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Carta aberta a Luís Filipe Vieira

Excelentíssimo Presidente,

Sei que fez, há uns dias atrás, 15 anos como presidente do Sport Lisboa e Benfica. Também sei, certamente, que é um orgulho enorme poder representar um clube tão grande como é o nosso! Mais ainda, tenho a certeza de que é um cargo que quer manter por muitos anos.

A verdade é que o Senhor Presidente tem vindo a ajudar muito o nosso clube em todos os sentidos. Seja pela construção do novo Estádio da Luz, pelo novo centro de estágios do Seixal, por todas as conquistas feitas pelo clube e até mesmo por tornar o Benfica no 21.º clube mais lucrativo da Europa. Não é à toa que os sócios benfiquistas o elegem sempre como presidente e é claro que também não será à toa a escolha dos jogadores para representarem o clube.

E é disso mesmo que lhe venho falar hoje, dos nossos jogadores. Verdade seja dita que são mais “seus” do que “meus”. Peço-lhe, com todo o respeito, que pense neles em primeiro lugar. Não digo que eu não o faça, peço-lhe apenas que o faça de cabeça fria.

Fonte: Mafalda Feliciano/Bola na Rede

Nós, adeptos, podemos ser muitos duros por vezes, falo no geral. Mas já parou para pensar porquê? Talvez pelas inconstâncias do nosso clube. É certo que, em outras modalidades sem ser no futebol, e até mesmo no futebol, já conquistámos muitos troféus, já rimos muito, já chorámos muito, já gritámos muito. Mas, infelizmente, as coisas nem sempre são assim tão fáceis. Tenho visto, ao longo dos anos, e como disse anteriormente, uma inconstância naquele que é o grande amor da minha vida.

É claro que há fases más, mas porque é que, só num ano, conseguimos ter aquilo a que se chama um fifty fifty? É isso mesmo! Metade de uma boa época, a outra metade bastante mais fraca. Não quer dizer que isso aconteça literalmente na 1ª volta e, seguidamente, na 2ª volta. Não. Muitas das vezes esse facto acontece de jornada para jornada.

Às vezes pergunto-me como é que, os mesmos jogadores, mostram rendimentos tão diferentes de jogo para jogo. Na maioria das vezes, acabo por concluir que o mais provável é que sejam as táticas usadas ou de possíveis diferentes treinos. Mas, na verdade, eu não tenho essa certeza, pois não estou lá para ver. Será que é isso, Senhor Presidente? Será que são as boas e não tão boas decisões dos treinadores? Não sei. A única coisa que sei, com toda a minha certeza, é que quero ver o meu Benfica a ganhar, constantemente!

É claro que há sempre a probabilidade de perderem ou empatarem uma partida, mas eu quero ver um Benfica com mais garra, com mais “fome” de jogo. Quero ver um Benfica de “raça, querer e ambição”, um Benfica furacão, dentro e fora de campo.

Quero ver os nossos jogadores a darem o máximo, a caírem e a levantarem-se logo a seguir para não perderem a bola. Eu não quero ver os jogadores caídos por cada vez que um jogador adversário lhe toque ou se chegue perto. Para clarificar, faltas são faltas, mas jogam num campo e não numa piscina (sem querer faltar ao respeito). Não desfazendo os nossos jogadores, que são todos muito bons. O que eu estou a tentar transmitir é que gostava de ver um Benfica que quer jogar à bola e não que quer arranjar faltas para criar lances perigosos.

Eu quero ver o meu clube como vejo um clube da primeira liga inglesa, por exemplo, que lutam até ao último segundo e que passam mais tempo a levantarem-se rápido de possíveis faltas que o árbitro não assinalou para ficarem com a bola, do que a reclamar a falta sobre o colega que não foi assinalada.

Fonte: SL Benfica

Senhor presidente, pense nisso! Pense nisso e nos nossos jogadores. Pense o quão fomos felizes naqueles quatro anos, ou na altura do Eusébio e do Mário Coluna (entre tantos outros). Pense que podemos voltar a ser assim, a fazer tudo e a não fazer de um “não conseguimos”, uma probabilidade.

Eu, nós, queremos todos o mesmo. Queremos um Benfica de vitórias, um Benfica de orgulho, de raça, de conquistas. Queremos fazer o nosso clube ainda mais histórico. Queremos mostrar aos nossos futuros adeptos que o Benfica passou por fases más, mas que, nesse futuro, isso já não existe. Já não existe porque os nossos tão bons jogadores mudaram de atitude, mostraram, como vão mostrando, de que é que são feitos. É só isso que nós queremos, ou isso tudo.

Então, Excelentíssimo Presidente, volte-nos a dar aquele Benfica. Aquele Benfica que só nos faz chorar de alegria. Aquele Benfica que é o nosso! Encontramo-nos brevemente nessa que é a nossa casa, com o Benfica com que sonhamos!

 

Foto de Capa: SL Benfica

Frente a frente: Sérgio Oliveira vs Óliver Torres

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Sérgio Conceição, ao contrário do que era esperado no início da época , tem sentido “dores de cabeça” para formar o onze inicial do FC Porto, nomeadamente ao nível do meio-campo.

Titular em seis dos últimos sete jogos, Óliver Torres tem enchido as medidas aos portistas com exibições de grande qualidade, tendo pegado de estaca no onze de Sérgio Conceição.
Já Sérgio Oliveira teve um começo de época irregular com alguns pormenores de qualidade mas com exibições pobres no geral, que o levaram a cair do onze e ser relegado para o banco de suplentes.

Com Óliver, o jogo do FC Porto é muito mais rico, devido à sua visão de jogo, à sua criatividade e à sua soberba qualidade e assertividade no passe. Ao assumir o papel de médio de transição, apenas com Danilo a seu lado no setor médio do terreno, o espanhol tem dado nas vistas pela sua capacidade física e de luta, tendo inclusive estabelecido um recorde de onze desarmes na Liga Nos, no jogo contra o Feirense a contar para a 8ª jornada, algo que seria impensável no “antigo” Óliver. De destacar, ainda no aspeto defensivo, é a inteligência do ex-Atlético de Madrid nas suas interceções, que raramente se traduzem em faltas sobre o oponente e permitem ao espanhol sair a jogar.

Óliver Torres passou de suplente a indispensável na equipa de Sérgio Conceição
Fonte: FC Porto

Para além disso, é de referir a sua capacidade de drible sobre os adversários e controlo de bola, utilizando o seu baixo centro de rotação para rodar sobre os mesmos e sair, até por vezes, de pressões de três ou quatro jogadores. A maior prova de trabalho e de empenho do espanhol é a melhoria no seu jogo posicional, que se nota que foi muito bem trabalhado por Sérgio Conceição, pois Óliver tende a aparecer sempre no local certo para dinamizar o jogo da turma portista.

A única lacuna deste pequeno génio espanhol é o remate, aspeto em que Óliver é verdadeiramente pobre.

Com Sérgio Oliveira,o FC Porto tem um meio campo mais robusto, mais combativo, com mais argumentos no jogo aéreo e com mais remate.

O médio português é dotado de um grande pontapé e qualidade nas bolas paradas, mas peca pela falta de criatividade no seu jogo. Sérgio remete-se sobretudo a passes curtos e simples, arriscando raramente passes a rasgar a defesa contrária. No entanto, tem um jogo posicional interessante, na medida em que tanto cola à defesa quando é necessário como aparece no meio dos avançados em movimentos verticais quando é preciso tirar vantagem no setor ofensivo para se poder finalizar.

O médio português, que juntamente com Herrera suprimiu com excelência a falta de Danilo no meio-campo azul e branco, apesar de mais robusto, usa muitas vezes o corpo para fazer muitas faltas, o que impossibilita a saída com bola.

Veredicto: Sérgio Conceição só tem de estar satisfeito. Tem dois médios que, apesar de possuírem caraterísticas diferentes, formas diferentes de atuar e ler o jogo, acrescentam grande qualidade ao meio-campo portista e são soluções viáveis para dinamizar o jogo da equipa da cidade invicta.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Inglaterra 2-1 Croácia: Inglaterra vinga derrota do Mundial e vai à «Final Four»

No último encontro do grupo 4 da Liga A da Liga das Nações, a Inglaterra recebeu e venceu a Croácia por 2-1. Após a vitória caseira da Croácia sobre a Espanha na passada quinta-feira (dia 15), o jogo de Wembley ganhou outro interesse: quem vencesse, garantia a ida à Final Four, ao passo que a seleção derrotada era despromovida à Liga B.

Quanto aos onzes iniciais, Gareth Southgate apostou num 4-4-1-1, com Barkley a jogar nas costas de Harry Kane. Já Zlakto Dalić utilizou o 4-2-3-1, com Modrić e Brozović a jogar atrás do pivô ofensivo Vlašić, que iria apoiar o ponta-de-lança Kramarić.

A partida começou a um bom ritmo, com a seleção inglesa a querer assumir desde o instante inicial o controlo de jogo, fazendo uma boa circulação de bola e a demonstrar maior iniciativa ofensiva nos primeiros minutos. O primeiro remate perigoso surgiu ao minuto 11, por intermédio de Sterling, que recebeu um excelente passe em desmarcação de Kane, mas Kalinić saiu bem da baliza e defendeu para canto. No seguimento do canto, Kane atirou a bola por cima da barra da baliza croata.

A vice-campeã do Mundo estava a sentir muitas dificuldades em assentar o seu jogo, ter bola e partir em ataque organizado para a baliza contrária, muito por culpa da enorme vontade dos ingleses em inaugurar o marcador. A primeira vez que conseguiu chegar à baliza à guarda de Pickford, Kramarić, num remate fora de área, ao minuto 22, obrigou o guardião do Everton a ter de ir ao tapete para agarrar a redondinha. Quatro minutos depois, Dalić fez a sua primeira substituição: o lesionado Vrsaljko foi rendido por Milić.

Os últimos 15 minutos da primeira parte não tiveram grandes motivos de interesse e foi sem surpresa que as duas seleções foram para o descanso com um nulo no marcador. Ao intervalo, era a Espanha que estava garantida na Final Four, a ser disputada em território português, e a Croácia descia para a Liga B.

Inglaterra e Croácia foram para o descanso empatadas a zero
Fonte: UEFA

Para o início do segundo tempo, Brekalo foi chamado a jogo para o lugar de Rebić. A Inglaterra voltou a entrar melhor, um pouco à semelhança do que se assistiu na primeira parte, a fazer uma boa circulação de bola, mas pedia-se mais assertividade e agressividade na hora de visar a baliza croata – exemplo disso foi o remate de Sterling ao minuto 52, que rematou frouxo para defesa fácil de Kalinić.

Apesar da forte pressão sofrida, seria a Croácia a abrir o marcador em Wembley: ao minuto 57, numa boa jogado coletiva, Kramarić trabalhou bem a bola dentro da área inglesa e rematou para o canto superior esquerdo da baliza, sem grandes hipóteses de defesa para Pickford. O golo dava agora o apuramento à seleção de Modrić e companhia.

A Inglaterra demorou a reagir ao golo sofrido e Southgate, percebendo isso, decidiu lançar Dele Alli para o jogo, rendendo Ross Barkley. A aposta no atacante do Tottenham pretendia colocar mais elementos na frente de ataque, em busca do tento do empate. A primeira tentativa de reação surgiu através de um remate de longe de Kyle Walker, ao minuto 67, mas Kalinić encaixou bem.

Gareth Southgate esgotou as suas substituições à entrada para os últimos 15 minutos de jogo: Sancho e Lingard entraram para os lugares de Rashford e Fabian Delph, respetivamente. A alteração teve o efeito pretendido ao minuto 78: na sequência de um lançamento longo e alguma confusão na área croata, a bola sobrou para Lingard, que só teve de empurrar a bola para dentro da baliza. O golo iria trazer maior incerteza para o final da partida.

O jogo entrou num ritmo alucinante, havendo pouco rigor tático e com o perigo a rondar as duas balizas, adivinhava-se o golo a qualquer momento. Golo que acabou por aparecer ao minuto 86: Harry Kane desviou a bola para o canto inferior direito da baliza de Kalinić, na sequência de um livre batido do lado esquerdo para a área. A reviravolta estava consumada e, assim, a Inglaterra estava apurada para a fase final da Liga das Nações.

Até ao apito final do árbitro, os comandados de Southgate limitaram-se a gerir a posse de bola e a manter os croatas longe da baliza inglesa. Com o triunfo, a Inglaterra vingou a derrota sofrida na meia-final do Mundial de 2018 e garantiu a presença na Final Four, ao passo que a Croácia foi relegada para a Liga B.

Onzes Iniciais

Inglaterra: Jordan Pickford; Kyle Walker; Joe Gomez; John Stones; Benjamin Chilwell; Marcus Rashford (Jadon Sancho 73’); Eric Dier; Fabian Delph (Jesse Lingard 73’); Raheem Sterling; Ross Barkley (Dele Alli 64’); Harry Kane

Croácia: Lovre Kalinić; Sime Vrsaljko (Antonio Milić 26’); Dejan Lovren; Domagoj Vida; Tin Jedvaj; Luka Modrić; Marcelo Brozović; Ante Rebić (Josip Brekalo 45’); Nikola Vlašić (Marko Rog 79’); Ivan Perisić; Andrej Kramarić

WWE Survivor Series – Será uma noite fantástica!

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E assim, ao aproximar-nos do final do ano, a WWE apresentará a 32ª edição do Survivor Series. Este ano teremos mais uma vez a batalha entre o SmackDown e o Raw, e apesar de nenhum título estar em jogo, espera-se uma óptima noite de wrestling.

A construção do card foi muito simples. Todos os campeões de cada brand enfrentam-se, e haverá também os tradicionais combates Tag Team de eliminação. Mesmo assim, todos os combates têm o potencial de ser algo de especial.

NXT TakeOver: WarGames – FANTÁSTICO

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“Fantástico” é o adjetivo que melhor descreve este evento. Só tinha quatro combates anunciados, mas foram mais do que o suficiente para os lutadores demonstrarem tudo o aquilo valem, tal como a razão pela qual o NXT continua a ser a jóia na coroa da WWE.

Após um início atribulado, o evento acabou por ganhar o ritmo desejado e cada combate conseguiu contar bem a sua história. Este é sem dúvida um daqueles eventos para mais tarde recordar.

Nota do evento: 8/10 

Quem tem culpa na crise do Bayern?

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Ainda estamos em novembro, mas o fim da hegemonia do Bayern München FC na Bundesliga parece mais provável que nunca. Em quinto lugar, a sete pontos do primeiro, o símbolo da Baviera está a ter um dos seus piores arranques de época de sempre. No futebol, a culpa nunca morre solteira e, neste caso, até tem vários pretendentes. Dos jogadores, ao treinador, à dirigência, há muitos responsáveis pelas dificuldades vividas no Allianz Arena.

Sete. Este é o número de jogadores do Bayern de Munique que, nesta época, já marcaram um ou mais golos. Ora, esta estatística isolada não é particularmente negativa, mas quando temos em conta que a equipa marcou, para já, 20 golos no campeonato (em 11 jogos), percebemos que é sintoma de um problema maior. Isto porque, na época passada, o Bayern registou 92 golos nas 34 partidas que disputou. É quase o triplo da média de golos por jogo que apresenta este ano. Ainda que Robert Lewandoski tenha recuperado, após uns maus meses de agosto e setembro, jogadores como Thomas Müller e Arjen Robben têm-se mostrado muito menos eficazes na ofensiva bávara.

Quem vê as estatísticas, vê menos golos, menos dribles e menos passes completados. Quem vê os jogos, vê uma equipa que parece ter todos os componentes que já fizeram dela campeã seis épocas consecutivas, mas que simplesmente já não se ligam da mesma maneira.

E na defesa, os problemas são igualmente gravosos. Os jogadores com melhor média de cortes por jogo são Thiago Alcântara e Javi Martínez, ambos médios. Os números de Boateng e Hummels estão muito abaixo do que se viu o ano passado, assim como a sua concentração em campo, segurança na altura de construir o ataque e coesão posicional. Na baliza, Manuel Neuer, após regressar, em maio, de uma lesão de oito meses, não parece ter a mesma confiança e o decréscimo de rendimento dos defesas não é desculpa para todos os golos que sofreu até agora (14, só na Bundesliga).

Neuer é, nesta época, o quarto guarda redes da Bundesliga com menos defesas
Fonte: FC Bayern München

E o homem que comanda este batalhão desnorteado, será dele a culpa? Niko Kovač chegou no início desta época a Munique, vindo do Eintracht Frankfurt. Ex-jogador do Bayern (2001-2003), Kovač não tinha tarefa fácil: substituir Jupp Heynckes, que dera ao clube uma Liga dos Campeões e quatro Bundesligas, nunca seria fácil. O facto é que, entre 25 de setembro e 8 de outubro, o símbolo bávaro fez quatro partidas, das quais não ganhou nenhuma, e desceu para o sexto lugar do campeonato. No fim de semana passado, quando parecia numa fase crescente, am spós cinco vitórias eeis jogos, o Bayern vacilou perante o Borussia Dortmund, perdendo por 3-2 (esteve a ganhar 1-0 e 2-1) e, com as vitórias do RB Leipzig e do Eintracht Frankfurt, acabou por descer para quinto lugar, ficando a sete pontos do primeiro, ocupado pelo próprio Dortmund.

12 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. É este o registo de Kovac no Bayern, para já
Fonte: Eintracht Frankfurt

O dedo foi imediatamente apontado a Kovač, sobretudo, por causa da não utilização de James Rodríguez nesse jogo. E enquanto essa opção é, de facto, questionável, dada a forma do colombiano, não será que aquilo com que Kovač tem de trabalhar, a equipa que herdou de Jupp Heynckes, também pode estar a ter efeito na sua má adaptação ao novo clube?

O Bayern tem, atualmente, a média de idades mais baixa da Bundesliga (28 anos e 66 dias). Dos 11 jogadores que ganharam a final da Liga dos Campeões em 2013, sete ainda são regularmente titulares (Neuer, Jérôme Boateng, Robben, Franck Ribéry, Müller, Alaba e Javi Martínez). Os extremos mais utilizados, Robben e Ribéry, têm 34 e 35 anos, respetivamente. Como já se disse antes, quem vê o Bayern a jogar, vê uma equipa que sabe jogar, sabe o que tem de fazer, mas à qual falta alguma coisa. E, em termos leigos, o que falta é juventude.

Maior disponibilidade física. Apesar da qualidade dos jogadores, o tempo é o tempo; e com ele vem uma baixa inevitável de rendimento do corpo. A direção de Karl-Heinz Rummenigge não parece interessada em apostar nos jovens. Trouxe Leon Goretkza, Serge Gnabry e Renato Sanches (este último a voltar de empréstimo) no verão, mas poucos têm sido os seus minutos de jogo. Juntando isto a uma academia que pouco tem produzido nos últimos anos – com Joshua Kimmich a ser a exceção que merece o maior destaque -, é difícil perceber Rummenigge, quando este diz que o Bayern tem “uma mentalidade diferente” da dos outros clubes na Europa. “Comprar só para agradar aos fãs não resulta”, diz. Tudo certo: em equipa que ganha não se mexe. Mas, e quando a equipa deixar de ganhar?

Ainda estamos em novembro, é verdade. O Bayern München FC estará, inevitavelmente, na disputa pelo título de campeão alemão. Tanto pela competitividade do seu plantel, que conta com campeões Mundiais, Europeus (não é, Renato?) e muito mais, como pelo próprio ADN do clube, da estrutura e dos adeptos. Mas a altura de mudar não está a chegar, porque já passou. É hora de fechar a era Jupp Heynckes, que, mesmo na sua ausência, entre 2013 e 2017, esteve bem presente, e começar uma nova, sob a alçada de Niko Kovač, um treinador talentoso, no qual Rummenigge vai ter de confiar.

Foto de capa: FC Bayern München

Reus Deportiu 2-4 FC Porto: Vitória importante rumo aos quartos-de-final

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Perante um Palau d’Esports muito bem composto, o Porto confirmou a sua teórica superioridade e venceu o Reus Deportiu por 4-2. Tornando-se na primeira equipa a vencer na pista do conjunto catalão em 2018/2019. Com este resultado os azuis e brancos lideram o grupo C da Liga Europeia, em conjunto com o Amatori Lodi, e ficam muito bem encaminhados para os quartos-de-final da competição. 

O jogo arrancou de forma frenética e logo nos primeiros instantes o marcador ficou perto de ser inaugurado. Primeiro, Ballart travou uma stickada de meia distância de Gonçalo Alves e momentos depois, Marc Julià, servido por Alex Rodriguez, atirou ao lado.

A jogar em casa, o Reus tinha mais tempo de posse de bola e com cerca de quatro minutos disputados, César Carballeira enviou o esférico à barra da baliza de Nelson Filipe. Sem grandes possibilidades de explorar as transições rápidas, o Porto estava a preocupar-se muito mais em defender bem e não dar espaços ao conjunto catalão.

Somente aos oito minutos os dragões conseguiram criar perigo. Contra-ataque rápido de dois para um, mas Rafa, servido por Gonçalo Alves, não conseguiu marcar. Todavia, segundos depois, Hélder Nunes transportou a bola pela esquerda e serviu Rafa, que se havia soltado da sua marcação, para fazer o 1-0.

O golo fez o Porto subir em rinque e passar a ter a bola mais tempo em sua posse, mas sem conseguir criar reais oportunidades de golo. Muito devido à maior vontade em controlar e construir do que unicamente procurar a baliza de Ballart. 

Não sendo fácil entrar na defesa azul e branca, os jogadores do Reus, ao bom estilo espanhol, começaram a apostar na meia distância, mas Nelson Filipe demonstrava segurança. Os dragões, por seu lado, conseguiam dispor de algumas chances para marcar, mas a finalização não estava a sair bem. Nem mesmo as iniciativas individuais estavam a ter um bom desfecho. A cerca de cinco minutos da pausa, Poka ganhou espaço e stickou forte para a defesa de Ballart. Volvidos alguns instantes, Cocco ganhou um ressalto, tentou uma “picadinha”, mas Ballart negou o golo ao italiano.

A faltarem quatro minutos para o intervalo, o Porto usufruiu de uma nova situação de contra-ataque, desta feita de três para dois, mas Poka não conseguiu marcar. Pouco depois, Gonçalo Alves fez uso da sua forte meia distância, mas Ballart defendeu.

Com pouco mais de dois minutos para a pausa, o Reus aproveitou uma perda de bola de Gonçalo Alves na meia pista ofensiva e Joan Salvat, com uma grande stickada, fez o 1-1.

Chegado o intervalo, o marcador indicava um empate a 1-1 entre o Reus e o Porto. Resultado que se ajustava, tendo em conta a boa entrada dos espanhóis e o subir de rendimento dos portistas, que até foi a equipa com mais e melhores oportunidades de golo. Porém, num dos poucos, senão no único, contra-ataque de que os catalães beneficiaram conseguiram igualar o encontro.

Depois da derrota em Itália contra o Lodi, o Reus precisava de ganhar, mas apesar do muito apoio dos seus adeptos, acabou por perder contra o Porto
Fonte: Reus Deportiu

A segunda parte começou a um bom ritmo, com o Porto a ter mais bola e oportunidades para marcar. Contudo, com quatro minutos jogados, Gonçalo Alves viu um cartão azul após uma falta cometida sobre Alex Rodriguez. Marc Juilà foi o escolhido para a conversão do livre-direto e com alguma sorte à mistura conseguiu fazer o 2-1. 

A vantagem no marcador poderia ter sido anulada minutos depois, mas Ballart voltou a impedir um golo de Rafa. Contudo, volvidos alguns segundos, lance de superioridade numérica dos dragões e Giulio Cocco, servido por Reinaldo Garcia, apontou o 2-2. Passados trinta segundos, Cocco voltou a marcar e fez o 3-2 para o Porto.

Após uma entrada um pouco um falso nos segundos vinte e cinco minutos, o conjunto portista voltou a subir o nível e a estar “confortável” em pista. No entanto, não poderia haver deslumbramentos, pois, qualquer desatenção poderia resultar em golo.

Em cima da marca dos trinta e nove minutos de jogo, o Porto voltou a demonstrar a sua superioridade e a passe de Cocco, Poka avolumou a vantagem da equipa portuguesa para 4-2. Minutos depois, os dragões estiveram a centímetros de voltar a marcar, mas Ballart conseguiu defender uma “picadinha” de Reinaldo Garcia.

Sem qualquer derrota sofrida em casa na presente temporada, o Reus tentava reentrar no encontro, mas apenas a partir do stick de Marc Juilà conseguia criar algum perigo. 

Na dianteira, o Porto controlava o jogo, fechando todos os espaços para a sua baliza e circulando o esférico quando em posse. 

Com pouco mais de dois minutos para se jogar no marcador, Hélder Nunes podia ter colocando um ponto final na partida, mas o capitão azul e branco, isolado perante Ballart, não conseguiu superar o guardião do Reus. 

Até o fim, o Porto controlou e apesar de algumas oportunidades, o marcador acabou por não sofrer mais nenhuma modificação.

Finalizado o encontro, o Porto garantiu uma importante vitória contra o Reus Deportiu por 4-2. O conjunto portista foi superior durante a maior parte do tempo e apenas em alguns momentos sofreu, tendo sabido aguentar e dar a volta por cima. Nota ainda para a negativa arbitragem levada a cabo pela dupla italiana composta por Luca Molli e Massimiliano Carmazzi, com os dragões a terem sido os principais prejudicados. 

No outro jogo do grupo C, o Amatori Lodi venceu, em França, o Saint Omer por 3-1. Resultado que o faz partilhar a liderança do grupo com o Porto, ambos com seis pontos.  

Reus Deportiu: 1-Candid Ballart (GR), 5-Joan Salvat (CAP.), 15-Marc Julià, 27-Alex Rodriguez e 55-César Carballeira; Jogaram ainda: 2-Joan Escala, 6-Romà Bancells, 14-Tiago Rafael e 17-Cristian Rodríguez 

FC Porto: 10-Nelson Filipe (GR), 9-Rafa, 57-Reinaldo Garcia, 77-Gonçalo Alves e 78-Hélder Nunes (CAP.); Jogaram ainda: 5-Telmo Pinto, 7-Giulio Cocco e 18-Poka

Um Leão com tudo para reinar em França

O verão foi particularmente agitado em Alvalade. O incidente que ocorrera em maio passado na Academia precipitou a saída de vários futebolistas do Sporting CP, que alegaram – em virtude do sucedido – justa causa para a rescisão dos respetivos vínculos.

Um desses jogadores foi Rafael Leão. Nascido em Almada a 10 de junho de 1999, o polivalente avançado de origem angolana era encarado como uma das promessas mais valiosas dos Leões e a sua evolução estava a ser acompanhada por olheiros de alguns dos principais emblemas europeus, com destaque para Manchester City e Borussia Dortmund.

Todavia, e contrariamente ao que já se começava a idealizar, o jovem de 19 anos optou por assinar um contrato de cinco anos com o LOSC Lille Association, emblema que concluíra a última edição da Ligue 1 (o principal escalão na hierarquia do futebol francês) a, apenas, cinco pontos dos lugares de despromoção.

LOSC Lille – Uma escolha improvável, mas com razão de ser

A formação atualmente orientada por Christophe Galtier tem vindo a adotar, de há uns anos a esta parte, uma política de aposta em jovens valores que se tem revelado bastante proveitosa, pese embora os modestos resultados desportivos registados a nível coletivo.

Note-se que, só no derradeiro mercado de transferências, o clube presidido pelo milionário luxemburguês Gérard López encaixou 53 milhões e 900 mil euros, com as vendas de Yves Bissouma (21 anos, Brighton & Hove Albion), Ibrahim Amadou (25 anos, Sevilla FC), Kévin Malcuit (27 anos, SSC Napoli), Hamza Mendyl (20 anos, FC Schalke 04) e, ainda, Mothiba (22 anos, RC Strasbourg) – sendo que desses cinco atletas apenas os médios Bissouma e Amadou e o defesa Malcuit eram titulares indiscutíveis nos Les Dogues.

Para além disso, venda do avançado sul-africano Lebo Mothiba – que se revelara um jogador importante no decorrer da época passada – para o RC Strasbourg é demonstrativa da confiança depositada em Rafael Leão, visto que, para além do jovem ex-Sporting CP, o plantel do Lille conta, apenas, com mais dois avançados: o, também, português Rui Fonte (emprestado pelo FC Fulham) e Rémy (este já com 31 anos).

Já este ano, Leão mereceu destaque por parte do diário desportivo italiano Tuttosport, que o comparou a Adriano Imperador
Fonte: Wyscout

O treinador

O marselhês Christophe Galtier é reconhecido, em França, por ter promovido, enquanto treinador do AS Saint-Étienne, a estreia na Ligue 1 de vários jovens talentos do futebol gaulês, como Allan Saint-Maximin e Kurt Zouma (Chelsea FC) – quando ambos tinham, apenas, 16 anos – ou Jonathan Bamba (seu jogador no LOSC Lille). Ademais, trata-se de um técnico que privilegia um futebol de posse, montando as suas equipas, quase que exclusivamente, em 4-2-3-1 o que, a meu ver, poderá fazer sobressair as principais caraterísticas de Rafael Leão – a velocidade, mobilidade e capacidade de drible.

Concluindo, o avançado internacional sub-21 luso tem tudo para se afirmar em França e, quiçá, ambicionar o salto para patamares mais elevados num curto/médio prazo.

 

Foto de Capa: LOSC Lille Association

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Itália 0-0 Portugal: Seleção das Quinas na Final Four da Liga das Nações

Já está! Portugal é a primeira seleção da história a garantir o apuramento para a Final Four da Liga das Nações. Num encontro em que só deu Itália e do qual a seleção portuguesa poderia ter saído em maus lençóis, a formação de Fernando Santos cumpriu os serviços mínimos pedidos, ao saber aguentar a pressão alta dos italianos e sem nunca perder o norte.

O jogo começou com a Itália por cima, com a primeira oportunidade a surgir logo aos cinco minutos: Insigne, com um tiro de fora da área, obrigou Patrício a esticar-se para uma boa intervenção. Portugal, face à agressividade dos italianos sobre a bola, via-se com muitas dificuldades em sair a jogar.

Perante um Giuseppe Meazza praticamente cheio, era a seleção da casa que ia tomando conta das ocorrências, com o meio-campo composto por Jorginho, Verratti e Barella a fazer circular o esférico a seu bel-prazer. A seleção das Quinas, com um bloco defensivo muito baixo e com os seus criativos muito recuados, ia sendo subjugada pela Squadra Azzurra.

Aos 35 minutos, Immobile teve nos pés a melhor oportunidade do primeiro tempo: Patrício, contudo, estava atento e saiu atempadamente dos postes. Um minuto depois, na sequência de um livre convertido por Insigne, o central Bonucci subiu às alturas para cabecear ao lado do poste esquerdo da baliza portuguesa.

Naquilo que era, até ao momento, uma exibição paupérrima a nível coletivo dos jogadores portugueses, Fernando Santos via também, do banco, Rúben Neves e Mário Rui a receberem o cartão amarelo e a ficarem de fora das opções para o jogo com a Polónia.

Portugal ia para o intervalo após 45 minutos de domínio italiano
Fonte: FIGC

No início do segundo tempo, a equipa de Roberto Mancini voltou a ameaçar a baliza defendida por Rui Patrício: Biraghi progrediu bem pela esquerda, cruzou rasteiro para Chiesa e o jogador da Fiorentina atirou contra o corpo de José Fonte.

A partir dos 70 minutos, logo após a entrada de João Mário em campo, Portugal cresceu na partida e chegou finalmente com perigo à área italiana: João Cancelo passou bem por Biraghi, jogou curto para o ex-Sporting e o médio de 25 anos rematou por cima do travessão. Fica na retina, sobretudo, o belíssimo passe de Rúben Neves para o lateral da Juventus.

Quando o conjunto italiano ainda recuperava do susto, William Carvalho teve nos pés a melhor oportunidade da seleção portuguesa no encontro: pontapé fortíssimo à entrada da área do jogador do Real Betis, para uma enorme defesa do jovem Donnarumma. 76 minutos decorridos em Milão e os adeptos portugueses começavam a ouvir-se nas bancadas.

Até ao apito final do holandês Danny Makkelie, a seleção lusitana limitou-se a sofrer e a esperar que as investidas transalpinas não dessem em golo. Ao assegurar o empate, Portugal garantiu o primeiro lugar do grupo 3 da Liga A e cumpriu o objetivo delineado desde início: apurar-se para a Final Four da Liga das Nações. Na próxima terça-feira, os pupilos de Fernando Santos recebem a Polónia na cidade berço para o último desafio do grupo.

 

ONZES INICIAIS:

Itália: Donnarumma, Florenzi, Bonucci, Chiellini, Biraghi; Jorginho, Verratti (Pellegrini 81’), Barella; Chiesa (Berardi 87’), Insigne, Immobile (Lasagna 74’).

Portugal: Patrício, Cancelo, Rúben Dias, Fonte, Mário Rui; Rúben Neves, William, Pizzi (João Mário 68’); Bernardo Silva, Bruma (Raphaël Guerreiro 85’), André Silva (Danilo 90’).

Sporting CP 33-31 Chekhovskie Medvevi: Só faltam duas finais

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A três jornadas do fim da fase de grupos da Velux Champions League, o Sporting CP recebeu e venceu o Chekhovskie Medvedi, da Rússia, no Pavilhão João Rocha, num jogo de extrema importância para a continuidade dos leões na prova. A equipa portuguesa ganhou por 33-31 e continua com excelentes hipóteses de seguir em frente na competição, onde ocupa agora o 1º lugar do grupo C, com 13 pontos e um jogo a mais do que o 2º classificado, Bjerringbro-Silkeborg.  O Sporting, até este encontro, somava duas derrotas em três jogos em casa na Liga dos Campeões.

Os russos entraram melhor no jogo e, por volta dos 10 minutos de jogo venciam por 3-6. A equipa ia conseguindo impor um jogo muito físico e surpreender os leões com uma defesa 5×1. A equipa do Sporting ainda acordou a tempo na primeira parte e aos 20 minuto já tinha o jogo empatado 10-10. Grande recuperação do conjunto leonino que estava a passar momentos difíceis no jogo – os verde e branco eram castigados pela fraca eficácia ofensiva e pelo excesso de falhas técnicas.

Mesmo assim, o Sporting conseguiu passar para a frente do encontro aos 27 minutos e chegar ao intervalo com uma diferença de dois golos (14-12). Skok brilhava na baliza dos bicampeões nacionais. Frankis Carol, com 4 golos, ia sendo decisivo no resultado.

Os leões somaram mais uma vitória na Velux Champions League e continuam a excelente campanha na prova
Fonte: Sporting CP

A segunda parte começou com o mesmo equilíbrio. As duas equipas a mostrarem uma enorme vontade de vencer, com os guarda redes a fazerem exibições de gala. O Sporting aos 10 minutos da segunda metade já ganhava por 21-17. Carlos Ruesga marcou um golo que certamente estará presente nos melhores tentos da jornada – um remate em rotação de 360º que acabou no fundo da baliza dos russos.

A partir dos 15 minutos, os leões tornaram-se mais passivos e permitiram o empate dos russos a 10 minutos do fim (26-26). Jogo muito complicado para o Sporting que, a três minutos do fim tinha o jogo empatado 30-30. Nestes últimos minutos, os verde e brancos conseguiram descolar dos russos, com dois golos decisivos de Luis Frade. Edmilson Araujo e Carlos Ruesga fecharam o resultado, que terminou 33-31.

Grande jogo de andebol com Frankis Carol, Carlos Ruesga, Pedro Valdés e Matevz Skok em evidência na equipa portuguesa.

O Sporting fica a depender de si mesmo e pode terminar em 1º lugar do grupo. Falta receber o Besiktas Mogaz, da Turquia, e ir à Dinamarca defrontar o Bjerringbro-Silkeborg, que já venceu os leões na visita a Lisboa, e que se encontra na 2ª posição do grupo C, com 12 pontos e menos um jogo. Duas autênticas finais para a equipa do Sporting.

EQUIPAS INICIAIS:

Sporting: Skok, Chiuffa, Ruesga, Carol, Araújo, Nikcevic, Rocha

Chekhovskie Medvevi: Pavlenko, Ostashchenko, Andreev, Santalov, Kotov, Kornev