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Tottenham, I love you

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cab premier league liga inglesa

Nos dias de descartabilidade em que vivemos (e que o redator deste texto, no exemplo em questão, não critica nem condena, pelo contrário!), nos quais se assiste à crescente diminuição da validade dos parceiros sexuais (deixaram de se chamar “namorados” e namoradas”), que se assemelham cada vez mais à daquele pão de forma que se compra nos supermercados (reparem que é sempre de uma, duas semanas no máximo), surgem cada vez mais como uma lufada de ar fresco e cada vez menos como um motivo de enjoo, histórias de amor verdadeiro e promissoramente longínquo.

No futebol não é diferente, e há jogadores a saltitar de clube em clube, aliciados pela promessa de contratos e/ou vidas melhores promovidas pelos agentes desportivos, sendo cada vez mais raro (e, por isso, bonito) existirem futebolistas com uma longa passagem num clube ou com um vínculo exclusivo ao mesmo. São raríssimas as juras de amor, ainda mais quando um jogador se encontra num momento de forma extraordinário e vê o seu valor disparar, juntamente com a sua margem de manobra negocial perante o clube, seja para a renovação, tendo em vista um aumento de salário, ou para a troca de emblemas.

Quando o consegue, o seu rendimento normalmente diminui, impulsionado pelo relaxamento e tranquilidade que o aconchego de uma conta bancária mais rica lhe proporciona. Dá-se a carreira por garantida, e o futebol imita a vida, mais uma vez, remetendo para a metáfora daqueles que vão tendo cada vez mais “qualidade” de parceiros, dando por assegurado o futuro da sua felicidade… até estarem sozinhos e se apercebem do quanto desperdiçaram e do quão espectacular teria sido ter aproveitado o assentamento em tempo próprio.

Foi, assim, bonito e refrescante ouvir Harry Kane dizer que ficaria extremamente feliz se passasse mais uma década no Tottenham numa altura em que atravessa um momento de forma fantástico, apenas dias antes de assinar uma exibição fantástica diante do Arsenal, clube de que fora adepto até aos 11 anos, assinando os dois golos que deram a vitória aos Spurs no derby do Norte de Londres (2-1 final, desmontando uma barreira defensiva que emergia como quase intransponível nos últimos jogos), o que comprovou que não entrou em relaxamento após a melhoria salarial e confirmou o amor que tem ao clube que representa.

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“’If I’m still here in 10 years, I’d be over the moon. A lot of players today, when they do well, they end up going to another club or moving abroad.”
[Se, daqui a 10 anos, ainda estiver aqui, ficarei extremamente feliz. Muitos jogadores, hoje em dia, têm tendência para mudar de clube ou de país]
Fonte: Facebook do Tottenham
Tudo começou há dez anos. Depois de ter jogado e não ter sido aproveitado no Arsenal, aos 8 anos, vibrou com a incrível história dos “invincibles”, três anos mais tarde, festejando um dos títulos mais incontestavelmente conquistados em Inglaterra na condição de adepto. Porém, uns meses mais tarde, e depois de uma passagem pelo Watford, entrou para a academia do Tottenham. Com o passar dos anos, começou a amar o clube, e foi sendo retribuído com a confiança que os treinadores das camadas jovens nele depositavam, chegando cedo ao patamar profissional depois de ter assinado 18 golos em 22 jogos pelos Sub-18 dos Spurs.

Kane e o Tottenham deram espaço um ao outro para que o primeiro pudesse crescer e ser tudo o que a outra parte da relação exige, e isso, ao contrário do que muitas vezes acontece, não os afastou. Pelo contrário. A distância aumentou o amor um pelo outro e a capacidade de uma das partes em “estar” nesta relação, e os resultados estão à vista: Kane evolui a cada dia que passa (capacidade atlética cada vez mais impressionante, a técnica que se julgava limitada e sem margem de progressão cresceu, e o faro de golo, que se julgava nos píncaros, aumentou) e vai dando mais e mais alegrias aos adeptos do Tottenham, levando 22 golos na sua conta pessoal em todas as competições, muitas vezes com exibições notáveis, como são exemplo flagrante as últimas duas que assinou, marcando quatro golos e sendo o homem do jogo em ambas (West Bromwich e Arsenal).

Depois de dez anos a “conhecerem-se”, Kane e Tottenham assumiram a relação e estão mais felizes do que nunca. O afastamento e as “discussões” recentes (vulgo empréstimos e parca utilização de Kane) juntou-os e podem, agora, vir a ser muito mais felizes do que alguma vez sonharam ser juntos… porque uma união destas só pode dar na celebração de um casamento (vulgo títulos, feitos históricos).

P.S.: Uma palavra ao Tomás Cunha, que já há algumas semanas me vinha a “pedir” um artigo sobre Kane e que me disse “é desta que o escreves”. Disse-lhe que pensei não o fazer mas… aqui está, “chefe”!

Foto de Capa: Facebook do Tottenham

Justiças e injustiças na base dos All-Stars

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cab nba

Bem, este texto devia ser em seguimento do que foi feito há umas semanas. Contudo dois acontecimentos fizeram com que um artigo com esse intuito se tornasse obsoleto: Primeiro, os cinco iniciais já foram escolhidos e, no meio de tanta coisa, duvido que os leitores concordem a 100%, ou sequer que se dêem ao trabalho de ler a minha análise de quem é que deve ou não ir aos All-Stars; Segundo, aquando da minha análise dos jogadores da conferência Oeste fiquei absolutamente assustado e, de uma forma preguiçosa e até cobarde, decidi não escrever, isto por não conseguir sequer escolher os bases.

Por muita pena que me dê Kobe Bryant se ter lesionado, foi uma espécie de bênção para a minha cabeça, mas, mesmo assim, foi melhor para James Harden, do que para o Black Mamba. Mais à frente irei explicar o porquê.

Nas próximas linhas vou dizer, muito por alto, alguns dos bases (Point Guards e Shooting Guards) que jogam do lado da Costa Oeste.

Stephen Curry (Óbvio. Foi o atleta com mais votos);

Klay Thompson (Está a fazer uma época soberba, até agora. Merece estar lá);

Mike Conley (Constantemente colocado de parte, Mike Conley tem feito por merecer marcar presença no jogo das maiores estrelas da liga);

Damian Lillard (Como é que um dos líderes da NBA em pontos por quarto período e um dos melhores bases actualmente não marca presença?);

James Harden (O líder da liga em pontos e da equipa dos Rockets deveria até ser titular);

Chris Paul (Por muitos, considerado o melhor base da NBA, Chris Paul é presença assídua no jogo de Fevereiro);

Rajon Rondo (Estamos a falar de um base que lidera a liga em triplos-duplos há uns largos anos, e grande parte dessas épocas esteve lesionado.);

Monta Ellis (Também está, para mim pelo menos, a fazer a época da sua vida, é um jogador explosivo e espetacular);

Tony Parker (Convenhamos… É Tony Parker. Como é que não é All-Star? O base titular dos campões tem de marcar presença);

Manu Ginobili (GI-NO-BI-LLi!!!! O Charles Barkley sabe do que estou a escrever. Genial e fenomenal);

Goran Dragic (Recebeu, merecidamente, o prémio de atleta que mais evoluiu no espaço de um ano. Veloz e bastante criativo. Embora possa ser reboscado, na conferência Este tinha lugar.);

Eric Bledsoe (Eric Bledsoe, sem ténis, tem menos um centímetro do que eu, e é capaz, quase de certeza, de saltar por cima de mim e afundar. É um jogador fantástico, com uma capacidade explosiva fantástica e que, dada a sua altura, é sempre daquele estilo de jogadores que podia causar furor);

Russel Westbrook (Provavelmente o maior, ou dos maiores, espécimenes atléticos da liga. Capaz de fazer o impensável todas as noites);

Ty Lawson (É dos bases mais rápidos da liga. A equipa em que está não está a fazer uma época digna do base que tem);

Kobe Bryant (Óbvio que, mesmo lesionado, o seu nome merece destaque. Já no ano passado foi assim).

Só na conferencia Oeste deparamo-nos com alguns dos melhores bases da liga Fonte: entre-linhas.pt
Só na conferencia Oeste deparamo-nos com alguns dos melhores bases da liga
Fonte: entre-linhas.pt

CATORZE (!!!!!!) nomes. Como é que se podem escolher quatro jogadores para irem aos All-Stars para a posição de base se, só a nível de talento individual,  a conferência Oeste podia ir, sem problema nenhum, entrar no jogo só com bases, e mesmo assim ainda eram capazes de ganhar.

Imaginem bem, Westbrook podia até jogar a poste. Com a sua capacidade atlética era capaz, certamente, de importunar quem quer que lá aparecesse. E imaginem bem os fastbreaks desta equipa. Era tudo jogado ao máximo da velocidade. Era magnífico. Era… impossível.

Sei que alguns nomes citados em cima, muito provavelmente, nem fazem parte da ideia de All-Star das pessoas que estão a ler o texto. Mas, para mim, o fim-de-semana de Fevereiro é aquele que mais espectáculo e fantasia me traz durante o ano inteiro.

Quando era miúdo acreditava que o Space Jam era uma espécie de documentário (volto a referir, “miúdo”), e este evento faz-me sentir absolutamente nostálgico e acreditar que o Buggs Bunny lá trouxe a bebida especial do Michael Jordan e que todos estão ali só para se divertirem e jogarem o melhor desporto do mundo.

Fonte: Youtube
Fonte: Youtube

Agora saindo do mundo da fantasia e explicando o porquê de Kobe Bryant, à partida, não merecer ser titular. Não é, de todo, um ataque ao Black Mamba. A questão é que o número 24, que certamente irá ser imortalizado pelos Lakers, estava a ser o jogador que mais lançamentos tem feito e a ter uma eficácia muito abaixo daquilo a que nos habituou ao longo dos anos.

Custa-me ver que James Harden, que tem feito uma época completamente absurda,  talvez, embora pouco provável, não fosse titular nos All-Stars – isto porque para as pessoas que votam no nome, e não no jogador, se é que me faço entender.

Foto de Capa: NBA.com

Sporting 1-1 Benfica: Xadrez a mais para pouco futebol

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Foi o nome de um antigo herói para os lados de Alvalade a oferecer um importantíssimo ponto para o Benfica e matar, de vez, o Sporting no campeonato. Importantíssimo e justo resultado em Alvalade, num derby jogado com muito coração mas com pouco, muito pouco futebol de ambas as partes.

A (boa) aposta em André Almeida para o lugar de Talisca garantiu ao meio-campo do Benfica um maior equilíbrio em comparação com uma possível aposta no baiano. Defrontar William Carvalho, João Mário e Adrien com Samaris e Talisca seria entrar quase a perder no jogo e, finalmente, Jorge Jesus apostou numa dupla de meio-campo mais contida, algo que permitiu a Samaris subir um degrau para a posição 8 e assinalar notável exibição. Um Benfica montado à rectaguarda deixava a adivinhar uma forte entrada do Sporting perante um Benfica mais expectante e à espera do erro leonino. Puro engano. À imagem do jogo no seu todo, a primeira parte foi o início de um longo bocejo que deixou o melhor (e único de bom neste jogo) para o fim. Sempre com mais luta, bolas divididas e alma do que propriamente técnica e qualidade na construção de jogo ofensivo, a primeira parte tem apenas dois remates para contar. Uma longa sucessão de passes sem nexo e aos repelões e de perdas de bola podia resumir a primeira metade do encontro.

A festa de um golo tão importante; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
A festa de um golo tão importante;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Na segunda parte a coisa mudou um pouco e viu-se, até que enfim, um bocadinho de futebol. Nada que tenha chegado para entusiasmar o mais optimista dos adeptos, que, avaliando pelo estado como as coisas avançavam a caminho do final do jogo, teria de se satisfazer apenas e só com o nulo. Verdade seja dita que o único cheiro a golo veio por Carrillo, num cabeceamento que, pela primeira vez, aqueceu as luvas a Artur. Já as de Patrício nem tiveram oportunidade disso. Mais posse de bola, mais cantos e mais remates não se espelhavam, na verdade, na criação de verdadeiras oportunidades de golo por parte do Sporting. Já o Benfica, satisfeito pelo mal menor do empate na mais difícil deslocação na segunda volta, limitava-se a aguentar algum incómodo que pudesse surgir e esperar pelo apito final. Jefferson incomodou mais do que Jorge Jesus e o Benfica esperavam e, numa recarga a remate de João Mário bem travado por Artur, atirou para o golo aos 87 minutos. Marcador desbloqueado e Sporting novamente na luta pelo título. Por meros minutos.

Já Jorge Sousa tinha o apito na boca para terminar com o bocejo quando Jardel, palavra que se confunde com “golo”, não voou entre os centrais mas fuzilou Rui Patrício e garantiu um ponto de capital importância para o Benfica. Não pelo resultado, que é mau, mas pela injecção de confiança que permite afastar, de vez, quaisquer intenções de o Sporting voltar a sonhar com um título nacional. Tão grande o erro de cantar “olés” com 1-0 no marcador, só explicado pela natural falta de hábito de ganhar.

A Figura:
William Carvalho – enorme jogo do médio português do Sporting. Começou a época numa forma lastimável e longe do “monstro” da passada época mas parece estar a voltar ao que era. Uma parede que Jonas e Samaris não conseguiram ultrapassar.

O Fora-de-Jogo:
Eliseu – Passar de Garay para Jardel é… mau. Passar de Siqueira para Eliseu é um terror. O lateral (?) português foi um convite às investidas de Carrillo e cometeu inúmeros erros infantis. Sílvio, Sílvio…

Moreirense 0-2 FC Porto: Bom jogo em Moreira de Cónegos antes de derby dominical

a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto deslocou-se ao terreno do Moreirense, numa noite fria de sábado, para fazer uma boa exibição (mas não entusiasmante), que acabou por desembocar numa vitória justa por números esclarecedores (do ascendente dos visitantes no jogo). Os azuis e brancos actuaram no seu 4x3x3 de sempre: Fabiano segurou as redes, e a linha defensiva compôs-se com Danilo, Maicon, Marcano e Alex Sandro, no meio-campo surgiram Casemiro (pivot defensivo) Herrera e Óliver (como médios interiores), jogando abertos na frente Quaresma e Tello no apoio ao ponta-de-lança Jackson Martínez.

É importante referir que o adversário dos portuenses jogou muito condicionado, tendo de reinventar a constituição do seu trio de médios para esta partida. Esta equipa, que tem estado a fazer um campeonato muito consistente e convincente, ocupando o 11º lugar na tabela classificativa, não pôde usar as suas armas habituais nesta partida de grau de dificuldade elevadíssimo. As contrariedades da turma verde e branca axadrezada afectaram desde logo o seu sector defensivo, com a lesão do lateral Paulinho e do central Marcelo Oliveira. O tridente do miolo anteriormente supracitado era composto por Vítor Gomes (transferido para o Balikesirsport, da Turquia), Filipe Melo (milita agora nos ingleses do Sheffield Wednesday) e ainda André Simões (o médio mais utilizado) de fora a cumprir castigo. Para agudizar as já acentuadíssimas dificuldades, as lesões de Cardozo e André Marques obrigaram o Moreirense a fazer duas substituições forçadas e não planeadas.

Com esta zona nevrálgica tão afectada, os três centrocampistas azuis e brancos não tiveram problemas em se impor e controlar o ritmo e rumo do jogo. O que julgo ser motivo de realce na exibição portista foi a desenvoltura predatória com que desenvolveu todo o seu processo de organização ofensiva. Envolveu muitos jogadores nesses momentos, colocando em zona de finalização atletas de todos os sectores. Foram inúmeras as vezes que predispôs cinco, seis e até sete homens em zona perigosa para alvejar a baliza. Vou minudentemente escalpelizar os lances dos dois golos que sintetizam os aspectos mais louváveis deste jogo.

No primeiro golo portista, Alex Sandro passou em velocidade no meio de dois oponentes e procurou a zona interior, deixando o esférico para Herrera – este, com seis soluções de passe, descobriu um espaço exíguo para colocar a bola (entre os dois centrais e as costas do lateral esquerdo), onde se encontrava Jackson para, com frieza, chutar para golo. O segundo tento nasceu na sequência de um canto e de uma segunda bola ganha rapidamente. Aqui, os posicionamentos dos jogadores não são, por norma, os habituais, fruto da especificidade das bolas paradas e da sua orquestração. Depois do corte da defesa do Moreirense, Alex Sandro ganhou a bola em zona interior adiantada, colocando-a novamente sobre Herrera que estava aberto na esquerda. O mexicano contou com o apoio de Óliver que rapidamente abriu no mesmo flanco, arrastando dois jogadores adversários; esse prender de atenções permitiu ao mexicano um cruzamento mais desafogado para uma zona onde se encontravam dois homens: o primeiro era Marcano que não chegou, o segundo tratava-se de Casemiro, que encostou para golo ao segundo poste (tendo ainda ficado Jackson no coração da área e Quaresma um pouco mais recuado em posição de finalização também).

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O FC Porto colocou inúmeros jogadores em zona de finalização, tentando cedo o golo
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

O treinador Lopetegui fez três substituições. Primeiro ordenou a saída de Tello para entrar Evandro (obrigando Óliver a avançar e descair para a esquerda), depois tirou Óliver para lançar Brahimi, regressado da Taça das Nações Africanas (para que relembre o enquadramento colectivo) e, por último, fez sair Jackson para a consagração, entrando para o seu lugar Aboubakar (já em cima dos 90 minutos) para “esticar as pernas”.

 

A Figura
Héctor Herrera – O mexicano foi o destaque da partida. Esteve muito bem na batalha com o meio campo fragilizado do Moreirense. A predisposição para a organização defensiva e roubo de bolas é seu apanágio corriqueiro, mas, a essas prerrogativas, juntou um exímio último passe, que nem sempre tem possibilidade ou qualidade para fazer. Conseguiu duas assistências excelentes para golo. Devo destacar também Jackson – no meu entender o “melhor em campo” –, com o habitual recuar para abrir espaços para os companheiros (subida dos laterais ou dos médios interiores), tendo ainda assinado um golo, depois de uma bela desmarcação. Fez ainda um passe com a direcção e força correcta para Tello desperdiçar. Está a ser o melhor jogador do Porto na presente época, e, por isso, é justo que seja dele o ilustríssimo golo número 5000 para o campeonato do Futebol Clube do Porto.

O Fora-de-Jogo
Cristian Tello – Escolho-o hoje como personalidade negativa mas aproveito para fazer uma análise global. Este jogador tem demonstrado falhas de interpretação de jogo. Esta época já tomou inúmeras decisões erradas, não havendo um jogo seu sem mácula até agora. Quando deve passar, remata; se é altura de endossar, atira à baliza. Quando teria de acelerar, temporiza; quando era útil que jogasse ao lado, corre sozinho. Neste jogo tem um lance incrível – primeiro ganha em velocidade e pode ir para o golo com confiança; decide parar (o que seria muito bem pensado se jogasse ao lado em Óliver, o que não fez) e, tentando estupidamente prosseguir, acabou desarmado. Precisa de muito treino específico para decidir melhor as jogadas. Um lugar na faixa é de Brahimi… outro é de Quaresma.

Foto de Capa: Página de Facebook do FC Porto

A saudade de estar longe

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coraçãoencarnado

Boa noite, caros leitores. Trago-vos este “Coração Encarnado” enviado directamente de terras espanholas. Sei que já leram muito sobre o dia que aí vem mas vão ter de ler mais. Não porque eu vos obrigue, mas porque esta é a vida de um benfiquista. Viver estas horas como um estágio. Não pensar um segundo que seja noutra coisa que não o clube que amamos. É o mínimo que podemos fazer. Assim sendo, aqui vai mais um texto – espero que vos alegre o Sábado, já que para mim este estágio não tem sido fácil…

Hoje é dia de derby aqui por estes lados. Não, não pensem que este se compara ao “nosso”. Nem chega perto – as ruas não esvaziam, as casas não respiram mais devagar e a cidade não escuta. Nada. Nada se aproxima ao derby Lisboeta. Aí as coisas são diferentes, as roulotes perfumam o ambiente circundante do estádio e os cânticos aquecem as almas que por lá passeiam.

Saudade. Essa palavra tão portuguesa descreve bem aquilo que sinto ao escrever este texto – é nestes dias que eu sinto falta do Estádio da Luz, das bifanas, das imperiais… Sim, a família também faz falta (esta frase fica bem, até porque sei que tenho elementos da família a ler os meus textos), mas o Skype ajuda a matar as saudades…e com o Benfica, como mato as saudades? Pois. Essa instituição que ocupa mais de oitenta porcento do meu coração. Não é justo.

Apetece-me apanhar o próximo voo só por ti, Sport Lisboa e Benfica. Não seria a primeira vez. Mas depois percebo que a irracionalidade que tanto prezo e estimulo seria exagerada. Opto por ficar. Deprimo, e não descanso. Só penso em ti. Não é a mesma coisa sem te ter perto de mim, a semana fica diferente. O coração importuna o cérebro, quer-te mais perto. As noites tornam-se mais longas, o frio é usado como desculpa. Mas não. Não é o frio. Nem muito menos insónias. És tu, só tu. O frio é interior, as insónias são falta de te ver ao perto. Hoje não escrevo para mim, nem muito menos para vocês. Escrevo só para ti. És maior que a soma dos benfiquistas. Muito maior que qualquer outra coisa. Enches qualquer vazio, mesmo o interior. Não sabes como é difícil. O meu desejo de ano novo foi que viesses comigo para aqui. Mas não. Ficaste por Lisboa, perto dos teus. Depois percebi que era egoísta da minha parte. Aceitei a resposta do destino, que um sofra mas que outros milhões fiquem satisfeitos. Aceito porque esses milhões são como eu. Só por isso, se não trazia-te comigo.

Hoje não é só Sábado e amanhã não é só Domingo. É véspera de noventa minutos, que quando multiplicados pela paixão dos adeptos representa muito mais que isso. O tempo tem disto. Um minuto dum Derby passa rápido demais, sessenta segundos são escassos. Não, não lhe chamem jogo. Nem muito menos partida. É muito mais que isso. Sport Lisboa e Benfica, só de pensar que amanhã entras em campo fico arrepiado. Só de pensar que amanhã é dia de derby, não durmo. Não faço nada. Adopto a posição de lontra, fico por casa. Medito. Penso no Gaitán, no Salvio. Depois no Jonas a marcar de cabeça. O Sporting também me aparece na cabeça, mas só por um segundo. O tempo outra vez a fazer das suas – aí um segundo é tempo demais. Não quero verde a povoar-me o cérebro. Meto a minha toalha de mesa encarnada. Bebo o leite do pequeno-almoço na caneca do Cardozo, o café na chávena do Benfica (literalmente). Ajeito o cachecol que ilumina a minha pequena sala madrilena. Asseguro-me que a camisola está lavada, passada. Toco-lhe com cuidado, respeito o sagrado. Os pêlos acordam, a águia alimenta-me o interior. Olho para o emblema, aquecendo-me o coração. Tudo isso me ajuda a estar longe de ti. Ajuda, não resolve nem faz esquecer. São pequenos gestos que me fazem sentir mais perto. Só isso. Mas a ilusão é coisa boa. Parecer às vezes já é um começo. Amanhã és tu que me levas ao colo. Retribuis as centenas de jogos que te dei a mão. Amanhã dás-me tu a mim. Alimentas-me um bocado do vazio que sinto. E eu agradeço. Triste, mas agradeço. Como sei que não há nada a fazer, contento-me com o que tenho. Um derby à distância. Gritos que não são ouvidos. Lágrimas que não são vistas. A mente faz destas coisas – quando sabemos que não há alternativa, aceitamos. Não é mais que isso, aceitar. Continuo a dormir mal e a sentir a falta do teu braço por cima do meu ombro. Não sou o mesmo, muito menos nestes dias. Mas aceito. Sobrevivo. Depois vou aí, recarrego a alma. Vivo o encarnado outra vez. Guardo cada cheiro, grito, abraço. Trago tudo no meu coração, num lugar especial que já criei só para ti. Fica tudo aí. Assim, para o próximo já sei onde ir procurar. Não vai mudar nada, mas permite que a sobrevivência continue. Não é o primeiro derby onde te vejo fora do nosso país. Mas é como se fosse. Não há hábito que se possa criar para combater estar longe de ti. Não há forma de viver este dia sem te ver por perto. Não há forma de gritar por ti que não seja ao teu lado. Não há forma de viver sem ser de mão dada contigo. Esta é a verdade. Como não o posso fazer, o cérebro diz-me que vivo. No fundo, não faço mais que esperar pela próxima vez que te vou sentir. Até lá, frio. Vazio. E saudade.

Um abraço a todos vocês, suplico-vos que amanhã gritem por mim. Até lá, o tempo vai fazendo das suas…

PS: Como repararam, joguei apenas com os sentimentos neste texto, optando por um conjunto de palavras vagas, com pouco sentido prático e com uma mensagem apenas relacionada com a “saudade de estar longe”. Espero que não me levem a mal, mas a verdade é que em véspera de derby pouco mais se pode pedir a um benfiquista que vive fora de Portugal e que, por isso, não poderá acompanhar de perto a sua paixão.

                                                                                                                                                                                                  Foto de Capa: André Pipa (Flickr)

Top 10 – Vitórias do Benfica sobre o Sporting

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[tps_title]10.º Sporting 3-6 Benfica (Campeonato)[/tps_title]

Sporting 3-6 Benfica
Sporting 3-6 Benfica

14 de Maio de 1994. Um dos sábados mais chuvosos que Lisboa teve o desprazer de conhecer trouxe também consigo um temporal de golos. Foi o jogo dos jogos. O orgasmo futebolístico que arrepiou os pêlos da nuca de qualquer amante de futebol. Uma orgia de pontapés, cabeçadas, fintas e sprints de deixar a língua de fora que, por sua vez, de fora deixou a língua de muitos.
Vou-me deixar de hipocrisias: não me lembro de nada. Ainda nem três anos tinha na altura. Muitos de vós não se lembrarão também. Mas quantos já não perderam horas e horas a procurar na Internet e na RTP Memória nem que seja o resumo destes nove pedaços de céu que mais de 60 mil presenciaram em Alvalade?
Foram 90 minutos como poucos. Aliás, acredito que nunca voltemos a presenciar tal tipo de jogo por muitos derbies a que assistamos. É que nunca as duas equipas lisboetas mediram forças tão iguais e tão interessantes: de um lado havia um Benfica enorme, com Isaías, Neno, Mozer, Schwarz e um Rui Costa que nem a campo foi. Do outro, aquele que muitos acreditam ter sido o melhor Sporting de sempre, com estrelas como Figo, Balakov, Stan Valcxx, Paulo Sousa e até mesmo Jorge Cadete. No final, um outro nome fez a diferença. Sousa Cintra chamara-lhe “mercenário”. Os benfiquistas optaram por “Menino d´Ouro”. João Vieira Pinto, em menos de quinze minutos, fez um inenarrável hat-trick que ainda hoje vive e sobrevive na memória de milhões. Naquela relva empapada presenciava-se História: aquele havia de ser o jogo da vida de João Pinto e um dos mais gloriosos encontros que o Glorioso havia de disputar. Impossível, portanto, não o colocar neste TOP 10.

Vejam o resumo do jogo em: http://www.youtube.com/watch?v=Ww_DOQN2Sg8

Hoje já é Domingo

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Durante a década e meia de futsal federado, tive o prazer de ter um dos melhores amigos como capitão de equipa. Antes de todos os jogos, naquela rodinha de balneário, esse meu amigo dizia quase sempre a mesma coisa: “todos os jogos são para ganhar, mas este é mais!”. E é este o espírito que levávamos para dentro de campo, que tínhamos de deixar tudo em campo, porque aquele jogo é que era o mais importante das nossas vidas, a verdadeira final, a vida ou a morte, o Olimpo ou o Hades.

Hoje, e para mim, já é Domingo. Já nem penso no fim de semana, quero lá saber de descansar ou de ir sair. Quero é Domingo, quero as rulotes, a cerveja, as músicas, os tifos das claques e a adrenalina dum dia de dérbi.

Hoje é para ganhar. Que eles joguem com ou sem os melhores jogadores, que haja ou não uma má arbitragem, que haja ou não um caso “Cannigia”. Hoje não há desculpas!

Não me entendam mal, não tenho qualquer ódio ao rival da luz, sinto o mesmo que sinto por qualquer outro clube, ou seja… nada. A diferença aqui está na diferença do que se sente no ar, a energia diferente, palpável, contagiosa e acima de tudo o Sportinguismo que nos assola e nos enche de orgulho no que somos.

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Sli, que este festejo se repita no Domingo!
Foto: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Estes dias são de motivação. De ver mil e uma vezes os festejos do “Manel”, de ver a reviravolta da meia-final da Taça em 2008, que o golo do Balakov passe non-stop nos nossos YouTube e que o Liedson parte e volte a partir os rins ao capitão do nosso adversário.

Como já o disse noutros textos, não conto ser campeão este ano. Mas, como bom Sportinguista que tento ser, a esperança e a crença por vezes traem o raciocínio e acalentam este sonho de voltar a ver Alvalade cheio e a festejar, assim como milhões de portugueses. E uma vitória aproxima esse sonho…

Domingo – ou hoje – que estejam onze leões em campo e milhares nas bancadas, todos juntos para mostrar, de uma vez por todas, que estamos de volta. Não somos piores ou melhores que ninguém… Mas somos diferentes, nós somos  o Sporting Clube de Portugal.

Foto de capa: Foto: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

O que mudou com o mercado de inverno?

futebol nacional cabeçalho

Terminado o período aberto a transferências, é importante fazer um balanço e tentar antever quais os ganhos e as perdas dos clubes da Primeira Liga.

Existiram várias estratégias de mercado, desde equipas que se limitaram a dispensar jogadores pouco utilizados e a equilibrar o plantel com alguns elementos de qualidade, a clubes que perderam alguns dos seus principais ativos e que tentaram colmatar essas baixas da melhor forma possível.  Este foi o caso, por exemplo, do Vitória de Guimarães, que perdeu dois jogadores que eram bastante influentes na manobra da equipa: Hernâni e Adama Traoré. O lateral esquerdo voou até Basileia, onde vai ser treinado por Paulo Sousa, e Hernâni foi contratado pelo FC Porto no último dia do mercado, por mais de quatro milhões de euros. Este negócio envolveu ainda as idas de Ivo Rodrigues, Otávio e Sami para o D. Afonso Henriques. A nível financeiro, o negócio é excelente para os vimaranenses. Penso que apenas peca por nenhum dos jogadores cedidos pelo FC Porto ser um lateral esquerdo, posição onde a equipa de Rui Vitória ficou claramente deficitária. Olhando para este Vitória, há ainda um reforço que pegou de estaca: Ricardo Valente, vindo do Leixões, e que já marcou dois golos em cinco jogos disputados.

Rui Vitória perdeu Hernâni, a principal arma ofensiva que tinha na equipa. Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube
Rui Vitória perdeu Hernâni, a principal arma ofensiva que tinha na equipa
Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube

Mas existem mais equipas que saem, quanto a mim, penalizadas nesta janela de transferências. O Estoril perdeu Kuca para o campeonato turco, e Tijane, jogador contratado para essa posição, não parece ter capacidade para se afirmar desde já no plantel às ordens de José Couceiro. Já o Marítimo perdeu a sua grande referência ofensiva, Maazou, e contratou para o seu lugar Moussa Marega, um jogador desconhecido do nosso campeonato e que terá a difícil tarefa de fazer esquecer o nigerino, que marcou 11 golos na primeira metade da temporada. Em Moreira de Cónegos, os adeptos também devem estar a lamentar as perdas de Filipe Melo e Vítor Gomes, jogadores fundamentais para o técnico Miguel Leal. Os dois médios emigraram e deixaram algum vazio no meio campo do Moreirense, onde parece que Lucas Souza, médio vindo do Parma e que já alinhou no Olhanense, terá capacidade para confirmar os bons apontamentos que deixou enquanto jogou nos algarvios.

Em Belém também se verificaram várias mudanças. As saídas de Fredy, para Angola, e Deyverson, para os alemães do Colónia, foram penosas para Lito Vidigal, mas este pôde contar com alguns reforços que podem ser importantes, como o central Tikito, o sobejamente conhecido Carlos Martins e ainda Rui Fonte, avançado emprestado pelo Benfica. O Paços de Ferreira também teve um mercado com boas e más notícias. Pelo lado positivo, as chegadas de Ruben Pinto, Fábio Cardoso e Diogo Rosado, jovens que vêm transmitir algum sangue novo à turma de Paulo Fonseca; pelo lado negativo, a saída de Urreta para o Peñarol. O uruguaio estava a ser dos melhores elementos pacenses até agora.

Para além dos reforços, os sadinos também tiveram um novo treinador, Bruno Ribeiro Fonte: Facebook Vitória Futebol Clube
Para além dos reforços, os sadinos também tiveram um novo treinador, Bruno Ribeiro
Fonte: Facebook Vitória Futebol Clube

Mas como o mercado não dá apenas más notícias, existem clubes que podem encarar o futuro com mais confiança, depois da aquisição de reforços bastante importantes e que vão encaixar facilmente. O Vitória de Setúbal, por exemplo, parece ter ganhado uma nova alma. Além da mudança de treinador, com a entrada de Bruno Ribeiro para o lugar de Domingos Paciência, os sadinos reforçaram o seu plantel com Suk, Rambé e Joao Rodriguez, três pontas de lança, e Ulises Dávila, médio ofensivo cedido pelo Chelsea. Os verde e brancos, que acabaram de se apurar para as meias finais da Taça da Liga, podem olhar assim para o que resta da temporada com mais confiança, depois de um mês de janeiro proveitoso, quer em termos de reforços, quer em termos de resultados desportivos. Mais duas equipas que não se podem queixar são o Nacional da Madeira e o Arouca. Os madeirenses ficaram mais fortes após as chegadas de três médios: Luís Aurélio, que se juntou ao seu irmão gémeo João, o brasileiro Chrystian e Tiago Rodrigues, que vem emprestado pelo FC Porto. Já a equipa orientada por Pedro Emanuel foi buscar quatro jogadores às equipas “bês”: Hugo Basto veio a título definitivo do SC Braga, Kayembe, Fokobo e Iuri Medeiros vieram a título de empréstimo. O primeiro tem contrato com o FC Porto, os últimos dois vieram de Alvalade.

As equipas que estão na luta pela manutenção tiveram mesmo de reforçar os seus plantéis. Na Académica destacam-se as chegadas de Ricardo Esgaio e Salim Cissé, dois atletas cedidos pelo Sporting e que poderão dar uma importante ajuda ao treinador Paulo Sérgio. O Boavista reforçou-se com o conhecido Marek Cech e Aaron Appindangoye, central gabonês que participou nesta CAN. O Gil Vicente, que tinha um centro da defesa deplorável, parece estar mais fortalecido com as chegadas de Cadú e Markus Berger, dois jogadores experientes, que vão combater pelo técnico José Mota na segunda metade da época. Ruben Ribeiro, médio vindo de Paços de Ferreira, e o avançado Yazalde também parecem ser reforços importantes. Em Penafiel, Rui Quinta também deve ter ficado contente com as chegadas de jogadores experientes como o central Tiago Valente ou o médio ofensivo Bruno Braga, que foi muito importante no Rio Ave da época passada.

Rio Ave e Sporting de Braga tiveram mercados calmos, com Pape Sow a ser o único reforço vilacondense e Dolly Menga e Pedro Monteiro os reforços bracarenses. Quanto a saídas, estes clubes limitaram-se a dispensar elementos que não eram primeiras escolhas.

Vamos ver o que nos reserva a segunda metade da época, mas com a certeza de que as equipas que estão pior classificadas têm agora melhores soluções. Assim, esperemos que o campeonato fique mais equilibrado e que proporcione melhores e mais emotivos espetáculos  até à última jornada, no mês de maio.

Foto de capa: Facebook da Associação Académica de Coimbra/OAF

Começa a temporada na terra batida latino-americana

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cab ténis

Após o magnífico desempenho no Australian Open, onde conquistou o seu quinto título – oitavo, em número de Grand Slams –, o sérvio Novak Djokovic vai tentar manter sua hegemonia no cenário do desporto, desta vez na superfície em que menos títulos possui: a terra batida.

Tentando conquistar o Grand Slam Career – a conquista dos quatro títulos dos torneios Majors, inclusos além do Australian Open: Wimbledon, US Open e Roland Garros – da mesma maneira que seus rivais diretos, o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal, Djokovic luta aparentemente sem adversários à altura, nos últimos tempos.

Quase cinco mil pontos à frente do suíço e oito mil do espanhol, o sérvio navega em velocidade de cruzeiro em relação ao ranking mundial, numa performance admirável e praticamente inédita, num cenário onde os adversários possuem tão alto nível. A única “desculpa” possível é a contusão que retirou Nadal das quadras no final da temporada passada.

A conquista da América

Djokovic não costuma participar nos torneios de São Paulo, Rio, Viña del Mar, Buenos Aires ou Acapulco. Tão pouco Roger Federer. O saibro fofo e lento das terras além mar são um território quase exclusivo daquele considerado o maior de todos, nesta superfície. Em todas as oportunidades em que participou nos eventos, Nadal fez a final ou venceu, em terras luso-hispânicas.

Rafael Nadal
Rafael Nadal é o 3.º no ranking ATP

O dono de 14 Grand Slams vai disputar o Rio Open 500 e o Buenos Aires 250, tentando voltar à velha forma que já o levou a quase 150 semanas como o melhor tenista do mundo. Os seus problemas físicos vêm afastando-o do topo do ranking, e uma aposta no seu futuro nas quadras pode levar o fã a ter palpitações tão grandes quanto as daquele que confere os resultados euromilhões.

Tudo pode acontecer! Potencial não falta ao grande campeão, mas Djokovic, pai fresco do pequeno bebé Stefan, já deixou bem claro que a sua meta é vencer em Roland Garros, ápice da temporada em terra batida. A briga vai ser acirrada, e os fãs do ténis só terão a ganhar com a disputa.

É disto que são feitos os campeões

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cab futebol feminino

A fase regular do campeonato de futebol feminino chegou ao fim e já estão encontradas as quatro equipas que disputarão o título de campeão nacional: Atlético Ouriense, Clube Futebol Benfica, Valadares Gaia e Fundação Laura Santos foram as formações portuguesas que demonstraram ter capacidade para alcançar a derradeira fase.

Últimos ajustes (de contas)

Com as equipas que iriam passar à fase de apuramento do campeão praticamente definidas (à excepção do 4.º lugar, que podia sofrer alterações consoante os resultados do fim-de-semana), pode dizer-se que na última jornada se fizeram os últimos ajustes na tabela classificativa.

O Cesarense, com apenas 1 ponto alcançado ao longo do campeonato, recebeu o A-dos-Francos, numa partida em que estavam em jogo objectivos completamente diferentes. Enquanto a equipa da casa tentou mostrar argumentos que explicassem o porquê de estar na 1.ª Divisão, a formação das Caldas da Rainha tentou manter vivo o sonho de alcançar o 4.º lugar e, consequentemente, o acesso à fase final do campeonato.

Mas como nem sempre a vida corre como queremos (e tão bom que era!), apesar da vitória do A-dos-Francos por uns esclarecedores 0-6, os seis tentos apontados não chegaram para subir uma posição na tabela, uma vez que a Fundação Laura Santos e o Valadares Gaia (já apurado para a próxima fase) fixaram o resultado final do seu jogo em 1-1, permitindo este desfecho a manutenção do 4.º lugar por parte da Fundação. O A-dos-Francos e a Fundação terminaram assim o campeonato com os mesmos pontos (28), sendo o confronto directo a ditar o afastamento do A-dos-Francos da luta pelo título de campeão.

Quanto aos embates entre Leixões e Clube de Albergaria (0-6) e Boavista e Vilaverdense (2-3), serviram para as quatro equipas tentarem amealhar alguns pontos que podem vir a ser cruciais na fase da despromoção ao escalão inferior, tendo em conta que as formações iniciarão essa etapa com metade dos pontos obtidos na fase regular (o mesmo acontece na fase de apuramento do campeão).

Por fim mas não menos importante (muito pelo contrário), o Ouriense recebeu aquela que se tem revelado como a equipa que irá tentar fazer a vida negra às actuais campeãs nacionais. Com apenas 1 ponto a separá-las, a formação de Ourém e o Clube Futebol Benfica deixaram tudo em campo com o objectivo de definir quem conseguiria terminar a fase regular em primeiro lugar mas, acima de tudo, com o objectivo de honrar a camisola que vestiam. O golo acabou por surgir para a equipa da casa, empurrando o Clube Futebol Benfica para o 2º lugar da classificação.

O Atlético Ouriense terminou a primeira fase do campeonato com 42 pontos, 48 golos marcados e apenas 13 sofridos. Fonte: Futebol Feminino Portugal
O Atlético Ouriense terminou a primeira fase da liga com 42 pontos, 48 golos marcados e apenas 13 sofridos
Fonte: Futebol Feminino Portugal

Segunda ronda, o mesmo duelo

Não é segredo que estas são, sem dúvida, as duas equipas favoritas à vitória do campeonato. Para além de um desempenho regular, apresentam plantéis completos a nível de qualidade defensiva e ofensiva, nos quais podemos encontrar algumas jogadoras que já têm feito a diferença na Selecção Nacional.

Relativamente à Selecção A, para os jogos de preparação da Algarve Cup com a Suíça agendados para este mês, o seleccionador português convocou, do lado do Ouriense, a defesa central Filipa Rodrigues e, do lado do Fófó, a defesa Matilde Fidalgo e a centro campista Patrícia Gouveia. As duas defesas têm respectivamente 21 e 20 anos, e têm tido a oportunidade de actuar ao lado de jogadoras mais experientes como é o caso de Edite Fernandes. Tiveram um percurso semelhante, começando por fazer parte das camadas mais jovens da selecção, e conseguiram progredir até alcançar o lugar que todas as jogadoras desejam ter. Uma nota especial para Matilde Fidalgo, que, para mim, é o exemplo de que a força de vontade e o árduo trabalho são pontos-chave em qualquer jogador(a) que ambicione chegar às grandes competições internacionais. Relativamente a Patrícia Gouveia, trocou há duas épocas o 1.º de Dezembro pelo Clube Futebol Benfica e tem sido uma aposta forte de Pedro Bouças. Boa qualidade técnica e boa visão de jogo são algumas das virtudes que a caracterizam como jogadora.

Foto de Capa: OVilaverdense.com