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CSA, a grande sensação do futebol brasileiro

O futebol sempre nos reserva algumas boas surpresas. Nesta temporada, o futebol brasileiro foi agraciado com a coroação e confirmação do tradicional CSA (Centro Sportivo Alagoano) na elite do futebol nacional. Há apenas três anos o clube não se encontrava em nenhuma divisão nacional. O ostracismo imperava neste carismático clube de Maceió. Para piorar, os torcedores do Azulão do Mutange viam o seu grande rival, CRB, disputar as edições do Campeonato Brasileiro da Série B. Porém, a partir de 2016 tudo começou a mudar. A equipa começava a escrever a página mais bonita de sua história. Veja a cronologia do clube nos últimos anos:

 

2016 – Vice-campeão da Série D

2017 – Campeão da Série C

2018 – Vice-campeão da Série B

2019 – Participante da Série A

 

O presidente do Azulão, Rafael Tenório, está no clube desde 2015 e admitiu que no início do seu mandato tirava dinheiro do próprio bolso para honrar os compromissos. Mas, atualmente, não faz mais essa prática e garante que o CSA é sustentável. No comando técnico da equipa, temos o jovem e promissor treinador Marcelo Cabo. Cabo já tinha realizado um feito incrível ao ser campeão da Série B com o Atlético-GO, em 2016. Mas no CSA o desafio era ainda maior, pois o clube tinha a ambição de ser promovido à Série A e assim voltar a disputar a maior competição nacional após 31 anos. Toda a formação do elenco foi aprovada pelo treinador.

Mosaico feito pela torcida do CSA com três personalidades brasileiras, adeptas do clube                      Fonte: CSA

Apesar da conquista da Série C na temporada passada, a atual temporada foi a que teve maior destaque. Jamais um clube do futebol nacional conseguiu ascender em tão pouco tempo do ostracismo total (nove meses sem disputar uma partida) à elite nacional. A campanha na Série B virou os holofotes para o CSA. Alguns jogadores importantes ganharam visibilidade e foram negociados ainda no decorrer da competição, como no caso do médio Edinho que foi para o Ceará. Outros atletas aguardam propostas. Manter a base desta temporada e reforçar pontualmente o plantel será o grande desafio da direção. A torcida do Azulão também teve destaque na campanha de subida. O CSA teve a segunda maior média de público e a segunda maior receita da Série B, ficando atrás apenas do campeão Fortaleza.

O ano de 2019 será para a metade azul de Maceió como viver um sonho. O orçamento da equipa será bem inferior a vários outros concorrentes que disputarão o Brasileirão. Mas com critério nas contratações a equipa pode conseguir a manutenção e se estruturar melhor para que em 2020 alcance novos voos. Histórias como a do CSA encantam todos amantes do futebol. Impossível não desejar o sucesso de uma equipa que saiu do limbo para alcançar o paraíso. Agora é esperar para vermos até onde o Azulão da Mutange poderá chegar no Campeonato Brasileiro.

Foto de capa: CSA

Revisto por: Jorge Neves

Em Montalegre sonha-se mais alto

No passado domingo fez-se história em Montalegre. Pela primeira vez em cinquenta e quatro anos de histórias para contar, o clube passou para os “oitavos” da Taça de Portugal, onde apenas marcarão presença 16 equipas portuguesas.

Neste momento, em Montalegre, o alvoroço deve ser inexplicável! Os barrosões nunca estiveram numa fase tão adiantada da competição, mas não é por isso que pensam pequeno. O treinador, José “Viage”, veio, inclusive, dizer que a equipa quer marcar a diferença, quer criar impacto e, que, para isso, teriam de eliminar um dos titãs do campeonato português.

Só queria aqui salientar uma coisa: o CDC Montalegre tem ainda na sua equipa jogadores que, para além de jogarem futebol, têm part-times em áreas como enfermagem, informática e fisioterapia. E agora pergunto: esta é a mesma equipa que não tem medo de olhar nos olhos de um clube de primeira divisão? Desde já, o meu apreço por isso! Realmente, é a Taça de Portugal e basta!

Para quem não sabe, este sonho que Montalegre está a viver é comandado por dois irmãos. É verdade: o treinador, José “Viage”, e o presidente, Paulo Reis, são mesmo irmãos. Mas, por incrível que pareça (e quem tem irmãos sabe do que falo), os dois não andam sempre às “turras”. Até pelo contrário! Sendo assim, é caso para dizer: “Irmãos, irmãos… negócios à parte”. O entusiasmo é partilhado pelos dois e ambos não têm dúvidas de que esta é uma das etapas mais bonitas vividas pelo clube desde o ano da fundação.

Para termos uma ideia mais pragmática daquilo que o Montalegre alcançou, sejamos claros. Para além destes, apenas duas equipas da 2.ª liga estão presentes na próxima fase da competição e as restantes são da Primeira Liga. Desde 74/75 que tal não acontecia. Por isso, acho que deve ser dado ainda mais o mérito ao clube. Contudo, há uma coisa que gabo nesta equipa: ninguém se faz de coitadinho. Dizem que querem surpreender e até vão mais longe, dizendo que, apesar de as probabilidades não estarem a favor, também era possível eliminar um dos grandes.

Depois de eliminar o RD Águeda por 1-0, o CDC Montalegre segue para os “oitavos” da Taça de Portugal
Fonte: Bola na Rede

A verdade é que já não era a primeira e nem haveria de ser a última vez que uma equipa de Primeira Liga iria sentir mais dificuldades em eliminar uma equipa do Campeonato de Portugal. Vejamos o exemplo do jogo SC Braga – SC Praiense, por exemplo.

Isto é tudo muito bonito, mas não esqueçamos que continua a ser o futebol português e não é tudo um mar de rosas. Não posso de deixar de falar na seguinte intriga: o Águeda apresentou uma participação ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, pedindo a eliminação do Montalegre da competição. A queixa deve-se à presença do treinador da equipa da casa, que cumpria um jogo de castigo, no recinto e algumas outras irregularidades.

Não sei em que é este caso vai dar, mas, quer queiramos quer não, temos de dar o mérito a esta equipa, que é um conjunto sonhador que pode, quem sabe, num futuro próximo, fantasiar com uma subida à Segunda Liga. Isto pode nem acontecer, mas a verdade é que só esta passagem aos “oitavos” já deu muito a este clube e à própria região, em termos de visibilidade.

Foto de Capa: CDC Montalegre

 

Seis semanas de NBA: o que há a dizer? – Conferência Oeste

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Aquela que é uma das competições mais seguidas no mundo inteiro começou à cerca de seis semanas. E como tal, quero fazer aqui um briefing sobre a competição, analisando individualmente cada uma das equipas, referindo as principais revelações e desilusões e também as notícias que já marcaram os diversos franchises.

Fica aqui a breve análise vinda de alguém que começou a acompanhar activamente a NBA há pouco tempo.

Jogadores que Admiro #100 – Nani

Luis Carlos Almeida da Cunha, conhecido no mundo do futebol como “Nani”, regressou esta temporada ao Sporting. Nesta sua terceira passagem por Alvalade tem vindo a ser fundamental, sendo inclusivamente o capitão leonino.

Nani iniciou a sua carreira nos escalões de formação do Real Massamá, tendo chegado ao Sporting na temporada 2003/2004, com idade de júnior. Na formação leonina foi treinado por João Couto e, em 2004/2005, por Paulo Bento, na época em que viria a conquistar o campeonato nacional de juniores.

Paulo Bento viria a assumir o comando técnico da equipa principal, sendo o responsável por lançar jogadores formados na Academia de Alcochete, como Miguel Veloso, Bruno Pereirinha, Yannick Djaló e claro, Nani. O sonho de Nani cumpriu-se no dia 10 de Agosto de 2005, no Estádio José Alvalade, onde vestiu pela primeira vez a camisola da equipa principal, diante dos italianos da Udinese, em jogo a contar para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Nani esteve ao serviço da equipa principal do Sporting durante duas temporadas, onde fez 76 jogos e marcou 12 golos. Nesse período venceu uma Taça de Portugal, na final frente ao Belenenses, no Jamor.

O jovem leão tornou-se uma estrela, sendo uma das referências do Sporting nas duas temporadas de leão ao peito. As boas exibições valeram-lhe uma transferência, por 25 milhões de euros, para o Manchester United, comandado por Alex Fergunson e que tinha no plantel Cristiano Ronaldo.

Nani regressou esta temporada ao Sporting e tem feito um bom arranque, já com seis golos marcados
Fonte: Sporting CP

Em Manchester, Nani viveu um sonho durante sete temporadas: jogou 230 partidas e marcou 67 golos. Uma história repleta de títulos! Com o contributo de Nani, o United venceu quatro campeonatos, quatro Supertaças, duas Taças da Liga, um Campeonato do Mundo de Clubes e a Liga dos Campeões, na temporada 2007/2008.

No verão de 2014 Nani regressava ao Sporting, envolvido no negócio que levou Marcos Rojo para o Manchester United. O extremo português chegava a Alvalade a título de empréstimo. Na época 2014/2015 seria mais uma vez fundamental para os leões: sob a liderança de Marco Silva, jogou 37 jogos e marcou 12 golos. Despedindo-se dos sportinguistas com mais um título, a conquista da Taça de Portugal nas grandes penalidades frente ao Braga.

Na época seguinte, Nani transferiu-se para o Fenerbahçe, prosseguindo a sua carreira entre o futebol turco, o Valência em Espanha e ainda uma passagem por Itália, ao serviço da Lazio. No entanto as lesões importunaram o sucesso do internacional português.

Uma carreira brilhante, um profissional de excelência, quer nos clubes, quer na seleção. Por Portugal já foi internacional em 112 vezes e marcou 24 golos. Nani tem ainda uma página dourada na sua carreira: é um dos campeões da Europa de 2016.

Esta temporada ficou marcada pelo regresso de Nani a casa, ao Sporting Clube de Portugal. O capitão leonino rubricou um contrato válido até 2020 tem sido fundamental em Alvalade, demonstrando toda a sua qualidade e experiência. Um jogador tecnicamente muito evoluído, com frieza a finalizar, tendo ainda muita qualidade a definir o último passe. Esta temporada, Nani já realizou 15 jogos, marcou seis golos e fez quatro assistências de leão ao peito.

Assim, que esta terceira passagem de Nani pelo Sporting seja sinónimo de títulos, vitórias e conquistas. Sob a liderança de Marcel Keizer, que o capitão leonino dê o seu contributo na luta pelo título e pelos objetivos, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa.

Foto de Capa: Sporting CP

FC Porto 3-1 Schalke 04: Viagem em primeira a caminho dos oitavos

O FC Porto venceu o Schalke 04 por 3-1 e garantiu o primeiro lugar do grupo D. Depois de uma primeira parte sem golos, Éder Militão, Corona e Marega deram a vantagem aos dragões, num jogo que começou já com as duas equipas apuradas para a fase a eliminar da Liga dos Campeões.

A vitória do Lokomotiv sobre o Galatasaray, por 2-0, permitiu que as duas equipas entrassem em campo com o apuramento confirmado. Por discutir, estava apenas o primeiro lugar do grupo, que o FC Porto poderia garantir caso conquistasse os três pontos. Nas bancadas, apesar de a lotação não estar esgotada, os 41.603 presentes criaram o ambiente de festa e de noite europeia.

No onze inicial, e em relação ao jogo do passado sábado a contar para a Taça de Portugal, Casillas voltou à baliza e Maxi regressou à direita da defesa, com Corona a avançar no terreno. Brahimi, Danilo e Marega foram também chamados por Sérgio Conceição para a titularidade. Já a formação alemã chegou ao Dragão com duas vitórias nesta fase de grupos e com a 14ª posição na Bundesliga.

Apesar de um início de jogo com dificuldade em manter a posse de bola, com o Schalke a pressionar e a levar a sucessivas perdas, o FC Porto foi a primeira equipa a chegar à baliza adversária, por intermédio de Felipe. Aos 12 minutos, e na sequência de uma jogada de insistência azul e branca, o central cabeceou por cima. Cerca de quatro minutos depois Danilo colocou à prova Fahrmann, com um remate forte à entrada da área que arrancou aos adeptos os primeiros aplausos da noite e, num bom período do FC Porto, Marega obrigou o guarda-redes dos alemães a uma defesa apertada à passagem do minuto 20.

Na baliza azul e branca Casillas foi um mero espectador ao longo da primeira parte, com o Schalke 04 a não conseguir importunar o guarda-redes espanhol. O FC Porto, mesmo sem uma exibição brilhante conseguiu ser mais dominador, com mais remates e mais perigo na área adversária.

Militão abriu a contagem e festejou com um mortal
Fonte: Diogo Cardoso

O segundo tempo começou com novo aviso portista, por parte de Herrera, e o golo acabou mesmo por chegar ao minuto 52, por Éder Militão. Oliver recebeu a bola à entrada da área, depois de canto batido na esquerda do ataque e cruzou para a área, onde surgiu o central a cabecear para o primeiro do encontro. Na resposta o Schalke fez o primeiro remate enquadrado com a baliza e obrigou Casillas à primeira defesa da noite.

O FC Porto não permitiu que o adversário ganhasse ânimo e, três minutos depois, ampliou a vantagem e colocou pé e meio no primeiro lugar do grupo D. Numa jogada de entendimento, Brahimi serviu Corona, que rematou e viu Stambouli desviar para o fundo das redes alemãs. O três a zero poderia ter surgido aos 60 minutos, com Felipe a rematar ao ferro, ou aos 63, com Corona a rematar de primeira e a bola a passar ligeiramente ao lado.

Longe do golo até bem perto do final, o Schalke 04 beneficiou de uma grande penalidade ao minuto 88 e não desperdiçou a oportunidade de reduzir para 2-1. O árbitro assinalou mão de Oliver na área e na conversão Bentaleb fez o golo alemão.

Os quatro minutos de compensação não foram suficientes para o Schalke conseguir repor a igualdade no marcador e os dragões conseguiram mesmo fazer o terceiro, perto do apito final, por Marega. Os três pontos no encontro valeram ao FC Porto a passagem em primeiro lugar aos oitavos de final da Liga dos Campeões, com 13 pontos somados em cinco jogos.

Onzes Iniciais

FC Porto: Casillas, Maxi Pereira, Felipe, Éder Militão, Alex Telles, Danilo, Óliver, Herrera (Hernâni, 84’), Corona (Otávio, 78’), Brahimi (Adrián López, 73’) e Marega

Schalke 04: Fahrmann, Caligiuri (Schopf, 61’), Naldo, Nastasic, Mendyl, Mascarell, Stambouli (Rudi, 71’), Skrzybski (Harit, 45’), Bentaleb, Konoplyanka e Di Santo

Da dignidade à humilhação frente aos Bávaros – o que mudou?

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Em menos de dois anos, o SL Benfica defrontou o FC Bayern de Munique em quatro ocasiões a contar para a Liga dos Campeões. Foram quatro partidas cuja vitória não recaiu sobre o Benfica, apenas tendo empatado uma vez. Um histórico recente bastante negativo, mesmo notando que o Bayern tem maior poderio financeiro e um plantel recheado de estrelas mundiais.

No entanto, foi nos quartos-de-final de 2016 que o Benfica encontrou um Bayern mais forte do que o atual (pelo menos em melhor forma do que a da presente época) e, mesmo assim, fez melhor figura. O Benfica, para chegar aos quartos, bateu o FC Zenit de São Petersburgo nos oitavos-de-final, e, quando o Bayern saiu na lotaria, os adeptos tremeram. Os benfiquistas sabiam que os alemães detinham um dos melhores plantéis a nível mundial, com craques de renome que fazem a diferença em todas as partidas, como Manuel Neuer, Robert Lewandowski, Arturo Vidal, entre outros. O Benfica estava numa época em que tinha acabado de mudar de treinador; já tinha perdido jogos contra rivais, mas mantinha-se em primeiro lugar (a poucos pontos do segundo lugar ocupado pelo Sporting CP); e precisava de conjugar os jogos na Europa com os do campeonato. Foi uma fase tensa na época 2015/2016, mas o Benfica foi jogar frente ao Bayern e, apesar de ter sido eliminado, saiu com bastante dignidade. A primeira mão jogou-se no dia 5 de abril de 2016, quando fomos a Munique perder por uma bola a zero, tendo esse golo sido apontado por Arturo Vidal em apenas dois minutos de jogo. Embora os Bávaros detivessem maior parte da bola (64% de posse de bola), apenas remataram mais cinco vezes que o Benfica, realçando o bom jogo defensivo das “Águias” nessa partida. Guardiola elogiou o Benfica (e o guarda-redes que mais tarde veio buscar para o seu Manchester City FC, Ederson Moraes), particularmente quanto ao seu jogo defensivo, deixando a eliminatória em aberto.

“Round two” em Lisboa. A confiança estava em alta, tanto dos adeptos como dos jogadores: todos queríamos conquistar o feito de ultrapassar os tubarões alemães (na altura, tricampeões da Alemanha) do Bayern de Munique e chegar às meias-finais. Jogávamos em casa e queríamos lutar. Até começámos a ganhar, mas o jogo terminou empatado a duas bolas. Com a diferença de apenas um golo (a pior vantagem nas eliminatórias dos quartos-de-final do Bayern em cinco épocas) e com duas partidas bastante equilibradas, o Benfica saía de cabeça erguida e com motivação para se focar na conquista do tricampeonato.

De facto, o Benfica tinha feito boa figura frente a um dos candidatos a vencer a Liga dos Campeões de 2015/2016, mas isto não se veio a repetir este ano.

Diante dos olhares europeus, o Benfica fez boa figura. Foram as boas exibições que provavelmente incentivaram a compra, por parte dos Bávaros, de Renato Sanches
Fonte: SL Benfica

Dois anos depois, o Benfica tem o mesmo treinador, mas a tática mudou e jogamos agora de acordo com a visão de Rui Vitória. Do 4x4x2 de Jorge Jesus passámos para um 4x3x3 de Rui Vitória, o que teve grande impacto nas exibições encarnadas. O facto de não termos um treinador que implemente uma tática digna de estar ao nível de um Benfica que se quer afirmar na Europa, nem com qualquer visão de jogo ou estudo de adversários, teve um peso muito grande na performance europeia. Na temporada passada foi o que foi. Nem para a Liga Europa fomos qualificados depois da fase de grupos, tendo adversários teoricamente inferiores ao Benfica, e as exibições ficaram aquém do que aquilo que os adeptos admitem. Já este ano calhou o Bayern de Munique novamente, desta vez ainda na fase de grupos. Para mim, o plantel é relativamente inferior ao de há dois anos atrás, notando-se ainda a falta de capacidade de Rui Vitória para treinar um clube como o Benfica. Os reforços em nada vieram ajudar a qualidade exibicional das “Águias”, e a tática do treinador é praticamente não-existente. A defesa tem sido um autêntico desastre; o jogo ofensivo não tem a mesma eficácia de há dois anos; os jogadores estão com grande falta de confiança.

Perdemos em casa por duas bolas a zero e fomos humilhados na última terça-feira por cinco bolas a uma. Não só a diferença de golos pesa, como as duas exibições vergonhosas frente a um adversário que está em baixíssima forma no campeonato alemão e com alguma parte dos jogadores lesionados. O Benfica teve mais uma prestação embaraçosa nesta Liga dos Campeões… só resta tentar redimirmo-nos na Liga Europa.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Questão central: Futuro emprestado ou hipotecado?

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O eixo da defesa leonina é uma zona que, em condições normais, é constituída por dois indiscutíveis: Sebastián Coates e Jérémy Mathieu. Para além de André Pinto, que já fazia parte do plantel e tem sido o principal relevo quando um dos titulares não está disponível, o Sporting CP garantiu ainda para esta época a contratação de Marcelo, ex-Rio Ave FC. A tudo isto, dois jovens centrais leoninos ficaram – mais uma vez – sem espaço no plantel, falo de Demiral e de Domingos Duarte. O primeiro encontra-se emprestado ao Alanyaspor, atual 15º classificado da Liga Turca, já o jovem português integra o 2º classificado da Segunda Liga Espanhola, o histórico RC Deportivo da Corunha. Para além de partilharem a posição em campo e terem em comum a juventude e a imponente compleição física, ambos têm merecido destaque na atualidade desportiva. Será que num futuro próximo podem singrar com a listada verde e branca?

Com somente 20 anos, Merih Demiral tem sido uma das revelações na excêntrica Liga Turca. A sua juventude não tem sido problema para agarrar um lugar no onze e até ao momento soma já 11 partidas pelo modesto clube da cidade de Alanya e ainda assinou o golo da vitória frente ao Trabzonspor. Esta regularidade notável do jovem defesa não escapou ao radar de Lucescu que não hesitou em abrir-lhe as portas da seleção turca. Assim sendo, no passado dia 20 deste mês, durante o particular contra a Ucrânia, Demiral fez a estreia oficial pela seleção principal do seu país.

O impetuoso central, formado no Fenerbahçe, chegou ao Sporting CP proveniente do Alcanenense. Com bagagem assinalável nas seleções jovens da Turquia, rapidamente se impôs nos juniores leoninos e posteriormente tornou-se um indiscutível na formação secundária do Sporting CP na 2ª Liga. O central ainda está no princípio da sua evolução, evidentemente, resultado da sua juventude e da sua ainda curta carreira na “alta roda” do futebol. Ainda assim, é um defesa que se notabiliza principalmente pela sua capacidade aérea – fruto do seu 1,92m – e pela sua disponibilidade física e eficácia nos duelos, o que o torna num defesa extremamente duro e difícil de ser ultrapassado. O aguerrido defesa sempre foi visto como uma das promessas mais entusiasmantes no seio do universo verde e branco e na temporada passada, pela mão de Jorge Jesus, o jovem turco chegou mesmo a estrear-se pela equipa principal dos leões frente ao ARC Oleiros.

Demiral integrou pré-temporada leonina mas acabou emprestado ao Alanyaspor
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Já este ano, Demiral integrou a pré-temporada dos leões, não convenceu Peseiro e aproveitou para regressar ao seu país, desta feita para o principal escalão turco. Uma opção que se tem revelado extremamente acertada, até ao momento. O crescimento de Demiral tem sido meteórico e, provavelmente, nem o próprio Sporting CP esperaria este desenvolvimento abrupto visto que no contrato de empréstimo ficou estabelecida uma opção de compra de 3,5M. Tendo em conta os valores movimentados hoje em dia e o poderio financeiro dos clubes turcos, este valor parece demasiado acessível até para um jogador que está a dar os seus primeiros passos na alta competição. Com a margem de progressão de Demiral, esta cláusula torna-se um apetitoso convite para o Alanyaspor. Aliás, já existem ecos na imprensa turca que dão conta do interesse na promessa leonina vindo de algumas das equipas mais endinheiradas da Turquia, como são o Fenerbahçe SK e o Galatasaray SK.

A história de Domingos Duarte não é muito diferente, porém o jovem português já conta com uma carreira muito mais consolidada e cada vez mais se enquadra como uma certeza e não como uma promessa. Prova disso são os mais de 60 jogos disputados na Liga NOS, repartidos entre Belenenses e GD Chaves, clubes onde foi sempre opção habitual e nota de destaque pela sua solidez. Depois de se impor em todos os escalões do Sporting CP, Domingos Duarte ainda não dispôs de qualquer oportunidade na formação principal de Alvalade. No entanto, a cada ano que passa, a qualidade que lhe era vaticinada tem estado em evidência.

O central de 23 anos destaca-se pela sua autoridade a nível defensivo e pela sua capacidade aérea em ambas as áreas, os três golos marcados pelo seu clube atual ilustram bem essa característica. Um “patrão” discreto e eficaz na sua tarefa defensiva mas que não se fica por aí, o seu à vontade com a bola nos pés e a forma limpa como sai a jogar também têm sido elogiados no país vizinho.

Domingos Duarte ainda aguarda a estreia na formação principal do Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Agora no RC Deportivo da Corunha, Domingos Duarte tem sido indiscutível para Natxo González, somando já 15 jogos como titular em outros tantos possíveis pela formação galega que este ano disputa a Segunda Liga Espanhola. O central português só não disputou todos os minutos possíveis porque frente ao Extremadura UD foi forçado a sair por lesão perto da hora de jogo. Atualmente, o histórico clube galego tem efetuado um bom arranque de temporada e encontra-se na 2ª posição. A isto, Domingos Duarte acrescenta ainda a sua preponderância ofensiva (três golos) naquele que é, até à data, o melhor ataque da liga e o seu contributo para que o Depor seja a segunda equipa menos batida também parece visível.

Este tem sido um empréstimo que também tem corrido às mil maravilhas e tal como acontece com Demiral, as boas e regulares exibições de Domingos Duarte têm despertado pretendentes. Durante esta semana deu-se conta de um “marcaje férreo” do Sevilha FC, atual líder do campeonato espanhol, ao central leonino de 23 anos, o que também é sintomático de que está a fazer as coisas bem no país vizinho.

Ambos centrais têm tido um destaque merecido na atualidade desportiva pelo seu desenvolvimento positivo nos clubes a que estão cedidos e, como não poderia deixar de ser, isto coloca o clube de Alvalade em “xeque”. A opção de emprestar ambos os jovens jogadores para rodarem em campeonatos competitivos, terem minutos para crescerem nesta fase da carreira e optar assim por ficar no plantel com quatro centrais mais experientes, não pode ser criticada. No entanto, importa saber qual o próximo passo para estes dois jovens defesas? Será que algum deles ainda terá a sua oportunidade de leão rampante ao peito ou o seu futuro passará longe de Alvalade?

Interessados não parecem faltar, a palavra tem-na agora a badalada estrutura, neste caso, a do Sporting CP. Nesta questão, para além da vertente desportiva, o aspeto económico também joga e pode pesar nestas decisões. Assim, num dos pratos da balança coloca-se a hipótese de obter um significativo encaixe financeiro num futuro próximo, mas hipotecando o futuro a verde e branco destes jogadores, o que, ao mesmo tempo, obrigará o clube de Alvalade a ter que recorrer ao mercado a médio prazo porque a média de idades dos quatro centrais atuais do Sporting CP já ultrapassa os 30 anos de idade.

Em contrapartida, o Sporting CP pode enveredar pela valorização desportiva destes jogadores, deixando que ambos continuem o seu desenvolvimento e depois possam regressar à casa-mãe, oferecendo primeiramente rendimento desportivo e só depois o devido retorno financeiro. Desta forma, os leões estariam a apostar nos jovens desenvolvidos em Alcochete, rejuvenesceriam o eixo da defesa e com certeza que com estas opções a massa salarial do clube também reduziria.

Que futuro para estes dois defesas centrais leoninos?

Foto de Capa: Sporting CP

É este o verdadeiro André Silva?

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André Silva só reconfirmou a sua excelente forma diante do Valladolid, no último fim de semana, marcando o golo que deu a vitória ao agora surpreendente líder da Liga Espanhola.

O Sevilha bem pode agradecer o empréstimo do avançado por parte do AC Milan e, se as exibições do internacional português têm provocado reações intrigantes em Itália, na Andaluzia já é pública a decisão de acionar a opção de compra pelo ponta-de-lança.

Os oito golos marcados na Liga Espanhola fazem André Silva igualar números de nomes como Luís Fabiano ou Kanouté, dianteiros emblemáticos do Sevilha na última década. A pergunta que resta é, indubitavelmente: É este o verdadeiro André Silva?

Quem era o André Silva de Itália na temporada transata que marcou 10 golos em 40 jogos pelos ‘rossoneri’? Estou em crer que estávamos perante o mesmo jogador, mas a razão mais expressiva, no meu entender, para além de, admito, alguma dificuldade de adaptação ao tipo de futebol, é o dedo do treinador.

André Silva e o Sevilha têm todas as razões para sorrir
Fonte: Sevilha FC

Não serei ofensivo se disser que Gattuso como treinador é medíocre. Um técnico de grito e não de fazer evoluir o jogador(es) e equipa(s). Para um jovem de 20 anos que chegava a Itália pela primeira vez proveniente de Portugal encontrar essa referência na pessoa do treinador era importante. Com Montella, Silva marcou oito golos, com Gattuso só fez dois…

Pablo Machín percebeu na perfeição a forma como podia rentabilizar o avançado e aproveitar as suas características técnicas, bem como a sua fome por singrar no futebol europeu e, na ideia de jogo enleante do treinador que fez um excelente trabalho no Girona, André Silva sente-se como um peixe dentro de água. Há um ano atrás, tinha o mesmo número de golos por esta altura no AC Milan. Curioso…

O Sevilha, Espanha e o futebol que gosta de tratar bem a bola foi o melhor que aconteceu a André Silva e prevejo que a surpresa não fique por aqui e as suas potencialidades nutram todos os melhores frutos para esta formação andaluz. Já agora, não é o mesmo André Silva que marcou três golos nos últimos quatro jogos pela seleção nacional?

Foto de capa: Sevilha FC

Revisto por: Jorge Neves

Seis semanas de NBA: o que há a dizer? – Conferência Este

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Aquela que é uma das competições mais seguidas no mundo inteiro começou há cerca de seis semanas. E, como tal, quero fazer aqui um briefing sobre a competição, analisando individualmente cada uma das equipas, referindo as principais revelações e desilusões e também as notícias que já marcaram os diversos franchises.

Fica aqui a breve análise vinda de alguém que começou a acompanhar activamente a NBA há pouco tempo.

Ganhar ou vencer

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O FC Porto recebe no final desta quarta-feira o Schalke 04 numa partida a contar para a 5ª, e possivelmente decisiva, jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. O presente artigo destina-se, muito mais do que a uma pormenorizada antevisão do jogo, ao realçar da importância de assegurar o 1º lugar do grupo e os benefícios que daí podem advir.

Mas antes de lá chegar, olhemos para o jogo. Adivinhar o onze europeu do FC Porto é um exercício tão certo que só Otávio o poderá ludibriar. Isto porque, com Soares de fora, só a entrada do pequeno mago brasileiro no onze, de forma a premiar o seu altíssimo rendimento nos últimos jogos, poderá desfazer o onze que jogou com o Lokomotiv na passada jornada. Sérgio Conceição deve, portanto, apresentar o seguinte onze: Casillas; Maxi Pereira, Felipe, Éder Militão, Alex Telles; Danilo, Herrera, Óliver; Brahimi, Corona e Marega.

Quanto ao Schalke, são mais as dúvidas. Não querendo fazer um exercício de adivinhação sob pena de ser contrariado à hora do jogo, prefiro dizer que, independentemente do escalonamento inicial alemão, cabe ao FC Porto assumir as rédeas do jogo, partir para cima do adversário e controlar os diferentes momentos do jogo.

Ficou provado no jogo da 1ª jornada, que o FC Porto tem uma equipa perfeitamente capaz de bater o 14º classificado da Bundesliga e, sendo o jogo no Estádio do Dragão, o foco tem que estar na vitória, mesmo que um empate garanta, desde já, o apuramento para a próxima fase. Vitória que, a acontecer, diga-se, será fundamental para o clube a vários níveis.

Desportivamente falando, ficar em primeiro lugar nunca poderá ser considerada uma questão de pormenor. Como é sabido as equipas classificadas em 1º lugar de cada grupo defrontam, nos oitavos-de-final, os segundos classificados. Ora, se fizermos um rápido exercício de previsão, cruzando um jogo de probabilidades e as atuais posições das equipas obtemos o seguinte resultado:

1º Classificados: Borussia Dortmund, FC Barcelona, Liverpool FC, Bayern Munique, Manchester City, Real Madrid e Juventus;
2º Classificados: Atlético Madrid, Inter Milão, PSG, Ajax, Lyon, AS Roma e Manchester United.
(Nota: No grupo C são altamente imprevisíveis as posições finais, com Liverpool, Nápoles e PSG a lutarem pelos lugares de apuramento.)

Otávio tem estado em bom plano e será a principal dúvida na cabeça de Sérgio Conceição para o embate contra o Schalke 04
Fonte: FC Porto

Ora, mesmo sendo certo que, uma vez ultrapassada a fase de grupos, deixam de existir oponentes acessíveis, não é preciso ser um profundo conhecedor do fenómeno do futebol para perceber que, ficando no 1º lugar do seu grupo, as probabilidades de o FC Porto poder, eventualmente, atingir os quartos-de-final aumentam exponencialmente. A juntar a tudo isto, importa ressalvar que os primeiros classificados beneficiam, ainda, de jogar a segunda mão, e desta forma decidir a eliminatória, na sua casa.

Estas seriam razões de sobra para conferir ao jogo de 4ª feira o estatuto de vital, no entanto, os benefícios não se ficam por aqui. Como é sabido, em todas as competições, mas principalmente na Liga dos Campeões, o sucesso desportivo anda sempre de braço dado com a bonança financeira. No caso do FC Porto, dada a sua débil situação de tesouraria, esta problemática ganha maior relevância.

Só a hipotética vitória frente ao Schalke 04 permitirá um encaixe de 2,7M€, o triplo do que garante um empate. Depois, o aumento da probabilidade de entrada nos quartos de final permite, logicamente, o incremento da probabilidade de acesso ao prize money associado a essa fase da prova. Para além disso, para fechar o capítulo financeiro, uma perspetiva de vida mais longa na Liga dos Campeões permite ter os jogadores do plantel mais tempo na montra mais cintilante do futebol mundial, e como tal, abre-se a possibilidade à valorização dos seus passes, sabendo-se bem da dependência dos clubes portugueses em relação às receitas provenientes de transações jogadores.

Menos decisivas, mas também importantes, são questões como a história, a reputação ou o ranking de clubes e países. Quanto melhor a campanha do FC Porto mais pontos serão amealhados para o clube e para o país, trazendo benefícios claros a longo prazo. A questão histórica prende-se com o facto de o FC Porto apenas por 4 vezes ter conseguido alcançar o feito de se qualificar em primeiro no seu grupo e este seria, também, um penta muito bem-vindo para o reino do Dragão.

É importante, ainda assim, afastar a soberba inerente ao facto de se estar a discutir a importância do primeiro lugar sem antes garantir o apuramento. Lembrar a época de 2014/2015, na qual o FC Porto acabou eliminado da prova em idêntico cenário (10 pontos à 4ª jornada), sendo batido pelo Dínamo de Kiev e o Chelsea FC, pode e deve servir de alerta para os jogadores, equipa técnica e adeptos.

Em suma, antes de pensar no primeiro lugar, importa garantir o apuramento. No entanto, sendo certo que uma vitória garante ambos e que o jogo será disputado no Estádio do Dragão, é fundamental que Sérgio Conceição e os seus pupilos tudo façam para manter os três pontos na Cidade Invicta. Não há volta a dar, é ganhar ou vencer!

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Ana Ferreira