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O Passado Também Chuta: Justin Fashanu, uma história de coragem

Normalmente, o futebol é uma forma de escapar aos nossos pensamentos. E quando é o próprio desporto a pressionar para negar o que pensamos? O inglês tinha tudo para percorrer um belo trajeto por equipas de alto gabarito na Premier League e na seleção dos três leões, mas tudo terminou de forma trágica. Acabou traído pela sociedade e só recentemente foi dado o devido valor à coragem de Justin Fashanu.

Percorreu os anos de formação no Norwich City e foi pelos canários que se estreou como sénior. Os 40 golos em 103 partidas não enganam ninguém, deixando a sua marca durante o período em que pisou o relvado de Carrow Road. De todos os momentos com a camisola amarela e verde, é de destacar o golo do, na altura, jovem ao Liverpool, que ainda hoje é lembrado pelos adeptos do clube.

Já com algum estatuto, Fashanu tornou-se o primeiro jogador britânico negro a custar um milhão de euros, e transferiu-se para o Nottingham Forest de Brian Clough. Depois do clube ter vencido duas Taças dos Campeões Europeus, este era o palco ideal para o talentoso atacante brilhar ao mais alto nível.

No entanto, este foi o início da queda do jogador. Depois de ter sido visto num bar homossexual, toda a Inglaterra viu Justin com outros olhos, os da discriminação. Começou a treinar à parte e saiu por empréstimo para o Southampton. Infelizmente, nunca mais teve a oportunidade de brilhar como havia feito no início da carreira, e passou por clubes de média/baixa expressão.

Alguns anos depois assumiu abertamente a sua orientação sexual, tornando-o o primeiro no mundo do futebol a fazê-lo. Em vez de ser um alívio, a corajosa declaração deitou a carreira profissional por água abaixo. O próprio admitiu que os colegas de trabalho o atormentavam com piadas e insultos todos os dias enquanto treinava.

Justin Fashanu decidiu terminar com a vida em 1998, com apenas 37 anos de idade. Recentemente, o inglês foi homenageado no Hall Of Fame do Museu Nacional do Futebol Inglês pela sua bravura e determinação de terminar com a homofobia que ainda afeta milhões em todo o mundo. Esta é uma história de um herói que não terminou da melhor forma, mas que continua a inspirar muitos outros.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Agarre quem puder: a luta pela última vaga para a Liga Europa

A dúvida sobre o acesso à Liga Europa surge inevitavelmente após a suspensão dos campeonatos portugueses de futebol devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus. Como sabemos, a resposta já chegou para os escalões de formação e até para todos os campeonatos seniores não profissionais (ou seja, até ao Campeonato de Portugal). No primeiro caso, optou-se pelo cancelamento total da temporada, não havendo lugar para campeões, subidas ou descidas.

Já no Campeonato de Portugal, apesar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ter dado como terminada a época (sem atribuição de títulos), a situação é ligeiramente diferente: nenhum clube vai descer às provas distritais, mas está ainda em discussão a possibilidade da realização de um play-off entre os dois primeiros classificados de cada série (num total de oito emblemas) para determinar as equipas que devem ascender à segunda liga.

Por outro lado, os dois campeonatos seniores profissionais portugueses – primeira e segunda liga – ainda não conhecem qualquer decisão quanto ao seu futuro. A hipótese de serem jogadas as dez jornadas restantes está ainda em cima da mesa, o que nos dá alguma esperança de assistir a aguerridas lutas nesta fase final da temporada. Não falo só da disputa pelo troféu de campeão entre o FC Porto e SL Benfica (separados por apenas um ponto na tabela classificativa) e da corrida pela manutenção, onde o Portimonense SC e o CD Aves suspiram por um “bote salva-vidas” que milagrosamente os mantenha à tona.

No principal escalão de futebol português, a classificação aquando a suspensão do campeonato deixou em aberto um combate interessante pelo quinto lugar, que poderá corresponder a uma vaga extra para as eliminatórias da Liga Europa. Vejamos: se a vitória na Taça de Portugal dá acesso a um lugar na segunda pré-eliminatória na Liga Europa, tendo em conta que a final de Jamor se vai disputar entre os atuais dois primeiros classificados do campeonato – FC Porto e Benfica -, que têm já o seu lugar praticamente garantido nas competições europeias, sobrará uma vaga.

Rio Ave FC, Vitória SC e FC Famalicão são os principais candidatos ao lugar disponível, já que se encontram na quinta, sexta e sétima posição, respetivamente, com os dois últimos em igualdade pontual e apenas a um ponto da equipa de Vila do Conde. Os rioavistas têm uma história ainda recente nas competições europeias: estrearam-se na época 2014/2015, depois de serem finalistas vencidos na final da Taça de Portugal da época anterior, ganha pelo também campeão nacional SL Benfica.

Já o emblema de Guimarães é “catedrático” nas provas europeias, tendo feito o seu primeiro jogo na temporada 1968/1969, na extinta Taça das Cidades com Feira. Até agora, são já 84 jogos disputados na Europa, com uma presença na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, na época 2007/2008, pelo meio.

O FC Famalicão, por seu lado, pode fazer a sua estreia absoluta em competições europeias, depois de regressar esta época ao principal escalão do futebol português, 25 anos depois. Os famalicenses têm até sido apontados como a equipa sensação do campeonato, muito devido às suas sete jornadas consecutivas na primeira posição.

As próximas semanas serão, naturalmente, decisivas para a chegada de uma decisão final quanto ao futuro da primeira e segunda liga. Resta-nos aguardar para perceber se podemos assistir a esta luta afincada pela possível vaga extra na Liga Europa (obviamente, desde que com todas as condições asseguradas), ou se a Liga terá de optar pelo término da época, levando a um conjunto de dúvidas, ainda por responder, inerentes a esta decisão.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

BnR TV: João Tomás relembra momentos da carreira

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Bola na Rede TV com o antigo jogador João Tomás em exclusivo. Junta-te a nós para ajudares na análise ao evento! Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV.

Com Mário Cagica Oliveira, Frederico Seruya e João Tomás.

Podes subscrever o nosso canal no Youtube através do seguinte endereço ➡️ https://www.youtube.com/c/bolanaredetv

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Desde o último título de campeão, quem foi melhor treinador?

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A última vez que o Sporting venceu o campeonato foi em 2001/2002. O treinador era Laszlo Bölöni e faziam parte da equipa nomes como Mário Jardel, João Pinto, Ricardo Sá Pinto, Pedro Barbosa e Paulo Bento.

Já lá vão quase 19 anos desde a última festa do título. Ao longo deste tempo, o Sporting sempre foi um eterno candidato. Foram 16 treinadores a passar por Alvalade, 21 se contarmos com os interinos. Qual foi o melhor treinador que passou desde o último título de campeão?

Calculamos a percentagem de vitórias (%V), de empates (%E) e de derrotas (%D), a média de golos marcados (MGMJ) e sofridos (MGSJ) de cada treinador em cada época pelo Sporting Clube de Portugal após a última conquista. Deixamos de parte os interinos e Rubén Amorim, que só disputou um jogo.

Treinador Época Nº jogos %V %E %D MGMJ MGSJ
Laszlo Bölöni 2002/2003 44 50 22,73 27,27 1,93 1,13
Fernando Santos 2003/2004 40 65 12,50 22,50 1,65 0,95
José Peseiro 2004/2005 52 55,77 19,23 25 2 1,09
2005/2006 11 45,45 0 54,55 1,27 1,54
2018/2019 14 64,29 7,14 28,57 1,71 1
Total 77 55,84 14,29 29,87 1,84 1,14
Paulo Bento 2005/2006 32 68,75 21,88 9,38 1,59 0,56
2006/2007 42 64,29 23,81 11,90 1,73 0,59
2007/2008 56 55,36 21,43 23,21 1,62 0,87
2008/2009 46 65,22 17,39 17,39 1,56 0,95
2009/2010 18 38,89 11,11 50 1,33 0,88
Total 194 60,31 20,10 19,59 1,60 0,78
Carlos Carvalhal 2009/2010 33 48,48 21,21 30,30 1,60 1,12
Paulo Sérgio 2010/2011 38 52,63 21,05 10 1,68 2,02
Domingos Paciência 2011/2012 35 54,29 25,71 20 1,57 0,77
Ricardo Sá Pinto 2011/2012 21 61,90 9,52 28,57 1,42 1,04
2012/2013 9 22,22 55,56 22,22 1,22 1
Total 30 50 23,33 26,67 1,36 1,06
Franky Vercauteren 2012/2013 11 18,18 36,36 45,45 1 1,7
Jesualdo Ferreira 2012/2013 18 55,56 16,67 27,78 1,4 1,1
Leonardo Jardim 2013/2014 35 65,71 22,86 11,43 2 0,7
Marco Silva 2014/2015 53 58,49 28,30 13,21 2 1
Jorge Jesus

 

2015/2016 51 70,59 11,76 17,65 2,2 0,9
2016/2017 43 60,47 13,95 25,58 1,8 1
2017/2018 60 60 21,67 18,33 1,8 0,8
Total 154 63,64 16,23 20,13 1,9 0,9
Marcel Keizer 2018/2019 37 62,16 21,62 16,22 2,3 1
2019/2020 5 40 20 40 1,6 2,2
Total 42 59,52 21,43 19,05 2,2 1,1
Jorge Silas 2019/2020 28 60,71 3,57 35,71 1,6 1,1

 

Através da análise da tabela, podemos concluir que:

  • A maior percentagem de vitórias numa época é de Jorge Jesus, em 2015/2016, vencendo 70,59% dos jogos.

  • A menor percentagem de vitórias pertence a Franky Vercauteren, onde, na sua curta passagem por Alvalade, apenas venceu 18,18% dos 11 encontros disputados.
  • A maior percentagem de empates foi com Ricardo Sá Pinto, 55,56%, que comandou os Leões no início da época de 2012/2013, saindo em meados de outubro, após 9 jogos.
  • A menor percentagem de empates aconteceu com José Peseiro, empatando 0% dos 11 jogos como treinador leonino em 2005/2006, na ressaca da época em que o Sporting CP perdeu a final da Taça UEFA em casa. O técnico português perdeu várias peças no início da temporada e não foi capaz de dar continuidade à qualidade futebolística praticada, acabando por sair em outubro.
  • A maior percentagem de derrotas também foi com José Peseiro, na mesma época em que não empatou nenhum jogo. Nos 11 jogos perdeu 54,55%.
  • A menor percentagem de derrotas foi com Paulo Bento, em 2005/2006, perdendo apenas 9,38% dos jogos disputados.

  • A maior média de golos marcados por jogo foi com Marcel Keizer, 2,3, em 2018/2019.

  • A menor média de golos marcados por jogo pertence a Franky Vercauteren, com uma média de 1 golo por partida.
  • A maior média de golos sofridos por jogo foi de 2,2, com Keizer na época do seu adeus, após 5 encontros em 2019/2020.
  • A menor média de golos sofridos por jogo pertence a Paulo Bento, na época de 2005/2006, com uma média de 0,56.

Todos sabemos que as estatísticas valem o que valem. A verdade é que uns disputaram mais jogos e outros entraram a meio, não tiveram as mesmas condições, estabilidade e orçamentos. No final de tudo, o que contam são os títulos conquistados, sejam com mais ou menos vitórias que os treinadores anteriores. Nesta longa caminhada, o Sporting CP foi acumulando taças e boas exibições, mas nenhum título de campeão.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Jogadores Que Admiro #115 – Ricardo Horta

 

Ricardo Horta é já uma das figuras em destaque do futebol nacional e está a realizar uma excelente temporada ao serviço do SC Braga, naquela que é a sua quarta época ao serviço dos minhotos. O extremo natural de Almada, que regressou ao futebol português depois de uma aventura em Espanha, onde representou o Málaga, tem tido papel de relevo no clube, tendo sempre ultrapassado a barreira dos quarenta jogos.

Esta época, primeiro com Ricardo Sá Pinto e mais tarde com Rúben Amorim, manteve o estatuto de imprescindível, e aos vinte e cinco anos parece ter amadurecido o seu futebol, alcançando assim um nível elevado de consistência que o transportam para um plano superior.

O que mais me impressiona é a tomada de decisão, que este ano o levam a ter uma relação especial com o golo, quer nos que marca, quer nos que dá a marcar. A sua velocidade e técnica permitem-lhe chegar facilmente a zonas de perigo no último terço e Ricardo Horta tem sido letal, revelando uma frieza assombrosa que caracteriza os melhores. São dezanove golos e sete assistências, caso para dizer que os números falam por si.

Com Ricardo Sá Pinto ocupou preferencialmente o corredor esquerdo dos sistemas utilizados pelo ex-técnico bracarense, que variaram entre 1-4-3-3 e 1-4-4-2, e mais tarde com Rúben Amorim, como extremo esquerdo do seu 1-3-4-3. Ponto comum, desempenhou muito bem o seu papel em qualquer um dos sistemas, mostrando boa adaptabilidade.

Se é verdade que os números “falam”, também há o jogador para lá da estatística, o que apenas pode ser observado, e quem vê Horta não pode ficar indiferente. A forma como trata a bola, fruto de técnica apurada, aliada a uma boa capacidade de mudança de velocidade, fazem dele um jogador muito complicado de defrontar no 1×1.

Essa capacidade de se “desembrulhar” de um adversário, levantar a cabeça e colocar a bola no caminho certo, a tal tomada de decisão, é o que o torna especial. E que dizer daqueles momentos que antecedem os seus golos dentro da área, a dois toques, em que o tempo parece parar à sua volta, quase como se estivesse sozinho no relvado, em que o primeiro toque ajeita a bola e o segundo é para a colocar no fundo das redes, com a frieza glaciar da elite.

António Salvador tem no extremo português aquela que pode ser a próxima grande venda do Braga, depois de concretizada a transferência de Francisco Trincão para o FC Barcelona. Em condições normais arriscava dizer que este seria o último ano do jogador ao serviço dos guerreiros, contudo, face aos últimos desenvolvimentos da pandemia originada pelo vírus Covid-19 e como tudo indica que irá afetar toda a economia do futebol, é mais provável que continuemos a ver o jogador em território nacional, uma boa notícia para os amantes do jogo e que gostam de ver os talentos portugueses a dar cartas no seu país.

Uma coisa é certa, o talento está lá e em elevada quantidade, pelo que mantendo esta bitola, aos vinte e cinco anos, tem tudo para concretizar a sua afirmação como um dos grandes jogadores do nosso campeonato e vir ainda a dar cartas no plano internacional. Tem a palavra Ricardo Horta.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

As 5 promessas falhadas da formação portista nos últimos anos

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Prometeram imenso nas camadas jovens portistas, seja nos juniores ou na equipa B e alguns até chegaram a jogar pela equipa principal, mas a carreira deles caiu a pique. Estes cinco atletas foram inclusive observados por grandes clubes europeus para rumarem a outros destinos, mas nunca chegaram ao seu objetivo – brilhar pela equipa principal do FC Porto. Hoje jogam em clubes que estão alguns patamares abaixo e talvez ainda procurem uma oportunidade para se relançarem no futebol.

O Bola na Rede analisou a equipa do FC Porto nos últimos anos e, após uma breve pesquisa, elaborou uma lista de cinco atletas que tinham um potencial tremendo, mas por força do destino ou por azares da vida, não conseguiram alcançar o nível que prometiam.

5 jogadores que nunca “calçaram” no Sporting CP

Ao longo dos tempos, e mesmo nas épocas de maior crise, o Sporting CP sempre contou com jogadores fenomenais como Bruno Fernandes, Mário Jardel ou André Cruz, entre outros. Jogadores que sempre foram titularíssimos em qualquer formação do Sporting CP e cuja ausência, muitas vezes, fazia-se pagar cara.

E, a par destes, também vimos alinhar de verde e branco outros jogadores de um nível medíocre e, não raras as vezes, mau que nunca deixaram de ser opção nos onzes do Sporting CP, quais “vacas sagradas”.

Mas depois há um terceiro grupo (se é que podemos chamar assim) de jogadores que na verdade ninguém sabe quem são. Muitos desses jogadores só os conhecemos por especial favor do Google. Refiro-me a jogadores que militaram no Sporting e que nunca “calçaram”. Jogadores que tiveram muitos poucos minutos de jogo (talvez os suficientes para ficarem “apresentados” no caso de muitos) ou que nunca sequer tiveram!

Fernando, a grande contratação apregoada por Frederico Varandas, é um desses jogadores: tem zero minutos de jogo na formação principal e ninguém sabe se realmente é bom ou mau jogador, ou sequer se teria um papel preponderante em Alvalade.

Qual a razão para o Sporting CP ter tido, para além dos maus e dos medíocres, tantos jogadores “encostados à boxe”? Falta de dinheiro? Contratar jogadores em massa? Objectivos pouco ambiciosos? Incompetência? Um dia mais tarde a história julgará os responsáveis por isto e muitas outras brincadeiras que foram sendo feitas com o Sporting CP.

A lista que se segue é composta por esses jogadores “misteriosos” que vaguearam por Alvalade nas últimas décadas. Surpreendam-se! Ou não…

O Passado Também Chuta: Luis Amado

Talvez devamos começar por corrigir o título deste artigo. Em vez de “chuta”, devemos ter “defende” ou não estamos nós a falar de um dos guarda-redes mais importantes da história do Futsal: Luis Amado Tarodo. Este é um nome que dificilmente podemos desvincular do Futsal espanhol e mundial. Para muitos portugueses (tanto na sua seleção como em clubes), ainda é o pior dos pesadelos entre os postes, a par de Stefano Mammarella.

Considerado duas vezes o melhor guarda-redes do Mundo, acredito que, nem de perto nem de longe, vamos ter outro igual a Luis Amado. No tempo em que atuou (e acreditem que foi bastante) tinha todas as competências que um “portero” necessitava. Não eram tempos de um guarda-redes se aventurar em cinco para quatro e nem a habilidade com os pés era muito requisitada. Por isso, entre os três “ferros” caracterizava-se como uma autêntica muralha espanhola.

Não tive a oportunidade de ver muitas vezes Luis Amado, mas a oportunidade que tive (e digamos que foi a única) esteve em grande plano: na final da UEFA Futsal Cup de 2010. Apenas três meses antes, o espanhol destacou-se no Europeu de Futsal, que a Espanha viria a ganhar frente a Portugal. E se fossemos fazer uma lista daquilo que nós, portugueses, passámos com Luis Amado a representar a “La Roja” ou um clube espanhol sairíamos daqui só amanhã…

O “portero” espanhol começou a sua caminhada no Futsal em 1995 no Caja Segovia FS, clube que representou até 2001 com uma interrupção de um ano no Leganés FS em 1996/97. No primeiro ano do século XXI, Luis Amado viajou para Madrid para representar o Antena3 Boomerang, agora conhecido por Inter Movistar FS, e por lá ficou durante 15 anos (!).

Quanto a títulos acho que poucos têm o palmarés de Luis Amado, pois o guarda-redes espanhol tem 39 títulos a nível de clubes e 7 pela seleção. São 46 títulos no total, o que dá a este “portero” o privilégio de, muito provavelmente, ser o maior titulado da modalidade. De salientar que, das seis participações que teve em Europeus de Futsal, venceu cinco… Algo impressionante.

Não deve haver muita discussão quanto ao melhor guarda-redes que alguma vez pisou as quadras internacionais e se dúvidas houver… A resposta está aqui. Não só pelos seus títulos, mas pela liderança que Luis Amado tinha em campo e no próprio balneário do Inter Movistar FS e da “La Roja”. Afinal, não era por acaso que foi capitão tanto do clube madrileno, como da seleção espanhola.

Se falamos de Futsal e do melhor guarda-redes do Mundo, este senhor tem de ter esse título, porque realmente acabou por sê-lo. Não há sequer comparação com os atuais guarda-redes, pois agora estes têm características muito diferentes das que existiam antigamente. Por isso, é sempre bom relembrar uma lenda como é Luis Amado e todo o seu percurso. Aos que nunca tiveram oportunidade de ver esta lenda no ativo procurem por vídeos, pois ficarão espantados.

Foto de Capa: Inter Movistar FS

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Olheiro BnR: David Carmo

O SC Braga tem virado a agulha das contratações para dentro de casa. Nos últimos anos é clara a aposta na formação arsenalista e os resultados estão à vista. No plantel atual, os bracarenses contam com quatro jogadores por si formados, contando o emprestado Bruno Xadas.

Mais importante do que isso, a formação da cidade de Braga conta mesmo com os seus “produtos”; Tiago Sá, apesar de lesionado, vinha sendo peça constante no onze inicial, David Carmo apareceu e não mais deixou o onze, Xadas acumula minutos no CS Marítimo e Trincão revelou-se o fenómeno que conhecemos, tendo sido já transferido para o FC Barcelona.

É, no entanto, no centro da defesa que este artigo se vai focar. David Carmo, 20 anos e natural de Aveiro, defende as cores da Legião desde a temporada de 2015/16. O seu percurso da formação levou-o a clubes como SC Beira-Mar, CD Estarreja, SL Benfica, Anadia FC e AD Sanjoanense antes de se fixar na cidade dos arcebispos.

Apesar de convocado para a terceira jornada desta época, Carmo nunca foi a jogo sob as ordens de Sá Pinto. Só mais tarde, bem mais tarde, e já sob o comando de Rúben Amorim, é que o central português foi a jogo; alinhou toda a segunda parte na surpreendente vitória no Dragão (1-2).

A relação do central com o treinador Rúben Amorim já vinha do início da época, quando o treinador chegou ao SC Braga “B” a meio de setembro, David Carmo tinha apenas um jogo realizado no Campeonato de Portugal. Desde aí, somaram-se mais 12 partidas naquele campeonato e dois golos marcados na vitória frente à AR S. Martinho e no empate frente ao CDC Montalegre.

Na ascensão à equipa principal, Amorim levou consigo o jovem central português e os resultados não podiam ser melhores. Depois da estreia brilhante em pleno Dragão, seguiu-se a estreia nas competições europeias – derrota caseira frente ao Rangers FC (0-1).

Leva já cinco partidas completas na Primeira Liga desde fevereiro, algo incrível se tivermos em conta que se trata de um central de apenas 20 anos. Os méritos desta pérola arsenalista vão além do próprio clube. Ao serviço da seleção sub-19 de Portugal, David Carmo alinhou em seis jogos amigáveis e quatro no Campeonato da Europa de 2018; dois na fase de grupos, os 90 minutos da meia-final e os 120 da gloriosa final.

O grande destaque do seu jogo é o passe progressivo; seguro no passe curto, é na bola longa que evidencia o seu potencial. Não despeja à sorte, é muito criterioso na procura da profundidade e fá-lo com uma elevada taxa de acerto, a roçar a perfeição.

Apesar da mais valia para a construção de jogo, também a nível defensivo apresenta aspetos imperiais. Muito forte no jogo aéreo, não só nos duelos aéreos defensivos, como também em situação de bola parada ofensiva. A cada partida soma um par de desarmes perfeitos e prontamente se apresenta para sair a jogar.

Depois de campeão europeu sub-19, a chegada à seleção principal será uma questão de tempo. Entretanto, soma um amigável e cinco jornadas da Liga de Elite ao serviço dos sub-20 portugueses. Está, portanto, bem dentro do radar dos selecionadores nacionais e há rumores de uma saída para Alvalade, seguindo novamente Rúben Amorim. Clubes alemães, franceses e ingleses já se informaram sobre o jovem central junto do SC Braga.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Universo Paralelo: A história de Portugal no Europeu 2020

Faltariam precisamente dois meses para o arranque do sexto Europeu deste século se a realidade não tivesse optado por percorrer outro caminho fora do comum. Nesse sentido, convido-vos a entrar numa viagem a um futuro imaginado.

Depois de uma longa e desgastante temporada, marcada pela entrada de uma nova década, eis o sempre aguardado Europeu de futebol, que pela segunda edição consecutiva vê o número de participantes alargado para 24 seleções e conta com uma novidade em relação a todos os outros: é jogado em 12 cidades de 12 países diferentes, o que revoluciona toda uma organização que antes estava confinada a um único país e que agora se estende pelo continente inteiro. Sinais dos tempos modernos. De Bilbau a Baku, a magia do grande convívio do futebol europeu está de volta e o Velho Continente prepara-se para um mês de grandes vibrações.

Da nossa parte, o importante é levar (outra vez) a Taça para Portugal e não tanto se jogamos bem ou mal. Gelson Martins, com uma ampla redução do seu castigo e Ricardo Pereira, com uma recuperação milagrosa da sua lesão, puderam jogar a parte final da época e viram os seus nomes constarem da lista final de convocados  para o Europeu que em breve partiria para Budapeste, onde se situava o nosso quartel general oficial.

“Safámo-nos de boa”, confidenciavam os atletas aos repórteres presentes à entrada do aeroporto. De facto, foram ambos os grandes privilegiados, uma vez que eram quase nulas as hipóteses de participarem neste grande evento. Os dois acrescentavam que iriam dar tudo pelo país e esperavam apenas regressar dentro de um mês, relembrando uma célebre frase. Estava dado o mote com as atenções viradas para os dois afortunados jogadores e com uma presença massiva de adeptos que se deslocaram para incentivarem e se despedirem da Seleção, que rumava ao Europeu.