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Nehuén Pérez já regressou aos treinos integrados e FC Porto projeta regresso ainda nesta temporada

Nehuén Pérez está mais perto do regresso. Central argentino já treinou com o plantel do FC Porto e dragões projetam regresso para esta época.

Nehuén Pérez voltou a treinar de forma integrada com o plantel esta segunda-feira, depois de uma grave lesão sofrida em setembro de 2025 e que afastou o defesa da maioria da temporada. Embora tenha regressado aos trabalhos, o FC Porto não irá precipitar um regresso aos relvados.

Segundo o jornal A Bola, o FC Porto projeta o regresso de Nehuén Pérez para o mês de maio, altura em que os dragões disputarão as últimas três jornadas da Primeira Liga e, se avançar em frente, a final da Taça de Portugal.

Nehuén Pérez tem 25 anos e antes da lesão fez cinco jogos pelo FC Porto nos quais, inclusive, marcou um golo.

Nehuén Pérez FC Porto
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

José Mourinho assume ao plantel do Benfica: «Quero ser campeão aqui»

José Mourinho assumiu junto do plantel que quer ser campeão pelo Benfica. Nos últimos dias, recorde-se, o técnico foi associado ao Real Madrid.

Para esta temporada, o título é um objetivo muito complicado para o Benfica, mas o objetivo de José Mourinho é lutar pelo título na próxima época. Num desabafo junto do plantel e revelado pelo jornal Record, o técnico assumiu o desejo junto do grupo.

«Quero ser campeão aqui», terá dito José Mourinho ao balneário do Benfica. O treinador pediu ainda ao balneário a mesma atitude demonstrada em Alvalade, na vitória contra o Sporting, para os quatro jogos que faltam jogar aos encarnados na temporada.

José Mourinho tem contrato com o Benfica por mais uma temporada tendo este acordo uma cláusula que permite uma saída, por valores menores, 10 dias após a última jornada do campeonato. Esta cláusula poderá ser acionada por José Mourinho ou pelo Benfica. Nos últimos dias, recorde-se, o técnico tem sido colocado na rota do Real Madrid.

Após 30 jornadas, e tendo o Sporting um jogo em atraso, o Benfica soma 72 pontos na Primeira Liga, mais um que os leões e a sete pontos do FC Porto.

José Mourinho Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Empresário de Issa Doumbia assume: «Se o Sporting me ligar vou direto, vou a correr»

Cheikh Sadibou Fall, empresário de Issa Doumbia, falou do futuro do médio. Agente do jogador confrontado com o interesse do Sporting.

Nos últimos dias, Issa Doumbia foi colocado na rota do Sporting. Em declarações ao jornal O Jogo, Cheikh Sadibou Fall, agente do médio do Venezia, assumiu que ainda não teve contactos com o Sporting… mas que o clube português seria do seu agrado.

«Nunca tive contactos com ninguém do Sporting, agora, se tiveram com o Venezia não sei. Há muitos clubes que querem o jogador e de observar a estar interessado são coisas diferentes. Para mim, a não ser que o clube ligue a pedir algo concreto, são só rumores», começou por afirmar o empresário de Issa Doumbia, antes de falar no interesse do Sporting.

«Se o Sporting me ligar vou direto, vou a correr. Espero que me liguem [risos]. O Sporting é uma grande equipa da Europa, joga regularmente a Liga dos Campeões. Para ele seria um salto gigante, seria um sonho», admitiu Cheikh Sadibou Fall, que falou dos interessados no médio.

«Até hoje não houve contacto do Sporting, mas se nos ligarem iremos considerar seriamente a situação, tal como se o Benfica nos ligar, também li sobre o interesse do Benfica. Há clubes de Itália, Inglaterra e Espanha interessados no Doumbia e De Itália já pediram informações ao Venezia», concluiu o empresário do jogador.

Aos 22 anos, Issa Doumbia cumpre a segunda temporada pelo conjunto italiano que luta pelo regresso à Serie A e leva oito golos e quatro assistências em 35 jogos disputados. Conhece melhor o jogador.

Issa Doumbia Venezia
Fonte: Venezia FC

André Villas-Boas explica situação do Tottenham: «Quem representa a direção? Quem é realmente o dono? Onde está o proprietário?»

André Villas-Boas comentou o momento do Tottenham. Presidente do FC Porto já passou pelos spurs como treinador.

André Villas-Boas passou pelo Tottenham por uma temporada e meio entre 2012 e 2013. À margem dos Prémios Laureus e em declarações à Sky Sports, o presidente do FC Porto comentou o momento do emblema londrino.

«É uma pena para um clube tão poderoso, tendo em conta a transformação por que passou nestes últimos anos. É provavelmente um dos melhores estádios de Inglaterra e certamente um dos melhores campos de treino de Inglaterra. Penso que está muito provavelmente relacionado com muita instabilidade, muitas mudanças, não só a nível dos treinadores, mas também do diretor desportivo e da direção. Isso tem impacto nas filosofias, nos princípios, na forma de trabalhar, na vida profissional quotidiana. Infelizmente, nestes últimos dois anos, apesar de terem ganho a Europa League, na Premier League as coisas tornaram-se cada vez mais imprevisíveis. Desejo-lhes apenas o melhor. Representei-os durante um ano e meio. Um deles foi muito marcante para os adeptos dos Spurs, para mim em particular e para o Gareth Bale. Espero que consigam sair desta situação. Não aparenta nada de bom, mas espero sinceramente que consigam sair desta situação», começou o presidente do FC Porto.

«Mudar a cultura do clube? Bem, é difícil. A cultura vem de cima para baixo, mas é a liderança que, normalmente, define essa cultura. Acho que os princípios e valores do Tottenham estavam lá no início, na forma como jogavam futebol, na forma como se devia jogar à maneira do Tottenham. É claro que isso se perdeu nos últimos anos, também devido a esta imprevisibilidade em termos de resultados. A direção devia estar sempre presente e acho que essa é a parte difícil. Quem representa a direção? Quem é realmente o dono? Onde está o proprietário? E é sempre difícil responder. Há sempre uma voz vinda de cima que deveria estar acima dos treinadores. Por vezes, quando precisas dessas palavras de poder, elas nunca estão lá. As pessoas tendem a desaparecer nos piores cenários. Portanto, é uma situação difícil, um clube muito difícil. Desejo-lhes o melhor. Eles têm a capacidade e o talento, por isso esperemos pelo melhor», concluiu André Villas-Boas.

O Tottenham ocupa, a cinco jornadas do final da Premier League, o 18.º lugar da Premier League, em zona de despromoção, com 31 pontos. O West Ham de Nuno Espírito Santo está a dois pontos.

Tottenham Jogadores
Fonte: Tottenham Hotspur FC

Olheiro BnR | Ichem Ferrah

Nem todos os extremos precisam de muito tempo para chamar a atenção, alguns fazem-no ao primeiro toque, ao primeiro drible, ao primeiro gesto de irreverência. Ichem Ferrah é desses jogadores que parecem jogar com a bola colada ao pé, sempre à procura de algo mais: mais espaço, mais risco, mais impacto. Há uma energia constante no seu jogo, uma vontade de decidir, de tentar, de falhar e voltar a tentar no lance seguinte. Com apenas 20 anos, começa a escrever o seu caminho longe dos grandes palcos, mas com sinais claros de que não ficará lá por muito tempo.

Com apenas 20 anos, Ichem Ferrah começa a consolidar-se como um dos jovens extremos mais interessantes fora dos grandes holofotes do futebol europeu. Formado no LOSC Lille, o internacional jovem com dupla nacionalidade francesa e argelina encontra-se atualmente emprestado ao SC Cambuur, onde tem beneficiado de um contexto competitivo que lhe permite crescer com regularidade e assumir protagonismo.

Os números falam por si: 35 jogos, 11 golos e seis assistências. Mais do que estatística, estes dados refletem impacto real no último terço, algo que se confirma através da sua influência constante no jogo ofensivo da equipa orientada por Henk de Jong. Ferrah não é um extremo de um só momento, é um jogador envolvido, que pede bola, que assume o jogo e que procura constantemente criar desequilíbrios. Prova disso é o facto de ser, nesta edição da segunda liga dos Países Baixos, o jogador com mais dribles conseguidos, um dado que reforça a sua capacidade de desequilíbrio e a frequência com que procura o duelo individual.

Taticamente, enquadra-se no perfil moderno de extremo invertido. Canhoto a partir do corredor direito, explora com inteligência o espaço interior, conduzindo a bola para zonas de finalização onde o seu remate colocado ganha especial destaque. Muitos dos seus golos surgem precisamente desse movimento clássico de fora para dentro, combinando técnica individual com critério na decisão. A forma como enquadra o corpo antes do remate e a frieza na definição revelam um jogador com maturidade acima da média para a idade.

No entanto, dizer que Ferrah é só um extremo finalizador seria simplificar demasiado o seu jogo. Há uma componente criativa evidente, a sua visão periférica e capacidade de identificar linhas de passe entre setores permitem-lhe funcionar também como elemento de ligação. Quando atua em zonas mais interiores, como médio ofensivo, demonstra qualidade na gestão de ritmos, alternando entre aceleração e pausa, algo pouco comum em jogadores tão jovens. O primeiro toque, geralmente orientado, facilita a progressão e dá continuidade às jogadas, evitando que o jogo perca fluidez.

Outro aspeto relevante é a sua relação com o risco. Ferrah não se esconde do duelo individual. Procura o um contra um com frequência, tentando ultrapassar o adversário direto através da mudança de direção e da sua agilidade. Essa capacidade de improviso torna-o imprevisível e difícil de anular, especialmente em situações de igualdade numérica. A sua rapidez, aliada a um centro de gravidade baixo, permite-lhe ganhar vantagem em espaços curtos, algo fundamental no futebol atual.

No plano coletivo, tem sido uma peça importante na caminhada do SC Cambuur rumo à subida à Eredivisie. Já confirmada. A confiança depositada por Henk de Jong traduziu-se em minutos, responsabilidade e liberdade criativa, três fatores essenciais no desenvolvimento de um jovem talento. Não surpreende, por isso, que o clube de Leuuwarden esteja interessado em prolongar a sua permanência, vendo nele um ativo importante para enfrentar o desafio do principal escalão.

Em termos de valorização, Ferrah apresenta atualmente um valor de mercado na ordem dos 900 mil euros, um número que, tendo em conta a idade, o rendimento e a margem de progressão, poderá crescer significativamente a curto prazo caso mantenha este nível exibicional e dê o salto para contextos mais competitivos.

Apesar de todos os pontos positivos, há margem clara para evolução. O compromisso defensivo ainda não é consistente, sobretudo na reação à perda da bola. Num contexto mais exigente, como o de uma liga de topo, essa componente será fundamental para garantir minutos. Para além disso, o uso do pé direito continua a ser limitado, o que, em certos momentos, torna as suas ações previsíveis. Desenvolver essa vertente poderá aumentar significativamente o seu leque de soluções.

O regresso ao LOSC Lille surge como um objetivo assumido pelo jogador, que ambiciona afirmar-se na equipa principal. No entanto, esse cenário dependerá de vários fatores, entre eles a continuidade de Bruno Génésio e o espaço que o clube estará disposto a conceder-lhe num plantel com ambições europeias. Estamos perante um jogador com características muito valorizadas no futebol contemporâneo: capacidade de desequilíbrio, criatividade, chegada à área e margem de progressão elevada. Ichem Ferrah ainda está numa fase inicial do seu percurso, mas já deixa sinais claros de que pode dar o salto para um nível competitivo superior.

Eis o ponto de situação quanto aos 2 jogadores do FC Porto em dúvida para o Clássico contra o Sporting

FC Porto e Sporting defrontam-se na Taça de Portugal. Zaidu e Martim Fernandes estão em dúvida no lado azul e branco.

O FC Porto tem dois nomes em dúvida para o Clássico diante do Sporting na Taça de Portugal. O jornal O Jogo faz o ponto de situação quanto à disponibilidade de Zaidu e Martim Fernandes para ir a jogo.

O treino desta terça-feira é visto, em ambos os casos, como decisivo para as recuperações. A expectativa é de que Martim Fernandes regresse em breve, com o lateral português a treinar de forma condicionada na segunda-feira e a dar passos importantes com vista ao regresso.

Com menos expectativa, Zaidu está em grande dúvida para o Clássico. O lateral saiu de campo com caibrãs, confirmou Francesco Farioli, mas os exames realizados esta segunda-feira detetaram uma entorse no tornozelo direito de baixa gravidade.

Esta terça-feira, Francesco Farioli fará a antevisão ao jogo e dará novidades quanto aos dois lesionados. O FC Porto x Sporting tem apito inicial marcado para as 20h45 desta quarta-feira, dia 22 de abril, jogo da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal.

Zaidu Sanusi FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O Racing Santander de José Alberto López

Não é uma anedota, mas soa estranhamente como o início duma: Franck Ribéry, Stephan Lichsteiner e Alessandro Diamanti entram num centro de treinos em Santander. Na improvável Cantábria, os três chegam juntos às instalaciones Nando Yosu, como quem diz à La Albericia, laboratório do Racing.  Estranho. Qual é a ocasião? O que sucede? 

Sucede que estão ali a mando da Federação Italiana para aprender com o treinador local. José Alberto López, 43 anos, vai colocando o Racing como líder da segunda liga espanhola e agora recebe os craques para os ensinar uma nova forma de ver e jogar futebol.

No seguimento de mais um vexame histórico para a Azurra, os dirigentes italianos pretendem afastar do seu jogo as influências anacrónicas do catenaccio – o bloco recuado, a linha de cinco, a ausência de extremos – e, por isso, mandam os alunos do seu UEFA Pro beber da fonte da juventude em que se tornou o Relacionismo, oposição ao cada vez mais discutido Jogo de Posição. Na sede federativa de Coverciano, parece que se decidiram finalmente por cortar cabeças à filosofia e reformular a linha de conceitos-base do Calcio. Mas porquê o Racing?

O Real Racing Club, apesar de ser um dos fundadores da Liga Espanhola e ter participado em 44 edições, não joga a La Liga desde… 2011-12. Descia nessa temporada apesar de ter estado presente quase ininterruptamente (falhando apenas um ano) na primeira divisão desde 1993-94, e descia pela falência competitiva dum projecto que chegara a jogar Taça UEFA (duas vezes, uma delas com aquela memorável equipa de Garay e da dupla Munitis-Zigic); em 2011-12, ganhou-se apenas cinco vezes em 42 jogos. A última vitória surgira a 15 de Janeiro e a descida era consumada ainda em Abril, numa derrota no Anoeta, perante a Real Sociedad. Mesmo assim, pensou-se que seria acidente de percurso, sendo inevitável o regresso logo a seguir.

Não exactamente: o Racing caiu, não se levantou, afundou-se mesmo, e os problemas financeiros atiraram a equipa para a II B. Em 2014, o caos directivo obriga o plantel a um protesto inédito: antes duma eliminatória da Copa do Rey contra a mesma Real Sociedad, os jogadores recusaram-se a jogar. A desistência deu vitória ao adversário, mas garantiu o futuro ao clube: a massa associativa apoiou massivamente a atitude e a pressão tornou-se insuportável para Ángel Lávin, presidente, e o empresário indiano Ahsan Ali Syed. Manolo Higuera, antigo atleta e homem da terra, pegaria no clube no ano seguinte, iniciando caminhada de estabilização, sustentando o sucesso desportivo numa relação de proximidade entre clube e cidade, jogadores e adeptos. O determinismo identitário e valorização cultural teria que se transpor para o terreno de jogo. Como emular essas relações de confiança? Já lá vamos.

Em 2022, a Argentina de Scaloni sagrava-se campeã mundial recorrendo a uma recuperação da tradição futebolística da La Nuestra, mostrando ao planeta que a sofisticação espacial com que Guardiola revolucionou o jogo tinha afinal uma alternativa. Era possível vencer sem amarrar os jogadores a zonas pré-definidas ou posicioná-los tendo o espaço como referência. Era possível dar-lhes liberdade e aproveitar as naturais dinâmicas que surgem entre eles, responsabilizando-os e obrigando-os a solucionar problemas utilizando a sinergia técnica e emocional. Os sete padrões enunciados por Jamie Hamilton, treinador, analista e pensador – o toco y me voy, a tabela, a escadinha, o corta-luz, o tilting, a diagonal defensiva, o yo-yo – voltaram a sentir-se actualizados no léxico futebolístico. Seria com base no Relacionismo que Fernando Diniz faria do Fluminense campeão sul-americano de clubes ou que Roger Schmidt seria campeão em Portugal.

Sebastian Cería, matemático argentino, um dia professor na Universidade de Columbia, vendeu em 2019 a sua empresa de gestão de riscos financeiros por 850 milhões de euros. Tornar-se-ia oficialmente proprietário e mecenas do Racing em 2023, por influência da esposa, natural da cidade, e da avó, nascida e criada ali próximo, em Burgos. Mas não só.

«Como hincha do Racing Avellaneda e saber o que é sentir o racinguismo argentino, senti-me verdadeiramente identificado. Bom, há um momento crítico: Manolo vinha insistindo, vinha-me dizendo para “fazermos algo” com o Racing Santander. Entretanto, fui ver a final do Mundial e senti algo especial nesse momento com a celebração, algo verdadeiramente transversal. Não importa quem sois, não importa de onde vens, não importa o que pensas: somos todos do mesmo!».[1]

E esta sensibilidade, que ajudaria a justificar a escolha de Manolo Higuera em José Alberto López no final desse ano, seria ainda mais bem explicada numa entrevista do mesmo Sebastián já em 2025, ao jornal El Diário. O talento argentino para o futebol permite-lhes filosofar sobre o desporto como nenhuma outra nação. E novamente a justificativa para o projecto de recuperação do Racing e as bases da nova cultura.

«Falemos de futebol e do que percebo como a grande crise no mundo, do valor e da ideia de comunidade, de pertença, de enraizamento e dos valores de ajuda ao próximo e, quiçá, estar com alguém que não nos é igual. Em que lugares essa crise se manifesta? As pessoas cada vez menos se identifica com os partidos políticos, é muito fácil ouvir falar dele como se fossem uma partida de mancha venenosa (versão argentina do jogo da apanhada). A religião também está em crise, se formos às igrejas reparamos que há pouca gente e que há muito poucos jovens comprometidos. As redes sociais têm fomentado esta ideia de que cada um é a sua própria comunidade, cada um tem voz capaz de projectar através do megafone e utilizar discursos de ódio ou insultar quem quiser de maneira anónima. As redes sociais são muito anti-comunidade. A ideia original era juntar os amigos e o único que se faz é juntar os inimigos».

O jornalista, pragmático, pedia-lhe foco: como entrelaça isso com o futebol?

«Ante essa crise fundamental da raça humana, sobram muito poucos lugares onde esse sentimento de comunidade segue vivo. Um desses lugares é o futebol. Vejo o futebol como uma maneira de fomentar o sentimento de comunidade. A ideia de trabalhar num lugar onde se fomenta ou onde se pode solidificar esse conceito de comunidade parece-me essencial». [2]

 Até José Alberto López chegar, em 2022-23, o Racing andou feito elevador entre a Segunda e a Terceira, descendo tantas vezes quanto nos… 66 anos anteriores. JAL, sigla que facilita, não tinha grande currículo. A falta de pergaminhos tornava quase impossível prever que o técnico espanhol se tornasse no primeiro treinador a aguentar-se mais de dois anos consecutivos no banco do El Sardinero em 30 anos ou que chegasse ao terceiro lugar no ranking dos treinadores com mais jogos no clube.

De ideias muito vincadas, a evolução foi continuada e teve mérito no garantir da própria estabilidade de trabalho. Do 12.º lugar final do ano de estreia, subiu para o sétimo lugar em 2023-24 (perdendo o acesso ao play-off na última jornada, com uma derrota frente ao Villareal B) e para o quinto lugar no ano passado, com queda já nos play-off de subida aos pés do Mirandés.

Como qualquer relacionista que se preze, não esconde certos traços que uns dizem ser de loucura outros de teimosia; o 4-2-3-1 de olhos postos na baliza adversária fazem-no quebrar constantemente recordes estatísticos de golos – este ano o Racing vai liderando a tabela com 75 golos marcados, melhor ataque da prova, enquanto ostenta 55 golos sofridos (os mesmos que o penúltimo classificado, Huelva) por conta de ser… a terceira equipa mais goleada da competição!

Há duas semanas, na deslocação a Andorra, o Racing nunca pensou sair da casa do 11.º classificado vergado a um… 6-2. Uma certa corrente da massa associativa, com menos paciência para as imprevisibilidades do espírito romântico do treinador, aumentou a contestação com medo de que se perdesse novamente oportunidade de voltar à ribalta. JAL, no rescaldo, foi peremptório: «Lo conseguiremos, tengo 100% claro!» E mesmo que tivessem acreditado nele, poucos poderiam imaginar que no fim-de-semana seguinte, na recepção ao segundo classificado, o Almería, o Racing os despachasse com uns esclarecedores… 5-1. Quer dizer, depois de quatro anos, já deviam estar habituados às magias dum Relacionismo que, se perguntarem ao treinador, não é bem isso…

Numa entrevista dada em Janeiro ao portal Total Football Analysis, JAL mostrava-se admirado perante as comparações entre o futebol do Racing e a nova moda.

«Criámos isto naturalmente. Estou aqui há mais de dois anos. Temos vindo a desenvolver o nosso estilo de jogo progressivamente ao longo desse tempo».

O que se prova quando atentamos que, do actual plantel, 10 jogadores estão integrados pelo menos desde 2023-24 – aliás, dos 12 com mais minutos esta época, nove têm pelo menos dois anos em Santander. Mas deixemo-lo continuar.

«O tempo permitiu-nos gerar essas relações entre jogadores para explorar todo o potencial técnico e características individuais de cada um deles. Ouvi dizer que Fernando Diniz do Fluminense era um treinador que punha grande ênfase no relacionismo, mas a filosofia não me era familiar. Isto apareceu espontaneamente».

E em Santander, podemos testemunhar o tilting – saturação numérica num dos lados do campo por aproximação de jogadores – que provoca o congestionamento que, por sua vez, facilita a reacção automática à perda da posse, que nunca insiste em si mesma – ou seja, o Racing não usa a posse pela posse, mas, como ficou famoso das ideias de Schmidt, como um mecanismo de aceleração na procura da baliza adversária.

 «No nosso estilo de jogo, combinações curtas são cruciais, mas o número de passes não é essencial.

Se eu pedir aos jogadores para serem diferentes e eles tentarem constantemente o último passe, ou a acção de risco, a probabilidade de erro sobe consideravelmente. Porém, o resultado depende da qualidade – e nós temos muita qualidade no último terço.

E há outra métrica – a maioria dos golos surge em posses de entre a quatro e oito passes. Assim que ultrapassamos as oito, os rivais normalmente conseguem reorganizar-se[3]

E foi sob estas premissas que se apoiaram as dinâmicas do seu 4-2-3-1, com foco total na capacidade associativa dos três elementos atrás do ponta de lança, na forma como criam as ‘filiações socioafectivas’ para ultrapassar os problemas táticos que lhes surgem em forma de linhas defensivas implacáveis. E sem ter em conta as imperdoáveis injustiças das menções directas, os nomes a reter do conjunto de JAL são mesmo os três criativos: Andrés Martín (mais presenças e goleador-mor apesar de surgir como ‘10’, com dezoito tentos), Iñigo Vicente (líder do ranking das assistências com 16) e Peio Canales, uma joia emprestada pelo Athletic Bilbao.

E em equipa de pressupostos tão filosóficos e de tanto apelo à estética, não se podia digerir o sucesso sem um punho de poesia: à 36.ª jornada, depois de ter tido Ribéry, Lichsteiner e Diamanti a tirar notas dos seus segredos, o Racing conseguiu abrir fosso de quatro pontos para o segundo lugar, aumentando consideravelmente as hipóteses de subida directa e até de título, ao conseguir vitória no mesmo Anoeta onde consumou a descida, há 14 anos, numa vitória clara perante a mesma Real Sociedad (mesmo que seja a equipa B).


[1] https://www.youtube.com/watch?v=8Fm8cT8m7Kg&t=882s

[2] https://www.eldiario.es/cantabria/ultimas-noticias/sebastian-ceria-matematico-maximo-accionista-racing-santander-espana-gran-pais-funciona_1_12641180.html

[3] https://totalfootballanalysis.com/head-coach-analysis/jose-alberto-lopez-tactics-at-racing-santander-exclusive-interview-tactical-analysis

Há 8 clubes interessados em Maxi Araújo e Sporting já definiu preço mínimo para negociar saída do jogador

Maxi Araújo tem oito interessados na sua transferência. O uruguaio tem atraído clubes estrangeiros e o Sporting já tomou uma posição.

Maxi Araújo continua a somar exibições positivas pelo Sporting e a reunir interessados no mercado. De acordo com o jornal A Bola, há oito clubes interessados no ala uruguaio dos leões.

De Inglaterra, há interesse de Manchester City, Manchester United e Arsenal. Em Itália, a Atalanta, o Nápoles, a Juventus e o AC Milan estão interessados no uruguaio. Por fim, também o Atlético Madrid, clube espanhol, está atento ao jogador do Sporting.

Segundo a mesma fonte, o Sporting está aberto a negociar a transferência abaixo dos 80 milhões de euros de cláusula. Uma verba entre os 40 e os 50 milhões de euros levará os clubes para a mesa de negociações sendo certo que, caso Maxi Araújo deixe o Sporting, os leões irão ao mercado.

Maxi Araújo tem 26 anos e soma seis golos e quatro assistências em 40 jogos pelo Sporting esta temporada, a segunda do uruguaio pelos leões. O Objetivo dos leões passa, ainda assim, pela renovação de contrato com o internacional uruguaio que estará no Mundial 2026.

Barcelona quer antigo avançado do Benfica para reforçar o ataque

O Barcelona quer contratar um novo ponta-de-lança. Darwin Núñez, avançado do Al Hilal e antigo jogador do Benfica, na lista dos culés.

O Barcelona está perto de ver Robert Lewandowski sair a custo zero e quer um novo ponta-de-lança. O clube culé encontra-se a analisar diferentes perfis no mercado e estuda avançar pela contratação de Darwin Núñez.

O objetivo do conjunto espanhol passa por avançar por um empréstimo com opção de compra, que reduza os riscos económicos e desportivos do negócio e permita uma maior gestão financeira do mercado de verão. Recorde-se que, em janeiro, João Cancelo chegou também do Al Hilal por empréstimo, sendo o português outro jogador a negociar pelo Barcelona com os sauditas neste verão.

Darwin Núñez não voltará a jogar esta época pelo Al Hilal, uma vez que o avançado não está inscrito na Liga Saudita e o clube já foi eliminado da Champions League Asiática. Esta época, o uruguaio leva nove golos e cinco assistências em 24 jogos pelo emblema árabe.

Darwin Núñez Al Hilal
Fonte: Al Hilal

Em canal aberto: onde ver o FC Porto x Sporting que decide as meias-finais da Taça de Portugal?

O FC Porto e o Sporting defrontam-se novamente na Taça de Portugal. Segunda mão das meias-finais apurará primeiro finalista da competição.

Depois da vitória dos leões em Alvalade por 1-0, FC Porto e Sporting defrontam-se novamente nas meias-finais da Taça de Portugal. A segunda mão é jogada no Estádio do Dragão.

O FC Porto x Sporting tem apito inicial marcado para as 20h45 desta quarta-feira, dia 22 de abril. O jogo tem transmissão televisiva em canal aberto na RTP1, sendo portanto também transmitido de forma gratuita via RTP Play. O duelo terá ainda transmissão televisiva na Sport TV 1.

A equipa vencedora será a primeira a ser apurada para a final da Taça de Portugal. Torreense e Fafe disputam a outra vaga na final do Jamor.

Sporting x FC Porto Alberto Costa Morten Hjulmand
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede