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Ir com “V” de voltar: Os “grandes” já não têm mãos largas

De forma a combater uma política de empréstimos que promovia uma dependência de alguns clubes em relação a outros através dos jogadores emprestados, a Liga redigiu e aplicou uma nova lei desde a temporada de 2018/19.

Até então e desde 2015, era possível emprestar um máximo de três atletas ao mesmo emblema, mas nem isso evitou casos sobejamente conhecidos, como o de Miguel Rosa. Em seis anos de CF “Os Belenenses”, o médio formado no SL Benfica defrontou as águias apenas quatro vezes.

A diretiva que cumpre agora o segundo ano de existência limita a seis o número de empréstimos dentro da Primeira Liga, mas todos a clubes diferentes. A manobra que os “grandes” operavam de forma a rodar os seus atletas tem agora de ser diminuída ou então praticada noutros campeonatos.

Ao abrigo da nova lei e no atual campeonato, o SL Benfica é quem mais empresta, aproximando-se do limite de meia dúzia. As águias têm a “rodar” quatro atletas no Norte; Diogo Gonçalves em Famalicão, Alex Pinto em Barcelos, Heriberto no Boavista FC e Nuno Santos em Moreira de Cónegos.

Com apenas dois emprestados na Primeira Liga estão FC Porto e Sporting CP, curiosamente também em clubes acima do Douro. Os dragões têm Vaná em Famalicão e Marius na Vila das Aves. Por sua vez, os leões têm Palhinha em Braga e Gelson Dala em Vila do Conde.

Mas nem sempre foi assim. Antes de qualquer norma restritiva, os três “grandes” contratavam e emprestavam sem olhar a meios. Num comparativo a cinco e a 10 anos, são os dragões quem, de longe, se destacam nos empréstimos a clubes da mesma divisão.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Há 10 anos, corria a época de 2009/10, o Sporting CP tinha apenas Ronny emprestado ao UD Leiria e Rui Fonte ao Vitória FC. O SL Benfica tinha José Coelho em Paços de Ferreira, Nélson Oliveira em Vila do Conde, Rúben Lima em Setúbal e Fellipe Bastos e o mítico Freddy Adu no CF “Os Belenenses”.

Contra os dois empréstimos leoninos e os cinco das águias, o FC Porto tinha 11 (!) atletas divididos por sete primodivisionários. Em Braga estava Rentería, em Paços de Ferreira estava Candeias e Bruno Moraes em Vila do Conde.

Em Olhão estavam o guarda-redes Hugo Ventura, Tengarrinha e Rabiola. Também em Setúbal jogava um trio de dragões: André Pinto, Ivo Pinto e Hélder Barbosa. Por fim, Bruno Vale defendia a baliza do Restelo e Nelson Benítez atuava no vizinho Leixões SC.

Há cinco anos, na época de 2014/15, a tendência era a mesma: águias e leões bem mais contidos nos empréstimos que os dragões. Os rivais da capital tinham quatro atletas emprestados cada um, enquanto o rival do Norte tinha nove atletas nessa condição.

Ricardo Esgaio e Salim Cissé deixaram Alvalade e rumaram a Coimbra; Iuri Medeiros e Fabrice Fokobo fizeram o mesmo, mas em direção a Arouca. A Luz viu partir Bruno Gaspar para Guimarães, Rui Fonte para o Restelo e Fábio Cardoso e Rúben Pinto para Paços de Ferreira.

Sami deixou o FC Porto por empréstimo e representou na mesma época SC Braga e Vitória SC. Para Guimarães levou consigo Ivo Rodrigues e Otávio, atual médio azul e branco. Tiago Rodrigues foi emprestado ao CD Nacional, Pedro Moreira ao Rio Ave FC e Quiñones ao FC Penafiel. O Dragão viu ainda sair Tozé e Kléber para o GD Estoril Praia e Joris Kayembe para o FC Arouca.

10 anos volvidos, só se pode concluir que as leis aprovadas e experimentadas entretanto foram positivas. Protegeram não só a verdade nas competições, como os atletas que andavam aos saltos entre emblemas anos a fio e as próprias contas dos clubes que contratavam de forma desmedida.

Por vezes, não conseguiram mesmo colocar os excedentes a tempo do início das novas épocas, prejudicando jovens atletas na integração na nova equipa e, consequentemente, os seus desempenhos.

 

Editorial BnR #7: Covid-19

Covid-19. Esta não é mais uma publicação sobre desporto. Os tempos são delicados e obrigam-nos a reforçar a importância sobre todo o ambiente que nos rodeia. Somos um órgão de comunicação social jovem, com pessoas jovens e que até não se enquadram nas faixas etárias de risco.

Mas o nosso apelo não tem idade, não tem sexo, não tem cor e não tem barreiras. Queremos reforçar a importância de seguir todas as normas de precaução relacionadas com o surto pandémico do novo coronavírus, o Covid-19.

Queremos, assim, apelar para que oiças todos os conselhos dados pela nossa Direção-Geral de Saúde. Respeita-os. Por ti, pelos teus pais, pela tua família, pelos teus amigos, pelos amigos dos teus amigos, pelo porteiro de tua casa ou até pelo senhor que te vende café, todas as manhãs. Temos que, em sociedade, lutar para conter ao máximo este vírus que pode prejudicar a saúde dos nossos familiares e amigos.

É por ti e por eles que te deves proteger. Nós, Bola na Rede, fazemos-te este apelo. Da nossa parte, mantemos adiado o regresso do nosso “Bola na Rede TV” e continuaremos a trabalhar – a partir de casa – para te garantir a opinião possível sobre o nosso mundo. Este não é um apito final. É um intervalo para estarmos em casa e cuidarmos de nós. Da nossa parte, faremos os possíveis para te ajudar a passar o tempo com os nossos conteúdos.  

Contamos contigo.

FC Porto | Juntos pela saúde de todos os portugueses

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Como já é do conhecimento de todos os portugueses, a Liga e a Federação Portuguesa de Futebol suspenderam, por tempo indeterminado, as competições a partir do dia de hoje, por questões de saúde, o que anula, automaticamente, o jogo do FC Porto em Famalicão.
Não há jogos, não há treinos, não há contactos possíveis entre jogadores e equipas técnicas. Foi o mais sensato, coerente e a resolução mais viável para um problema que está longe de acabar.

Numa altura em que começam a ser revelados vários casos de jogadores que contraíram o Covid-19 pelo mundo. Tendo em conta a propagação do contágio, qualquer atleta corria sérios riscos de contrair e de contaminar alguém posteriormente. A solução peca apenas por tardia, uma vez que até ontem ainda se realizaram jogos.

Ainda assim, a primeira medida adotada foram os jogos à porta fechada, a meu ver, já tinha sido uma má ideia. Os jogadores continuavam em perigo e a essência do futebol, o espetáculo puro, não ia existir. A questão que se põe em cima da mesa e, neste momento, tem o seu qb de relevância é a influência que esta paragem — que se adivinha longa — pode ter na equipa do FC Porto.

Como já é do conhecimento de todos, a Liga e a Federação Portuguesa de Futebol suspenderam, por tempo indeterminado e o FC Porto saúde portugueses.
Nesta jornada, o FC Porto visitava o Famalicão FC, que, na primeira volta, venceu por 3-0
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Numa fase em que a equipa seguia líder do campeonato — depois de ter recuperado oito pontos de desvantagem —, esta paragem obrigatória vai quebrar, inevitavelmente, o ritmo competitivo de todos os atletas. E é até nesse sentido que já surgem algumas especulações acerca da conclusão antecipada do campeonato como também do adiamento indeterminado. Aquilo que se sabe até ao momento é que há uma indefinição clara do que irá acontecer futuramente.

No entanto, o único problema para cada clube, neste caso para o FC Porto, é apenas a quebra do rendimento. Os jogadores sem treinos e sem jogos vão acabar por acusar falta de minutos. Mas, no meio deste problema todo, isso torna-se irrelevante. Uma vez que será um problema geral de todos os clubes.

O FC Porto nesta altura da temporada também já acusava algum cansaço e momentos de pouca rentabilidade. E isto até pode ser favorável para repor energia e foco. O que é certo é que o medo que paira também não ia ser bom. Acima de qualquer clube, de qualquer competição, está a saúde de todos e de cada um. E o FC Porto, como já demonstrou ser anteriormente, está unido nas causas e na vida.

Olympiakos FC 1-1 Wolverhampton Wanderers FC: Equipa de NES confirma favoritismo

A CRÓNICA: ENTRE GREGOS E INGLESES, O PROTAGONISMO É DOS PORTUGUESES

O Olympiacos FC recebeu no Pireu o Wolverhampton Wanderers FC (vulgarmente conhecido por Wolves), em jogo a contar para a primeira mão dos 16 avos da Liga Europa, num jogo marcado por várias condicionantes, nomeadamente o facto de ser um jogo à porta fechada e com o plantel da equipa Grega a passar uma semana complicada após descobrir que o Presidente do clube acusou positivo no teste do vírus Covid-19. Um jogo marcado pela forte armada Portuguesa, não só no que aos treinadores diz respeito, mas também com vários jogadores Lusos a figurar do banco de suplentes e 11 inicial das duas equipas (ao todo jogaram 9).

Numa partida que acabou por desiludir, dada a intensidade baixa com que foi disputada, os jogadores sentiram claramente a falta da sua massa adepta. Depois de uma entrada forte da equipa da casa, com marcações agressivas e a condicionar as saídas do adversário, a expulsão de Rúben Semedo ao minuto 29, acabou por alterar o rumo de jogo, com a equipa inglesa a assumir uma maior posse de bola até ao intervalo. Ainda assim, um jogo que se manteve num ritmo baixo e sem grandes oportunidades, ora porque o Olympiakos reduzido a 10 não poderia “entusiasmar-se” nas saídas ofensivas, ora porque os espaços eram muito reduzidos para o Wolves explorar as arrancadas dos 3 rápidos avançados com que normalmente alinha.

Na segunda parte, mérito para a equipa de Pedro Martins que mesmo com 10 jogadores conseguiu adiantar-se no marcador através de uma bela jogada de contra-ataque, finalizada por El Arabi (o carrasco do Arsenal!). A equipa grega soube preservar a posse de bola, mostrou coesão, capacidade de sofrimento e de entreajuda, mas acabou traída por um livre do Português Pedro Neto, que com a ajuda de um desvio na barreira bateu o guarda-redes José Sá.

O jogo manteve-se morno até ao final e o Wolves acaba por confirmar o favoritismo trazendo um resultado positivo para Inglaterra, mas sem o brilhantismo esperado, uma vez que fica claramente a sensação que apesar do resultado se ajustar ao desempenho das equipas, um Olympiakos com 11 jogadores poderia ter conseguido ganhar vantagem na eliminatória. A equipa Grega teve o mérito de anular a perigosa frente de ataque dos Lobos de Nuno Espírito Santo.

 

A FIGURA

Fonte: Olympiakos FC

Mady Camara – O médio da Guiné Conacri foi uma dor de cabeça constante para o adversário, com arrancadas que foram deixando os médios e defesas do Wolves em sentido. Camara apareceu na direita, apareceu na esquerda, no centro, correu, lutou, dava a sensação que estava em todo o lado. Menção honrosa para Guilherme e El Arabi.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Olympiacos FC

Rúben Semedo – Podiam ser um dos avançados do Wolves a merecer a referência, mas um jogador que é expulso antes da meia hora de jogo (com uma abordagem péssima ao lance com Diogo Jota) acaba por condicionar bastante a estratégia da equipa para a partida. Felizmente os seus companheiros souberam dar conta do recado, mas a expulsão de Semedo, não fosse o modo “contenção” da equipa Inglesa, poderia ter resultado em descalabro para os Gregos. Uma pena já que Ruben Semedo tem estado em grande nível e tinha tudo para ser um dos destaques do jogo. Depois da sua expulsão, o Wolves controlou o jogo uma vez que estava em vantagem numérica:

 

ANÁLISE TÁTICA – OLYMPIAKOS FC

Pedro Martins apostou no 11 que lhe permitia conservar melhor a posse de bola, com um tridente ofensivo interessante composto por Valbuena, Masouras e El Arabi. Optou pela sua habitual estrutura em 4-3-3 com Guilherme a assumir a batuta do jogo. A expulsão do central Português acabou por ditar que a equipa do Olympiakos acabasse o jogo com estatísticas em todos os campos inferiores ao adversário, ainda que a posse de bola se tenha fixado nos 49%, um dado bastante interessante para uma equipa em inferioridade numérica. Atacou menos, mas atacou com mais critério.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

José Sá (6)

Elabdellaoui (6)

Ruben Semedo (3)

Ousseynou Ba (6)

Tsimikas (6)

Guilherme (7)

Mady Camara (8)

Bouchalakis (6)

Masouras (6)

Youssef El Arabi (7)

Valbuena (6)

SUBS UTILIZADOS

Abou Cisse (6)

Fourtounis (4)

Bruno Gaspar (3)

 

 

ANÁLISE TÁTICA – WOLVES

O Wolves, liderado por Nuno Espírito Santo, apresentou-se o seu habitual 3-4-3, sendo uma equipa que passou a maior parte do tempo a procurar ingloriamente encontrar espaço para os seus avançados explorarem. Só conseguiu lá chegar de bola parada. Jimenez espalha a classe habitual, mas desta vez de forma um pouco inconsequente. Traoré e Jota bastante abaixo daquilo que já mostraram. É provável que os Gregos encontrem mais dificuldades no Molineux (seja lá quando for o jogo…), mas claramente NES sabe que tem de gerir a parte física, uma vez que o Wolves ainda alimenta a esperança de uma qualificação para a Champions. Se jogarem o que sabem e levarem a competição a sério, são na minha opinião uma das equipas favoritas à conquista do troféu.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rui Patrício (6)

Willy Boly (6)

Conor Coady (7)

Romain Saiss (6)

Doherty (5)

Ruben Neves (6)

João Moutinho (7)

Ruben Vinagre (6)

Traoré (5)

Diogo Jota (6)

Raul Jimenez (6)

SUBS UTILIZADOS

Pedro Neto (7)

Podence (3)

Dendoncker (2)

 

 

SL Benfica 3-5 Sporting CP: Um dérbi como nunca se viu

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A CRÓNICA: A PRESSÃO VIROU-SE CONTRA QUEM FEZ A PRESSÃO

Um pavilhão completamente vazio acolheu o SL Benfica x Sporting CP na Taça de Portugal, numa situação estranha para as ambas as formações, mas extremamente necessária em prol da saúde pública. Mas os jogadores não se deixaram incomodar pelo ambiente incomum na modalidade e a partida começou a ser jogada a todo o gás e não foi preciso esperar muito pelos golos.

Os primeiros a balançar as redes foram os encarnados, numa jogada às três pancadas. Robinho fez o primeiro remate que embateu com estrondo no poste e na recarga André Coelho tocou para Fernandinho. O pivô brasileiro rematou para o primeiro na partida (1-0). Logo de seguida, foram os leões a empatar a partida a um golo. Após um canto, Taynan ficou com a bola, passou de forma fácil por Bruno Coelho e marcou um grande golo.

O SL Benfica estava a tentar pressionar alto o Sporting CP, mas o pressionado arranjou a solução. Após um “balão” (ou não, pois foi um passe cheio de intenção) de Léo, a bola chegou a Cavinato, que fez a receção perfeita e contemporizou. O ala italiano encontrou Taynan sozinho e, à frente da baliza, o cazaque só teve de marcar o segundo na partida e o mesmo número para o Sporting CP (1-2). Até ao final da primeira parte, muitas oportunidades, muita emoção, mas nada de alteração de resultado.

Se na primeira parte só houve três golos, a segunda trouxe-nos cinco! Primeiro, foi Taynan que fez um trabalho extraordinário, correu mais de metade do campo e passou a Cardinal, que só teve de encostar para o 1-3 na partida. O cazaque não parava quieto e estava em grande no jogo.

Depois foi parada e resposta de golos. Miguel Ângelo reduziu para apenas um golo a diferença com um remate que foi uma autêntica bomba (2-3). Mas como foi normal neste jogo, os encarnados marcavam e sofriam logo a seguir… e mantinha-se o padrão. Pois, após uma falha de Robinho, João Matos marcou o 2-4 com um remate em zona frontal à baliza de Roncaglio. Os encarnados reclamaram de uma bola na mão do capitão leonino no início da jogada, contudo, o golo valeu mesmo.

O SL Benfica procurava rapidez e conseguiu fazê-lo na jogada do terceiro golo. Roncaglio meteu rápido em Hemni e o ala japonês só teve de encontrar do outro lado Tiago Brito. O ala português só teve olhos para a baliza e, de primeira, reduziu para 3-4. Mas, o Sporting CP conseguiu aumentar a vantagem novamente, que se manteria até final. Pany Varela passou de forma fácil por Tiago Brito, passou para Alex e depois este, com uma visão de passe incrível, encontrou Pauleta, que com a baliza deserta marcou o 3-5.

O Sporting CP com esta vitória contra o eterno rival, SL Benfica, leva a equipa para as meias-finais, onde irá defrontar outros leões, mas os de Porto Salvo. Os encarnados perdem numa fase prematura da final eight e, mais uma vez, continua sem sentir o sabor da vitória na Taça de Portugal. De relembrar que as competições da FPF estão suspensas por tempo indeterminado e os próximos encontros não têm data definida para acontecer.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Taynan da Silva – Marcou, deu a marcar e parecia que estava em todo o lado. Já sabíamos que era um jogador de alto nível, mas está aos poucos a demonstrar ainda mais qualidade do que aquilo que já se sabia. Fez de tudo para ajudar a sua equipa e só não esteve mais em destaque, porque, na segunda parte, os leões estiveram mais em características defensivas e não é bem o seu enquadramento.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Atitude defensiva do SL Benfica – Nos momentos ofensivos houve muitos momentos intermitentes, mas no que toca ao aspeto defensivo diria uma prestação horrível a todos os níveis. A equipa marcava um golo e passados poucos segundos ou minutos estava a sofrer novo golo. Desta forma, ficou sempre fora da possibilidade de conseguir empatar, apesar de estar sempre no jogo. Um aspeto a melhorar, sem dúvida.

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O SL Benfica apostou numa pressão alta que acabou por ser em demasia. Esta pressão levou a que houvesse distrações muito graves a nível defensivo e também no que toca às marcações individuais, que estavam a ser feitas. A primeira parte foi fraca em oportunidades, visto que os leões conseguiram, de forma inteligente, conseguir controlar totalmente o jogo.

Na segunda parte, a opção de cinco para quatro com Roncaglio resultou até certo ponto, pois deixava o Sporting CP mais encostado no seu meio campo e o SL Benfica a controlar como queria. Isso dava mais oportunidades? Não, de todo. Porém, ainda surgiram dois golos. Ao longo de toda a partida, as idas “à queima” dos jogadores encarnados acabavam por ficar em desvantagem e os de Sporting CP passavam facilmente. A opção de Bruno Coelho como guarda-redes avançado… Mais uma vez, péssima. Parece que a equipa não treina este tipo de situações, mas muito mérito para a organização defensiva leonina nesta situação.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Roncaglio (6)

André Coelho (5)

Bruno Coelho (5)

Robinho (7)

Fernandinho (5)

SUBS UTILIZADOS

Fábio Cecílio (5)

Chaguinha (6)

Tiago Brito (5)

Rafael Hemni (6)

Miguel Ângelo (6)

Jacaré (4)

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Um Sporting CP como nos tem habituado. Sem problemas em jogar no seu meio campo defensivo, de jogar muito recuado e de estar em situação de pressão. Os jogadores leoninos pensavam de forma mais rápida e, melhor ainda, de forma eficaz, que é muito importante na situação em que estavam os leões. E basta ver o segundo e o terceiro golo que são bons exemplos disso. Uma primeira parte completamente segura por parte da equipa leonina.

Da segunda parte não podemos dizer o mesmo. A situação de cinco para quatro encarnada trouxe mais dificuldades a nível tático defensivo, mas nem isso foi impedimento para conseguir ganhar bolas e partir para contra-ataque rápido, sendo que dois golos foram desta forma no segundo tempo. As normais individualidades não estavam a sair, porém, havia três jogadores a destacar: Taynan, Cardinal e Pauleta. No geral, uma grande equipa do Sporting CP e não esquecer que Gonçalo Portugal voltou a corresponder ao “peso” de defender as redes leoninas.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gonçalo Portugal (7)

Léo (6)

Taynan da Silva (8)

Pauleta (8)

Pany Varela (7)

SUBS UTILIZADOS

Cardinal (7)

João Matos (6)

Erick (5)

Diego Cavinato (6)

Alex (5)

Alex Merlim (5)

Foto de Capa: FPF

Pepe | Um líder do FC Porto dentro e fora do terreno de jogo

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Pouco mais de ter passado um ano do regresso de Pepe ao FC Porto, o internacional português vive uma situação pouco habitual na sua carreira, que é o facto de estar no banco de suplentes, sendo a  principal razão para este plano mais secundário de que o jogador está a viver é a excelente forma do seu colega de equipa, Chancel Mbemba, que tem aproveitado da melhor forma a recente lesão que Pepe sofreu e que o atirou para o atual momento em que se encontra.

Porém, não significa que o ex-Real Madrid CF perca o peso que tem no balneário portista, já que é o jogador com mais história e titulado no emblema da invicta, o que faz com que seja um dos líderes do plantel azul e branco. Além disso, fruto da maturidade que já adquiriu ao longo dos anos, Pepe tem sabido conviver com o atual contexto da melhor maneira e exemplo disso mesmo foi a forma como festejou o golo anulado frente ao Rio Ave FC, caso tivesse sido validado tinha dado a vitória à formação orientada por Sérgio Conceição.

Desta forma, poderá dizer-se que mais do que a sua importância desportiva, ou seja, do seu contributo que pode dar dentro de campo, o futebolista assume-se como uma figura crucial para estes últimos dois meses de campeonato, uma vez que dará, certamente, um papel mais educativo aos mais jovens. Significa isto, que funcionará como uma voz de comando, que orientará a equipa dos dragões a moldar-se nos períodos de maior pressão e de maior dificuldade, contributo esse que advém das várias experiências que já viveu enquanto jogador e que lhe trazem uma bagagem enorme. A sua importância é ainda mais imprescindível por estar integrado num grupo que já não tem uma cultura de vitória que outros plantéis do FC Porto apresentavam e que cada vez mais está refém de referências do clube, que possam transmitir a “mística”, que tanto carateriza o conjunto da invicta.

Mbemba é a principal razão por Pepe não ter regressado à titularidade, após a sua recuperação
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Por sua vez, o defesa central assumirá como uma “ponte” entre a equipa técnica e o grupo de trabalho, um ponto de apoio em que o treinador suportará para consolidar as suas ideias e a sua liderança e há vários exemplos desses pelo futebol fora, tal como acontece com Thiago Silva no Paris Saint Germain FC, com David Silva no Manchester City FC, com Thomas Muller no FC Bayern Munich, ou então um exemplo mais dentro de portas com o caso de Jardel no SL Benfica.

Por outro lado, há que realçar ainda, que Pepe não funcionará apenas como um adereço motivacional, isto porque, apesar dos seus 37 anos, o campeão de Europa por Portugal em 2016 tem-se apresentado a um nível irrepreensível, que faz com que seja merecedor de toda a confiança concedida por parte do seu treinador e toda a massa associativa portista. Prova disso são os números que apresenta, pois desde o seu regresso já cumpriu 48 partidas pelo FC Porto, tendo marcado três golos.

Assim, espera-se que Pepe consiga guiar as tropas azuis e brancas aos objetivos traçados e que com a experiência e respeito que tem dentro do panorama do futebol consiga galvanizar, assim como manter a humanidade e a seriedade entre os seus colegas de equipas, para que o FC Porto chegue a Maio com razões para festejar.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Andraz Šporar: O primeiro olhar

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Costuma-se dizer que a primeira impressão é a que prevalece, mas será que devemos julgar um jogador pela capa? Andraz Šporar, 26 anos, ponta de lança, foi o mais recente reforço a chegar a Alvalade. Proveniente do Slovan Bratislava, deixou a equipa eslovaca com um registo bastante interessante de 60 golos em 78 jogos, num negócio a rondar os seis milhões de euros.

Custa-me bastante entender a contratação tardia de Šporar e não posso deixar de explicar o porquê se não recuar até Bas Dost. No verão de 2019, o Sporting CP decide vender mediocremente um dos maiores goleadores da sua história e prepara-se para atacar o campeonato apenas com um avançado de raiz, Luiz Phellype.

A única solução direta disponível nas camadas da formação era Pedro Mendes e nem para inscrevê-lo houve astucia e inteligência. Estou longe de acreditar que o jovem leão poderia resolver os nossos problemas, mas era obrigatório a sua inscrição na liga, tendo em conta a falta de alternativas. Não foi necessário muito tempo para perceber que tinha sido um erro crasso vender o avançado holandês.

Em Janeiro, chega então Šporar com o galhardete de melhor marcador da Liga Europa até àquela data, incluso já tinha marcado ao SC Braga na fase de grupos dessa competição. Ainda com Silas no comando técnico da equipa, fez a sua estreia contra o Marítimo em Alvalade. Embora não tenha marcado na sua noite de estreia, ficou a boa impressão das qualidades que possui.

Admito que fiquei bastante surpreendido com Šporar pela capacidade que tem em mover-se e desmarcar-se rapidamente, jogando quase sempre no limite do fora de jogo (não me recordo do último avanço com características móveis que tenha deixado saudades, talvez o “levezinho”). Desde que chegou a Alvalade conta com três golos em nove jogos, registo pouco vistoso mas é importante não esquecer o contexto atual do clube.

Cada vez mais ligado à equipa
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Deixou água na boca quando se estreou a marcar frente aos turcos do Basaksehir com uma bela execução de primeira, após desmarcação entre os centrais. Tomou gosto ao pé no jogo seguinte contra o Boavista, voltando a fazer balançar as redes. Na memória ficou também o jogo em Famalicão, com uma clara oportunidade desperdiçada à boca da baliza (detalhes que fazem a diferença e resolvem um jogo).

O ponta de lança esloveno voltou a sorrir na estreia de Rúben Amorim, finalizando de cabeça num gesto técnico de grande qualidade. Estou expectante relativamente a este reforço e creio que tem mais para além das competências técnicas. Acredito que o sangue frio de leste seja sinónimo de esforço, dedicação e trabalho e isso fará com que esteja mais próximo de ouvir o seu nome cantado na bancada verde e branca.

As suas qualidades parecem-me evidentes, a qualidade está lá. A pressa nunca pode ser inimiga da perfeição, sem esquecer a exigência de um clube como o Sporting Clube de Portugal. A falta de estabilidade não ajuda e a realidade está longe de ser brilhante, qualquer jogador sentiria dificuldades por mais qualidade que tivesse. Chegou com seis meses de atraso, mas ainda vai a tempo de dar as alegrias que merecemos.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

LASK Linz 0-5 Manchester United FC: Superioridade a mais

A CRÓNICA: NEM FOI PRECISO ACELERAR

O Manchester United FC derrotou o Linzer-Athletik-Sport-Klub Linz na primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa. O jogo realizou-se em solo austríaco e de portas fechadas devido à nova pandemia que está a abalar o mundo inteiro.

O Linzer Stadion recebeu pela primeira vez o gigante inglês, com os red devils a dominarem o encontro e obtendo um triunfo que não merece qualquer contestação. O LASK não mostrou grande capacidade para incomodar o adversário e nunca foi verdadeiramente perigoso ao longo do jogo. Sem grande engenho para chegar à baliza de Romero, a equipa tentou ligar jogadas, mas percebia-se a dificuldade dos austríacos em ultrapassar a boa organização dos ingleses. Apenas surgiram dois remates interessantes aos 69’ e 74’, embora não tenham causado grande impacto. De resto, um marasmo de ideias, acompanhado de grandes dificuldades defensivas, em que o que mais havia era espaço para os jogadores do Mannchester United FC definirem da melhor maneira.

Acabou por ser uma partida sem grandes níveis de emoção e sem grande história, apesar de terem sido marcados cinco golos, contribuindo Ighalo, Daniel James, Mata, Greenwood e Andreas Pereira para a folha de serviço.

Não foi sequer preciso o Manchester United FC carregar muito para sair vitorioso e até chegou a parecer constrangedor o espaço oferecido pelos da casa, que fisicamente pareciam estar em baixo e nem a colocação de três centrais impediu uma goleada. Mesmo sem serem espetaculares e, frente a uma equipa desorientada, pode-se dizer que os ingleses decidiram hoje a eliminatória.

Nota ainda para uma boa atuação de Artur Soares Dias, que teve um jogo sem percalços. Os red devils têm presença marcada na próxima fase e resta aguardar pelo jogo de Inglaterra que apenas servirá para o confirmar.

A FIGURA

Fonte: Manchester United FC

Fred – Sem ter feito uma exibição brilhante, foi daqueles que mais lutou e guiou a equipa. Com ele a receber e a ajudar na construção, a equipa beneficiou também da sua capacidade de passe e Mata que o diga depois de receber um passe de 20 metros que o deixou em ótimas condições para finalizar e assim juntar-se à lista de marcadores.

Os ingleses continuam encantados com Bruno Fernandes que continua a não desapontar:

 

O FORA DE JOGO

Fonte: LASK Linz

LASK Linz – Os austríacos não se mostraram minimamente à altura para enfrentar um adversário desta valia. Ao oferecerem demasiado espaço, viram o United chegar aos golos com relativa facilidade. A segunda parte foi decisiva neste aspeto e a transição defensiva deixou muito a desejar. A imagem que ficou foi de uma formação bastante frágil e sem capacidade para estas andanças.

 

ANÁLISE TÁTICA – LASK LINZ

A atuar num 3-4-3, que passava para uma primeira linha de cinco no momento defensivo, Renner e Reiter eram os homens encarregues de fechar os corredores e não tiveram uma partida feliz, assim como a equipa em geral. O LASK foi um conjunto sem grandes soluções e praticamente ninguém se conseguiu destacar. A esperança estava nos homens da frente e nem mesmo esses mostraram inspiração.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Alexander Schlager (3)
Reinhold Ranftl (3)
Christian Ramsebner (3)
Gernot Trauner (3)
Peter Michorl (4)
James Holland (5)
René Renner (4)
Dominik Reiter (3)
Dominik Frieser (5)
Samuel Tetteh (3)
João Klauss (4)

SUBS UTILIZADOS

Marko Raguz (3)
Husein Balic (3)
Stefan Haudum (2)

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED

O conjunto inglês apresentou-se em 4-2-3-1, com Brandon Williams a aparecer no lado direito da defesa, Luke Shaw no lado contrário e Bailly e Maguire no centro. A dupla de meio campo ficou entregue a McTominay e Fred que baixava maioritariamente para receber na fase de construção. Bruno Fernandes era o homem mais adiantado do centro do terreno e o que tentava transportar o jogo para uma nova dimensão, com Mata e James a atuarem pela linha e Ighalo solto na frente de ataque. Estes três últimos, juntamente com Andreas Pereira e Greenwood, fizeram o resultado, aproveitando as facilidades concedidas pelo adversário.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Sérgio Romero (5)
Eric Bailly (6)
Harry Maguire (6)
Luke Shaw (6)
Brandon Williams (5)
Fred (7)
Scott McTominay (5)
Juan Mata (6)
Bruno Fernandes (6)
Daniel James (6)
Odion Ighalo (6)

SUBS UTILIZADOS

Tahith Chong (5)
Andreas Pereira (6)
Mason Greenwood (6)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Taça de Portugal Futsal: Três excelentes encontros a abrir

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O primeiro dia da Taça de Portugal de Futsal, marcado pelo anúncio da suspensão de todas as competições tuteladas pela FPF, trouxe-nos para já três encontros intensos e bem disputados. Logo no início do dia, tivemos o encontro entre o SC Braga e a ACR Ladoeiro, de Idanha-a-Nova.

Num jogo muito difícil para os Guerreiros do Minho, claramente espelhado no resultado final (3-2), a vitória acabou mesmo por cair para o lado dos bracarenses. Num encontro que não foi brilhante por parte do SC Braga, mas onde o conjunto albicastrense caiu de pé e saiu honrado da competição. De relembrar que as bancadas estavam vazias, pois a competição está a ser realizada à porta fechada devido ao Covid-19. Por isso, o único ponto negativo deste jogo foi os adeptos não poderem assistir ao vivo a encontros deste calibre.

De seguida, provavelmente o melhor encontro do dia, pela incerteza no resultado final (literalmente) até ao último segundo e que ficou marcado pela exibição brilhante de André Galvão. O resultado final foi de 4-3 para a equipa lisboeta perante a AD Modicus, com André Galvão a apontar os quatro tentos da turma de Porto Salvo e também com destaque para o guardião Bebé, capaz de manter a sua equipa em jogo, sobretudo. na primeira parte. Os CR Leões de Porto Salvo estiveram apenas uma vez na frente do marcador, precisamente no último segundo do encontro, quando o goleador de serviço dos Leões bateu Rui Pedro e colocou a sua equipa nas meias-finais.

O terceiro jogo colocou frente a frente o Eléctrico FC e o Portimonense SC. A equipa algarvia a eliminar o conjunto de Ponte de Sôr por números expressivos (7-3), mas que são claramente exagerados, tendo em conta o equilíbrio registado durante praticamente todo o jogo.

O Portimonense SC está com todo o mérito nas meias-finais, onde irá jogar com o SC Braga
Fonte: FPF

Na primeira metade, tivemos um jogo muito disputado, mas o conjunto algarvio esteve um pouco perdulário na finalização e o resultado ao intervalo (0-1) refletia esse maior aproveitamento da equipa orientada por Kitó Ferreira. A segunda parte foi totalmente diferente, com o Portimonense SC a aproveitar a maioria das oportunidades claras que criou para marcar sete golos. Rapidamente, virou para 3-1, obrigando o técnico dos alentejanos a apostar no guarda-redes avançado a mais de oito minutos do final. A estratégia resultou em pleno, com a equipa a chegar ao empate (3-3), mas na resposta sofreu logo o quarto e a partir daí a vantagem foi-se avolumando naturalmente, com a baliza deserta.

Na próxima fase, o Portimonense SC e SC Braga disputam uma das meias-finais, com os CR Leões de Porto Salvo à espera do resultado do dérbi, que acontece hoje às 21h30, para conhecer o seu próximo oponente. De relembrar que, com a suspensão imediata a partir da amanhã por parte da FPF, a Taça de Portugal estará parada e sem qualquer informação para retomar devido à pandemia do Covid-19.

Foto de Capa: SC Braga

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Pizzi | O reflector da realidade encarnada

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A noite de passagem de ano costuma ser um período temporal quase impermeável quanto ao poder humidificante do realismo, o chamado ‘banho de realidade’ – a total idependência entre a realidade e a consciência de cada um de nós, já bêbedos de esperanças e champanhe em promoção.

As promessas vãs que se fazem nesse dia são definidas como “tradicionais” pela tentação de mudança anual e facilidade do adjectivo, apesar de sabermos que a esperança fútil num futuro melhor será apenas uma ilusão que nos agarra perante o vazio existencial. “Muito dinheiro!” é muitas vezes procedido do ternurento “que o meu chefe valorize o meu trabalho”, que contrasta com o imediato “ah, e muita saúde” – num reflexo bonito de altruísmo e vontade puritana, para não nos tornarmos materialistas também aos olhos de Deus ou quem quer que lá esteja em cima.

Não se sabe onde estava Pizzi nesse dia, nem onde festejou o Reveillón (ainda que não tenha tido muita liberdade para o fazer, com o treino aberto realizado no dia 1), mas supõe-se que tenha passado em boa companhia e num lar inundado de alegria, onde familiares e amigos o sufocaram com elogios quanto ao seu rendimento na temporada.

Os agradecimentos que soltou, com risos orgulhosos à mistura, foram proferidos sobre uma confortável almofada onde os 19 golos e as dez assistências acomodaram a paciência do Terceiro Anel nas 24 aparições vistas até esse momento. Era o rosto de um Benfica dominador, a luz gerada por uma eficiente máquina que fazia valer a sua qualidade individual e colectiva para atropelar todos com quem se encontrava dentro de portas.

Estava no primeiro lugar e tinha atingido as meias-finais da Taça de Portugal, os principais objectivos internos e a recente aposta na dupla Taarabt-Gabriel a meio-campo tinha elevado sobremaneira a nota artística. Em Dezembro, os encarnados jogavam um futebol próximo daquele que se vira em 2018-19, com a final consolidação da dupla e do onze base.

Só no campeonato, Luís Miguel contava 11 golos e sete assistências em 14 jogos, números que o tornavam no melhor e mais preponderante jogador da Liga. Na Champions League, faz duas assistências e marca por três vezes – o que sextuplica a sua influência em golos na prova.

Em toda a sua carreira, era habitual a qualidade futebolistica de Pizzi ofuscar-se quando ouvia o fantástico hino interpretado pela Orquestra Filarmónica Real de Londres no perfilar dos onzes: em 30 jogos, tinha um único golo.

Podemos então supôr que aos 29 anos, o médio português tinha finalmente encontrado a disposição certa para enfrentar a pressão de um desafio continental, num claro processo de evolução até ao Ubermensch profetizado por Nietschze: um dos passos essenciais, para o filósofo alemão, seria a reavaliação de ideais antigos e a criação de novos, suportados por uma ambição desmedida e pela incomensurável vitória sobre o niilismo. Foi a definitiva vitória do português sobre si próprio, numa demonstração de força espiritual e que fazia supor uma época ainda mais inesquecível que a anterior.

Suposição que a chegada de Julian Weigl fortaleceu. Impensável no Verão passado, a chegada do internacional alemão foi uma lufada de ar fresco no plano de transferências de Luís Filipe Vieira e uma mudança de paradigma. Adicionar um craque internacional alemão a um grupo com Fejsa, Samaris, Florentino e a dupla que até aí vinha comandando o Benfica a um reencontro com as boas exibições era panóplia luxuosa para Bruno Lage organizar.

É fácil afirmar que a introdução de Julian de forma algo apressada possa ter levado a um interregno na criação de rotinas e na estabilização dos titulares, ainda que não haja provas concretas quanto a isso.

O certo é que a equipa entrou em espiral negativa, começou a cair de rendimento e a maioria das peças que até aí se exibiam a bom nível começaram a desistir da carreira como jogadores de futebol – Pizzi, em especial, viu-se em Janeiro apoquentado por uma gigantesca quebra física, ainda mais que noutras temporadas. A acompanhá-lo com grande destaque esteve Ferro e Grimaldo, os dois a meio caminho entre o colapso emocional e a desaprendizagem total das suas competências.

Mas o foco, enquanto grande figura da equipa, recairá sempre sobre os ombros do médio direito. Tal como outros craques, será sempre o reflexo de todos os elementos que o acompanham no onze – Gabriel, sim, é o responsável e o único com a competência devida para pôr a máquina a trabalhar.

E, se podemos afirmar com clareza que a ausência do brasileiro tem continuamente efeitos nefastos na consistência do onze (como foi vísivel na parte final de 2018-19), o rendimento do português alia-se às boas e más fases da equipa, de mão dada com a avassaladora capacidade ofensiva demonstrada entre Novembro e Dezembro ou com a monumental inépcia de Fevereiro.

Pizzi lutou contra a sua própria estatística em contexto internacional e saiu vitorioso, apesar da queda da equipa para a Liga Europa
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O que é visível assinalar é a ligação entre a sua produção ofensiva e a estabilidade no duplo-pivot. A sua melhor fase começa precisamente a 2 de Novembro, na recepção ao Rio Ave (2-0), quando Florentino e Gabriel assentavam arraiais na titularidade, e a reconhecida capacidade de leitura de jogo e reacção à perda da dupla permitiam a Pizzi uma liberdade que Taarabt não lhe consegue oferecer.

Ainda assim, a qualidade do marroquino no capítulo ofensivo ajudou Pizzi a chegar à sua melhor forma de sempre. Tudo começa em Leipzig (2-2), a 27 de Novembro, quando Lage o introduz como novo companheiro de Gabriel e mantém a parceria durante o último mês do ano, até ao jogo em Guimarães (0-1) a 4 de Janeiro – foi o melhor mês de sempre para Pizzi, com seis golos e cinco assistências em sete partidas, entre Champions League, Primeira Liga e Taça de Portugal.

Desde aí, os números do craque português caíram a pique. Desde a desarrumação tática provocada pela chegada de Weigl e a lesão de Gabriel, o português contabiliza sete golos e duas assistências em 15 jogos realizados. O que são números razoáveis quando não esmiuçados perante as circunstâncias: na Liga, os três golos foram de penálti; na Taça de Portugal, finaliza mais uma vez de penálti e marca em Famalicão de bola corrida; na Liga Europa, repete de penalidade em Kharkiv, marcando bonito golo na Luz em boa jogada individual. Em termos de passes para golo, não oferece em território nacional qualquer oportunidade desde 14 de Janeiro (!!!), na vitória frente ao Rio Ave para a Taça.

É tentador então discernir que o rendimento de Pizzi é proporcional à estabilidade da dupla do meio e das suas qualidades. Enquanto a importância de Gabriel na recuperação se torna essencial no sistema de Lage, com provas várias nesse sentido, o parceiro que melhor complementou as suas qualidades foi Taarabt, parceria que alavancou toda a frente de ataque e escondeu fragilidades defensivas que são, agora, constantemente postas à prova. Pizzi servirá sempre como reflector dos momentos da equipa: o protagonismo de diferenciador e peça essencial do xadrez será sempre entregue a Gabriel.

Com a lesão do brasileiro, a 6 de Fevereiro, foi visível ainda mais a quebra de uma equipa já à beira do precipício e o jogo no Dragão, dois dias depois, foi a estocada final num grupo de jogadores longe da sua melhor forma.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão