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Os 5 homens-golo do Reino do Leão

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Falar de goleadores no futebol é falar daqueles que levam ao rubro um estádio, que nos levantam dos sofás ou das cadeiras dos cafés. E há de diferentes gostos, estilos e feitios – uns, mais sonsos, verdadeiros “ratos de área”, que esperam a oportunidade certa para fugir da pressão dos centrais rumo ao tento final; outros, mais físicos, verdadeiras mulas em campo, levam tudo à frente até ao golo; outros há ainda que não saem da área durante todo o jogo, parecem cravados ali à espera de quem lhe sirva de bandeja a bola para que façam aquilo que sabem fazer.

O critério usado para escolher este top 5 de goleadores leoninos foi o rácio entre os golos marcados face ao número de jogos disputados com a listada verde e branca por época. É, portanto, um top que valoriza os goleadores que foram “explosivos” no rácio acima apresentado.

Eis, de seguida, os 5 mágicos que levantaram estádios:

Mudam-se os tempos, muda-se a convocatória

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Se olharmos para a última lista de convocados da Seleção Portuguesa para defrontar a Itália e a Polónia há um pormenor, no mínimo, interessante e que tem vindo a ser notado já há algum tempo. De 23 atletas chamados por Fernando Santos, apenas um deles pertence ao FC Porto. É ele Danilo Pereira, um dos capitães e dos melhores jogadores dos azuis e brancos. Por que razão isto acontece? Será pela falta de jogadores portugueses no plantel do FC Porto? Ou por os portugueses do FC Porto não têm tanta qualidade como outros que foram chamados? Vamos analisar o estranho caso do “desaparecimento dos Dragões” da convocatória da Seleção Portuguesa.

Se viajarmos no tempo até 2004, ano de glória para a equipa da cidade Invicta e de “quase glória” para a seleção das quinas, os dados são outros. Foram seis os jogadores pertencentes aos azuis e brancos a serem convocados para o EURO 2004: Paulo Ferreira, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche e Deco. Claro está que eram tempos em que o futebol português estava no seu expoente máximo depois do FC Porto conquistar a Liga dos Campeões.

Quatro anos passados, na convocatória para o EURO 2008, Scolari decide levar cinco jogadores para a Áustria e para a Suíça, foram eles: Bruno Alves, Bosingwa, Raúl Meireles, Ricardo Quaresma e Hélder Postiga (na altura, emprestado ao Panathinaikos AC.) Nessa temporada, a equipa da cidade Invicta conquistou o campeonato o tricampeonato com Jesualdo Ferreira no comando técnico da equipa e o plantel contava com 15 atletas portugueses. Algo que é quase impensável nos dias de hoje e um fenómeno muito provavelmente causado pelos investimentos na formação/valorização do jogador português.

Duas gerações do FC Porto presentes na Seleção Portuguesa
Fonte: Federação Portuguesa de Futebol

No EURO 2012, onde também fomos “quase-felizes”, Paulo Bento convocou apenas três atletas dos Dragões. Rolando, João Moutinho e Silvestre Varela foram os escolhidos e os três únicos jogadores a representar o emblema portista na Seleção. Nota-se então que o número de jogadores do FC Porto tem vindo a ser tendencialmente reduzido. No entanto, também o SL Benfica e o Sporting CP passam pelo mesmo.

Por fim, chegamos à competição mais marcante na história da Seleção Portuguesa. Aquando da conquista do Campeonato Europeu de Futebol do ano de 2016, pisavam o solo francês apenas um jogador do FC Porto: Danilo Pereira. O mesmo que está presente na mais recente convocatória.

Será este um indicador de falta de investimento na evolução dos jogadores mais novos? Nessa temporada, a equipa do Porto tinha 14 jogadores portugueses no plantel. Sendo que grande parte deles não era titular ou ainda não se tinham afirmado na equipa. Hoje, em 2018, o FC Porto continua com um jogador presente na Seleção, enquanto que o SL Benfica contava com quatro jogadores. Será este um sinal de que devemos apostar ainda mais na formação? Ou então que devemos tentar manter as nossas jovens promessas a todo o custo?

O tempo passa e a tendência é para que os números diminuíam mais. E isto não é apenas mau para o FC Porto. É mau também para o futebol português e para o poder do mesmo a nível mundial.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Jogadores que Admiro #99 – Robert Enke

Há jogadores que ficam na nossa memória para todo o sempre. Eu tenho alguns que, pela sua forma característica de jogar, pela sua contribuição ou pela sua imagem, me marcaram. Mas depois houve Robert Enke. Se me perguntarem porque é que me marcou tanto, não irei saber explicar. Mas que senti uma empatia muito forte por ele desde o início, isso sim.

Enke chegou ao Sport Lisboa e Benfica na temporada de 1999/2000, talvez muito por força da vinda do conceituado técnico alemão Jupp Heynckes para Lisboa. O guarda-redes alemão chegava para fazer esquecer (quase como que numa tarefa hercúlea!) o ex-internacional belga Michel Preud’homme, que havia então posto um ponto final na sua carreira. O SL Benfica passava por uma fase em que qualquer jogador estrangeiro que chegava era motivo para desconfiar; foram muitos os jogadores de qualidade duvidosa que assinaram pelo Glorioso nesta altura, mas Enke mostrava ser diferente. Enke irradiava uma luz (a Luz?) que, salvo num jogador ou outro, pouco viamos. E talvez tenha sido aí que começou a minha adoração para com ele.

Os primeiros tempos não iam ser fáceis, devido à pesada herança de “Saint” Michel. Ainda assim, Enke pegou de estaca e deslumbrou os Benfiquistas com as suas capacidades. Guarda-redes de uma elasticidade e reflexos incríveis, era também muito inteligente e perspicaz na hora de adivinhar para onde poderia cair o remate do adversário, fazendo dele um especialista no 1×1 e também a defender grandes penalidades. Tinha também uma distribuição longa de qualidade, à imagem dos melhores guarda-redes alemães da actualidade, como Manuel Neuer ou Marc-André ter Stegen.

Só mesmo a sua morte trágica parou Enke e o impediu de ser uma das maiores referências nas balizas da Maanschaft
Fonte: Robert-Enke-Stiftung

Foi durante três temporadas que Robert Enke encantou as bancadas da velhinha Luz. Grandes exibições ali ficaram, grandes defesas que impediram tantos golos certos… O guarda-redes alemão cumpriu 93 jogos com o Manto Sagrado e as suas prestações levaram-no a dar o salto para o Futbol Club Barcelona. Infelizmente, o peso da camisola poderá ter sido decisivo e Enke cumpriu somente quatro jogos oficiais nos blaugrana, não se conseguindo impor ao seu principal concorrente, o internacional argentino Roberto Bonano. Na temporada seguinte e com a chegada do internacional turco Rüştü Reçber, acabou emprestado ao Fenerbahçe Spor Kulübü na primeira metade da temporada, seguindo depois para as Ilhas Canárias para representar o Club Deportivo Tenerife, até final de 2003/2004. Enke passou por algumas dificuldades de adaptação a mais uma nova realidade e acabou, assim, por regressar à sua terra natal na temporada de 2004/2005 para assinar pelo Hannoverscher Sportverein von 1896 (Hannover 96). E por aqui ficaria o resto da sua carreira, até ao seu trágico desaparecimento no ano de 2009.

Robert Enke estava, nesta altura, bastante debilitado psicologicamente devido à morte da sua filha, em 2006. Foram três anos de bastante sofrimento e onde nunca conseguiu verdadeiramente lidar com essa perda, agravando a depressão que, segundo a sua esposa, vinha já a ser clinicamente vigiada desde 2003. A 10 de Novembro de 2009 e após deixar uma nota, Enke acabaria por se suicidar.

16 anos se passaram desde que Enke partiu da Luz e 9 anos se passaram desde que partiu deste mundo. Por vezes, ainda espero vê-lo regressar e ser feliz junto de nós. Gostaria de vê-lo terminar de vez com aquela depressão e sofrimento que sentia e abrigar-se no calor das bancadas da Luz – a nova, aquela que ele nunca chegou a conhecer enquanto nosso jogador. Gostaria de voltar a ver aquele sorriso sincero e aquela defesa impossível que me encantaram desde o primeiro momento. Enke era o jogador que, enquanto criança, eu tentava imitar quando jogava à bola com o meu Pai. Nunca me irei esquecer da frase: “Pai, chuta alto para fazer uma defesa como o Enke”. Tal como nunca me irei esquecer do dia em que o tive à minha frente e onde recebi um autógrafo do meu ídolo em grande destaque, num boné do Glorioso. “Assina aqui em grande, Enke. Ele gosta de ti.”, disse-lhe o meu Pai. E Enke sorriu, como se tivesse entendido. E aquele sorriso sincero ficará na minha memória para todo o sempre.

Descansa em Paz, amigo Robert.

Foto de Capa: SL Benfica

 

Será este um campeonato mais equilibrado?

É só impressão minha ou este campeonato está mesmo muito estranho? Claro que não é. Nem sei porque é que estou a perguntar isto. A verdade é que não há, neste momento, nenhuma equipa em Portugal que me encha as medidas em termos de futebol praticado. Porém, está a verificar-se um fenómeno que, na minha opinião, é uma mais valia para o futebol português. Dá-me ideia de que as equipas grandes estão mais fracas e, por sua vez, as restantes mais fortes. Teremos, então, um campeonato mais competitivo este ano? Na teoria, sim. Na prática, não sei se tanto.

Ainda assim, não posso deixar de fazer referência à prestação destes clubes ditos “mais pequenos” naquela que tem sido a época 2018/2019. Mas de certo que será injusto falar dos bons resultados de algumas equipas somente este ano. Há, de facto, em Portugal, cada vez mais projetos desportivos sólidos, consistentes e com pernas para andar, e, sem dúvida, que isso tem feito a diferença a médio e longo prazo. Aliás acredito mesmo que daqui para a frente isso vá ser ainda mais notório até! O Braga já nem se insere neste tipo de clubes a que me refiro porque, à partida, todos nós já sabemos o clube que é e os “estragos” que pode causar ao longo do campeonato.

Exemplos como o Rio Ave, Vitória SC, etc. são mais do que elucidativos disso mesmo. Ano após ano, com algumas lacunas pelo meio, são clubes que não costumam ficar abaixo do meio da tabela e são muitas vezes essas equipas que acabam por surpreender os três grandes e, irremediavelmente, interferir na luta pelo título. Surpreender como quem diz, não é verdade? À partida, jogos com estas equipas, e especialmente se forem em casa, são sempre muito difíceis para conquistar os três pontos.

Ano após ano, o Rio Ave mostra ser é uma das equipas do campeonato com um projeto mais sólido
Fonte: Rio Ave FC

Com orçamentos ridiculamente mais baixos, a estratégia destes clubes tem passado essencialmente pelos empréstimos de jogadores não tão utilizados nos três grandes para estas ditas equipas. Isto acaba por ser benéfico para todos: para o campeonato, visto que a equipa fica mais competitiva; para o clube, visto que ganha um reforço na equipa a baixo custo e benéfica para o próprio jogador porque consegue ter mais minutos.

Não sei se este equilíbrio se fez mesmo notar mais agora devido ao facto de nenhuma equipa estar a jogar um bom futebol. A verdade é que temos equipas a sobressair e a surpreender e, pelo menos assim, conseguimos “desenjoar” um bocadinho dos três grandes.

 

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Dragão: A fortaleza do mar azul

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O imponente Estádio do Dragão completa 15 anos de existência e, nos seus recantos, guarda um sem número de memórias que os portistas não mais vão esquecer. Torna-se, por isso, muito difícil escolher apenas cinco momentos dignos de destaque, num palco que já vivenciou episódios muito, muito gratificantes. Mágicos, até. O Dragão está de parabéns e promete, ano após ano, continuar a encher de alegria os milhões de portistas que por lá já deixaram uma marca ao longo desta última década e meia.

O Passado Também Chuta: República Checa do Euro 2004

Semifinalista da maior competição desportiva organizada em Portugal e apenas batida pela vencedora Grécia nas meias finais, esta República Checa do Euro 2004 foi de encher o olho. Depois disso, foi sempre a descer, sendo este o último grande desempenho dos checos em competições internacionais.

Oito anos antes, em 1996, a República Checa disputou pela primeira vez uma grande competição internacional antes da desintegração da Checoslováquia (que tem um título europeu em 1976), o Campeonato da Europa em Inglaterra e foi vice-campeã. Perdeu com a Alemanha por 2-1 após prolongamento.

Em 2004, a República Checa só não superava Portugal em níveis brilhantismo. Tinham tudo para marcar mais golos que qualquer outro adversário. Tudo começa pela “torre” Jan Koller, com 2 metros e 2 centímetros e cerca de 99 quilos. Uma ameaça área que nem precisava de saltar para cabecear uma bola, literalmente. Na altura, tinha 31 anos e jogava pelo Borussia Dortmund. 293 golos em 664 jogos oficiais em toda a carreira.

Este altíssimo atacante tinha a companhia do melhor marcador do Euro 2004 (cinco golos), Milan Baroš. Mesmo quem esteja a ler isto e fosse muito novo, não se pode esquecer deste nome. Ainda joga a bola, sim, aos 37 anos no Baník Ostrava, precisamente na República Checa. Na altura, tinha 22, jogava pelo Liverpool e era um rapidíssimo avançado, sempre à procura da bola.

Milan Baros e Nedved, classe checa!
Fonte: UEFA

Incansável era também este trio de médios. Pavel Nedved, para muitos o melhor jogador da Europa naquela altura, Karel Poborsky e Tomás Rosicky. Todos eles estavam em idades favoráveis para grandes perfomances. O seleccionador desta selecção em 2004, Karel Brückner, pôde jogar dois atacantes e três médios de ataque porque todos eles eram bastante agressivos. Tanto jogavam no centro do terreno, como nas faixas e entre linhas. Nedved lesionou-se nessa meia final perdida frente à Grécia, saiu aos 40 minutos. Os gregos aproveitaram como todos sabemos.

Esta equipa também era de estrelas e competência máxima na defesa. Petr Čech era um dos guarda-redes do momento com 22 anos (tão novinho!) e estava a caminho do Chelsea (ia deixar o Rennes). No eixo defensivo estava o imponente Tomáš Ujfaluši (ex-Hamburgo, Fiorentina, Atlético Madrid e Galatasaray), um jogador que fez o seu nome através das principais ligas da Europa, e René Bolf, um herói checo local, veterano do Baník Ostrava.

Mas o que tornou esta defesa tão interessante foi, na forma típica de Brückner, a ameaça de ataque que levaram, liderada pelos dois laterais, Marek Jankulovski e Zdeněk Grygera. Os dois foram essenciais para o jogo ofensivo da equipa, adicionando opções no último terço. Grygera foi muitas vezes sacrificado, mas enquanto ele estava em campo, ele forneceu ajuda vivaz ao seu ala de apoio. Jankulovski forneceu mais estabilidade, com o seu ritmo de trabalho e passando a prova crucial em ambas as extremidades do campo.

Actualmente, a República Checa está na Liga B da Liga das Nações da UEFA.

Os jogos da República Checa no Euro 2004:

Fase de grupos: 2-1 vs Alemanha; 3-2 vs Holanda; e 2-1 vs Letónia

Fase a eliminar: 3-0 vs Dinamarca (quartos-de-final) e 0-1 vs Grécia

A República Checa esteve em peso no onze ideal do Euro 2004
Fonte: UEFA

Foto de Capa: UEFA

Força da Tática: Eintracht Frankfurt FAG, não mexa com quem está quieto

Depois da excelente campanha na última época, a temporada atual do Eintracht Frankfurt FAG não poderia ter começado pior. No primeiro jogo oficial de Adolf Hütter no comando, a equipa foi derrotada por uns expressivos 5-0 na Supertaça, precisamente pelo homem que tinha levando o Eintracht aos bons resultados na última época, Niko Kovač.

Apenas seis dias depois da Supertaça, a equipa estreava-se na competição que tinha vencido meses antes e tinha uma ótima oportunidade para fazer esquecer o desaire frente ao FC Bayern de Munique, na medida em que tinha pela frente o modesto e desconhecido SSV Ulm 1846. Contudo, esse desconhecido acabou mesmo por derrotar e eliminar os pupilos de Hütter da Taça.

O ambiente no Commerzbank-Arena estava péssimo para a estreia na Bundesliga e não melhorou, após a equipa apenas ter conseguido quatro pontos em quinze possíveis, nas primeiras cinco jornadas. Foi nesse momento, no final de setembro, que muitos condenaram a equipa a uma época negra, onde o destino mais provável era a 2. Bundesliga. Muito se escreveu e falou.

Hoje? Ninguém diria que se trata da mesma equipa. Não perdem há praticamente dois meses (para todas as competições), estão em quarto lugar na Bundesliga, com os mesmos pontos do Bayern, tendo pelo meio atropelado o Düsseldorfer TS Fortuna (7-1), vencido inequivocamente a SS Lazio em casa (4-1), derrotado fora o complicado TSG Hoffenheim (1-2) e, no último jogo, despachado o FC Schalke 04 por uns confortáveis 3-0.

Lá está o velho ditado: Não mexa com quem está quieto.

Treinador | Adolf Hütter

Com 48 anos de idade, o austríaco passou os últimos três anos na Suíça, onde levou o BSC Young Boys à conquista do campeonato, destronando o crónico campeão FC Basileia. Com passagens por SV Rheindorf Altach, SV Grödig e Red Bull Salzburg, antes de rumar a Berna, Hütter começou a dar nas vistas pelas semelhanças que as suas equipas tinham com as de Roger Schmidt.

O seu Young Boys, que conseguiu o primeiro título em 32 anos, optava preferencialmente por uma estrutura em 4-4-2, mas nada a ver com o 4-4-2 mais famoso do futebol: Atlético de Madrid. O comportamento dos médios-ala era profundamente ofensivo, transformando o 4-4-2 num 4-2-4.

Foi com uma formação semelhante a essa que o austríaco começou a sua aventura na Alemanha, mas foi abandonando gradualmente o 4-2-3-1, em favor de uma estrutura de três centrais. Hoje, parece que Adolf Hütter encontrou no 3-5-2 a sua formação ideal, sendo que a ausência de Gaćinović tornou a equipa mais ofensiva, com a colocação de um homem declaradamente mais atacante no apoio à dupla de avançados. Assim, podemos falar de um 3-4-1-2.

Equipa | Uma panóplia de opções de qualidade

Com onze jornadas disputadas, o Eintracht já utilizou (só na Bundesliga) 25 jogadores, um número que vai aumentar, certamente, quando os dois portugueses estiverem aptos para jogar. Desses 25, 19 já realizaram mais de 180 minutos (equivalente a dois jogos completos), números que dizem tudo sobre a quantidade de opções à disposição do treinador.

O onze base, dentro do 3-4-1-2/3-5-2, começa com Kevin Trapp na baliza, protegido por três centrais, N’Dicka, Hasebe e Abraham. Os alas-laterais parecem ser cada vez mais indiscutíveis, com Danny da Costa (direita) e Kostić (esquerda). No meio-campo aparecem nomes bem conhecidos: Gelson Fernandes (ex-Sporting) e Jonathan de Guzmán perfazem o duplo-pivô, atrás de Gaćinović. A dupla atacante é composta por Jovic e Rebić, sendo que Haller tem vindo a ganhar o seu espaço ao lado do ex-SL Benfica na frente, fruto da ausência de Gaćinović. Quando Haller é aposta, Rebić baixa para dar o apoio à dupla ofensiva.

Lucas Torró, Jetro Willems, Nicolai Müller e Allan Souza são outros nomes que facilmente podem entrar na equipa.

Fonte: Eleven Sports

Fase Defensiva | Uma história de duas formigas

Na fase defensiva, a grande preocupação da equipa está em evitar a exploração do corredor central pelo adversário. Para alcançar esse objetivo, tudo começa com a linha ofensiva, que se transforma em linha de três (subida de Rebić), com a aproximação do duplo-pivô- Gelson e Guzman-, reduzindo ao máximo o espaço entre estas duas linhas.

Por norma, o Eintracht não pressiona logo de forma agressiva a construção. Espera, ou cria um certo estímulo, para iniciar aí o pressing. Normalmente, esse estímulo é um passe horizontal entre os centrais adversários, sem grande velocidade e previsível. Quando esse passe acontece, os jogadores da linha ofensiva avançam em velocidade em direção ao jogador que vai receber a bola, forçando-o a jogar para os lados ou para o guarda-redes. É nesta fase que entram na equação as duas “formigas” e a importância de estarem perto dos avançados, já que impedem que os jogadores adversários recebam a bola de frente para a baliza de Trapp, travando a progressão da bola pela forma como obrigam os médios do adversário a jogar na fase de construção (de costas).

Fonte: Eleven Sports

Hasebe é o central do meio e é, como é evidente para todos, um jogador muito baixo, com dificuldades no jogo aéreo. Assim, é recorrente ver o adversário jogar longo para o ponta de lança, que ganha a maioria das bolas. Contudo, o Eintracht está preparado para isto e ganha recorrentemente as segundas bolas. Os adversários não conseguem ter um número significativo de jogadores na frente, porque alocam vários à tentativa de sair a jogar. Adicionalmente, as duas “formigas” são muito rápidas a recuperar a posição, atrasando os ataques dos adversários.

Fonte: Eleven Sports

Fase Ofensiva | Exploração dos ângulos e verticalidade

Para quem tem visto os resultados do Eintracht, o que mais salta à vista é a quantidade de golos que tem conseguido. Afinal, não é fruto do acaso a quantidade de notícias que têm surgido nas últimas semanas, falando do interesse do FC Bayern de Munique em Jovic.

Hoje, parece que todas as equipas jogam, ou forçam-se a jogar, começando a construir desde trás, com belas combinações curtas, jogo apoiado e apoios frontais. Tudo bem, é uma forma particularmente agradável de ver, mas não pode ser implementada em todas as equipas (pelos jogadores à disposição).

No Eintracht, a palavra de ordem, quando a equipa têm bola, é verticalidade.

Não procura iniciar a sua construção desde os centrais, mas sim através do jogo direto para Haller. O ponta de lança é o jogador com a maior quantidade de duelos aéreos, e duelos, no geral, ganhos na Bundesliga, com 62 e 178, respetivamente.

É na forma como se consegue projetar no ataque, assim que recupera a bola, que é verdadeiramente demolidora. Usa a largura do campo de uma forma ideal, oferecendo ao portador da bola várias opções de passe, com ângulos diferentes, isto é, tanto para o corredor lateral, corredor central, como para os canais (espaço entre o corredor lateral e o central).

Fonte: DAZN it

Vemos como Jetro, ala-lateral esquerdo, assim que recebe a bola e reconhece o espaço na sua frente, ataca-o e invade o meio-campo do adversário. No corredor central, Haller e Jovic colocam-se entre os defesas do adversário, fixando-os ao corredor central. Rebić, que está junto à linha lateral, mantém a largura, esperando o momento certo para receber o passe do portador da bola, que irá ser quando este chegar junto do defesa. Assim que chegar junto do defesa, este é obrigado a sair na bola, o que vai deixar os colegas numa situação de igualdade numérica dentro de área, mas que é favorável ao Eintracht, pelo poder dos seus dois homens na grande área.

Fonte: DAZN it

Aqui é de Guzmán que recolhe a bola e inicia imediatamente a transição. Podemos observar como o ala-lateral, Kostić, ataca imediatamente o espaço, garantido uma ocupação ideal da largura do campo.

Fonte: Eleven Sports

É com uma avalanche que os adversários têm de lidar.

Vamos ver como evolui esta equipa, tanto na Bundesliga como na Liga Europa.

 

 

Foto de Capa: Eintracht Frankfurt FAG

O Caminho para os 16 Avos: Qarabağ e Volska Poltava

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Uma deslocação ao Azerbeijão no dia 29 deste mês para defrontar o Qarabağ e a receção ao Volska Poltava no dia 13 de dezembro: eis o que falta aos homens de Alvalade para conquistar um lugar nos dezasseis avos de final da Liga Europa.

À entrada para a penúltima jornada do grupo, o Sporting Clube de Portugal encontra-se em segundo classificado do Grupo E a três pontos do líder Arsenal e com quatro pontos de vantagens dos últimos classificados do grupo: Qarabağ e Volska Poltava.

Os leões iniciaram esta campanha da Liga Europa da melhor maneira possível e de forma imperial: venceram o Qarabağ em casa por 2-0 na primeira jornada do grupo e na segunda partida bateram o Volska Poltava na Ucrânia por 2-1. Foi só na terceira jornada, em casa frente ao Arsenal, que os leões tiveram o primeiro jogo sem pontuar: Danny Welbeck fez o único golo em Alvalade e deu os três pontos aos londrinos. Já em Londres, na quarta jornada do grupo, os homens de verde e branco, com mais de cinco mil adeptos leoninos nas bancadas, levaram o nulo para casa e pontuaram frente ao favorito do grupo.

Mais de 5 mil leões marcaram presença no Emirates
Fonte: Sporting CP

Os homens de Marcel Keizer, que nesta competição já foram de José Peseiro e de Tiago Fernandes, têm agora duas partidas para garantir um lugar nas próximas eliminatórias e, quiçá, o primeiro lugar no grupo.

Uma só vitória é suficiente para garantir a passagem no grupo, mas certamente que Keizer incentivará os seus homens a conquistarem os seis pontos ainda em disputa. Mais que não seja para deixar já uma boa imagem apos adeptos leoninos.

Foto de capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

Holanda 2-0 França: Laranja Mecânica esmaga campeã do mundo em noite de Depay

No Estádio De Kuip, em Roterdão, estava agendado um dos grandes jogos da Liga das Nações, a contar para o grupo 1 da Liga A: o Holanda-França, que nos traz à memória nomes como Cruijff, Zidane, Van Basten, Thierry Henry, etc., é de fazer crescer água na boca e confirmou todas as expetativas depositadas neste confronto. A Laranja Mecânica, que atravessa um momento incrível, bateu por 2-0 uma seleção francesa muito longe do que apresentou na Rússia e que ninguém diria que saiu de território soviético com o ouro.

A seleção holandesa entrou na partida com ganas de vencer, com a primeira situação de perigo a surgir logo aos dois minutos: Depay, após passe frontal de Marten de Roon, jogou atrasado para Wijnaldum, que testou a atenção de Lloris. Os holandeses começavam, aos poucos, a instalar-se no meio-campo francês, com um futebol de posse comandado pelo jovem Frenkie de Jong.

Aos 10 minutos, foi a vez da seleção francesa visar a baliza contrária: Lucas Digne, do lado esquerdo, cruzou a bola para Griezmann, que cabeceou à figura de Cilessen. Contudo, esta chegada à área holandesa por parte dos franceses seria uma rara exceção, tanto no primeiro tempo, como ao longo do encontro. Ronald Koeman, ciente das dificuldades que a seleção gaulesa poderia criar, montou uma equipa muito personalizada e capaz de estar à altura dos acontecimentos.

Perante uma atmosfera incrível na “Banheira de Roterdão”, a França procurava equilibrar as contas do jogo, com Kanté a revelar-se um dos homens mais ativos na tentativa de saída para o ataque. Aos 28 minutos, a fazer lembrar o golo marcado à Argentina no Campeonato do Mundo da Rússia, Pavard disparou de longa distância, mas a bola saiu alguns centímetros por cima do travessão.

Até ao apito para o intervalo, a Holanda foi senhora de si própria e chegou à vantagem aos 44 minutos, pelo intermédio de Wijnaldum: bola levantada para a área por de Jong, falha de comunicação entre N’Zonzi e Varane e o esférico a espirrar para os pés de Ryan Babel; o jogador do Besiktas rematou rasteiro para uma grande defesa de Lloris, que não conseguiu negar o golo a Wijnaldum, a aproveitar da melhor maneira a recarga.

A Laranja Mecânica ia dominando os gauleses e chegava ao intervalo em vantagem
Fonte: KNVB

Na segunda parte, os holandeses aproveitaram a falta de ideias e a passividade dos franceses para tomarem conta do jogo, não deixando a equipa de Deschamps respirar. Os bleus, que precisavam do empate para garantir a passagem à Final Four da competição, não conseguiam contrariar o ímpeto ofensivo holandês. Nos primeiros três minutos da meia hora final, Lloris teve novamente de dizer “presente”, após as ameaças dos defesas Van Dijk e Dumfries.

A casa do Feyenoord, que ia assistindo a uma Holanda avassaladora, via também a rendição dos adeptos do desporto-rei à qualidade tremenda de Memphis Depay. Aos 73 minutos, o craque do Lyon, na execução de um livre, obrigou Lloris a mais uma boa defesa. Dois minutos volvidos, Depay fez o que queria de Pavard e atirou fortíssimo à baliza francesa, com o guardião do Tottenham a defender para canto. Na conversão do mesmo, o ex-Manchester United bateu à maneira curta para a devolução de Bergwijn, e disparou um verdadeiro míssil, mas sem dilatar os números do encontro.

A noite era laranja e, quando o relógio já passava dos 90, a seleção de Koeman fez o segundo e pôs um ponto final no desafio. Dois minutos após uma excelente oportunidade de de Jong ser travada pelas luvas de Lloris, o árbitro Anthony Taylor assinalou grande penalidade a favor da Holanda. Memphis Depay, a mostrar que tem sangue frio, coroou uma exibição espantosa com um penálti à panenka.

A Holanda empurra assim a Alemanha para a Liga B, a ser jogada em 2020/2021, e, caso vença a seleção de Joachim Löw, segue para a Final Four da Liga das Nações. Já os franceses, que continuam a liderar o grupo, encontram-se dependentes do jogo da próxima segunda-feira, em que a seleção alemã recebe a Laranja na Veltins-Arena, em Gelsenkirchen.

 

ONZES INICIAIS:

Holanda: Cilessen, Dumfries, de Ligt, Van Dijk, Blind; Wijnaldum (Vilhena 89’), de Roon, de Jong; Bergwijn (Promes 86’), Babel (Aké 90+2’), Depay.

França: Lloris, Pavard, Varane, Kimpembe, Digne; N’Zonzi (Ndombélé 81’), Kanté, Matuidi (Sissoko 65’), Mbappé; Griezmann, Giroud (Dembélé 65’).

Corchia, a alternativa de momento para André Almeida

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Existem vários problemas no SL Benfica atualmente e um deles passa pela posição de lateral-direito, entregue indiscutivelmente a André Almeida. É um dos setores mais problemáticos do esquema tático pela falta de presença, de espírito aguerrido e pelo desgaste aparente, que se deve à quantidade de jogos por época.

A viver os melhores anos desde que foi contratado, André Almeida só é titular pela falta de representação séria na posição. Desde a saída de Nélson Semedo mais ninguém se chegou à frente. No ano passado, Douglas não se afirmou. Este ano, Ebuehi está lesionado, mas Corchia está disponível e pode ser lançado. Porém, falta-lhe entrosamento no sistema de jogo e com os companheiros, algo que pode ser facilmente trabalhado.

Este artigo é precisamente sobre o francês, pois considero que o mesmo pode ser uma alternativa viável a André Almeida, sendo algo que pode ser seguido com maior frequência daqui para a frente.

Conseguirá o francês disputar o lugar de lateral-direito de forma mais intensa com André Almeida?
Fonte: SL Benfica

Acredito que Corchia pode fazer a diferença na posição e tal faz-se com a utilização regular. Desde que recuperou de lesão, só foi utilizado frente ao Sertanense, numa escolha esperada, que serviu para apresentar o jogador ao universo benfiquista. Neste jogo, fiquei satisfeito com a sua performance e, por este motivo, coloco a hipótese de poder ser utilizado com maior preponderância.

Neste momento, há que integrar o francês corretamente e, a partir daí, poder assumir o estatuto de concorrente direto de Almeida. É importante mostrar trabalho e, neste momento, o jogo com o Sertanense é insuficiente para perceber até que ponto pode ser uma escolha a médio prazo.

É mais fácil avaliar a intensidade que André Almeida apresenta atualmente: intensidade esta que, pela presença em campo, já foi maior! Entre os pontos fortes, o perfeito entendimento para com os restantes jogadores faz a diferença, o que se justifica pela influência de 10 temporadas ligado ao SL Benfica. Quando comparado ao francês, há uma linha muito díspar e que justifica a opção atual.

Perante este cenário, impõe-se que André Almeida tenha algum “descanso” e que possa, aos poucos, ser rendido por Corchia, seja em que competição for, porque é um jogador que está mais que habituado a isso, pela carreira que construiu em França e Espanha.

É a solução mais certa que proponho. Não estou a dizer que será o próximo titular indiscutível e também não vejo a necessidade de contratar mais um lateral, visto que já existem três na equipa principal. Apenas estou a colocar a hipótese de ser lançado com frequência pelo seu imenso potencial e a diferença que consegue fazer caso lhe seja dada a oportunidade que merece. Quando Ebuehi estiver recuperado a conversa será outra! Para já, é a altura de André Almeida começar a dividir a posição com Corchia – não para ser substituído, mas para gerir a quantidade de jogos e competições de uma só temporada.

Foto de capa: SL Benfica

Texto revisto por: Mariana Coelho