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Manchester United 3-1 Barcelona: Surpresa com dedo de Van Gaal

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Em mais um duelo de gigantes na Internacional Champions Cup, Manchester United e Barcelona proporcionaram um excelente espetáculo de futebol com os britânicos a levarem de vencida os campeões europeus por 3-1. Nos onzes iniciais, Van Gaal e Luís Enrique não surpreenderam: no lado inglês, o técnico holandês optou por colocar já um onze inicial muito aproximado daquele que certamente iniciará a Premier League; na equipa catalã, Enrique – não contando ainda com os titulares Dani Alves, Mascherano, Neymar e Messi – procurou dar mais consistência no meio campo do Barça, colocando quatro homens nessa zona do terreno (Busquets, S. Roberto, Iniesta e Rakitic). Em contrapartida, a equipa do United teve no onze três dos reforços para esta época: o lateral direito Darmian, o médio centro Schneiderlin e o jovem avançado holandês Memphis Depay.

Apesar das ausências importantes no onze, a verdade é que o Barcelona entrou a todo o gás no encontro desta noite. Aliás, nos primeiros dez minutos, assistimos a um ritmo de jogo verdadeiramente alucinante, com o perigo a rondar as balizas de De Gea e Ter Stegen. Do lado catalão, Suárez (num remate ao poste) e Sergi Roberto criaram duas excelentes oportunidades para marcar; no M. United, Wayne Rooney teve bem mais eficácia que os adversários e acabou por, no primeiro remate da sua equipa, inaugurar o marcador, aos sete minutos, na sequência de um cabeceamento após um canto. O avançado inglês aproveitou a falta de marcação de Adriano para fazer o primeiro para o United, num lance que se revelou decisivo no encontro.

Com o golo, a verdade é que o Manchester United acabou por assentar a sua estratégia. Ciente de que não poderia discutir o jogo pelo jogo com o Barça, a equipa de Van Gaal não teve qualquer receio em jogar com a estratégia para controlar os catalães. Para isso, a importância das dinâmicas de Depay e Rooney foram fundamentais, tendo em conta as limitações que ambos os jogadores foram provocando na primeira fase de construção ofensiva catalã. Durante esse período, e apesar do maior controlo da bola pelo Barça, foi o United a estar perto de marcar, com Young a proporcionar aos 27 minutos uma excelente intervenção a De Gea. Surpreendidos pela capacidade tática do adversário, o Barcelona, apesar da boa dinâmica que foi tendo, não conseguiu acercar-se com a frequência pretendida do último terço do terreno. Para que isso tenha acontecido, em muito contribuiu a capacidade defensiva de Mata e Young, que não raras vezes impediram o jogo em profundidade de Adriano e Jordi Alba. Ainda assim, a vantagem do Manchester ao intervalo era injusta, tendo em conta o número de oportunidades que o Barça continuava a desperdiçar. Até ao fim do primeiro tempo, em duas ocasiões, Suárez esteve muito perto de marcar (numa a bola foi ao poste e na outra De Gea parou o remate do avançado uruguaio).

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Suárez foi o espelho da ineficácia catalã
Fonte: Facebook FC Barcelona

O segundo tempo acabou por trazer um ritmo mais pausado ao encontro. Em virtude das diversas alterações que Van Gaal e Luís Enrique promoveram nas suas formações, Barça e United acabaram por diminuir de intensidade na segunda parte. Ainda assim, isso não invalidou a criação de lances de perigo em ambas as balizas. Aliás, aos 61 minutos, o árbitro da partida anulou (o lance deixa muitas dúvidas) um golo a Luís Suárez após excelente jogada de entendimento com Pedro Rodriguez, um dos maiores agitadores do jogo catalão. A diferença é que o Manchester United voltou a ser mais eficaz e, apenas quatro minutos após o golo anulado ao uruguaio – e já depois de imensas alterações na equipa -, os ingleses chegaram mesmo ao segundo golo, por intermédio de Jesse Lingaard, que aproveitou um lance muito bem construído no lado esquerdo do ataque do United. Sergi Roberto – que jogou adaptado a lateral direito no segundo tempo – teve muitas culpas no cartório mas isso não tira o mérito a um golo muito bem construído pelos ingleses e onde se provou a inteligência com que Van Gaal preparou a sua equipa para o jogo desta noite.

Jogando sempre mais no contra ataque e na inteligência posicional, os red devils iam vencendo por dois golos de vantagem. Até ao final do encontro, as caras novas de ambas as equipas procuraram mostrar aos seus treinadores que também são opções válidas para a nova temporada. Por isso, não foi de estranhar que o golo tenha surgido em ambas as balizas: depois de duas tentativas de Rakitic, o Barça conseguiu reduzir o marcador para 2-1 ao minuto 90 após um excelente remate de pé esquerdo do médio Rafinha. No lado inglês, foi a vez de Januzaj – em mais um erro defensivo do Barça, desta vez de Bartra – fechar o marcador em 3-1 apenas um minuto depois do golo da equipa espanhola. Num jogo com um ritmo bastante interessante tendo em conta a fase da pré temporada, o Manchester United acabou por levar a melhor numa partida onde a tática se superiorizou à técnica. Ainda assim, ficaram boas impressões de duas equipas que provaram ter armas suficientes nos plantéis para fazer excelentes épocas a nível interno e nas competições europeias.

A Figura:
Estratégia do Manchester United –
É indiscutível considerar-se que muito do mérito da vitória inglesa frente ao Barça teve que ver com a estratégia pensada por Van Gaal. Fazendo do jogo posicional a sua principal arma, os ingleses souberam aproveitar as debilidades defensivas contrárias para chegar a uma vitória surpreendente frente ao campeão europeu.

O Fora-de-Jogo:
Erros defensivos do Barcelona – Três golos sofridos devido a três erros defensivos são uma fatura demasiado alta para uma equipa que é campeã europeia. Adriano, Sergi Roberto e Bartra foram os réus dos erros que impediram o Barça de fazer um resultado melhor frente ao Manchester United. Se no ataque a equipa demonstrou uma boa dinâmica, a nível defensivo ficaram muitas lacunas para Luís Enrique corrigir.

Quaresma, morro contigo

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a minha eternidade

Ricardo Quaresma transferiu-se do Futebol Clube do Porto para o Besiktas, da Turquia, por 1,2 milhões de euros. Depois da sua segunda passagem pelo clube, ao fim de um ano e meio de excelentes prestações, o “Harry Potter” azul e branco não entra no planeamento para esta época portista. O treinador espanhol Julen Lopetegui afirmou peremptoriamente que não iria dar ao atleta o tempo de jogo que este reivindica e incontestavelmente mereceria pela sua qualidade. A relação não muito cordial entre os dois já remonta à temporada passada, tendo Q7 perdido a braçadeira por algumas atitudes intempestivas.

Não estou a escrever com o intuito de absolver ou condenar a estrutura do Porto, o treinador, ou o próprio jogador por este desfecho. Pretendo antes encetar um epílogo (precipitado é certo) que enforme uma – a minha – visão sobre este futebolista, melhor… acerca do seu génio. O “Cigano”, como é apelidado devido à sua etnicidade, durante toda a carreira teve detractores implacáveis que o desclassificavam e fãs extasiados que o endeusavam como sendo um magnífico jogador. Compreendo as duas posições e assumo-me próximo dos “religiosos”. Advogar que Quaresma é um excelente futebolista não será uma afirmação protegida pela infalibilidade. Mas quem o despreza está muito mais longe de lhe atribuir uma avaliação justa, visto que não reconhece que os seus pés foram moldados pela genialidade do Deus da circunferência.

Interessa, portanto, estabelecer esta pequena precisão ao nível de pensamento para categorizar Quaresma e o julgar com a justeza merecida. Alguém genial não precisa de ser muito bom (constante, produtivo), por exemplo, no seu trabalho (neste caso profissional de futebol). Os analistas mais especializados e o público em geral, para com esta individualidade, partem de premissas erradas quando o criticam (no sentido avaliativo). Invariavelmente tentam ajustar as suas prestações e as suas escolhas de carreira com a valia das suas capacidades inatas, do seu talento, do seu… génio.

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No FC Porto, Quaresma voltou a recuperar o seu lugar na Selecção Nacional
Fonte: fpf.pt

Isto é um labor mental que de nada vale exercitar. O pensamento de que ele deveria ser melhor do que é se fosse mais inteligente ou contido, ou que poderia ser Cristiano Ronaldo (tanto serve aqueles que o pretendem diminuir, como quem o pretende elevar). Quaresma é aquilo que é e deve ter muito orgulho no que conseguiu. Problematizem-no pelo que é e foi, não pelo que poderia (como saber?) ter sido… Na minha opinião pessoal, para além de ungido com o toque de midas da criatividade, é também um grande jogador, muito útil às equipas onde passou e com um rendimento estável. Não concordando, admito alguma legitimidade a opiniões contrárias, porque também falhou em alguns momentos em que podia ter feito melhor.

Não tenho dúvidas em relação ao seu profissionalismo, atitude, vontade, afinco, tenacidade e companheirismo. A sua autoconfiança é justificada, bem como o seu individualismo (com tamanha destreza não vai jogar fácil ao lado). O que terá sido algo prejudicial para a condução da sua carreira foi o factor psicológico de excessiva carência que lhe denoto. Quaresma tem de ser amado incondicionalmente (por todos no clube), sente-se bem se for a estrela entre os seus pares e quando todos lhe endossam a bola para resolver o jogo. A sua técnica letal germina quando é o principal jogador do onze. Se os outros o acompanham nesse reconhecimento de jogador primordial vai para cima do oponente sem temor. Já com os seus dez colegas “encavalitados” sobre si fica mais leve e solto para gingar.

Por isso, talvez, não tenha vingado no Barça (muito novo), Inter e Chelsea (titular e “menino” de Scolari, perdeu espaço depois da saída do técnico brasileiro) – nesses clubes foi mais difícil (mesmo impossível) atingir esse estatuto de jogador-chave. Por isso brilhou na cidade invicta. O FC Porto tem o tamanho e estatuto ideal para ele. Um clube sem “vacas sagradas” onde o “Mustang” pode arrancar a solo e driblar dois, três, quatro (sem no treino levar um pontapé de algum “Materazzi”)… No Porto, coroado por Jesualdo Ferreira (que o compreendeu plenamente), pôde ser a mais cintilante estrela da constelação, tendo o jogo exclusivamente mecanizado em seu torno, ficando incumbido de o acelerar, numa acção colectivamente centrípeta por si subordinada. No Dragão não apenas existiu tolerância, como se fomentou que o artista fizesse bonitos, se instigou o drible, o cruzamento e remate… de trivela (consegue efeitos na bola que mais ninguém no mundo é capaz).

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Em 2014/2015, Quaresma nunca conviveu bem com a sua não indispensabilidade
Fonte: ricardoquaresma.net

Por isso diz “sentir saudades” do “clube do coração” e do “seu Norte”. Terra que o norteou pelos caminhos mais sublimes e que ele abrilhantou. O seu potencial inefável aí se consubstanciou, numa adopção mútua de sentimentos de pertença, embora não de nascença, um filho citadino de espírito e carácter. Quaresma muitas vezes disse que dava a vida pelos portuenses azuis e brancos. Para disseminar todo o seu potencial necessita de ser incondicionalmente amado, como foi (em muitos momentos no Porto). Retribuo-lhe essa afectuosidade dizendo-lhe: “Quaresma, morro contigo”. Se algum seu treinador lhe transmitir essa carga emocional, uma simbiose inabalável nascerá. Deste modo, qualquer timoneiro terá reciprocidade em campo de Quaresma. Ou melhor, do homem que não joga futebol nem faz golos; no fundo, não é sequer futebolista – é um oleiro de chuteiras que cria obras-primas. Fundador de uma estética é, de facto, anunciante da ressurreição divina.

Foto de capa: Página de Facebook de Ricardo Quaresma

Benfica 0-0 Fiorentina (4-5 nas g.p.): Ainda em assimilação de ideias

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Segundo jogo de pré-época, outro teste exigente, frente à Fiorentina, de Paulo Sousa. Já sem Lima, havia a curiosidade de saber qual seria a táctica que Rui Vitória utilizaria. Sem o brasileiro, o plantel do Benfica adequa-se ao 4-3-3 que Rui Vitória gosta de utilizar. Ainda assim, Rui Vitória não alterou muito o modelo tácito. A única alteração foi o facto de colocar um ponta de lança sozinho na frente(Jonas) com um jogador atrás a apoiá-lo, como uma espécie de 10(a honra coube a Jonathan).

A primeira parte foi típica de um jogo de pré-época, jogada a um ritmo calmo, bastante equilibrado, com duas equipas com treinadores novos, que querem implementar os seus estilos, e os jogadores ainda a assimilarem. No entanto, a nota mais vai para o Benfica, que teve mais bola, que mostrou boa troca do esférico na saída para o ataque. Oportunidades, só uma para cada lado.

Apesar de no papel Talisca e Gaitan eram os extremos, foi curioso ver que ambos apareceriam muitas vezes no meio, abrindo espaço para Jonathan nas alas, que esteve sempre muito activo. Fica a ideia de que se Rui Vitória quiser apostar nesta forma de jogar, terá de pedir aos laterais para aparecerem mais subidos. Só com mais pendor ofensivo destes é que este modelo resultará.  Samaris também apareceu mais solto, graças à presença de Fejsa. Será interessante ver como funcionará esta dupla. Num 11 já muito bem conhecido pelo universo benfiquista, os olhos estavam postos em Jonathan Rodriguez, o único da equipa inicial que não jogou a época passada. O avançado esteve em bom plano, mostrando boa qualidade, tanto no meio como nas alas, segura bem a bola e tem agressividade. Nota-se que se quer mostrar e a continuar assim será um jogador com quem Rui Vitória poderá contar.

 

Ola John tarda em aparecer Fonte: Facebook do Benfica
Ola John tarda em aparecer
Fonte: Facebook do Benfica

A segunda começou mais animada. A Fiorentina atirou à barra(melhor oportunidade da partida), e Jonas, logo a seguir, igual a sí próprio, tira um adversário da frente e rematou ao lado. As equipas pareciam vir um pouco mais animadas para este segundo tempo. Com a expulsão de Luisão, o Benfica teve de se adaptar à inferioridade numérica e pouco mais se viu dos encarnados. Os italianos tiveram mais bola, mais iniciativa, mas poucos lances de verdadeiro perigo. O jogo voltou ao ritmo de treino, e ambos os treinadores aproveitaram para mudar as equipas.

Nesta segunda parte o destaque vai para Ola John, mas pela negativa. O holandês continua a não convencer. Lento a decidir, sem o ritmo de explosão que já mostrou no Benfica, arrisco-me a dizer que esta será a época decisiva para o jovem jogador. Apesar de ter tido alguns rasgos de qualidade com Jorge Jesus, o holandês nunca se impôs, verdadeiramente, mesmo com Gaitan e Salvio de fora. Se não conseguir vingar com Rui Vitória, penso que o melhor é mesmo sair e o Benfica conseguir algum retorno financeiro. Para já, não tem convencido na pré-época.

Com um ritmo destes, o jogo só poderia acabar a 0. Nos penalties, Carcela falhou e o conjunto de Paulo Sousa venceu por 5-4. Nestes jogos, e sendo apenas o segundo da pré-temporada, o resultado é o que menos interessa. Ainda há muito trabalho pela frente, a forma física não é a melhor, mas o mais importante destes jogos é implementar ideias. Rui Vitória terá de aproveitar os próximos 3 jogos para ver se realmente este modelo de colocar os extremos a jogar no meio resulta. Se quiser mesmo seguir com essa ideia, será necessário ir ao mercado buscar um lateral com características ofensivas. Um avançado também será uma contratação a ter em conta, apesar de Jonathan ter-se mostrado a um bom nível e ser um jogador a ter em conta. Agora é acreditar no trabalho do mister e esperar pela SuperTaça.

Foto de capa: Facebook do Benfica

Ajax Cape Town 2-2 Sporting: Equipa em construção

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O Sporting empatou esta sexta-feira a duas bolas com o Ajax Cape Town em jogo relativo à 1.ª edição do torneio da cidade do Cabo. A equipa leonina, que até conseguiu garantir a qualificação para a final da competição após as grandes penalidades, demonstrou que ainda está bastante longe daquilo que Jorge Jesus pretende.

O Sporting entrou melhor no encontro e acabaria mesmo por se adiantar no marcador através de Carlos Mané, após excelente cruzamento de Jefferson. Os comandados de Jorge Jesus apresentaram durante toda a primeira a parte uma pressão alta, com a linha defensiva subida e uma rápida reação à perda de bola. No entanto, e com as habituais alterações após o intervalo neste tipo de jogos, a equipa perdeu bastante qualidade, e a formação sul-africana acabaria mesmo por conseguir virar o resultado. Quando tudo fazia prever que a equipa da casa iria marcar encontro com o Crystal Palace, Ruben Semedo, que havia entrado pouco antes para o lugar do agora capitão Adrien Silva, restabeleceu a igualdade. Na marcação de grandes penalidades, Rui Patrício, mais uma vez, brilhou e colocou o Sporting na final do torneio.

Teo Gutiérrez mostrou bons pormenores Fonte: Facebook Oficial do Sporting/César Santos
Teo Gutiérrez mostrou bons pormenores
Fonte: Facebook Oficial do Sporting/César Santos

No que às prestações individuais diz respeito, gostaria de destacar pela positiva Gelson Martins e Teófilo Gutiérrez. O internacional sub-20 português, que foi inclusive dos que mais tempo de jogo tiveram, voltou novamente a deixar excelentes indicações e parece mesmo estar a ganhar vantagem à concorrência; relativamente ao colombiano, bastaram apenas alguns minutos em campo para demonstrar toda a sua qualidade. Pela negativa, Ciani e Naldo não me parece que venham a acrescentar grande qualidade ao plantel leonino.

Jorge Jesus não pode estar contente com o desempenho da equipa do Sporting e tem, obrigatoriamente, de exigir mais dos jogadores leoninos; de outra forma, no dia 9 de agosto, o desfecho do jogo com o Benfica pode não ser o mais saboroso.

Foto de capa:  Facebook Oficial do Sporting/César Santos

B.Monchengladbach 2-1 FC Porto: Burro velho (ainda) não aprende línguas

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Terceiro jogo de pré-época para os vice-campeões nacionais e primeira derrota. O FC Porto perdeu por 2-1 frente ao B. Monchengladbach no primeiro de quatro jogos em solo alemão. No Borussia Park, defrontavam-se duas equipas que jogarão esta temporada na Liga dos Campeões. Do lado alemão, Lucien Favre optou por atuar no sistema tático predileto, num 4-4-2 clássico com Herrmann e Granit Xhaka a funcionarem como motores do jogo ofensivo. No ataque, Lars Stindl e Raffael tinham como principal função a de obstruírem a primeira fase de construção portista. Na equipa portuguesa, Julen Lopetegui optou por um 4-3-3, onde a falta de profundidade foi por demais evidente.

Optando por colocar Evandro descaído para a ala esquerda do ataque, o técnico portista acabou por desaproveitar a primeira parte da partida. E isto porque o primeiro tempo foi um completo marasmo de ideias a nível ofensivo para os azuis e brancos. No meio campo, Danilo Pereira era o pêndulo, mas André André e Sérgio Oliveira raramente conseguiram desmontar a teia com que Favre havia colocado a sua equipa em campo. Jogando num bloco baixo, o Borussia foi sempre convidando o FC Porto a tomar as rédeas do encontro. É certo que a posse de bola foi quase sempre portista mas também é verdade que este domínio foi quase sempre estéril, tendo em conta a pouca intensidade e velocidade no jogo portista.

Aliás, a primeira parte acabou por trazer à memória a pior versão do FC Porto da época passada, na qual não raras vezes a equipa não conseguia encontrar meios para furar defensivas sólidas. A equipa ia circulando a bola sem chama, demasiado presa a uma ideia de posse que é, em tese, positiva, mas que tem de ter mais efeitos práticos no último terço do terreno. Por isso, o jogo acabou quase sempre por se disputar a um ritmo muito baixo, com o Borussia a controlar sempre os espaços como mais lhe convinha. Por outro lado, o aproveitamento que os germânicos fizeram da falta de intensidade portista foi evidente. Em dois erros portistas, o Borussia acabou por ter 100% de eficácia e praticamente resolver o jogo na primeira parte. O primeiro erro foi de José Angel, que perdeu a bola em zona proibida e deu a oportunidade a Stindl para fazer o golo inaugural do encontro, aos 20 minutos. Praticamente 20 minutos mais tarde, foi a vez de Tello cometer um erro enorme no início de construção ofensiva, permitindo aos alemães o 2-0 por intermédio de Traoré. É certo que o Borussia não havia jogado ou corrido mais que o FC Porto na primeira parte, mas a verdade é que os germânicos foram, durante 45 minutos, sempre mais inteligentes. Por isso é que, sem fazer grande coisa por isso, iam vencendo por dois golos.

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Varela esteve em bom plano na segunda parte
Fonte: fcporto.pt

Depois do erro tático na primeira parte, Lopetegui emendou a mão para o segundo tempo. O FC Porto, fruto das entradas sobretudo de Alex Sandro, Brahimi e Varela, tornou-se mais rápido, agressivo e intenso. Com as entradas de dois puros flanqueadores, a equipa ganhou a profundidade e verticalidade que não tinha existido. Os frutos acabaram por ser colhidos apenas quatro minutos após o início do segundo tempo, com Varela, após excelente trabalho individual, a fazer uma bela assistência para um golo simples de Vincent Aboubakar. O primeiro quarto de hora foi mesmo o melhor período dos portistas em campo, com André André a ser o impulsionador do meio campo portista. Nos flancos, Maxi e Varela de um lado e Alex Sandro e Brahimi do outro procuravam espaços para furar uma defensiva germânica que acabou por se manter sólida durante todo o encontro. O problema para os portistas veio depois, com a dança das substituições. Com as múltiplas trocas que Favre e Lopetegui fizeram a partir do minuto 60, o jogo diminuiu ainda mais de intensidade, e o fôlego com que os portistas começaram o segundo tempo acabou por se ir diluindo. Até ao final, destaque apenas para remates perigosos de Rúben Neves e André André, bem como para uma excelente defesa de Casillas (a única no encontro) a remate de Herrmann.

Com uma postura mais inteligente em campo, o Borussia acabou por levar de vencido um FC Porto que acabou por entregar uma parte ao adversário. Do jogo contra os alemães, fica a ideia de uma equipa portista que quer manter a mesma cultura de posse. Ainda assim – e depois dos erros defensivos que marcaram sobretudo o início da época passada – as falhas de Angel e Tello nesta sexta feira terão que ser um alerta para Lopetegui para que o que aconteceu no último ano não se repita daqui a umas semanas. E isto porque, se erros como os desta tarde não têm grande importância na pré época, a nível oficial podem ser cruciais.

A Figura:
Varela –
Do jogo frente ao Borussia fica claramente como ponto positivo o primeiro quarto de hora da equipa portista. Para que isso tenha acontecido, em muito contribuiu a verticalidade trazida pelo extremo português no segundo tempo. Mesmo que não tenha sempre tido as melhores opções, a verdade é que hoje viu-se um Varela à procura do seu espaço no plantel portista. Veremos se o extremo continuará nesta linha de rendimento.

O Fora-de-Jogo:
Erros defensivos –
A época passada devia ter sido suficientemente elucidativa para que os jogadores portistas não fizessem erros como os desta tarde. A verdade é que Angel e Tello comprometeram a equipa e acabaram por dar de bandeja a vitória ao Borussia.

Manchester City 1–4 Real Madrid: Vencer para voltar a sorrir

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Real Madrid e Manchester City defrontaram-se esta manhã em Melbourne, num estádio lotado com quase 100 mil espetadores, em encontro a contar para a International Champions Cup. No final da partida, foram os merengues a sorrir, ao lograrem uma imponente vitória, pelo convincente resultado de 4-1, ante os vice-campeões ingleses.

Tem sido largamente debatido o suposto desentendimento entre o técnico do Real, Rafa Benítez, e a estrela da companhia, o internacional português Cristiano Ronaldo, fruto da atribuição de uma maior importância ao galês Gareth Bale em campo e no seio da equipa. No entanto, esse problema aparenta já estar ultrapassado, tendo ambos os jogadores realizado uma exibição de alto nível e procedido a inúmeras combinações em jogadas do ataque madrileno.

Rafa Benítez optou por manter o núcleo duro do plantel no onze titular – excetuando James Rodríguez, que deverá ocupar a posição desempenhada hoje por Isco – e, contrariamente ao que sucedeu no primeiro jogo da pré-época com a AS Roma, o treinador espanhol viu a sua equipa imprimir grande dinâmica dentro das quatro linhas, dando a entender que as principais ideias do novo timoneiro já estão assimiladas pelos jogadores.

Na partida face ao Manchester City, viu-se um ataque merengue com maior mobilidade do que outrora, com um excelente fluxo de circulação de bola e um bom entendimento entre as referências ofensivas da equipa. De salientar a função de Gareth Bale em campo, sendo que quando o conjunto de Benítez perdia a bola, o galês posicionava-se no setor central, atrás do avançado – passando Isco para a direita -, tendo primordial importância na reação à perda de bola. Foram várias as vezes em que o extremo recuperou o esférico e lançou o contra-ataque, situação que deverá continuar a suceder ao longo da temporada.

O Real Madrid dominou a partida, embora tenha sentido algumas dificuldades no começo do jogo, e, sem surpresa, adiantou-se no marcador com dois golos a meio da primeira parte. Karim Benzema fez o primeiro, com um excelente remate

à meia volta, após iniciativa individual de Carvajal e assistência de Bale. Para complementar a vantagem, Cristiano Ronaldo também fez o que melhor sabe, à passagem do minuto 25, após uma desmarcação de Toni Kroos, que evidenciou duas das qualidades que melhor definem o médio alemão: a elevada qualidade de passe e visão de jogo ao nível de poucos. O encontro continuaria a ser marcado por tons portugueses, com o central Pepe a estabelecer o 3-0, ao responder de forma exímia a um pontapé de canto de Isco.

Cristiano Ronaldo marcou o primeiro golo nesta pré-temporada Fonte: Real Madrid C.F.
Cristiano Ronaldo marcou o primeiro golo nesta pré-temporada
Fonte: Real Madrid C.F.

Os citizens, que evidenciaram tremenda falta de experiência no setor central defensivo, com Danayer e Humphreys a titulares (fator decisivo para o desfecho do encontro), ainda conseguiram resposta tímida no primeiro tempo, ao reduzirem a desvantagem através da marca de grande penalidade pelo portento médio costa-marfinense Yaya Touré, sendo que o lance foi mal assinalado, pois a falta cometida por Sergio Ramos foi fora da área. Ao longo da partida, foram poucos os momentos em que o Manchester City – que se viu privado de uma das suas aquisições, Fabian Delph, prematuramente – conseguiu criar perigo para as redes adversárias, sendo que o fluxo ofensivo da equipa passou pelo pé esquerdo do criativo David Silva e pela irreverência da contratação mais sonante deste defeso, Raheem Sterling, que sem o devido apoio não conseguiu quebrar o muro defensivo estabelecido pelos merengues.

A segunda parte viu o Real Madrid continuar a controlar o ritmo de jogo e também deu lugar à entrada em campo de Danilo e Casemiro, que na época passada representaram o FC Porto, ainda que não tenham conseguido mostrar todo o seu potencial a Rafa Benítez neste jogo. Com as habituais substituições, situação comum em partidas de caráter particular, o jogo perdeu vivacidade e o ritmo baixou continuamente. Destaque ainda para Cheryshev, que colocou um ponto final no resultado, ao fazer o 4-1, em resposta a passe de Isco (sem dúvida, um dos melhores em campo).

Com esta vitória ficam algumas ideias a reter do lado merengue: com a venda de Casillas e se a compra de De Gea não for concluída com sucesso, a baliza merengue deverá estar entregue a Keylor Navas, que oferece mais segurança defensiva à equipa do que o recém-contratado Kiko Casilla; na defesa, a única dúvida está na lateral direita (se ninguém sair, Pepe, Ramos e Marcelo devem completar o setor defensivo), sendo que Carvajal tem mantido a titularidade nos

primeiros compromissos da pré-temporada, mas com o valor que Danilo custou aos cofres de Florentino Pérez e com o potencial que lhe é conhecido, esta promete ser uma “luta” renhida.

O meio-campo está bem entregue a Kroos e Modric, sendo que hoje foi percetível a mudança de paradigma face à época transata, sendo que ambos os jogadores aparentam ter menor liberdade para subir no terreno, mantendo mais a posição, algo que se percebe tendo em conta as descompensações que víamos habitualmente na turma merengue.

No ataque, a problemática consiste no sistema de jogo que Benítez pretende adotar, se o 4x4x2 ou o 4x3x3, sendo que entre Ronaldo, Bale, Benzema, James Rodríguez e Isco, um deles terá que ser sempre sacrificado do onze titular, com a balança a pender de forma mais acentuada para o médio espanhol.

No que concerne ao Manchester City, Pellegrini tem muito que trabalhar até ao início da Premier League. Pese embora o facto de ter defrontado um adversário com a qualidade do Real Madrid e de ter atuado com dois jovens no centro da defesa, a equipa inglesa demonstrou várias fragilidades defensivas, bem evidentes no resultado final. No meio-campo defensivo, Fernando não foi suficiente e a saída de Delph expôs as debilidades defensivas da equipa. Em termos ofensivos, é percetível que Sterling será uma ajuda para a equipa, mas é necessária uma referência ofensiva, algo que acontecerá aquando da chegada de Sergio Aguero, ainda de férias.

O Real Madrid levantou, assim, o troféu da digressão australiana da International Champions Cup e, embora seja Sergio Ramos o atual capitão merengue, foi Cristiano Ronaldo a erguer a taça, após uma convincente vitória e uma boa exibição, que fizeram o internacional português voltar a sorrir em campo.

Foto de Capa: Real Madrid C.F.

Inversão de tendências

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brasileirao

Chegámos ao verão. Sei que não tenho o prazer de humildemente escrever para um site ou um blog de moda ou maquilhagem. Porém, este verão trouxe-nos uma nova disposição no que ao mercado futebolístico diz respeito: a da ida de jogadores portugueses para o Brasil.

Bruno Pereirinha assinou esta semana contrato com o Atlético Paranaense. O lateral direito (ex-Sporting, por exemplo) vai passar a figurar nos planos do “Furacão” – epíteto carinhoso pelo qual este clube, que se veste de vermelho e negro, é conhecido. Atualmente, o Atlético Paranaense encontra-se na 8.ª posição, com uns confortáveis 22 pontos. Acredito que a equipa do Estado do sul do país poderá lutar por uma vaga no G4 – o grupo dos quatro primeiros classificados, que dá acesso à Taça dos Libertadores da América do ano vindouro.

Bruno Pereirinha assinou contrato com o Atlético Paranaense Fonte: Clube Atlético Paraense
Bruno Pereirinha assinou contrato com o Atlético Paranaense
Fonte: Clube Atlético Paraense

Feitas as apresentações, acredito que poderá ser muito promissor o futuro de Pereirinha no Brasil. Confesso, até, que ficarei com muita curiosidade de ver as exibições do atleta de 27 anos. Em termos culturais não terá diferença praticamente nenhuma, já que portugueses e brasileiros partilham um passado comum e uma maneira de pensar, sentir e agir – é assim que a sociologia define cultura – bastante semelhante. Em termos de jogo, sim, acredito que fará alguma diferença, já que no futebol brasileiro (interno) existem muitos momentos de jogo em que este se quebra e existem muitas situações de inferioridade numérica ou vice-versa. Esperar para ver.

Depois de Pedro Álvares Cabral ter partido com as suas caravelas para Terras de Vera Cruz, fizeram-se movimentos migratórios em ambos os sentidos; mais para um lado ou para o outro, consoante o tempo e a “bonança das marés”. Agora é a vez de os brasileiros verem de que matéria são feitos os jogadores lusos. Não é a primeira vez que tal acontece, é certo, mas seria gratificante ver um movimento futebolístico a migrar também para o Brasil. Para não ser sempre a mesma coisa. Assim tem mais piada

Pablo Aimar, o aDeus de “um 10 imortal”

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O futebol encerrou, há uma semana, mais uma página dourada da sua bonita história. Se voarmos por entre as folhas desse longo passado encontramos registos incríveis e nomes como os de Pelé, Ghigia, Sócrates, Zico, Eusébio, Maradona, Beckenbauer, Voller, Cruijff, Van Basten, Yashin, Romário, Baggio, Ronaldo, Zidane, que de uma forma ou de outra, com títulos, golos ou magia, conquistaram o Olimpo deste desporto. O mesmo, na minha opinião, sucede com Pablo Aimar, que terminou a sua carreira na passada quarta-feira e agora se junta a este conjunto de nomes, e muitos mais, que nunca mais ninguém terá o prazer de ver jogar, mas que todos teremos o gosto de contar às próximas gerações a sua valia e falar sobre as saudades que teremos de os ver em ação.

O caro leitor deve estar a perguntar por que motivo estou a falar de Pablo Aimar e não da atualidade semanal do Benfica. Mas permita-me fazer aqui uma exceção e esquecer os nossos artistas por uns dias e dedicar umas linhas ao génio argentino que marcou a nação encarnada e nos deu grandes alegrias.

Recuo até 2008, quando Pablito chegou à Luz e Rui Costa lhe passou a camisola 10. A expetativa criada foi grande, mas as dificuldades físicas que sempre assolaram Aimar obrigavam a que existisse alguma cautela. Como se confirmou, El Mago não foi brilhante na sua primeira época. O Benfica de Quique Flores apenas ganhou a Taça da Liga e talvez muitos tenham pensado que o argentino vinha aqui ganhar a sua reforma, dadas as suas condições físicas. Mesmo assim, nunca esquecerei, nessa primeira época, alguns momentos técnicos que só Aimar me deu de águia ao peito. Alguém se lembra daquela Rabona em Guimarães, atrás do meio campo, que isolou Suazo?

Brilhou de águia ao peito, num total de 179 jogos Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Brilhou de águia ao peito, num total de 179 jogos
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

É de acrescentar que o técnico espanhol nunca soube moldar a equipa para fazer sobressair Aimar, e o número 10 é um daqueles jogadores que devem ter uma equipa em função dele. Quem percebeu isso foi Jorge Jesus e montou um 4-4-2 losango, que colocava Aimar no seu lugar predileto e o fazia sentir-se como um peixe na água. O trabalho do departamento médico do Benfica foi também muito importante (nesta segunda temporada aumentou significativamente o número de jogos, de 29 para 41) e contribuiu para que o argentino fizesse uma época estrondosa, sendo um dos grandes responsáveis pelo “rolo compressor” e pela nota artística do Benfica naquele ano. Foi, sem sombra de dúvida, o melhor Benfica que eu vi desde que nasci, e Pablo Aimar era o maestro de uma orquestra tão bem afinada.

Depois dessa época continuou de águia ao peito e, embora o Benfica não tenha feito uma época tão boa, até porque perdeu alguns elementos e a tática foi um pouco alterada, Aimar continuou a ter a sua importância e ninguém me tira da cabeça aquela meia-final da Liga Europa contra o Braga, em que na primeira mão o argentino viu um amarelo injusto (o livre deu o golo do Braga) e ficou afastado do segundo jogo. Com Pablito tínhamos sabido ultrapassar os minhotos!

Aimar iria abandonar Lisboa dois anos mais tarde (no final de 2012/13) e rumar a caminhos do petróleo, agora sim em fase final de carreira. Deixou marcas no terceiro anel e um cântico que o colocava ao lado de Eusébio e Rui Costa, como um 10 imortal. A Luz não esquecerá Aimar, como Aimar não esquecerá o Benfica e os seus adeptos, como várias vezes faz questão de lembrar. Todos sabemos que o mago argentino não é benfiquista, o seu clube é o River Plate e por isso foi lá que quis pendurar as botas, mas temos a certeza de que o Benfica ficou no seu coração.

Aimar realizou o último jogo com a camisola encarnada na derrota da Final da Taça de Portugal em 2013, entrando perto do fim Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Aimar realizou o último jogo com a camisola encarnada na derrota da Final da Taça de Portugal em 2013
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

O Benfica deu muito ao futebolista, numa fase menos boa da sua carreira, e Aimar retribuiu com qualidade no seu jogo, com magia, com carinho e entrega. Pablito deu aos benfiquistas a oportunidade de ver na Luz um daqueles jogadores com um perfume raro, com um toque de bola de génio e uma visão de jogo acima da média. Aimar é um daqueles poucos jogadores que pensam mais rapidamente que o adversário e que já sabe o que fazer quando o esférico ainda nem chegou aos seus pés. Hoje em dia, são muitos os jogadores apelidados de génios, até eu o faço frequentemente, mas Aimar é mais que isso! Aimar é um Deus do futebol, e todos sabemos que, se não fossem as suas frequentes lesões, a carreira do argentino teria tocado a perfeição e os grandes títulos individuais.

“Pablo Aimar é o único jogador por quem pagaria bilhete para ver jogar”, disse Maradona durante o Mundial 2006, quando Aimar era um dos jogadores da seleção argentina.

“Quando eu tinha 13 ou 14 anos adorava ver jogar o Aimar. Ele é brilhante, eu divertia-me imenso a vê-lo”, disse Leo Messi, assumindo que El Mago era o seu ídolo.

As duas maiores figuras de sempre do futebol argentino sempre teceram grandes elogios a Aimar e têm certamente a noção de que o jogador estaria ao seu lado no Olimpo argentino, não fossem as debilidades físicas. Aimar também terá essa noção, mas para quê falar de tristezas na semana em que um dos jogadores mais brilhantes da história do futebol termina a carreira? Aimar deu muitas alegrias aos adeptos, que o digam os do Valencia, e brindou os amantes do desporto com pormenores fantásticos. Era um jogador que traduzia na perfeição aquilo que pretendemos do jogo: magia, emoção e qualidade.

Chegou a ostentar a braçadeira de capitão e será, para sempre, uma das figuras do Benfica Fonte: Facebook Sport Lisboa e Benfica
Chegou a ostentar a braçadeira de capitão e será, para sempre, uma das figuras do Benfica
Fonte: Facebook Sport Lisboa e Benfica

Pessoalmente, Aimar sempre foi um ídolo, mesmo muito antes de o ver vestir o manto sagrado, e foi um dos responsáveis por ter ganhado tanto amor a este desporto. Nunca me habituarei a não o ver nos grandes palcos porque os melhores fazem sempre falta, independentemente dos craques que surjam. Pablito cativou-me também por outra coisa: pela sua personalidade e humildade. Um verdadeiro cavalheiro, que raramente encontrou inimigos dentro de campo.

Agora que pendura as botas, agradeço-lhe como benfiquista por ter vestido a nossa camisola (tão bem que ela lhe ficava) e por tudo o que nos deu, mas sobretudo agradeço-lhe como adepto de futebol por momentos de magia maravilhosos com que ao longo de 18 anos nos foi presenteando. Resta-nos ficar com os seus vídeos e mostrá-los aos mais novos para que se baseiem em Aimar para crescerem como futebolistas. Se eles quiserem ser como ele já estarão mais perto do sucesso, mas têm de ter sempre a ideia de que não poderão ser El Mago, já que Aimar só há um e não existem cópias!

Obrigado, Ídolo!

 Foto de capa: Facebook Sport Lisboa e Benfica

PSG 4-2 Fiorentina: Começar num bocejo e acabar na meia dúzia

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O encontro da Champions Cup que opôs Paris Saint-Germain e Fiorentina começou por evidenciar sinais de perigo. Perigo, mas para o telespectador com o fuso horário europeu que pretendesse manter-se acordado a fim de acompanhar as incidências do que (não) ia acontecendo no relvado nova iorquino.

Os parisienses foram a jogo apresentando já alguns elementos de primeira linha, com destaque para Ibrahimovic, Lucas, Matuidi ou van der Wiel, ao passo que Paulo Sousa foi adiando para a segunda metade a entrada de alguns jogadores que por certo serão opções regulares.

A primeira meia hora foi enfadonha, sem oportunidades relevantes e com a típica baixa intensidade de pré-época. Neste período, o sinal mais pendeu invariavelmente para o lado do PSG, ainda que a ocasião mais flagrante tenha surgido junto da baliza de Trapp; Matias Vecino, num pontapé livre, acertou em cheio no poste direito do alemão. Contudo, perpassava a nítida sensação de que, à mínima aceleração pelos flancos, a formação de Laurent Blanc  poderia causar estragos no esquema de três centrais adoptado por Paulo Sousa. Foi o que aconteceu à passagem do primeiro terço do encontro, quando van der Wiel, à semelhança do que vinha acontecendo do lado contrário com Lucas e Maxwell, conseguiu ganhar a linha de fundo para servir Matuidi que, qual ponta de lança, encontrou uma brecha no meio dos centrais para inaugurar o marcador.

O mesmo Matuidi, que se cotaria como um dos melhores em campo, não tardou a envolver-se no lance do segundo golo, já perto do intervalo. Desta vez quem beneficiou foi o jovem Augustin, até então com uma prestação algo discreta, para acrescentar mais um golo ao seu pecúlio do defeso.

O técnico português foi o primeiro a promover ajustes na equipa, lançando ao intervalo Bernardeschi, Valero e Babacar para os lugares de Mario Gomez (passou ao lado do jogo), Badelj e Diakhate. O impacto foi quase imediato e com isso ganhou o espectáculo.

Mario Gomez esteve longe do que é capaz Fonte: Facebook da Liga Europa
Mario Gomez esteve longe do que é capaz
Fonte: Página de Facebook da Liga Europa

Rebic, logo nos instantes iniciais, dispôs de uma ocasião soberana para reduzir à entrada da pequena área. O golo Viola apareceria minutos mais tarde, por intermédio do recém entrado Joaquín, com um belo disparo de fora da área logo no seu primeiro contacto com a bola. Bernardeschi e Valero trouxeram um fulgor aos italianos que tinha andado arredado na primeira metade e, finalmente, pode dizer-se que o jogo ficou melhor repartido.

Ibrahimovic, no entanto, encarregou-se de repor a “normalidade” nos acontecimentos, ampliando a vantagem da sua equipa com uma excelente finalização no coração da área, com uma excepcional assistência de Lucas. O sueco mostrou que a pausa de verão não beliscou as suas qualidades inatas, demonstrando já disponibilidade física para aparecer em foco tanto a construi como a finalizar.

O 3-1 complicava as contas aos homens de Florença e se Joaquín tinha sido chamado à acção da melhor forma possível, o mesmo já não se pôde aplicar a Lezzerini à entrada para o último quarto de hora. Imediatamente após render Tatarusanu nas redes da Fiorentina, o guardião transalpino iria buscar a bola ao fundo das redes na sequência de um disparo aparentemente inofensivo de Augustin. Este tento feriu de morte as aspirações dos comandados de Paulo Sousa, que mais não conseguiram do que encurtar distâncias através do regressado Giuseppe Rossi através de uma pontapé da marca de grande penalidade.

Feito o rescaldo, pôde perceber-se que o PSG dispõe de algumas opções bastante interessantes para acrescentar qualidade à constelação dominante no plantel. Augustin insiste em reclamar atenção com sucessivos golos, Kimpembe mostrou segurança no eixo da defesa e Trapp perspectiva-se como uma alternativa bastante válida a Sirigu. A Fiorentina, pese embora tenha defrontado o primeiro adversário de elevado calibre da pré temporada, evidenciou algumas fragilidades defensivas, sobretudo pelas laterais, e apenas com as substituições conseguiu criar algumas situações de perigo. Resta saber o que mais trará o mercado a ambas as partes.

A Figura:
Augustin- Já tinha marcado ao Benfica e voltou a exibir talento e faro de golos. Não sendo absolutamente certo que permaneça no plantel principal esta temporada, a verdade é que se apresenta como o jogador mais concretizador da sua equipa e demonstra potencial para se tornar um jogador interessante.

O Fora de Jogo:
Permeabilidade defensiva da Fiorentina- O PSG explorou as alas sem grande dificuldade e foram várias as oportunidades de golo entre os três centrais. Paulo Sousa tem elementos válidos para o sector, como o incontornável Rodriguez, mas terá ainda algum trabalho pela frente para olear processos e escudar as suas redes convenientemente.

Foto de capa: Site do PSG

“The North remembers”

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A frase tornou-se célebre na temporada mais recente da série “Game of Thrones”. Depois da mais poderosa família (Stark) do Norte do continente de Westeros ser chacinada, alguns vassalos ainda fiéis à casa soberana transmitem estas palavras a Sansa, aquela que é dada como última sobrevivente da linhagem Stark. O Norte não se esquece.

Ricardo Quaresma também nunca vai esquecer o “seu” Norte. Numa emotiva mensagem de despedida publicada no seu blogue pessoal, o extremo portista despediu-se pela segunda vez do FC Porto com um agradecimento e declaração de amor ao clube. Quaresma segue agora para o Besiktas, outra casa onde já foi feliz, e deixa para trás 67 jogos e 19 golos marcados em época e meia de dragão ao peito.

As opiniões sobre a saída do “mustang” divergem e, sou sincero, admito que eu próprio ainda não fui capaz de definir em qual dos grupos me insiro. Numa altura em que se fala tanto da mística (ou falta dela) no balneário do FC Porto, um dos jogadores que melhor conhece o clube faz as malas; este é um dos argumentos apontados por aqueles que eram contra a saída de Quaresma e este foi, aliás, um dos tópicos que pode ter conduzido à saída do mesmo da Invicta. Lembram-se da entrevista ao Expresso, não lembram? No entanto, sou dos primeiros a dizer que Quaresma não simboliza a mística portista. Ele ama o clube, isso é certo, mas não carrega o espírito dos grandes capitães azuis e brancos. Se calhar, assim é porque o seu caráter não permite que seja de outra forma. Que fique bem claro: a culpa não é dele. Apenas considero que só alguns “predestinados” podem ser a personificação da alma do FC Porto.

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Sentir o clube e compreender a mística são coisas diferentes
Fonte: Facebook Oficial Ricardo Quaresma

Mas não posso ser hipócrita e ingrato. Tenho toda a consideração por RQ7. Sei muito bem que, a partir de agora, serão muito poucos os que vão baixar a cabeça para beijar o brasão que têm ao peito. As trivelas vão desaparecer e as fintas com o selo do cigano também. Varela é o substituto direto, um jogador voluntarioso e mais fácil de controlar, mas que em termos de imprevisibilidade e talento puro não está no patamar do Harry Potter. A centelha mágica de Quaresma viaja para Istambul e o Dragão vai sentir saudades.

Por tudo isto, é seguro dizer: o Norte também não se esquece de ti, Ricardo. Pelo amor público que tens pelo FCP, pelos milhares que levantaste da cadeira jogo após jogo, pelas trivelas, pelos golos e por seres o primeiro a tentar empurrar a equipa, ainda que nem sempre da forma mais correta. Por outro lado, é sabido que agora já não seria possível continuares aqui. As farpas estavam lançadas e o mau ambiente instalar-se-ia se ficasses. O responsável foste tu, e acho que tens consciência disso. Essa cabeça quente foi, muito possivelmente, o que te fez falhar nos momentos decisivos e o que te impediu de chegar ao topo dos topos. A ânsia de ser diferente, quando se pedia normalidade. Por isso, termino: obrigado e boa viagem, Quaresma. Boa sorte para mais uma etapa.