Início Site Página 10919

Don Fabio e os Petrodólares – Os Carrascos do Futebol Russo

internacional cabeçalho

«Tudo o que existe no mundo tem algo a ver com dinheiro» – Graham Greene

Sete milhões de euros anuais eram e foram durante algum tempo o vínculo afectivo de Fabio Capello com a selecção russa. O galardoado e tremendamente experiente treinador italiano chegou a seleccionador da equipa russa em Julho de 2012 como uma espécie de Messias que trazia luz a uma equipa que alegadamente havia perdido o norte e saiu em Julho passado, da mesma forma que o Onzeneiro de Gil Vicente chega à barca do Diabo no Auto da Barca do Inferno com um saco de dinheiro às costas, que representa não só a forma como actualmente vive a sua profissão, mas também a especulação financeira e a ganância que se vive no mundo do futebol nos dias de hoje.

O colapso oficial da União Soviética em Dezembro de 1991, precipitado pelas tendências pseudo-democráticas de Boris Yeltsin e por uma Perestroika e uma Glasnost tardias de Mikhail Gorbachev, marcaram um ponto de viragem, de certa forma negativo, para o desporto em geral e para o futebol em particular, não apenas na Rússia, mas também em todas as outras repúblicas que compunham à data a então maior nação mundial. Depois de uma prestação absolutamente medíocre no Mundial de Itália em 1990, ainda sob a forma de URSS, durante a qual os pupilos de Valeriy Lobanovskyi não foram além da fase de grupos (ficando-se pelo mais que modesto 17º lugar), a União Soviética apareceu sob um novo “formato” no Europeu de futebol de 1992. A CEI (Comunidade de Estados Independentes), comandada por Anatoliy Byshovets, o homem que havia levado a equipa da URSS ao título olímpico em 1988 e que teve uma passagem fugaz pelo CS Marítimo há mais de uma década atrás, contava com excelentes jogadores, como por exemplo Igor Shalimov, Andrej Kanchelskis e Igor Dobrovolski, entre outros, mas voltou a desiludir e não foi além da fase de grupos. Um empate contra a super Alemanha e outro contra a poderosa Holanda criaram fortes expectativas em relação a esta recém formada equipa, mas uma surpreendente derrota contra a Escócia por 3-0 no último jogo do grupo deitou tudo a perder.

O fim do Europeu de 1992 marcou o início de uma nova, longa e penosa etapa para o futebol russo, durante a qual tudo estava por fazer e era necessário reorganizar todos os aspectos que à modalidade diziam respeito, num país que estava a ser fustigado por uma violenta crise social, económica e de valores.

A falta de organização que se vivia na estrutura do futebol e também na federação contrastava, e de que forma, com a qualidade dos jogadores e das equipas técnicas que compunham a selecção russa. No primeiro jogo oficial como Rússia, a potência mundial de outrora venceu o México por 2-0 em Moscovo e saiu-se muito bem na fase de apuramento para o Mundial de 1994, que terminou com seis vitórias e dois empates. Liderada pelo lendário Pavel Sadyrin, o homem que havia levado o FC Zenit (na altura Zenit Leningrad) à sua única vitória da Liga de futebol Soviética em 1984, a equipa russa embarcou na aventura do Mundial dos Estados Unidos, mas viria mais tarde a ser considerada como mais um rotundo falhanço, da qual apenas se destacava o memorável feito de Oleg Salenko, que apontou, nada mais nada menos, que 5 golos no jogo contra os Camarões.

Oleg Salenko, o artilheiro russo no Mundial de 94, acompanhado por Valery Karpin e Ilya Tsymbalar Fonte: tribuna.ru
Oleg Salenko, o artilheiro russo no Mundial de 94, acompanhado por Valery Karpin e Ilya Tsymbalar
Fonte: tribuna.ru

Essa excelente geração de jogadores teve mais um teste de fogo: desta vez, no Campeonato Europeu de 1996 pela mão do mestre das tácticas Oleg Romantsev, mas mais uma vez, após uma fase de apuramento quase imaculada, a equipa russa não conseguiu dar boa conta de si no torneio que teve lugar em Inglaterra, ficando-se novamente pela fase de grupos.

De 1997 a 2004, pouco ou muito pouco há a destacar no que respeita à selecção russa, a não ser uma presença vergonhosa no Mundial de 2002 e outra a roçar a banalidade no Euro 2004 em Portugal. Foi um período negro no futebol russo, um período de desnorte total, onde os interesses financeiros faziam rolar cabeças e durante o qual nada de bom resultou para a modalidade.

Em 2006, no entanto, uma luz ao fundo de um longo túnel fez renascer a esperança nos amantes do futebol espalhados por aquela vasta nação. Após falhar a qualificação para o Mundial de 2006, o experiente Yuri Semin abandonou a equipa e entrou para o seu lugar um homem que mostrou por A + B quão simples era colocar uma velha máquina que respirava futebol a carburar sem solavancos novamente, o eloquente treinador holandês Guus Hiddink.

Hiddink rapidamente captou a essência do futebol russo, em tudo muito semelhante ao mecanizado jogo holandês das décadas de 1970 e 1980, e conseguiu levar a selecção russa às meias-finais do Euro 2008, vergando apenas perante a poderosa armada espanhola, que viria a sagrar-se campeã europeia nesse torneio. A Hiddink sucedeu o também holandês Dick Advocaat, que, embora com resultados não tão impressionantes, deu de certa forma continuidade ao trabalho realizado pelo seu conterrâneo.

A Rússia de Guus Hiddink no Euro 2008 Fonte: UEFA
A Rússia de Guus Hiddink no Euro’2008
Fonte: UEFA

Em 2012, a técnica e a ousadia táctica holandesas deram lugar ao conservadorismo italiano e, se tal à partida não tem nada de negativo, na aplicação específica ao futebol russo, o resultado foi desastroso. Depois de não poucas vezes ter deixado os nervos em franja aos exigentes adeptos ingleses aquando da sua passagem pela selecção daquele país, Don Fabio foi anunciado com popa e circunstância pela federação de futebol russa, que via no antigo aluno da Coverciano a capacidade de ganhar títulos internacionais com a selecção russa e, ao mesmo tempo, de a colocar entre as melhores de todo o mundo.

Fabio Capello, que nesta fase da sua carreira demonstra mais interesse por arte do que por futebol, conseguiu levar a Rússia ao Mundial de 2014, mas, e num grupo aparentemente acessível, não conseguiu uma única vitória e somou apenas dois miseráveis pontos, fruto de empates contra a Coreia do Sul e a Argélia.

Ao contrário dos seus antecessores, que de certa forma ressuscitaram o futebol de ataque rendilhado pelo qual os russos sempre foram conhecidos, Capello tentou, sem sucesso, implementar na equipa vários esquemas tácticos conservadores, baseados em contra-ataque, algo que era altamente contrário ao ADN do futebol russo.

Não obstante tantas trapalhadas e incoexistências, Don Fabio já se havia tornado o seleccionador mais bem pago do mundo e, a avaliar por aquilo que as suas atitudes deixam transparecer, tudo o resto pouco ou nada parecia interessar. O experiente treinador italiano queixou-se por diversas ocasiões da falta de jovens talentosos no futebol russo, algo que não deixa de ser estranho se olharmos, por exemplo, para os resultados recentes dos Sub-17 e Sub-19 daquele país.

Capello – o treinador que o “tempo” mudou Fonte: aif.ru
Capello – o treinador que o “tempo” mudou
Fonte: aif.ru

Este Fabio Capello que estava ao leme da selecção russa já não era aquele que liderou com mestria o AC Milan na primeira metade da década de 1990, mas a federação demorou tempo demais a perceber isso e apoiou-o até ao último momento, fosse por pura ignorância ou provavelmente apenas por não ter capital para financiar a sua saída. Por fim, após algumas intrigas palacianas dignas de um romance russo de final de século, Fabio Capello deixou a selecção russa, deixando para trás um vazio de ideias e de valores que só poderá ser colmatado com muito trabalho e alguma genialidade à mistura, independentemente de quem poderá vir a tornar-se o seu sucessor (Leonid Slutsky e Aleksandr Borodyuk lideram a corrida ao posto de seleccionador, de acordo com a imprensa).

FC Porto 3-0 Stoke City: Tudo é mais fácil quando se acerta

0

eternamocidade

Segundo jogo em dois dias e segunda vitória na Colónia Cup para o FC Porto. Este domingo, a equipa de Lopetegui fez mais uma boa exibição e conseguiu uma vitória convincente por 3-0 perante o Stoke City, 9.º classificado na última Premier League. Para o jogo desta tarde, o técnico portista fez uma autêntica revolução no onze: da equipa que havia começado o duelo frente ao Valência, apenas Tello e Aboubakar repetiram a titularidade. A intenção do treinador espanhol era óbvia: com uma distância temporal tão curta entre os dois desafios, era natural que frente aos ingleses houvesse tão grande rotatividade no plantel portista.

Ao contrário daquilo que se poderia considerar – tendo em conta que o onze titular foi composto por quase todas as segundas linhas do plantel (com exceção de Imbula, Tello e Aboubakar) -, o FC Porto acabou por conseguir uma exibição extremamente interessante. Para que isso tivesse acontecido, em muito contribuiu a boa primeira parte que o meio-campo portista teve. Em particular destaque estiveram Imbula e Bueno: o primeiro numa clara dimensão de número 8 rotativo no meio campo; o ex-jogador do Rayo Vallecano tenco como função ocupar a zona entre a defesa e o meio-campo do Stoke. A ligação entre estes dois elementos, ajudados pela solidez dada por Rúben Neves, deu ao FC Porto um jogo interligado entre setores e com uma capacidade de posse em progressão assinalável. De facto, essa foi mesmo a grande diferença da exibição deste jogo para os outros nesta pré-época: o FC Porto foi uma equipa muito mais intensa e rápida em campo, em virtude das movimentações constantes e da dinâmica imposta pelo seu meio-campo.

Nas alas, a ação de Tello e Varela foi fundamental na criação de espaços, enquanto Aboubakar foi sempre o farol ofensivo da equipa, jogando de forma positiva em apoios com o meio-campo e os extremos portistas. Por tudo isso, não foi de estranhar que o jogo tenha sido quase todo disputado no meio-campo defensivo do Stoke, tal foi a diferença de atitude e qualidade evidenciadas pelas duas equipas. Os lances perigosos junto da baliza inglesa foram-se acumulando e o golo acabou por surgir aos 33 minutos por Aboubakar, num desvio perfeito à boca da baliza após cruzamento de Cristian Tello. Depois do desperdício no jogo contra o Valência, o avançado camaronês acabava finalmente por colocar no resultado aquilo que o FC Porto já demonstrava em campo: uma superioridade total. Apenas cinco minutos após o 1-0, a equipa azul e branca acabou por chegar a mais um golo, com a mesma receita. Outra vez pela direita, agora com Ricardo Pereira no cruzamento, foi a vez de Alberto Bueno (boa primeira parte do espanhol) desviar de forma irrepreensível de cabeça. A vantagem era agora dupla para o FC Porto, que seguia para o intervalo com dois golos de avanço e uma bela exibição.

bueno_borussia_fcporto_n
Bueno fez o primeiro golo com a camisola do FC Porto
Fonte: Facebook FC Porto

A segunda parte acabou por demonstrar a face menos interessante dos jogos de pré-época: muitas substituições e paragens, resultando num ritmo de jogo mais baixo. Ainda assim, destaque sobretudo para os primeiros dez minutos portistas, em que Sérgio Oliveira (livre direto) e Varela (isolado perante o guarda redes do Stoke) podiam ter feito o terceiro golo para o FC Porto. Depois desse assomo inicial, Lopetegui e Hughes foram alterando totalmente as peças e com isso a imagem de ambas as equipas. Do lado portista, depois de todas as alterações, destaque para as boas entradas de Sérgio Oliveira e Brahimi, claramente os mais inconformados durante a segunda parte desta partida. Foi mesmo do extremo argelino que chegou o terceiro golo portista, apontado numa grande penalidade superiormente cobrada aos 70 minutos.

É verdade que o troféu da Colónia Cup não vem com a equipa portista no avião de regresso a Portugal, mas o que mais importa após esta competição são as boas indicações que a equipa deu nos desafios frente a Valência e Stoke City. É certo que os resultados na pré-temporada valem o que valem, mas a consistência defensiva que a equipa demonstrou nestes dois desafios é porventura a maior virtude que se pode tirar do desempenho do FC Porto. No ataque, apesar dos dois bons jogos de Aboubakar, fica claramente a ideia que ainda falta mais um ponta-de-lança com outro “instinto” e que possa trazer mais golo à equipa. No meio-campo, falta ainda aquela peça decisiva para resolver jogos e que tanta importância pode ter no jogo ofensivo portista: o tal médio ofensivo rotativo cujo último passe possa fazer toda a diferença na época da equipa de Julen Lopetegui.

 

A Figura
A 1.ª parte do FC Porto –
Solidez defensiva, dinâmica no meio-campo e agressividade no ataque foram a receita para uma primeira parte de bom nível portista. Em plano de destaque estiveram claramente Imbula, Bueno e Aboubakar, os três elementos que mais contribuíram para que a vantagem de dois golos fosse uma realidade ao intervalo.

O Fora-de-Jogo
A exibição Stoke City –
Mark Hughes tem razões para ficar claramente preocupado depois do que viu da sua equipa nesta competição. A uma semana do início da Premier League, exigia-se mais a uma formação que tão bons valores tem e que na época passada esteve tão perto de alcançar um lugar que lhe poderia dar acesso à Liga Europa.

Foto de Capa: Facebook do FC Porto

Arsenal 1-0 Chelsea: Wenger atira os foguetes-1ª vitória sobre Mourinho!

 

O Arsenal venceu esta tarde o Chelsea por 1-0 na Community Shield, a Supertaça inglesa. Pela primeira vez na carreira e perante mais de 85 mil pessoas nas bancadas de Wembley, o francês Arsène Wenger conseguiu derrotar o Chelsea orientado pelo Special One português.

Ambas as equipas entraram em campo com um elemento móvel como homem mais adiantado no terreno (Rémy no Chelsea, Walcott nos gunners) e com uma ausência de peso nas opções (Alexis Sánchez foi baixa no Arsenal, Diego Costa também ficou na bancada a ver a exibição dos blues).

Os primeiros 20 minutos foram muito equilibrados, com um jogo disputado a bom ritmo, tendo em conta a altura da época em que estamos. O Arsenal trocava melhor a bola, com um futebol mais apoiado, de posse, e dando primazia aos passes curtos, enquanto o Chelsea tentava colocar a bola mais direta na frente. Ocasiões de golo, só mais à frente na partida. Aos 24 minutos, e já depois de um cabeceamento de Walcott para as mãos de Courtois, veio o único golo do encontro. O mesmo Theo Walcott, no centro do meio-campo adversário, tocou para a direita, onde Alex Oxlade-Chamberlain, já dentro da área, trabalhou bem sobre Azpilicueta e rematou de pé esquerdo para um golaço que iria valer o primeiro troféu da época para a equipa do Arsenal.

 

: Santi Cazorla felicita o autor do único golo da tarde em Wembley. Fonte: Facebook oficial do Arsenal
Santi Cazorla felicita o autor do único golo da tarde em Wembley.
Fonte: Facebook oficial do Arsenal

O Chelsea parecia ter acordado para a vida com o golo sofrido, mas Ramires, por duas vezes, não conseguiu acertar com o alvo, defendido hoje por Petr Cech, que enfrentou pela primeira vez o clube onde foi figura nas últimas temporadas. O guardião checo esteve sempre muito seguro e foi um dos melhores em campo nesta partida.

À entrada para a segunda parte, Mourinho fez entrar Radamel Falcao para o lugar de Rémy, mas não se notaram melhorias nessa posição específica. O colombiano continua a parecer uma sombra do grande ponta de lança que brilhou no FC Porto e no Atlético de Madrid, deixando os adeptos blues a suspirar pelo regresso de Diego Costa. Apenas no final do primeiro quarto de hora do segundo tempo chegou uma verdadeira ocasião de golo para o Chelsea. Já com Oscar em campo, Fábregas assistiu Hazard e o belga, em grande posição para alvejar a baliza de Cech, rematou para as nuvens. Um grande falhanço do astro belga, que hoje também esteve alguns furos abaixo do que sabe fazer. Alías, toda a equipa do Chelsea terá de fazer melhor se quiser continuar a ganhar títulos em Inglaterra.

Poucos minutos depois, mais uma grande chance para os comandados de Mourinho. Após falta de Coquelin sobre Hazard à entrada da área, Oscar bateu o livre por cima da barreira mas Petr Cech fez uma defesa fantástica que deve ter levado as lágrimas aos olhos dos seus antigos adeptos. Arsène Wenger acertou em cheio no resgate deste experiente guarda-redes, e a prova disso é que hoje conseguiu uma das vitórias mais saborosas da sua vida, ao ter desfeiteado um dos seus maiores rivais no futebol, José Mourinho.

O português ainda arriscou nos últimos minutos, com a entrada de Moses por troca com John Terry, mas, até ao fim, o Chelsea continuou inofensivo e foi o Arsenal quem esteve mais perto de marcar. Thibaut Courtois não quis ficar atrás do seu antigo colega de equipa e foi gigante ao negar o golo a Santi Cazorla e depois a Kieran Gibbs.

Para a história ficam o resultado, a vitória dos gunners no primeiro troféu da época e a promessa de que este ano o campeonato deverá dar mais trabalho para ser conquistado pelos “blues” do que na época passada. O Arsenal e o Manchester United parecem mais consistentes e prometem dar mais luta a um Chelsea que ainda parece um pouco preso de movimentos. Na minha opinião, serão estes os três principais candidatos à Premier deste ano.

Pode ser esquisito isto que eu vou escrever, mas é a verdade: foi Wenger quem venceu o primeiro “round” em 2015/16.

A Figura

Oxlade-Chamberlain – O atacante inglês esteve muito bem no jogo, teve algumas arrancadas estonteantes pelo flanco direito (Azpilicueta foi “obrigado” a ver o amarelo por causa dele) e marcou o golaço que decidiu o encontro. Jogo em cheio para o inglês, muito bem acompanhado pelo seu guardião Petr Cech, que fez a defesa da tarde.

O Fora-de-Jogo

Rémy/Falcao – Cada um jogou uma parte, mas apenas retiro um apontamento positivo: um cruzamento de Rémy na primeira parte para uma cabeçada perigosa de Ramires. Notou-se muito a falta de Diego Costa e isso é principalmente culpa dos homens que o substituíram. Ver Falcao jogar assim até dá pena…

Foto de capa: Facebook oficial do Arsenal

PSG 2-0 Lyon: Mais um caneco para Paris em ritmo de passeio!

0

cab ligue 1 liga francesa

O PSG venceu a sua 5.ª Supertaça da história, a 3.ª consecutiva, desta feita em Montreal, no Canadá, frente a um frágil Lyon, num jogo de sentido único e que ficou resolvido nos primeiros 17 minutos.

O tricampeão francês até nem entrou da melhor forma na partida, sem conseguir ter a posse de bola, mas da primeira vez que foi à área adversária inaugurou o marcador, aos 11 minutos. Lucas cobrou um livre, a meio do seu meio-campo ofensivo, descaído para a direita, e colocou o esférico perto da zona de penálti, onde Aurier surgiu a falhar o cabeceamento, acertando com as costas na bola, fazendo-a sair da zona de perigo. David Luiz vai recuperá-la perto da linha de fundo, do lado direito, e cruza para a pequena área, onde Aurier mergulha e faz mesmo o golo.

O Lyon perdeu a organização tática que teve nos 10 minutos iniciais com este golo e seis minutos mais tarde sofreu o segundo, que, praticamente, sentenciou a partida devido à diferença de qualidade dos dois conjuntos. Rabiot iniciou a jogada, deu em Aurier na direita, que fez um passe em profundidade, soltando Ibrahimovic dentro da área. O sueco rematou e proporcionou a Anthony Lopes uma boa intervenção, mas na recarga surgiu Cavani a fuzilar autenticamente o guarda-redes português. Demasiado fácil para os parisienses!

11800255_709912105776756_6670290792045665003_n
Cavani fez o golo da noite e sentenciou a partida
Fonte: Facebook de Trophée des Champions

A equipa mais forte chegou à vantagem na partida e a partir dali o seu meio-campo segurou a bola, guardou-a e fez o Lyon correr atrás dela. Rabiot, Verrati e Matuidi foram donos e senhores do jogo e contaram sempre com a ajuda de Ibra, que baixava no terreno para ajudar a construir jogo. Lucas dava a profundidade pela direita e Cavani fazia de falso extremo-esquerdo, ocupando muito as zonas centrais. Na defesa, Thiago Silva e David Luiz nunca foram postos à prova, tal como o guarda-redes Trapp, em estreia oficial, que relegou Sirigu para o banco. Na lateral-esquerda, Maxwell fez um jogo discreto, ao contrário do lateral-direito costa-marfinense, Serge Aurier, que foi o melhor em campo. Incansável naquele lado direito, sempre no apoio ao ataque, a aparecer em zonas de finalização e a servir com qualidade os seus colegas. Será, sem dúvida, um excelente reforço para Laurent Blanc, numa posição onde Van der Wiel nunca se conseguiu afirmar.

No Lyon, nota negativa para toda gente, à exceção de Anthony Lopes, que evitou que o resultado fosse mais avolumado. Nem a estrela Lacazette deu um ar da sua graça, nem Gonalons conseguiu ser um pêndulo no miolo, acabando expulso ao minuto 63, por acumulação de amarelos. Foi o guarda-redes português o melhor do Lyon, e ao minuto 43 evitou mesmo que Ibra marcasse mais um grande golo na sua carreira. Lucas Moura cruzou e, na pequena-área, o sueco de calcanhar atirou para a baliza. Valeu a enorme defesa do guardião. Na recarga, Matuidi atirou por cima.

11203163_10153214023513972_5987968319696495355_n
Anthony Lopes fez uma exibição excelente, mas insuficiente
Fonte: Facebook Olympique Lyonnais

A toada do jogo foi sempre lenta e nem parecia que se estava a disputar um troféu. O PSG foi gerindo como quis, o cronómetro foi correndo e sempre que os parisienses aceleravam surgia um lance de perigo, que, invariavelmente, Anthony Lopes foi anulando. Cavani, Ibra, Lucas, Aurier e novamente Ibra desperdiçaram oportunidades, enquanto Trapp nem sequer trabalho, digno desse nome, teve. No final, Thiago Silva levantou a 5ª supertaça da história dos parisienses, numa vitória justa da melhor equipa francesa da atualidade, que hoje em dia já se torna bem maior que o campeonato francês. Não há nenhuma equipa que, qualitativamente, se aproxime do PSG, e esta vitória é só o início de mais uma caminhada que em França deve ser calma e culminar no tetracampeonato, a não ser que algo inesperado e inacreditável aconteça. E com Di Maria este PSG pode ser temível!

 

Figura do Jogo: Serge Aurier – o lateral costa-marfinense, após um ano de empréstimo, apresentou-se em grande nível, marcou um golo, esteve no lance do outro e foi um dos grandes impulsionadores do ataque do PSG, que usou muito a asa direita para chegar à área adversária. Uma boa aquisição para uma posição que nunca teve um dono e senhor do lugar.

Fora de Jogo: os 10 jogadores de campo do Lyon – uma nulidade, o jogo do Lyon, com a exceção do guarda-redes português, que foi evitando o dilatar do resultado. O ataque não deu trabalho a Trapp e a defesa nunca acertou com as marcações e nunca conseguiu juntar as linhas para impedir que Ibra passeasse classe entre os centrais e os médios. Há muito para corrigir para o início de campeonato.

Sporting 2–0 AS Roma: O imperador foi o leão

rugir do leao duarte

O Sporting recebeu e venceu este sábado a equipa Romana, conquistando assim mais uma vez o Troféu 5 Violinos. A equipa de Alvalade demonstrou grandes melhorias relativamente aos jogos anteriores, e, apesar de ainda faltarem limar algumas arestas, penso que os sportinguistas podem estar confiantes relativamente ao desfecho do encontro da Supertaça frente ao Benfica.

Jorge Jesus fez alinhar um 11 com algumas surpresas: a dupla de centrais, ao contrário daquilo que tinha acontecido na África do Sul, foi composta por Paulo Oliveira e Naldo; Bryan Ruiz, que foi substituído ao intervalo devido à falta de ritmo que ainda denota, alinhou na ala esquerda; e Teo Gutierrez fez dupla na frente de ataque com Slimani. Realço pela positiva a excelente prestação da dupla de centrais. Parece que estava errado no que a Naldo diz respeito e, ainda, mesmo tendo em conta o pouco tempo de jogo, a prestação de Bryan Ruiz, que deixou excelentes indicações. No entanto, como disse, ainda estão algumas arestas por limar, e o colombiano Teo Gutierrez está nitidamente em fase de adaptação.

No capitulo tático, realço o posicionamento de ambos os extremos da equipa leonina – sempre colocados em zonas muito interiores – e ainda a rápida reação à perda da bola, que só é possível devido à linha defensiva se encontrar bastante subida. Confesso-me bastante surpreendido com a rapidez com que a equipa já conseguiu interiorizar todos estes conhecimentos que, diga-se, não são nada fáceis de pôr em prática.

Bryan Ruiz deixou boas indicações Fonte: Facebook do Sporting
Bryan Ruiz deixou boas indicações
Fonte: Facebook do Sporting Clube de Portugal

No capítulo individual, destaque mais do que merecido para Slimani e ainda  para Jefferson. O argelino voltou a realizar uma excelente exibição coroada com um golo, após canto executado precisamente pelo brasileiro. Pela negativa, e numa altura em que tanto se fala da renovação do peruano, André Carrillo tem de fazer bastante melhor do que mostrou hoje em Alvalade.

Como sportinguista, penso que a nação verde e branca pode e deve estar bastante confiante para os difíceis desafios que o quente mês de agosto nos reserva.

Foto de capa: Facebook do Sporting Clube de Portugal

Supertaça Alemã: Wolfsburgo 1-1 Bayern Munique (5-4 nas g.p.). Heróis inesperados tornam história de sonhos em realidade

0

cab bundesliga liga alema

O Wolfsburgo conseguiu averbar a primeira Supertaça da Alemanha na primeira tentativa (oficial). Já o gigante Bayern, de Pep Guardiola, voltou a falhar essa façanha… pela terceira vez consecutiva. Final improvável de uma história animada do início ao fim (uma intensidade impressionante para primeiro jogo da época), que teve em Bendtner e Casteels os protagonistas.

Desde o início foi notória a importância deste encontro, sobretudo para o Bayern, que entrou forte, dispondo de duas boas oportunidades nos primeiros oito minutos. Primeiro, usando uma prática comum ao longo do encontro – lançamentos longos para as alas -, conseguiu criar perigo depois de Boateng descobrir Douglas Costa, que ganhou as costas a Vieirinha e cruzou tenso para a área, onde Xabi Alonso e Lewandowski, perto da baliza do Wolfsburgo, falharam a chance de inaugurar o marcador. Depois, foi com um canto em que Boateng aproveita uma bola perdida para rematar à trave da baliza de Casteels.

O Wolfsburgo respondeu, e Vierinha conseguiu sacudir um bocado a pressão sufocante que Douglas Costa lhe ia exercendo, envolvendo-se no ataque para um disparo que passou perto da baliza do Bayern, dando o mote para uma fase em que o Wolfsburgo começou a ter uma palavra a dizer no encontro (segunda metade da primeira parte), reequilibrando a partida. Isto ficou ilustrado num lance em que Perisic, após canto, cabeceia com perigo a rasar a baliza contrária. O croata voltaria a causar perigo, ganhando a costas a Alaba para ir à linha de fundo cruzar para um desvio involuntário de Benatia, que só não deu golo graças aos reflexos de Manuel Neuer.

O jogo estava oficialmente partido, e o Bayern conseguia reagir em contra-ataque, mas o excesso de generosidade de Douglas Costa acabou por ser prejudicial para as suas cores – em posição privilegiada, ofereceu o golo a Lewandowski, mas o polaco já tinha oposição. Depois disto, o Wolfsburgo voltaria a causar calafrios aos campeões alemães, desta vez num lance de jogo directo, em que Naldo lança De Bruyne, o belga tira Benatia e Neuer do lance com um toque de cabeça e falha o golo com a baliza escancarada.

A segunda parte entrou com menos oportunidades, mas mais… golo. O Bayern inaugurou o marcador num lance parecido com a primeira oportunidade de perigo dos campeões alemães, em que Douglas Costa recebe a bola no flanco esquerdo e cruza tenso para a área contrária, onde está Robben a aproveitar uma defesa mal conseguida de Casteels, disparando para o fundo da baliza.

O Wolfsburgo nunca desistiu. Criaria perigo com um cabeceamento de Kruse a obrigar Neuer a estender-se para defender, e com um lance em que Bas Dost, isolado por De Bruyne, atira à figura do guardião alemão. Eram os vencedores da Taça da Alemanha em busca do golo, expondo-se, naturalmente, para o fazer, o que deu azo a alguma permeabilidade na sua zona defensiva, porém, não aproveitada pelas várias saídas rápidas do Bayern em busca, também, do desgaste do adversário…

O momento que deu a Supertaça ao Wolfsburg Fonte: Facebook oficial da Bundesliga
O momento que deu a Supertaça ao Wolfsburgo
Fonte: Facebook oficial da Bundesliga

… que se refrescou bem, contudo. Especialmente no ataque, com a entrada de Bendtner e Kruse para os lugares de Bas Dost e Perisic (respectivamente). O dinamarquês viria a empatar o encontro, levando-o para as grandes penalidades, culminando num lance fantástico – começou numa abertura espantosa de Guilavogui para o flanco direito, onde apareceu De Bruyne, em velocidade, a cruzar de primeira para o primeiro poste, para a conclusão do escandinavo.

Nos penáltis, Casteels defendeu o de Xabi Alonso, e Bendtner marcou a sua grande penalidade, decisiva. Heróis improváveis de uma história que teve um final inesperado, mas feliz, protagonizada por um dinamarquês que há muito andava afastado das luzes da ribalta e por um jovem guarda-redes belga que, em circunstâncias normais, seria relegado para o banco de suplentes, não fosse a lesão do guardião principal.

A Figura:

Nicklas Bendtner – O dinamarquês tocou seis vezes na bola, e em duas delas foi decisivo. Na primeira, empatou o jogo, na segunda, converteu a grande penalidade que deu o título ao Wolfsburgo. Douglas Costa, Guilavogui ou Perisic estiveram muito mais em jogo e qualquer um deles poderia receber o galardão de melhor jogador em campo, mas o ponta-de-lança do Wolfsburgo foi… a figura.

O Fora-de-jogo:

Perisic- Num jogo tão bom, é difícil arranjar alguém que se destaque pela negativa. O croata, apesar da boa exibição, teve uma atitude pouco condizente com o espirito competitivo que se viveu na VW arena ao atirar a bola para o arbitro, em protesto, quando já tinha sido substituído e a equipa estava a perder. Um mau exemplo que podia ter tido piores repercussões que o amarelo que viu do juiz da partida

Foto de capa: Facebook oficial do Wolfsburg

Colónia Cup – FC Porto 0-0 Valência (5-4 nas g. p.): O 4-3-3 não engana

0

cabeçalho fc porto

Ao quinto jogo de preparação e primeiro na Colónia Cup, o FC Porto conseguiu ir de encontro à sua génese. A jogar (do início ao fim) no tradicional 4-3-3, os comandados de Julen Lopetegui conseguiram superiorizar-se ao Valência, orientado pelo bem conhecido Nuno Espírito Santo. Frente a uma equipa bem mais próxima da máxima força, notou-se já uma maior definição daquilo que Lopetegui pretende para o arranque oficial da temporada 2015/16.

Casillas repetiu a titularidade. No quarteto defensivo, Maicon (capitão de equipa) e Marcano tiveram a companhia de Maxi Pereira e Alex Sandro, nas laterais. Danilo Pereira desempenhou as funções de médio mais recuado, com André André e Evandro a completarem o trio do meio campo. Na frente, Brahimi e Tello ficaram encarregues de desequilibrar nas alas e de municiar o ponta-de-lança Aboubakar.

O FC Porto entrou forte na partida e, logo aos dois minutos, Aboubakar atirou à barra da baliza de Mathew Ryan (reforço da equipa che), após um belo cruzamento de Maxi Pereira. O segundo sinal de perigo foi dado por Danilo Pereira, que, numa iniciativa individual rematou um pouco por cima. Até aos 25 minutos, o domínio foi azul e branco e Maxi e Aboubakar por pouco reeditaram com sucesso a parceria estabelecida anteriormente: num movimento semelhante, o camaronês domina no coração da área, mas volta a falhar a alvo.

Ao intervalo, era clara a ideia de maior desenvoltura transmitida pelos “dragões”. Com toque de bola fluido e bom entendimento entre os setores, Brahimi, Danilo Pereira e Aboubakar foram os atletas mais em foco. Ainda assim, sinal menos para Tello, que passou completamente ao lado do jogo e não tomou uma única decisão correta, e para Herrera, que, entrado para o lugar do lesionado Evandro, evidenciou alguma falta de ritmo e entrosamento com os colegas. O Valência apresentou-se aquém do esperado, com alguma confusão no miolo: Enzo Pérez jogou como trinco e Danilo (emprestado pelo Sp. Braga) assumiu-se como ‘box-to-box’, não facilitando o processamento das operações por parte dos médios.

No regresso dos balneários, Imbula e Varela ocuparam as vagas dos apagados Herrera e Tello, respetivamente, e Indi substituiu Marcano, sendo que o jogo foi reatado sob uma toada mais lenta. Um duplo desentendimento entre Maicon e Maxi gerou alguma intranquilidade à entrada da área portista, e o golo da equipa espanhola só não surgiu porque Martins Indi cortou o remate de um jogador valenciano na “hora H”.

11817239_10153532384009485_7711959196438209051_n
Iker Casillas defendeu o penálti decisivo e foi considerado o MVP da partida
Fonte: Facebook FC Porto

Com o avançar do tempo, mais substituições de parte a parte foram efetuadas e o jogo perdeu qualidade, além de ser pautado por várias interrupções por falta. No entanto, aos 70 minutos, o FC Porto voltou a acelerar e voltou a criar dificuldades ao adversário: Indi, em posição privilegiada, cabeceou por cima da baliza do Valência na ressaca de um pontapé de canto e em cima do cair do pano, Sérgio Oliveira acertou na trave, num belo remate de pé esquerdo, mas que foi incapaz de impedir a marcação de pontapés da marca de grande penalidade.

Para o FC Porto, Varela, Maicon, Imbula, Rúben Neves e Indi converteram, sendo que apenas Sérgio Oliveira falhou. Do lado da turma de Nuno, Javi Fuego atirou ao ferro e João Cancelo permitiu a defesa de Iker Casillas, que, por sua vez, ofereceu a vitória aos azuis e brancos. Nas grandes penalidades fez-se justiça. O FC Porto foi claramente superior a um Valência sem ideias e muito longe do andamento exigido para a disputa de um play-off de acesso à Liga dos Campeões. Os pupilos de Lopetegui também ainda não estão “no ponto”. Nem perto disso. Mas o jogo de hoje confirmou o irrefutável: o 4-3-3 é o sistema que serve as qualidades dos jogadores do Porto atual. Mas é importante ressalvar a necessidade da equipa em ter uma presença madura na área: Osvaldo é praticamente certo e, em termos qualitativos, aproxima-se daquilo que o FCP precisa. No meio-campo, e mesmo tendo em conta a boa resposta dada neste certame, falta um médio que ligue o miolo ao ataque; o regresso de Óliver seria ouro sobre azul. Sem grandes destaques individuais (à exceção de Brahimi, que parece estar de regresso aos “velhos tempos”), mas com solidez coletiva, os adeptos portistas podem descansar. Os índices competitivos vão subindo, e os bons momentos já surgem com alguma frequência. Falta encaixar mais duas peças e não há que enganar: o FC Porto estará preparado para a nova época.

 

Figura do jogo: Yacine Brahimi – Assim sim. Enquanto esteve em campo, o argelino não deve ter perdido uma bola e conseguiu sempre desconcertar os opositores que se colocavam no seu caminho. Se conseguir perpetuar o brilhantismo, será, porventura, o maior “reforço” de Lopetegui para a nova temporada. O regresso, depois do desaparecimento, em janeiro último.

Fora-de-jogo: Quantidade de faltas assinaladas – Desde o início do encontro, o árbitro evidenciou um critério demasiado severo. Tendo em conta o cariz particular da partida, algumas irregularidades podiam ter passado em branco. Na segunda parte, a dureza dos intervenientes aumentou e as interrupções foram uma constante, algo que não beneficiou em nada a qualidade do espetáculo.

Volta a Portugal 2015: Gustavo Veloso já é líder

Cabec¦ºalho ciclismo

Três dias de Volta a Portugal e já temos algumas diferenças significativas na geral individual. Como esperado, o top10 é composto apenas por ciclistas da Península Ibérica. Dos 3 ciclistas espanhóis, 2 deles estão nos dois primeiros lugares da classificação geral.

Começando pelo prólogo, foi realmente um percurso com algumas complicações, apesar de ter sido curto. Parte era irregular, o que não ajudou certos ciclistas. Além do mais, tinha uma subida que fazia a diferença nas contas finais (alguns ciclistas que fizeram grandes tempos até ao ponto intermédio – um pouco antes dessa subida – não conseguiram continuar assim até ao final e foram perdendo alguns lugares até terminarem).

Um dos destaques antes deste contrarrelógio era o jovem ciclista Rafael Reis. O 4.º classificado do CR dos Mundiais de 2014, depois de fazer mais de metade do percurso, teve um problema com a bicicleta e acabou por ter de trocá-la. Era um daqueles de quem se esperava melhor resultado no final desta etapa, mas acabou por ter azar e foi “em modo passeio” até ao fim. De certeza que estará ansioso pelo CR na penúltima etapa para remediar este prólogo.

No final, foram os belgas que dominaram e conseguiram ter 2 ciclistas no pódio, sendo que Gaetan Bille foi mesmo o vencedor da etapa (Gustavo Veloso – vencedor da Volta a Portugal do ano passado – ficou a muito pouco de voltar a vestir a camisola amarela e teve de se contentar com o 2.º lugar).

A primeira etapa não ofereceu grande história, além da típica fuga. Alberto Gallego, contrariando a vontade e, provavelmente, as ordens da equipa, foi para a fuga e acabou por ser o último homem a ser apanhado. O espanhol desgastou-se e perdeu tempo desnecessário para o pelotão. Certamente a equipa de Rui Sousa não deverá ter ficado nada contente com esta iniciativa de um dos jovens mais promissores deste pelotão, isto porque, em princípio, Gallego poderia servir como uma espécie de plano B caso Rui Sousa não se mostrasse capaz de voltar a liderar a equipa no alto dos seus incríveis 39 anos.

Gustavo Veloso já é camisola amarela Fonte: Facebook da Volta a Portugal
Gustavo Veloso já é camisola amarela
Fonte: Facebook da Volta a Portugal

A vitória acabou por ir para o espanhol Vicente de Mateos (ciclista que foi expulso da Volta o ano passado, devido a desacatos com outro ciclista), que bateu ao sprint homens como Samuel Caldeira, Davide Vigano e Filipe Cardoso. Nota para um excelente ataque final por parte de José Gonçalves, que surpreendeu todos e quase conseguia a vitória (ainda terminou no 7.º lugar da etapa). A amarela continuava na posse do belga Gaetan Bille.

A segunda etapa foi melhor, mas só começou a “aquecer” nos quilómetros finais, onde tivemos alguns ataques. Antes disso, Bruno Silva conseguiu voltar a entrar na fuga para cimentar a sua liderança na classificação da montanha. Depois de vários ataques, a vitória foi discutida, claro está, entre um espanhol e um português. Délio Fernandez e José Gonçalves conseguiram sair na melhor altura do pelotão muito reduzido (onde estava a maioria dos favoritos, sendo que o anterior líder da geral, Gaetan Bille, perdeu o contato a poucos quilómetros do final) e decidiram ao sprint a vitória, que foi mesmo para o ciclista espanhol. José Gonçalves volta a não conseguir vencer (neste momento, é o “Peter Sagan” da nossa Volta) e Délio Fernandez mostra que, apesar de ter Gustavo Veloso como seu líder, está pronto para discutir a vitória, caso o seu líder tenha um dia menos bom e perca alguns segundos para os principais favoritos.

Na classificação geral, os 3 primeiros da etapa de hoje são igualmente os 3 primeiros da geral individual (por ordem: Gustavo Veloso, Délio Fernandez e José Gonçalves). Para amanhã, na chegada a Fafe, estará prevista uma chegada ao sprint, sendo que no Domingo teremos uma das mais míticas etapas da nossa Volta, que terminará em Mondim de Basto (no alto da Senhora da Graça).

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal

SCR Altach 2-1 V. Guimarães: Quem era o estreante afinal?

liga europa

A deslocação do Vitória ao Tivoli Innsbruck, casa emprestada do Altach para as provas europeias, poder-se-ia perspectivar como relativamente acessível para abrir as hostilidades no que a jogos oficiais dizia respeito. No entanto, a contabilidade final veio a demonstrar que as facilidades só no plano teórico fariam sentido, uma vez que a formação vimaranense acabou por ficar aquém das expectativas traçadas.

Armando Evangelista optou por lançar de início Arrondel na lateral direita em detrimento de Pedro Correia, uma dupla de centrais formada por João Afonso e Moreno, entregando a lateral esquerda a Luís Rocha. No meio campo, ficou-se de imediato a perceber que a vertigem ofensiva não seria a nota dominante, ao escalar uma parelha defensiva com Cafú e Bruno Alves. Montoya ficaria com o papel de condimentar o meio campo, Alex e Valente nas alas e a dianteira reservada para Tomané.

Os homens da casa rapidamente tentaram deixar vincada a sua posição, ameaçando seriamente as redes por duas vezes antes de se atingirem os cinco minutos da partida; valeu a falta de acerto de Netzer à entrada da pequena área e a boa estirada de Douglas momentos depois. Na outra baliza, Alex esteve perto de gelar a assistência com uma autêntica bomba que só a barra conseguiria suster. Iniciava-se assim o melhor período da turma portuguesa, facilmente se percebendo que o recurso à falta iria ser a mais eficaz forma de suster a maior capacidade técnica dos visitantes. Tomané dispôs de ocasião soberana com a baliza à sua mercê, mas uma intercepção in extremis evitou o golo à passagem do quarto de hora e escassos minutos depois, Lukse, com uma intervenção milagrosa, evitou um autogolo na sequência de um lance de bola parada.

Poucos preveriam o desnorte que estava prestes a suceder. Num contra-ataque muito bem conseguido, só um corte em cima da linha por intermédio de Cafú evitou o golo do Altach, aliviando pela linha de fundo; do canto, e perante alguma passividade na marcação vitoriana, Mahop cabecearia para o fundo das redes de Douglas, levando ao delírio as hostes austríacas com o primeiro golo europeu de sempre da história do clube. Antes do intervalo, e uma vez mais de bola parada, o Altach podia ter ampliado a vantagem.

O Vitória tendia nesta fase a conseguir ter durante mais tempo a posse do esférico, mas quase invariavelmente decidia de modo inconsequente. A tendência manter-se-ia no início da segunda metade, mas com uma quebra acentuada de qualidade na circulação de bola. Não obstante, e sem justificar tamanho fosso no marcador, o Altach haveria de fazer o segundo. João Afonso, algo ingénuo na abordagem a um passe longo, daria demasiado espaço a Aigner, que, na cara de Douglas, arrancaria a ferros uma grande penalidade. Bola para um lado, guarda-redes para o outro e missão bastante complicada para os comandados de Evangelista.

O Altach fez a festa frente ao V. Guimarães Fonte: Site Oficial do Altach
O Altach fez a festa frente ao V. Guimarães
Fonte: Site Oficial do Altach

Depois, e até à entrada de Henrique Dourado aos 70 minutos, quem assistiu ao jogo pôde presenciar uma quase total incapacidade do Vitória em furar a compacta muralha adversária e um Altach bastante satisfeito com o rumo dos acontecimentos. Alex, então, inventou uma assistência brilhante para Tozé (entrou para render Montoya aos 50’), que fugiu à apertada marcação e disparou cruzado para um golo que se pode vir a revelar decisivo na eliminatória. A confiança e o atrevimento que faltaram durante boa parte da contenda pareciam ter finalmente surgido e o recém entrado Henrique esteve muito perto de ter a estreia de sonho, servido com conta, peso e medida por Arrondel; valeu a segurança de Lukse uma vez mais.

O jogo terminaria sem mais ocasiões de relevo, mas com uma certeza: a equipa portuguesa, apesar da derrota e da pálida imagem deixada em Innsbruck, tem outros pergaminhos para levar a melhor na eliminatória e seguir para o playoff de acesso à fase de grupos. Porém, a organização e a determinação evidenciadas na região do Tirol pelos homens da casa prometem uma segunda mão bastante intensa e sem vencedores antecipados. O jogo de hoje foi a prova cabal de que ter algum calo em provas europeias de nada vale se for desacompanhado de eficácia.

A Figura: Lukse – O guarda-redes austríaco esteve bastante seguro e transmitiu essa confiança ao sector mais recuado. Com algumas excelentes intervenções segurou o triunfo histórico do Altach no jogo de estreia em provas da UEFA.

O Fora de Jogo: Armando Evangelista – A opção pela dupla Cafú-Bruno Alves no meio campo mais defensivo foi a face mais visível do excessivo respeito perante um imberbe adversário nestas andanças. Tardou em mexer nas peças, mesmo quando esteve perto do descalabro. Tozé revigorou o meio-campo, Henrique entrou demasiado tarde e Licá foi chamado já nos descontos. Seguramente uma estreia para esquecer à frente da equipa principal.

Belenenses 2-1 IFK Gotemburgo: A experiência ainda é um posto

liga europa

O Belenenses deu, esta quinta feira, um passo importante rumo ao playoff de acesso à fase de grupos da Liga Europa depois da vitória por 2-1, no Estádio do Restelo, frente ao Gotemburgo. Eram duas equipas com rotação diferente as que entravam no relvado do Restelo: do lado do Belenenses, este era apenas o primeiro jogo oficial da temporada; na equipa sueca, o duelo frente aos lisboetas era “apenas” mais um numa época que já contempla dezassete jogos disputados no campeonato do seu país. A liderança após 17 jornadas disputadas fazia deste Gotemburgo o claro favorito frente a um Belenenses que desde 2007 que não anda nas lides europeias. A última vez da equipa do Restelo na Liga Europa havia sido há oito épocas, com Jorge Jesus no comando técnico, numa eliminatória frente ao Bayern vencida pelos alemães.

No jogo desta noite, Ricardo Sá Pinto – técnico que já havia disputado a competição como treinador no Sporting – surpreendeu no onze inicial. Apesar de ter lançado o 4x4x2 expectável em termos táticos, o ex-jogador surpreendeu ao colocar o reforço André Sousa – proveniente do Académico de Viseu – junto ao outro reforço Rúben Pinto – emprestado pelo Benfica – no duplo pivot da equipa do Restelo. À frente destes dois médios, Sá Pinto colocou o tridente que já vinha da época passada, com Sturgeon, Miguel Rosa e Carlos Martins no apoio ao ponta de lança Abel Camará. De destacar que neste onze, o Belenenses tinha apenas quatro repetentes em relação ao último jogo oficial da época passada: Ventura, Gonçalo Brandão, Carlos Martins e Fábio Sturgeon. Do lado sueco, o 4x4x2 foi também o esquema tático utilizado, com o treinador Jorgen Lennartsson a optar preencher o meio campo com Svensson, Eriksson, Dalence e Rieks. Na frente do ataque, os suecos contavam com  Engvall e Bovan para explorarem a falta de velocidade dos centrais do Belém.

Ainda assim, é caso para dizer que a primeira parte do Belenenses foi de luxo. A jogar com grande inteligência tática – sobretudo pela organização defensiva demonstrada – a equipa de Sá Pinto mostrou uma qualidade invulgar para uma fase tão embrionária da temporada. Para que isso tivesse acontecido, em muito contribuiu a maturidade que a equipa demonstrou. Sabendo da maior rotação competitiva do adversário, os lisboetas optaram por dar o controlo da bola ao Gotemburgo no primeiro tempo, procurando depois explorar o espaço entre linhas na defensiva contrária, com a ajuda do tridente Sturgeon, Rosa e Carlos Martins. Foi aliás do experiente médio que surgiram os dois (grandes) golos da equipa do Restelo. O internacional português de 33 anos, muito experimentado nas andanças europeias, foi o destaque da equipa do Belenenses, utilizando a sua experiência em prol do equilíbrio da equipa.

Apoiados por um estádio do Restelo com uma casa digna de registo, os jogadores de Sá Pinto foram mostrando excelentes pormenores na primeira parte. Aos 7 minutos, Miguel Rosa foi o primeiro a mostrar as intenções do Belenenses, com um forte remate que passou por cima da baliza de Alvbage. A equipa do Gotemburgo entrou assertiva no jogo, jogando com um bloco médio alto a procurar tirar partido da maior intensidade que parecia demonstrar. O problema surgiu na verdadeira barreira que encontrou no último terço do terreno, onde a coesão defensiva do Belenenses foi sempre uma constante. Recuperando constantemente bolas, a equipa de Sá Pinto foi saindo com grande facilidade para as transições, com Carlos Martins a funcionar como um verdadeiro playmaker. Ora jogando no meio ora descaindo para as faixas, o médio foi o grande responsável pela superioridade azul durante a primeira parte. Por isso, não foi de estranhar que tenha saído do seu pé direito os dois golos da vitória da equipa do Restelo. O primeiro surgiu aos 22 minutos, após uma bela assistência de Sturgeon que acabou por resultar numa verdadeira bomba de Martins à baliza sueca. O Belenenses estava bem na partida e a vantagem era consequência natural de uma exibição agradável da equipa da casa. A velocidade imprimida pelos flancos era evidente e as dificuldades da equipa sueca em controlar a maior intensidade em zonas de pressão do Belenenses foi uma constante. Depois do remate ao poste num livre superiormente batido por André Sousa, aos 40 minutos Carlos Martins bisou na partida, após mais uma assistência de Sturgeon e mais um belo remate de pé esquerdo à baliza do Gotemburgo.

transferir
Carlos Martins foi a figura da partida
Fonte: desporto.sapo.pt

À saída para os balneários, a ovação que os milhares de adeptos do Belenenses deram à sua equipa era totalmente justa. Apesar do favoritismo adversário, a equipa portuguesa havia feito quarenta e cinco minutos de grande qualidade perante o líder do campeonato sueco. Ainda assim, e como seria de prever, a toada da segunda parte foi ligeiramente diferente. E diferente não tanto na forma mas mais no conteúdo. Apesar do Belenenses continuar a dominar o jogo e a estar sempre mais perto da baliza contrária, a verdade é que o intervalo trouxe um Gotemburgo mais inteligente no relvado do Estádio do Restelo. Ao contrário do que havia surgido no primeiro tempo, em que os suecos tinham entrado mandões no encontro, a segunda parte trouxe uma equipa mais lançada para aproveitar as transições. Por isso, a equipa de Lennartsson acabou por entregar o controlo da partida ao Belenenses, o que acabou por não deixar totalmente confortável a equipa de Sá Pinto. Tal como havia surgido em diversos jogos na última época, as caraterísticas dos jogadores do Belém fazem desta uma equipa nitidamente talhada para jogar em transições. Essa tinha sido a receita que tão bons resultados havia dado no primeiro tempo e que agora, por fruto da estratégia contrária, já não era mais uma realidade. Os suecos souberam corrigir os desequilíbrios nas laterais e o Belenenses acabou por nunca mais causar grande perigo na defensiva contrária.

À medida que os minutos iam passando, percebia-se que o Gotemburgo, ao ter procurado diminuir o ritmo de jogo, estava claramente à procura de uma transição ou uma bola parada para chegar a um golo que poderia ser decisivo no rumo da eliminatória. O golo acabou mesmo por acontecer para o Gotemburgo aos 58′, num remate de Aleesami fruto de um contra ataque mortífero onde a defensiva belenense ficou mal na fotografia. Até ao final do encontro, a toada não mudou: as substituições não trouxeram grande novidade e apesar do Belenenses ter tido mais um ou outro lance de perigo, a verdade é que o guarda redes sueco nunca mais teve grandes problemas na sua baliza. O Gotemburgo foi mais pragmático e apesar de nem sequer ter ido à procura do empate, a verdade é que sai do Estádio do Restelo com a eliminatória totalmente em aberto para o jogo da segunda mão. Ainda assim, e apesar do 1×0 ser suficiente para o Gotemburgo, ficaram excelentes indicações de uma equipa do Belenenses que mostrou atributos capazes de levar a equipa ao playoff da Liga Europa. Para isso, será preciso repetir a exibição da primeira parte e fazer da inteligência tática a principal arma na Suécia. E claro, mais uma ou outra bomba de Carlos Martins também dariam jeito.

 

Figura do Jogo: Primeira parte Belenenses – Os primeiros quarenta e cinco minutos da equipa de Sá Pinto roçaram a perfeição. A estratégia era clara e o aproveitamento dos espaços entre a defesa e o meio campo do Gotemburgo foram o principal alvo de Sturgeon, Carlos Martins e companhia durante a primeira parte. A vantagem de dois golos ao intervalo era elucidativa da exibição de qualidade feita pelo Belenenses.

Fora de Jogo: Golo do Gotemburgo – A coesão defensiva da equipa do Restelo havia sido uma constante durante a primeira parte. A equipa do Gotemburgo, apesar do maior ritmo trazido nos seus jogadores, não havia criado perigo junto da baliza de Ventura. Tudo isso mudou aos 58 minutos, quando Aleesami, numa recarga a um remate igualmente seu, reduziu para a equipa sueca e deu uma esperança renovada para a equipa do Gotemburgo. Depois da exibição desta noite, o Belenenses não merecia um golpe tão duro como o feito por Aleesami.