Início Site Página 11275

Força da Tática: A receção que dita e o “passe que fala”

O jogo de futebol é acima de tudo um jogo de decisões” – Castelo em “A Organização dinâmica de jogo”

Os tempos mudaram e o futebol mudou… Mudou porque as equipas estão cada vez melhores defensivamente, mais coesas, mais compactas, a oferecer menos espaço… Mudou porque a velocidade a que se joga é completamente diferente daquela que se jogava há dez anos… Mudou porque as influências são tantas que os treinadores estão cada vez mais preparados… Mudou porque as equipas com menos valor conseguem bater-se com adversários mais fortes… Mudou porque entrámos na era da estratégia, em que cada pormenor interessa (e muito!).

No futebol moderno, reina aquele que mostra mais inteligência e marca a diferença aquele que pensa e decide antes dos outros, aquele que antevê possíveis cenários. A qualidade no gesto não se relaciona com o fim do mesmo. O gesto deve ser sempre um meio para atingir um fim. O futebol rege-se pela capacidade de decisão de cada jogador. Dentro disso, a qualidade de cada ação deve ser avaliada de acordo com a perceção, intencionalidade, criatividade, decisão e execução.

Vítor Matos dizia na tertúlia Quarentena da Bola o seguinte: “O todo é sempre a soma das partes, mas as partes também estão no todo”, fazendo alusão à importância das individualidades e das suas ações durante o jogo. Apesar de o individual ser cada vez mais valorizado no futebol, nem sempre a avaliação que lhe fazemos é a mais correta. Ações como a receção ou o passe são muitas vezes deixadas de parte, em detrimento de um remate fora da área ou de um drible vistoso. Apesar de, na maioria das vezes, não serem esteticamente tão apreciáveis, têm uma importância inegável dentro da dinâmica do coletivo.

Além disso, a estatística, aquela que se foca nos números e não na qualidade (e que soma tantos amantes), oferece uma visão demasiado simplista do jogo. Logo o futebol, um desporto tão complexo! Xavi tem uma abordagem curiosa numa entrevista ao So Foot, onde fala sobre a importância que dá às estatísticas: “Faz-me rir ver todos esses GPS‘s que colocam nos nossos corpos. Quando olham para os dados, os analistas estatísticos dizem para eles próprios ’em 100 passes, 80 foram certos’. A sério? E como sabes que foram bons? Sabem como os contam? Para eles, é válido a partir do momento em que o jogador controla a bola que lhe enviei. Isto é um bom passe para o GPS. Sim, ele controlou a bola, mas está rodeado de quatro adversários. Então não, esse foi um mau passe. Um bom teria sido para outro lugar onde alguém estivesse livre de marcação. E o GPS não deteta isso”.

Pedro Bouças partilha da opinião de Xavi e refere que: “o bom jogo está completamente longe de poder ser interpretado ou quantificado por números que queiram trazer avaliações qualitativas. Porque não se pode quantificar a qualidade do que mais importa. As decisões!”. Por exemplo, o vídeo seguinte, produzido por Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo, explica bem o que um passe banal aos olhos da estatística causou na equipa adversária. Iniesta retarda o passe para atrair a equipa adversária e depois explorar o espaço central.

golo messi from RCB on Vimeo.

Vejo a receção como uma arte! Arte, porque é algo complexo (não de explicar, mas de executar), que envolve várias ações e timings dentro do próprio gesto técnico.

Primeiro que tudo, terá de haver um bom entendimento do jogo, pensar naquilo que vamos fazer antes do adversário, para ganhar tempo e espaço para a próxima ação, seja passe, drible ou remate.

Quando existe uma antecipação do contexto tanto a nível mental como a nível motor, o jogador está mais preparado para agir. Conseguir identificar o contexto em que está inserido através do olhar por cima do ombro, a tomada de decisão prévia, a orientação corporal e a técnica da receção são critérios importantes que ajudam a definir uma boa receção orientada.

Associo o futebol à rapidez. O importante é pensar rápido, executar rápido, procurar que a mente seja mais rápida do que as pernas” – Luís Figo em entrevista ao jornal A BOLA.

Claro que a orientação corporal de cada jogador (que tem muito a ver com a antecipação da ação) é fundamental para quem pretende ser rápido no aproveitamento do espaço ou no desenvolvimento da ação seguinte. Quando um jogador não está bem orientado, forçosamente terá um campo de visão menor, não analisando possíveis ângulos de pressão adversária e não tendo a perceção e identificação de todo o meio que o rodeia, consequentemente, a possibilidade de tomar a decisão mais acertada será menor. A colocação dos apoios (assunto cada vez mais falado nas análises de futebol) também é fundamental. Um jogador com os apoios paralelos perde a oportunidade do primeiro tempo de receção ser utilizado para uma ação em progressão. Normalmente, o correto será ter os apoios na diagonal para que o primeiro toque seja realizado com a parte interior do pé mais avançado em relação ao eixo do corpo e com progressão, o segundo toque serve para desenvolver a ação seguinte (drible, remate, passe …). Guardiola exemplifica e aborda a orientação corporal no vídeo seguinte a partir dos 47 segundos.

O futebol é tempo e espaço, mas o espaço tem um tempo” – Fernando Valente

Outro dos aspetos importantes é a capacidade de ajuste que o jogador tem ou não para sair de determinada pressão. Muitas vezes o jogador identifica o espaço antecipadamente, mas depois esse espaço é coberto e a linha de passe passa a não ser tão óbvia. A capacidade de o jogador ajustar e conseguir sair da pressão sem perder a posse é o que distingue o jogador mediano dos melhores.

O bom passe é aquele que fala”, a frase é da autoria de João Almeida Rosa, criador do blog 11 Médios e antigo redator no Bola na Rede e define de forma brilhante a arte de bem passar. Anteriormente, tinha referido que as estatísticas pouco interessam no mundo do futebol, não só por serem demasiado simplistas, como porque não evidenciam de forma correta o que se passa no campo. Por exemplo, se tivermos uma zona congestionada à nossa direita e tivermos espaço e condições para atacar à nossa esquerda, e passarmos a bola à direita, fazendo a bola chegar ao recetor, é óbvio que o nosso gesto não foi o melhor, mas segundo a estatística, o passe foi bem-sucedido.

Um dos atributos mais importantes num jogador é a intencionalidade que tem no seu agir. Numa fase em que as equipas estão cada vez mais confortáveis sem bola, importa desmontar linhas, chamar à pressão e aproveitar as costas, atrair de um lado e explorar o contrário, atrair no corredor central e explorar um dos corredores laterais… Todos os gestos têm de ter uma intenção subjacente. Só assim um coletivo terá mais possibilidades de criar dano ao adversário. É o reflexo das nossas ideias para o jogo. O passe é visto como um meio de controlo e manipulação do adversário. Guardiola realça esta mesma ideia quando diz: “We do not pass to move the ball, we pass to move the opponent”.

Bruno Fidalgo, ex-colaborador do site Lateral Esquerdo e atual analista da equipa do Vitória SC B, explica num artigo chamado “Intencionalidade do passe- Stones” este tipo de comportamentos:

A criatividade que um indivíduo como central tem que revelar é diferente daquela que tem que revelar um gajo que joga num setor mais avançado, mas é absolutamente imprescindível que dentro dos contextos surja, a originalidade na situação ou na solução. E essa é da responsabilidade de quem?! Dos jogadores, mas só se eles forem criados e treinados a ter que pensar, a ter que decidir, a ter que sentir, a tomada de decisão tem que ser deles. A tomada de decisão é em função de um propósito geral, portanto da intenção prévia que eles sabem que existe, mas no agir tendo em conta as circunstâncias. Resolvem melhor ou pior em função da habituação que têm e da capacidade de poder decidir, isto é escolher…, portanto, é absolutamente indispensável que se promova. Agora como diria Valdano “não há criatividade sem ordem”.” – Vítor Frade

O genial professor Vítor Frade exalta a importância da promoção da criatividade na tomada de decisão do jogador. Muitos são aqueles que relacionam a criatividade com um drible ou passe vistoso a sair de zonas de pressão. Também é! Mas criatividade no futebol, muitas vezes é aquilo que não nos desperta tanta atenção. O jogador criativo é aquele que simplifica as situações de jogo e torna os lances mais passíveis de serem bem-sucedidos pelos colegas de equipa. Por exemplo, Busquets é um jogador criativo? Um dos mais criativos do futebol atual!

“Para mim o médio centro tem que estar permanentemente em contacto com o jogo e sempre a antecipar situações que podem ocorrer. Digo sempre que os melhores jogadores táticos que conheci são Sergio Busquets e Philipp Lahm. Fazem tudo para conseguir alguma vantagem tática, sobretudo em decisões a curtas distâncias. Eles agarram na bola e dizem: “Vou fazer isto para que se passe isto”. Isso é inteligência e conhecimento de jogo”. Xabi Alonso

Qual é afinal o melhor passe? É o passe que orienta, ou seja, o passe que induz ao colega determinada ação. Na verdade, este sim, é o “passe que fala”. O passe que consegue dar indicações ou sugestões de um determinado espaço para explorar. Valdano refere numa entrevista que “ninguém na história do jogo fez do passe uma linha de comunicação como Xavi”. Que frase genial e com tanto de veracidade! Gosto de falar de jogadores como Aimar, Messi, Iniesta, Busquets ou Xavi, porque foram eles os principais responsáveis para que eu gostasse de futebol. Eram eles que faziam os outros jogar! Todos eles pensavam como um “10”! Porquê? Porque em posse interpretavam o jogo sempre em busca da melhor solução, sempre em busca de orientar a equipa para uma determinada jogada. O “passe que fala” é exatamente isto, é ser um dez em dez, por um “10”!

O talento é aquele que controla o que faz e o que os outros fazem” – Xavi em entrevista a So Foot.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Que jogos devo rever esta quarentena? Santos FC 4-5 CR Flamengo

Estávamos em 2011 e o Campeonato Brasileiro estava nesse ano, mais do que nunca, recheado de estrelas oriundas dos vários Estados do Brasil. O melhor campeonato do mundo fora da Europa estava num nível como raramente se tinha visto e os focos de interesse eram muitos.

O dia 27 de julho representaria o expoente máximo desses mesmos focos de interesse, particularmente no jogo entre o Santos Futebol Clube e o Clube de Regatas do Flamengo, a contar para a 12.ª jornada do campeonato. Este era um desafio que à partida já tinha tudo para ser excecional mas cujo guião ditou que ficaria marcado, até à data, como o melhor jogo do século XXI para muitos fãs.

Embora estas não fossem duas equipas de topo nesse ano, o conjunto de jogadores existente em cada um dos lados prometia que este seria um jogo merecedor da atenção de qualquer adepto de qualquer equipa do mundo. E embora uma equipa se constitua por todos os jogadores que a representam, havia, neste caso, especial foco para dois deles, um de cada lado. Na equipa da casa brilhava Neymar Jr., o menino de 19 anos que andava nas bocas do mundo pela qualidade técnica que demonstrava. Pelos visitantes atuava Ronaldinho Gaúcho, o mágico que com 31 anos continuava a espalhar classe pelos relvados de todo o mundo. Era um choque de gerações que, naquele dia, tinha tudo para correr bem.

O jogo começou e rapidamente se confirmaram todas as expetativas de espetáculo, quando aos cinco minutos Borges fez o primeiro da partida a contar para a equipa da casa. Passados poucos minutos, aos 16, o avançado brasileiro fazia o bis e colocava o placard nos 2-0. Embora o resultado fosse já desnivelado, a equipa forasteira continuava as suas investidas, e ao minuto 20, Deivid proporcionou uma das maiores falhas de sempre quando, quase em cima da linha de golo, conseguiu mandar a bola para fora. Era o desespero dos rubro-negros que passados apenas seis minutos viram Neymar Jr. colocar, de novo, a bola no fundo das redes, depois de um lance simplesmente genial que deixava todos de boca aberta.

O resultado parecia já quase irrecuperável e o que se seguiu não cabia na imaginação nem dos mais sonhadores. Ora veja.

Aos 28 minutos, depois de uma falha da defensiva do Santos, Ronaldinho fazia o golo de honra, devolvendo assim a esperança àqueles que tinham mais fé. Mas a questão mudou, quando decorridos apenas mais quatro minutos, o “mengão” fazia o 3-2, proveniente da cabeça de Thiago Neves. Como é percetível, este era um jogo que dava para tudo e não faltou também o momento caricato. Depois de uma grande penalidade cometida sobre Neymar, Elano tentava uma “panenka” que foi facilmente defendida pelo guarda-redes do CR Flamengo, que ainda teve a audácia de gozar com o seu companheiro de profissão.

O jogo prosseguiu e foi na entrada para o intervalo que veio a redenção de Deivid. Depois de um pontapé de canto batido pelo mago, o avançado aparecia ao primeiro poste e restabelecia e igualdade no marcador. Estavam decorridos os primeiros 45 minutos e havia já seis golos.

A segunda parte teria de ser jogada ao nível da primeira e nesta altura já tudo parecia possível. A única certeza era a de que haveriam mais golos e a confirmação chegou logo aos 51 minutos, outra vez através de Neymar Jr. e outra vez com grande nível. Depois de tirar um adversário da frente com apenas um toque, encarou o guarda-redes e com um “chapéu” colocou a bola no fundo da baliza. Era o Santos FC que estava de novo na liderança.

Mas os vermelhos e pretos não se deixariam ficar. E quem mais poderia ser senão o líder e capitão, o mago Ronaldinho, a voltar a trazer esperança à sua equipa? Foi assim que aos 68 minutos de jogo, com um livre cobrado por baixo da barreira, o craque brasileiro restabelecia a igualdade e abria as portas para o que se viria a passar minutos mais tarde. Foi aos 81′ que o próprio se encarregou de colocar a bola na baliza do Santos FC, fazendo assim o hat-trick, confirmando a cambalhota no marcador e o resultado final.

Sim, foram nove golos, uma recuperação fantástica, o bis do menino que estava a nascer no mundo do futebol (um dos golos que lhe valeu o Prémio Puskas desse ano), o hat-trick de um dos melhores jogadores de todos os tempos e a cambalhota no marcador que valeu ao CR Flamengo os três pontos nesse jogo. Houve de tudo e atire a primeira pedra quem não gostaria que os jogos fossem todos assim. Que jogo fantástico!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Bruno de Carvalho | O inocente que antes de o ser já o era

0

Quem segue os meus artigos de opinião sabe que sempre defendi que Bruno de Carvalho nunca seria condenado. Eu não percebo nada de Direito de qualquer tipo (talvez perceba só um pouquito), e muito menos de ciências da adivinhação, mas sei perfeitamente como funcionam os poderes neste retângulo à beira mar plantado.

Também sei que, quando alguém aparece e coloca em causa o poder e influência instalados, a primeira coisa a fazer é desacreditá-lo. E só depois dele estar bem debilitado então pode-se “assassiná-lo” sem que alguém se preocupe muito ou levante ondas. Afinal “era só um vagabundo, um drogado, um ladrão.”

Ora, e falando apenas de quem pertenceu a postos directivos dentro do clube, em poucas horas conseguiu inventar-se um caso “Cashball” e um caso Alcochete para fazer cair os que eram naquele momento os dois homens fortes do Sporting CP: Bruno de Carvalho e André Geraldes.

E veja-se bem, num país em que há casos como “Apitos Dourados” com escutas ou casos de e-mails a provar que existiu efectivamente corrupção, não servindo em nenhum dos casos para sequer acusar alguém, quanto mais destituir ou prender, aparecem dois casos no Sporting CP, nos quais não surge uma única prova direta e inequívoca que se pudesse imputar a nenhum dos dois dirigentes leoninos e que resultariam imediatamente em prisão para ambos.

E para que serviu a prisão de André Geraldes? Para mais nada senão enfraquecer Bruno de Carvalho e tentar que ele pudesse, de alguma forma, incriminar o “chefe”. Já Bruno de Carvalho, foi preso como mais um passo no processo de descredibilização e assassínio político.

Com tudo isto, e com tudo o que se imputou em praça pública ao ex-presidente do Sporting CP, o que ganhou ele? Fraco ladrão ele me saiu e mais ainda se comparado com o nível de ladroagem que se conhece nos vários quadrantes da vida empresarial em Portugal.

Mas então alguém ganhou com o caso Alcochete e “Cashball”? Bem, no caso “Cashball” ganharam os adversários mais diretos que já quase nem uma tacinha conseguiam ganhar (e está agora a resultar no desinvestimento nas modalidades). Já o caso Alcochete permitiu a ascensão de algumas pessoas que estavam na sombra. Ou acham normal que, um médico do clube, que nunca tinha tido qualquer intervenção diretiva ou politica, sem qualquer apoio aparente, apareça poucos dias após o caso Alcochete como candidato a umas eleições que ainda nem se sabia que iriam existir, e que foram só depois engendradas pelo bombeiro e outros (porque o bombeiro não sabia o que andava a fazer, uma vez que andava apenas a fazer o que lhe mandavam).

A CMTV não foi a maior culpada do que se passou. Serviu apenas de influenciadora da opinião pública para que os verdadeiros culpados tivessem via aberta para consolidar e finalizar o golpe.

Bem, a verdade é que o Sporting CP não ganhou grande coisa com a destituição da anterior direção e a eleição da atual. Claro que vão dizer que o Sporting CP está como está por culpa de Bruno de Carvalho, mas como não somos todos crianças e conseguimos perceber o trabalho que Bruno de Carvalho conseguiu fazer para salvar o clube numa época muito difícil da sua existência e conhecendo a capacidade do atual presidente, facilmente perceberemos quem tem o seu mérito. Bruno de Carvalho errou? Claro, mas não fez algo que justificasse todos os castigos que lhe foram infligidos. Se assim fosse, nenhum outro presidente poderia hoje ser sócio do clube, no mínimo.

E agora uma pergunta para os apoiantes de Varandas. O que raio foi fazer o presidente do Sporting CP, cujos olhos são tão marcantes que até os utentes do hospital das forças armadas, mesmo gazeados, o conseguiam conhecer (mesmo com a máscara), àquela entrevista na SIC? Ah já sei, foi para percebermos que ele tem bom gosto em decoração de interiores. E cortar o cabelo no barbeiro do hospital. Para isto podia ter usado o canal do clube (não para cortar o cabelo, se bem que daqui a pouco já nem para isso servirá a Sporting TV). Para que serviu? Que informação relevante saiu dali? Pelo menos já aprendeu com outros dirigentes a tentar mostrar o seu lado estadista.

Para se perceber a abrangência do golpe, só no Sporting CP os jogadores se poderiam associar a um golpe de estado para derrubar um presidente. Já não é de hoje. Há muitas décadas que temos, principalmente os jogadores que saem da formação e chegam à equipa principal, a pressionar presidentes para saírem, fazendo birras, enviando mensagens para jornais, e o diabo a quatro. Eles pensam que mandam no clube, secalhar mandam, a ver pelo que se passou.

Desde o início que se percebia que todas as acusações não serviriam para mais nada do que servir os interesses de quem lá está agora. E não falo só da direção, mas de todas as esferas de influência que voltaram a frequentar os corredores de Alvalade. E eles sabiam que não iriam conseguir incriminar Bruno de Carvalho, mas não era isso que eles queriam. O que eles queriam, conseguiram. Agora é esperar para ver até quando aguenta o Sporting CP.

Muitos dirão, “lá vem este malhar no mesmo”, “isto já é só chover no molhado”, mas para eu chegar ao nível de repetição que alguns órgãos de comunicação tiveram para dar força à culpabilização de Bruno de Carvalho, eu teria de escrever ainda durante muitos anos sobre este tema. Eles deviam era agora dar o mesmo tempo de antena a explicar porque razão o “pior cancro” do futebol português não vai ser incriminado. Isso já não interessa, porque quem tinha de comer a palha já encheu o bucho e muitos continuam a alimentar-se desse fardo. Não vale a pena contrariar. O que interessa é que fique aquele eco “O Bruno é culpado” em muitas cabeças vazias.

A culpa é do Bruno. Herança pesada.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Sporting CP | Os 10 melhores da década do futsal leonino

0

A situação pandémica porá fim ao exercício das modalidades diferenciadas de cada clube. O futsal, infelizmente, não constitui uma exceção à regra – frase que, habitualmente, se diz/escreve e se traduz numa incongruência porque a existência de uma regra dispensa exceções – e o adeus é antecipado premeditadamente. Tardes e noites na sua boa companhia terminaram. Partidas eletrizantes e caracterizadas pela indecisão no placard final não ocupam – até ao prólogo de próxima época – qualquer emissão por intermédio de um posto televisivo. A alegria e a fuga à monotonia do quotidiano encontram-se, momentaneamente, em suspenso para os amantes de futsal. Aguarde uns meses…

Suprimindo a opinião pessoal expressa, o que se supracitou podia ser matéria representativa de um vídeo promocional – rasca, se quiser – ou um anúncio do Secretário de Estado do Desporto. Dá para os dois lados, escolha um. Mas o que me trouxe aqui não se cinge à divulgação da triste notícia: pretendo, sim, discorrer uma lista dos dez melhores e mais influentes profissionais do futsal que envergaram a camisola rubra em Portugal. Inclui guarda-redes e refere-se à década que, erroneamente, dão por findada. Aqui vai! (Ah, sou obrigado a estabelecer uma ordem, não quer dizer que a tenha de levar a sério).

As mágoas afogam-se com comida. Se seguir as sugestões do livro da minha mãe que destaco, pode sair da quarentena com alguma sanidade mental.

«Saída do Benfica? Soube pela televisão. Não foi fácil» – Entrevista BnR com Quim

Personifica a figura de anti-herói do futebol contemporâneo: rejeita vedetismo, mostra-se avesso às redes sociais mas, apesar de parcimonioso na escolha de palavras, não deixou nada por dizer. Em 2017, tornou-se o jogador mais velho de sempre a competir na Primeira Liga ao serviço do Desportivo da Aves, clube onde atualmente desempenha as funções de treinador de guarda-redes. Sporting de Braga e Benfica completam o escasso rol de emblemas que representou, numa das mais extensas carreiras que o futebol português conhece. Em mais um exclusivo Bola na Rede, fomos à bola com Quim, um jogador à antiga.

– Ó tempo volta para trás –

“Jorge Jesus considerava que eu era baixo”

Bola na Rede [BnR]: Quim, obrigado por teres aceitado o nosso convite. Deixa-me começar esta entrevista por aquela que foi, provavelmente, a melhor opção da tua carreira: não teres substituído a inicial do teu nome por um “K”, quando te disseram que Joaquim não era nome de jogador.

Quim [Q]: (risos) Foi logo no início da minha carreira no Braga. Quando saí do Ruivanense para o SC Braga, ainda iniciado – tinha 14 anos quando lá cheguei -, o falecido treinador Orlando Sampaio perguntou-me o nome e respondi “Quim”; “Com “k” ou sem “k”?” e eu disse “Quim normal”.

BnR: Já voltaste a fazer uma corridinha desde a final do Jamor?

Q: Fiz, mas não foi nada de especial. Como comecei este ano a treinar os guarda-redes, vou fazendo algumas coisas. Após a final do Jamor, estive ligado ao dirigismo e, nesse período, não fiz nada. Estive um ano praticamente parado.

BnR: Sequelas das duas cãibras que tiveste durante o jogo?

Q: Em alguns jogos temos necessidade de parar o jogo, de cair no chão para acalmar a equipa… é uma estratégia de jogo e eu tinha muito isso: quando a equipa estava a ser muito sobrecarregada na defesa, tinha muitas iniciativas dessas. Não é bom para o futebol, reconheço, mas é bom para a minha equipa. Mas nesse jogo lembro-me que tive duas cãibras e não foi para passar tempo, foi mesmo porque era um jogo muito complicado, com muita carga emotiva e se calhar foi por aí.

BnR: O principal fator num guarda-redes continua a ser, a teu ver, a força mental?

Q: Sem dúvida. Enquanto treinador de guarda-redes, tento incutir isso no meu grupo de trabalho. Os treinadores de guarda-redes baseiam-se muito em aspetos que (…) há outras prioridades. Para mim, um dos principais focos tem que ser o psicológico. Ser guarda-redes não é fácil, é um lugar específico: é o último a ser batido e requer muita responsabilidade. Olhar para trás é o pior que podemos fazer; temos é de olhar em frente e trabalhar esse erro.

BnR: Manuel Cajuda dizia na semana passada ao Bola na Rede que foi o primeiro treinador a trazer a figura do psicólogo para o futebol português e, inicialmente, não foi algo bem-visto. És da opinião que faz sentido a inclusão de um psicólogo na equipa técnica?

Q: Sim, sou a favor disso. Vemos que, hoje em dia, as grandes equipas têm na sua estrutura um psicólogo que ajuda não só jogadores, mas staff também. Para além do Manuel Cajuda, recordo-me que o Scolari também trouxe um psicólogo que, a meu ver, ajudou muito a Seleção.

BnR: Era esta força que te fazia acordar e levantar da cama quando, em estágios, o Tiago te mandava ir apagar a luz do quarto?

Q: Isso são brincadeiras de estágios, entre amigos, que são importantes dentro de um balneário.

BnR: A camaradagem de outrora já lá vai ou resistiu ao tempo?

Q: Já lá vai. Sou do tempo em que não havia telemóveis nos balneários. Havia brincadeiras entre todos, não era só um ou outro; eram todos: estrangeiros, portugueses… era tudo diferente de hoje em dia. Atualmente entra-se num balneário e vê-se três ou quatro a conversar e o resto com os fones, ou no Instagram… os tempos são diferentes e prejudicam o ambiente de balneário. Antigamente, as brincadeiras ajudavam um grupo a criar laços importantes no futebol. Felizmente tive sempre grandes balneários. Muita gente fala da família do futebol e eu tive a felicidade da maior parte ser uma família. As tecnologias vieram tirar muito disto.

BnR: Que história de balneário nunca contaste publicamente?

Q: O que se passa lá dentro fica lá dentro. Tem de ser assim.

BnR: Porque é que, em mais de 20 anos de carreira, dizes que a transição de júnior para sénior foi a maior dificuldade que sentiste?

Q: Os tempos mudaram, não só nestas coisas da tecnologia nos balneários. Atualmente existem campeonato sub-23 e equipas B, que no meu tempo não havia. Na transição de júnior para sénior, estive praticamente três anos sem jogar. Essa altura é difícil para um jogador de futebol; felizmente tive a sorte de pensarem que podia ter qualidade para jogar na equipa principal e mantiveram-me nos plantéis, mas sei de jogadores do meu tempo que não tiveram essa oportunidade. Havendo equipas B e sub-23 seriam mais dois ou três anos para provarem que tinham qualidade para jogar na equipa principal. Quanta mais competição tivermos, melhor somos, porque treinar não é a mesma coisa que jogar.

Fonte: SC Braga

BnR: A questão da altura para guarda-redes também representou uma limitação?

Q: Toda a gente diz que um guarda-redes tem que ser alto. O Jorge Jesus, por exemplo, considerava que eu era baixo; para ele, um guarda-redes tinha de ter para cima de 1,90m. Fiz a carreira que fiz com 1,84m, do qual eu me orgulho e fui campeão pelo Benfica duas vezes, ganhei a Taça de Portugal pelo Aves… orgulho-me daquilo que fui. Mas também te digo: se me senti prejudicado? Se calhar senti. Sei perfeitamente que, cada vez mais, as estruturas das equipas têm nas camadas jovens métodos que anteriormente não tinham, têm maneiras de conseguir ver, aos 13 ou 14 anos, a altura que irão ter quando tiverem 18 ou 19 anos.

Hélder Cristóvão: «Todo o mérito é do Lage, tudo o que fiz já não conta»

0

Hélder Cristóvão voltou a lamentar a falta de reconhecimento pelo seu trabalho na equipa ‘B’ do SL Benfica. Foi na mais recente edição de Bola na Rede TV que reforçou as declarações ao jornal O Jogo, onde afirmava que “Bruno Lage tinha o trabalho feito quando voltou ao Benfica”, numa entrevista publicada a 24 de Dezembro e numa altura que procurava ainda um projecto aliciante para as suas ambições.

Quase cinco meses depois, já como treinador do Dunasjka Streda (terceiro classificado da Liga Eslovaca), Hélder foi convidado do BnRTV e não teve pejo em reclamar para si parte do sucesso na aposta do Seixal, de forma peremptória: “Não posso falar, se não pensam que estou a puxar a brasa à minha sardinha. Todo o mérito é do [Bruno] Lage e todo o trabalho que fiz nunca é valorizado. Mas João Félix, Renato Sanches, Nélson Semedo e Rúben Dias nunca enganaram”.

Hélder, que comandou a equipa ‘B’ dos encarnados de 2013 a 2018, teve a responsabilidade de consolidar as gerações de 1994 (Bernardo Silva, Victor Lindelof, João Cancelo ou Hélder Costa como exemplos) e ’95 (Rapahel Guzzo, Pedro Rebocho, João Nunes ou Rochinha) na II Liga e de introduzir ao profissionalismo as gerações de ’96 (Gonçalo Guedes, Hildeberto Pereira ou Romário Baldé), ’97 (Rúben Dias, João Carvalho, Renato Sanches, Ferro, Pêpê Rodrigues ou Diogo Gonçalves) , ’98 (Kalaica, Tiago Dias ou Diogo Mendes) e a de ’99 (Gedson Fernandes, Jota, Florentino Luís ou João Félix), esta última de grande relevância no título de campeão nacional em 2018-19.

Outros grandes nomes desenvolveram capacidades sob a sua orientação antes da subida à equipa principal: Oblak, Ederson ou Nélson Semedo, este que se fixou definitivamente na lateral direita durante a passagem pela equipa secundária, depois de ser contratado ao Sintrense pelas exibições como médio-centro.

Ao seu comando, os ‘B’s conquistaram 90 vitórias em 214 jogos, o suficiente para se manter sempre acima da linha-de-água na classificação final e alcançar o principal objectivo.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

As 5 jornadas-chave do FC Porto no pós-quarentena

0

Com a confirmação do regresso das competições, o FC Porto, atual líder do campeonato, com mais um ponto do que o segundo classificado, o SL Benfica, tem várias jornadas-chave pela frente para conseguir alcançar o tão desejado título de campeão nacional neste pós-quarentena.
Numa altura em que ainda não são conhecidos os estádios em que será permitido jogar, vamos apenas analisar cinco dos dez adversários, tendo em conta o histórico e prestação de cada um deles até ao momento.
Apesar das surpresas constantes e até mesmo desta adaptação à nova realidade, os clubes fazem contas à vida e todos querem atingir os seus objetivos.

5 jogadores que tiveram uma segunda oportunidade

0

Ao longo das várias edições que se foram realizando da Primeira Liga Portuguesa, muitos casos tivemos de jogadores que se destacaram ao serviço de clubes ditos “pequenos”, ou seja, que normalmente não lutam por títulos e que têm uma expressão de adeptos e mediática inferior a SL Benfica, FC Porto e Sporting CP.

Precisamente por terem este destaque – muitas vezes até em jogos onde as suas equipas não eram favoritas – despertaram o interesse não só dos “três” com mais poder económico e desportivo, mas também de clubes estrangeiros que não se importaram de bater as cláusulas e levá-los para os seus projetos.

Sem prejuízo para as suas qualidades, a verdade é que alguns deles nunca demonstraram no clube “grande” a qualidade que evidenciaram no habitat onde conseguiram atrair a sua cobiça. Por exemplo, o Rio Ave FC tem sido, ao longo do tempo, um clube onde alguns destes jogadores vêm para “ressuscitar” as suas carreiras ou para lançar as mesmas. Diego Lopes, Krovinovic, Kieszek, Ruben Semedo, Gelson Dala ou Galeno são alguns dos nomes, mas há mais.

Então, quais poderão ser as razões para o insucesso dos jogadores? Pressão acrescida? Não se esforçaram o suficiente? Falta de aposta por parte dos treinadores? Alteração tática para um modelo que não os favorece? Muitos fatores podem ser apontados, mas só podemos teorizar, não estamos lá a acompanhar os treinos. Aqui segue o “meu” top desta semana.

Newcastle United FC | O 11 do século XXI dos magpies

Ainda que esteja há algum tempo afastado dos grandes palcos, o Newcastle United FC não deixa de ser um dos maiores clubes do futebol inglês.

Contudo, o século XXI tem sido sinónimo de instabilidade para o histórico emblema do norte de Inglaterra, período no qual se contrastam presenças nas competições europeias com duas descidas de divisão.

Numa altura em que a compra do clube por parte do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita se encontra ao virar da esquina e vai deixando os adeptos dos magpies com água na boca pela possível construção de uma superequipa, na lista que se segue fica um “onze” constituído por alguns dos melhores jogadores que pisaram o relvado do Saint James’ Park nos últimos 20 anos.

GUARDA-REDES

Shay Given – Com 463 partidas entre os postes dos magpies ao longo de 12 anos, o guardião irlandês é o terceiro jogador da história do Newcastle com mais jogos realizados. Dotado de grandes reflexos, é muito acarinhado pelos adeptos do clube pelas suas excelentes e decisivas defesas que por várias vezes foram garante de pontos à formação inglesa.

Luís Maximiano | O sucessor de Vítor Damas?

Luís Maximiano cumpre a sua oitava temporada ao serviço do Sporting Clube de Portugal. Nesta época, o jovem guarda-redes leonino concretizou o sonho de se estrear com a camisola da equipa principal, tendo posteriormente assumido a titularidade. Até ao momento, Max soma 21 jogos na baliza dos leões, tendo ainda mais duas partidas ao serviço da equipa sub-23.

Max chegou ao Sporting CP com apenas 13 anos, proveniente do SC Braga. Antes de representar os bracarenses, vestiu a camisola do CD Celeirós e do FC Ferreirense. Na formação, o jovem guarda-redes sagrou-se campeão nacional em todos os escalões: iniciados, juvenis e juniores. Com a camisola das “Quinas” soma 21 internacionalizações pelas seleções jovens, tendo vencido o Euro Sub-17, em 2016.

Na época passada, Max trabalhou integrado com a equipa principal, embora jogasse na equipa sub-23. Na Liga Revelação disputou 18 jogos, tendo dado nas vistas por ter defendido perto de uma dezena de grandes penalidades.

Este ano, Max tem-se afirmado no onze leonino
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Luís Maximiano é um guarda-redes forte entre os postes, com segurança ora a sair aos cruzamentos, ora no um-contra-um rápido a sair aos pés dos adversários. Na atualidade, é fundamental que os guardiões tenham qualidade a jogar com os pés e esse é um dos aspectos nos quais, poderá ainda evoluir. Neste momento, discute a titularidade com Renan Ribeiro, no entanto deverá ser uma aposta com continuidade, para que possa tornar-se num grande guarda-redes.

Luís Maximiano tem um contrato válido até 2023 com o Sporting Clube de Portugal, tendo um valor de mercado fixado em 2,7 milhões de euros. O jovem guarda-redes leonino tem uma enorme margem de progressão, sendo um talento no qual se depositam enormes esperanças. À confiança da titularidade, tem correspondido com boas exibições seguras. Assim, Max poderá tornar-se uma referência no clube leonino pelo seu talento, esforço, dedicação e devoção. Poderá Luís Maximiano tornar-se no sucessor do histórico Vítor Damas?

Artigo revisto por Diogo Teixeira