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Está apresentado o novo Estoril Open. Os detalhes ficam para mais tarde

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cab ténis

Foi apresentada na tarde de Quinta-Feira a nova edição do Millenium Estoril Open, agora promovida pela U.COM, a Benno Van Veggel e a Polaris Sports, do empresário Jorge Mendes. A passagem para o Clube Ténis do Estoril e as sessões nocturnas foram as maiores novidades da conferência de imprensa de apresentação, que não revelou grandes detalhes.

Os novos promotores do Estoril Open têm-se fechado em copas e nem ontem abriram demasiado o jogo. O torneio, que pela primeira vez se irá jogar no Estoril, foi descrito pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, como “o regresso do filho que esteve emigrado desde a nascença”, revelando ainda que fez questão de receber João Lagos para trocar algumas impressões antes da apresentação deste novo evento.

Isto porque o novo director do torneio, João Zilhão, foi vice-director do Estoril Open promovido pela Lagos Sport até ao ano de 2012. Na apresentação, onde o Bola na Rede esteve presente, estiveram ainda, para além do presidente da autarquia e do director do torneio, o Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Emídio Guerreiro, um representante do Millenium BCP, David Massey, um vice-presidente do circuito mundial e ainda o ex-presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, que é presidente do Clube Ténis do Estoril.

O CT Estoril irá assim receber o Millenium Estoril Open para “enorme satisfação do clube”, dizendo ainda Soares-Franco que “mais importante do que as vedetas é o facto de o torneio ter avançado”. João Sousa, que passou também a ser patrocinado pelo Millenium, num “pacote” composto pela Polaris, que agencia também o tenista, é para já o único nome confirmado, sendo que até 13 de Março serão conhecidos outros nomes, onde se devem incluir tenistas de renome bem como jovens que estão a despontar no circuito mundial, segundo disse João Zilhão.

A maior novidade é a existência de sessões nocturnas, na Quarta, Quinta e Sexta-Feira, com jogos a partir das 19h, num court central que será mais pequeno, com pouco mais de 3500 lugares e onde as primeiras filas estarão disponíveis para o público em geral, tendo em conta que os camarotes serão deslocados. Um dos maiores problemas é o estacionamento, mas a autarquia de Cascais está já a trabalhar na criação de lugares que darão depois acesso ao local do evento através de “shuttles”.

João Zilhão não quis revelar o orçamento total do evento, nem se será mais dispendioso ou não do que a versão anterior do Estoril/Portugal Open, adiantando apenas que terá um prize-money de 430 mil euros.

Para breve será agendada mais uma conferência de imprensa por parte da organização, onde se espera que sejam conhecidos mais detalhes acerca do evento que irá decorrer entre 25 de Abril e 3 de Maio no Clube Ténis do Estoril.

O novo Millenium Estoril Open está lançado, embora ninguém soubesse responder se era ou não a continuação do anterior.

Fotografia de Miguel Dias

Muito mais do que um jogo

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Terceiro Anel
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015:

Acordar normal por volta das 10 horas da manhã, temperatura exterior bastante reduzida. O meu primeiro impulso será o de espreitar as capas dos diários desportivos, assim como analisar todas as notícias e artigos referentes ao apaixonante Sporting vs Benfica que aí vem. Depois, o inevitável acontecerá: visualização de antigos derbies que correram bem ao maior de Portugal, com particular ênfase no celebérrimo 3-6 de 1993/1994. Ao longo de todo o dia irei pensar sobre o clássico, irei falar sobre o jogo com amigos e amigas, irei “picar” sportinguistas, irei ser “picado”. O meu pai refilará com o facto de eu não me calar com o mesmo assunto; a minha mãe não prestará atenção às minhas conversas sobre a temática; cada vez ficarei mais entusiasmado, mas também tenso. Contudo, e como se estará a dois dias do desafio, ainda terei um comportamento minimamente aceitável em sociedade, conseguindo abstrair-me de mais uma ida a Alvalade quando tiver que me abstrair.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2015:

Voltarei a sair da cama que nem uma mola para ver aquilo que os sites desportivos têm para mostrar sobre o Sporting vs Benfica. Já durante a tarde começarão os períodos em que me tornarei insuportável, não conseguindo ter outro tema de conversa para além deste tão apetecível jogo. Perguntarei a inúmeros benfiquistas se acham que o nosso artista Nico Gaitán irá estar à disposição de Jorge Jesus, recordarei vários derbies que ficaram na história em tertúlias, optarei por não provocar os sportinguistas, ouvirei pacientemente diversas teorias sobre a alegadamente injusta liderança do Benfica no campeonato. Andarei pelos cantos a cantarolar músicas ligadas ao campeão nacional, serei chamado à atenção por mais do que uma pessoa por estar a leste de tudo, começarei a pensar naquilo que poderá acontecer se o Benfica vier a perder a partida. Deitar-me-ei depois de visualizar mais uma mão cheia de vídeos e de rever todo o Sporting 1-4 Benfica de 1997/1998. Demorarei cerca de 38 minutos a adormecer, sendo que mentalmente farei uma retrospectiva de todos os Sporting vs Benfica a contar para o campeonato desde a temporada 1990/1991.

Domingo, 8 de Fevereiro de 2015

Acordarei cedo, muito mais cedo do que é habitual. Logo aí, nesse momento, estarei contraído, ausente, nervoso, impaciente, irritante. Devido à minha obrigatória presença num evento que irá decorrer aqui na minha linda localidade, não poderei estar permanentemente ligado à Internet e aos canais televisivos informativos. Mas em contrapartida entrarei em cafés de 10 em 10 minutos, irei discretamente a casa para me concentrar ainda mais no jogo, ligarei a amigos meus que estarão no estádio para assistir ao vivo ao clássico, reunirei com benfiquistas para desabafar e para dar conta do meu estado de alma, tentarei não puxar pelo assunto junto da ala sportinguista, rir-me-ei forçadamente de piadas que nada têm a ver com o derbie.

A partir das 18 horas…entrarei noutro mundo! Não haverá chamadas telefónicas, não haverá mensagens, não haverá recados, não haverá voltas sem sentido na rua, não haverá sociabilização normal. Só pensarei no onze inicial do Benfica; para ganhar confiança verei pela 108ª vez os golos do Sporting 1-3 Benfica de 2012/2013, acompanharei o trajecto das claques do meu clube de sonho, vaguearei pelas redes sociais em busca de uma ou outra frase encorajadora; as minhas mãos começarão a tremer.

Golo do Benfica em jogo contra o Sporting = coisa sublime; Fonte: facebook do Sport Lisboa e Benfica
Golo do Benfica em jogo contra o Sporting = coisa sublime;
Fonte: facebook do Sport Lisboa e Benfica

20 horas, início do Sporting vs Benfica, Portugal em suspenso. João Rodrigues completamente petrificado em frente ao televisor, sem desviar o olhar da transmissão durante mais do que um segundo. Suores frios, levantar fácil da cadeira, reacção enérgica à menor coisa, palavrões, palavras de incentivo, desespero, entusiasmo, mudança de personalidade. Sporting 1-2 Benfica será o resultado final, eu confio. Com o 0-2 a ser obtido aos 78 minutos eu ficarei mais aliviado, mais descontraído; já desviarei o olhar da transmissão de quando em vez, por períodos de entre dois a três segundos. Entre os 85 e os 94 minutos de jogo estarei em pé, esmurrarei uma parede, acompanharei as claques nos cânticos em voz baixa, ficarei em êxtase. O jogo terminará comigo a exclamar um “JÁ ESTÁ!” e a abrir as redes sociais para de pronto ver as primeiras reacções. Ligarei a amigos meus benfiquistas, irei a um café para me dar conta do ambiente no estabelecimento, lançarei uma ou outra farpa à comunidade sportinguista, estarei durante 47 minutos a pensar nos golos do Jonas e do Luisão. Beberei umas cervejas, aos poucos acalmar-me-ei, insistirei em cânticos, tentarei apanhar todos os programas televisivos que contenham o resumo da partida. Voltarei para casa todo feliz da vida, acordarei o meu pai só para o irritar e para lhe dizer o quanto gosto do Benfica, sentar-me-ei em frente ao computador completamente babado, terei um olhar tão irritante quando ridículo. Deitar-me-ei a olhar para o tecto, a fazer as contas da classificação, a pensar no quão belo é ser-se adepto do Sport Lisboa e Benfica.

Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2016

Durante vários momentos deste dia lembrar-me-ei da efeméride, do facto, da circunstância de ter passado um ano desde mais uma vitória (e que importante vitória) do Benfica em Alvalade.

Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2023

Numa noite gélida lá estarei eu junto à lareira com a minha família. Com o meu filho de 4 anos ao colo, não optarei por lhe cantar uma música de embalar, mas antes por lhe recordar como foi o meu dia 8 de Fevereiro de 2015, o dia em que o Benfica foi a Alvalade vencer o Sporting, o dia em que o Benfica arrancou de vez para o 34º título nacional, mais um dia da minha vida em que o Benfica me fez tão, mas tão feliz.

O Sporting vs Benfica é um jogo mágico, é o jogo das massas, é o jogo que paralisa o país, é o jogo que faz com que nada mais interesse durante 90 minutos. Se eu gosto de vencer o Sporting? É das coisas de que mais gosto na vida! Se me custa perder contra o Sporting? A sério, não estejam junto a mim depois de ocorrer uma situação dessas. Se estou assim tão convicto de que o Benfica vai derrotar o eterno rival por 2-1? Quero é que o maior de Portugal triunfe, nem que seja por meio a zero! Se acho que tudo aquilo que descrevi mais acima vai mesmo acontecer? À parte o jogo em si, que tem sempre nuances que são impossíveis de antever, sim…vou mesmo comportar-me daquela forma. Porque estamos a falar de um Sporting vs Benfica, o acontecimento que altera o comportamento de um comum mortal como eu…

Fim do mercado de Inverno: emprestar ou despejar?

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a norte de alvalade

O Sporting esteve bastante activo neste mercado de Inverno, especialmente do lado das vendas/dispensas/empréstimos, tendo adquirido apenas um jogador para colmatar a saída de Maurício.

Considerações/questões genéricas que resultam da observação do que foi agora efectuado

– Para um clube que assumidamente tem dificuldades financeiras, o Sporting tem os seus plantéis principais (equipa A, equipa B) sobredimensionados. Os plantéis deveriam estar articulados entre si e dispor de um número mínimo de jogadores, de forma a que estes pudessem jogar o maior número de vezes.

– A quantidade de jogadores que saíram da sua equipa B, 10 (!), é uma confissão tácita desse facto. Ora, se todos precisam de jogar para terem ritmo e emprestarem a devida competitividade, é precisamente neste escalão que essa necessidade é mais aguda.

– O plantel principal com 22 jogadores seria o ideal. Sobrariam, salvo lesões, quatro dos 18 habituais convocados, que poderiam jogar na B. A equipa B poderia até ser em número um pouco menor, atendendo a que jogadores júniores de último ano, ou mais evoluídos, poderiam constituir opção.

– O número de jogadores nos plantéis é crucial. A possibilidade de jogar com regularidade é um dos aspectos a ter em conta mas é também um factor que promove esperança e a ambição indispensável de melhorar e jogar ao mais alto nível. Plantéis extensos funcionam precisamente de forma inversa.

– O empréstimo de uma quantidade de jogadores tão significativa foi feita com um critério meramente economicista, na tentativa de aliviar a folha salarial, ou visando proporcionar aos jogadores envolvidos experiências profissionais enriquecedoras? Essa dúvida é justificada, se atendermos aos destinos dos jogadores. Jogar muito pode nem ser suficiente, se os jogadores não tiverem um treinador que os faça evoluir, corrigindo as imperfeições e ganhando novas competências.

– Que acompanhamento será feito dos jogadores que agora saem? Serão efectuadas observações directas e elaborados relatórios de todos os jogadores de forma a que se possa avaliar a sua evolução? Estamos a falar de um pesadelo logístico, atendendo a que essas observações terão que se estender desde Brentford, Londres, onde já jogava Betinho, passando agora por Bolton, nos arredores de Manchester, passando pela Holanda, onde está agora Wilson Eduardo, não esquecendo Chaby na Madeira.

 

Considerações especificas da Equipa B

– Os empréstimos de jogadores para o campeonato nacional de profissionais são difíceis de perceber a não ser como uma admissão da pouca confiança no valor do jogador, ou então como um vulgar castigo. Estão nestas condições Mama Baldé e o “famoso” Gazela (Jorge Santos), que, pelos vistos, não se deu bem com os ares da lezíria.

– Filipe Chaby foi dispensado para uma equipa do mesmo escalão que a equipa B. Contudo, atendendo às ambições do União,  tal não significa um passo ao lado. Até pode ser um passo em frente relativamente aos colegas que permaneceram na B ou saíram por empréstimo. O facto de o treinador ser Vítor Oliveira é importante, não tanto pela excelência das suas qualidades formativas, mas por se tratar de um treinador com um curriculum de sucesso a este nível,  podendo os jogadores encontrar aí um ambiente desinibidor, potenciando as suas melhores qualidades.

– Fokobo saiu para o Arouca, sendo duvidoso que possa tirar o lugar a Rui Sampaio. Muitas dúvidas no acerto da decisão.

– Iuri Medeiros seguiu o mesmo caminho, mas, como se pôde ver este fim-de-semana, Cayembe leva-lhe a dianteira nas preferências de Pedro Emanuel. Não há qualquer surpresa, atendendo ao trajecto do treinador e origem coincidente do jogador. Embora me pareça que a equipa ganha com a presença dos dois, ficam muitas dúvidas sobre a decisão.

– Cissé e Esgaio estão agora em Coimbra, uma equipa cuja direcção está longe de ser propriamente “Sporting friendly“. Considerações “políticas” à parte, uma vez que a questão técnica me parece ser mais relevante para os jogadores, parece uma boa oportunidade, embora não tenha qualquer esperança por Cissé. A situação da equipa na tabela classificativa será o principal factor contra. Paulo Sérgio não é propriamente um treinador modelo, é duvidosa a sua continuidade, mas tem valor suficiente para as necessidades.

– Enoh saiu para o Leixões sem deixar o mais pequeno laivo que justificasse a aquisição. Menos ainda quando se havia dispensado um ano antes um jogador que já pertencia aos nossos quadros, Flávio Silva, para agora se perder a disputa da sua aquisição com o SLB.

 

Considerações específicas da equipa A

– Sobre a venda de Maurício está tudo dito, bem como da chegada de Ewerton. A este nível, duas considerações: (i) ficamos melhor no que diz respeito à dupla titular e essa melhoria só não é mais favorável dado o curto período de utilização, o que pode ser pernicioso para um jogo com a responsabilidade da do próximo, o dérbi; (ii) ficamos, pelo menos temporariamente, mais vulneráveis, pelo menos enquanto Ewerton não puder dar o seu contributo. As qualidades de Sarr e agora também o ambiente pouco favorável em seu torno fazem dele mais uma ameaça do que um activo a considerar.

– O empréstimo de Wilson Eduardo ao Den Haag. Pode ser interessante para o jogador, até por questões económicas, mas em termos de evolução e aperfeiçoamento tem tudo para ser um desperdício, pelas diferenças de campeonatos. O pior é que um bom final de época pode criar a mesma ilusão que o jogador já havia suscitado.

– Quem tem Wilson Eduardo não deveria queimar recursos com Heldon. O jogador cabo-verdiano chegou há um ano por causa de uma muito habitual ilusão de óptica: ser bom no Marítimo está longe de significar ser bom no Sporting. O clube insular era então treinado por Pedro Martins, um treinador cujo futebol directo é bom para a velocidade de Heldon. Porém, nas vezes em que foi chamado, mostrou que, para contornar os muros defensivos, é preciso um pouco mais. Tem agora uma boa oportunidade no Córdoba, semelhante à que teve na Madeira, mas com foco muito maior.

– Slavchev entrou mudo e saiu calado, sem um minuto acumulado que fosse na I Liga e sem significar sequer alternativa na equipa B. É precisamente aí, com jogadores da mesma idade e até mais novos, que fica claro o risco da aposta em campeonatos de futebol emergentes como o búlgaro. Os tempos de Balakov e Stoichkov já estão para trás há muito e estes não vão ressuscitar por decreto. A ida para Bolton, da divisão secundária inglesa, é de acerto muito duvidoso, tendo em conta o futebol praticado e mesmo a qualidade geral dos treinadores ingleses. Só se compreende pelo facto de o valor do jogador permanecer uma incógnita, apesar de ser dos mais caros do plantel, e não haver por cá quem pague tanto por incógnitas.

Foto de capa: sporting.pt

Há decisões difíceis

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cab bundesliga liga alema

No Westfalenstadion, a catedral do Dortmund, ganhar ou perder costuma ser igual. Para as 80 mil vozes que esgotam o estádio jogo após jogo, o resultado importa pouco. É assim quando se tem adeptos tão especiais e com tanto amor ao clube. Mas ontem, após mais uma derrota, os adeptos não estavam lá para apoiar e bater palmas. Estiveram, durante o tempo de jogo. No final, as palmas deram lugar aos assobios, e os cânticos de apoio tornaram-se num pedido desesperado: “Queremos ver-vos a lutar!”, gritavam eles. Klopp, o treinador que recolocou o clube no lugar onde merece, não conteve as lágrimas. Os jogadores não tiveram medo e deram a cara; Weidenfeller e Hummels, os capitães, foram à bancada pedir calma e prometer que tudo se vai resolver. Mas vai mesmo?

“Hoje podem dizer o que quiserem de nós. Acusar-nos de tudo. Merecemo-lo, mas não vamos desistir”. Klopp deu razão aos adeptos, e os adeptos têm sempre razão. Ver jogar a equipa do Dortmund está a ser confrangedor. O cérebro tem paragens, a bola queima nos pés. Quando o golo não chega cedo, a paciência perde-se rápido. O treinador deixou de ser preciso, o que faz falta é um psicólogo. Hummels, Reus, recuperado da lesão, Gündogan, Sahin ou Aubameyang (todos no 11 que defrontou o Augsburgo) não desaprenderam. Mas as jornadas vão passando e o Borussia está em último. Daqui para a frente o objectivo é só um: assegurar a manutenção, custe o que custar.

A desilusão depois de mais uma derrota
Fonte: Facebook do B.Dortmund

Se os jogadores não desaprenderam, Klopp também não deixou de ser um génio de um momento para o outro. É um treinador com um carisma incrível e tem uma visão do jogo apaixonante e com a qual me identifico. A questão é que o problema deste Dortmund já não é futebolístico, é mental, e o técnico parece sem capacidade de reagir a este cenário negativo. A equipa não consegue ultrapassar a barreira psicológica que a impede de marcar golos, de ganhar jogos. Klopp faz parte da história do clube, mas o clube não pode ficar preso ao passado e arriscar uma descida de divisão depois de tudo o que foi conquistado nos últimos anos. E é por isso que, apesar de ser uma decisão difícil, é preciso tomá-la. Tuchel está sem clube.

Foto de Capa: Facebook do B.Dortmund

Top 10 Flops do Sporting CP desde 2002-03

Top 10 Flops do Sporting 

[tps_title]10.º Rodrigo Tiuí[/tps_title]

10.º Rodrigo Tiuí - Top 10 Flops do Sporting 
Fonte: ASF

Rodrigo Tiuí é aquele jogador que tem tanto jeito com a bola nos pés como eu tenho, ou seja, nenhum. Apesar disso, deu-nos uma Taça de Portugal e por isso fica apenas no 10.º lugar deste Top dos flops do Sporting.

O golo de uma vida

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internacional cabeçalho

São Paulo, 12 de Agosto de 1959

O Estádio estava cheio, como um ovo. O público gritava muito. Jogava-se uma partida entre o Juventus (este sim, masculino) e o Santos. O time da casa devia o seu nome aos congéneres italianos. Até porque o clube ainda existe: fica situado num bairro italiano de São Paulo, chamado Mooca. O placard mostrava o resultado de 0-3 para os santistas.

Contextualizados que estamos, podemos então dizer o que se passou, com algum grau de certeza. Ao que parece, o rei Pelé não estava a fazer uma grande exibição. O público da casa – reza a lenda – não costumava apupar nem provocar os jogadores adversários. Ainda para mais o king, que na época ainda não tinha construído a imagem de lenda que hoje ostenta (havia acabado de se sagrar campeão do mundo um ano antes, mas ainda era muito jovem). Só que naquela tarde, os adeptos do pequeno clube paulistano decidiram cortar com a tradição e começaram a zoar Edson Arantes do Nascimento. Só podia ter dado mau resultado. O rei pegou na bola, passou por um, dois, três de chapéu… e quando ficou sozinho com o guarda-redes, quando todos pensavam que ia desferir o golpe final, o santista ainda teve tempo para dar uma machadada na dúvida sobre quem é que ali era o melhor e conseguiu fazer passar o esférico sobre a cabeça do guarda-redes e fazer o 0-4 final.

Infelizmente, não houve qualquer registo televisivo do sucedido. Provavelmente os risos dos da casa transformaram-se em lágrimas e as bancadas aplaudiram de pé, durante largos momentos, o génio que ali havia descido para os brindar com a maior das maravilhas. Os próprios adversários felicitaram Pelé. É ele mesmo que diz que este foi o golo mais bonito da carreira – um homem que foi três vezes campeão do mundo e fez mais de mil tentos. A FIFA fez uma simulação do golo, através dos testemunhos do público e dos adversários. Melhor que escrever, só mesmo ver. Por isso é que Pelé era, é e será sempre o melhor de todos os tempos.

Foto de Capa: supercompressor.com

Olheiro BnR – Hassan

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olheiro bnr

Confrontado com a crescente cobiça em relação a Islam Slimani, diz-se que o Sporting estará já a tentar precaver a eventual saída do internacional argelino com a contratação de Hassan, ponta-de-lança egípcio que vai brilhando no ataque do Rio Ave e que, afinal, até tem características muito próximas de “Super-Slim”.

Essas parecenças, ainda assim, não significam que os pontas-de-lança do Rio Ave e do Sporting sejam semelhantes, sendo que o egípcio, pela suas características inatas e por ser mais jovem, tem mesmo todas as condições para vir a ser bem superior ao argelino.

Ascensão rápida no Rio Ave

Ahmed Hassan Mohamed Abdelmonem Mohamed Mahgoub, conhecido em Portugal simplesmente como Hassan e no seu Egipto natal como “Koka”, nasceu a 5 de Março de 1993, no Cairo, e começou a sua carreira no Al-Ahly, ainda que tenha chegado ao Rio Ave com apenas 18 anos.

Após uma temporada nos juniores do Rio Ave, Hassan foi promovido à equipa principal do emblema de Vila do Conde em 2012/13 e teve impacto imediato, somando nove golos em 24 jogos (14 como titular) nessa campanha.

Explosão depois de uma época menos feliz

Perante o impacto do jovem egípcio na sua estreia no futebol sénior, pensou-se que a temporada de 2013/14 seria a da afirmação absoluta de Hassan como um goleador já preparado para outros palcos, mas a verdade é que o avançado acabou por não viver uma época propriamente feliz, ficando-se por apenas seis golos em 36 jogos (28 como titular).

Nesse seguimento, o ansiado salto do internacional egípcio teve de ser adiado, mas, pelo que se tem visto ao longo de 2014/15, a espera de Hassan dificilmente será longa, uma vez que, em meia época, já leva 12 golos em 28 jogos (18 como titular), assumindo-se, aos 21 anos, como um dos melhores avançados da Liga Portuguesa.

Hassan marcou o primeiro golo europeu do Rio Ave Fonte: Facebook Oficial do Rio Ave
Hassan marcou o primeiro golo europeu do Rio Ave
Fonte: Facebook Oficial do Rio Ave

Um target man de referência

Com 1,91 metros e 80 quilos, Hassan é aquilo que os ingleses chamam target man, ou seja, um ponta-de-lança que está mais talhado para actuar fixo na área, funcionando como uma clara referência ofensiva por onde se orientam os seus companheiros de equipa.

Nesse seguimento, é inegável que existem muitos paralelismos com o sportinguista Islam Slimani, ainda que o egípcio perca um pouco em termos de agressividade e jogo de cabeça, capítulos do jogo em que o internacional argelino é superior.

Mais do que um mero finalizador

Por outro lado, Hassan é superior a Islam Slimani em termos técnicos, estando assim mais habilitado para participar activamente no jogo ofensivo, isto em contraponto com o que sucede com o argelino, que é essencialmente um finalizador e não tanto um jogador habilitado para tabelinhas ou combinações com os colegas de equipa.

Para além disso, esta maior qualidade técnica de Hassan também o torna mais efectivo na hora de finalizar com o seu pé direito, sendo inegável que o egípcio precisa de menos oportunidades para facturar e também mostra mais soluções para fazê-lo.

Em suma, é inegável que o Sporting tomará uma excelente decisão se optar por recrutar Hassan como o sucessor de “Super-Slim”, uma vez que o egípcio é superior ao argelino em aspectos que são mais dificilmente modificados com o trabalho, como a técnica individual, algo que não sucede com a sua menor agressividade e inferior jogo de cabeça, aspectos em que “Koka” tem elevada margem de progressão, tanto pelas suas características físicas ideais, como, também, por ter apenas 21 anos.

Foto de capa: Facebook Oficial do Rio Ave

Marítimo: Entre o melhor e o pior

futebol nacional cabeçalho

Concluídas as obras, o Marítimo tem de volta o seu estádio, o “Caldeirão” dos Barreiros, e bem precisa dele para tentar atingir os seus objetivos.

Os verde-rubros definiram como objetivo chegar ao quinto lugar, de apuramento para a Liga Europa. Neste momento, estão na décima segunda posição da tabela classificativa, a 10 pontos do quinto, o Sporting de Braga. Na minha opinião, muito dificilmente a equipa madeirense poderá conseguir atingir o seu objetivo na Liga. Sporting de Braga e Vitória de Guimarães têm, claramente, melhores argumentos que os maritimistas, já para não falar de outras equipas que também podem entrar nessa luta, como Rio Ave, Estoril, Belenenses, Paços de Ferreira, Nacional e Moreirense. O sexto lugar também poderá dar apuramento europeu, mas isso já é outra história que dependerá dos finalistas da Taça de Portugal.

O grande ponto fraco do Marítimo neste campeonato tem sido o seu desempenho desastroso fora de casa, onde, em dez jogos, perdeu sete. Apenas venceram o Gil Vicente e empataram com o Rio Ave e a Académica nas visitas ao continente. São números muito fracos e absolutamente inadmissíveis para um clube que queira qualificar-se para a Liga Europa. Apenas o lantena vermelha Gil Vicente, o Boavista e o V. Setúbal têm pior performance fora do seu estádio. Em jeito de curiosidade, a outra equipa madeirense, o Nacional, também já fez nove jogos fora de casa e perdeu seis. Percursos semelhantes e muito cinzentos dos ilhéus nas partidas disputadas em terreno alheio.

Para combater estes números, o Marítimo tem estado muito bem nos jogos disputados nos Barreiros. Sendo um campo tradicionalmente difícil para quem o visita, o Caldeirão valeu 19 dos 24 pontos que o Marítimo tem na sua conta por estes dias. A equipa orientada por Leonel Pontes, anteriormente adjunto de Paulo Bento no Sporting e na seleção, venceu seis dos nove jogos que disputou em casa. Nas visitas aos Barreiros, apenas o Benfica e o Moreirense venceram, tendo o Estoril empatado. Entre as vitórias caseiras do Marítimo esta época, penso que existem três que se destacam: a goleada (4-0) aplicada ao Vitória de Guimarães e as vitórias pela margem mínima (2-1 e 1-0) frente a SC Braga e FC Porto, respetivamente.

Nas taças, o Marítimo foi afastado nos “quartos” da Taça de Portugal pelo Nacional, após grandes penalidades, e está qualificado para as meias finais da Taça da Liga, onde voltará a receber o FC Porto.

Apresentados estes números, penso que é relevante abordar algumas questões relacionadas com o plantel. No que concerne à baliza, penso que Leonel Pontes tem vida facilitada, porque tem um jovem português de qualidade (José Sá) e um guardião experiente que gosta de dar nas vistas, principalmente nos jogos com os chamados “grandes” (Salin). Eu gosto mais do português, mas o francês tem merecido mais vezes a titularidade e a exibição frente aos “dragões” foi bastante boa, tendo feito algumas defesas decisivas para garantir a vitória da sua equipa. Na defesa, Patrick Bauer tem sido o elemento mais consistente. O central alemão formado no Estugarda apenas falhou uma partida do campeonato, tendo já conhecido três companheiros ao seu lado no eixo defensivo: Gegé, cabo-verdiano que esteve neste mês de janeiro na CAN, Kaj Ramsteijn e Raul Silva, brasileiro contratado nesta janela de mercado. Nas alas da defesa, João Diogo e Ruben Ferreira, dois madeirenses de gema, têm sido os donos dos lugares, tendo o experiente capitão Briguel, que nunca conheceu outro clube na carreira, como principal alternativa.

No meio campo, o Marítimo tem um jogador que foi vice-campeão do Mundo Sub 20 em 2011, esteve duas épocas nos juniores do Benfica e é um autêntico poço de força e um patrão na equipa madeirense: Danilo Pereira. No que se jogou da temporada até agora, só falhou dois jogos do campeonato e o Marítimo não venceu nenhum deles. Danilo é, no meu ponto de vista, o jogador mais influente da equipa e não me surpreenderá se sair num futuro próximo para um clube com outras ambições. É um jogador guerreiro, que luta até à última gota de suor, com grande capacidade física, qualidade no passe e no jogo aéreo. Nas outras posições do meio campo, existem cinco jogadores que têm jogado regularmente, o que permite que Leonel Pontes esteja à vontade para escolher, dado que não existe falta de ritmo entre estes elementos. Bruno Gallo e Fernando Ferreira são os atletas mais utilizados, mas Alex Soares, Theo Weeks e Fransérgio não se podem queixar de poucas oportunidades.

Danilo é o “pulmão” do Marítimo. Não deverá cá estar na próxima época… Fonte: Facebook da Estoril SAD
Danilo é o “pulmão” do Marítimo. Não deverá cá estar na próxima época…
Fonte: Facebook da Estoril SAD

O setor ofensivo é, neste momento, a grande incógnita, após a saída de Maazou, melhor marcador da equipa, para o futebol chinês. O atacante do Níger marcou 11 golos em 23 jogos, contando com todas as competições. Se olharmos apenas para o campeonato, Maazou tinha uma média de um golo a cada dois jogos disputados. São excelentes números para um ponta de lança que não joga nos chamados “grandes”. Além disso, alguns destes golos foram absolutamente decisivos. Por exemplo, Maazou marcou o golo decisivo na segunda jornada (receção à Académica), na terceira jornada (vitória em Barcelos), na receção ao Oriental na Taça de Portugal (marcou o golo no empate 1-1 que levou o jogo para grandes penalidades) e marcou o golo decisivo na última jornada da Taça da Liga, novamente em Barcelos, que permitiu aos madeirenses a qualificação para as meias finais da prova. A juntar a estes golos decisivos, destaco ainda as duas vezes em que Maazou bisou, mas em que o Marítimo perdeu, nas visitas a Paços de Ferreira e a Alvalade. Depois de uma época em que mostrou qualidades no Vitória de Guimarães, mas onde marcou apenas seis golos em mais de 30 partidas, o africano era a principal arma apontada por Leonel Pontes às balizas adversárias.

Para colmatar esta péssima notícia, foi contratado o francês Moussa Marega, vindo do Espérance, da Tunísia. É um dianteiro franco-congolês, que é desconhecido do público português e, em França, apenas jogou em escalões secundários. Marega vem juntar-se a Ebinho, Dyego Sousa, Micolta, Edgar Costa e Xavier, os outros elementos do setor ofensivo do clube. Este leque de opções parece-me claramente insuficiente para as ambições da equipa madeirense, que tem no seu ataque o seu setor mais fragilizado, depois da saída do seu “matador”.

O objetivo de chegar a um lugar europeu será bastante difícil de alcançar, principalmente depois deste mercado de transferências, que levou uma das figuras da equipa.

Foto de capa: fpf.pt

As pipocas e os assobios

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A 30 de outubro de 2014, aquando da conferência de imprensa de antevisão do FC Porto-Nacional, algo se destacava de forma mais acentuada do que Julen Lopetegui. Falo, se bem se recorda, de um uma curta e esclarecedora mensagem que a estrutura portista deixou à frente do técnico espanhol, e onde se lia a frase “Enquanto se canta, não se assobia”.

Na mente dos adeptos portistas estava ainda aquela que foi a primeira das três derrotas que a equipa somou nos trinta e dois jogos oficiais já disputados. Contra o Sporting, para a Taça de Portugal, a equipa de Julen Lopetegui havia perdido 1-3, num jogo marcado por vários erros defensivos inacreditáveis, por um penalti falhado por Jackson Martinez e por uma exibição de personalidade leonina em pleno Dragão. Com a eliminação da Taça, para os adeptos portistas, que haviam enchido o anfiteatro portista, ficava a frustração do primeiro desaire da temporada e da primeira exibição verdadeiramente aquém do esperado.

As vitórias frente a Atlético de Bilbau e Arouca, para a Liga dos Campeões e campeonato, não foram argumentos suficientes para que as dúvidas parassem de crescer em torno daquilo que Lopetegui conseguiria fazer com um plantel tão qualificado. Por isso, para a estrutura portista, naquela conferência de imprensa de antevisão ao duelo contra os madeirenses, tornava-se essencial dar “um murro na mesa” contra uma parte da plateia portista. A mensagem era clara e tinha como principal objetivo motivar os adeptos para o apoio constante à equipa.

Na última semana, num vídeo de promoção do FC Porto ao jogo contra o Paços de Ferreira, o departamento de comunicação portista colocava os dois intervenientes do vídeo a defender novamente a mensagem de que os adeptos não deveriam assobiar a equipa. Aliás, um dos protagonistas realçava inclusivamente que sabia assobiar, mas que não o iria fazer.

Bom, enquanto adepto e sobretudo enquanto analista de realidade portista, admito que não concordei com as duas mensagens do clube acerca desta temática. E digo isto porque, tal como acontece em tantas outras ocasiões, penso que o FC Porto acabou por “confundir a árvore com a floresta”. Sou sócio, com lugar anual, há catorze anos e ao longo deste período já perdi a conta às centenas de jogos a que assisti ao vivo no Estádio das Antas e no Dragão. Desde 2001, foram vários os títulos e as vitórias que festejei, as derrotas com que sofri e os momentos que jamais esquecerei. Aliás, tudo isso faz parte do “ser adepto”: lidar com vitórias, saber ultrapassar as derrotas e sobretudo nunca esquecer o verdadeiro sentimento do clube.

Adeptos  Fonte: Facebook do FC Porto
Os adeptos devem ou não assobiar?
Fonte: Facebook do FC Porto

Como detentor de lugar cativo no Dragão, não posso obviamente (tantos são os jogos a que assisto) deixar de olhar para o lado e perceber o adepto que tenho junto a mim já sofreu horrores pelo clube de que ambos gostamos. Apesar de todas as diferenças que possam existir entre nós, o importante é aquilo que nos traz ali frequentemente: o amor ao clube e a dedicação a algo que por vezes nos alegra, noutras nos desilude mas que, seja qual for o resultado, está sempre no nosso pensamento.

Contudo, o que é facto é que, ao longo dos últimos anos, não pude deixar de reparar que, na maioria dos jogos do FC Porto, são cada vez menos as pessoas que estão a junto a mim no Dragão. Acredito aliás que isso é notório para qualquer espetador, bastando para isso ver a redução no número médio de adeptos portistas no seu estádio. De uma média que rondava os 35000 adeptos até há bem poucos anos, hoje em dia é raro, num jogo de nível médio, como o que tivemos ontem contra o Paços de Ferreira, o Dragão ter mais de 30 mil nas bancadas.

Bem sei que a vida dos portugueses está muito complicada em virtude dos problemas financeiros que assolam o país nos últimos anos. Por isso, não é de estranhar que opções tenham de ser feitas quanto à forma como se gasta o dinheiro. Sendo o futebol apenas “a coisa mais importante das menos importantes da vida”, naturalmente nem sempre há disponibilidade para, época após época, reservar uma cadeira no Estádio do Dragão. Aliás, eu próprio tive de fazer um interregno de um ano sem lugar anual porque assim a vida o exigiu.

Todavia, não é para os adeptos com problemas monetários que falo, e acredito que também não fosse a esses que as mensagens do FC Porto se dirigissem. Enquanto adepto portista, eu viro a agulha para os “outros” adeptos: aqueles que só vão ao Dragão “quando o rei faz anos” ou, futebolisticamente falando, quando há jogo grande na Liga dos Campeões ou quando há clássico contra Sporting ou Benfica para o campeonato ou Taça de Portugal.

Carinhosamente, costumo chamar-lhes “adeptos das pipocas”. Talvez a designação não seja a melhor, mas confesso que a escolhi porque, quando me recordo deste tipo de adeptos, a imagem que me vem à cabeça é sempre a do balde de pipocas que estes compram antes do jogo e que apenas largam, durante os 90 minutos, para soltar um ou outro aplauso para o jogador de que mais gostam ou para um ou outro assobio quando não gostam de um lance.

Adeptos  Fonte: Facebook do FC Porto
Nos últimos dois anos, o Dragão teve uma média inferior a 30.000 adeptos por jogo
Fonte: Facebook do FC Porto

Não quero, com este texto, que pense que estou a fazer um juízo de valor a quem quer que seja. Aliás, essa não é a minha intenção porque, mesmo enquanto adepto, não sou ninguém para julgar quem quer que seja. Contudo, não é por isso que deixo de dar a minha opinião perante este tipo de adeptos que parecem ser cada vez mais frequentes no sítio de que tanto gosto, o Estádio do Dragão. Com tantos anos a acompanhar o clube, confesso que sinto alguma tristeza por este novo tipo de apoio, que vai e vem consoante os resultados. Aliás, bastaria que o FC Porto diminuísse a distância pontual para o Benfica ou chegasse mesmo ao primeiro lugar do campeonato para que os 25.000 do jogo contra o Paços de Ferreira se transformassem em 35.000 ou 40.000 no jogo contra o Sporting no início do mês de Março.

Por ter aprendido o que é “ser Porto” desde que me lembro é que fiquei triste por ver a mensagem que o clube deixou aos adeptos. Sobretudo, fiquei desiludido porque, na minha opinião, ser adepto significa criar uma relação de proximidade, como a de dois melhores amigos. E nessas relações de amizade, o que me ensinaram é que a infelicidade nos permite conhecer os verdadeiros amigos. No futebol acredito que o sentimento deva ser o mesmo. Não podemos aparecer apenas nos momentos bons e quando se ganha; há que estar sempre que possível junto da equipa, assim a vida nos permita. E esse apoio não tem de ser só com aplausos porque os assobios também devem servir para que a equipa cresça. Aliás, por que razão terei eu de aplaudir se acho que a equipa não está a honrar a camisola? Por isso é que ao longo destes catorze anos aplaudi em muitas ocasiões e assobiei em tantas outras. E isto porque, tal como em qualquer amizade, esta é uma relação que tem coisas boas e más. Mesmo que sejam cada vez menos aqueles que estão lá sempre. Esse foi o problema das mensagens do departamento de comunicação do FC Porto. O de “confundir a árvore com a floresta”.

Foto de Capa: Facebook do FC Porto

Pobre espectáculo, o dos ricos

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Durante as últimas duas semanas, falou-se de muita coisa em Inglaterra, mas entre o ruído ia sobressaindo um jogo da Premier League que se dizia poder ser decisivo para as contas do campeonato inglês: o Chelsea-City. É certo que, durante este período, ambos os clubes foram escandalosamente eliminados da FA Cup por equipas de escalões inferiores e existiram dois duelos entre os blues e o Liverpool, mas o duelo entre os dois primeiros classificados, separados por 5 pontos e com um fosso igual para o resto da tabela classificativa, era aquele que mais paixão gerava nas discussões futebolísticas um pouco por todo o mundo.

O título poderia ficar decidido ou relançado independentemente do resultado final – em caso de vitória, 8 pontos de vantagem seriam importante folga dos blues para o resto da temporada, mas, em caso de derrota, os 2 pontos de vantagem sobre City seriam distância demasiado curta para se encarar com demasiado optimismo o período referido… já um empate aproximaria, eventualmente, o United e o Southampton do eixo da frente, podendo estas equipas ficar a uma distância de 5 e 3 pontos, respectivamente, na melhor das hipóteses.

Porém, uma certeza parecia emergir deste duelo – teríamos espectáculo garantido. A Premier League oferece-nos jogos bastante entretidos, sejam eles encontros entre equipas do fundo da tabela ou ainda mais entre emblemas do topo da mesma.

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A agressividade e a desinspiração marcaram o Chelsea-City
Fonte: Facebook do Man City

Ora, sendo Chelsea e City duas equipas com plantéis alimentados por milhões de euros, orientadas por dois dos melhores treinadores do mundo (e um deles com uma notável vocação ofensiva, e um arsenal respeitável no que a esse aspecto diz respeito) e campeões recentes da prova, seria de esperar que demonstrassem em campo tudo o que o contexto lhes proporcionava.

Mas o que aconteceu foi precisamente o contrário. Um jogo lento, muitíssimo disputado a meio-campo, com um Chelsea extremamente resguardado e um Manchester City inoperante, ficando em evidência o enorme buraco no elo de ligação meio-campo-ataque em ambas as equipas, fruto das ausências de Fàbregas e Yaya Touré, maestros de ambos os conjuntos. O último está ao serviço da sua selecção, na CAN, e, apesar de não estar a assinar uma época fantástica, continua a ter enorme influência na manobra ofensiva dos citizens pela forma como arrasta o jogo ofensivo da equipa de trás para a frente; já quanto à influência do primeiro nos blues, basta ir aos factos para explicá-la: assinou mais assistências na época que corre do que qualquer um dos jogadores do Chelsea nas últimas duas temporadas inteiras.

A ausência de ambos os jogadores está na génese da explicação para o pobre espectáculo, mas, apesar de ser uma justificação factual, não se torna aceitável. Duas equipas que têm os cofres cheios de libras, que lideram aquela que é a liga de futebol mais rica do mundo e que também é considerada, por muitos, a liga mais espectacular do mundo, terão obrigação de ter um plantel com profundidade suficiente para não ficar evidente, da maneira que ficou, a ausência das suas figuras principais. Pobre espectáculo, o dos ricos.

Foto de Capa: Facebook do Man City