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Um clássico de “vida o muerte”

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Clássico de “vida o muerte“, é “A última bala do Real Madrid”. É desta forma que o conceituado jornal espanhol ‘Marca’ descreve o clássico de domingo que opõe os merengues ao Barcelona. E este é um “clássico mortal” – como também se pode ler na publicação – porquê? Simples. Porque, se os catalães vencerem, saem de Madrid ainda mais líderes, com mais cinco pontos do que o rival, a doze jornadas do final do campeonato.

Além da questão pontual, uma derrota da equipa orientada por Zidane no Bernabéu diante de um histórico adversário será mais um golpe duríssimo que se junta aos vários que tem enfrentado nas últimas semanas. Em casa, o Real Madrid não venceu os últimos três jogos: empatou com o Celta Vigo, perdeu com a Real Sociedad – e foi eliminado da Taça do Rei – e foi derrotado pelo Manchester City na última quarta-feira, colocando praticamente um pé fora da Liga dos Campeões.

O Bernabéu tem sido tudo menos uma fortaleza para a equipa da casa, ultimamente. Se a tudo isto se juntar o desaire no terreno do Levante na última jornada, e a consequente perda da liderança do campeonato, percebe-se, ainda melhor, o pesadelo que a equipa ‘blanca’ está a viver. Olhando por outro prisma, esta é a tal oportunidade que o Real Madrid tem de voltar a dar uma ‘remontada’ na época, pois, em caso de vitória diante do Barcelona, recupera o 1.º lugar da Liga Espanhola, com mais um ponto do que o rival. Os ‘merengues’ vão tentar salvar a temporada no clássico, uma vez que estão fora da Taça do Rei e ficaram com a vida muito difícil na Liga dos Campeões, depois do jogo da última quarta-feira.

Quique Sétien na sua oitava experiência enquanto treinador
Fonte: FC Barcelona

Da Catalunha, viaja uma equipa moralizada pelos últimos resultados, mas extremamente desfalcada. Piqué deve recuperar da lesão a tempo do clássico, mas Sergi Roberto, Jordi Alba, Dembélé e Luis Suárez são baixas confirmadas. Limitações para Quique Setién formar uma equipa para jogar num terreno que tem sido muito favorável para os catalães nos últimos anos, uma espécie de ‘jardim blaugrana’.

São seis vitórias para o Barça nos últimos dez clássicos no estádio do Real Madrid, que há quase três anos que não consegue bater o grande rival em casa. Mais: Setién venceu o Real Madrid duas vezes nos últimos três jogos que disputou no Bernabéu, na altura como treinador do Bétis, ou seja, numa equipa que não está ao nível dos grandes em Espanha. O Barcelona chega à capital numa série de quatro jogos sem perder, mas sem motivos para sorrir no que toca a jogos fora, com duas derrotas e um empate em quatro desafios. A 1.ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões também trouxe mais sorrisos aos catalães, uma vez que conseguiram um resultado que lhes dá vantagem para a 2ª mão (1-1 em Nápoles), ao contrário do Real Madrid, que foi derrotado por 2-1, em casa, pelo Manchester City.

Quanto a individualidades que podem fazer a diferença, salta à vista, obviamente, o nome de Lionel Messi, que já marcou 26 golos (!) em 42 jogos diante do Real Madrid. O argentino reforçou o estatuto de melhor marcador do campeonato na última jornada, em que apontou quatro golos na vitória diante do Eibar (5-0). Além dos 18 golos, Messi soma ainda 12 assistências no campeonato e terá a companhia, no ataque, de Antoine Griezmann, que também atravessa um bom momento de forma, com dois golos decisivos nos últimos três jogos.

Do lado do Real Madrid, Benzema tem sido sinónimo de golos. O francês já marcou 18 vezes esta época, 13 no campeonato, e vai liderar o ataque dos ‘merengues’ no clássico, provavelmente com a companhia de Vinícius Jr. e de Isco, jogadores que estiveram em evidência no último encontro do Real, com o Manchester City.

APOSTA VIP: Empate (2-2)

O Real Madrid CF tem a melhor defesa do campeonato, é certo, mas só nos últimos três jogos sofreu cinco golos. Diante do melhor ataque da prova, com Messi e Griezmann em forma, é provável que os merengues voltem a conceder golos. O Barcelona está num nível anímico muito mais favorável do que o Real Madrid e costuma sentir-se extremamente confortável a jogar no Bernabéu. (Mais) Uma vitória na casa do rival é, por tudo isso, bem provável. Porém, tendo em conta a importância do jogo para as contas do título, o Real Madrid vai encarar este desafio como a salvação a época, deixando tudo em campo para contrariar a história e afastar os pesadelos das últimas semanas, com a liderança da Liga Espanhola em ponto de mira.

Foto de Capa: La Liga

Jogo Interior #19 – Formação para ganhar Homens

“Formação para ganhar Homens”. Quantas vezes não ouvimos este diálogo entre pessoas do futebol? “- Como correu o jogo hoje? – Correu mal, perdemos”. O que dirá isto daquilo que é a essência do futebol aos olhos da população que dele e com ele vive? Será que o miolo do futebol passa pela busca dos resultados desportivos?

No futebol de formação, estes diálogos surgem “inconscientemente” entre qualquer pessoa afeta aos treinadores dos escalões iniciais da modalidade. Depois de qualquer jogo, nas horas seguintes, no dia seguinte, na semana seguinte, a pergunta surge e a resposta que é procurada é sempre a mesma: Ganhar ou perder?

Aos treinadores de formação cabe o papel de mudar este paradigma, esta ideia errada do que é o sucesso neste momento da formação dos jovens jogadores. Como treinador de futebol de formação e licenciado em Treino Desportivo, penso que esta mudança se inicia no campo, no treino, nos momentos competitivos, na mentalidade incutida nos jovens e naquilo que lhes é solicitado em todas estas circunstâncias do futebol.

Aos jovens jogadores apenas se deve exigir, pedir e incutir a dedicação máxima, a entrega total, o esforço em prol do grupo e de cada um, a tentativa de fazer as coisas que são treinadas e, no fim, mas não menos importante, a diversão em fazer aquilo que tanto gostam e que os seus pais, o clube e os treinadores, idealmente fazem para que a experiência seja a mais proveitosa.

O objetivo do futebol de formação deve ser formar o individuo e não uma “máquina de fazer golos”
Fonte: SL Benfica

Ouvimos, muitas vezes, treinadores a gritar para os seus jovens “Queremos ganhar ou não?”, objetivando e direcionando o futebol de formação para a vitória desportiva, para a aquisição dos três pontos, para a busca destes através de qualquer meio, colocando, assim, de lado aquilo que deve ser perseguido e focado.

Para além da formação desportiva, onde entra a aquisição das demais habilidades da modalidade, o conhecimento e a perceção daquilo que são os momentos do jogo e da tática, entre outros pontos do futebol, deve imperar a formação pessoal de cada jovem jogador, como um indivíduo a capacitar de atuar numa sociedade repleta de hábitos, normas e regras.

Deve-se fazer com que cada jogador perceba: que para melhorar e evoluir, tem de se dedicar, de trabalhar e de se esforçar ao máximo, que nada lhes é dado de “mão beijada”, como se costuma dizer; que, para que um grupo avance, deve estar unido e a remar na mesma direção como os marinheiros que levam um barco a bom porto; que deve respeitar todos os intervenientes na ação em que a modalidade se desenrola; e que não há problema em errar e falhar, pois este faz parte do processo de aprendizagem e evolução e sim, há problema em desistir e não reagir a cada adversidade que surge com mais vontade e ambição.

No fundo, todo este “futebol de formação” pretende formar o indivíduo, muni-lo de ferramentas, estratégias e soluções para uma vida em sociedade, em que muito do que é aprendido com esta prática é transferível para as várias situações da vida de cada um. Portanto, ganhar um jogo não será mais do que uma pequena cereja no topo de um grande bolo que demorou muito tempo e deu muito trabalho a fazer. Não será mais do que uma vitória, não será mais nem melhor, nem mais importante, nem mais valioso do que uma derrota, ou um empate, é apenas um mero resultado e, deve ser entendido como tal.

O sucesso dependerá daquilo que cada jogador, cada indivíduo fez durante os treinos e durante a competição para cumprir, em todos os aspetos, o objetivo de “ser melhor hoje do que aquilo que foi ontem”.

Foto de Capa: AD Limianos

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

8 individualidades da época do SL Benfica

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A época do SL Benfica já vai longa. Já passou a fase de grupos da Liga dos Campeões com a queda para a Liga Europa, já passou a fase de grupos da Taça da Liga com o não apuramento para a Final Four, já se percorreu todo o caminho para a Final do Jamor, já se caiu definitivamente da Liga Europa e já se disputaram 22 jornadas de um campeonato onde o SL Benfica já conseguiu uma vantagem de sete pontos sobre o adversário mais directo e também viu seis desses pontos evaporarem-se.

Uma época com vários e distintos momentos. Uma época na qual o treinador já muito mudou e em que já vários jogadores rodaram por aquele 11 titular. Uma época na qual até o mercado de inverno nos trouxe grandes movimentações, com a saída do recém-contratado Raúl de Tomás, do miúdo Gedson e do eterno Fejsa e com a contratação do avançado ex-bracarense Dyego Sousa e do alemão Julian Weigl, por 20 milhões.

Tantos altos e baixos, tantas experimentações e mudanças, fazem-me ter de falar de pelo menos oito das muitas individualidades desta época encarnada. Não que sejam os principais destaques – negativos ou positivos -, mas porque as nuances da sua importância e desempenho esta época merecem debate.

Competições Europeias | Um “desastre” português, entre outras coisas

Depois de vários jogos nas competições europeias costuma haver sorteio ou então saudade, porque ainda falta jogar uma das “mãos” e por isso queremos que a próxima semana de “Europa” chegue mais rápido. Esta semana que agora termina é as duas coisas em simultâneo: terminou a primeira mão dos “oitavos” da Liga dos Campeões e já estão apurados os 15 melhores da Liga Europa. O FC Red Bull Salzburg vs Eintracht Frankfurt foi adiado devido ao mau tempo, pelo que, quando o jogo se disputar, já serão conhecidos os 16 classificados.

Neste texto falaremos das duas competições, mas temos de começar por aquele que é, incontornavelmente, o maior destaque (pela negativa) desta semana: a eliminação de SL Benfica, FC Porto, Sporting CP e SC Braga da Liga Europa. De sermos o país mais representado na segunda divisão do futebol europeu, passamos a ter zero equipas presentes, e logo nos 16-avos-de-final.

“Quatro tiros ao lado”: Primeiro e Segundo incapazes

O FC Porto era aquele que, na minha opinião, tinha a vida mais dificultada para passar. O Bayer 04 Leverkusen voltou da habitual paragem invernal que se faz na Bundesliga com sede de ganhar coisas e com uma dinâmica coletiva muito forte, que fez de si favoritos a passar aos oitavos de final. Depois, juntando isso aos jogadores de extrema qualidade que tem nas suas fileiras (Havertz, Bailey, Demirbay, Alario, Diaby, etc), tornou-se de facto num objetivo inultrapassável.

No entanto, isto não invalida o facto de os “Dragões” terem capacidade para fazer muito mais, principalmente na segunda-mão, em casa. Não aconteceu assim e os alemães puseram a nu todas as fragilidades da equipa treinada por Sérgio Conceição. Há quem diga que foram muito permeáveis defensivamente – e foram –, mas o maior problema tem sido o ataque, que também esteve sempre mal. Aliás, este ano tem sido por demais evidente que a “força física” tão privilegiada pelo técnico, em vez da virtuosidade técnica, não chega, principalmente ao nível europeu.

A outra equipa portuguesa com duelo de “Champions” na Liga Europa foi o SL Benfica. Aqui sim estava à espera de muito mais… Peço desculpa, vou corrigir: no momento do sorteio estava à espera de mais, agora, depois das mais recentes exibições, aprendi a ver o copo meio-vazio que insiste em não encher. Duas exibições abaixo daquilo que se espera de um campeão nacional em título português, com um plantel onde há muita qualidade, mas onde o melhor jogador da época é Odysseas Vlachodimos (sem desprimor para a sua capacidade, que é muita).

Certo, o FK Shakhtar de Luís Castro também não era “pera doce”, mas no cômputo geral creio que os “encarnados” tinham condições para serem superiores. Em campo nota-se que o SL Benfica é uma equipa que faz tudo em esforço, que não há ali um fio condutor que ligue aquele jogo. Tudo se agrava quando há jogadores que estão a passar por momentos complicados de forma desportiva, como são os casos de Grimaldo, Ferro, Tomás Tavares, Pizzi e Rafa, embora este último, no jogo da segunda-mão já tenha estado muito melhor.

Se no caso do FC Porto culpo Sérgio Conceição por não meter aquela equipa a jogar bem, no caso do SL Benfica tenho também de criticar de forma negativa o trabalho de Bruno Lage. Sim, já fez muita coisa boa, eu não vejo os treinos, ele é que é treinador, ele é que tem curso e as suas opções são aquelas que acredita serem as melhores. Sem querer apagar isto que disse, acho incompreensível, enquanto observador, como é que Vinícius não joga desde início numa partida decisiva (se não estava bom para começar, também não estava para entrar na segunda-parte), como é que não se coloca a equipa em 4-3-3 (para dar mais consistência ao processo defensivo e mais liberdade aos criativos para atacarem) e ainda porque é que Cervi volta a deixar de ser opção, estando visto que introduzindo-o na mesma ala que Grimaldo, “mata dois coelhos com uma cajadada”: defende e ataca melhor.

 

“Quatro tiros ao lado”: “Sportings” também vão para casa

Após a derrota por 2-3 na Escócia, o SC Braga recebia o The Rangers FC com boas perspetivas de passar à próxima fase da prova
Apesar da eliminação, o melhor em campo na “Pedreira”: Matheus
Fonte: SC Braga

O Sporting CP, por estranho que possa parecer face à sua instabilidade, era a maior esperança de uma presença do futebol português nos 16 melhores da Liga Europa. Depois de uma vitória assertiva e “sem espinhas” contra os turcos do Istanbul Basaksehir FK na primeira-mão, os leões sucumbiram ao ambiente quente dos estádios daquele país.

Depois várias exibições positivas, a equipa leonina volta a demonstrar que o seu plantel tem muitas lacunas e que tem jogadores que não têm qualidade para vestir aquela camisola. Sob pressão vacila e dá sempre muitos espaços aos adversários, algo que o Istanbul Basaksehir FK aproveitou com muita astúcia, eliminando mesmo o Sporting CP no prolongamento, por claros 4-1.

Já o SC Braga, que continua em estado de graça com Ruben Amorim, chegámos mesmo a pensar que poderiam fazer uma “gracinha” frente um The Rangers FC, que está uma equipa bastante sólida e que se nota que tem dedo de treinador, o mítico Steven Gerrard. No entanto, o inglês demonstrou como se ganha a estes bracarenses e conseguiu explorar o seu principal defeito: o espaço que deixam nas costas quando estão em processo atacante e perdem a bola. Depois, foi uma soma de coletivo com individualidades mais poderosas: Kent, Hagi, Morelos, Tavernier… Areia demais para a camioneta do SC Braga. Ainda assim, regista-se o bom projeto que o jovem treinador português está a montar nos “Gverreiros do Minho”, que tem pernas para andar.

A Liga Europa está cada vez mais competitiva e isso nota-se bem nos clubes que a disputam. Para os oitavos-de-final, temos Manchester United, Inter de Milão, Sevilha FC… grandes nomes que estão habituados a estar noutro patamar.

 

A “Champions”: Os melhores dos melhores

Terminada a primeira-mão dos oitavos-de-final daquela que é a competição de clubes mais ambicionada por todos, faço um pequeno apontamento a cada um dos jogos.

O Manchester City a festejar uma vitória “arrancada a ferros” na casa do Real Madrid CF
Fonte: Manchester City

Club Atlético de Madrid 1-0 Liverpool FC – Um dos jogos mais desinspirados dos ingleses nesta época resultou numa vantagem pela margem mínima para os espanhóis, que se sentem confortáveis a defender e não o sentem a fazer mais nada em campo.

Borussia Dortmund 2-1 Paris Saint-Germain FC – Grande jogo na Alemanha, com duas equipas muito fortes e com poderio atacante. A vitória dos alemães foi inteiramente justa e até pecou por escassa, tal foi a postura “negativa” com que os franceses entraram em campo.

Atalanta BC 4-1 Valência CF – Fantástica equipa de Gasperini, que com um futebol sempre com olhos postos na baliza adversária (contrariando a escola mais defensiva italiana) destrói adversários sem compromisso defensivo. Foi o que aconteceu aos valencianos, de forma clara.

Tottenham Hotspur 0-1 RB Leipzig – Jogo apagado da formação de José Mourinho contra um RB Leipzig que é, na minha opinião, uma das cinco equipas que melhor futebol pratica no mundo.

Chelsea FC 0-3 FC Bayern Munique – O jogo mais desequilibrado desta eliminatória. Foram três, mas podiam ter sido mais, com os alemães a assumirem-se como um dos principais candidatos a levar a “orelhuda” pela sexta vez.

SSC Napoli 1-1 FC Barcelona – Gattuso montou uma boa estratégia contra o “Barça” de Setién, que abusa da posse de bola longe de áreas onde esta pode fazer a diferença. Resultado lisonjeiro para os espanhóis.

Olympique Lyonnais 1-0 Juventus FC – Para mim, a maior surpresa desta primeira ronda de partidas. Surpreendeu-me a forma da Juventus FC numa competição que claramente pretendem ganhar há muitos anos. Aproveitou e bem o “Lyon”, que defendeu como poucas vezes o fez nos últimos… meses.

Real Madrid CF 1-2 Manchester City – O meu jogo preferido de todos os que já falámos; não desiludiu: dois grandes treinadores, duas excelentes equipas e um jogo dividido até à expulsão de Sérgio Ramos. O resultado mais justo seria um empate com golos, mas os “sky blue” conseguiram aguentar na melhor fase dos “merengues” e a qualidade que entrou do banco acabou por fazer a diferença.

Foto de Capa:FC Porto

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

HC Meshkov Brest 32-35 FC Porto: Que venham os oitavos!

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A CRÓNICA: Apesar de várias falhas, o FC Porto confirmou o quinto lugar

Num jogo a contar para a 14.ª e última jornada do Grupo B da Liga dos Campeões da EHF, o FC Porto deslocou-se a Brest na Bielorrússia para enfrentar o HC Meshkov Brest e garantir o quinto lugar da classificação.

Ainda sem Magnus Andersson no banco – o treinador azul-e-branco já falhara o clássico frente ao SL Benfica por não estar bem fisicamente – os dragões mostraram todo o seu poder e dominaram o encontro desde o início.

Com uma defesa 6×0 muito forte e pressionante, que obrigava a primeira linha bielorrussa a pensar e agir depressa, o Porto entrou melhor e rapidamente começou a construir uma vantagem confortável. Com Thomas Bauer a fechar a baliza (ao intervalo já contava com nove defesas e uma percentagem defensiva de 41%) e André Gomes a fazer uso da sua velocidade e potência de remate, os campeões nacionais já venciam por seis com apenas 15 minutos jogados.

No entanto, talvez por algum excesso de confiança por parte da equipa lusa, o Brest ia-se aproximando e, apesar de nunca colocar em risco a vantagem do Porto, mantinha a esperança.

A turma da casa ia crescendo, mas ao intervalo a vantagem era portuguesa por 13-17.

O segundo tempo começou e os dragões entraram com a “mão” errada. Ao fim de cinco minutos uma vantagem que chegara aos seis tinha sido reduzida para apenas dois e o balanço encontrava-se do lado da casa.

O Sportshall Victoria começava a empolgar-se, mas a entrada de Rui Silva e uma subida da concentração defensiva permitiram ao Porto voltar ao nível inicial e chegar a uma vantagem de cinco golos com 12 minutos jogados na segunda parte.

Até ao final do encontro, a equipa da casa tentou ao máximo reduzir a desvantagem e tentar o empate, mas a maior qualidade individual fez a diferença nos momentos chave e foram mesmo os dragões a vencer por 32-35.

Com esta vitória, o FC Porto confirmou o quinto lugar do Grupo B e fica agora à espera de saber se irá enfrentar nos oitavos-de-final o Aalborg da Dinamarca ou o Flensburg da Alemanha.

A FIGURA

Fonte: FAP

Thomas Bauer: O guarda-redes austríaco esteve imparável e foi fundamental para esta vitória portista. Com 17 defesas e 35% de eficácia defensiva (incluindo ter parado dois dos três livres de sete metros assinalados), Bauer frustrou praticamente todas as tentativas de remate dos atletas bielorrussos.

O FORA DE JOGO

Fonte: FAP

Djibril Mbengue: O lateral-direito recebeu duas exclusões de dois minutos ainda na primeira parte e por isso acabou por não ser muito utilizado na segunda. Um atleta experiente e com muita importância no plano defensivo dos dragões, excluído por duas infantilidades e, frente a um adversário com outras armas, podia ter saído caro.

 

ANÁLISE TÁTICA DO HC MESHKOV BREST

Raul Sanguino decidiu o francês William Accambray no banco no início do encontro, mas a verdade é que os melhores momentos de jogo por parte dos bielorrussos aconteceram com o lateral em campo. O Brest teve muita dificuldade em lidar com o físico português e viveu quase exclusivamente das jogadas individuais da sua primeira linha.

SETE INICIAL 

Ivan Matskevich (7)

Andrei Yurinok (7)

Alexsander Shkurinskiy (6)

Sandro Obranovic (6)

Marko Panic (6)

Mikita Vailupau (6)

Viachaslau Shumak (6)

Ivan Pesic (7)

Branko Kankaras (6)

William Accambray (7)

Maksim Baranau (7)

Simon Razgor (6)

Artsiom Selviasiuk (7)

Darko Djukic (6)

Jaka Malus (8)

ANÁLISE TÁTICA DO FC PORTO

O FC Porto voltou a jogar o seu jogo, mas foi uma exibição com várias falhas que podiam ter saído caras. O 7×6 azul-e-branco, apelidado pelo treinador do Vardar como um dos melhores do mundo, não teve a eficácia e dinâmica do costume e permitiu ao Brest aproximar-se várias vezes no marcador.

SETE INICIAL 

Thomas Bauer (8)

Leonel Fernandes (7)

André Gomes (8)

Miguel Martins (7)

Djibril Mbengue (6)

António Areia (7)

Aléxis Borges (7)

Fábio Magalhães (8)

Diogo Branquinho (7)

Vitor Iturriza (6)

Daymaro Salina (7)

Rui Silva (7)

Miguel Alves (7)

Angel Zulueta (7)

 

 

Foto de Capa: FAP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Formula E Marraquexe E-Prix: Félix da Costa vence, em duplo pódio da DS Techeetah

A CRÓNICA: OUVIU-SE «A PORTUGUESA», EM MARROCOS

António Félix da Costa (DS Techeetah) venceu o E-Prix de Marraquexe, em Marrocos. Após começar na pole position, o piloto português foi cirúrgico na forma como usou a estratégia para vencer o segundo classificado, Maxi Guenther (BMW i Andretti), com quem batalhou durante grande parte da corrida. A fechar o pódio, ficou o colega de equipa de António e bicampeão de Fórmula E, Jean-Eric Vergne, que deu mais uma vez espetáculo com as fantásticas ultrapassagens a que já nos habituou.

Após uma rara primeira volta sem acidentes, António Félix da Costa e Guenther afastaram-se no horizonte, com o português a liderar e o alemão sempre muito perto. Por toda a grelha não havia muito a acontecer, como costume todos esperam pelo primeiro a premir o gatilho do “Attack Mode” para se perceberem as diferentes estratégias das equipas. As exceções eram certamente JEV e Mitch Evans (Jaguar Panasonic Racing), que ao começarem bastante distantes das posições onde se sentem mais confortáveis (o francês em 11.º e o neo-zelandês em 24.º), deram um espetáculo de grandes ultrapassagens e de capacidade competitiva.

Cara de quem é líder do campeonato
Fonte: Formula E

Na batalha da frente, Guenther começava a ser mais agressivo, e atacava Félix da Costa, com o português a parecer simpático de mais, quando pareceu que facilitou a vida ao alemão quando este passa para a liderança. Porém, Félix da Costa estava a pensar a longo prazo, procurando poupar a bateria colando-se ao túnel de ar criado pelo monolugar de Guenther, o que o ajudava a não ter de puxar tanto pelo carro para ser rápido. Ao perceber isto, o alemão começou a utilizar um ritmo mais lento para que Lotterer, Buemi e Vergne fossem capazes de se aproximar e pressionar Félix da Costa.

O português ligou o modo raposa velha e ativou o Attack Mode, passando para a frente de Guenther, que nunca mais se conseguiu aproximar, passando a batalhar com Vergne pelo segundo lugar do pódio.

Vergne ainda conseguiu colocar-se em segundo, o que seria dobradinha para a DS Techeetah, mas gastou demasiada bateria a recuperar da 11.ª posição, e Guenther acabou por regressar ao segundo degrau do pódio através de uma magnífica ultrapassagem na última volta.

Vergne acabou por ficar sem bateria mesmo em cima da linha, quase perdendo o seu terceiro lugar para Sebastien Buemi (Nissan E-DAMS).

Mais uma vez, a Fórmula E provou o tipo de campeonato que é: grandes corridas com resultados imprevisíveis. Este ano já são cinco vitórias em cinco corridas e, desta vez, tivemos uma grande corrida sem o caos habitual, apenas grandes batalhas à maneira antiga.

António Félix da Costa passa para a liderança do campeonato e com três pódios seguidos. Esta consistência pode fazer toda a diferença quando for necessário fazer contas no fim da temporada.

O Passado Também Chuta: Raúl González

Raúl González foi uma das figuras que marcaram a história do Real Madrid CF, uma carreira repleta de golos, vitórias e títulos. O eterno capitão madrilista, que esteve 18 anos ao serviço do Real Madrid.

Raúl González deu os seus primeiros passos no futebol, ao serviço do Atlético Madrid FC, tendo ingressado em 1992, na cantera do rival, Real Madrid. A 29 de outubro de 1994, cumpriu o seu primeiro sonho, estreou-se a titular frente ao Real Zaragoza, numa partida a contar para a Liga Espanhola. No seu segundo jogo com a camisola do Real Madrid defrontou no Santiago Barnabéu, o Atlético de Madrid, vencendo por 4-2, com um golo do jovem Raúl.

Nos 18 anos de lealdade e paixão ao seu Real Madrid, Raúl somou 741 jogos e 323 golos marcados. Mas esta foi sobretudo uma história de títulos, vencendo três Ligas dos Campeões, duas Taças Intercontinentais, uma Supertaça Europeia, seis campeonatos e quatro Supercopas de Espanha.

Raúl González vestiu a camisola do Real Madrid, durante 18 anos, conquistando 16 títulos                 Fonte: Real Madrid

Raúl González foi uma figurante marcante do futebol europeu, tendo feito a sua estreia na Liga dos Campeões, com apenas 18 anos, venceu três vezes a maior competição de clubes da UEFA. Na época 97/98, os blancos venceram a Juventus por 1-0, com golo de Predrag Mijatović. No entanto, Raúl voltaria a vencer em 2000 e 2002, marcando golos nas duas finais, diante do Valencia e do Bayer Leverkusen.

Em 2010, ao cabo de 18 anos a defender as cores do Real Madrid e a encantar o Santiago Barnabéu, cedeu a camisola 7 ao melhor do mundo, Cristiano Ronaldo. O internacional espanhol, Raúl, transferiu-se para o Schalke 04, onde conquistou mais dois títulos – a Taça e a Supertaça da Alemanha. Antes de terminar a sua carreira, Raúl vestiu ainda a camisola do Al Sadd e do NY Cosmos.

Raúl foi ainda uma figura marcante da seleção espanhola, ultrapassando a centésima internacionalização, apontando 44 golos. O número 7 representou a “La Roja” em três campeonatos do mundo, dois Europeus e nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996.

Raúl ficará para sempre na história do futebol mundial, pelos vinte títulos conquistados e pelos 385 golos marcados ao longo da sua carreira. Mas sobretudo, será sempre um ídolo do Real Madrid, pela sua dedicação e lealdade durante 18 anos ao serviço do clube do seu coração.

Foto de Capa: Real Madrid CF

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Desastre na Europa, foco no campeonato

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A caminhada europeia do FC Porto terminou com uma derrota pesada diante do Bayer Leverkusen, que até podia ter sido por outros números, face à enorme superioridade evidenciada pelos alemães. A campanha dos dragões esta temporada foi um desastre e só mesmo com muita sorte à mistura é que tinham conseguido seguir em frente. Por um lado, o resultado pesado, justifica-se pela falta de qualidade que a equipa demonstrou ter.

Mas antes de analisarmos o que correu mal, é preciso perceber há quanto tempo corre mal, e a verdade é que o problema já não é de agora. Em Agosto, diante do FC Krasnodar, a equipa de Sérgio Conceição venceu na Rússia, mas depois – e para espanto de muitos – perdeu no Dragão. Começou mal esta caminhada e terminou da mesma forma. Já para não falar da fase de grupos da Liga Europa, em que teve de suar muito para ultrapassar um grupo teoricamente acessível.

A equipa foi eliminada porque foi realmente a pior equipa nas duas mãos. Não tinha condições, nem argumentos para contrariar o favoritismo do adversário. Mas a forma como encarou os jogos também deixou muito a desejar, principalmente uma equipa como o FC Porto habituada a contornar as dificuldades.

Corona tem sido uma das figuras da equipa nesta época
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Fora das competições europeias – depois de uma das campanhas mais fracas -, o FC Porto tem agora foco total no campeonato. Apesar de já ter reduzido a desvantagem de sete pontos para um ponto, a verdade é que este FC Porto tem um longo caminho pela frente e já não tem assim tanto tempo para mudar radicalmente algumas ideias de jogo. As exibições têm estado aquém das expectativas e o treinador não tem conseguido colocar a equipa a praticar um bom futebol. Falta raça, dinâmica e vontade de vencer.

No último jogo do campeonato, diante do Portimonense SC, a equipa mostrou estar animicamente fraca, sem ideias de jogo, sem soluções e com uma linha defensiva de cortar a respiração. Este fim de semana, na deslocação aos Açores, é preciso mais. É preciso uma reação digna de uma equipa que acredita que é possível salvar esta temporada com a conquista do principal objetivo: o campeonato. O que se espera é uma resposta em campo para contornar esta eliminação.

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Bradley Beal iguala recorde de Kobe Bryant, mas com um sabor amargo

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Bradley Beal, o base-extremo dos Washington Wizards, igualou, na passada segunda feira, um recorde detido pela eterna lenda Kobe Bryant!

Momentos depois da cerimónia de homenagem a Kobe Bryant, Bradley Beal e os Washington Wizards defrontaram os Milwaukee Bucks de Giannis Antetokuonmpo, num jogo que teve direito a prolongamento. Apesar da derrota por três pontos, num jogo que ficou 137-134 a favor dos Bucks, Beal conseguiu a proeza de anotar um melhor registo de carreira em termos de pontos num só jogo: 55. A mão quente de Beal já dura há algum tempo, tendo uma média de 35.6 pontos por jogo no mês de Fevereiro.

Após no sábado passado ter anotado o então melhor de carreira, 53 pontos, numa derrota contra os Chicago Bulls de Zach LaVine, Beal tornou-se no primeiro jogador desde Kobe Bryant em 2007 a anotar mais de 50 pontos em dois jogos consecutivos. No entanto, a pequena (grande) diferença está no facto de que Kobe o fez em duas vitórias e Beal, apesar dos seus esforços, o fez em duas derrotas.

Bradley Beal é o primeiro jogador desde Kobe Bryant em 2007 a conseguir jogos consecutivos a anotar pelo menos 50 pontos
Fonte: Washington Wizards

O base-extremo ainda declarou em relação à performance de carreira que “a podem apagar, pois sou um vencedor e assim os 55 pontos nada significam”. Beal torna-se assim, também, o único jogador dos Washington Wizards a marcar 50 pontos em jogos consecutivos na história do clube.

A equipa de Washington encontra-se, contudo, em 9.º lugar na conferência Este, com um recorde de 21-36, estando 4.5 jogos atrás do 8.º.

Apesar da fantástica temporada, fazendo a melhor média da sua carreira de 30.1 pontos por jogo, Bradley Beal ficou de fora do All-Star Game e está assim, jogo após jogo, a demonstrar o seu verdadeiro valor e a provar que merecia tal reconhecimento.

Foto de Capa: Washington Wizards

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Será Gelson Dala uma opção para o futuro?

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O internacional angolano Gelson Dala está de volta ao futebol português para representar o Rio Ave FC até ao final da temporada, por empréstimo. O jovem avançado tem contrato válido com o Sporting até 2022, com uma cláusula de rescisão de 60M€.

Na última jornada do campeonato, Gelson Dala foi o melhor em campo ao apontar dois golos na vitória do Rio Ave frente ao Tondela, por 2-1. O jovem angolano vive a sua terceira passagem pelos vila-condenses, somando três golos em apenas quatro jogos.

Gelson Dala fez o seu trajeto na formação ao serviço do 1º de Agosto, tendo ainda contabilizado 79 jogos e 43 golos marcados, na equipa principal, em quatro épocas. Chegou a Alvalade na temporada 2016/17, para representar a equipa “B”, onde somou 23 jogos e 17 golos apontados, mas na equipa principal contou apenas com duas aparições.

Gelson Dala foi reforço de Inverno para o Rio Ave, somando três golos em quatro jogos
Fonte: Rio Ave FC

Dala esteve em Vila do Conde, nas duas últimas épocas, disputando 32 partidas e apontando oito golos. Na primeira metade desta temporada rumou ao futebol turco, vestindo a camisola do Antalyaspor, marcando apenas um golo, em nove jogos.

Gelson Dala é um avançado rápido, muito móvel, com frieza a finalizar acima da média e tecnicamente evoluído. Sendo um dianteiro, com características diferentes de Luiz Phellype (lesionado), Pedro Mendes e Andraž Šporar, poderá vir a afirmar-se na próxima temporada ao serviço do Sporting.

Dala é uma das grandes esperanças do futebol angolano, tendo sido internacional por 27 ocasiões, tendo apontado 11 golos. Nesta temporada, continuará a evoluir e ganhar experiência competitiva, no principal escalão do futebol português. Assim, para a próxima época poderá estar preparado para representar o Sporting e ser uma alternativa aos avançados que fazem parte do plantel.

Foto de Capa: Rio Ave FC

Artigo revisto por Joana Mendes