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Por onde andas, Zivkovic?

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Com Bruno Lage, muitos processos mudaram no plano tático e exibicional! Jogadores como Seferovic e Samaris ganharam uma nova vida, mas no sentido inverso também houve atletas que perderam espaço. Um deles é Andrija Zivkovic, que passou de figura central no onze de Rui Vitória a segunda ou terceira opção para Lage.

Em nove jogos, foi utilizado em quatro, dois como titular e outros tantos como suplente. Nas últimas semanas, não tem sido convocado, o que deve ser motivo de preocupação, apesar do bom momento de forma dos encarnados.

Para explicar o estado atual da pérola sérvia, que chegou ao SL Benfica em 2016, encontro três possíveis razões: a mudança de processos com o novo treinador, a abundância de extremos – seis, para ser mais exato – para um modelo estruturado em 4x4x2 e, logicamente, a adaptação e empenho do próprio jogador nos treinos e às ideias de Lage.

Têm sido poucas as vezes que Zivkovic é lançado por Bruno Lage
Fonte: SL Benfica

Segundo notícias reportadas pela comunicação social, a postura do sérvio foi várias vezes repreendida pelo treinador na partida com o Vitória SC para a Taça de Portugal, tendo sido substituído minutos depois. Por esta linha, pode-se deduzir que exista alguma inadaptação à estratégia que Lage pretende implementar. Por outro lado, a existência de cada vez mais extremos, todos eles disponíveis, para apenas três posições no onze não deixa espaço para todos. Alguém tem de ficar de fora e, infelizmente, a escolha recaiu em Zivkovic. Resta saber o porquê! Para já, este cenário leva-me a concluir que todos os motivos que apresentei em cima tenham estado na origem desta ausência cada vez mais notada.

É importante realçar que esta é apenas e só uma fase, mas temo que esta situação se arraste por mais tempo, até ao ponto de se ponderar uma eventual venda ou empréstimo.

Por agora, não se sabe por onde anda Zivkovic, mas espero que consiga mudar a sua atitude ou adaptar-se às ideias de Bruno Lage, se for esse o caso. Acredito que o excelente momento de forma que atravessam Seferovic, João Félix, Rafa e Pizzi possam também ser decisivos para que Zivkovic passe para segundo ou terceiro plano.

Não é produtivo de todo que esta situação se arraste, mas a ausência de um jogador tão importante e talentoso é motivo suficiente de que algo não está a correr como esperado. Se for o caso de falta de empenho, o que não acredito, algo tem de ser feito para beneficiar os dois lados: o jogador e o clube. Acima de tudo, é importante selar pelo bem-estar do jogador e, principalmente, que não fique muito tempo sem competição.

Espero que, mais tarde ou mais cedo, Zivkovic tenha razões para sorrir, nem que seja noutro clube, embora ainda tenha muito para dar ao Benfica.

Foto de Capa: SL Benfica

Notícias de um leão europeu

O Sporting Clube de Portugal, através das suas múltiplas modalidades, continua a traçar um caminho europeu que tanto o carateriza. De “Portugal” parece ter só mesmo o nome, não fossem já as múltiplas conquistas que o Leão fez ao longo da sua longa história por essa Europa e Mundo fora.

A última efeméride foi a conquista da taça dos campeões europeus de corta-mato na secção feminina. As leoas foram Fancy Cherono, Sara Moreira, Sara Catarina Ribeiro, Jéssica Augusto, Inês Monteiro e Carla Salomé. Os meus parabéns para elas. Com esta vitória, escreveram mais uma página no universo do atletismo nacional e internacional. O Professor Mário Moniz Pereira encher-se-ia de orgulho desta conquista. É, pois, também para ele, para o Senhor Atletismo, que vai esta taça internacional!

Mas não é só no atletismo do Senhor Moniz Pereira que residem as conquistas deste leão europeu. Veja-se o que está a acontecer ao Voleibol: os comandados de Hugo Silva derrotaram epicamente a formação turca do MMP Ankara e eliminaram, de forma contundente, a equipa açoriana do Fonte do Bastardo, estando nas meias-finais da Taça Challenge.

Sobre a eliminação da formação turca, o treinador maiato Hugo Silva referiu que “Foi um momento em que os Sportinguistas não vão esquecer porque não é qualquer equipa do Mundo que faz o que nós fizemos, principalmente contra uma equipa de um dos quatro campeonatos com maior investimento da Europa” (declarações ao Jornal Sporting, dia 24 de Janeiro). Nunca a formação de Alvalade tinha chegado tão longe numa competição europeia nesta modalidade.

Mas não se ficam por aqui as notícias deste leão europeu. No andebol, os pupilos de Hugo Canela continuam de vento em popa. Defrontarão em casa já no próximo dia 23 de fevereiro a equipa do CS Dinamo de Bucareste, no primeiro jogo dos play-offs de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. A equipa, apesar de alguns desaires iniciais, está a melhor de jogo para jogo.

Apresenta um plantel forte, com o romeno Valentin Ghionea em grande destaque. Nota muito importante para a aquisição leonina neste defeso de inverno: o francês Arnaud Bingo, andebolista campeão do mundo de países pela França em 2011 e vencedor da última edição da Liga dos Campeões. Com reforços destes ficámos certamente mais fortes.

O Sporting fez história na Taça Challenge ao atingir as meias-finais da competição. Até onde poderá ir o Leão europeu nesta modalidade?
Fonte: Sporting CP

No hóquei em patins, a vitória diante da formação espanhola do HC Liceo no João Rocha por seis bolas a quatro colocou a formação de Paulo Freitas nos quartos-de-final da Liga Europeia, a competição com maior prestigio no plano internacional. A formação portuguesa passa assim para a fase a eliminar da competição, ultrapassando equipas de elevada tarimba internacional tais como o Forte dei Marmi, o HC Liceo e o SK Germania Herringen. E, honra se faça ao homem, temos um treinador de hóquei que é leão até ao tutano. Isso, a parecer que não, dá a garra que se exige a quem veste a listada verde e branca nos campos e ringues por essa Europa inteira.

Uma última palavra para o Futsal leonino, que, à semelhança das modalidades atrás referidas, continua a fazer do melhor que há na Europa no que a esta modalidade diz respeito. Não podem restar dúvidas de que Nuno Dias tem à sua disposição a nata do futsal mundial. E isso traduz-se na senda de vitórias que a equipa apresenta: disputará, em abril deste ano, mais uma vez, a Final Four da UEFA Futsal Cup, tendo como primeiro adversário o Inter Movistar. Será que é desta que vem o tão almejado “caneco” de campeão europeu para os lados Alvalade? Queremos muito. Boa sorte leões!

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Sporting CP

Sporting CP 0-1 Villarreal CF: Foi o submarino a acertar no leão – e não o cupido

Em dia dos namorados (ou para os mais formais, de São Valentim), o cenário deste encontro entre Sporting CP e Villarreal CF pode ter começado mais ou menos assim: “Amor, jantamos no intervalo ou depois do jogo…” Ele/ela provavelmente não gostou porque “só pensa na bola”, mas esses planos poderão ter ido logo por água abaixo nos minutos iniciais da partida ou, se o estimado leitor (sportinguista ou não) até jantou mais cedo, sabe o que aconteceu em Alvalade. Foi um desamor.

O “submarino amarelo” Villarreal CF, de Espanha, bateu o Sporting por 0-1. O golo surgiu nos minutos iniciais – algo que não era de todo aconselhável numa primeira mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa em casa – e os “leões” estiveram muito aquém do esperado sobre um adversário que, pelo rendimento desta temporada, é “obrigatório” ultrapassar, mesmo que Marcel Keizer tenha dito que a qualificação aos “oitavos” não seja obrigatória.

O menu deste “jantar romântico” teve vários pratos de más decisões individuais com dificuldades em entrar na área adversária – penúltimo e último passe eram bastante previsíveis e surgiam praticamente abafados pelo conjunto espanhol, notavelmente mais experiente.

Críticas não tardaram em surgir nas bancadas dos “leões”, em que foi bem audível o pedido de “joguem à bola” misturado com alguns assobios. Mas o amor tem disto. Cada corte ou remate – maioria inofensivos – levantavam os decibéis em Alvalade.

Voltando a si, o leitor que não viu o jogo ou não esteve tão atento porque o dia era de romantismo, esta polémica reacção dos adeptos do Sporting CP, que pintou o cenário desta partida, pode ter tido logo o argumento que estava à vista de todos aqueles que estão muito, pouco ou assim-assim apaixonados. Marcel Keizer mexeu bastante no “onze” inicial, da baliza até ao ataque. Entrou Salin, Petrovic, Miguel Luís, Jovane Cabral e Raphinha.

À partida parecia ser aceite tanta mudança, até porque vem aí jogo com o SC Braga este domingo, mas o Villarreal – penúltimo classificado da liga espanhola – marcou logo aos 3’. Ataque conduzido pela faixa direita por Chukwueze que a ultrapassar Acuña (e que trabalheira deu ao argentino) cruza rasteiro para o meio da área. André Pinto aliviou mal e Alfonso Pedraza correu até dentro de área para rematar a bola para o fundo das redes de Salin (0-1).

Depois do golo, as culpas poderão ter recaído nas apostas invulgares que trazem logo à memória o que o treinador do Sporting CP disse na antevisão da partida: “não é obrigatório passar à fase seguinte.” Parecem estar em vista outras prioridades de um percurso que tem tido tantos altos e baixos depois da conquista da Taça da Liga. O Villarreal não demonstrou tanta presença ao longo do jogo e havia muito por onde o Sporting pegar, não aconteceu.

Alfonso Pedraza foi o goleador de serviço da noite
Fonte: UEFA Europa League

O segundo tempo continuou tão sereno como boa parte do primeiro. Villarreal CF apostou novamente em atacar pela ala esquerda e obrigou Salin a intervir perto do poste aos 48’ e 50’.

Uma boa jogada e muito perigo a favor do Sporting só surgiu pelos 70’ com Raphinha a (finalmente) mostrar saber o que faz na ala. O brasileiro tirou um adversário pelo caminho perto da linha de fundo e passou a bola para a entrada de Bas Dost na pequena área que rematou e teve golo negado devido a uma grande defesa de Andrés Fernandéz.

Pouco tempo depois, o Sporting estava bem mais em cima na partida, mas ainda sem saber muito bem o que fazer na zona de marcar golos. Surgiam novamente os cânticos de “joguem à bola” e a expulsão de Acuña. O argentino já estava amarelado desde o minuto 6 e viu o segundo cartão aos 77’ após uma entrada de sola sobre um adversário. A equipa do Sporting acabou com mais jogadores amarelados: Miguel Luís (6’), Raphinha (45+2’), Bruno Fernandes (90+3’) e Luiz Phellype (90+4’).

Apesar da desvantagem mínima, o Villarreal CF marcou um golo forasteiro que pode ser importante. Aguarda-se pela segunda mão no El Madrigal para conhecer a reacção do Sporting, que também pode ser vista antes, na recepção ao SC Braga para o campeonato. Em pouco tempo, os “leões” tem de mostrar mais. É já na próxima quinta-feira – a Liga Europa proporciona isto e agora não apaga a noite fria, a fraca exibição e os protestos dos pouco mais de 27 mil espectadores nas bancadas.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Sporting CP: Salin, Bruno Gaspar (27’ Ristovski), Coates, André Pinto e Acuña; Petrovic (69’ Wendel), Bruno Fernandes e Miguel Luís; Jovane Cabral (68’ Luiz Phellype), Raphinha e Bas Dost.

Villarreal CF: Andrés Fernandez, Victor Ruíz, Ramiro Funes Mori e Álvaro Gonzalez; Mario Gaspar, Manu Trigueros (62’ Santiago Cáseres), Javi Fuego, Alfonso Pedraza; Pablo Fornals (79’ Vicente Iborra), Samuel Chukwueze (74’ Daniel Raba) e Carlos Bacca.

Galatasaray SK 1-2 SL Benfica: Chamar-lhes segundas linhas é (apenas) uma formalidade

Com seis jogadores saídos do laboratório do Seixal no onze, o SL Benfica deu, na Turquia, continuidade ao bom momento que atravessa, colocando um pé nos oitavos da Liga Europa.

Diante de uma formação turca a cometer uma quantidade inusitada de erros para quem tem aspirações europeias, da defesa ao ataque, a formação de Bruno Lage nem precisou de pesos pesados como André Almeida, Grimaldo, Jardel, Pizzi, Rafa ou Jonas para deixar tudo muito bem encaminhado. Florentino encheu o campo com um pulmão enorme, num jogo em que Salvio e Seferovic deram corpo à superioridade das águias em Instambul.

O maior mérito que se pode atribuir a Bruno Lage é o de nem se ter notado a diferença na produção futebolística deste Benfica, mesmo com metade da equipa praticamente ‘nova’ em relação aos últimos dias.

A arma do contra ataque assenta que nem uma luva a jogadores que sabem explorar na perfeição as imensas limitações de uma dupla de centrais francamente má.

João Félix começou por ser o primeiro a medir o pulso à atenção de Muslera, mas o tiro saiu com pouca força e o guardião segurou com facilidade.

Na resposta – e na única vez que os turcos se acercaram com algum perigo da baliza encarnada no primeiro tempo -, Onyekuru, o melhor da equipa comandada por Fatih Terim, ficou com a bola à mercê no coração da área, mas tirou mal as medidas da baliza de Vlachodimos.

A incapacidade de criar perigo no último reduto encarnado era agravada pelo distanciamento entre os vários setores do Galatasaray, que vivia numa espécie de anarquia tática, promovendo as saídas perigosas das setas encarnadas para o contragolpe.

Num desses momentos, Yuri Ribeiro fez um cruzamento ao primeiro poste, ao qual Marcão respondeu com uma abordagem deficiente, jogando a bola com o braço dentro da área, beneficiando o Benfica de oportunidade soberana para abrir o ativo. Salvio não se assustou com tamanha pressão e enganou bem Muslera para o 1-0, aos 27 minutos.

Fonte: UEFA

Sem capacidade de resposta, e com os encarnados totalmente confortáveis e a fecharem todos os caminhos para a sua baliza, do Galatasaray só se voltou a ver um sinal de vida no início da segunda parte, precisamente no momento em que Yuri Ribeiro não foi feliz e acabou por trair o guardião grego do Benfica, perante a pressão de Luiyndama a tentar responder ao cruzamento de Nagatomo.

Fora apenas um percalço numa exibição tranquila e cheia de personalidade, de um Benfica que também soube provocar o erro. Dez minutos depois, aquilo que parecia um alívio de Rúben Dias funcionou como um passe fantástico para Seferovic, que beneficiou, desta vez, do adormecimento de Marcão para bater Muslera pela segunda vez, com muita classe.

Parecia, enfim, ter sido dada a machadada nas aspirações turcas, ainda com meia hora para se jogar. Salvo uma tentativa de longe de Feghouli e de um cabeceamento de Luiyndama ao qual Vlachodimos respondeu com uma enorme defesa, as águias estiveram sempre muito confortáveis e à espreita de aumentar o fosso, sempre comandadas pela genialidade de Félix.

Daqui por uma semana, num outro inferno, o da Luz, é tempo de confirmar o que hoje se ficou a perspetivar. Até o melhor Galatasaray está longe de bater o pé a este Benfica.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Galatasaray SK: Muslera, Nagatomo, Marcão, Luyindama, Linnes (Mariano, 73’), N’Diaye (Gumus, 73’), Fernando, Belhanda, Onyekuru, Diagne e Feghouli.

SL Benfica: Vlachodimos, Corchia, Rúben Dias, Ferro, Yuri Ribeiro, Florentino Luís, Gedson Fernandes (Samaris, 87’), Salvio (Gabriel, 48’), Cervi (Krovinovic, 80’), João Félix e Seferovic.

Onde está o nosso FC Porto?

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“Quando o primeiro empate ou derrota surgir, até que ponto é que a frescura mental manter-se-á intacta? (…) Sem frescura física, sem frescura mental, sem vitória”.

Muitos de vocês lembrar-se-ão com clareza da sequência de 18 vitórias alcançada pelo FC Porto ainda nesta época: eram tempos de euforia, onde o título já era dado como certo e a questão matemática era encarada como apenas uma mera formalidade. Porém, enquanto alguns lançavam os foguetes, fiz o meu melhor para evitar que todos colhêssemos as canas: o excerto acima foi retirado de um artigo publicado antes do empate em Alvalade (para um melhor enquadramento, recomendo a leitura do artigo “E quando aquele golo não for suficiente?”https://bolanarede.pt/nacional/porto/e-quando-aquele-golo-nao-for-suficiente/), onde tentei transmitir a ideia de que o campeonato estava longe de conquistado e deixei a certeza de que uma “quebra” seria inevitável e acabaria por surgir a qualquer momento. Bom, infelizmente estava certo.

Não será um artigo de auto-promoção, muito pelo contrário: o foco será o FC Porto e as razões por detrás deste “descalabro” vivido nos últimos jogos. Voltemos a Alvalade, o jogo onde a sequência de vitórias dos dragões terminou: numa partida fraca de ambas as partes, os comandados de Sérgio Conceição não conseguiram melhor do que um empate frente a um dos Sportings mais frágeis dos últimos anos. Seguiram-se quatro empates (no tempo regulamentar) em sete jogos e, em adição a isso, exibições deploráveis frente a Leixões SC e Moreirense FC.

Após o empate em Alvalade, o FC Porto perdeu pontos em Guimarães e Moreira de Cónegos
Fonte: FC Porto

Os jogos realizados fora de portas transformaram-se num autêntico pesadelo. A tal margem que nos deixava com uma mão no troféu transformou-se em pó. O sonho de levantar todos os troféus nacionais ficou pelo caminho. Do céu ao inferno em menos de um mês. Naturalmente há que procurar culpados por toda esta situação. Acabei por encontrar três e enumerá-los-ei de seguida:

  • Os adversários – se queremos encontrar culpados temos necessariamente que começar por olhar para os adversários que forçaram o FC Porto a perder pontos: Sporting CP, Vitória SC e Moreirense FC, todos adversários de grande nível que conseguiram cimentar o seu posto no topo da tabela classificativa. A exceção acaba por ser o jogo frente ao Leixões SC, contudo esse jogo enquadrar-se-á no ponto seguinte.
  • A falta de soluções – é inevitável abordar este tópico. O plantel do FC Porto não é vasto em quantidade nem em qualidade. Com as recentes lesões de Aboubakar, Marega, Otávio e Danilo, foram diversos os atletas que mereceram minutos, porém, na sua grande maioria, revelaram não ser soluções à altura do FC Porto. Outros, por uma razão ou por outra, nem aos tais minutos tiveram direito. Exemplos? Infelizmente existem muitos: Bruno Costa, João Pedro, Jorge, André Pereira, Adrián Lopez, Hernâni… enfim, uma longa lista! E, para além dos nomes anteriormente citados, resta adicionar a falta de soluções do meio campo em diante, que continua a fatigar tudo o que é craque no nosso plantel.
  • O treinador – por último, é impossível não apontar o dedo a Sérgio Conceição. Custa-me fazê-lo? Imenso. Custa-me muito mesmo apontar o dedo a um treinador que devolveu os títulos ao Porto, que devolveu, acima de tudo, o espírito a este clube. Mas, quando uma equipa não vence, o treinador não pode ficar isento de culpas: substituições infelizes, elementos do onze inicial questionáveis, entre outros fatores, estão entre os defeitos mais apontados a Conceição. Concordo com todas as críticas? Não, mas considero que elas não são de todo infundadas. Resta esperar que Sérgio Conceição aperceba-se dos seus erros e tudo faça para corrigi-los a tempo.

Muita coisa correu mal? Correu, mas em nada isso nos impede de manter as expetativas lá no alto. Aos adeptos resta ajudar o dragão a se reerguer, ajudar a reencontrar o caminho das vitórias; honestamente, julgo que todos nós temos algo aqui dentro que nos garante que um Porto à Porto conseguirá levantar o troféu em maio.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Valeu a pena ir a África?

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A seleção nacional de Sub23 começou a época mais cedo que o habitual, deslocando-se aos Camarões para disputar o Tour de l’Espoir. Como única seleção europeia (juntando-se-lhe a equipa UC Monaco) e uma convocatória recheada de talento, a equipa nacional partia com responsabilidade para disputar as etapas e a Geral.

A primeira jornada deu um bom sinal, com os lusos a terminar em terceiro no contrarrelógio coletivo ganho pela Eritreia. O segundo dia correu ainda melhor e Francisco Campos aproveitou o final ao sprint para celebrar a primeira vitória portuguesa da época.

Miguel Salgueiro no podium após o contrarrelógio coletivo inaugural
Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo

Se tudo parecia bem, a terceira etapa, a rainha desta prova, foi um desastre para a seleção de Portugal. Enquanto Yacob Debesay confirmava que a amarela não lhe fugiria, o primeiro português chegou a quase quatro minutos e foi Campos, um sprinter.

Depois de um dia de descanso, houve lugar para mais uma etapa para os velocistas, mas desta vez Francisco Campos deixou-se levar a melhor e foi segundo, atrás de Mebrahtom. No último dia voltaram a fazer-se diferenças e desta feita Portugal esteve melhor representado, com Gonçalo Carvalho e Miguel Salgueiro a terminarem nos dez primeiros.

Feitas as contas finais, o melhor português na Geral foi Gonçalo Carvalho, 14º a 4:46 de Debesay.

Não há como negar que, enquanto os portugueses ainda estão a iniciar a temporada, os ciclistas africanos estão no ponto fulcral da sua época e que a seleção conquistou pontos importantes para o apuramento para os Mundiais, mas, ainda assim, Portugal apresentou uma imagem mais fraca do que a devida.

O saldo é positivo, especialmente pela experiência dada aos ciclistas que se deslocaram aos Camarões, mas, se queremos realmente crescer e conquistar o nosso lugar entre os melhores da modalidade, não podemos ficar satisfeitos com esta primeira incursão africana.

Voltem em 2020, mas para ganhar.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Tour de l’Espoir

SC Ideal: época de afirmação sob a batuta de um prodígio

O Sporting Clube Ideal, da cidade da Ribeira Grande, da ilha de São Miguel nos Açores, tem sido um dos clubes que mais evoluiu nas últimas temporadas. Depois de três temporadas seguidas a garantir a permanência “à pele”, esta temporada a história tem sido outra. Atual 9.º classificado da série D do Campeonato de Portugal Prio, o SC Ideal soma mais 11 pontos que a zona de despromoção, tendo perdido apenas uma vez nas últimas dez partidas, conseguindo, finalmente, afirmar-se como um dos clubes com mais potencial da CPP para as próximas épocas.

Apresentando um plantel equilibrado e de grande qualidade, com destaque para um menino de nome João Ventura, o Sporting Clube Ideal assume-se agora como o grande representante da ilha de São Miguel, atrás, naturalmente, do CD Santa Clara, substituindo o Clube Operário Desportivo que, nas últimas temporadas, tem lutado pela subida à Segunda Liga Portuguesa, mas que hoje joga os Distritais Açorianos.

Os “Leões” da Ribeira Grande subiram em 2013 ao Campeonato de Portugal, sendo que, imediatamente no final dessa temporada, foram rebaixados. Regressaram uma época depois, mais fortes e preparados, mas tem sido sempre uma luta feroz e constante todas as temporadas para garantir a permanência.

A verdade é que o objetivo tem sido sempre conseguido e, depois desta temporada tranquila e equilibrada, o Sporting Clube Ideal pode começar a pensar noutras metas. Tem-se distinguido como um clube com um projeto sustentável e equilibrado (o que sabemos que até nem é muito comum, sobretudo no CPP), tendo em conta os resultados desportivos obtidos, que se afirmou dentro da sua própria divisão aos poucos.

Ainda com poucas experiências como treinador principal, o técnico Paulo Meneses tem sido uma das revelações do Campeonato de Portugal
Fonte: SC Ideal

Para esta excelente época, muito superior às anteriores, tem contribuído o apagão do Clube Operário Desportivo e um “super” jogador (está a mais neste patamar), que contextualizado numa equipa forte e competitiva, tem vindo a marcar a diferença quase ininterruptamente, jornada após jornada.

Comecemos pelo tal “apagão” do Clube Operário Desportivo. Os “Fabris”, cronicamente no terceiro patamar do futebol português há imensos anos, primeiro na II Divisão B, depois no Campeonato de Portugal, têm lutado pela subida à Segunda Liga Portuguesa nas últimas épocas, tendo, inclusive, ficado bastante perto dessa subida inédita por mais de uma vez.

No entanto, a época passada foi um descalabro autêntico e acabaram por descer surpreendentemente aos distritais dos Açores. Este facto originou uma debandada dos melhores ativos do clube, aproveitando-se disso o Sporting Clube Ideal. Os “verdes e brancos” passaram a ser o único clube da maior ilha dos Açores presente no Campeonato de Portugal, conseguindo assim desviar alguns dos melhores jogadores do Clube Operário Desportivo e ainda perderam a concorrência direta que os “Fabris” faziam no que toca a aquisição de jogadores.

João Ventura marcou seis golos nos últimos nove jogos, e dificilmente não dará o salto na próxima época
Fonte: SC Ideal

O outro grande facto para esta boa temporada tem um nome: João Ventura. O extremo de 25 anos tem brilhado jornada após jornada, com assistências, dribles e golos de belo efeito, dando seguimento ao trabalho realizado por ele próprio nas temporadas anteriores. Apesar de só ter 25 anos, Ventura já conta com quatro épocas na Segunda Liga Portuguesa, pelo CD Santa Clara, onde sempre que era aposta correspondia. No entanto, “Santos de casa, não fazem milagres”, portanto a utilização era dificilmente regular, acabando até por ser adaptado por vezes a outras posições.

João Ventura tem assim brilhado a um nível impressionante no Campeonato de Portugal, tanto no Clube Operário Desportivo, como no Sport Benfica e Castelo Branco, sendo sempre um intocável no 11 inicial, coroando sempre as suas exibições com golos, assistências e muitos dribles. Dotado de um excelente pé esquerdo, Ventura esta época já soma dez golos em 23 jogos e promete não ficar por aqui.

Para além de Ventura, os “Leões” contam com muita qualidade individual que se vem destacando, desde a baliza com Imerson Soares, a Igor Cartaxo na defesa ou a Dani Sousa no meio campo, entre muitos outros.

A equipa treinada por Paulo Meneses promete não ficar por aqui, procurando garantir a permanência o mais rápido possível, para depois apontar à melhor classificação da história do clube na divisão. Vamos ver qual será o futuro deste clube que, pelas indicações recentes, poderá ser realmente muito risonho.

Foto de Capa: SC Ideal

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Força da Tática: Um Voltaren para Dzeko

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No regresso da “nossa” amada Liga dos Campeões (UCL), Sérgio Conceição voltou a Roma, agora como treinador, para enfrentar a armada Giallorossi. O confronto entre AS Roma e FC Porto é talvez o jogo mais equilibrado, e com desfecho mais imprevisível, destes oitavos de final da Liga dos Campeões.

Neste primeiro embate, Eusebio Di Francesco e Sérgio Conceição tinham algumas ausências nas suas equipas, em especial do lado azul e branco. Under e Olsen (apesar de estar no banco) eram cartas fora do baralho italiano, mas as ausências de Marega e Corona prometiam ter um maior impacto (e cumpriram) na armada portista.

Essas ausências contribuíram para acentuar mais o equilíbrio entre ambas as formações. Assim, em dois conjuntos que tiveram uma grande dificuldade em se impor através da posse de bola (até aí ouve equilíbrio), o que faz a diferença?

A qualidade individual. Emergiu, novamente, Dzeko.

Claro, Zaniolo marcou os dois golos e realizou uma exibição excelente, mas o impacto que o bósnio tem, época atrás de época, na equipa Giallorossi é decisivo. Foi na última edição da UCL e promete voltar a ser.

Equipas Iniciais

Roma, em 4-2-3-1 I Mirante – Florenzi, Manolas, Fazio, Kolarov – Cristante, De Rossi – Zaniolo, Pellegrini, El Shaarawy – Dzeko.

Porto, em 4-4-2 I Casillas – Eder Militão, Pepe, Felipe, Telles –Otávio, Herrera, Danilo Pereira, Brahimi – Soares e Fernando Andrade.

Roma incapaz de impor a sua superioridade numérica na saída de bola

Assim que o árbitro da partida apitou para o início do jogo, saltou à vista a incapacidade da equipa romana materializar a superioridade numérica que tinha na sua primeira fase de construção.

Com vemos no vídeo em baixo, a própria estrutura italiana, em posse, não facilitava a progressão. A circulação que já era lenta (pelos intervenientes), tornava-se ainda mais previsível pelo espaçamento entre os jogadores. Com bola, quanto mais previsível é o jogo, menos eficaz é.

O Porto sabia perfeitamente qual era o objetivo da Roma na construção e aproveitou a previsibilidade adversária para o impedir. Esse objetivo era fazer a bola chegar a Zaniolo-Pellegrini, posicionados nas costas dos médios portistas (em baixo).

Fonte: BT Sport

Zaniolo e Pellegrini esperavam, mas os colegas eram incapazes de impor a vantagem numérica que tinha na saída.

Fonte: BT Sport

Faltou veneno a este Dragão

A partida jogou-se a um ritmo lento, particularmente pela já mencionada incapacidade de ambas equipas agredirem o seu adversário, através da posse de bola. Esta “falta de veneno” foi muito evidente no Porto.

Sem Corona e Marega, recaía sobre Brahimi a responsabilidade de agredir. O argelino teve os seus momentos, recebendo no espaço entre o corredor central e a ala, ou embalando desde trás, conseguindo conquistar um ou outro canto, mas apenas iniciativas que não faziam o Olímpico suster a respiração.

Assim, como se percebe pelo vídeo, foi um Porto inofensivo pela incapacidade de mudar o ritmo. Essas mudanças eram fundamentais para ultrapassar a estrutura sólida romana, que não pressionava quando perdia a bola, mas procurava sim baixar rapidamente para o seu meio-campo para defender (como vemos no vídeo em cima, quando Brahimi arranca).

Dzeko, outra vez? O homem deve ter as costas destruídas.

Não vou colocar nenhum clip das intervenções de Dzeko, porque vídeos de 40 minutos são demasiado “pesados”.

Pode não ter a atenção mediática de outros #9, mas é um monstro. Móvel, associativo, dominante, esteve em todo o campo, jogou e fez jogar (e muito). Não contente com a companhia de Felipe e Pepe, flutuava para a direita para se impor a Militão, e baixava para junto de Danilo para receber de costas e permitir à equipa sair em transições.

Intervenções com bola de Dzeko no jogo:

Fonte: WhoScored.com

A Roma venceu porque conseguiu ter em Dzeko a resposta que precisava às dificuldades que mostrei no início, em se impor com bola. O Porto, sem Marega e Corona, não tinha essas respostas.

“Vemo-nos” no Estádio do Dragão!

Foto de Capa: AS Roma

Tottenham HFC 3-0 BVB Dortmund: Cruzamentos levam alemães à cruz

Duas equipas que estão habituadas ao estatuto de outsider na Liga dos Campeões encontraram-se no Estádio de Wembley, casa emprestada do Tottenham Hotspur. O Borussia Dortmund procurava, por terras inglesas, dar continuidade à excelente forma que tem demonstrado nas competições nacionais.

A equipa britânica, com Delle Alli e Harry Kane de fora, teve muitas dificuldades na fase inicial do jogo. Uma primeira parte marcada por muitas perdas de bola ainda no seu meio-campo, que o Borussia Dortmund só não aproveitou por culpa própria ou por mérito de Hugo Lloris. Quando eram os alemães a dar a bola aos spurs – o que ainda aconteceu uma mão cheia de vezes -, a equipa de Mauricio Pochettino falhava na transição ofensiva, com Christian Eriksen, principal distribuidor de jogo do Tottenham, a ser coberto por Axel Witsel e Thomas Delaney.

Só a partir dos 30 minutos é que se assistiu a um jogo mais partido, em que os ingleses puderam dar um ar de sua graça, com uma oportunidade de golo para Heung-Min Son.

À saída dos balneários, após o intervalo, seria de esperar que o Dortmund mantivesse a sua superioridade e tentasse concretizar as ocasiões de golo. Mas, logo no primeiro minuto da segunda parte, Jan Vertonghen recupera a bola no terço defensivo do Dortmund, cruza para a grande área, onde Son se havia soltado dos dois centrais adversários para fazer o 1-0.

Uma finalização impecável do sul coreano
Fonte: Tottenham Hotspur FC

Um golo improvável deu origem a uma segunda metade muito diferente: de repente, não chegava ao Dortmund ir anulando Eriksen e ir procurando o golo sem grande urgência. O atual líder da Bundesliga viu-se perante um adversário que crescera na partida e estava agora mais confortável que nunca.

Vertonghen, que se vira em grandes dificuldades contra Jadon Sancho na primeira parte, parecia agora um lateral esquerdo ofensivo, bombeando constantemente pela ala direita do Dortmund. Foi isto que, aos 82 minutos, lhe valeu o golo, ao corresponder a um cruzamento de Serge Aurier para fazer o 2-0. Um golo idêntico ao primeiro, mas desta vez vindo do flanco direito dos spurs.

Antes do final da partida, houve ainda tempo para o terceiro da noite, novamente para os que vestiam de branco: canto batido por Christian Eriksen, e o recém-entrado Fernando Llorente aproveita para dilatar a vantagem dos londrinos.

Quatro minutos depois de esta fotografia ser tirada, Llorente faria o 3-0
Fonte: Tottenham Hotspur FC

Três cruzamentos foram suficientes para desmantelar um Dortmund que parecia tão sólido no início da partida. Não sabemos o que é que Pochettino disse aos seus jogadores ao intervalo, mas foi um discurso que deixou o Tottenham muito perto dos quartos de final da Champions. 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Tottenham Hotspur FC: H. Lloris; S. Aurier; D. Sanchez; J. Foyth; T. Alderweireld; J. Vertonghen; M. Sissoko (V. Wanyama, 91’); H. Winks; C. Eriksen; Lucas (F. Llorente, 84’); H.M. Son (E. Lamela, 90’)

Borussia Dortmund: R. Burki; D. Zagadou (M. Schmelzer, 77’); A. Diallo; O. Toprak; A. Hakimi; T. Delaney; A. Witsel; C. Pulisic (J. Larsen, 87’); M. Dahoud; J. Sancho (R. Guerreiro, 88’); M. Götze

AFC Ajax 1-2 Real Madrid CF: Tricampeão da Europa em versão light triunfa na Johan Cruyff Arena

Numa das eliminatórias mais interessantes destes oitavos de final da Liga dos Campeões, o AFC Ajax, quatro vezes campeão da Europa, que procura recuperar o seu estatuto no Continente, perdeu na receção ao tricampeão europeu e mundial, Real Madrid CF. Num jogo dominado pelos holandeses, foram os espanhóis, através da eficácia, a serem letais e a levarem uma excelente vantagem para a segunda mão em Madrid.

A primeira parte foi um sufoco do AFC Ajax ao Real Madrid CF. Um golo anulado pelo VAR a Nicolás Tagliafico, duas defesas apertadas de Thibaut Courtois e uma bola no ferro, com o guarda-redes belga já batido, enviada por Dusan Tadic, para além de várias jogadas promissoras e recuperações de bola perto da baliza de Courtois, castigaram a ineficácia holandesa com um 0-0. Os “Merengues” só se apresentaram ofensivamente através de uma jogada individual de Vinícius Júnior, que obrigou André Onana a uma excelente defesa.

A pressionar alto, a equipa de Erik ten Hag não permitiu ao Real Madrid pensar. Desde o primeiro minuto com o bloco alto, à procura de recuperar a bola perto da área adversária para rapidamente chegar a zonas de finalização, o AFC Ajax banalizou autenticamente o atual tricampeão Europeu e Mundial, confirmando ser uma das equipas mais excitantes da Europa. Bem fiel ao seu estilo, que já tinha dado a provar ao SL Benfica e ao FC Bayern Munique, o AFC Ajax atacou com bola controlada pelo seu lado esquerdo ofensivo (lado direito defensivo do Real Madrid CF), com várias combinações entre Neres, Tagliafico, Tadic, de Jong e van de Beek. A capacidade de tabelas e movimentações constantes entre estes jogadores baralharam Carvajal, que parecia um boneco entre tanto jogador adversário. Schone, sempre mais posicional, assegurava os equilíbrios e recuperava as segundas e terceiras bolas para, rapidamente, encetar novo ataque, com Ziyech a vir muitas vezes ao corredor central, permitindo as subidas do super ofensivo defesa-direito, Noussair Mazraoui.

Os jogadores do AFC Ajax apareciam por todos os lados, e o Real Madrid CF não conseguiu roubar a bola ao adversário, nem estancar este caudal ofensivo e atrevido dos holandeses. Kroos, Modric e Casemiro não conseguiram assumir o jogo, sobretudo com o croata, muito desastrado no capítulo do passe, o alemão sem procurar aparecer, e o brasileiro sem intensidade. Primeira parte com quase um só sentido, sendo que, se não fossem os emblemas e as cores das camisolas, dir-se-ia que os meninos do AFC Ajax é que eram os atuais campeões em título.

Esperava-se uma resposta diferente dos homens de Santi Solari. Finalmente, o Real Madrid conseguiu “roubar” a posse à turma Holandesa, fazendo-a circular e chegar com qualidade aos seus três da frente. Numa jogada brilhante de Vinícius Júnior, que fez dos rins de Mazraoui um autêntico número oito, Karim Benzema finalizou com mestria para o primeiro do jogo. O AFC Ajax sentiu o poder “Merengue”, mas não deixou de atacar, com Ziyech, Tadic e van de Beek sempre muito participativos. Numa segunda parte mais equilibrada e controlada pelo Real Madrid CF, os holandeses conseguem empatar por Ziyech, após uma recuperação de bola perto da área dos espanhóis, com o marroquino a só ter de encostar a passe de David Neres (brasileiro muito bom de bola, mas, tal como na época passada, continua a ser muito “mole”, sobretudo nos contactos). Com Dolberg já em campo a ser referência como ponta de lança, o jogo manteve-se “picado” e acabou resolvido por Marco Asensio, após excelente cruzamento de Dani Carvajal.

A ineficácia holandesa revelou-se decisiva, porque se tem conseguido materializar o seu domínio do primeiro tempo, teriam de certeza vencido o jogo, e com uma excelente margem. Para a segunda mão, não é impossível inverter a eliminatória, até porque quem viu o jogo hoje, percebeu que este AFC Ajax consegue fazer dois ou até mais golos aos espanhóis. No entanto, o problema será não sofrer em Madrid. Também como se viu hoje, o balanceamento e pressão alta do AFC Ajax pagam-se caro com jogadores como Vinícius Júnior em campo.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

AFC Ajax: André Onana; Noussair Mazraoui; Matthis de Light; Daley Blind; Nicolás Tagliafico; Frenkie de Jong; Lasse Schone (Kasper Dolberg 73′); Donny van de Beek; David Neres; Hakim Ziyech; Dusan Tadic

Real Madrid CF: Thibaut Courtois; Dani Carvajal; Nacho Fernández; Sergio Ramos; Sergio Reguilón; Toni Kroos; Casemiro; Luka Modric; Gareth Bale (Lucas Vázquez 61′); Vinícius Júnior (Mariano Díaz 81′); Karim Benzema (Marco Asensio 73′)