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Real Madrid 0-0 AC Milan (10-9 após g.p.): Muitos artistas, pouco espectáculo

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Depois de ter ganho a International Champions Cup australiana, o Real de Benítez apresentou-se na partida decisiva desta competição, agora na China, com Navas na baliza, Danilo, Arbeloa, Varane e Pepe (capitão) na defesa, Casemiro e Modric no meio campo e Ronaldo, Bale e Lucas Vázquez no apoio ao avançado Benzema. O seu adversário, o Milan de Mihajlović, optou por fazer alinhar um onze constituído por Diego López, De Sciglio, Antonelli, Ely e Alex no quarteto defensivo, Poli, De Jong (capitão) e Bertolacci no meio campo e um tridente atacante composto por Suso, Niang e Cerci.

Em teoria a partida prometia, pois tínhamos frente-a-frente dois dos maiores nomes do futebol europeu, e, apesar de o Milan já ter visto melhores dias e estar em fase de reconstrução, a adição de jogadores como Bacca (30 milhões), Luiz Adriano (8 milhões) ou Bertolacci (20 milhões) é prova de que o clube quer sair da poça de mediocridade onde mergulhou nos últimos anos. Infelizmente, rapidamente se percebeu que estávamos mesmo perante um jogo de pré-temporada, e de um particularmente desapontante.

O Milan começou melhor o jogo, tendo-se superiorizado ao Real no primeiro tempo, entrando mais agressivo e disponibilizando, de forma surpreendente, muitos jogadores na frente, o que obrigou o Real a jogar mais na expectativa e em contra-ataque.

A superioridade do Milan deveu-se muito à sua vantagem numérica na zona de construção e recuperação de bola, evidenciada pelo não participação de Ronaldo, Bale e Benzema no processo defensivo da equipa, o que obrigou a tripla Modric-Casemiro-Vásquez a cobrir não só os médios da equipa italiana mas também a tentar conter a subida dos laterais. Antonelli, principalmente, esteve bastante interventivo e teve sempre espaço para subir na primeira parte.

Tirando alguns pormenores técnicos mais interessantes de jogadores como Niang, Vásquez ou Modric, a primeira parte foi um deserto de ideias. O Real Madrid foi uma nulidade no ataque e o Milan, depois da sua boa entrada, rapidamente acalmou, o que baixou consideravelmente a já baixa intensidade de jogo e diminuiu ainda mais a qualidade da partida.

O novo Milan ainda tem muito que melhorar Fonte: Facebook do AC Milan
O novo Milan ainda tem muito que melhorar
Fonte: Facebook do AC Milan

A única ocorrência digna de registo na primeira parte foi mesmo a pausa para as equipas se refrescarem aos 30 minutos de jogo. Muito pouco futebol, muitos passes e cruzamentos falhados. Apesar de estarmos na pré-época, parecia que estávamos perante o primeiro jogo de preparação das duas equipas, quando era já o quarto para ambas. Curiosamente, para a semana voltam a participar num torneio de pré-época juntas, desta vez a Audi Cup, que tem também o Bayern e o Tottenham.

A segunda parte trouxe bastantes alterações. Do lado dos espanhóis entraram o guarda-redes Casilla, Jesé, Ramos, Isco e Kroos para os lugares de Navas, Benzema, Varane, Vásquez e Modric, enquanto que nos italianos Bacca, Honda, Luiz Adriano, Mauri, Montolivo, Mexès e Zapata substituíram Niang, Suso, Cerci, Bertolacci, Poli, Alex e Ely.

Os treinadores tentaram agitar o jogo e evitar que o público adormecesse e logo aos 51 minutos Kroos vê o seu remate, que ia direitinho para o fundo da baliza. ser desviado por Zapata para canto. Tínhamos, então, a primeira grande oportunidade de golo do jogo e o primeiro ataque “a sério” do Real.

Aos 57 minutos, Isco brinda-nos com um pouco da sua magia. Depois de uma recepção deliciosa, senta o defesa adversário e cruza perfeitamente para Ronaldo, que cabeceia com perigo para boa defesa de López. O Real estava finalmente a aparecer e a começar a tomar conta do jogo, como se esperava desde início. Aos 60 minutos temos o primeiro sinal de vida do Milan nesta segunda parte, com um remate quase perfeito e de difícil execução de Bacca com a bola no ar, que resulta numa excelente defesa de Casilla. Aos 62 minutos, Ronaldo aparece finalmente numa jogada individual, deixando o seu marcador directo para trás e cruzando com perigo para Bale, que não consegue chegar à bola, acabando por sobrar para Isco, que desperdiça uma oportunidade clara de golo.

Cumpre referir que Ronaldo passou a primeira parte toda a jogar na direita e Bale na esquerda, tendo trocado de posição na segunda parte. O português tornou-se mais interventivo mas o galês manteve a sua anonimidade no jogo, não conseguindo ter qualquer tipo de influência no movimento ofensivo dos espanhóis.

Fomos premiados com mais uma onda de substituições por volta dos 70 minutos, antes da segunda pausa para os jogadores se refrescarem, aos 75, com a entrada de Marcelo, Carvajal, James, Nacho e Cheryshev para os lugares de Arbeloa, Danilo, Ronaldo, Pepe e Bale do lado do Real; no Milan, Paletta, Donnarumma e Calabria substituíram Antonelli, Diego López e De Sciglio. Até ao fim do tempo regulamentar pouco ou nada se passou, sendo apenas de registar a entrada de Matri aos 93 minutos, apenas para a marcação das grandes penalidades.

Nos penaltis, James, Marcelo, Casemiro, Ramos, Carvajal, Nacho, Cheryschev, Isco, Jesé e Casilla marcaram e Kroos falhou para o Real; no Milan, De Jong, Matri, Honda, Luiz Adriano, Montolivo, Zapata, Mauri, Calabria e Paletta marcaram e Bacca e o guarda redes de 16 anos Donnarumma acabaram por falhar, ganhando o Real por 10-9.

Depois de o Milan ter controlado a primeira parte, foi a vez do Real fazer o mesmo na segunda, mas mais uma vez esperava-se mais. Não sei se foi da elevada temperatura e humidade, da irregularidade do relvado ou da ainda notória falta de ritmo, mas o espectáculo deixou muito a desejar, e depois de um frustrante empate a zero o jogo acabou por ser resolvido apenas na marcação de grandes penalidades, onde o Real Madrid triunfou por 10-9, tendo levantado também a International Champions Cup chinesa, juntando-a assim à australiana (a norte-americana foi conquistada pelo PSG). Pouco ritmo e ainda menos ideias de ambos os lados. Felizmente as respectivas ligas só recomeçam em finais de Agosto, havendo ainda muito trabalho para ser feito.

Foto de Capa: Facebook do Real Madrid

Volta a Portugal’15: Portugal vs Espanha, again?

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Está aí a Volta a Portugal em bicicleta! O momento alto do calendário do ciclismo português (apesar de a Volta ao Algarve, tendo em conta a altura em que é feita, ter ciclistas de maior renome – mas isso são conversas para outras alturas) e, mesmo para muitos portugueses, a única altura do ano em que gostam de ver ou que podem ver as bicicletas a rolar na estrada. Depois do Tour e antes da Vuelta, a Grandíssima toma o seu lugar no calendário (de 29 de Julho até 9 de Agosto).

Este ano temos um percurso equilibrado e que oferece algumas oportunidades aos sprinters, às fugas, aos puros trepadores e aos especialistas em contrarrelógio. Ou seja, iremos ter um pouco de tudo o que o ciclismo nos dá, ainda que com um ascendente para aqueles que se dão melhor na montanha, como é normal (apesar de o CR na penúltima etapa ser de ajuda para aqueles que são especialistas nessa vertente e que se defenderam bem na montanha).

Como nos últimos anos, a prólogo começará em Viseu e a última etapa terminará em Lisboa, mais propriamente na Avenida da Liberdade. O prólogo em Viseu terá 6 kms e a camisola amarela irá ficar, muito provavelmente, no corpo de um especialista em CR que saiba fazer um grande tempo em esforços curtos ou até mesmo para um sprinter (alguém com certas caraterísticas parecidas com as do Sagan, com as devidas diferenças, claro, mas, geralmente, o recente vencedor da camisola verde do Tour, neste tipo de prólogos, costuma ser dos melhores, mesmo não sendo um contrarrelogista, daí a minha comparação). As principais figuras tentarão, aqui, marcar já diferenças (ainda assim, pequenas) perante os seus rivais – sendo que também é uma hipótese o facto de virmos a ter um dos favoritos à vitória final já com a camisola amarela depois deste início.

A primeira etapa da prova irá terminar em Bragança (um regresso a essa terra). Na teoria, será uma etapa que irá terminar ao sprint, portanto, prevê-se que as equipas dos homens mais rápidos controlem a corrida. Ainda assim, será uma etapa “rompe pernas”. A segunda etapa irá levar-nos à primeira chegada em alto da Volta a Portugal. Repete-se, então, a chegada à Serra do Larouco e esta subida final irá certamente marcar as primeiras grandes diferenças entre os principais favoritos. Quem estiver bem, não só irá ter a vantagem no tempo, como também irá ter a vantagem em termos de moral.

As etapas 3 e 4 repetem um pouco a história das duas anteriores: a terceira etapa voltará a dar uma oportunidade aos sprinters de vencerem nesta Volta (será uma chegada a Fafe) e à quarta etapa teremos a mítica subida à Sr.ª da Graça. A etapa mais bonita da Volta a Portugal (por tudo o que está envolvido: por ser a um Domingo – irá levar mais pessoas às estradas – e por ser uma etapa que todos querem vencer); e quem por lá anda diz que ao passar Mondim o sentimento é realmente único. Os trepadores e os favoritos para a geral terão, sem dúvida, esta etapa marcada.

A mítica etapa à Sr.ª da Graça continua a ser uma das principais atrações da Volta a Portugal Fonte: Site oficial da CM de Mondim de Basto
A mítica etapa à Sr.ª da Graça continua a ser uma das principais atrações da Volta a Portugal
Fonte: Site oficial da CM de Mondim de Basto

As quinta e sexta etapas tanto poderão dar para vingar um sprinter como uma fuga. Ainda assim, a 5.ª etapa (chegada a Viana) estará mais talhada para os designados “punchers” (homens rápidos, mas que conseguem também aguentar certas subidas), ou seja, alguém que seja capaz de, em 3 kms, subir ao miradouro de St.ª Luzia e bater os restantes em velocidade. A principal caraterística do vencedor também terá de estar relacionada com o facto de ser “explosivo” (um pouco como o que o Purito Rodriguez fez no Mur de Huy na Volta à França deste ano). A 6.ª etapa terminará em Oliveira de Azeméis e poderemos vir a ter a maior hipótese de uma fuga vingar (antes da etapa da Torre e depois do desgaste que foi na Sr.ª da Graça, o pelotão quererá recuperar do esforço). Mesmo assim, não é de descartar uma chegada ao sprint.

À 7.ª etapa temos a tão esperada chegada à Torre. Poderá decidir-se a Volta no fim desta jornada. A subida pelo lado da Covilhã é a segunda mais dura em Portugal (são cerca de 20 kms de subida contínua). Nesta etapa poderemos ter duas hipóteses em termos de vencedor: ou alguém que perdeu tempo na Sr.ª da Graça e não é perigoso para os favoritos ou então um dos principais candidatos irá mesmo vencer na Torre. É, portanto, um dia para marcar a diferença. Na 8.ª etapa, com chegada a Castelo Branco, teremos uma situação de corrida atípica. Metade será feita a descer e a outra metade numa espécie de “rompe pernas”. Dificilmente quem esteve mal na Torre conseguirá recuperar nesta etapa. Portanto, ou uma fuga irá vingar ou voltaremos a ter um sprint compacto.

Por fim, as duas últimas etapas desta Volta a Portugal: na penúltima etapa teremos um CR individual com cerca de 35 kms (situado em Leiria). Será difícil recuperar as diferenças que se fizeram na etapa da Torre, mas não é impossível. Irá ser uma etapa muito boa para os puros contrarrelogistas. É, também, nesta etapa que os espanhóis costumam fazer as maiores diferenças para os portugueses. Veremos se acontecerá o mesmo este ano… Chegada a última etapa da Volta, é altura de consagrar os vencedores e esperar que tenha sido uma Volta a Portugal com motivos para se elogiar das mais variadas formas e em relação aos diversos acontecimentos. Espera-se, como de costume, um sprint na chegada à Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Em relação aos favoritos, há que destacar novamente a “luta” entre portugueses e espanhóis. Apesar de um ou outro ciclista de outra nacionalidade que se poderá intrometer, dificilmente não voltaremos a ter a disputa pela camisola amarela entre os nossos portugueses e “nuestros hermanos”. O pelotão conta apenas com uma equipa ProContinental, a também espanhola Caja Rural. A qualidade das equipas presentes não é muita, mas as equipas portuguesas (não só, mas principalmente estas) tudo farão para dignificar esta Volta a Portugal (costumam ter uma grande entrega e empenho).

Temos três vencedores da Volta a Portugal presentes neste elenco (dois espanhóis e um português), que certamente serão, novamente, dos principais agitadores desta competição. Refiro-me a Gustavo Veloso (da equipa W52 – Quinta da Lixa), o último vencedor da prova; Alejandro Marque (Efapel), o vencedor de 2013; e Ricardo Mestre (Tavira), campeão em 2011. O português poderá ser o ciclista que mais se aproxima das vantagens que os dois espanhóis têm: são excelentes no CR, são bons na montanha (sabem defender-se da melhor forma) e têm consigo três das equipas mais fortes da prova.

Ricardo Mestre está de regresso à nossa volta e pronto para voltar a lutar pela vitória Fonte: Cyclingfans.net
Ricardo Mestre está de regresso à nossa volta e pronto para voltar a lutar pela vitória
Fonte: Cyclingfans.net

Duas duplas que estarão na luta talvez mais por um lugar no top10/top5 do que pela vitória são: Rui Sousa e Frederico Figueiredo (ambos da Rádio Popular ONDA Boavista) e Hernâni Broco e Amaro Antunes (ambos da LA Alumínios – Antarte). Rui Sousa é já um experiente ciclista e, tal como Cândido Barbosa até se retirar, tem procurado por várias vezes vencer a Volta a Portugal, mas não tem tido, até agora, tal felicidade. No ano passado, fez 2.º na classificação geral, mas este ano o pódio será mais difícil, não só pela maior concorrência, mas também pela idade que já tem (o ano passado provavelmente a “história” era a mesma e acabou por ser o vice-campeão, portanto, ainda assim, não se pode descartar este ciclista dessa luta). Frederico Figueiredo é ainda um jovem ciclista e que este ano já foi, por exemplo, 9.º classificado na Route du Sud (prova ganha por Alberto Contador e onde o 2.º lugar foi para Nairo Quintana). Será um dos mais fortes candidatos a vencer a classificação da juventude, e poderá mesmo ter a liberdade para conseguir uma camisola como a da montanha. Broco e Antunes são ciclistas já com algumas participações na Volta a Portugal, principalmente o primeiro mencionado (alguns top10 na classificação geral final). Amaro Antunes fez top10 o ano passado e os dois provavelmente quererão, desta vez, estar nos 10 melhores (ou até mais) desta Volta.

Outros nomes para discutir a corrida estarão ao cargo de: Alberto Gallego, jovem ciclista da Rádio Popular ONDA Boavista, que teve boas prestações, este ano, em provas como a já mencionada Route du Sud (foi 7.º classificado), a Volta a Madrid, entre outras; Délio Fernandez e Joaquim Carvalho, ambos da W52 – Quinta da Lixa  serão boas alternativas ao seu colega Gustavo Veloso para a classificação geral; Sandro Silva e Hugo Sabido (Louletano – Ray Just Energy); Joni Brandão (Efapel); Evgeny Shalunov (Lokosphink); Byron Guama (Team Equador); Gaetan Bille e Dimitri Claeys (Verandas Willems Cycling Team) e, por fim, Ricardo Vilela (Caja Rural – Seguros RGA).

Em termos de sprints, os ciclistas que mais se destacam são: Manuel Cardoso (Tavira), Filipe Cardoso (Efapel), Samuel Caldeira (W52 – Quinta da Lixa), Marco Zanotti (Parkhotel Valkenburg CT) e, por fim, o vencedor da camisola verde dos pontos da Volta a Portugal 2014, Davide Vigano (Team Idea 2010 ASD).

Está assim tudo pronto para o começo de mais uma Volta a Portugal. Se conseguirem, tentem apoiar os ciclistas na estrada e mostrar que os portugueses também apreciam muito uma modalidade como o ciclismo. É preciso não deixar desvanecer o sentimento que uma corrida como a Volta a Portugal ainda transmite a muitos portugueses por esse país fora. Que comece a festa, que comecem as bicicletas a rolar e que comece a nossa volta, a Grandíssima!

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal

Top 10 – Lutadores Actualmente na UFC

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10 – Fabricio Werdum

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O recém campeão de pesos pesados tem feito uma carreira de vitórias improváveis – a vitória contra Fedor Emelianenko, provavelmente o melhor lutador de MMA de sempre, foi algo de espetacular -, pelo que merece um lugar nesta lista. Para além do óbvio poder característico de um peso pesado, Werdum é dotado de um jiu jitsu acima da média, o qual usou para derrotar nomes como “Minotauro” Nogueira, ambos os irmãos Emelianenko, Alistair Overeem e, mais recentemente, Cain Velasquez. Para além de ter derrotado um dos mais temíveis campeões da UFC, fê-lo com uma classe que era característica de (precisamente) Velasquez. Merece, por isso, um lugar nesta lista.

9 – Donald Cerrone

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Cerrone está nesta lista ao invés de Dos Anjos, o campeão da sua categoria, por uma simples razão: luta quando quiserem, como quiserem, com quem quiserem. Essa característica permitiu-lhe ser o dono de uma das ondas vitoriosas mais escaldantes da UFC. É, também por isso, o lutador mais popular da sua divisão e um favorito dos fãs. Cerrone será o próximo adversário de Dos Anjos, um combate que deverá acontecer para o final do ano… Isto se Cerrone não decidir que lhe apetece lutar antes.

8 – Joanna Jedrzejczyk

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Joanna “Champion” rapidamente ascendeu na UFC: a antiga campeã de mundial de Muay-Thai chegou em Julho de 2014 à UFC e em menos de um ano já era campeã, feito que atingiu ao derrotar a campeã inaugural da divisão de Peso Palha, Carla Esparza, na sua primeira defesa de título. Dois meses foi a vez de Joanna fazer a sua primeira defesa e não desiludiu: derrotou Jessica Penne de forma contundente e afirmou-se, graças ao seu sentido de humor fora do octógono e dominância dentro dele, como uma das figuras mais interessantes dos últimos tempos na UFC.

7 – Daniel Cormier

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Na história mais recente da UFC não há ninguém que tenha aproveitado uma segunda oportunidade tão bem quanto o antigo olímpico: após ter perdido pela primeira vez na sua carreira, contra Jon Jones, na sua primeira disputa pelo título, no que foi um combate bastante unidirecional, Cormier sabia que iria ter de recolher um considerável número de vitórias para que lhe fosse dada outra chance de ser campeão. Quando foi retirado o título e atribuída uma suspensão indefinida a Jones, que iria defender o seu título contra Anthony Johnson (derrotou Gustafsson para lá chegar), por um envolvimento num acidente rodoviário do qual fugiu, Cormier foi chamado ao palco e não desiludiu: tornou-se campeão e mostrou que, enquanto Jones estiver longe, ele é o patrão da divisão de Peso Meio Pesado.

6 – Robbie Lawler

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Poucos tiveram uma ressurgência na sua carreira como Lawler. O agora campeão de Peso Médio voltou à UFC depois de uma passagem pouco impressionante pela Strikeforce (cinco derrotas e três vitórias) e, desde o regresso, tem sido uma força a temer, perdendo apenas uma vez, contra Johny Hendricks. Sou sincero: era ligeiramente cético em relação a Lawler enquanto campeão. Venceu o título na desforra contra Hendricks via decisão separada, num combate que, conforme indica a decisão, poderia ter dado para qualquer lado. Posto isto, faltava a Lawler um combate de afirmação, o qual ele fez favor de dar no início deste mês: a vitória sobre Rory MacDonald foi fantástica, naquela que será certamente a luta do ano, senão a do século, milénio, por aí adiante. Foi uma verdadeira guerra, a qual Lawler venceu via KO técnico, depois de ter estado a perder durante grande parte do combate. Merece, por esta vitória “à Rocky”, o 6.º lugar desta lista.

5 – Demetrious Johnson

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O “Mighty Mouse” é o 5.º desta lista puramente devido à sua capacidade enquanto lutador. É certo que não é o mais carismático fora do octógono, mas isso tem uma razão de ser: o campeão prefere falar dentro da arena, através da sua linguagem. Alguém cujas vitórias são tão dominantes deveria ter esse direito sem que lhe fosse dito vezes e vezes sem conta que é um campeão “sem sal”. A luta contra Kyoji Horiguchi é um excelente portefólio para quem não conhece o campeão, que é, na minha opinião, o mais versátil e frenético de todos os campeões na UFC.

4 – José Aldo

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Aldo não perde há 10 anos e, ao ver qualquer uma das suas lutas, percebe-se porquê: o brasileiro é assustador, bestial, a força inamovível da categoria de Peso Pena. Vejam o combate contra Urijah Faber na WEC e quase conseguem sentir os golpes do brasileiro, no conforto das vossas casas (sem exagero…). Está classificado como o número um do ranking “pound-for-pound” da UFC e com razão. Desde que existe categoria de Peso Pena na UFC que Aldo é campeão, vencendo nomes como Chad Mendes e Frankie Edgar. No entanto, Aldo já não é o rei da sua categoria, pelo que arrecada apenas o 4.º lugar da lista.

3 – Chris Weidman

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Weidman começou a sua carreira de lutador em 2009. Passados quatro anos derrotou Anderson Silva, um dos melhores de todos os tempos, e venceu o título de Peso Médio. Cinco meses depois fê-lo de novo. Pouco mais é necessário para descrever o “All American”, que, combate após combate, vitória após vitória, se mostra cada vez mais dominante e dá cada vez mais a acreditar que poderá terminar a sua carreira invicto e escrever uma página de história no MMA. Abre, assim, o pódio deste top 10.

2 – Conor McGregor

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O que há a dizer de Conor McGregor que o próprio não possa dizer? É, inegavelmente, o ativo mais valioso da UFC desde Brock Lesnar. Vale milhões. Desde que chegou à organização que a varreu como uma tempestade, mostrando ser o melhor no microfone e correspondendo dentro do octógono. Não há uma conferência de imprensa de McGregor que não seja genial, assim como não há um combate que não o seja. O campeão interino de Peso Pena (venceu Chad Mendes, que substituiu o campeão Aldo no evento principal do UFC 189) trata até de prever os desfechos dos seus combates e, estupidamente, acerta a maioria das vezes. É o lutador que todos adoram odiar, mas uma coisa é certa: McGregor previu o começo da “Era McGregor” e, depois de ter encabeçado um pay-per-view que vendeu um milhão de subscrições, é correto dizer que mais uma previsão se concretizou, a la “Mystic Mac”.

1 – Ronda Rousey

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O primeiro lugar desta lista não poderia ser ocupado por mais ninguém que não Ronda Rousey. A campeã de Peso Galo nunca perdeu na sua carreira e, de todos os 11 combates que já fez, apenas por uma vez a levaram para além da primeira ronda. Os seus últimos dois combates têm um tempo acumulado de 30 segundos… Os últimos três de um minuto e 36 segundos. É, sem dúvida, a mais dominante de todos os campeões da UFC. Ainda está para chegar uma mulher que faça verdadeiramente frente a Ronda Rousey, pelo que muitas vezes se fala, em tom de brincadeira, da (impossível) possibilidade de combater contra homens. Rousey é não só a rainha do MMA feminino, que não estaria onde está hoje não fosse ela, mas também do MMA no geral. E esta é uma verdade que, como Ronda, é incontornável.

Lima, o homem-sombra de que a Luz terá saudade

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O sucesso tem o seu preço e o do Benfica tem sido a enorme cobiça aos seus principais ativos, que têm tornado cada defeso numa autêntica novela e debandada no plantel principal, sobretudo no onze base. Basta recuarmos dois anos para perceber que tudo está diferente e que quase todos os protagonistas já mudaram de ares. Oblak e Siqueira foram para Madrid, Garay está na Rússia, Maxi foi para Norte, Matic é peça fundamental no esquema de Mourinho, Enzo rumou a Valencia para ser companheiro de Rodrigo e André Gomes, Markovic representa o Liverpool, Cardozo está na Turquia para onde Artur foi este ano e, por último, Lima rumou ao Dubai para ganhar a sua reforma dourada. Luisão, Salvio e Gaitán são exceções, embora El Zurdo esteja sempre nas bocas do mundo para uma eventual trasnferência, mas a saída nunca foi consumada. Será este ano?

Com tantas mudanças e alterações no onze base era normal que qualquer equipa se ressentisse, mas o Benfica tem dado provas de uma estrutura forte que não abala com a saída de ninguém e está sempre pronta a responder às adversidades. Esse é um dos méritos de Luís Filipe Vieira, a construção de um clube sólido e estável, e era também um dos méritos de Jorge Jesus, de preparar todos os jogadores para responderem positivamente sempre que chamados a intervir, sendo mais ou menos utilizados. Apesar de todas as épocas existir um 11 base, JJ conseguiu incutir as dinâmicas coletivas em todos os elementos que passaram pelo Seixal e reduzir assim o impacto de saídas de jogadores preponderantes. Saiu Javi e Witsel e muitos anunciaram o fim do Benfica, mas mal sabiam que no laboratório já Matic estava super afinado e pronto a brilhar e que Enzo Perez podia ser um 8 de grande qualidade, em vez de extremo. Os dois saíram e Fejsa, Samaris e Pizzi deram conta do recado. Garay saiu, Jardel afirmou-se e ninguém se queixou. Idas perspicazes ao mercado supriram outras ausências, tendo como maior exemplo a aquisição de Jonas. Alguém se lembra de Rodrigo?

Por fim, dou o exemplo de André Almeida, que, a meu ver, é um exemplo claro de que as dinâmicas coletivas estavam bem incutidas. O internacional português fazia de defesa-direito, esquerdo e a posição 6 (lembram-se do jogo em Alvalade?) de forma satisfatória, sem nunca ser brilhante, mas sem comprometer.

"Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista" - Lima
“Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista” – Lima

Podia continuar a enumerar algumas destas trocas, mas elas estão bem presentes na memória de todos e, hoje, são poucos os benfiquistas que choram e que fazem de uma transferência o fim de uma equipa. É fruto da estabilidade e da solidez que o clube vive, e Rui Vitória só dará continuidade a este facto, também ele habituado, embora num clube de nomeada mais baixa, a dar resposta a muitas ausências e saídas do plantel. É um treinador que valoriza as dinâmicas coletivas e as põe acima de tudo e acima das individualidades.

Ora, este ponto a favor de Rui Vitória e a forma bastante positiva como, num passado recente, o Benfica tem saído dos defesos deixam-me mais tranquilo em relação à saída de Lima, uma peça essencial nos últimos anos na Luz.

O brasileiro nunca foi uma figura de proa, uma estrela, nunca foi o ídolo do Terceiro Anel e foi até criticado várias vezes, inclusive no início da temporada que findou, por escassez de golos e erros gritantes de finalização. Lima sai agora da Luz, sem o “barulho” que outros fizeram, sem o “choro” da maior parte dos adeptos, mas o camisola 11 fará tanta ou mais falta que todos os outros. Não digo com isto que Lima é insubstituível porque não o é, aliás, o Benfica não tem jogadores com esse estatuto, mas o goleador será um dos mais difíceis de substituir por parte da estrutura.

É certo que muitas vezes Lima nos pôs os nervos em franja com os seus falhanços, desacertos ou faltas de inspiração, mas foram muitas mais as vezes em que nos fez levantar da cadeira e vibrar. Como gritamos com aquela bomba frente à Juventus que nos pôs na final de Turim! Alguém se esqueceu? E aquele hábito natural de marcar no Dragão? Foram dois tentos no ano passado quando, para todos, iríamos ser goleados. As saudades que vamos ter tuas quando lá voltarmos…

 70 golos de águia ao peito em 3 anos, com uma média de 23,33 tentos por época

70 golos de águia ao peito em três anos, com uma média de 23,33 tentos por época

Existem poucos jogadores com as características de Lima: trabalhadores, possantes, que conseguem viver na sombra de outra referência sem serem afetados por isso e mesmo assim fazerem golos atrás de golos. São 70 os golos que Lima fez em três épocas de águia ao peito, um número bastante interessante para um avançado que, como tantas vezes ouvi dizer, “se esforça muito mas não marca golos”. Lima marcava, dava a marcar e também salvava golos! Era o primeiro elemento a defender e era fundamental na transição ataque-defesa de Jorge Jesus.

Lima foi quase sempre o homem-sombra do ataque benfiquista, ora com Cardozo, ora com Rodrigo e por fim com Jonas. Os golos, esses, foram sempre partilhados e nunca os números do seu parceiro foram muito superiores aos seus. Tacuara fez 33 golos em 2012/13 contra 30 de Lima, Rodrigo fez 18 em 2013/14, tendo Lima feito 21 e, por último, Jonas fez 31 com o camisola 11 a fazer 19.

O avançado brasileiro é um daqueles jogadores com quem é fácil fazer parelha e que ajuda a sobressair o colega de forma imediata, com a sua tamanha humildade e sacrifício de equipa. Que o diga Jonas, que chegou, viu e venceu!

 Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

O ex-Valencia foi o jogador que mais brilhou ao lado de Lima e o que melhor interpretou as suas movimentações. Jogavam quase de olhos fechados e basta analisar as estatísticas e perceber que, esta época, o Benfica começou a melhorar quando os dois coabitaram no mesmo onze e se começaram a entender. A partir daí, os golos de ambos não mais pararam.

Jonas formará, agora, uma dupla com outro jogador ou atuará sozinho na frente de ataque, num dilema que Rui Vitória terá de resolver. Jonathan é uma estrela a precisar de ser lançada para a pista e está na linha da frente da sucessão, já que Nelson Oliveira não parece a melhor alternativa. Uma ida ao mercado para trazer um avançado é uma solução bem real, mas confesso que preferia ver o uruguaio como o eleito, tal como escrevi há algumas semanas. É um talento e não pode ser desperdiçado! Para além disso tem características que assentam perfeitamente no 4-4-2 e que deverão combinar bem com Jonas (se este não sair).

Seja o que for que Rui Vitória escolher, Lima deixará sempre saudades para os benfiquistas que gostam verdadeiramente de futebol e do jogo, ao contrário daqueles que apenas querem saber quem empurra a bola lá para dentro. E até desses Lima devia receber um aplauso, ou melhor, 70 aplausos!

Todas as imagens são do Facebook do Benfica

Tour de France 2015: Froome no topo do Olimpo

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C’est fini! Mais um ano, mais uma Volta à França e mais um sentimento de querer que tudo volte atrás para termos o privilégio de voltarmos a assistir a três semanas como estas, do melhor que o ciclismo mundial pode dar. De entre os “Fantastic Four” presentes nesta prova, Chris Froome mostrou ser o mais fantástico de todos e garantiu a sua segunda vitória no Tour de France!

O britânico da Sky (curiosamente, tal como em 2013, depois de vencer o Dauphiné venceu também o Tour) teve uma prestação muito boa, visto que foi dos poucos favoritos a não perder tempo na 1.ª semana (tal como disse, o essencial dela era mesmo o não perder tempo mais do que ganhá-lo, e isso veio a revelar-se decisivo), dominou e conquistou na 2.ª e controlou as perdas na 3.ª semana – tivesse ele estado ao lado de Quintana nas últimas etapas de montanha e teria sido mesmo um Tour a roçar o perfeito. Aliás, nesta última semana há que destacar a capacidade de sofrimento, a coragem e o esforço de Chris Froome, que teve um tratamento injusto por parte do público (devido a meros rumores e a coisas que ninguém, neste momento, consegue provar; até parece que, por uma melhor prestação de alguém ou por um certo domínio, o tema “doping” tem de vir logo ao de cima, é inacreditável) – assobios, cuspidelas, receio por ter aquela sensação de que a qualquer momento alguém lhe fosse empurrar e, por fim, até mesmo teve que levar com urina em cima… atitudes reprováveis de certas pessoas que só mancham esta grande modalidade e a própria Volta à França. Posto isto, será que terá Froome vontade de voltar para o próximo ano ou noutro ano qualquer? Veremos, mas é algo a refletir.

Respondendo à minha pergunta aquando da “previsão” deste Tour de France 2015, não, não foi um dos melhores de sempre. Primeiramente, desde cedo começou a tornar-se numa luta a dois homens – Quintana e o próprio Froome – e o britânico de origem queniana até a poucas etapas do fim estava a mostrar uma grande superioridade perante todos, tal como a sua equipa, a Sky, que fez uma corrida excelente e mostrou estar sempre presente para Chris Froome (quer nas etapas planas, quer na montanha, quer no pavé; quer nos bons, quer nos menos bons momentos, realmente foi um merecido triunfo também para esta excelente equipa).

Chris Froome festeja a vitória com a sua equipa Sky  Fonte: sapo.pt
Chris Froome festeja a vitória com a sua equipa Sky
Fonte: sapo.pt

Depois, tivemos a classificação dos pontos a voltar a não ter muita história. Apesar das quatro vitórias de André Greipel (o único que ainda “ameaçou” o 1.º lugar desta classificação, a par do vencedor), o carismático Peter Sagan continua sem dar hipóteses à concorrência e voltou a levar a camisola verde para casa – o novo sistema de pontos até acabou por beneficiá-lo mais, quando se previa que fosse ocorrer o contrário (nem Degenkolb – o favorito a lutar com Sagan pela camisola – conseguiu contrariar o domínio do ciclista da Tinkoff; aliás, o ciclista da Giant não conseguiu dar uma vitória à sua equipa, foi Geschke a fazê-lo brilhantemente numa fuga). A classificação da juventude também ficou decidida a partir do momento em que Quintana conquistou a 2.ª posição da classificação geral e nunca mais saiu de lá. Só mesmo a classificação da montanha teve alguma emoção, sendo que o novo sistema de pontuação beneficiou os homens que lutam pela vitória na geral e, portanto, Chris Froome levou também esta camisola para casa, que só ficou decidida no último dia e com vários ciclistas a poderem vencer até ao final (Romain Bardet provavelmente teria vencido, não fossem as alterações em termos de pontuação para esta classificação).

Schalke 04 0-0 FC Porto: Sem criatividade

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

No quarto jogo da pré-época portista, os dragões encontraram o velho conhecido Schalke 04. Desta vez não estava em causa a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões mas mais um jogo de preparação que serviu para testar a equipa de Lopetegui. O onze titular portista apresentado foi Iker Casillas; Ricardo Pereira, Lichnovsky, Marcano e Alex Sandro; Evandro, Rúben Neves e Sérgio Oliveira; Varela, Aboubakar e Brahimi. Havia portanto que testar alguém novo no centro da defesa, já que, com as indefinições da pré-época, não se saberá se Lichnovsky não terá que ser chamado ao longo da época 2015/2016.

O jogo começou repartido, com o Porto a tentar manter a posse de bola e o Schalke 04 a aproveitar bem os espaços deixados no meio-campo para fazer o contra-ataque rápido. Por isso mesmo, a primeira grande oportunidade foi alemã – um grande remate de primeira de Huntelaar para uma excelente defesa de Iker Casillas. Os extremos Varela e Brahimi (principalmente o argelino) viram-se muitas vezes obrigados a recuar  no terreno para receber a bola, já que houve dificuldade do meio-campo em transportar a bola para o ataque. Aos 20 minutos, houve um lance perigoso a favor do Porto, com Alex Sandro (capitão) a adiantar-se na lateral e a acertar no poste com um remate cruzado.

Oportunidades para o Porto foram escassas, registando-se apenas alguns rasgos individuais que deram cor ao futebol portista. Varela quer mostrar-se a Lopetegui e pareceu bastante envolvido no jogo e com arranques rápidos, mas a falta de rotinas ainda é visível na equipa portista. Ricardo não é lateral (ainda), Sérgio Oliveira não é médio de transição de combate e Evandro não é certamente um 10 – os últimos dois parecem ter as posições trocadas. Notou-se um atraso na preparação em relação aos alemães. que conseguiram criar mais perigo resultante do jogo colectivo e do grande talento de Draxler. Aos 44’, defesa de improviso de Casillas depois de um cruzamento (não parece ter tocado em ninguém) traiçoeiro do Schalke. E assim fechou a primeira parte do jogo.

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O Schalke teve as melhores oportunidades de golo
Fonte: Facebook Schalke 04

Na segunda parte entraram Helton, Maxi, Maicon, André André e Cristian Tello (o Schalke que apresentou o mesmo onze). O Porto entrou mais enérgico, pressionando o adversário na saída de bola e demonstrando vontade de fazer o golo, mas a primeira oportunidade foi alemã – aos 58’, Helton, numa saída rápida, cobriu a baliza e evitou o primeiro tento do jogo. Aos 61’, entrou Danilo Pereira para o lugar de Ruben Neves, que voltou a apresentar apontamentos de classe nos passes e visão de jogo. Aos 63’, entrou Bueno para o lugar de Evandro, mais uma vez reforçando a ideia de que foi contratado para a posição de médio ofensivo e não de avançado.

Não houve grandes oportunidades de parte a parte durante o segundo tempo e nem a entrada de Adrian e André Silva mexeram muito com a equipa, que se mostrou mais equilibrada a jogar em 4-2-3-1. Continua a faltar posse de bola ofensiva, isto é, ter a bola no meio-campo do adversário e perto da área. Ou realmente é um problema de metodologia ou, apesar dos inúmeros médios que temos, falta um médio criativo que consiga ter bola – um Óliver! De resto, confesso que gosto do toque de bola de Bueno e estou curioso para ver o que sai deste jogador.

Outro pormenor importante é o ponta-de-lança; temos que encontrar um pivot ofensivo, sob risco de virmos a ter dificuldades em produzir jogadas de perigo, coisa que aliás já vem acontecendo nestes jogos. A SAD certamente está a trabalhar nesse dossier. Faltou Imbula neste jogo e, se tivesse que arriscar, o meio-campo será entregue a Danilo Pereira, Imbula e a um terceiro médio, que é alguém que está para vir ou será o nosso velho conhecido Herrera, que jogará mais adiantado no terreno. Ruben Neves e André André estão bem e têm qualidade a nível da primeira fase de construção – aí parece um problema resolvido! Falta então a criatividade do último passe.  Vamos ver que evolução e que novidades nos traz o nosso Porto, numa altura em que já não estamos longe do inicio do campeonato.

Figura do Jogo: Brahimi – Sem fazer um jogo brilhante, foi quem segurou mais a bola e de quem veio mais fantasia.

Fora-de-jogo: Aboubakar – Muito apagado no jogo, a bola não lhe chegou mas também não a soube procurar.

México 3-1 Jamaica: Aztecas vencem a Gold Gup – e, desta vez, foi limpo…

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México e Jamaica defrontaram-se na final da Gold Cup, contrariando todas as previsões que davam como quase certa uma final entre mexicanos e a equipa da casa, os EUA. A verdade é que os jamaicanos chegaram ao jogo decisivo por mérito próprio, apresentando inclusivamente o melhor registo de golos sofridos da competição (apenas 3). O México, por sua vez, era o ataque mais concretizador (13 golos), mas a verdade é que para isso muito contribuiu o primeiro jogo, frente a Cuba, que os aztecas venceram por 6-0. Depois disso o México empatou sempre e, quando ganhou, fê-lo apenas no prolongamento e sempre através de penáltis – com a agravante de o lance contra a Costa Rica, nos quartos-de-final, ser bastante duvidoso e de o castigo máximo frente ao Panamá aos 90’, que levou a partida para prolongamento, ser inexistente. Pode dizer-se, por isso, que a final devia ter-se disputado entre jamaicanos e panamenhos.

Mas, se a presença mexicana na final é imerecida, o triunfo na partida decisiva é incontestável. A equipa de Manuel Herrera, disposta num 3-5-2, foi quase sempre superior à Jamaica, mesmo não podendo contar com Carlos Vela e com o portista Herrera. Tirando os primeiros 15 minutos, em que os jamaicanos empurraram o adversário para o seu meio-campo fazendo-se valer de uma boa estampa física, jogando a um ou dois toques e envolvendo os laterais no jogo ofensivo, o México conseguiu mandar na partida com naturalidade. A maior objectividade e serenidade iniciais do conjunto treinado pelo alemão Winfried Schäfer foram sendo suplantadas pela maior técnica, experiência e organização colectiva dos mexicanos.

Os aztecas fizeram valer a sua superioridade no meio-campo, tanto numérica como de qualidade, para impor o seu futebol à Jamaica. O virtuoso Andrés Guardado mostrou ser, uma vez mais, a figura principal da sua equipa, mas Jesús Dueñas (substituiu Herrera no onze) foi uma agradável surpresa e mesmo Jonathan dos Santos, não sendo um trinco (contra adversários melhores terá mais dificuldades se actuar nessa posição), realizou um bom jogo em virtude de ter sido muito mais requisitado na construção do que no momento defensivo. Nas laterais, Paul Aguilar cumpriu à direita mas, no flanco contrário, Miguel Layún esteve em foco, procurando invariavelmente o jogo interior para provocar desequilíbrios. Na frente, Oribe Peralta esteve sempre mais fixo do que Jesús Corona, mas foi este último quem, fazendo uso da sua boa agilidade e capacidade de drible, protagonizou mais lances de perigo. Já os centrais Diego Reyes, Francisco Rodríguez e Oswaldo Alanís tiveram uma noite tranquila, bem como o guardião Guillermo Ochoa.

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Guardado e Watson foram os melhores das respectivas equipas, mas foi o mexicano quem mais brilhou
Fonte: Facebook Oficial Selección Nacional de México

O primeiro golo do México surgiu aos 31 minutos, por intermédio de Guardado. Livre a meio-campo, bola alta para Dueñas na direita, cruzamento e vólei tecnicamente perfeito com o pé esquerdo do número 18, sem deixar a bola bater no chão. Os mexicanos estavam confortáveis no jogo e poderiam ter ficado ainda mais, caso o árbitro tivesse expulsado, como devia, o capitão da Jamaica, Rodolph Austin.

O segundo tempo começou com novo golo do México. O central Michael Hector atrapalhou-se com a bola no meio-campo, o jovem craque Corona conduziu-a até à entrada da área e rematou cruzado de pé esquerdo. 2-0 para a Verde, que confirmava na prática o seu favoritismo teórico. A partir daí o jogo perdeu interesse, com o México a controlar de forma tranquila e a Jamaica não conseguir reagir às contrariedades. Aos 60’ a história da partida teve o seu ponto final, quando o desastrado Hector colocou a bola nos pés de Peralta e este aumentou a vantagem. A boa entrada em campo da Jamaica já era, por esta altura, uma memória distante.

Daí para a frente, jogou-se para cumprir calendário. Os caribenhos queriam mas não podiam, e o México geria a seu bel-prazer. Até final os mexicanos podiam, mesmo em ritmo de passeio, ter marcado por mais uma ou duas vezes, mas foram os Reagge Boyz que chegaram ao golo, por intermédio do suplente Darren Mattocks. Prémio de consolação para uma equipa que, pese embora a derrota, alcançou a sua melhor classificação de sempre na Gold Cup, superando o 3º lugar de 1993. O México, por seu turno, confirmou a sua supremacia continental: venceu três das últimas quatro edições da Gold Cup e dobrou o número de conquistas dos EUA, o principal rival (10 contra 5). Vitória indiscutível da melhor equipa em campo – que, contudo, e conforme já se disse, não devia ter marcado presença na final.

Última nota para a exibição da Jamaica, que realizou uma grande competição. Plenamente conscientes das suas fragilidades, os jamaicanos apostaram num 4-4-2 com dois avançados móveis (Simon Dawinks e Giles Barnes). Apesar de tecnicamente limitada, equipa esteve muito organizada e agressiva (por vezes demasiado) até sofrer o 2-0. Je-Vaughn Watson foi o maior destaque pela positiva, emprestando muito músculo ao meio-campo e apoiando algumas vezes o ataque, fruto de uma enorme disponibilidade física. O extremo-esquerdo Jobi McAnuff também não esteve mal. Contudo, apesar de algumas boas indicações, os Reagge Boyz foram macios e pouco criativos no último terço, mostrando não terem armas para contrariar o México. Tirando os primeiros minutos, raramente chegaram à área adversária. O golo de Mattocks caiu do céu.

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Corona esteve em bom plano e não engana: é craque
Fonte: Facebook Oficial Selección Nacional de México

 

A Figura

Andrés Guardado – melhor jogador mexicano na Gold Cup e na final. Foi o mais esclarecido mesmo quando era a Jamaica que controlava, fazendo uso da sua inteligência, visão de jogo, condução e técnica de passe para levar a sua equipa para a frente. Pisou zonas mais interiores do que seria de esperar, mas é aí que rende mais. Grande golo a desbloquear o marcador. Corona (pode ter um grande futuro), Layún e Dueñas foram os outros jogadores em maior destaque.

O Fora-de-Jogo

Verdade desportiva – Desde a fase de grupos – onde só ganhou a Cuba – que o México não marcava um golo sem ser de penálti. Tanto contra a Costa Rica (castigo máximo aos 120+4’) como frente ao Panamá (aos 90+10’) foram evidentes a más decisões dos árbitros. Premeditado? Ninguém o saberá dizer, mas a verdade é que o Panamá foi arredado da final por uma péssima decisão. Mais um exemplo de como quem rejeita a introdução de tecnologias no futebol está a contribuir para a perpetuação da mentira. Quando ao jogo propriamente dito, o central jamaicano Hector esteve péssimo em dois dos três golos sofridos pela sua equipa e terá de ser o destaque negativo.

 

Foto de capa: Facebook Oficial Selección Nacional de México

NY Red Bulls 2-1 Benfica: Só faltou marcar mais do que o adversário

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Ainda não foi desta que o Benfica de Rui Vitória conseguiu vencer um jogo na pré-temporada. Os encarnados sucumbiram à maior eficácia dos norte-americanos e somam, já, três encontros sem vencer na fase de preparação para 2015/2016.

O resultado, segundo Rui Vitória, deverá ser relativizado e é nesta altura que, segundo o ribatejano, se deve errar de forma a mitigar os efeitos de um eventual erro em plena competição. Será dada, por isso, maior importância aos processos assimilados pela equipa do que propriamente ao resultado. A exibição terá, portanto, mais valor.

O adepto poderá não o ver assim, mas se, de facto, a exibição contar mais que o resultado, então Rui Vitória tem motivos para estar satisfeito. A nível físico apenas a espaços se foi notando a diferença de ritmo competitivo entre as duas equipas. A nível táctico, o Benfica, não esteve irrepreensível, mas foi notória a segurança da equipa na sua própria organização, quase não se notando a integração de oito caras novas no onze titular face ao utilizado diante da Fiorentina (entre elas, as de Ederson, Nélson Semedo, Carcela, Taraabt e Jonathan Rodríguez, que não integraram o plantel principal no ano passado) e a espécie de nuance introduzida por Rui Vitória neste encontro: jogo mais perto de um 4x2x3x1 que de um 4x4x2, com Taraabt mais recuado do que Jonas no papel de “segundo avançado”.

Pizzi esteve em destaque Fonte: Facebook oficial de Pizzi
Pizzi esteve em destaque
Fonte: Facebook oficial de Pizzi

Essa segurança permitiu ao Benfica um jogo mais desinibido desde o início, com excelente envolvência ofensiva desde os defesas laterais (especialmente Nélson Semedo, a revelar-se uma boa surpresa) aos alas, passando pela zona central, onde Pizzi foi o maestro de uma orquestra que, aos poucos, parece ir sendo afinada. Foi assim que o Benfica chegou ao golo. Uma bola cruzada por Nelson Semedo ressaltou para Carcela, que ao tentar contornar o adversário ofereceu a bola a Pizzi para o português, destemido romper pela grande área e atirar a contar para o golo inaugural.

A partir daqui, o Benfica fechou-se bem e continuou a ter bom caudal ofensivo, sobretudo no lado direito, com Carcela em evidência, revelando um entendimento notável tanto com Pizzi como com Jonathan Rodríguez e Taraabt. Não fosse o desposicionamento de Sílvio, por duas vezes apanhado a defender demasiado por dentro, e a exibição seria quase irrepreensível até ao momento em que Luisão teve um erro clamoroso: ao querer atrasar a bola para Ederson de primeira, o passe saiu curto e Wright-Phillips não perdoou e empatou o encontro, deixando-o assim até ao intervalo.

Durante o descanso houve muitas alterações do lado dos New York Red Bulls – “sobreviveu” apenas um dos centrais a esta “enchurrada” e o novo onze impôs mais dificuldades ao Benfica. Porém, essas dificuldades foram sendo contornadas pela rebeldia de iniciativas individuais levadas a cabo por Djuricic ou pelas excelentes combinações de uma sociedade que promete fazer sucesso na criação de perigo para as balizas contrárias: Pizzi/Carcela. Faltou sempre o mais importante para o resultado, os golos, mas aquilo que o Benfica fez para o conseguir revelou que há armas ofensivas quase suficientes para continuar a causar o pânico às defesas que defronta, mesmo sem contar com as principais.

Na defesa, ainda foram merecidos alguns reparos, nomeadamente na zona em frente à grande àrea, com os médios a acusarem a falta de ritmo competitivo no segundo golo da formação norte-americana: Grella simulou e quer Pizzi, quer  Samaris cairam para o mesmo lado, deixando uma brecha para o jogador dos New York Red Bulls assinar o golo da noite.

Mas de resto nada a apontar, a não ser a falta de eficácia. A eficiência dos demais processos ofensivos, a circulação de bola e a organização defensiva demonstram estar a ser bem trabalhadas de forma a chegar ao dia 9 de Agosto com a equipa devidamente preparada para um dos jogos mais importantes da época – a Supertaça é o primeiro jogo a doer e vale um título contra a equipa do antigo treinador.

Só resta mesmo marcar mais golos do que o adversário…

 

A Figura

Pizzi – Comandou o processo ofensivo benfiquista e partiram dele as principais iniciativas dos encarnados até à sua saída. Foi ele o responsável pelo futebol vertiginoso que já se vê, a espaços, na nova águia. O golo coroou aquela que viria ser uma das melhores exibições de um jogador do Benfica nesta pré-temporada.

O Fora-de-Jogo

Luisão – Errou clamorosamente no primeiro golo dos New York Red Bulls e voltou a a errar num passe que saiu demasiado curto, mas que foi corrigido por Samaris. O capitão continuou a ser a voz de comando habitual, mas a nível técnico esteve muito abaixo do que dele é esperado e isso custou caro ao Benfica.

 

GP da Hungria: cette victoire est pour vous, Jules!

cab desportos motorizadosA Fórmula 1 imprevisível, cheia de incógnitas, acontecimentos inesperados, reviravoltas de arrepiar e corridas alucinantes está de volta. Pelo menos esteve, este domingo, no Grande Prémio da Hungria. O circuito de Hungaroring é conhecido por dificultar as ultrapassagens, mas os pilotos quiseram provar o contrário e arriscar intensamente. Uma corrida cheia de imprevistos e incidentes mas que foi, sem sombra de dúvida, a melhor do campeonato até agora. Na qualificação, nada de anormal. Lewis Hamilton voltava a sair da primeira posição com o colega de equipa Nico Rosberg ao seu lado. Mas os Mercedes voltaram a mostrar algumas susceptibilidades no arranque: Sebastian Vettel – que partira da segunda linha – conseguiu um arranque canhão e colocou-se na liderança da prova, seguido de imediato pelo outro Ferrari, Raikkonen. A primeira volta foi um pesadelo para a Mercedes: depois de perderem o comando do GP, a equipa teve de lidar com a saída de pista de Lewis Hamilton. Apesar de ter conseguido evitar as barreiras, o inglês voltou à pista para ocupar um modesto 10º lugar. E, como não podia deixar de ser, culpou Rosberg pelo seu despiste…

Por esta altura, Rosberg pressionava os dois Ferrari e Hamilton começava a sua subida vertiginosa pela classificação. Aceleração que se provaria gorada: quando o inglês estava já em quarto e a ganhar mais de 1s por volta ao colega de equipa, entrou o safety-car. O Force India de Hulkenberg desintegrou-se no fim da recta da meta (os veículos da dupla Hulkenberg/Perez voltam a mostrar pouca segurança e qualidade dos materiais) e obrigou os pilotos à velocidade controlada. Quando o safety-car saiu de pista, Hamilton arrancou – mais uma vez – bastante mal e tocou em Ricciardo. Depois de regressar às boxes para trocar a asa dianteira, posicionou-se em 13º lugar.

Vettel celebra a vitória Fonte: Facebook de Sebastian Vettel
Vettel celebra a vitória
Fonte: Facebook de Sebastian Vettel

Depois de Raikkonen abandonar, com problemas no motor, Rosberg estava virtualmente na liderança do campeonato. O alemão estava na segunda posição e Lewis Hamilton rodava, surpreendentemente, fora dos pontos. Mas, como já sabemos, a corrida só termina com a bandeira de xadrez. Numa tentativa aventureira de ultrapassar Rosberg, Ricciardo provocou um toque entre os dois veículos: um dos pneus traseiros do Mercedes furou imediatamente e a asa dianteira do Red Bull ficou seriamente danificada. Quando Nico Rosberg regressou das boxes estava em oitavo lugar, atrás de Lewis Hamilton! Na Hungria, nada correu bem à Mercedes.

Ricciardo perdeu o segundo lugar para o colega de equipa, o russo Daniil Kvyat, mas assegurou o último lugar do pódio. Vettel, esse, só teve de fazer um bom arranque e controlar a corrida a partir daí. O alemão concretizou uma vitória a la Mercedes. Num fim-de-semana altamente marcado pela morte de Jules Bianchi, a Ferrari venceu e dedicou o GP ao piloto que, inevitavelmente, viria a ser parte da equipa. O hino alemão tocou quase coladinho ao italiano e é caso para dizer que as duas melodias foram feitas para estar juntas. Outrora Schumacher, agora Vettel.

Nota positiva para a McLaren, que viu Fernando Alonso conquistar a melhor posição da época: um quinto lugar. A F1 entra agora num período de férias e regressa a 23 de Agosto, para o Grande Prémio da Bélgica – ainda com Lewis Hamilton na frente da classificação. O circuito de Spa-Francorchamps é rápido, mítico, espectacular, e exige uma relação de machine over man. Em tudo favorece os pilotos da Mercedes.

Anton Mitryushkin – A nova Cortina de Ferro do futebol russo

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Se tivesse seguido as pisadas do seu pai, o jovem prodígio do Spartak Moscovo Anton Mitryushkin seria hoje jogador de hóquei no gelo, um desporto altamente popular em toda a federação russa e na ex-União Soviética, onde Vladimir se afirmou na modalidade durante a década de 1980.

Anton, por seu lado, já afirmou por diversas vezes nutrir pouco encanto pelo desporto que fez do seu pai um dos heróis soviéticos há mais de 30 anos e, brincando um pouco com a situação, deu como desculpa o tamanho da bola (ou melhor, disco) para a sua falta de interesse pelo hóquei no gelo.

Anton Mitryushkin nasceu em Krasnoyarsk, a terceira maior cidade da Sibéria, mas aos sete anos de idade mudou-se para Rostov, onde viria a dar os primeiros passos no futebol ao serviço do FC SKA Rostov-on-Don. Quatro anos mais tarde, Anton mudou-se para o outro clube da região, o FC Rostov, e foi durante a sua curta passagem por esta equipa que o jovem guarda-redes foi chamado para representar uma espécie de selecção local num torneio promovido pela DFL (uma organização pública que promove vários torneios com vista ao desenvolvimento de jovens jogadores no futebol russo). Foi nessa mesma competição que o jovem Anton conseguiu despertar a atenção dos olheiros do Spartak Moscovo, que estavam presentes no torneio, e, como consequência, com apenas 14 anos de idade, mudou-se de malas e bagagens para a academia do clube (Tarasovka), na capital russa.

A vida em Moscovo era bem diferente daquela que tinha em Rostov, mas isso não impediu que Anton continuasse o seu desenvolvimento como guarda-redes e também como homem. A academia do Spartak, uma das melhores do antigo bloco de Leste, proporciona aos jogadores todo o acompanhamento de que necessitam quer na vida pessoal, quer na vertente desportiva e isso possibilitou a Mitryushkin tornar-se num jogador com uma maturidade e uma verticalidade impressionantes, especialmente para alguém que conta apenas com 19 anos de idade.

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Anton ao lado do seu ídolo de infância Rinat Dasaev
Fonte: sports.ru

O trabalho desenvolvido no e pelo Spartak Moscovo proporcionou a Anton a possibilidade de representar o seu país primeiro na selecção de Sub-17 e mais recentemente ao serviço dos Sub-19 e dos Sub-21. Em 2013, no Campeonato Europeu de Sub-17, que teve lugar na Eslováquia, com apenas 17 anos de idade, Anton liderou e capitaneou a sua selecção com distinção, levando-os à vitória na final contra a poderosa formação italiana. Mitryushkin foi considerado o melhor jogador do torneio e teve um papel preponderante na meia-final e na final, defendendo uma mão cheia de grandes penalidades e marcando ele próprio o penúltimo penálti no jogo contra a Suécia na meia-final.

O talento do jovem Anton não está, no entanto, circunscrito à defesa de grandes penalidades. Mitryushkin possui uma agilidade notável para alguém com 1,89 m de altura e é também detentor de um posicionamento absolutamente fantástico, que lhe permite um controlo quase total do jogo aéreo e das bolas junto ao chão, que são na grande maioria das vezes o calcanhar de Aquiles dos guarda-redes com a sua envergadura. O estilo de Anton confunde-se não poucas vezes com o do seu ídolo de infância, o lendário Rinat Dasaev. A extraordinária frieza que demonstra, algo muito pouco comum para alguém com a sua idade, e os seus movimentos dentro da pequena área trazem-nos à memória o homem que em 1988 foi considerado o melhor guarda-redes do Mundo pela IFFHS e que ficou conhecido no velho continente como “A Cortina de Ferro” ou simplesmente como o “Gato”.

Mitryushkin tem a felicidade de poder treinar actualmente com o seu ídolo de infância, uma vez que Rinat Dasaev faz parte da equipa técnica do Spartak Moscovo, acompanhando muito de perto o desenvolvimento de todos os guarda-redes do clube. Dasaev, por seu lado, teve também curiosamente a mesma possibilidade que hoje em dia proporciona a jovens como Anton, já que privou durante muito tempo com o seu mentor, o inconfundível e incomparável Lev Yashin.

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Uma das muitas defesas de Anton na final do Euro Sub-19, contra a Espanha
Fonte: Página de VK de Anton Mitryushkin

A nível internacional, o sucesso de Anton Mitryushkin não se ficou apenas pelo Campeonato Europeu de Sub-17, uma vez que foi também a estrela maior da sua selecção no Campeonato Europeu de Sub-19 que recentemente terminou na Grécia. Sob a batuta de Dmitry Khomukha, a equipa russa, da qual faziam parte muitos dos jogadores que já se haviam sagrado campeões na Eslováquia em 2013, chegou de forma algo surpreendente à final do torneio, mas caiu frente à poderosa armada espanhola, diga-se de forma inteiramente justa. Mitryushkin, por seu lado, voltou a demonstrar toda a sua qualidade e, durante a final, fez de tudo o que era possível e impossível para adiar os golos da selecção espanhola.

Ao serviço do seu clube, no entanto, as coisas não têm corrido tão bem ao jovem Anton e muitos peritos na matéria questionam quando terá ele a oportunidade de mostrar todo o seu valor na primeira equipa do Spartak. A chegada de Dmitri Alenichev ao comando do histórico emblema moscovita poderá proporcionar a Anton uma oportunidade de ouro para lentamente poder ganhar o seu espaço na equipa, já que é sabido que um dos objectivos do novo treinador e do renovado departamento de futebol é dar lugar aos jovens que são formados na academia do clube. Actualmente na baliza do Spartak está Artem Rebrov, um guarda-redes experiente e capitão de equipa, cuja carreira demonstra alguma inconsistência e não faz, nem fez nunca, esquecer outros grandes nomes que defenderam as redes do clube, como Rinat Dasaev e Stanislav Cherchesov. Anton, que já afirmou ter como objectivo de carreira tornar-se o dono da baliza do Spartak, terá, por isso, de ser paciente e aguardar serenamente pela sua oportunidade, que irá certamente surgir mais cedo do que aquilo que todos esperam.

Foto de capa: redwhite.ru