Apesar desta paragem do campeonato, Alex Telles estava a fazer a melhor temporada da carreira, ao ser um dos jogadores mais decisivos do plantel. Em 40 jogos disputados, o lateral esquerdo marcou 10 golos, um registo que o leva a ser o melhor lateral de sempre do FC Porto.
Como já aconteceu no passado, as boas prestações do brasileiro suscitaram o desejo das grandes equipas da Europa. Mais recentemente soube-se do interesse do Paris Saint-Germain FC no defesa e fala-se até numa compra a rondar os 25 milhões de euros, tendo em conta que a cláusula de Alex Telles termina em 2021.
Na possibilidade de esta especulação se confirmar, a saída de Alex Telles é um duro golpe nas hostilidades portistas, pela importância que o atleta tem dentro e fora de campo. Para já, ainda é só mais um hipótese de futuro do craque brasileiro que chegou ao FC Porto na temporada 2016/2017, proveniente do FC Inter de Milão, onde esteve por empréstimo do Galatasaray SC.
Durante três semanas tentámos delinear um método. Este método teve a intenção de perceber o que era preciso algumas equipas fazerem para conseguirem alcançar os seus objetivos, face à sua classificação na Primeira Liga Portuguesa e à larga paragem imposta pelo crescente e inevitável contágio de Covid-19. Chamamos-lhe “Manual de Sobrevivência” e agora, mesmo antes de recomeçar o campeonato, apresentamos o seu último capítulo.
Depois do acesso à Liga Europa e da manutenção da Primeira Liga Portuguesa, avançamos para aquela que vai ser o desafio mais importante, aquele que mais vai mexer com um país que ama futebol: a luta pelo título nacional. Separados por apenas um ponto, FC Porto (60 pontos) e SL Benfica (59 pontos) são os protagonistas desta batalha que se trava dentro e – quase sempre pelos piores motivos – também fora de campo. Aliás, como tem sido hábito desde que entrámos no Séc. XXI.
A Liga está de volta, nas últimas semanas, vários campeonatos anunciaram o regresso de forma redor gradual. O dia 3 de julho é o marco para o tão esperado regresso do futebol português, após os escalões mais baixos serem cancelados, o escalão principal é o único que regressa apesar das condicionantes.
Após dois meses de paragem, enquanto adeptos estamos de volta para ver aquele que é o nosso futebol e apoiar as nossas equipas. Mas levanta-se uma questão, o que podemos esperar deste regresso e o que está destinado para as próximas 10 jornadas.
Por isso, ficam aqui cinco previsões sobre o regresso do futebol português.
O Sporting CP volta à competição na próxima quinta-feira, no dia 4. O jogo está marcado para as 21h15 no estádio D. Afonso Henriques, frente ao Vitória SC. Uma coisa é certa: não vai haver público. Será bom ou mau para os Leões? Através dos dados disponíveis no site Liga Portugal elaborámos uma tabela que nos permite tirar algumas conclusões em relação à influência do público nos resultados da equipa do Sporting CP para o campeonato.
Realizadas 24 jornadas, apresentamos uma tabela que, além do adversário, campo e resultado, apresenta a percentagem de ocupação do estádio e o número de espectadores em cada jogo.
Jornada
C/F
Adversário
Resultado
% de ocupação do estádio
Espectadores
1
Fora
CS Marítimo
1-1
91,56%
9 673
2
Casa
SC Braga
2-1
70,70%
35 692
3
Fora
SC Portimonense
1-3
95,96%
5 634
4
Casa
Rio Ave FC
2-3
75,15%
37 942
5
Fora
Boavista FC
1-1
45%
12 314
6
Casa
FC Famalicão
1-2
56,60%
28 576
7
Fora
CD Aves
0-1
45,76%
2 850
8
Casa
Vitória SC
3-1
55,73%
28 135
9
Fora
FC Paços de Ferreira
1-2
30,49%
2 901
10
Fora
CD Tondela
1-0
81,92%
4 096
11
Casa
Belenenses SAD
2-0
53,68%
27 102
12
Fora
Gil Vicente FC
3-1
58,25%
7 009
13
Casa
Moreirense FC
1-0
51,68%
26 093
14
Fora
CD Santa Clara
0-4
52,82%
5 282
15
Casa
FC Porto
1-2
81,70%
41 247
16
Fora
Vitória FC
1-3
36,64%
5 761
17
Casa
SL Benfica
0-2
81,25%
41 017
18
Casa
CS Marítimo
1-0
25,35%
12 798
19
Fora
SC Braga
1-0
60,68%
18 379
20
Casa
SC Portimonense
2-1
56,97%
28 763
21
Fora
Rio Ave FC
1-1
84,46%
4 434
22
Casa
Boavista FC
2-0
57,78%
29 171
23
Fora
FC Famalicão
3-1
72,06%
3 824
24
Casa
CD Aves
2-0
52,04%
26 272
Como será o regresso do futebol português sem apoio das bancadas? Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Iremos usar como indicador de análise a percentagem de ocupação do estádio, visto que o número de espectadores acaba por ter influência (não só) na limitação do estádio. Por exemplo, o duelo com menos público no estádio foi fora frente ao FC Famalicão, 3 824. No entanto, tendo em conta a capacidade do estádio, 5 300, a percentagem de ocupação foi de 72,06%. Um estádio pequeno mais facilmente é composto.
Como se comporta a equipa do Sporting CP em estádios mais vazios? Analisando as 24 jornadas, obtemos as seguintes conclusões:
Os Leões jogaram cinco jogos onde a ocupação do estádio foi inferior a 50% e… Nunca perderam: venceram quatro e empataram um.
Nos cinco duelos com a ocupação do estádio inferior a 50%, o Sporting CP apontou oito golos, correspondendo a 21,62% do total de golos marcados, e sofreu três, 11,54% do total dos sofridos.
A percentagem de vitórias em jogos onde a ocupação do estádio foi inferior a 50% é 30% do total de vitórias.
O Sporting CP só não marcou em três jogos, onde a percentagem de ocupação do estádio foi superior aos 60%.
Os Leões não sofreram golos em sete jogos do campeonato, maioritariamente, 71,43%, em jogos onde a percentagem de ocupação do estádio foi superior a 50%.
Os dados obtidos perspetivam um cenário positivo para o restante campeonato. No entanto, tudo isto é relativo, como todos sabemos, e é dentro das quatro linhas que tudo acontece. Veremos como reagirá a turma de Rúben Amorim ao regresso à competição.
O hóquei português é considerado dos melhores do mundo. Depois de vários momentos de glória da seleção nacional de Portugal, as gerações foram-se renovando e a qualidade continua assegurada. Neste artigo, vou abordar cinco nomes do futuro do hóquei nacional, e inclusivamente alguns já brilham no campeonato nacional da modalidade.
O critério de escolha foi de apenas ter jogadores sub-23, e a ordem do quinto para o primeiro é meramente ilustrativa.
São cada vez mais raros os atletas que levam à regra o lema “amor à camisola”. Num mundo onde, muitas vezes, o dinheiro fala mais alto, há atletas que resistem a propostas mais tentadoras e outros que, independentemente do estatuto do clube que representam, optam por tentar alargar a sua experiência em diversas equipas ou campeonatos.
Por estas razões e mais algumas, torna-se muitas vezes complicado descobrir situações de atletas que se encontrem a representar o mesmo clube durante anos e anos. Olhando para o panorama inglês, há diversos casos de jogadores que têm quase uma dezena de anos de vínculo contratual, e ainda um que se destaca por ascender a uma dúzia de temporadas ininterruptas. Falamos de jogadores que atuam desde a baliza ao meio-campo, não existindo, no entanto, nenhum caso oriundo das camadas jovens. São poucos aqueles que jogam neste contexto, mas importa louvar e particularizar essas mesmas situações.
Nota: Os atletas foram classificados tendo em conta o longo número de épocas consecutivas a jogar no mesmo clube.
Temos tido, nos últimos anos, uma mudança de paradigma no que toca à formação de jogadores de futebol em Portugal. Quando há uns anos se falava de jovens jogadores portugueses, vinha sempre à baila o nome do Sporting CP, de Alvalade, de Alcochete. E, aliás, ainda há pouco tempo, isso reflectia-se, e reflectiu, na seleção portuguesa que ganhou o primeiro campeonato europeu.
No entanto, o cenário mudou. Ultimamente, o Sporting CP tem vindo a ser ultrapassado em competência e qualidade no que toca à formação, principalmente porque se começou a apostar em comprar talento em vez de o desenvolver. O problema é que, com esta política, a competência fugiu para o rival do outro lado da Segunda Circular, o que nos fez perder terreno no campo de prospecção de talento, deixando que os nossos rivais chegassem mais cedo aos jovens promissores.
Pelo menos é nisto que passámos a acreditar, depois de começarmos a ver que os “meninos de ouro” saem apenas dos rivais. Além disso, podemos olhar também para os resultados que os juniores e que a equipa sub-23 têm vindo a apresentar. No entanto, nas últimas semanas, parece ter-se aberto em Alcochete a porta de uma mina de ouro.
Se há uns meses/semanas até a qualidade dos colchões de Alcochete servia de desculpa para explicar a menor qualidade formativa, de há uns dias para cá não param de surgir “tubarões” interessados nos nossos “meninos de lata”.
Isto talvez se deva ao facto de termos aberto Alvalade ao Alquimista do futebol, que consegue vender até qualquer garoto de palmo e meio de qualidade, desde que entre no seu carrossel de influência.
Há vários jovens que se estão a aproximar da equipa principal Foto: Sporting CP
Se não, vejamos. A formação, que não apresenta competência nem qualidade e de onde já não sai talento há anos (quando surge esta narrativa, todos esquecemos a tal equipa nacional que ganhou um europeu com quatro jogadores dos quadros do Sporting CP, quer gostemos ou não), tem, de repente, nos seus quadros Eduardo Quaresma e aquele que “vai pagar o treinador do Sporting”, e tem AC Milan e Atlético de Madrid loucos por comprá-lo. Tem Nuno Mendes, jogador que Liverpool não larga. E mesmo Palhinha, que não serve para substituir Borja ou Eduardo, já está a caminho de Inglaterra. Não esquecer também Domingos Duarte, que está a jogar regularmente numa das equipas sensação do campeonato espanhol, e Demiral, que se começa a afirmar no campeão italiano. Até Bruno Paz, que, apesar de ser um jogador de muita qualidade, passou a maior parte da última temporada lesionado, tem interessados em Inglaterra. Por acaso, o clube interessado faz parte do carrossel do mágico que tem agora acesso a Alcochete. Mais uma coincidência.
O que é que todos estes jogadores têm em comum? Nenhum deles servia para o Sporting CP, pelo menos até agora. Inclusive, não davam retorno financeiro ao clube. E mesmo os que ainda estão a ser falados para sair deverão fazê-lo pelo preço de tabela do Alquimista já falado neste texto. O que daqui podemos concluir é que há qualidade onde o Alquimista consegue tocar. O problema maior desse artista/mágico é que a maior parte do “material” que ele consegue “transformar” em “Ouro” fica para ele. Os clubes não passam de veículos para que ele possa aplicar a sua arte.
Assim sendo, e agora que o deixámos entrar na nossa Academia, já podemos estar confiantes quanto à qualidade da nossa formação, tendo a certeza de que iremos conseguir vender os nossos jovens por, no mínimo, 15 milhões. Ou então, talvez, a qualidade sempre lá esteve, mas nós é que nos deixámos levar, mais uma vez, pela oratória de algumas entidades “opinion makers” e pela comparação com outra academia, cujas vendas ao quilo nos turvavam a visão. Não se esqueçam. A qualidade de um jogador não se mede pelos milhões com que são negociados, mas pela quantidade de lances decisivos que consegue mostrar em campo.
Ah, para terminar, e para reforçar esta teoria dos 15 milhões, não esqueçam de que alguns dos jovens de Alcochete estão em fim de contrato. Por isso, ou vendem pelo preço que o alquimista quer, ou saem a custo zero.
Pelo menos agora podemos ter a certeza de que continuamos a ter uma das melhores formações do mundo, mesmo que tenham andado a dormir durante anos em colchões de palha, palha essa que nos andam a tentar dar a comer. E parece estar a resultar.
A posição de guarda-redes sofreu alterações ao longo dos anos, e, na última década, têm-se vindo a valorizar mais características num guardião. O futebol moderno pede um número 1 mais participativo no jogo, que suporte a linha defensiva e saiba sair bem a jogar. Ou seja, o jogo de pés é cada vez mais fundamental.
Continuam a existir guarda-redes fantásticos sem destaque na habilidade para os pés, até porque não é essa a sua principal função. Neste caso, o mais importante é ter um homem seguro entre os postes, que seja responsável por ganhar vários pontos durante uma temporada e que não cometa erros nos grandes jogos. Os casos abaixo são um grande exemplo disto, e é por isso que são os melhores.
A Liga da Bielorrússia chegou ao Bola na Rede, e, esta semana, temos o grande dérbi de Brest. O campeão FC Dínamo Brest vai ao terreno do Rukh Brest em busca da recuperação de pontos importantes para voltar a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa.
Se quiseres, podes ler a antevisão ao mesmo tempo que vês o jogo em direto. Além disso, podes acompanhar tudo ao minuto no Twitter.
Após mais de dois meses sem competição, estamos prestes a retomar a Primeira Liga. Parece que vai começar uma nova época e que esta paragem se traduziu apenas nas férias dos jogadores. Mas não. A pandemia apareceu e foi devastadora para o futebol português, deixando esta indústria de pernas para o ar e um pouco à deriva. Na direção da Liga surgem problemas atrás de problemas, e a estabilidade está longe de ser uma realidade. Existe um passado não muito distante que parece que acabou por se perder no tempo. Com os holofotes apontados noutro sentido, quem acabou por ganhar foi a Direção. Certamente lembram-se da enorme contestação a Frederico Varandas ainda antes da paragem do futebol. A COVID-19 surgiu não só como uma catástrofe mundial, mas também como um balão de oxigénio para muitas pessoas. Quase que soa a hiperbolização. Mas vamos analisar até ao fundo da questão.
Frederico Varandas e a sua equipa estavam a sofrer uma enorme contestação, que subiu de nível semana após semana. O trabalho realizado por esta Direção tem sido bastante criticado, e a satisfação dos sportinguistas está longe de ser unânime. A primeira manifestação, marcada para dia 9 de fevereiro, contou com mais de três mil adeptos a contestar o Conselho Diretivo. Por magia, tentou-se abafar essa manifestação por alegadas agressões a membros da Direção, algo que nunca foi provado até à data, e que apenas serviu para desviar as atenções daquilo que realmente importava naquele dia.
Os maus resultados continuaram, e Jorge Silas acabou por ser despedido de forma amadora, sendo o próprio a anunciar aquele que viria a ser o seu sucessor: Rúben Amorim. Varandas joga o seu último trunfo com a vinda do ex-técnico bracarense, pagando um valor astronómico que já vai em, pelo menos, 14 milhões de euros.
No dia 8 de março, Rúben Amorim estreia-se em Alvalade frente ao CD Aves, jogo que acabou por ganhar 2-0. Para esse dia, estava marcada mais uma manifestação, que contou novamente com milhares de adeptos leoninos. Mais uma vez, tentou-se abafar o ruído e a insatisfação dos adeptos com o assunto na ordem do dia: Rúben Amorim.
E então chega a pandemia. Decretado o Estado de Emergência, Portugal parou e o confinamento instalou-se nesta nova realidade. A competição ficou em stand by e, logicamente, os sportinguistas estavam impedidos de fazer ajuntamentos para se manifestarem. E é aqui que Varandas respira e ganha o tal balão de oxigénio.
É feita uma campanha descarada de autopromoção. O presidente surge em capas de jornais, telejornais e afins como o “Doutor Coragem” que voluntariamente se disponibilizou para retomar a atividade médica e ajudar no combate ao vírus. Se acham que ver o Presidente do Sporting CP a chegar fardado não é premeditado, expresso aqui as minhas dúvidas em relação a isso, para que ajude na vossa reflexão.
Com todo este mediatismo, o ego de Varandas cresceu. Como o assunto da atualidade era “saúde”, e ele é médico, Frederico Varandas pensou que estaria apto para falar sobre futebol e saúde. E sabem qual é a pior coisa que podem fazer ao Presidente do Sporting? Colocar-lhe um microfone à frente.
Entrevistas à TVI, SIC e ao Canal 11. Todas elas absurdas e nas quais Varandas conseguiu, uma vez mais, ser alvo de chacota. E a minha pergunta é: para quando uma entrevista à Sporting TV? Fica a ideia de que o canal do clube está um pouco esquecido.
Com esta paragem, Frederico Varandas respirou tanto que até teve tempo de lançar um Planeamento Estratégico para o clube. Esse documento engloba medidas que já tinham sido referidas no programa eleitoral e que, supostamente, teriam de ter vindo a ser cumpridas. Assim, o Presidente publica um planeamento que nos dá a ideia de que o mandato está a começar agora e que tudo o que ficou para trás já não conta.
Apesar das várias manifestações nas redes sociais, as manifestações presenciais têm o outro peso. Ora, toda a mudança a nível mundial provocada pela pandemia ofuscou a insatisfação que já vem há muito sendo debatida entre os adeptos e sócios do Sporting Clube de Portugal. O discurso muda dia após dia. É transmitida a sensação de que não há estratégia, não há planificações… e quem vai pagar a fatura, uma vez mais, é o clube. Já estamos em 2020 e, mesmo assim, ainda ouvimos falar em todas as entrevistas sobre heranças pesadas e Alcochete. Ridículo!
É pena que a sua formação militar não tenha servido para combater aquilo que realmente importa. Perdemos mais tempo a combater pessoas que estão dentro do próprio Sporting CP do que a combater aqueles que nos têm prejudicado fora dele. Isso não é “Unir o Sporting”.
PS: Eu não quero Wi-Fi no estádio. Eu quero é um Sporting Clube de Portugal ganhador!