Início Site Página 11545

«Esta é a nossa vida, temos de dar tudo e aproveitar a oportunidade» – Entrevista BnR com Diogo Barbosa

Um dos melhores júniores nacionais na época passada, Diogo Barbosa subiu ao escalão seguinte no país vizinho, na equipa amadora da Caja Rural. Nesta conversa com o BnR, o jovem ciclista revela como está a lidar com a adaptação à nova realidade, fala sobre a sua primeira experiência entre os Elites nacionais e pisca o olho à W52/FC Porto.

Bola na Rede (BnR): Este ano, subiste a Sub23 e foste para Espanha, para a Caja Rural. Como está a correr esta experiência?

Diogo Barbosa (DB): Está a ser uma experiência como esperava, tenho umas condições que em Portugal não temos. Temos muitas corridas e essas mesmas são do nosso escalão sub23, o que aqui em Portugal quase não existe, também ainda existe, mas em pequena escala. 

Estou a gostar da experiência e tenho companheiros de equipa que me ajudam a aprender, pois são mais velhos. Tenho até três companheiros de Elites, que me ajudam a aprender, a melhorar a cada dia que passa e que a cada dia de competição que fazemos ajudam-nos a perceber aquilo que é o ciclismo. E isso que faz com que nos evoluamos mais.

BnR: Além do facto de ser uma equipa espanhola, passaste também de Junior para Sub23. Já falaste dos teus colegas que te estão a ajudar. Como está a ser esta adaptação, não só a uma equipa com um tamanho diferente como também a passagem de escalão?

DB: A passagem de escalão era algo que estava muito à espera e ansioso, pois diziam-me que era a passagem mais dura que um ciclista tinha na sua carreira. Estou contente com a passagem, porque é difícil, tudo bem que é difícil, mas não tão difícil como aquilo que as pessoas dizem. 

Se nós temos os nossos objetivos, e temos como objetivo ser ciclista, e trabalhamos bem e preparamos bem a época, aí está a diferença. 

Porque, se nós vamos para Sub23 e não estamos com o chip virado que, a partir de agora, esta fase vai ser a nossa vida, a fase de ciclista, não conseguimos ter aquela garra que se tem quando o chip já está trocado. Se lidarmos com o facto que esta é a nossa vida, temos de dar tudo e aproveitar a oportunidade que nos deram, aí sim é mais fácil de nos adaptarmos a esta que é a fase mais difícil de um ciclista, o passar de Junior para Sub23.

Diogo Barbosa e Guilherme Mota (2º e 3º da dir. para a esq. na fila superior) são os dois portugueses na equipa amadora da Caja Rural
Fonte: Team Caja Rural – Seguros RGA

BnR: Falas exatamente da questão da oportunidade. Nos últimos anos temos tido mais portugueses no estrangeiro, também um aumento das equipas continentais e agora até a W52/FC Porto a subir a Pro Continental. É uma boa altura para se ser ciclista em Portugal?

DB: O ciclismo em Portugal acho que baixou muito há uns sete ou oito anos atrás, mas agora, com a vinda do FC Porto e do Sporting para o ciclismo, acho que está novamente a subir aos poucos. Penso que com o ciclismo assim, ser ciclista cá em Portugal melhorou um bom bocado. E, cada vez mais, o ciclismo e os ciclistas portugueses estão a ser reconhecidos lá fora com o devido valor.

Sporting CP-FC Porto: Mal menor

Está de volta a festa da Taça. E como há muito não se via, são dois dos três maiores clubes nacionais a enfrentarem-se na magnífica final do Jamor. FC Porto e Sporting CP defrontam-se no final de mais uma longa época. Os dois clubes chegam a esta final com estados de alma bem diferentes.

O Sporting CP, apesar de mais uma época modesta chega bastante moralizado. Devido ao início de época conturbado, as expectativas dos adeptos arrancaram mais baixas e a equipa gozou de uma maior tolerância. O 3º lugar no campeonato era o mais esperado e tudo o que viesse por acréscimo era visto como um bónus. Ora, esse bónus chegou por via das duas taças nacionais. A Taça da Liga já foi conquistada e os comandados de Marcel Kaizer fizeram um percurso bastante meritório na Taça de Portugal, chegando ao Jamor depois de eliminar o maior rival. A época foi de altos e baixos. Depois da conquista da Taça da Liga chegaram a passar lenços brancos por Alvalade mas, no final de contas, o Sporting CP que chega a esta final é o mais confiante de toda a temporada.

Relativamente às possíveis opções do treinador do Sporting CP para a partida deste sábado são praticamente nulas as dúvidas. Deverá subir ao relvado o habitual 4x3x3 com Renan na baliza, Bruno Gaspar, Coates, Mathieu e Acuña na defesa, Gudelj, Wendel e Bruno Fernandes no trio de meio campo e o ataque entregue a Raphinha, Diaby e Luiz Phellype.

A expulsão de Corona no passado sábado é uma dor de cabeça para Sérgio Conceição resolver
Fonte: FC Porto

No que concerne ao FC Porto a história é ligeiramente diferente. Por incrível que possa parecer, uma equipa que lutou pelo campeonato até à última jornada, atingiu os quartos-de-final da Liga dos campeões e logrou a final nas duas taças internas (para além da vitória na Supertaça), chega a este jogo decisivo mais fragilizada. A desilusão pela perda do campeonato depois de ter estado com sete pontos de avanço vai-se sobrepondo a todos os méritos que uma equipa que fez o percurso que o FC Porto fez tem que ter. A pressão dos adeptos sobre a equipa está numa fase de acalmia (depois do episódio em Vila do Conde) mas uma derrota no jogo com o Sporting CP pode voltar a disparar os níveis de frustração. Pela expectativa inicial e pela desilusão mais recente, parece-me que o FC Porto chega à final da Taça de Portugal com mais a perder e com maior responsabilidade.

No que diz respeito às opções de Sérgio Conceição, o onze inicial apresentado não deverá fugir muito disto: Fabiano; Militão, Felipe, Pepe e Alex Telles; Danilo, Herrera, Otávio e Brahimi; Marega e Soares.

São, portanto, duas equipas que chegam com algumas baixas (até por via das expulsões do fim-de-semana) mas que apostam tudo, ou quase tudo na final de sábado. Ainda assim, se para o Sporting CP este jogo será quase a cereja no topo de uma época que, dadas as expectativas, acaba por ser positiva, para os adeptos do FC Porto não passará de um mal menor e de um pequeno mimo após a frustração do campeonato.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Imprevisível. No futebol: apenas mais um dia

0

Em dezembro, o Benfica estava a sete pontos do líder do campeonato. Dado praticamente como fora das contas do título. Há uma semana, os encarnados conquistaram o 37º. troféu da Primeira Liga da história do clube, alcançando a tão aclamada reconquista. Este é apenas um dos exemplos de como no futebol nada acaba até o apito final. “It ain’t over ‘til it’s over”.

Temos o Ajax, esta temporada. Visto como o underdog que alcançara a fase final da Liga dos Campeões, mas veio a eliminar Real Madrid e Juventus de Ronaldo e alcançar as meias finais da prova. Este exemplo tem, em si próprio, outro exemplo, já que os holandeses falharam a final da prova milionária depois de estarem a vencer por 2-0 em casa e deixarem o resultado inverter para 2-3 no último segundo da partida.

Ou por exemplo o Leicester. A equipa sensação que na época 2015/16 venceu a Premier League Inglesa. A qualidade da equipa ninguém a colocava em dúvida, mas o orçamento e poderio dos grandes ingleses iria com certeza abafar a campanha sonhadora dos foxes, seria apenas uma questão de tempo. Mas depois foram vencer por 1-3 na casa do Manchester City, ganhar 2-0 ao Liverpool, por 2-1 ao Chelsea e a manter a luta pelo título sempre além do que todos esperavam.

Depois de uma segunda volta histórica, o Benfica recuperou sete pontos de distância e reconquistou o título de campeão
Fonte: SL Benfica

Novamente na Premier League Inglesa, recordando quando os grandes de Manchester disputavam o título de campeão na última jornada. O United jogava com o Sunderland e fez o seu papel ao vencer por 1-0. Já o City, enfrentava o último classificado da tabela, o Queens Park Rangers, e perdia por 2-1 aos 92 minutos, altura em que houve o empate dos citizens. Quem não se arrepiou ao ver Aguero a marcar o golo da vitória, e por sua vez o golo do título, mesmo ao cair do pano? Magnífico.

Se há algo a aprender do futebol é que não há jogos vencidos antes do apito final. Os prognósticos, como a famosa frase, são feitos depois do jogo. Tudo pode acontecer. Obviamente que há sempre maior hipótese de isto ou aquilo acontecerem, mas o futebol joga contra quaisquer odds. Barcelona a dar a volta a uma eliminatória que perdeu por 4-0 na primeira mão e a vencer por 6-1 na segunda. Liverpool a perder por 3-0 contra o Barcelona na primeira ronda e a eliminar os espanhóis por 4-0 na segunda ronda.

Há milhares de casos destes no futebol. Já foi a vez do Benfica deixar cair sete pontos de vantagem em menos de metade de campeonato. Este ano foi o Benfica a recuperar de menos sete pontos, para o título trinta e sete de campeão nacional. Não é a vida. É mesmo o futebol. E tão lindo é sendo ele assim.

Foto de Capa: SL Benfica

E o galo voltou

Após uma temporada a “encher chouriços”, com a subida à Primeira Liga garantida e sem pontuar no Campeonato de Portugal, o Gil Vicente FC tem a dura tarefa de constituir um grupo de trabalho praticamente do zero e tentar garantir a permanência no principal escalão do futebol português.

Com 18 presenças na Primeira Liga, a última em 2015, os gilistas procuram estabilizar na elite do nosso futebol tendo uma temporada que se antevê muito difícil pela frente. Após mais uma relíquia do nosso futebol português, com a reintegração do Gil Vicente FC a ser arrastada por mais de uma época, o Galo está de volta, depois de uma temporada passada dois escalões abaixo com 23 vitórias, 4 empates e 9 derrotas. A equipa que não pontuava esta temporada, vai sofrer perto, ou até mais, de vinte alterações, começando desde logo no líder da equipa técnica.

Nandinho, antigo jogador do clube, que já tinha orientado o Gil Vicente FC na Segunda Liga, depois de uma temporada de interregno da atividade, voltou no verão de 2018 ao clube, com a expetativa de preparar uma equipa competitiva, que pudesse aproveitar alguns jogadores para a Primeira Liga. No entanto, quase nenhum jogador vai “resistir” a esta escalada de duas divisões de uma vez e nem mesmo Nandinho conseguiu garantir o seu lugar.

Vítor Oliveira apelidou este desafio como o “projeto mais difícil do futebol português”
Fonte: Gil Vicente FC

O “Rei das subidas”, Vítor Oliveira, após nova subida de divisão à Primeira Liga, volta ao topo do futebol português. Habituado a assumir candidaturas à Primeira Liga e em constituir plantéis de qualidade para tal, o experiente técnico tem agora que construir um grupo que tenha a capacidade de se aguentar na Primeira Liga.

Um misto de experiência e juventude será a resposta na constituição do plantel. Existem vários jogadores a terminarem contrato (é habitual em Portugal assinar-se por apenas uma época nos clubes fora do Top 10 da Primeira Liga), o mesmo é dizer que existem várias oportunidades de mercado para os gilistas. Uma coisa é certa, argumentos para construir uma equipa de qualidade, não faltará ao Gil Vicente FC.

Rúben Fernandes tem tido uma carreira impecável por onde passa
Fonte: Gil Vicente FC

A direção, após aposta num dos treinadores mais cotados do nosso futebol, já garantiu dois reforços de qualidade para o ataque à permanência: Fábio Abreu e Rúben Fernandes.

Abreu é um avançado de 26 anos, contratado ao FC Penafiel da Segunda Liga. Um reforço extremamente interessante e um dos elementos mais cotados dessa mesma divisão. Potente, rápido e com golo (tem mais de 50 golos na carreira em partidas oficiais), joga preferencialmente nos corredores, tendo feito carreira nos escalões amadores de Inglaterra, no CS Marítimo (onde se estreou na Primeira Liga, apesar de jogar mais pela equipa “B”). Nas últimas duas temporadas, no FC Penafiel, realizou 69 jogos oficiais e apontou 20 golos.

Rúben Fernandes, que tanto pode jogar no eixo defensivo, como a defesa esquerdo ou até a “6”, é uma super contratação e uma prova que o Gil Vicente FC não será coitadinho esta época. O defesa de 33 anos, vem de nova excelente temporada pelo Portimonense SC, sendo que, desde 2011, é sempre um dos titulares indiscutíveis das equipas que representa (inclusive com passagem de duas épocas na Primeira Liga Belga), o que demonstra bem da qualidade deste jogador.

Nunca será fácil para um clube começar uma equipa do zero numa realidade totalmente diferente dos últimos anos, no entanto, este tipo de aquisições revelam que os gilistas estão de regresso e estão com intenções de ficar.

 

Foto de Capa: Gil Vicente FC

“O Captain! My Captain!”

360 jogos e 20 golos depois, Vincent Kompany diz adeus ao Manchester City FC, clube pelo qual venceu quatro campeonatos, duas Taças de Inglaterra, quatro Taças da Liga e duas Supertaças de Inglaterra. O histórico capitão dos citizens anunciou a decisão no dia a seguir à conquista da Taça de Inglaterra, pondo fim à ligação de onze anos com os azuis de Manchester.

Após o anúncio oficial por parte do jogador belga, foram vários os colegas e ex-colegas de equipa a utilizar as redes sociais para se despedirem do capitão dos citizens, sendo comum a todas essas manifestações o reconhecimento das qualidades do belga como jogador e como líder nato. Eleito capitão de equipa na época 2011/2012, foi sob a sua liderança que o City conquistou 11 dos seus últimos 12 troféus.

Falar do período de maior sucesso da história do City é falar de Vincent Kompany. Reconhecido como um dos melhores defesas do mundo, forte fisicamente e no jogo aéreo, evoluído tecnicamente, com boa capacidade de distribuição e exímio no desarme, o jogador ficará para sempre na história do clube. No passado recente, talvez apenas Sergio Agüero esteja ao nível da importância do belga na história do clube.

Kompany chegou novo a Manchester e assistiu à compra do clube por parte de Khaldoon Al Mubarak, assim como fez parte do período de ascensão que levou os citizens a dominar o panorama futebolístico inglês e a ser presença assídua nas fases mais avançadas da Champions League, troféu que o clube ainda não conseguiu acrescentar ao seu museu.

Vincent Kompany conquistou 12 troféus com a camisola dos citizens
Fonte: Manchester City FC

Para além dos 12 troféus conquistados em onze anos ao serviço do Manchester City, o gigante belga acumulou também várias distinções a nível individual. Integrou a Equipa do Ano da Premier League em 2011, 2012 e 2014, venceu o prémio de Jogador do Ano da Premier League em 2012 e ficou classificado em 23º lugar na lista do The Guardian dos 100 melhores jogadores do Mundo, em 2012.

Nas últimas temporadas, o central belga foi fustigado com muitas lesões e nem sempre foi primeira opção, não deixando, contudo, de ter papel preponderante na equipa de Pep Guardiola. Esta época, foi precisamente com um remate fabuloso, frente ao Leicester City FC, que Kompany resolveu um dos jogos mais difíceis da época, permitindo ao City, na penúltima jornada do campeonato, manter a distância tangencial para o segundo classificado, o Liverpool FC.

Para o futuro, o jogador belga decidiu voltar ao seu clube de origem, o RSC Anderlecht, assumindo as funções de treinador-jogador. Se como jogador Kompany já não tem nada a provar, como treinador o seu caminho vai agora começar. O defesa trabalhou três anos sob a orientação de Pep Guardiola e já afirmou que aprendeu muito com o técnico espanhol. Mais, revelou também que o futebol que pretende jogar é aquele que o seu mentor pratica, o que faz acreditar que o campeonato belga da próxima época promete.

Foto de Capa: Manchester City FC

Carta aberta ao FC Porto: Vencer às vezes não chega!

Para falar da temporada ainda é preciso esperar pelo desfecho da Taça de Portugal, no sábado, mas não creio que uma eventual vitória conseguia colmatar o peso de um campeonato perdido. É um fardo demasiado pesado que, neste momento, todos carregamos. Não foi por não termos vencido… foi exatamente por termos perdido o campeonato. Este ano espelha-se mais a nossa derrota do que a vitória de terceiros.

Em agosto começou a caminhada que prometia ser de conquistas. A Supertaça foi o primeiro passo para confirmar que o FC Porto dos velhos tempos estava de regresso. Começamos esse jogo a perder, diante do CD Aves, mas o Estádio de Aveiro teve de esperar muito pouco para revirarmos o resultado. E ali, num dia de sol, transpiramos de orgulho. Parecia que as épocas de glória estavam de volta. Nós, adeptos, acreditávamos nisso. Ao leme estava Conceição, o homem que nos fez acreditar, que nos deu o campeonato e que devolveu ao FC Porto o ADN de campeão. Voltamos a jogar à PORTO, a sentir à PORTO, a vencer à PORTO. Tudo parecia estar a no devido lugar e esteve até janeiro.

Sérgio Conceição é um principais rostos deste FC Porto
Fonte: FC Porto

Em janeiro, em Alvalade, assinamos a nossa derrota. Até então somávamos três meses consecutivos de vitórias, a contar para todas as competições, incluindo a Liga dos Campeões. Fizemos uma das melhores fases de grupos de sempre. Sonhamos juntos e só caímos em Liverpool e com dignidade. O nosso lema era vencer e não havia quem nos conseguisse travar. O que mudou? Pergunto… repito… Por que razão deixamos de lutar até ao último segundo?

Como é que se explica a exibição tão má em Alvalade? Os pontos perdidos em Guimarães, frente ao Vitória SC e ao Moreirense FC… Como é que se explica perder sete pontos de avanço para o adversário? Como é que em casa, NA NOSSA CASA, perdemos com o segundo classificado e consequentemente perdemos a liderança? Onde estava a raça? O querer? A ambição? Onde estavas tu, Conceição? O teu discurso no balneário não acordou a equipa e a culpa nunca foi só tua. Os jogadores, deviam ser os primeiros a querer ganhar, mas as vezes eram só corpos presentes nos relvados…

Nós, adeptos, estávamos lá, à chuva, ao sol, corríamos lado a lado com vocês. Era o nosso coração que entrava em campo e em troca só pedíamos o mesmo amor à camisola.

A revolta do líder da claque em Vila do Conde foi exagerada, e até condenável, mas na verdade aquilo que ele mostrou foi tudo aquilo que nós sentimos.

Vencer às vezes, neste clube, não chega.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Os 23 de Fernando Santos para Liga das Nações

Já são conhecidos os 23 escolhidos por Fernando Santos para representar Portugal na Liga das Nações. Uma lista previsível e que não foge àquilo a que estamos habituados.

Uma lista que alia a experiência à juventude, e que pode trazer irreverência ao modelo atual de jogo da seleção. Dos 23 convocados o meu destaque recai sobre as a estreia de João Félix, Rúben Neves e Diogo Jota em fases finais de competições. Três jovens que estiveram em destaque nas suas equipas ao longo da época e que podem ser uma surpresa nestes dois jogos.

Outro dos destaques é a convocação de Dyego Sousa, do SC Braga, pela segunda vez. Uma escolha muito dúbia e que não gera consenso entre todos os adeptos, sobretudo depois do apagão do avançado nesta fase final do campeonato.

Fonte: FPF

Guarda-redes: Rui Patrício, Beto e José Sá

Dois pesos pesados e uma estreia. A convocação de Rui Patrício e Beto era quase um dado certo por parte de todos, sendo que a dúvida residia em quem seria o escolhido para terceiro guarda-redes. Em cima da mesa estavam nomes como Cláudio Ramos, Tiago Sá e José Sá. A escolha acabou por recair sobre o jogador do Olympiacos.

Defesas: Pepe, José Fonte, Rúben Dias, João Cancelo, Nelson Semedo, Mário Rui e Raphael Guerreiro

No eixo central não houve grandes surpresas, tanto Pepe como José Fonte e Rúben Dias fizeram boas épocas nos seus clubes. Porém, dado que esta era uma competição com apenas dois jogos não era surpresa nenhuma se só houvesse dois centrais convocados.

No que diz respeito aos laterais, é talvez o setor onde residiam mais dúvidas. Muitas opções para apenas quatro vagas. A maior dúvida era se Ricardo Pereira ia ser ou não convocado. O lateral foi considerado o melhor jogador do Leicester esta época, e a sua não convocação é a maior injustiça da convocatória.

Médios: Bruno Fernandes, Danilo Pereira, William Carvalho, Pizzi, Rúben Neves e João Moutinho

O setor intermédio é também um setor com muita qualidade na seleção nacional. Os convocados foram os jogadores que foram mais regulares esta época e difícil vai ser a escolha de quem irá ser titular. Talvez Danilo Pereira, João Moutinho e Bruno Fernandes sejam os escolhidos, contudo Fernando Santos pode apostar naqueles que se conhecem melhor e aí as escolhas talvez sejam outras…

Avançados: Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo, Diogo Jota, Dyego Sousa, João Félix, Gonçalo Guedes e Rafa Silva

No setor avançado a surpresa recaiu na convocação dos jovens João Félix e Diogo Jota. Duas surpresas ao longo da época e que realizaram uma excelente temporada pelas suas equipas. Dos restantes jogadores Bernardo Silva é aquele em que recaem mais expetativas após a brilhante época ao serviço do Manchester City. Porém é sobre Cristiano Ronaldo que irão estar todos os olhares.

Para além dos jogadores que referi ao longo do texto, houve outros jogadores bem conhecidos do público e que ficaram de fora como João Mário, Gelson Martins, André Silva ou Ricardo Quaresma, caras bem conhecidas da nossa seleção mas que não atravessam os melhores momentos das suas carreiras.

Foto de Capa: FPF

Tour of California: Breggen apura a forma

0

Depois de um início de temporada atribulado, a Boels-Dolmans começa a carburar e na Califórnia voltou ao seu domínio habitual, com Anna van der Breggen e Katie Hall a dominarem a concorrência.

A prova americana contava com três jornadas com perfis bem distintos entre si e que permitiram uma corrida aberta, mas, em última análise, faltou poder para combater a equipa holandesa e dar mais emoção à corrida.

O primeiro dia contava com algumas subidas não muito longas, mas o suficiente para que as mais fortes já pudessem fazer algumas diferenças. Sem surpresas e como já é habitual neste tipo de percursos, a mais forte foi Anna van der Breggen, que venceu isolada, ganhando já bastantes segundos ao grupo que a perseguia.

A etapa rainha era a segunda, com a mítica ascensão ao Monte Balldy a ser enfrentada pela primeira vez na prova feminina. Sempre a subir e a Boels-Dolmans destruiu as adversárias. As vencedoras das últimas duas edições da prova californiana, Hall e Breggen, atacaram e só pararam na meta, onde Hall conquistou a etapa e Breggen selou a Geral.

A edição 2019 do Tour of California fechou com um sprint após um dia algo seletivo, em que Elisa Balsamo levou a melhor, alcançando a sua primeira vitória a nível World Tour.

Na Geral, Ashleigh Moolman-Pasio não aguentou o ritmo do duo da Boels-Dolmans no Baldy, mas aguentou o suficiente para as acompanhar no podium.

Breggen venceu também por Pontos, enquanto Juliette Labous foi a melhor da Juventude e Blanca Moreno triunfou na Montanha.

Foto de Capa: Boels-Dolmans

A FPF não pode continuar a organizar competições

Mais uma temporada do Campeonato de Portugal aproxima-se do fim e, mais que o futebol jogado, o tema de conversa constante vem de fora das quatro linhas e, surpreendentemente, sem corrupção à mistura. É que toda a organização foi afetada por casos de secretaria, equipas a perder e a recuperar pontos ao longo da época e um crónico problema com os clubes do interior, sem capacidade para competir com as equipas do litoral, que raramente estão acima dos últimos lugares da classificação.

Mas o que chateia mesmo os adeptos e dirigentes dos clubes do terceiro escalão do futebol português acaba por nem ser a incompetência ou falta de jeito da Federação, mas sim o completo desinteresse em fazer do Campeonato de Portugal algo de qualidade e que as pessoas e os clubes possam desfrutar de futebol sem ter de pensar nas voltas e reviravoltas na secretaria que danificam por completo a tão badalada verdade desportiva.

Basta olhar para a Liga Revelação, o imensamente publicitado campeonato para o escalão sub-23 que teve a sua estreia esta temporada. A FPF moveu mundos e fundos para tornar esta competição apelativa para clubes e adeptos e os resultados, honestamente, são positivos e há aqui pernas para andar.

O caso “Casa Pia” foi o mais badalado da temporada, com pontos deduzidos e repostos ao longo da segunda volta
Fonte: FPF

Isto torna ainda mais impensável a falta de condições que há no Campeonato de Portugal, desde custos insuportáveis para os clubes do interior (os mais afetados pelo fim da III Divisão), fortes polémicas com tráfico de jogadores, até aos já falados casos de secretaria que, no espaço de três meses, deram três tabelas classificativas diferentes, numas com o Real SC a ir a play-off, noutras o Casa Pia e noutras até era o Oriental de Lisboa que ficava na terceira posição, à frente do conjunto de Pina Manique.

Mas a falta de tacto da Federação em organizar competições não se fica pelo Campeonato de Portugal, alastrando-se também à Taça de Portugal. As constantes polémicas com os estádios dos clubes pequenos que têm a sorte (ou, desde há algumas épocas, azar) de apanhar um dos grandes do futebol português a verem a sua casa interditada e a terem de jogar longe da sua terra, desvirtuando completamente a tão aclamada “festa da Taça”. O caso mais inacreditável foi mesmo o do Lusitano de Évora que, em 2017/18, foi sorteado com o FC Porto na 3.ª eliminatória da prova-rainha. Porém, o conjunto eborense foi impedido de jogar no seu estádio e obrigado a disputar o jogo no Estádio do Restelo… A 140 quilómetros de distância.

Nesta altura, deixa-nos a questionar se não será preciso criar uma liga para os clubes não-profissionais, de forma a parar o parco interesse da FPF em melhorar as divisões inferiores e dar condições a clubes pequenos que merecem muito mais respeito de quem manda no futebol.

 

Foto de Capa: FPF

23.º título de Campeão Nacional

Depois do andebol foi a vez do hóquei em patins do FC Porto celebrar a conquista de mais um título de campeão nacional. São já 23 desde que se disputa uma competição nacional na modalidade, o que permite aos azuis e brancos igualar o número de conquistas do SL Benfica e distanciar-se ainda mais do Sporting CP (8).

Com uma jornada do campeonato ainda por disputar, o FC Porto entrará para o último duelo de 2018/2019, na receção ao Turquel, já com o estatuto adquirido, fruto de uma vantagem no confronto direto com os mais diretos adversários que lhe permite, inclusive, abordar o derradeiro desafio sem a mínima preocupação. Na pior das hipóteses, o FC Porto fará os mesmos pontos que a UD Oliveirense.

É aí, portanto, que reside a diferença deste FC Porto para com os mais diretos concorrentes na luta pelo título. Apesar de ter fraquejado nas deslocações aos terrenos de UD Oliveirense, Sporting CP e SL Benfica, nas quais averbou um empate e duas derrotas (1-1; 5-3; 4-3) respetivamente, a verdade é que o FC Porto foi capaz de decidir a contenda a seu favor nos embates realizados na sua fortaleza. Aí, conseguiu levar de vencidos os encarnados por 5-3, vitória à qual se seguiu um triunfo frente aos leões (3-1). O ponto chave, porém, esteve na muito difícil e verdadeiramente épica vitória na receção à formação de Oliveira de Azeméis (6-5).

De partida para o Barcelona, Hélder Nunes foi uma vez mais um dos destaques da equipa
Fonte: FC Porto

Os azuis e brancos, apesar de um ‘percalço’ que poderia ter custado caro (derrota em Tomar por 4-3), acabaram por ser mais regulares que os restantes candidatos e, dessa forma, garantiram a conquista do título, registando neste momento, e muito provavelmente até ao fim do campeonato, o melhor ataque da prova. O melhor marcador, esse, também veste de azul e branco e dá pelo nome de Gonçalo Alves, que está na fasquia dos 40 golos, só no campeonato.

Ainda assim, nem tudo foi um mar de rosas, já que, uma vez mais, o objetivo de conquistar a Liga Europeia ficou adiado, depois de uma derrota na final frente ao Sporting CP. Ainda assim, de realçar mais uma presença na final four, onde foi até possível quebrar um enguiço contra os catalães do Barcelona.

A Taça de Portugal figura aqui também como um ‘fracasso’, uma vez mais aos patins da equipa do Sporting CP, o que impede os dragões de lutarem por um tetra na prova rainha do hóquei. Contudo, foi contra os leões que o FC Porto iniciou a presente temporada a conquistar um troféu, no caso a Supertaça António Livramento, depois de uma vitória por 4-1.

Foto de Capa: FC Porto