol propriamente ofensivo e contam muito com os rasgos e o poder de finalização dos extremos para resolver os encontros (Hazard será, também por isso, sério candidato ao título). No Arsenal, pratica-se um futebol com muita vertigem mas, apesar de acreditar na eficácia do poderio ofensivo dos gunners durante a época, também creio que o número de golos será distribuído pela frente de ataque (Alexis, Walcott e/ou Giroud somarão mais de uma dezena de golos, mas não creio que cheguem a um número maior que Aguero).

Sobram jogadores de qualidade, como Harry Kane ou Chis Benteke. Sobre o primeiro, há dúvidas em relação ao andamento que a equipa poderá ter de forma a ajudá-lo a consagrar-se rei dos artilheiros; já relativamente ao segundo, apesar de haver algumas dúvidas quanto à forma como se integrará no seu conjunto, acredito que o futebol dos orientados por Brendan Rodgers tenha no belga a principal referência ofensiva e que jogadores como Coutinho ou Firmino o possam ajudar a tornar-se o bota de ouro 2015/2016. Um jogador com a disponibilidade física e a espontaneidade de Benteke é uma peça que encaixa perfeitamente no puzzle deste Liverpool.

Foto de Capa: Facebook Oficial da Premier League

Tondela 1-2 Sporting: Ai Jesus, que se perdem anos de vida…

Escolhi díficil. O fácil é de todos

Sexta-feira de 14 Agosto, 20h30; o fim do dia de praia para muitos, o início do campeonato para aqueles que só têm dois períodos durante o ano: período de campeonato e período de espera pelo campeonato. Sporting-Tondela de entusiasmo para os verdes-e-brancos mas de igual clima de alegria para os recém-promovidos, ou não se tratasse do primeiro jogo na Primeira Liga do conjunto de Tondela.

Jorge Jesus optou por repetir o onze que venceu a Supertaça diante do Benfica mas o adversário não se amedrontou: pressão em todo o campo e tentativa de dividir o jogo que oxalá se mantenha ao longo da época, para bem do futebol português. Os primeiros 7/8′ foram muito complicados para ambas as equipas, que procuraram ganhar terreno ao adversário, mas a partir daí o Sporting tornou-se dono e senhor do jogo. Primeiro, Slimani com um remate perto da pequena área que obrigou Matt Jones a defesa apertada, depois Carrillo a chegar atrasado a um cruzamento de Jefferson. Cheirava a golo, tal era o perigo criado pela equipa leonina. A busca pela profundidade, a aproveitar a defesa alta do Tondela e a contrastar com momentos de toque mais curto, acabou por dar resultado. Bola de Carrillo em Bryan Ruiz, cruzamento já dentro da área, com João Mário a ganhar a segunda bola e a fazer o golo por volta dos 15′.

Os minutos seguintes não iriam apresentar novidade nenhuma para quem ia observando o rumo do encontro. O Sporting não abrandou até perto dos 30′, e até lá poderia ter aumentado a vantagem, ou não fosse Carrillo rematar ao lado por muito, muito pouco. O ritmo acabou por diminuir, ou não estivéssemos ainda na primeira jornada e, ao fim ao cabo, ainda no fim do nosso… ”período de espera pelo campeonato”.

João Mário assinou o primeiro golo da Liga Portugesa 2015/16  Fonte:  Ivan Del Val/Global Imagens
João Mário assinou o primeiro golo da Liga Portugesa 2015/16
Fonte: Ivan Del Val/Global Imagens

A segunda parte recomeçou como havia terminado a primeira; controlo do Sporting, ainda que sem domínio absoluto. Slimani desperdiçou uma excelente jogada pelo flanco esquerdo e, como se diz na gíria, quem não marca sofre. Naldo acaba por ver marcada a si uma falta que até parece ser ele a sofrer (embora o central tenha sido muito lento na resolução do lance), Tinoco bate muito bem um livre lateral e, perante a hesitação de Patrício, o Tondela acaba por fazer o empate… com recurso à mão de Luís Alberto e à sua posição irregular. Ainda assim, mérito para a equipa estreante na Primeira Liga, que juntou à ineficácia leonina uma dose de astúcia e de oportunismo ao aproveitar as bolas paradas em seu favor.

A meia-hora do fim e com o marcador a indicar a igualdade, Jesus optou por colocar poucos minutos depois Mané e Montero por Ruiz e Téo mas mexeu pouco no jogo. Jefferson ia desperdiçando lance atrás de lance com cruzamentos inofensivos, Slimani dava pouco ao encontro pelas dificuldades técnicas que se agravavam pelo menor espaço de execução e Carrillo ia perdendo fulgor. Colectivamente, a equipa deixou a ansiedade tomar conta de si e o modelo ofensivo ia desaparecendo a pouco e pouco, e com isso também a clarividência na hora de definir os lances. Ainda assim, e já com Gelson Martins, que entrou muito bem, a equipa leonina prosseguiu na busca pelo golo e acabou por ver a vontade reconhecida. Lançamento longo de João Pereira, segunda bola para o jovem extremo lançado por Jesus que sofre penalty claro mesmo em cima do último minuto do desconto. Na cobrança, Adrien a salvar uma exibição individual pouco conseguida e colectiva que, sem deslumbrar, fez por merecer os três pontos.

Segue-se o CSKA, que hoje bateu o Spartak… fora de casa. Um teste sério ao leão!

A Figura 

João Mário – Faz o primeiro golo e faz com que praticamente todo o jogo ofensivo da equipa passe pelos seus pés. De cabeça em cima, clarividente a decidir e até na progressão com bola – aí, já se vê o dedo de Jesus. Aquilani vai ter vida difícil para entrar na equipa.

O Fora-de-Jogo

Jefferson – Inúmeros lances perdidos na busca pelo cruzamento que lhe costuma sair bem mas hoje raramente passou o primeiro homem da área do Tondela. Nas bolas paradas também esteve muito mal, sobretudo nos cantos batidos no lado esquerdo.

 

Foto de Capa: Fábio Poço/Global Imagens

Vem aí o campeonato: Parte II

futebol nacional cabeçalho

Além dos três grandes e dos clubes que tradicionalmente lutam pela Europa, existem obviamente aqueles que batalham ano após ano pela manutenção de forma aguerrida e até aos últimos segundos da competição. É deles que vou falar neste texto.

Começo no Minho, com o Moreirense. Miguel Leal perdeu grande parte do “11 tipo” da época passada. Marafona, Paulinho, Filipe Melo, André Simões, Arsénio e João Pedro rumaram a outras paragens, ficando os centrais Marcelo Oliveira e Danielson como figuras de ligação entre as duas épocas. Como reforços, existem algumas caras bem conhecidas da nossa Liga. O guarda redes Nilson, uma das grandes figuras do Vitória de Guimarães na última década, André Micael, Filipe Gonçalves (ex-Estoril), André Fontes e Rafa Sousa (ambos ex-Penafiel) ou Vítor Gomes, que regressa ao clube depois de seis meses na Turquia. Penso que merecem ainda destaque Sagna e João Vieira, dois elementos que fizeram uma boa época em Chaves e viram essas boas prestações reconhecidas por Miguel Leal.

O Estoril, uma das grandes deceções da temporada passada, está em contrarrelógio para apetrechar o plantel às ordens de Fabiano Soares. O impasse na venda da SAD retirou muito tempo na construção do plantel, desfalcado pelas saídas de referências como Vagner, Ruben Fernandes, Tozé, Kuca, Filipe Gonçalves, Kléber ou Balboa. Para fazer face a este amontoado de saídas, ainda não são conhecidos grandes reforços. A exceção será mesmo Bruno César, que passou pelo Benfica. O brasileiro poderá ser mesmo um dos pilares da equipa, caso esteja na melhor condição física, o que não parece ser o caso, pelo menos neste momento.

No Bessa, apesar da troca de relvado, penso que vai morar uma equipa tranquila e que poderá bater o pé a clubes mais cotados. O Boavista foi uma das equipas que mais me agradou ver na época passada e, felizmente, manteve essa base. Atletas como Mika, Beckeles, Afonso Figueiredo, Idris, Gabriel, Zé Manuel e Uchebo poderão manter a preponderância na manobra da equipa, reforçada com alguns nomes interessantes, dos quais relevo três: Paulo Vinícius, que deverá ser o patrão da defesa depois de já o ter sido em Braga há uns anos atrás, Samuel Inkoom, jogador ganês de grande intensidade que se deu a conhecer ao mundo no Mundial 2010 e Luisinho, extremo que alinhou em quase todos os jogos na época passada pelo Académico de Viseu, marcando uma dezena de golos. Três jogadores mesmo à imagem do treinador Petit, que foi outra das boas notícias da Liga 2014/15.

Em Setúbal, o plantel sofreu uma grande razia com a chegada do novo treinador Quim Machado, mantendo apenas alguns jogadores interessantes como Lukas Raeder, Venâncio, Zequinha ou Suk, além do capitão Paulo Tavares. De entre as caras novas, olho com agrado para o regressado guarda-redes Diego ou para André Claro, avançado de qualidade que veio do Arouca. Uli Dávila, médio ofensivo emprestado pelo Chelsea, pode ser uma das principais figuras da equipa, caso esteja em boas condições físicas e se empenhe a sério nesta decisiva etapa da sua carreira.

Em Coimbra, mora uma equipa histórica e um dos treinadores mais acarinhados na época passada, José Viterbo. O “homem da terra” salvou a equipa do naufrágio causado por Paulo Sérgio e teve este ano a oportunidade de fazer um plantel à sua medida. Emídio Rafael, Rabiola e o guarda-redes Pedro Trigueira são alguns reforços que encaixam na imagem de jogo do clube. Contudo, o cabeça de cartaz entre os novos jogadores é, sem dúvida, Gonçalo Paciência. O jovem ponta de lança emprestado pelo FC Porto vai tentar afirmar-se em Coimbra e não será de espantar que no final da época vá ao Euro 2016 pela Seleção Nacional.

O Arouca foi outra equipa protagonista de uma grande transformação. Trocou de treinador (saiu Pedro Emanuel para entrar Lito Vidigal), mas a construção do plantel, até ao momento, não augura um futuro muito risonho. A chegada de Bracali, que vem substituir Goicoechea, um dos melhores guardiões da última Liga, é a grande notícia até agora. O problema está nas saídas. Iuri Medeiros, Diego Galo, Ivan Balliu, Kayembe ou André Claro eram elementos importantes e as suas ausências não parecem ter sido totalmente colmatadas. Não é de estranhar que venham mais reforços até ao final de agosto.

Gonçalo Paciência jogará em Coimbra para tentar terminar a época em França Fonte: Facebook oficial da Associação Académica de Coimbra/OAF
Gonçalo Paciência jogará em Coimbra para tentar terminar a época em França
Fonte: Associação Académica de Coimbra

Entre os dois primodivisionários, destaque inicial para o Tondela. A equipa de Vítor Paneira, que vai receber o Sporting na primeira jornada, contratou alguns elementos com bastante experiência no nosso campeonato como Matt Jones, os centrais Markus Berger e Kaká, Luís Alberto, médio que se notabilizou no Nacional e em Braga, ou Lucas Souza, que deixou boas indicações nas passagens por Olhão e Moreira de Cónegos. Realce ainda para a armada emprestada pelo Benfica: Romário Baldé, Raphael Guzzo e Jhon Murillo, extremo venezuelano que teve grande destaque quando foi contratado pelas “águias”, mas que nem chegou a vestir a camisola encarnada nos jogos amigáveis. Entre as saídas, é de lamentar a de Tozé Marreco, segundo melhor marcador da Segunda Liga no ano passado.

Por fim, o União da Madeira. Luís Norton de Matos foi chamado para o lugar de Vítor Oliveira e já tem alguns nomes interessantes para fazer frente à nova época. O jovem guardião André Moreira, que se mostrou no Mundial sub 20, Diego Galo (ex-Arouca), Paulinho (ex-Moreirense) e o jovem Tiago Ferreira, formado no FC Porto, são bons valores para ajudar os madeirenses na luta pelos seus objetivos. O sportinguista Filipe Chaby ainda é muito falado para um regresso aos ilhéus e seria, quanto a mim, um ótimo valor acrescentado para a turma de Norton de Matos.

Foto de Capa: Estoril Praia SAD

Aquilani para a pré-reforma ou reencontro com o destino?

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a norte de alvalade

Por força da Supertaça e dos acontecimentos que a precederam e sucederam não tinha tido oportunidade de me pronunciar sobre a aquisição de Alberto Aquilani. Trata-se de um jogador que, desde que surgiu, me despertou a atenção e a quem reconheço enormes qualidades. Contudo, estas apenas foram notórias quando surgiu no seu clube de coração, a Roma, perdendo-se em pequenos fogachos desde que começou o seu périplo fora da Cidade Eterna.

Eleito para substituir Xabi Alonso no Liverpool, então de Benitez, a sua estada ficou-se por um pálido saldo de dezoito jogos, uns mais cinzentos que outros, e um golo, na Premier League. Não terá ajudado muito o facto de ter chegado lesionado e ter apanhado os vermelhos já sem o fôlego que lhes permitiu arrecadar uma Champions e quase um título no ano que antecedeu a chegada do playmaker italiano.

De empréstimo em empréstimo, entre Juventus e Milão, onde teve duas épocas regulares, voltou a Liverpool para descobrir que já não era aí desejado. Acabou por sair para Florença, por uma pechincha de cinco milhões de euros, muito longe dos dezassete milhões de libras que os ingleses desembolsaram antes.

Esteve em Florença os últimos três anos, sendo a sua passagem uma boa representação da sua carreira: promessa à chegada, estagnação e desilusão. Convenhamos que não era fácil a um príncipe romano ser rei onde governaram os Medici e onde a rivalidade entre romanos e viola é profunda e ancestral. Teria de ter feito muito mais para as suas origens serem esquecidas, porém a imagem que deixou entre os adeptos foi a de um jogador talentoso mas acomodado e pouco comprometido com o clube. Em tudo semelhante à impressão deixada em Liverpool.

O italiano é o novo camisola 6
O italiano é o novo camisola 6

São estes insucessos consecutivos que o fazem chegar agora a custo zero ao Sporting. Aquilani foi sempre considerado um jogador de enorme talento mas que, com tempo, criou a imagem de um jogador frágil fisicamente, muito atreito a lesões – o que em algumas épocas foi um facto -, das pequenas lesões, recidivas, até algumas de grande tempo de paragem.

Quando Aquilani rejeita a proposta de renovação da Fiorentina, com corte significativo no vencimento, e escolhe um novo agente para lhe gerir a carreira, imaginava-se como próximo destino a Major Soccer League. Foi para aí que o seu amigo e novo empresário, Andrea d’Amico, já havia levado Giovinco, estimamdo-se que fosse também o Toronto o destino. Esse é o primeiro bom sinal: se fosse pelo dinheiro ou por uma pré-reforma em tons de dourado, certamente que teria já atravessado o Atlântico.

Mas (pode até ser uma coincidência, a noticia saiu quando este artigo estava já escrito), os mesmos sinais de fragilidade estão novamente à vista quando diz que ontem não treinou por lesão. Têm sido esses contratempos que têm aprisionado o génio do italiano numa garrafa, de onde só sai para revelar pormenores como algumas das ilustrações deste post documentam.

É isso que tem faltado a Aquilani: consistência e constância. É esta dúvida que torna estranha a sua escolha, quando sabemos hoje as razões que levaram a descartar Kevin Prince Boateng. Ao contrário do que foi dito do ganês, Aquilani não padece de um problema num ponto específico. As suas lesões consecutivas têm-se manifestado nos tornozelos, joelhos, anca, ligamentos, etc.

Faltará apenas saber o que JJ lhe vai pedir. Pode ser um “8”, pode ser um “10”, onde mostrará a sua qualidade técnica, imprevisibilidade na colocação da bola, que lhe advém de uma qualidade de passe e visão extraordinárias. João Mário e Adrien têm aqui não apenas concorrência mas também um mestre. Dificilmente poderá ser um “6” porque, apesar do seu 1,87m, falta-lhe intensidade e capacidade para sofrer na busca permanente da bola. Esperemos que seja, pois, em Lisboa que Aquilani se reencontre com o destino que há muito lhe é augurado: o de um grande jogador.

Imagens retiradas do facebook do atleta

Liga Inglesa: Uma Primeira Jornada Refrescante!

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cab premier league liga inglesa

Nova época, novos protagonistas. O começo da temporada 2015/16 da Premier League fugiu à previsibilidade, contrariou o favoritismo, nomeadamente entre as equipas que lutam pelo título.

O Chelsea cedeu um empate a dois frente a um Swansea que não desperdiçou as facilidades que lhe foram concedidas (para este nível, claro) pelo campeão e que até podia sair de Stamford Bridge com os três pontos em virtude da pressão exercida no final, ainda que “patrocinada” pela superioridade numérica conseguida graças à expulsão de Courtois. Um dia mau para os blues, mas que seria atenuado com a derrota do Arsenal, em casa, diante do West Ham, por 2-0 (ver “treinador da semana). Porém, na luta (defesa) pelo trono não se pode facilitar, e os rivais de Manchester ganharam terreno. O United com menos brilho (venceu por 1-0, o Tottenham, sem brilho, e graças a um auto-golo de Kyle Walker numa altura em que os Spurs dominavam) que o City, que se impôs em casa do West Bromiwch Albion por uns claros 3-0 que lhe valem, no final da primeira ronda, o primeiro lugar…

… ainda que este seja partilhado com mais seis equipas. Entre elas, os surpreendentes Leicester e Crystal Palace, que deram muito bem conta de si ao vencerem por dois golos de diferença os seus adversários. Os “foxes” golearam o Sunderland por 4-2, num jogo em que demonstraram um futebol atraente (com destaque para Mahrez – ver “figura de jornada”), bem longe daquilo que seria de esperar de um conjunto que é quase unânimemente apontado, pela crítica, como candidato à descida; os “Glaziers”, num encontro onde o reforço Cabaye foi figura de destaque, foram ao terreno do Norwich vencer por 3-1, impondo aos canários, no seu regresso à Premier League, um baptismo algo desagradável…

Legenda: “Mahrez foi a figura da 1ª jornada da Premier League” Fonte: Facebook do Leicester
Mahrez foi a figura da 1ª jornada da Premier League
Fonte: Facebook do Leicester

… situação que se repetiu em Bournemouth, onde a equipa local foi batida pelo Aston Villa, embora por números menos esclarecedores e que refletem as dificuldades dos villains no jogo de estreia do seu adversário – 1-0, o mesmo resultado conseguido pelo Liverpool para bater o Stoke City e que também demonstra o quão complicado foi para os reds bater o seu adversário (aliás, o golo inaugural só surgiu ao minuto 86, através de um remate de longe de Phillipe Coutinho).

A competitividade do campeonato inglês esteve presente em mais dois campos, com o resultado a ilustrar, também, o quão espectacular é este campeonato: 2-2. O Watford impôs essa igualdade no jogo com o Everton, em Goodison Park, estreando-se em grande estilo no regresso à Premier League e o Newcastle deixou fugir a reviravolta lograda no jogo com o Southampton – começou a perder, deu a volta, mas aos 80 minutos repôs a igualdade num jogo em que Cédric Soares esteve em bom plano, assistindo para o primeiro golo dos Saints.

Uma jornada cheia de golos, de resultados que não eram esperados e de novos protagonistas que fazem salivar os adeptos de futebol pelo próximo fim-de-semana de Premier League.

Figura da jornada: Riyad Mahrez (Leicester City)

O extremo argelino começou 2015/2016 da melhor forma ao contribuir com dois golos para vitória do Leicester sobre o Sunderland (4-2), estando, provisoriamente, no topo dos artilheiros da liga divindo a honra do trono com Yaya Touré.

O trabalho de Mahrez não sobressai apenas pelos golos que marcou. A procura pelo desequilíbrio (3 dribles, 6 remates, números máximos na partida), quase sempre bem sucedida (100% de eficácia no drible, 33% no rácio remate/golo, com um dos remates falhados a bater nos ferros da baliza do Sunderland), e a precisão no passe (80%, números invulgares para um extremo) fazem de Mahrez o jogador da semana e a figura da jornada na Premier League

Treinador da semana: Slaven Bilic (West Ham United)

O croata estreou-se da melhor maneira na Premier League e já fez esquecer, por enquanto, o trabalho de Sam Allardyce – foi ao Emirates vencer o Arsenal por 2-0, apresentando uma equipa coesa e bastante competitiva para fazer frente a uns gunners que, de facto, atacaram muito, mas não conseguiram marcar devido ao excelente trabalho posicional, mas também devido à exibição do guardião Adrián – 6 defesas, três delas de bom nível.

Destaca-se, também, a aposta, arriscadíssima, mas claramente ganha, de Bilic na titularidade de Oxford, um míudo de 16 anos que, com Noble e Kouyaté conseguiu, muitas vezes, secar o meio-campo do Arsenal.

Foto de capa: Facebook do West Ham

Liga Brasileira: Queda Livre

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brasileirao

Nunca fiz. Deve ser divertido, mas não tive, até hoje, oportunidade de experimentar a atividade que dá o nome ao nosso artigo. Mas se (literalmente) deve ser uma coisa engraçada para se praticar, já em sentido figurado não tem tanta graça. Analisemos, então, aquelas que são as equipas que à entrada para o segundo terço do Campeonato Brasileiro podem ser consideradas as desilusões.

Primeiro, claro, o Palmeiras. O Verdão, que há umas jornadas até estava a jogar decentemente, aparece com duas derrotas seguidas e caiu da zona de acesso à Libertadores para um pálido sétimo lugar. O Campeonato foge aos paulistas desde 1994. O Cruzeiro, campeão em título, não poderia fazer muito mais e parece começar agora a recuperação com Vanderlei Luxemburgo. O Santos vai vencendo jogos; todavia, não é suficiente para sair do meio da tabela. São Paulo idem.

Já os cariocas do Flamengo, depois de um início de Brasileirão vergonhoso para os pergaminhos do clube, parece ter encetado agora uma tímida subida na tabela. Os congéneres do Vasco da Gama continuam a travessia no deserto e nem com o título estadual no bolso estão a ser capazes de se motivar para garantirem a permanência no principal escalão do futebol brasileiro.

Na frente, só Atlético Mineiro e Corinthians parecem não dar tréguas: até se imitam nos resultados. Os mineiros lideram com dois pontos de vantagem sobre os paulistas.

O desalento de uns contrasta com a alegria de outros Fonte: odia.ig.com.br
O desalento de uns contrasta com a alegria de outros
Fonte: odia.ig.com.br

Mas a maior queda é, de facto, a do Internacional de Porto Alegre. No grande dérbi daquela cidade – o famoso Gre-Nal – o Colorado foi massacrado e o Grémio brindou o eterno rival com um simples (mas malvado) 5-0. Depois da eliminação na Libertadores, competição para que parecia talhada esta equipa do Inter, os pupilos vermelhos já estão longe de um título que lhes escapa desde a década de 70. E, por falar em história, esta foi a pior derrota no confronto número 407 entre os dois emblemas. Quer dizer, a segunda pior. A vitória mais elástica para o lado gremista aconteceu ainda antes de 1910. E o mais triste para os adeptos do Internacional: perderam o comboio do título (estão a 15 pontos do primeiro lugar) e ainda viram o eterno rival subir para a terceira posição. É curioso verificar, mas o Inter de Porto Alegre tem feito boas campanhas internacionais (duas Libertadores neste século, por exemplo), mas eclipsa-se por completo nas provas nacionais.

Curioso também é o facto de o Atlético Paranaense não perder desde a entrada do nosso Bruno Pereirinha no plantel. É verdade que o português só jogou no primeiro jogo (dos três que já poderia efetuar), mas talvez Pereirinha funcione como uma espécie de amuleto lusitano. E que amuleto! Sexto lugar para o Furacão e a Libertadores está à vista!

Liga Alemã: Nova época, a mesma história

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cab bundesliga liga alema

Um verão bastante seco por terras germânicas. A Bundesliga acabou com o Bayern a mostrar-se avassalador e a nova época inicia-se com o mesmo tipo de pensamento. As equipas que tentaram assaltar o trono dos protegidos de Guardiola não se reforçaram devidamente e o defeso de verão acabou por ser fraco quando comparado com a Premier League, único adversário em termos de poderio financeiro e espetáculo.

Passeio do campeão

Continuar a cumprir internamente e vencer a Liga dos Campeões. O primeiro objectivo é um dado (quase) adquirido. A perda de Schweinsteiger é uma baixa importante na equipa mas não é impossível de contornar. Arturo Vidal e Douglas Costa são os reforços sonantes para 2015/2016. O chileno foi um dos destaques da Copa América e demonstrou o porquê de se auto-intitular o melhor médio da europa. Forte a transportar a bola da defesa para o ataque e com faro para golo, o ex-jogador da Juventus não tem o perfil de jogador que encaixe no que Pep Guardiola costuma exigir, sendo mais físico do que cerebral. Porém, é um craque da cabeça aos pés e certamente conquistará o seu espaço no onze bávaro.

O treinador catalão terá, novamente, a tarefa facilitada e, com rumores de que existe uma proposta interessante vinda do Reino Unido, a meta só poderá ser igual à época fantástica de Jupp Heynckes, para uma despedida em glória de um clube onde nem sempre foi tratado da melhor forma.

As ameaças possíveis

O Wolfsburgo foi rival sem força para conseguir manter-se na corrida até ao fim. O primeiro passo decisivo para tentar manter a vitalidade na luta pelo título foi a manutenção do melhor jogador do campeonato transacto, Kevin De Bruyne. O belga esteve numa forma fantástica e juntou todas as qualidades que se podem desejar num médio-ofensivo: visão de jogo, técnica acima da média, capacidade de trabalho e golos. Sem perder nenhum jogador basilar, os comandados de Dieter Hecking conseguiram reforçar-se de forma astuta (embora não tenha chegado nenhum craque) e ainda enfraqueceram adversários directos como o Gladbach – Max Kruse foi uma das figuras do terceiro classificado da época 2014/2015 e é mais uma opção bastante válida para a frente de ataque.

De Bruyne foi o melhor jogador do último campeonato Fonte: Facebook do Wolfsburgo
De Bruyne foi o melhor jogador do último campeonato
Fonte: Facebook do Wolfsburgo

Um pouco mais abaixo no mapa, temos o Bayer Leverkusen. A equipa de Roger Schmidt, treinador alemão que vai aperfeiçoando o seu estilo de jogo vertiginoso, recebeu um talento incrível nos seu plantel. Christoph Kramer, internacional alemão que esteve emprestado ao Borussia Mönchengladbach, é uma peça que encaixa na perfeição e a dupla com Bender promete. A juntar ao médio, temos Mehmedi, avançado que se destacou no Friburgo, Ramalho (treinado por Schmidt em Salzburgo) e Papadopoulos (em definitivo). Uma equipa que tem o prazer de contar com um dos trios mais entusiasmantes do futebol europeu, composto por Bellarabi, Çalhanoglu e Son, e um treinador com ideias interessantes, ganha o direito a sonhar…

O Borussia Dortmund e o FC Schalke 04 são os outros dois possíveis candidatos. Os amarelos e pretos ficaram sem o carismático Jurgen Klopp, mas tiveram a inteligência de substitui-lo com Thomas Tuchel, treinador jovem e que se rege por valores semelhantes ao do antigo técnico. Marco Reus, Mats Hummels e Ilkay Gündoğan para já ficam e, com a contratação de Gonzalo Castro, conseguem manter uma estrutura capaz de fazer uma época bem superior à anterior; o Schalke teve o dom de se reforçar com cabeça, tronco e membros. Na defesa, Matija Nastastic é investimento seguro, sendo um defesa que tem todas as valências para ser uma referência mundial nessa posição. No meio-campo, Johannes Geis, um dos médios mais talentosos da nova geração alemã, foi resgatado ao Mainz e é um upgrade no meio-campo. Junta-se a promessas como Max Meyer, Goretzka ou Sané, que, sem o ultra-conservador Di Matteo, terão mais espaço para brilhar. Na frente, Franco Di Santo é mais uma opção para fazer frente ao matador Huntelaar.

O Gladbach não parece ter capacidade para lutar pelo título, apesar de ser garantido que vai andar pelos lugares cimeiros. As saídas de Kruse e Kramer são difíceis de colmatar e, mesmo com a presença na Liga dos Campeões, o clube ainda não teve grandes reforços. Drmic entrou para a frente de ataque e Christensen, promissor central do Chelsea, são boas adições a um plantel bastante homogéneo, mas parecem faltar individualidades de maior nível para se juntarem a nomes como Sommer, um dos melhores guarda-redes da Europa, Xhaka, que se tornou num médio de topo, ou Herrmann. Face à falta de investimento, sobretudo se tivermos em conta que esta temporada marca o regresso do clube à liga milionária, Lucien Favre terá novamente de provar por que é um treinador de enorme qualidade. A receita será a mesma de sempre: linhas muito próximas a defender e um futebol de transições do melhor que há.

Os restantes

A competitividade da liga alemã leva a que existam surpresas todos os anos. Alguns históricos vão ficando para trás, estreantes surpreendem e equipas sem história vão apresentando estabilidade e ideias para se desenvolver.

O Augsburgo é um dos casos mais notáveis dos últimos anos. A chegada de Markus Weinzierl marcou uma mudança de objectivos. As duas primeiras épocas na Bundesliga foram passadas no fundo da tabela, mas a Europa é agora um sonho bem real. Depois do 8º lugar na época de 2013/2014, a época passada foi fantástica e o clube alcançou a sua melhor classificação de sempre, um enormíssimo 5º lugar para uma equipa que, com um orçamento limitado e sem jogadores com nome, não pediria muito mais do que o meio da tabela. A próxima época adivinha-se com outras responsabilidades e o primeiro passo para o sucesso já foi dado: não perder o treinador, um dos mais interessantes da liga, e jogadores fundamentais no ano anterior. Baba, lateral-esquerdo em ascensão, deve ser a única saída relevante, estando a caminho do Chelsea por 25 milhões de euros.

O Augsburgo quer continuar a cimentar a sua posição no campeonato alemão Fonte: Facebook do Augsburgo
O Augsburgo quer continuar a cimentar a sua posição no campeonato alemão
Fonte: Facebook do Augsburgo

Ir ao fundo e voltar ao topo. Os históricos Estugarda e Hamburgo tiveram um ano para esquecer e agora é altura de dar a volta por cima. O defeso, porém, não mostrou grande vontade de renovar e alterar este ciclo negativo. O velho conhecido Emiliano Insúa foi um dos dois reforços do Estugarda (o outro foi Jan Kliment, avançado checo que brilhou no Euro Sub-21) e o Hamburgo comprou o experiente Emir Spahic, dispensado do Leverkusen, e a antiga promessa sueca Albin Ekdal. Pouca movimentação para dois clubes que necessitam de um urgente plano de reestruturação.

Esta época terá um cenário bastante improvável numa das ligas mais competitivas do mundo, com duas equipas em estreia absoluta mais alta divisão alemã. O FC Ingolstadt 04, clube impulsionado pela Audi e com nomes interessantes como Robert Bauer ou Mathew Leckie, e o SV Darmstadt 98, que acaba por ser o maior candidato à descida, foram os heróis inesperados da última época e é com curiosidade que vemos a sua presença junto de equipas com outra tarimba.

Emoção, estádios cheios e talento de sobra. Os ingredientes estão lançados e a primeira liga alemã promete muita imprevisibilidade, exceptuando no que ao título diz respeito. O Bayern parte na pole position e dificilmente cairá do trono. Será o vencedor natural ou haverá surpresa na classificação final?

Previsões

Campeão: Bayern

Melhor jogador: Arjen Robben (Bayern)

Melhor marcador: Aubameyang (Dortmund)

Melhor assistente: Kevin de Bruyne (Wolfsburgo)

Revelação: Andreas Christensen (Gladbach)

Foto de Capa: Facebook da Bundesliga