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E se os “três grandes” não existissem no futebol português?

O futebol é, sem dúvida, o desporto que mais move emoções, opiniões, dinheiro e até desavenças no nosso país. A questão monetária, aliada ao aparente controlo da pandemia, terá sido, aliás, o fator decisivo para a retoma do Campeonato Nacional já no próximo dia três de junho. Uma escolha ansiada e desejada pelos adeptos do futebol, mas também receada pelos riscos que poderá trazer consigo. De qualquer forma, a decisão está tomada, e, na próxima quarta-feira, a bola volta a rolar nos campos nacionais.

Analisando a história do futebol português, facilmente percebemos que FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, também conhecidos entre os amantes do futebol como os “três grandes”, dominam claramente as preferências dos adeptos. Esta simpatia generalizada por estes três clubes justificar-se-á por terem dominado entre si, ao longo dos anos, o primeiro lugar da classificação, e por serem os principais vencedores das restantes taças em disputa. Assim, naturalmente, são os maiores detentores de títulos.

O clube da Luz é aquele que mais vezes foi campeão nacional – 37 vezes. Segue-se o FC Porto, com 28 títulos, e o Sporting, com 18. Apenas o CF “Os Belenenses”, na época 1945/46, e o Boavista FC, em 2000/01, conseguiram intrometer-se no império dos “três grandes”.

Mas e se estes clubes nunca tivessem existido?

Vamos então analisar este cenário hipotético. Para tal, percorremos época a época e excluímos estes três emblemas, atribuindo o título ao clube melhor classificado após esta alteração.

Fonte: Diana Oliveira / Bola na Rede

Assim, na primeira temporada do Campeonato Nacional, realizada em 1935/36 – inicialmente denominada Campeonato da I Liga Experimental –, o título iria parar ao Belenenses, ao invés do FC Porto. O clube da “Cruz de Cristo” seria mesmo o emblema com mais troféus até ao momento, conquistando o campeonato 25 vezes.

A maioria destes títulos (22) seria arrecadada entre as décadas de 1930 e 1950, traduzindo-se numa era dourada para o emblema lisboeta. Na realidade, foi dentro deste período temporal que o Belenenses efetivamente ganhou o seu único título de campeão nacional, na época 1945/46 (disputada entre 12 equipas).

O Boavista FC seria o segundo clube com mais êxito, com 16 troféus no seu palmarés. Neste caso, os axadrezados atingiriam o seu auge na década de 90 (sete vezes campeões), com o último título, um tetracampeonato, a ser alcançado em 2001/02. Também aqui há uma aproximação à realidade, na medida em que o clube nortenho foi campeão nacional pela única vez na sua história na temporada 2000/01.

Sem surpresas, este contexto alternativo mostra-nos que o Vitória SC e o SC Braga seriam os clubes que se seguiriam no ranking português, com 14 conquistas do Campeonato Nacional cada um. Os dois clubes minhotos são igualmente, na atualidade, aqueles que mais têm conseguido fazer frente à dinastia imposta pelos “três grandes”.

Fonte: Diana Oliveira / Bola na Rede

Neste exercício, os restantes clubes que ousariam vencer o campeonato nacional seriam: Vitória FC, por quatro vezes; Atlético CP e CD Nacional, três vezes cada; e GD Fabril do Barreiro e Académica OAF, em duas épocas cada. O GD Estoril Praia, FC Paços Ferreira e Carcavelinhos FC conseguiriam conquistar o troféu por uma vez cada um.

Este cenário hipotético permite-nos perceber que, caso não existissem os “três grandes”, muitos outros clubes conseguiriam alcançar o sucesso no futebol português, resultando numa maior competitividade do que aquela que assistimos atualmente. Provavelmente o orçamento destes emblemas seria bem maior que o da realidade, pois o sucesso e as conquistas trazem consigo mais “margem de manobra” em negociações com patrocinadores, clubes e restantes intervenientes no futebol.

Ainda assim, como verificámos nesta análise, o número de clubes a ter a oportunidade de arrecadarem entre si a maioria dos títulos de Campeão Nacional seria reduzido, apesar de não ser uma diferença tão díspar entre eles como efetivamente existe. Além disso, mais clubes conseguiriam alcançar este feito. Tal não se vê na realidade, na qual apenas o Belenenses e o Boavista conseguiram quebrar a norma imposta.

Num cenário sem FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP… qual clube apoiarias na Primeira Liga?

Artigo revisto por Mariana Plácido

Regresso a Casa: Estado de Ecletismo

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O Regresso a Casa é uma rubrica onde os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos antigos escrevendo sobre assuntos atuais.

Foi com muito entusiasmo que aceitei o desafio de voltar a escrever um artigo para o Bola na Rede e, como não poderia deixar de ser, os temas são o ecletismo e as Modalidades do Sporting Clube de Portugal, a marca mais indelével do Clube fundado por José Alvalade!

Desde o meu último artigo no BnR (“O Ano Verde e Branco”), datado de 31 de Dezembro de 2018, muita coisa aconteceu. Se em termos nacionais nenhuma das quatro Modalidades de Pavilhão revalidou o título na temporada 18/19, no panorama Europeu assistiu-se a uma conjugação única: o Andebol atingiu os Oitavos-de-Final da EHF Champions League, o Voleibol masculino atingiu o marco histórico das Meias-Finais da CEV Challenge Cup, o Hóquei em Patins rejubilou com a conquista da Liga Europeia em pleno Pavilhão João Rocha duas semanas depois do Futsal ter feito magia no Cazaquistão (à terceira foi de vez!).

Isto sem esquecer o Goalball que venceu a Super European Goalball League, quer em masculinos, quer em femininos, e o Atletismo feminino que se sagrou Bicampeão Europeu de Corta-Mato! No final de 2019, o Hóquei em Patins viria ainda a vencer de forma inédita a Taça Continental, vulgo Supertaça Europeia, que também se disputou no Pavilhão João Rocha e o Judo revalidou o título de Campeão Europeu! Além das conquistas mencionadas (e ainda mais outras), é importante referir ainda o surgimento de novas equipas no Clube, nomeadamente o Basquetebol sénior masculino e o Hóquei em Patins feminino!

Fazer hoje uma reflexão sobre o Ecletismo do Sporting Clube de Portugal implica debruçarmo-nos também sobre o profundo impacto causado pela pandemia da Covid-19. A crise sanitária e, consequentemente, económica não poupa nenhum quadrante da sociedade, e o desporto não é excepção! A diminuição de receitas é inevitável, quer por força da redução de patrocínios e quotizações (situação que já se verificava anteriormente pelo fraccionamento do Clube e que agora será agravada pela crise económica), quer por força da ausência de bilhética em virtude da paragem obrigatória das competições e de mensalidades decorrentes da prática de modalidades, como são exemplos a ginástica e a natação.

Como tal, surge a necessidade de redimensionar despesas, não só pela reformulação de plantéis (ao longo destas semanas o Clube tem anunciado vários términos de contratos), onde é expectável que se procurem renovações com redução de salários e que comece a haver uma aposta maior nos valores da formação, como também através de alterações estruturais, como por exemplo a cessação das competências de scouting e contratação atribuídas ao gabinete olímpico totalmente independentes de cada uma das secções do Clube. Toda esta situação torna-se ainda mais complicada pela incerteza aliada à natural indefinição da evolução sanitária (possível existência de uma segunda vaga, por exemplo), aliado à falta de “proteccionismo” das entidades competentes quando comparada ao tratamento dado ao Futebol (leia-se, Primeira Liga).

Os tempos não serão certamente de facilidades, mas o Ecletismo do Sporting Clube de Portugal resistirá, com a resiliência que lhe é apanágio e com que sempre se pautaram aqueles que o servem dedicadamente e desinteressadamente! Um bem haja a todos aqueles que sempre souberam e sabem manter o ADN Eclético do Sporting Clube de Portugal!

 

Artigo revisto por Joana Mendes

BnR TV: José Mota prefere Mourinho a Guardiola e explica porquê

O Mourinhos vs. Guardiolas desta semana contou com a presença de José Mota, experiente treinador português. Depois da saída do GD Chaves, atualmente está sem clube e, por enquanto, não está a pensar resolver o seu futuro. Contudo, revelou que o mercado estrangeiro pode ser uma grande opção.

No programa, recordou-se a grande equipa do FC Paços de Ferreira de 2001/02, que o treinador confessou ter sido a melhor equipa que já treinou, devido à qualidade existente na equipa pacense da altura. Inevitavelmente, outra formação que foi orientada por José Mota e a ser relembrada na conversa foi o Leixões SC de 2008/09.

A história da vitória do CD Aves na Taça de Portugal de 2017/18 contra o Sporting CP não foi esquecida e o treinador português contou que realizou um sonho de criança. José Mota ainda se sentiu que «foi uma injustiça muito grande o CD Aves não ter ido à Liga Europa. Ainda hoje, pergunto porque tinha de acontecer connosco». O treinador ainda explicou, através da sua tática, a maneira como bateu os leões nessa final.

O treinador português explicou ainda: «Para o treinador comum? Guardiola. Para aquele que estuda, aquele que pense, que olha para a forma que vou descaraterizar a outra equipa. Não tenho a capacidade de, mas eu tenho de fazer algo para desmoronar a equipa adversária. Acho que nesse aspeto Mourinho é mais treinador do que o Guardiola».

Artigo revisto por Joana Mendes

José Fernando Rio: o retrato de um candidato à presidência do FC Porto

Após explorar algumas das propostas que o candidato à presidência do FC Porto pela lista B, Nuno Lobo, apresentou aos sócios em recentes aparições, resta olhar para a lista C, encabeçada por José Fernando Rio.

Jurista de cinquenta e dois anos (sócio há mais de duas décadas), José Fernando Rio é um rosto conhecido da maioria do universo portista, muito por conta das suas corriqueiras aparições em espaços televisivos de debate desportivo.

Descontente com o rumo que o clube tomou recentemente, decidiu que estava na hora de “chegar-se à frente” e ir a votos nos dias seis e sete do próximo mês de junho.

Bom, e porque não começar por aí, pela data das eleições? José Fernando Rio tem sido particularmente crítico desta escolha, uma vez que, na sua ótica, as condições de segurança ainda não estarão reunidas para que o processo eleitoral decorra na primeira semana de junho.

Em adição a isso, recorda que ainda não houve espaço para debate entre os três candidatos à presidência do emblema azul e branco, o que impossibilita, em parte, o esclarecimento dos sócios relativamente às ideias que cada uma das listas possui.

No entanto, apesar do debate a três ainda não se ter materializado, o líder da lista C tem procurado divulgar ao máximo os seus projetos, projetos esses que assentam, essencialmente, em três pilares: equilíbrio das contas, aposta na formação e modalidades.

José Fernando Rio, ao longo das suas recentes aparições públicas, tem demonstrado uma enorme preocupação com a esfera financeira do clube, chegando a afirmar, em entrevista ao Record, que o “clube corre o risco de perder a sua grandeza” caso não equilibre de forma célere as suas contas.

Essa tarefa, contudo, promete ser difícil, visto que, conforme o próprio candidato relembrou em entrevista concedida à página Super Portistas, num futuro próximo haverão empréstimos obrigacionistas por saldar, bem como haverá a necessidade de dar a volta às dezenas de milhões de prejuízo apresentadas no último relatório de contas.

O presente desequilíbrio financeiro, na visão do candidato, está intrinsecamente conectado aos recentes insucessos desportivos, uma vez que a má gestão, muitas das vezes, tem impedido que o clube administre da melhor forma situações complicadas, como a de jogadores em final de contrato.

A solução, segundo revelou o candidato à presidência do FC Porto num podcast intitulado A culpa é do Cavani, passará por uma restruturação da dívida, assim como por estabelecer um limite de dívida, visto que “a SAD do FC Porto não se pode endividar infinitamente, não pode estar sempre a recorrer a empréstimos”.

Na sua opinião, é imprescindível colocar um travão nos gastos, nomeadamente com salários e premiações. Nesse âmbito, o aspirante à presidência propõe um corte de 50% nas remunerações da administração portista, bem como uma não atribuição de prémios à estrutura do clube, caso o FC Porto não chegue ao título.

As medidas de alívio da folha salarial, todavia, não se restringiriam apenas à administração dos dragões. Os encargos salariais com a equipa principal também sofreriam um corte, corte esse que surgiria como consequência de uma maior aposta nos jovens da casa, jogadores que não exigiriam um esforço financeiro tão grande aos cofres do clube da Invicta.

 E essa acaba por ser outra das bandeiras da candidatura do jurista de cinquenta e dois anos: uma aposta efetiva na formação. Para que tal ocorra, segundo revelou a O JOGO, um ponto é fundamental: a criação de uma Academia que permita aos atletas “viverem, estudarem e treinarem sem andar com a casa às costas”.

Para além da formação, o candidato pela lista C compromete-se a investir num aspeto que outrora revelou ser preponderante para os lados do Dragão: a rede de scouting.

De modo a materializar esta ideia (a de voltar a ser uma referência na “descoberta” de jogadores), o jurista acredita que o clube precisa de colocar de lado a política de negociar apenas com alguns agentes desportivos; de modo a aumentar as probabilidades de sucesso no que à captação de jovens atletas diz respeito, defende que o FC Porto deverá trabalhar num “mercado livre de empresários”.

Para além disso, há que mexer na estrutura do futebol, incluir um diretor geral. O perfil já está traçado: o líder da lista C procura um nome de impacto para o cargo, alguém com uma passagem pelos dragões no currículo, seja dentro das quatro linhas (ex-jogador), seja fora delas (ex-treinador).

Na esfera das modalidades, José Fernando Rio é particularmente crítico. Crê que a condução desta vertente não tem sido a melhor e os resultados estão à vista: o número de modalidades diminuiu durante o “reinado” de Pinto da Costa e as que restaram, por vezes, não possuem as ideais infraestruturas.

O objetivo desta lista passa por aumentar o número de modalidades (futsal, voleibol masculino, atletismo), assim como dirigir uma atenção especial para a vertente feminina, que, do ponto de vista de José Fernando Rio, tem sido muitas das vezes esquecida.

Relativamente às infraestruturas, com a finalidade de colmatar as lacunas atuais, o candidato confessou que tentará erguer um novo pavilhão, tendo também revelado que equaciona uma academia direcionada para as modalidades.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Um troféu de Diamante à venda?

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A história que vos trazemos é pouco habitual, mas talvez seja apenas um sinal dos tempos que agora atravessamos. É algo que já antes vimos acontecer com ex-atletas ou em situações especiais, como eventos de solidariedade, mas não é assim tão comum vermos acontecer com atletas no ativo, ainda mais quando falamos de alguém que é uma atual campeã olímpica.

Tianna já foi Ouro olímpica e duplamente Ouro mundial
Fonte: World Athletics

A norte-americana Tianna Bartoletta surpreendeu o Twitter quando há poucos dias decidiu organizar uma venda virtual de vários objetos que tinha guardado em casa. Até aqui nada de extraordinário. É habitual vermos atletas a oferecer ou a leiloar objetos específicos de forma a recompensar os seus fãs ou patrocinar determinadas causas. O que causou estranheza na situação da atual campeã olímpica do Salto em Comprimento (que também venceu o título mundial em duas ocasiões) foi a quantidade, o tipo de objetos que foram vendidos e as razões apresentadas. Entre os artigos que a atleta colocou à venda, encontram-se, por exemplo, os troféus de vencedora das edições 2014 e 2015 da Diamond League!

Entre outros objetos encontram-se os testemunhos da estafeta 4×100 em Londres (equipa que alcançou o Ouro nos Mundiais, mas da qual Tianna nem fazia parte na final), equipamentos, ténis, chinelos, headphones, colunas, tudo o que se possa imaginar e que pode ser consultado aqui, no site oficial da atleta.

Muitos fãs mostraram admiração com a situação e interrogaram-se se seria por necessidade que a atleta estaria a ver-se livre de tão preciosas recordações. A atleta, que é patrocinada pela Nike e que já em situações passadas se havia queixado da redução dos prémios em meetings internacionais, apontou várias razões para a existência desta venda.

Referiu que as experiências que guarda nunca se perderão e isso é o mais importante, ressalvando que não quer ser uma colecionadora de coisas sobre si e que acha que é positivo que possa partilhar isso com os fãs. No entanto, não deixou de referir, também, que ela, tal como todos os atletas pelo mundo fora, atravessam uma fase incerta e complicada e, tendo em conta que quer ir a Tóquio defender o seu título mundial, sabe que isso requererá investimento.

Tianna referiu ainda que os fundos da Federação Norte-Americana são insuficientes para custear uma época inteira e que a sua situação contratual é incerta. Posto isto, a atleta afirma estar a ser proativa ao invés de ser reativa a adversidades financeiras que possam estar a chegar.

Isto com os portes é capaz de não compensar…

Não deixa de ser curioso que uma campeã olímpica – e oriunda de um mercado como o norte-americano – refira que faz isto também por questões financeiras. Curioso ou assustador. Já agora, para os mais curiosos, podemos revelar que a maioria dos objetos já foram vendidos e que cada um dos troféus de vencedora da Diamond League foram vendidos por cerca de 2.000 dólares norte-americanos.

Foto de Capa: Diamond League

Artigo revisto por Joana Mendes

Sporting CP | O plano B

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Frederico Varandas, numa entrevista ao Canal 11, confirmou a inscrição dos “bês” leoninos, determinando assim o seu regresso à competição. Resta saber, no entanto, se o retorno é já na próxima temporada e onde é que esta vai começar a competir. Com a descida de divisão da equipa B, em 2018, a equipa de “reservas” do Sporting CP passou a competir na Liga Revelação, competição profissional do escalão sub-23, criada no mesmo ano. Afinal, que vantagens e desvantagens trouxe este novo formato?

Se analisarmos bem o plantel sub-23 do Sporting CP, vemos que continua a haver qualidade na Academia de Alcochete. Temos como exemplo disso jovens talentos como Eduardo Quaresma, um defesa central com qualidade na construção de jogo e com um excelente posicionamento; Nuno Mendes, um lateral com uma projeção ofensiva muito boa; e Joelson Fernandes, um dos extremos mais promissores do mundo. Tenho a esperança de que estes três jovens, que são aqueles que eu considero que possuem um maior potencial, sejam apostas de Rúben Amorim, já na próxima temporada.

Podíamos ainda acrescentar Bruno Tavares, Tiago Tomás, Rodrigo Fernandes, Gonçalo Inácio… Tudo jogadores entre os 17 e os 19 anos, que estão num escalão superior à idade, algo que é bastante positivo para a evolução dos atletas. Alguns destes atletas estão a treinar com a equipa A, rumo à preparação para o regresso de campeonato que se avizinha.

Por outro lado, existem jogadores que já se sentem demasiado confortáveis a jogar na Liga Revelação e que precisavam de outro ritmo competitivo, seja pela qualidade que possuem, ou pela idade que já têm. O exemplo mais recente é o de Pedro Mendes. O avançado português era um autêntico goleador na segunda equipa leonina, o que lhe valeu a promoção à equipa A. Como ele, também Matheus Nunes (tudo indica que irá render os tais 10 milhões), Bruno Paz, Dimitar Mitrovski, João Silva, Tomás Silva, entre outros, são atletas na casa dos 20 anos, que podiam e deviam estar já num outro patamar.

Mesmo que a equipa B do Sporting CP faça a primeira época no Campeonato de Portugal, ou na eventual Terceira Liga, acho que é uma aposta acertada. Faz falta ao clube de Alvalade ter uma equipa B a competir na Segunda Liga, algo que iria valorizar e potenciar os seus jovens jogadores da formação.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

Os 5 melhores jogos da Era Jorge Jesus no SL Benfica

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Dado o tropeção monumental de Bruno Lage na última fase pré-pandemia, o nome de Jorge Jesus regressou à agenda dos benfiquistas quanto à eterna discussão sobre a figura do treinador da equipa principal.

Neste caso, o saudosismo por seis anos marcantes fala mais alto em certa parcela de adeptos, que defenderão o seu regresso até às ultimas instâncias, apoiando-se no argumento de que nunca viram um SL Benfica tão forte; outros, agarrando-se às estatísticas e ao argumento da paciência obrigatória em projectos como o do Seixal, entregam-se com toda a confiança aos destinos do técnico setubalense.

Seja como for, a história recente do Benfica tem em Jorge Jesus uma figura preponderante, elevando os níveis competitivos da equipa e repondo-a no frontão do futebol português, com a mesma eficácia e regularidade dos anos aúreos: trabalho que Rui Vitória e Bruno Lage souberam continuar, com abordagens diferentes e comportamento distinto.

Mas já que aqui estamos, valerá a pena relembrar os jogos capitais da era Jesuíta no reino da Águia – jogos que definiram temporadas e aqueles encontros que demonstraram toda a capacidade do técnico de 63 anos, agora campeoníssimo ao leme do Mengão Flamengo.

Jogo Interior #27 – Falhámos dois penáltis, mas sorrimos

Hoje no Jogo Interior falo-vos de um episódio que aconteceu na minha vida enquanto treinador, num jogo de futebol de formação entre crianças/adolescentes de 13 e 14 anos de idade. Tudo se passou no célebre e tão desejado domingo de manhã, o dia de jogo, o dia em que, tanto eu como quem está comigo e como cada um dos jovens que ali se encontra, adora e tanto anseia. É o culminar de uma semana de treinos, é a oportunidade de tentar fazer as coisas bem e, no fundo, é a oportunidade que todos esperam aproveitar e poder desfrutar daqueles minutos a fazer aquilo que tanto gostam.

Inicia-se o jogo e, ao contrário daquilo que tem sido a rotina no campeonato em que participamos, não estamos a ser atropelados pela diferença física da grande maioria dos jogadores adversários. Conseguimos jogar, ter a bola no pé, sentir que podemos expressar-nos com a posse de bola enquanto praticantes desta modalidade que tanto gostamos e pela qual abdicamos de muita coisa. Vi a diversão, o prazer e o desfrutar no rosto daqueles miúdos.

Estamos a poucas dezenas de minutos de terminar o jogo e as coisas continuam a correr bem, apesar de estarmos a perder por dois golos de diferença, vejo o esforço, a entrega e a dedicação com que todos se comprometem no jogo e, quando assim é, nada mais podemos exigir e pedir. No entanto, é assinalado a nosso favor uma grande penalidade. Quem costuma assumir a marcação das grandes penalidades, toma a sua posição e… Falha.

Frustração é a palavra de ordem que surge durante aqueles breves segundos que se seguem após a marcação da grande penalidade, talvez mais na bancada e entre a maioria dos jovens jogadores. Mas, inusitadamente e após esses segundos iniciais, surge-me um sorriso que rapidamente é partilhado com quem comigo permite que estas crianças façam aquilo que lhes dá tanto prazer.

Passam-se cinco minutos e uma nova grande penalidade para nós e, desta vez, outro jovem assume a sua execução. E, novamente, falha. Agora com maior intensidade, talvez juntando irritação ao primeiro sentimento, existe consternação nas bancadas afetas aos pais da nossa equipa. Talvez alguma desilusão também. Entre a equipa técnica, o sentimento inicial é o mesmo, mas depois sorrimos.

Vimos bastante para além daquilo que se estava a passar na prática no jogo, deixámos completamente de lado aquilo que poderia ser um empate no resultado com estas duas grandes penalidades e avaliámos no momento, em pensamento, a aprendizagem que dali levaríamos quando o jogo terminasse. O jogo terminou.

A sensação do que foi bem feito, daquilo que lutámos por conquistar, do prazer que era evidente nas expressões faciais e corporais dos jovens jogadores, e toda a entrega e dedicação que foi colocado naqueles oitenta minutos fez esquecer aquelas duas grandes penalidades falhadas. Daí o artigo no Jogo Interior desta semana.

Porque sorrimos?

Grande parte daquilo que pretendemos que os jogadores coloquem em campo esteve presente e não podíamos estar mais contentes com o que naquele dia aconteceu. Falhámos duas grandes penalidades, mas o que é de valorizar é a aprendizagem que dali veio. Assumir a responsabilidade de marcar uma grande penalidade perante toda a envolvente de um jogo de futebol é de uma carga emocional, de uma audácia e ousadia brutais, da mesma forma que é uma assunção dos “riscos” que isso acarreta.

A grande aprendizagem dali retirada é a capacidade que cada um dos jovens jogadores teve em encarregar-se da marcação da grande penalidade. Não está definido quem obrigatoriamente tem de executar a falta, pelo que fica ao critério de quem no momento está presente dentro de campo. Cabe a cada um dos jovens decidir se está ou não confiante para assumir esta “pequena” responsabilidade da vida.

Ter a ousadia de se encarregar da marcação de uma grande penalidade não é mais do que a preparação para as grandes decisões da vida de cada um dos jovens. Antes de serem jogadores de futebol, são indivíduos prestes a interagir na vida social, a serem responsáveis pelos seus atos e pelas suas deliberações. E é nisso que o Futebol de Formação tem de se focar.

O futebol de formação existe, principalmente, para que cada um dos praticantes cresça e se desenvolva no sentido de se conseguirem capacitar destas ferramentas necessárias para uma vida adequada e saudável na sociedade, no futuro. Por isso sorrimos. E por isso abordo também este tema no Jogo Interior de hoje.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

O Valor dos Adeptos

Nem 20.000, nem 200, nem dois. Portugal não terá adeptos nas bancadas dos seus estádios nas dez jornadas que faltam para se jogar esta temporada. Mais do que uma decisão caricata, é uma decisão completamente infundada quando temos uma súbita política que apela ao regresso à normalidade. Praias, lojas ou restaurantes estão abertos sem quaisquer condicionantes, mas estádios de futebol, que são ao ar livre e que têm todas as condições para se fazer um distanciamento social entre adeptos, permanecerão fechados.

“A melhor equipa de um jogo de futebol é o adepto”. Quem o diz é Manuel Cajuda, um homem que dispensa qualquer tipo de apresentação. O adepto tem uma importância capital num jogo de futebol por toda a carga emocional que transporta para o jogo. Futebol é paixão, é emoção e o adepto é o grande responsável, atualmente, pela manutenção desses valores num futebol cada vez mais monopolizado pelo negócio e pela política. Ver futebol sem adeptos é o mesmo que comer uma francesinha à moda do Porto sem molho. Torna-se insípido porque se sabe que falta ali alguma coisa.

Na quantidade de decisões que a Liga e a Federação tomaram, toda a gente constatou uma série de incongruências e de incoerências face aos mais variados temas em discussão: em quatro líderes subiram dois (Campeonato de Portugal), subiram e desceram equipas porque tinham mais pontos quando faltavam dez jogos para se disputar (Segunda Liga), fez-se uma reformulação dos quadros competitivos no futebol feminino, enfim. Toda uma série de medidas infundadas e sem nenhum cabimento lógico para quem quer proteger o futebol enquanto desporto. Não há jogo sem jogadores, mas não há futebol sem adeptos.

O adepto, para além do valor incalculável, em termos simbólicos, que representa, tem também um peso muito importante na vida de um clube de futebol. A quotização dos clubes, a venda de lugares anuais ou camarotes, as receitas de bilheteira e de merchandising, as excursões para os jogos fora de casa… Tudo isto representa uma fatia valiosa nos orçamentos dos clubes. Sem este dinheiro a entrar, naturalmente que os clubes, mesmo que estejam em competição e a receber a sua quota parte das operadoras televisivas (migalhas no que diz respeito à esmagadora dos clubes), vão passar muitas dificuldades.

O que será então dos clubes da Segunda Liga, do Campeonato de Portugal e dos Campeonatos Distritais? Sem competição, sem receitas a nível de nada, com patrocinadores a fugirem, o futebol do povo morre um pouco mais a cada dia que passa. E não se vislumbra nenhuma figura de entre os dirigentes que tutelam o futebol com vontade e coragem de tomar as ações certas para ajudarem os clubes, e defenderem o adepto.

Fonte: Bola na Rede

Nunca vi o adepto em Portugal ser verdadeiramente defendido. Surgiram, aqui e ali, algumas ações esporádicas de criação de alguns movimentos ou sindicatos que protegessem o adepto que vai ao estádio (e não o chamado adepto de sofá), mas a verdade é que nunca tiveram força política nem negocial para serem verdadeiramente importantes dentro da estrutura do futebol português.

A ideia do Movimento Estádio Zero, criada por associados do Vitória SC, foi a última das quais a ser vagamente difundida, mas essencialmente na comunicação social local. A ideia consistia no abandono dos associados do clube ao minuto 12 de um jogo contra um dos chamados grandes do futebol português, no sentido de demonstrar desagrado não para com o clube, mas sim para com quem manda no futebol e para com quem pretende que só três clubes existam no nosso país.

Movimentos destes, que são fraturantes, mas que agregam pessoas, precisam de ser escutados, precisam de ser debatidos e postos em prática. O adepto que vai ao estádio, que come a sua bifana, que paga as suas quotas e que apoia o seu clube merece ser respeitado. Fechar o estádio ao adepto, mas abrir praias e cinemas é uma falta de decência e de dignidade para com quem ajuda a pagar os salários dessas pessoas que decidem.

Jogar em casa sem adeptos não é jogar em casa na verdadeira acessão da palavra. Jogar no Estádio D. Afonso Henriques com o calor humano e fervor entusiástico dos vitorianos não é a mesma coisa que jogar com ninguém nas bancadas. E isto tanto vale para quem joga em casa, como para quem joga fora de casa. Nenhum jogador no mundo quer jogar sem que o seu trabalho seja visto e julgado na hora, seja com aplausos, seja mesmo com assobios.

Muitos criticam os atos hediondos e impróprios que algumas claques praticam e que têm obviamente de ser punidas, mas alguém imagina um jogo de futebol sem cânticos, sem cartolinas ou sem bandeiras? Isso é o que dá a verdadeira magia a um jogo de futebol. Toda a criatividade, originalidade e capacidade que o adepto tem, semana após semana, de incentivar a sua equipa. Mais ou menos entusiastas, mais ou menos representativos, todos os clubes precisam do seu público. Jogar sem adeptos tornará os jogos que à primeira vista seriam muito mais complicados, porque determinada equipa no seu estádio era fortíssima pelo apoio dos seus adeptos e pelo ambiente hostil para os adversário, em jogos completamente imprevisíveis, porque não há esse fator decisivo em campo.

A comunicação social portuguesa tem também a sua quota parte de responsabilização neste fenómeno, da mesma forma que a tem em toda a regressão a que o futebol português tem sido sujeito. A esmagadora maioria da comunicação social portuguesa, mais ou menos mediática, não tem nenhum interesse em dar a voz ao adepto. Porque parece parolo, porque não sabe o que diz, porque só quer incendiar. É precisamente isso que acontece nos programas televisivos de segunda a domingo, com três pessoas que não falam de futebol, que não falam do jogo, que não falam de nada a não ser de casos de arbitragem e que fazem uma espécie de caça ao mais corrupto. Esses não são adeptos de futebol. São adeptos do seu clube, à custa de tudo.

Com a quarentena, entre todas as decisões descabidas e entre todo o circo mediático que se gerou à volta do futebol, algo de bom surgiu. Programas nas redes sociais que falam do jogo, que falam com os intervenientes do jogo e que dão voz ao jogador e ao treinador. Mas há um programa, no âmbito do tema trazido para hoje, que merece todo o destaque. A página Quarentena do jornal A Bola de Rémulo Jónatas teve a inteligência de criar um espaço em que é dada a voz ao adepto e, para quem acompanha, pode constatar que o adepto deve ser ouvido com toda a seriedade e toda a atenção. Muito do que mencionei neste artigo é partilhado por adeptos de todo o país, que sabem falar e sabem debater os problemas olhando-os de frente. Infelizmente, o adepto não tem o poder necessário para fazer chegar a sua visão aos órgãos decisores ou executivos.

Num momento de instabilidade diretiva na Liga de Clubes, com uma Federação mais preocupada em apagar fogueiras acendidas pelos três ditos grandes, do que em apagar um incêndio de problemas verdadeiramente preocupantes que vão abalar clubes da Segunda Liga e por aí abaixo, o adepto é o verdadeiro prejudicado no meio disto tudo. Não acredito que algum adepto queira ver a sua equipa jogar de três em três dias, porque sabe perfeitamente que o futebol não funciona assim, seja em termos de metodologias de treino seja nos planos de recuperação e preparação de jogos. Agora o adepto que nunca foi a um estádio, que gosta de ver o futebol no sofá como se estivesse a assistir a uma série e que nunca contribuiu em nada para o crescimento da modalidade, esse sim, estará contente porque vai ter bola todos os dias.

O que vai acontecer em Portugal a partir da próxima semana será acima de tudo um espetáculo deprimente, feito para agradar dois clubes que querem ser campeões e um outro que não quer perder o seu terceiro lugar para um “intruso” à hierarquia do poder da clubite no futebol português.

“Nós nunca vemos na TV, largamos tudo para te ver”. Estes adeptos, que entoam cânticos que são enaltecidos pela paixão que demonstram, merecem respeito e merecem tudo aquilo a que têm direito: o futebol puro, o futebol da paixão, o futebol da comunhão entre jogadores, treinadores e adeptos. Futebol sem adeptos, não é futebol. Ponto.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

5 transferências no Ciclismo que têm de acontecer

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Por vezes no desporto, há combinações atleta-equipa tão perfeitas que é um desperdício que não sejam aproveitadas. Por isso, as cinco transferências que de seguida proponho, têm mesmo de acontecer, não por serem fáceis, mas porque colocando o ciclista ideal na equipa perfeita, o espetáculo – e, com isso, todos nós – ficaria muito a ganhar.

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Fonte: José Baptista/Bola na Rede

Edvald Boasson Hagen para a Deceuninck – Quick StepO versátil norueguês é tudo o que a Deceuninck representa, habituado a vencer várias vezes por ano, polivalente e habituado tanto a liderar como a servir de gregário. Contudo, na sua atual equipa é um caso aparte, sendo o único ciclista de rendimento positivo estável nos últimos anos, o que certamente ajudou a que nunca cumprisse boa parte da promessa que lhe era apontada quando despontou na HTC. Na Deceuninck, poderia esquecer todos os problemas do seu atual empregador e focar-se em vencer.