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O adeus à Europa | Sporting CP

Depois de 25 anos sem basquetebol, o basquetebol do Sporting CP tem vivido tempos bastante auspiciosos. Ora, depois de terminar a temporada (incompleta) 2019/2020 em primeiro lugar, permanece nessa mesma posição em 2021 e invencível, sem qualquer derrota. Para além disso, a vitória da Taça de Portugal, diante o FC Porto, comprovou este domínio interno no basquetebol nacional, ao passo que parece um cenário muito difícil de contestar pelos adversários.

Isto é, até ao momento, sendo que o resultado deste fim de semana na Taça Hugo dos Santos poderá me contradizer, sendo que serão dois encontros (caso os leões derrotem o Imortal Basket nas meias finais) num formato final four, onde cada jogo será disputado como uma final.

Ora, todavia as apreciações positivas ao desempenho global do Sporting CP esta temporada, a verdade é que a nível europeu houve muitas expectativas defraudadas. Foram três derrotas em três jogos, onde o Sporting CP teve pela frente oponentes que provocaram estímulos que nenhuma outra equipa, a nível nacional, havia conseguido. Não direi que não houve jogos «apertados» esta época diante o Sporting CP, no entanto, nenhuma equipa conseguiu desarmar o Sporting CP nos últimos dois períodos e nos momentos decisivos do último quarto, da forma contundente que estas três equipas forasteiras conseguiram.

Veremos diacronicamente o desenrolar dos acontecimentos nos três jogos europeus do Sporting CP:

Na primeira derrota diante o Ironi Ness Ziona da Israel, o Sporting CP apresentou percentagens baixas em todas as áreas do lançamento e o quarto período da equipa israelita foi demolidor. Ainda assim, o resultado terminou com uma diferença curta (81-86) e deixava esperança para as partidas que restavam. O segundo jogo diante o Arged BMSLAM Stal, por outro lado, teve um quarto período muito positivo por parte da turma de Luís Magalhães, mas novamente, na “hora H” e quando mais importava a equipa polaca levou a melhor.

O lançamento de Elissor na buzina é o espelho disso, num 1vs1 forçado, sem tirar qualquer vantagem do oponente, sendo que apesar de ter estado perto de entrar, foi sem grande preparação e não credibilizo que ele tenha tentado lançar à tabela. Dito isto, o jogo novamente ficou próximo e ao alcance do Sporting CP, terminando todavia com nova derrota (85-83).

Por fim, o derradeiro jogo foi a despedida leonina da competição. A partida diante os húngaros Szolnoki Olaj KK teve novamente o mesmo desfecho e traduziu-se numa das piores prestações ofensivas do Sporting CP esta época, somando somente 67 pontos, depois de dois jogos consecutivos a executar 80 ou mais pontos. Esta partida, por fim, do lado húngaro, culminou no domínio individual do extremo-poste Subotic, executando 25 pontos e 11 ressaltos. Tal contrastou com a ausência de Fields na zona pintada, sendo que a equipa leonina sentiu de forma gritante a falta do norte americano na luta das tabelas.

No vídeo abaixo, é possível observar algumas jogadas que permitiram, não só ao Sporting CP aproximar-se dos adversários nos momentos finais das partidas, como também as jogadas que afastaram o Sporting CP de uma possível vitória, sejam elas más definições, turnovers ou lançamentos de baixa percentagem.

Dito isto, apesar do desempenho negativo europeu do Sporting CP, tal não terá qualquer ponte de ligação com um possível mau desempenho ao nível interno. Obviamente que a fadiga é fator a ter em conta, pois foram três jogos de grande esforço físico. Ainda assim, não será um aspeto chave no desenlace dos jogos que se avizinham para a Taça Hugo dos Santos, pois a profundidade do plantel leonino permite uma rotação que mais nenhuma equipa portuguesa consegue implementar.

Aliás, pelo contrário a turma de Luís Magalhães arrecadou experiência e outros estímulos que quer FC Porto, SL Benfica e os «outsiders» (Imortal BC e UD Oliveirense) ainda não obtiveram esta temporada, tornando-os favoritos para o resto da temporada, em qualquer jogo que disputarem.

Foto de capa: Sporting CP

As 5 melhores soluções para a vaga de Iuri Medeiros

Pelo meio da euforia da passagem às meias-finais da prova rainha, o azar bateu à porta do SC Braga. O visado foi Iuri Medeiros, substituído por Lucas Piazón aos 31 minutos. Nessa altura os arsenalistas já venciam o CD Santa Clara por um golo, vitória que se confirmou (2-1), mas o ponto negativo foi mesmo a lesão do português.

O avançado cedido por empréstimo pelos alemães do FC Nürnberg já somava seis golos em 28 partidas e era uma das boas figuras da forte candidatura dos minhotos aos títulos em 2020/21. Com uma paragem mínima de seis meses confirmada pelo boletim clínico do SC Braga e a teimosa recuperação de Gaitán abre-se uma vaga no ataque de Carlos Carvalhal.

Numa altura em que o mercado se encontra encerrado, a obrigação é olhar para dentro de portas, ainda dentro da muralha minhota. No entanto, este exercício é feito como se o recurso ao mercado de transferências ainda fosse possível.

Sempre de mãos dadas com a realidade competitiva e orçamental do SC Braga, reuni neste artigo cinco nomes capazes de assumir a vaga de Iuri Medeiros, uns a titular, outros a partir do banco.

Jogo grande na Luz: SL Benfica x Vitória SC

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Primeira Liga, Jornada 17: sexta-feira, 19h, 5 de fevereiro de 2021

ANTEVISÃO: O REGRESSO ENCARNADO ÀS VITÓRIAS?

Terá fim à vista o mau momento do SL Benfica? Na receção ao Vitória SC, à equipa de Jorge Jesus exigir-se-á índices máximos de concentração e um corte com o nível exibicional que tem sido regra.

REGRESSO DO SL BENFICA À LUZ SERÁ SINÓNIMO DE REGRESSO ÀS VITÓRIAS OU SERÃO OS VIMARANENSES A SORRIR NA VISITA À EQUIPA DE JORGE JESUS? APOSTA EM BET.PT!

A distância pontual que os separam da liderança tornam agora a sua missão hercúlea: o máximo conseguido até hoje foram sete pontos recuperados, nunca nove – realidade que faria do hipotético feito encarnado uma exceção histórica. De Guimarães chega o sexto classificado, um conjunto em crescendo e que procura sair por cima na luta pelos lugares europeus. Bruno Varela e Pepelu, ausentes frente ao CS Marítimo, devido a infeção por COVID 19, regressam às opções iniciais.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. O último triunfo do Vitória SC na Luz remonta a 2009-10: 0-1, a contar para a Taça de Portugal.
  2. O Vitória SC ainda não perdeu em 2021 (três vitórias e um empate).
  3. Óscar Estúpiñan leva seis golos marcados desde que se estreou na titularidade (16 de dezembro, seis jogos).
  4. Em 86 confrontos na Catedral, apenas cinco vitórias do VSC contra 71 do SLB.
  5. Rochinha, formado no Benfica, pode alcançar a marca dos 100 jogos na Liga se for utilizado.
  6. Em caso de vitória, os vimaranenses ficam a um ponto dos encarnados (32 e 33 pontos, respetivamente).
  7. Da última vez que se encontraram, houve empate no tempo regulamentar (quartos-de-final da Taça da Liga, 1-1 com 4-1 nas grandes penalidades).
  8. Desde então, enquanto visitado, o Benfica conta com três vitórias e um empate (a única derrota caseira da época foi contra o rival minhoto Sp. Braga, 2-3).
  9. Se Pizzi marcar, ultrapassa Magnusson na lista dos melhores marcadores de sempre (estão em igualdade com 87 golos, a três de João Vieira Pinto).
  10. João Henriques não perde na Luz há dois jogos (além do empate para a Taça da Liga, 3-4 com o CD Santa Clara, única vitória em seis jogos contra o SL Benfica).

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Julian Weigl (SL Benfica) – Vida nova para o médio alemão, que vai acumulando exibições de grande calibre no comando do meio-campo encarnado. Depois de estar presumivelmente proscrito nos princípios de dezembro, com saída à vista no mercado de Inverno, puxou dos galões e é agora figura preponderante no equilíbrio tático da equipa.

Óscar Estupiñan (Vitória SC) – Vida nova para o colombiano no Castelo. A chegada de João Henriques foi uma lufada de ar fresco para toda a equipa e principalmente para ele, relegado estava por Tiago a papel secundário. Surge em destaque neste rejuvenescimento do grupo, acompanhado por Ricardo Quaresma, empregando o poder de fogo que Bruno Duarte nunca conseguiu dar. Com um terço dos jogos efetuados, leva tantos golos (cinco) quanto Ricardo Horta e mais dois do que Darwin Nuñez na Primeira Liga, com média de uma finalização certeira por encontro.

 

XI´S PROVÁVEIS

SL BENFICA: Vlachodimos; Gilberto, Otamendi, Verthongen e Grimaldo; Rafa, Weigl, Pizzi e Cervi; Seferovic e Darwin.

Treinador: João de Deus:

“Não atiramos a toalha, nem agora nem nunca. É possível continuar a lutar e vamos continuar a lutar pelo título. Vamos lutar até ao fim. É isso que queremos.”

 

VITÓRIA SC: Varela; Sacko, Suliman, Mumin e Mensah; Wakaso, André Almeida e André André; Rochinha, Quaresma e Estúpiñan.

Treinador: João Henriques:

«Olhar para os três pontos… queremos ir ao Estádio da Luz discuti-los porque são pontos em disputa e queremos ganhá-los todos»

PREVISÃO DE RESULTADO: SL Benfica 1-1 Vitória SC

Jogo difícil com baixas importantes: CS Marítimo x Sporting CP

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17.ª jornada da Primeira Liga: sexta-feira, 19h, 5 de fevereiro de 2021

ANTEVISÃO: SPORTING CP ENFRENTA ÚNICA EQUIPA CONTRA QUEM CONHECEU A DERROTA

O Sporting CP procura continuar na onda de vitórias em que se encontra. Os leões venceram seis dos últimos sete jogos na Liga Portuguesa, sendo que vêm de um importante triunfo no dérbi lisboeta. É de destacar que a equipa de Ruben Amorim tem baixas importantes: Nuno Mendes e João Mário não estão aptos por lesão, enquanto que Luís Neto não vai a jogo devido a castigo.

DEPOIS DA DERROTA NA TAÇA, O LEÃO ESTÁ DE VOLTA À MADEIRA E AOS BARREIROS. CONSEGUIRÁ O SPORTING VENCER OU REPITIRÁ O CS MARÍTIMO A SURPRESA? APOSTA COM A BET.PT!

Já na formação insular, a grande dúvida é Rodrigo Pinho. O melhor marcador do CS Marítimo tem andado com problemas físicos e, a confirmar-se a ausência, é a grande baixa da equipa para o jogo de sexta-feira.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. O Sporting CP é líder do campeonato nacional;
  2. O CS Marítimo encontra-se no décimo lugar;
  3. Nas últimas 21 partidas, o Sporting CP apenas perdeu uma: frente ao CS Marítimo;
  4. A última vez que o Sporting CP venceu o CS Marítimo na Ilha da Madeira, a contar para a Liga NOS, foi em 2015/2016;
  5. O CS Marítimo venceu apenas uma das últimas cinco jornadas no campeonato;
  6. Os leões não sofrem golos há três jogos;
  7. Os goleadores máximos da equipa leonina no confronto entre estas formações são Liedson e Manuel Fernandes, ambos com dez golos;
  8. A equipa de Ruben Amorim é a única invicta na Liga NOS;
  9. Sporting CP tem a melhor defesa do campeonato, com nove golos sofridos em 16 jogos;
  10. CS Marítimo soma três derrotas consecutivas.

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Sassá (CS Marítimo): O brasileiro recém-contratado pode estrear-se, esta jornada. Com Rodrigo Pinho em dúvida, o avançado pode fazer dupla com Joel Tagueu no ataque da equipa insular.

Paulinho (Sporting CP): A grande contratação deste mercado de inverno está incluída no lote de convocados. Paulinho espreita a estreia frente ao CS Marítimo, pronto para provar os 16 milhões de euros que custou aos cofres de Alvalade.

 

XI’S PROVÁVEIS

CS Marítimo (3-5-2): Amir Abedzadeh; Lucas Áfrico, Renê Santos, Léo Andrade; Rúben Macedo, Guitane, Jean Irmer, Franck Bambock, Hermes; Joel Tagueu e Sassá.

Treinador: Milton Mendes

Disponível nas próximas horas

Sporting CP (3-4-3): Adán; Gonçalo Inácio, Coates, Feddal; Porro, João Palhinha, Matheus Nunes, Antunes; Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Paulinho.

Treinador: Ruben Amorim

“O segredo para este jogo é o mesmo de sempre: intensidade, concentração e rigor”.

 

PREVISÃO DO RESULTADO: CS Marítimo 1-2 Sporting CP

O significado dos 19.65 metros de Auriol Dongmo | Atletismo

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Uma bomba. Um tiro. Uma pedrada. A designação fica ao vosso critério, mas o lançamento da portuguesa Auriol Dongmo no Peso, em Karlsruhe, veio confirmar que ela alterou, por completo, o panorama da disciplina em Portugal. Um recorde nacional já não é uma novidade para a atleta, mas está agora num patamar de elite mundial, com o qual talvez poucos contassem quando cá chegou.

Quem é Auriol? Por onde andava? Como tem evoluído?

Nascida nos Camarões há 30 anos, a atleta chegou a Portugal em 2017. A naturalização chegou em outubro de 2019, mas só em junho de 2020 foi autorizada pela World Athletics a representar Portugal.

Não se pense, no entanto, que foi um daqueles casos de recrutamento, onde os clubes pescam no estrangeiro, importando os atletas. A atleta tinha um convite para treinar em França, no entanto, queria vir para Portugal por ser o país de Nossa Senhora de Fátima (!), da qual é devota. Criou uma página do Facebook e contactou diretamente o Sporting, perguntando se precisavam de lançadoras de peso e assim se fez uma das contratações mais importantes dos últimos anos no clube leonino! Seguiu a recomendação de um amigo que lhe havia sugerido o treinador Paulo Reis e estabeleceu-se em Leiria. Quando chegou, já era a melhor africana, com dois títulos continentais, mas muito longe do que hoje é.

A atleta representa o Sporting nas competições de clubes
Fonte: Sporting CP

Chegou a Portugal com um melhor pessoal de 17.92 metros. Melhorou para 18.37 no Rio de Janeiro em 2017. Igualou a marca no Pombal, em fevereiro do ano passado, no que era um novo melhor pessoal indoor. Mas foi ao ar livre onde voltou a mostrar todo o seu potencial. Os 19 metros chegaram logo em Junho, em Leiria (19.27!) e cresceram para 19.53 metros nos Campeonatos de Portugal, no que é, ainda, o seu melhor (e melhor nacional) ao ar livre.

2021 chegou e Auriol lançou a 19.65 metros, em pista coberta, em Karlsruhe. Para os menos entendidos: um metro e 73 centímetros no Peso fazem uma ENORME diferença. Parece que Paulo Reis sabe extrair o melhor de Auriol, elogiando várias vezes a ética de trabalho e os valores humanos da atleta. Até onde poderão ambos ir?

Foto de capa: World Athletics

Tribuna VIP: As bolhas do futebol

TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.

É difícil escrever sobre futebol. Um desporto tão simples, com regras fáceis de aprender, mas cheio de variantes emocionais, mentais, físicas e químicas. Contudo, é um desporto de massas, que parece ter sido feito para o mundo esquecer os seus problemas diários e desfrutar de 90 minutos que nos respondem àquela pergunta: “Qual é o sentido da vida?”.

Já perceberam por esta introdução que sou intitulado por muitos como membro do grupo dos românticos do futebol. Nada disso. Acredito que podemos todos falar de futebol de uma forma racional e apaixonadamente pragmática. Para isso, temos de fugir das bolhas.

Na nossa sociedade há muitas bolhas. Lembram-se do mítico anúncio de uma marca de “iogurtes salvadores” que nos punha dentro de uma bolha protetora? Pois bem, atualmente há bolhas dessas, cheias de pessoas que usam a mesma linguagem, têm todas os mesmos interesses e até o mesmo estilo de roupa. No futebol, caminhamos para um desporto cheio de preconceitos, formas de jogar predefinidas e frases feitas para caracterizar táticas e ideias de jogo. E quando aparece alguém diferente, ouvimos muito esta frase: “Não sei como é que esta pessoa pertence ao mundo do futebol”.

Só conseguimos fugir destas bolhas se tivermos três fatores: educação, cultura e história. Se andarmos sempre à procura deles, vamos conseguir viver um futebol construído com base nas glórias do passado (história), com um olhar crítico do agora (cultura) e com uma visão para o futuro (educação). Quem está agarrado a conceitos ultrapassados, ainda não percebeu o que vem aí nesta década que agora começou.

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Olhemos para Portugal, um país tipicamente conservador. Quando olho para tudo o que nos rodeia, sinto que ainda vivemos numa bolha situada a um canto da Europa. Já conseguimos fazer alguns furos nessa redoma, mas ainda estamos longe de respirar ar puro. Quem tem o privilégio de trabalhar fora desta redoma, percebe o que andamos a perder. Há todo um mundo de possibilidades e aqui continuam-nos a dizer que só existe uma forma de ganhar, de comunicar, de planear e de jogar.

Essas bolhas não beneficiam ninguém. É tempo de furarmos a bolha. Os clubes estão a perder dinheiro como nunca perderam e vão ter de mudar. Não, isto não é só uma consequência da pandemia, isto mostra o desinteresse por este negócio, por esta indústria quando outras plataformas estão a crescer e a roubar público ao futebol. A derrota nas audiências em certos jogos dos três grandes para as novelas mostra que este modelo já não vence sempre. Temos de jogar para as pessoas. Temos de educar os nossos adeptos, temos de dar referências, exemplos de vida àqueles que nos acompanham todos os dias e que dão alma aos clubes. Os clubes portugueses têm de perceber que temos de dar mais e receber menos.

O que se passou no pós-jogos da final-four da Taça da Liga, em Leiria, foi só mais um excelente exemplo. Em três partidas, só tivemos oficialmente duas conferências de imprensa, porque na verdade, só os treinadores interessam. Quem é que sai beneficiado disto tudo? O futebol não é certamente. E por isso pergunto a jogadores, treinadores, dirigentes e até a jornalistas: querem continuar a viver nesta bolha?

Artigo de opinião de Pedro Afonso,
jornalista ELEVEN


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SC Braga 2-1 Portimonense SC: À lei da bomba foi o mote da reviravolta

A CRÓNICA: DE PRIMEIRA PARTE PRETA E BRANCA PARA UMA SEGUNDA PARTE DE PIAZON

No primeiro jogo após o fecho do mercado de inverno, o Estádio Municipal de Braga acolheu o duelo entre o SC Braga e o Portimonense SC, tal como as estreias de Sporar e Borja pelos guerreiros do Minho.

O jogo não começou de feição para o SC Braga. Logo aos seis minutos, depois de uma falta algo dura, André Castro foi forçado a ser substituído por lesão, dando o lugar a André Horta e, assim, a remodelar o meio-campo bracarense.

A sorte apareceu no jogo, mas a favor do Portimonense. Depois de um rasgar imaculado pelo flanco por parte de Beto, foi Aylton Boa Morte que só precisou de encostar ao segundo poste da baliza de Matheus para abrir o resultado em Braga. Aos 24 minutos, 1-0 a favor dos forasteiros.

O golo do SC Braga esteve mesmo à vista. Depois de um cruzamento teleguiado de Sporar, foi Galeno que rematou para a bola passar a centímetros da baliza de Samuel. Estava a faltar a “estrelinha” aos minhotos para conseguirem finalizar. Os comandados de Carlos Carvalhal chegavam muitas vezes à área do Portimonense, mas a capacidade de finalização teimava em não aparecer.

A primeira parte pouca história teve para além de um manancial de jogadores no relvado a queixarem-se de lesão e um golo do Portimonense. Uma primeira metade partida, com boas oportunidades para cada uma das equipas, mas o Portimonense levava a real vantagem e a que verdadeiramente importa: a do marcador.

A segunda parte começou como um espelho da primeira, a nível de jogo jogado. A nível de golos foi diferente. Aos 63 minutos, Lucas Piazon foi a “estrelinha” que faltava e, mesmo fora da grande área, à lei da bomba, rematou para a baliza de Samuel. A bola embateu no poste direito, mas acabou por entrar e viu-se um golo brilhante por parte do jogador dos minhotos. Dizer que foi golaço é fazer um favor.

Foi preciso igualar o marcador para o SC Braga aparecer decisivo na partida. Depois de Piazon fazer o gosto ao pé, os guerreiros não tiraram o pé do acelerador e só eles atacavam na partida. Aos 72 minutos, mais uma grande oportunidade, nos pés de Ricardo Horta, que converteu a grande penalidade assinalada pelo árbitro Rui Costa e, desta forma, o SC Braga fez a reviravolta no marcador. A pouco mais de um quarto de hora do final da partida, a turma de Carvalhal via-se a vencer por 2-1.

Ainda existiu um momento de sufoco já perto do final do tempo regulamentar. O Portimonense podia ter mesmo empatado a partida. Instalou-se a confusão na pequena área de Matheus e a bola parecia perdida. No entanto, acabou mesmo nas mãos do guardião do SC Braga e tudo permaneceu igual: minhotos na frente e algarvios em desespero.

Ficou mesmo tudo igual quando Rui Costa deu o apito final. O SC Braga venceu o Portimonense por 2-1, num encontro marcado pela pressão algarvia na primeira parte e o senhor golo de Piazon que marcou a reviravolta no marcador.

 

A FIGURA

Ataque do SC Braga na segunda parte – Foi preciso o golo “do meio da rua” de Piazon (que foi, realmente, a estrela do encontro) para reanimar o SC Braga. As transições ofensivas dos minhotos na segunda metade foram fulcrais para a reviravolta no resultado. A isso juntou-se a perseverança e um Portimonense inconsolável.

O FORA DE JOGO

Defesa do SC Braga – Se, por um lado, a vertente ofensiva do SC Braga esteve imparável na segunda parte, depois do golo de Piazon, a vertente defensiva já teve dias muito melhores. Apanhada de surpresa nas transições ofensivas do Portimonense, a defesa bracarense apareceu muitas vezes descompensada e mal posicionada. Podia ter sido realmente fatal na luta pela vitória.

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

Carlos Carvalhal moldou um 4-4-2, adaptado para incluir as estreias de Borja e Sporar. Matheus alinhou na baliza e a linha defensiva foi composta por Rolando e David Carmo, na zona central, e o estreante Borja a par de Ricardo Esgaio, nas laterais.

O meio-campo começou com o alinhamento de Al Musrati, Piazon, Ricardo Horta e André Castro. Este último foi forçado a ser substituído após lesão e André Horta ocupou o seu lugar.

Na frente, encontravam-se Sporar e Galeno. Apesar de ocupar uma posição avançada “no papel”, Galeno descia no terreno para apoiar o setor médio, para fazer a ligação com Sporar, o ponta de lança estreante dos minhotos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (6)

Borja (5)

Rolando (4)

David Carmo (4)

Ricardo Esgaio (5)

Ricardo Horta (7)

André Castro (-)

Al Musrati (6)

Lucas Piazon (7)

Sporar (7)

Galeno (6)

SUBS UTILIZADOS

André Horta (6)

Tormena (5)

Abel Ruiz (6)

Nicolas Gaitán (6)

Raul Silva (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC

Paulo Sérgio montou um 4-4-2 para este encontro com o SC Braga. Ricardo começou na baliza, mas cedo teve de ser substituído por lesão, dando lugar a Samuel.

A defesa foi montada pela dupla de Lucas, com Anzai e Fali Candé nas alas. O meio-campo foi ocupado pelo capitão Dener, Ewerton, Luquinha e Henrique, sendo que estes dois últimos foram os jogadores fulcrais na construção de jogo ofensivo para Beto e Aylton Boa Morte (como foi notório no golo do Portimonense, na primeira parte).

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo (-)

Anzai (6)

Lucas Tagliapietra (6)

Lucas Possignolo (6)

Fali Candé (6)

Dener (6)

Ewerton (5)

Luquinha (6)

Henrique (7)

Aylton Boa Morte (7)

Beto (7)

SUBS UTILIZADOS

Samuel (6)

Fabrício (6)

Bruno Moreira (5)

Anderson (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SC Braga

BnR: Pergunto-lhe sobre a situação de André Castro, se é de alguma forma grave, e também lhe pedia um comentário relativamente às estreias de Sporar e Borja.

Carlos Carvalhal: A situação do André parecia mais grave, mas é uma pequena entorse tibiotársica, não parece ser nada por aí além. Sobre o Borja e o Sporar, deram excelentes indicadores. O Borja fez bom jogo pelo corredor esquerdo. Valorizei muito a sua prestação e, com o tempo, foi melhorando, tal como o Sporar. Com o tempo, vão melhorar muito mais, principalmente no enquadramento com os colegas. O Sporar fez uma boa prestação, não conhece ainda as rotinas da equipa. Ambos tiveram de ir para dentro e nós estávamos necessitados de gente fresca para nos poder ajudar.

Portimonense SC

BnR: Depois de ver a equipa sofrer esta reviravolta, o que sente que faltou por fazer, em campo, para conseguir chegar à vitória?

Paulo Sérgio: Faltou fazer golos e não sofrer golos. Quanto ao jogo, faltou fazer tudo. O Braga foi muito forte. A equipa trabalhou. Trabalhou para impedir a fluidez do SC Braga. Sofremos um golo de bandeira, o Piazon sacou um golo fabuloso e pouco podíamos fazer. Deixa-nos um sabor amargo de frustração. Com mais discernimento, tínhamos feito o segundo golo. A equipa mostrou qualidade e coragem. Tiro-lhes o chapéu pelo trabalho que fizeram. O resultado não traduz o que foi o jogo, mas o futebol é isto. Estamos frustrados.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Belenenses SAD 0-0 FC Porto: Dragão tropeça no Jamor

A CRÓNICA: UMA MASTERCLASS DE BEM DEFENDER

Belenenses SAD e FC Porto empataram esta noite, sem golos, no Estádio do Jamor. Em jogo a contar para a 17.ª jornada do campeonato, a equipa de Sérgio Conceição dominou mas não conseguiu desmontar a excelente organização da defesa do Belenenses SAD.

Numa primeira parte sem qualquer golo, viu-se um Belenenses SAD a criar perigo mais nas costas da defesa portista e um FC Porto com algumas dificuldades pela falta de entrosamento na equipa. As duas grandes oportunidades de golo foram de meia distância por Sérgio Oliveira e Felipe Anderson.

Na segunda parte, o domínio do FC Porto esbarrou numa defesa do Belenenses SAD bem montada e ainda melhor organizada. Aos 86’, Nanú tem um choque aparatoso com Kritciuk e deixa o relvado de ambulância. A partir daí, os dragões não mais conseguiram voltar ao jogo e o Belenenses SAD soube jogar com o momento.

Com este resultado, o FC Porto deixa dois pontos em Lisboa e pode ver o líder Sporting CP aumentar a vantagem para seis pontos. O Belenenses SAD conquista um precioso ponto na fuga aos lugares de despromoção.

A FIGURA
belenenses SAD FC Porto
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Defesa do Belenenses SAD – A linha da retaguarda da equipa orientada por Petit, mostrou-se muito segura e bem organizada durante o jogo todo. Extremamente concentrados, os defesas do Belenenses SAD souberam suster os períodos de maior fulgor atacante do FC Porto e concederam pouco espaço entre linhas para os azuis e brancos explorarem.

O FORA DE JOGO
belenenses SAD FC Porto
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Lance aparatoso com Nanú – Num lance de extrema infelicidade, o jogador do FC Porto chocou com Kritciuk e acabou por desmaiar e sair do relvado de ambulância. O Bola na Rede deseja a rápida recuperação ao defesa dos azuis e brancos.

 

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

O Belenenses SAD apresentou-se no habitual 3-4-3, com algumas alterações face ao último jogo (derrota nos Açores frente ao Santa Clara). Na defesa, Calila e Tomás Ribeiro entraram para os lugares de Danny Henriques e Rúben Lima. Na linha intermédia, Bruno Ramires saiu do onze e Sithole ocupou a sua vaga. No ataque, Afonso Taira, Richard e Cassierra deram o lugar a Afonso Sousa, Varela e Miguel Cardoso.

No momento defensivo, a equipa orientada por Petit colocou-se em 5-2-3, com Calila e Esgaio a juntarem-se na linha defensiva aos centrais. O movimento atacante do Belenenses SAD foi maioritariamente através de ataques rápidos, com lançamento longos a explorar a profundidade. Na primeira parte, o tridente atacante da equipa de Petit não se deu à marcação e as trocas frequentes de posição entre Afonso Sousa, Varela e Miguel Cardoso confundiram muitas vezes a defensiva do FC Porto.

Na segunda parte, Petit equilibrou a equipa com as substituições que fez, refrescando os três setores. A equipa do Belenenses SAD mostrou-se bastante coesa no momento defensivo, deixando pouco espaço entre linhas para o adversário explorar.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kritciuk (8)

Gonçalo Silva (7)

Henrique (7)

Tomás Ribeiro (8)

Calila (5)

Cafu Phete (6)

Sithole (5)

Tiago Esgaio (7)

Afonso Sousa (5)

Varela (6)

Miguel Cardoso (7)

 

SUBS UTILIZADOS

Cassierra (5)

Taira (5)

Rúben Lima (4)

Bruno Ramires (4)

Richard (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

A equipa de Sérgio Conceição apresentou-se num claro 4-4-2 com Taremi e Evanilson a compor a frente de ataque. Felipe Anderson era o médio ala que tinha uma maior liberdade para se juntar à dupla Sérgio Oliveira e Uribe, enquanto Fábio Vieira se fixava no corredor direito.

Devido à falta de entrosamento e às condições do relvado, viu-se uma equipa a tentar procurar a profundidade (de forma muitas vezes desnecessária) oferecida essencialmente por Evanilson (com Taremi a recuar e a posicionar-se de costas), mas também os remates de meia-distância que acabaram por se tornar nas grandes oportunidades de golo. A variação de flanco começou a ser uma alternativa para uma equipa com poucas ideias. Em termos defensivos, foram visíveis algumas dificuldades criadas pela linha ofensiva veloz do Belenenses SAD.

Já na segunda parte, Luis Díaz acabou por ser a substituição que prometia criar uma irreverência num ataque pouco móvel. A verdade é que mesmo com as posteriores entradas de Marega e Tecatito Corona, o FC Porto não teve capacidade de desmontar a defesa do Belenenses SAD. Foi um dia não só marcado pela incapacidade e cansaço da equipa, como pelo incidente com Nanú que influenciou sem dúvida os minutos finais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)

Nanu (5)

Mbemba (3)

Pepe (4)

Manafa (5)

Fábio Vieira (6)

Uribe (6)

Sérgio Oliveira (6)

Felipe Anderson (3)

Evanilson (3)

Mehdi Taremi (4)

SUBS UTILIZADOS

Luis Díaz (3)

Marega (3)

Corona (4)

Zaidu (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Belenenses SAD

BnR: Petit, na primeira parte os três homens da frente mostraram muita mobilidade e trocaram frequentemente de posição entre si, acabando por confundir as marcações da defesa do FC Porto. Para a segunda parte fixou Varela no meio, ele que tinha estado mais no corredor na primeira parte. O que é que pretendeu com isso?

Petit: “O Miguel é um jogador mais de profundidade, o Varela e o Sousa são mais jogadores de entre linhas. A dinâmica e a ideia que nós passámos era que o Varela não se desse à marcação dois dois centrais do FC Porto, que são fortes no um para um e na profundidade e que pusessemos ali um espaço nas costas dos dois médios com a profundidade do Miguel, que a defesa pudesse recuar um pouco e aí abrir o espaço.

Tivemos duas ou três situações na primeira parte que a bola entrou e podíamos ter decidido de outra maneira mas também é como eu disse há bocado, estes três jogadores que jogaram na frente há um mês atrás, tiveram covid. Mais o Richard, são quatro jogadores. Para a frente depois temos o Cassierra e o Chico, que é um menino. De resto não temos muitas opções e eu quis que este ataque fosse mais móvel, que não se dessem à marcação. Não quis pressionar mais alto os centrais do Porto porque sabia que se estivéssemos a desgastar muito o Varela, o Sousa e o Miguel depois eles iam ter muitas dificuldades para aguentar o jogo.

FC Porto

Sérgio Conceição não compareceu na conferência de imprensa

 

Rescaldo da autoria de Frederico Seruya e João Castro

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

FC Porto 27-24 HC Vardar: O marcador comanda o sonho europeu

A CRÓNICA: MATÉRIA FRESCA AO INTERVALO CULMINA EM VITÓRIA FINAL

O FC Porto tinha um teste difícil no seu primeiro jogo depois da paragem para o Mundial. O adversário, HC Vardar, era nem mais nem menos que o campeão europeu em duas das últimas cinco épocas. Apesar de a equipa macedónia estar algo longe do que já fora outrora, os jogadores com nome no andebol mundial não faltavam.

Outro pormenor relevante é a regularidade competitiva. Os macedónios haviam jogado no passado dia um de Fevereiro, enquanto os pupilos de Magnus Andersson já não competiam desde Dezembro do ano transato. Talvez tenha sido essa a explicação de um início de jogo abaixo do normal do FC Porto.

Os dragões começaram o jogo a sofrer dois golos sem resposta, a que se seguiu um parcial de 4-0, que levou o treinador sueco dos dragões a levar o cartão verde de timeout à mesa aos 6’40. A necessidade de respirar e assimilar as ideias mais frescas do treinador era enorme, pelo que a resposta foi imediata. Mal entraram em campo, os portistas inverteram o parcial de quatro golos e empataram o marcador.

O jogo previa-se equilibrado e o FC Porto só chegou à primeira vantagem na partida aos 24′ da primeira parte. Aproveitando o 7×6 caraterístico dos azuis e brancos, o resultado foi de 7-9 para 12-10 em pouco mais de cinco minutos, para regozijo do banco portista. Ainda assim, era necessário relembrar que do outro lado estava o poderoso Vardar, que conseguiu equilibrar o jogo e o marcador, chegando ao intervalo com um empate a 13.

Os dragões voltaram do intervalo rejuvenescidos e podemos mesmo dizer que o jogo foi ganho fora das quatro linhas, porque o início do segundo tempo da equipa portuguesa foi arrebatador. 6-1 foi o parcial inicial da segunda parte e não mais o FC Porto deixou a vantagem fugir na partida.

Aos sete minutos, o treinador do Vardar pediu timeout e os macedónios conseguiram aproximar-se dos portistas. De um 21-17, o marcador passou para 21-20 e o jogo discutiu-se até ao fim. Os pormenores, principalmente defensivos, fizeram a diferença, e garantem a vitória por 27-24 diante do Vardar.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Dicas de Magnus Andersson ao intervalo – Os portistas voltaram completamente revigorados no segundo tempo após os ajustes do treinador sueco ao intervalo e a vantagem adquirida no início da segunda parte estendeu-se até ao final.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Início de jogo portista – O FC Porto entrou muito mal na primeira parte, sofrendo um parcial de 1-5, que lhe podia ter custado o resultado, não fosse a experiência e capacidade de luta que os homens de Magnus Andersson demonstraram.

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Apesar de não ter começado o jogo em 7×6, foi com o sistema ofensivo predileto dos portistas que a formação azul e branca conseguiu vencer a partida. Sempre com Fábio Magalhães no centro da decisão e com a primeira linha a dar continuidades muito rápido, foi possível penetrar aos seis metros ou assistir os pivots para finalizarem. Na defesa se ganha o jogo e o aspeto defensivo foi ainda mais preponderante que o ofensivo nesta partida. Com um 6×0 coeso, mas móvel, o FC Porto conseguiu levar o Vardar a vários passivos e perdas de bola, que resultaram em consequentes contra-ataques, aspeto em que os pontas portistas estiveram francamente bem.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

10 Miguel Martins (7)
15 Daymaro Salina (7)
16 Nikola Mitrevski (7)
23 Diogo Branquinho (7)
24 Diogo Silva (5)
25 António Areia (6)
27 André Gomes (6)

SUBS UTILIZADOS

1 Alfredo Quintana (-)
4 Victor Iturriza (7)
9 Manuel Späth (6)
11 Djibril M’Bengue (-)
14 Rui Silva (6)
19 Ivan Sliskovic (-)
21 Leonel Fernandes (-)
29 Miguel Alves (-)
79 Martim Costa (-)
88 Fábio Magalhães (6)

ANÁLISE TÁTICA – HC VARDAR

O conjunto macedónio, em termos ofensivos, tentou ameaçar a baliza portista com processos simples e repetitivos. A jogada predileta do Vardar consistia numa entrada a segundo pivot de Cupic, com permuta para o central Jotic, que depois decidia se ia para a baliza ou dava continuidade. Nota para a utilização de dois pivots nos macedónios durante as duas exclusões do FC Porto no primeiro tempo.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES 

1 Borko Ristovski (6)
5 Stojanche Stoilov (5)
18 Lovro Jotic (6)
27 Ivan Cupic (6)
28 Filip Taleski (6)
31 Timur Dibirov (7)
41 Marko Vujin (6)

SUBS UTILIZADOS

2 Vasko Sevaljevic (6)
3 Patryk Walczak (6)
4 Tomislav Jagurinovski (-)
8 Dimitar Dimitrioski (-)
9 Goce Georgievski (-)
21 Gleb Kalarash (-)
24 Ante Gadža (6)
44 Josip Vekic (-)
97 Marko Mishevski (-)
98 Marko Kizic (-)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

FC Famalicão 0-2 Moreirense FC: Famalicenses com mais garra, mas com o mesmo desfecho na estreia de Silas

A CRÓNICA: CÓNEGOS COM VITÓRIA ESCLARECEDORA FRENTE A UM FC FAMALICÃO PERDIDO EM CASA

O FC Famalicão recebeu o Moreirense FC para mais um jogo a contar para a 17.ª jornada do campeonato. Na estreia de Silas como treinador principal da equipa famalicense, foi o Moreirense que entrou melhor em campo. O jogo começou com uma grande jogada de Abdu pela esquerda do ataque dos visitantes que cruzou para a grande área onde apareceu Walterson a rematar para uma grande defesa de Luiz Junior.

A resposta do Famalicão chegou por intermédio de Anderson que, isolado, viu o seu remate ser cortado por Rosic, originando um canto para os famalicenses. Na conversão da bola parada, caprichosamente três jogadores do FC Famalicão desentenderam-se e, na pequena área, nenhum rematou para a baliza. Quem aproveitou este desleixo foi mesmo o conjunto de Moreira de Cónegos que, mais uma vez através de uma rápida incursão por uma das alas, surgiu um cruzamento rasteiro e tenso para a grande área com Riccieli a introduzir o esférico na própria baliza para evitar que Walterson conseguisse marcar golo.

A primeira parte apresentou um Moreirense por cima do jogo quer em termos exibicionais, quer a nível de resultado. O segundo golo chegou pouco antes do apito final para o intervalo. Mais uma vez, um contra-ataque rápido do Moreirense e Walterson deixou em Yan Matheus para ampliar a vantagem dos visitantes.

No regresso dos balneários houve um Famalicão mais focado em inverter o resultado, mas ainda com muitas dificuldades para penetrar a defensiva do conjunto liderado por Vasco Seabra. Com um ascendente famalicense na partida, muito por culpa de Gil Dias que ia batalhando do lado direito e ia ganhando posição a Abdu Conte para cruzar para a grande área, houve mesmo situações de perigo para a equipa da casa. No entanto, Anderson não conseguiu corresponder da melhor forma a nenhum dos cruzamentos, já que era o único elemento a aparecer para finalizar.

Os momentos finais do encontro foram escaldantes. Não pela qualidade exibicional, mas sim porque ainda houve tempo para a expulsão de Jhonata Robert num lance que deu falta para o Famalicão. Assume-se que tenha sido por palavras, algo que enaltece a imaturidade da equipa e a forma como ainda tem dificuldade em lidar com momentos de maior tensão. Com este resultado, o Moreirense soma 21 pontos e ocupa a oitava posição da tabela classificativa. O Famalicão, por outro lado, prolonga a série de maus resultados e soma a terceira derrota consecutiva, mantendo-se no 16.º posto do campeonato.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Abdu Conté Performance de luxo do lateral esquerdo do Moreirense. Impressionante na forma como abordou os lances ofensivos. Usa bastante a sua velocidade para se lançar e ultrapassar adversários. Defensivamente, conseguiu ser consistente e competente para parar Gil Dias de conseguir levar a melhor.

 

O FORA DE JOGO

Riccieli – Mais uma exibição fraca do central brasileiro. Sendo que o setor defensivo todo é muito passivo, Riccieli comete muitos erros individuais que comprometem a saída da sua equipa em transição. Terá que melhorar neste aspecto para se manter no onze num sistema com três centrais.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Se nos últimos jogos já se vinha a ver alguma passividade da defensiva de Famalicão, nesta quinta-feira viu-se mais do mesmo. A dificuldade que os famalicenses têm na fase de construção é notória e fica ainda mais visível quando há tantos passes falhados a meio-campo. Existiu uma desconexão entre o setor defensivo e os centrocampistas do conjunto de Silas que já vem a acontecer há muitas jornadas e que diminui as possibilidades de haver sucesso na construção com bola. Já na “destruição”, ou seja na forma como se pressiona os oponentes, pouca se vê, algo que permite aos opositores terem mais bola.

A segunda parte trouxe duas substituições com ela. Entraram Jhonata Robert e Heriberto para os lugares de Riccieli e Kraev. Com a saída de um dos centrais, o Famalicão teve que mudar o esquema tático e voltou ao 4-4-2 e notou-se uma evolução pela positiva. Houve uma maior pressão a meio-campo, mais movimentações no último terço, mas Anderson continuou muito sozinho lá na frente e os três centrais do Moreirense conseguiram anular os movimentos do avançado.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Junior (5)

Babic (5)

Ugarte (6)

Kraev (5)

Riccieli (4)

Rúben Vinagre (5)

Lukovic (4)

Gil Dias (6)

Anderson (5)

Diogo Figueiras (4)

Patrick William (5)

SUBS UTILIZADOS

Jhonata Robert (-)

Heriberto (5)

Pêpê Rodrigues (-)

Alexandre Guedes (-)

Morer (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

Abordagem diferente por parte de Vasco Seabra para este jogo em Famalicão. Pela primeira vez nesta época, optou por apostar num esquema de três cenrais com Abdoulaye Ba, Rosic e Steven Vitória e pareceu ser bem aceite pelos jogadores.

Houve uma grande aposta nos passes diretos na profundidade nas alas, onde apareceram os laterais Abdu e D’Alberto para cruzar para a grande área. Dois, três passes foram suficientes para a bola chegar com perigo à grande área defendida pelo Famalicão. No meio-campo, viu-se uma grande mobilidade, tanto em Filipe Soares como em Alex Soares que iam preenchendo os buracos deixados pelo conjunto de Silas para irem intercetando as iniciativas famalicenses.

Com dois golos de vantagem, Vasco Seabra preferiu gerir o resto do jogo e apenas arriscar em transições ofensivas rápidas, situações pelas quais até conseguiu originar perigo, mas longe do que demonstrou na primeira parte.

A solidez defensiva do Moreirense veio ao cima e é algo a enaltecer, já que foi a primeira vez que os centrais jogaram neste esquema tático e já que foi a estreia de Abdoulaye Ba. Os três centrais foram fundamentais, mas houve um nome que sobressaiu: Fábio Pacheco. Mais uma exibição repleta de confiança e segurança do central português ao serviço da equipa de Moreira de Cónegos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (5)

D’Alberto (6)

Rosic (6)

Abdu (8)

Fábio Pacheco (7)

Yan Matheus (7)

Steven Vitória (6)

Filipe Soares (7)

Abdoulaye (6)

Alex Soares (7)

Walterson (6)

SUBS UTILIZADOS

Afonso Figueiredo (-)

Lucas Silva (-)

Ibrahima (5)

Lacerda (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Famalicão

BnR: Depois do que viu hoje, vai manter o sistema de três centrais? Se sim, que aspetos acha que tem que melhorar para que resulte melhor?

Silas: É claro que quando se perde, pensamos que devíamos ter feito assim ou assado, mas não é por aí. Não perdemos pelos três centrais, perdemos pela falta de profundidade que tivemos no jogo.

Moreirense FC

BnR: Qual foi a sua ideia ao introduzir um sistema tático com três centrais para este jogo? Quais as debilidades do Famalicão que este sistema tático expunha mais?

Vasco Seabra: Sim, nós somos uma equipa com jogadores inteligentes, capazes de interpretar aquilo que nós pedimos e aquilo que sentíamos para este jogo era que precisávamos de ter estabilidade no corredor central principalmente na última linha para conseguirmos pressionar mais à frente e para nos sentirmos confortáveis. Felizmente isso acabou por resultar e ser importante para nós, conseguimos ser muito pressionantes, principalmente na primeira parte e conseguimos efetivamente estabilizar, mesmo em momentos mais complicados. Por isso, é uma das formas que teremos para o futuro para podermos alternar em função do adversário.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão