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Os 5 melhores jogadores jovens na LPB

Na temporada subsequente à conquista inédita do Campeonato de Europa sub-20 (divisão B), a grande perfomance dos atletas portugueses “abriu o olho” a vários clubes nacionais. A formação tem vindo a melhorar e a aposta a aumentar. Como tal, não é surpresa o facto de os treinadores e dirigentes cada vez menos descartarem aquilo que um atleta da “casa” poderá trazer às pretensões do clube – não só no presente, como também no futuro.

Neste Top 5, iremos averiguar os principais jovens talentos da nossa liga, determinando aqueles que obtiveram maior impacto nas respetivas equipas e os que melhores números produziram na época 2019/2020.

Nesta escalação, tivemos o critério de o atleta ter no máximo 21 anos de idade e o mínimo de 15 jogos efetuados.

Foto de Capa: FPB

O melhor 11 sul-americano da década do SL Benfica

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O SL Benfica tem uma grande tendência para apostar em jogadores da América do Sul, e muitos deles foram apostas ganhas por parte dos encarnados.

Foram imensos os futebolistas sul americanos que passaram pelo Benfica. Hoje vou eleger aqueles, que para mim, foram os melhores dos últimos dez anos.

Alguns grandes nomes ficaram de fora deste lote, principalmente do meio campo para a frente, e, por isso mesmo, desafio-vos a fazerem o vosso próprio onze!

BnR TV: Os 5 melhores treinadores da Primeira Liga

Antes do início do campeonato, elegemos os cinco melhores treinadores do campeonato no BnR TV. Quais são os teus?
Com João Filipe Brandão, Carolina Neto, Miguel Ferreira de Araújo e Tiago Macedo Silva

 

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Reformulação no Futsal anunciada

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Esta semana, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu as reformulações a implementar no Futsal em Portugal, com o aumento do número de participantes no principal escalão na próxima época 2020/21 a ser a grande nota de destaque. Na próxima temporada, há um aumento para 16 clubes, valor que será progressivamente reduzido até 2022/23, ano em que o número irá estabilizar nas 12 formações.

Olhando para o atual formato da Primeira Divisão, que conta com 14 intervenientes, o plano no curto prazo passa por alargar o principal escalão, de forma a minimizar os efeitos económicos que advêm da COVID-19. Mas a médio/longo prazo existe o objetivo claro de reduzir os participantes, numa medida clássica de aumento da competitividade do campeonato.

Assim sendo, na próxima temporada, juntar-se-ão aos 14 elementos que estavam a discutir esta época, que teve que ser interrompida e, posteriormente, cancelada, duas equipas de entre as 12 apuradas para a segunda fase da Segunda Divisão. A data para esta disputa ainda será comunicada, pois está dependente da evolução da situação epidemiológica no nosso país.

Mas a reformulação das competições não se fica só pela escalão mais elevado. A FPF pretende, à semelhança do que está pensado no Futebol de 11, criar uma terceira divisão, algo que vai, necessariamente, provocar diversas alterações no modelo competitivo. Este escalão irá contar com 88 clubes em 2020/21, reduzindo em 2021/22, ano de criação da terceira divisão. A estabilização e alteração definitiva ocorrerá em 2022/23.

Esta decisão parece-me importante, pois a mudança para 16 é inevitável e necessária, e uma redução a longo prazo parece-me ser uma boa solução para aumentar a competitividade no campeonato. Numa altura em que o Futsal está a crescer exponencialmente, acredito que seja uma medida sensata e acertada.

Isto sucedeu-se numa semana em que também ficámos a conhecer a união entre as principais modalidades de pavilhão, com vista a uma decisão conjunta sobre o reatar das competições. Assim, as modalidades (Andebol, Basquetebol, Voleibol e Hóquei em Patins, para além do Futsal) pretendem saber qual a solução que as altas instâncias que tutelam o desporto têm para si. Deste modo, a inclusão da FPF com o Futsal é uma adição de peso e que pode acelerar a resposta, sendo de salutar a união entre as federações neste caso.

Foto de Capa: Sporting CP – Modalidades

Artigo revisto por Mariana Plácido 

O braço de ferro entre o FC Porto e a Altice pelos direitos televisivos

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Depois de toda uma situação inesperada e impensável que assombrou o mundo, o Futebol tem dado passos largos para a sua retoma. Isto evidencia-se com o regresso de alguns dos campeonatos mais mediáticos da Europa, sendo que a Liga Alemã foi a pioneira nesse sentido. Por sua vez, países como Portugal e Espanha seguiram o seu exemplo e já têm tudo definido para o retorno das competições locais.

Todavia, nem todos quiseram arriscar. As federações de futebol de França, da Holanda e da Bélgica preferiram dar por encerradas as ligas internas. Porém, esta paragem vai trazer muito mais do que apenas consequências desportivas para os clubes. Todo o adepto comum tem a perceção de que o desporto-rei é muito mais do que apenas uma partida que opõe duas equipas uma contra a outra – o Futebol é um negócio que faz correr muitos milhões de euros. Desta forma, é inevitável tentar contrariar os problemas contratuais e financeiros que decorrerão nos próximos tempos, devido à COVID-19.

Em Portugal, esse cenário já se vive. A Altice e alguns clubes da primeira liga já estão num braço de ferro para ver quem fica com os direitos televisivos pagos pela operadora de origem francesa. Isto é, a Altice pretende realizar algumas modificações nos contratos assinados entre si e alguns dos emblemas portugueses, de maneira a não terem de pagar os direitos de imagem relativos aos meses de março e de abril.

É certo que corre a favor da operadora o facto de o tema do vírus ser considerado, juridicamente, uma alteração anormal das circunstâncias no momento da celebração do contrato. Contudo, no entendimento dos clubes, o contrato está previsto para 12 meses, sendo que já há dois meses sem futebol, junho e julho, algo que, excecionalmente, não acontecerá esta época. Assim, haverá aqui um mecanismo de “compensação”, que refuta qualquer possível alteração do conteúdo do contrato.

Já que tem havido um braço de ferro entre a Altice e alguns clubes da primeira liga, FC Porto relativamente aos direitos televisivos
Fernando Gomes é o responsável máximo pelas contas portistas
Fonte: FC Porto

Até então, ainda não há nenhuma comunicação oficial por qualquer uma das partes que afirme que o tema avançará para o litígio judicial, uma vez que ambos preferem delinear tudo fora dos holofotes da justiça. Mas o FC Porto não parece disposto a ceder na defesa dos seus interesses, algo que é compreensível. Todos têm conhecimento da situação frágil em que se encontram as contas azuis e brancas, e a procedência da vontade da Altice só irá agravar ainda mais um buraco que parece não ter fundo.

A intransigência dos portistas é assim justificada pelo estado deplorável em que se encontram as finanças da SAD, que necessitam urgentemente do reforço de capital, e não da sua saída, para fazer face às suas obrigações. Além disso, os dragões estão debaixo da alçada da UEFA através do fair-play financeiro, sendo que um possível incumprimento poderá acarretar a exclusão das provas do organismo europeu. Isto seria, sem dúvida, um enorme golpe a nível desportivo e que desvalorizaria em muito a marca do clube.

Todavia, uma fonte do FC Porto já veio desmentir este cenário a alguns órgãos da comunicação social. Isto tendo em conta que os prazos para o cumprimento do controlo de contas vão ser alargados e mais ténues, pois os clubes vão estar em competição e a venda de ativos, nesta fase, pode ser prejudicial para as aspirações desportivas.

Neste momento, a formação azul e branca encontra-se em competição em dois planos – tanto desportivo como no financeiro, e todos esperam que consiga atingir o sucesso que outrora já nos habituou. Por agora, o caminho é encontrar soluções a curto-prazo para não entrar em mora face aos vários devedores, de forma a evitar que a situação ganhe outra dimensão. É preciso também ter a consciência de que as políticas do clube vão ter de sofrer uma grande reforma a todos os níveis, se o futuro passa exatamente por ter… futuro.

Artigo revisto por Mariana Plácido

Os 5 melhores avançados do século, até agora

Um festejo ou uma lágrima. A loucura coletiva ou o olhar de desilusão. Abraços chegados ou corações destroçados.

O que seria do Futebol sem golos? Teria muito menos de todos os sentimentos e estados de espírito acima narrados. Não haveria tantos adeptos, comentadores, curiosos nem treinadores de bancada.

Com isto leia-se: o avançado é o espírito do Futebol. É por causa deles que começámos a gostar do desporto, são eles que vendem mais camisolas e são eles que mais vezes nos fazem levar as mãos à cabeça por não acreditar na tamanha genialidade a que estamos a assistir.

Hoje, o Bola na Rede debruça-se sobre os cinco melhores avançados do século, até agora.

E só digo até agora porque, infelizmente, ainda não é aceitável colocar Mbappé nesta lista. Assunto para outra altura.

«AC Milan não deu garantias bancárias e colocou nos jornais que eu tinha um problema nos dentes» – Entrevista BnR com Cissokho

Aly Cissokho atende-nos de Inglaterra, onde aguarda o regresso à Turquia para terminar a época ao serviço do Antalyaspor. Do vaticínio de Daúto Faquirá que se confirmou à dobradinha no FC Porto, Cissokho revela também a verdade sobre o negócio falhado com o AC Milan. Sobre a época no Valência, fala da importância de Mathieu e deixa rasgados elogios a Jonas. Termina o contrato este verão, e está livre para assinar por quem quiser, não pondo de parte o regresso a Portugal. Pormenor: falamos em inglês mais de meia hora e, quando a entrevista termina, Cissokho diz num português perfeito que pode gravar o vídeo de promoção da entrevista em português. Toma lá que é fresquinha!

– O vaticínio de Daúto Faquirá e a dobradinha no FC Porto –

Bola na Rede [BnR]: Aly, you’re still fluent in portuguese?

Cissokho [C]: [Primeiro “Ahhh” prolongado, seguido de uma gargalhada sonora] Ahhh, I can try to speak a bit portuguese. I can speak a bit.

BnR: Quais foram as primeiras palavras que aprendeste em português?

C: Ahhh, os palavrões claro. [Cissokho reproduz dois ou três deles enquanto se ri a bom rir].

BnR: Ehehe. Tens saudades do Porto?

C: Claro, claro. Tenho saudades de Portugal no geral, e do Porto, claro. Gostei muito de viver lá. Também passei bons momentos em Setúbal.

BnR: Em qual gostaste mais de viver?

C: O Porto é maior e tem zonas ótimas, como a Foz e Matosinhos. Setúbal é mais pequeno, mas a comida é ótima, tem excelente peixe. E o clima é mais quente.

BnR: Qual é que foi a tua primeira impressão quando chegaste a Portugal?

C: Foi um impacto grande, porque eu antes de chegar a Portugal jogava numa equipa pequena. Quando cheguei a Portugal, lembro-me do Daúto Faquirá, treinador do Vitória de Setúbal, dizer-me “Se me ouvires e se treinares bem, vais para um clube grande. Tenho a certeza!”. Eu confiei nele e, depois de cinco ou seis jogos, o FC Porto já estava atrás de mim. Fiquei muito feliz, porque o FC Porto é uma grande equipa, de nível mundial.

BnR: Como soubeste do interesse do FC Porto em ti?

C: O FC Porto falou com o meu agente, e ele falou comigo. Disse-me que o Porto viria ver jogos meus, assim como outros clubes que estavam interessados. Foi uma altura especial para mim perceber que havia um clube tão grande como o FC Porto interessado em mim.

BnR: Muitos nervos na chegada ao Porto?

C: Sim, era uma realidade completamente diferente para mim. Quando se chega a uma equipa deste nível, as expetativas sobre ti são enormes. Tens de ganhar sempre. E estás a jogar com grandes jogadores de nível internacional. Tens de estar no teu melhor.


BnR: Fizeram-te alguma praxe quando chegaste?

C: [Sai mais um “Ahhh”, seguido de gargalhada forte] Sim, lembro-me de que tivemos um almoço grande com a equipa toda e queriam que eu bebesse qualquer coisa que eu não sabia o que era. Eu só dizia que não e eles todos a quererem que eu bebesse. E acabei por não beber.

BnR: Chegaste a saber o que era a bebida?

C: Acho que era Vinho do Porto. Mas havia um grande ambiente na equipa.

BnR: Quem eram os líderes dessa equipa do FC Porto?

C: Lucho González e Nuno, o guarda-redes.

BnR: Quem era o melhor exemplo de um “jogador à Porto”?

C: Eu gostava de olhar para os que jogavam na mesma posição, por isso tenho de dizer Fucile. Ele era um grande exemplo, porque era um lutador incansável, dava tudo nos jogos e fazia umas entradas malucas, eheheh. Era um jogador sempre muito focado e concentrado.

BnR: Como é que o Jesualdo Ferreira se relacionava com os jogadores?

C: Tive uma relação muito especial com ele, porque eu era muito novo e ele dava especial atenção aos jovens. Falava muito connosco e perguntava como é que nós estávamos. Com os jogadores mais velhos, como o Raúl Meireles e o Pedro Emanuel, ele dava-lhes mais espaço. Ele era bom com os jogadores e fez um grande trabalho esse ano. Até ganhámos a Liga e a Taça.

Melhor 11 português do século XXI na Liga Inglesa

É nas Terras de Sua Majestade que encontramos o melhor campeonato do Mundo. E como não podia faltar, os portugueses marcam presença, ano após ano, mostrando a qualidade que nos é reconhecida. Talvez nem sempre, de entre os 72 lusos que contam com passagem pela liga com maior mediatismo, seja possível encontrar as mais variadíssimas histórias de sucesso e insucesso, não fosse o pioneiro destas andanças, de seu nome Calita, nunca se ter estreado oficialmente.

Em 2018/2019, o contingente nacional em Inglaterra bateu recorde – eram 20 os nomes. Esta temporada foram 17. Cristiano Ronaldo é provavelmente aquele que maior protagonismo teve. Contudo, não é quem detém o recorde de jogos. Mas já lá vamos. A relação entre portugueses e Liga Inglesa parece que veio para durar, e tornou-se já numa montra tanto para jovens jogadores, como para atletas mais experientes. Nesta viagem pelo (ainda curto) século XXI, a tarefa demonstrou-se árdua, e lançar o onze foi uma dor de cabeça com tamanha qualidade. Em relação ao treinador que há em ti, que alterações fazias?

O Leite fará bem às águias?

Por não serem animais mamíferos, as águias não consomem leite. No entanto, as águias do SL Benfica parecem estar prestes a adquirir 1,96m de Leite. O guardião brasileiro do Boavista FC, Helton Leite, estará a caminho dos ainda campeões nacionais, confiando nas notícias veiculadas.

A confirmar-se a sua chegada aos encarnados, o futebolista de 29 anos será sombra de Vlachodimos, acreditando, mais uma vez, que todas as notícias desportivas nacionais são verdadeiras (um mau princípio). Desta forma, o guardião grego permanecerá no clube da Luz. Ficaria desta forma solucionada a problemática da alternativa ao titular da baliza encarnada e, quiçá, a problemática do seu sucessor.

Com a contratação de Helton, Varela e Zlobin deverão conhecer o fim dos seus vínculos ao SL Benfica. Já Svilar deverá ter a oportunidade de dar seguimento à sua evolução num outro clube português, por empréstimo dos encarnados. Kokubo será, acredito, o eleito para fazer a ponte entre a titularidade na equipa B e a posição de terceiro guarda-redes do plantel principal.

Gosta muito da ideia de jogar no SL Benfica” (pai de Helton Leite sobre o filho, ao jornal O Jogo, dia 26 de maio de 2020)

Apesar da idade, não se pode asseverar que as águias adquirem um guarda-redes experiente. Pelo menos não no panorama internacional. As duas épocas que está prestes a completar no Bessa constituem a sua primeira experiência fora do Brasil. No seu país natal, Leite destacou-se no Botafogo de Futebol e Regatas, clube carioca ao qual os axadrezados adquiriram o seu passe.

Ainda assim, os dez anos de experiência sénior dar-lhe-ão, por certo, uma bagagem interessante. Todavia, mesmo sem a bagagem de guarda-redes que Júlio Cesar, que, não há muito tempo, se despediu dos encarnados, tem, Helton Leite aparenta ter qualidade, ou qualidades, que o tornam um bom ativo para as águias rentabilizarem desportivamente (financeiramente, já não haverá grande proveito a usufruir).

Fazendo (bom) uso da sua envergadura e altura, o brasileiro tem demonstrado competência nas bolas aéreas e nos remates de meia altura para cima, bem como no encurtamento dos espaços, graças à larga passada, e na execução da “mancha”. Tem igualmente revelado ser destemido e inteligente nos duelos um para um com jogadores adversários, incluindo nas saídas aos seus pés.

Helton Leite revela alguma agilidade e rapidez e, sobretudo, capacidade técnica nos confrontos diretos com adversários
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

A sua capacidade de encaixe a remates de meia e longa distância é para lá de razoável. Por outro lado, remates de curta distância – sobretudo se rentes à relva – provocam-lhe dificuldades, não sendo a sua agilidade por vezes suficiente para compensar as suas dimensões físicas (1,96m e 92Kg). Contudo, Helton Leite consegue, por inúmeras vezes, fazer uso da sua capacidade mental e do conhecimento alargado que tem das lides da sua posição para suprir as eventuais lacunas físicas que possa apresentar.

O seu jogo de pés, ainda que não muito conhecido, não pode ser considerado mau. Ainda assim, a equipa técnica encarnada terá que empenhar algum tempo no trabalho de pés do guardião brasileiro. Eu acredito que esse empenho terá frutos, visto que quem se há pronunciado sobre a forma de trabalho de Leite revelou sempre que o “90” dos boavisteiros é dotado de excelente carácter, motivação e vontade de trabalhar.

Após duas épocas sem uma alternativa credível a Vlachodimos, os encarnados preparam-se para – por fim! – contratar um digno concorrente à titularidade da baliza benfiquista. Ainda por cima, o “módico” pagamento é de cerca de dois milhões de euros. Na presunção de que Helton assina pelos encarnados e de que nenhuma lesão o impede de mostrar serviço e todo o seu talento (como há acontecido no Boavista FC, na corrente época), afigura-se-me seguro afirmar que Leite fará muito bem às águias.

Artigo revisto por Mariana Plácido 

Bruno de Carvalho é absolvido. E agora?

Ao fim de seis meses de sessões de julgamento, Portugal ficou a conhecer o desfecho do “Processo de Alcochete”, que inclui as condenações e as absolvições. Um julgamento que, diga-se de passagem, correu os seus termos de uma forma muito célere, num claro contraste com a lentidão que caracteriza sistema judicial português. Entre os arguidos absolvidos da prática dos crimes pelos quais foram acusados, está o ex-Presidente do Sporting CP, Bruno de Carvalho.

Uma primeira nota que gostaria de realçar é acerca da deturpação imediata do dispositivo da sentença feita por muitos “comentadores” e por alguns órgãos. Com efeito, afirmou-se desde logo que Bruno de Carvalho foi absolvido por não existirem provas suficientes sobre a sua autoria moral, mas que “não foi considerado inocente”. Isto é uma falácia grotesca, que pode levar o público que não conhece, nem tem de conhecer, o Direito a ficar confuso.  Percebo o desespero dos muitos que fizeram “julgamentos” nas televisões e nos jornais.

O Tribunal não declara “inocentes”. O Tribunal apenas decreta se a prática de um crime foi ou não provada, e, por conseguinte, condena ou absolve o arguido. Isto é assim por decorrência de um dos princípios de Direito mais importantes que norteiam a nossa sociedade, e que, durante os últimos dois anos, foi atropelado vezes sem conta: qualquer arguido é inocente até prova em contrário.

Uma segunda nota diz respeito ao “aviso” deixado pela M. Juiz de Direito Sílvia Pires: “A prova faz-se aqui [no Tribunal], não é no café. O Estado tem regras”. É uma atitude de firmeza que reacende a minha esperança na independência e na força do Poder Judicial do nosso país.

De facto, nos últimos dois anos, o cidadão português Bruno de Carvalho foi submetido a um linchamento sem ímpar na História de Portugal. Não me lembro de nenhum criminoso, pedófilo, político corrupto, assassino, violador, etc., que tenha sido, juntamente com a sua família, vilipendiado desta maneira.

O “ataque” de Alcochete foi prontamente baptizado de “terrorismo” para servir de mote a uma campanha de destruição maciça da pessoa do anterior Presidente do Sporting CP. Foi precisamente a qualificação desse triste acontecimento como acto de terrorismo que permitiu um “sem-número” de atrocidades cometidas a um cidadão igual a nós, como a sua detenção num domingo à noite, em frente da sua família.

Nos dias que se seguiram ao ataque, a televisão bombardeou-nos de modo incessante e consecutivo com programas de linchamento de Bruno de Carvalho e de achincalhamento da própria Instituição Sporting CP. Cheguei a ver num programa da “televisão por cabo” uma suposta “profissional” da psicologia a traçar o perfil psíquico do cidadão Bruno de Carvalho, como se se tratasse de um serial killer.

Pior. Muito pior. E os Sportinguistas que sentem o seu Clube nunca se esquecerão. Vimos o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Presidente da Assembleia da República, quais representantes máximos da República Portuguesa, a fazerem comentários demagógicos, irresponsáveis e até vergonhosos sobre o Sporting CP e o seu então Presidente. Todavia, nunca vi estes altos representantes a tecer a mínima consideração sobre o que se havia passado em Guimarães uns meses antes, ou sequer sobre actos de violência protagonizados por adeptos de outros clubes que originaram, nomeadamente, a morte de um adepto italiano, há três anos.

Pergunto enquanto cidadão e contribuinte que sustenta o aparelho governamental: o que têm agora a dizer? A confirmar-se a sentença com o seu trânsito em julgado, há um pedido de retractação pública de que os Sportinguistas estão à espera.

Em suma, o que fizeram com o cidadão Bruno de Carvalho não só foi desumano e imoral, como também representou uma verdadeira mutilação do Estado de Direito, princípio que rege as democracias ocidentais, algo característico de países como a Coreia do Norte.

E aqui fica o repto para uma questão que gostaria de ver abordada por quem conhece o Direito: que investigação foi realmente feita pelo Ministério Público? A detenção de cidadãos e a sua acusação pela prática de um crime gravíssimo, como é o crime de terrorismo, exigia que essa investigação levada a cabo pelos magistrados do Ministério Público fosse blindada e apresentasse provas mais do que evidentes! Ora, o que aconteceu foi que uma outra magistrada (a M. Juiz), perante os factos vertidos na Acusação, considerou que nada daquilo estava provado relativamente a Bruno de Carvalho e outros arguidos (!). Terá havido pressões para acusar o ex-Presidente leonino?

No que concerne ao sócio do Sporting CP Bruno de Carvalho, vimo-lo a ser escorraçado do Clube com base numa nota de culpa assinada por uma “comissão de fiscalização” não eleita pelos sócios, que deu origem à primeira e única “AG destitutiva” da história do Clube. Uma AG que não foi mais do que uma fantochada, na qual aconteceram coisas pouco legítimas – a encomenda de uma fornada de delegados “jotinhas” afectos à actual Direcção para “controlar a legalidade” nas urnas e a não permissão, por parte da MAG, da presença de delegados indicados pela anterior Direcção nas mesas de voto. Imaginem que vão votar nas eleições legislativas e na vossa mesa de voto apenas encontram delegados da Juventude Popular do CDS. Foi tal e qual o que eu e muitos Sportinguistas presenciaram, com muito desprazer e repugnância, nessa malfadada AG.

É facto público e notório que a tal nota de culpa baseou-se única e quase exclusivamente na imputação a Bruno de Carvalho da autoria moral do ataque à Academia, para concluir pela alegada “violação grave dos Estatutos do Sporting CP”, sancionada com a pena de expulsão de sócio.

Aparte do desfecho do processo judicial, no qual se discute a validade da “AG destitutiva”, é um dever moral e, sobretudo, de justiça a reintegração de Bruno de Carvalho como sócio do Sporting CP, já que desapareceu a razão que justificava o seu afastamento. E é uma iniciativa que tem de partir da actual MAG da Assembleia Geral do Sporting CP. Nada na Lei o impede.

Chegados até aqui, e no fim de contas, resta-me dizer que a absolvição do seu ex-Presidente representa uma grande vitória para o Sporting CP. O ataque foi capitalizado por muitos opinion makers (vulgos cartilheiros) para achincalhar, rebaixar e enfraquecer a imagem da Instituição.

Goste-se ou não da figura do ex-Presidente leonino, qualquer Sportinguista tem de ficar, no mínimo, satisfeito em saber que o seu ex-Presidente foi absolvido da prática de crimes alegadamente cometidos no exercício do seu mandato. Muitos adeptos de outros clubes não poderão dizer o mesmo.

A actual Direcção do Sporting CP deveria ser a primeira a sublinhar este aspecto e a expressar regozijo pelo facto de o bom nome do Sporting CP ter sido reposto através da absolvição do seu anterior represente máximo. Talvez assim desse até um pequeno contributo para a união dos Sportinguistas. Mas não. A Direcção de Frederico Varandas resolveu, sim, emitir mais um comunicado patético, no qual só faltou expressar a sua tristeza pela absolvição de Bruno de Carvalho.

Bruno de Carvalho está absolvido por um Tribunal do Estado Português e a imagem do Sporting CP sai imaculada deste turbulento processo criminal. Àqueles que contribuíram para o seu linchamento durante dois anos, e que o chegaram a apelidar como o “maior cancro” do futebol português eu pergunto: e agora?

Artigo revisto por Mariana Plácido