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FC Porto 6-1 Moreirense FC: Coroação com direito a goleada

A CRÓNICA: A CEREJA NO TOPO DO BOLO

Era noite de consagração no Dragão. O convidado de honra? O Moreirense FC, emblema que, um pouco à imagem do FC Porto, pisava o tapete verde com a vida relativamente tranquila, assente sobre um honroso oitavo lugar.

E, se é comum dizer-se que quando uma equipa joga livre de preocupações maiores os golos costumam aparecer, que efeitos trarão ao jogo duas equipas “despreocupadas”? Isso mesmo, trarão golos.

Em primeiro lugar, ainda antes do cronómetro apontar para o quarto minuto de jogo, Luis Díaz, após cruzamento de Alex Telles, cabeceia livre de grandes constrangimentos e inaugura o marcador num despido Dragão.

No entanto, aquilo que os azuis e brancos conseguem fazer, o Moreirense também é capaz. Prova disso foi a cabeçada do artilheiro Fábio Abreu, em resposta a um cruzamento de Abdu Conté. Tudo igual na Invicta.

Até ao descanso, o perigo teimou em rondar ambas as balizas, mas, ora por mérito dos guardiões, ora por demérito de quem ataca, o esférico teimava em não beijar uma vez mais as redes.

O regresso dos balneários não trouxe mexidas, todavia trouxe golos, bem mais do que aqueles ocorridos na primeira metade (desta vez, contudo, todos para o mesmo lado).

Logo aos cinquenta e um minutos, uma bola em profundidade colocada em Marega que permitiu ao maliano assistir Otávio para o segundo dos dragões.

O terceiro tento pouco tardou a chegar: Díaz, no frente a frente com Pasinato, dribla o guardião que o derruba. Castigo máximo assinalado e Alex Telles assumiu a responsabilidade, dilatando ainda mais a vantagem azul e branca.

Faltava, no entanto, mais um golo de bola parada. E que agradável surpresa! Livre direto cobrado de forma irrepreensível por Marega. 4-1.

Golos de cabeça, de livre, de penálti… Mas faltava algo. Faltava um hino ao futebol. Combinação entre Luis Díaz, Otávio e Soares; resultado final: quinto golo dos dragões.

Infelizmente para o Moreirense, o novo campeão nacional ainda não estava saciado: faltava ainda o sexto. O trio responsável pelo quinto esteve na autoria do sexto, sendo novamente Soares o responsável por introduzir o esférico no fundo da baliza visitante.

Ufa! Chegámos ao fim. Triunfo do FC Porto, uma goleada das antigas, a cereja no topo de um belo bolo.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Luis Díaz – É difícil fugir a um jogador que participa diretamente em cinco dos seis golos. Díaz marca um, participa nos últimos dois e sofre as faltas que originam os terceiro e quarto golos. Exibição incrível!

O FORA DE JOGO

Segunda parte do Moreirense FC – Quem viu a primeira metade da turma de Moreira de Cónegos dificilmente perspetivava o que decorreria na segunda. Uma equipa coesa defensivamente e venenosa em termos ofensivos, viu todas as suas esperanças irem por água abaixo devido à entrada fortíssima do FC Porto.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

No que toca às escolhas iniciais, Sérgio Conceição optou por rodar alguns elementos. Desde logo, na baliza, Diogo Costa assumiu a titularidade; no que a jogadores de campo diz respeito, Diogo Leite no lugar do castigado Pepe, enquanto que Corona regressava ao onze em detrimento de Loum.

Relativamente ao desenho tático, os dragões entraram em campo com um 4-2-3-1 em mente, com os três jogadores mais próximos de Marega, Díaz, Fábio Vieira e Corona, em constante alternância posicional.

Ainda antes do intervalo, a inclusão de Uribe permitiu libertar um pouco mais Otávio. Facto é que, coincidência ou não, o FC Porto consegue atropelar o Moreirense na segunda metade, com o brasileiro a participar diretamente em três golos.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (6)

Manafá (6)

Mbemba (6)

Diogo Leite (5)

Alex Telles (7)

Danilo Pereira (6)

Otávio (8)

Fábio Vieira (4)

Corona (7)

Luis Díaz (9)

Marega (7)

SUBS UTILIZADOS

Uribe (6)

Soares (7)

Mbaye (5)

Loum (5)

Vitinha (5)

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

Assistiu-se a uma completa revolução nas escolhas iniciais de Ricardo Soares. Comparativamente ao onze do anterior confronto, os visitantes mantiveram apenas dois elementos: João Aurélio e Halliche.

Facto é que nesta visita ao terreno do novo campeão nacional, os homens de Moreira de Cónegos adotaram uma vez mais um 4-5-1, com Mané mais próximo do quarteto defensivo.

Uma das principais apostas do técnico visitante para este jogo passava muito pelas alas, onde os extremos tinham constantemente o apoio do respetivo lateral, sobretudo durante o decorrer da primeira parte.

Na segunda metade, a equipa claramente foi abaixo depois da entrada fortíssima do FC Porto.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (3)

João Aurélio (5)

Halliche (4)

Rosic (4)

Abdu Conté (5)

Sori Mané (5)

Filipe Soares (4)

Alex Soares (4)

Pedro Nuno (4)

Luther Singh (5)

Fábio Abreu (5)

SUBS UTILIZADOS

Gabrielzinho (4)

Nuno Santos (4)

Luís Machado (4)

Anthony d’Alberto (3)

Ibrahima Camará (3)

Artigo revisto por Joana Mendes

CD Tondela 1-0 SC Braga: Herói beirão para aproximar da manutenção

A CRÓNICA: TONDELA VENCE BRAGA FERIDO E DÁ MAIS UM PASSO NA MANUTENÇÃO

O Estádio João Cardoso recebeu um encontro que ficou marcado pelo equilíbrio entre ambas as equipas do início ao fim. Com dois opositores com ambições bem definidas, foi o CD Tondela a levar a melhor.

A primeira parte do jogo foi marcada pela determinação dos dois plantéis, com poucas oportunidades de golo. Os defesas do CD Tondela conseguiram anular a ofensiva dos guerreiros do Minho e o contrário também aconteceu. Essa simetria de jogo entre as equipas foi a maior razão para o nulo no marcador ao intervalo.

Os segundos 45 minutos ditaram por completo o rumo e o final do encontro. Com uma equipa do CD Tondela mais agressiva e ofensiva, o momento decisivo da partida teve lugar aos 74 minutos. Após uma excelente defesa de Matheus, foi o central Yohan Tavares que concretizou para a equipa da casa numa recarga e garantiu os três pontos valiosos para os beirões.

As substituições efetuadas pelo SC Braga em pouco ou nada alteraram a forma de jogar dos minhotos. Fransergio, que surgiu no lugar de André Horta, pouco se mostrou no jogo e não o alterou da maneira que Artur Jorge pretendia. A lesão de Rui Fonte também obrigou a entrada forçada de Abel Ruiz que, apesar de “estar fresco”, também foi algo nulo na construção ofensiva do SC Braga.

Já as alterações na equipa beirã foram mais decisivas no decorrer da partida. Natxo González alterou o meio-campo do CD Tondela ao intervalo, ao lançar João Pedro e Richard, e isso mudou a visão dos beirões no encontro. Ricardo Valente também demonstrou uma grande postura ofensiva no encontro, sendo que, logo após a sua entrada, deu-se o golo da equipa da casa.

A expulsão do central Filipe Ferreira ainda fez tremer o CD Tondela, mas a vontade de se manterem no campeonato falou mais alto e os beirões conseguiram manter o resultado e juntar mais três pontos.

Com esta vitória, o CD Tondela fica mais perto de garantir a manutenção e o SC Braga pode atrasar-se na luta pelo terceiro lugar do campeonato.

 

A FIGURA 

Yohan Tavares – Foi o homem mais valioso do CD Tondela e do encontro. Para além de fundamental na defesa da equipa da casa, o golo do central francês foi um fator decisivo na luta pela manutenção dos beirões.

 

O FORA DE JOGO

Filipe Ferreira – Apesar de alguns bons traços deixados por Filipe Ferreira ao longo do encontro, foi a sua agressividade que marcou negativamente a sua exibição. Expulso após receber dois cartões amarelos, o lateral português deixou marcas no encontro.

 

ANÁLISE TÁTICA – CD TONDELA

O CD Tondela optou por um 4-3-3 com uma abordagem bastante equilibrada. No entanto, o seu tipo de jogo ficou marcado um pouco pela agressividade, pautada pela dificuldade do jogo e pelo que este precisava de ter, para alcançar a vitória frente à equipa minhota.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Babacar (6)

Tiago Almeida (6)

Yohan Tavares (8)

Philipe Sampaio (7)

Filipe Ferreira (3)

Jhon Murillo (5)

Jaquité (6)

Pepelu (6)

Telmo Arcanjo (5)

Ronan (5)

Jonathan Toro (5)

SUBS UTILIZADOS

João Pedro (5)

Richard (5)

Ricardo Valente (6)

Petkovic (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

Artur Jorge escolheu um 4-4-2 tradicional para enfrentar o CD Tondela. Como imagem típica da equipa minhota, que enfrentou um desafio fulcral para continuar na corrida do terceiro posto do campeonato, foi possível observar as jogadas do Braga pelo flanco direito através dos cruzamentos de Ricardo Esgaio e, também, os movimentos interiores do jovem Trincão.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (5)

Bruno Wilson (5)

David Carmo (6)

Ricardo Esgaio (5)

Pedro Amador (5)

Palhinha (7)

André Horta (5)

Trincão (7)

Ricardo Horta (6)

Rui Fonte (6)

Paulinho (6)

SUBS UTILIZADOS

Fransérgio (5)

Abel Ruiz (5)

Sanca (6)

João Novais (6)

Artigo revisto por Joana Mendes

«Deixa-me triste ver o Benfica a passar por esta situação, em que não se vê a liderança» – Entrevista BnR com Idalécio

Diretamente de Londres, Great Britain, fala com o Bola na Rede uma das torres de Loulé. Idalécio Rosa, defesa central que fez carreira no futebol português, abre a porta para muitas histórias que têm como protagonistas figuras bem conhecidas do nosso futebol. Do duelo com Giuly e companhia, no calor do Algarve, à mudança para frio do Minho, das instruções do “capitão” Ivo Vieira na Madeira, às lições a Fábio Coentrão em Vila do Conde, sem nunca esquecer um título da Segunda Liga que… Não celebrou. O Idalécio ganha esta Bola nas alturas e cabeceia para o fundo da Rede.

– A torre de Loulé no rumo ao Estrelato –

«Acordava cedo e arriscava chegar e levar umas cinturadas, mas o gosto pelo futebol sempre se sobrepôs»

Bola na Rede (BnR): Como é que tens vivido a pandemia?

Idalécio Rosa (IR): Para já, agradecer mais uma vez a oportunidade de estarmos aqui à conversa, e depois dizer-te que este período de pandemia, que nos afetou a todos, tem sido de preocupação e apreensão pelas notícias que vieram a público, pelas mortes que foram sendo notícia, sem sabermos muito bem o que era, como era, alguns produtos que temos nos hipermercados estavam esgotados. Depois, foi ter o cuidado, uma vez que o lockdown aqui não foi obrigatório. Aqui, as pessoas sempre puderam andar à vontade, mas não havia máscaras e luvas, e optámos por ficar em casa e ir só ao supermercado. Sempre que íamos às compras, íamos com a sensação de estar a entrar num sítio contaminado, foi complicado e continua a ser porque não sabemos onde o vírus está e temos de ter os cuidados necessários.

BnR: Têm sido tempos distintos.

IR: Os nossos trabalhos fecharam a 20 de março e ainda não regressamos. Não sabemos quando vamos voltar, nem eu nem a minha mulher. Estamos num plano do Governo, em que somos apoiados em 80%, o que não é bom nem é mau. Sabemos que há pessoas em muito piores condições que nós, temos de dar graças a que tudo esteja a correr dentro da normalidade. Quanto ao vírus, não sabemos se o tivemos ou não. Antes de entrar em lockdown, estive com tosse e falta de apetite, que são sintomas, mas nunca foi feito nenhum teste, nem se fala em fazer testes. Temos passado o tempo em família, fazemos vídeos juntos para o Tik-Tok e vemos muita televisão e muitos filmes.

BnR: Durante toda a tua carreira, não sofreste o impacto das redes sociais que os jogadores atualmente sofrem, com as suas vidas expostas todos os dias. Como vês esta interferência das redes sociais no futebol?

IR: De facto, na altura não havia o acesso às redes sociais e a facilidade que há hoje. Tem a sua coisa positiva, em termos de promoção dos atletas e de visualização, mas cada um tem que ter mais cuidado, uma vez que têm sido vários os episódios em que eles, enquanto profissionais, têm celebrado situações em alturas que não o podem fazer, e publicam essas fotos e vídeos, o que lhes tem trazido muitos problemas.

BnR: Como o caso do Mirko Antonucci, do Vitória FC.

IR: Eles alegaram que tinha que ver com isso, com o caso dos Tik-Toks no hotel. Acho que isso acaba por ser um motivo de distração, mas a distração tem de ser bem gerida. Isto é viciante e giro, mas há toda uma profissão onde os jogadores têm de se salvaguardar e proteger para não serem apanhados em situações dessas. Eu acho imensa piada às redes sociais, uso para me divertir, não é para me gabar nem armar. Mando uma boca, os meus amigos em Portugal mandam outra, e é assim. Mesmo no restaurante, eles diziam que eu publicava demais e bloquearam-me, mas depois eram os primeiros a incentivar-me a tirar as fotos.

BnR: Tu começas a tua carreira profissional no Louletano.

IR: Eu sou natural de Alcochete, do Montijo. Com 12 anos, os meus pais separaram-se e eu já praticava futebol 7 no Atlético do Montijo, num gimnodesportivo, além do futebol nas ruas, na calçada. Nunca tive muito o apoio do meu pai, queria que fosse médico e advogado, mas a minha mãe foi-me encobrindo um bocadinho, e lá acordava cedo e arriscava chegar e levar umas cinturadas, mas o gosto pelo futebol sempre se sobrepôs. Então vou para Loulé com a minha mãe, e começo a jogar em iniciado de segundo ano. Já tinha ingressado no Montijo como federado, assinei o contrato de formação com 11 anos, então, no Louletano, tive de esperar. Estive um ano só a praticar, fiz lá a minha formação toda até chegar aos seniores. Com 18 anos, idade de júnior, assinei contrato profissional de três anos, em que fui emprestado, uma vez que os juniores do Louletano estavam na distrital, não havia competição nacional, e fui convidado para ir para o Almacilense, da terceira divisão, para disputar o campeonato nacional com os seniores.

BnR: Durante toda a tua formação foste defesa central?

IR: Sim, talvez pela estatura, pelas caraterísticas. Eu sou da opinião que, na formação, devemos experimentar várias posições. O treinador faz essa análise, ou deveria fazer, tendo em conta caraterísticas físicas, técnicas, e então a posição que me foi atribuída, embora tivesse alguma técnica, foi defesa central. Adaptei-me e foi por ali que fiz o meu percurso no Louletano.

BnR: E ficou uma grande torre em Loulé.

IR: Sim, sempre me destaquei dos outros por ser muito alto, e, a partir daí, nomearam-me uma das torres do Louletano. Na altura, nos seniores, eu, o João Carlos e o Pagani éramos as três torres louletanas. Eu jogava mais do lado esquerdo, tive a oportunidade de jogar a defesa esquerdo, já que os defesas centrais eram muito fortes e experientes, e isso permitiu-me crescer muito e aceitei isso de bom grado. O importante era estar no onze e é isso que muitas vezes os jovens não entendem, amuam e perdem oportunidade de dar continuidade às suas carreiras por essa falta de humildade e espírito de sacrifício. Falta em alguns deles ambição, as coisas vêm tão fáceis hoje em dia. Antigamente era uma guerra para ter umas sapatilhas para jogar à bola, hoje em dia têm, é normal pela evolução dos tempos, e querem ter tudo do bom e do melhor, e esquecem-se que os pais fazem sacrifícios enormes para lhes poder dar isso, e depois não se sacrificam. É a opinião que eu tenho, e que eu vejo, e por ter passado pela formação.

BnR: Tu falaste na adaptação ao balneário, que era completamente diferente antigamente do que é agora, mas também há a questão da adaptação à posição. Tiveste de te adaptar a defesa esquerdo, uma posição que mudou em relação aos dias de hoje, em que o defesa esquerdo é mais um ala, enquanto que antigamente era muito posicional. Tiraste vantagem disso talvez, mas o teu sucesso derivou dessa adaptação, concordas?

IR: Exatamente, temos de nos adaptar às necessidades da equipa, do treinador, e pôr em prática as nossas caraterísticas, reconhecendo as dificuldades que cada um de nós tem, mas tentando aperfeiçoá-las em cada treino, em cada jogo, em todos os momentos que tenhamos essa oportunidade. Jogando como titulares ou cinco minutos, essa sempre foi a minha mentalidade, dar o meu melhor e adaptarmos as necessidades do treinador e da equipa.

BnR: Depois vais para o Farense, e aqui eu gostava de destacar a tua primeira experiência na Europa. Podes contar-nos como foi?

IR: Foi extremamente positivo. O Farense vinha de várias excelentes épocas, mas aquela com o apuramento para a Taça UEFA foi espetacular. Houve uma razia no plantel, até porque havia muita qualidade na equipa, e devido às dificuldades financeiras do clube muitos jogadores foram embora com rescisões e para clubes melhores, mas vendas não foram concretizadas. A única que foi concretizada foi o Jorge Soares, que foi para o Benfica, mas continuou por mais um ano, e houve a entrada de algum dinheiro, mas foram muitos os jogadores que saíram sem que entrasse nenhum dinheiro.

BnR: Mesmo assim, formaram um grupo muito competitivo.

IR: Assim sendo, o mister Paco Fortes teve a necessidade de recorrer a alguns jovens que estivessem pela zona do Algarve, e, em conjunto com jogadores bastantes experientes, Cacioli, Paiva, Djukic, Hajry, depois trouxe Pedro Miguel, defesa central, Carlos Costa, formámos uma excelente equipa. Mas, para lutar frente a um Lyon cheio de jovens talentos de muito valor, onde se destacavam o Giuly e o Maurice, era complicado. Foi muito bom, foi uma grande experiência, tive a oportunidade de realizar os dois jogos, foi um motivo de grande orgulho, mas foi tudo muito rápido. É tudo muito rápido, chegas à primeira divisão, começas a jogar, tens a oportunidade da Taça UEFA, para um jovem é muito gratificante, e tenho muito orgulho de ter feito parte do Farense dessa época e de ter participado nesses jogos da Taça UEFA.

Fonte: Blog A gola do Cantona

BnR: Foste tu que lidaste diretamente com o Giuly?

IR: Não, com o Maurice. O Giuly tinha mais alguma liberdade, o Maurice era um avançado mais fixo.

BnR: Mas já se destacavam pela classe e qualidade que viriam a mostrar mais tarde?

IR: Sim. O Giuly depois acaba por ter um percurso de grande destaque no Mónaco, Barcelona, mas o Maurice nem tanto. Acabou por fazer em França, e foram internacionais franceses, o Giuly foi o que atingiu o patamar mais elevado. O Lyon já era fortíssimo na altura e foi uma experiência incrível, o Estádio de São Luís com os nossos adeptos foi lindíssimo e jogar em Lyon foi também muito gratificante.

BnR: Aproveito, já que estamos a falar do Farense, o clube vai estar na Primeira Liga para a próxima época. Achas que pode fazer uma “gracinha” à moda de Famalicão?

IR: Eu gostava. Estou muito feliz e até tive a oportunidade de falar para a SportTV e dar os parabéns ao Farense e ao Nacional, curiosamente dois clubes que eu representei, que este ano lhes foi atribuída a subida, embora tenha sido da forma que foi, com a interrupção do campeonato e consequente subida conforme a posição que atravessavam no campeonato. Mas muito feliz por isso e por saber as dificuldades que o clube atravessou, a chamada travessia no deserto. Sei que está muito bem estruturado, com um bom presidente, uma pessoa muito séria e que gosta muito do clube, não quer dizer que os outros não tivessem gostado, mas houve muitos anos em que as direções levaram com muitos problemas. Oxalá que consigam encontrar o caminho que lhes permita fazer tão bem como o Famalicão ou que lhes dê o equilíbrio de permanecerem muitos anos na primeira divisão, é o que os adeptos gostam e merecem, não só os do Farense, mas todos os que conseguem subir à primeira. Espero que consigam ficar por muitos anos, que consigam fazer uma gestão equilibrada e com resultados positivos, sei que estão a trabalhar muito bem a formação, não é de agora, e pode ser um clube muito interessante no futuro a nível de jovens valores a aparecer.

A história por detrás de 4 fusões do futebol português

Há algumas semanas, o mundo do futebol viu-se meio atarantado com um desafio lançado pelo Club Sintra Football ao Clube Desportivo Estrela, propondo a fusão de ambos os clubes, com vista a formar um projecto desportivo sólido e consistente, que permita ao histórico clube da Amadora, agora representado pelo CD Estrela, voltar à elite do futebol nacional e ao mais recente clube de Sintra, continuar o trabalho desenvolvido nos últimos anos. Os sócios do CD Estrela deram luz verde à fusão, o que significa que o novo clube, o Club Football Estrela da Amadora irá disputar o Campeonato de Portugal na próxima temporada. Esta situação, que me parece benéfica para ambos os clubes, levou-me a fazer uma pesquisa sobre outras fusões de clubes ao longo da história do futebol português. A minha conclusão é que, realmente, juntos somos mais fortes.

Os 10 melhores laterais esquerdos portugueses da atualidade

10 melhores laterais portugueses

A par da posição de ponta de lança, as laterais também costumam ser posições bastante discutidas, quando se trata da Seleção Nacional Portuguesa. Ainda que por razões diferentes, uma vez que a posição “nove” é debatida por falta de avançados (segundo os entendidos), enquanto as alas da defesa têm por hábito o excesso de homens para o lugar.

Em caso de dúvida, optei pelo fator experiência e regularidade, ou seja, têm de ter 10 ou mais jogos no campeonato pela equipa principal que representam.
Após ter feito o top 10 de laterais direitos, elejo agora os melhores da ala esquerda. Opções ou não para Fernando Santos, penso que estamos bem resguardados para a próxima década, no que a esta posição diz respeito. Aqui estão dez, mas poderiam ser no mínimo 15 (dada a quantidade e qualidade dos possíveis eleitos). Eis um misto de jogadores que são um valor seguro, outros que estão a dar os primeiros passos e outros mais experientes na alta roda nacional ou internacional.

10 melhores laterais esquerdos portugueses

5 dados estatísticos do CD Aves x SL Benfica

Num jogo que ainda não é certo que se realize, uma vez que os jogadores do clube da Vila das Aves podem não comparecer no mesmo, CD Aves e SL Benfica defrontam-se para a jornada 33 da Primeira Liga Portuguesa, pelas 21h15 desta terça-feira.

UM JOGO QUE SURGE COM CONTORNOS DE POLÉMICA ENTRE DUAS EQUIPAS QUE JÁ TÊM OS SEUS LUGARES DEFINIDOS NA TABELA CLASSIFICATIVA. QUEM VAI VENCER? APOSTA JÁ NA BET.PT!

A partida já não apresenta grande interesse para ambas as equipas: de um lado encontram-se os encarnados, que já não conseguem chegar ao título e têm garantido o segundo lugar; do outro encontra-se o Desportivo das Aves, que já viu a descida e o último lugar confirmados.

Apresentamos cinco dados estatísticos sobre o confronto que se avizinha.

WWE Extreme Rules: Novos campeões e finais surpreendentes

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Nas últimas semanas, a WWE nunca estivera tão perto de terminar com as gravações dos seus programas e, lutando contra várias recomendações, continuou a funcionar ininterruptamente. E ainda bem, porque o Extreme Rules, apesar de não ter deslumbrado, foi um evento que me fez esquecer da pandemia e que me entreteve durante duas horas e meia. Portanto, nesse aspecto, a WWE está de parabéns.

Houve novos campeões, bons e (como não podia deixa de ser) maus combates, mas revejamos em maior detalhe o que aconteceu no “Horror Show at Extreme Rules”.

Foto de Capa: WWE 

Super Rugby Aotearoa: Hurricanes à boleia de Laumape

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O pontapé de saída da sexta jornada do Super Rugby Aotearoa deu-se em Wellington, no jogo de cartaz do fim de semana, sendo este o embate entre Hurricanes e Blues. Este confronto gerou muita expectativa na imprensa e nos adeptos, não só por ter marcado o regresso de Beauden Barrett ao Sky Stadium, desta vez na condição de adversário, mas também por colocar frente a frente os irmãos Barrett pela primeira vez.

Já em campo, o apelido “Barrett” esteve diretamente ligado à história do jogo. De um lado, Beauden respondeu a Ngani Laumape com um ensaio de grande qualidade, ao enganar TJ Perenara e Tyrel Lomax com um dummy antes de chegar à área de validação contrária. Do outro lado, Jordie garantiu a terceira vitória consecutiva dos Hurricanes, ao converter o ensaio de Asafo Aumua a três minutos do apito final de Ben O’Keeffe.

Apesar de suada, os Hurricanes mereceram a vitória, uma vez que dominaram o jogo nos capítulos do território e da posse. A equipa de Jason Holland mostrou uma boa capacidade de manter a bola viva e de montar fases de jogo. Aliada a esta qualidade, esteve a capacidade de penetração e de transporte de bola da dupla de centros. Ngani Laumape e Peter Umaga-Jensen mostraram-se explosivos no ataque à linha de vantagem, oferecendo, deste modo, uma melhor posição territorial à sua equipa.

Ainda assim, os Canes não conseguiram tirar partido de muitas das oportunidades criadas. À semelhança do sucedido na semana passada, a franquia de Wellington ora falhava no último passe, ora não era capaz de segurar bolas importantes no contacto.

Os Blues, por seu turno, tiveram dificuldade em alargar o jogo para os canais exteriores. Com a lesão de Otere Black e consequente mudança de Beauden Barrett para médio de abertura, a franquia de Auckland conseguiu, em certa medida, dar mais profundidade ao seu jogo, mas a previsibilidade continuava a fazer-se sentir nas linhas atrasadas. Por outro lado, o pack avançado realizou uma boa exibição, ao ser responsável por três dos quatro ensaios marcados pelos Blues e pelo sucesso no que às fases estáticas diz respeito. Além do mais, a sua capacidade defensiva tem vindo a melhorar, sendo que os Hurricanes não conseguiram marcar qualquer ponto durante os dez minutos em que Emoni Narawa esteve no sin bin. Os Blues conseguiram equilibrar o resultado através de uma defesa compacta, tendo como figura principal Dalton Papali’i. O flanqueador realizou, mais uma vez, uma grande partida, ao somar 18 placagens efetivas e um ensaio.

Com esta vitória por 29-27, o conjunto da capital soma o terceiro triunfo consecutivo, tendo o seu rendimento dentro de campo aumentado de forma exponencial em relação às jornadas iniciais. Já os Blues, realizaram a sua pior exibição nesta competição, complicando, desta forma, as contas na luta pelo primeiro lugar.

Nuno Borges é campeão nacional absoluto!

A cidade do Porto acolheu a final do Campeonato Nacional Absoluto do ténis português. Nuno Borges e Tiago Cação defrontaram-se no jogo decisivo. Antes de irmos à grande final, importa recordar o percurso de ambos os tenistas na competição.

PERCURSO DE NUNO BORGES

Nuno Borges atingiu a sua terceira final num espaço de um mês.
Fonte: Federação Portuguesa de Ténis

  Oitavos de final: 

Nuno Borges 2-0 Francisco Faria (6-3/6-0)

Quartos de final:

Nuno Borges 2-0 Daniel Rodrigues (7-5/6-1)

       Meia-Final:       

Nuno Borges 2-1 João Monteiro (4-6/6-3/6-4)

O vencedor de dois títulos no Circuito Sénior organizado pela Federação Portuguesa de Ténis chegou, sem grandes dificuldades, à final. A única partida que lhe causou mais problemas foi na meia-final diante de João Monteiro. Nesse encontro, Nuno Borges precisou de mais de duas horas para ultrapassar o seu adversário.

PERCURSO DE TIAGO CAÇÃO

Tiago Cação não cedeu nenhum set até ao jogo do título. Fonte: FPT

Oitavos de final:

Tiago Cação 2-0 Manuel Gonçalves (6-1/6-1)

Quartos de final:

Tiago Cação 2-0 Luís Faria (6-2/6-0)

Meia-Final:

Tiago Cação 1-0 Frederico Silva* (6-3/1-1)

*Frederico Silva desistiu no segundo set

Tal como o seu oponente, Tiago Cação teve uma caminhada tranquila no torneio. Nos dois primeiros jogos, o tenista natural de Peniche venceu Manuel Gonçalves e Luís Faria por um resultado que não deixa dúvidas em relação à justiça do vencedor. Relativamente à meia-final, Tiago Cação beneficiou da desistência de um dos candidatos ao título para carimbar o passaporte até à final.

Como a mesma quarentena pode ter efeitos tão diferentes

Até à paragem do campeonato italiano, provocada pelo Covid-19, SS Lazio e Atalanta BC eram claramente duas das equipas sensações, não só em Itália, mas inclusivamente na conjuntura europeia. Quando no final da jornada vinte e seis o campeonato é interrompido, a Lazio era segunda classificada, com 62 pontos, estando apenas a um ponto da líder Juventus. A Atalanta estava na quarta posição, com 51 pontos, ou seja, a 12 pontos da liderança.

Antes desta paragem a crítica era quase unânime: A Juventus só era líder pelas suas individualidades, sendo que o futebol praticado por estas duas equipas era bastante mais atrativo que o apresentado pelo campeão das últimas oito épocas. Só que a retoma parece ter trazido tanto de bom à equipa de Bergamo, como de mau para a equipa da capital Italiana.

A JUVENTUS PODE DAR UM PASSO GIGANTE RUMO À CONQUISTA DE MAIS UMA SÉRIE A! NUM DUELO DE GOLEADORES ENTRE CRISTIANO E IMMOBILE, QUEM VENCERÁ? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Analisando o ponto de situação na jornada trinta e quatro (o campeonato tem trinta e oito jornadas), a Atalanta é segunda classificada a seis pontos da líder Juventus e a Lazio caiu para a quarta posição, estando neste momento a onze pontos da equipa de Cristiano Ronaldo. Ora, é facilmente percetível que a equipa de Gian Piero Gasperini vai recuperando terreno de jornada para jornada, já a Lazio, foi acumulando resultados menos positivos (alguns verdadeiramente surpreendentes), acabando por perder um comboio do título que a determinada altura parecia vivo e exequível.

Começando pela equipa da capital, a Lazio de Simeone Inzaghi tem sido uma formação bastante competitiva e consistente nos últimos anos, tendo inclusivamente na época passada conquistado a taça de Itália e tendo já no seu reinado colecionado duas supertaças de Itália. Um dos grandes méritos deste treinador tem sido a forma ofensiva como coloca a Lazio a jogar, potenciando os seus jogadores de ataque. Inzaghi conseguiu pegar em jogadores como Immobile, Luis Alberto, Correa ou Caicedo, jogadores que vinham de momentos menos felizes na sua carreira, para se tornarem verdadeiras máquinas ofensivas, trocando golos e assistências entre si. Ciro Immobile é inclusivamente o atual melhor marcador da Liga Italiana e desde que chegou ao emblema albiceleste já marcou mais de 100 golos.

Nas últimas duas épocas, a determinada altura deu a sensação que a equipa teria capacidade para lutar pelo título até ao final, mas a verdade é que as limitações do plantel, principalmente noutros setores que não o ataque, acabam por se fazer notar com o adiantar da competição, até porque a Lazio tem estado envolvida igualmente nas competições europeias. Tal como referido, até à paragem tivemos uma Lazio perfeitamente capaz, mas desde a retoma a equipa tem mostrado alguma fragilidade mental e acabou por deitar por terra as suas aspirações ao Scudetto.

Já no que diz respeito à equipa de Bergamo, é a verdadeira surpresa da época 19/20 a nível europeu. Todo o fato tem de ter um bom alfaiate, e no caso da Atalanta, é Gian Piero Gasperini. O atual timoneiro treinou a equipa sub-20 da Juventus, Crotone, Genoa, Inter de Milão, Palermo, com zero títulos conquistados. Até este momento, a sua melhor prestação tinha sido com o Genova em 2006, levando a equipa de volta para a Primeira Liga.

Não sabemos se foi uma mudança de métodos, se foram os projetos anteriores que não ofereceram as condições necessárias, a verdade é que Gasperini chega a Bergamo e de repente surge uma super equipa, à qual só faltam títulos para ficar eternizada no futebol Italiano.

A equipa tem um ataque avassalador (à jornada 34, tem mais 24 golos marcados que a líder Juventus) com mais de cem golos marcados na época e com mais de noventa só na Liga Italiana. A Atalanta tem um estilo de jogo muito ofensivo, durante os noventa minutos, com uma proposta clara de não deixar o adversário jogar, apostando na movimentação constante dos seus jogadores, por forma a criar confusão nas linhas de marcação dos adversários, abrindo caminho para o golo.

Sem a bola, e por forma a condicionar o momento de saída do adversário, a equipa de Gasperini aplica uma forte marcação individual (ao longo de todo o campo). Assim que perdem a bola, os jogadores da Atalanta começam a pressionar homem a homem, sempre com marcações um a um, conseguindo forçar o erro do adversário e procurar o golo. E devo dizer, que bem que isto é feito.

Já no seu momento de construção, a Atalanta utiliza os seus três centrais para iniciar as jogadas, chamando os dois médios centrais -ou um dos alas – para dar apoio. Assim, a equipa demonstra sempre qualidade na saída de bola. Gasperini quer que todos arrisquem passes internos, incluindo os centrais, pedindo aos seus jogadores que se infiltrem entre linhas e setores. O treinador oferece imensa liberdade no momento ofensivo da equipa.

O lema é correr mais do que qualquer adversário. O estilo da Atalanta é simples: jogar a grande velocidade e ter sempre várias opções no ataque. Pelo meio ou pelas alas, a equipa consegue ser perigosa de várias formas. Uma defesa a três, um meio-campo com quatro elementos que conta com dois laterais habituados a marcar golos (Robin Gosens e Hans Hateboer) e depois a magia na frente, com Alejandro “Papu” Gómez, Iličić e Duván Zapata, Muriel ou Pasalic. Muitas opções e com perfis de jogadores perfeitamente ambientados a esta forma de jogar, que tem tanto de cativante como de desgastante.

E depois ainda há a Champions. A Atalanta na sua primeira participação está nos quartos de final e é neste momento o ataque mais concretizador da prova. Talvez por isso, o valor de mercado da equipa passou de cinquenta para quase trezentos milhões só com o decorrer da época. Notável.

Para terminar, referir que infelizmente parece que ainda não é desta que alguém vai quebrar a hegemonia da Juventus. E digo infelizmente por uma razão muito simples: independentemente de uma maior ou menor simpatia relativamente ao clube de Ronaldo e Dybala, não é bom para a visibilidade e crescimento de qualquer liga, que uma equipa conquiste nove anos seguidos o título de campeão.

Que saudades do super disputado Calcio.

Artigo revisto por Joana Mendes