O campeonato de Fórmula 1 de 2018 terminou e chegou a hora de analisar a época, neste caso, os pilotos. Esta lista baseia-se numa análise de performance durante toda a época relativa ao desempenho do carro, comparação ao colega de equipa e, como é obvio, a classificação final e pontuações no campeonato do mundo de Fórmula 1.
FC Porto 4-1 Portimonense SC: Onde pára a crença dos dragões?
A 11.ª vitória consecutiva começou a ser construída como tantas outras, que é como quem diz, a partir do banco. Sérgio tirou Óliver do jogo ainda na primeira parte por troca com Herrera e, apesar de menos embelezado, o futebol dos portistas foi bem mais eficaz e, acima de tudo, mais seguro. Os algarvios já não gozaram de tanto espaço para criar calafrios e, do outro lado, o rolo compressor voltou a aparecer. Ainda assim, quatro jogos depois, no campeonato, as redes de Casillas voltaram a abanar. Marega, com um bis, Brahimi e Soares com um golo cada, deram corpo à superioridade azul e branca. Tormena ainda adiantou os algarvios no marcador, mas nada feito. Ah!, o que o VAR tira, o VAR dá!
O Portimonense foi ao Dragão jogar… (bom) futebol. Não é uma ironia, já que poucos o tencionam fazer quando entram no palco dos azuis e brancos e quase nenhuns o conseguem, por mais que queiram. Os algarvios têm, de facto, um dos melhores planteis da Primeira Liga e demonstraram-no esta noite. Do meio campo para a frente, o virtuosismo de Nakajima, a classe de Paulinho ou a dimensão futebolística de um ‘regressado’ Jackson, colocaram em sentido uma equipa que tinha claras preocupações ofensivas, essencialmente depois de se ver a perder em casa. O problema, lá está, é que um balanceamento atacante demasiado vertiginoso poderia ter os seus custos. Só assim se percebe a alteração promovida por Sérgio Conceição, ainda no primeiro tempo, quando decidiu abdicar da magia de Óliver em detrimento do equilíbrio e músculo de Herrera.
Quanto ao filme do jogo, nota para uma entrada triunfante do conjunto liderado por Folha. Nakajima começou por contemporizar bem a partir da esquerda e, assim que viu uma tremenda falha defensiva azul e branca, só teve de colocar a ‘redonda’ ao segundo poste, onde aparece Tormena a encostar para o balde de água…fria. Estávamos no décimo minuto, pelo que a crença a que este dragão habituou os seus adeptos não deixou que a impaciência tomasse conta dos fiéis. Vai daí, logo um impulso saltou da bancada para o relvado e nem um (grande) golo anulado pelo VAR a Brahimi esfriou a reação.
Não foi à primeira mas logo a seguir Marega disse presente. Num canto da direita, o maliano apareceu ao primeiro poste e cabeceou com eficácia para o empate. Foi uma resposta à campeão, que se prolongou pelos minutos seguintes, mas Ricardo Ferreira não estava para (mais) festas e, com um voo sensacional, negou a reviravolta a Felipe aos 27’. Os portistas continuavam a tentar, usando e abusando das bolas, curtas ou longas, nas costas da defesa. Nesse particular, Soares, Marega e Brahimi estiveram bastante perdulários.
O Portimonense, por seu lado, fazia questão de dizer presente sem que conseguia fazer passar a bola do seu meio campo e com um inevitável cheirinho de Japão à mistura e uma verdadeira locomotiva chamada Manafá. Jackson, regressado a ‘casa’, esteve perto de brindar os (ainda) seus adeptos, mas o fulgor já não é o de outros tempos, fazendo com que Casillas afastasse.


Fonte: Diogo Cardoso
O segundo tempo trouxe, enfim, a vantagem que os portistas vinham ameaçando. Minuto 56 e Brahimi cruzou largo para Marega servir Soares para um dos golos mais fáceis da carreira do brasileiro e, no minuto seguinte, senhoras e senhor, um verdadeiro hino ao futebol. Um exímio contra ataque, finalizado com mestria pelo mago argelino do FC Porto levou ao delírio os 33 mil portistas que quiseram assistir à 11.ª vitória consecutiva dos azuis e brancos. Tudo começou numa recuperação de Otávio que rapidamente a endossou para Danilo. O Comendador conduziu-a com eficácia antes de servir Brahimi. O resto é tudo o que se pode esperar de um belíssimo jogador de futebol. Perguntou a Ricardo Ferreira para onde queria a bola e depois foi só coloca-la, sem hipótese. Em dois minutos o FC Porto dava uma grande machadada num adversário de nível, que ameaçava criar muitas dificuldades se o empate se mantivesse.
Ainda assim, Casillas teve de se aplicar para garantir que daqui em diante a noite seria mais tranquila. A remate de Tormena, o espanhol respondeu com defesa difícil, negando dessa forma o relançamento dos algarvios no jogo.
Quem não se fez rogado foi Marega, que no sítio certo aproveitou uma bola perdida após um canto para fazer o quarto. Era o segundo da conta pessoal do maliano e a confirmação do que já se vinha suspeitando: o rolo compressor dos dragões está, de facto, a aparecer. Nota aqui, mais uma vez, para a visão de Sérgio Conceição a partir do banco.
O Portimonense nunca mais foi o perigo à solta que tinha sido nos primeiros 45 minutos após a entrada de Herrera. Se para se ganharem batalhas desta natureza for preciso sacrificar o talento e apostar na força e no equilíbrio, então Conceição terá sempre todo o crédito por parte do mar azul. Bem, voltando ao jogo, ressalvar que a história se escreveu quase sempre com o dragão em fase de gestão e o Portimonense a perder-se em tentativas infrutíferas de reaparecer no jogo.
Há, contudo, novo momento alto da noite e, por isso, temos de passar já para o minuto 74. Jackson foi substituído e o Dragão, de pé, dispensou-lhe uma das maiores ovações da noite. Brahimi, inclusive, fez questão de correr de um lado ao outro do campo para o abraçar, adensando ainda mais o já ruidoso aplauso. O próprio Paulinho foi acarinhado assim que dos altifalantes soou o seu nome para a alteração.
Com o olhar voltado, de novo, para o relvado, foi a vez de Hernâni, entretanto lançado, desperdiçar o avolumar do resultado, mas por esta altura já ninguém se importava. A noite era, uma vez mais, de alegria e a força do dragão promete continuar a fazer estragos. Talvez não merecesse castigo tão pesado a formação do Portimonense mas, ultimamente, quem ousa importunar os azuis e brancos, essencialmente na sua fortaleza, acaba destroçado. E assim foi!
FC Porto: Casillas, Corona, Felipe, Militão, Alex Telles, Danilo, Óliver (Herrera 41’), Otávio (Adrián 80’), Brahimi, Marega e Soares (Hernâni 75’).
Portimonense SC: Ricardo Ferreira, Lucas (Lucas Fernandes 78’), Jadson, Dener, Paulinho, Jackson Martínez (João Carlos 74’), Nakajima, Manafá, Pedro Sá, Rúben Fernandes (Tabata 67’) e Tormena.
Leão à moda de Keizer


Marcel Keizer conseguiu até à data e num piscar de olhos, colocar novamente as expectativas leoninas em alta, as mesmas que foram esvaziadas por José Peseiro e que haviam ficado em “banho maria” com Tiago Fernandes. O treinador holandês veio mudar por completo o futebol leonino, não só dentro das quatro linhas, mas também fora das mesmas como por exemplo apresentando uma inovadora gestão das folgas. Pragmatismo e simplicidade. O novo treinador dos leões mantém o princípio holandês de jogar bom futebol, mas sem perder a noção de como o mais importante é ganhar.
Volto a reforçar que apesar de ainda ser algo bastante precoce, a entrada do holandês de 49 anos não podia ter sido melhor. Apesar das vitórias bem expressivas por 4-1 frente ao Lusitano Futebol Clube de Vildemoinhos e por 6-1 frente ao FK Qarabag, é no último jogo realizado contra o Rio Ave onde os Leões venceram e convenceram por 3-1 que me quero mais focar. Primeiro porque dos três foi o jogo com maior nível de exigência e em segundo por existirem vários pontos fundamentais que é necessário destacar e salientar. As diferenças para um passado recente são gritantes. Após uma viagem longa e desgastante, com pouco tempo de recuperação entre os jogos e sobretudo com pouco ou quase nenhum tempo de preparação, a verdade é que o Sporting entrou em Vila do Conde como não se via há algum tempo: com garra, fulgor e agressividade frente a um Rio Ave destemido e que tem mostrado grandes sinais na presente temporada.


Fonte: Sporting CP
Voltando as atenções para o que se passa dentro das quatro linhas e nas ideias que Keizer tem demonstrado em todo o seu processo e que tem passado para os seus pupilos e para o público no geral é de que é um fanático por jogar em 4x3x3. A primeira mudança face a José Peseiro que se apresentava sobretudo num 4x2x3x1 com um duplo-pivot defensivo – Battaglia e Gudelj – e com Bruno Fernandes no meio em terrenos ligeiramente mais avançados. Agora esse duplo-pivot foi anulado, invertendo-se o triângulo no meio-campo deixando Gudelj como o homem mais recuado na “posição 6” e deixando assim Bruno Fernandes e Wendel como os homens no miolo à sua frente, sendo que ambos conseguem desempenhar na perfeição a posição de “número 8” e de “número 10”. De salientar o resgate do médio brasileiro
Wendel, que passou de esquecido para titular e um jogador importantíssimo na execução do modelo de Keizer. Um meio-campo com muito maior dinamismo, mobilidade e virtuosismo. Pode nem ganhar nada, mas com esta formula estará certamente mais perto de ganhar e de encantar os estádios e o público.
A equipa leonina trouxe alguns aspetos estratégicos interessantes para o jogo com o Rio Ave, que já não perdia em casa há 20 jogos. É de salientar nomeadamente o pressing que exerceu sobre a construção da equipa vilacondense. A bola circula sempre mais rápida, mais precisa, mais curta, é também recuperada mais vezes ao adversário. A equipa é mais agressiva e articulada. Frente ao Rio Ave foram 27 as faltas que o Sporting fez no total.
Mas foram faltas inteligentes e que salientam os índices mais agressivos e ainda a tal regra que Keizer quer implementar: recuperar a bola em apenas 5 segundos ou fazer falta após esses cinco segundos. Impedir o adversário de pensar e de jogar de livre vontade. Na primeira zona de construção pressiona bem alto num 4x4x2 com Nani a juntar-se a Bas Dost e a impedir o Rio Ave de construir desde trás. Quando o Rio Ave tentava entrar mais em zonas do meio-campo defensivo leonino, era Wendel que se juntava a Bas Dost. Após a recuperação da bola, os Leões conseguiam sempre ligar o jogo com critério e sobretudo pelo corredor central, chegando de forma sucessiva a zonas de finalização. Com bola, o Sporting CP foi a equipa que nos tem habituado na era Keizer. Muita capacidade para sair curto na construção e ligar com as zonas adiantadas de forma mais apoiada, com qualidade a jogar dentro da pressão e nas entrelinhas do bloco adversário e com chegada a zonas de finalização com bastante frequência.
Foi um Sporting CP muito capaz com bola, demonstrando paciência e critério até chegar ao último terço, sem parecer cansado, desesperado e sobretudo em busca do jogo directo como era comum na era de José Peseiro, por vezes sem nexo. É de salientar que numa das melhores jogadas do encontro que terminou inclusive num golo anulado a Bas Dost, a bola sofreu cerca de 12 toques, passando inclusive pelo guarda-redes Renan. Mas o que mais me cativou nessa mesma jogada foi ver Coates fazer um passe entrelinhas e a desbloquear o jogo, e não a despejar a bola na frente como fez noutros jogos, sendo a pratica comum do jogo leonino por essa altura. Na transição defensiva, o Sporting esteve bastante bem com uma excelente reação à perda e uma transição defensiva feita homem-homem.


Fonte: Sporting CP
Wendel e Diaby estavam esquecidos na gaveta, enquanto que Bruno Fernandes e Gudelj tardavam em render o que podem e dever render e com este futebol ofensivo e com este ideal, é notória a diferença nos rendimentos de cada um e naquilo que cada um dá à equipa. A equipa procura construir desde trás, tentando ter sempre mais um homem no meio-campo e criar superioridade desde aí. Todos estão disponíveis para receber a bola, não há um único jogador a esconder-se. Até o próprio Bas Dost se dá mais ao jogo. E isso beneficia – e muito – a equipa leonina. Bruno Fernandes voltou a ser o maestro do meio-campo, sendo o jogador com mais toques na bola, com mais posse da equipa, com maior número de passes feitos, com maior número de passes certos e ainda contou com um golo e uma assistência. Wendel também apresenta números interessantes onde tem cerca de 45 passes certos em 49 tentados, fazendo uma fantástica percentagem de 92% de acerto no passe. A dinâmica entre estes jogadores do miolo leonino e sobretudo Nani – que tem procurado terrenos mais interiores tem sido algo de encher o olho e com elevada nota artística. Em apenas três semanas vemos dinamismo e mobilidade que não se via até à data.
É dito na gíria futebolística que acontecem as tais chicotadas psicológicas quando um treinador é despedido, mas a verdade é que no Sporting a chicotada foi futebolística. Não se tratava de motivação, mas sim de aplicar as ideias à prática e de ter sobretudo um treinador com T grande. Em Vila do Conde assistiu-se a um Sporting extremamente personalizado e competente em todos os momentos do jogo na noite de afirmação de Keizer com uma vitória bastante convincente contra um Rio Ave com bastante qualidade individual e coletiva. Uma certeza que não deixa dúvidas absolutamente nenhumas, o Sporting a jogar desta forma estará sempre mais próximo da vitória. O futebol ofensivo em detrimento do defensivo e do frete que parecia acontecer anteriormente.
Enquanto o Sporting mantiver estes números e este rendimento será sempre um sério candidato ao titulo. É certo que as dificuldades vão surgir mais dia, menos dia, mas respira-se confiança em Alvalade. É dar tempo ao tempo e esperar que Marcel Keizer continue no bom caminho, como tem estado até ao presente.
Foto de Capa: Sporting CP
Dragões procuram continuidade da série invicta
FC Porto e Portimonense dão o pontapé de saída na jornada 12 do campeonato, depois de uma vitória no último suspiro dos azuis e brancos na deslocação ao Bessa. A luta pelo bicampeonato segue no Dragão, num jogo marcado desde logo pela ausência de Jackson Martínez na formação do Algarve.
“Jogar contra o FC Porto, no Dragão, não é fácil”. Foi desta forma que Folha anteviu a deslocação dos algarvios até à Invicta e o certo é que o histórico aponta para muitas dificuldades do Portimonense no terreno dos dragões. Em 18 jogos em casa, a contar para todas as competições, o FC Porto venceu a totalidade deles e com uma esmagadora diferença no que aos golos diz respeito: 64 marcados contra apenas 8 sofridos.
Nas vésperas do último jogo a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões, um encontro que servirá meramente para cumprir calendário uma vez que o primeiro lugar do grupo já está assegurado, Sérgio Conceição deverá apresentar esta sexta-feira a equipa na máxima força, não variando muito do onze titular que vem sendo hábito. Em relação ao jogo com o Boavista, a dúvida será mesmo perceber se se mantém a aposta de Corona para a lateral direita, dando espaço a Otávio para a titularidade e apostando no 4-3-3 com Marega na frente, ou se Soares e Maxi vão regressar aos lugares que têm ocupado em grande parte dos jogos.


Fonte: FC Porto
Numa série de dez encontros consecutivos a vencer, que veio na sequência da derrota na deslocação à Luz, este é um FC Porto motivado pela conquista do bicampeonato mas, mesmo com todas as estatísticas favoráveis, o Portimonense terá sempre uma palavra a dizer. Na memória de todos os adeptos, e também da equipa e equipa técnica, estará por certo o encontro entre os dois emblemas na época passada, a contar para a Taça de Portugal. Um Portimonense conduzido por Vítor Oliveira esteve perto de afastar os dragões na quarta eliminatória, ao estar a vencer por 1-2 aos 90 minutos. Valeram os golos de Aboubakar e Brahimi, aos 90+1 e 90+5, para embalar a equipa para os oitavos.
A formação algarvia que se vai apresentar no Porto não vai poder contar com os serviços do avançado colombiano Jackson Martínez, um ex-FC Porto acarinhado pela massa adepta que não vai pisar o relvado do Dragão enquanto adversário, e terá provavelmente um dos últimos jogos com Nakajima. As notícias da imprensa desportiva dão como praticamente certa a transferência do japonês para o Wolverhampton, com valores a rondar os 20 milhões, pelo que o jogo com o FC Porto será dos últimos pelo Portimonense.
Este FC Porto – Portimonense está agendado para esta sexta-feira, com início marcado para as 20h30 no Estádio do Dragão.
Foto de Capa: FC Porto
artigo revisto por: Ana Ferreira
Em Sintra nasce um grande projeto de futebol – e nós fomos conhecê-lo
Na ressaca dos festejos de mais um aniversário, o Bola na Rede foi conhecer o “novo” Sociedade União 1.º Dezembro. No ano em que celebra o seu 138.º aniversário, o clube do concelho de Sintra apresenta-se de cara lavada, com uma nova SAD e um projeto sólido e sustentável, transversal a todos os escalões de futebol.
Lourenço Cardoso de Menezes, atual diretor-geral do clube, recebeu o Bola na Rede e apresentou este novo projeto que “começou a ganhar forma há cerca de dois anos, com a procura por investidores que estivessem alinhados com a nossa visão base”. E qual é essa visão? “Uma SAD que trabalhasse todos os escalões do clube e não apenas a equipa principal”, explica o novo diretor-geral do Primeiro.


Fonte: 1.º Dezembro
Se para muitos a demora em encontrar o investidor certo teria sido um entrave para o sucesso do projeto, para o diretor-geral do 1.º Dezembro acabou por ser algo muito positivo. ”Isto permitiu conhecer muito bem o 1.º Dezembro, a realidade do clube, mas também conhecer outras SADs que foram constituídas e aprender com casos que não funcionaram tão bem.”
A aprendizagem fez parte deste processo desde o primeiro dia. Para Lourenço Cardoso de Menezes, “foi fulcral perceber a importância do clube ter um projeto. Primeiro, para não ficar ‘refém’ do investidor. E segundo, para que, quando escolhêssemos o investidor, pudéssemos apresentar o projeto e ir de ‘mãos dadas’ para um projeto sustentado.”
Nas palavras do diretor-geral do clube, o resultado de todo este processo foi, não uma SAD by the book, mas “uma SAD pensada para o 1.º Dezembro, de acordo com a sua estrutura, a sua história, a sua localização, a dimensão do clube, o tipo de sócios, e tendo em conta que é um clube que só pratica futebol.”
Um dado curioso que descobrimos com o decorrer da conversa: o novo 1.º Dezembro conta com um “velho” conhecido do futebol português: Alex Bunbury, antigo jogador do CS Marítimo. O canadiano, que pisou os relvados portugueses na década de 90, é um dos elementos da nova SAD do clube e foi quem abriu a porta ao investidor principal, Rajat Opal.
Um clube “100% Futebol”
A única modalidade do 1.º Dezembro é o futebol, algo que para a direção é “positivo, tendo em conta a estratégia pensada”. Neste novo 1.º Dezembro, não se olha apenas para o futebol profissional, como acontece na maior parte das SADs. Para a equipa principal, os objetivos são claros: investir sem “loucuras”, custos moderados com uma equipa competitiva para o Campeonato de Portugal e uma equipa técnica extremamente qualificada.


Fonte: 1.º Dezembro
A ambição é crescer de forma sustentada e que a SAD tenha um propósito único, ou seja, que investidores e clube estejam alinhados em termos de interesse e ambição. Como refere Lourenço Cardoso de Menezes, “o investidor não vem investir na primeira equipa para ter mais-valias, mas sim para investir no clube, nas instalações, nas melhorias necessárias nas infraestruturas de apoio, na academia. Potenciar as três áreas, Futebol profissional, Academia e área de suporte, para que o clube possa crescer de uma forma sustentada. O investidor não olha só para a equipa principal”, conclui.
Algo invulgar, arriscamos dizer, provavelmente inédito no futebol português, é a forma como foi reorganizada a estrutura do Primeiro. O treinador principal do 1.º Dezembro é também coordenador de todo o futebol do clube. Bruno Álvares, treinador com as certificações de nível A e Elite Youth pela UEFA, já passou pela Academia do Benfica, no Seixal, e foi campeão pelo Benfica de Macau, tendo depois regressado a Portugal e liderado as equipas do Atlético CP, CD Fátima e Sporting de Guadalupe, antes de integrar o projeto do 1.º Dezembro. Todo o planeamento, estratégia e gestão do futebol do clube passam pelas suas mãos (e cabeça).
Outra das novidades implementadas foi a criação de uma equipa B no escalão sénior e outra no escalão de juniores. Porque é nesse período de transição, em que se perdem tantos jogadores, que o clube pretende atuar. A criação das equipas B na equipa principal e nos juniores veio precisamente auxiliar essa transição no processo de desenvolvimento dos jogadores.


Fonte: 1.º Dezembro
Há uma visão e interesses comuns entre clube e SAD que Lourenço Cardoso de Menezes acredita serem fundamentais para o sucesso do projeto no futebol. “Vemos tantos casos em que o clube quer ir por uma direção e a SAD quer ir por outra, acabando o projeto por falhar. Desde o primeiro dia que o nosso objetivo foi ter clube e investidores totalmente alinhados.” O clube tem presença na SAD e na direção da mesma. São duas entidades diferentes, mas com o mesmo propósito.”
Porque a tecnologia faz cada vez mais parte do dia a dia de qualquer equipa de futebol, a nova direção do clube decidiu também investir num software de gestão de futebol, que foi aprimorado e é utilizado, entre outros, pelo Sporting CP.
O 1.º Dezembro avançou para este investimento e, após várias reuniões, testes e ajustes finais, o software vai estar operacional no início de 2019. Mais uma vez, será utilizado por todas as equipas do clube nas áreas de treino, componente física, nutrição, entre outros. Uma plataforma de gestão integrada, transversal a todos os escalões do clube.
Pôr Sintra no mapa do futebol
Muito poucos saberão, mas o 1.º Dezembro é o clube com a data de fundação mais antiga que compete oficialmente no futebol federado em Portugal. “O clube é anterior à vinda do futebol para Portugal”, refere, com orgulho, Lourenço Cardoso de Menezes.


Fonte: 1.º Dezembro
É por força desta influência histórica que outro eixo estratégico do novo projeto do 1.º Dezembro é a intervenção local, em Sintra, com o objetivo de “colocar Sintra no mapa do futebol”. O diretor-geral do clube afirma que ”queremos ser a bandeira de Sintra. Já o somos um bocadinho, mas queremos ser mais. Sintra é o segundo maior concelho do país e é o segundo concelho com mais jovens em Portugal. É também o concelho mais diverso- tem praia, turismo, malha urbana, indústria, mesmo até em níveis sociais. Brotam aqui milhares de talentos todos os anos. Queremos aproveitar isso e ser uma referência aqui na região”, completou.
É sabido que vários clubes vêm recrutar jogadores a Sintra e muitos jogadores da seleção portuguesa foram até formados neste concelho, casos de Nani, William Carvalho e Nélson Semedo.
De Sintra para o Mundo
É inegável que o futebol português atravessa um momento único na sua história, com a conquista de vários troféus europeus a nível de seleções, prestações meritórias em fases finais de competições e jogadores e treinadores portugueses a darem cartas nos principais campeonatos na Europa.
Com base neste sucesso e projeção mundial, outro vetor fundamental do novo projeto do 1.º Dezembro é a abertura a mercados internacionais. A rede de contactos dos novos acionistas permitiu abrir o clube aos Estados Unidos e ao Canadá, através de parcerias com academias e instituições nestes países. O clube já recebeu dezenas de jogadores e treinadores para treinar durante algum tempo com os seus atletas e técnicos.
Lourenço Cardoso de Menezes adianta que “atualmente, um dos nossos pontos fortes é a capacidade de gerar receitas com estes programas internacionais.”
Pelo perfil dos principais acionistas do clube, ambos canadianos, o mercado norte-americano é aquele com quem o clube tem estreitado relações. E também não é alheio a isto o facto de Estados Unidos, Canadá e México terem sido escolhidos para organizarem em conjunto o campeonato do Mundo em 2026. Naturalmente, esta decisão mobilizou muito interesse e reforçou a aposta dos clubes e das federações no futebol, em especial no Canadá.


Fonte: 1.º Dezembro
O trabalho que o clube tem desenvolvido nesta área é o de trazer equipas para programas de treinos de algumas semanas ou meses e, também, trazer jogadores de forma individual, que são integrados nas equipas e que beneficiam da experiência e conhecimento do corpo técnico do 1.º Dezembro.
Algo que ajuda a potenciar o período de experiência destes jogadores são as já referidas equipas B, tanto nos seniores como nos juniores. Esta conjuntura permite aos jogadores treinar com a equipa principal e jogar pela equipa secundária, caso ainda não tenham atingido o nível para jogar pela equipa principal. Não só beneficiam com o treino, como também têm um tempo de jogo superior, que, caso apenas existisse a equipa principal, não seria possível.
A mais-valia deste processo é que permite ao jogador aumentar o seu rendimento e, quando voltar ao país de origem, estar mais habilitado a obter uma bolsa para a universidade.
#FormarPRIMEIRO
“FormarPRIMEIRO”. É este o lema para a Academia do 1.º Dezembro que, como explica Lourenço Cardoso de Menezes, “acima de tudo quer formar bons homens. Primeiro que o jogador, está o ser humano e queremos transmitir-lhes valores e disciplina, para que sejam jogadores bem formados e com carácter. Não nos podemos desligar da educação dos nossos jovens, tanto a nível técnico e tático, como a nível pessoal.”


Fonte: 1.º Dezembro
São quase 300 os jovens da Academia, que é uma referência no futebol de formação em Portugal, e o objetivo é chegar aos 400 dentro de dois anos. A nova SAD projeta utilizar o futebol de uma forma positiva, promovendo comportamentos saudáveis, de sã convivência e respeito por todos os intervenientes da modalidade.
Algumas das iniciativas neste sentido incluem a decisão de não colocar nas redes sociais do clube os resultados dos escalões de formação, mas sim pequenos-almoços conjuntos com os miúdos da academia e os jogadores da equipa sénior, para sensibilizar para os valores da Família e acerca da importância da alimentação para os atletas.
O projeto para a Academia do 1.º Dezembro não acaba aqui e os planos são para o aproveitamento de quase 50 mil m2 no terreno situado na parte superior do Campo Conde Sucena, para a construção de uma infraestrutura exclusiva para a Academia. O objetivo é a melhoria das condições para os jovens do clube e o aumento da capacidade para receber jovens dos programas internacionais.
O futuro lê-se Futebol Feminino, Certificação e eSPORTS
Quando se fala no 1.º Dezembro, o primeiro pensamento vai imediatamente para a década e meia (mais coisa menos coisa) em que o clube dominou o futebol feminino nacional. Recordista nacional de títulos (mais de 20 títulos nacionais), o futebol feminino do Primeiro está extinto desde 2012 e o projeto da nova SAD aponta para o “fazer renascer em 2019, primeiro com os escalões de formação e depois com a equipa sénior”, refere Lourenço Cardoso de Menezes.


Fonte: Nadine Pires/1.º Dezembro
Segundo o novo diretor-geral do 1.º Dezembro, o regresso do futebol feminino é algo muito ansiado pelos sócios do clube e pelas pessoas que acompanham o seu dia a dia, mas “é algo que tem que ser estruturado e pensado com calma, como parte integrante de um projeto sustentado. Está nos nossos planos, mas não queremos precipitar as coisas. A seu tempo, o 1.º Dezembro voltará a competir no futebol feminino”, garante o novo diretor-geral do clube.
A nova SAD do Primeiro aponta também para a Certificação do clube como uma prioridade. “A Federação Portuguesa de Futebol tem um plano de certificação que mostra como os clubes têm que estar organizados. No ano passado, lançaram para as equipas profissionais e este ano estenderam o programa para os restantes clubes, com o objetivo de terem todos certificados até 2021, sob pena de, se não cumprirem, perderem apoios e autorização para competir e formar.”


Fonte: 1.º Dezembro
O novo modelo de Certificação de Entidades Formadoras da FPF, em vigor desde o início desta época, tem como principais objetivos a organização dos clubes e a sua melhoria na qualidade do processo de formação, independentemente da dimensão e do nível competitivo em que se encontram enquadrados.
Lourenço Cardoso de Menezes considera que este é um tema muito relevante hoje em dia e “que nos ajudou bastante no planeamento financeiro, no desenho e implementação da estrutura organizacional, na formação desportiva, na parte médica, instalações, entre outros.” O diretor-geral do 1.º Dezembro aplaude o esforço da FPF nesta matéria e refere que o clube já está inscrito para obter a certificação. Nos próximos meses, o clube será sujeito a inspeções e auditorias e espera “no final da época ter o carimbo da certificação.”
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E porque não é só no estádio que se joga futebol, no “campo” dos eSPORTS, o 1.º Dezembro também vai ter uma palavra a dizer e, já no início de Janeiro, será lançada a equipa que vai competir nesta modalidade. A prova de que a nova direção do clube está atenta ao ecossistema do futebol como um todo.
Foto de Capa: 1.º Dezembro
O desafio da vida de Henry


A estabilidade que falo, referindo-me ao Mónaco, assenta no vai vem que é o histórico (pelo menos recente) do conjunto monegasco. Figuravam no topo do futebol francês na década de 90. Foram campeões em 1997 (com Tigana) e 2000 (com Claude Puel), vice campeões em 1991 e 1992. Para coroar tal fase fulgorante, disputaram a final da Liga dos Campeões de 2004. É nesse marco que identifico o começo da perda de qualidade gradual do conjunto do principado. No campo desportivo, com o atual selecionador francês, deveria estar tudo em ordem para obter sucesso, porém, lapsos na índole financeira arruinaram o clube, que acabou por entrar em colapso interno. Engraçado é o facto de que o preciso ano em que os monegascos disputaram uma final europeia ficou completamente manchado pelos problemas financeiros.
O clube, entretanto, acaba despromovido. O problema era finanças, então foi nas finanças que a solução se achara: Dmitry Rybolovlev. Em 2011, adquiriu o emblema que se via muito longe de paragens já antes visitadas. O capital próprio do magnata russo serviu, inegavelmente, para trazer o AS Mónaco de volta ao topo do futebol gaulês. Moutinho, James Rodriguez, Falcao, foram jogadores de renome que concederam algum estatuto, outrora perdido, à equipa.
Leonardo Jardim entra nesta fase, numa fase vigorosa. Tem meios para montar a obra, e então a mesma nasce. Construíu uma equipa belíssima. Reuniu jogadores que hoje disputam as melhores ligas, nas equipas candidatas à conquista das ditas provas. É óbvio que o problema não era Leonardo Jardim.


Fonte: AS Mónaco
A conclusão a que chego, após assistir às diversas novelas que os maus resultados implicam, assenta na mudança. A mudança é o principal mecanismo utilizado numa situação de insucesso. Thierry Henry, o próprio, volta ao clube agora como técnico. Um ex- enorme jogador vem substituir um atual enorme treinador. Pela lógica em si, não é lá muito sensato, porém, trata-se de uma referência incontornável do planeta futebol. Conseguiu a vitória numa equipa que há 16 jogos não vencia. A verdade, não sejamos ingénuos, é que teria de acontecer. Encontrou uma equipa, nas mesmas condições de Leonardo: boletim clínico recheado. Muitos nomes de maior renome indisponíveis. Não é uma questão de qualidade técnica, é uma questão de falta de recursos técnicos (Jovetic, Rony Lopes, Sidibe, Subasic,…) Sou um pouco contra as saídas dos treinadores, quando as circunstâncias afetam diretamente o trabalho dos ditos. Mas vejamos: por vezes a mudança é inevitável. Pode-se trocar um melhor por outro pior (não é que aqui seja o caso, Henry tem muita margem de manobra ainda), não devido à qualidade de ambos, mas apenas por se tratar de uma mudança. Trazer algo novo, apenas isso, por vezes é o melhor remédio.
Henry é um nome absolutamente respeitado. Reputação e prestígio que falam por si. Trata-se de uma equipa muito jovem, em que qualquer elemento da mesma respeita o respetivo técnico. Henry chegou na adversidade extrema, mas tem poder. Não é um “zé ninguém”. Tem algo que Leonardo Jardim não tinha, a meu ver. Porém, mesmo com o regresso de todas as baixas, não sei se o Mónaco terá forças para se reerguer e obter uma classificação mais à sua imagem. Afinal, em situações semelhantes no passado, o clube não resistiu em ser rebaixado…
A despromoção já aconteceu anteriormente, em contexto semelhante. Não seria surpresa, mas esta equipa tem muita qualidade “lesionada”. E pior que isso, pouca qualidade que a substitua convenientemente… São jogadores que, na sua maioria, jogam juntos há muito pouco tempo, e não foi possível ainda construir uma espinha dorsal que equilibre e permita altos voos a qualquer equipa que compita em alta competição!
Foto de capa: AS Mónaco
Revisto por: Jorge Neves
Saints e Packers perdem mas têm destinos bem diferentes – NFL Semana #13
A palavra da semana poderá ser “perder”. Os Chiefs “perderam” o seu running back principal e um dos principais motivos para serem uma das equipas mais explosivas da liga. Os Saints perderam para os Cowboys e com isso perderam gás na perseguição aos Rams. Os Packers perderam todas as chances de chegarem aos playoffs e “perderam” (na realidade despediram) o seu treinador. Os Cardinals ganharam, mas com isso perderam a pole position para a primeira escolha do draft.
As 5 maiores revelações do SL Benfica até ao momento


Nesta fase, tornou-se necessário perceber quem está a dar cartas ou, pelo contrário, quem não está a dar uma para a caixa. Mas quanto a isso, perceberão no próximo artigo da minha autoria. Para já, com o foco no positivo, fiquem com as escolhas para as cinco maiores revelações.
Força da Tática: Os lobos que não gostam de ovelhas
Dias depois de ter perdido em Cardiff, Nuno Espírito Santo (NES) enfrentava, no Molineux Stadium, o Chelsea FC de Sarri, um desafio especialmente difícil para Wolverhampton Wanderers FC, pela pressão inerente às cinco derrotas nos últimos seis jogos.
Dando sequência ao já emocionante mês de Dezembro na Premier League, Raúl Jiménez e Diogo Jota marcaram os golos que permitiram ao Wolves vencer os Blues, a primeira vitória em quase dois meses (6 Outubro venceram o Crystal Palace FC).
Arsenal FC, Manchester United FC, Chelsea FC e Manchester City FC, quatro leões na selva inglesa – e europeia – que não conseguiram vencer este Wolverhampton. O mesmo Wolverhampton que perdeu frente à frágil equipa de Neil Warnock (Cardiff City FC) e que foi derrotado em casa pelo Huddersfield Town AFC.
Será que estes lobos não gostam de ovelhas? Só de leões?
O momento do Wolverhampton
Depois de terem sido a melhor equipa no Emirates Stadium, frente ao Arsenal FC, o Wolverhampton perdeu de forma surpreendente frente a Huddersfield e Cardiff. Surpreendente, pela diferença de qualidade – individual e coletiva – entre as equipas.
No jogo frente ao Huddersfield, o Wolves sentiu muitas dificuldades em lidar com a superioridade numérica do meio campo de quatro homens do adversário, particularmente porque exigia de Hélder Costa e Ivan Cavaleiro missões defensivas, que os portugueses têm dificuldades em cumprir.
No País de Gales, Neil Warnock abdicou do seu habitual 4-1-4-1 e mudou para um sistema de 3-1-4-2. A razão? Sobrecarregar o meio campo. Uma mudança de sistema que permitiu ao Cardiff dominar, através da superioridade numérica, o meio campo Moutinho-Neves.
Para o jogo de ontem, NES tinha perfeitamente identificados os problemas dos últimos jogos, mas o facto de não poder contar com um dos seus melhores lobos – Rúben Neves – em nada ajudava a missão da alcateia.
Vs Chelsea | Equipas
Maurizio Sarri realizou várias alterações à sua equipa inicial, apesar de não mudar o seu sistema (4-3-3). Jorginho e David Luiz nem saíram do banco dos suplentes, enquanto que Kovačić e Pedro entraram no decorrer do jogo. Fabregas ocupou a posição de médio defensivo, com Kanté e Loftus-Cheek ao seu lado. Christensen fez companhia a Rudiger no centro da defesa. Na frente, Willian jogou sobre a direita com Morata na posição de ponta de lança.
NES elegeu Saiss para fazer dupla com Moutinho no meio campo, um onze sem lugar para Hélder Costa, Ivan Cavaleiro e Traoré. Na frente, fazendo companhia a Jiménez, alinharam Jota e Gibbs-White. Curiosamente o homem mais adiantado não foi o mexicano, mas sim Gibbs-White. Apesar dos rumores, Bennett voltou a ser aposta ao lado de Coady e Boly na defesa (Dendoncker continua à espera). No papel de ala lateral, Rúben Vinagre (qual Cancelo a extremo esquerdo) e Doherty.
Wolverhampton | Um agradável cheiro a Vinagre
A lesão de Jony abriu espaço para Rúben Vinagre no onze inicial, o português que já vinha ameaçando o lugar de ala lateral esquerdo desde o início de época. Em Organização Defensiva, em resultado da preocupação do Wolves em proteger o corredor central, era exposto constantemente a situações 2vs1 quando o Chelsea FC rodava o centro de jogo. Azpilicueta/Willian recolhiam a bola dos centrais e avançavam no flanco, onde Vinagre não caía na tentação de ir pressionar a bola, aguenta a posição e tentava atrasar o Chelsea, até ter o apoio de Jota ou Saiss.


Esta imagem, serve para ilustrar o bom acompanhamento que Vinagre fazia aos ataques à profundidade pelo Chelsea, mas principalmente o comportamento questionável de Boly. Inteligente a reconhecer os estímulos para pressionar, para depois encurtar rapidamente. Bolas altas, ou passes demasiado longos, têm a particularidade de terem uma trajetória previsível, logo, são excelentes estímulos para a equipa que está a defender pressionar, assim mesmo que não intercepta a bola, não dá espaço, nem tempo ao recetor do passe. Vemos em baixo com o passe sai “feio” dos pés de Rudiger, e Vinagre reconhece este estímulo para pressionar. Deixou espaço nas suas costas? Sim, mas Azpilicueta não consegue aceder a esse espaço pela rapidez com que Vinagre reconhece este estímulo.
Fonte:Sport TV
Ofensivamente, o Wolverhampton cheirava a Vinagre a 100%. Parece que está a jogar na rua, pela forma rebelde com que “vai para cima”, sem medo, coloca a sua qualidade individual ao serviço da equipa no último terço. Aqui, sem respeito pelo capitão dos Blues, a fazê-lo bailar.
Fonte: Sport TV
Vinagre “casa” bem com Jota, já que o camisola 18 gosta dos espaços interiores e procura os espaços entre o defesa central e o lateral direito do adversário, criando uma separação entre ambos. Separação, que dá a o corredor lateral a Vinagre para situações de 1vs1.
Depois do golo de Loftus-Cheek, NES subiu Vinagre ainda mais no corredor esquerdo, com o português a atuar quase como extremo esquerdo. Este posicionamento, fez o Wolverhampton mais perigoso, na medida em que fixava a linha defensiva do Chelsea mais atrás. Moutinho e Coady começavam a fazer uso da sua brutal capacidade de passe de média/longa distância para começar as jogadas do lado direito e rapidamente, com recurso a essa capacidade, procurar Vinagre no lado contrário.
Fonte: Sport TV
Saiss, no início de construção do Wolves, flutuava para o corredor esquerdo, junto a Boly, precisamente para Vinagre ocupar a posição de extremo esquerdo, dando também cobertura e controlo às posições transições ofensivas do Chelsea.
Vemos isso aqui, Saiss junto ao corredor esquerdo:
Fonte: Sport TV
Finalmente, como também podemos ver em cima, a colocação de Jiménez sobre o lado direito, e não no centro do ataque. Precisamente para tirar partido dos cruzamentos de Vinagre no lado esquerdo, aparecendo no segundo poste para finalizar ou servir companheiros como Diogo Jota, que têm o condão de fazer muitos golos deste tipo de situações, segundas bolas, espaços curtos ou finalizações ao primeiro toque.
Gibbs-White também procurava tirar partido do “trabalho” de Jiménez, chegando tarde á grande área, explorando a entrada. Vemos também a importância de Saiss, para controlar (Aqui matar) os possíveis contra-ataques do Chelsea FC.
Fonte: Sport TV
Considerações Finais
Apesar de não ser o objetivo de este artigo, por isso não falei, o Chelsea está a revelar vários problemas que falarei em um próximo artigo. Assim que o Wolverhampton chegou a vantagem conseguiu colocar em prática o momento do jogo onde é mais forte, Organização Defensiva, e levou os três pontos.
Apesar da vitória, questiono-me sobre a capacidade de Boly e Bennett em levar a equipa para o nível seguinte ou talvez esteja eu a julgar mal pela paixão que tenho por Coady. Mesmo marcando na própria baliza e não tendo feito o melhor jogo da sua vida ontem, está vários degraus acima dos dois companheiros da linha de três.
O lobo não gosta de ovelhas, é evidente, mas para sobreviver têm de alterar essa situação e ir às compras no Natal.
Foto de capa: Wolverhampton Wanderers FC
Revisto por: Jorge Neves
A responsabilidade de um campeão Europeu


Achei importante começar este artigo desta forma, para introduzir o tema de que realmente vou tratar hoje – o sorteio do grupo da fase de apuramento para o Euro 2020 e o porquê de termos, pela primeira vez na história do nosso país, a obrigação de manter o estatuto de campeão europeu. Com isto, não quero dizer que a revalidação do título vá acontecer, até porque não o acho. Simplesmente é mais do que obrigação exibir uma equipa e praticar futebol à imagem de uma das melhores seleções da Europa. Porque, no fundo, é o que somos, não é verdade?
Ucrânia, Sérvia, Lituânia e Luxemburgo – foram estas as seleções que o sorteio do passado domingo ditou. Sendo que, neste caso, passam duas das cinco equipas, digamos que é um grupo mais do que acessível às aspirações da equipa das quinas. Segundo Fernando Santos, neste grupo até há três candidatos para dois lugares e Portugal quer um deles. Como disse anteriormente, está mais do que ao alcance da nossa equipa.
A estratégia de Fernando Santos tem passado por uma renovação gradual e calculada. Apesar de não haver muito brilhantismo em termos de jogo, o certo é que tem corrido bem, a nível de resultados, até agora. Portugal conseguiu uma meritória presença na Liga das Nações, onde pudemos contar com outros nomes a brilhar na equipa. Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Rúben Dias, Gelson Martins e André Silva são jogadores que têm rejuvenescido a equipa e que nos dão certezas de que Portugal não estará mal entregue, numa era pós-Ronaldo.


Fonte: UEFA
Ainda assim, Ucrânia e Sérvia são duas excelentes equipas. Se repararmos, ambas as equipas subiram de divisão na Liga das Nações. Estas seleções vão, sem dúvida, dar trabalho a Fernando Santos e a todo o seu conjunto, sobretudo em Kiev e Belgrado. A Sérvia da qualificação do Euro 2016, por exemplo, contava com vários jogadores campeões do mundo de sub-20. É preciso dizer mais alguma coisa? Para além disso, também há que salientar o facto de a tarefa na Lituânia não ser nada fácil.
Olhamos para uma Europa diferente, futebolisticamente falando. O ranking tem sofrido bastantes mudanças e a conjetura deste Euro reflete justamente estas alterações. Portugal é o atual Campeão Europeu e até me atrevo a dizer que pode estar a beneficiar disso mesmo. Esperemos que isto se continue a espelhar em resultados.
Foto de Capa: UEFA









